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terça-feira, julho 28, 2026

Hoje é dia de recordar Vivaldi...

(imagem daqui)

 
VIVALDI
 
 
Quest'è 'l Verno, ma tal che gioa apporte.
VIVALDI, «L'Inverno»

A Giovani Pontiero
 
 
 
A fúria de dar para além da miséria,
asma, das raparigas em clausura
suas alunas no Ospedale della Pietá
onde em si tanto aninhou, fermentado de vida?

Como lhe foi possível retrair
e transportar o fluxo dos canais de Veneza?
E toda a alegria dos pássaros na Primavera
gôndolas aladas e amantes?
E o fogo nas florestas pelo Verão inundadas,
a ufania arrecadada das espigas?
Foi ele o caçador que no Outono, ponte
dei sospiri, levou consigo a presa ficando
mais adestrado, ele e a matilha, para a morte?
À lareira ouviu no Inverno a explosão
dos ventos e da chuva, mas foi
calmo, dignamente feliz o prette rosso?

Dezanove florins orçou o funeral,
Mais não comportava essa larga indigência,
tudo ao tempo ter entregue e num excesso de pródigo.
Sessenta e três anos: somente seis meninos
de coro em Viena, pagos para o acompanhar,
e ele modulara o trovão e o relâmpago em Setembro,
o tiro infalível do caçador, a ventura
de ter sido e deixado mais que todos os doges:
os doze movimentos de cada mês, a esperança
que prenhe o mundo, o concerto interior da natureza.
 


in Décima Aurora (1982) - António Osório

Gloria Fuertes nasceu há 109 anos...

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/77/Gloria_Fuertes_%28cropped%29.jpg

 

Gloria Fuertes García (Madrid, 28 de julio de 1917 - Madrid, 27 de noviembre de 1998) fue una poeta española incluida en la generación del 50, posterior al movimiento literario de la primera generación de posguerra. Su labor poética se vio reforzada en España a partir de los años 1970 por sus colaboraciones en programas infantiles y juveniles de Televisión Española como Un globo, dos globos, tres globos o La cometa blanca. En su poesía defendió a las mujeres, el pacifismo y el medio ambiente. En 2017, con motivo de la celebración del centenario de su nacimiento se reivindicó su papel en la poesía española del siglo.


in Wikipédia

 

LAMENTO EN LA MONTAÑA

 

Aún te veo, río de mi vida,
con los ojos que miran las montañas.

Yo era una montaña con almendros
montaña solitaria.
Y viniste alegre con tu canto
y me besaste toda con tu agua.
Me dejaste inquietud para la noche
y el alma enamorada.

Aún te veo, río de mi vida,
en la curva lejana,
te vas cantando más entre los chopos,
te vas cantando más que en tu llegada.
Y yo,
paralítica montaña;
inmóvil te recuerdo,
enferma de volcanes, alocada,
espero tu regreso, río loco,
que pasaste besando
mi cuerpo de montaña.
Tuviste que seguir tu destino de río,
y yo el mío triste de tierra amontonada.

Me dice el viento que vas al mar,
Te sigo río mío, con los ojos,
Te sigo río mío con los ojos,
ya que no puedo seguirte con las plantas.
Soñé… te quedarías a mi lado,
como un lago sin cisnes,
para siempre,
acunando mi ansia.
Qué locura más loca
enamorarse de un río una montaña!

 

Gloria Fuertes

O poeta Zbigniew Herbert morreu há 28 anos...

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Zbigniew Herbert (Leópolis, Polónia, hoje Ucrânia , 29 de outubro de 1924Varsóvia, Polónia, 28 de julho de 1998) foi um poeta, dramaturgo e ensaísta polaco, integrando na poesia polaca aquilo que Aleksandar Jovanovic, linguista e tradutor, nomeia como “neovanguarda dos anos 60 e 70” na poesia. 

 

in Wikipédia

 



Nunca de ti



Nunca me atrevo a falar de ti
vasto céu do meu bairro
nem de vós telhados que detendes as cascatas de ar
belos telhados felpudos cabelos das nossas casas
nem de vós chaminés laboratórios de tristeza
abandonadas pela Lua pescoços esticados
nem de vós janelas abertas-fechadas
que rebentais quando morremos além-mar

Nem sequer consigo descrever a casa
que conhece todas as minhas fugas e regressos
apesar de pequena não sai debaixo das pálpebras fechadas
nada conseguirá devolver-me o cheiro do reposteiro verde
nem o ranger das escadas por onde levo a lamparina acesa
nem a folhagem do portão

Em verdade gostaria de escrever sobre o puxador do portão da casa
sobre o seu toque áspero e rangido amigável
e mesmo sabendo muito sobre ele
repito tão-só uma ladainha de palavras comum cruel
Cabem tantos sentimentos entre dois batimentos cardíacos
tantos objetos podem ser acolhidos entre duas mãos

Não vos admireis que não saibamos descrever o mundo
e que só tratemos as coisas pelos nomes com ternura

 

Zbigniew Herbert 

segunda-feira, julho 27, 2026

Saudades de Mísia (II)...

 

Nasci Para Morrer Contigo -  Mísia

Letra de António Lobo Antunes e música de Vitorino 

 

Nasci para morrer contigo
a cama que tenho dou-te
meu amante meu amigo
não te vás ficar comigo
esta noite toda a noite

Quero que a pele seja trigo
a ondular ao açoite
dos gemidos que te digo
meu amante meu amigo
nasci p´ra morrer contigo
esta noite toda a noite

A gaivota dos meus braços
foi feita para o teu rio
tuas pernas são meus laços
a tua boca dois traços

na boca que o espelho viu

Manuel Vázquez Montalbán nasceu há 87 anos...

(imagem daqui)
      
Manuel Vázquez Montalbán (Barcelona, España, 27 de julio de 1939 - Bangkok, Tailandia, 18 de octubre de 2003) fue un escritor español conocido sobre todo por sus novelas protagonizadas por el detective Pepe Carvalho.

Personalidad casi inabarcable, se definió a sí mismo como "periodista, novelista, poeta, ensayista, antólogo, prologuista, humorista, crítico, gastrónomo, culé y prolífico en general", campos todos en los que destacó.

   

Pepe Carvalho (daqui)
     
   

 



El buen amor





Amores porque sí. certificados
amarillos en cajas de caoba con flores
esmaltadas, junto al jabón de olor
en cajones de madera repujada, cómodas
donde descansa en paz el ajuar

encajes



de bolillo y letras bordadas, siglas
de un contrato territorial, celosos
lindes de una ciudad y sábanas almidonadas
castos cálculos de menstruos regulares,
celosos termómetros de infiel temperatura,
vaginas díscolas, hijos imprevistos
atribuibles

a la voluntad de Dios, Padre al fin
y al cabo
lentos días sin preguntas, sin
respuestas, pequeño y gran mundo en orden
porque sí
porque sí
la vaciedad del mundo
más allá de las pinturas ya funcionales
en las paredes, del cucú que marca
la hora del regreso, de las cuentas
de las cenas sorprendentes, especiales
recetas misteriosas de vecinas nuevas,
aventuras exóticas por mares de sofrito
y olorosas especias

o bien relojes de zozobra
y un primo hermano habitual a las cuatro
y cuarto, porteras dormidas, despiertas
súbitamente

y amores,

porque no

a las tardes
sin más solución que noches que concluyen
que días que amanecen para anochecer,
que no tendrán jardines con moreras
ni bancos de cemento tras los setos

como antes
cuando todavía era posible algún misterio
más allá de los labios besados, silenciosos
ahora como un mundo prohibido

sin lluvias,

sin fronteras, un vasto mundo de venas
heladas, ramajes de bosques horrorosos

sin pájaros

ni estrellas

donde no cabe el miedo ni el valor.

 

Manuel Vázquez Montalbán

Saudades de Mísia...

 

Fado do retorno II - Mísia

Música Armandinho e letra Lídia Jorge 

 

Amor, é muito cedo
E tarde uma palavra
A noite uma lembrança
Que não escurece nada
Voltaste, já voltaste
Já entras como sempre
Abrandas os teus passos
E páras no tapete
Então que uma luz arda
E assim o fogo aqueça
Os dedos bem unidos
Movidos pela pressa

Amor, é muito cedo
E tarde uma palavra
A noite uma lembrança
Que não escurece nada
Voltaste, já voltei
Também cheia de pressa
De dar-te, na parede
O beijo que me peças
Então que a sombra agite
E assim a imagem faça
Os rostos de nós dois
Tocados pela graça 

 Amor, é muito cedo
E tarde uma palavra
A noite uma lembrança
Que não escurece nada
Amor, o que será
Mais certo que o futuro
Se nele é para habitar
A escolha do mais puro
Já fuma o nosso fumo
Já sobra a nossa manta
Já veio o nosso sono
Fechar-nos a garganta
Então que os cílios olhem
E assim a casa seja
A árvore do Outono
Coberta de cereja

Gertrude Stein morreu há oitenta anos...

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/2/25/Gertrude_Stein_1935-01-04.jpg/500px-Gertrude_Stein_1935-01-04.jpg

Gertrude Stein (Pittsburgh, Estados Unidos, 3 de fevereiro de 1874 - Neuilly-sur-Seine, 27 de julho de 1946) foi uma escritora e poetisa norte-americana. 

      

(...) 

    

Tinha um apreciável círculo de amigos, como Pablo Picasso, Matisse, Georges Braque, Derain, Juan Gris, Apollinaire, Francis Picabia, Ezra Pound, Ernest Hemingway e James Joyce.

Mrs. Stein era realmente genial e escreveu "Autobiografia de Alice B. Toklas", livro fundamental da vanguarda dos anos 10, 20 e 30. Com estilo muito próprio, a narrativa conta como jovens artistas e escritores vindos das mais diversas partes do mundo se encontram em Paris e detonam novos caminhos para a arte. Picasso vinha da Espanha, Joyce da Irlanda, ela própria vinha dos Estados Unidos da América, Nijinski era russo, havia vários franceses, como Cocteau, Apollinaire, e Matisse. É bom lembrar que, apesar do nome, o livro foi escrito por Miss Stein, tendo como porta-voz Alice B. Toklas, a sua companheira durante vinte e cinco anos.
     
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/d/d6/GertrudeStein.JPG
Pablo Picasso, Portrait of Gertrude Stein, 1906
  

in Wikipédia

 

The house was just twinkling in the moon light

 

The house was just twinkling in the moon light,   
And inside it twinkling with delight,
Is my baby bright.
Twinkling with delight in the house twinkling   
with the moonlight,
Bless my baby bless my baby bright,
Bless my baby twinkling with delight,
In the house twinkling in the moon light,
Her hubby dear loves to cheer when he thinks
and he always thinks when he knows and he always   
knows that his blessed baby wifey is all here and he
is all hers, and sticks to her like burrs, blessed baby

 

Gertrude Stein

Mísia morreu há dois anos...

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/3f/Misiabydavy.jpg
 
Mísia (Porto, 18 de junho de 1955 - Lisboa, 27 de julho de 2024), foi uma cantora portuguesa, considerada uma das mais importantes fadistas de Portugal.
 

Biografia

Nascida Susana Maria Alfonso de Aguiar, no Porto, filha de pai português e mãe catalã, a cantora deu uma nova roupagem à música tradicional lusitana. Cantando em português, francês, napolitano, catalão e espanhol, misturava tendências, diferentes culturas e sons.

O seu disco de estreia, Mísia, foi editado em 1991. O disco inclui canções de Joaquim Frederico de Brito, José Niza, José Carlos Ary dos Santos, Carlos Paião, entre outros.

Em 1993, regressou com Fado, que foi produzido por Vitorino Salomé e contém canções como "Liberdades Poéticas", de Sérgio Godinho, "Nasci Para Morrer Contigo", de António Lobo Antunes e Vitorino, "Fado Adivinha", de José Saramago e António Victorino de Almeida, e ainda versões de "Velhos Amantes", de Jacques Brel, de "As Time Goes By" e de "Nome de Rua", de Amália Rodrigues.

Novo álbum, "Tanto menos, tanto mais" foi editado em 1995 e onde canta nomes como António Lobo Antunes, Fernando Pessoa ou João Monge.

O disco "Garras dos Sentido" foi editado em 1998. Canta poemas de Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Natália Correia e António Botto e ainda de contemporâneos como José Saramago, Mário Cláudio, Agustina Bessa-Luís e Lídia Jorge. O disco recebeu em França o prémio Charles Cros. Lança o álbum "Paixões Diagonais" que conta com a colaboração da pianista Maria João Pires.

Em 2001 foi editado "Ritual". Com base em canções de Carlos Paredes e poemas de Vasco Graça Moura lançou "Canto" em 2003.

O álbum "Drama Box", editado em 2005, contou com a participação de Fanny Ardant, Miranda Richardson, Ute Lemper, Carmen Maura, Maria de Medeiros e Sophia Calle.

A 19 de janeiro de 2004, foi condecorada com o grau de Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras de França. A 19 de abril de 2005, foi agraciada com o grau de Comendador da Ordem do Mérito.

O disco "Ruas" (Lisboarium & Tourists) foi editado em 2009.

Morreu, vítima de cancro, doença que batalhava desde 2016, a 27 de julho de 2024, aos 69 anos, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, onde se encontrava internada.

 

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/03/Misia-01.jpg/1920px-Misia-01.jpg

 

 

 

Nenhuma estrela caiu - Mísia
Letra (adaptada) de José Saramago e música de Franklin Rodrigues 

 

Janelas que me separam
Do vento frio da tarde
Num recanto de silêncio
Onde os gestos do pensar
São as traves duma ponte
Que não paro de lançar

Vem a noite e o seu recado
Sua negra natureza
Talvez a lua não falte
Ou venha a chuva de estrelas
Basta que o sono desperte
O sonho que deixa vê-las

Abro as janelas...
E o frio vento se esquece
Nenhuma estrela caiu
Nem a lua me ajudou
Mas a ruiva madrugada
Por trás da ponte aparece.


Janelas que me separam
Do vento frio da tarde
Num recanto de silêncio
Onde os gestos do pensar
São as traves duma ponte
Que não paro de lançar

domingo, julho 26, 2026

Porque um Poeta continua a fazer aniversários, enquanto é lido e cantado...

 

 

Tus ojos me recuerdan

 

Tus ojos me recuerdan
las noches de verano
negras noches sin luna,
orilla al mar salado,
y el chispear de estrellas
del cielo negro y bajo.
Tus ojos me recuerdan
las noches de verano.
Y tu morena carne,
los trigos requemados,
y el suspirar de fuego
de los maduros campos.

Tu hermana es clara y débil
como los juncos lánguidos,
como los sauces tristes,
como los linos glaucos.
Tu hermana es un lucero
en el azul lejano…
Y es alba y aura fría
sobre los pobres álamos
que en las orillas tiemblan
del río humilde y manso.
Tu hermana es un lucero
en el azul lejano.

De tu morena gracia,
de tu soñar gitano,
de tu mirar de sombra
quiero llenar mi vaso.
Me embriagaré una noche
de cielo negro y bajo,
para cantar contigo,
orilla al mar salado,
una canción que deje
cenizas en los labios…
De tu mirar de sombra
quiero llenar mi vaso.

Para tu linda hermana
arrancaré los ramos
de florecillas nuevas
a los almendros blancos,
en un tranquilo y triste
alborear de marzo.
Los regaré con agua
de los arroyos claros,
los ataré con verdes
junquillos del remanso…
Para tu linda hermana
yo haré un ramito blanco.

 

Antonio Machado

Caminante, no hay camino...

 

Cantares es una famosa canción de Joan Manuel Serrat incluida en su LP titulado Dedicado a Antonio Machado, poeta, del año 1969. La letra está compuesta por tres estrofas de Antonio Machado, seguidas de tres estrofas escritas por el propio Serrat, en las que incorpora los versos "caminante no hay camino / se hace camino al andar" a manera de intertexto.
Las estrofas de Machado pertenecen a la sección Proverbios y cantares de su obra Campos de Castilla (1912) y Joan Manuel Serrat las dispone en el siguiente orden:

XLIV
Todo pasa y todo queda,
pero lo nuestro es pasar,
pasar haciendo caminos,
caminos sobre la mar.

I
Nunca perseguí la gloria,
ni dejar en la memoria
de los hombres mi canción;
yo amo los mundos sutiles,
ingrávidos y gentiles
como pompas de jabón.
Me gusta verlos pintarse
de sol y grana, volar
bajo el cielo azul, temblar
súbitamente y quebrarse.

XXIX
Caminante, son tus huellas
el camino, y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante, no hay camino,
sino estelas en la mar.

El resto de las estrofas pertenece a Serrat, pero se incluyen en ellas los dos versos de Machado antes mencionados (aquí en letra cursiva).

Hace algún tiempo, en ese lugar
donde hoy los bosques se visten de espinos,
se oyó la voz de un poeta gritar:
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar,
golpe a golpe, verso a verso.

Murió el poeta lejos del hogar,
le cubre el polvo de un país vecino.
Al alejarse le vieron llorar,
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar,
golpe a golpe, verso a verso.

Cuando el jilguero no puede cantar,
cuando el poeta es un peregrino,
cuando de nada nos sirve rezar,
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar,
golpe a golpe, verso a verso.

O poeta Antonio Machado nasceu há 151 anos...

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9a/Antonio_Machado%2C_por_Joaqu%C3%ADn_Sorolla.jpg
   
Antonio Machado Ruiz (Sevilla, 26 de julio de 1875Colliure, 22 de febrero de 1939) fue un poeta español, miembro tardío de la Generación del 98 y uno de sus miembros más representativos. Su obra inicial suele inscribirse en el movimiento literario denominado Modernismo.
    
(...)
   
Renonoscimiento
En 1927 fue elegido miembro de la Real Academia Española, si bien nunca llegó a tomar posesión de su sillón. Por eso, Antonio Machado fue uno de los más apreciados poetas españoles añorados en esa época.
En 2007 se instala en la Biblioteca Nacional de España en Madrid la magnífica cabeza de Antonio Machado realizada por el escultor Pablo Serrano en el año 1966 y que también se encuentra en el Centre Georges Pompidou de París y en el MOMA de Nueva York.
  
 

 Antonio Machado

Retrato

 

Mi infancia son recuerdos de un patio de Sevilla
y un huerto claro donde madura el limonero;
mi juventud, veinte años en tierra de Castilla;
mi historia, algunos casos que recordar no quiero.

Ni un seductor Mañara ni un Bradomín he sido
—ya conocéis mi torpe aliño indumentario—;
mas recibí la flecha que me asignò Cupido
y amé cuanto ellas pueden tener de hospitalario.

Hay en mis venas gotas de sangre jacobina,
pero mi verso brota de manantial sereno;
y, más que un hombre al uso que sabe su doctrina,
soy, en el buen sentido de la palabra, bueno.

Adoro la hermosura, y en la moderna estética
corté las viejas rosas del huerto de Ronsard;
mas no amo los afeites de la actual cosmética
ni soy un ave de esas del nuevo gay-trinar.

Desdeño las romanzas de los tenores huecos
y el coro de los grillos que cantan a la luna.
A distinguir me paro las voces de los ecos,
y escucho solamente, entre las voces, una.

¿Soy clásico o romántico? No sé. Dejar quisiera
mi verso como deja el capitán su espada:
famosa por la mano viril que la blandiera,
no por el docto oficio del forjador preciada.

Converso con el hombre que siempre va conmigo
—quien habla solo espera hablar a Dios un día—;
mi soliloquio es plática con este buen amigo
que me enseñò el secreto de la filantropía.

Y al cabo, nada os debo; debéisme cuanto he escrito.
A mi trabajo acudo, con mi dinero pago
el traje que me cubre y la mansiòn que habitò,
el pan que me alimenta y el lecho en donde yago.

Y cuando llegue el día del último viaje
y esté a partir la nave que nunca ha de tornar,
me encontraréis a bordo ligero de equipaje,
casi desnudo, como los hijos de la mar.

 

Antonio Machado

sexta-feira, julho 24, 2026

Para recordar um Poeta...

ALPHONSUS DE GUIMARAENS, O POETA DAS SONORIDADES SIDERAIS | Gaveta do Ivo

 

Salmos da Noite

 

Ó minha amante, eu quero a volúpia vermelha
Nos teus braços febris receber sobre a boca;
Minh'alma, que ao calor dos teus lábios se engelha
E morre, há de cantar perdidamente louca.

O peito, que a uma furna escura se assemelha,
De mágicos florões o teu olhar me touca;
Ao teu lábio que morde e tem mel como a abelha,
Dei toda a vida... e eterna ela seria pouca.

Ao teu olhar, oceano ora em calma ora em fúria,
Canta a minha paixão um salmo fundo e terno,
Como o ganido ao luar de uma cadela espúria...

— Salmo de tédio e dor, hausteante, negro e eterno,
E no entanto eu te sigo, ó verme da luxúria,
E no entanto eu te adoro, ó céu do meu inferno!

 

Alphonsus Guimaraens 

Poema para recordar o regresso dos astronautas da Apollo XI à Terra...

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/13/Armstrong_on_Moon_%28As11-40-5886%29_%28cropped%29.jpg/1920px-Armstrong_on_Moon_%28As11-40-5886%29_%28cropped%29.jpg
  

 

Satélite

 

Fim de tarde.
No céu plúmbeo
A lua baça
Paira.

Muito cosmograficamente
Satélite.

Desmetaforizada,
Desmitificada,

Despojada do velho segredo de melancolia,
Não é agora o golfão de cismas,
O astro dos loucos e enamorados,
Mas tão somente
Satélite.

Ah! Lua deste fim de tarde,
Desmissionária de atribuições românticas;
Sem show para as disponibilidades sentimentais!

Fatigado de mais-valia,
gosto de ti, assim:
Coisa em si,
-Satélite.

 

Manuel Bandeira

Alphonsus Guimaraens nasceu há 156 anos

  
Alphonsus Guimaraens, pseudónimo de Afonso Henrique da Costa Guimarães (Ouro Preto, 24 de julho de 1870 - Mariana, 15 de julho de 1921) foi um escritor brasileiro.
A poesia de Alphonsus de Guimaraens é marcadamente mística e envolvida com religiosidade católica. Os seus sonetos apresentam uma estrutura clássica, e são profundamente religiosos e sensíveis na medida em que explora o sentido da morte, do amor impossível, da solidão e da inaptação ao mundo.
Contudo, o tom místico imprime em sua obra um sentimento de aceitação e resignação diante da própria vida, dos sofrimentos e dores. Outra característica marcante de sua obra é a utilização da espiritualidade em relação à figura feminina, que é considerada um anjo, ou um ser celestial. Alphonsus de Guimaraens é simultaneamente neo-romântico e simbolista.
Sua obra, predominantemente poética, consagrou-o como um dos principais autores simbolistas do Brasil. Traduziu também poetas como Stephane Mallarmé Em referência à cidade em que passou parte de sua vida, é também chamado de "o solitário de Mariana", a sua "torre de marfim do Simbolismo".
A sua poesia é quase toda voltada para o tema da morte da mulher amada. Embora preferisse o verso decassílabo, chegou a explorar outras métricas, particularmente a redondilha maior (terminado em sete sílabas métricas).
   
Biografia
Filho de Albino da Costa Guimarães, comerciante português, e de Francisca de Paula Guimarães Alvim, era sobrinho do poeta Bernardo de Guimarães.
Matriculou-se em 1887 no curso de Engenharia. Perdeu, prematuramente, a prima e noiva Constança, o que o abalou moral e fisicamente.
Foi, em 1894, para São Paulo, onde se matriculou no curso de Direito da Faculdade do Largo São Francisco, voltou a Minas Gerais e formou-se em Direito em 1894, na recém inaugurada Faculdade Livre de Direito de Minas Gerais, que na época funcionava em Ouro Preto. Em São Paulo, colaborou na imprensa e frequentou a Vila Kyrial, de José de Freitas Vale, onde se reuniam os jovens simbolistas. Em 1895, no Rio de Janeiro, conheceu Cruz e Souza, poeta do qual já admirava e tornou-se amigo pessoal. Também foi juiz substituto e promotor em Conceição do Serro (MG). No ano de 1897, casa-se com Zenaide de Oliveira. Posteriormente, em 1899, estreou na literatura com dois volumes de versos: Septenário das Dores de Nossa Senhora e Câmara Ardente, e Dona Mística; ambos de nítida inspiração simbolista.
Em 1900 passou a exercer a função de jornalista colaborando em "A Gazeta", de São Paulo. Em 1902 publicou Kyriale, sob o pseudónimo de Alphonsus de Guimaraens; esta obra o projetou no universo literário, obtendo assim um reconhecimento, ainda que restrito de alguns raros críticos e amigos mais próximos. Em 1903, os cargos de juízes-substitutos foram suprimidos pelo governo do estado; consequentemente Alphonsus perdeu também seu cargo de juiz, o que o levou a graves dificuldades financeiras.
Após recusar um posto de destaque no jornal A Gazeta, Alphonsus foi nomeado para a direção do jornal político Conceição do Serro, onde também colaboraria o seu irmão o poeta Archangelus de Guimaraens, Cruz e Souza e José Severino de Resende. Em 1906, tornou-se Juiz Municipal de Mariana, MG, para onde se transferiu com a sua esposa Zenaide de Oliveira, de quem teve 15 filhos, dois dos quais também escritores: João Alphonsus (1901 - 44) e Alphonsus de Guimaraens Filho (1918 - 2008).
Devido ao período que viveu em Mariana, ficou conhecido como "O Solitário de Mariana", apesar de ter vivido lá com a mulher e com os seus quinze filhos. O nome foi-lhe dado devido ao estado de isolamento completo em que viveu. A sua vida, nessa época, passou a ser dedicada basicamente às atividades de juiz e à elaboração da sua obra poética.
    

 

SETE DAMAS

Sete Damas por mim passaram.
E todas sete me beijaram.

E quer eu queira quer não queira.
Elas vêm cada sexta-feira.

Sei que plantaram sete ciprestes.
Nas remotas solidões agrestes.

Deixaram-me como um mendigo…
Se elas vão acabar comigo!

Todas, rezando os Sete Salmos.
No chão cavaram sete palmos.
 
 
 
Alphonsus Guimaraens

Adolfo Casais Monteiro morreu há 54 anos...

 

(imagem daqui)

 

Adolfo Victor Casais Monteiro (Porto, Massarelos, 4 de julho de 1908São Paulo, Perdizes, 24 de julho de 1972) foi um poeta, tradutor, crítico e novelista português.  

Nasceu no Porto, a 4 de julho de 1908, tendo sido batizado na igreja de Massarelos. Era filho de Adolfo de Paiva Monteiro, solicitador, e de D. Victória de Sousa Casais Monteiro, doméstica, ambos naturais do Porto.

Licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde foi colega de Agostinho da Silva e Delfim Santos, tendo-se formado em 1933. Foi também nessa cidade que iniciou como professor no Liceu Rodrigues de Freitas, até ao momento em que foi afastado da carreira docente, por motivos políticos, em 1937. Viria a exilar-se no Brasil em 1954, pelas mesmas razões.

Após o afastamento de Miguel Torga, Branquinho da Fonseca e Edmundo de Bettencourt, em 1930, Adolfo Casais Monteiro foi diretor da revista literária coimbrã Presença, juntamente com José Régio e João Gaspar Simões. A revista viria a extinguir-se em 1940, tendo provavelmente contribuído para o seu encerramento as opções políticas de Casais Monteiro. Foi preso diversas vezes, devido às suas opiniões políticas, adversas ao Estado Novo e dirigiu, sob anonimato, o semanário Mundo Literário em 1936 e 1937. Expulso do ensino, Casais Monteiro fixa-se em Lisboa, vivendo da literatura como autor, tradutor e editor. Tal como Agostinho da Silva ou Jorge de Sena, acabaria por partir para o Brasil, dado o seu estatuto de opositor ao Estado Novo, o qual não se adequavam à sua maneira de ser. Também dirigiu a revista Princípio (1930) e colaborou na revista de cinema Movimento (1933-1934) e nas revistas Sudoeste (1935), Prisma (1936-1941), Variante (1942-43) e Litoral (1944-1945).

Tendo participado nas comemorações do 4.º Centenário de Cidade de São Paulo, em 1954, Adolfo Casais Monteiro fixou-se no Brasil, lecionando desde então Literatura Portuguesa em diversas universidades brasileiras, designadamente na Universidade da Bahia (Salvador), até se fixar em 1962 na Universidade Estadual Paulista (UNESP), Campus de Araraquara-SP. Escreveu por essa altura vários ensaios, ao mesmo tempo que escrevia, como crítico, para vários jornais brasileiros, tendo deixado contributos para o estudo de Fernando Pessoa e do grupo da "Presença".

Entre os seus trabalhos de tradução conta-se A Germânia, de Tácito, publicado em 1941. O seu único romance, Adolescentes, foi publicado em 1945.

A sua obra poética, iniciada em 1929 com "Confusão", foi influenciada pelo primeiro modernismo português, aproximando-se estilisticamente do esteticismo de André Gide. As suas críticas ao concretismo baseavam-se na ideia de que esta corrente estética promovia a impessoalidade, partindo da "mais pura das abstrações" na construção de uma "uma linguagem nova ao serviço de nada, uma pura linguagem, uma invenção de objetos - em resumo: um lindo brinquedo". Enquanto alguns autores o descrevem como independente do Surrealismo outros acentuam a influência que esta corrente estética teve no autor, como se pode verificar nos seus ensaios sobre autores como Jules Supervielle, Henri Michaux e Antonin Artaud (designando o último como "presença insustentável). Muita da sua obra poética dedica-se ao período histórico específico por ele vivido, como acontece no poema "Europa", de 1945, que foi lido pelo seu amigo e companheiro no Mundo Literário António Pedro aos microfones da BBC de Londres.

Casou no Porto, na 3.ª Conservatória do Registo Civil, a 8 de setembro de 1934, com Alice Pereira Gomes, também escritora, e irmã de Soeiro Pereira Gomes, da qual teve um filho, João Paulo Pereira Gomes Casais Monteiro.

Morreu a 24 de julho de 1972, na sua residência, no distrito de Perdizes, município de São Paulo, Brasil, vítima de problemas cardíacos.

A 10 de junho de 1992 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, a título póstumo. 

 

in Wikipédia

Ato de Contrição

 

Pelo que não fiz, perdão!
Pelo tempo que vi, parado,
correr chamando por mim,
pelos enganos que talvez
poupando me empobreceram,
pelas esperanças que não tive
e os sonhos que somente
sonhando julguei viver,
pelos olhares amortalhados
na cinza de sóis que apaguei
com riscos de quem já sabe,
por todos os desvarios
que nem cheguei a conceber,
pelos risos, pelas lágrimas,
pelos beijos e mais coisas,
que sem dó de mim malogrei

— por tudo, vida, perdão!

 

Adolfo Casais Monteiro

segunda-feira, julho 20, 2026

O poeta Gastão Cruz nasceu há 85 anos...

(imagem daqui)


Gastão Santana Franco da Cruz (Faro, 20 de julho de 1941 - Lisboa, 20 de março de 2022) foi um poeta, crítico literário, escritor, encenador e tradutor português. Foi agraciado com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique pelo governo português.
Licenciou-se em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Foi professor do ensino secundário e leitor de Português no King's College, pertencente à Universidade de Londres.
Como poeta, o seu nome aparece inicialmente ligado à publicação colectiva Poesia 61 (que reuniu Gastão Cruz, Casimiro de Brito, Fiama Hasse Pais Brandão, Luiza Neto Jorge e Maria Teresa Horta), uma das principais contribuições para a renovação da linguagem poética portuguesa na década de 60. Como crítico literário, coordenou a revista Outubro e colaborou em vários jornais e revistas ao longo dos anos sessenta - Seara Nova, O Tempo e o Modo ou Os Cadernos do Meio-Dia (publicados sob a direcção de Casimiro de Brito e António Ramos Rosa). Essa colaboração foi reunida em volume, com o título A Poesia Portuguesa Hoje (1973), livro que permanece hoje como uma referência para o estudo da poesia portuguesa da década de sessenta.
Ligado ao teatro, Gastão Cruz foi um dos fundadores do Grupo de Teatro Hoje (1976-1977), para o qual encenou peças de Crommelynck, Strindberg, Camus, Tchekov ou uma adaptação sua de Uma Abelha na Chuva (1977), de Carlos de Oliveira. Algumas delas foram, pela primeira vez, traduzidas para português pelo poeta. Foi igualmente um dos fundadores do Grupo de Teatro de Letras, em 1965.
O percurso literário de Gastão Cruz inclui a tradução de nomes como William Blake, Jean Cocteau, Jude Stéfan e Shakespeare. As Doze Canções de Blake que traduziu fazem, aliás, parte da sua bibliografia poética.
A sua obra Rua de Portugal recebeu o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores, em 2004. Em 2009, A Moeda do Tempo mereceu o Prémio Correntes d'Escritas. A 8 de novembro de 2019, foi agraciado com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.
Nome decisivo da renovação da poesia portuguesa nos anos 60, morreu no dia 20 de março de 2022, um domingo, em Lisboa.
  
 
   
 
 
O tempo anterior


Chego de noite A casa é como um rio
arrasta corpos em surdina vozes
que só podemos escutar na

água, sonhos velozes
Chego de noite Sei que está presente
esse tempo total Nada esqueci

mesmo que não o lembre Oh como estende
as asas sobre mim A sua cor
incerta reconheço
 
 
 
Gastão Cruz

Poema para celebrar um grande feito...

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/dd/Buzz_salutes_the_U.S._Flag.jpg/960px-Buzz_salutes_the_U.S._Flag.jpg

(imagem daqui)
  

 

Lua inacessível

................1

E aí os astronautas:
finalmente
os anjos
que há milénios
quisemos ser.


................2

Lua inacessível

Sem mortos
e imensa mortalha.

Reserva, móvel
do nada.


................3

Chuva de crateras,
planaltos de poeira
chão
que nem vermes
produz.


................4

Meteorito infeliz.

Coisa pedregosa

rápida
que caiu

e não acerta,
não aleija
nada.


................5

Poesia - branco
escafandro
meu
sobre a Terra.



................6

Pardas cinzas
sem células,
sem escamas,
sem vestígios
carnívoros.

Cinzas
sem morte dentro,
mortas por fora.



................7

Resta-nos confiar em Vénus.



................8

Tão alto, tão longe
chegados
e não encontram Deus:
apenas falam
com o seu planeta.



................9

Radícula, sangue
que em segredo existisse:
ser a tua
cápsula sofredora.



................10

Maravilhoso corpo nu
o da Terra.

Curvos continentes
estendidos ao Sol,
nuvens, tempestades
que fogem
................e de tão longe
oceanos, minúsculas
montanhas reconhecíveis,
Himalaias proscritos.

Os próprios seres
invisíveis
se adivinham
aqui em nossa casa.

   


in A Raiz Afectuosa (1972) - António Osório

domingo, julho 19, 2026

Hoje é dia de cantar uma Mãe e Rainha...

 

D. FILIPA DE LENCASTRE


Que enigma havia em teu seio
Que só génios concebia?
Que arcanjo teus sonhos veio
Velar, maternos, um dia?

Volve a nós teu rosto sério,
Princesa do Santo Graal,
Humano ventre do Império,
Madrinha de Portugal!
   


  
in Mensagem (1934) - Fernando Pessoa

Poesia de aniversariante de hoje...

 

DEDUÇÃO

Não acabarão com o amor,
nem as rusgas,
nem a distância.
Está provado,
pensado,
verificado.
Aqui levanto solene
minha estrofe de mil dedos
e faço o juramento:
Amo
firme,
fiel
e verdadeiramente.



Mayakovsky 

Mayakovsky nasceu há 133 anos...

     
Vladimir Vladimirovitch Mayakovsky (Bagdadi, 7 de julho no calendário juliano e 19 de julho no nosso atual calendário gregoriano de 1893Moscovo, 14 de abril de 1930) foi um poeta, dramaturgo e teórico russo, frequentemente citado como um dos maiores poetas do século XX, ao lado de Ezra Pound e T.S. Eliot, bem como "o maior poeta do futurismo".
    
Vladimir Mayakovsky nasceu e passou a infância na aldeia de Bagdadi, nos arredores de Kutaíssi, na Geórgia, então no Império Russo.  Lá fez o liceu e, após a morte súbita do pai, a família ficou na miséria e transferiu-se para Moscovo, onde Vladimir continuou os seus estudos.
Fortemente impressionado pelo movimento revolucionário russo e impregnado desde cedo de obras socialistas, ingressou aos quinze anos na fação bolchevique do Partido Social-Democrático Operário Russo. Detido em duas ocasiões, foi solto por falta de provas, mas em 1909-1910 passou onze meses na prisão. Entrou na Escola de Belas Artes, onde se encontrou com David Burliuk, que foi o grande incentivador de sua iniciação poética. Os dois amigos fizeram parte do grupo fundador do assim chamado cubo-futurismo russo, ao lado de Khlebnikov, Kamiênski e outros. Foram expulsos da Escola de Belas Artes. Procurando difundir as suas conceções artísticas, realizaram viagens pela Rússia.
Após a Revolução de Outubro, todo o grupo manifestou a sua adesão ao novo regime. Durante a Guerra Civil, Mayakovsky dedicou-se a fazer a desenhos e textos para cartazes de propaganda e, no início da consolidação do novo Estado, exaltou campanhas sanitárias, fez publicidade de produtos diversos, etc. Fundou em 1923 a revista LEF (de Liévi Front, Frente de Esquerda), que reuniu a “esquerda das artes”, isto é, os escritores e artistas que pretendiam aliar a forma revolucionária a um conteúdo de renovação social.
Fez inúmeras viagens pelo país, aparecendo diante de vastos auditórios para os quais lia os seus versos. Viajou também pela Europa Ocidental, México e Estados Unidos. Entrou frequentemente em choque com os “burocratas’’ e com os que pretendiam reduzir a poesia a fórmulas simplistas. Foi homem de grandes paixões, arrebatado e lírico, épico e satírico ao mesmo tempo.
Oficialmente, suicidou-se com um tiro em 1930, sem que isto tivesse relação alguma com a sua atividade literária e social. Mas de facto o poeta estava sendo pressionado pelos programas oficiais que desejavam instaurar uma literatura simplista e dita realista, dirigidos por Molotov e perseguindo antigos poetas revolucionários como o próprio Maiakovski. Em vista disso, aponta-se a possibilidade real de um suicídio forjado por motivos políticos.
   

 

PODER 

 

Tu sabes e conhece melhor do que eu a velha história…
Na primeira noite, eles se aproximam de nossa casa,
roubam-nos uma flor e nós não dizemos nada…
Na segunda noite, eles não só se aproximam da nossa casa,
mas pulam o muro, pisam nas flores, matam o nosso cãozinho
E nós não dizemos nada…
Até que um dia, o mais sábio deles, entra em nossa casa,
rouba-nos a luz, arranca a voz de nossa garganta
e aí então meus caros amigos
é que não podemos dizer mais nada mesmo.

 

Mayakovsky