segunda-feira, outubro 19, 2026

O Everest não é a maior montanha na História geológica da Terra...

Já existiu na Terra uma montanha mais alta do que o Everest?

 

 

 

O Evereste talvez seja hoje o rei do planeta, mas já alguma vez a Terra ergueu da sua superfície uma montanha maior?

Às vezes, erguer picos altíssimos dá muita luta. E haverá acontecimento mais estrondoso do que o choque de placas continentais?

Estes amontoados geológicos deram origem a algumas das maiores e mais altas montanhas do planeta, incluindo o Evereste e os seus vizinhos dos Himalaias. Mas terá existido alguma vez um pico mais alto do que o Evereste, que se ergue a 8.849 metros acima do nível do mar?

A resposta continua a ser um mistério.

Mas há pistas geológicas sobre onde estariam os picos mais altos num passado remoto, explicam especialistas ouvidos pela Live Science.

Os geólogos não têm detalhes exatos que permitam apontar qual foi o pico mais alto há centenas de milhões de anos. “Infelizmente, nunca vamos conseguir esse grau de pormenor”, diz Alan Collins, professor de geologia na Universidade de Adelaide, na Austrália.

Ainda assim, há pistas em sedimentos que ficaram presos na crosta terrestre e que sugerem a grandeza perdida de cumes nevados e picos dos primórdios do planeta. Os cientistas estudam estas crostas para perceber até que profundidade desceram, o que pode revelar a altura das montanhas antigas.

As montanhas são, no fundo, pedaços da crosta continental empurrados para cima à medida que as placas tectónicas colidem devagar umas com as outras. Esta crosta é muito pesada e há muito mais nela do que se vê à superfície.

Mesmo os picos mais espetacularmente altos, como o Evereste (que, curiosamente, é apenas o 46º mais alto do Mundo), estão ancorados em crosta profunda. Tal como a crosta é empurrada para cima para formar os picos, também é empurrada para baixo, bem fundo.

Tanto Collins como Ziyi Zhu, geoquímica na Universidade Curtin, na Austrália, comparam as montanhas a icebergues: só uma pequena parte espreita acima da superfície.

“Podemos defender ou especular que a maior montanha ficava num sítio onde a crosta tinha raízes profundas”, disse Zhu à Live Science.

Os geólogos calculam que os Himalaias, por exemplo, têm uma coluna de crosta que desce até 80 quilómetros. Se compararmos com a altitude do Evereste, de cerca de 9.000 metros, a montanha mais alta do mundo representa, quando muito, apenas 14% da laje de rocha de que faz parte.

Ou seja, há um limite para a altura que as montanhas podem atingir antes de ruírem sob o próprio peso.

Os Himalaias começaram a formar-se há cerca de 45 milhões de anos, com a colisão entre as placas continentais indiana e eurasiática. Para montanhas, são relativamente jovens. E é em parte por isso que ainda são tão altos.

As montanhas altas e recortadas desgastam-se depressa com o tempo. Ainda assim, os Himalaias continuam a crescer, porque as duas placas continuam a colidir.

Mas estas colisões continentais já aconteceram inúmeras vezes antes.

Foi o caso da super-montanha Transgondwana, uma antiga cordilheira no que é hoje a África Oriental, começou a surgir há cerca de 650 milhões de anos, quando a África e a América do Sul embateram na Arábia, na Índia, na Austrália e na Antártida, e formaram o supercontinente Gondwana.

Gondwana voltou a dividir-se.

Mas os vestígios destas montanhas em sítios como o sul da Índia, o Sri Lanka, a Tanzânia e o Quénia indicam que eram três vezes mais compridas do que os Himalaias.

“Se agora andarmos por lá, vemos rochas que estiveram na base deste cinturão de montanhas”, diz Collins. Em média, a crosta é mais profunda do que a dos Himalaias. “Achamos que isto tem pelo menos a escala dos Himalaias, se não mais“, disse Collins.

As crostas encontradas nestas zonas também dão pistas sobre a altura das montanhas, com secções que descem até 30 quilómetros de profundidade, apesar de quinhentos milhões de anos de erosão. “A certa altura, estariam provavelmente a meio de uma coluna de crosta com 60 quilómetros de profundidade“, disse Collins.

Ou seja, as montanhas acima desta base podiam ser tão altas como o Evereste.

Nos Himalaias, as montanhas mais altas ficam na orla do Planalto Tibetano, que tem a maior altitude do planeta: cerca de 6 quilómetros acima do nível do mar, em média.

A cordilheira Transgondwana talvez tivesse um planalto parecido à volta do sul de Madagáscar. Nesse caso, a sua orla ficaria no leste de Madagáscar, no sul da Índia e no leste da Antártida, disse Collins.

Outro candidato às montanhas mais altas foi a orogenia de Grenville, que surgiu com a formação do supercontinente Rodínia, a partir de há cerca de 1,3 mil milhões de anos. Os seus restos podem ver-se no sudeste do Ontário e no noroeste do Vermont.

Mas sabe-se menos sobre esta cordilheira extinta, disse Collins, e há investigadores que defendem que não teria sido tão alta como a Transgondwana ou os Himalaias.

Mais atrás no tempo, há cerca de 2 mil milhões de anos, a formação do supercontinente Nuna (também chamado Columbia) deixou igualmente vestígios de montanhas verdadeiramente gigantes.

No seu artigo, Zhu encontrou provas desta supermontanha ao analisar a composição de cristais de zircão que ficaram na crosta, por baixo desta cordilheira desaparecida.

Mas, se recuarmos ainda mais, o quadro fica mais turvo.

Quando a Terra era mais quente, é provável que as montanhas não conseguissem ser tão altas, porque uma crosta mais quente aguenta menos peso, diz Collins.

As placas continentais e as rochas estáveis só começaram a formar-se há cerca de 4 mil milhões de anos. E foram precisas mais algumas centenas de milhões de anos para se formarem os grandes continentes.

Para Zhu, as cordilheiras de Nuna, Transgondwana e dos Himalaias são, para já, os melhores candidatos a ter tido as montanhas mais altas de sempre. Mas é provável que seja impossível apontar o pico mais alto em concreto, pelo menos com os métodos científicos atuais.

“É uma questão em aberto”, diz Zhu.

 

in ZAP

Nunca te esqueceremos, Manuel António Pina...

(imagem daqui)

 

It's allright, ma...

 

Está tudo bem, mãe,
estou só a esvair-me em sangue,
o sangue vai e vem,
tenho muito sangue.

Não tenho é paciência,
nem tempo que baste
(nem espaço, deixaste-me
pouco espaço para tanto existência).

Lembranças a menos
faziam-me bem,
e esquecimento também
e sangue e água a menos.

Teria cicatrizado
a ferida do lado,
e eu ressuscitado
pelo lado de dentro.

Que é o lado
por onde estou pregado,
sem mandamento
e sem sofrimento.

Nas tuas mãos
entrego o meu espírito,
seja feita a tua vontade,
e por aí adiante.

Que não se perturbe
nem intimide
o teu coração,
estou só a morrer em vão




in
Cuidados Intensivos (1994) - Manuel António Pina

Hoje é dia de ouvir The Paragons...

 
 

The Paragons - The Tide Is High 


The tide is high but I'm holding on
I'm gonna be your number one
I'm not the kinda man who gives up just like that
No

It's not the things you do that really hurts me bad
But it's the way you do the things you do to me
I'm not the kinda man who gives up just like that
No

The tide is high but I'm holding on
I'm gonna be your number one
Number one
Number one

Every man wants you to be his girl
But I'll wait, my dear, 'til it's my turn
I'm not the kinda man who gives up just like that
No

Every man wants you to be his girl
But I'll wait, my dear, 'til it's my turn
I'm not the kinda man who gives up just like that
No

The tide is high but I'm holding on
I'm gonna be your number one
The tide is high but I'm holding on
I'm gonna be your number one
The tide is high but I'm holding on
I'm gonna be your number one

Hoje é dia recordar Vinicius de Moraes...

 

A rosa de Hiroxima
Rio de Janeiro, 1954


Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A antirrosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.

 

Vinicius de Moraes 

Raul Solnado nasceu há 97 anos...

 
Raul Augusto de Almeida Solnado (Lisboa, Santa Isabel, 19 de outubro de 1929 - Lisboa, Campo Grande, 8 de agosto de 2009) foi um humorista, apresentador de televisão e ator português.
      
(...)
      
Casou a 15 de março de 1958 com Joselita Alvarenga (Cambuquira, Minas Gerais, 4 de dezembro de 1934), de quem se divorciou a 30 de maio de 1980. Era pai de José Renato Alvarenga Solnado (Lisboa, São Sebastião da Pedreira, 2 de dezembro de 1959), de Alexandra Solnado (28 de novembro de 1960) e do cantor Mikkel Solnado (1975, filho de Anne Louise), além de avô da atriz Joana Solnado.
Raul Solnado faleceu no dia 8 de agosto de 2009, vitima de doença cardiovascular e os seus restos mortais descansam no Cemitério dos Prazeres. Será para sempre um ícone do povo português e de Portugal.
          

 

 

Carlos Malheiro Dias morreu 85 anos...

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/30/Carlos_Malheiro_Dias_-_Ilustra%C3%A7%C3%A3o_Portugueza_%2821Mai1917%29.png?utm_source=pt.wikipedia.org&utm_campaign=imageinfo&utm_content=thumbnail_unscaled
   
Carlos Malheiro Dias, também conhecido como Carlos Dias (Cedofeita, Porto, 13 de agosto de 1875 - Campo Grande, Lisboa, 19 de outubro de 1941), foi um jornalista, cronista, romancista, contista, político monárquico e historiador luso-brasileiro.
 

Estudou no Liceu de Lamego, na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, onde apenas iniciou o curso de Direito, e na Universidade de Lisboa, onde concluiu a licenciatura no Curso Superior de Letras.

Filho de pai português, Henrique Malheiro Dias, negociante, natural do Porto e mãe brasileira, Adelaide Carolina Araújo Pereira, natural de Canguçu, partilhou entre os dois países a sua vocação literária. Seguiu para o Rio de Janeiro em 1893, iniciando a sua vida literária colaborando em jornais da capital da jovem república brasileira.

A sua primeira publicação, o romance naturalista A Mulata (1896), sobre o baixo mundo do Rio de Janeiro, cuja personagem principal é uma prostituta, foi recebido violentamente pela crítica, que o considerou um insulto para a época, tendo sido adjetivado de "livro infame, em que nada do Brasil escapara ao insulto" e uma verdadeira "enxurrada de lama".

Diante da reação desfavorável, o autor voltou para Portugal, onde ingressou na política. Monárquico militante, foi deputado entre 1897 e 1910.

Casou, aos 23 anos de idade, a 31 de dezembro de 1898, na freguesia de Nespereira, do concelho de Guimarães, com Luísa de Sousa Ribeiro de Abreu, natural da freguesia de Oliveira do Castelo, filha de Domingos Luís Ribeiro, já falecido e de Maria Etelvina de Freitas Ferreira, de quem mais tarde se divorciou e com quem teve duas filhas: Maria Adelaide de Sousa Malheiro Dias (Cedofeita, Porto, 26 de fevereiro de 1900 - ?), que casou com Duarte Moniz Pereira, e Maria Luísa de Sousa Malheiro Dias (São Sebastião da Pedreira, Lisboa, 27 de outubro de 1905 - São Domingos de Benfica, Lisboa, 10 de outubro de 1989), que casou com Ramiro Guedes Correia de Campos.

Fez parte da Maçonaria, tendo entrado na loja maçónica “Luís de Camões” de Lisboa.

Com a proclamação da república portuguesa (1910), exilou-se voluntariamente no Brasil, onde viveu até 1935. Quando do seu retorno em 1910, a comunidade portuguesa do Rio de Janeiro ofereceu-lhe, na conceituada Confeitaria Colombo, um jantar de homenagem e de desagravo pelas hostilidades ocorridas quando da publicação do seu primeiro e polémico romance. Compareceram políticos, escritores e representantes da classe conservadora, todos vaiados por um grupo de jornalistas, poetas e jovens intelectuais na rua do Ouvidor, à porta da Colombo, inclusive Rui Barbosa que, embora recebido em respeitoso silêncio, ao adentrar a confeitaria, ouviu o protesto do poeta Bastos Tigre, que lhe gritou: "Não sou tigre de tapete!"

A comunidade portuguesa no Brasil ofereceu-lhe, também, a moradia onde viveu, em Lisboa, na Avenida do Brasil, perto do Campo Grande, e que hoje já não existe.

A 2 de Junho de 1919 foi feito Grande-Oficial da Ordem Militar de Cristo, tendo sido elevado a Grã-Cruz da mesma Ordem a 13 de junho do mesmo ano.

Abandonou posteriormente a ficção e passou para a historiografia e temas cívicos e políticos. Coordenou a publicação da monumental História da Colonização Portuguesa do Brasil (1921), com reconhecida maestria, em que confluíram o realismo historicista e o neorromantismo nacionalista. Junto com Frederico Barata, fundou e dirigiu a famosa revista carioca O Cruzeiro (1928), de Assis Chateaubriand. E é possível que tenha sido o autor das cartas entre tia e sobrinha, na secção "Carta de Mulher" dramatizando a tradição e a modernidade nos primeiros anos de edição da revista O Cruzeiro, sob os pseudônimos de "Iracema", a tia, e "Lucia", a sobrinha. "Iracema" era o pseudónimo de Carlos Malheiro Dias na Revista da Semana, na secção "Cartas de Mulher", no plural.

Além de ter sido diretor da revista Ilustração Portuguesa e codiretor de O Domingo Ilustrado (1925-1927), colaborou em diversas publicações periódicas, nomeadamente nas publicações periódicas Branco e Negro (1896-1898), Brasil- Portugal (1899-1914), Serões (1901-1911), Revista do Conservatório Real de Lisboa (1902), Atlantida (1915-1920), Contemporânea (1915-1926), Homens Livres (1923), Lusitânia (1924-1927), Feira da Ladra (1929-1943) e no Boletim do Sindicato Nacional dos Jornalistas (1941-1945).

Foi também um dos fundadores da Academia Portuguesa de História (1936), considerada sucessora da Academia Real de História Portuguesa. Foi membro-correspondente da Academia Brasileira de Letras (ABL), sucedendo a Eça de Queiroz. Romancista, contista e cronista, é considerado um dos maiores e mais talentosos escritores portugueses da geração seguinte à do autor de O primo Basílio.

Faleceu aos 66 anos, vitimado por uma broncopneumonia, na Avenida Alferes Malheiro, número 19, freguesia de Campo Grande, em Lisboa. Esteve primeiramente sepultado no Cemitério do Lumiar, sendo trasladado, a 31 de julho de 1942, para o Cemitério da Atouguia, em Guimarães, sendo cumprida a sua última vontade.

 

Peter Tosh nasceu há oitenta e dois anos...

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Winston Hubert McIntosh, mais conhecido como Peter Tosh (Westmoreland, 19 de outubro de 1944 – Kingston, 11 de setembro de 1987) foi um pioneiro músico de reggae/ska, conhecido pela sua militância, por ser bem-instruído e por se meter frequentemente em confusões.
 
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/97/PeterToshWithRobbieShakespeare1978.jpg?utm_source=en.wikipedia.org&utm_campaign=imageinfo&utm_content=thumbnail_unscaled
Peter Tosh com Robbie Shakespeare, 1978 
    
 

Ernest Rutherford morreu há 89 anos...

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Ernest Rutherford, primeiro Barão Rutherford de Nelson, (Brightwater, Nova Zelândia, 30 de agosto de 1871 - Cambridge, 19 de outubro de 1937), foi um físico e químico neozelandês naturalizado britânico, que se tornou conhecido como o pai da física nuclear. Num trabalho no começo da carreira, descobriu o conceito de meia-vida radioativa, provou que a radioatividade causa a transmutação de um elemento químico noutro, e também distinguiu e nomeou as radiações alfa e beta. Foi premiado com o Nobel de Química em 1908 "por suas investigações sobre a desintegração dos elementos e a química das substâncias radioativas".
Rutherford realizou a sua obra mais famosa após ter recebido esse prémio. Em 1911 defendeu que os átomos têm a sua carga positiva concentrada num pequeno núcleo, e, desse modo, criou o modelo atómico de Rutherford, ou modelo planetário do átomo, através da sua descoberta e interpretação da dispersão de Rutherford na sua experiência da folha de ouro. A ele é amplamente creditada a primeira divisão do átomo, em 1917, liderando a primeira experiência de "dividir o núcleo" duma forma controlada, por dois alunos sob a sua direção, John Cockcroft e Ernest Walton.
Dedicada à sua memória, a Medalha e Prémio Rutherford foi instituída pelo Conselho da Sociedade de Física em 1939. A primeira palestra ocorreu em 1942. A palestra foi convertida numa medalha e prémio, em 1965, sendo a primeira Medalha e Prémio Rutherford concedida no ano seguinte.

 

Brasão do barão Rutherford de Nelson

 

in Wikipédia

Saudades de Manuel António Pina...

 (imagem daqui)

 


Amor como em Casa


Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.


Manuel António Pina

O pintor José Rodrigues morreu há 139 anos

https://thumb.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/7/72/Auto_retrato_de_Jos%C3%A9_Rodrigues_2100_01.JPG/500px-Auto_retrato_de_Jos%C3%A9_Rodrigues_2100_01.JPG?utm_source=pt.wikipedia.org&utm_campaign=imageinfo&utm_content=thumbnail
Auto-retrato de José Rodrigues
  
José Rodrigues de Carvalho (Lisboa, 16 de julho de 1828 - Lisboa, 19 de outubro de 1887) foi um pintor português da época romântica.
Considerada a sua obra mais famosa, O cego rabequista, pintada em 1855, foi exibida na Exposição Universal de Paris em 1855 e na Exposição Internacional do Porto em 1865, conquistando o segundo lugar.
    
O Pobre Rabequista ou O Cego Rabequista (1855)
   

El-Rei D. Luís I morreu há 137 anos...

         
D. Luís I de Portugal, de nome completo: Luís Filipe Maria Fernando Pedro de Alcântara António Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis João Augusto Júlio Valfando de Saxe-Coburgo-Gotha e Bragança (Lisboa, 31 de outubro de 1838 - Cascais, 19 de outubro de 1889) foi o segundo filho da rainha D. Maria II e do rei Fernando II e era sobrinho do Imperador D. Pedro II do Brasil, irmão mais novo de sua mãe. Luís herdou o trono depois da morte do seu irmão mais velho, D. Pedro V, em 1861. Ficou conhecido como O Popular, devido à adoração que o povo lhe devotava; Eça de Queirós chamou-lhe O Bom.

Morre, subitamente, no seu palácio de verão, na cidadela de Cascais, a 19 de outubro de 1889. Sucedeu-lhe o seu filho Carlos, sob o nome de Carlos I de Portugal.
  
  

Hoje é preciso ouvir uma ilha no sol...

Vinicius de Moraes nasceu há cento e treze anos...

https://thumb.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/19/Vinicius.jpg/960px-Vinicius.jpg?utm_source=pt.wikipedia.org&utm_campaign=imageinfo&utm_content=thumbnail
      
Vinicius de Moraes, nascido Marcus Vinicius de Moraes (Rio de Janeiro, 19 de outubro de 1913 - Rio de Janeiro, 9 de julho de 1980) foi um diplomata, dramaturgo, jornalista, poeta e compositor brasileiro.
Poeta essencialmente lírico, o que lhe renderia a alcunha "poetinha", que lhe teria atribuído Tom Jobim, notabilizou-se pelos seus sonetos. Conhecido como um boémio inveterado, fumante e apreciador do uísque, era também conhecido por ser um grande conquistador. O poetinha casou-se nove vezes ao longo de sua vida e suas esposas foram, respetivamente: Beatriz Azevedo de Melo (mais conhecida como Tati de Moraes), Regina Pederneiras, Lila Bôscoli, Maria Lúcia Proença, Nelita de Abreu, Cristina Gurjão, Gesse Gessy, Marta Rodrigues Santamaria (a Martita) e Gilda de Queirós Mattoso.
A sua obra é vasta, passando pela literatura, teatro, cinema e música. Ainda assim, sempre considerou que a poesia foi a sua primeira e maior vocação, e que toda sua atividade artística deriva do facto de ser poeta. No campo musical, o poetinha teve como principais parceiros Tom Jobim, Toquinho, Baden Powell, João Gilberto, Chico Buarque e Carlos Lyra.
   

 

Soneto do amigo

Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...
 
  
  
Vinicius de Moraes

José Alvalade morreu há 108 anos...

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José Alfredo Holtreman Roquette, mais conhecido por José Alvalade (Cascais, 10 de outubro de 1885 – Campo Grande, Lisboa, 19 de outubro de 1918), foi o fundador e primeiro sócio do Sporting Clube de Portugal no início do século XX, juntamente com os irmãos Francisco Stromp e António Stromp, Henrique de Almeida Leite Júnior e os irmãos Eduardo Colares Gavazzo e Francisco Colares Gavazzo.

Em sua homenagem, o Sporting Clube de Portugal deu o seu nome ao seu Estádio.

    

(...) 

   

José Alvalade morreu com apenas 33 anos, solteiro e sem geração legítima, a 19 de outubro de 1918, no Hospital do Rego (atualmente designado Hospital Curry Cabral), então pertencente à freguesia do Campo Grande, provavelmente vítima de febre tifóide (a causa do óbito surge com um ponto de interrogação no registo de óbito) e não da epidemia de pneumónica, como comummente se afirma. Foi sepultado em jazigo de família, no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa. Teve dois filhos naturais de Deolinda Amélia Baptista Pinheiro: José Alvalade Holtreman Roquette e Alfredo Alvalade Holtreman Roquette, pais respetivamente do empresário José Alfredo Parreira Holtreman Roquette e do médico José Manuel Malheiro Holtreman Roquette, seus netos. 

   

https://thumb.wikimedia.org/wikipedia/pt/thumb/9/97/Sporting_Clube_de_Portugal_logo_%282026%29.svg/500px-Sporting_Clube_de_Portugal_logo_%282026%29.svg.png?utm_source=pt.wikipedia.org&utm_campaign=imageinfo&utm_content=thumbnail

   

in Wikipédia 

A vergonhosa Noite Sangrenta da I república foi 105 anos...

(imagem daqui)
   
Noite Sangrenta é a designação pela qual ficou conhecida a revolta radical de marinheiros e arsenalistas, que ocorreu em Lisboa, a 19 de outubro de 1921, no decurso da qual foram assassinados, entre outros, António Granjo, então presidente do Ministério (primeiro-ministro), Machado Santos e José Carlos da Maia, dois dos históricos da Proclamação da República Portuguesa, o comandante Freitas da Silva, secretário do Ministro da Marinha, e o coronel Botelho de Vasconcelos, antigo apoiante de Sidónio Pais no Arsenal da Marinha.
Na origem da revolta estive a demissão do governo de Liberato Damião Ribeiro Pinto, e a sua condenação a um ano de detenção (confirmada a 10 de setembro de 1921 pelo Conselho Superior de Disciplina do Exército), um conjunto de militares ligados àquela força policial, a que se juntaram militares do Exército e da Armada, se sublevou.
  
  
A infame camioneta (imagem daqui)


19 de outubro de 1921

O 19 de outubro de 1921 foi o fim da 1ª República. Formalmente ela continuou até 28 de maio de 1926. Pelo meio, alguns episódios grotescos de um regime em degenerescência: as governações de António Maria da Silva, o carbonário tornado o chefe todo poderoso do PRP e dos respetivos caciques, diretas ou por interpostos testas de ferro; a eleição de Teixeira Gomes para a Presidência da República, uma manobra de Afonso Costa para tentar regressar ao poder; a renúncia de Teixeira Gomes quando percebeu que nem conseguia o regresso de Afonso Costa, nem passaria de um títere nas mão do odiado chefe do PRP: renunciou e abandonou o país no primeiro barco que zarpou da barra de Lisboa, com destino ao estrangeiro.
Entre o assassinato de Sidónio Pais e os massacres de 19 de outubro de 1921, Portugal, teoricamente um regime parlamentar, viveu sob uma ditadura tutelada pelos arruaceiros e rufias dos cafés e tabernas de Lisboa e pela Guarda Nacional Republicana, uma guarda pretoriana do regime, bem municiada de artilharia e armamento pesado, concentrada na zona de Lisboa e cujos efetivos passaram de 4.575 homens em 1919 para 14.341 em 1921, chefiados por oficiais «de confiança», com vencimentos superiores aos do exército. A queda do governo de Liberato Pinto, o principal cacique e mentor da GNR, em fevereiro de 1921, colocou as instituições democráticas na mira dos arruaceiros e pretorianos do regime a que se juntaram sindicalistas, anarquistas, efetivos do corpo de marinheiros, etc.. O governo de António Granjo, formado a 30 de agosto, era o alvo.
O nó górdio foi o caso Liberato Pinto, entretanto julgado e condenado em Conselho de Guerra, por causa das suas atividades conspirativas. Juntamente com o Mundo, a Imprensa da Manhã, jornal sob a tutela de Liberato Pinto, atacavam diariamente o governo, tentando provar, através de documentos falsos, que o Governo projetava o cerco de Lisboa por forças do Exército, para desarmar a Guarda Nacional Republicana. No Diário de Lisboa apareceram, entretanto, algumas notas relativas ao futuro movimento. Em 18 de agosto, um informador anónimo dizia da futura revolta: «Mot d'ordre: a revolução é a última. Depois, liquidar-se-ão várias pessoas».
O coronel Manuel Maria Coelho era o chefe da conjura. Acompanhavam-no, na Junta, Camilo de Oliveira e Cortês dos Santos, oficiais da G.N.R., e o capitão-de-fragata Procópio de Freitas. O republicanismo histórico do primeiro aliava-se às forças armadas, que seriam o pilar da revolução. Depois de uma primeira tentativa falhada, em que alguns dos seus chefes foram presos e libertados logo a seguir, o movimento de 19 de outubro de 1921 desenrolou-se num dia apenas, entre a manhã e a noite. Três tiros de canhão disparados da Rotunda pela artilharia pesada da GNR tiveram a sua resposta no Vasco da Gama. Passavam à ação as duas grandes forças da revolta. A Guarda concentrou os seus elementos na Rotunda; o Arsenal foi ocupado pelos marinheiros sublevados, que não encontraram qualquer resistência; núcleos de civis armados percorreram a cidade em serviço de vigilância e propaganda. Os edifícios públicos, os centros de comunicações, os postos de comando oficiais caíram rapidamente em poder dos sublevados. Às 09.00 horas, uma multidão de soldados, marinheiros e civis subiu a Avenida para saudar a Junta vitoriosa. Instalado num anexo do hospital militar de Campolide, o seu chefe, o coronel Manuel Maria Coelho, presidia àquela vitória sem luta.
Em face da incapacidade de resistir, às dez da manhã, António Granjo escreveu ao Presidente da República: «Nestes termos, o governo encontra-se sem meios de resistência e defesa em Lisboa. Deponho, por isso, nas mãos de V. Ex.a a sorte do Governo...» António José de Almeida respondeu-lhe, aceitando a demissão: «Julgo cumprir honradamente o meu dever de português e de republicano, declarando a V. Ex.a que, desde este momento, considero finda a missão do seu governo...» Recebida a resposta, António Granjo retirou-se para sua casa. Eram duas da tarde.
O PR recusou-se a ceder aos sublevados. Afiançou que preferiria demitir-se a indigitar um governo imposto pelas armas. Às onze da noite, ainda sem haver solução institucional, Agatão Lança avisou António José de Almeida que algo de grave se estava a passar. Perante tal, conforme descreveu depois o PR, «Corri ao telefone e investi o cidadão Manuel Maria Coelho na Presidência do Ministério, concedendo-lhe os poderes mais amplos e discricionários para que, sob a minha inteira responsabilidade, a ordem fosse, a todo o transe, mantida».
Passando a palavra a Raul Brandão (Vale de Josafat, págs. 106-107), «Depois veio a noite infame. Veio depois a noite e eu tenho a impressão nítida de que a mesma figura de ódio, o mesmo fantasma para o qual todos concorremos, passou nas ruas e apagou todos os candeeiros. Os seres medíocres desapareceram na treva, os bonifrates desapareceram, só ficaram bonecos monstruosos, com aspetos imprevistos de loucura e sonho...».
Sentindo as ameaças que se abatiam sobre ele, António Granjo buscou refúgio na casa de Cunha Leal. Cunha Leal tinha simpatias entre os revoltosos (tinha aliás sido sondado para ser um dos chefes do movimento, mas recusara) e Granjo considerou-se a salvo. Todavia, a denúncia de uma porteira guiou os seus perseguidores que tentaram entrar na casa de Cunha Leal para deter António Granjo. Cunha Leal impediu-os, mas a partir desse momento ficaram sem possibilidades de fuga porque, pouco a pouco, o cerco apertara-se e grupos armados vigiavam a casa. Apelos telefónicos junto de figuras próximas dos chefes da sublevação, que pudessem dar-lhes auxílio, não surtiram efeito.
Perto das nove da noite compareceu um oficial da marinha, conhecido de ambos, que afirmou que levaria Granjo para bordo do Vasco da Gama, um lugar seguro. Cunha Leal vacilou. Granjo mostrou-se disposto a partir. Cunha Leal acompanhou-o, exigindo ao oficial da marinha que desse a palavra de honra de que não seriam separados. Meteram-se na camioneta que afinal não os levaria ao refúgio do Vasco de Gama, mas ao centro da sublevação.
A camioneta chegou ao Terreiro do Paço onde os marinheiros e os soldados da Guarda apuparam e tentaram matar António Granjo. Cunha Leal conseguiu então salvá-lo. A camioneta entrou, por fim, no Arsenal e os dois políticos passaram ao pavilhão dos oficiais. Um grupo rodeou Cunha Leal e separou-o de Granjo, apesar dos seus protestos. Os seus brados levaram a que um dos sublevados disparasse sobre ele, atingindo-o três vezes, um dos tiros, gravemente, no pescoço. Foi conduzido ao posto médico do Arsenal.
Entretanto, vencida a débil resistência de alguns oficiais, marinheiros e soldados da GNR invadiram o quarto onde estava António Granjo e descarregaram as suas armas sobre ele. Caiu crivado. Um corneteiro da Guarda Nacional Republicana cravou-lhe um sabre no ventre. Depois, apoiando o pé no peito do assassinado, puxou a lâmina e gritou: «Venham ver de que cor é o sangue do porco!»
A camioneta continuou a sua marcha sangrenta, agora em busca de Carlos da Maia, o herói republicano do 5 de outubro e ministro de Sidónio Pais. Carlos da Maia inicialmente não percebeu as intenções do grupo de marinheiros armados. Tinha de ir ao Arsenal por ordem da Junta Revolucionária. Na discussão que se seguiu só conseguiu o tempo necessário para se vestir. Então, o cabo Abel Olímpio, o Dente de Ouro, agarrou-o pelo braço e arrastou-o para a camioneta que se dirigiu ao Arsenal. Carlos da Maia apeou-se. Um gesto instintivo de defesa valeu-lhe uma coronhada brutal. Atordoado pelo golpe, vacilou, e um tiro na nuca acabou com a sua vida.
A camioneta, com o Dente de Ouro por chefe, prosseguiu na sua missão macabra. Era seguida por uma moto com sidecar, com repórteres do jornal Imprensa da Manhã. Bem informados como sempre, foram os próprios repórteres que denunciaram: «Rapazes, vocês por aí vão enganados... Se querem prender Machado Santos venham por aqui...». Acometido pela soldadesca, Machado Santos procurou impor a sua autoridade: «Esqueceis que sou vosso superior, que sou Almirante!». Dente de Ouro foi seco: «Acabemos com isto. Vamos». Machado Santos sentou-se junto do motorista, com Abel Olímpio, o Dente de Ouro, a seu lado. Na Avenida Almirante Reis, a camioneta imobiliza-se devido a avaria no motor. Dente de Ouro e os camaradas não perdem tempo. Abatem ali mesmo Machado Santos, o herói da Rotunda.
Não encontraram Pais Gomes, ministro da Marinha. Prenderam o seu secretário, o comandante Freitas da Silva, que caiu, crivado de balas, à porta do Arsenal. O velho coronel Botelho de Vasconcelos, um apoiante de Sidónio, foi igualmente fuzilado. Outros, como Barros Queirós, Cândido Sotomayor, Alfredo da Silva, Fausto Figueiredo, Tamagnini Barbosa, Pinto Bessa, etc., salvaram a vida por acaso.
Os assassinos foram marinheiros e soldados da Guarda. Estavam tão orgulhosos dos seus atos que pensaram publicar os seus nomes na Imprensa da Manhã, como executores de Machado Santos. Não o chegaram a fazer devido ao rápido movimento de horror que percorreu toda a sociedade portuguesa face àquele massacre monstruoso. Mas quem os mandou matar?
O horror daqueles dias deu lugar a uma explicação imediata, simples e porventura correta: os assassínios de 19 de outubro tinham sido a explosão das paixões criadas e acumuladas pelo regime. Determinados homens mataram; a propaganda revolucionária impeliu-os e a explosão da revolução permitiu-lhes matar. No enterro de António Granjo, Cunha Leal proclamou essa verdade: «O sangue correu pela inconsciência da turba — a fera que todos nós, e eu, açulámos, que anda solta, matando porque é preciso matar. Todos nós temos a culpa! É esta maldita política que nos envergonha e me salpica de lama». No mesmo ato, afirmaria Jaime Cortesão: «Sim, diga-se a verdade toda. Os crimes, que se praticaram, não eram possíveis sem a dissolução moral a que chegou a sociedade portuguesa».
Com o tempo, os republicanos procuraram outras explicações. Não podiam aceitar a explicação simples que teria sido a sua ação, o radicalismo da sua política, a imundície que haviam lançado desde 1890 sobre toda a classe política, a sua retórica de panegírico aos atentados bombistas (desde que favoráveis), aos regicidas, a desencadear tanta monstruosidade. Significava acusarem-se a si próprios. Outras explicações foram aparecendo, sempre mais tortuosas, acerca dos eventuais culpados: conspiração monárquica; Cunha Leal (apesar de ter sido quase morto); Alfredo da Silva (apesar de, nessa noite, ter escapado à justa e tido que se refugiar em Espanha) uma conspiração monárquica e ibérica; a Maçonaria (a ação da Maçonaria sobre a Guarda, impelindo-a para a revolução, era constante, mas isso não significa que desse ordens para aqueles crimes)
Os assassinados na Noite Sangrenta não seriam, entre os republicanos, aqueles que mais hostilidade mereceriam dos monárquicos. Eram republicanos moderados. O furor dos assassinos liquidara homens tidos, na sua maior parte, como simpatizantes do sidonismo. Não se tratava de vingar outubro de 1910, mas sim dezembro de 1917. Carlos da Maia e Machado Santos foram ministros de Sidónio Pais. Botelho de Vasconcelos, coronel na Rotunda, às ordens de Sidónio Pais. Se as matanças de 19 de outubro de 1921 foram uma vingança terão de ser referenciadas à República Nova e não ao 5 de outubro. Aliás, num gesto significativo, os revolucionários libertaram o assassino de Sidónio Pais.
Há na Noite Sangrenta factos que se impõem de maneira evidente. A 20 de outubro, a Imprensa da Manhã reivindicou para si a glória de ter preparado o movimento, mas repudiou as suas trágicas consequências, especialmente a morte de Granjo. Ora anteriormente, dia após dia, aquele diário havia acusado e ameaçado Granjo, injuriando-o sistematicamente. Como podia agora lavar as mãos da sua morte? Aliás, a atitude dos assassinos foi concludente: depois de matarem Machado Santos, dirigiram-se na camioneta da morte à Imprensa da Manhã para lhe agradecerem o apoio e para aquela publicar os nomes dos que tinham fuzilado o Almirante. Um deles confessou mais tarde que Machado Santos havia sido localizado por informações de jornalistas da Imprensa da Manhã. Os assassinos procuravam a satisfação e a glória de uma obra realizada, no diário matutino onde se proclamara a necessidade dessa realização.
Os assassinos nunca esperaram ser castigados. Mesmo durante o julgamento sempre esperaram a absolvição. Quando foram condenados, entre gritos de vingança e de apoio à «República radical», alguns acusaram altos oficiais de não terem autoridade moral para os condenarem, pois estavam por detrás da carnificina. Os assassinos tinham, de certo modo, razão: eles tinham agido dentro da lógica que o republicanismo tinha instilado neles. Em todos os regimes que nascem e se sustentam no crime e no terror (por muito justa que a causa possa ser), há sempre o momento (ou os momentos) em que a revolução devora os próprios filhos.
Para terminar devo referir que nem Manuel Maria Coelho, nem nenhum dos «outubristas», conseguiu formar um governo estável. O horror fez todos os nomes sonantes recusarem fazer parte de um governo de assassinos. Menos de dois meses depois da revolução, António José de Almeida, em 16 de dezembro de 1921, entregou a chefia do ministério a Cunha Leal.
A GNR foi pouco a pouco desmantelada e reduzida a uma força de policiamento rural.
A república ficara ferida de morte.

  
NOTA: os republicanos tentaram, durante anos, apagar ou disfarçar este triste episódio da História de Portugal (e continuam ainda - as referências ao mesmo têm sido, sucessivamente, expurgadas misteriosamente dos livros e da Internet...); felizmente há quem não deixe esquecer este momento, que ilustra muito bem o que foi a bandalheira da I república e dos seus adeptos. Havendo ainda alguns que preservam e defendem a sua memória, há que recordar, na sua totalidade, este período trágico da nossa História que foi a vergonhosa I república em Portugal.

A sonda Mariner 5 chegou a Vénus há 59 anos

   
A Mariner 5 (Mariner Venus 1967) foi uma sonda espacial norte-americana que fez parte do Programa Mariner que transportou recursos complementares para o estudo da atmosfera de Vénus.
A Mariner 5 foi originalmente construída como uma cópia de segurança da Mariner 4, mas depois do sucesso daquela, foi modificada para a "missão Vénus", removendo a câmara de televisão, invertendo e reduzindo os quatro painéis solares, e adicionando isolamento térmico extra.
Ela foi lançada em direção a Vénus a 14 de junho de 1967 e chegou ao planeta a 19 de outubro desse mesmo ano, a uma altitude de 3.990 quilómetros. Com instrumentos mais sensíveis do que a sua antecessora, a Mariner 2, a Mariner 5 obteve mais informações sobre Vénus e também sobre as características do espaço profundo, em viagens interplanetárias.
Dados sobre a "ocultação de rádio" ocorridas na Mariner 5 ajudaram a compreender os dados sobre pressão e temperatura enviados pela sonda Venera 4 na sua aterragem, que chegou a Vénus um dia antes. Após estas missões, ficou claro que Vénus tinha uma superfície muito quente e uma atmosfera ainda mais densa do que a esperada.
As operações da Mariner 5 terminaram em novembro de 1967 e a sonda foi deixada numa órbita heliocêntrica.

Trey Parker celebra hoje 57 anos

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Trey Parker, pseudónimo de Randolph Severn Parker III (Conifer, Colorado, 19 de outubro de 1969) é um animador, diretor, produtor, roteirista, dobrador, ator e músico norte-americano.
Parker era bastante interessado em cinema e música enquanto criança e frequentou a Universidade do Colorado, em Boulder, após o ensino secundário, onde conheceu Stone. Os dois colaboraram em vários curtas-metragens e estrelaram um musical de longa metragem, intitulado Cannibal! O Musical (1993).
Stone e Parker mudaram-se para Los Angeles e escreveram o seu segundo filme, Orgazmo (1997). Antes da estreia do filme, South Park estreou no Comedy Central, em agosto de 1997. A dupla, que possui controle criativo total do show, produziu desde música e videojogos baseados no show, que continua a ser executado. Eles trabalharam num filme chamado South Park: Bigger, Longer & Uncut (1999), que recebeu elogios da crítica e dos fãs. Juntamente com Parker, ele também produziu vários longas-metragens e séries de televisão, incluindo Team America: World Police (2004). Depois de vários anos de desenvolvimento, The Book of Mormon, um musical co-escrito por Stone, Parker e o compositor Robert Lopez, estreou na Broadway e tornou-se imensamente bem-sucedido. Em 2013, ele e Parker criaram o seu próprio estúdio de produção, o Important Studios. Stone recebeu vários prémios ao longo da sua carreira, incluindo cinco Prémios Emmy do Primetime pelo seu trabalho em South Park, bem como três Tony Awards e um Grammy Award por O Livro dos Mórmon.
      
 

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Samora Machel morreu há quarenta anos...

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Samora Moisés Machel (Chilembene, Gaza, 29 de setembro de 1933 - Mbuzini, Montes Libombos, 19 de outubro de 1986) foi um militar moçambicano, líder revolucionário de inspiração socialista, que liderou a Guerra da Independência de Moçambique e se tornou o seu primeiro presidente após a sua independência, de 1975 a 1986.
Carinhosamente conhecido como "Pai da Nação", morreu quando o avião em que regressava a Maputo se despenhou em território sul-africano. Em 1975-1976 foi-lhe atribuído o Prémio Lenine da Paz.
  
(...)
  
Na frente externa, Samora sempre seguiu uma política de angariar amizades e apoio para Moçambique, não só entre os «amigos» tradicionais, os países do «bloco soviético» e os países vizinhos unidos numa frente de integração regional, a SADCC, mas até entre os seus «inimigos», sendo inclusivamente recebido (embora com frieza) por Ronald Reagan e tendo assinado um acordo de boa-vizinhança com Pieter Botha, presidente da África do Sul nos últimos anos do apartheid (o Acordo de Nkomati). Apesar disso, Samora não conseguiu suster a guerra que, iniciada logo a seguir à independência pelos vizinhos regimes racistas (a África do Sul e a Rodésia de Ian Smith), se tornou uma verdadeira guerra civil dirigida por um movimento de resistência armada (a RENAMO). A guerra civil durou 16 anos, provocou cerca de um milhão de mortos e cinco milhões de deslocados e destruiu grande parte das infraestruturas do país.
A partida da comunidade portuguesa, o insucesso da política de socialização e a guerra levaram a um colapso económico, e Samora, nos últimos anos, teve de abrandar a política de orientação comunista, permitindo aos «quadros» acesso a bens que estavam vedados ao comum dos cidadãos, encetando conversações com a RENAMO e, finalmente, organizando acordos com o Banco Mundial e o FMI, no sentido de estancar a guerra e relançar a economia.
     
     
Samora Machel não conseguiu, no entanto, ver realizados os seus propósitos, uma vez que, em 19 de outubro de 1986, quando se encontrava de regresso de uma reunião internacional em Lusaka, o Tupolev 134 cedido pela União Soviética em que seguia, junto com muitos dos seus colaboradores, se despenhou em Mbuzini, nos montes Libombos (território sul-africano, perto da fronteira com Moçambique). O acidente foi atribuído a erros do piloto russo, mas ficou provado que este tinha seguido um rádio-farol, cuja origem não foi determinada. Este facto levou a especulações sobre uma possível cumplicidade do governo sul-africano, que nunca se conseguiu provar.
Em 2010, o jornalista português José Milhazes, que vivia em Moscovo desde 1977 e trabalha atualmente para o diário português Público e como correspondente da cadeia portuguesa de televisão SIC, publicou o livro «Samora Machel: Atentado ou Acidente?», no qual sustenta que a queda do avião nada teve a ver com um atentado ou uma falha mecânica, mas sim com diversos erros da tripulação russa: em lugar de executar corretamente as operações de voo, os membros da tripulação, incluindo o piloto, estavam entretidos com futilidades, como a partilha de bebidas alcoólicas e outras, que não era possível obter em Moçambique e que eles traziam da Zâmbia. Segundo Milhazes, tanto os soviéticos como os moçambicanos teriam interesse em divulgar a tese de um atentado perpetrado pelo governo racista da África do Sul: a URSS quereria salvaguardar a sua reputação (qualidade mecânica do aparelho e profissionalismo da tripulação), ao passo que o governo de Moçambique quereria criar um herói.
No entanto, em 2007, Jacinto Veloso, um dos mais fieis aliados de Machel no seio da Frelimo, tinha já publicado as suas Memórias em Voo Rasante, nas quais sustenta que a morte do presidente de Moçambique se deveu a uma conspiração entre os serviços secretos sul-africanos e os soviéticos, que, uns e outros, teriam razões para o eliminar.
Segundo Veloso, o embaixador soviético pediu certa vez uma audiência ao Presidente para lhe comunicar a apreensão da URSS face ao aparente «deslizamento» de Moçambique para o Ocidente, ao que Machel teria respondido «Vai à merda!», ordenando em seguida ao intérprete que traduzisse e abandonando a sala. Convencidos de que Machel se afastara irrevogavelmente da sua órbita, os soviéticos não teriam hesitado em sacrificar o piloto e toda a equipagem do seu próprio avião.
A viúva de Samora, Graça Machel (Simbine de seu nome de solteira), com quem ele se casara em 1977, sendo ela Ministra da Educação, casou-se em 1998 com Nelson Mandela.