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quinta-feira, setembro 03, 2026

quarta-feira, setembro 02, 2026

Fernando Machado Soares nasceu há noventa e seis anos...

(imagem daqui)
        
Fernando Machado Soares (São Roque do Pico, 3 de setembro de 1930 – Almada, 7 de dezembro de 2014) foi um poeta, cantor, intérprete e compositor no âmbito da Canção de Coimbra, jurista e juiz jubilado, mais conhecido pela sua Balada da Despedida do 6.º ano Médico (1958), intitulada "Coimbra tem mais encanto".
   
Biografia
Nasceu em São Roque do Pico, Ilha do Pico, Açores, sendo descendente do último Capitão-Mor das Lajes do Pico. Licenciou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, nos anos 50.
Participou no filme Rapsódia Portuguesa.
Após ter concluído o curso superior, suspendeu durante alguns anos a sua atividade artística. Porém, acompanhou o Orfeão Académico de Coimbra aos Estados Unidos (1962), onde cantou com êxito em Nova York (Lincoln Center), Boston, Chicago e Atlanta. Participou ainda num programa televisivo da NBC.
Autor de diversos temas célebres, entre eles a "Balada da Despedida do 6º Ano Médico" (1958); co-autoria de Francisco Bandeira Mateus.
Fernando Machado Soares, que foi juiz-conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça, recebeu em 2006 o Prémio Tributo Amália Rodrigues “pela excelência da carreira artística e dedicação aos outros”.  Morreu aos 84 anos, em Almada, cidade onde se realizou o funeral.
     

 

 

Balada da Despedida do 6º Ano Médico (1958)





Coimbra tem mais encanto
Na hora da despedida.
Coimbra tem mais encanto
Na hora da despedida.


Que as lágrimas do meu pranto
São a luz que me dá vida.


Coimbra tem mais encanto
Na hora da despedida.
Coimbra tem mais encanto
Na hora da despedida.


Quem me dera estar contente
Enganar minha dor
Mas a saudade não mente
Se é verdadeiro o amor.


Coimbra tem mais encanto
Na hora da despedida.
Coimbra tem mais encanto
Na hora da despedida.


Não me tentes enganar
Com a tua formosura
Que para além do luar
Há sempre uma noite escura.


Coimbra tem mais encanto
Na hora da despedida.
Coimbra tem mais encanto
Na hora da despedida.


Que as lágrimas do meu pranto
São a luz que lhe dá vida.


Coimbra tem mais encanto
Na hora da despedida.
Coimbra tem mais encanto
Na hora da despedida.


Coimbra tem mais encanto
Na hora da despedida.
Coimbra tem mais encanto
Na hora da despedida.

sábado, agosto 29, 2026

Para recordar um poeta que também era compositor do fado e canção de Coimbra...

 

Título original: A ROSA E A NOITE
Música: José Nuno Guimarães Guedes dos Santos (1942-1973)
Letra: José Nuno Guimarães Guedes dos Santos (1942-1973)
Incipit: Meu amor/Anda perdido no mar
Origem: Coimbra
Género: Canção de Coimbra
Arranjo: José Nuno Guimarães Guedes dos Santos (1965)
Data: 1964-1965 (SPA: 4.05.1965)

Meu amor
Anda perdido no mar
Dizei, ó guitarras,
Que ele há de voltar
Dizei, verdes algas,
Que ele há de voltar
Meu amor que foi para o mar.

Ó ondas brancas de espuma,
Ondas brancas de luar,
Quero morrer no mar alto
Quero morrer a cantar.

Cai a noite, rosa brava,
Fecha os teus olhos à luz do poente
O barco voltou sem gente
Rosa brava
Ao sol poente…

Informação complementar:
A primeira gravação desta obra foi vocalizada pelo tenor José Manuel dos Santos, acompanhado em 1.ª guitarra de Coimbra por Nuno Guimarães, em 2.ª guitarra por Manuel Borralho, e pelos executantes de viola de seis ordens (nylon) Rui Pato/Jorge Ferraz: EP Serenata de Coimbra, Porto, Ofir AM 4.039, ano de 1965, reeditado no CD Fados e Baladas de Coimbra. Recordando Nuno Guimarães. Solfa e letra em Recordando Nuno Guimarães, O Poeta, o Músico (1942-1973), VNGaia, Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, 1997. O arranjo de acompanhamento é da autoria de Nuno Guimarães.

 

in Guitarra de Coimbra V

Porque há poetas que são (ou eram) músicos...

Música adequada à data...


Título original: FADO DA VIDA
Música: José Nuno Guimarães Guedes dos Santos (1942-1973)
Letra: José Nuno Guimarães Guedes dos Santos (1942-1973)
Incipit: Nossa Senhora
Origem: Coimbra
Género: Canção de Coimbra
Arranjo: José Nuno Guimarães Guedes dos Santos (1965)
Data: 1964-1965 (SPA: 4.05.1965)

Nossa Senhora,
Dai-me um dia para amar.
Quero dizer sim à vida 
Quando a vida me deixar.         
Nossa Senhora,
Dai-me um dia para amar.

Dai-me, Senhora,
Uma flor da cor da neve.
Se a morte vem, passe ao longe,
Se a brisa vem, não a leve.
Dai-me, Senhora,
Uma flor da cor da neve.
 
 
Canta-se o 1.º dístico, canta-se o 2.º, repete-se o 2.º e finaliza-se com o 1.º.
Informação complementar:
Composição vocal de tipo estrófico para 1.º tenor. Canta-se cada estrofe seguida, repete-se o 2.º dístico, remata-se com o 1.º dístico, que funciona como uma espécie de estribilho atípico. A primeira gravação foi vocalizada pelo tenor José Manuel dos Santos, acompanhado em 1.ª guitarra de Coimbra por Nuno Guimarães, em 2.ª guitarra por Manuel Borralho, e pelos executantes de viola de seis ordens (nylon) Rui Pato/Jorge Ferraz: EP Serenata de Coimbra, Porto, Ofir AM 4.039, ano de 1965, reeditado no CD Fados e Baladas de Coimbra. Recordando Nuno Guimarães. Solfa e letra em Recordando Nuno Guimarães. O Poeta, o Músico (1942-1973), V. N. Gaia, Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, 1997, pág. 27. O arranjo de acompanhamento é da autoria de Nuno Guimarães.
Nuno Guimarães era um nietzshiano e um wagneriano. Leu e cita na sua dissertação de licenciatura o filósofo alemão. Na 1.ª estrofe, o autor invoca explicitamente Friedrich Wilhelm Nietzsch, num processo de reflexão sobre a dimensão trágica da vida: “Quero cada vez mais aprender a ver como belo aquilo que é necessário nas coisas. Amor-fati [amor ao destino]: seja este, doravante, o meu amor! Não quero fazer guerra ao que é feio. Não quero acusar, não quero nem mesmo acusar os acusadores. Que minha única negação seja desviar o olhar! E, tudo somado e em suma: quero ser, algum dia, apenas alguém que diz Sim!”(A gaia ciência: 1882).
Composição interpretada, na Serenata Monumental da Queima das Fitas de Coimbra, em maio de 1994, pelo grupo Capas Negras.

 

in Guitarra de Coimbra V

Nuno Guimarães, poeta e músico, nasceu há 84 anos...

   

José Nuno Guimarães Guedes dos Santos (Perosinho, Vila Nova de Gaia, 29 de agosto de 1942 - 15 de agosto de 1973) foi um poeta e músico português. 

 

 Biografia

José Nuno Guimarães Guedes dos Santos nasceu a 29 de agosto de 1942, em Perosinho, Vila Nova de Gaia, Porto.

Estudou Filologia Românica em Coimbra, na Faculdade de Letras. Nesta cidade, integrará a publicação coletiva de poesia Confluência (1963). Autor de letras, músicas e arranjos de acompanhamento da Canção de Coimbra e intérprete da guitarra de Coimbra, contribui para renovar a estética do género entre 1964 e 1967. A sua primeira colaboração na revista Vértice data de junho de 1967. Concluirá a licenciatura no mês seguinte, com uma tese sobre a obra de Machado de Assis e as suas relações com Garrett (1967). Em outubro, inicia o serviço militar em Mafra. Aí, "entre espingardas e sistemas criptográficos" vem a conhecer, em janeiro de 1968, Gastão Cruz, encetando-se uma amizade para lá de meia década. É depois enviado para Luanda, onde também leciona e vem a casar. De regresso ao Porto, exerce a docência no então Liceu D. Manuel II.

Publica o primeiro livro de poemas, Corpo Agrário, em 1970. Seguir-se-ão a presença na antologia 10 Poemas para Che Guevara (1972) e a segunda publicação, Os Campos Visuais (1973). Nesse mesmo ano, após breve doença, acabará por falecer, interrompendo uma promissora voz na poesia portuguesa.

É, anos mais tarde, e pela mão do amigo, professor e poeta Fernando Guimarães, que se reunirão as suas Poesias Completas (1995), pelas Edições Afrontamento. Por último, seguindo a lição anterior, é publicado o volume Entre Sílabas e Lavas: poesia completa (2024), pela Assírio & Alvim, restituindo integralmente uma entrevista dada a Maria Teresa Horta, no jornal A Capital.

 

in Wikipédia

 

 

Seguro então a vida em pleno

 

Seguro então a vida em pleno
solo. Aí me deito
com os sinais perpétuos: árvores,
bosque, sombra, a permanência
de objectos olhados ou suspensos.
Agora, a outra lei – extractos
De sol sobre a retina – cede. Ao fácil
 
vento, à comoção do ar
pensado, onde se vive. Deste lugar os
elementos se afastam. Estão mortos,
inactivos no foco. Ou pela sombra
gravados, suspensos de algum livro.
Criaram-se da luz! São objectos
perecíveis: na imprecisão
da imagem, no seu repouso
exterior – entre a ciência e a vista.

 
 
 
Nuno Guimarães

terça-feira, agosto 25, 2026

Hoje é dia de ouvir guitarra de Coimbra...

António Brojo morreu há 27 anos...


António Brojo - foto do blog "Guitarra de Coimbra II"

 

António Pinho Brojo (Coimbra, 28 de novembro de 1928 - Coimbra, 25 de agosto de 1999) foi um músico português.

Frequentou o Liceu de Coimbra e começou os estudos de Ciências Farmacêuticas em Coimbra, que viria a ter de terminar na Universidade do Porto em 1950, por não ser possível ainda fazer na totalidade o curso em Coimbra. Preparou a tese de doutoramento em Farmácia na Universidade de Basileia e doutorou-se na Universidade do Porto em 1961. Seguiu a carreira académica na Universidade de Coimbra, onde chegaria a professor catedrático (1972) e a vice-reitor (1994). Jubilou-se da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra em 1998.

Paralelamente à carreira de professor universitário, foi um distinto executante de guitarra de Coimbra. Começou a tocar ainda nos anos quarenta, quando frequentava o Liceu com guitarristas como José Amaral, João Bagão, Armando de Carvalho Homem e Flávio Rodrigues da Silva. Ao lado de António Portugal, viria a fazer um dos mais célebres duetos de guitarra de Coimbra.

Gravou dois CDs: "Variações Inacabadas" e "Memórias de uma Guitarra". 

 

in Wikipédia

 

quinta-feira, agosto 20, 2026

Música para recordar uma voz de Coimbra...

António Bernardino, o Berna, nasceu há 85 anos...

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António Bernardino Pires dos Santos (Berna), nasceu em 20 de agosto de 1941, em Óis da Ribeira, concelho de Águeda. Fez o liceu em Aveiro onde deu os primeiros passos nas cantigas, não só na Récita de Finalistas de 61/62, como também em inúmeras serenatas, tão em voga na época. Do seu primeiro Grupo de Fados de Aveiro marcaram presença António Andias, António Castro, Carlos Lima e Mário Cruz.

- Chegou a Coimbra em 1963 e desde logo as suas grandes capacidades de intérprete o guindaram à ribalta da Canção Coimbrã. Foram seus companheiros nessa época António Portugal, os irmãos Melo (Eduardo e Ernesto), Octávio Sérgio, Nuno Guimarães, Manuel Borralho, Francisco Martins, Hermínio Menino, Jorge Rino, Rui Pato, Durval Moreirinhas e Jorge Moutinho. Colaborou com quase todas as secções culturais da Associação Académica de Coimbra - Orfeão, Tuna, CITAC, Coro Misto / Danças Regionais - e manifestações académicas - Saraus, Serenatas Monumentais, Latadas, Festas de Repúblicas, etc.
- Gravou o seu primeiro disco em 1964 do qual faziam parte a “Samaritana” e “Fado do 5º Ano Médico”. Alguns dos seus registos fonográficos, nomeadamente os de contestação, não chegaram ao grande público, embora existam alguns exemplares, guardados religiosamente em coleções particulares. Em 1969 grava o LP “Flores para Coimbra”, sem dúvida o seu trabalho mais importante e que marcou um momento histórico de viragem.
- António Bernardino considerou-se influenciado por José Afonso, Adriano Correia de Oliveira e pela poesia de Manuel Alegre. Gravou oficialmente cerca de 50 temas.
- Em 1967 foi mobilizado para a guerra colonial, em Moçambique, local onde permaneceu até 1974. Regressado de África, passou a residir em Lisboa a partir de 1975. Licenciado em Ciências Geográficas, exerceu o cargo de Vice-presidente dos Serviços Sociais da Universidade de Lisboa. Continuou sempre a cantar e a participar em espetáculos, gravações de discos e programas de televisão e rádio. Nesta fase foi acompanhado por António Portugal, António Brojo, João Bagão, Octávio Sérgio, Aurélio Reis, Luis Filipe, Rui Pato, Durval Moreirinhas e tantos outros.
- António Bernardino foi, seguramente, o cantor que mais divulgou a canção de Coimbra no estrangeiro. Dos E.U.A. à ex-URSS, da América Central à Tailândia, da América do Sul à Malásia, da África a Macau, a todos levou um pouco da cultura coimbrã.
- No dia 10 de junho de 1995, foi agraciado pelo então Presidente da Republica Dr. Mário Soares, com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique, por serviços relevantes prestados à cultura.
- Faleceu em 17 de junho de 1996. 
 
 

Saudades de António Bernardino...

Música para recordar um fadista de Coimbra...

segunda-feira, agosto 17, 2026

Hoje é preciso ouvir Luiz Goes cantar poesia de António Botto...

 

O Meu Fado - Luiz Goes

Música: Armando do Carmo Goes
Letra: António Botto

 

Não me peças mais canções
Porque a cantar vou sofrendo,
Sou como as velas do altar
Que dão luz e vão morrendo.

Tem quatro letras apenas
A triste palavra amor,
Menos uma do que a morte,
Mas mais uma do que a dor.

sábado, agosto 15, 2026

Nunca te esqueceremos, Nuno Guimarães...

Música para recordar um poeta que era músico e compositor de fado e canção de Coimbra...

 

Título original: ANJO NEGRO
Música: José Nuno Guimarães Guedes dos Santos (1942-1973)
Letra: José Nuno Guimarães Guedes dos Santos (1942-1973)
Incipit: Nuvem branca
Origem: Coimbra
Género: Canção de Coimbra
Arranjo: José Nuno Guimarães Guedes dos Santos (1965)
Data: 1964-1965 (SPA: 4.05.1965)
 
 
Anjo Negro

Nuvem branca
É como a noite
Anjo negro é como a flor

Meu amor é um anjo negro
Quanto mais me prendo a ele
Maior minha perdição.

Mas eu vou
Roubar-te as asas,
Anjo negro como a flor,
Ficas na terra sozinho

Anda procurar comigo
Anjo negro, a perdição.
 

Informação complementar:
Composição musical paraestrófica em compasso quaternário, no tom de Mi menor, magnificamente vocalizada pelo 1.º tenor José Manuel dos Santos no EP Serenata de Coimbra, Porto, OFIR AM 4.039, do ano de 1965. Os acompanhamentos são de Nuno Guimarães/Manuel Borralho (guitarras) e Rui Pato/Jorge Ferraz (violas). Remasterização no CD Fados e Baladas de Coimbra. Recordando Nuno Guimarães, Porto, OFIR DSA-CD-401, ano de 1997, faixa nº 7 (ver em particular o texto de Armando de Carvalho Homem no livreto desta reedição). Pauta em Recordando Nuno Guimarães, Vila Nova de Gaia, Edição da CMVNG, 1997, pág. 25.
O autor, poeta, compositor e executante de guitarra de Coimbra, nasceu em Perosinho, Vila Nova de Gaia, em 1942 e faleceu, precocemente, em 1973. Frequentou a Faculdade de Letras da UC entre 1961/1962 e 1967. Redescoberto como poeta singular, continua esquecida no mainstream intelectual português a sua originalidade como compositor musical, autor de arranjos inovadores e intérprete-criador no campo da segunda modernidade coimbrã.

 

in Guitarra de Coimbra V

Nuno Guimarães morreu há 53 anos...

   

José Nuno Guimarães Guedes dos Santos (Perosinho, Vila Nova de Gaia, 29 de agosto de 1942 - 15 de agosto de 1973) foi um poeta e músico português. 

 

 Biografia

José Nuno Guimarães Guedes dos Santos nasceu a 29 de agosto de 1942, em Perosinho, Vila Nova de Gaia, Porto.

Estudou Filologia Românica em Coimbra, na Faculdade de Letras. Nesta cidade, integrará a publicação coletiva de poesia Confluência (1963). Autor de letras, músicas e arranjos de acompanhamento da Canção de Coimbra e intérprete da guitarra de Coimbra, contribui para renovar a estética do género entre 1964 e 1967. A sua primeira colaboração na revista Vértice data de junho de 1967. Concluirá a licenciatura no mês seguinte, com uma tese sobre a obra de Machado de Assis e as suas relações com Garrett (1967). Em outubro, inicia o serviço militar em Mafra. Aí, "entre espingardas e sistemas criptográficos" vem a conhecer, em janeiro de 1968, Gastão Cruz, encetando-se uma amizade para lá de meia década. É depois enviado para Luanda, onde também leciona e vem a casar. De regresso ao Porto, exerce a docência no então Liceu D. Manuel II.

Publica o primeiro livro de poemas, Corpo Agrário, em 1970. Seguir-se-ão a presença na antologia 10 Poemas para Che Guevara (1972) e a segunda publicação, Os Campos Visuais (1973). Nesse mesmo ano, após breve doença, acabará por falecer, interrompendo uma promissora voz na poesia portuguesa.

É, anos mais tarde, e pela mão do amigo, professor e poeta Fernando Guimarães, que se reunirão as suas Poesias Completas (1995), pelas Edições Afrontamento. Por último, seguindo a lição anterior, é publicado o volume Entre Sílabas e Lavas: poesia completa (2024), pela Assírio & Alvim, restituindo integralmente uma entrevista dada a Maria Teresa Horta, no jornal A Capital.

 

in Wikipédia

Palavras que rebentam

 

Palavras que rebentam. Aflorando
a pedra, a solidão, deslizam, vagas,
gramaticais, roendo inconformadas
as arestas, o atrito, puras. Quando
 
nos líquidos, no éter, na distância,
diluem-se e morrem acabadas.
Não nos corpos, nas rugas, nas arcadas:
combatem, rumorosas, cal e cântico.
 
É difícil atarem corpo e vida
aos que vivem e morrem subjacentes
subjazendo, talhados para mina.
 
Mas despertadas, bem ou mal medidas,
rebentam em ogiva, funcionais
chamas supostamente adormecidas.

 
 
 
Nuno Guimarães

Música adequada à data...

quarta-feira, agosto 12, 2026