O Curso de Geologia de 85/90 da Universidade de Coimbra escolheu o nome de Geopedrados quando participou na Queima das Fitas.
Ficou a designação, ficaram muitas pessoas com e sobre a capa intemporal deste nome, agora com oportunidade de partilhar as suas ideias, informações e materiais sobre Geologia, Paleontologia, Mineralogia, Vulcanologia/Sismologia, Ambiente, Energia, Biologia, Astronomia, Ensino, Fotografia, Humor, Música, Cultura, Coimbra e AAC, para fins de ensino e educação.
Com esta canção, aparentemente
inócua. era dado o sinal para o início das operações militares, às 22.55 horas. Esta
música que tinha, pouco tempo antes, representado Portugal no Festival
da Eurovisão da Canção de 1974:
Quis saber quem sou, o que faço aqui quem me abandonou, de quem me esqueci Perguntei por mim, quis saber de nós Mas o mar não me traz tua voz
Em silêncio, amor, em tristeza enfim Eu te sinto em flor, eu te sofro em mim Eu te lembro assim, partir é morrer Como amar é ganhar e perder
Tu vieste em flor, eu te desfolhei Tu te deste em amor, eu nada te dei Em teu corpo, amor, eu adormeci Morri nele e ao morrer renasci
E depois do amor, e depois de nós O dizer adeus, o ficarmos sós Teu lugar a mais, tua ausência em mim Tua paz que perdi, minha dor que aprendi De novo vieste em flor, te desfolhei
E depois do amor, e depois do nós O adeus, o ficarmos sós
Em outubro de 1964, ingressa na Academia Militar, em Lisboa e, acabado o curso, apresenta-se na Escola Prática de Cavalaria (EPC), em Santarém,
para frequentar o tirocínio. Foi comandante de instrução em Santarém.
Integrou uma companhia de comandos na então guerra colonial.
A 25 de novembro de 1975 sai da EPC, comandando um grupo de carros às ordens do Presidente da República. Será transferido para os Açores, só voltando a Santarém em 1979, onde ficou a comandar o Presídio Militar de Santarém. Em 1984 regressa à EPC.
Em 1989 foi-lhe diagnosticada uma doença cancerosa que, apesar das intervenções cirúrgicas no ano seguinte e em 1991, o vitimaria, a 4 de abril de 1992.
Madrugada de 25 de Abril de 74, parada da Escola Prática de Cavalaria, em Santarém:
"Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado.
Os estados sociais, os corporativos e o estado a que chegámos. Ora,
nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos! De
maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com
isto. Quem for voluntário, sai e forma. Quem não quiser sair, fica
aqui!"
Todos os 240 homens que ouviram estas palavras, ditas da forma serena
mas firme, tão característica de Salgueiro Maia, formaram de imediato à
sua frente. Depois seguiram para Lisboa e marcharam sobre a ditadura.
Ontem, um concerto no Coliseu dos Recreios, evocou, num espetáculo
organizado pela Associação José Afonso, um concerto realizado em 29 de
Março de 1974. Estive lá. Hoje publico um excerto do meu livro História da Oposição à Ditadura 1926-1974 (Ed. Figueirinhas, 2014), pp. 595-596
«Em Portugal, já se estava então a viver, embora não fosse evidente à
época, uma situação reveladora de que o regime tinha perdido a batalha
pela hegemonia ideológica, iniciada nos anos trinta e prosseguida no
pós-II Guerra Mundial, a favor das várias oposições ao regime, todas
elas unidas contra a ditadura e uma guerra colonial interminável. Como
se viu, o fim da guerra também era desejado pelos próprios quadros
intermédios das Forças Armadas, crescentemente convencidos de que ela
só terminaria através de uma solução política.
O ambiente político adverso ao regime fez-se sentir, por exemplo, num
ciclo de cinema de Roberto Rossellini, na Fundação Gulbenkian, onde foi
exibido pela primeira vez o filme anti-fascista «Roma, città aperta»
(1945), até então proibido de ser apresentado pela censura. Numa sala
cheia de jovens, as palmas e a entusiástica receção ao filme levaram
o diretor da Cinemateca Francesa, Henri Langlois, que se encontrava
presente, a profetizar ao organizador do ciclo de filmes, João Bémard
da Costa, que uma mudança política iria ocorrer em Portugal.
Na noite de 29 de Março de 1974, a Rua das Portas de Santo Antão, em
Lisboa foi palco de um outro acontecimento paradigmático e revelador
desse ambiente político. Realizou-se nessa data, no Coliseu dos
Recreios, o I Encontro da Canção Portuguesa, organizado pela Casa da
Imprensa, no qual José Afonso deveria receber o prémio da melhor
interpretação musical do ano anterior. A sessão acabou por ser recheada
de símbolos e transformou-se num espaço de liberdade, no qual o
público não cessou de se manifestar, a pretexto das canções, contra um
regime ditatorial, que, embora não se soubesse, tinha menos de um mês
de vida. O espetáculo, que teve de ser preparado com muita
antecedência, para que todas as canções fossem apresentadas previamente à
Censura, foi mais um sintoma, embora não completamente detetado
então pelos presentes, de que o regime estava a viver o seu estertor.
Como a Direção-Geral dos Espetáculos só entregara a lista das canções
que podiam ser cantadas uma hora antes do início do espectáculo, e
alguns cantores apenas foram autorizados a cantar metade das estrofes, o
público trauteou as melodias de forma cúmplice, em coro. Quando
Manuel Freire afirmou que se tinha esquecido das letras das canções no
comboio, os cerca de cinco mil espectadores compreenderam onde ele
queria chegar, aplaudiram de pé e cantaram em coro o que ele não fora
autorizado a interpretar.
Por seu lado, José Afonso foi proibido de cantar «A morte saiu à
rua», «Venham mais cinco», «Menina dos olhos tristes» e «Gastão era
perfeito», apenas sendo autorizado a apresentar «Milho Verde» e
«Grândola».
O quarteto de Marcos Resende abrira o programa, mas não foi ouvido,
devido aos assobios que irromperam pela sala, sucedendo-lhe o duo
Carlos Alberto Moniz-Maria do Amparo e um desconhecido que deu como
nome Manuel José Soares. A sala continuava morna, quando irrompeu a
primeira grande ovação da noite, a premiar a atuação de Carlos
Paredes, acompanhado por Fernando Alvim. De seguida, o jornalista
Joaquim Furtado leu em voz alta os nomes dos premiados pela associação
mutualista dos jornalistas, escolhidos por um júri que integrava José
Duarte, Tito Lívio, João Paulo Guerra e José Manuel Nunes. A maioria
dos prémios atribuídos não provocou grande entusiasmo, mas o mesmo não
aconteceu com o galardão que premiou o programa radiofónico Página Um, da
Rádio Renascença, recebido, entre outros, por Adelino Gomes, que
havia sido afastado da rádio por razões políticas. Outros nomes
aplaudidíssimos foram os de Sérgio Godinho e José Mário Branco,
cantores premiados pelos seus álbuns de estreia — Os Sobreviventes e Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades, respetivamente —, que «não puderam comparecer», como dizia um artigo de O Século, embora não explicando que isso se devia ao facto de estarem exilados.
Após o intervalo, atuaram os espanhóis Viño Tinto e o poeta José
Carlos Ary dos Santos, que começou por ser assobiado pelos que não
aprovavam a sua participação nos Festivais RTP da Canção. O poeta
retorquiu: «Eu venho para dizer poesia. Se não gostam, manifestem-se no
fim». Depois de ter declamado «SARL», abandonou o palco sob fortes
aplausos. Sucederam-se José Barata Moura, o grupo Intróito, Manuel
Freire, Fernando Tordo, Fausto, Vitorino, José Jorge Letria, Adriano
Correia de Oliveira e, finalmente, José Afonso.
Depois de cantar «Milho Verde», a outra canção autorizada pela Censura,
chamou ao palco todos os cantores que deram os braços e começaram a
bater, ritmadamente, com os pés no chão, enquanto as luzes se apagavam
na sala. «Grândola, vila morena…», ouviu-se novamente, desta vez em
coro. Cinco mil pessoas levantaram-se, deram igualmente os braços e
entoaram: «… terra da fraternidade…».
Outra testemunha desse espetáculo escreveria que quando «começaram a
entoar a mítica canção de José Afonso, o soalho de madeira do velho
Coliseu dos Recreios transmitiu a sensação de poder ruir em qualquer
altura».
Cantada em coro, à maneira de um grupo alentejano, aquela canção
viria a servir de senha para a eclosão do golpe militar que derrubaria
o regime menos de um mês depois».
Carlos Galvão de Melo (Figueira da Foz, Buarcos, 4 de agosto de 1921 - Estoril, Alcabideche, 20 de março de 2008) foi um militar e político português, membro da Junta de Salvação Nacional. Ficaram célebres as suas disputas com oradores do PCP e da UDP, os partidos mais à esquerda politica do hemiciclo. As suas tiradas parlamentares – que o levariam a ficar conhecido como o “general sem papas na língua” – acabariam também por ditar também a sua cisão com o CDS.
Biografia
Originário de uma família de Mangualde, filho de António Augusto Ferreira de Melo (Viseu, Casa da Balça
- Mangualde) e de sua mulher Cecília Rosa Teles de Noronha Galvão (1904
- ?), meio-primo-sobrinho-neto e primo-sobrinho em primeiro grau de Inocêncio Galvão Teles e meio-primo-sobrinho em primeiro grau e primo em segundo grau de Miguel Galvão Teles e de Luís Galvão Teles, nasceu na Figueira da Foz, onde costumavam passar férias no mês de agosto.
A 27 de outubro de 1953 foi feito Cavaleiro da Ordem Militar de Avis e a 11 de agosto de 1964 foi elevado a Oficial da mesma Ordem.
A 4 de outubro de 1959 foi inaugurada a Base Aérea Nº 5 (Monte Real), no concelho de Leiria, de que foi o 1º Comandante.
Em 1974 integrou a Junta de Salvação Nacional,
sendo duramente contestado pela Esquerda e excluído da dita Junta, na
sequência do 28 de setembro do mesmo ano (após a manifestação da maioria silenciosa).
O Levantamento das Caldas, também referido como Intentona das Caldas, Revolta das Caldas ou Golpe das Caldas, foi uma tentativa de golpe de Estado frustrada, ocorrida em 16 de março de 1974, em Portugal. O golpe foi descrito como "uma tentativa de avançar com o golpe que não foi devidamente preparada", tendo sido precursor da Revolução dos Cravos que, a 25 de Abril seguinte, derrubou o regime ditatorial do Estado Novo Português. É referido, por vários autores, como o catalisador que aglutinou o oficialato em torno do Movimento das Forças Armadas (MFA).
História
O movimento remonta à insatisfação, entre as Forças Armadas Portuguesas, com a Guerra Colonial, a falta de liberdade política e o atraso económico vivido pelo país.
Mais tarde, a 5 de março
ocorre a reunião da Comissão Coordenadora do MFA. Foi lido, e decidido
pôr a circular no seio do Movimento dos Capitães, o primeiro documento
do Movimento contra o regime e a Guerra Colonial. Intitulava-se "Os
Militares, as Forças Armadas e a Nação" e foi elaborado pelo major Ernesto Melo Antunes.
No mesmo mês, a 14, o Governo de Marcello Caetano demite os Generais António de Spínola e Francisco da Costa Gomes
respetivamente dos cargos de Chefe e Vice-Chefe de Estado Maior
General das Forças Armadas, alegando falta de comparência na cerimónia
de solidariedade com o regime, levada a cabo pelos três ramos das Forças
Armadas. A demissão dos dois generais virá a ser determinante na
aceleração das operações militares contra o regime.
Desse modo, a 16 de março, apesar de originalmente estar prevista a participação de outras unidades militares, apenas o Regimento de Infantaria nº 5, das Caldas da Rainha, avançou para Lisboa, sob o comando do capitão Armando Marques Ramos. Isolado, o seu avanço foi impedido, por unidades leais ao regime, já às portas de Lisboa, sem derramamento de sangue.
Cerca de duzentos homens, entre oficiais, sargentos e praças, foram detidos. Os oficiais, encarcerados na Trafaria, foram libertados no dia 25 de Abril.
Nesse livro, o ex-governador da Guiné-Bissau advogava, após 13 anos de Guerra do Ultramar, uma solução política e não militar como sendo a única saída para o conflito.
As ações do governo marcelista, a demissão generais António de Spínola e Francisco da Costa Gomes
dos cargos que ocupavam no Estado-Maior General das Forças Armadas, e a
organização de cerimónia de apoio ao regime, a Brigada do Reumático,
dado ser maioritariamente constituída por idosos oficiais-generais dos
três ramos das Forças Armadas, vieram ainda mais mostrar quanto o regime
se sentia ameaçado pelas ideias contidas no livro.
No rescaldo da publicação Marcelo Caetano pede a demissão ao Presidente da República, que não a aceita.
11 de março de 1975. O dia que fez o PS, o CDS e o PSD tremer
A tentativa de golpe de Estado orquestrada pelo general António de
Spínola acabou por não acontecer e incentivar a nacionalização da banca
e dos jornais
No dia em que Assunção Cristas renova o seu mandato à frente do CDS,
faz 43 anos que a tentativa de golpe de Estado levada a cabo pelo
ex-Presidente da República general António Spínola, apoiado por
militantes de direita, quase levou à extinção dos partidos de centro e
da direita, entre eles o PS, PSD e CDS. Apesar da revolução ter falhado,
o dia 11 de março de 1975 marca o final do PREC (Processo
Revolucionário em Curso) e o início do Verão Quente de '75.
A iniciativa de Spínola foi vista como uma provocação ao 25 de Abril de
1974 pelos revolucionários, que eram apoiados pela extrema-esquerda e
pelos comunistas. Por isso, nas semanas que se seguiram, as sedes dos
partidos de centro e de direita foram alvo de assaltos e os partidos
pequenos foram proibidos de participar nas eleições legislativas, que
chegaram mesmo a estar em risco de não se realizarem. Foi o Presidente
da República general Costa Gomes que interveio de forma a adiar o
sufrágio para 25 de abril, um ano depois da revolução.
A Junta de Salvação Nacional chegava assim ao fim. Foi ainda dissolvido
o Conselho de Estado e criado o Conselho da Revolução, composto
unicamente por militares a quem foi conferido o direito de veto perante
todas as decisões do governo. Os militares ganhavam cada vez mais
poder, juntando ao Conselho da Revolução a Assembleia do Movimento das
Forças Armadas (MFA), também criada na sequência do dia 11 de março.
Outra decisão tomada foi sobre a eleição do Presidente da República que
passaria a ser escolhido em conjunto pela Assembleia da MFA e por um
colégio composto pelos deputados eleitos e por militares, estando estes
em maioria.
A ameaça do regresso da direita, encarnada na tentativa do golpe de
Estado, foi tal que o comando militar revolucionário (Copcon) chegou
mesmo a prender militares, empresários, capitalistas ou civis de
direita ou de centro, sem acusações ou mandatos. Também dentro dos
exércitos, vários militares foram colocados na reserva por não acatarem
os princípios da MFA.
Foi o início do fim das colónias, o incentivo à ocupação de terras de
exploração agrícola, empresas e casas de habitação e o começo das
nacionalizações dos bancos, das empresas e dos jornais.
Passam hoje 51 anos sobre um dos mais marcantes momentos do processo
iniciado em 25 de Abril. O PREC (Processo Revolucionário Em Curso)
começou verdadeiramente em 11 de Março de 1975. Aqueceu com a
Primavera, mas foi no Verão, nesse Verão quente de 75, que escaldou. Incendiou-se, literalmente!
Foi-se esgotando á medida que o Verão se ia aproximando do fim... Até
chegar novembro... novembro, 25. A data que completa a trilogia da
revolução dos cravos, e que fecha os 19 meses mais vertiginosos da
História de Portugal!
Se quisermos espreitar os rostos desta trilogia encontraremos
certamente a cara de Salgueiro Maia no 25 de abril, e a de Jaime Neves
no 25 de novembro. No 11 de março pouca gente identificará o rosto de
Dinis de Almeida, o jovem major ao centro na imagem acima, que retrata o
momento central - tão caricato quanto marcante - dos acontecimentos
que marcam esta data histórica. É o episódio em que o herói do 11 de
março, comandante do então RAL 1 (Regimento de Artilharia Ligeira) e
depois RALIS, atacado pelos paraquedistas de Tancos, dialoga com o
comandante das forças agressoras (de costas) em frente às câmaras da
RTP, que acaba a confessar-se enganado. Acabava ali a tentativa de
golpe de Estado patrocinado por Spínola que, curiosamente, tinha
tentado o apoio de Jaime Neves (disse-lhe que só obedecia à hierarquia)
e de Salgueiro Maia, que nem lhe atenderia o telefone...
Foi um dos fundadores do semanário O Ponto, periódico onde
registou uma série de entrevistas semanais, entre outros textos e
reportagens, posteriormente editadas no livro O Homem em Ponto.
Apresentou na televisão o programa de entrevistas Conversas Secretas, emitido na SIC. A convite do jornal Público, realizou também uma série de 16 célebres entrevistas, com o título «Onde é que você estava no 25 de Abril?»,
posteriormente editadas em CD-ROM, uma pergunta que se tornou icónica
da imagem de Baptista-Bastos e recorrente em entrevistas de caráter
biográfico, por outros jornalistas.
Faleceu a 9 de maio de 2017, aos 84 anos de idade, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, onde se encontrava internado há várias semanas.
Nesse livro, o ex-governador da Guiné-Bissau advogava, após 13 anos de Guerra do Ultramar, uma solução política e não militar como sendo a única saída para o conflito.
As ações do governo marcelista, a demissão dos generais António de Spínola e Francisco da Costa Gomes dos cargos que ocupavam, no Estado-Maior General das Forças Armadas, e a organização de cerimónia de apoio ao regime, a Brigada do Reumático,
dado ser maioritariamente constituída por oficiais-generais idosos dos
três ramos das Forças Armadas, vieram ainda mostrar mais quanto o
regime se sentia ameaçado pelas ideias contidas no livro.
No rescaldo da publicação, Marcelo Caetano pede a demissão ao Presidente da República, que não a aceita.
Ramalho Eanes nasceu em Alcains, concelho de Castelo Branco, numa família humilde. Filho de Manuel dos Santos Eanes, empreiteiro,
e de sua mulher, Maria do Rosário Ramalho, e irmão de João dos Santos
Ramalho Eanes, a sua formação tem início em 1942, quando entra para o Liceu
de Castelo Branco.
Depois de demorada carreira de combatente, Eanes encontrava-se ainda em serviço em Angola aquando da revolução de 25 de abril. Aderiu ao Movimento das Forças Armadas e, regressado a Portugal, foi diretor de programas e nomeado presidente do conselho de administração da RTP, até março de 1975.
Em 1976 foi eleito Presidente da República,
sendo reeleito em finais de 1980. Foi o primeiro Presidente da
República eleito, logo a seguir ao 25 de abril, tendo cumprido dois
mandatos, entre 1976 e 1986.
Com o fim do segundo mandato, em fevereiro de 1986, assume pouco depois a presidência do Partido Renovador Democrático, vindo a demitir-se desse cargo em 1987.
Nomeado General de quatro estrelas
em 24 de maio de 1978, passou à reserva, por sua iniciativa, em março
de 1986. Em 2000, Ramalho Eanes recusou, por razões de princípio, a promoção a Marechal.
Ramalho Eanes é, atualmente, membro do Conselho de Estado e presidente do Conselho de Curadores do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa.
Em 15 de novembro de 2006, Eanes apresentou na Universidade de
Navarra, Espanha, a sua tese de doutoramento. A investigação
desenvolvida, ao longo de dez anos, teve como título "Sociedade
civil e poder político em Portugal", com duas mil páginas, e foi
defendida perante um júri composto por três catedráticos espanhóis e
dois portugueses.
Eanes foi também o primeiro Chefe de Estado que, ao deixar Belém,
iniciou um trabalho de investigação científica conducente à obtenção do
grau de doutor. Uma iniciativa pioneira, a nível nacional,
desconhecendo-se inclusive casos idênticos na Europa.
Em 2008 é noticiado que o General Ramalho Eanes não aceita receber os retroactivos de cerca de um milhão de euros.
Dia 11 de outubro de 2010 recebeu um doutoramento Honoris causa pela Universidade de Lisboa aquando das comemorações do centenário da mesma, coincidindo com as comemorações do centenário da República Portuguesa (5 de outubro).
Maioria silenciosa é a designação pela qual ficou conhecida em Portugal
a iniciativa política de alguns sectores conservadores da sociedade
portuguesa, civil e militar, que decidiram organizar uma manifestação,
em 28 de setembro de 1974, de apoio ao então Presidente da República General Spínola. A manifestação visava o reforço de posição política deste militar.
No dia 10 de Setembro, nas instalações da SINASE, o tenente-coronel Figueiredo, Almeida Araújo e António Ávila
reúnem-se com os membros da Comissão Organizadora da manifestação,
distribuindo tarefas. A 13 de Setembro, o Partido Liberal distribui uma
carta-circular apelando à participação na manifestação de apoio ao
Presidente da República que seria denominada de “maioria silenciosa” e a
realizar em data a anunciar.
Na tarde de 26 tem lugar o Concurso Hípico Internacional de
Lisboa em que Spínola recebe um cartaz da “maioria silenciosa” entre os
aplausos dos presentes. Nessa ocasião, Galvão de Melo, trajado de cavaleiro, declara o seu apoio à manifestação. Passados dois dias, estando ele enquanto chefe de Estado numa corrida de touros no Campo Pequeno, será a vez do cavaleiro tauromáquicoJosé João Zoio fazer o mesmo.
O Ministro da Comunicação Social lê um comunicado do Governo Provisório na Emissora Nacional, emitido de meia em meia hora. A manifestação é interditada pelo MFA.
Os partidos políticos de esquerda distribuem entretanto comunicados
apelando “à vigilância popular” e denunciam as tentativas
contra-revolucionárias dessa minoria tenebrosa. São levantadas barricadas populares nos acessos a Lisboa
e noutras localidades. Durante a noite, grupos de militares tomam o
lugar dos ativistas civis. São detidas várias figuras políticas afetas
ao velho regime, quadros da Legião Portuguesa e alguns manifestantes.
António de Spínola tenta, entretanto, reforçar o poder da Junta de Salvação Nacional, que comanda, e, em vão, estabelecer o estado de sítio. Em consequência disso, a Comissão Coordenadora do MFA impõe-lhe a demissão dos três generais mais conservadores do grupo: Galvão de Melo, Manuel Diogo Neto e Jaime Silvério Marques. Derrotado, Spínola demite-se, a 30 de setembro, do cargo de Presidente da República, sendo substituído pelo general Costa Gomes.
No seu discurso de renúncia, Spínola denuncia certas políticas do
governo e prenuncia o caos, a anarquia e “novas formas de escravatura”.
Com a “vitória sobre a reação” e a derrota da direita civil, declaradas pelo então Primeiro MinistroVasco Gonçalves, fecha-se assim o que seria considerado o primeiro ciclo do PREC. Vários apoiantes militares de Spínola fogem para o estrangeiro.
Foi capitão em Angola de 1961 a 1963 e também na Guiné entre 1970 e 1973, sendo um dos principais dinamizadores do movimento de contestação ao Decreto Lei nº 353/73, que deu origem ao Movimento dos Capitães e ao MFA. Entre 1964 a cerca de 1968, foi professor na "Escola Central de Sargentos" em Águeda.
Era o responsável pelo sector operacional da Comissão Coordenadora do MFA e foi ele quem dirigiu as operações do 25 de Abril, a partir do posto de comando clandestino instalado no Quartel da Pontinha.
Graduado em brigadeiro, foi nomeado comandante-adjunto do COPCON e comandante da região militar de Lisboa a 13 de julho de 1974, tendo passado a ser comandante do COPCON
a 23 de junho de 1975 (cargo que na prática já exercia desde setembro
de 1974). Foi afastado destes cargos após os acontecimentos de 25 de
novembro de 1975, por realizar de ânimo leve uma série de ordens de
prisão e de maus tratos de elementos moderados.
Fez parte do Conselho da Revolução desde que este foi criado, a 14 de março de 1975, até dezembro de 1975. A partir de 30 de julho do mesmo ano integra, com Costa Gomes e Vasco Gonçalves, o Diretório, estrutura política de cúpula durante o V Governos Provisório, na qual os restantes membros do Conselho da Revolução delegaram
temporariamente os seus poderes (mas sem abandonarem o exercício das
suas funções).
Conotado com a ala mais radical do MFA, viria a ser preso em consequência dos acontecimentos do 25 de novembro. Solto três meses mais tarde, foi candidato às eleições presidenciais de 1976.
Na década de 80 foi acusado de liderar a organização terrorista FP-25, responsável pelo assassinato de 17 pessoas. Foi detido em 1984.
Em 1985 foi julgado e condenado, em tribunal, pelo seu papel na liderança das FP-25
de Abril. Após ter apresentado recurso da sentença condenatória, ficou
em prisão preventiva cinco anos, passando a aguardar julgamento em
liberdade provisória. Mais tarde acusou o PCP de ter estado por trás da
sua detenção e de ter feito com que ficasse em prisão preventiva tanto
tempo. Acusou ainda alguns nomes então na Polícia Judiciária, como a
antiga diretora do Departamento Central de Investigação e Ação Penal,
Cândida Almeida, então na PJ, de, devido à militância no PCP, ter
estado por trás da sua detenção.
Germanófilo, partiu em 1941 para a frente russa, como observador das movimentações da Wehrmacht, no início do cerco a Leninegrado, onde já se encontravam voluntários portugueses, incorporados na Blaue Division.
Em 1961, em carta dirigida a Salazar, voluntaria-se para a Guerra Colonial, em Angola. Notabilizou-se no comando do Batalhão de Cavalaria n.º 345, entre 1961 e 1963.
Foi nomeado governador militar da Guiné-Bissau em 1968, e de novo em 1972, no auge da Guerra Colonial,
nesse cargo, o seu grande prestígio tem origem numa política de
respeito pela individualidade das etnias guineenses e à associação das
autoridades tradicionais à administração, ao mesmo tempo que continuava a
guerra por todos os meios ao seu dispor que iam da diplomacia secreta
(encontro secreto com Léopold Sédar Senghor, presidente do Senegal) e incursões armadas em países vizinhos (ataque a Conakri, Operação Mar Verde).
Em novembro de 1973, regressado à metrópole, foi convidado por Marcello Caetano, para a pasta do Ultramar, cargo que recusou, por não aceitar a intransigência governamental face às colónias.
A 17 de janeiro de 1974, foi nomeado vice-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, por sugestão de Costa Gomes, cargo de que foi afastado em março. Pouco tempo depois, mas ainda antes da Revolução dos Cravos, publica Portugal e o Futuro,
onde expressa a ideia de que a solução para o problema colonial
português passava por outras vias que não a continuação da guerra.
A 25 de abril de 1974, como representante do Movimento das Forças Armadas,
recebeu do Presidente do Conselho de Ministros, Marcello Caetano, a
rendição do Governo (que se refugiara no Quartel do Carmo). Isto
permitiu-lhe assumir assim os seus poderes públicos, apesar de essa não
ter sido a intenção original do MFA.
Instituída a Junta de Salvação Nacional
(que passou a deter as principais funções de condução do Estado após o
golpe), à qual presidia, foi escolhido pelos seus camaradas de armas para exercer
o cargo de Presidente da República, cargo que ocupará de 15 de maio de 1974 até à sua renúncia, em 30 de setembro do mesmo ano, altura em que foi substituído pelo general Costa Gomes.
Descontente com o rumo dos acontecimentos em Portugal após a Revolução dos Cravos
(designadamente pela profunda viragem à esquerda, à qual eram afetos
grande número de militares, e a perspetiva de independência plena para
as colónias), tenta intervir ativamente na política para evitar a
aplicação completa do programa do MFA; a sua demissão da Presidência da República, após o golpe falhado de 28 de setembro de 1974 (em que apelara a uma «maioria silenciosa»
para se fazer ouvir contra a radicalização política que se vivia), ou o
seu envolvimento na tentativa de golpe de estado de direita do 11 de março de 1975 (e fuga para a Espanha e depois para o Brasil) são disso exemplos. Neste ano, comandou o Exército de Libertação de Portugal (ELP), uma organização terrorista de extrema-direita.
Não obstante, a sua importância no início da consolidação do novo regime democrático foi reconhecida oficialmente a 5 de fevereiro de 1987, pelo então Presidente Mário Soares, que o designou chanceler das antigas ordens militares portuguesas, tendo-lhe também condecorado com a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada (a maior insígnia militar portuguesa), pelos «feitos
de heroísmo militar e cívico e por ter sido símbolo da Revolução de
Abril e o primeiro Presidente da República após a ditadura».
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