O Curso de Geologia de 85/90 da Universidade de Coimbra escolheu o nome de Geopedrados quando participou na Queima das Fitas.
Ficou a designação, ficaram muitas pessoas com e sobre a capa intemporal deste nome, agora com oportunidade de partilhar as suas ideias, informações e materiais sobre Geologia, Paleontologia, Mineralogia, Vulcanologia/Sismologia, Ambiente, Energia, Biologia, Astronomia, Ensino, Fotografia, Humor, Música, Cultura, Coimbra e AAC, para fins de ensino e educação.
Roubam-me Deus
outros o diabo
– quem cantarei?
roubam-me a Pátria;
e a Humanidade
outros ma roubam
– quem cantarei?
sempre há quem roube
quem eu deseje;
e de mim mesmo
todos me roubam
– quem cantarei?
roubam-me a voz
quando me calo,
ou o silêncio
mesmo se falo
– aqui d'El-Rei!
Keith Emerson (Todmorden, 2 de novembro de 1944 - Santa Monica, 10 de março de 2016) foi um pianista e compositor britânico. Ex-membro das bandas The T-Bones, V.I.P.s e P.P. Arnold (que se acabou por tornar nos The Nice), ficou mais conhecido depois de fundar a banda Emerson, Lake & Palmer (ELP), um dos primeiros supergrupos, em 1970. Quando os ELP acabaram, por volta de 1979, Emerson teve sucesso modesto noutras bandas como Emerson Lake & Powell, 3 e algumas reuniões do ELP no começo da década de 90. Em 2002, ele reuniu os The Nice e foram em turnê e, em 2006, foi em turnê com a The Keith Emerson Band.
(...)
Keith Emerson cometeu suicídio, com um tiro na cabeça, na sua casa em Santa Monica, no dia 10 de março de 2016, aos 71 anos.
De acordo com sua namorada, Mari Kawaguchi, vinha apresentando um
comportamento depressivo e ansioso em virtude de críticas que vinha
recebendo pela Internet, uma vez que um problema no nervo da mão direita vinha limitando as suas performances musicais.
Sofia da Grécia, nascida Princesa Sofia Margarida Vitória Frederica Glucksburg da Grécia e Dinamarca (Atenas, 2 de novembro de 1938), foi a anterior rainha consorte de Espanha, sendo a esposa de Juan Carlos I e mãe do atual rei Filipe VI:
Conheceu o seu futuro marido, o então príncipe Juan Carlos de Bourbon, em 1954, durante um cruzeiro, organizado pela mãe, que reuniu os jovens
da realeza europeia. Mas o romance com Juan Carlos de Borbón só começou
em junho de 1961, quando se reencontraram num casamento, em Londres e
casou-se em 14 de maio de 1962 em Atenas, convertendo-se ao catolicismo.
Em 1969, o Príncipe Juan Carlos foi indicado como sucessor do generalíssimo Francisco Franco. Em 1975, quando da morte de Franco, o casal foi proclamado rei e rainha, respetivamente.
k. d. lang (Edmonton, Alberta, 2 de novembro de 1961) é uma cantora canadiana, vencedora de vários prémios Grammy.
Embora tenha tido considerável êxito ao longo da sua carreira com
temas como "Constant Craving" ou "Miss Chatelaine", foi o dueto com Roy Orbison, "Crying", que tornou a sua voz conhecida mundialmente.
Carter Beauford (Charlottesville, November 2, 1958) is an American drummer, percussionist, and founding member of Dave Matthews Band. He is known for his ability to adapt to a variety of genres, and both his ambidextrous and his open-handed drumming styles. He plays the drums and sings backing vocals in the band. Beauford was ranked number 10 by a Rolling Stone magazine reader's poll in 2010 for greatest drummers of all-time.
quando o cinema me mostrou o lugar
- um marco em sarça arcando sombria notícia -
onde mataram Pier Paolo Pasolini
creio ter reconhecido o espaço
em tudo idêntico a alguns ermos da infância
esses adiados quinhões por trás da igreja
decerto povoados hoje de vivendas geminadas
dissipando um acesso possível (embora
longínquo) ao rio
o lugar onde morreu Pier Paolo Pasolini
se parece com a desolação clareada e secreta que tinham
os lugares acessórios dos tempos primários
onde andei aspirando a desentender o mundo
de bicicleta, sem concerto (de Colónia)
in Ensinar o Caminho ao Diabo (2012) - Miguel-Manso
Teixeira de Pascoaes, pseudónimo literário de Joaquim Pereira Teixeira de Vasconcelos, (Amarante, 8 de novembro de 1877 - Gatão, Amarante, 14 de dezembro de 1952) foi um poeta e escritorportuguês, principal representante do saudosismo. Todas as fontes bibliográficas indicam 2
de novembro de 1877 como a sua data de nascimento. Contudo, o assento
de nascimento/batismo refere, indubitavelmente, que ele nasceu às cinco
horas da tarde de 8 de novembro de 1877, em Amarante. Segundo Luísa Borges, em O Lugar de Pascoais,
Pascoais terá adotado o dia 2 de novembro como data do seu aniversário por razões puramente simbólicas, por ser o Dia dos Mortos, uma "porta"
para o "Mais Além".
Como estou só no mundo! Como tudo É lágrima e silêncio! Ó tristeza das Coisas, quando é noite Na terra e em nosso espírito!... Tristeza Que se anuncia em vultos de arvoredos, Em rochas diluídas na penumbra E soluços de vento perpassando Na tenebrosa lividez do céu... Ó tristeza das Coisas! Noite morta! Pavor! Desolação! Escura noite! Fantástica Paisagem, Desde o soturno espaço à fria terra Toda vestida em sombra de amargura! Erma noite fechada! Nem um leve Riso vago de estrela se adivinha... Somente as grossas lágrimas da chuva Escorrem pela face do Silencio... Piedade, noite negra! Não me beijes Com esses lábios mortos de Fantasma! Ó Sol, vem alumiar a minha dor Que, perdida na sombra, se dilata E mais profundamente se enraíza Nesta carne a sangrar que é a minha alma! Ilumina-te, ó Noite! Ó Vento, cala-te! Negras nuvens do sul, limpai os olhos, Desanuviai a brônzea face morta! Oh, mas que noite amarga, toda cheia Do teu Fantasma angélico e divino; Espírito que, um dia, em minha irmã, Tomou corpo infantil, figura de Anjo... E para que, meu Deus? Para partir, Com seis anos apenas, no primeiro Riso da vida, em lágrimas, levando Toda a luz de esperança que floria Este ermo, este remoto em que divago... Como estou só no mundo! Como é triste A solidão que faz a tua Ausência, E o terrível e trágico silêncio Da tua alegre Voz emudecida! Ó noite, ó noite triste! Ó minha alma! Tu, que o viste e beijaste tantas vezes, Tu, que sentiste bem o que ele tinha De angélica Criança sobre humana, Não vês as próprias coisas como sofrem, E como as grandes árvores agitam As ramagens de lágrimas e sombras? Repara bem na lúgubre tristeza Da nossa velha casa abandonada Da divina Presença da Criança! Ah, como as portas gemem e o beirais Têm soluços de vento... Lá fora, no terreiro onde brincavas, A noite escura chora... ................................Ó minha alma, Embebe-te na dor das Coisas ermas; Chora também, consome-te, soluça, Junto à Mãe dolorosa, de joelhos...
Foi um dos mais influentes intelectuais portugueses do século XX, com vasta obra de ficção, drama, ensaio e poesia,
além de importante epistolografia com figuras tutelares da literatura
portuguesa e brasileira. A sua obra de ficção mais famosa é o romance autobiográfico Sinais de Fogo, adaptado ao cinema em 1995 por Luís Filipe Rocha. Grande parte da sua obra foi publicada, postumamente, pelos cuidados da viúva, Mécia de Sena.
Prémios
Recebeu o Prémio Internacional de Poesia Etna-Taormina, pelo conjunto
da sua obra poética, e foi condecorado com a Ordem do Infante D.
Henrique, por serviços prestados à comunidade portuguesa. Recebeu,
postumamente, a Grã-Cruz da Ordem de Sant'iago. Em 1980, foi inaugurado o
Jorge de Sena Center for Portuguese Studies, na Universidade da Califórnia, em Santa Barbara.
Diz-me devagar coisa nenhuma, assim
como a só presença com que me perdoas
esta fidelidade ao meu destino.
Quanto assim não digas é por mim
que o dizes. E os destinos vivem-se
como outra vida. Ou como solidão.
E quem lá entra? E quem lá pode estar
mais que o momento de estar só consigo?
Diz-me assim devagar coisa nenhuma:
o que à morte se diria, se ela ouvisse,
ou se diria aos mortos, se voltassem.
Reginald Quincy Arvizu (Bakersfield, November 2, 1969), also known as "Fieldy", is an American musician, best known as the bassist for nu metal band Korn. He is also the guitarist/bassist for rock band StillWell.
Pier Paolo Pasolini (Bolonha, 5 de março de 1922 - Óstia, 2 de novembro de 1975) foi um cineasta, poeta e escritoritaliano.
Em seus trabalhos, Pasolini demonstrou uma versatilidade cultural
única e extraordinária, que serviu para transformá-lo numa figura
controversa. Embora o seu trabalho continue a gerar polémica e
controvérsia até hoje, enquanto Pasolini ainda era vivo, os seus
trabalhos foram tidos como obras de arte segundo muitos pensadores da cultura italiana.
Pier Paolo Pasolini foi brutalmente assassinado em novembro de 1975.
Ele tinha o rosto desfigurado e várias lesões no corpo. Foi encontrado
no hidro-aeródromo de Óstia. Os motivos de seu assassinato continuam gerando polémica, até hoje, sendo associados a crime político ou um mero latrocínio.
Um processo judicial concluiu que o cineasta foi assassinado por um prostituto, que teria o intuito de assaltá-lo. Tal versão,
porém, não é sustentável.
Existem estudos, filmes e programas de TV que põem por terra a versão
decidida pela justiça italiana. No ano de 2005, Pino Pelosi declarou não
ter sido ele o assassino de Pasolini, depois de ter cumprido pena como
assassino confesso.
Mort Shuman (Brooklyn, New York, November 12, 1936 – London, November 2, 1991) was an American singer, pianist and songwriter, best known as co-writer of many 60s rock and rollhits, including "Viva Las Vegas".
He also wrote and sang many songs in French, such as "Le Lac Majeur",
"Allo Papa Tango Charlie", "Sha Mi Sha", "Un Eté de Porcelaine", and
"Brooklyn by the Sea" which became hits in France and several other European countries.
Two years after her death, Cassidy's music was brought to the attention of British audiences, when her versions of "Fields of Gold" and "Over the Rainbow" were played by Mike Harding and Terry Wogan on BBC Radio 2. Following the overwhelming response, a camcorder recording of "Over the Rainbow", taken at Blues Alley in Washington by her friend Bryan McCulley, was shown on BBC Two's Top of the Pops 2. Shortly afterwards, the compilation album Songbird climbed to the top of the UK Albums Chart,
almost three years after its initial release. The chart success in the
United Kingdom and Ireland led to increased recognition worldwide. Her posthumously
released recordings, including three number-one albums and one
number-one single in the UK, have sold more than ten million copies. Her
music has also charted within the top 10 in Australia, Germany, Norway,
Sweden and Switzerland.
Nascida em Botafogo (zona sul do Rio de Janeiro), Jovelina logo fincou pé na Baixada Fluminense. Apareceu para o grande público do Raça Brasileira. Pastora do Império Serrano, ajudou a consolidar o pagode.
Verdadeira tiete do partideiro Bezerra da Silva, Jovelina começou
a dizer seus pagodinhos no Vegas Sport Clube, em Coelho Neto, levada
pelo amigo Dejalmir, que também lançou o nome Jovelina Pérola Negra,
homenagem à sua cor reluzente.
Gravou cinco discos individuais conquistando um Disco de Platina.
Atualmente são encontradas apenas as coletâneas com os grandes sucessos
como "Feirinha da Pavuna", "Bagaço da Laranja" (gravada com Zeca Pagodinho),
"Luz do Repente", "No Mesmo Manto" e "Garota Zona Sul", entre outros. O
sucesso chegou tardiamente e ela não realizou o sonho de "ganhar muito
dinheiro e dar aos filhos tudo o que não teve".
Faleceu no dia 2 de novembro de 1998, aos 54 anos, de enfarte, no bairro do Pechincha.
Deixou três filhos - José Renato (30), Cassiana (25) e Cleyton (10) -,
que teve com Nilton dos Santos, de quem era separada. O enterro foi
realizado no Cemitério da Pechincha, em Jacarepaguá.
Desde o século II, alguns cristãos rezavam pelos falecidos, visitando os túmulos dos mártires, para rezar pelos que morreram. No século V,
a Igreja dedicava um dia do ano para rezar por todos os mortos, pelos
quais ninguém rezava e dos quais ninguém lembrava. Também o abade de Cluny, Santo Odilon, em 998 pedia aos monges que orassem pelos mortos. Desde o século XI os PapasSilvestre II (1009), João XVII (1009) e Leão IX (1015) obrigam a comunidade a dedicar um dia aos mortos. No século XIII esse dia anual passa a ser comemorado a 2 de novembro, porque o dia 1 de novembro é a Festa de Todos os Santos. A doutrina católica evoca algumas passagens bíblicas para fundamentar a sua posição (cf.Tobias 12,12; Job 1,18-20; Mt 12,32 e II Macabeus 12,43-46) e apoia-se numa prática de quase dois mil anos.
Ay, de mí, llorona, llorona de azul celeste Ay, de mí, llorona, llorona de azul celeste Y aunque la vida me cueste, llorona, no dejaré de quererte No dejaré de quererte
Me subí al pino más alto, llorona, a ver si te divisaba Como el pino era tierno, llorona, al verme llorar, lloraba
Ay, de mí, llorona, llorona, llorona de azul celeste
Ay, de mí, llorona, llorona, llorona de azul celeste Y aunquе la vida me cueste, llorona, no dеjaré de quererte
Y aunque la vida me cueste, llorona, no dejaré de quererte No dejaré de quererte No dejaré de quererte Ay, ay, ay
Although Outlandos d'Amour received mixed reviews upon its release, it has since been regarded as one of the strongest debut albums. Rolling Stone ranked it as the 38th best debut album of all time and the 428th greatest album of all time.
Background and recording
With a budget of £1,500 borrowed from their manager, Miles Copeland (brother of drummer Stewart), the Police recorded Outlandos d'Amour at Surrey Sound Studios
in an intermittent fashion over six months, with the band recording
whenever the studio had free time or another band's sessions were
cancelled.
Miles Copeland had promised to pay Surrey Sound £2,000 upon completion
of the recording, but did not give them the full amount until much
later.
Miles occasionally visited the
studio during recording, and he reacted to what he heard from the band
with vehement derision. However, upon hearing "Roxanne" he had the opposite reaction and took the recording to A&M Records
the following day, where he persuaded the record label to release it as
a one-off single. Although the single failed to chart, A&M agreed
to give the band a second chance with "Can't Stand Losing You".
At first, A&M proposed the band create an improved mix of the song,
but after five attempts admitted that it could not improve upon the
band's mix, and released the original mix for the single. When it became
the band's first hit, the label quickly approved the release of the
by-then finished album.
Miles had originally wanted to name the album Police Brutality. However, after hearing "Roxanne" and then envisioning a more romantic image for the band, he proposed Outlandos d'Amour
instead. This title is a loose French translation of "Outlaws of Love",
with the first word being a combination of the words "outlaws" and
"commandos", and "d'Amour" meaning "of love".
Music and lyrics
Outlandos d'Amour, while at times incorporating reggae, pop and other elements of what would eventually become the band's definitive sound, is dominated by punk influences. This is evident on the opening track "Next to You", despite it essentially being a love song. Stewart Copeland and guitarist Andy Summers initially felt the lyrics were neither aggressive nor political enough for their style at the time, but bassist and vocalist Sting
was adamant about keeping the song as it was. "Next to You" includes a
slide guitar solo by Summers, which Copeland initially dismissed as "old
wave".
The second track is the reggae-influenced "So Lonely". Sting has said he used Bob Marley's "No Woman, No Cry"
as the musical basis for the song, while the lyrics in its verses were
recycled from "Fool in Love", a song he originally wrote for his earlier
band Last Exit.
The song itself, about someone who is lonely after suffering a broken
heart, was seen as ironic by a large segment of the band's listeners.
Sting disagreed with this sentiment, saying, "No, there's no irony
whatsoever. From the outside it might look a bit strange, being
surrounded by all this attention and yet experiencing the worst lonely
feeling ... but I do. And then suddenly the attention is withdrawn a
half an hour later. You're so isolated ..."
"Roxanne" was written by Sting after visiting a red-light district near the band's hotel in Paris.
The Police had been staying there in October 1977 to perform at the
nearby Nashville Club. The song's title comes from the name of the
character in the play Cyrano de Bergerac, an old poster of which was hanging in the hotel foyer. Sting had originally conceived the song as a bossa nova, although Stewart Copeland has been credited for suggesting its final rhythmic form as a tango.
During recording, Sting accidentally sat down on a piano keyboard in
the studio, resulting in the atonal chord and laughter preserved at the
beginning of the track. The Police were initially reluctant about the
song, but Miles Copeland was immediately enthusiastic after hearing it.
The remaining two tracks on the first side of the album are "Hole
in My Life", another reggae-influenced song by Sting, and "Peanuts", a
composition written by Stewart Copeland and Sting about Rod Stewart.
The lyrics were meant as an expression of disappointment on Sting's
part towards his former idol, of whom he said: "I used to be a great fan
of his but something happened to him. I hope I don't end up like that."
Having since experienced the celebrity lifestyle himself, he has said
he no longer identifies with the song's lyrical content and has come to
view Stewart in a different light.
"Can't Stand Losing You" begins side two of the original LP.
Written and composed by Sting, the song is about a young lover being
driven to suicide following a breakup. In a 1993 interview with The Independent,
he described the lyrics as "juvenile", saying that "teenage suicide ...
is always a bit of a joke"; he also claimed to have written the lyrics
in only five minutes.
The following track, "Truth Hits Everybody", is a punk-influenced
song. After that is "Born in the 50's", which details life as a
teenager during the 1960s. "Be My Girl—Sally" is a medley of a
half-finished song by Sting and an Andy Summers poem about a blow-up doll.
This leads into the semi-instrumental closer, "Masoko Tanga", the only
song on the album to not become a staple of the band's live
performances.
Two other songs from these sessions were excluded from Outlandos d'Amour but released as B-sides
for two of its singles: "Dead-End Job", a song credited to Sting and
Copeland, on the B-side of "Can't Stand Losing You"; and "No Time This
Time" by Sting, on the B-side of "So Lonely". The latter was
subsequently included on the band's second album Reggatta de Blanc.
No canto de terra onde o plantaram,
procura o sentido da linha recta. Não pretende
o círculo, a roda das estações, a fuga ao
eixo que a gravidade lhe impõe. Aceita
que o céu é o seu destino; e por isso
as suas raízes que se alimentam dos mortos,
que lhes cedem as almas para
que o tronco as liberte, no inverno,
quando o frio faz vibrar a luz que
o envolve. Não oferece a sombra
a quem passa; não pede a companhia
dos amantes que o evitam, em busca
de um abrigo de flores. O seu destino
é o ponto que o olhar fixa, para além
do azul, num infinito em que outras
raízes crescem, bebendo o leite negro
das mitologias.
Natural de Alcains, entrou em Geologia por dica alheia e é hoje professor catedrático na Universidade de Coimbra. Prefere plutonitos e urânio, mas é conhecido como o 'homem do radão', dirigindo o Laboratório de Radioatividade Natural onde aplica o conhecimento geológico para proteger as pessoas. Adaptável, acredita que autonomia e liberdade para decidir, bem ou mal, são o mais importante.
'A verdade é que a prestação de serviços nos dá, muitas vezes, as condições e a sustentabilidade financeira para depois fazermos tudo o que quisermos na componente de investigação, (...) permite angariar os financiamentos necessários para termos total autonomia e dizer "Eu hoje quero fazer isto com este dinheiro." E não estou dependente do reitor, nem da FCT.'
Foi na Urgeiriça, onde o urânio deixou marcas e o radão continua a dar que fazer, que fomos ao encontro de Alcides Pereira. Natural de Alcains, entrou em Geologia por recomendação de quem lhe garantiu que a profissão dava dinheiro. A promessa revelou-se manifestamente exagerada, mas o conselho acabou por dar frutos. Começou por explorar os granitos da sua terra de bicicleta, passou para os da Zebreira e acabou por se render ao urânio, o seu elemento químico de eleição. E pensar que, nos tempos de estudante, andou metido num grupo ambientalista antinuclear. Digamos que as suas convicções foram sofrendo algum decaimento e que esta relação com a radioatividade teve uma meia-vida bastante curta! Professor catedrático da Universidade de Coimbra, onde fez todo o seu percurso académico, é o responsável pelo Laboratório de Radioatividade Natural. Dedica boa parte do seu trabalho ao radão, um gás tão discreto quanto inconveniente. Entre a investigação, a prestação de serviços e as inevitáveis batalhas com a burocracia universitária, o que verdadeiramente o entusiasma é resolver problemas. Venham conhecer o geólogo que fez do invisível a sua especialidade e que, depois de uma vida a estudar o que se passa debaixo dos nossos pés, continua com perguntas sobre tudo o que aconteceu antes de cá os pormos!
Entrevista Urgeiriça, julho de 2025
1. Nome, a data e o local de nascimento.
Alcides Pereira, 11 de
agosto de 1961, freguesia de Alcains, concelho e distrito de Castelo Branco.
2. Conte-nos, de forma simples e como se
fosse para leigos, o que faz profissionalmente?
O que faço é, no fundo –
e falando do tempo mais presente, porque ao longo da vida a gente, obviamente,
foi fazendo várias coisas – alguma investigação e, ao mesmo tempo, procurar
aplicar na prática o conhecimento geológico, no sentido de proteger as pessoas.
Mais concretamente, procurar minimizar o impacto ambiental de um gás que é
pouco conhecido, o gás radão. O objetivo central acaba por ser esse: de algum
modo, usar toda aquela experiência geológica, adquirida ao longo da vida, e
colocá-la ao serviço da sociedade, numa questão concreta, que é minimizar o
impacto desse gás na saúde pública. Atualmente, como há muitos anos, estou
ligado ao Departamento de Ciências da Terra [DCT] da Faculdade de Ciências e
Tecnologia da Universidade de Coimbra, onde, para além das funções como
docente, também assumi funções administrativas, como diretor, e sou responsável
por um laboratório específico, o Laboratório de Radioatividade Natural [LRN].
3. Já agora, o radão (Rn) é o seu elemento químico preferido?
Curiosamente, o meu elemento químico preferido é o mesmo desde que comecei
os meus trabalhos de investigação: o urânio (U). O radão é um pouco
secundário; o principal era o urânio, de que toda a gente tem muito medo, mas
do qual eu realmente sempre gostei.
4. Em que ano e onde é que ingressou no curso de Geologia? E como é que a
sua família reagiu a essa entrada?
Oficialmente, em 1979, embora as aulas só tenham começado em janeiro de
1980. Sou, portanto, do grupo de 79-80, chamemos-lhe assim. Ingressei em
Geologia na Universidade de Coimbra sem saber muito bem, reconheço, o que era
ou o que se fazia em Geologia. E estou, desde então e desde sempre, ligado a
esta universidade. A família reagiu um pouco com um encolher de ombros, também
não sabia muito bem o que era a Geologia. Mas tenho um episódio curioso, porque
havia uma pessoa ligada à minha família que era profissional da área da
Geologia. Na altura não sabia bem o que havia de escolher. A família
pressionava muito para a medicina, achavam que devia ir para Medicina, mas eu
também não era assim muito fã da medicina. E, se calhar, as notas também não
seriam suficientes. Nessa altura, uma irmã dessa pessoa disse-me "Olha, se
não fores para medicina, vai para Geologia, porque dá dinheiro." Pronto, e
foi assim: "Bom, então vamos para Geologia!" (risos) Esta
familiar era uma senhora que estava casada com um primo, eram já pessoas mais
afastadas na família, e era o irmão dela que estava realmente ligado à
Geologia, à hidrogeologia em particular. Trabalhava como consultor numa empresa
e a história do ganhar dinheiro vinha daí... Ao longo da vida nunca vi bem
isso, mas pronto. (risos)
Nas provas de doutoramento, em 1992, na Universidade de Coimbra
5. Tem uma certa piada que muito do que foi, e ainda é, a sua investigação
esteja, de certa forma, ligado à saúde humana. Portanto, fugiu da Medicina, mas
não completamente...
Exato! Sim, sim, é verdade! Tem essa coisa curiosa. Se olhar para o que
faço atualmente, realmente estou, de algum modo, indiretamente ligado à medicina.
À medicina preventiva.
6. Quando é que sentiu que a Geologia era a
área onde queria mesmo desempenhar a sua profissão?
Sempre tive uma grande capacidade de adaptação a novas situações. E acho
que entrei em Geologia com aquela ideia: "Ok, vamos lá ver então o que é
que é isto." Ainda me recordo das primeiras aulas com um senhor chamado professor
doutor [António Fernando] Ferreira Pinto, que nos dava Geologia Geral. E,
realmente, comecei a entrar naquilo e gostei logo! Praticamente desde o início,
nunca tive aquela reação: "Ah, se calhar vim para uma coisa de que não
gosto." Entrei e gostei.
7. Mais das áreas aplicadas e práticas das Geologia ou de tudo?
Naturalmente, o nosso percurso académico é fundamentalmente baseado na
investigação científica, e foi assim que acabei por seguir o percurso
tradicional, embora sempre com um gosto especial pela vertente mais aplicada,
pela resolução de problemas concretos. Lembro-me dos trabalhos de campo que fiz
na Zebreira, em 1984, dos quais resultou o meu primeiro artigo científico.
Sempre gostei muito do trabalho de campo, particularmente da observação, e essa
experiência foi importante não só para iniciar a minha carreira, mas também
para confirmar que era esse o caminho que queria seguir.
8. E como foi parar à Zebreira?
Eu, na altura, reconheço, fiquei sempre na dúvida se devia seguir a
carreira académica ou procurar trabalho fora. Porque era um bocadinho essa a
questão: queria qualquer coisa mais vocacionada para a parte aplicada, para a
resolução de problemas da sociedade, etc. Acabei na Zebreira para trabalhar com
uma pessoa que teve uma influência muito grande na minha vida profissional, o professor
Manuel Maria Godinho. A dada altura, eu andava ali no vai-não-vai, e ele
disse-me "Olhe, mas tem de tomar uma decisão: ou fica ou sai." E
houve uma altura em que eu disse "Sim, senhor, vou ficar. Acabei de decidir,
vou ficar!" Ele tinha, na altura, um projeto – e não foi por minha
iniciativa, foi por iniciativa dele – para estudar uns plutonitos de pequena
dimensão, que aparecem mais ou menos isolados no contexto da grande mancha
granítica da Zona Centro-Ibérica. E fui logo para os granitos! Até porque eu
era ali da zona dos granitos. Quando era estudante, lembro-me de já ter aquela
curiosidade de, durante as férias, agarrar na bicicleta e começar a andar com
uma carta topográfica na mão, porque não havia carta geológica daquela zona.
Tinha já alguma curiosidade em começar a marcar o que via. E vamos sendo
influenciados. À medida que vamos tendo as disciplinas, começamos a ganhar
algum gosto por ferramentas especiais, como a cartografia. Portanto, comecei
com uma bicicleta, convidando um ou outro amigo lá da zona para fazermos o
reconhecimento da Geologia entre Alcains e Castelo Branco, para começar a
perceber os granitos. Até que veio o professor Godinho, que era especialista em
geoquímica de granitos, em particular, e me disse assim: "Olhe, então, se
ficar a trabalhar aqui, tenho um projeto para si, que é a cartografia." Naquela
altura, na década de 80, todos os trabalhos de investigação que eram lançados
para os novos investigadores tinham obrigatoriamente de resultar numa carta geológica.
Era fundamental, para quem queria seguir uma carreira de investigação, produzir
uma carta geológica. E, portanto, tive esse desafio. A vantagem é que a
Zebreira era um desses plutonitos e ficava próxima do local onde eu tinha a
família. Por isso, até do ponto de vista logístico, havia facilidade. Levava o
carro do meu pai e pronto... Foi esta conjugação de circunstâncias que acabou
por me levar à Zebreira.
Nessa altura, uma irmã dessa pessoa disse-me: "Olha, se não fores para Medicina, vai para Geologia, porque dá dinheiro"
9. E, antes de chegar a essa fase, como estudante universitário, como é que se caracterizava? Um aluno bom, médio, muito bom? Participativo ou mais calado?
Digamos, acima da média.
10. Era participativo? Gostava de discutir ideias com os professores? Ou era mais do estilo calado, de ficar a ouvir?
Não era propriamente de dar muito nas vistas, como se costuma dizer. Havia questões, mas normalmente colocávamo-las cá fora. Também éramos poucos estudantes. Entrei num ano em que houve um boom, chamemos-lhe assim, na área da Geologia. Recordo-me de que havia um aluno no quinto ano – na altura, o curso tinha cinco anos – e dois no quarto. Quando nós entrámos, éramos 30! Aliás, foi esse crescimento que levou depois a um grande aumento do número de alunos nas universidades durante a década de 80. Em Ciências da Terra chegaram a entrar 100 alunos em Coimbra! Muitos escolhiam Geologia por uma razão que, curiosamente, ainda hoje leva alguns alunos a ingressar no curso: a falta de professores no ensino secundário. Portanto, a maior parte seguia o ramo educacional. Podíamos escolher entre a vertente científica e a educacional. Eu segui a científica, mas muitos colegas optaram pela outra. Aliás, é essa geração que, de algum modo, ficou nas escolas básicas e secundárias e que, ainda hoje, muitas vezes mantém a ligação à Geologia, procurando incentivar as gerações mais novas a interessarem-se por esta área.
11. E, nessa altura, para além das aulas,
gostava de participar noutro tipo de atividades universitárias? Desafiar
professores para saídas de campo?
Bem, havia algumas coisas que não se podem dizer aqui! (risos) Temos
de gozar a vida académica, não é só pura e simplesmente assistir às aulas! Cá
fora havia, naturalmente, o convívio... Por exemplo, uma das coisas de que fiz
parte durante algum tempo, e que até tinha uma vertente ambientalista – embora
hoje em dia me custem alguns excessos do ambientalismo –, foi um grupo ligado
ao ambiente, da Associação Académica. Estamos na década de 80! E, curiosamente,
uma das grandes linhas de orientação desse grupo era a luta contra o nuclear! É
curioso como alguém que começou por ouvir falar contra o nuclear acabou,
progressivamente, por se aproximar bastante dessa área ao longo da vida.
12. Sabemos também que organizava saídas de
campo com colegas!
Sim, primeiro por iniciativa própria. Recordo-me de que foi no primeiro ano
que tivemos a primeira cadeira de campo e de ter ido praticar precisamente lá
para os arredores da povoação. E também de ir para o campo de bicicleta, o que
era curioso. Era uma daquelas bicicletas antigas, a que chamávamos pasteleira.
Curiosamente, uns anos depois, alguém a roubou lá de casa, porque já na altura
valia dinheiro! Portanto, era na pasteleira que ia para o campo. Nos anos
seguintes, também por iniciativa própria, um grupo de alunos começou a
aproveitar as férias da Páscoa para fazer saídas. Na altura, as férias eram de
duas semanas, não como hoje, que estão restritas a uma. A meteorologia até era
muitas vezes bastante favorável, mais agradável, e surgiu a ideia: porque é que
não íamos fazer umas visitas? Não era propriamente para fazer cartografia, era
mais para ver, conhecer. Nós tínhamos lá na faculdade as cadeiras de Geologia
de Portugal, falava-se nas formações A, B e C, nas unidades X e Y, que
afloravam no sítio tal, e por aí fora. E nós íamos ver! Éramos um grupo com
origens diversas. Havia uma forte representação da Beira Baixa: eu, outros
colegas de Castelo Branco, da Covilhã, do Fundão... O meu colega Luís Neves,
por exemplo, é de Carias, junto a Belmonte. Mas havia também pessoal da zona de
Mação, do Sardoal, de Abrantes. Então, o que fazíamos era que cada um
organizava uma saída na sua região. Lembro-me de termos ido ao Sardoal, a Mação
e também à zona de Alcains, entre Alcains, Ladoeiro e Idanha. O que era
curioso, porque a minha família tinha lá um olival, daqueles tradicionais, com
uma casa completamente perdida naquela região, naquela xistalhada! Mas
estávamos na auréola de metamorfismo de contacto, ou seja, próximos do granito.
Ficámos aí instalados durante uns dias. Imaginem, uma casa de campo, com todas
as características de uma casa de campo! O meu pai, recordo-me, tinha uma
carrinha, levou-nos para lá, deixou-nos e nós desenrascámo-nos durante aqueles
dois ou três dias. Isto foi-se repetindo todos os anos e passou a ser uma
tradição. Cada ano era um colega a organizar: o [António] Chambel, que era do
Sardoal e organizou uma ida àquela zona; a Maria dos Anjos, que até há pouco
tempo também foi docente no Porto, organizou outra saída. Depois, já para aí no
quarto ou quinto ano, não me lembro bem, o diretor do departamento, na altura o
professor [Martim] Portugal Ferreira, ouviu falar destes grupos que
costumávamos formar e começou a dizer: "Então vocês, em vez de andarem aí
a passear, podiam fazer uma coisa mais útil, até para nos ajudar, porque temos
aqui alguns trabalhos a decorrer e vocês podiam ajudar-nos a fazer a
cartografia de alguns sítios." Recordo-me, em particular, de termos ido
para a zona da Mêda, onde havia uma carta que ainda hoje está para ser
publicada. Não sei se já saiu ou não [Folha 15-A - Vila Nova de Foz Côa, 1990] –
reparem há quanto tempo começou! É natural, isto do tempo geológico, a gente já
sabe, estas coisas por vezes são muito lentas. Mas ele lembrou-se disso e, com
o apoio do departamento, já não éramos nós a tratar da logística. Fomos num
velho jipe, um Land Rover que havia na altura, acompanhados por dois docentes
do DCT, o Bernardo Sousa, que faleceu relativamente cedo, e o António Saraiva, que
levaram toda aquela equipa. Curiosamente, até era uma equipa internacional,
porque, para além dos portugueses, estava também um brasileiro, um tal senhor
Ismar [de Souza Carvalho], é verdade! (risos) Ele também participou em
atividades de cartografia de granitos!
Durante os seus primeiros trabalhos de campo, na década de 80, enquanto aluno da Universidade de Coimbra
13. Está visto que era um grupo dinâmico.
Era um grupo dinâmico, é verdade, e que trabalhava muito bem em equipa.
Aliás, uma das coisas de que me recordo dessa altura era precisamente isso: um
grupo já com um número significativo de pessoas, mas que se dava bem e
trabalhava muito bem em conjunto. Ainda me recordo do tempo em que alguém
tirava apontamentos e depois os partilhava. Não havia aquela competição que
existe mais recentemente. Também a situação é diferente, como é óbvio. Havia
sempre ali um core do grupo. No meu caso, o Luís Neves, sempre bastante
próximo nestas atividades; outro colega que hoje está em Aveiro, o Jorge
Medina; a Maria dos Anjos e também o Chambel, o hidrogeólogo que está em Évora.
14. E qual foi a cadeira de que mais gostou durante a licenciatura?
Nós tivemos a sorte de ter ali um grupo muito bom da geração anterior. Recordo-me das aulas de Petrologia Ígnea, dadas pelo professor Manuel Maria Godinho. Eram realmente aulas fora de série, de uma qualidade... E onde ele introduzia muitas questões ligadas à cultura geral, não eram só as questões específicas da disciplina. Mas sublinho que era uma pessoa muito preparada, com muito cuidado na preparação das aulas. Por contraponto, tínhamos o professor Portugal Ferreira, que não preparava nada, mas tinha uma capacidade incrível! Dava uma disciplina extremamente difícil, a chamada Petrologia Metamórfica, que ainda hoje é uma disciplina em que os alunos têm alguma dificuldade. Na altura, ele tinha feito um livro e seguia-se mais ou menos esse livro, com aquelas equações e toda aquela coisa. Mas conseguia dar aquela matéria chata e difícil de uma forma tão simples! E, como disse, sem preparar nada, só com o quadro, mais nada. Mas a maneira como ele dava as aulas... Porque, lá está, acho que, independentemente da competência das pessoas e dos conhecimentos que têm, a forma como conseguem ensinar uma disciplina depende muito da didática. E havia ainda uma terceira pessoa, o professor [João Manuel] Cotelo Neiva, de cujas aulas de Recursos Minerais também nunca me esqueço. Normalmente eram às nove da manhã, numa sala escura, em que o sistema de projeção era simplesmente um livro colocado debaixo de um equipamento que projetava a página diretamente no quadro da Sala Gonçalves Guimarães, lá em cima [no Polo I], que hoje é utilizada pelo Museu [da Ciência, UC] para vários atos. Mas às nove da manhã, com este enquadramento, não era fácil a gente acompanhar! Ele tinha, porém, uma particularidade: quando percebia que os alunos já estavam a adormecer, que já não estavam lá, resolvia meter uma piada, normalmente baseada em episódios da sua experiência do dia a dia. E eu hoje sou capaz de já não me lembrar muito bem dos conceitos de Recursos Minerais que ele ensinava, mas lembro-me perfeitamente das histórias que contava! O professor Cotelo Neiva era realmente uma personalidade. Quer do ponto de vista didático, quer pela forma de ser, como as pessoas da geração dele, que obviamente não seguiam determinados protocolos.
15. Daquilo que é, ou tem sido, a sua atividade profissional, qual é a atividade que mais prazer lhe dá?
Todas as atividades mais dinâmicas, como o trabalho de investigação e a prestação de serviços, são naturalmente as que me dão mais gozo. Especialmente a prestação de serviços, que envolve a resolução de problemas. A dada altura da vida, fazer sempre as mesmas coisas começa a tornar-se um bocado chato, começa-se a perder a motivação. Mas o que hoje me dá mais gozo, concretamente nas áreas em que trabalho, é resolver os problemas que os outros não conseguem resolver.
16. Então é do desafio que gosta?
É, dos desafios! É uma das coisas que me dá mais gozo. Quantas vezes me
apareceram situações em que me colocaram um problema e quiseram que assumisse a
responsabilidade de o resolver? Na altura, não sabia muito bem se seria capaz,
mas encarava sempre aquilo como um desafio, "Ok, vamos ver! Vou
arriscar." E muitas vezes a gente diz que sim sem ter a certeza de que vai
conseguir resolver o problema. Mas, como até hoje não me tenho dado mal nessas
situações, vai-se ganhando confiança. E isso também é importante para os
desafios maiores que venham a seguir. Continuamos a ter dúvidas, mas passamos a
ter mais confiança. A experiência é extremamente importante e é isso que nos dá
mais segurança quando precisamos de resolver outros problemas. É toda essa
parte que me dá mais gozo.
18. Um geólogo, seu contemporâneo ou não, que admire
muito… há?
Uma pessoa que moldou muito aquilo que sou hoje e uma parte importante
da minha vida profissional foi o doutor [José Manuel] Matos Dias, não tenho
dúvidas. Era uma pessoa que vinha da atividade profissional na Geologia. Esteve
ligado à universidade, mas sobretudo para transmitir a sua experiência,
nomeadamente em disciplinas relacionadas com a Economia Mineral, área em que
tinha desenvolvido toda a sua atividade profissional. E a minha passagem de uma
carreira mais ligada à investigação pura em Geologia para uma vertente mais
aplicada deveu-se muito à influência dele. Porque é aquela parte para a qual a universidade
muitas vezes não está vocacionada, e ele fazia essa ligação. Foi isso que me
levou a evoluir bastante na resolução de problemas concretos para a sociedade,
nomeadamente nas questões relacionadas com a radioatividade natural e, em
particular, com as minas de urânio. Foi responsável pelo setor de prospeção da
Junta de Energia Nuclear [JEN] e, depois, da Empresa Nacional de Urânio [ENU].
Foi também ele que iniciou o programa de remediação ambiental das antigas minas
de minerais radioativos, lançado por volta de 2001. A ENU fechou em 2000 e o
programa iniciou-se em 2001, estando ainda a decorrer. São 25 anos, um quarto
de século, e tenho vindo a acompanhar este programa tão importante. Aliás,
também foi muito importante para o próprio DCT, porque, se o Laboratório de
Radioatividade Natural [LRN] tem hoje a dinâmica que todos conhecemos, isso
deve-se em grande parte a este programa e às oportunidades que proporcionou.
Inicialmente, fazíamos muitas análises no estrangeiro, porque não tínhamos
capacidade para as realizar em Portugal. Com essas verbas, investimos no
laboratório e reforçámos as suas capacidades. Embora o professor Matos Dias não
tenha sido meu professor, conheci-o numa fase da carreira em que comecei a
desenvolver estas atividades mais ligadas à remediação ambiental das minas de
urânio. Foi uma pessoa extremamente importante, porque me transmitiu todo
aquele conhecimento prático que as universidades, por vezes, não transmitem,
dando-me essa outra valência. Foi fundamental para o resto da minha carreira e
continua a sê-lo até hoje. Se querem um nome, seria ele.
17. E qual é a tarefa mais chata, aquela de que menos
gosta? E não me diga o Lugus [plataforma de gestão administrativa da
Universidade de Coimbra], tem de ser mais criativo!
A mais chata? É quando me obrigam a passar uma semana
sentado à secretária a tratar de assuntos burocráticos, da parte
administrativa, que hoje é cada vez maior. Estive à frente do departamento numa
determinada fase, há uns anos, e estou novamente agora [2023-2025], e noto uma
diferença grande: a burocracia é cada vez maior. Hoje em dia, o tempo que temos
para definir e tentar implementar estratégias é cada vez mais reduzido, porque
temos de tratar de assuntos que, na minha opinião, são na maioria das vezes
profundamente secundários, sem a importância que lhes é dada, mas que consomem
tempo e recursos. Portanto, reconheço que passar a semana sentado à secretária
não é propriamente o mais motivante.
19. E se tivesse de escolher um livro, uma carta
geológica ou um artigo… qual seria a sua publicação de eleição na área das
geociências?
Na área das geociências, destacaria os trabalhos de um senhor que
continuam perfeitamente atuais, apesar de remontarem à década de 60: Felix
Chayes. Era um americano que demonstrou a extrema importância de os geólogos
aplicarem também a componente quantitativa e matemática à Geologia. Foi,
digamos, dos primeiros a mostrar essa vantagem e começou também a trabalhar com
computadores. Na altura, com o arranque da informática, começou a organizar
bases de dados, por exemplo, ligadas à vulcanologia. Nós, aqui em Coimbra,
também começámos por aí, quando tivemos o primeiro computador pessoal,
chamemos-lhe assim. Era o NEC, uma coisa com um disco rígido de 10 megabytes, espetacular!
Tivemos um projeto com o professor Manuel Maria Godinho precisamente com essa
ideia: criar uma base de dados para as rochas graníticas, reunindo toda a
informação geoquímica numa única base. Como devem imaginar, foi um trabalho
daqueles interessantes: ler os artigos todos, retirar as tabelas e os
resultados à mão e depois introduzi-los num software que nós próprios
desenvolvemos. Na altura não havia software disponível, fazíamos nós o software!
Eu e o Luís Neves, que esteve sempre muito próximo nestas atividades,
preparámos essa primeira base de dados, que ainda deu origem a uma publicação,
com já não me lembro quantas entradas. Mas recordo-me de que só foi possível
graças àquele computador, o tal NEC. Isto ainda antes dos IBM e dessas
tecnologias. Aliás, para que se saiba, o DCT teve uma das primeiras salas de
computadores para alunos da Faculdade de Ciências e Tecnologia! À frente de
departamentos que, supostamente, deveriam ter computadores antes de nós.
Começámos com os Spectrum e depois passámos para os Amstrad. Eram esses que
tínhamos na primeira sala de computadores para os alunos, onde dávamos as aulas
de Geomatemática. E cada aluno já tinha um computador à sua disposição, o
famoso Amstrad. O professor Manuel Maria Godinho tinha um gosto especial pela
Matemática e competências excecionais, não só em termos didáticos, mas também
pelas ideias inovadoras para a época. Foi isso que permitiu criar condições
para desenvolver trabalhos como aquela base de dados e instalar uma das
primeiras salas de computação do DCT, que não era, à partida, dos departamentos
mais óbvios para tal.
20. Qual foi o evento ou momento mais marcante da sua carreira?
Se pensarmos naquilo que disse há pouco, foi, no fundo, a decisão de continuar ou não a apostar numa carreira académica. Acho que esse foi um momento muito importante, porque reconheço que, na altura, tinha sérias dúvidas sobre o que fazer na vida. Havia aquela ligação à vertente mais aplicada, até porque, na altura, existiam várias áreas de trabalho para além dos recursos minerais. Havia alguma atividade, não era como hoje, em que, neste país, cada vez que se tenta fazer alguma coisa nessa área cai o Carmo e a Trindade. Havia oportunidades e, portanto, a minha dúvida era se devia apostar numa carreira fora da academia. Era aquela vertente mais dinâmica, na qual me sentia melhor, e reconheço que fiquei um bocadinho dividido. Mas, a dada altura, tinha de tomar uma decisão. Tomei-a e não estou arrependido até hoje, como é evidente.
21. E, nesse sentido, olhando agora em retrospetiva para praticamente toda a sua carreira, arrepende-se de alguma coisa ou não se via a fazer mais nada?
Não, não me via a fazer outra coisa. Sempre senti uma motivação muito, muito grande. Quando a gente está disponível, como estive durante tantos anos – e isso muitas vezes à custa da família, porque alguém paga no meio destas coisas –, não se cansa. Porque instalar a estrutura que existe neste momento no Laboratório de Radioatividade Natural, partindo praticamente do nada... Não foi propriamente uma questão financeira, isso nunca foi o principal problema, mas sobretudo de recursos humanos. Quantas vezes não houve fins de semana, noites, etc.? É uma vida muito intensa, não são só oito horas de trabalho por dia, é muito mais do que isso, e ainda hoje é. Para fazer isto, só mesmo por dedicação. Até porque não nos pagam nada por isso! É o que costumo dizer: "Para que é que ando com isto, se recebo o mesmo que os meus colegas? Porque é que ando com isto?" Epá, ando com isto por gosto! Porque estou motivado para o fazer. Se não tivesse essa motivação, não o faria, como é óbvio. Se pensasse apenas em fazer aquilo para que me pagam, é evidente que não teria feito o que fiz até hoje. Portanto, não me arrependo de nada.
22. Lançando-nos agora um bocadinho para a frente, assusta-o o futuro do laboratório?
Essa é a questão, é verdade. Por um lado, a gente pensa "Pronto, posso ir-me embora, porque claramente ficou um resíduo." Acho que é importante, nas universidades, deixarmos um resíduo. Não é simplesmente passar. Muita gente passa, até porque isso depende muitas vezes das condições, não apenas das pessoas. Mas há outra coisa... Se, por um lado, pensamos "Sim, senhor, deixo um resíduo", por outro, queremos que não seja um resíduo no sentido de qualquer coisa que ficou no passado. (risos) Queremos deixar qualquer coisa que tenha futuro! E é verdade que, nesta fase da vida, a gente fica a baloiçar entre o "Ok, já estou farto disto, vou-me embora, posso ir-me embora" e a preocupação de que esta máquina – porque acho que, neste caso concreto, é uma máquina, construída de raiz, que começou aqui mesmo, onde estamos neste momento –, e que hoje tem uma dinâmica tremenda, possa sair prejudicada. O próprio país evoluiu no sentido de criar condições para que o laboratório subsista. Há procura se houver legislação; não há procura se não houver legislação, já sabemos disso. Quando prestávamos serviços de apoio à monitorização das minas de urânio, não nos era exigido nada em termos de acreditações ou certificações. A dada altura, percebemos que isso não ia continuar assim. Sabíamos que estava para sair uma diretiva comunitária, em 2013, que iria claramente criar mercado na área da radioatividade natural. E a questão era esta: ou continuávamos como estávamos, deixando a atividade deslizar até acabar – eu ia-me embora e aquilo acabava –, ou nos adaptávamos e criávamos novas oportunidades. Mas, para isso, era necessário acreditar o laboratório. Aproveitámos então o intervalo entre a publicação da diretiva comunitária, em 2013, e a sua transposição para a legislação nacional, cinco anos depois, para lançar as bases da acreditação e preparar o laboratório para dar resposta a uma procura que já não viria apenas das minas de urânio, mas de todo o país. Fomos acreditando os ensaios que sabíamos que, mais cedo ou mais tarde, teriam procura. E foi o que aconteceu. Quando surgiu a obrigatoriedade legal e começou a procura, já estávamos preparados para responder, criando também a sustentabilidade financeira da própria estrutura. Aliás, uma das coisas que reconheço que me dá um gozo bestial é que este tipo de serviços permite angariar os financiamentos necessários para termos total autonomia e dizer "Eu hoje quero fazer isto com este dinheiro." E não estou dependente do reitor, nem da FCT. Podemos achar que o importante é aquilo e é para ali que se aposta, sem todos esses constrangimentos e condicionalismos. Esta é, para mim, uma das grandes vantagens da prestação de serviços. Porque, às vezes, há aquela tendência para a considerar uma atividade secundária, como se o importante fosse apenas a investigação científica. Mas a verdade é que a prestação de serviços nos dá, muitas vezes, as condições e a sustentabilidade financeira para depois fazermos tudo o que quisermos na componente de investigação. E, com essa independência e autonomia, é muito diferente sermos nós a decidir, sem estarmos condicionados, ou termos todos os condicionalismos associados a outros tipos de financiamento. Dá-nos uma independência total, no sentido de que, se queremos tomar uma decisão, bem ou mal, tomamo-la...
23. Conte-nos um momento que possa ter sido um
falhanço ou um embaraço.
Reconheço que,
felizmente, ao longo da minha atividade profissional, quer na prestação de
serviços, quer na investigação, nunca tive o dissabor de sentir que não
conseguimos alcançar aquilo a que nos propusemos. Custou-me mais, curiosamente,
uma situação ainda recente: uma proposta que fizemos aqui no departamento
[DCT], já sem qualquer relação com os trabalhos de radioatividade, e que não
foi aprovada. Tentámos trazer para a Universidade de Coimbra uma licenciatura
que considerávamos inovadora, mesmo a nível nacional, ligada à observação da
Terra, mas com uma forte ligação à engenharia. Não pretendíamos apenas ensinar
a aplicar dados obtidos por satélites, drones e toda essa tecnologia que hoje é
extremamente importante. A ideia era formar alunos que, para além de
conhecimentos na componente naturalista, tivessem também conhecimentos na
componente tecnológica. Não seriam especialistas em tecnologia, mas
compreenderiam o seu funcionamento e, ao mesmo tempo, os fenómenos naturais. Porque
o que muitas vezes sentimos é que estas tecnologias todas XPTO são
desenvolvidas por especialistas que não compreendem os processos naturais. E
acabamos por ter duas áreas que trabalham um bocadinho dissociadas. Estando nós
numa Faculdade de Ciências e Tecnologia, pareceu-nos que fazia todo o sentido
tentar aproximá-las. Era uma experiência! E, além disso, tinha financiamento do
PRR [Plano de Recuperação e Resiliência]. Se funcionasse mal, ao fim de três
anos acabava. Infelizmente, a proposta teve de passar por uma entidade chamada
A3ES. E o painel de avaliação que foi nomeado – a responsabilidade não é da
comissão, mas do painel –, do nosso ponto de vista, não compreendeu a inovação
que ali estava, nem aquilo que pretendíamos fazer. Como tudo aconteceu muito em
cima da hora e, se a licenciatura não arrancasse naquele ano, perderíamos o
financiamento, ficámos bastante limitados na possibilidade de reclamar. Acho
que houve um erro por parte do painel, o que é uma pena. Mas reconheço também
que talvez não tenhamos sabido apresentar a proposta da melhor forma. Não ponho
de parte a nossa responsabilidade. Ainda assim, acho que se perdeu uma
oportunidade de experimentar uma formação que procurava responder a uma
necessidade que tínhamos identificado: ligar a componente tecnológica à
naturalista. E acho que é esse o futuro. A resolução de muitos problemas vai
passar precisamente por estas ligações entre as duas áreas. Infelizmente, não
funcionou. Perdeu-se a oportunidade e perdeu-se também o financiamento. Assumo
a parte de responsabilidade que me cabe, mas continuo a achar que a maior
responsabilidade foi de um painel que não conseguiu perceber o que realmente se
pretendia. Havia inovação e, naturalmente, havia risco. Os alunos chegam-nos do
secundário muito formatados: ou gostam de Matemática ou não gostam. E juntar
estas duas componentes era, reconheço, um risco. Mas senti logo um primeiro
problema. Sabem qual foi? Quando tivemos de escolher em que área enquadrar a
licenciatura, não sabíamos onde a colocar! Porque o sistema da A3ES é muito
rígido, muito assente nas áreas tradicionais. Quando tentamos fazer alguma
coisa fora desse enquadramento, começam logo os problemas. Desde o início, a
questão era: "Em que campo é que eu meto isto?"
24. Tem algum hobby fora da Geologia?
(risos) Há, por acaso, duas coisas. Um hobby mais antigo e outro mais recente,
digamos assim. O mais antigo é a História. Sempre gostei muito de ler sobre
História e de tentar compreender a evolução das sociedades, desde as mais
antigas até às mais recentes. Inclusive, escolho um bocadinho os destinos de
férias em função disso. Ainda no ano passado [2024] estive no México, para
conhecer a cultura maia e aprender alguma coisa. Este ano [2025] até pode ser o
Egito, para conhecer a história das pirâmides. O mais recente é a agricultura.
Agricultura tradicional, de subsistência. Tenho lá no terreno couves, tomates,
morangos, abóboras e uma grande variedade de árvores de fruto. Aliás, é um
terreno que pertence à família há muitos anos e que sempre foi muito
interessante pelas suas árvores de fruto. Temos lá laranjeiras com mais de 100
anos! Chama-se a isto a doença da velhice, também!
25. Qual foi o local mais bonito que já viu por causa da Geologia?
Acho que
algumas das paisagens mais bonitas que vi por causa da Geologia, e que nunca
mais esqueci, foram durante a nossa estadia em Angola, nomeadamente no sudoeste
do país. Não consigo escolher um local em particular, porque há vários. É
realmente uma região extraordinária do ponto de vista paisagístico. E diria
entre Angola e a Namíbia, porque também tive oportunidade de conhecer algumas
zonas da Namíbia. Há duas imagens que não me saem da cabeça. Uma é a da Serra
da Leba e, em particular, a chamada Fenda da Tundavala. A outra é uma paisagem
que se observa na estrada, quando se vem do norte da Namíbia em direção à
fronteira com Angola. É uma região onde, ao longo de muitos quilómetros, as
diferenças de altitude são inferiores a um metro. E, em determinados pontos,
olhamos para a terra da mesma forma que olhamos para o mar. A vastidão do
horizonte é tal que temos a perceção da curvatura da Terra: a paisagem
prolonga-se até deixar de ser visível, tal como acontece quando olhamos para o
mar. São duas imagens que, para mim, são inesquecíveis. E ambas estão ligadas a
trabalhos que desenvolvi no âmbito da Geologia, claro.
26. Se pudesse viajar no tempo geológico e assistir a um evento geológico,
qual escolheria?
Gostaria de ver
quando começou a vida na Terra. É uma questão que sempre me despertou uma
enorme curiosidade. Quando recebemos estudantes do secundário no LRN e falamos
de urânio, ficam logo preocupados com os materiais radioativos. E eu costumo
dizer-lhes: "Mas vocês já perceberam que, para além de terem elementos
radioativos na vossa constituição, também têm materiais das estrelas?" E há
cada vez mais teorias – as mais recentes continuam a apontar nesse sentido – sobre
uma possível influência extraterrestre, chamemos-lhe assim, na origem da vida
na Terra. Outra coisa que lhes costumo perguntar é: "O que é que distingue a
Terra dos outros planetas do Sistema Solar?" Todos sabemos que a Terra tem uma
dinâmica especial, nomeadamente a tectónica de placas. Mas essa máquina precisa
de energia para funcionar e, mais uma vez, lá vêm os radioativos como motor. É
um motor nuclear! Um motor nuclear, autenticamente! Mas o que eu realmente
gostava de perceber era como tudo começou. Como surgiu a vida? Porque é que os
outros planetas não têm condições para isso e aqui, em particular, sim? Não
sabemos se será só aqui... Daqui a alguns anos, talvez venhamos a encontrar
outras formas de vida espalhadas pelo Universo. A probabilidade não é muito
grande e talvez a vida esteja restrita a este planeta. Mas era a isso que
gostava de assistir: ao aparecimento da vida na Terra.
Intraclasto
Radão - o intraclasto invisível
Como intraclasto, o Alcides tinha pensado trazer-nos radão. Salvo seja! Um intraclasto original, sem dúvida, mas com um pequeno inconveniente: não se vê, não se cheira, não se sente... e, portanto, também não se fotografa! Ficámo-nos pelos detetores utilizados no Laboratório de Radioatividade Natural da Universidade de Coimbra para medir a presença deste gás. Pertence à família dos gases nobres, mas de inofensivo tem pouco. É radioativo, pode acumular-se no interior dos edifícios e constitui um risco para a saúde. Na vida, como na tabela periódica, há nobres de quem convém desconfiar!
Geomanias
Rocha preferida? Granito, claro
Mineral preferido? Quartzo
Fóssil preferido? Pode ser uma trilobite! Para não ser os dinossauros, sempre a mania dos dinossauros
Era, Período, Época ou Idade preferido? Câmbrico
Unidade litostratigráfica preferida? Plutonito da Zebreira
Afloramento ou corte favorito? No caso dos granitos é sempre difícil. Um corte interessante é o que se vê na estrada da Zebreira para Idanha-a-Nova.
Pedra mole ou pedra dura? Dura, claro!
Campo, gabinete ou laboratório? Campo, claramente
Recursos minerais metálicos ou não metálicos? Metálicos
Diáclase ou diaclase? Diaclase
Teaser da Entrevista
Alcides Pereira: “Acho que é importante, nas universidades, deixarmos um resíduo.”
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