segunda-feira, abril 22, 2019

Vladimir Nabokov nasceu há 120 anos

 Monumento de Vladimir Nabokov em Montreux
Vladimir Vladimirovich Nabokov (São Petersburgo, 22 de abril de 1899 - Montreux, Suíça, 2 de julho de 1977) foi um escritor russo-americano. Nabokov escreveu os seus primeiros nove romances em russo e então chegou à fama internacional como um mestre estilista de prosa em inglês. Também fez contribuições para a entomologia e tinha interesse em problemas de xadrez.
Lolita (1955) é frequentemente citado entre seus romances mais importantes e é o mais conhecido, apresentando o amor por intrincado jogo de palavras e o detalhe descritivo que caracteriza todas as suas obras. O romance foi classificado na quarta posição na lista dos 100 melhores romances da Modern Library. A sua autobiografia intitulada Speak, Memory foi listado na oitava posição na lista dos livros de não-ficção da Library Modern.
Nascido numa família da antiga aristocracia, em 1919, a instabilidade produzida pela revolução bolchevique (1917) obrigou-o a abandonar a União Soviética. Estudou em Cambridge e licenciou-se em literatura russa e francesa. Mudou-se para Berlim, onde iniciou sua produção literária e intenso trabalho como tradutor.
Em 1926, foi publicado seu primeiro romance, Maria, acolhido com interesse e consideração. Fugindo dos exércitos nazis e após uma estada em Paris, chegou em 1940 aos Estados Unidos, onde se dedicou ao ensino de língua e literatura russa em várias universidades. Embora continuasse a escrever na sua língua materna, começou também a escrever em inglês, publicando o seu primeiro romance nesta língua em 1941 (The Real Life of Sebastian Knight). Publicou, em 1955, o polémico romance Lolita, em inglês.
A partir de 1958, o sucesso alcançado por seus livros permitiu-lhe dedicar-se inteiramente aos seus principais interesses, a literatura e a entomologia.
Rússia
Nabokov era o mais velho dos cinco filhos do advogado, político e jornalista liberal Vladimir Dmitrievich Nabokov e sua esposa, Elena Ivanovna Rukavishnikova. Nasceu numa família rica e proeminente da nobreza, sem título, de São Petersburgo. Entre os seus primos está o compositor Nicolas Nabokov. Passou a sua infância e juventude em São Petersburgo e na propriedade rural Vyra, perto de Siversky, ao sul da cidade.
A infância de Nabokov, que ele chamou de "perfeita", foi notável em vários aspectos. A família falava russo, inglês e francês no seu agregado familiar e Nabokov era trilingue desde tenra idade. Na verdade, para grande desgosto patriótico de seu pai, Nabokov soube ler e escrever inglês antes do russo. Em Speak, Memory Nabokov recorda inúmeros detalhes de sua infância privilegiada e sua capacidade de recordar detalhes vívidos nas memórias de seu passado foi uma bênção para ele durante seu exílio permanente, bem como proporcionou um tema que ecoa desde seu primeiro livro, Mary, e por todo o caminho até obras tardias, como Ada or Ardor: A Family Chronicle. Enquanto a família era nominalmente ortodoxa, não eram muito ligados à religião e o pequeno Vladimir não foi forçado a frequentar a igreja depois que perdera o interesse. Em 1916, herdou a propriedade Rozhdestveno, perto de Vyra, de seu tio Vasiliy Ivanovich Rukavishnikov ("tio Ruka" em Speak, Memory), mas perdeu-a na revolução um ano mais tarde. Esta foi a única casa que possuiria em toda sua vida.
Emigração
Após a Revolução de fevereiro de 1917, Vladimir Dmitrievich Nabokov tornou-se secretário do Governo Provisório Russo e a família foi forçada a fugir da cidade após a Revolução de outubro para a Crimeia, não esperando ser afastada por muito tempo. Moravam na propriedade de um amigo e em setembro de 1918 mudaram-se para Livadia, na Ucrânia. O pai de Nabokov foi um ministro da justiça do governo provisório da Crimeia. Após a retirada do Exército alemão (novembro de 1918) e da derrota do Exército Branco no início de 1919, os Nabokovs partiram para o exílio na Europa Ocidental. Em 2 de abril de 1919, a família deixou Sevastopol no último navio. Estabeleceram-se brevemente em Inglaterra, onde Vladimir foi matriculado no Trinity College, em Cambridge, e estudou línguas eslavas e latinas. Mais tarde, valeu-se das suas experiências de Cambridge para escrever o romance Glory. Em 1920, a sua família mudou-se para Berlim, onde o seu pai criou o jornal imigrante Rul (Leme). Nabokov seguiria a Berlim após seus estudos em Cambridge, dois anos depois.
  
Romances e contos
   

Shavo Odadjian, dos System of a Down, faz hoje 45 anos

Shavo Odadjian (Yerevan, 22 de abril de 1974) é um baixista arménio-americano, conhecido como integrante da banda de metal alternativo System of a Down. Além de músico é designer - fez as capas dos dois primeiros discos da banda - e dirige vídeos musicais, como "Toxicity". Provem dele o lado mais punk dos System of a Down, como em Black Flag, The Misfits e Dead Kennedys.

Vida
Nasceu na Arménia (sendo, de facto, o único arménio da banda), mas foi para os Estados Unidos com cinco anos. Em 1993 apareceu no vídeo "Big Gun" dos AC/DC, em pé ao lado de Arnold Schwarzenegger. Ainda nesse ano conheceu Daron Malakian e Serj Tankian e começou a gerir a banda Soil. Em 1995, Shavo tornou-se o baixista permanente da banda. Em outubro de 2001, ao entrar na área reservada nos bastidores dum concerto na cidade de Michigan com duas raparigas, foi agredido pelos seguranças. Como resultado, processou a empresa de segurança por tê-lo humilhado em frente aos fãs.
Odadjian é um popular DJ em Los Angeles. Participou em eventos como o Rock / DJ Explosion, em 2 de março de 2001 no The Roxy, em Hollywood. Ele é conhecido como DJ Tactic. Shavo fez também alguns vocais ao vivo sobre as canções "Bounce" e fez coros em canções como "Innervision". Em "Lost in Hollywood", apoia os vocais perto do fim. Odadjian pode ser ouvido várias vezes na canção "A.T.W.A." gritar a palavra "ANYMORE!". Ele também pode ser ouvido repetindo Serj Tankian, perto do fim da canção "Pictures".
Juntamente com Serj Tankian integra o projecto SerArt. Ele também é o produtor executivo da banda Onesidezero. Afirmando-se como uma pessoa muito visual, ele dirigiu vídeos de System of a Down, como "Aerials", "Toxicity", "Question!" e "Hypnotize", sendo que o vídeo da canção "Question!" foi baseado num sonho que teve.
Shavo recentemente dirigiu uma canção e vídeo para Bad Brains, onde aparece fumando juntamente com H.R., o vocalista do grupo. Para além disso irá co-produzir um filme de terror: o diretor viu os vídeos de S.O.A.D. e achou que Shavo poderia ser bom para o filme. Shavo não quis dizer o nome do diretor ou o nome do filme. Shavo também apareceu como extra no filme Zoolander com Ben Stiller e Owen Wilson.

 

Hoje é o Dia da Terra!

Bandeira não-oficial do Dia da Terra - o Planeta sobre um fundo azul
  
O Dia da Terra foi criado pelo senador norte-americano Gaylord Nelson, no dia 22 de abril de 1970, cuja finalidade é criar uma consciência comum aos problemas da contaminação, conservação da biodiversidade e outras preocupações ambientais para proteger a Terra.
  

domingo, abril 21, 2019

A guerra dos Secos e Molhados foi há trinta anos

Secos e Molhados. Trinta anos depois, 17 sindicatos, 36 mil dias de folga

Secos e Molhados. O dia em que a PSP usou canhões de água (contra a própria PSP) foi há 30 anos

Três décadas após a manifestação conhecida por “secos e molhados” foram muitos os direitos conquistados pelos polícias, inclusive a liberdade sindical que permitiu que hoje existam 17 sindicatos na PSP para um efetivo de cerca de 20.000 elementos
A 21 de abril de 1989, os polícias manifestaram-se para exigir sobretudo liberdade sindical, uma folga semanal, transparência na justiça disciplinar com direito de defesa, melhores vencimentos e instalações.
A manifestação acabou com confrontos, com o Corpo de Intervenção da Polícia de Segurança Pública a lançar jatos de água e a usar bastões para dispersar o protesto dos polícias, na praça do Comércio, em Lisboa, enquanto os seis agentes da delegação que estava dentro do Ministério da Administração Interna para entregar um caderno reivindicativo acabaram detidos.
Na altura, os polícias não podiam sindicalizar-se, existindo ilegalmente a Associação Pró-Sindical da PSP, que mais tarde veio a constituir-se na Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP).
Um ano após a manifestação dos “secos e molhados”, e já com o Governo PS liderado por António Guterres, foi aprovada a lei do associativismo da PSP e só em 2002 a lei do sindicalismo.

Tantos dirigentes como associados 

Trinta anos depois dos acontecomentos do Terreiro do Paço, num universo de 20.000 polícias, há 17 sindicatos na polícia, com cerca de 4.000 dirigentes e delegados que, em 2017, tiveram mais de 36 mil dias de folga.
Segundo dados disponibilizados pela direção nacional da PSP à Lusa, há sindicatos com o mesmo número de associados e de dirigentes e delegados sindicais, existindo ainda duas estruturas com 26 e 37 associados.
Para limitar os créditos sindicais na PSP o Governo aprovou há mais de dois anos uma nova lei que regula o exercício da liberdade sindical da PSP, estando atualmente na Assembleia da República em apreciação na comissão da especialidade.  A proposta de lei necessita de maioria de mais de dois terços para ser aprovada no parlamento, tendo o PS e PSD preparado um texto de substituição.
O presidente do maior sindicato da PSP considerou necessário rever a lei sindical, observando que “se nada for feito será um prejuízo para os polícias. Chegou-se a este ponto que é completamente ridículo e até um desrespeito para com os polícias que fizeram os ‘secos e molhados'”, disse Paulo Rodrigues, sublinhando que foi conseguido “um instrumento importante”, que depois não foi aproveitado.
O presidente da ASPP referiu também que “não foi com este objetivo” que os polícias lutaram há 30 anos pela liberdade sindical, mas sim pela criação de um sindicato que tivesse força “para pressionar o Governo e a própria instituição PSP”.
Paulo Rodrigues frisou que “há uma descredibilização dos sindicatos da PSP devido ao seu número, uma proliferação que criou instabilidade, reduziu peso negocial e tirou forças aos sindicatos”. O sindicalista criticou também o facto de muitas estruturas terem sido criadas para “defender questões pessoais“.


30 anos depois, os mesmos problemas

Passados 30 anos dos “secos e molhados”, Paulo Rodrigues considera este movimento “muito importante” pelos direitos alcançados e pela “grande mudança” de mentalidades na PSP, passando a existir “uma maior abertura da polícia à sociedade”.
No entanto, ressalvou que “muitos dos problemas ainda se mantêm“, como “uma certa desvalorização” do trabalho das polícias e perseguição sindical. “Hoje temos oficiais de polícia a gerir a instituição, mas continua a haver os mesmos tiques que existiam há 30 anos, nomeadamente perseguição sindical”, precisou.
Por sua vez, o presidente do Sindicato dos Profissionais da Polícia (SPP/PSP) disse que “muita coisa” mudou em 30 anos, nomeadamente horários, folgas, que passaram a ser semanais em vez de quinzenais, e maior abertura. Com a liberdade sindical, passou existir “poder de intervenção e de denúncia“, disse Mário Andrade.
No entanto, o presidente do segundo maior sindicato criticou as alterações à lei sindical, frisando que os “sucessivos governos não regulamentaram de forma séria” o sindicalismo na PSP e agora o parlamento quer aprovar uma lei “excessivamente restritiva”.


Nina Simone morreu há dezasseis anos

Eunice Kathleen Waymon mais conhecida pelo seu nome artístico, Nina Simone (Tryon, 21 de fevereiro de 1933Carry-le-Rouet, 21 de abril de 2003) foi uma grande pianista, cantora e compositora americana. O nome artístico foi adotado aos 20 anos, para que pudesse cantar blues, nos cabarés de Nova Iorque, Filadélfia e Atlantic City, escondida dos seus pais (a mãe, ministra metodista e o pai barbeiro). "Nina" veio de pequena ("little one") e "Simone" foi uma homenagem à grande atriz do cinema francês Simone Signoret, sua preferida.
Nina Simone, quando jovem foi impedida a ingressar em um conservatório de música na Filadélfia, mesmo tendo afrontado o racismo e cursado piano clássico na severa Juilliard School, em Nova York. Também se destacou e foi perseguida por abraçar publicamente todo tipo de combate ao racismo. O seu envolvimento era tal, que chegou a cantar no enterro do pacifista Martin Luther King. Casada com um polícia nova-iorquino, Nina também sofreu com a violência do marido, que a espancava. E tudo isso, dizia ela, que tinha acontecido, as portas tinham-se fechado, por ser negra.
Depois de fracassar na tentativa de ser uma grande pianista através do conservatório, Nina ficou algum tempo em Nova Yorque até ir para Atlantic City, e lá, trabalhando como pianista num bar, foi obrigada a cantar, para não perder o emprego, e tocar piano era o que ela fazia. Foi então que se tornou a Nina Simone, como se batizou naquela ocasião. Cantou músicas clássicas e imortalizou hits como "Feeling Good", "Aint Got No - I Got Life", "I Wish I Know How It Would Feel To Be Free", e "Here Comes The Sun", além de "My Baby Just Cares For Me" que gravou e apareceu numa propaganda de perfume frances.
Num breve contato com a sua obra, aqueles que não a conhecem percebem logo a diversidade de estilos pelos quais Nina Simone se aventurou, desde o gospel, passando pelo soul, blues, folk e jazz. Foi uma das primeiras artistas negras a ingressar na famosa Juilliard School of Music, em Nova Iorque. A sua canção “Mississippi Goddamn” tornou-se um hino ativista da causa negra, e fala sobre o assassinato de quatro crianças negras numa igreja de Birmingham, em 1963. Ao apresentar-se num evento militar em Forte Dix, New Jersey, em 1971, em plena Guerra do Vietname, Nina Simone deu voz àqueles que eram contrários ao conflito ao soltar a portentosa voz, após 18 minutos poderosos de My Sweet Lord, de George Harrrison. Nina esteve duas vezes no Brasil, gravou com Maria Bethânia e o seu último show ocorreu em 1997 no Metropolitan. Era uma intérprete visceral, compositora inspirada e tocava piano com energia e perfeição. Morreu, enquanto dormia, em Carry-le-Rouet, em 2003.
 
  

A Rainha Isabel II do Reino Unido faz hoje 93 anos

 

Robert Smith faz hoje sessenta anos!

Robert James Smith (Blackpool, 21 de abril de 1959) é um músico britânico. É o vocalista, guitarrista e compositor da banda inglesa The Cure, líder e o único membro da banda a permanecer nela desde a sua formação. Tornou-se um ícone e uma referencia para a música alternativa.
Mais de trinta anos após o seu primeiro concerto com os The Cure, Robert Smith elevou esta banda ao estatuto de banda de culto, apesar de, na década de 90, este reconhecimento quase nunca tenha sido feito, sendo constantemente negligenciado e esquecido por aqueles que faziam e seguiam as novas modas e tendências da música da década. O novo século deu-lhe finalmente o reconhecimento devido, com um sem número de bandas a declararem reverência aos The Cure e a Robert Smith, para além de várias publicações a agora lhe reconhecerem méritos no desenvolvimento da música alternativa, entre as quais a revista Q que lhes atribuiu o prémio "The Most Inspiring Band."
Em 2005 foi distinguido individualmente com um prémio Ivor Novello, que se destina a compositores, pelo seu estatuto internacional (International Achievement).
Robert Smith é também famoso pela sua imagem de marca: lábios esborratados de batom, olhos pintados e, essencialmente, o seu cabelo no ar completamente despenteado.

Robert Smith é o terceiro filho de Rita e Alex, nascido em Blackpool no dia 21 de abril de 1959. Tem duas irmãs, Margaret e Janet e um irmão, Richard.
Smith cresceu no seio de uma família de classe média, católica, que incentivava os filhos a desenvolverem as suas capacidades artísticas. Dos anos em que viveu em Blackpool ficou-lhe sempre na memória o mar, que ficava perto de sua casa e essa memória iria ter muita influência na sua vida futura.
Em 1962 mudou-se para Horley, (Surrey) onde frequentou a escola primária St. Francis Primary School.
Em março de 1966, ainda criança, mudou-se para Crawley, (Sussex), uma cidade na periferia de Londres que segundo Robert era extremamente deprimente e sem nada de interessante para fazer.
Frequenta a St Francis Junior School, Notre Dame Middle School entre 1970-72 e St. Wilfrids Comprehensive School entre 1972-77.
Enquanto adolescente, por culpa dos irmãos mais velhos foi bastante influenciado pelos The Beatles, Jimi Hendrix, Captain Beefheart, Alex Harvey, Slade, T.Rex, Nick Drake, entre outros e especialmente David Bowie.
Aos 13 anos, com cabelo muito comprido, é um adolescente um pouco problemático, que culmina com a sua suspensão da escola por ser considerado uma má influência para os seus colegas. Nesta altura conhece Mary Poole, a mulher da sua vida, com quem namoraria pouco depois e que em 1988 se iria casar.
Em Crawley, conhece novos amigos e é nesta cidade que desperta verdadeiramente para a música.
Forma uma banda com os amigos da escola para ocupar o tempo em que não tinha aulas. Entre outras, fazem covers dos The Kinks (Lola) e Black Sabbath (Paranoid).
Depois de vários projectos falhados, formou os Easy Cure que mais tarde iriam dar origem aos The Cure.
Quando a música punk explodiu no Reino Unido, Robert Smith era ainda um adolescente e imediatamente aderiu ao movimento, embora não no aspecto visual, mas sim à atitude "faça você mesmo". Robert diria mais tarde, "apercebi-me também rapidamente, que tal como outros movimentos, há partes boas e partes más. A ideia de usar alfinetes e ser um punk não era verdadeiramente a essência. Era mais por eu começar a sair e fazer a minha própria música."
Era um ouvinte assíduo do programa de John Peel, da BBC Radio e sonhava um dia ele próprio ser convidado para apresentar a sua música. Uns anos mais tarde passaria a ser convidado com frequência.
Desde 1976, ano em que formou os Malice, que mais tarde se iriam tornar nos The Cure, que a maior parte do seu trabalho tem sido desenvolvido nesta banda.
Robert Smith para além de guitarra, já tocou baixo, teclado e violino em situações ocasionais, para além de ter composto quase a totalidade da obra dos Cure; também co-produziu quase todos os álbuns.
Robert Smith ajudou a popularizar o estilo "gótico" de vestir com a sua imagem de marca; lábios esborratados de batom e o cabelo preto completamente despenteado, uma imagem que ele adoptou desde os primeiros anos da década de 80. Segundo o baixista dos Banshees, Steve Severin, Robert usou pela primeira vez o batom de Siouxsie em 1983, após ter usado ópio. No entanto Robert afirma que sempre usou maquilhagem desde muito novo.
As suas letras para os primeiros álbuns da banda - particularmente Faith, Pornography, e posteriormente Disintegration - estão centrados nos temas de depressão, solidão, isolamento e perda. O ambiente sombrio destes primeiros álbuns, juntamente com a sua imagem em palco, cimentou a imagem "gótica" pioneira da banda, embora sem qualquer intenção de iniciar uma moda ou movimento.
A estética da banda foi de obscura a psicadélica a começar no álbum The Top. Em 1986, Smith foi mais longe na mudança de imagem ao aparecer em palco com o cabelo cortado bastante curto (isto pode ser visto no In Orange, um concerto no sul de França editado em vídeo em 1987) e em fotos de imprensa usando calções de futebol e pólos.
Apesar de imagem pública de Smith sugerir uma pessoa deprimida, ele afirmou que as suas canções não reflectem a maneira como ele se sente sempre, ou mesmo, a maior parte do tempo.
"Na altura que escrevemos o Disintegration…é apenas acerca de como eu verdadeiramente estava, como eu me sentia. Mas eu não sou assim o tempo todo. Essa é a dificuldade de escrever músicas que são um bocado deprimentes. As pessoas pensam que és assim o tempo todo, mas eu não penso isso. Eu simplesmente escrevo quando estou deprimido."
As letras de Smith mostraram variados estilos e temas ao longo dos anos. As primeiras canções incorporavam literatura, parafraseando partes d'O Estrangeiro de Albert Camus em Killing an Arab, punk meta-ficcional de So What, surrealismo em Accuracy, rock/pop directo em Boys Don't Cry e I'm Cold, e partes poéticas em Another Day e Fire in Cairo. Nas décadas subsequentes, Smith explorou mais o seu lado poético.
A escrita de Smith tornou-se mais voltada para o pop após o Pornography. Apesar da aparente música mais alegre, as faixas frequentemente continham temas sombrios; o single "In Between Days", por exemplo contrasta uma energética batida pop-rock com letras acerca de tristeza e de uma relação perdida.
Numa entrevista em 2000, Smith disse que "…há um tipo particular de música, um tipo de música "atmosférico", que eu aprecio fazer com os Cure. Eu aprecio esse som mais do que qualquer outro." Quando lhe perguntaram acerca do "som" quando compõe, Smith disse que "…não penso que haja tal coisa como um som típico dos Cure. Eu penso que que há vários "sons Cure" de vários períodos diferentes e diferentes composições da banda."
   

Anthony Quinn nasceu há 104 anos

Anthony Quinn, nascido Antonio Rudolfo Oaxaca Quinn (Chihuahua, 21 de abril de 1915 - Boston, 3 de junho de 2001) foi um premiado ator dos Estados Unidos nascido no México.
  
Vida
Pai de treze filhos, naturalizou-se cidadão dos Estados Unidos nos anos 40. Antes de iniciar a sua carreira como ator trabalhou como talhante e boxer. Chegou também a estudar arquitetura. Ganhou o seu segundo Óscar por uma participação de apenas 8 minutos, tempo de todas as suas cenas em Sede de Viver. É o vencedor de Óscares que mais filmes fez ao lado de outros ganhadores do Óscar de actuação. Foram 46 no total, sendo 28 com atores vencedores do Óscar e 18 com atrizes vencedoras do prémio. Possui uma estrela no Passeio da Fama, localizado em 6251 Hollywood Boulevard.
  
Ator multifacetado
Anthony Quinn talvez seja o ator que mais papéis diversificados fez, e caracterizou-se por representar personalidades famosas: foi Barrabás e o magnata grego Onassis. De entre outros gregos que interpretou está talvez o seu papel mais carismático: Zorba. Outros gregos foram o pai de família problemático em "Um sonho de reis" e o combatente de "Canhões de Navarone". Foi esquimó (Sangue sobre a neve, 1960) e toureiro (Sangue e Areia, 1941).
No filme A Vigésima Quinta Hora, que demonstra o absurdo das ideias nazis, ele faz o papel de um romeno católico que foi preso como judeu, cigano, revoltoso e até como um dos modelos perfeitos da genética ariana. Ainda interpretou os papéis de índio norte-americano, mexicano condenado ao linchamento (Consciências Mortas) e mafioso italiano. A sua versatilidade em cena e a extensa carreira tornaram-no um dos maiores atores do cinema.
   

Oparin morreu há 39 anos

Aleksandr Ivanovich Oparin (Uglitch, 2 de março ou 18 de fevereiro, no calendário juliano, de 1894 - Moscovo, 21 de abril de 1980) foi um biólogo e bioquímico russo considerado um dos precursores dos estudos sobre a origem da vida.
   
Vida
Oparin formou-se na Universidade de Moscovo em 1917. Em 1924 publicou um opúsculo com a primeira versão de sua teoria para explicar o surgimento da vida na Terra, a partir da evolução química gradual de moléculas baseadas em carbono. A segunda versão, de 1938, alcançaria sucesso internacional, que resultou na conhecida versão em inglês, de 1953. Em 1946, foi admitido na Academia Soviética das Ciências. Em 1970, foi eleito presidente da "Sociedade Internacional para o Estudo da Origem da Vida". Faleceu aos 86 anos, em 21 de abril de 1980, e foi sepultado no Cemitério Novodevichy, em Moscovo.
   
Teoria
A sua teoria tem uma forte base darwiniano: através de competição e seleção natural, determinadas formas de organização molecular tornaram-se dominantes e caracterizam as moléculas vivas de hoje. Segundo ele, não existe diferença fundamental entre os organismos vivos e matéria sem vida. Em princípio havia soluções simples de substâncias orgânicas, cujo comportamento era governado pelas propriedades dos seus átomos e pelo arranjo destes átomos numa estrutura molecular. Gradualmente, entretanto, como resultado do crescimento em complexidade, novas propriedades surgiram em consequência do arranjo espacial e relacionamento mútuo das moléculas. Portanto, a complexa combinação de propriedades que caracteriza a vida surgiu a partir do processo de evolução da matéria.
Levando em conta a então recente descoberta de metano na atmosfera de Júpiter e outros planetas gigantes, Oparin postulou que a Terra primitiva também possuía uma atmosfera fortemente redutora, contendo metano, amónia, hidrogénio e água. Na sua opinião, esses foram os elementos essenciais para a evolução da vida.
Nessa época a Terra estava passando por um processo de arrefecimento, que permitiu a acumulação de água nas depressões da sua crosta, formando os mares primitivos. As tempestades com raios eram frequentes e ainda não havia na atmosfera o escudo de ozono contra radiações. As descargas elétricas e as radiações que atingiam nosso planeta teriam fornecido energia para que algumas moléculas presentes na atmosfera se unissem, dando origem a moléculas maiores e mais complexas: as primeiras moléculas orgânicas. Estas eram arrastadas pelas águas das chuvas e passavam a se acumular nos mares primitivos, que eram quentes e rasos.
O processo, repetindo-se ao longo de vários anos, teria transformado os mares primitivos numa "sopa primitiva", rica em matéria orgânica. Baseado no trabalho de Bungenberg de Jong sobre coacervados, certas moléculas orgânicas (especialmente as proteínas) podem espontaneamente formar agregados e camadas, quando estão na água. Oparin sugeriu que diferentes tipos de coacervados podem ter-se formado na "sopa primitiva" dos oceanos. Esses coacervados não eram seres vivos, mas sim uma primitiva organização das substâncias orgânicas, principalmente proteínas, em um sistema isolado. Apesar de isolados os coacervados podiam trocar substâncias com o meio externo, sendo que em seu interior houve possibilidade de ocorrerem inúmeras reações químicas. Subsequentemente, sujeitos ao processo de seleção natural, esses coarcervados cresceram em complexidade, adquirindo por fim características de organismos vivos.
    
Repercussões
Oparin teve a sua carreira marcada pela íntima colaboração com a ideologia comunista e com o estado soviético. As suas ideias coadunavam-se com o materialismo dialético e eram promovidas no país e no exterior, enquanto Oparin era mitificado como "Darwin do século XX". É notória a sua associação com Trophim Lysenko e Olga Lepeshinsakya, pseudocientistas que dominaram o establishment científico soviético no período estalinista.
Um aspecto da sua hipótese, a ideia da atmosfera redutora, interessou muito ao químico dos Estados Unidos Harold Urey. Urey, que se notabilizara pela descoberta do deutério, encarregou o seu aluno Stanley Miller de investigar experimentalmente as proposições de Oparin. A experiência realizado demonstrou que as condições atmosféricas imaginadas por Oparin permitiriam a síntese abiótica de alguns aminoácidos, facto que teve ampla repercussão na imprensa internacional.
Embora as concepções de Oparin sobre a atmosfera primitiva tenham perdido o apoio quase unânime de que desfrutavam, alguns pesquisadores, como Freeman Dyson e Doron Lancet, químico do Instituto Weizmann da Ciência de Israel tem investigado mais recentemente a formação de coacervados, outro aspecto original das ideias de Oparin.
   

Porque hoje é a Páscoa do Senhor...!

(imagem daqui)

Vimos a pedra vazia no interior da terra

Vimos a pedra vazia no interior da terra
A manhã. Nós não tocámos a luz
Inesperada. Pensámos
Que já o sono sendo eterno te afastara
E que farol que foste
Agora onda após onda, brasa extinta, naufragava

Nunca mais, pensámos, dormirias na proa
E quase desaprendêramos a guiar o barco
Em nossas viagens não amainaria mais, pensámos, e chegar a casa
Seria ver multiplicar-se
A nossa fome como o peixe e como o pão

Chegámos a terra porém e esperavas-nos
Os pés furados como conchas sobre a areia
E sentámo-nos em redor para comer


in
Dos Líquidos (2000) - Daniel Faria

sábado, abril 20, 2019

A explosão da plataforma Deepwater Horizon foi há nove anos

A plataforma Deepwater Horizon antes da explosão
   
A explosão da plataforma Deepwater Horizon ocorreu no dia 20 de abril de 2010, no Golfo do México, nos Estados Unidos. O desastre consistiu na explosão da plataforma de petróleo semi-submersível Deepwater Horizon, da empresa Transocean e que estava sendo operada pela BP, afundando na quinta-feira seguinte à explosão, depois de ter ficado dois dias em chamas. Uma grande mancha de óleo espalhou-se e que chegou à costa da Louisiana e a outros estados. Houve 17 trabalhadores que ficaram feridos e 11 faleceram.
  
A torre estava na fase final da perfuração de um poço, na qual se reforça com concreto o poço. Este é um processo delicado, pois há possibilidade de os fluidos do poço serem libertados descontroladamente. No dia 20 de abril de 2010 houve uma explosão na torre e esta incendiou-se. Morreram onze pessoas em consequência deste acidente, 11 outros foram encontrados com vida. Sete trabalhadores foram evacuados para a estação aérea naval em Nova Orleães e levados para o hospital. Barcos de apoio lançaram água para a torre, numa infrutífera tentativa de extinguir as chamas. A Deepwater Horizon afundou-se a 22 de abril de 2010, em águas com aproximadamente 1500 metros de profundidade, e os seus restos foram encontrados no leito marinho a aproximadamente 400 metros a noroeste do poço.
O derrame de petróleo resultante prejudicou o habitat de centenas de espécies de aves.
   
A BP anunciou, em 17 de julho de 2010, ter conseguido estancar temporariamente o derrame de petróleo, depois de instaladas novas válvulas que conseguiram travar o derrame.
  
Imagem da NASA mostrando o petróleo a 25 de abril de 2010, vendo-se o delta do Mississippi 

Um dos maiores assassinos do século XX nasceu há 130 anos

Adolf Hitler (Braunau am Inn, 20 de abril de 1889 - Berlim, 30 de abril de 1945), por vezes em português Adolfo Hitler, foi um militar e político, líder do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (em alemão: Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei, NSDAP), também conhecido por Partido Nazi, uma abreviatura do nome em alemão (Nationalsozialistische), sendo ainda oposição aos sociais-democratas, os Sozi. Hitler tornou-se chanceler e, posteriormente, ditador alemão. Era filho de um funcionário de alfândega de uma pequena cidade fronteiriça da Áustria com a Alemanha.
  

Miró nasceu há 126 anos


Mural cerâmico no Wilhelm-Hack-Museum de Ludwigshafen (1971)
   
  

O Massacre de Columbine foi há vinte anos

Instituto Columbine (foto de satélite)
Local Columbine, Colorado, Estados Unidos
Coordenadas
Data 20 de abril de 1999
11.16  - 12:08 (hora local - UTC-6)
Tipo de ataque Massacre escolar, assassinato em massa, massacre, ataque suicida, ataque com bombas improvisadas.
Arma(s) TEC-DC9, Hi-Point, Savage 67H, Stevens 311D
Mortes 15 (incluindo os 2 assassinos)
Feridos 25
Responsável(is) Eric Harris e Dylan Klebold

O Massacre de Columbine aconteceu a 20 de abril de 1999, no Condado de Jefferson, Colorado, Estados Unidos, no Instituto Columbine, onde os estudantes Eric Harris (aka ReB), de 18 anos, e Dylan Klebold (aka VoDkA), de 17 anos, atiraram sobre vários colegas e professores.
Eric Harris e Dylan Klebold eram aparentemente adolescentes típicos de um subúrbio americano de classe média alta que moravam em casas confortáveis (o pai de Klebold era geofísico e a mãe especialista em crianças deficientes).
Harris e Klebold deixaram uma nota, encontrada perto dos seus corpos: "Não culpem mais ninguém por nossos atos. É assim que queremos partir". Faltavam apenas 17 dias para o fim do ano letivo. Com 1.965 alunos, Columbine era uma escola tão boa que muitas famílias mudaram para Littleton, perto de Denver, com o objetivo de matricular os filhos na escola, pois, em média, 82% de seus alunos são aceites em universidades (nos Estados Unidos não há exames, o que conta é o desempenho do aluno no ensino secundário). Columbine também se orgulhava de não registar casos de violência. O polícia de plantão limitava-se a multar alunos que estacionavam os carros nos lugares de professores e não havia, como nas escolas de Nova York, Los Angeles e Chicago, detectores de metais na entrada. Nas festas de formatura, os alunos costumavam aceitar o pedido dos pais para vetar as bebidas alcoólicas. Columbine era famosa por ser conservadora e privilegiar os jogadores de equipas de futebol americano, basebol e basquetebol, sendo esse o rastilho da tragédia.
Harris e Klebold, ótimos alunos de boas famílias, não eram populares na escola. Preferiam os computadores aos desportos. Encontraram os seus amigos num grupo chamado a Máfia da Capa Preta. Ridicularizados pelos atletas, remoíam planos de vingança e extravasavam o seu ódio na Internet. Harris, principal cabeça por trás do ataque, tinha um website, já desativado, no qual colecionava suásticas e sinistros vídeos neonazis e até dava receitas para a fabricação de bombas. No seu auto-retrato, escreveu: "Mato aqueles de quem não gosto, jogo fora o que não quero e destruo o que odeio". Já Klebold dizia que seu número pessoal era "420", possivelmente uma referência à data de nascimento de Hitler, 20 de abril.
Os diários dos jovens foram encontrados, mas ainda não se chegou a uma conclusão sobre o motivo do ataque. «Não eram rapazes comuns que foram importunados até retaliarem», escreveu o psicólogo Peter Langman no seu livro, "Why Kids Kill: Inside the Minds of School Shooters" ("Por que Matam Crianças: Dentro das Mentes dos Atiradores Escolares") «Não eram rapazes comuns que jogavam videojogos demais», «Não eram rapazes comuns que queriam apenas ser famosos», «Eles simplesmente não eram rapazes comuns», «Eram rapazes com problemas psicológicos sérios».
No seu diário Harris mostrava toda a sua revolta e o seu "desejo de ser Deus", enquanto Klebold mostrava uma grande depressão:
Harris escreveu certa vez: "Eu me sinto como Deus, e gostaria que fosse assim, para que todos estivessem OFICIALMENTE abaixo de mim" Enquanto Klebold escreveu "Eu sou um deus, um deus da tristeza"
Foi referido que no dia do ataque, Harris usava uma camisola escrita Natural Selection (Selecção Natural) e Klebold uma escrita «Wrath» (Ira/Raiva).
A socióloga de Princeton, Katherine Newman, co-autora do livro de 2004, "Rampage: The Social Roots of School Shootings" ("Violência: As Raízes Sociais dos Tiroteios em Escolas"), disse que jovens como Harris e Klebold não eram solitários, apenas não eram aceites pelos colegas que importavam: «Obter atenção ao se tornar notório é melhor do que ser um fracassado».
Langman, cujo livro traça o perfil de 10 atiradores, incluindo Harris e Klebold, descobriu que nove sofriam de depressão e pensamentos suicidas, uma combinação "potencialmente perigosa", disse ele. «É difícil impedir um assassinato quando os assassinos não se importam em viver ou morrer. É como tentar deter um homem-bomba».
Eric Harris e Dylan Klebold conseguiram o seu arsenal comprando-o na internet - duas caçadeiras, uma pistola semi-automática e uma arma de assalto de 9mm, e  acharam, também na Internet, a receita para fabricar as bombas. Um vizinho viu os dois, na segunda-feira, na véspera do massacre, partindo garrafas com um taco de basebol. Os cacos seriam usados como estilhaços nas bombas, mas o vizinho não desconfiou de nada. Harris escreveu num diário os planos do ataque à escola. Um diagrama mostrava como as armas seriam escondidas sob as longas capas de couro preto. Num exemplar do livro de formatura do colégio, Harris escreveu sobre as fotos, quem ia morrer e quem seria poupado: "Morto", "Morrendo" e "Salvo".
Até o final da semana pairava no ar a suspeita de que os atiradores tinham contado com a ajuda de cúmplices no ataque. Duvidando de que pudessem carregar sozinhos mais de 30 bombas para dentro do colégio, a polícia investigava outros membros da Máfia da Capa Preta. Entre a invasão da escola, às 11.30 da manhã, e a descoberta dos corpos pela polícia, às 04.00 da tarde, os cúmplices podem ter deixado o prédio misturados à multidão que conseguiu escapar. A equipe da SWAT ordenava que todos levassem as mãos à cabeça, mas não tinha como separar supostos atacantes de vítimas.
Centenas de alunos e um professor trancados nas salas, ouviam os tiros e explosões sem saber o que estava acontecendo. Muitos ligaram para casa pelos telemóveis, sussurrando, para pedir por socorro. Harris e Klebold acompanhavam tudo na TV da biblioteca, vendo a transmissão em direto do cerco à escola. No final, depois de meia hora de silêncio, a SWAT invadiu a biblioteca e encontrou os corpos dos dois cercados de outros, alguns irreconhecíveis. O sangue era tanto que a polícia divulgou a estimativa de 25 mortos. Só no dia seguinte, desativadas todas as bombas, se pôde retirar e contar os corpos.
 
O Memorial HOPE da Biblioteca de Columbine,  que substitui a biblioteca onde parte do massacre ocorreu
   

sexta-feira, abril 19, 2019

Lord Byron morreu há 195 anos

George Gordon Byron, 6º Barão Byron (Londres, 22 de janeiro de 1788 - Missolonghi, 19 de abril de 1824), melhor conhecido como Lorde Byron, foi um destacado poeta britânico e uma das figuras mais influentes do Romantismo, célebre por suas obras-primas, como Peregrinação de Child Harold e Don Juan (o último permaneceu inacabado devido à sua morte iminente). Byron é considerado como um dos maiores poetas europeus, é muito lido até os dias de hoje.
Toda a obra de Byron, que exprime o pessimismo romântico, com a tendência a se voltar contra os outros e contra a sociedade, pode ser vista como um grande painel autobiográfico. Foram novos, em sua postura, o tom declarado de rebeldia ante as convenções morais e religiosas e o charme cínico de que seu herói demoníaco sempre se revestiu.
A fama de Byron não se deve somente aos seus escritos, mas também a sua vida - amplamente considerada extravagante - que inclui numerosas amantes, dívidas, separações e alegações de incesto.
Encontrou a morte em Missolonghi, onde estava lutando ao lado dos gregos, na sua luta pela independência da opressão turca. Segundo consta, a causa da morte parece ter sido uremia, complicada por febre reumática. A sua filha, Ada Lovelace, colaborou com Charles Babbage para a criação do engenho analítico, um passo importante na história dos computadores, papel ímpar para uma mulher na História da Ciência do século XIX.
A família Byron
Ameaçado de excomunhão, pelo assassinato de Thomas Becket, o rei Henrique II prometeu ao papa fazer penitência e donativos aos mosteiros. Ordenou que árvores fossem tombadas e que se construíssem no local abadias, dedicadas à Virgem, que receberam o nome de Newstead.
Os monges que viviam em Newstead obedeciam a regras simples, tais como: não possuir nada, amar a Deus e ao próximo, vencer as tentações carnais e não fazer nada que provocasse escândalos. Além disso, distribuíam aos pobres esmolas anuais, em memória de seu fundador.
Os abades sucederam-se durante três séculos, até o reinado de Henrique VIII. Este, com a intenção de se casar com Ana Bolena, pediu ao papa para que anulasse seu casamento com Catarina de Aragão. O papa recusou.
Foi então, decretado o confisco de todos os conventos religiosos que não dispusessem de renda maior que 200 libras. A abadia de Newstead foi atingida pelo decreto e, os cónegos que ali viviam, foram expulsos, com mínimos benefícios concedidos pelo rei.
Os camponeses, frustrados, viram partir os monges. Imaginaram que eles iriam assombrar as celas vazias e que a abadia causaria desgraças a quem ousasse comprá-la. Um ano depois, o rei Henrique VIII vendeu o mosteiro ao seu fiel súbdito, Sir John Byron, conhecido como o “Pequeno Sir John da Barba Grande”.
Sir John pertencia a uma família que possuía muitas terras. Ele transformou a abadia num imenso e belo castelo e os seus descendentes apegaram-se àquela casa. Ninguém, exceto os camponeses, imaginava que a influência dos monges viesse a afetar tanto a família Byron.

A influência dos monges
O quarto lorde Byron, que viveu no século XVII, teve dois filhos que iriam marcar pela eternidade as influências negativas dos monges sobre a família: O mais velho, quinto lorde Byron, teve seu destino marcado pelo assassinato que cometeu. Ele estava numa taberna, conversando sobre caça, quando iniciou uma ignóbil discussão com Chaworth, que havia falado mal do quinto Lorde por suas falhas na caça.
Ambos se enfrentaram e Chaworth foi rasgado pela espada de Byron. O quinto e desgraçado Lorde Byron foi julgado e absolvido. Porém carregou consigo o eterno peso de ser encarado como um assassino. Talvez, por isso, tenha desenvolvido um comportamento estranho durante sua vida, o mesmo comportamento que o qualificou com o apelido de “Lorde mau”.
Durante a noite, ele abria as represas dos rios para destruir as fábricas  de fiação; esvaziava os lagos dos vizinhos; mandou construir na margem de seu lago dois pequenos fortes de pedra, e mantinha uma frota de barcos de brinquedo, os quais fazia flutuar no lago; organizava sobre seu próprio corpo corridas de grilos que, segundo seus criados, lhe obedeciam.
Já o seu irmão (avô do Byron poeta) não conseguia fugir da semelhante sina. “Jack Mau-Tempo”, como era chamado, era um azarado almirante, que morreu como vice-almirante em 1786. O seu apelido não era ocasional. Diziam que toda vez que Byron preparava o barco e posicionava-se sobre ele, uma forte tempestade armava-se. “Jack Mau-Tempo” teve dois filhos: o mais velho, John, pai do Byron poeta, era soldado. O segundo, Georges Anson, marinheiro.

O nascimento e casamento com Catherine de Gight
John Byron era um soldado violento e que acumulava monstruosas dívidas, facto que levou a ser apelidado de “Jack o Louco”. Casou-se com a, até então, Marquesa de Carmarthen, uma linda jovem que abandonou o seu marido, Lord Carmarthen, para ficar com Byron, tornando-se assim, a baronesa Conyers.
Com Lady Conyers, Byron teve uma filha: Augusta Byron. Logo após o nascimento de Augusta, Lady Conyers morreu. Alguns dizem que ela foi vítima de maus-tratos de John Byron. Os Byron se defendem, alegando que sua morte foi ocasionada por imprudência da mesma, ao caçar a cavalo ainda de repouso do parto.
Logo depois da morte de Lady Conyers, John Byron foi “afogar suas mágoas” em Bath, um balneário em moda na época. Lá conheceu Catherine de Gight, uma órfã e herdeira escocesa. Catherine era feia: pequena, gorda, com pele corada demais e nariz comprido. Porém, possuía algo em que John Byron se interessava: era herdeira de 23 mil libras, destas, três mil liquidas e o resto representado pela propriedade de Gight, direitos de pescas de salmão e ações de um banco em Aberdeen.
Apesar de bem nascida, Catherine era herdeira de uma família que carregava em sua história trágicos acontecimentos. Os Gordon, representados pelo primeiro senhor de Gight, Sir William Gordon, eram realmente marcados por má sina: William Gordon morreu afogado, Alexandre Gordon assassinado, John Gordon enforcado, e por aí segue. Os membros da família possuíam um temperamento semelhante aos bárbaros. Bastava alguém se intrometer em seus caminhos, que de imediato eram atacados e mortos pelos mesmos.
A ira dos Gordon não foi suficiente para impedir o casamento de Catherine com John. Desse casamento, marcado pela desgraça, nasce George Gordon Byron, o poeta que mudaria as vertentes dos movimentos literários e submeteria fiéis seguidores às suas peripécias.
Não demorou muito para a rica Catherine, se submeter às perdas irreparáveis possibilitadas pelo marido. John tratou de gastar não só a fortuna liquida, como todos os bens de Catherine. Como se não bastasse, o mesmo tinha amantes por todos os cantos, maltratava Catherine, era audacioso para conquista de suas vontades e viveu muito bem! Até morrer à míngua: John suicidou-se pela miséria que o mesmo construiu. Tal miséria não era apenas uma consequência subjetiva, ela alastrou também à vida de Catherine. Foi essa a herança deixada por John Byron, até então.
George Gordon Byron: o poeta começa a descobrir o mundo
George Gordon Byron cresceu graças ao sacrifício custoso da sofrida mãe. Sozinha, Catherine desdobrou-se para criar o pequeno Byron. Procurou sempre as melhores referências para que Byron fosse alguém melhor que seu pai. Porém, não era apenas de virtudes que  Catherine usava: constantemente, era abordada por um sentimento de ira e infelicidade, os quais descontava em seu filho, batendo-lhe. Além da mãe, o pequeno Byron contava com a ira incógnita de sua governanta, cujo nome era May Gray.
Sob o teto de uma criação instável, Byron ainda portava uma pequena enfermidade que o marcaria com forte veemência: ele possuía um defeito numa das pernas, era coxo. Tal defeito foi um obstáculo enorme no desenvolvimento do garoto, que se sentia envergonhado perante os outros. O tratamento, exaustivo, também o irritava muito.
Contudo, os anátemas destinados a esse Byron, não fariam tanto efeito como pensado. O rapaz possuía características peculiares que o destacavam. Apaixonou-se por literatura ao primeiro contacto - ainda bem novo - com a história de Caim e Abel contada por um professor de História de sua escola. Além de tudo, foi conquistando amigos no colégio de maneira bastante surpreendente, citemos: uma certa vez, um rapaz - primeiro amigo de Byron - apanhava de um tirano grandalhão. Byron, com a voz trémula e os olhos cheios de lágrimas, perguntou para o autor, quantos socos pretendia dar em seu amigo. Surpreendido, o garoto perguntou o motivo dessa “estúpida” pergunta. Byron, disse: “Se não se importar, gostaria de receber a metade”.
Byron conquistou, também, o diretor de seu colégio, o doutor Joseph Drury, que - de tanta afeição - ofereceu-se para ensinar latim e grego a Byron. O dr. Drury foi um grande condutor do menino Byron, porém ganhou diversos momentos de enxaquecas pela ousadia de tentar disciplinar o rapaz.

Polémica
Byron havia-se irritado com as audácias malignas da mãe. Com isso, resolveu deixar a cidade de Southwell e partiu para Londres. Lá, enquanto esperava alcançar a maioridade, Byron decidiu ser poeta, embalado pelos literatos que, durante toda sua adolescência, leu.
Escreveu uma série de poemas e, apoiado por uma amiga de Southwell - cujo nome era Elizabeth - publicou o seu primeiro livro: Horas Ociosas. Byron havia dedicado grande parte de seu tempo para concretizar o projeto. Deixou ao encargo de Elizabeth a organização e a impressão. Os primeiros exemplares impressos foram distribuídos a amigos e conhecidos. Logo então, os consequentes exemplares foram entregues às livrarias e propostos a consignação. Byron, ansioso, visitava o máximo possível de livrarias para conferir a vendagem, que por sinal era boa.
Logo, começaram as críticas: as pessoas de Southwell não haviam gostado do livro, faziam críticas frias ao trabalho de Byron e se sentiam ofendidas com suas manifestações de ódio ao lugar (Southwell). Já a crítica se ocupou da duplicidade de opinião de sempre: uns elogiavam, outros arrasavam.
Byron recebia elogios de seus amigos e de familiares distantes. Porém, um aviso sobre um artigo hostil e violento que seria publicado na Revista de Edimburgo - principal órgão liberal escocês, lhe chegou aos ouvidos. Ele esperava com grande ansiedade, mas não esperava tanto: “A poesia desse jovem Lord pertence àquela cuja existência nem Deus e nem os homens admitem. Para diminuir o seu crime, o nobre autor apresenta sobretudo o argumento de sua menoridade. Provavelmente pretende dizer: vejam como um menor pode escrever! Este poema foi feito por um rapaz de 18 anos... e este por um de 16!...”, e por aí prossegue, com um tom igualmente cruel. Byron ficou arrasado. Pensou em replicar, mas decidiu calar-se - por enquanto. Relevou o facto de que todos os escritores passam por isso em suas respectivas carreiras e prosseguiu com a mesma empolgação.
Lord Byron decidiu partir para uma viagem incógnita, na qual ele pretendia descobrir as belezas dos países vizinhos a Inglaterra. Visitou vários países e dividiu o seu gosto pela beleza contrastante entre as obras góticas e as produzidas pela guerra. Byron achava lindas as paisagens de uma cidade destruída e pelos corpos moribundos, caídos pelos cantos. Obteve diversas experiências e voltou renovado para Inglaterra. Foi, então, convocada a sua presença na Câmara dos Lordes para tomar posse do seu cargo. Byron agiu completamente contra as tradições que assolavam a Câmara: primeiro, foi acompanhado apenas de um amigo, enquanto a presença da família nunca deixou de existir como princípio aos Lordes. Depois, agiu como um indiferente ao receber os cumprimentos do presidente da Câmara. O seu amigo espantou-se ao presenciar tamanha arrogância: Byron ofereceu ao “presidente” apenas as pontas dos dedos como forma de, segundo ele, “não iludi-lo em relação ao seu possível apoio, pois não o daria a ninguém deste lugar”.
O tempo se passou e o poeta resolveu lançar seu mais novo trabalho: Childe Harold. O livro contava suas aventuras durante a viagem pela Europa e foi concebido pela sociedade como um novo fenómeno literário. Byron, de início, não acreditava que seu livro fosse capaz de causar tanto frisson; contudo, foi o que aconteceu. A obra explodiu como uma bomba prestes a iniciar novos tempos na vida de um homem que, por sua vez, estava prestes a viver algo bem mais explosivo que o sucesso: o incesto.
Nasce o Dom Juan e a eterna tormenta...
A nova vida se instalava com ares de idolatria. Um rei suspenso de seu posto por toda vida e que definitivamente tomava seu devido lugar. Byron era aclamado em todos os cantos da grande Inglaterra. Intelectuais, políticos, artistas e - principalmente - mulheres, proclamavam o seu nome em todas as discussões imagináveis.
O pequeno jovem coxo, antes recusado por inúmeras mulheres, era então o ideal imaginário de nove entre dez mulheres inglesas. Todas fantasiavam suas feições, imaginavam seus dotes e deslumbravam-se aos versos de uma literatura excêntrica e real.
Como não poderia deixar de ser, Byron enfeitiçou a alma de inúmeras mulheres - na sua maioria, casadas - e viveu romances pitorescos, condenados ao fim pelo desprezo e pela indiferença do poeta. Assim, diversas mulheres, cujos casamentos estavam condenados às ruínas, deixavam-se cobrir pelos braços do poeta querido.
Mas Byron, frágil e propenso à desgraça, não escaparia do peso maior que carregaria por toda sua vida: Augusta, a sua irmã, estava em condições iguais das mulheres casadas que se renderam aos encantos de Byron. O seu casamento não ia bem, e refugiou-se na casa do irmão para aliviar a tensão que a perseguia desde então. Byron recebeu-a de braços abertos e toda sua admiração transformou-se em cordialidade. Entretanto, algo bombástico alimentava a sua ânsia. Começou a enxergar a irmã com outros olhos: via-a como uma semelhança, um espelho raro petrificado por idêntica sina, como uma possibilidade de encontrar o Byron escondido pelo ser anti-social e céptico. Além, enxergava-a como uma mulher de exorbitante beleza e que precisava de algo a mais do que os braços seguros de um irmão. Não pensou lucidamente, quando esqueceu a semelhança sanguínea, a hereditariedade e as anátemas profetizadas em nome de um ato incomum e estonteante. Contudo, seguiu controlando-se, até as asas de uma vida errante produzirem névoas bruscas e não fornecerem apoio para a negação. Nada propunha a Byron um caminho contrário ao do seguido. Não obstante, Augusta voltou para casa grávida...
Morte
Lord Byron morreu enquanto lutava na Guerra de Independência da Grécia, em 1824, de febres contraídas no campo de batalha. Encontra-se sepultado na Igreja de Santa Maria Madalena, Hucknall, Nottinghamshire na Inglaterra.
  
   


  
Lines Inscribed Upon a Cup Formed from a Skull, 1808


Start not - nor deem my spirit fled;
In me behold the only skull
From which, unlike a living head,
Whatever flows is never dull.

I lived, I loved, I quaffed, like thee:
I died: let earth my bones resign;
Fill up - thou canst not injure me;
The worm hath fouler lips than thine.

Better to hold the sparkling grape,
Than nurse the earth-worm's slimy brood;
And circle in the goblet's shape
The drink of gods, than reptile's food.

Where once my wit, perchance, hath shone,
In aid of others' let me shine;
And when, alas! our brains are gone,
What nobler substitute than wine?

Quaff while thou canst: another race,
When thou and thine, like me, are sped,
May rescue thee from earth's embrace,
And rhyme and revel with the dead.

Why not? Since through life's little day
Our heads such sad effects produce;
Redeemed from worms and wasting clay,
This chance is theirs, to be of use.


Versos Inscritos numa Taça Feita de um Crânio


Não, não te assustes: não fugiu o meu espírito
Vê em mim um crânio, o único que existe
Do qual, muito ao contrário de uma fronte viva,
Tudo aquilo que flui jamais é triste.

Vivi, amei, bebi, tal como tu; morri;
Que renuncie a terra aos ossos meus
Enche! Não podes injuriar-me; tem o verme
Lábios mais repugnantes do que os teus olhos.

Onde outrora brilhou, talvez, minha razão,
Para ajudar os outros brilhe agora eu;
Substituto haverá mais nobre que o vinho
Se o nosso cérebro já se perdeu?

Bebe enquanto puderes; quando tu e os teus
Já tiverdes partido, uma outra gente
Possa te redimir da terra que abraçar-te,
E festeje com o morto e a própria rima tente.

E por que não? Se as frontes geram tal tristeza
Através da existência (curto dia ...),
Redimidas dos vermes e da argila
Ao menos possam ter alguma serventia.