segunda-feira, outubro 05, 2026
Hoje é um bom dia para ouvir Sparks...!
Postado por Pedro Luna às 19:48 0 comentários
Marcadores: Art Pop, Glam Rock, música, Russell Mael, Sparks, Synth-pop, The Number One Song In Heaven
Um bom texto para celebrar o cinco de outubro certo...
Sem rei nem roque
Celebremos o 5 de outubro de 1143, que é de todos, e esqueçamos o de 1910 que foi de muito poucos.
“A I República nasceu da violência e dali em diante viveu da
violência. Essa violência, como costuma suceder desde 1789, tomou a
forma de um terrorismo de massa. Até 1917, e com mais brandura, até
1926, grupos republicanos (ligados diretamente ou indiretamente ao
partido), à mistura com algumas centenas de adeptos da anarquia e da
bomba: mataram, prenderam, torturaram, degredaram, espiaram e ameaçaram o
cidadão comum. Milhares de inocentes por discordância ou inadvertência
lhes caíram nas mãos.”
Vasco Pulido Valente, 9 de setembro de 2012
Depois de aqui há anos, no centenário da República, ter sido realizado o maior escrutínio historiográfico alguma vez feito a este período negro da nossa história, seria natural que os bem-intencionados titulares do regime se envergonhassem um pouco no momento de o festejar: a revolução de 5 de outubro de 1910, definitivamente, não merece quaisquer celebrações num país que pretenda ser civilizado.
Bandeira da Carbonária (organização terrorista secreta republicana)
Mas, porque a memória é curta, atrevo-me a fazer hoje uma pequena síntese daquele período de terror, emergente do feroz regicídio, o assassinato do Rei D. Carlos I e do Príncipe D. Luís Filipe, acicatado pelas mais indecorosas campanhas de propaganda populista pelos extremistas na imprensa livre das cidades de Lisboa e Porto, que fariam corar de vergonha os seus homólogos da atualidade.
Poucos anos antes de 1910, o PRP era um partido sem implantação nacional, só com alguma expressão nos grandes centros urbanos, como acontece atualmente com os partidos da esquerda radical: as suas estruturas paroquiais não funcionavam, e os seus líderes detestavam-se passando o tempo em intrigas e guerras intestinas. Por isso, apesar dum crescimento no reinado de D. Manuel II, entre os anos de 1908/10, o triunfo da República no 5 de Outubro foi recebido com surpresa e incredulidade por quase todo o país, em particular pelos próprios republicanos. São muitos os testemunhos nesse sentido. Os portugueses, ainda mal refeitos do escândalo do regicídio, nem imaginavam o que os esperava.
O facto é que, nos tempos que se seguiram à revolução, foi implantado um dos regimes mais intolerantes e violentos que Portugal alguma vez teve. Com a demissão ou exílio das antigas elites, militares e civis, a aceleração da decadência das instituições, o caos da vida pública, as prisões políticas em massa, os assassinatos, as bombas e tiroteios, a repressão da imprensa livre, materializada na destruição, assalto e violência exercida sobre os jornais e os jornalistas, o processo atingiria píncaros impensáveis a 19 de outubro de 1921.

A Camioneta Fantasma
Nesse dia, um levantamento militar obscuro conhecido por Noite Sangrenta, fez percorrer uma “camioneta-fantasma” por Lisboa em busca de diversas figuras do regime republicano, que foram executadas a sangue-frio por um grupo de marinheiros chefiado pelo cabo Abel Olímpio, homem sinistro conhecido pela alcunha de “Dente d’Ouro”. O País, há muito arrastado pelo chão, afundava-se na lama. Nessa terrível noite, foram assassinados entre outros, o Presidente do Conselho de Ministros, António Granjo, e Machado Santos e Carlos da Maia, “heróis da Rotunda”. A instabilidade política e social que, entre 1910 e 1926, resultou em 45 governos e sete presidentes da República, um dos quais assassinado a tiro (Sidónio Pais), reflete bem um país sem rei nem roque.
Todo este processo de violência e acelerada decadência, a perseguição aos católicos, que eram a grande maioria dos portugueses, os assaltos e encerramentos de jornais, a restrição acentuada do direito de voto, as prisões políticas, a criação da Formiga Branca, e todo o terrorismo patrocinado pelo Estado, contribuiu definitivamente para o golpe militar de 1926 e a emergência do Estado Novo. O silêncio acrítico da maioria da historiografia do Estado Novo quanto ao regime tenebroso que o antecedeu foi por certo um alto preço pago por Salazar para manter o apoio dos republicanos, deste modo postos em sossego.
Piquete da Formiga Branca
Como seria de esperar, as promessas republicanas de delirantes amanhãs que cantavam depressa se revelaram em desavergonhadas mentiras. Desde logo quanto à discriminação da participação política das mulheres na vida pública. De facto, foi a I República que excluiu pela primeira vez as mulheres da vida cívica, ao negar-lhes por lei o direito de voto, depois de a médica Beatriz Ângelo ter alcançado esse intento ao votar nas primeiras eleições republicanas, em 28 de maio de 1911, aproveitando as indefinições existentes no enunciado de uma Lei… da monarquia. Quando se falou do voto feminino pela primeira vez na Assembleia Constituinte de 1911, a sugestão foi recebida com uma frase curta, lacónica, recusando categoricamente a utilidade do voto feminino: “Tem dado lá fora (o alargamento do sufrágio) mau resultado porque as mulheres têm sido quase todas reacionárias” (Atas da Assembleia Nacional Constituinte. Sessão n.º 21, de 14 de Julho de 1911). Na “História da República”, de Raúl Rego, pode ler-se que a legislação de 1913 retirou o voto aos analfabetos e às mulheres, significando isto que “a República, na igualdade dos sexos, voltava sobre si mesma e à discriminação da mulher, anjo do lar”. A “democracia” emergente do 5 de Outubro assentou na redução do eleitorado de 70% para 30% dos homens adultos em Portugal…
Convite para sessão inaugural da Assembleia constituinte – só para homens
Com o 5 de Outubro de 1910 iniciou-se um período de violenta perseguição religiosa em Portugal. A Igreja viveu por esses dias um período de semiclandestinidade durante o qual diversos membros do clero foram sujeitos à prisão, a maus-tratos e à morte. No Natal de 1910, com as Igrejas tomadas pelos republicanos, a Missa do Galo foi celebrada à porta fechada, com acesso limitado, e poucos tinham acesso aos “bilhetes” de entrada distribuídos às escondidas.
Curiosamente, não será coincidência a acrisolada devoção dos republicanos ao Marquês de Pombal, na mesma medida em que tomaram os jesuítas como bodes expiatórios, tão insistentemente perseguidos pela propaganda revolucionária. É sintomático que a reverência ao tirânico primeiro-ministro de Dom José tenha perdurado ao longo das décadas, e a sua estátua, a maior de Lisboa, tenha sido inaugurada em 1934 em pleno Estado Novo. De facto, o Marquês de Pombal, além da perseguição aos jesuítas, era tido por um herói inspirador do Partido Republicano Português. O seu centenário foi celebrado ruidosamente pelo PRP, em 1882, e sobre o déspota foram proclamados os maiores encómios, como este: “A barbaridade, essa era do tempo e nada tem que admirar no supplicio dos Tavoras. O que temos a notar, porem, é que o rigor do ferreo ministro cahia egualmente implacável sobre nobres e plebeus, sobre os poderosos e sobre os parias!”; ou este: “O despotismo, a tyrannia de que se argue Pombal, era imposta pelas necessidades, como o único meio de chegar à liberdade” (M. Emygdio Garcia). Robespierre e Saint-Juste não diriam melhor.

Caricatura de Afonso Costa
Os jesuítas foram impiedosamente acossados, nos dias seguintes à implantação da República, e são sinistros os relatos do jornalista Valentine Williams, correspondente do News-Chronicle que chegara a Lisboa para testemunhar os acontecimentos. O seu relato do bombardeamento e assalto popular ao colégio jesuíta do Quelhas é impressionante, tendo o próprio, ao ser confundido com um padre da Companhia, sido detido, preso por uma corda, arrastado e conduzido à sede do Governo Civil, onde conseguiu identificar-se e ser libertado, não sem antes lhe terem inspecionado a nuca à procura da tonsura. Na sequência do seu testemunho da destruição em curso no Colégio, dirigiu-se ao Ministro dos Negócios Estrangeiros, Bernardino Machado, pedindo-lhe que pusesse cobro à destruição da valiosa biblioteca. A resposta do futuro presidente da República – que curiosamente ou talvez não, não acabou nenhum dos seus dois mandatos – foi lacónica: “A propriedade desses patifes está sequestrada pelo povo Português”, declarou com a solenidade de um mocho. “O povo está no seu direito. Não há nada que eu possa fazer. Bom dia”.
Dos milhares de presos políticos da Primeira República também pouco se fala. Em 1913, já as notícias sobre maus-tratos que lhes eram infligidos tinham transposto fronteiras e conquistado as atenções da opinião pública nos países com mais ascendente sobre a nação lusa. Os grandes órgãos da imprensa britânica, o Times, o Spectator, o MorningPost, reproduziam, com abundância de pormenores, os casos de humilhação, violência, tortura, abuso de poder e tratamento desumano nas prisões portuguesas – a República tinha, por exemplo, adotado o humilhante capuz penitenciário. A Duquesa de Bedford, presidente da Associação de Visitadoras de Prisões, deslocou-se a Portugal nos princípios de 1913 e visitou várias prisões, onde encontrou motivos para um indignado protesto que publicou em Londres. Sobre este assunto aconselha-se vivamente a leitura do livro biográfico Constança Telles da Gama – Fio-de-Prumo, da autoria de Maria João da Câmara, que inclui pungentes testemunhos da selvajaria infligida a todos aqueles, das mais diversas classes sociais (os mais indefesos naturalmente, eram os mais humildes), que foram denunciados e detidos como monárquicos.
São contundentes os números relativos ao ensino, apresentados por Rui Ramos na sua História de Portugal publicada pela Esfera dos Livros: “O número de escolas primárias em funcionamento, que subira de 4.665 em 1901 para 6.412 em 1911, continuava em 6.750 em 1918. A taxa de escolarização, depois de aumentar de 22,1% para 29,3% entre 1900 e 1910, quase estagnou até 1920 (30,3%). Entre 1911 e 1920, o analfabetismo na população maior de 7 anos recuou apenas de 70,2% para 66,2%, isto é, desceu menos que entre 1900 e 1911”. Empenhados em reprimir o país que rebeldemente lhes resistia, cada vez mais miserável, a velha promessa de prover educação ao povo, “e acabar com a acabar com a religião católica em Portugal em duas gerações” – como declarou Afonso Costa, quando era ministro da Justiça e Cultos – poucos resultados teve.
No que respeita à censura e ao controlo da imprensa, o método utilizado na maioria das vezes foi o do empastelamento, do assalto e da destruição dos jornais que se atreviam a confrontar o regime, pela Formiga Branca, uma autêntica polícia política irregular, antecessora da PIDE, que existiu na órbita do Partido Republicano. Durante esse período, o regime estabeleceu formas imaginativas, diretas e eficazes de impedir o acesso do público aos textos críticos ou condenatórios do regime: o uso do assalto, da apreensão, da suspensão, e até da censura sem fundamento legal de jornais ou artigos foi tão frequente e continuado, que, no seu conjunto, constituiu um sistema repressivo sólido e consistente. A estratégia era a sustentação de um regime que não aceitava a contestação dos seus fundamentos, e de uma classe política que não arriscava colocar em jogo a sua permanência no poder. É irónico que os ardinas tenham sido das maiores vítimas da Formiga Branca: quando apanhados viam-se despojados dos jornais, cuja venda era o seu ganha-pão. As correrias dos ardinas, em fuga pelas ruas do Bairro Alto, eram acontecimento quotidiano.

O Ardina a fugir do Guarda Republicano, in Papagaio Real, 1914
Sabemos que os herdeiros dos revolucionários de 1910 subsistem nos dias de hoje em Portugal. Habitam as margens radicais da esquerda portuguesa. Sendo uma minoria, têm exposição e palco desproporcionados à sua verdadeira dimensão. Ainda que muitos o não confessem, sabemos, até porque lemos o que escrevem e ouvimos o que dizem, que dificilmente hesitariam em usar métodos semelhantes se o sistema o permitisse. Mas, mesmo assim, julgo que isso não justifica que não se comece a pensar em reformar o feriado do 5 de outubro, associando-o a um acontecimento capaz de unir e mobilizar os portugueses, o da assinatura do Tratado de Zamora em 1143, consensualmente considerado o momento da fundação da nacionalidade.
O que passou está passado; as feridas, mesmo as mais profundas, estão, para a maioria dos portugueses, já curadas e mesmo esquecidas. Já não há justiça que se possa fazer. Mas ainda podemos ansiar por um futuro mais harmonioso que faça justiça à nossa História comum. Hoje, por esse país fora, em Lisboa, Coimbra e Guimarães, de forma invisível, celebra-se o 5 de outubro bom. Nesse sentido, celebremos 1143 que é de todos e esqueçamos 1910 que foi de muito poucos.
in Observador
Postado por Pedro Luna às 19:10 0 comentários
Marcadores: 1143, 1910, 5 de Outubro, carbonária, I república, Monarquia Constitucional, Tratado de Zamora
Mas dados sobre o que antecedeu a explosão câmbrica da vida...
Evolução animal pode ter começado milhões de anos antes do que se pensava
Uma nova coleção de fósseis descoberta na China pode alterar a cronologia da evolução animal, ao revelar que organismos complexos já existiam milhões de anos antes da chamada explosão câmbrica.
Ilustração do ambiente dos fósseis há cerca de 539 milhões a 554 milhões de anos
A vida na Terra surgiu há cerca de 3,5 mil milhões de anos, mas demorou muito tempo a dar origem à diversidade de organismos que existe hoje. A teoria mais aceite indica que essa diversidade aumentou de forma rápida há cerca de 535 milhões de anos, durante a chamada explosão cambriana, um período marcado pela emergência de muitos dos principais grupos animais atuais.
Uma nova coleção de fósseis descoberta na China sugere, no entanto, que esse processo pode ter começado mais cedo. Num estudo publicado a 2 de abril na revista Science, investigadores descrevem organismos complexos que antecedem o período Câmbrico em milhões de anos.
"Estamos certamente a revelar um quadro mais complexo sobre os primórdios da explosão da diversidade animal e quando isso aconteceu", disse o coautor do estudo, Ross Anderson, paleobiólogo da Universidade de Oxford, à New Scientist.
Lacunas na transição de períodos
A transição entre o período Ediacarano, que decorreu entre há cerca de 635 e 538 milhões de anos, e o período Câmbrico, entre 538 e 485 milhões de anos, continua a ser um dos grandes enigmas da paleontologia.
Os cientistas debatem se a explosão cambriana representou um verdadeiro salto evolutivo ou se resultou de uma história evolutiva mais longa, ainda pouco documentada.
Até agora, os fósseis do Ediacarano mostravam organismos com formas muito diferentes das dos animais atuais e dos que surgem no Câmbrico, o que dificultava estabelecer uma ligação direta entre estes dois períodos.
Os mais de 700 fósseis agora descobertos no sudoeste da China, datados entre há 554 e 539 milhões de anos, podem ajudar a preencher essa lacuna. Entre eles há organismos semelhantes a espécies do Câmbrico, até agora conhecidas apenas a partir de fósseis desse período, bem como formas que combinam características ediacaranas e cambrianas e ainda espécies nunca antes descritas.
“A nossa descoberta preenche uma lacuna importante nas fases iniciais da diversificação animal. Pela primeira vez, demonstrámos que muitos animais complexos, normalmente encontrados apenas no período Câmbrico, estavam presentes no período Ediacarano, o que significa que evoluíram muito mais cedo do que as evidências fósseis demonstravam anteriormente", afirma em comunicado o coautor do estudo, Gaorong Li, paleobiólogo da Universidade de Yunnan, na China.
À esquerda: fóssil semelhante a Haootia da Biota de Jiangchuan (escala: 2 mm) e reconstrução artística. À direita: Fóssil de cambroernídeo deuterostómico da Biota de Jiangchuan (escala: 2 mm) e reconstituição artística.
Simetria bilateral: característica fundamental na evolução animal
Um dos organismos mais comuns, com 185 exemplares identificados, era um animal semelhante a uma minhoca, com cerca do tamanho de um dedo indicador, que possuía um disco usado para se fixar ao fundo do oceano.
Alguns destes organismos apresentavam simetria bilateral, uma característica fundamental na evolução animal, associada à mobilidade, ao desenvolvimento de sistemas nervosos mais complexos e, mais tarde, ao domínio de muitos ecossistemas, explica Frankie Dunn, paleontóloga do Museu de História Natural da Universidade de Oxford e coautora do estudo, à Scientific American.
A maioria dos animais atuais, incluindo os humanos, apresenta este tipo de organização corporal, que se pensava ter surgido sobretudo durante o Câmbrico.
Os investigadores identificaram também possíveis representantes dos deuterostómios mais antigos conhecidos, um grupo que inclui todos os vertebrados. Um dos fósseis corresponde a uma criatura em forma de U, fixada ao fundo marinho, semelhante a organismos extintos do Câmbrico relacionados com as atuais estrelas-do-mar.
Para especialistas externos à investigação, os resultados encaixam naquilo que era esperado.
“Como o período Ediacarano contém animais, sabemos que deve ter havido uma fase de transição entre ele e a fauna do Câmbrico. Mas, até agora, não tínhamos qualquer evidência disso”, afirma Emily Mitchell, paleontóloga da Universidade de Cambridge, à Associated Press.
Parte da equipa de investigação da Universidade de Oxford e da Universidade de Yunnan durante o trabalho de campo em junho de 2024 na secção de Biota de Jiangchuan; da esquerda para a direita: Dr. Wenwen Wen, Professor Peiyun Cong, Dr. Frances Dunn, Professor Associado Luke Parry, Professor Associado Fan Wei e Dr. Gaorong Li
in MSN Notícias
Postado por Fernando Martins às 15:51 0 comentários
Marcadores: Câmbrico, Ediacarano, evolução, explosão câmbrica
Novidades na área da Paleontologia...
Os animais podem ter nascido 200 milhões de anos antes do que os fósseis dizem

Reconstrução artística do fundo do mar na Namíbia, África Ocidental, há 543 milhões de anos
Entre o momento em que os animais surgiram e o primeiro fóssil que deixaram há um buraco negro de 200 milhões de anos. Um novo estudo tenta espreitar lá para dentro.
Os primeiros animais podem ter aparecido na Terra centenas de milhões de anos antes do que os seus fósseis sugerem, sugere um novo estudo.
Até agora, os fósseis de animais mais antigos tinham cerca de 574 milhões de anos e eram do período Ediacariano (635 milhões a 538 milhões de anos).
No novo estudo, publicado na sexta-feira na Science Advances, uma equipa de investigadores defende que não podemos confiar apenas no registo fóssil, cheio de lacunas, e sugere que os animais surgiram até 200 milhões de anos antes dos fósseis de animais mais antigos que se conhecem.
Os autores defendem que a ausência de fósseis de animais em algumas rochas antigas muito bem preservadas não significa que os animais não existissem. Em vez disso, sugerem que falta ao registo fóssil um capítulo-chave da evolução animal, o que pode recuar a origem dos animais para entre 800 e 700 milhões de anos.
Isto colocaria o surgimento dos animais bem dentro da era Neoproterozoica (mil milhões a 539 milhões de anos), talvez antes ou durante algumas das idades do gelo mais extremas da Terra.
Mesmo que os cientistas não tenham encontrado fósseis de animais indiscutíveis do Neoproterozoico, isso não quer dizer que não houvesse animais nessa altura.
Os fósseis podem faltar nas rochas por várias razões: os cientistas podem estar a procurar nos sítios errados, ou as condições não eram as certas para formar fósseis. Isso torna difícil saber quais foram os primeiros animais a evoluir.
“Até essa prova aparecer, a data exata de nascimento do reino animal continua incerta”, disse, Ross Anderson, coautor do estudo e professor associado de história natural na Universidade de Oxford, num comunicado publicado no EurekAlert.
E então, onde estão os animais?
Até agora, a maioria dos investigadores apoiava-se nas rochas bem preservadas do período Ediacariano, como a biota de Weng’an, na China, com cerca de 590 milhões de anos, para estudar quando evoluíram os animais.
Como os depósitos de rocha de lá contêm organismos microscópicos preservados de forma única, mas nenhum fóssil de animal claro, os especialistas trataram-nos por vezes como uma espécie de limite máximo para a data em que os animais poderiam ter surgido.
“O jogo é, basicamente, saber quanto é que isso antecede a nossa primeira descoberta de fósseis, e o que aconteceu nessa caixa negra da evolução entre o momento em que de facto surgiram e aquele em que temos a nossa primeira janela fóssil”, disse à Live Science Karma Nanglu, professor auxiliar de paleobiologia evolutiva na Universidade da Califórnia em Riverside, que não participou no estudo.
Mas os investigadores quiseram saber se outros jazigos de fósseis, de períodos em que já se sabe que havia animais, tinham mesmo provas de fósseis de animais.
Para o descobrir, Anderson e os colegas estudaram mais de 140 amostras da biota de Kheseen, na Mongólia, mais de 40 milhões de anos mais recente do que o depósito da biota de Weng’an, com 590 milhões de anos.
Por ser um depósito mais recente, os investigadores partiram do princípio de que deviam restar na rocha provas de vida animal.
Com microscopia eletrónica de varrimento, viram fósseis microscópicos preservados com um detalhe extraordinário: organismos minúsculos e esféricos e estruturas parecidas com embriões, com células no interior.
Mesmo assim, apesar da qualidade da preservação, os investigadores não conseguiram identificar nenhum dos microfósseis como animal.
E isso é importante: na altura em que a biota de Kheseen se formou, já havia animais noutros pontos da Terra.
“A biota de Kheseen desmonta o argumento de que os microfósseis excecionais de Weng’an significam que teríamos visto fósseis de animais no conjunto, se eles existissem na altura”, disse Anderson. “Os microfósseis de Kheseen estão igualmente bem preservados e, ainda assim, os animais continuam ausentes, apesar de sabermos que, nesse momento, já existiam”.
Os relógios moleculares
Sem provas fósseis, Anderson e os colaboradores recorreram a outro método comum para datar vida antiga: os relógios moleculares.
Este método estima quando se separaram as linhagens evolutivas, ao comparar as diferenças genéticas entre organismos vivos e ao juntar essas diferenças ao ritmo a que os genes mudam.
Por exemplo: se duas espécies de aves têm cinco alterações no ADN, e cada alteração no ADN demora cerca de 1 milhão de anos a acumular-se, os cientistas podem estimar que as duas espécies se separaram há cerca de 5 milhões de anos.
“Os relógios moleculares são úteis quando não temos um registo fóssil particularmente bom para o grupo ou o período que nos interessa”, explica Nanglu.
Quando a análise foi limitada pelo depósito mais recente de Weng’an, a origem estimada dos animais era relativamente recente.
Mas, com limites geológicos mais antigos, a cronologia mudou.
Os autores usaram formações rochosas na Noruega, na Austrália e no Arizona, com cerca de 850 a 730 milhões de anos, que já no passado tinham servido para procurar os primeiros antepassados dos animais. Ao comparar o ADN dos animais atuais com datas de referência do registo fóssil e com os ritmos de evolução, a estimativa recuou cerca de 200 milhões de anos, para entre 800 e 700 milhões de anos.
“Os fósseis corporais de animais pré-Ediacarianos continuam a escapar-nos, e esta análise não prova que existissem animais há 800 milhões de anos”, diz no comunicado o primeiro autor do estudo, Orin Lole Durbin, doutorando em paleobiologia na Virginia Tech, que era estudante na Universidade de Oxford na altura do estudo.
“Entretanto, as nossas análises com relógios moleculares mostram até quando pode recuar a sua história evolutiva”, conclui.
“Os fósseis já estão, por definição, meio escondidos da vista de todos”, diz Nanglu. “Para lá disso, há um mundo ainda mais escondido, e esse mundo tem muito para nos dizer sobre a origem dos animais”.
in Wikipédia
Postado por Fernando Martins às 14:41 0 comentários
Marcadores: Ediacariano, evolução
Prece...
Prece
Senhor, a noite veio e a alma é vil.
Tanta foi a tormenta e a vontade!
Restam-nos hoje, no silêncio hostil,
O mar universal e a saudade.
Mas a chama, que a vida em nós criou,
Se ainda há vida ainda não é finda.
O frio morto em cinzas a ocultou:
A mão do vento pode erguê-la ainda.
Dá o sopro, a aragem - ou desgraça ou ânsia -
Com que a chama do esforço se remoça,
E outra vez conquistaremos a Distância -
Do mar ou outra, mas que seja nossa!
in Mensagem (1934) - Fernando Pessoa
Postado por Pedro Luna às 13:13 0 comentários
Marcadores: 5 de Outubro, Fernando Pessoa, I república, luta, Luto, poesia
Hoje é o dia da profissão mais importante de todas ...
Postado por Fernando Martins às 11:11 0 comentários
Marcadores: Dia Mundial do Professor, professor
Steve Miller comemora hoje 83 anos
Postado por Fernando Martins às 08:30 0 comentários
Marcadores: Abracadabra, blues-rock, hard rock, heartland rock, Rock, rock psicadélico, Steve Miller, Steve Miller Band
Portugal existe há 883 anos...!
(...)
Todavia, não usou, entre 1128 e 1139, o
título de rei, mas de "príncipe" ou de "infante", o que significa,
decerto, que não podia resolver por si próprio a questão da sua
categoria política; isto é, devia admitir que ela dependesse também do
assentimento de Afonso VII, que era, de facto, o herdeiro legítimo de Afonso VI.
Mas também não usou nunca o título de "conde", que o colocaria numa
nítida posição de dependência para com o rei de Leão e Castela.
|
Postado por Fernando Martins às 08:08 0 comentários
Marcadores: D. Afonso Henriques, dinastia de Borgonha, Tratado de Zamora
Bob Geldof nasceu há setenta e cinco anos...!
Postado por Fernando Martins às 07:50 0 comentários
Marcadores: África, Bob Geldof, Boomtown Rats, I Don't Like Mondays, Irlanda, Live Aid, música, pop, Rock
Brian Johnson, o atual vocalista dos AC/DC, celebra hoje 79 anos
O primeiro álbum de Brian com os AC/DC foi Back in Black. Em 1997, Brian gravou com a banda Jackyl a música "Locked and Loaded", e em 2002 escreveu a música "Kill The Sunshine" do álbum Relentless.
![]()
Postado por Fernando Martins às 07:09 0 comentários
Marcadores: AC/DC, Brian Johnson, hard rock, heavy metal, Highway to Hell, música
Russell Mael, o vocalista dos Sparks, comemora hoje 78 anos
in Wikipédia
Postado por Fernando Martins às 07:08 0 comentários
Marcadores: Art Pop, Glam Rock, música, Russell Mael, Sparks, Synth-pop, This Town Ain't Big Enough For Both Of Us
Porque hoje é preciso um Fado para recordar uma data triste...
Fado do Embuçado - João Ferreira Rosa
Noutro tempo a fidalguia
Que deu brado nas toiradas
Andava p'la mouraria
Em muito palácio havia
Descantes e guitarradas
E a história que eu vou contar
Contou-ma certa velhinha
De uma vez que eu fui cantar
Ao salão de um titular
Lá p'ró paço da rainha
E nesse salão dourado
De ambiente nobre e sério
Para ouvir cantar o fado
Ia sempre um embuçado
Personagem de mistério
Mas certa noite houve alguém
Que lhe disse erguendo a fala
Embuçado, nota bem, que hoje não fique ninguém
Embuçado nesta sala!
E ante admiração geral
Descobriu-se o embuçado
Era El-Rei de Portugal, houve beija-mão real
E depois cantou-se o fado
Postado por Pedro Luna às 05:10 0 comentários
Marcadores: 5 de Outubro, Fado do Embuçado, I república, João Ferreira Rosa, música
Hoje é preciso ver Monty Python...
Postado por Pedro Luna às 05:07 0 comentários
Marcadores: Eric Idle, Graham Chapman, Humor, John Cleese, Michael Palin, Ministry of Silly Walks, Monty Python, Monty Python's, Reino Unido, Terry Gilliam, Terry Jones
Jacques Offenbach morreu há 146 anos...
NOTA: como antigo escuteiro do Agrupamento 347 (São Jorge), é sempre uma alegria ouvir o <i>can-can</i>...
Robert Goddard, um dos pais da aeronáutica, nasceu há 144 anos...
Postado por Fernando Martins às 01:44 0 comentários
Marcadores: aeronáutica, conquista espacial, foguetão, Goddard, Robert Goddard, USA
A imposição da república foi há 116 anos

Postado por Fernando Martins às 01:16 0 comentários
Marcadores: 5 de Outubro, carbonária, I república, Monarquia Constitucional
Os Monty Python fazem hoje cinquenta e sete anos

Originalmente composto por Eric Idle, Graham Chapman, John Cleese, Michael Palin, Terry Jones, jovens atores britânicos que implementaram um novo estilo de texto e representação, marcadamente anárquico e pautado pelo completo surrealismo das cenas. Também contavam com Terry Gilliam, cartunista que trabalhara na revista Mad.
O grupo também contava com Carol Cleveland, Neil Innes e alguns outros atores, todos tendo participações menores. Também esteve em alguns sketches Connie Booth, ex-mulher de John Cleese.
De igual modo, fizeram participações especiais celebridades como Steve Martin, Douglas Adams (autor da série À Boleia Pela Galáxia), Rowan Atkinson (ator que interpreta Mr. Bean) e os ex-beatles Ringo Starr e George Harrison.
Postado por Fernando Martins às 00:57 0 comentários
Marcadores: Always Look On The Bright Side Of Life, Eric Idle, Graham Chapman, Humor, John Cleese, Michael Palin, Monty Python, Monty Python's, Reino Unido, Terry Gilliam, Terry Jones




