O Curso de Geologia de 85/90 da Universidade de Coimbra escolheu o nome de Geopedrados quando participou na Queima das Fitas.
Ficou a designação, ficaram muitas pessoas com e sobre a capa intemporal deste nome, agora com oportunidade de partilhar as suas ideias, informações e materiais sobre Geologia, Paleontologia, Mineralogia, Vulcanologia/Sismologia, Ambiente, Energia, Biologia, Astronomia, Ensino, Fotografia, Humor, Música, Cultura, Coimbra e AAC, para fins de ensino e educação.
Os seus últimos espetáculos terão lugar nos Coliseus de Lisboa e do Porto, em 1983, numa fase avançada da sua doença. No final desse mesmo ano é-lhe atribuída a Ordem da Liberdade, mas o cantor recusa a distinção.
Faz hoje, dia 16 de fevereiro de
2013, 70 anos que nasceu em Coimbra, JOSÉ MANUEL DOS SANTOS. Faleceu na sua
cidade natal, a 25 de julho de 1989. José Manuel Martins dos Santos,
nasceu em Coimbra, fez a instrução primária na sua terra, e curso liceal no
Liceu D. João III. A seguir, matriculou-se em Engenharia Civil, na Universidade
de Coimbra, depois no curso de Psicologia, nunca tendo avançado
significativamente em nenhum deles. A canção de Coimbra, a vida académica, e a
boémia saudável que quase todo o estudante adora viver, eram superiores à
vontade de estudar. Os seus pais, com um pequeno comércio na Rua Ferreira
Borges, na Baixa de Coimbra, e com uma venda de bilhetes no teatro Avenida, lá
iam assegurando o tipo de vida, que o Zé Manel gostava de viver. Calcorreava a
Coimbra nas serenatas de rua, nos espetáculos organizados pelos diferentes
Organismos e Instituições, onde a Canção de Coimbra, era presença indispensável,
e onde a sua voz se identificava pela diferença
qualitativa. Vivia a mística do Penedo da Saudade,
e o simbolismo da sua Sé Velha, emprestando com a sua voz maviosa, e um estilo
muito próprio de cantar. A sua dimensão estética invulgar, ao cantar de Coimbra,
sem romantismos retrógrados, respeitando a tradição, mas inserido num movimento
de modernidade e de mudança, marcavam uma diferença significativa para os
demais. Tomando por base o escrito por José Niza, JOSÉ MANUEL DOS SANTOS, acompanha pelo país e pelo estrangeiro, o
Coro Misto da Universidade de Coimbra, a Tuna Académica, e o Orfeon, do qual fez
parte como 1º tenor, nos anos de 1966 a 1968. Cantou com Rui Nazaré, José Niza,
Eduardo Melo, Ernesto Melo, Durval Moreirinhas, Rui Borralho, Manuel Borralho,
Jorge Godinho, Hermínio Menino, António Bernardino, José Miguel Baptista, Jorge
Rino, António Portugal, Rui Pato, Jorge Cravo, José Ferraz, António Andias,
Manuel Dourado, Octávio Sérgio e muitos outros, igualmente importantes na divulgação da Canção
de Coimbra. Refere ainda José Niza, no mesmo livro, que o Dr. Rui Pato, no Jornal
de Coimbra, de setembro de 1989, escreve que José Manuel dos Santos, terá sido o
único que teve a honra de interpretar a obra poética de José Nuno
Guimarães. Pelo Dr. Rui Pato sabemos do agradecimento comovido da sua viúva,
quando da leitura do artigo em causa, pouco tempo após a partida do amigo Zé
Manel, aos 46 anos de idade. O seu filho, médico em Coimbra, terá talvez outra
visão e relação, com a música e o canto de Coimbra, não tendo sofrido o
encantamento que a voz de seu pai ajudou a construir, e que no fundo não foi uma
contribuição ativa, para uma de carreira profissional
consolidada. Gravou dois fonogramas. Vamo-nos
socorrer do trabalho do Prof. Doutor Armando Luís de Carvalho Homem, sob o
título “NUNO GUIMARÃES (1942 – 1973), e a Guitarra de Coimbra nos anos 60: -
impressões perante uma re–audição de cinco 45 RPM”. O autor aborda aquilo que considera que foi o caminho seguido por
ele, e pelos seus companheiros, nas suas vivências académicas, inseridas nas
preocupações estéticas dos mesmos, no domínio da Canção de Coimbra. Atende-se
preferencialmente no contexto social e político envolvente, à época, na Academia
do Porto, e num tempo de mudança, de lutas sociais e políticas dos anos 60. ALCH
aborda a discografia de Nuno Guimarães, com base na sua experiência da sua vida
de jovem compositor e violista, a nosso ver, estruturada em dois pilares
fundamentais: - A dimensão cimeira,
do que foram o saber, a experiência na composição e interpretação da música e da
canção de Coimbra, da lavra do seu saudoso Pai, o Dr. Armando de Carvalho Homem
(1923 – 1991), e a sua passagem enriquecedora pela Academia de Coimbra. A propósito dos fonogramas gravados
por JOSÉ MANUEL DOS SANTOS, ALCH, escreveu:
- “… os discos em causa são os
seguintes: - Serenata de Coimbra: José Manuel dos
Santos, EP AM 4.039, ed. OFIR/ Discoteca Santo António, s.d. (tal com os
restantes); instrumentistas: Nuno Guimarães/ Manuel Borralho (gg), Rui
Pato/ Jorge Ferraz (vv); contém os seguintes temas (todos da autoria de
NG): “Fado da Vida”, “Elegia à Mãe”, “Anjo Negro” e “Rosa e a Noite”. - Coimbra Antiga: Fados por José Manuel dos Santos,
EP AM 4.069; instrumentistas: Nuno Guimarães/ Manuel Borralho (gg), Rui
Pato/Jorge Rino (vv); contém os temas “Adeus Minho Encantador”, “Fado
das Penumbras”, “Canção da Beira” e “Fado Manassés”.
JOSÉ MANUEL DOS SANTOS partiu muito novo. Tinha 46 anos e a cidade que o viu nascer, também o viu partir, naquele triste dia de 25 de julho de 1989.
Foi um dos grandes guitarristas e é um símbolo ímpar da cultura portuguesa. É um dos principais responsáveis pela divulgação e popularidade da guitarra portuguesa e grande compositor. Carlos Paredes é um guitarrista que para além das influências dos seus antepassados - pai, avô, e tio, tendo sido o pai, Artur Paredes, o grande mestre da guitarra de Coimbra - mantém um estilo coimbrão, a sua guitarra é de Coimbra, e própria afinação era a do Fado de Coimbra. A sua vida em Lisboa marcou-o e inspirou-lhe muitos dos seus temas e composições. Ficou conhecido como O mestre da guitarra portuguesa ou O homem dos mil dedos.
Biografia
Filho do famoso compositor e guitarrista, mestre Artur Paredes, neto e bisneto de guitarristas, Gonçalo Paredes e António Paredes, começou a estudar guitarra portuguesa
aos quatro anos com o seu pai, embora a mãe preferisse que o filho
se dedicasse ao piano; frequenta o Liceu Passos Manuel, começando
também a ter aulas de violino na Academia de Amadores de Música. Na sua última entrevista, recorda: "Em pequeno, a minha mãe, coitadita, arranjou-me duas professoras de violino e piano. Eram senhoras muito cultas, a quem devo a cultura musical que tenho".
Em 1934, a família muda-se para Lisboa, o pai era funcionário do BNU e
vem transferido para a capital. Abandona a aprendizagem do violino para se dedicar, sob a orientação do pai, completamente à guitarra. Carlos Paredes fala com saudades
desses tempos: "Neste anos, creio que inventei muita coisa. Criei
uma forma de tocar muito própria, que é diferente da do meu pai e do
meu avô".
Carlos Paredes inicia em 1949 uma colaboração regular num programa de Artur Paredes na Emissora Nacional
e termina os estudos secundários num colégio particular. Não chega a
concluir o curso liceal e inscreve-se nas aulas de canto da
Juventude Musical Portuguesa, tornando-se, em 1949, funcionário
administrativo do Hospital de São José.
Em 1958, é preso pela PIDE por fazer oposição a Salazar, é acusado de pertencer ao Partido Comunista Português,
do qual era de facto militante, sendo libertado no final de 1959 e
expulso da função pública, na sequência de julgamento. Durante este
tempo andava de um lado para o outro da cela fingindo tocar música, o
que levou os companheiros de prisão a pensar que estaria louco - de
facto, o que ele estava a fazer, era compor músicas, na sua cabeça.
Quando voltou para o local onde trabalhava no Hospital, uma das
ex-colegas, Rosa Semião, recorda-se da mágoa
do guitarrista devido à denúncia de que foi alvo: «Para ele foi uma
traição, ter sido denunciado por um colega de trabalho do hospital. E
contudo, mais tarde, ao cruzar-se com um dos homens que o denunciou,
não deixou de o cumprimentar, revelando uma enorme capacidade de
perdoar!»
Em 1962, é convidado pelo realizador Paulo Rocha, para compor a banda sonora do filme Os Verdes Anos:
«Muitos jovens vinham de outras terras para tentarem a sorte em
Lisboa. Isso tinha para mim um grande interesse humano e serviu de
inspiração a muitas das minhas músicas. Eram jovens completamente
marginalizados, empregadas domésticas, de lojas - Eram precisamente
essas pessoas com que eu simpatizava profundamente, pela sua
simplicidade». Recebeu um reconhecimento especial por “Os Verdes Anos”.
Tocou com muitos artistas, incluindo Charlie Haden, Adriano Correia de Oliveira e Carlos do Carmo. Escreveu muitas músicas para filmes e em 1967 gravou o seu primeiro LP "Guitarra Portuguesa".
Quando os presos políticos foram libertados depois do 25 de Abril de 1974,
eram vistos como heróis. No entanto, Carlos Paredes sempre recusou
esse estatuto, dado pelo povo. Sobre o tempo que foi preso nunca
gostou muito de comentar. Dizia «que havia pessoas, que sofreram mais
do que eu!». Ele é reintegrado no quadro do Hospital de São José e
percorre o país, atuando em sessões culturais, musicais e políticas
em simultâneo, mantendo sempre uma vida simples, e por incrível que
possa parecer, a sua profissão de arquivista de radiografias. Várias
compilações de gravações de Carlos Paredes são editadas, estando
desde 2003 a sua obra completa reunida numa caixa de oito CDs.
A sua paixão pela guitarra era tanta que, conta que certa vez, a sua guitarra se perdeu numa viagem de avião e ele confessou a um amigo que «pensou em se suicidar».
Uma doença do sistema nervoso central, (mielopatia), impediu-o de tocar durante os últimos 11 anos da sua vida. Morreu a 23 de julho de 2004 na Fundação Lar Nossa Senhora da Saúde, em Lisboa, sendo decretado Luto Nacional.
"Quando eu morrer, morre a guitarra também.
O meu pai dizia que, quando morresse, queria que lhe partissem a guitarra e a enterrassem com ele.
Eu desejaria fazer o mesmo. Se eu tiver de morrer.”
Elemento da Tuna Académica, foi intérprete do canto e da guitarra de Coimbra, devendo-se-lhe umas conhecidas Variações em ré menor, bem como a gravação de vários temas tradicionais, como Nossas mágoas são o fruto ou Balada do entardecer, que registou em EP 45 RPM.
Estabeleceu-se como advogado em Lourenço Marques (atual Maputo) em 1953,
onde viveu durante mais de 20 anos. Nesta província ultramarina, foi um
dos mais importantes defensores dos presos políticos, juntando-se
também à defesa da autodeterminação a partir do contacto com o ativista
nacionalista Filipe Mussongui Tembe Júnior, mais conhecido por Filipana.
Pertenceu ainda ao Grupo dos Democratas de Moçambique e foi candidato, por duas vezes, às eleições para a Assembleia Nacional, em listas da Oposição Democrática. Viu, em ambos os casos, anulada a sua candidatura por ato da Administração Colonial.
É autor de mais de uma dezena de livros, incluindo ensaios jurídicos. Em 2006, publicou Quase Memórias, uma autobiografia em dois volumes, grande parte da qual dedicada ao processo de descolonização entre 1974 e 1975. Neste livro, avança uma explicação para a mudança de atitude de Samora Machel
(que conheceu de perto) em relação aos portugueses. Com efeito, é quase
consensualmente admitido que uma das principais razões do colapso da
economia moçambicana após a independência foi a partida precipitada da
maioria dos cerca de 200 000 portugueses residentes em Moçambique até ao
25 de Abril de 1974, e que esse êxodo terá sido provocado por uma
mudança brusca de atitude por parte de Samora Machel. O governo de
transição que iria dirigir Moçambique entre o acordo de cessar-fogo
(assinado a 7 de setembro de 1974 em Lusaca pelo governo provisório português e pela Frelimo)
e a independência (prevista para 25 de junho do ano seguinte) tinha-se
mostrado bastante conciliador. O primeiro-ministro, Joaquim Chissano
(que se tornaria presidente da República depois da morte de Machel, doze
anos mais tarde), conseguiu convencer a maior parte dos brancos de que
somente os que tivessem graves responsabilidades nas páginas mais
sombrias da época colonial poderiam recear o governo da Frelimo. Ora, um
mês antes da independência, ou seja, em meados de maio de 1975, Samora
Machel entrou em Moçambique pela fronteira norte, vindo da Tanzânia,
e encetou um périplo com destino à capital, situada no extremo sul,
aonde deveria chegar na véspera da independência. Ao longo dessa viagem,
inflamava literalmente as massas com os seus discursos, nos quais não
cessava de repisar os aspetos mais odiosos e humilhantes do colonialismo
(na perspetiva dos colonizados). O mal-estar instalou-se
progressivamente entre a comunidade portuguesa, numerosos membros da
qual decidiram ir refazer a vida noutras paragens.
Almeida Santos dá a seguinte explicação para esta aparentemente
inusitada hostilidade: o presidente da Frelimo teria sido muito afetado
por dois episódios de violência, o primeiro dos quais causado por um
levantamento na capital, com tomada das instalações do Rádio Clube de
Moçambique, na sequência da assinatura do acordo de Lusaca de 7 de
setembro de 1974, que previa a concessão exclusiva do poder ao movimento
nacionalista: este levantamento foi dirigido pela FICO (Frente
Integracionista de Continuidade Ocidental), um movimento
maioritariamente branco ao qual se tinham aliado dissidentes da Frelimo e
outros membros da comunidade negra que não viam com bons olhos a
instauração de um regime de partido único em nome da Frelimo. Como
represália, eclodiram então motins sangrentos nos bairros negros da
cidade e, durante vários dias, milhares de habitantes, sobretudo
portugueses, foram barbaramente massacrados por apoiantes da Frelimo. O
segundo episódio de violência ocorreu poucas semanas mais tarde, a 21 de
outubro de 1974, na sequência de uma querela entre comandos portugueses
e guerrilheiros da Frelimo, provocando também motins sangrentos nos
bairros de maioria negra, com o assassinato de dezenas de brancos.
Segundo Almeida Santos, Machel ter-se-ia possivelmente convencido de que
a presença de uma numerosa comunidade portuguesa em Moçambique
constituiria sempre uma fonte de instabilidade e uma ameaça potencial
contra o poder da Frelimo. A isso ter-se-iam juntado as pressões da União Soviética,
para com quem a Frelimo tinha contraído uma pesada dívida, sobretudo
política, e que teria interesse em se desembaraçar dos portugueses a fim
de melhor exercer a sua influência a todos os níveis.
Ora, se os episódios de violência tinham ocorrido no início do
período de transição (o primeiro eclodira mesmo antes da entrada em
funções do governo presidido por Joaquim Chissano), a Frelimo teria,
portanto, tomado a decisão de expulsar os portugueses no próprio momento
em que o primeiro-ministro Chissano, por ela nomeado, parecia
encorajá-los a ficarem.
No livro Que Nova Ordem Mundial?, de 2009, defendeu convictamente a nova ordem mundial e a globalização e propôs soluções que envolvem a globalização da política, não só do comércio.
Em maio de 2007, defendeu a Ota
como localização preferencial do novo aeroporto de Lisboa, argumentando
que se o mesmo fosse construído na margem sul do Tejo, terroristas
poderiam dinamitar as diversas pontes sobre o Tejo, cortando o acesso ao
Aeroporto. Foi bastante criticado na altura.
Em maio de 2011, defendeu que José Sócrates deveria demitir-se no caso de perder as eleições.
Foi Presidente da Assembleia Geral da GEO Capital - Investimentos estratégicos S.A., com sede em Macau, cujos acionistas de referência são Jorge Ferro Ribeiro, Stanley Ho e Ambrose So.
Foi também membro da Maçonaria Portuguesa, com o grau máximo, o Grau 33 do Grande Oriente Lusitano.
Morte
Faleceu a 18
de janeiro de 2016, pouco antes da meia-noite, aos 89 anos de idade, na
sua casa de Oeiras, após uma indisposição sentida a seguir ao jantar, à
qual não resistiu. A sua morte ocorreu pouco depois de ter manifestado apoio à candidatura de Maria de Belém Roseira nas eleições presidenciais de 2016; já se encontrava afetado com uma gripe durante esta campanha.
PAULO SARAIVA (1964 - 2012). Faz hoje, dia 26 de janeiro de 2013, 49 anos
que nasceu Paulo Saraiva.
PAULO JORGE PEDROSO BARATA FEIO SARAIVA, nasceu em Coimbra, a 26 de janeiro
de 1964, e faleceu, em Lisboa, a 6 de fevereiro de 2012, estando sepultado no
cemitério da Conchada, em Coimbra. Morre aos 48 anos, na sua casa perto de
Lisboa, de acidente vascular cerebral. Mais um jovem talentoso, na voz e no
dedilhar da viola, algo envelhecido, que parte tão cedo.
Aos 11 anos, foi aluno da Escola de Guitarra Clássica, do extinto F.A.O.J.,
no ano de 1975, tendo como professor Luis Filipe Roxo. Frequenta o Conservatório
de Música de Coimbra, estudando guitarra clássica (viola), começando a cantar
por volta dos anos 80, na Escola de Fado do Chiado. Aqui, sob a orientação do
professor Jorge Gomes, que cedo se apercebe das suas qualidades de cantor, e
assim, decide abraçar decididamente o canto. Mais tarde, vem a pertencer à Tuna
Académica da Universidade de Coimbra, integrando a Orquestra e um Grupo de
Fados. Também faz parte da Secção de Fado da Associação Académica de Coimbra,
onde colabora na Orxestra Pitagórica e na Estudantina Universitária de
Coimbra.
É fundador do Grupo de Fados e Guitarradas "Torre d'Anto" e colaborou com
o Grupo "Toada Coimbrã", com o qual participou numa Serenata Monumental da
Queima das Fitas, que teve um impacto extraordinário. A partir daqui, começa a
cantar no grupo de António Portugal, com António Brojo, Aurélio Reis e Luis
Filipe, no qual se mantém até à morte de Portugal, em 26 de junho de 1994.
Cantou ao lado de grandes figuras da Canção de Coimbra, como Luiz Goes (1933 -
2012), António Bernardino (1941 - 1996), Augusto Camacho Vieira, Fernando Rolim,
e muitos outros. Foi acompanhado pelos guitarristas, como António Portugal,
António Brojo (1927 - 1999), Octávio Sérgio, António José Moreira, Henrique
Ferrão, António Vicente, entre outros. À viola, teve o acompanhamento de Aurélio
Reis, Luis Filipe, Durval Moreirinhas, Rui Pato, Luis Santos, e também muitos
outros.
Considerava-se especialmente influenciado por José Afonso (1929 - 1987),
António Portugal (1931 -1994) e Adriano Correia de Oliveira (1942 - 1982).
Gravou alguns discos, como a "Estudantina Passa", em 1988, depois em 1997, com
33 anos, grava "Canção com Lágrimas", da etiqueta Ovação, disco que obtém um êxito
assinalável. Colabora depois na fase de Lisboa, noutras gravações. Com efeito no
início dos anos 90 do século passado, radica-se em Lisboa, atuando por mais de
uma década na casa de fados "Sr. Vinho", onde de há muito se encontrava
Fernando Machado Soares. A sua carreira de cantor, passou por participações em
programas televisivos e radiofónicos, percorrendo o nosso país e o estrangeiro,
em países como Espanha, Holanda, França, Bélgica, Alemanha, Luxemburgo,
Marrocos, Brasil, Cuba, Canadá, Tailândia, Malásia, Singapura e São Tomé e Príncipe.
O seu repertório incluía sobretudo Fados de Coimbra, Canção de
Intervenção e Música Popular Portuguesa, interpretando temas de grandes figuras
como Luiz Goes, José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, suas e muitos
outros.
Paulo Saraiva, deixa uma enorme saudade, em todos os que o conheceram,
saudade que passa muito para além da controvérsia gerada na sua opção de
radicação em Lisboa. Deixa amigos, que jamais o esquecerão, recordando o homem,
e o artista, que precocemente envelheceu, e aquela voz magnífica e bem
timbrada, que se fazia acompanhar na sua viola.
Eu tinha umas asas brancas, Asas que um anjo me deu, Que, em me eu cansando da terra, Batia-as, voava ao céu.
- Eram brancas, brancas, brancas, Como as do anjo que mas deu: Eu inocente como elas, Por isso voava ao céu. Veio a cobiça da terra, Vinha para me tentar; Por seus montes de tesouros Minhas asas não quis dar. - Veio a ambição, coas grandezas, Vinham para mas cortar, Davam-me poder e glória; Por nenhum preço as quis dar.
Porque as minhas asas brancas, Asas que um anjo me deu, Em me eu cansando da terra, Batia-as, voava ao céu.
Mas uma noite sem lua Que eu contemplava as estrelas, E já suspenso da terra, Ia voar para elas, — Deixei descair os olhos Do céu alto e das estrelas... Vi entre a névoa da terra, Outra luz mais bela que elas.
E as minhas asas brancas, Asas que um anjo me deu, Para a terra me pesavam, Já não se erguiam ao céu.
Cegou-me essas luz funesta De enfeitiçados amores... Fatal amor, negra hora Foi aquela hora de dores!
- Tudo perdi nessa hora Que provei nos seus amores O doce fel do deleite, O acre prazer das dores.
E as minhas asas brancas, Asas que um anjo me deu, Pena a pena me caíram... Nunca mais voei ao céu.
Almeida Garrett
Com base no poema do imortal Almeida Garrett, são essas mesmas asas que Coimbra (e a sua música e academia)glosou e cantou, a sua e minha alma mater, na voz, também imortal, de outro ex-aluno da nossa Universidade, Luiz Goes:
Asas brancas - Luiz Goes
Letra e Música: Afonso de Sousa
Quando era pequenino a desventura
Trazia-me saudoso e triste o rosto,
Assim como quem sofre algum desgosto,
Assim como quem chora de amargura.
Um anjo de asas brancas muito finas,
Sabendo-me infeliz mas inocente,
Cedeu-me as suas asas pequeninas,
Para me ver voar e ser contente.
E as asas de criança, meu tesoiro,
Ao ver-me assim tão triste, iam ao céu...
Tão brandas, tão macias - penas de oiro -
Tão leves como a aragem... como eu!
Cresci. Cresceram culpas juntamente,
Já grandes são as mágoas mais pequenas!
As asas brancas vão-se... e ficam penas!
Não mais voei ao céu nem fui contente
ALEXANDRE de REZENDE (1886 - 1953). Guitarrista, compositor e cantor de Coimbra.
Faz hoje, dia 2 de fevereiro de 2013, 60 anos que ALEXANDRE AUGUSTO de REZENDE MENDES ou ALEXANDRE AUGUSTO MENDES de PINA e ALBUQUERQUE REZENDE, faleceu em Lisboa, no ano de 1953, nascera em Campinas, estado de S. Paulo, Brasil, a 9 de agosto de 1886. O pai, Alexandre Augusto de Albuquerque Mendes de Pina e Rezende, fora Cônsul Honorário de Portugal, em Campinas. A mãe, D. Ana Duarte Gouveia de Rezende, faleceu quando o jovem Alexandre tinha 10 anos. Filho de pai fidalgo e abastado, vem para Portugal, passa pelos liceus da Guarda e de Lamego, e aos 16 anos instala-se, com o progenitor, em Coimbra, em Celas. No ano seguinte, com 17 anos, faz exame de admissão à 5ª Classe do Liceu, em Coimbra, mas reprova. Nunca entrou na Universidade de Coimbra. Vivia em Celas, na casa Grande de Celas, edifício que hoje já não existe, e onde havia sempre uma ajuda para os estudantes com mais dificuldades financeiras. Eram gente fraterna e solidária. Na sua casa, juntavam-se todos os que precisavam de ajuda e se entregavam nos serões gastronómicos e musicais, que Alexandre e o pai lhes proporcionavam. O seu amigo Rafael Salinas Calado (1893 – 1962), no seu livro “Memórias de um estudante de Direito”, diz:
- “O Alexande Rezende. Não era estudante, já no meu tempo, mas acamaradava com galhardia e com amizade, recíproca, com muitos estudantes. Alto, esbelto, delgadinho, valente e destemido, sempre muito janota, abastado, muito leal, cantava muito bem e muito bem tocava guitarra.
Tinha uma pecha curiosa, ou antes uma imunidade muito característica.
Quando era preciso beber, bebia tanto ou mais que os outros, mas rijo, nada o virava, e calmo e, fleumático, não deixava adivinhar o estado em que se encontrava.” (vem depois uma estória de uma serenata, a umas senhoras gentilíssimas da Figueira, que os copos a mais, prejudicaram o final ...).
Alexandre Rezende, conviveu com a juventude estudantil do seu tempo em Coimbra, dos quais referiremos apenas Manassés de Lacerda (1885 – 1962), durante algum tempo, pois este segue cedo para o Porto, Alexandre Torres (1886 – 1969), Francisco Menano (1888 – 1970), Patrocíno Dias (1884 – 1965), muito, Paulo de Sá (1891 – 1952), António Menano (1895 – 1969), e muitos outros não estudantes, mas que eram famosos na altura, como os irmãos Caetanos, Francisco (1884 – 1956), Alberto (1888 – 1941) e José (1894 – 1971), José Trego (1883 – 1976) e outros. Na sua casa, cantava-se e tocavam-se guitarradas, o chamado Fado de Coimbra era presença indispensável, mas noites havia em que o Fado de Lisboa era rei. Ficaram famosas as comezainas bem regadas, que pai e filho proporcionavam, na casa de Celas, sendo que não faltavam os charutos, as declamações poéticas e versalhadas do mais fino estilo. Consta que as tascas e tabernas de Coimbra, conheciam bem esta rapaziada, que parece terem eleito como templo principal, das suas noite de petiscos e comezainas musicais, a Tasca do Magrinho.
Era usual, deslocarem-se para fora de Coimbra, onde nas casas abastadas e fidalgas, em serões de antologia, se ouviam os estudantes de Coimbra, nos seus Fados e Guitarradas. Entre outras, a Condessa de Proença-a-Velha, D. Maria de Melo Furtado Caldeira Geraldes de Bourbon (1864 – 1944), quando se deslocava a Mogofores (Anadia), mas também em Penamacor, Lisboa e por vezes Coimbra, promovia com forte entusiasmo estes serões culturais. Deixou escrito, livros que atestam estas vivências inesquecíveis, a que Augusto Hilário (1864 – 1996), foi no seu tempo uma presença privilegiada, pois para além do mais, eram da mesma idade.
Alexandre de Rezende, mais tarde constituiu família, e veio a ser administrador de concelho em Montemor-o-Velho, Fornos de Algodres (terra do famoso Jaime de Abreu e da família Menano), e Celorico da Beira, procurando sempre nesses lugares, manter estes serões culturais, com a fidalguia residente e com artistas amadores. Tendo em atenção o trabalho do Coronel José Anjos de Carvalho e do Mestre Dr. António Manuel Nunes, poderemos dizer que o AR, gravou nos anos longínquos de 1929, quatro fonogramas etiqueta Parlophon. Coloca-se a hipótese de haver ainda mais uma gravação, não totalmente identificada. Como composições de Alexandre de Rezende podemos referir, com música sua:
- D’UM OLHAR (As meninas dos meus olhos) - FADO DE MINHA MÃE (Minha mãe é pobrezinha) - INQUIETAÇÃO (Quanto mais foges de mim) - FADO DA MENTIRA (Ninguém conhece no rosto) - O MEU MENINO (O meu menino é de oiro) - O MEU FILHINHO (À mãe de Nosso Senhor) - FADO DA SUGESTÃO (Não digas não, dize sim) - FADO DA GRAÇA (Dona Clarinha da Graça) - FADO DA LUZ (Tenho uma luz que me guia) - FADO DA MONTANHA (Quem por amor se perdeu) - FADO TRISTE (Tive um só amor na terra) - FADO REZENDE (Ao morrer os olhos dizem)
Existem ainda composições suas, que de acordo com os autores referidos JAC e AMN, não se conhecem solfas impressas, estando os respetivos fonogramas inacessíveis. É o caso dos fonogramas da Parlaphom, B. 33500 e B. 33505, onde figuram as composições Canção da Despedida e Fado do Conde da Covilhã, no primeiro, e Fado da Minha Mãe e Canção da Raia, no segundo. Um outro fonograma tem duas composições ao estilo de Fado de Lisboa, com as composições, Fado de Lisboa e Fado da Fadistice. Alexandre de Rezende, faleceu em Lisboa a 2 de fevereiro de 1953. A 9 de agosto desse ano, faria 67 anos.
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Manuel Marques Inácio
NOTA - Para um conhecimento mais profundo de Alexandre de Rezende, veja o que se encontra no link que se segue, da autoria de Anjos de Carvalho e António Manuel Nunes: LINK
Ó Tirana saudade Ó Tirana saudade Ó Tirana saudade Saudade, ó minha saudadinha Foste nada no Faial Foste nada no Faial Foste nada no Faial No Faial baptizada na Achadinha
Saudade onde tu fores Saudade onde tu fores Saudade onde tu fores Saudade leva-me podendo ser Que eu quero ir acabar Que eu quero ir acabar Que eu quero ir acabar Saudade onde tu foras morrer
A saudade é um luto A saudade é um luto A saudade é um luto Um amor, um amor, uma paixão É um cortinado roxo É um cortinado roxo É um cortinado roxo Que me morde, que me morde o coração
Edmundo Alberto Bettencourt (Funchal, 7 de agosto de 1899 - Lisboa, 1 de fevereiro de 1973)
foi um cantor e poeta português notavelmente conhecido por interpretar o Fado e a
Canção de Coimbra e pelo seu papel determinante na introdução de temas
populares neste género musical. Notabilizou-se pela composição musical
"Saudades de Coimbra" a qual é ainda hoje uma referência da música
portuguesa universitária.
Edmundo era neto de Júlio César de Bettencourt, morgado da Calheta. Caso os morgadios não tivessem sido extintos, Edmundo teria sido o Morgado.
Frequentou a Faculdade de Direito de Coimbra, foi funcionário público, até ser despedido, por o seu nome figurar entre os milhares de signatários das listas do MUD,
desenvolvendo, então, a atividade de delegado de propaganda médica.
Integrou o grupo fundador de Presença, cujo título sugerira, e em cujas
edições publica O Momento e a Legenda. Dissocia-se do grupo presencista em 1930, subscrevendo com Miguel Torga e Branquinho da Fonseca
uma carta de dissensão, onde é acusado o risco em que a revista
incorria de enquadrar o "artista em fórmulas rígidas", esquecendo o
princípio de "ampla liberdade de criação" defendido nos primeiros
tempos" (cf. "O Modernismo em Portugal", entrevista de João de Brito
Câmara a Edmundo de Bettencourt, reproduzida in A Phala, n.° 70, maio de 1999, p. 114). A redação de Poemas Surdos, entre 1934 e 40, alguns dos quais publicados na revista lisboeta Momento, permite antedatar o surto do surrealismo
em Portugal, enquanto adesão a um "sistema de pensamento, no que ele
tem de fuga à chamada realidade, repúdio dos valores duma civilização e
esperança de ação num domínio onde por tradição ela é quase sempre
negada", embora não seja possível esclarecer com
especificidade qual foi o conhecimento que Bettencourt teve da lição
surrealista francesa.
Frequentou os cafés Royal e Gelo, onde se reuniu a segunda geração surrealista, vindo a publicar seis inéditos no n.° 3 da revista Pirâmide
(1959-1960), em cujas páginas, entre 59 e 60, foram dadas à luz
algumas das produções do grupo do Gelo. Publicou ainda esparsamente
outros poemas em Momento, Vértice, Búzio. Depois de um silêncio, que
deve ser compreendido não como desistência "mas sim [como] uma peculiar
forma de revolta que o poeta defende carinhosamente", colige toda a sua
produção, permitindo a edição, em 1963, dos Poemas de Edmundo de
Bettencourt, prefaciados por Herberto Helder, poeta que, pela primeira
vez, faz justiça à originalidade do autor de Poemas Surdos,
considerando-o "uma das pouquíssimas vozes modernas entre o milagre do
Orpheu e o breve momento surrealista português" (HELDER, Herberto -
"Relance sobre a Poesia de Edmundo de Bettencourt", prefácio a Poemas de
Edmundo de Bettencourt, Lisboa, Portugália, 1963, p. XXXII). Com
efeito, o versilibrismo, o imagismo e certa atmosfera onírica e irreal
conferem à sua poesia um lugar de destaque no segundo modernismo,
estabelecendo, simultaneamente, a ponte com o vanguardismo de Orpheu e
com tendências surrealistas e imagistas verificadas em gerações
posteriores à Presença.
Passam hoje exatamente quarenta e três anos (foi no dia 29 de janeiro de 1983...) sobre o último grande concerto
de Zeca Afonso, já fortemente debilitado pela doença degenerativa que o matou, no
Coliseu dos Recreios, em Lisboa. Com todos os amigos a ajudar (Octávio Sérgio, António Sérgio, Lopes de Almeida, Durval Moreirinhas,
Rui Pato, Fausto, Júlio Pereira, Guilherme Inês, Rui Castro, Rui Júnior,
Sérgio Mestre, Vitorino e Janita Salomé, entre outros...) fez
história nessa noite.
Recordemos a data com a sua Balada de Coimbra, que usou como uma pungente e triste despedida...
Balada do Outono - José Afonso
Aguas passadas do rio Meu sono vazio Não vão acordar Águas das fontes calai Ó ribeiras chorai Que eu não volto a cantar
Rios que vão dar ao mar Deixem meus olhos secar Águas das fontes calai Óh, ribeiras chorai Que eu não volto a cantar
Águas das fontes calai Óh, ribeiras chorai Que eu não volto a cantar
Águas das fontes calai Óh, ribeiras chorai Que eu não volto a cantar
Águas do rio correndo Poentes morrendo P'ras bandas do mar Águas das fontes calai Óh, ribeiras chorai Que eu não volto a cantar
Rios que vão dar ao mar Deixem meus olhos secar Águas das fontes calai Óh, ribeiras chorai Que eu não volto a cantar
Águas das fontes calai Óh, ribeiras chorai Que eu não volto a cantar
Águas das fontes calai Óh, ribeiras chorai Que eu não volto a cantar
PAULO JORGE PEDROSO BARATA FEIO SARAIVA, nasceu em Coimbra, a 26 de janeiro
de 1964, e faleceu, em Lisboa, a 6 de fevereiro de 2012, estando sepultado no
cemitério da Conchada, em Coimbra. Morre aos 48 anos, na sua casa perto de
Lisboa, de acidente vascular cerebral. Mais um jovem talentoso, na voz e no
dedilhar da viola, algo envelhecido, que parte tão cedo.
Aos 11 anos, foi aluno da Escola de Guitarra Clássica, do extinto F.A.O.J.,
no ano de 1975, tendo como professor Luis Filipe Roxo. Frequenta o Conservatório
de Música de Coimbra, estudando guitarra clássica (viola), começando a cantar
por volta dos anos 80, na Escola de Fado do Chiado. Aqui, sob a orientação do
professor Jorge Gomes, que cedo se apercebe das suas qualidades de cantor, e
assim, decide abraçar decididamente o canto. Mais tarde, vem a pertencer à Tuna
Académica da Universidade de Coimbra, integrando a Orquestra e um Grupo de
Fados. Também faz parte da Secção de Fado da Associação Académica de Coimbra,
onde colabora na Orxestra Pitagórica e na Estudantina Universitária de
Coimbra.
É fundador do Grupo de Fados e Guitarradas "Torre d'Anto" e colaborou com
o Grupo "Toada Coimbrã", com o qual participou numa Serenata Monumental da
Queima das Fitas, que teve um impacto extraordinário. A partir daqui, começa a
cantar no grupo de António Portugal, com António Brojo, Aurélio Reis e Luis
Filipe, no qual se mantém até à morte de Portugal, em 26 de junho de 1994.
Cantou ao lado de grandes figuras da Canção de Coimbra, como Luiz Goes (1933 -
2012), António Bernardino (1941 - 1996), Augusto Camacho Vieira, Fernando Rolim,
e muitos outros. Foi acompanhado pelos guitarristas, como António Portugal,
António Brojo (1927 - 1999), Octávio Sérgio, António José Moreira, Henrique
Ferrão, António Vicente, entre outros. À viola, teve o acompanhamento de Aurélio
Reis, Luis Filipe, Durval Moreirinhas, Rui Pato, Luis Santos, e também muitos
outros.
Considerava-se especialmente influenciado por José Afonso (1929 - 1987),
António Portugal (1931 -1944) e Adriano Correia de Oliveira (1942 - 1982).
Gravou alguns discos, como a "Estudantina Passa", em 1988, depois em 1997, com
33 anos, grava "Canção com Lágrimas", da etiqueta Ovação, disco que obtém um êxito
assinalável. Colabora depois na fase de Lisboa, noutras gravações. Com efeito no
início dos anos 90 do século passado, radica-se em Lisboa, atuando por mais de
uma década na casa de fados "Sr. Vinho", onde de há muito se encontrava
Fernando Machado Soares. A sua carreira de cantor, passou por participações em
programas televisivos e radiofónicos, percorrendo o nosso país e o estrangeiro,
em países como Espanha, Holanda, França, Bélgica, Alemanha, Luxemburgo,
Marrocos, Brasil, Cuba, Canadá, Tailândia, Malásia, Singapura e São Tomé e Príncipe.
O seu repertório incluía sobretudo Fados de Coimbra, Canção de
Intervenção, e Música Popular Portuguesa, interpretando temas de grandes figuras
como Luiz Goes, José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, suas e muitos
outros.
Paulo Saraiva, deixa uma enorme saudade, em todos os que o conheceram,
saudade que passa muito para além da controvérsia gerada na sua opção de
radicação em Lisboa. Deixa amigos, que jamais o esquecerão, recordando o homem,
e o artista, que precocemente envelheceu, e aquela voz magnífica e bem
timbrada, que se fazia acompanhar na sua viola.