quinta-feira, junho 11, 2026

Jorge I do Reino Unido morreu há 299 anos...

   
Jorge I (Hanover, 28 de maio de 1660Osnabruque, 11 de junho de 1727) foi o Rei da Grã-Bretanha e Irlanda de 1 de agosto de 1714 até à sua morte, e também governante do Eleitorado de Brunsvique-Luneburgo a partir de 1698.
Jorge nasceu em Hanôver e herdou os títulos e terras de seu pai e tios. Sucessivas guerras expandiram os seus domínios germânicos, e ele foi ratificado como príncipe-eleitor de Hanover em 1708. Após a morte da rainha Ana da Grã-Bretanha, Jorge ascendeu ao trono britânico aos 54 anos, como o primeiro monarca da Casa de Hanover. Apesar de mais de cinquenta católicos terem uma relação de parentesco mais próxima de Ana, o Decreto de Estabelecimento de 1701 impedia que católicos assumissem o trono britânico; Jorge era o parente protestante mais próximo da rainha. Em retaliação, os jacobitas tentaram sem sucesso depor Jorge e substituí-lo pelo meio-irmão católico de Ana, Jaime Francisco Eduardo Stuart.
Durante o reinado de Jorge, os poderes da monarquia foram diminuídos e a Grã-Bretanha começou uma transição para o sistema moderno de governo do conselho de ministros, liderados por um primeiro-ministro. No final de seu reinado, o verdadeiro poder foi exercido por Sir Robert Walpole. Jorge morreu durante uma viagem a Hanover, sendo sucedido pelo filho, Jorge II.
     
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Vasco Gonçalves morreu há vinte e um anos...

   
Vasco dos Santos Gonçalves (Lisboa, 3 de maio de 1922 - Almancil, 11 de junho de 2005) foi um militar (general) e um político português da segunda metade do século XX.
     
      
Ao tempo coronel, surgiu no Movimento dos Capitães em dezembro de 1973, numa reunião alargada da sua comissão coordenadora efetuada na Costa da Caparica. Coronel de engenharia, viria a integrar a Comissão de Redação do Programa do Movimento das Forças Armadas. Passou a ser o elemento de ligação com Costa Gomes.
Membro da Comissão Coordenadora do MFA, foi, mais tarde, primeiro-ministro de sucessivos governos provisórios (II a V). Pertencente ao grupo dos militares próximos do PCP, perdeu toda a sua influência na sequência dos acontecimentos do 25 de novembro de 1975.
Como primeiro-ministro, foi o mentor da reforma agrária, das nacionalizações dos principais meios de produção privados (bancos, seguros, transportes públicos, siderurgia, etc.) e do salário mínimo para os funcionários públicos.
O seu protagonismo durante os acontecimentos do Verão Quente de 1975 levou os apoiantes do gonçalvismo, na pessoa de Carlos Alberto Moniz, a inclusive comporem uma cantiga em que figurava o seu nome: «Força, força, companheiro Vasco, nós seremos a muralha de aço!».
Morreu a 11 de junho de 2005, aos 84 anos, quando nadava numa piscina, em casa de um irmão em Almancil, aparentemente devido a uma síncope cardíaca.
    
  

Richard Strauss nasceu há cento e sessenta anos...

    
Richard Georg Strauss (Munique, 11 de junho de 1864 - Garmisch-Partenkirchen, 8 de setembro de 1949) foi um compositor e maestro alemão. É considerado como um dos mais destacados representantes da música entre o final da era romântica e a primeira metade do século XX.
É conhecido pelas suas óperas, sobretudo Der Rosenkavalier e Salomé; pelas suas lieder, especialmente Quatro Últimas Canções (Vier letzte Lieder), pelos seus poemas sinfónicos, como Till Eulenspiegels lustige Streiche, Also sprach Zarathustra, Morte e Transfiguração (Tod und Verklärung), Uma Sinfonia Alpina (Eine Alpensinfonie) e as grandes obras orquestrais, como Metamorphosen, geralmente interpretada como uma meditação sobre a bestialidade da guerra (diante da Alemanha devastada pela guerra, da destruição de Munique e de lugares muito caros ao compositor, como a Ópera da sua cidade, onde ele fora o principal maestro, entre 1894 e 1896).
Strauss notabilizou-se como maestro na Alemanha e na Áustria. Com Gustav Mahler, é um dos principais representantes do romantismo alemão tardio, depois de Richard Wagner.
   
 

Robert Ervin Howard, o criador de Conan, morreu há noventa anos...

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Robert Ervin Howard (Peaster, Texas, 22 de janeiro de 1906 - Cross Plains, Texas, 11 de junho de 1936) foi um escritor dos géneros de fantasia e aventura histórica. Os seus contos eram publicados em revistas pulp.
Nasceu em Peaster, Texas, filho do Dr. Isaac Mordecai Howard e Hester Jane Ervin Howard, ambos naturais da Georgia e oriundos de famílias americanas de raízes escocesas. A sua família morou em várias cidades no Texas (a sul, leste e oeste), e também no oeste de Oklahoma, antes de estabelecer-se em Cross Plains, Texas, em 1919.
Começou a escrever com 9 anos (inspirado nas histórias de Harold Lamb e Talbot Mundy, publicadas na revista ""Adventures"") mas só aos 15 anos começou a escrever profissionalmente, e somente em 1924, quando estudava na academia Howard Payne, em Brownwood, teve uma história publicada, o conto Spear and Fang (Lança e Presa), que apareceu na edição de julho de 1925 da revista Weird Tales. Muitas das suas histórias vieram a ser publicadas na Weird Tales como ("The Hyena" - A Hiena - e "The Lost Race" - A Raça Perdida) e teve a sua primeira capa em 1926.
A sua inspiração deve-se aos contos de horror que ouvia da sua avó e da sua velha tia Mary Bohanoon, e, quando criança, sempre sonhara ser um bárbaro a combater contra o Império Romano, tornando-se assim um rebelde contra o mundo civilizado.
Escreveu histórias de muitos estilos mas suas criações mais famosas são as do género sword and sorcery (espada e feitiçaria) - um género de fantasia, caracterizado por sua ênfase em combates violentos e intervenções sobrenaturais (deuses, monstros, magos, etc.). Howard criou um dos personagens fantásticos mais populares de todos os tempos; o bárbaro Conan, que fez a sua estreia no conto The Phoenix on the Sword, em dezembro de 1932. Para hospedar a sua criação Howard inventou a Era Hiboriana, que se passa na própria Terra (mas num passado pré-cataclísmico, do qual a história atual não guarda lembranças). Outros personagens célebres incluem o rei Kull, o aventureiro puritano Salomão Kane e o picto Bran Mak Morn. Criou também as guerreiras Dark Agnes de la Fere e Red Sonya de Rogatino, esta última a base para a criação da personagem Red Sonja da editora Marvel Comics. Com Conan e seus outros heróis, Howard criou o género que viria a ser conhecido como “Espada e Feitiçaria” (sword and sorcery) entre os anos 20 e 30. O seu trabalho originou uma serie de imitadores, fazendo de Howard um dos grandes influenciadores no género da fantasia, apenas rivalizando com J.R.R. Tolkien.
  

(...)
  
A 11 de junho de 1936, cerca das oito da manhã, depois de ficar sabendo que a sua mãe provavelmente nunca sairia do estado de coma, Howard suicidou-se. Sentou-se no banco da frente do seu carro e deu um tiro na cabeça, mas só morreu oito horas depois. A sua mãe morreu no dia seguinte e compartilharam o funeral. Ambos estão enterrados no cemitério de Greenleaf, em Brownwood. 
     

Hoje é preciso ouvir cantar Vitorino...

Brian Wilson morreu há dois anos...

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Brian Douglas Wilson (Inglewood, California, June 20, 1942 – June 11, 2025) was an American musician, songwriter, singer and record producer who co-founded the Beach Boys. Often called a genius for his novel approaches to pop composition and mastery of recording techniques, he is widely acknowledged as one of the most innovative and significant songwriters of the 20th century. His best-known work is distinguished for its high production values, complex harmonies and orchestrations, vocal layering, and introspective or ingenuous themes. He was also known for his versatile head voice and falsetto, which degraded after the 1970s.  

 

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quarta-feira, junho 10, 2026

Morreu o astrónomo Alan Hale...

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Alan Hale (Tachikawa, 7 de março de 1958Cloudcroft, 6 de junho de 2026) foi um astrónomo profissional norte-americano, que co-descobriu o cometa Hale-Bopp juntamente com o astrónomo amador Thomas Bopp. Hale foi especialista no estudo de estrelas semelhantes ao Sol e na busca por sistemas planetários extra-solares, e tem interesses secundários nos campos de cometas e asteroides próximos à Terra. Ele foi um astrónomo ativo a maior parte de sua vida e atuou como presidente do Earthrise Institute, que ele fundou, e que tem como missão o uso da astronomia como ferramenta para quebrar barreiras internacionais e interculturais. A União Astronómica Internacional (UAI) nomeou um asteroide em homenagem a Hale, o 4151 Alanhale, em reconhecimento das suas numerosas observações de cometas. Hale morreu no dia 6 de junho de 2026, aos 66 anos.

    

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Alexandre Magno morreu há 2349 anos...

Alexandre Magno e seu cavalo Bucéfalo, na Batalha de Isso (mosaico encontrado em Pompeia)

Alexandre III da Macedónia (20/21 de julho de 356 a.C. - 10 de junho de 323 a.C.), comummente conhecido como Alexandre, o Grande ou Alexandre Magno, foi rei (basileu) do reino grego antigo da Macedónia e um membro da dinastia argéada. Nascido em Pela em 356 a.C., o jovem príncipe sucedeu ao seu pai, o rei Filipe II, no trono, aos vinte anos de idade. Passou a maior parte de seus anos no poder numa série de campanhas militares sem precedentes através da Ásia e nordeste da África. Até os trinta anos havia criado um dos maiores impérios do mundo antigo, que se estendia da Grécia para o Egito e ao noroeste da Índia. Morreu invicto em batalhas e é considerado um dos comandantes militares mais bem sucedidos da história.
Durante a sua juventude, Alexandre foi orientado pelo filósofo Aristóteles até aos 16 anos. Depois que Filipe foi assassinado, em 336 a.C., Alexandre sucedeu ao seu pai no trono e herdou um reino forte e um exército experiente. Ele havia sido premiado com o generalato da Grécia e usou essa autoridade para lançar o projeto pan-helénico do seu pai liderando os gregos na conquista da Pérsia. Em 334 a.C., invadiu o Império Aqueménida, governando a Ásia Menor, e começou uma série de campanhas que durou dez anos. Quebrou o poder da Pérsia numa série de batalhas decisivas, mais notavelmente as batalhas de Isso e Gaugamela. Em seguida, derrubou o rei persa Dário III e conquistou a Pérsia em sua totalidade. Nesse ponto o seu império estendia-se do mar Adriático ao rio Indo.
Buscando alcançar os "confins do mundo e do Grande Mar Exterior", invadiu a Índia em 326 a.C., mas foi forçado a voltar pela demanda das suas tropas. Alexandre morreu na Babilónia em 323 a.C., a cidade que planeava estabelecer como a sua capital, sem executar uma série de campanhas planeadas que teria começado com uma invasão da Arábia. Nos anos seguintes à sua morte, uma série de guerras civis rasgou o seu império em pedaços, resultando em vários estados governados pelos diádocos, sobreviventes e generais herdeiros de Alexandre.
O seu legado inclui a difusão cultural que as suas conquistas geraram, como o greco-budismo. Fundou cerca de vinte cidades que usaram o seu nome, entre as quais Alexandria, no Egito. Os seus assentamentos de colonos gregos e a propagação resultante da cultura grega no leste resultou numa nova civilização helenística, aspetos que ainda eram evidentes nas tradições do Império Bizantino em meados do século XV e a presença de oradores gregos na região central e noroeste da Anatólia até à década de 1920. Alexandre tornou-se lendário, como um herói clássico seguindo o modelo de Aquiles, e aparece com destaque na história e mitologia gregas e culturas não-gregas. Tornou-se o termo de comparação contra a qual os líderes militares se compararam e academias militares em todo o mundo ainda ensinam suas táticas. É muitas vezes classificado entre as pessoas mais influentes do mundo em todos os tempos, juntamente com o seu professor, Aristóteles.

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O império de Alexandre
   
A 10 ou 11 de junho de 323 a.C., Alexandre morreu, no antigo palácio do rei Nabucodonosor II, na Babilónia, aos 32 anos. Existem duas versões a respeito de sua morte. De acordo com Plutarco, cerca de quatorze dias antes de falecer, Alexandre deu uma festa ao almirante Nearco e passou aquela noite e a próxima bebendo. Ele teve então uma febre, que foi piorando até ao ponto de não poder falar. Aos soldados comuns, ansiosos por causa da saúde do seu rei, foi permitido passar por ele silenciosamente e acenar. A segunda versão, de Diodoro, afirma que Alexandre passou a sofrer de fortes dores após tomar uma enorme porção de vinho, numa festa a Héracles. Permaneceu fraco por onze dias; não teve febre e morreu depois de dias de agonia. Plutarco afirmou que esta última versão não seria verdade.
     
      

Música alusiva à data...

 

Pátria - Adriano Correia de Oliveira

Música: António Portugal
Letra: António Ferreira Guedes

 

A minha boca é um cravo
na tua boca desfeito
outro cravo é o coração
desfolhado no teu peito

O coração só desfolha
se lhe apodrece a raiz
triste destino o destino
da gente do meu país

A minha boca é um cravo
na tua boca desfeito
nascem cravos murcham cravos
desfolhados no teu peito

Saudades de Ray Charles (II)...

Lídice? Nunca esqueceremos...


 

Canção de Lídice

 

Irmão, é a a hora
Apronta-te agora
Passa a outras mãos a invisível bandeira!
No morrer não diferente do que na vida inteira,
Não irás render-te a estes, companheiro bravo.
Estás hoje vencido, e és por isso hoje escravo.
Mas a guerra só acaba co'a última batalha
A guerra não acaba antes da última batalha.

Irmão, é a a hora
Apronta-te agora
Passa a outras mãos a invisível bandeira!
Violência ou Justiça e a balança vacila
Mas, passada a servidão, outro dia cintila.
Estás hoje vencido, mas a coragem não te falta. 
Que a guerra só acaba co'a última batalha
Que a guerra não acaba antes da última batalha.

 


Bertold Brecht (tradução de Paulo Quintela)

Porque Portugal é terra de poetas - e terra que abandona os poetas...


 

MAR PORTUGUÊS


Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

 


in Mensagem (1934) - Fernando Pessoa

Porque hoje é preciso cantar Camões...

 

Erros meus, má fortuna, amor ardente

 
  
Erros meus, má fortuna, amor ardente
Em minha perdição se conjuraram;
Os erros e a fortuna sobejaram,
Que pera mim bastava amor somente.
 
Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas que passaram,
Que as magoadas iras me ensinaram
A não querer já nunca ser contente.
 
Errei todo o discurso de meus anos;
Dei causa [a] que a Fortuna castigasse
As minhas mal fundadas esperanças.
 
De amor não vi senão breves enganos.
Oh! quem tanto pudesse, que fartasse
Este meu duro Génio de vinganças!
 
 
Luís de Camões

Este país nos mata lentamente...

 

Camões e a tença
  
  
Irás ao paço. Irás pedir que a tença
Seja paga na data combinada.
Este país te mata lentamente
País que tu chamaste e não responde
País que tu nomeias e não nasce.
  
Em tua perdição se conjuraram
Calúnias desamor inveja ardente
E sempre os inimigos sobejaram
A quem ousou ser mais que a outra gente.
  
E aqueles que invocaste não te viram
Porque estavam curvados e dobrados
Pela paciência cuja mão de cinza
Tinha apagado os olhos no seu rosto.
  
Irás ao paço irás pacientemente
Pois não te pedem canto mas paciência.
  
Este país te mata lentamente.


   
  
   

in Dual (1972) - Sophia de Mello Breyner Andresen  

Poesia adequada à data...

Motivos para morar em Portugal

 



LOA A PORTUGAL



Dichosos los pueblos que aguardan aún el mediodía,
los que aún aran sus campos y muelen su centeno
y el pan recién cocido reparten en su mesa.
Dichosos los pueblos que zurcen el mar ola por ola
los que han hecho del mar su casa y su gobierno,
los que al acercarse al mar, le siguen ofrendando
frescas flores bermejas.



Manuel Moya



Loa a Portugal




Ditosos os povos que aguardam ainda o meio-dia,
os que ainda lavram seus campos e moem seu centeio
e o pão fresco repartem em sua mesa.
Ditosos os povos que cosem o mar onda por onda,
os que fizeram do mar sua casa e seu governo,
os que ao abeirar-se do mar, continuam a ofertar-lhe
frescas flores vermelhas.



Manuel Moya - tradução Albino M. (Rua das Pretas)

Simplesmente Portus Cale...

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Lusitânia


Os que avançam de frente para o mar
E nele enterram como uma aguda faca
A proa negra dos seus barcos
Vivem de pouco pão e de luar.
  
   
  

in Mar Novo (1958) - Sophia de Mello Breyner Andresen

Com que voz...

 

Com que voz  


Com que voz chorarei meu triste fado,
que em tão dura paixão me sepultou.
Que mor não seja a dor que me deixou
o tempo, de meu bem desenganado.

Mas chorar não estima neste estado
aonde suspirar nunca aproveitou.
Triste quero viver, pois se mudou
em tristeza a alegria do passado.

Assim a vida passo descontente,
ao som nesta prisão do grilhão duro
que lastima ao pé que a sofre e sente.

De tanto mal, a causa é amor puro,
devido a quem de mim tenho ausente,
por quem a vida e bens dele aventuro.




Luís de Camões

Música para celebrar um aniversário...

Zeca Afonso a cantar Camões...

 

Na fonte está Lianor
  
   
Mote
Na fonte está Lianor
Lavando a talha e chorando,
Às amigas perguntando:
- Vistes lá o meu amor?



Voltas
Posto o pensamento nele,
Porque a tudo o amor obriga,
Cantava, mas a cantiga
Eram suspiros por ele.
Nisto estava Lianor
O seu desejo enganando,
Às amigas perguntando:
- Vistes lá o meu amor?

O rosto sobre ua mão,
Os olhos no chão pregados,
Que, do chorar já cansados,
Algum descanso lhe dão.
Desta sorte Lianor
Suspende de quando em quando
Sua dor; e, em si tornando,
Mais pesada sente a dor.

Não deita dos olhos água,
Que não quer que a dor se abrande
Amor, porque, em mágoa grande,
Seca as lágrimas a mágoa.
Despois que de seu amor
Soube novas perguntando,
De improviso a vi chorando.
Olhai que extremos de dor! 


   
Luís de Camões

Chega de Saudade...

O massacre nazi de Lidice foi há 84 anos...

 
Poster da propaganda de guerra britânica sobre Lídice
  
Lídice (Lidice em língua checa, Liditz em alemão) é um pequena cidade da antiga Checoslováquia, hoje República Checa, famosa durante a II Guerra Mundial quando foi totalmente destruída e a grande maioria de seus habitantes assassinados pelos alemães, a 10 de junho de 1942, como vingança pela morte de seu comandante e segunda maior autoridade nas SS nazis, Reinhard Heydrich.
  
Massacre e genocídio
Em 27 de maio de 1942, Heydrich, então designado como Protetor do Terceiro Reich na Boémia e Morávia, área ocupada pelas tropas nazis há mais de três anos, dirigia-se da vila onde morava para seu escritório no centro de Praga, capital do país. Numa esquina perto de seu local de destino, o carro em que viajava foi emboscado a tiros por dois integrantes da resistência checa, treinados na Inglaterra e lançados de para-quedas sobre a Checoslováquia. Atingido pelos tiros no atentado, o oficial da SS protegido de Himmler e Hitler e um dos mais cruéis da SS, um dos idealizadores da Solução Final, morreria uma semana depois, de infeção generalizada no hospital.
Enraivecido pela morte de um de seus seguidores mais leais, Hitler ordenou ao substituto de Heydrich que fizesse de tudo e não poupasse vidas para achar os responsáveis pela morte do oficial nazi e se vingar dos checos.
Seguiu-se uma retaliação sangrenta e generalizada das tropas nazis contra a população civil checa. Em 10 de junho, aconteceria aquela que se tornaria a mais tristemente famosa por sua crueldade. A pequena vila de Lídice, uma comunidade de mineiros, perto da capital, foi cercada pelas tropas nazis, impedindo a saída de seus moradores. Todos os habitantes de sexo masculino com mais de quinze anos foram separados de mulheres e crianças, colocados num celeiro e fuzilados em pequenos grupos no dia seguinte. As mulheres e crianças da cidade foram todas enviadas para o campo de concentração feminino de Ravensbruck, onde a grande maioria viria a morrer, de tifo e exaustão, pelos trabalhos forçados. Após o assassinato e o desterro de toda a população, a cidade inteira foi demolida com explosivos e deixada apenas em terra, aplainada por tratores. Os alemães espalharam grãos e cevada pelo chão de toda a área para transformá-la em pasto e riscaram-na dos mapas da Europa. Cerca de 340 habitantes de Lídice morreram no massacre alemão, 173 homens, 60 mulheres e provavelmente 88 crianças. Uma outra pequena aldeia, Lezaky, a este de Praga, também foi destruída e os seus habitantes executados.
A vingança alemã causou perto de 1.500 mortes em toda a Checoslováquia e estendeu-se a parentes e amigos de resistentes, integrantes da elite do país suspeitos de deslealdade. Lídice foi escolhida para o massacre por ser reconhecidamente uma vila hostil aos conquistadores e suspeita de ser ponto de reunião dos assassinos de Heydrich (que acabariam suicidando-se em Praga, quando estavam prestes a serem presos pela SS).
Diferente de outros crimes de guerra que os nazis cometiam na época e mantinham em segredo, a propaganda alemã fez questão de anunciar publicamente ao mundo os eventos de Lídice, como uma ameaça e um aviso à população cativa da Europa então ocupada pela Alemanha. A notícia causou uma onda de terror e indignação mundial e a propaganda britânica aproveitou o facto para alardear os crimes do III Reich e fez um filme sobre o genocídio, “A Vila Silenciosa”.
  

O local onde se situava a vila de Lídice, hoje um cemitério sagrado e um memorial nacional
  
Lídice hoje
Lídice tornou-se um símbolo da crueldade nazi durante a guerra e diversos países batizaram cidades e vilas com o seu nome, para que ela jamais fosse esquecida, como era a intenção de Adolf Hitler, inclusive no Brasil, no estado do Rio de Janeiro. Mulheres nascidas no pós-guerra também foram batizadas com o nome de Lídice por seus pais.
Mesmo tendo sido totalmente apagada do mapa, Lídice foi novamente reconstruida e ampliada em 1949, a setecentos metros da área onde havia a vila destruída pelos nazis, mantida intocada, como um cemitério sagrado, e o terreno onde existiu é marcado apenas por um memorial - onde arde uma chama eterna - sendo um monumento nacional, mantido pelo governo checo.
  

Hoje precisamos recordar os 82 anos do crime nazi em Oradour-sur-Glane...

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Oradour-sur-Glane é uma comuna francesa, situada no departamento de Haute-Vienne, na região do Limousin.
A cidade tornou-se famosa por ter sido o local de um dos maiores massacres cometidos pelos soldados nazis das Waffen-SS durante a Segunda Guerra Mundial.
Dias após o desembarque das tropas aliadas na Normandia em 6 de junho de 1944, no que ficou conhecido como Dia D, tropas alemães estacionadas na França dirigiam-se aos locais de desembarque para travar combate com as forças aliadas. Uma delas, a 2ª Divisão Panzer SS Das Reich, da Waffen-SS, as tropas de combate de elite da SS, atravessava boa parte do país, em direção à costa, tendo sido diversas vezes fustigada no caminho por sabotagens e ações da resistência francesa, os maquis.
  
Massacre
Em 10 de junho de 1944, nas proximidades da vila de Oradour-sur-Glane, o comandante de um dos batalhões da divisão, Sturmbannführer Adolf Diekmann, comunicou aos seus oficiais subordinados que havia sido avisado por dois civis franceses da região que um oficial SS havia sido preso pelos guerrilheiros na cidade e seria executado e queimado publicamente nos próximos dias.
No começo da tarde, os pelotões da SS cercaram e fecharam a cidadezinha de Oradour e o comando convocou toda a população para a praça principal a fim de fazer uma verificação de documentos. Homens e mulheres foram separados, os homens levados a celeiros e garagens das redondezas e as mulheres e crianças fechadas na igreja do lugar.
Nos celeiros, onde os habitantes masculinos eram esperados por metralhadoras montadas em tripés, todos foram fuzilados e os celeiros queimados com os  seus corpos dentro. Dos 195 homens de Oradour presos, apenas cinco escaparam. Enquanto isso, outros SS atiraram tochas incendiárias para dentro da igreja, onde se encontravam fechadas as mulheres e crianças, causando um incêndio generalizado.
Os sobreviventes que tentavam escapar pelas janelas eram metralhados por soldados colocados em posição do lado de fora. Apenas uma mulher, Marguerite Rouffanche, conseguiu escapar entre as 452 mulheres e crianças que morreram carbonizadas na chacina, fugindo por um buraco de janela partido pelo fogo, sem ser percebida. Após a imolação, a tropa queimou a cidade até às fundações. No total, 642 habitantes de Oradour foram mortos pelas Waffen-SS em algumas horas, de um total de pouco mais de mil habitantes.
     

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A Igreja, conservada em ruínas, exatamente como ficou em 1944, 452 mulheres e crianças foram queimadas vivas pelas tropas das SS
     
Protestos
A barbárie causou uma onda de protestos dentro das próprias forças alemãs, incluindo o Marechal Erwin Rommel e o governo francês aliado dos nazis em Vichy, na França não-ocupada. O comando da divisão considerou que o comandante Dieckman havia extrapolado em muito as suas ordens - fazer 30 franceses de reféns e usá-los como moeda de troca pelo suposto oficial nazi prisioneiro - e abriu uma investigação judicial militar. Diekman não chegou a ser julgado, morrendo em combate, pouco dias depois do massacre, juntamente com a maior parte dos criminosos que destruíram Oradour-sur-Glane.
Após a guerra, o Presidente Charles De Gaulle decidiu que a cidade não seria reconstruida, permanecendo as suas ruínas como um memorial à crueldade da ocupação nazi na França. Em 1999. Jacques Chirac ergueu um centro da memória em Oradour, e nomeou oficialmente a vila como 'cidade-mártir'.
Assim como a sua cidade-irmã em martírio, Lídice, na Checoslováquia, a nova Oradour-sur-Glane é uma pequena comuna, de pouco mais de 2.000 habitantes, construída a pequena distância das ruínas silenciosas da cidade-mártir francesa da Segunda Guerra Mundial.
       
Requiem por Oradour-sur-Glane
A tragédia de Oradour foi contada na televisão mundial em documentário na aclamada série da BBCinglesa, The World at War (O Mundo em Guerra) de 1974. Na voz de Laurence Olivier, o primeiro capítulo da série abre com imagens feitas de helicóptero sobre a cidade vazia e silenciosa e a narração grave:

Por esta estrada, num dia de verão de 1944, os soldados vieram. Ninguém vive aqui agora. Eles aqui ficaram por algumas horas. Quando eles se foram, a comunidade que existia há mil anos, havia morrido. Esta é Oradour-sur-Glane, na França. No dia em que os soldados vieram, a população foi reunida. Os homens foram levados para garagens e celeiros, as mulheres e crianças foram conduzidas por esta rua e trancadas dentro desta igreja. Aqui, elas escutaram os tiros que matavam seus homens. Então, elas foram mortas também. Algumas semanas depois, muitos daqueles que cometeram essas mortes, foram também mortos, em batalha.
Nunca reconstruiram Oradour. As suas ruínas são um memorial. O seu martírio soma-se a milhares e milhares de outros martírios na Polónia, na Rússia, em Burma, na China, em..... um Mundo em Guerra.         

Kim Deal nasceu há 65 anos...!

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Kimberley Ann Deal (Dayton, Ohio,  June 10, 1961) is an American musician. She was the original bassist and co-vocalist in the alternative rock band the Pixies from 1986 to 1993 and again from 2004 to 2013. She is the frontwoman of the Breeders, which she formed in 1989.

Deal joined the Pixies in January 1986, adopting the stage name Mrs. John Murphy for the albums Come on Pilgrim and Surfer Rosa. Following Doolittle and the Pixies' hiatus, she formed the Breeders with Tanya Donelly of Throwing Muses, Josephine Wiggs of the Perfect Disaster, and Britt Walford of Slint; following the band's debut album Pod, her twin sister Kelley Deal replaced Donelly.

The Pixies broke up in early 1993, and Deal returned her focus to the Breeders, who released the platinum-selling album Last Splash in 1993, featuring the popular single "Cannonball". In 1994, the Breeders went on hiatus after Kelley entered drug rehabilitation. During the band's hiatus, Deal adopted the stage name Tammy Ampersand and formed the short-lived rock band the Amps, recording a single album, Pacer, in 1995. After her own stint in drug rehabilitation, Deal eventually reformed the Breeders with a new line-up for two more albums, Title TK in 2002 and Mountain Battles in 2008. She returned to the Pixies when the band reunited in 2004.

In 2013, Deal left the Pixies to concentrate on the Breeders, after that band's most famous line-up reunited for a new series of tours celebrating the 20th anniversary of Last Splash. In 2018, the Breeders released their fifth album All Nerve, the first album to reunite the Deals, Wiggs, and Macpherson since Last Splash. In 2024, Deal released her debut solo album, Nobody Loves You More

 

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in Wikipédia

 

Jimmy Chamberlin comemora hoje 62 anos

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James Joseph Chamberlin (Joliet, Illinois, June 10, 1964) is an American drummer and record producer. Described as "one of the most powerful drummers in rock," he is best known as the drummer for the alternative rock band the Smashing Pumpkins. Following the 2000 breakup of the band, Chamberlin joined Pumpkins frontman Billy Corgan in the supergroup Zwan and also formed his own current group, the Jimmy Chamberlin Complex.

In late 2005, Chamberlin joined Corgan in reforming Smashing Pumpkins; he eventually left the group in March 2009, though he returned again in 2015 for a summer tour, and has officially performed with the band since then. Following guitarist Jeff Schroeder's departure in October 2023, Chamberlin is the band's second-longest serving member. He also performed in the group Skysaw until 2012 and joined Chicago jazz saxophonist Frank Catalano for a string of 2013–15 performances in the Chicago area. An EP by Catalano and Chamberlin Love Supreme Collective was released on July 29, 2014.

Chamberlin originally trained as a jazz drummer and cites jazz musicians Benny Goodman, Duke Ellington, Gene Krupa, and Buddy Rich, as well as rock drummers Keith Moon, Ian Paice, and John Bonham as major influences on his technique, and primarily strives for emotionally communicative playing. In 2008, Gigwise named Chamberlin the 5th best drummer of all time. In 2016, Rolling Stone ranked Jimmy Chamberlin 53 on their list of "100 Greatest Drummers Of All Time".

 

in Wikipédia

 

Poema alusivo ao dia das medalhas...

 

A MINHA QUERIDA PÁTRIA 

 

 

a pátria 
os camões 
os aviões 
e os gagos-coutinhos 
coitadinhos 

a pátria 
e os mesmos 
aldrabões 
recém-chegados 
à democracia social 
era fatal 

a pátria 
novos camões 
na governança 
liderando 
as mesmas 
confusões 
continuando 
mesmo assim 
as velhas tradições 
de mau latim 
da Eneida 

enfim 
sabem que mais? 
pois 
vou da peida 

 

Mário-Henrique Leiria

Camões morreu, dizem, há 446 anos...

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(imagem daqui)

      
 

Camões dirige-se aos seus contemporâneos
    
Podereis roubar-me tudo:
as ideias, as palavras, as imagens,
e também as metáforas, os temas, os motivos,
os símbolos, e a primazia
nas dores sofridas de uma língua nova,
no entendimento de outros, na coragem
de combater, julgar, de penetrar
em recessos de amor para que sois castrados.
E podereis depois não me citar,
suprimir-me, ignorar-me, aclamar até
outros ladrões mais felizes.
Não importa nada: que o castigo
será terrível. Não só quando
vossos netos não souberem já quem sois
terão de me saber melhor ainda
do que fingis que não sabeis,
como tudo, tudo o que laboriosamente pilhais,
reverterá para o meu nome. E mesmo será meu,
tido por meu, contado como meu,
até mesmo aquele pouco e miserável
que, só por vós, sem roubo, haveríeis feito.
Nada tereis, mas nada: nem os ossos,
que um vosso esqueleto há-de ser buscado,
para passar por meu. E para outros ladrões,
iguais a vós, de joelhos, porem flores no túmulo.
    
     


Jorge de Sena

As armas e os barões assinalados - cantados pelo Zé Mário Branco...

 

Arrocachula - José Mário Branco

 

As armas e os barões assinalados
Que da ocidental praia lusitana
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana
E entre gente remota edificaram
Novo reino que tanto sublimaram

As armas e os barões assinalados
Que da ocidental praia lusitana
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana
E entre gente remota edificaram
Novo rеino que tanto sublimaram

Problema é que agora já conhеço
Todas as regras
Do novo jogo

E Verdade verdadinha
Já não é fácil
Ser-se músico

São as mesmíssimas palavras
Só os acentos
É que mudaram

O agudo é esdrúxulo
E o esdrúxulo
Agora é grave

Ai, as palavras estão em crise
E não é só pelo que elas querem dizer
E não é só pelo que elas querem dizer

Ai, as palavras têm raízes
E começam no som que eles estão a perder
E começam no som que eles estão a perder

La larai laraio
La larai laraio
La larai laraio

Arrocachula, arrocachula, arrocachula na espiral medular
Arrocachula, arrocachula, arrocachula na espiral medular
Arrocachula, arrocachula, arrocachula na espiral medular
Arrocachula, arrocachula, arrocachula na espiral medular
Arrocachula, arrocachula, arrocachula na espiral medular
Arrocachula, arrocachula, arrocachula na espiral medular
Arrocachula, arrocachula, arrocachula na espiral medular
Arrocachula, arrocachula, arrocachula na espiral medular
Arrocachula, arrocachula, arrocachula na espiral medular
Arrocachula, arrocachula, arrocachula na espiral medular
Arrocachula, arrocachula, arrocachula na espiral medular
Arrocachula, arrocachula, arrocachula na espiral medular 

Saudades de Ray Charles...

Gustave Courbet nasceu há 207 anos

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Auto-retrato, Gustave Courbet
 
Gustave Courbet (Ornans, 10 de junho de 1819 - La Tour-de-Peilz, 31 de dezembro de 1877) foi um pintor anarquista francês pertencente à escola realista. Foi acima de tudo um pintor de paisagens campestres e marítimas onde o romantismo e idealização da altura são substituídos por uma representação da realidade fruto de observação direta. Esta busca da verdade é transposta para a tela em pinceladas espontâneas que não deixam de lado os aspetos menos estéticos do que é observado.
Courbet nasceu numa família de milionários na França. Depois de frequentar um colégio na mesma cidade, começou a ter aulas de pintura e iniciou seus estudos de direito em Paris. Finalmente decidiu estudar desenho e pintura por iniciativa própria, copiando os grandes mestres no Louvre, principalmente Hals e Velázquez. Suas primeiras obras foram uma série de auto-retratos. Em 1844 expôs pela primeira vez no Salão de Paris e dois anos mais tarde apresentou os quadros Enterro em Ornans e O Ateliê do Artista, que lhe custaram críticas severas e a recusa do Salão de Paris devido aos seus temas demasiadamente prosaicos. Courbet não se deu por vencido e construiu um pavilhão perto do Salão, onde expôs quarenta e quatro de suas obras, que chamou de realista, fundando assim esse movimento.
O público não viu com satisfação essa nova estética das classes trabalhadoras. Courbet, enquanto isso, se reunia para compartilhar opiniões com seus amigos, entre eles o pintor e notável teórico anarquista Proudhon, o escritor Baudelaire e o irónico caricaturista Daumier.
Já se discutiu muito sobre os motivos que teriam levado Courbet a escolher os trabalhadores como tema. De facto, os homens de seus quadros não expressam nenhuma emoção e mais parecem parte de uma paisagem do que seus personagens. Courbet manteve-se, nesta etapa realista, muito longe do colorido romântico, aproximando-se, em compensação, do realismo tenebroso espanhol do barroco, com uma profusão de pretos, ocres e castanhos, banhados por uma pátina cinza. Comprova-se isto no seu quadro mais importante, O Ateliê do Artista (1855), em que manifestou sua desaprovação em relação à sociedade.
Por volta de 1850, o realismo de Courbet foi se apagando e deu lugar a uma pintura de formas voluptuosas e conteúdo erótico, de figuras femininas no estilo de Ingres, mas mais descarnadas. A elas seguiu-se uma série de naturezas-mortas, quadros de caça e paisagens marinhas que confirmaram sua capacidade criativa e técnica impecável. Por volta de 1870, Courbet foi acusado de ter destruído uma coluna da praça Vendôme, o que levou o pintor a se mudar para Viena. Em Paris, as suas obras foram rejeitadas, e o ateliê do artista foi leiloado para pagar a restauração da coluna.
 
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Un enterrement à Ornans (1949-50) - Musée d'Orsay, Paris
 
 

Le Hamac ou Le Rêve (1844), Winterthour, musée Oskar Reinhart «Am Römerholz»  

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/a4/Courbet_LAtelier_du_peintre.jpg/960px-Courbet_LAtelier_du_peintre.jpg

 O Ateliê do Artista (1855)
     
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