sábado, abril 20, 2019

A explosão da plataforma Deepwater Horizon foi há nove anos

A plataforma Deepwater Horizon antes da explosão
   
A explosão da plataforma Deepwater Horizon ocorreu no dia 20 de abril de 2010, no Golfo do México, nos Estados Unidos. O desastre consistiu na explosão da plataforma de petróleo semi-submersível Deepwater Horizon, da empresa Transocean e que estava sendo operada pela BP, afundando na quinta-feira seguinte à explosão, depois de ter ficado dois dias em chamas. Uma grande mancha de óleo espalhou-se e que chegou à costa da Louisiana e a outros estados. Houve 17 trabalhadores que ficaram feridos e 11 faleceram.
  
A torre estava na fase final da perfuração de um poço, na qual se reforça com concreto o poço. Este é um processo delicado, pois há possibilidade de os fluidos do poço serem libertados descontroladamente. No dia 20 de abril de 2010 houve uma explosão na torre e esta incendiou-se. Morreram onze pessoas em consequência deste acidente, 11 outros foram encontrados com vida. Sete trabalhadores foram evacuados para a estação aérea naval em Nova Orleães e levados para o hospital. Barcos de apoio lançaram água para a torre, numa infrutífera tentativa de extinguir as chamas. A Deepwater Horizon afundou-se a 22 de abril de 2010, em águas com aproximadamente 1500 metros de profundidade, e os seus restos foram encontrados no leito marinho a aproximadamente 400 metros a noroeste do poço.
O derrame de petróleo resultante prejudicou o habitat de centenas de espécies de aves.
   
A BP anunciou, em 17 de julho de 2010, ter conseguido estancar temporariamente o derrame de petróleo, depois de instaladas novas válvulas que conseguiram travar o derrame.
  
Imagem da NASA mostrando o petróleo a 25 de abril de 2010, vendo-se o delta do Mississippi 

Um dos maiores assassinos do século XX nasceu há 130 anos

Adolf Hitler (Braunau am Inn, 20 de abril de 1889 - Berlim, 30 de abril de 1945), por vezes em português Adolfo Hitler, foi um militar e político, líder do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (em alemão: Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei, NSDAP), também conhecido por Partido Nazi, uma abreviatura do nome em alemão (Nationalsozialistische), sendo ainda oposição aos sociais-democratas, os Sozi. Hitler tornou-se chanceler e, posteriormente, ditador alemão. Era filho de um funcionário de alfândega de uma pequena cidade fronteiriça da Áustria com a Alemanha.
  

Miró nasceu há 126 anos


Mural cerâmico no Wilhelm-Hack-Museum de Ludwigshafen (1971)
   
  

O Massacre de Columbine foi há vinte anos

Instituto Columbine (foto de satélite)
Local Columbine, Colorado, Estados Unidos
Coordenadas
Data 20 de abril de 1999
11.16  - 12:08 (hora local - UTC-6)
Tipo de ataque Massacre escolar, assassinato em massa, massacre, ataque suicida, ataque com bombas improvisadas.
Arma(s) TEC-DC9, Hi-Point, Savage 67H, Stevens 311D
Mortes 15 (incluindo os 2 assassinos)
Feridos 25
Responsável(is) Eric Harris e Dylan Klebold

O Massacre de Columbine aconteceu a 20 de abril de 1999, no Condado de Jefferson, Colorado, Estados Unidos, no Instituto Columbine, onde os estudantes Eric Harris (aka ReB), de 18 anos, e Dylan Klebold (aka VoDkA), de 17 anos, atiraram sobre vários colegas e professores.
Eric Harris e Dylan Klebold eram aparentemente adolescentes típicos de um subúrbio americano de classe média alta que moravam em casas confortáveis (o pai de Klebold era geofísico e a mãe especialista em crianças deficientes).
Harris e Klebold deixaram uma nota, encontrada perto dos seus corpos: "Não culpem mais ninguém por nossos atos. É assim que queremos partir". Faltavam apenas 17 dias para o fim do ano letivo. Com 1.965 alunos, Columbine era uma escola tão boa que muitas famílias mudaram para Littleton, perto de Denver, com o objetivo de matricular os filhos na escola, pois, em média, 82% de seus alunos são aceites em universidades (nos Estados Unidos não há exames, o que conta é o desempenho do aluno no ensino secundário). Columbine também se orgulhava de não registar casos de violência. O polícia de plantão limitava-se a multar alunos que estacionavam os carros nos lugares de professores e não havia, como nas escolas de Nova York, Los Angeles e Chicago, detectores de metais na entrada. Nas festas de formatura, os alunos costumavam aceitar o pedido dos pais para vetar as bebidas alcoólicas. Columbine era famosa por ser conservadora e privilegiar os jogadores de equipas de futebol americano, basebol e basquetebol, sendo esse o rastilho da tragédia.
Harris e Klebold, ótimos alunos de boas famílias, não eram populares na escola. Preferiam os computadores aos desportos. Encontraram os seus amigos num grupo chamado a Máfia da Capa Preta. Ridicularizados pelos atletas, remoíam planos de vingança e extravasavam o seu ódio na Internet. Harris, principal cabeça por trás do ataque, tinha um website, já desativado, no qual colecionava suásticas e sinistros vídeos neonazis e até dava receitas para a fabricação de bombas. No seu auto-retrato, escreveu: "Mato aqueles de quem não gosto, jogo fora o que não quero e destruo o que odeio". Já Klebold dizia que seu número pessoal era "420", possivelmente uma referência à data de nascimento de Hitler, 20 de abril.
Os diários dos jovens foram encontrados, mas ainda não se chegou a uma conclusão sobre o motivo do ataque. «Não eram rapazes comuns que foram importunados até retaliarem», escreveu o psicólogo Peter Langman no seu livro, "Why Kids Kill: Inside the Minds of School Shooters" ("Por que Matam Crianças: Dentro das Mentes dos Atiradores Escolares") «Não eram rapazes comuns que jogavam videojogos demais», «Não eram rapazes comuns que queriam apenas ser famosos», «Eles simplesmente não eram rapazes comuns», «Eram rapazes com problemas psicológicos sérios».
No seu diário Harris mostrava toda a sua revolta e o seu "desejo de ser Deus", enquanto Klebold mostrava uma grande depressão:
Harris escreveu certa vez: "Eu me sinto como Deus, e gostaria que fosse assim, para que todos estivessem OFICIALMENTE abaixo de mim" Enquanto Klebold escreveu "Eu sou um deus, um deus da tristeza"
Foi referido que no dia do ataque, Harris usava uma camisola escrita Natural Selection (Selecção Natural) e Klebold uma escrita «Wrath» (Ira/Raiva).
A socióloga de Princeton, Katherine Newman, co-autora do livro de 2004, "Rampage: The Social Roots of School Shootings" ("Violência: As Raízes Sociais dos Tiroteios em Escolas"), disse que jovens como Harris e Klebold não eram solitários, apenas não eram aceites pelos colegas que importavam: «Obter atenção ao se tornar notório é melhor do que ser um fracassado».
Langman, cujo livro traça o perfil de 10 atiradores, incluindo Harris e Klebold, descobriu que nove sofriam de depressão e pensamentos suicidas, uma combinação "potencialmente perigosa", disse ele. «É difícil impedir um assassinato quando os assassinos não se importam em viver ou morrer. É como tentar deter um homem-bomba».
Eric Harris e Dylan Klebold conseguiram o seu arsenal comprando-o na internet - duas caçadeiras, uma pistola semi-automática e uma arma de assalto de 9mm, e  acharam, também na Internet, a receita para fabricar as bombas. Um vizinho viu os dois, na segunda-feira, na véspera do massacre, partindo garrafas com um taco de basebol. Os cacos seriam usados como estilhaços nas bombas, mas o vizinho não desconfiou de nada. Harris escreveu num diário os planos do ataque à escola. Um diagrama mostrava como as armas seriam escondidas sob as longas capas de couro preto. Num exemplar do livro de formatura do colégio, Harris escreveu sobre as fotos, quem ia morrer e quem seria poupado: "Morto", "Morrendo" e "Salvo".
Até o final da semana pairava no ar a suspeita de que os atiradores tinham contado com a ajuda de cúmplices no ataque. Duvidando de que pudessem carregar sozinhos mais de 30 bombas para dentro do colégio, a polícia investigava outros membros da Máfia da Capa Preta. Entre a invasão da escola, às 11.30 da manhã, e a descoberta dos corpos pela polícia, às 04.00 da tarde, os cúmplices podem ter deixado o prédio misturados à multidão que conseguiu escapar. A equipe da SWAT ordenava que todos levassem as mãos à cabeça, mas não tinha como separar supostos atacantes de vítimas.
Centenas de alunos e um professor trancados nas salas, ouviam os tiros e explosões sem saber o que estava acontecendo. Muitos ligaram para casa pelos telemóveis, sussurrando, para pedir por socorro. Harris e Klebold acompanhavam tudo na TV da biblioteca, vendo a transmissão em direto do cerco à escola. No final, depois de meia hora de silêncio, a SWAT invadiu a biblioteca e encontrou os corpos dos dois cercados de outros, alguns irreconhecíveis. O sangue era tanto que a polícia divulgou a estimativa de 25 mortos. Só no dia seguinte, desativadas todas as bombas, se pôde retirar e contar os corpos.
 
O Memorial HOPE da Biblioteca de Columbine,  que substitui a biblioteca onde parte do massacre ocorreu
   

sexta-feira, abril 19, 2019

Lord Byron morreu há 195 anos

George Gordon Byron, 6º Barão Byron (Londres, 22 de janeiro de 1788 - Missolonghi, 19 de abril de 1824), melhor conhecido como Lorde Byron, foi um destacado poeta britânico e uma das figuras mais influentes do Romantismo, célebre por suas obras-primas, como Peregrinação de Child Harold e Don Juan (o último permaneceu inacabado devido à sua morte iminente). Byron é considerado como um dos maiores poetas europeus, é muito lido até os dias de hoje.
Toda a obra de Byron, que exprime o pessimismo romântico, com a tendência a se voltar contra os outros e contra a sociedade, pode ser vista como um grande painel autobiográfico. Foram novos, em sua postura, o tom declarado de rebeldia ante as convenções morais e religiosas e o charme cínico de que seu herói demoníaco sempre se revestiu.
A fama de Byron não se deve somente aos seus escritos, mas também a sua vida - amplamente considerada extravagante - que inclui numerosas amantes, dívidas, separações e alegações de incesto.
Encontrou a morte em Missolonghi, onde estava lutando ao lado dos gregos, na sua luta pela independência da opressão turca. Segundo consta, a causa da morte parece ter sido uremia, complicada por febre reumática. A sua filha, Ada Lovelace, colaborou com Charles Babbage para a criação do engenho analítico, um passo importante na história dos computadores, papel ímpar para uma mulher na História da Ciência do século XIX.
A família Byron
Ameaçado de excomunhão, pelo assassinato de Thomas Becket, o rei Henrique II prometeu ao papa fazer penitência e donativos aos mosteiros. Ordenou que árvores fossem tombadas e que se construíssem no local abadias, dedicadas à Virgem, que receberam o nome de Newstead.
Os monges que viviam em Newstead obedeciam a regras simples, tais como: não possuir nada, amar a Deus e ao próximo, vencer as tentações carnais e não fazer nada que provocasse escândalos. Além disso, distribuíam aos pobres esmolas anuais, em memória de seu fundador.
Os abades sucederam-se durante três séculos, até o reinado de Henrique VIII. Este, com a intenção de se casar com Ana Bolena, pediu ao papa para que anulasse seu casamento com Catarina de Aragão. O papa recusou.
Foi então, decretado o confisco de todos os conventos religiosos que não dispusessem de renda maior que 200 libras. A abadia de Newstead foi atingida pelo decreto e, os cónegos que ali viviam, foram expulsos, com mínimos benefícios concedidos pelo rei.
Os camponeses, frustrados, viram partir os monges. Imaginaram que eles iriam assombrar as celas vazias e que a abadia causaria desgraças a quem ousasse comprá-la. Um ano depois, o rei Henrique VIII vendeu o mosteiro ao seu fiel súbdito, Sir John Byron, conhecido como o “Pequeno Sir John da Barba Grande”.
Sir John pertencia a uma família que possuía muitas terras. Ele transformou a abadia num imenso e belo castelo e os seus descendentes apegaram-se àquela casa. Ninguém, exceto os camponeses, imaginava que a influência dos monges viesse a afetar tanto a família Byron.

A influência dos monges
O quarto lorde Byron, que viveu no século XVII, teve dois filhos que iriam marcar pela eternidade as influências negativas dos monges sobre a família: O mais velho, quinto lorde Byron, teve seu destino marcado pelo assassinato que cometeu. Ele estava numa taberna, conversando sobre caça, quando iniciou uma ignóbil discussão com Chaworth, que havia falado mal do quinto Lorde por suas falhas na caça.
Ambos se enfrentaram e Chaworth foi rasgado pela espada de Byron. O quinto e desgraçado Lorde Byron foi julgado e absolvido. Porém carregou consigo o eterno peso de ser encarado como um assassino. Talvez, por isso, tenha desenvolvido um comportamento estranho durante sua vida, o mesmo comportamento que o qualificou com o apelido de “Lorde mau”.
Durante a noite, ele abria as represas dos rios para destruir as fábricas  de fiação; esvaziava os lagos dos vizinhos; mandou construir na margem de seu lago dois pequenos fortes de pedra, e mantinha uma frota de barcos de brinquedo, os quais fazia flutuar no lago; organizava sobre seu próprio corpo corridas de grilos que, segundo seus criados, lhe obedeciam.
Já o seu irmão (avô do Byron poeta) não conseguia fugir da semelhante sina. “Jack Mau-Tempo”, como era chamado, era um azarado almirante, que morreu como vice-almirante em 1786. O seu apelido não era ocasional. Diziam que toda vez que Byron preparava o barco e posicionava-se sobre ele, uma forte tempestade armava-se. “Jack Mau-Tempo” teve dois filhos: o mais velho, John, pai do Byron poeta, era soldado. O segundo, Georges Anson, marinheiro.

O nascimento e casamento com Catherine de Gight
John Byron era um soldado violento e que acumulava monstruosas dívidas, facto que levou a ser apelidado de “Jack o Louco”. Casou-se com a, até então, Marquesa de Carmarthen, uma linda jovem que abandonou o seu marido, Lord Carmarthen, para ficar com Byron, tornando-se assim, a baronesa Conyers.
Com Lady Conyers, Byron teve uma filha: Augusta Byron. Logo após o nascimento de Augusta, Lady Conyers morreu. Alguns dizem que ela foi vítima de maus-tratos de John Byron. Os Byron se defendem, alegando que sua morte foi ocasionada por imprudência da mesma, ao caçar a cavalo ainda de repouso do parto.
Logo depois da morte de Lady Conyers, John Byron foi “afogar suas mágoas” em Bath, um balneário em moda na época. Lá conheceu Catherine de Gight, uma órfã e herdeira escocesa. Catherine era feia: pequena, gorda, com pele corada demais e nariz comprido. Porém, possuía algo em que John Byron se interessava: era herdeira de 23 mil libras, destas, três mil liquidas e o resto representado pela propriedade de Gight, direitos de pescas de salmão e ações de um banco em Aberdeen.
Apesar de bem nascida, Catherine era herdeira de uma família que carregava em sua história trágicos acontecimentos. Os Gordon, representados pelo primeiro senhor de Gight, Sir William Gordon, eram realmente marcados por má sina: William Gordon morreu afogado, Alexandre Gordon assassinado, John Gordon enforcado, e por aí segue. Os membros da família possuíam um temperamento semelhante aos bárbaros. Bastava alguém se intrometer em seus caminhos, que de imediato eram atacados e mortos pelos mesmos.
A ira dos Gordon não foi suficiente para impedir o casamento de Catherine com John. Desse casamento, marcado pela desgraça, nasce George Gordon Byron, o poeta que mudaria as vertentes dos movimentos literários e submeteria fiéis seguidores às suas peripécias.
Não demorou muito para a rica Catherine, se submeter às perdas irreparáveis possibilitadas pelo marido. John tratou de gastar não só a fortuna liquida, como todos os bens de Catherine. Como se não bastasse, o mesmo tinha amantes por todos os cantos, maltratava Catherine, era audacioso para conquista de suas vontades e viveu muito bem! Até morrer à míngua: John suicidou-se pela miséria que o mesmo construiu. Tal miséria não era apenas uma consequência subjetiva, ela alastrou também à vida de Catherine. Foi essa a herança deixada por John Byron, até então.
George Gordon Byron: o poeta começa a descobrir o mundo
George Gordon Byron cresceu graças ao sacrifício custoso da sofrida mãe. Sozinha, Catherine desdobrou-se para criar o pequeno Byron. Procurou sempre as melhores referências para que Byron fosse alguém melhor que seu pai. Porém, não era apenas de virtudes que  Catherine usava: constantemente, era abordada por um sentimento de ira e infelicidade, os quais descontava em seu filho, batendo-lhe. Além da mãe, o pequeno Byron contava com a ira incógnita de sua governanta, cujo nome era May Gray.
Sob o teto de uma criação instável, Byron ainda portava uma pequena enfermidade que o marcaria com forte veemência: ele possuía um defeito numa das pernas, era coxo. Tal defeito foi um obstáculo enorme no desenvolvimento do garoto, que se sentia envergonhado perante os outros. O tratamento, exaustivo, também o irritava muito.
Contudo, os anátemas destinados a esse Byron, não fariam tanto efeito como pensado. O rapaz possuía características peculiares que o destacavam. Apaixonou-se por literatura ao primeiro contacto - ainda bem novo - com a história de Caim e Abel contada por um professor de História de sua escola. Além de tudo, foi conquistando amigos no colégio de maneira bastante surpreendente, citemos: uma certa vez, um rapaz - primeiro amigo de Byron - apanhava de um tirano grandalhão. Byron, com a voz trémula e os olhos cheios de lágrimas, perguntou para o autor, quantos socos pretendia dar em seu amigo. Surpreendido, o garoto perguntou o motivo dessa “estúpida” pergunta. Byron, disse: “Se não se importar, gostaria de receber a metade”.
Byron conquistou, também, o diretor de seu colégio, o doutor Joseph Drury, que - de tanta afeição - ofereceu-se para ensinar latim e grego a Byron. O dr. Drury foi um grande condutor do menino Byron, porém ganhou diversos momentos de enxaquecas pela ousadia de tentar disciplinar o rapaz.

Polémica
Byron havia-se irritado com as audácias malignas da mãe. Com isso, resolveu deixar a cidade de Southwell e partiu para Londres. Lá, enquanto esperava alcançar a maioridade, Byron decidiu ser poeta, embalado pelos literatos que, durante toda sua adolescência, leu.
Escreveu uma série de poemas e, apoiado por uma amiga de Southwell - cujo nome era Elizabeth - publicou o seu primeiro livro: Horas Ociosas. Byron havia dedicado grande parte de seu tempo para concretizar o projeto. Deixou ao encargo de Elizabeth a organização e a impressão. Os primeiros exemplares impressos foram distribuídos a amigos e conhecidos. Logo então, os consequentes exemplares foram entregues às livrarias e propostos a consignação. Byron, ansioso, visitava o máximo possível de livrarias para conferir a vendagem, que por sinal era boa.
Logo, começaram as críticas: as pessoas de Southwell não haviam gostado do livro, faziam críticas frias ao trabalho de Byron e se sentiam ofendidas com suas manifestações de ódio ao lugar (Southwell). Já a crítica se ocupou da duplicidade de opinião de sempre: uns elogiavam, outros arrasavam.
Byron recebia elogios de seus amigos e de familiares distantes. Porém, um aviso sobre um artigo hostil e violento que seria publicado na Revista de Edimburgo - principal órgão liberal escocês, lhe chegou aos ouvidos. Ele esperava com grande ansiedade, mas não esperava tanto: “A poesia desse jovem Lord pertence àquela cuja existência nem Deus e nem os homens admitem. Para diminuir o seu crime, o nobre autor apresenta sobretudo o argumento de sua menoridade. Provavelmente pretende dizer: vejam como um menor pode escrever! Este poema foi feito por um rapaz de 18 anos... e este por um de 16!...”, e por aí prossegue, com um tom igualmente cruel. Byron ficou arrasado. Pensou em replicar, mas decidiu calar-se - por enquanto. Relevou o facto de que todos os escritores passam por isso em suas respectivas carreiras e prosseguiu com a mesma empolgação.
Lord Byron decidiu partir para uma viagem incógnita, na qual ele pretendia descobrir as belezas dos países vizinhos a Inglaterra. Visitou vários países e dividiu o seu gosto pela beleza contrastante entre as obras góticas e as produzidas pela guerra. Byron achava lindas as paisagens de uma cidade destruída e pelos corpos moribundos, caídos pelos cantos. Obteve diversas experiências e voltou renovado para Inglaterra. Foi, então, convocada a sua presença na Câmara dos Lordes para tomar posse do seu cargo. Byron agiu completamente contra as tradições que assolavam a Câmara: primeiro, foi acompanhado apenas de um amigo, enquanto a presença da família nunca deixou de existir como princípio aos Lordes. Depois, agiu como um indiferente ao receber os cumprimentos do presidente da Câmara. O seu amigo espantou-se ao presenciar tamanha arrogância: Byron ofereceu ao “presidente” apenas as pontas dos dedos como forma de, segundo ele, “não iludi-lo em relação ao seu possível apoio, pois não o daria a ninguém deste lugar”.
O tempo se passou e o poeta resolveu lançar seu mais novo trabalho: Childe Harold. O livro contava suas aventuras durante a viagem pela Europa e foi concebido pela sociedade como um novo fenómeno literário. Byron, de início, não acreditava que seu livro fosse capaz de causar tanto frisson; contudo, foi o que aconteceu. A obra explodiu como uma bomba prestes a iniciar novos tempos na vida de um homem que, por sua vez, estava prestes a viver algo bem mais explosivo que o sucesso: o incesto.
Nasce o Dom Juan e a eterna tormenta...
A nova vida se instalava com ares de idolatria. Um rei suspenso de seu posto por toda vida e que definitivamente tomava seu devido lugar. Byron era aclamado em todos os cantos da grande Inglaterra. Intelectuais, políticos, artistas e - principalmente - mulheres, proclamavam o seu nome em todas as discussões imagináveis.
O pequeno jovem coxo, antes recusado por inúmeras mulheres, era então o ideal imaginário de nove entre dez mulheres inglesas. Todas fantasiavam suas feições, imaginavam seus dotes e deslumbravam-se aos versos de uma literatura excêntrica e real.
Como não poderia deixar de ser, Byron enfeitiçou a alma de inúmeras mulheres - na sua maioria, casadas - e viveu romances pitorescos, condenados ao fim pelo desprezo e pela indiferença do poeta. Assim, diversas mulheres, cujos casamentos estavam condenados às ruínas, deixavam-se cobrir pelos braços do poeta querido.
Mas Byron, frágil e propenso à desgraça, não escaparia do peso maior que carregaria por toda sua vida: Augusta, a sua irmã, estava em condições iguais das mulheres casadas que se renderam aos encantos de Byron. O seu casamento não ia bem, e refugiou-se na casa do irmão para aliviar a tensão que a perseguia desde então. Byron recebeu-a de braços abertos e toda sua admiração transformou-se em cordialidade. Entretanto, algo bombástico alimentava a sua ânsia. Começou a enxergar a irmã com outros olhos: via-a como uma semelhança, um espelho raro petrificado por idêntica sina, como uma possibilidade de encontrar o Byron escondido pelo ser anti-social e céptico. Além, enxergava-a como uma mulher de exorbitante beleza e que precisava de algo a mais do que os braços seguros de um irmão. Não pensou lucidamente, quando esqueceu a semelhança sanguínea, a hereditariedade e as anátemas profetizadas em nome de um ato incomum e estonteante. Contudo, seguiu controlando-se, até as asas de uma vida errante produzirem névoas bruscas e não fornecerem apoio para a negação. Nada propunha a Byron um caminho contrário ao do seguido. Não obstante, Augusta voltou para casa grávida...
Morte
Lord Byron morreu enquanto lutava na Guerra de Independência da Grécia, em 1824, de febres contraídas no campo de batalha. Encontra-se sepultado na Igreja de Santa Maria Madalena, Hucknall, Nottinghamshire na Inglaterra.
  
   


  
Lines Inscribed Upon a Cup Formed from a Skull, 1808


Start not - nor deem my spirit fled;
In me behold the only skull
From which, unlike a living head,
Whatever flows is never dull.

I lived, I loved, I quaffed, like thee:
I died: let earth my bones resign;
Fill up - thou canst not injure me;
The worm hath fouler lips than thine.

Better to hold the sparkling grape,
Than nurse the earth-worm's slimy brood;
And circle in the goblet's shape
The drink of gods, than reptile's food.

Where once my wit, perchance, hath shone,
In aid of others' let me shine;
And when, alas! our brains are gone,
What nobler substitute than wine?

Quaff while thou canst: another race,
When thou and thine, like me, are sped,
May rescue thee from earth's embrace,
And rhyme and revel with the dead.

Why not? Since through life's little day
Our heads such sad effects produce;
Redeemed from worms and wasting clay,
This chance is theirs, to be of use.


Versos Inscritos numa Taça Feita de um Crânio


Não, não te assustes: não fugiu o meu espírito
Vê em mim um crânio, o único que existe
Do qual, muito ao contrário de uma fronte viva,
Tudo aquilo que flui jamais é triste.

Vivi, amei, bebi, tal como tu; morri;
Que renuncie a terra aos ossos meus
Enche! Não podes injuriar-me; tem o verme
Lábios mais repugnantes do que os teus olhos.

Onde outrora brilhou, talvez, minha razão,
Para ajudar os outros brilhe agora eu;
Substituto haverá mais nobre que o vinho
Se o nosso cérebro já se perdeu?

Bebe enquanto puderes; quando tu e os teus
Já tiverdes partido, uma outra gente
Possa te redimir da terra que abraçar-te,
E festeje com o morto e a própria rima tente.

E por que não? Se as frontes geram tal tristeza
Através da existência (curto dia ...),
Redimidas dos vermes e da argila
Ao menos possam ter alguma serventia.

Poema para dia especial


Ecce Homo - Museu Nacional de Arte Antiga
  
Sexta-feira Santa

A conversa era sobre Deus,
embora o teólogo estivesse inclinado
a pensar que fosse sobre outra coisa,
pois era hora de jantar.
Pegou num cigarro e perguntou às senhoras se podia fumar.
Tinha devorado o pargo com honesto apetite
e elogiava as virtudes do cozinheiro.
Só Deus, algures, chorava sobre
os despojos da sua pequena criatura na travessa
a caminho da copa, antes da sobremesa.


in
Atropelamento e fuga (2001) - Manuel António Pina

O poeta Manuel Bandeira nasceu há 133 anos

Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho (Recife, 19 de abril de 1886 - Rio de Janeiro, 13 de outubro de 1968) foi um poeta, crítico literário e de arte, professor de literatura e tradutor brasileiro.
   
  
   
DESENCANTO

Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.

Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.

E nestes versos de angústia rouca,
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.

- Eu faço versos como quem morre.


Teresópolis, 1912.

in A cinza das horas (1917) - Manuel Bandeira

O trágico final do Cerco de Waco foi há 26 anos

A sede de Monte Carmelo - renomeada "Rancho Apocalipse" - em chamas
   
O Cerco de Waco foi um cerco realizado pelo governo dos Estados Unidos, que começou em 28 de fevereiro de 1993, quando o Bureau of Alcohol, Tobacco, and Firearms tentou cumprir um mandado de busca na sede (denominada "Monte Carmelo" em função do lugar bíblico) do Ramo Davidiano, uma propriedade a 14 km de Waco, Texas. Um tiroteio resultou nas mortes de quatro agentes e seis seguidores de David Koresh. Seguiu-se um cerco de 51 dias, que terminou com em 19 de abril, quando um incêndio destruiu o conjunto. Setenta e seis pessoas (24 delas com nacionalidade britânica) faleceram no incêndio, assim como mais de 20 crianças, duas grávidas e o próprio Koresh.
   
(...)
   
O FBI pensou que os davidianos pudessem cometer suicídio coletivo, tal como aconteceu em Jonestown, onde 900 pessoas se mataram a pedido do seu líder, ainda que Koresh negasse repetidamente tais planos quando indagado pelos negociadores. Em função de os davidianos estarem fortemente armados, o FBI usou rifles de calibre .50 (12.7 mm) e veículos blindados (CEVs). A investida aconteceu em 19 de abril. Tanques inseriram bombas de gás lacrimogéneo através de buracos, para que os davidianos saíssem sem feri-los. Não se faria nenhum ataque armado a princípio e alto-falantes seria usados para dizer que não haveria ataque com armas e que não atirassem nos veículos. Quando vários davidianos atiraram, a resposta do FBI consistiu em aumentar a quantidade de gás.
Após mais de seis horas sem que os davidianos saíssem do edifício, buscando refúgio numa casamata interna ou usando máscaras de gás. O FBI diz que abriu grandes buracos para permitir a fuga.
Por volta do meio-dia, três focos de incêndio irromperam quase simultaneamente em partes diferentes do prédio. O governo sustenta que isso foi feito de forma deliberada pelos davidianos. Os sobreviventes dizem que os focos começaram em função da ação - acidental ou deliberada - dos veículos blindados. Quando o fogo se espalhou, os davidianos foram impedidos de escapar, enquanto outros se recusaram a partir e ficaram encurralados. No total apenas 9 pessoas deixaram o edifício durante o incêndio.
Os davidianos restantes podem ter sido soterrados pelos destroços, sufocados pela fumaça ou recebido tiros. Muitos dos asfixiados morreram pela fumaça ou pela inalação de monóxido de carbono e outras causas enquanto o fogo tomava conta do edifício. Imagens foram transmitidas nacionalmente pela televisão. Ao todo, 75 morreram (50 adultos e 25 crianças com menos de 15 anos) e 9 sobreviveram ao fogo.
   

O atentado de Oklahoma City foi há 24 anos

O edifício Alfred P. Murrah, dois dias depois do atentado
  
O Atentado de Oklahoma City, foi um ataque terrorista perpetrado pelo americano Timothy McVeigh, em 19 de abril de 1995 em Oklahoma City, que teve como alvo o Edifício Federal Alfred P. Murrah. Foram mortos 168 pessoas e houve mais de 500 feridos. Foi o maior atentado nos Estados Unidos desde a explosão em 1993 de outro carro-bomba, no World Trade Center, em Nova York. Desde então passou a ser considerado o maior realizado, até aos ataques de 11 de Setembro de 2001, o pior ocorrido em solo americano.
Diversos fatores externos influíram em McVeigh para que usasse camião bomba em frente ao antes citado edifício. Entre eles cabe mencionar a tragédia de Ruby Ridge (1992) e o massacre de membros do Ramo Davidiano em Waco, no Texas (1993), conhecido como o Cerco de Waco.
A explosão destruiu completamente a fachada e muitos pisos do edifício, no entanto, não conseguiu derrubá-lo em sua totalidade. A bomba utilizada no atentado foi fabricada por McVeigh e Terry Nichols.
 
Às 09.02 horas de quarta-feira, dia 19 de abril de 1995, na rua em frente ao edifício federal Alfred P. Murrah, McVeigh estacionou um camião Ryder que continha cerca de 2.300 kg de explosivos caseiros. A bomba era composta de nitrato amónico misturado com combustível, e nitrometano, um combustível altamente volátil; a esta mistura é conhecida como ANFO (por suas siglas em inglês: amonium nitrate, fuel oil). Os efeitos da explosão foram sentidos até Puente Creek, a uma distância de cerca de 50 km.
Noventa minutos depois da explosão, Timothy McVeigh, um veterano da Guerra do Golfo, foi preso enquanto viajava para norte de Oklahoma City por conduzir um veículo sem matrícula de circulação, e foi associado ao atentado.
 

quinta-feira, abril 18, 2019

Antero de Quental nasceu há 177 anos

Antero Tarquínio de Quental (Ponta Delgada, 18 de abril de 1842 - Ponta Delgada, 11 de setembro de 1891) foi um escritor e poeta português que teve um papel importante no movimento da Geração de 70.
   
   
     
Mea Culpa

Não duvido que o mundo no seu eixo
Gire suspenso e volva em harmonia;
Que o homem suba e vá da noite ao dia,
E o homem vá subindo insecto o seixo.

Não chamo a Deus tirano, nem me queixo,
Nem chamo ao céu da vida noite fria;
Não chamo à existência hora sombria;
Acaso, à ordem; nem à lei desleixo.

A Natureza é minha mãe ainda...
É minha mãe... Ah, se eu à face linda
Não sei sorrir: se estou desesperado;

Se nada há que me aqueça esta frieza;
Se estou cheio de fel e de tristeza...
É de crer que só eu seja o culpado!


in
Sonetos Completos (1886) - Antero de Quental

Um sismo arrasou a cidade de São Francisco há 113 anos

Terramoto de 1906 em São Francisco: o incêndio alastrando na cidade

O sismo de San Francisco de 1906 (em inglês: 1906 San Francisco earthquake) foi um violento sismo que ocorreu às 5:14 horas da manhã no dia 18 de abril de 1906 em São Francisco. Com magnitude estimada média de 8.0 na Escala de Richter. Conhecido como The Great San Francisco Earthquake (em Português, "O Grande Terremoto de São Francisco"), ou somente apelidado como The Great Quake, o maior nos Estados Unidos já registrado na escala de Richter. O terremoto teve duração de aproximadamente 28 segundos, tendo morrido milhares de pessoas.
Outros locais sofreram estragos importantes, nomeadamente Santa Rosa, São José e a Universidade de Stanford. Cerca de 225.000 pessoas encontraram-se sem teto dos cerca de 400 000 habitantes daquelas áreas, na ocasião.
O geólogo que reportou-se no inquérito oficial da cidade de San Francisco diz:
"O epicentro do distúrbio estava provavelmente no fundo do oceano, uma distância curta da costa, oposto à linha do limite norte do condado de Mendocino, e a região da sua maior intensidade estendeu-se em direção a sul do ponto nomeado a uma distância de cem milhas do Sudeste de San Francisco. A linha do distúrbio foi a que é conhecida como a falha "Tomales-Portola", a linha de que foi seguido distintamente de Point Arena, condado de Mendocino, a sul de Hollister, condado de San Benito, exceto em pontos que a linha passa sob o oceano. Este é o caso oposto a San Francisco, a linha-falha, que está poucas milhas do lado de fora da Golden Gate Bridge (a famosa ponte Golden Gate). Foi a ruptura da superfície da terra ao longo desta linha-falha que causou o distúrbio, o que provou tão desastroso. A falha ainda não se chamava San Andreas (falha de Santo André, em português)".
 
A Falha de Santo André segue numa linha de noroeste a sudeste ao longo da costa da Califórnia: os números na falha indicam quantos pés (1 pé (ft) = 30,48 cm) o solo cedeu naquele local com o resultado do terremoto de 1906
  
Geologia
O terramoto foi causado por um deslizamento da falha de Santo André num segmento de cerca de 440 km (275 milhas) de comprimento. As suas ondas sísmicas foram sentidas desde o sul do estado de Oregon (a norte da Califórnia) até à cidade de Los Angeles - a sul de São Francisco (Califórnia).
As construções vitorianas e os prédios de tijolos ficaram devastados. O pior da destruição fora o incêndio, causado pelos fios elétricos que se partiram e, com as faíscas, a provocar a combustão do gás que escapou pela cidade toda. Com as canalizações subterrâneas de águas destruídas, os bombeiros não conseguiram responder ao incêndio a tempo e a cidade ficou praticamente inteira destruída. Às 07.00 horas da manhã os soldados do exército de Fort Mason (a base do histórico Presídio de 1776), em São Francisco, apresentaram-se na câmara da cidade e o então presidente E. E. Schmitz pediu o reforço das patrulhas e autorizou que qualquer soldado atirasse a matar se alguém fosse encontrado saqueando lojas e casas. Enquanto isto, bombeiros e militares lutaram num esforço desesperado para controlar o contínuo fogo, até mesmo usando dinamites para explodir quarteirões inteiros criando, assim, um paredão contra o fogo que se alastrava sem cessar.
Dos 225 mil habitantes que ficaram sem teto, cerca da metade destes refugiou-se do outro lado da baía, em Oakland (Califórnia). Os jornais da época descrevem como o Golden Gate Park, o bairro vizinho do Panhandle e as praias entre Ingleside e North Beach, se encontraram cobertos de tendas.
No dia 20 de abril, refugiados que ficaram emboscados em certas áreas por causa do incêndio tiveram que ser evacuados pela baía no cruzador USS Chicago, da Marinha americana. No dia 23, grande parte do incêndio já se havia apagado e as autoridades iniciaram o trabalho de construção da metrópole devastada. Contou-se na época 478 mortes, mas aparece hoje que este número, publicado pelas autoridades da época, subestimou o impacto real da catástrofe, nomeadamente entre a população chinesa. O balanço desde então aumentou, e o número geralmente aceito é de pelo menos de 3.000 mortes, resultantes do terremoto e do incêndio que alastrou pela cidade toda. Cerca de 28 mil prédios foram destruídos, incluindo a maioria das casas e praticamente todo o centro financeiro.
 

Porque hoje é Quinta Feira Santa...

(imagem daqui)

D’aprés D. Francisco de Quevedo

Também eu ceei com os doze naquela ceia
em que eles comeram e beberam o décimo terceiro.
A ceia fui eu; e o servo; e o que saiu a meio;
e o que inclinou a cabeça no Meu peito.

E traí e fui traído,
e duvidei, e impacientei-me, e descartei-me;
e pus com Ele a mão no prato e posei para o retrato
(embora nada daquilo fizesse sentido).

Não subi aos céus (nem era caso para isso),
mas desci aos infernos (e pela porta de serviço):
comprei e não paguei, faltei a encontros,
cobicei os carros dos outros e as mulheres dos outros.

Agora, como num filme descolorido,
chegou o terceiro dia e nada aconteceu,
e tenho medo de não ter sido comigo,
de não ter sido comido nem ter sido Eu.

 

in Cuidados Intensivos (1994) - Manuel António Pina

Einstein morreu há 64 anos

Albert Einstein (Ulm, 14 de março de 1879 - Princeton, 18 de abril de 1955) foi um físico teórico alemão, posteriormente radicado nos Estados Unidos, que desenvolveu a teoria da relatividade geral, um dos dois pilares da física moderna (ao lado da mecânica quântica). Embora mais conhecido pela sua fórmula de equivalência massa-energia, E = mc2 (que foi chamada de "a equação mais famosa do mundo"), foi laureado com o Prémio Nobel de Física de 1921 "por seus serviços à física teórica e, especialmente, por sua descoberta da lei do efeito fotoelétrico". O efeito fotoelétrico foi fundamental no estabelecimento da teoria quântica.

quarta-feira, abril 17, 2019

Gabriel García Márquez morreu há cinco anos

Gabriel José García Márquez foi um colombiano (Aracataca, 6 de março de 1927 - Cidade do México, 17 de abril de 2014) escritor, jornalista, editor, ativista e político. Considerado um dos autores mais importantes do século XX, foi um dos escritores mais admirados e traduzidos no mundo, com mais de 40 milhões de livros vendidos em 36 idiomas.
Foi laureado com o Prémio Internacional Neustadt de Literatura, em 1972, e o Nobel de Literatura de 1982, pelo conjunto de sua obra que, entre outros livros, inclui o aclamado Cem Anos de Solidão. Foi responsável por criar o realismo mágico na literatura latino-americana. Viajou muito pela Europa e viveu até à morte no México. Era pai do cineasta Rodrigo García.

Hoje é dia de recordar a última crise académica...

Vossa Excelência cale-se!

No dia da inauguração do novo edifício de Matemáticas, os estudantes juntam-se no exterior da Faculdade de Ciências com cartazes sobre o estado do ensino. Lá dentro, Alberto Martins levanta-se, perante o Presidente da República, e pede para usar da palavra
Bastou Alberto Martins pedir a palavra, numa cerimónia da Universidade de Coimbra, para começar uma demorada crise académica, que até se manifestou no final da Taça de Portugal. O Benfica ganhou...
"Em representação dos estudantes da Universidade de Coimbra, peço licença a Vossa Excelência..."
Com esta frase, Alberto Martins, então presidente da Direção Geral da Associação Académica, dava início à crise académica de Coimbra. Era 17 de abril de 1969. Na sala Infante D. Henrique, Américo Thomaz, Rui Sanches e José Hermano Saraiva (Presidente da República e ministros das Obras Públicas e da Educação, respetivamente), presidiam à inauguração do novo "edifício das Matemáticas" da Universidade de Coimbra.
Tinha sido decidido, entre os estudantes, que Alberto Martins romperia a tradição e pediria a palavra. Teria, no entanto, de medir o pulso à situação. Só poderia falar se houvesse condições para isso e se o seu ato não fosse considerado "provocatório".
É bom recordar que hoje se estimula a pergunta, a discussão, o debate na comunidade ou de toda a sociedade civil. Mas naquela altura, o direito à palavra só assistia às autoridades. Nenhum estudante (no caso da inauguração do novo edifício de Matemáticas da Universidade de Coimbra) podia exercer essa faculdade.
A sala estava cheia e o ânimo de Alberto Martins foi crescendo até que se levantou-se para pedir a palavra. Tinha o que dizer às autoridades. Queria solicitar a reincorporação de professores na universidade, falar das discordâncias dos estudantes em relação ao conteúdo e aos métodos de ensino e tudo o que mais lhe fosse permitido. Queria, começando pelo mundo académico, falar de uma sociedade nova. A palavra não lhe foi concedida. Os estudantes protestaram. "Em coro, bradavam protestos e expressões incompatíveis com o respeito devido à presença, naquele lugar, do supremo magistrado da Nação", diria, dias depois, José Hermano Saraiva na televisão. Perante o "grave desrespeito", Américo Thomaz e José Hermano Saraiva saíram da sala.
E assim, em vez de falar, Alberto Martins foi preso (muitas horas depois), como muitos outros. Foi decretada a greve às aulas. Em maio, o ministro encerrou a universidade. As fileiras de estudantes, a que se juntaram professores, foi aumentando. Em junho, a greve às aulas estendeu-se à greve aos exames. Coimbra foi invadida pela GNR.
No final desse mês, a Académica chegava ao final da taça e, com ela, a luta estudantil. Era 22 de junho e, dois meses passados sobre o pedido de palavra de Alberto Martins, a luta não esmorecera – antes pelo contrário. Num estádio repleto, jogava-se o Benfica-Académica. Os jogadores da "cidade dos estudantes" entraram no campo a passo, com batinas pelos ombros, o emblema do clube tapado. Na assistência, pendões reclamavam uma "Universidade Livre". "Foi o maior comício que existiu em Portugal antes do 25 de Abril", diria à SIC Alberto Martins, 40 anos depois.
A Académica perdeu, mas a luta manteve-se... até ao 25 de abril.
Alberto Martins acabou entretanto o curso de Direito. Foi várias vezes deputado (ainda o é) e duas vezes ministro. Em 1999, recebeu a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade. Quanto à sala onde tudo começou, mantém a memória daquele dia, chamando-se... Sala 17 de Abril. Foi há 47 anos.

in Visão

Mariano Gago morreu há quatro anos

José Mariano Rebelo Pires Gago (Lisboa, 16 de maio de 1948 - Lisboa, 17 de abril de 2015) foi um professor universitário, cientista e político português
  
Biografia 

A formação académica
José Mariano Gago foi aluno do Liceu Camões entre os anos letivos de 1958-1959 e 1964-1965, tendo concluído o curso dos liceus com a classificação final de 17 valores (Distinto).
Ingressou no Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa no ano letivo de 1965-1966, onde se licenciou em Engenharia Eletrotécnica em 1971.
Foi bolseiro do Instituto de Alta Cultura, no Laboratório de Física Nuclear e de Altas Energias da École Polytechnique, de 1971 a 1976.
Obteve o grau de Docteur d'État ès Sciences, no domínio da Física, pela Université Paris VI Pierre et Marie Curie em 1976, com a tese «Production de @ de @ et de résonances @ dans les interactions K--proton à 14,3 GeV/C».
Foi bolseiro da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear entre 1976 a 1978.
Obteve o título de agregado em Física, em 1979, no Instituto Superior Técnico.

O dirigente estudantil
José Mariano Gago iniciou a sua atividade no Movimento Estudantil Português por altura da grande mobilização estudantil associada às cheias que atingiram a zona de Lisboa em 1967.
No ano letivo de 1969-1970 foi presidente da Associação dos Estudantes do Instituto Superior Técnico. A sua experiência é relatada em várias entrevistas onde se destaca a concedida a Luísa Tiago de Oliveira.

O Presidente da Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica
Em maio de 1986 foi nomeado presidente da Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica, funções que desempenhou até maio de 1989.
Em 1987, promove a realização das Jornadas Nacionais de Investigação Científica e Tecnologia, na sequência das quais lançou o Programa Mobilizador de Ciência e Tecnologia, que visava a implementação de um conjunto de projetos dinamizadores de C&T, a nível nacional. O programa visava o fomento de projectos de investigação científica e tecnológica, tendo sido abertos concursos em 1987 (PMCT/87) e em 1990 (PMCT/90). O programa articulava-se com outros programas de financiamento, nomeadamente os Programas CIÊNCIA e Formação de Recursos Humanos em Ciência e Tecnologia.
Em 1988, é publicada a Lei n.º 91/88, de 13 de agosto, que define a investigação científica e o desenvolvimento tecnológico como prioridades nacionais envolvendo a participação ativa dos setores público, privado e cooperativo.

O docente universitário e investigador
Ainda antes da conclusão do curso foi monitor do Instituto Superior Técnico.
Em 1979 foi contratado como professor catedrático do Departamento de Física do Instituto Superior Técnico.
José Mariano Gago desenvolveu a sua actividade profissional de investigador no domínio da física experimental das partículas elementares em Paris, na Escola Politécnica, em Genebra, na Organização Europeia de Pesquisa Nuclear (CERN), e em Lisboa, no Laboratório de Física Experimental de Partículas (LIP), que criou e de que foi Presidente.

O Instituto da Prospetiva
Dinamizou a criação do Instituto de Prospectiva no âmbito do qual coordenou a realização de vários estudos de prospectiva à escala europeia e promoveu, desde 1991, os Encontros Anuais de Prospectiva no Convento da Arrábida.

O Ministro da Ciência e da Tecnologia
Em 1995 Mariano Gago é nomeado Ministro da Ciência e da Tecnologia do XIII Governo Constitucional, cargo que mantém até 2002, já no XIV Governo Constitucional.
Foi o primeiro titular de um cargo ministerial vocacionado exclusivamente para a área da ciência e da tecnologia.
Enquanto Ministro da Ciência e da Tecnologia, assumiu a responsabilidade de coordenação das áreas da política científica e tecnológica e da política para a sociedade da informação.
Neste âmbito dinamizou iniciativas para a promoção da cultura científica e tecnológica em Portugal (Ciência Viva) e na União Europeia.
Coordenou e dinamizou igualmente a Estratégia para Sociedade da Informação, que incluiu iniciativas como a da ligação de todas as escolas à Internet, a criação de Espaços Internet, o Programa Cidades e Regiões Digitais e a Rede Ciência, Tecnologia e Sociedade (RCTS)].

O Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior
Como Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior foi responsável por uma ampla reforma do sistema de ensino superior em Portugal, que incluiu:
  • O regime dos graus e diplomas do ensino superior;
  • O regime de acesso ao ensino superior para maiores de 23 anos;
  • O regime jurídico das instituições de ensino superior;
  • O regime jurídico de reconhecimento de graus estrangeiros de ensino superior;
  • O regime jurídico da avaliação da qualidade do ensino superior e a criação da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior;
  • A revisão do Estatuto da Carreira Docente Universitária (ECDU);
  • A revisão do Estatuto da Carreira do Pessoal Docente do Ensino Superior Politécnico (ECPDESP);
  • A revisão do regime jurídico da atribuição do título de agregado;
  • A criação e regulação do título de especialista;
  • A revisão do regime de reingresso, mudança de curso e transferência.
Promoveu ainda a revisão do regime jurídico dos cursos de especialização tecnológica, potenciando a sua expansão no quadro das instituições de ensino superior politécnico.

A morte
José Mariano Gago faleceu, em Lisboa, em 17 de abril de 2015, de doença súbita.
Como reconhecimento público da comunidade científica nacional pela contribuição de Mariano Gago para a ciência em Portugal, os centros de investigação e faculdades pararam as suas atividades normais durante cinco minutos no dia 20 de abril, às 12h00, realizando uma concentração em frente das respetivas instituições.
No mesmo sentido, foi criada uma página em que foram reunidos testemunhos, documentos e fotografias documentando o seu legado de pensador e humanista.

Algumas homenagens
Em 2015, foi dado o seu nome a um conjunto de prémios de educação e comunicação de ciência, os Prémios Ecsite Mariano Gago.
Em Novembro de 2016 a Câmara Municipal de Lisboa atribuiu o seu nome ao antigo Largo Diogo Cão, no Parque das Nações.