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sexta-feira, maio 15, 2026

Está quase a começar a Queima das Fitas de 2026...!

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Começa esta quinta-feira, dia 21 de maio de 2026, às 24.00 horas, com a tradicional Serenata Monumental na Sé Velha, a Queima das Fitas de Coimbra - a verdadeira e única (esta é Queima, as outras são fitas e palhaçadas...).

Este ano o seu programa, colocado em cima e tendo por fundo o cartaz oficial, em termos de Noites no Parque, é um bocadinho limitado (a AAC está afundada em dívidas...).

Esperamos que a televisão, mais exatamente a RTP1, transmita a histórica Serenata Monumental, este ano com um grupo (Honoris Causa, que inclui o meu filho) e que tem, finamente, mulheres a cantar Fado e Canção de  Coimbra - já era altura de as mulheres, que dominam em número e esforço a academia de Coimbra, poderem atuar nas Serenatas...!

Esta Queima tem ainda outra coisa interessante - os Geopedrados celebram no sábado da festa dos estudantes os 40 anos da sua primeira e histórica Queima das Fitas, com a colocação de um memorial no Penedo da Saudade e com um almoço de curso, ambos abrilhantados pela atuação de 3 membros dos Honoris Causa...!

terça-feira, maio 12, 2026

Hoje é dia de cantar Manuel Alegre...!

 

Capa negra, rosa negra - Estudantina Universitária de Coimbra
Música: António Portugal e Adriano Correia de Oliveira
Letra: Manuel Alegre

  
  
Capa negra, rosa negra
Rosa negra sem roseira
Abre-te bem nos meus ombros
Como o vento numa bandeira.

Abre-te bem nos meus ombros
Vira costas à saudade
Capa negra, rosa negra
Bandeira de liberdade.

Eu sou livre como as aves
E passo a vida a cantar
Coração que nasceu livre
Não se pode acorrentar. 

Porque hoje preciso cantar as trovas de Alegre...!

 

Trova do Vento que Passa



Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.


Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.


Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.


[Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.


Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio — é tudo o que tem
quem vive na servidão.


Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.


E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.


Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.


Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).


Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.


E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.


Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.


E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.


Quatro folhas tem o trevo
liberdade quatro sílabas.
Não sabem ler é verdade
aqueles pra quem eu escrevo.


Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.


Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

 


Manuel Alegre

Manuel Alegre celebra hoje noventa anos...!


Manuel Alegre de Melo Duarte  (Águeda, 12 de maio de 1936) é um escritor e político português.
Filho de Francisco José de Faria e Melo Ferreira Duarte, que jogou na Académica e foi campeão de atletismo, e da sua mulher, Maria Manuela Alegre de Melo Duarte, a sua família tem referências na política - um dos seus ascendentes esteve nas revoltas contra D. Miguel I, tendo sido decapitado na Praça Nova do Porto - e no desporto - o próprio Manuel Alegre sagrou-se campeão nacional de natação e foi atleta internacional da Associação Académica de Coimbra nessa modalidade. A sua infância e juventude encontram-se retratadas no romance Alma (1995).
À exceção dos primeiros estudos, feitos em Águeda, frequentou diversos estabelecimentos de ensino: fez o primeiro ano do liceu no Passos Manuel, em Lisboa, no segundo esteve três meses como aluno interno no Colégio Almeida Garrett, no Cartaxo, seis meses no Colégio Castilho, em São João da Madeira, e depois foi para o Porto, concluindo os estudos secundários no Liceu Central Alexandre Herculano. Aí fundou, com José Augusto Seabra, o jornal Prelúdio.
Em 1956 entra na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Pouco depois entra nos grupos de oposição de estudantes ao salazarismo, por via de uma amiga sua. Torna-se militante do Partido Comunista Português em 1957, que viria a abandonar em 1968. É membro da Comissão da Academia quando esta apoia a candidatura de Humberto Delgado à Presidência da República, em 1958. Participou ainda na fundação do Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra e foi ator do Teatro de Estudantes da Universidade de Coimbra, deslocando-se para atuar em Bruxelas (1958), Cabo Verde (1959) e Bristol (1960).
Em 1960 publica poemas nas revistas Briosa (que dirigiu), Vértice e Via Latina, participando ainda na coletânea A Poesia Útil e Poemas Livres, juntamente com Rui Namorado, Fernando Assis Pacheco e José Carlos Vasconcelos.
Em 1961 é chamado a cumprir serviço militar e assenta praça na Escola Prática de Infantaria, em Mafra, de onde sai, pouco depois, para a ilha de São Miguel. Em 1962 é mobilizado para Angola, onde é preso pela PIDE, em 1963. Regressado a Portugal, é-lhe fixada residência em Coimbra. Em 1964 exila-se em Paris.
Chegado a Paris em julho de 1964, participa na Terceira Conferência e é eleito para um cargo na Direção da Frente Patriótica de Libertação Nacional, presidida por Humberto Delgado. Isto dar-lhe-á a possibilidade de depor perante as Nações Unidas, como representante dessa organização, sobre a sua experiência em Angola, e contactar com os líderes dos movimentos africanos de libertação, como Agostinho Neto, Eduardo Mondlane, Samora Machel, Amílcar Cabral, Mário Pinto de Andrade e Aquino de Bragança. Em 1964 parte para o exílio, em Argel, onde é locutor da emissora de rádio A Voz da Liberdade.
Nessa emissora difunde conteúdos contra o regime anti-democrático português. Entretanto os seus dois primeiros livros, Praça da Canção (1965) e O Canto e as Armas (1967), são apreendidos pela censura, mas cópias manuscritas ou dactilografadas circulam de mão em mão, clandestinamente. Poemas seus, cantados, entre outros, por Zeca Afonso e Adriano Correia de Oliveira, Manuel Freire e Luis Cília tornam-se emblemas da luta clandestina.
Em 1968, afasta-se do Partido Comunista Português para aderir à Ação Socialista Portuguesa.
Uma década depois de ter partido para Argel regressa a Portugal, onde chega a 2 de maio de 1974. Entra nos quadros da Radiodifusão Portuguesa, como diretor dos Serviços Recreativos e Culturais, e é um dos fundadores (com Piteira Santos, Nuno Bragança e outros) dos Centros Populares 25 de Abril, uma organização que pretendia um papel cívico, complementar ao dos partidos.
Ainda em 1974 adere ao Partido Socialista, de que foi dirigente nacional. Estreia-se como deputado na Assembleia Constituinte, em 1975. É deputado à Assembleia da República a partir de 1976, integrando também o I Governo Constitucional (de Mário Soares), primeiro como Secretário de Estado da Comunicação Social, depois como Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro para os Assuntos Políticos. Também no Parlamento foi presidente da Comissão Parlamentar de Negócios Estrangeiros, vice-presidente da Delegação Parlamentar Portuguesa ao Conselho da Europa, vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS e vice-presidente da Assembleia da República. Em 2004 foi candidato a secretário-geral do PS, perdendo para José Sócrates. Em 2006 foi candidato independente às eleições presidenciais, tendo obtido mais votos que Mário Soares, então candidato oficial do PS. Após essas eleições funda o Movimento de Intervenção e Cidadania. Em 2009 cessa o seu último mandato como deputado à Assembleia da República, após trinta e quatro anos no Parlamento. Mantém-se como membro do Conselho de Estado e das Ordens Honoríficas de Portugal. Em 2010 anuncia a sua candidatura às eleições presidenciais de 2011, conseguindo o apoio do PS, do BE, bem como dos dirigentes do MIC.
No total foi deputado 34 anos. Reforma-se após deixar o parlamento. Aufere uma reforma de 3.219,95€ (para a qual contaram os descontos efetuados como deputado), uma subvenção vitalícia superior a dois mil euros mensais. A sua reforma foi motivo de diversos boatos nos meios de comunicação social, que foram levados a Tribunal, culminando no pagamento a Manuel Alegre de uma indemnização no valor de quarenta mil euros, como compensação por danos morais em virtude de notícia, publicada em junho de 2006, no jornal diário Correio da Manhã, e que lhe imputava o recebimento de uma reforma superior a três mil euros por escassos meses de trabalho na RDP, esquecendo os mais de 30 anos em que Manuel Alegre descontou para a Caixa Geral de Aposentações enquanto deputado na Assembleia da República. Manuel Alegre ganhou os recursos em sede de tribunal de primeira instância, de novo na relação de Lisboa, e de novo em sede de Supremo Tribunal de Justiça. Acumula ainda uma subvenção vitalícia superior a dois mil euros mensais, aplicada a todos os titulares de cargos públicos com desempenhos superiores a 12 anos.
Casou duas vezes, primeiro com Isabel de Sousa Pires, de quem não teve filhos, e depois com Mafalda Maria de Campos Durão Ferreira (Lisboa, 13 de dezembro de 1947), de quem tem dois filhos e uma filha:
  • Francisco Durão Ferreira Alegre Duarte (Argel, 9 de agosto de 1973), casado com Margarida Pereira Martins (17 de abril de 1975), da qual tem dois filhos:
    • Pedro Pereira Martins Alegre Duarte;
    • João Pereira Martins Alegre Duarte.
  • Afonso Durão Ferreira Alegre Duarte (1976), solteiro e sem geração;
  • Joana Margarida Durão Ferreira Alegre Duarte (1985).
Além da atividade política, saliente-se o seu proeminente labor literário, quer como poeta, quer como ficcionista. Entre os seus inúmeros poemas musicados contam-se a Trova do vento que passa, cantada por Adriano Correia de Oliveira, Amália Rodrigues, entre muitos outros. Reconhecido além fronteiras, é o único autor português incluído na antologia Cent poemes sur l'exil, editada pela Liga dos Direitos do Homem, em França (1993). Em abril de 2010, a Universidade de Pádua, em Itália, inaugurou a Cátedra Manuel Alegre, destinada ao estudo da Língua, Literatura e Cultura Portuguesas. Pelo conjunto da sua obra recebeu, entre outros, o Prémio Pessoa (1999) e o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (1998). Foi sócio-correspondente da Classe de Letras da Academia das Ciências de Lisboa, eleito em 2005, e foi eleito membro efetivo da ACL em 2016.
  
 
  
LIBERDADE

Sobre esta página escrevo
teu nome que no peito trago escrito
laranja verde limão
amargo e doce o teu nome.

Sobre esta página escrevo
o teu nome de muitos nomes feito água e fogo lenha vento
primavera pátria exílio.

Teu nome onde exilado habito e canto mais do que nome: navio
onde já fui marinheiro
naufragado no teu nome.

Sobre esta página escrevo o teu nome: tempestade.
E mais do que nome: sangue. Amor e morte. Navio.

Esta chama ateada no meu peito
por quem morro por quem vivo este nome rosa e cardo
por quem livre sou cativo.

Sobre esta página escrevo o
teu nome: liberdade.
   
  

in A Praça da Canção (1974) - Manuel Alegre

domingo, maio 10, 2026

Hoje é dia de ouvir o criador da moderna guitarra de Coimbra...

Artur Paredes nasceu há 127 anos...

(imagem daqui)
    
Artur Paredes (Coimbra, 10 de maio de 1899 - Lisboa, 20 de dezembro de 1980) foi um compositor e intérprete de guitarra portuguesa. É por muitos considerado o criador de uma sonoridade própria para a guitarra de Coimbra, distinguindo-a assim da guitarra de Lisboa. Ele nasceu numa família de músicos, o seu pai era o também guitarrista Gonçalo Paredes, que também era compositor. O seu filho foi Carlos Paredes, nascido em 1925, que também se tornou guitarrista. Artur Paredes revolucionou a afinação e o estilo de acompanhamento para o Fado de Coimbra, acrescentando o seu nome aos músicos mais progressistas e inovadores.
  
 

sexta-feira, maio 01, 2026

Poema para iniciar um novo mês...

 

Canção com Lágrimas - Adriano Correia de Oliveira

Poema de Manuel Alegre e música de Adriano Correia de Oliveira

 

Eu canto para ti um mês de giestas
Um mês de morte e crescimento, ó meu amigo
Como um cristal partindo-se plangente
No fundo da memória perturbada

Eu canto para ti um mês onde começa a mágoa
E um coração poisado sobre a tua ausência
Eu canto um mês com lágrimas e Sol, o grave mês
Em que os mortos amados batem à porta do poema

Porque tu me disseste quem me dera em Lisboa
Quem me dera em Maio, depois morreste
Com Lisboa tão longe ó meu irmão tão breve
Que nunca mais acenderás no meu o teu cigarro

Eu canto para ti Lisboa à tua espera
Teu nome escrito com ternura sobre as águas
E o teu retrato em cada rua onde não passas
Trazendo no sorriso a flor do mês de Maio

Porque tu me disseste quem me dera em Maio
Porque te vi morrer eu canto para ti
Lisboa e o Sol, Lisboa com lágrimas
Lisboa à tua espera ó meu irmão tão breve
Eu canto para ti Lisboa à tua espera

domingo, abril 26, 2026

Frederico Vinagre nasceu há 79 anos...

Frederico Vinagre - 1

 (imagem daqui)

 

Recorda-se já com profunda saudade o fadista e cantor de baladas de Coimbra FREDERICO VINAGRE, nascido em 26 de abril de 1947 e falecido em 30 de janeiro de 2026.

Lembrar FREDERICO VINAGRE

Frederico da Silveira Vinagre, conhecido artisticamente por Frederico Vinagre, foi um fadista português associado a repertórios que cruzam o fado de Lisboa e, sobretudo, a tradição do fado e da canção de Coimbra, onde se destacou em gravações que ajudaram a fixar temas emblemáticos como “Coimbra (Avril au Portugal)”, “Balada da Despedida”, “Fado Hilário”, “Saudades de Coimbra (Do Choupal até à Lapa)” e “Fado do Adeus (À Sr.ª do Almortão)”.

A presença em edições discográficas tornou-se uma das principais pistas do seu percurso artístico, com lançamentos e reedições em diferentes formatos ao longo de anos, entre os quais registos como Fados de Coimbra, trabalhos que circularam em compilações e álbuns associados a editoras e coleções de música portuguesa, incluindo edições identificadas em plataformas e catálogos como a Metro-Som e a Movieplay.

Em gravações creditadas, é também comum encontrá-lo acompanhado por instrumentistas ligados à guitarra portuguesa e à viola, o que reforça a filiação do seu canto na matriz clássica do género e na estética de serenata e balada que marcou parte do fado coimbrão.

Para além do registo fonográfico, o seu nome surge citado em estudos e trabalhos académicos sobre o fado, onde lhe é atribuída uma formulação sintética e expressiva sobre o sentido desta canção urbana, que o coloca na linhagem de intérpretes que entendem o fado como narrativa emotiva e espelho social.

Ao longo do tempo, as suas interpretações foram mantendo circulação pública através de reedições digitais e plataformas de streaming, permitindo que o seu repertório continuasse acessível a novos ouvintes e a comunidades de apreciadores do fado e da canção de Coimbra.


in Facebook Nunes Forte

 

quinta-feira, abril 16, 2026

Para celebrar o Dia Mundial da Voz, um CD de fado e canção de Coimbra novo...!

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Canções do Nosso Tempo é um álbum da Secção de Fado da Associação Académica de Coimbra (SF/AAC), lançado em março de 2026, que reúne temas marcantes das serenatas da última década. O CD celebra o Fado de Coimbra com criações originais e novas interpretações, estando disponível em plataformas de streaming e YouTube

 

Para  celebrar o Dia Mundial da Voz, aqui fica uma música deste que vale a pena, com um jovem (autor de letra e música e ainda cantor) que eu mandei para Coimbra para estudar Psicologia:

 

quinta-feira, abril 09, 2026

Hoje é dia de ouvir cantar Adriano Correia de Oliveira...

O Adriano continua a comemorar aniversários, enquanto for recordado...

 

Menina dos olhos tristes 

Música: Zeca Afonso 

Letra: Reinaldo Ferreira 

 

Menina dos olhos tristes 

o que tanto a faz chorar

o soldadinho não volta

do outro lado do mar  

 

Vamos senhor pensativo 

olhe o cachimbo a apagar

o soldadinho não volta

do outro lado do mar 


Senhora de olhos cansados

porque a fatiga o tear

o soldadinho não volta

do outro lado do mar 

 

Anda bem triste um amigo

uma carta o fez chorar

o soldadinho não volta

do outro lado do mar

A lua que é viajante

é que nos pode informar

o soldadinho já volta

está mesmo quase a chegar 

 

Vem numa caixa de pinho

do outro lado do mar

desta vez o soldadinho

nunca mais se faz ao mar

Adriano Correia de Oliveira nasceu há oitenta e quatro anos...

(imagem daqui)
    
Adriano Maria Correia Gomes de Oliveira (Porto, 9 de abril de 1942 - Avintes, 16 de outubro de 1982) foi um músico português. Mudou-se para Avintes ainda com poucos meses de vida.
 
Filho de Joaquim Gomes de Oliveira e de sua mulher, Laura Correia, Adriano foi um intérprete do fado de Coimbra e cantor de intervenção. A sua família era marcadamente católica, crescendo num ambiente que descreveu como «marcadamente rural, entre videiras, cães domésticos e belas alamedas arborizadas com vista para o rio». Depois de frequentar o Liceu Alexandre Herculano, no Porto, matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, em 1959. Viveu na Real República Ras-Teparta, foi solista no Orfeon Académico, membro do Grupo Universitário de Danças e Cantares, ator no CITAC, guitarrista no Conjunto Ligeiro da Tuna Académica e jogador de voleibol na Briosa. Na década de 60 adere ao Partido Comunista Português, envolvendo-se nas greves académicas de 62, contra o salazarismo. Nesse ano foi candidato à Associação Académica de Coimbra, numa lista apoiada pelo MUD.
Data de 1963 o seu primeiro EP, Fados de Coimbra. Acompanhado por António Portugal e Rui Pato, o álbum continha a interpretação de Trova do vento que passa, poema de Manuel Alegre, que se tornaria uma espécie de hino da resistência dos estudantes à ditadura. Em 1967 gravou o álbum Adriano Correia de Oliveira, que, entre outras canções, tinha Canção com lágrimas.
Em 1966 casa-se com Maria Matilde de Lemos de Figueiredo Leite, filha do médico António Manuel Vieira de Figueiredo Leite (Coimbra, Taveiro, 11 de outubro de 1917 - Coimbra, 22 de março de 2000) e de sua mulher Maria Margarida de Seixas Nogueira de Lemos (Salsete, São Tomé, 13 de junho de 1923), depois casada com Carlos Acosta. O casal, que mais tarde se separaria, veio a ter dois filhos: Isabel, nascida em 1967, e José Manuel, nascido em 1971. Chamado a cumprir o Serviço Militar, em 1967, ficaria apenas a uma disciplina de se formar em Direito.
Em 1970 troca Coimbra por Lisboa, exercendo funções no Gabinete de Imprensa da FIL - Feira Industrial de Lisboa, até 1974. Ainda em 1969 vê editado o álbum O Canto e as Armas, revelando, de novo, vários poemas de Manuel Alegre. Pela sua obra recebe, no mesmo ano, o Prémio Pozal Domingues.
Lança Cantaremos, em 1970, e Gente d' aqui e de agora, em 1971, este último com o primeiro arranjo, como maestro, de José Calvário, e composição de José Niza. Em 1973 lança Fados de Coimbra, em disco, e funda a Editora Edicta, com Carlos Vargas, para se tornar produtor na Orfeu, em 1974. Participa na fundação da Cooperativa Cantabril, logo após a Revolução dos Cravos e lança, em 1975, Que nunca mais, onde se inclui o tema Tejo que levas as águas. A revista inglesa Music Week elege-o Artista do Ano. Em 1980 lança o seu último álbum, Cantigas Portuguesas, ingressando no ano seguinte na Cooperativa Era Nova, em rutura com a Cantabril.
Vítima de uma hemorragia esofágica, morreu na quinta da família, em Avintes, nos braços da sua mãe.
A 24 de setembro de 1983 foi feito Comendador da Ordem da Liberdade e a 24 de abril de 1994 foi feito Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, em ambos os casos a título póstumo.
  

 

 

Por Aquele Caminho - Adriano Correia de Oliveira
Música - Adriano Correia de Oliveira e Rui Pato
Letra - José Afonso
 
 

Por aquele caminho
De alegria escrava
Vai um caminheiro
Com sol nas espáduas

Ganha o seu sustento
De plantar o milho
Aquece-o a chama
De um poder antigo

Leva o solitário
Sob os pés marcado
Um rasto de sangue
De sangue lavado

Levanta-se o vento
Levanta-se a mágoa
Soltam-se as esporas
De uma antiga chaga

Mas tudo no rosto
De negro nascido
Indica que o negro
É um espectro vivo

Quem lhe dá guarida
Mostra-lhe a pintura
Duma cor que valha
Para a sepultura

Não de mão beijada
Para que não viva
Nele toda a raiva
Dessa dor antiga

Falta ao caminheiro
Dentro da algibeira
Um grão de semente
De outra sementeira

O sol vem primeiro
Grande como um sino
Pensa o caminheiro
Que já foi menino

Hoje é dia de recordar um Homem do fado e canção de Coimbra...

 

 

Minha mãe -  Adriano Correia de Oliveira 

Letra e musica de José Afonso 

 

Ó minha mãe, minha mãe
Ó minha mãe, minha amada.
Ó minha mãe, minha mãe
Ó minha mãe, minha amada.

Quem tem uma mãe, tem tudo
Quem não tem mãe, não tem nada.
Laralarala La Laralarala La
Laralarala La Laralarala La

Quem não tem mãe, não tem nada
Quem a perde é pobrezinho.
Quem não tem mãe, não tem nada
Quem a perde é pobrezinho.

Ó minha mãe, minha amada
Onde estás que eu estou sózinho.
Laralarala La Laralarala La Laralarala La
Ó minha mãe, minha amada.

sexta-feira, abril 03, 2026

Música para recordar uma hora triste...

 

Luiz Goes - No calvário
Letra - Fausto José 
Música - D. José Paes de Almeida e Silva 
Carlos Paredes (guitarra) e João Figueiredo Gomes (viola) 

 
Passada a hora enorme da agonia, 
A sombra invade os descampados nus; 
De dor soluça agreste a ventania; 
No céu nem uma estrela tremeluz! 

Como um corvo sinistro que descia, 
Fez-se mais negra a treva sobre a cruz 
A que se abraça, pálida, Maria, 
Chorando de olhos postos em Jesus. 

E a Virgem disse então banhada em pranto; 
"Dai-me sequer um pobrezinho manto 
Para nele meu filho amortalhar!" 

Ergueu-se a Lua triste pelo espaço, 
E desdobrou, serena, do regaço, 
O alvinitente manto do luar!

Hilário morreu há cento e trinta anos...

 

"Augusto Hilário da Costa Alves nasceu em Viseu em 1864. No entanto, ao consultarmos a sua Certidão de Edade no Arquivo da Universidade de Coimbra, reparamos que na transcrição do seu registo de batismo, afinal, foi exposto na roda desta cidade [Viseu] pelas cinco horas da manhã e que em vez de se chamar Augusto Hilário refere a quem dei o nome de Lázaro Augusto.

Fica então a questão do porquê de Augusto Hilário. A resposta vem num documento anexo à Certidão de Edade referindo que no seu crisma solicitou para daí em diante se chamar Augusto Hilário (em 1877).

Quanto ao seu percurso escolar segundo João Inês Vaz e Júlio Cruz terá principiado no Liceu de Viseu pois frequentou o Liceu de Viseu com o intuito de fazer os estudos preparatórios para admissão à Faculdade de Filosofia. Certo é que, em 1889, vem para Coimbra fazer os preparatórios de Medicina. Dos Anuários da Universidade de Coimbra conclui-se que esteve matriculado em Filosofia entre os anos letivos de 1889/1890 e 1891/1892 como aluno obrigado, sendo de destacar também que no ano letivo de 1890/1891 frequentou a cadeira o Curso Livre de Língua Grega. Nos anos letivos de 1892/1893 a 1895/1896 esteve matriculado em Medicina, tendo repetido o primeiro ano, tendo falecido quase a terminar o Curso.

Viveu na Rua Infante D. Augusto n.º 60, no Largo do Observatório n º 5, e na Travessa de S. Pedro n.º 14. No entanto, segundo os autores já citados, quando veio para Coimbra também se inscreveu na Marinha para receber subsídio do Estado Português.

É claro que durante o seu tempo de estudante cantou e tocou guitarra, tendo feito parte da Tuna Académica da Universidade de Coimbra (no tempo em que o Doutor Egas Moniz, futuro Prémio Nobel da Medicina, era o Presidente da Tuna). Participou também na célebre homenagem a João de Deus, durante a qual, segundo João Inês Vaz e Júlio Cruz, após a atuação, terá atirado a guitarra para a assistência e, claro está, nunca mais a viu. Para obviar a falta da guitarra, valeu-lhe o Ateneu Comercial de Lisboa que lhe ofereceu a derradeira guitarra em 1895 (a guitarra do Hilário que hoje conhecemos).

Depois de ter atuado em diversos locais do país, acabou por falecer em Viseu no dia 3 de abril de 1896. Segundo a cópia da Certidão de Óbito na obra dos autores referenciados, morreu pelas nove horas da noite e sem sacramentos. Além disso, foi sepultado no cemitério público desta cidade [Viseu]."

...para recordar um estudante de Coimbra...

 

Fado Hilário

  

A minha capa velhinha

É da cor da noite escura

A minha capa velhinha

É da cor da noite escura

Nela quero amortalhar-me

Quando for para a sepultura

Nela quero amortalhar-me

Quando for para a sepultura

       

Ela há de contar aos vermes

Já que eu não posso falar

Ela há de contar aos vermes

Já que eu não posso falar

Segredos luarizados

Da minha alma a soluçar

        

Eu quero que o meu caixão

Tenha uma forma bizarra

Eu quero que o meu caixão

Tenha uma forma bizarra

A forma de um coração

A forma de uma guitarra

A forma de um coração

A forma de uma guitarra

segunda-feira, março 30, 2026

Napoleão Amorim, vetusta voz da canção de Coimbra, nasceu há cento e dois anos...

Jornal Campeão: Faleceu Napoleão Amorim, o decano dos cantores de Coimbra

 

Falecimento de Napoleão Amorim

 

Chega-nos a notícia do falecimento do Eng. Napoleão Ferreira Amorim (30.03.1924 - 30.10.2023), cantor, que teve passagens pelas Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra e da Universidade do Porto, tendo feito na última a sua formatura. O tenor Napoleão Amorim, natural de Espinho, era o mais antigo cantor da escola clássica em atividade. Deixou alguns registos fonográficos, gravados no outono da vida. 

 

in Guitarra de Coimbra V (Cithara Conimbrigensis)

 

quarta-feira, março 25, 2026

Hoje é dia de ouvir Fado de Coimbra...

Pedro Ramalho, um cantor de Fado de Coimbra, nasceu há 87 anos...


PEDRO MAGALHÃES RAMALHO (1939 – 2011) Cantor

Faz hoje, dia 25 de março de 2013, 74 anos que PEDRO OLIVEIRA MARQUES DE MAGALHÃES RAMALHO nasceu, em Lisboa, no ano de 1939. Faleceu, na mesma cidade, a 20 de janeiro de 2011.

Pedro Ramalho, era filho do engenheiro António Sobral Mendes de Magalhães Ramalho e da Sra. D. Maria Luísa Oliveira Marques, sendo um de seis irmãos. Três rapazes, Miguel, Pedro e Paulo e três raparigas, Maria do Rosário, Maria de Jesus e Maria Margarida. Feita a Instrução Primária, o Pedro frequenta o Liceu Camões, onde faz o curso secundário. Candidata-se ao Instituto Superior Técnico, em Lisboa, passa no exame de admissão ao curso de engenharia mecânica, está no primeiro ano em 1957, e conclui a licenciatura em 1964. Gostava de cantar e tocar viola. Pertenceu ao Orfeão Académico de Lisboa, que tinha um Grupo de Fados e Serenatas de Coimbra, onde o Pedro veio a ser um dos cantores. Rapidamente passa a ser o cantor de serviço e de eleição, juntamente com Almeida e Silva, e o Durão (do Sardoal), que também cantava bem. Nas guitarras está o Eduardo Craveiro, filho de Coimbra, que era um seguidor de Artur Paredes, depois o Durão, o Luís Penedo, e alguns outros. Nas violas, o Seixas, o Henrique Azevedo (futuro cunhado), e muitos outros. Faziam serenatas pela cidade, à moda de Coimbra, e as jovens deliciavam-se. Para completar o Teotónio Xavier, amigo do Carlos Paredes, aparecia e imitava animais, sobretudo galos de capoeira, pondo os animais a cantar, acordando toda a vizinhança, a altas horas da noite, recebendo em troca alguns "mimos" que não devem ficar escritos.
No “escritório”, a cave da casa paterna na Avenida Defensores de Chaves, em Lisboa, juntava-se a rapaziada para conversar, tocar e cantar. Ali faziam-se os ensaios. De Fado de Coimbra, e de tudo o que cheirasse a canto e a música. O Grupo “Os Feiticeiros”, virados para o fado de Lisboa, também lá ensaiavam. O Durão estava em todas, e ainda tinha tempo para dizer poesia, e animar a malta. A rapaziada amiga, de Coimbra, quando vinha a Lisboa, por lá passava. Se não conheciam a casa, ficavam a conhecer. O estúdio, “os comes”, a confraternização tinha fama, e chegava às margens do Mondego. Também lá iam o Carlos Paredes, o Fernando Alvim, e muitos outros. A família Magalhães Ramalho, oriunda dos lados de Lamego, tinha profundas ligações a Coimbra.
Por volta de 1961, Carlos Paredes achou que o Pedro Ramalho, devia cantar canções populares das Beiras. Nesse ano, Paredes tinha um compromisso de ir à televisão num programa de Fados de Coimbra. O cantor vinha da Lusa Atenas. Estava na tropa, e como estamos na crise académica de 1961, as autoridades da altura decretam que a rapaziada fica de prevenção no quartéis. Não vem o amigo de Coimbra, mas Carlos Paredes, não se atrapalha. Vai o Pedro Ramalho, que era ainda estudante do Técnico, e não era dado a grandes exposições. Por fim, lá convence o Pedro a ir, e com Paredes e Fernando Alvim a acompanhar, faz um sucesso. Tudo correu bem como era de esperar. Carlos Paredes não disse nada, mas estava tão nervoso, que parece que deu uma fífia, que a malta não notou. Mal acaba o programa liga ao Teotónio Xavier a perguntar-lhe se tinha visto o programa. O Teotónio diz-lhe que sim.
Ele pergunta: - E não viste que enganei no Si menor?
O Xavier diz-lhe: - Ó homem, ninguém deu por isso!
Era assim aquela rapaziada. Carlos Paredes tinha mais 14 anos que o Pedro Ramalho, mais 9 que o Alvim, mais 8 que o Xavier, mas havia uma sã camaradagem, que só o ano de 1974, veio criar um certo afastamento. Situações compreensíveis, mas que não vieram a afetar o que cada um pensava dos outros.
O Pedro Ramalho, forma-se no IST, e casa com a Maria João em outubro de 1964. Tem o seu primeiro emprego na Cometna. De 1965 a 1969, está na vida militar. Nascem as filhas, a Catarina, a Mónica e a Susana. A Maria João acompanha a prole, enquanto o Pedro lá vai seguindo a sua vida profissional, que não possibilitava, nem grandes ensaios, nem atuações. Por volta dos finais dos anos 70, do século passado, e por influência do Carlos Couceiro (1933 – 2010), colega amigo, recomeça a cantar. Conhece o Dr. Carlos Figueiredo (1923 -1999) e fazem uma serenata no castelo de S. Jorge. Nas guitarras vai o Carlos Couceiro (1930 – 2010), o Francisco Vasconcelos, e o Frias Gonçalves. Nas violas, para além de Carlos Figueiredo, contavam com o Ferreira Alves (1933 – 1999), um verdadeiro mestre, prematuramente desaparecido. Estavam todos “pendurados” na guitarra do Frias Gonçalves e na viola do Ferreira Alves. Carlos Figueiredo, era um intérprete não muito expressivo, mas um professor de alto gabarito. Sabia ensinar no canto, na música, e tinha um grau de exigência muito elevado. Era um compositor com canções muito bonitas, que estão bem cantadas e tocadas, no LP “Saudades da Rua Larga – Fados de Coimbra”, editado em 1982, pela Rádio Triunfo Lda. O Pedro Ramalho foi o único cantor, e este fonograma, foi o único que gravou. Neste disco de 33 1/3 rpm, SPA, RT 10012, foi acompanhado nas guitarras, por Silva Ramos, Fernando Xavier, Teotónio Xavier e Amado Gomes. Nas violas, por Ferreira Alves e Carlos Figueiredo. Formavam por essa altura o Grupo de Fados Guitarradas de Coimbra “Rua Larga”. Na contracapa do disco recolhem-se palavras de simpatia e apoio, de Carlos Paredes, Lacerda e Megre (Pai) e de Carlos Couceiro, este último, muito ausente do país, resultado da sua vida profissional. Carlos Figueiredo, num parágrafo refere que o disco é uma homenagem à “Década de Oiro”, dos anos 20, do Fado de Coimbra.

 

in Guitarra de Coimbra V (Cithara Conimbrigensis)