sexta-feira, setembro 04, 2026

Hoje é dia para ouvir Beyoncé...!

Anton Bruckner nasceu há duzentos e dois anos...

   
Anton Bruckner (Ansfelden, 4 de setembro de 1824 - Viena, 11 de outubro de 1896) foi um compositor austríaco, conhecido primeiramente pelas suas sinfonias, missas e motetos. As primeiras são consideradas emblemáticos do estágio final do romantismo austro-germânico por causa de sua rica linguagem harmónica, caráter fortemente polifónico e extensão considerável. As composições de Bruckner ajudaram a definir o radicalismo musical contemporâneo, devido a suas dissonâncias, modulações despreparadas e harmonias itinerantes.

Atuou como professor de escola e organista, e foi nessa qualidade que trabalhou em Linz, até se mudar em 1868 para Viena, para ensinar harmonia, contraponto e órgão no Conservatório de Viena. O seu sucesso como compositor não foi constante ao longo da sua vida, sendo a sua aceitação muitas vezes condicionada pela sua própria insegurança e as suas partituras traziam problemas editoriais, devido à sua prontidão em revê-las e alterá-las. Bruckner continuou a tradição austríaco-germânica de composição em grande escala, sendo a sua técnica de composição influenciada pela sua destreza como organista e consequentemente a improvisação formal. A sua sinfonia mais popular é a n.º 4 em mi bemol maior, também conhecida como "Romântica".

O seu estilo musical foi influenciado pelo seu compositor preferido e amigo próximo, o alemão Richard Wagner. Anton Bruckner classifica-se como uma espécie de Richard Wagner instrumental, de maneira que Bruckner seria para a música instrumental o que Wagner foi para música vocal.

  
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Darius Milhaud nasceu há 134 anos...

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Darius Milhaud (Marselha, 4 de setembro de 1892Genebra, 22 de junho de 1974) foi um compositor e professor francês, um dos mais prolíficos do século XX. A sua obra é conhecida por conciliar o uso da politonalidade (múltiplas tonalidades ao mesmo tempo) e do jazz. Fez parte do influente Grupo dos Seis.

   
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Edvard Grieg morreu há 119 anos...

   

Edvard Hagerup Grieg (Bergen, 15 de junho de 1843 - Bergen, 4 de setembro de 1907) é o mais célebre compositor norueguês, um dos mais célebres do período romântico e do mundo. As suas peças mais conhecidas são a suite sinfónica Holberg, o concerto para piano e a suíte Peer Gynt.
    
Como outros grandes compositores, Edvard Grieg demonstrara desde muito novo um excecional talento musical. Começou a sua aprendizagem com a mãe, sobretudo no piano, aos seis anos de idade. Na adolescência, foi influenciado por Mozart, Weber e Chopin. A suas primeiras composições datam de 1857.
O célebre violinista norueguês Ole Bull apercebeu-se dos dotes do jovem Edvard e este foi enviado para o conservatório de Leipzig. Aí teve uma rica e proveitosa experiência no meio musical. Trabalhava com importantes músicos como Carl Reinecke, Louis Plaidy, Ernst Ferdinand Wenzel e Ignaz Moscheles e ouvia música como a interpretação de Clara Schumann do concerto para piano de seu marido, Robert Schumann.
Porém, Edvard Grieg sentia-se insatisfeito com o que aprendera. Em 1863 parte para Copenhaga, para estudar com o maior representante da música escandinava, o compositor Niels Gade, continuando ainda assim a duvidar do que aprendera. Em 1864, após conhecer o nacionalista norueguês Rikard Nordraak, compositor do atual hino nacional da Noruega, seguiu uma nova corrente estilística, de inspiração folclórica. As fontes folclóricas norueguesas passaram a ser parte essencial de sua obra, tornando-se Grieg um dos grandes expoentes da música nacionalista, sempre lutando contra o domínio da música alemã, cujos principais representantes eram Robert Schumann e Félix Mendelssohn.
Como compositor reconhecido, Grieg promoveu a música norueguesa através de concertos e aulas. Em 1865 compõe a primeira sonata para piano e as célebres Peças Líricas entre muitas outras obras. Tornou-se regente da Harmoniske Seleskab e foi um dos fundadores da Christiania Musikforening (1871). Tanto a qualidade como a quantidade de obras que compõe levam-no a uma posição de destaque no contexto musical. Grieg acabaria por se tornar no mais forte expoente da cultura musical escandinava. Em 1906, quando esteve em Londres, quis conhecer o pianista e compositor australiano Percy Grainger. Grainger era um grande admirador de Grieg e uma enorme empatia estabeleceu-se entre ambos os músicos.
Pioneiro na utilização impressionista da harmonia e da sonoridade ao piano, recebeu apoio de Franz Liszt, seu grande amigo e incentivador. Falece na sua cidade natal, Bergen, a 4 de setembro de 1907, por causa de uma doença pulmonar que o acompanhou desde a juventude.
    
 

José Luís Peixoto comemora hoje cinquenta e dois anos

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José Luís Peixoto (Galveias, Ponte de Sor, 4 de setembro de 1974, Portugal), é um escritor, dramaturgo e poeta português, cuja primeira obra foi publicada em 2000. 
 
Filho de José João Serrano Peixoto, José Luís Peixoto nasceu na vila de Galveias, no Alto Alentejo, onde viveu até aos 18 anos, idade em que foi estudar para a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Após terminar a sua licenciatura, em Línguas e Literaturas Modernas, na variante de estudos ingleses e alemães, foi professor em várias escolas portuguesas e na Cidade da Praia, em Cabo Verde. Em 2001, dedicou-se profissionalmente à escrita.  

Com apenas 27 anos, José Luís Peixoto foi o mais jovem vencedor de sempre do Prémio Literário José Saramago. Desde esse reconhecimento, a sua obra tem recebido amplo destaque nacional e internacional. Os seus livros estão traduzidos e publicados em 26 idiomas. Foi o primeiro autor de língua portuguesa a ser traduzido e publicado na Arménia (Morreste-me, 2019), na Geórgia (Galveias, 2017) e na Mongólia (A Mãe que Chovia, 2016).

Morreste-me foi escolhido como um dos 10 livros da primeira década do século XXI pela revista Visão. Nas mesmas condições, Nenhum Olhar foi escolhido como um dos livros da década pelo jornal Expresso.

Nenhum Olhar foi incluído na lista do Financial Times dos melhores romances publicados em Inglaterra em 2007, tendo também sido incluído no programa Discover Great New Writers das livrarias americanas Barnes & Noble.

A sua obra tem sido abundantemente adaptada para espetáculos e obras artísticas de diversos géneros.

Tem sido colunista de vários órgãos da imprensa portuguesa, como é o caso do Jornal de Letras ou das revistas Visão, GQ, Time Out, Notícias Magazine, UP, entre outras.

   
   
 
   
um dia, quando a ternura for a única regra da manhã
   
      
um dia, quando a ternura for a única regra da manhã,
acordarei entre os teus braços. a tua pele será talvez demasiado bela.
e a luz compreenderá a impossível compreensão do amor.
um dia, quando a chuva secar na memória, quando o inverno for
tão distante, quando o frio responder devagar com a voz arrastada
de um velho, estarei contigo e cantarão pássaros no parapeito da
nossa janela. sim, cantarão pássaros, haverá flores, mas nada disso
será culpa minha, porque eu acordarei nos teus braços e não direi
nem uma palavra, nem o princípio de uma palavra, para não estragar
a perfeição da felicidade. 
 


José Luís Peixoto

Lacey Sturm, vocalista dos Flyleaf, nasceu há quarenta e cinco anos


   

Lacey Nicole Sturm (Daytona Beach, Flórida, 4 de setembro de 1981), antes conhecida pelo nome de solteira de Lacey Mosley, é a cofundadora, vocalista e principal compositora da banda de metal alternativo Flyleaf. Ela revelou numa entrevista que as suas principais influências são Nirvana, Metallica e Pantera.
   
 

Beyoncé - 45 anos

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Beyoncé Giselle Knowles Carter (Houston, 4 de setembro de 1981), mais conhecida simplesmente como Beyoncé, é uma cantora, compositora, atriz, dançarina, coreógrafa, arranjadora vocal, produtora, diretora de vídeo e empresária norte-americana, nascida e criada em Houston, Texas.
 
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Georges Simenon, o criador da personagem Comissário Maigret, morreu há trinta e sete anos...


Georges Joseph Chistian Simenon
(Liège, 13 de fevereiro de 1903 - Lausanne, 4 de setembro de 1989) foi um escritor belga de língua francesa.
Foi um romancista de uma fecundidade extraordinária: escreveu 192 romances, 158 novelas, alem de obras autobiográficas e numerosos artigos e reportagens sob seu nome e mais 176 romances, dezenas de novelas, contos e artigos sob 27 pseudónimos diferentes.
As tiragens acumuladas de seus livros atingem mais de 500 milhões de exemplares. É o autor belga (e o quarto autor de língua francesa) mais traduzido em todo o mundo.
O seu personagem mais famoso é o Comissário Maigret, que participa em 75 novelas e 28 contos.
   
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Maigret (1966), escultura de Pieter d'Hont em Delfzijl
  

James Bay faz hoje trinta e seis anos

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James Bay (Hitchin, Hertfordshire, 4 September 1990) is a British singer-songwriter and guitarist. In 2014, he released his single "Hold Back the River", which has been certified platinum, before releasing his debut studio album Chaos and the Calm (2015). The album went to number one in the UK and number 15 in the US. In February 2015, Bay received the Brit Awards "Critics' Choice" award. At the 2016 Brit Awards he received the award for Best British Male Solo Artist. Bay also received three nominations at the 2016 Grammy Awards, for Best New Artist, Best Rock Album, and Best Rock Song. In May 2018, he released his second studio album, Electric Light
 
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Danny Worsnop, vocalista dos We Are Harlot e Asking Alexandria celebra hoje 36 anos

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Daniel (Danny) Robert Worsnop (Yorkshire, 4 de setembro de 1990), mais conhecido como Danny Worsnop, é um cantor e compositor britânico, vocalista da banda de rock inglesa Asking Alexandria. Tem uma carreira a solo no country e é vocalista do supergrupo americano de hard rock We Are Harlot.

Danny co-fundou os Asking Alexandria com o guitarrista Ben Bruce, em 2008. A banda já lançou seis álbuns de estúdio, dois EP, um álbum de remixes e uma curta-metragem. Ele já trabalhou com artistas como I See Stars, com One Last Breath, Memphis May Fire e Breathe Carolina, fornecendo vocais em diversas canções. Com o passar do tempo, Danny veio tendo mudanças no seu vocais limpos e guturais, tendo um vocal agressivo e profundo de metalcore no início de sua carreira, hoje tendo um alcance vocal drive alto e rouco, mais voltado para o hard rock.

 
 

Música com poema de aniversariante de hoje...

 

Três tristes tigres - Galanteio

Letra de Regina Guimarães e música de Ana Deus e Alexandre Soares

 

Tu que vento semeias vento colhes
Para que o ar se respire
No ficar
No fugir
No ficar

Tu que mudança escolheste
Talvez dança
Misturando tempestade com bonança
No virar
No cair
No virar

Tu que me és sótão
Portanto não me caves
Caçador de ursas
Maiores
No visar
E atingir
No visar

Faz deste parco momento
Um passado suficiente
P'ra se tornar presente
Fora do espaço e do tempo
Faz deste parco momento
Um passado suficiente
P'ra se tornar presente
Fora do espaço e do tempo

Tu semeias mas só olhos colherás
Rapariga dentro de rapaz
No pensar a dobrar
No pensar a dobrar
No pensar a dobrar

Faz deste parco momento
Um passado suficiente
P'ra se tornar presente
Fora do espaço e do tempo

Faz deste parco momento
Um passado suficiente
P'ra se tornar presente
Fora do espaço e do tempo
Faz deste parco momento
Um passado suficiente
P'ra se tornar presente
Fora do espaço e do tempo

quinta-feira, setembro 03, 2026

Saudades de Freddie King...

São Gregório Magno foi eleito Papa há 1436 anos

São Gregório, por Francisco de Zurbarán
   
Papa Gregório I (em latim: Gregorius I), O.S.B., conhecido como Gregório Magno ou Gregório, o Grande, foi papa entre 3 de setembro de 590 e a sua morte, a 12 de março de 604, sendo conhecido principalmente pelas suas obras, mais numerosas que as de seus predecessores. Gregório é também conhecido como Gregório, o Dialogador, na Ortodoxia, por causa de seus "Diálogos" e é por isso que seu nome aparece em algumas obras listado como "Gregório Dialogus". Foi o primeiro papa a ter sido monge (da Ordem de São Bento ou Ordem Beneditina) antes do pontificado.
Gregório é reconhecido como um Doutor da Igreja e um dos Padres latinos. É também venerado como santo por católicos, ortodoxos, anglicanos e alguns luteranos. Foi canonizado assim que morreu, por aclamação popular, como era o costume. O reformador protestante João Calvino admirava Gregório e declarou nos seus "Institutos" que ele teria sido o "último bom papa".
    
 (...)
   
A principal forma de cantochão ocidental, padronizada no final do século IX, é creditada ao papa Gregório Magno e, por isso, recebeu o nome de "canto gregoriano". Esta atribuição remonta à hagiografia de Gregório escrita por João, o Diácono, em 873, quase três séculos depois de sua morte, segundo a qual o canto que leva seu nome "é o resultado da fusão de elementos romanos e francos ocorrida durante o império franco-germânico controlado por Pepino, Carlos Magno e seus sucessores"
  
 

 
 

Freddie King nasceu há noventa e dois anos...

  
Freddie King (Chicago, 3 de setembro de 1934 – Dallas, 28 de dezembro de 1976) foi um músico, cantor e guitarrista de blues, mais conhecido por suas músicas "Hide Away", "Have You Ever Loved a Woman" e "Going Down". Foi considerado o 15º melhor guitarrista do mundo pela revista norte-americana Rolling Stone.
King nasceu como Frederick Christian em Gilmer, Texas. A sua mãe era Ella May King e o seu pai J.T. Christian. A sua mãe e o seu tio começaram a ensiná-lo a tocar guitarra aos seis anos. Ele gostou e imitou a música de Lightnin' Hopkins e do saxofonista Louis Jordan.
Em 1950, Freddie foi, com a sua família, para o sul de Chicago. Lá, aos 16 anos, costumava frequentar bares locais e ouvia músicos como Muddy Waters, Howlin' Wolf, T-Bone Walker, Elmore James, e Sonny Boy Williamson.
King tocava com uma palheta plástica de polegar e uma palheta de metal para o indicador. Ele atribuiu a Eddie Taylor os ensinamentos sobre o uso das palhetas. A maneira de King usar a alça da guitarra no ombro direito, sendo dextro, era única para sua época. Freddie King era um dos artistas principais da cena do chamado Chicago blues dos anos 50 e 60, que era o local e época principal no desenvolvimento do chamado blues elétrico.
Em 1976 Freddie King morre, de problemas cardíacos, em Dallas, aos 42 anos. Primeiro entre os três grandes "Kings" do blues a deixar-nos, sendo os outros dois Albert King (falecido em 1992) e BB King (falecido em 2015). Eric Clapton, que fez com ele um tour entre 1974 e 1975, chegou a declarar: "Freddie King foi quem me ensinou como fazer amor com uma guitarra". 
 
 

Irene Papas nasceu há 97 anos...

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Irene Papas or Irene Pappas; born Eirini Lelekou (Greek: Ειρήνη Λελέκου, romanized: Eiríni Lelékou); Chiliomodi, Corinthia, 3 September 1929 – Chiliomodi, Corinthia, 14 September 2022) was a Greek actress and singer who starred in over 70 films in a career spanning more than 50 years. She gained international recognition through such popular award-winning films as The Guns of Navarone (1961), Zorba the Greek (1964) and Z (1969). She was a powerful protagonist in films including The Trojan Women (1971) and Iphigenia (1977). She played the title roles in Antigone (1961) and Electra (1962). She had a fine singing voice, on display in the 1968 recording Songs of Theodorakis.

Papas won Best Actress awards at the Berlin International Film Festival for Antigone and from the National Board of Review for The Trojan Women. Her career awards include the Golden Arrow Award in 1993 at Hamptons International Film Festival, and the Golden Lion Award in 2009 at the Venice Biennale

 

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Career
Papas began her early career in Greece (she was discovered by Elia Kazan), achieving widespread fame there, before starring in internationally renowned films such as The Guns of Navarone and Zorba the Greek, and critically acclaimed films such as Z and Electra. She is a leading figure in cinematic transcriptions of ancient tragedy since she has portrayed Helen in The Trojan Women, Clytemnestra in Iphigenia, and the eponymous parts in Electra and Antigone. She appeared as Catherine of Aragon in the film Anne of the Thousand Days, opposite Richard Burton and Geneviève Bujold in 1969. She co-starred in The Trojan Women with Katharine Hepburn, who once said that Papas was "one of the best actresses in the history of cinema".
In 1976, she starred in the film Mohammad, Messenger of God (also known as The Message) about the origin of Islam, and the message of Mohammad. One of her last film appearances was in Captain Corelli's Mandolin.
In 1978, Papas collaborated with composer Vangelis in an electronic rendition of eight Greek folk songs, issued as a record called "Odes". They collaborated again in 1986 for "Rhapsodies", an electronic rendition of seven Byzantine liturgical hymns.
In 1982, she appeared in the film Lion of the Desert, together with Anthony Quinn, Oliver Reed, Rod Steiger, and Sir John Gielgud.

Singer
In 1969 on the RCA label a vinyl LP (INTS 1033) "Irene Papas Songs of Theodorakis" This has eleven songs all sung in Greek but with sleeve notes written in English by Michael Cacoyannis.
One of the more unusual moments in Papas' career came in 1970, when she guested on the album 666 by Greek rock group Aphrodite's Child on the track "∞" (infinity). She chants "I was, I am, I am to come" repeatedly and wildly over a percussive backing. The track was considered lewd by record company executives, and resulted in the album being withheld from release for two years by Polydor Records. Upon its release in 1972, the song caused some furor in Greece and was again accused of lewdness and indecency by Greek religious figures and government authorities.
In 1979, Polydor released her solo album entitled Odes, with music performed (and partly composed) by Vangelis Papathanassiou (also previously a member of Aphrodite's Child). The words for the album were co-written by Arianna Stassinopoulos (Arianna Huffington).
In 1986 Papas released a further album in collaboration with Vangelis, entitled Rhapsodies.
A further CD Irene Pappas sings Mikis Theodorakis was officially released only in 2006 on the FM label, but a wider selection of the songs, all sung in Greek, had been circulating as bootleg tapes for many years. Papas was known to Mikis Theodorakis as early as 1964 from working with him on Zorba the Greek. Some of the songs, performed with passion and skill by Papas, have a Zorba-like quality, e.g. Αρνηση (Denial, on the CD) and Πεντε Πεντε Δεκα (Five Five Ten, not on the CD), so it seems likely they date from soon after 1964. The Theodorakis songs sound more like traditional Greek Bouzouki music than the Vangelis works.
 
Personal life

In 1947 she married the film director Alkis Papas; they divorced in 1951. In 1954 she met the actor Marlon Brando and they had a long love affair, which they kept secret at the time. Fifty years later, when Brando died, she recalled that "I have never since loved a man as I loved Marlon. He was the great passion of my life, absolutely the man I cared about the most and also the one I esteemed most, two things that generally are difficult to reconcile". Her second marriage was to the film producer José Kohn in 1957; that marriage was later annulled. She was the aunt of the film director Manousos Manousakis and the actor Aias Manthopoulos.

In 2003 she served on the board of directors of the Anna-Marie Foundation, a fund which provided assistance to people in rural areas of Greece. In 2013 she began to suffer from Alzheimer's disease. Papas spent her final years in Chiliomodi. She died there on 14 September 2022, at the age of 93.

 

Al Jardine nasceu há 84 anos

  
Alan Charles "Al" Jardine (Lima, 3 de setembro de 1942) é um dos membros fundadores, guitarrista e um dos vocalistas da banda norte-americana The Beach Boys.
A sua família mudou-se de Ohio para San Francisco e mais tarde para Hawthorne, onde, na escola, o então colega de turma Brian Wilson o convidou para participar da banda The Beach Boys.
Após a sua saída precoce da banda, em 1962, trabalhou na indústria na aérea de Los Angeles e foi substituído por David Marks. Jardine regressou à banda em 1963 apenas como substituto, depois voltou a ser membro oficial da banda, com a saída de Marks.
Jardine cantou canções como "Help Me, Rhonda" "Vegetables" "Then I Kissed Her" e "Transcendental Meditation" e dividia os vocais com os outros membros noutras.
Começando com o LP "Friends", Jardine também escreveu ou co-escreveu uma série de músicas para a banda. A mais notável provavelmente foi "California Saga: California" do álbum Holland.
A canção "Lady Lynda", que foi uma versão de "Jesu, Joy of Man's Desiring", foi um dos maiores hits da banda fora dos EUA.
Jardine deixou de fazer shows com os The Beach Boys em 1998, quando Carl Wilson morreu de cancro do pulmão.
Em 2006, por ocasião do 40º aniversário do álbum Pet Sounds, ele apresentou-se com o grupo em turnê comemorativa. Em 2008, Mike Love fez uma queixa nos tribunais, pelo uso não autorizado do nome Beach Boys, já que havia formado um grupo chamado Beach Boys Family & Friends, em seguida renomeado como Al Jardine, Family & Friends.
   
 

Eduardo Galeano nasceu há 86 anos...


Eduardo Germán María Hughes Galeano (Montevideo, 3 de septiembre de 1940 - Montevideo, 13 de abril de 2015) fue un periodista y escritor uruguayo, considerado uno de los escritores más influyentes de la izquierda latinoamericana.

Sus libros más conocidos, Las venas abiertas de América Latina (1971) y Memoria del fuego (1986), han sido traducidos a veinte idiomas. Sus trabajos trascienden géneros ortodoxos y combinan documental, ficción, periodismo, análisis político e historia

 

Biografia

Galeano nasceu em 3 de setembro de 1940 em Montevidéu, primeiro dos três filhos de Eduardo Hughes Roosen e de Licia Esther Galeano Muñoz, uma família católica de classe média alta. Seu pai era funcionário do Ministério da Pecuária e bisneto de um inglês dono de uma fazenda de 15.000 hectares em Paysandú. Licia era descendente do primeiro presidente do Uruguai, Fructuoso Rivera.

Na infância, Galeano tinha como certo que se tornaria padre, devido a importância da fé católica em sua vida. Todavia, perdeu a religiosidade aos treze anos de idade, quando afirmou ter perdido Deus. Também tinha o sonho de se tornar um jogador de futebol. Na adolescência, trabalhou em empregos nada usuais, como pintor de letreiros, mensageiro, datilógrafo e caixa de banco. Abandonou a Escola Erwy Britânica no segundo ano e aos 14 anos, vendeu sua primeira charge política para o jornal El Sol, do Partido Socialista.

Embora nunca tenha retornado à educação formal, continuou a se educar por meio de conversas com a política e historiadora uruguaia Vivian Trías e em conversas e discussões em cafés, especialmente no Café Brasilero, que se tornaria seu favorito e onde se tornaria frequentador assíduo, exceto pelos anos que passou no exílio. Também estudou com o advogado socialista argentino Enrique Broken, que lhe deu aulas particulares. Aos 17 anos, Galeano já havia lido a Bíblia e O Capital.

Aos 19 anos, tentou o suicídio. Depois desse episódio, decidiu se dedicar à escrita. Pediu demissão do emprego de banqueiro e se estabeleceu em Buenos Aires, onde trabalhou para a revista Che, financiada pelo Partido Comunista Argentino e por uma agremiação de diversos grupos progressistas. Retornando a Montevidéu, Galeano iniciou a sua carreira jornalística no início da década de 60 como editor do Marcha, influente jornal semanal que tinha como colaboradores Mario Vargas Llosa e Mario Benedetti. Durante esse período, passou um tempo na casa do escritor uruguaio Juan Carlos Onetti. Em 1963, publicou seu primeiro livro, o romance curto "Os Dias Seguintes". Em outubro daquele ano, viajou para a China; ao retornar, escreveu seu primeiro livro de não ficção: "China 1964, Crónica de um Desafio". Entre 1965 e 1973 foi diretor do Departamento de Publicações da Universidade da República. Em 1971 escreveu sua obra-prima As Veias Abertas da América Latina.

Entre o final dos anos 60 e começo da nova década, Galeano passou uma longa temporada no Rio de Janeiro, e a partir daí ele se tornou um visitante frequente. O seu primeiro texto foi traduzido no Brasil em 1974.

Em 1973, com o golpe militar no Uruguai, Galeano foi preso e depois exilado. O seu livro As veias abertas da América Latina foi censurado pelas ditaduras do Uruguai, Argentina e Chile, por isso foi viver na Argentina, onde fundou a revista cultural Crisis, na qual colaborou com o poeta e jornalista Juan Gelman.

Em 1975, Galeano recebeu o Prémio Casa de las Américas pelo seu romance La canción de nosotros. Em 1976, a Argentina também passou pelo golpe militar do general Videla e o seu nome foi parar nas listas dos esquadrões da morte. Assim, ele voou para a Espanha, onde escreveu sua famosa trilogia Memória do Fogo (uma revisão da história da América Latina) em 1984, considerada sua maior obra. Durante esses anos, ele passou um período em Estocolmo como parte do tribunal internacional ocupado pela invasão soviética do Afeganistão em 1979. A esse respeito, ele comentou que lhe parecia que um dos momentos culminantes das sessões era quando um alto líder religioso, já idoso, exclamou: "Os comunistas desonraram nossas filhas! Eles as ensinaram a ler e escrever!"

Em 1985, com a redemocratização de seu país, Galeano retornou a Montevidéu, onde viveu até à sua morte. Ali, juntamente com Mario Benedetti, Hugo Alfaro e outros jornalistas e escritores que haviam trabalhado para o semanário Marcha, fundou a Brecha, da qual permaneceu membro do conselho consultivo até à sua morte. Também escreveu colunas para jornais de outros países.  Entre 1987 e 1989, foi membro da Comissão Nacional do Referendo, criada para revogar a Lei de Caducidade da Pretensão Punitiva do Estado, promulgada em dezembro de 1986 para impedir o julgamento de crimes contra a humanidade cometidos durante a ditadura militar em seu país (1973-1985).

O escritor foi casado três vezes: primeiro com Silvia Brando, com quem teve Verónica Hughes Brando; depois com Graciela Berro Rovira, mãe de Florencia e Claudio Hughes Berro; e por fim com Helena Villagra, com quem teve Mariana.

Em 10 de fevereiro de 2007, Galeano passou por uma operação bem-sucedida para tratar um cancro do pulmão.

Galeano foi internado dia 10 de abril e morreu próximo das 09.00 horas em 13 de abril de 2015, em Montevidéu, de cancro no mediastino, após o tumor provocar metástases. Ele foi cremado e as suas cinzas espalhadas no Rio da Prata.

 

in Wikipédia

 

ESTRANGEIRO

 

Num jornal do bairro do Raval, em Barcelona, uma mão anónima escreveu:

O teu deus é judeu, a tua música é negra, o teu carro é japonês, a tua pizza é italiana, o teu gás é argelino, a tua democracia é grega, os teus números são árabes, as tuas letras são latinas. Eu sou teu vizinho. E ainda me chamas estrangeiro?

 

 Eduardo Galeano

 



Na parede de uma taberna de Madrid, um cartaz avisa: Proibido cantar. Na parede do aeroporto do Rio de Janeiro, um aviso informa: É proibido brincar com os carrinhos porta-bagagem. Ou seja: ainda existe gente que canta, ainda existe gente que brinca.

 

Eduardo Galeano

Steve Jones, guitarrista dos Sex Pistols, nasceu há setenta e um anos

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/11/Steve_Jones_-_Sex_Pistols_2025-2.jpg/500px-Steve_Jones_-_Sex_Pistols_2025-2.jpg?utm_source=en.wikipedia.org&utm_campaign=imageinfo&utm_content=thumbnail

Stephen Philip Jones (Shepherd's Bush, London, 3 September 1955) is an English guitarist, best known as a member of the punk band Sex Pistols. Following the split of the Sex Pistols, he formed the Professionals with former bandmate Paul Cook. He has released two solo albums, and worked with Johnny Thunders, Iggy Pop, Cheap Trick, Bob Dylan and Thin Lizzy. In 1995, he formed the short-lived supergroup Neurotic Outsiders with members of Guns N' Roses and Duran Duran. Jones was ranked #97 in Rolling Stone's 2015 list of the "100 Greatest Guitarists of All Time".

 

Jones (right) with the Sex Pistols in 1977

 

in Wikipédia

 

e. e. cummings morreu há 63 anos...

https://thumb.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/3/3b/E._E._Cummings_NYWTS.jpg/330px-E._E._Cummings_NYWTS.jpg?utm_source=pt.wikipedia.org&utm_campaign=imageinfo&utm_content=thumbnail
      
Edward Estlin Cummings, usualmente abreviado como e. e. cummings, em minúsculas, como o poeta assinava e publicava, (Cambridge, Massachusetts, 14 de outubro de 1894 - North Conway, Nova Hampshire, 3 de setembro de 1962) foi poeta, pintor, ensaísta e dramaturgo norte-americano. Tendo sido, principalmente, poeta, é considerado um dos principais inovadores da linguagem da poesia e da literatura no século XX.

   
  

I Like My Body When It Is With Your

i like my body when it is with your
body. It is so quite new a thing.
Muscles better and nerves more.
i like your body.  i like what it does,
i like its hows.  i like to feel the spine
of your body and its bones,and the trembling
-firm-smooth ness and which i will
again and again and again
kiss, i like kissing this and that of you,
i like, slowly stroking the,shocking fuzz
of your electric furr,and what-is-it comes
over parting flesh….And eyes big love-crumbs,

and possibly i like the thrill

of under me you so quite new

 

e. e. cummings

Perry Bamonte nasceu há 66 anos...

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/b/b2/PerryBamonte-6-29-23-Amalie_Arena-Tampa%2C_FL.jpg/500px-PerryBamonte-6-29-23-Amalie_Arena-Tampa%2C_FL.jpg?utm_source=en.wikipedia.org&utm_campaign=imageinfo&utm_content=thumbnail

 

Perry Archangelo Bamonte (London, 3 September 1960 - 24 December 2025) was an English musician and artist, best known as a guitarist and keyboardist for the Cure from 1990 to 2005, and again from 2022 to 2025. He was also the bassist for Love Amongst Ruin

 

Biography

Bamonte was born in London, England. His older brother Daryl worked as a tour manager for The Cure and Depeche Mode, and via this connection Perry joined the Cure's road crew in 1984. He eventually became the guitar tech and personal assistant for group leader Robert Smith. Already a guitarist, during this period Bamonte was taught to play piano and keyboards by Smith's sister Janet. When keyboardist Roger O'Donnell left the Cure in 1990, Bamonte was promoted to a full member of the band, playing both keyboards and guitar regularly, as well as six-string bass and percussion occasionally.

Bamonte's first album with the Cure was Wish in 1992, and he remained with the band for their next three albums. Due to the departure of guitarist Porl Thompson and the return of Roger O'Donnell during this period, Bamonte's duties for the band shifted to a stronger focus on guitar and less on keyboards. In 2005, Bamonte and O'Donnell were dismissed by Smith, who reportedly wanted to reinvent the band as a three-piece. Despite the abrupt dismissal and the lack of an official statement describing the reason, Bamonte and Smith remained on amicable terms.

Bamonte kept a low profile for several years, devoting his time to fly fishing and a career as an illustrator. He regularly contributed content and illustrations for the magazine Fly Culture. He lived in Devon with his wife Donna, who rehabilitated and retrained racehorses. They also ran a retirement home for elderly horses.

In 2012 he joined the supergroup Love Amongst Ruin as bassist and appeared on their 2015 album Lose Your Way. In 2019, Bamonte was inducted into the Rock and Roll Hall of Fame as a member of the Cure. In a move that had not been previously announced, Bamonte rejoined the Cure in 2022 for their extensive Shows of a Lost World tour. He performed in around 400 shows during his stint with the Cure.

Bamonte died after a short illness at home in the southwest of England, on 24 December 2025, at the age of 65. He is survived by his wife Donna.

 

in Wikipédia

 

Saudades de Alan Christie Wilson...

Porque hoje é dia de recordar um Poeta...

 

Serenidade És Minha (À Memória de Fernando Pessoa)


Vem, serenidade!
Vem cobrir a longa
fadiga dos homens,
este antigo desejo de nunca ser feliz
a não ser pela dupla humidade das bocas.


Vem, serenidade!
Faz com que os beijos cheguem à altura dos ombros
e com que os ombros subam à altura dos lábios,
faz com que os lábios cheguem à altura dos beijos.
Carrega para a cama dos desempregados
todas as coisas verdes, todas as coisas vis
fechadas no cofre das águas:
os corais, as anémonas, os monstros sublunares,
as algas, porque um fio de prata lhes enfeita os cabelos.


Vem, serenidade,
com o país veloz e virginal das ondas,
com o martírio leve dos amantes sem Deus,
com o cheiro sensual das pernas no cinema,
com o vinho e as uvas e o frémito das virgens,
com o macio ventre das mulheres violadas,
com os filhos que os pais amaldiçoam,
com as lanternas postas à beira dos abismos,
e os segredos e os ninhos e o feno
e as procissões sem padre, sem anjos e, contudo
com Deus molhando os olhos
e as esperanças dos pobres.


Vem, serenidade,
com a paz e a guerra
derrubar as selvagens
florestas do instinto.


Vem, e levanta
palácios na sombra.
Tem a paciência de quem deixa entre os lábios
um espaço absoluto.


Vem, e desponta,
oriunda dos mares,
orquídea fresca das noites vagabundas,
serena espécie de contentamento,
surpresa, plenitude.


Vem dos prédios sem almas e sem luzes,
dos números irreais de todas as semanas,
dos caixeiros sem cor e sem família,
das flores que rebentam nas mãos dos namorados
dos bancos que os jardins afogam no silêncio,
das jarras que os marujos trazem sempre da China,
dos aventais vermelhos com que as mulheres esperam
a chegada da força e da vertigem.


Vem, serenidade,
e põe no peito sujo dos ladrões
a cruz dos crimes sem cadeia,
põe na boca dos pobres o pão que eles precisam,
põe nos olhos dos cegos a luz que lhes pertence.


Vem nos bicos dos pés para junto dos berços,
para junto das campas dos jovens que morreram,
para junto das artérias que servem
de campo para o trigo, de mar para os navios.


Vem, serenidade!
E do salgado bojo das tuas naus felizes
despeja a confiança,
a grande confiança.
Grande como os teus braços,
grande serenidade!


E põe teus pés na terra,
e deixa que outras vozes
se comovam contigo
no Outono, no Inverno,
no Verão, na Primavera.


Vem, serenidade,
para que se não fale
nem da paz nem da guerra nem de Deus,
porque foi tudo junto
e guardado e levado
para a casa dos homens.


Vem, serenidade,
vem com a madrugada,
vem com os anjos de ouro que fugiram da Lua,
com as nuvens que proíbem o céu,
vem com o nevoeiro.


Vem com as meretrizes que chamam da janela,
o volume dos corpos saciados na cama,
as mil aparições do amor nas esquinas,
as dívidas que os pais nos pagam em segredo,
as costas que os marinheiros levantam
quando arrastam o mar pelas ruas.


Vem, serenidade,
e lembra-te de nós,
que te esperamos há séculos sempre no mesmo sítio,
um sítio aonde a morte tem todos os direitos.


Lembra-te da miséria dourada dos meus versos,
desta roupa de imagens que me cobre
o corpo silencioso,
das noites que passei perseguindo uma estrela,
do hálito, da fome, da doença, do crime,
com que dou vida e morte
a mim próprio e aos outros.


Vem, serenidade,
e acaba com o vício
de plantar roseiras no duro chão dos dias,
vicio de beber água
com o copo do vinho milagroso do sangue.


Vem, serenidade,
não apagues ainda
a lâmpada que forra
os cantos do meu quarto,
o papel com que embrulho meus rios de aventura
em que vai navegando o futuro.


Vem, serenidade!
E pousa, mais serena que as mãos de minha Mãe,
mais húmida que a pele marítima do cais,
mais branca que o soluço, o silêncio, a origem,
mais livre que uma ave em seu vôo,
mais branda que a grávida brandura do papel em que escrevo,
mais humana e alegre que o sorriso das noivas,
do que a voz dos amigos, do que o sol nas searas.


Vem, serenidade,
para perto de mim e para nunca.


....................................... ................


De manhã, quando as carroças de hortaliça
chiam por dentro da lisa e sonolenta
tarefa terminada,
quando um ramo de flores matinais
é uma ofensa ao nosso limitado horizonte,
quando os astros entregam ao carteiro surpreendido
mais um postal da esperança enigmática,
quando os tacões furados pelos relógios podres,
pelas tardes por trás das grades e dos muros,
pelas convencionais visitas aos enfermos,
formam, em densos ângulos de humano desespero,
uma nuvem que aumenta a vã periferia
que rodeia a cidade,
é então que eu te peço como quem pede amor:
Vem, serenidade!


Com a medalha, os gestos e os teus olhos azuis,
vem, serenidade!


Com as horas maiúsculas do cio,
com os músculos inchados da preguiça,
vem, serenidade!


Vem, com o perturbante mistério dos cabelos,
o riso que não é da boca nem dos dentes
mas que se espalha, inteiro,
num corpo alucinado de bandeira.


Vem, serenidade,
antes que os passos da noite vigilante
arranquem as primeiras unhas da madrugada,
antes que as ruas cheias de corações de gás
se percam no fantástico cenário da cidade,
antes que, nos pés dormentes dos pedintes,
a cólera lhes acenda brasas nos cinco dedos,
a revolta semeie florestas de gritos
e a raiva vá partir as amarras diárias.


Vem, serenidade,
leva-me num vagão de mercadorias,
num convés de algodão e borracha e madeira,
na hélice emigrante, na tábua azul dos peixes,
na carnívora concha do sono.


Leva-me para longe
deste bíblico espaço,
desta confusão abúlica dos mitos,
deste enorme pulmão de silêncio e vergonha.
Longe das sentinelas de mármore
que exigem passaporte a quem passa.


A bordo, no porão,
conversando com velhos tripulantes descalços,
crianças criminosas fugidas à policia,
moços contrabandistas, negociantes mouros,
emigrados políticos que vão
em busca da perdida liberdade,
Vem, serenidade,
e leva-me contigo.
Com ciganos comendo amoras e limões,
e música de harmônio, e ciúme, e vinganças,
e subindo nos ares o livre e musical
facho rubro que une os seios da terra ao Sol.


Vem, serenidade!
Os comboios nos esperam.
Há famílias inteiras com o jantar na mesa,
aguardando que batam, que empurrem, que irrompam
pela porta levíssima,
e que a porta se abra e por ela se entornem
os frutos e a justiça.


Serenidade, eu rezo:
Acorda minha Mãe quando ela dorme,
quando ela tem no rosto a solidão completa
de quem passou a noite perguntando por mim,
de quem perdeu de vista o meu destino.


Ajuda-me a cumprir a missão de poeta,
a confundir, numa só e lúcida claridade,
a palavra esquecida no coração do homem.


Vem, serenidade,
e absolve os vencidos,
regulariza o trânsito cardíaco dos sonhos
e dá-lhes nomes novos,
novos ventos, novos portos, novos pulsos.


E recorda comigo o barulho das ondas,
as mentiras da fé, os amigos medrosos,
os assombros daÍndia imaginada,
o espanto aprendiz da nossa fala,
ainda nossa, ainda bela, ainda livre
destes montes altíssimos que tapam
as veias ao Oceano.


Vem, serenidade,
e faz que não fiquemos doentes, só de ver
que a beleza não nasce dia a dia na terra.


E reúne os pedaços dos espelhos partidos,
e não cedas demais ao vislumbre de vermos
a nossa idade exacta
outra vez paralela ao percurso dos pássaros.


E dá asas ao peso
da melancolia,
e põe ordem no caos e carne nos espectros,
e ensina aos suicidas a volúpia do baile,
e enfeitiça os dois corpos quando eles se apertarem,
e não apagues nunca o fogo que os consome.
o impulso que os coloca, nus e iluminados,
no topo das montanhas, no extremo dos mastros
na chaminé do sangue.


Serenidade, assiste
à multiplicação original do Mundo:
Um manto terníssimo de espuma,
um ninho de corais, de limos, de cabelos,
um universo de algas despidas e retrácteis,
um polvo de ternura deliciosa e fresca.


Vem, e compartilha
das mais simples paixões,
do jogo que jogamos sem parceiro,
dos humilhantes nós que a garganta irradia,
da suspeita violenta, do inesperado abrigo.


Vem, com teu frio de esquecimento,
com tua alucinante e alucinada mão,
e põe, no religioso ofício do poema,
a alegria, a fé, os milagres, a luz!


Vem, e defende-me
da traição dos encontros,
do engano na presença de Aquele
cuja palavra é silêncio,
cujo corpo é de ar,
cujo amor é demais
absoluto e eterno
para ser meu, que o amo.


Para sempre irreal,
para sempre obscena,
para sempre inocente,
Serenidade, és minha. 
   


Raul de Carvalho