O Curso de Geologia de 85/90 da Universidade de Coimbra escolheu o nome de Geopedrados quando participou na Queima das Fitas.
Ficou a designação, ficaram muitas pessoas com e sobre a capa intemporal deste nome, agora com oportunidade de partilhar as suas ideias, informações e materiais sobre Geologia, Paleontologia, Mineralogia, Vulcanologia/Sismologia, Ambiente, Energia, Biologia, Astronomia, Ensino, Fotografia, Humor, Música, Cultura, Coimbra e AAC, para fins de ensino e educação.
Cando penso que te fuches,
Negra sombra que m'asombras,
Ô pe d'os meus cabezales
Tornas facéndome mofa.
Cando maino qu'ês ida
N'o mesmo sol te m'amostras,
Y eres a estrela que brila,
Y eres o vento que zóa.
Si cantan, ês tí que cantas,
Si choran, ês tí que choras,
Y-ês o marmurio d'o rio
Y-ês a noite y ês a aurora.
En todo estás e ti ês todo,
Pra min y en min mesma moras,
Nin m'abandonarás nunca,
Sombra que sempre m'asombras.
Na sua obra, são famosos alguns dos poemas que compôs para a voz de Amália Rodrigues, como Sombra, Maria Lisboa, Nome de Rua, Fado Peniche e sobretudo Barco Negro, entre outros.
A 13 de julho de 1981 é condecorado com o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada. Em 1996
recebe o Prémio de Carreira da Sociedade Portuguesa de Autores e, no
mesmo ano, a 3 de junho, é elevado a Grã-Cruz da Ordem Militar de
Sant'Iago da Espada.
Do primeiro casamento, com Maria Eulália, sobrinha de Valentim de
Carvalho, teve dois filhos, David João e Adelaide Constança, que lhe
deram 11 netos e netas.
Adios, ríos; adios, fontes; adios, regatos pequenos; adios, vista dos meus ollos: non sei cando nos veremos. Miña terra, miña terra, terra donde me eu criei, hortiña que quero tanto, figueiriñas que prantei, prados, ríos, arboredas, pinares que move o vento, paxariños piadores, casiña do meu contento, muíño dos castañares, noites craras de luar, campaniñas trimbadoras da igrexiña do lugar, amoriñas das silveiras que eu lle daba ó meu amor, camiñiños antre o millo, ¡adios, para sempre adios! ¡Adios gloria! ¡Adios contento! ¡Deixo a casa onde nacín, deixo a aldea que conozo por un mundo que non vin! Deixo amigos por estraños, deixo a veiga polo mar, deixo, enfin, canto ben quero... ¡Quen pudera non deixar!... Mais son probe e, ¡mal pecado!, a miña terra n'é miña, que hastra lle dan de prestado a beira por que camiña ó que naceu desdichado. Téñovos, pois, que deixar, hortiña que tanto amei, fogueiriña do meu lar, arboriños que prantei, fontiña do cabañar. Adios, adios, que me vou, herbiñas do camposanto, donde meu pai se enterrou, herbiñas que biquei tanto, terriña que nos criou. Adios Virxe da Asunción, branca como un serafín; lévovos no corazón: Pedídelle a Dios por min, miña Virxe da Asunción. Xa se oien lonxe, moi lonxe, as campanas do Pomar; para min, ¡ai!, coitadiño, nunca máis han de tocar. Xa se oien lonxe, máis lonxe Cada balada é un dolor; voume soio, sin arrimo... Miña terra, ¡adios!, ¡adios! ¡Adios tamén, queridiña!... ¡Adios por sempre quizais!... Dígoche este adios chorando desde a beiriña do mar. Non me olvides, queridiña, si morro de soidás... tantas légoas mar adentro... ¡Miña casiña!,¡meu lar!
De manhã temendo que me achasses feia, acordei tremendo deitada na areia, mas logo os teus olhos disseram que não e o sol penetrou no meu coração. Vi depois, numa rocha, uma cruz, e o teu barco negro dançava na luz; vi teu braço acenando, entre as velas já soltas. Dizem as velhas da praia que não voltas... São loucas! São loucas! Eu sei, meu amor, que nem chegaste a partir, pois tudo em meu redor me diz que estás sempre comigo. No vento que lança areia nos vidros, na água que canta, no fogo mortiço, no calor do leito, nos bancos vazios, dentro do meu peito estás sempre comigo.
Como
jornalista, Fernanda Seno foi colaboradora da imprensa regional e
local, contribuindo para os jornais "Mouranense", "Palavra", e "A
Defesa". Foi chefe de redação no "Jornal de S. Brás" e redatora principal do Boletim "Igreja Eborense". Colaborou ainda - entre outros - na revista "Ao Largo" (Lisboa).
Em 1998
a Câmara Municipal de Évora homenageou-a, atribuindo o nome da poetisa
a uma rua do Bairro da Horta das Figueiras - a Rua Fernanda Seno.
As rosas cedo secam.
E as glórias
são todas transitórias
como nós.
Os louros que colhemos pelos caminhos
e essas alegrias que há nos
dias,
são por causa da luz misteriosa
que faz vibrar de canto a nossa voz.
As glórias e os louvores não
são para nós.
Somos apenas frágeis emissários
da melodia esparsa no universo
que não cabe no mais excelso
verso.
Somos só os lugares de acontecer.
De tentar exprimir o Amor total.
Somos sinos.
Reflexos de vitral.
Passam por nós os sons de
sinfonias,
cantares de água ou de lumes
crepitantes,
centelhas de poentes,
harmonias de ciareiras distantes.
Aves intemporais pelos espaços
bebendo a luz dos astros e a cor
queremos erguer as asas
e é de rastos, que tanta vez
compomos o louvor.
É sempre aquém do Sonho
a nossa voz.
Tudo o que é Belo, Alto e
Transcendente
está para além de nós.
Somos o chão onde se pousam
estrelas.
E o brilho não é nosso.
O brilho é delas.
Somos o espelho a reflectir os céus,
mas por detrás do espelho
é que está Deus.
As glórias e os louvores não
são para nós,
mas para quem deu acordes de infinito
à nossa breve voz!
Tus ojos me recuerdan
las noches de verano
negras noches sin luna,
orilla al mar salado,
y el chispear de estrellas
del cielo negro y bajo.
Tus ojos me recuerdan
las noches de verano.
Y tu morena carne,
los trigos requemados,
y el suspirar de fuego
de los maduros campos.
Tu hermana es clara y débil
como los juncos lánguidos,
como los sauces tristes,
como los linos glaucos.
Tu hermana es un lucero
en el azul lejano…
Y es alba y aura fría
sobre los pobres álamos
que en las orillas tiemblan
del río humilde y manso.
Tu hermana es un lucero
en el azul lejano.
De tu morena gracia,
de tu soñar gitano,
de tu mirar de sombra
quiero llenar mi vaso.
Me embriagaré una noche
de cielo negro y bajo,
para cantar contigo,
orilla al mar salado,
una canción que deje
cenizas en los labios…
De tu mirar de sombra
quiero llenar mi vaso.
Para tu linda hermana
arrancaré los ramos
de florecillas nuevas
a los almendros blancos,
en un tranquilo y triste
alborear de marzo.
Los regaré con agua
de los arroyos claros,
los ataré con verdes
junquillos del remanso…
Para tu linda hermana
yo haré un ramito blanco.
En 1927 fue elegido miembro de la Real Academia Española,
si bien nunca llegó a tomar posesión de su sillón. Por eso, Antonio
Machado fue uno de los más apreciados poetas españoles añorados en esa
época.
Mi infancia son recuerdos de un patio de Sevilla
y un huerto claro donde madura el limonero;
mi juventud, veinte años en tierra de Castilla;
mi historia, algunos casos que recordar no quiero.
Ni un seductor Mañara ni un Bradomín he sido
—ya conocéis mi torpe aliño indumentario—;
mas recibí la flecha que me asignò Cupido
y amé cuanto ellas pueden tener de hospitalario.
Hay en mis venas gotas de sangre jacobina,
pero mi verso brota de manantial sereno;
y, más que un hombre al uso que sabe su doctrina,
soy, en el buen sentido de la palabra, bueno.
Adoro la hermosura, y en la moderna estética
corté las viejas rosas del huerto de Ronsard;
mas no amo los afeites de la actual cosmética
ni soy un ave de esas del nuevo gay-trinar.
Desdeño las romanzas de los tenores huecos
y el coro de los grillos que cantan a la luna.
A distinguir me paro las voces de los ecos,
y escucho solamente, entre las voces, una.
¿Soy clásico o romántico? No sé. Dejar quisiera
mi verso como deja el capitán su espada:
famosa por la mano viril que la blandiera,
no por el docto oficio del forjador preciada.
Converso con el hombre que siempre va conmigo
—quien habla solo espera hablar a Dios un día—;
mi soliloquio es plática con este buen amigo
que me enseñò el secreto de la filantropía.
Y al cabo, nada os debo; debéisme cuanto he escrito.
A mi trabajo acudo, con mi dinero pago
el traje que me cubre y la mansiòn que habitò,
el pan que me alimenta y el lecho en donde yago.
Y cuando llegue el día del último viaje
y esté a partir la nave que nunca ha de tornar,
me encontraréis a bordo ligero de equipaje,
casi desnudo, como los hijos de la mar.
Homenagem a Spinoza
Lentes poliu para de Holanda os míopes
que delas precisavam para a escrita
comercial do açúcar e saborearem
os cantos delicados das pinturas.
Judeu sem sinagoga e sem península
ibérica de avós, moral geómetra
os ângulos mediu aos teoremas
da vida humana em lentes tão convexas
que até o latim lhe é como hebraico morto.
E sem de deus teólogo traçou
as linhas da cidade constituída
segundo as leis dos anjos da razão.
E Bento se chamava este coitado
da suma gentileza de existir-se
e de pensar-se em glória a paciência triste
de polir lentes sem ter deus nem pátria.
Mas só assim é que os cristais flamejam
em pura transparência apavorada.
Uma criança muito suja atira pedras a um cão. O cão
não foge. Esquiva-se e vem até junto da criança
para lhe lamber o rosto.
Há, depois, um abraço apertado, de compreensão e
de amizade. E lado a lado, com a mãozinha muito
suja no pescoço felpudo, lá vão, pela rua estreita,
em direcção ao sol.
António Correia de Oliveira nasceu em São Pedro do Sul, no distrito de Viseu, a 30 de julho de 1879.
Estudou no Seminário de Viseu, indo depois para Lisboa, onde trabalhou brevemente como jornalista no Diário Ilustrado. Publicou a sua primeira obra aos 16 anos, Ladainha em 1897, foi companheiro de Raul Brandão e mostrou influências de Antero de Quental e de Guerra Junqueiro. Em 1912, tendo casado com uma rica proprietária minhota, fixa-se na freguesia de Antas, concelho de Esposende, indo viver para a Quinta do Belinho.
Convictamente monárquico, transforma-se num dos poetas oficiosos do Estado Novo, com inúmeros textos escolhidos para os livros únicos de língua portuguesa do sistema de ensino primário e secundário.
Correia de Oliveira foi indicado para o Prémio Nobel da Literatura, pela primeira vez em 1933, sendo-o depois de também desse ano a 1940 e em 1942. A vencedora de 1945, a chilena Gabriela Mistral, que desempenhara as funções de Adida Cultural em Lisboa, declarou publicamente, no ato solene, que não merecia o prémio, estando presente o autor do Verbo Ser e Verbo Amar. Foi o terceiro português a ser indicado para o Nobel da Literatura, depois de João da Câmara em 1901 e de João Bonança em 1907, mas é o português a quem se conhece o maior número de nomeações, ultrapassado neste valor Maria Madalena de Martel Patrício que tem catorze.
Três modos de despedida Tem o meu bem para mim: - «Até logo»; «até à vista»: Ou «adeus» – É sempre assim. «Adeus», é lindo, mas triste; «Adeus» … A Deus entregamos Nossos destinos: partimos, Mal sabendo se voltamos. «Até logo», é já mais doce; Tem distancia e ausência, é certo; Mas não é nem ano e dia, Nem tão-pouco algum deserto. Vale mais «até à vista», Do que «até logo» ou «adeus»; «À vista», lembra, voltando, Meus olhos fitos nos teus. Três modos de despedida Tem, assim, o meu Amor; Antes não tivesse tantos! Nem um só… Fora melhor.
A tempo entrei no tempo, Sem tempo dele sairei: Homem moderno, Antigo serei. Evito o inferno Contra tempo, eterno À paz que visei. Com mais tempo Terei tempo: No fim dos tempos serei Como quem se salva a tempo. E, entretanto, durei. in O Verbo e a Morte(1959) - Vitorino Nemésio
Filho de Vitorino Gomes da Silva e Maria da Glória Mendes Pinheiro, na
infância a vida não lhe correu bem em termos de sucesso escolar, uma
vez que foi expulso do Liceu de Angra e reprovou no 5.º ano, facto que o
levou a sentir-se incompreendido pelos professores. Do período do
Liceu de Angra, apenas guardou boas recordações de Manuel António Ferreira Deusdado, professor de História, que o introduziu na vida das Letras.
Com 16 anos de idade, Nemésio desembarcou pela primeira vez na cidade da Horta para se apresentar a exames, como aluno externo do Liceu Nacional da Horta. Acabou por concluir o Curso Geral dos Liceus, em 16 de julho de 1918, com a qualificação de dez valores.
A sua estadia na Horta foi curta, de maio a agosto de 1918. A 13 de agosto o jornal O Telégrafo dava notícia de que Nemésio, apesar de ser um fedelho, um ano antes de chegar à Horta, havia enviado um exemplar de Canto Matinal, o seu primeiro livro de poesia (publicado em 1916), ao diretor de O Telégrafo, Manuel Emídio.
Apesar da tenra idade, Nemésio chegou à Horta já imbuído de alguns ideais republicanos, pois em Angra do Heroísmo já havia participado em reuniões literárias, republicanas e anarco-sindicalistas, tendo sido influenciado pelo seu amigo Jaime Brasil, cinco anos mais velho (primeiro mentor intelectual que o marcou para sempre) e por outras pessoas tal como Luís da Silva Ribeiro, advogado, e Gervásio Lima, escritor e bibliotecário.
Em 1918, ao final da I Guerra Mundial,
a Horta possuía um intenso comércio marítimo e uma impressionante
animação noturna, uma vez que se constituía em porto de escala
obrigatória, local de reabastecimento de frotas e de repouso da
marinhagem. Na Horta estavam instaladas as companhias dos Cabos
Telegráficos Submarinos, que convertiam a cidade num "nó de
comunicações" mundiais. Esse ambiente cosmopolita contribuiu,
decisivamente, para que ele viesse, mais tarde a escrever uma obra
mítica que dá pelo nome de Mau Tempo no Canal, trabalhada desde 1939 e publicada em 1944, cuja ação decorre nas ilhas Faial, Pico, São Jorge e Terceira, sendo que o núcleo da intriga se desenvolve na Horta.
Este romance evoca um período (1917-1919) que coincide em parte com a
sua permanência na ilha do Faial e nele aparecem pessoas tais como o
Dr. José Machado de Serpa, senador da República e estudioso, o padre Nunes da Rosa, contista e professor do Liceu da Horta, e Osório Goulart, poeta.
Em 1919 iniciou o serviço militar, como voluntário na arma de Infantaria, o que lhe proporcionou a primeira viagem para fora do arquipélago. Concluiu o liceu em Coimbra (1921) e inscreve-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.
Três anos mais tarde, Nemésio trocou esse curso pelo de Ciências
Histórico Filosóficas, da Faculdade de Letras de Coimbra, e, em 1925, matriculou-se no curso de Filologia Românica.
Na primeira viagem que faz à Espanha, com o Orfeão Académico, em 1923, conheceu Miguel Unamuno,
escritor e filósofo espanhol (1864-1936), intelectual republicano e
teórico do humanismo revolucionário antifranquista, com quem trocará
correspondência anos mais tarde.
A 12 de fevereiro de 1926 desposou, em Coimbra,
Gabriela Monjardino de Azevedo Gomes, com quem teve quatro filhos:
Georgina (novembro de 1926), Jorge (abril de 1929), Manuel (julho de
1930) e Ana Paula (dezembro de 1931).
Em 1930 transferiu-se para a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
onde, no ano seguinte, concluiu o curso de Filologia Românica, com
elevadas classificações, começando desde logo a lecionar literatura
italiana. A partir de 1931
deu inicio à carreira académica na Faculdade de Letras da Universidade
de Lisboa, onde lecionou Literatura Italiana e, mais tarde,
Literatura Espanhola.
Em 1934 doutorou-se em Letras pela Universidade de Lisboa com a tese A Mocidade de Herculano até à Volta do Exílio.
Entre 1937 e 1939 lecionou na Universidade Livre de Bruxelas, tendo regressado, neste último ano, ao ensino na Faculdade de Letras de Lisboa.
A 12 de setembro de 1971,
atingido pelo limite legal de idade para exercício de funções
públicas, profere a sua última lição na Faculdade de Letras de Lisboa,
onde ensinara durante quase quatro décadas.
Foi autor e apresentador do programa televisivo Se bem me lembro, que muito contribuiu para popularizar a sua figura e dirigiu ainda o jornal O Dia entre 11 de dezembro de 1975 a 25 de outubro de 1976.
Faleceu a 20 de fevereiro de 1978, em Lisboa, no Hospital da CUF, e foi sepultado em Coimbra.
Pouco antes de morrer, pediu ao filho para ser sepultado no cemitério
de Santo António dos Olivais, em Coimbra. Mas pediu mais: que os sinos
tocassem o Aleluia, em vez do dobre a finados. O seu pedido foi
respeitado.
A 30 de agosto de 1978 foi elevado a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, a título póstumo.
Tenho uma saudade tão braba Da ilha onde já não moro, Que em velho só bebo a baba Do pouco pranto que choro. Os meus parentes, com dó, Bem que me querem levar, Mas talvez que nem meu pó Mereça a Deus lá ficar. Enfim, só Nosso Senhor Há-de decidir se posso Morrer lá com esta dor, A meio de um Padre Nosso. Quando se diz «Seja feita» Eu sentirei na garganta A mão da Morte, direita A este peito, que ainda canta.
inCaderno de Caligraphia e outros Poemas a Marga (2003) - Vitorino Nemésio
António Forte Salvado (Castelo Branco, 20 de fevereiro de 1936 - Castelo Branco, 5 de março de 2023) foi um poeta e escritor português.
Além de autor de uma extensa obra poética, com mais de 80 títulos
publicados, foi também autor de ensaios e antologias, tendo a sua obra
sido reconhecida múltiplas vezes com prémios nacionais e internacionais
Biografia
António
Forte Salvado nasceu a 20 de fevereiro de 1936 em Castelo Branco, na
zona antiga desta cidade, mais concretamente na Rua d'Ega. Foi o mais
novo de cinco filhos.
Desde cedo se interessou pela literatura e poesia, tendo publicado o seu primeiro livro aos dezoito anos.
As folhas já começam a cobrir o bosque, mãe, do teu outono puro... São tantas as palavras deste amor que presas os meus lábios retiveram pra colocar na tua face, mãe!... Continuamente o bosque se define em lividez de pântanos agora, e aviva sempre mais as desprendidas folhas que tornam minha dor maior. No chão do sangue que me deste, humilde e triste, as beijo. Um dia pra contigo terei sido cruel: a minha boca, em cada latejar do vento pelos ramos, procura, seca, o teu perdão imenso... É noite, mãe: aguardo, olhos fechados, que uma qualquer manhã me ressuscite!...
Soy Loco Por Ti, América - Caetano Veloso Soy loco por ti, América Yo voy traer una mujer playera Que su nombre sea Marti Que su nombre sea Marti... Soy loco por ti de amores Tenga como colores La espuma blanca De Latinoamérica Y el cielo como bandera Y el cielo como bandera... Soy loco por ti, América Soy loco por ti de amores... Soy loco por ti, América Soy loco por ti de amores... Sorriso de quase nuvem Os rios, canções, o medo O corpo cheio de estrelas O corpo cheio de estrelas Como se chama amante Desse país sem nome Esse tango, esse rancho Esse povo, dizei-me, arde O fogo de conhecê-la O fogo de conhecê-la ... Soy loco por ti, América Soy loco por ti de amores... Soy loco por ti, América Soy loco por ti de amores... El nombre del hombre muerto Ya no se puede decirlo, quién sabe? Antes que o dia arrebente Antes que o dia arrebente... El nombre del hombre muerto Antes que a definitiva Noite se espalhe em Latino América El nombre del hombre Es pueblo, el nombre Del hombre es pueblo... Soy loco por ti, América Soy loco por ti de amores... Soy loco por ti, América Soy loco por ti de amores... Espero o manhã que cante El nombre del hombre muerto Não sejam palavras tristes Soy loco por ti de amores Um poema ainda existe Com palmeiras, com trincheiras Canções de guerra Quem sabe canções do mar Ai hasta te comover Ai hasta te comover... Soy loco por ti, América Soy loco por ti de amores... Soy loco por ti, América Soy loco por ti de amores... Estou aqui de passagem Sei que adiante Um dia vou morrer De susto, de bala ou vício De susto, de bala ou vício... Num precipício de luzes Entre saudades, soluços Eu vou morrer de bruços Nos braços, nos olhos Nos braços de uma mulher Nos braços de uma mulher... Mais apaixonado ainda Dentro dos braços da camponesa Guerrilheira, manequim, ai de mim Nos braços de quem me queira Nos braços de quem me queira... Soy loco por ti, América Soy loco por ti de amores... Soy loco por ti, América Soy loco por ti de amores... Soy loco por ti, América Soy loco por ti de amores... Soy loco por ti, América Soy loco por ti de amores...
Numa qualquer manhã, um qualquer ser, vindo de qualquer pai, acorda e vai. Vai. Como se cumprisse um dever.
Nas incógnitas mãos transporta os nossos gestos; nas inquietas pupilas fermenta o nosso olhar. E em seu impessoal desejo latejam todos os restos de quantos desejos ficaram antes por desejar.
Abre os olhos e vai.
Vai descobrir as velas dos moinhos e as rodas que os eixos movem, o tear que tece os linhos, a espuma roxa dos vinhos, incêndio na face jovem.
Cego, vê, de olhos abertos. Sozinho, a multidão vai com ele. Bagas de instintos despertos ressumam-lhe à flor da pele.
Vai, belo monstro. Arranca as florestas com os teus dentes. Imprime na areia branca teus voluntariosos pés incandescentes.
Vai.
Segue o teu meridiano, esse, o que divide ao meio teus hemisférios cerebrais; o plano de barro que nunca endurece, onde a memória da espécie grava os sonos imortais.
Vai.
Lábios húmidos do amor da manhã, polpas de cereja. Desdobra-te e beija em ti mesmo a carne sã.
Vai.
À tua cega passagem a convulsão da folhagem diz aos ecos «tem que ser»; o mar que rola e se agita, toda a música infinita, tudo grita «tem que ser».
Cerra os dentes, alma aflita. Tudo grita «Tem que ser».
José Carlos Capinan, mais conhecido como Capinan ou Capinam (Entre Rios, 19 de fevereiro de 1941), é um poeta, letrista e dramaturgo brasileiro, integrante da Academia de Letras da Bahia. Da geração de fundadores do Centro Popular de Cultura (CPC), da União
Nacional dos Estudantes, é autor do livro "Inquisitorial" (1966),
considerado um marco da poesia participante no Brasil.
Poeta do Tropicalismo, foi do grupo criador do movimento de
vanguarda renovador da cultura brasileira em 1967 e 1968, e integrou o
álbum "Tropicalia ou Panis et Circensis" com "Miserere Nobis", sua
parceria com Gilberto Gil.
É um dos principais poetas de sua geração e se tornou um letrista
central na história da modernização da música popular brasileira,
vencendo o Festival de Música Popular de 1967 com a canção "Ponteio",
parceria com Edu Lobo. "Soy loco por ti, América", canção com sua letra e
música de Gilberto Gil, virou uma das grandes expressões poéticas do
tropicalismo.
Autor de canções clássicas, Capinan tem como parceiros Gilberto
Gil, Caetano Veloso, Edu Lobo, Tom Zé, Jards Macalé, Paulinho da Viola,
Fagner, João Bosco, Francis Hime, Geraldo Azevedo, Zé Ramalho, Roberto
Mendes, Cézar Mendes e Paquito, entre outros.
É o presidente de honra do Museu Nacional da Cultura Afro-brasileira, em Salvador.
Em 2024, lançou a sua poesia completa na antologia "Cancioneiro
Geral" (Círculo de Poemas), organizada por Claudio Leal e Leonardo
Gandolfi. Em 2025, o Selo Sesc lançou o disco ao vivo "Cancioneiro Geral
- Tributo a Capinan", com a participação do poeta ao lado de Jards
Macalé e Renato Braz.
Álvaro Gois,
Rui Mamede,
filhos de António Brandão,
naturais de Cantanhede,
pedreiros de profissão,
de sombrias cataduras
como bisontes lendários,
modelam ternas figuras
na lentidão dos calcários.
Ali, no esconso recanto,
só o túmulo, e mais nada,
suspenso no roxo pranto
de uma fresta geminada.
Mas no silêncio da nave,
como um cinzel que batuca,
soa sempre um trucatruca
lento, pausado, suave,
truca, truca, truca, truca,
sob a abóbada romântica,
como um cinzel que batuca
numa insistência satânica:
truca, truca, truca, truca,
truca, truca, truca, truca.
Álvaro Gois,
Rui Mamede,
filhos de António Brandão,
naturais de Cantanhede,
ambos vivos ali estão,
truca, truca, truca, truca,
vestidos de sunobeco
e acocorados no chão,
truca, truca, truca, truca.
No friso, largo de um palmo,
que dá volta a toda a arca,
um cristo, de gesto calmo,
assiste ao chegar da barca.
Homens de vária feição,
barrigudos e contentes,
mostram, no riso dos dentes
o gozo da salvação.
Anjinhos de longas vestes,
e cabelo aos caracóis,
tocam pífaro celestes,
entre cometas e sóis.
Mulheres e homens, sem paz,
esgaseados de remorsos,
desistem de fazer esforços,
entregam-se a Satanás.
Fixando a pedra, mirando-a,
quanto mais o olhar se educa,
mais se estende o trucatruca
que enche a nave, transbordando-a,
truca, truca, truca, truca
truca, truca, truca, truca.
No desmedido caixão,
grande senhor ali jaz.
Pupilo de Satanás?
Alma pura, de eleição?
Dom Afonso ou Dom João?
Para o caso tanto faz.
História do Quadrilheiro Manuel Domingos Louzeiro - Adriano Correia de Oliveira Música de José Niza e quadras de António Aleixo
Já lá vai preso o ladrão Que em toda a parte aparecia Contam-se mais de um milhão De roubos que ele fazia. Contam-se mais de um milhão De roubos que ele fazia. Meus senhores vão ouvir A história do quadrilheiro Manuel Domingos Louzeiro, Que foi a pena cumprir, Enquanto alguém de Salir, Num primor de descrição, Lhe chama até “Lampeão”; Mas, salirenses honrados, Podeis dormir descansados, Que lá foi preso o ladrão. Já lá vai preso o ladrão Que em toda a parte aparecia Contam-se mais de um milhão De roubos que ele fazia. Contam-se mais de um milhão De roubos que ele fazia. Pelas coisas que o povo diz, Para uns, terrível bandido Para outros, grande infeliz. Mas eu, sem querer ser juiz, Vi que ele se despedia Da mulher com quem vivia Numa amizade sincera E não vi nele a tal fera Que em toda a parte aparecia. Já lá vai preso o ladrão Que em toda a parte aparecia Contam-se mais de um milhão De roubos que ele fazia. Contam-se mais de um milhão De roubos que ele fazia. Desse rei dos criminosos Direi aos que o conheceram, Poucos crimes apareceram E poucos são os queixosos; Apenas alguns medrosos Terrível fama lhe dão; Para a justiça só são Os seus crimes dois ou três, Mas coisas que ele não fez Contam-se mais de um milhão. Já lá vai preso o ladrão Que em toda a parte aparecia Contam-se mais de um milhão De roubos que ele fazia. Contam-se mais de um milhão De roubos que ele fazia. Por alguns sítios passava, Onde há só gente honradinha, Que roubava à vontadinha E que ninguém acusava; Tudo Domingos pagava, E ele às vezes nem sabia Que à sua sombra vivia Gente que passa por justa, Fazendo crimes à custa Dos roubos que ele fazia. Gente que passa por justa, Fazendo crimes à custa Dos roubos que ele fazia.
Filho do magistrado Emiliano Fagundes Varella e de Emília de Andrade, ambos de ricas famílias cariocas.
Poeta romântico e boémio inveterado, Fagundes Varella foi um dos maiores expoentes da poesia brasileira, em seu tempo. Tendo ingressado no curso de Direito (e frequentado a Faculdade de Direito de São Paulo e a Faculdade de Direito do Recife), abandonou o curso no quarto ano. Foi a transição entre a segunda e a terceira geração romântica.
Diria, reafirmando sua vocação exclusiva para a arte, no poema "Mimosa", na boca duma personagem: "Não sirvo para doutor"...
Casando-se muito novo (aos vinte e um anos) com Alice Guilhermina
Luande, filha de dono de um circo, teve um filho que veio a morrer aos
três meses. Este facto inspirou-lhe o poema "Cântico do Calvário", expressão máxima de seus versos, tão jovem ainda. Sobre estes versos, analisou Manuel Bandeira:
"...uma das mais belas e
sentidas nênias da poesia em língua portuguesa. Nela, pela força do
sentimento sincero, o Poeta atingiu aos vinte anos uma altura que, não
igualada depois, permaneceu como um cimo isolado em toda a sua poesia."
Casou-se novamente com uma prima - Maria Belisária de Brito Lambert,
sendo novamente pai de duas meninas e um menino, também falecido
prematuramente.
Embriagando-se e escrevendo, faleceu ainda jovem, vivendo à custa do
pai, passando boa parte do tempo no campo, seu ambiente predileto.
Pelas rosas, pelos lírios,
Pelas abelhas, sinhá,
Pelas notas mais chorosas
Do canto do sabiá,
Pelo cálice de angústias
Da flor do maracujá!
Pelo jasmim, pelo goivo,
Pelo agreste manacá,
Pelas gotas do sereno
Nas folhas de gravatá,
Pela coroa de espinhos
Da flor do maracujá!
Pelas tranças da mãe-d'água
Que junto da fonte está,
Pelos colibris que brincam
Nas alvas plumas do ubá,
Pelos cravos desenhados
Na flor do maracujá!
Pelas azuis borboletas
Que descem do Panamá,
Pelos tesouros ocultos
Nas minas do Sincorá,
Pelas chagas roxeadas
Da flor do maracujá!
Pelo mar, pelo deserto,
Pelas montanhas, sinhá!
Pelas florestas imensas
Que falam de Jeová!
Pela lança ensanguentada
Da flor do maracujá!
Por tudo o que o céu revela!
Por tudo o que a terra dá
Eu te juro que minh'alma
De tua alma escrava está!...
Guarda contigo esse emblema
Da flor do maracujá!
Não se enojem teus ouvidos
De tantas rimas em — a —
Mas ouve meus juramentos,
Meus cantos ouve, sinhá!
Te peço pelos mistérios
Da flor do maracujá!