segunda-feira, junho 01, 2026

Hoje é dia de recordar Camilo Castelo Branco...

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Este Amor Infinito e Imaculado


Querida, o teu viver era um letargo,
Nenhuma aspiração te atormentava;
Afeita já do jugo ao duro cargo,
Teu peito nem sequer desafogava.
Fui eu que te apontei um mundo largo
De novas sensações; teu peito ansiava
Ouvindo-me contar entre caricias,
Do livre e ardente amor tantas delicias!

Não te mentia, não. Sentiste-o, filha,
Esse amor infinito e imaculado,
Estrela maga que incessante brilha
Da alma pura ao casto amor sagrado;
Afecto nobre que jamais partilha
O coracão de vícios ulcerado.
Não sentes, nem recordas, já sequer?
Quem deste amor te despenhou, mulher ?

Eu não! Se muitos crimes me desluzem,
Se pôde transviar-me o seu encanto,
Ao menos uma só não me recusem,
Uma virtude só: amar-te tanto!
Embora injúrias contra mim se cruzem,
Cuspindo insultos neste amor tão santo,
Diz tu quem fui, quem sou, e se é verdade
O opróbrio aviltador da sociedade.


 
Camilo Castelo Branco 

Hoje é dia de ouvir música dos Spandau Ballet...

...para recordar que hoje é o dia da criança...

-Desenho de céu feito por criança entrevistada. Concepção de céu como teto onde aparecem estrelas, Sol, Lua, nuvens e pássaros.

(imagem daqui)

 

 

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uma criança

pega o sol

numa das mãos

 

e com ele

faz um arco

 

ou talvez um gesto

que seja leve

 

e seja um pássaro

 

e então

o arco e o pássaro

 

soltem as asas

e no sol

 

o mundo

 

 

Carlos Lopes Pires 

Poema adequado à data...

          

 

Na morte de Marilyn

 
  
Morreu a mais bela mulher do mundo
tão bela que não só era assim bela
como mais que chamar-lhe marilyn
devíamos mas era reservar apenas para ela
o seco sóbrio simples nome de mulher
em vez de marilyn dizer mulher
Não havia no fundo em todo o mundo outra mulher
mas ingeriu demasiados barbitúricos
uma noite ao deitar-se quando se sentiu sozinha
ou suspeitou que tinha errado a vida
ela de quem a vida a bem dizer não era digna
e que exibia vida mesmo quando a suprimia
Não havia no mundo uma mulher mais bela mas
essa mulher um dia dispôs do direito
ao uso e ao abuso de ser bela
e decidiu de vez não mais o ser
nem doravante ser sequer mulher
O último dos rostos que mostrou era um rosto de dor
um rosto sem regresso mais que rosto mar
e toda a confusão e convulsão que nele possa caber
e toda a violência e voz que num restrito rosto
possa o máximo mar intensamente condensar
Tomou todos os tubos que tinha e não tinha
e disse à governanta não me acorde amanhã
estou cansada e necessito de dormir
estou cansada e é preciso eu descansar
Nunca ninguém foi tão amado como ela
nunca ninguém se viu envolto em semelhante escuridão
Era mulher era a mulher mais bela
mas não há coisa alguma que fazer se certo dia
a mão da solidão é pedra em nosso peito
Perto de marilyn havia aqueles comprimidos
seriam solução sentiu na mão a mãe
estava tão sozinha que pensou que a não amavam
que todos afinal a utilizavam
que viam por trás dela a mais comum imagem dela
a cara o corpo de mulher que urge adjectivar
mesmo que seja bela o adjectivo a empregar
que em vez de ver um todo se decida dissecar
analisar partir multiplicar em partes
Toda a mulher que era se sentiu toda sozinha
julgou que a não amavam todo o tempo como que parou
quis ser até ao fim coisa que mexe coisa viva
um segundo bastou foi só estender a mão
e então o tempo sim foi coisa que passou.
 

 

in Transporte No Tempo (1973) - Ruy Belo

Pat Boone celebra hoje noventa e dois anos

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Pat Boone, nome artístico de Charles Eugene Patrick Boone, nascido em Jacksonville, Florida, a 1 de junho de 1934. Dono de um estilo suave que fez dele um dos mais populares intérpretes dos anos 50, as suas versões de sucessos de rythm and blues afro-americanos tiveram um impacto visível no desenvolvimento da ampla popularidade do Rock´n Roll. É também um ator, um palestrante motivacional, uma personalidade da televisão e um comentador político conservador. Boone é um cristão pentecostal.
     
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Venceslau de Morais morreu há 97 anos...

Monumento de Venceslau de Morais em Kobe, Japão
    
Venceslau José de Sousa de Morais (Lisboa, 30 de maio de 1854 - Tokushima, 1 de julho de 1929) foi um escritor e militar da Marinha Portuguesa.
Era filho de Venceslau de Morais e de Maria Amélia Figueiredo. Oficial da marinha, completou o curso Escola Naval em 1875, tendo prestado serviço em Moçambique, Macau, Timor Português e no Japão.
Após ter frequentado a Escola Naval serviu a bordo de diversos navios da Marinha de Guerra Portuguesa. Em 1885 viaja pela primeira vez até Macau, onde se estabelece. Foi imediato da capitania do Porto de Macau e professor do Liceu de Macau desde a sua fundação em 1894. Durante a sua estadia em Macau casou com Vong-Io-Chan (Atchan), mulher de etnia chinesa de quem teve dois filhos, e estabeleceu laços de amizade com Camilo Pessanha.
Entretanto, em 1889, viajara até ao Japão, país que o encanta, e onde regressará várias vezes nos anos que se seguem no exercício das suas funções. Em 1897 visita o Japão, na companhia do Governador de Macau, sendo recebido pelo Imperador Meiji. No ano seguinte abandona Atchan e os seus dois filhos, e muda-se definitivamente para o Japão, como cônsul em Kobe.
Aí a sua vida é marcada pela sua atividade literária e jornalística, pelas suas relações amorosas com duas japonesas (Ó-Yoné Fukumoto e Ko-Haru) e pela sua crescente "japonização".
Durante os trinta anos que se seguiram Venceslau de Morais tornou-se a grande fonte de informação portuguesa sobre o oriente, partilhando as suas experiências íntimas do quotidiano japonês com os seus leitores portugueses, numa atividade paralela à de Lafcádio Hearn, o grande divulgador da cultura nipónica no mundo anglo-saxão, de quem foi contemporâneo.
Amargurado com a morte, por doença, de Ó-Yoné, Venceslau de Morais renunciou ao seu cargo consular em 1913, quando já era graduado como Tenente-coronel/Capitão de fragata, mudou-se para Tokushima, terra natal daquela. Aí viveu com Ko-Haru, sobrinha de Ó-Yoné, que viria também a falecer por doença.
Aí o seu quotidiano tornou-se crescentemente idêntico ao dos japoneses, embora tendo como pano de fundo uma crescente hostilidade destes. Cada vez mais solitário, e com a saúde minada, Venceslau de Morais viria a falecer, em Tokushima, a 1 de julho de 1929.
Venceslau de Morais foi autor de vários livros sobre assuntos ligados ao oriente, em especial sobre o Japão. Também se encontra colaboração literária da sua autoria nas revistas: Branco e Negro (1896-1898), Brasil-Portugal (1899-1914) e Serões (1901-1911).
A TAP Portugal homenageou-o ao atribuir o seu nome a uma das suas aeronaves.
      
 
 
A dor, minha constante companheira, 
Votei íntimos laços de amizade.
Se hoje encetasse a 'strada das venturas, 
Crede, talvez morresse de Saudade...

 

Venceslau de Morais

Porque não esquecemos Armando da Silva Carvalho...

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AQUI


Aqui o inferno mata as profissões
que têm acesso ao ar.
Diz-se que deus se absteve
de criar servidores para os condenados
ao tédio.
Morre-se no emprego
com a garganta apertada por uma mão
sem ossos.
Aqui os anos crescem pouco ou nada.
Os dias e dias secam na raiz.
Não há horas felizes.
O sol sempre se deu bem com gente como esta
que salpica de chuva os seus pequenos
afazeres
para ficar em casa.
Gente com plenos poderes
para desmanchar a festa que se alonga
para lá da cabeça.
Diz um: eu sou o sábio de domingo.
Agora não me ocupo de dias úteis, de remendos d’alma,
de fragilidades.
Esperem por mim mas só depois
da missa.
Diz outro: a ética é grega de nascença
movemo-nos por números, já sentenciava Pitágoras.
Não cunhamos moeda, não sujamos as mãos
nos improvisados remos do naufrágio.
O nosso destino é perguntar.
Parece que deus quis que não nascesse a obra.
Nascer que nasça o sol
e é bastante.
Quem pergunta ao sonho pelo homem
de serviço?
Nos campos vicejam novamente as urtigas
são restauros agrícolas,
exemplos a seguir, ordens vindas de cima,
ao ouvido,
na sala dos banquetes.
O mar faz de cão velho e deixa-se ficar
à espera no patamar dos mitos.
Ninguém o suporta
nem ao seu uivar aos pés
da história.
Comovidos estamos, com um não sei quê,
um quanto, um como, uma dor
que levanta asas
e vai do vale à montanha
como vão os monges cavaleiros
à televisão.
Aqui a cidade abre-se para lá da noite
e é sempre belo ver a madrugada
a chorar os seus ídolos.
Aqui os que têm coração
têm desconto.


Armando Silva Carvalho

Morgan Freeman nasceu há 89 anos

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Morgan Porterfield Freeman, Jr (Memphis, Tennessee, 1 de junho de 1937) é um premiado ator, produtor, narrador e diretor de cinema dos Estados Unidos da América. Ele é particularmente conhecido por sua distinta voz profunda. Freeman recebeu vários prémios, incluindo um Óscar, um Globo de Ouro e um Screen Actors Guild Award.

Ele é mais conhecido pelas atuações em Driving Miss Daisy, Glory, Robin Hood: Prince of Thieves, Unforgiven, Se7en, Bruce Almighty, Evan Almighty, Million Dollar Baby, Shawshank Redemption, Batman Begins, The Dark Knight , The Dark Knight Rises e Invictus. Atualmente, é o produtor executivo do drama Madam Secretary, da CBS

   

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Ronnie Wood, guitarrista dos Rolling Stones, comemora hoje 79 anos

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Ronald David "Ronnie/Ron" Wood (Londres, 1 de junho de 1947) é um guitarrista de rock and roll britânico, mais conhecido como ex-integrante dos The Faces e integrante, atualmente, da banda The Rolling Stones.

 
Wood começou a sua carreira em 1964 com os The Birds. No final dos anos 60 ele passou a ser integrante da banda The Creation entrando depois para o Jeff Beck Group, com o vocalista Rod Stewart. O grupo separou-se após o lançamento do álbum Beck-Ola em 1969.
Com Rod Stewart, Ron entrou para os The Small Faces, e logo depois o grupo foi renomeado como The Faces. Embora tenham ficado conhecidos nos EUA como a banda de apoio de Stewart, os Faces eram bem famosos no Reino Unido, rivalizando com os The Rolling Stones em popularidade.
Durante os anos 70 Wood lançou alguns discos a solo, incluindo um em parceria com Ronnie Lane, também ex-integrante dos The Faces, chamado Mahoney's Last Stand (1976).
Depois de Mick Taylor deixar os Rolling Stones em 1974, Wood substituiu-o na guitarra a tempo de completar a gravação de Black and Blue, lançado em 1976, álbum que o tornaria um integrante legítimo da banda. Durante os anos 80 Wood continuou com os Rolling Stones, enquanto pintava e seguia a sua carreira a solo, tocando com artistas como David Bowie, Eric Clapton e Aretha Franklin.
  
 

Sonny Boy Williamson I morreu há 78 anos...


John Lee Curtis Williamson (Jackson, Tennessee, 30 de março de 1914 - Chicago, Illinois, 1 de junho de 1948), mais conhecido como Sonny Boy Williamson I, foi um tocador de harmónica de blues nascido em Jackson, Tennessee, cuja primeira gravação, "Good Morning, School Girl", foi um sucesso em 1937. Williamson foi bastante popular no sudeste dos Estados Unidos e tornou-se um sinónimo da harmónica nos blues nas décadas seguintes, fazendo do seu cognome um nome artístico comum na época do seu assassinato, em 1948.
  
 

Israel executou o criminoso nazi Adolf Eichmann há 64 anos...

No julgamento em 1961
 
Otto Adolf Eichmann (Solingen, 19 de março de 1906 – Ramla, 1 de junho de 1962) foi um SS-Obersturmbannführer (tenente-coronel) nazi e um dos principais organizadores do Holocausto. Eichmann foi designado pelo SS-Obergruppenführer (general/tenente-general) Reinhard Heydrich para gerir a logística das deportações em massa dos judeus para os guetos e campos de extermínio das zonas ocupadas pelos alemães na Europa de Leste durante a II Guerra Mundial. Em 1960, foi raptado, na Argentina, pela Mossad, os serviços secretos de Israel. No seguimento dum muito publicitado julgamento em Israel, foi considerado culpado de crimes de guerra e enforcado em 1962.

Depois de frequentar a escola, onde foi um aluno mediano, Eichmann trabalhou na empresa de mineração do seu pai na Áustria, para onde a família foi viver em 1914. A partir de 1927, trabalhou como técnico comercial da área do petróleo, juntando-se ao Partido Nazi e às SS em 1932. Após regressar à Alemanha em 1933, entrou para o Sicherheitsdienst (SD; Serviço de Segurança), onde foi nomeado para chefe do departamento responsável pelas questões judaicas — em particular a emigração, a qual os nazis forçaram através da violência e pressão económica. No início da guerra, em setembro de 1939, Eichmann e o seu pessoal concentraram os judeus em guetos nas grandes cidades, esperando que fossem transportados para o leste e para territórios ultramarinos. Eichmann elaborou planos para colocar os judeus em reservas, primeiramente em Nisko, no sudeste da Polónia e, mais tarde, em Madagáscar, mas nenhum deles seguiu em frente.

Quando os nazis deram início à invasão da União Soviética em 1941, a política em relação aos judeus foi alterada passando de emigração para extermínio. Para coordenar o planeamento do genocídio, Heydrich recebeu os responsáveis administrativos do regime na Conferência de Wannsee em 20 de janeiro de 1942. Eichmann reuniu informação para Heydrich, esteve presente na reunião e preparou as minutas. Eichmann e o seu pessoal ficaram responsáveis pela deportação dos judeus para os campos de extermínio, onde as vítimas foram gaseadas. Depois da invasão alemã da Hungria, em março de 1944, Eichmann supervisionou a deportação de grande parte da população judia daquele país. Muitas das vítimas foram enviadas para Auschwitz, onde entre 75 e 90 por cento foi executada à chegada. Quando os transportes cessaram, em julho de 1944, 437.000 dos 725.000 judeus húngaros tinham sido mortos. O historiador Richard J. Evans estima que entre 5,5 e 6 milhões de judeus tenham sido mortos pelos nazis. Eichmann afirmou, no final da guerra, que "daria saltos na sua sepultura de tanto rir porque, sentir que tinha cinco milhões de pessoas na sua consciência, seria para ele uma fonte de extraordinária satisfação."

Depois da derrota da Alemanha em 1945, Eichmann fugiu para a Áustria. Ali viveu até 1950, mudando-se para a Argentina, usando documentos falsos. As informações recolhidas pela Mossad possibilitaram confirmar a localização de Eichmann, em 1960. Uma equipa da Mossad e agentes da Shin Bet sequestraram Eichmann e levaram-no para Israel, para ser julgado por 15 crimes, incluindo crimes de guerra, crimes contra a humanidade e crimes contra o povo judeu. Considerado culpado de muitas das acusações, foi condenado à morte e executado, por enforcamento, a 1 de junho de 1962. O julgamento foi seguido pelos meios de comunicação e serviu de inspiração para vários livros, incluindo o de Hannah Arendt, Eichmann em Jerusalém, no qual Arendt descreve Eichmann com a frase "a banalidade do mal".
 

Simon Gallup, baixista dos The Cure, nasceu há 66 anos

     
Simon Jonathan Gallup é o baixista dos The Cure e o segundo elemento com mais tempo na banda. Nasceu no dia 1 de junho de 1960 em Duxhurst, Surrey, Inglaterra. Antes dos The Cure, tocava nos Lockjaw e The Magazine Spies. Esteve nos Cure entre 1980 e 1982 e depois de 1985 até aos dias de hoje. No período em que esteve afastado da banda formou os Cry e os Fools Dance.
    
 

Hoje é dia de ouvir Alanis Morissette...

Camilo Castelo Branco morreu há 136 anos...

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Camilo Castelo Branco foi um dos escritores mais prolíferos e marcantes da literatura portuguesa.
Há quem diga que, em 1846, foi iniciado na Maçonaria do Norte, o que é muito estranho ou algo contraditório, pois há indicações de que, pela mesma altura, na Revolta da Maria da Fonte, lutava a favor dos miguelistas como "ajudante às ordens do general escocês Reinaldo MacDonell", que criaram a Ordem de São Miguel da Ala precisamente para combater a Maçonaria. Do mesmo modo, muita da sua literatura demonstra defender os ideais legitimistas e conservadores ou tradicionais, desaprovando os que lhe são contrários.
Teve uma vida atribulada, que lhe serviu muitas vezes de inspiração para as suas novelas. Foi o primeiro escritor de língua portuguesa a viver exclusivamente dos seus escritos literários. Apesar de ter de escrever para o público, sujeitando-se assim aos ditames da moda, conseguiu manter uma escrita muito original.
Dentro da sua vasta obra, também se encontra colaboração da sua autoria em diversas publicações periódicas como O Panorama, a Revista Universal Lisbonense, A illustração luso-brasileira (1856-1859), Archivo pittoresco (1857-1868), Ribaltas e gambiarras (1881), A illustração portugueza (1884-1890), e a título póstumo nas revistas A semana de Lisboa (1893-1895), Serões (1901-1911) e Feira da Ladra (1929-1943).
   
Brasão de Armas do Visconde de Correia Botelho (daqui)

   

Luís - O Bom

Quando El-Rei D. Luís for acolhido
Aos penetrais da escura eternidade,
Será pungente a funeral saudade
Que mais pondera e chora o bem perdido...

Não houve em seu reinado um só gemido
De guerra fratricida! A Majestade,
Passando o ceptro às mãos da Caridade,
Baixava ao lar sem pão, do desvalido.

Senhor! deram-te as letras ledos dias,
E as intimas, supremas alegrias
De quem trabalha - Eterna e santa lei!

Revives na saudade, alma serena!
Se a pátria em que reinaste era pequena,
Foras em maior reino um grande rei.
  
  
in NAS TREVAS - Sonetos sentimentais e humorísticos (1890) - Camilo Castelo Branco

O Massacre de Tulsa foi há 105 anos...


O tumulto racial de Tulsa (mais corretamente chamado de Massacre de Tulsa, Massacre de Greenwood ou Massacre de Black Wall Street) ocorreu em 31 de maio e 1 de junho de 1921, quando multidões de moradores brancos atacaram negros e as suas residências e comércios no distrito de Greenwood, em Tulsa, Oklahoma. Foi chamado de "o pior incidente de violência racial da história norte americana". O ataque, realizado em solo e a partir de aviões particulares, destruiu mais de 35 quarteirões do distrito - na época a comunidade negra mais rica dos Estados Unidos, conhecida como "Black Wall Street". Mais de 800 pessoas foram internadas em hospitais e mais de 6.000 residentes negros foram presos e detidos, muitos por vários dias. O Departamento de Estatísticas de Oklahoma registou oficialmente 36 mortos, mas a Cruz Vermelha Americana recusou-se a fornecer uma estimativa. O exame de eventos da comissão estadual de 2001 estimou que entre 100 e 300 foram mortos durante os distúrbios.

O massacre começou no fim de semana do Memorial Day, depois que Dick Rowland, 19 anos, um sapateiro negro, foi acusado de agredir Sarah Page, a operadora branca de 17 anos do elevador do edifício Drexel. A multidão de brancos irritados do lado de fora do tribunal onde Rowland estava sendo preso e a disseminação de rumores de que ele havia sido linchado assustaram a população negra local, alguns dos quais chegaram ao tribunal armados. Tiros foram disparados e doze pessoas foram mortas: dez brancos e dois negros. Quando a notícia dessas mortes se espalhou pela cidade, a violência da multidão explodiu: milhares de brancos invadiram o bairro negro naquela noite e no dia seguinte, matando homens, mulheres e crianças, queimando e saqueando lojas e casas: cerca de 10.000 pessoas negras ficaram sem abrigo e os danos materiais totalizaram mais de 1,5 milhão de dólares em imóveis e 750.000 dólares em bens pessoais (32 milhões, em valores de 2019).

O massacre foi amplamente omitido nas histórias locais, estaduais e nacionais: "O tumulto racial de Tulsa de 1921 raramente era mencionado em livros de história, salas de aula ou mesmo em conversas particulares. Negros e brancos cresceram até à meia-idade sem saber o que havia acontecido". Em 1996, setenta e cinco anos após o tumulto, um grupo bipartidário na legislatura estadual autorizou a formação de uma comissão para estudar o caso. Os membros foram nomeados para investigar eventos, entrevistar sobreviventes, ouvir testemunhos do público e preparar um relatório de eventos. Houve um esforço de educação pública sobre o massacre durante o processo. O relatório final da comissão, publicado em 2001, dizia que o governo da cidade conspirou com a multidão de brancos contra os cidadãos negros e recomendou um programa de reparações aos sobreviventes e seus descendentes. O estado aprovou uma legislação para estabelecer algumas bolsas de estudos para descendentes de sobreviventes, incentivando o desenvolvimento económico de Greenwood e de um memorial em Tulsa, em homenagem das vítimas do motim. 

  


  

Hoje é dia de recordar Marilyn...

 

 

ORACIÓN POR MARILYN MONROE

    
Señor
recibe a esta muchacha conocida en toda la Tierra con el nombre de Marilyn Monroe,
aunque ése no era su verdadero nombre
(pero Tú conoces su verdadero nombre, el de la huerfanita violada a los 9 años
y la empleadita de tienda que a los 16 se había querido matar)
y que ahora se presenta ante Ti sin ningún maquillaje
sin su Agente de Prensa
sin fotógrafos y sin firmar autógrafos
sola como un astronauta frente a la noche espacial. 

Ella soñó cuando niña que estaba desnuda en una iglesia (según cuenta el Times)
ante una multitud postrada, con las cabezas en el suelo
y tenía que caminar en puntillas para no pisar las cabezas.
Tú conoces nuestros sueños mejor que los psiquiatras.
Iglesia, casa, cueva, son la seguridad del seno materno
pero también algo más que eso...
Las cabezas son los admiradores, es claro
(la masa de cabezas en la oscuridad bajo el chorro de luz).
Pero el templo no son los estudios de la 20th Century-Fox.
El templo —de mármol y oro— es el templo de su cuerpo
en el que está el hijo de Hombre con un látigo en la mano
expulsando a los mercaderes de la 20th Century-Fox
que hicieron de Tu casa de oración una cueva de ladrones. 

Señor
en este mundo contaminado de pecados y de radiactividad,
Tú no culparás tan sólo a una empleadita de tienda
que como toda empleadita de tienda soñó con ser estrella de cine.
Y su sueño fue realidad (pero como la realidad del tecnicolor).
Ella no hizo sino actuar según el script que le dimos,
el de nuestras propias vidas, y era un script absurdo.
Perdónala, Señor, y perdónanos a nosotros
por nuestra 20th Century
por esa Colosal Super-Producción en la que todos hemos trabajado. 

Ella tenía hambre de amor y le ofrecimos tranquilizantes.
Para la tristeza de no ser santos
                                                                se le recomendó el Psicoanálisis.
Recuerda Señor su creciente pavor a la cámara
y el odio al maquillaje insistiendo en maquillarse en cada escena
y cómo se fue haciendo mayor el horror
y mayor la impuntualidad a los estudios.

Como toda empleadita de tienda
soñó ser estrella de cine.
Y su vida fue irreal como un sueño que un psiquiatra interpreta y archiva. 

Sus romances fueron un beso con los ojos cerrados
que cuando se abren los ojos
se descubre que fue bajo reflectores
                                                                       ¡y se apagan los reflectores!
Y desmontan las dos paredes del aposento (era un set cinematográfico)
mientras el Director se aleja con su libreta
           porque la escena ya fue tomada.
O como un viaje en yate, un beso en Singapur, un baile en Río
           la recepción en la mansión del Duque y la Duquesa de Windsor
vistos en la salita del apartamento miserable. 

La película terminó sin el beso final.
La hallaron muerta en su cama con la mano en el teléfono.
Y los detectives no supieron a quién iba a llamar. 

Fue
como alguien que ha marcado el número de la única voz amiga
y oye tan solo la voz de un disco que le dice: WRONG NUMBER
O como alguien que herido por los gangsters
alarga la mano a un teléfono desconectado. 

Señor:
quienquiera que haya sido el que ella iba a llamar
y no llamó (y tal vez no era nadie
o era Alguien cuyo número no está en el Directorio de los Ángeles)
            ¡contesta Tú al teléfono!

 
  
    Ernesto Cardenal


 

NOTA: para os que não falam castelhano, uma tradução do poema:

    

   
  

Oração por Marilyn Monroe


Senhor
recebe esta menina conhecida em todo o Mundo como Marilyn Monroe
mesmo que esse não fosse o seu verdadeiro nome
(mas Tu conheces seu verdadeiro nome, o da pequena órfã violada aos 9 anos
e da empregadinha de loja que, aos 16 anos, já queria se matar)
e que agora se apresenta diante de Ti sem maquilhagem
sem um Agente de Imprensa
sem fotógrafos e sem dar autógrafos
só, como um astronauta diante da noite espacial.


Ela que sonhou, quando menina, que estava nua numa Igreja (segundo a revista Time)
ante uma multidão prostrada, com as cabeças no chão
e tinha de caminhar, pé ante pé, para não pisar as cabeças.
Tu que conheces os nossos sonhos melhor que os psiquiatras
Igreja, casa, cova são a segurança do seio materno
mas também algo mais que isso...
As cabeças são os admiradores, é claro
(a massa de cabeças na escuridão debaixo do foco de luz).
Mas o templo não são os estúdios da 20th Century Fox.
O templo – de mármore e ouro – é o templo de seu corpo
em que está o Filho do Homem com um chicote na mão
expulsando os mercadores da 20th Century Fox
que fizeram de Tua casa de oração um covil de ladrões.


Senhor
neste mundo contaminado de pecados e de radioatividade
Tu não culparás apenas a empregadinha da loja.
Que, como toda empregada de loja, sonhou tornar-se estrela de cinema.
E o seu sonho tornou-se realidade (mas com a realidade do Technicolor).
Ela que não fez mais do que atuar de acordo com o texto do argumento que lhe demos
o de nossas próprias vidas, que era um argumento absurdo.
Perdoa-lhe, Senhor, e perdoa-nos a nós, pela nossa 20th Century Fox
por esta Colossal Superprodução em que todos nós temos trabalhado.


Ela tinha fome de amor e nós demos-lhe tranquilizantes,
para a tristeza de não ser santos
                                                    recomendámos-lhe a Psicanálise.
Lembra-te, Senhor, de seu crescente pavor às câmaras
e o ódio à maquilhagem, insistindo em maquilhar-se em cada cena
e como foi se tornando maior o horror
e maior a falta de pontualidade nos estúdios.


Como toda a empregada de loja
sonhou tornar-se estrela de cinema.
E sua vida foi irreal, como um sonho que um psiquiatra interpreta e arquiva.


Os seus romances foram um beijo de olhos bem fechados
que, quando se abrem
se descobre que foi sob os focos de iluminação
                                                            e apagam-se as luzes!
e desmontam as paredes do aposento (era um set cinematográfico)
enquanto o Diretor se afasta com o seu argumento, porque a cena já foi filmada.
Ou uma viagem de iate, um beijo em Singapura, um baile no Rio
            uma receção na mansão do Duque e da Duquesa de Windsor
            vistos na TV de um apartamento miserável.


O filme terminou sem o beijo final.
Foi achada morta na sua cama com a mão no telefone.
E os detetives não souberam a quem ela ia ligar.


Foi 
como alguém que marcou o número da única voz amiga
e ouviu apenas a voz de uma gravação que diz: WRONG NUMBER.
Ou como alguém que, ferida pelos bandidos
estende a mão a um telefone desligado.


Senhor
a quem quer que tenha sido que ela queria falar
e não chamou (e talvez fosse ninguém
ou era Alguém cujo número não está na Páginas Amarelas de Los Angeles)
atende Tu o telefone!


 

Ernesto Cardenal (tradução Pedro Luna)

Helen Keller morreu há 58 anos...

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Helen Adams Keller (Tuscumbia, 27 de junho de 1880 - Westport, 1 de junho de 1968) foi uma escritora, conferencista e ativista social dos Estados Unidos da América.
Nascida no Alabama, ela provou que deficiências sensoriais não impedem a obtenção do sucesso. Helen Keller ficou cega e surda, desde tenra idade, devido a uma doença diagnosticada na época como "febre cerebral" (hoje acredita-se que tenha sido escarlatina).
Tornou-se uma célebre escritora, filósofa e conferencista, uma personagem famosa pelo extenso trabalho que desenvolveu em favor das pessoas portadoras de deficiência. Anne Sullivan foi a sua professora, companheira e protetora. A história do encontro entre as duas é contada na peça The Miracle Worker, de William Gibson, que deu origem ao filme O Milagre de Anne Sullivan, em 1962, dirigido por Arthur Penn (em Portugal, O Milagre de Helen Keller).
Em 1904 obteve um bacharelato em Filosofia pelo Radcliffe College, instituição que a agraciou com o prémio Destaque a Aluno, no aniversário dos cinquenta anos da sua formatura. Falava os seguintes idiomas: francês, latim e alemão. Ao longo da vida foi agraciada com títulos e diplomas honorários de diversas instituições, como a Universidade de Harvard e Universidades da Escócia, Alemanha, Índia e África do Sul. Em 1952 foi nomeada Cavaleiro da Legião de Honra da França. Foi condecorada com a Ordem do Cruzeiro do Sul, no Brasil, com a do Tesouro Sagrado, no Japão, dentre outras. Foi membro honorário de várias sociedades científicas e organizações filantrópicas nos cinco continentes.
Em 1902 estreou-se na literatura, publicando a sua autobiografia A História da Minha Vida. Depois iniciou a carreira no jornalismo, escrevendo artigos no Ladies Home Journal. A partir de então nunca parou de escrever.
 
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Heidi Klum comemora hoje cinquenta e três anos

 
     

Alanis Morissette faz hoje cinquenta e dois anos

 
Alanis Nadine Morissette (Ottawa, 1 de junho de 1974) é uma cantora, compositora, produtora, atriz e escritora canadiana. Desde 1991, foi vencedora de 15 Junos e 7 Grammies, vendeu mais de 76 milhões de cópias no mundo e é considerada uma das mulheres mais influentes no mundo da música. 
  
 

Saudades de Joaquim Fernandes - o meu padrinho e avó ...

Passam hoje quarenta e quatro anos que Joaquim Fernandes, meu padrinho de batismo e avô materno, nos deixou. Ele, que em velhinho virou criança (e partiu num triste dia da criança...), foi, entre os adultos, o meu melhor amigo de infância. Lá, onde eu sei que está, quero que saiba que não o esquecemos e não esquecemos o muito que nos ensinou... E, padrinho, ainda sei quem sou e para onde vou.

 

   

Pontos luminosos


No silêncio basta um sopro e todo o tempo estremece
como se afasta cantando mais para dentro
a própria noite

Guardei para ti relâmpagos inúteis
prata feita de medidas vagas
a inclinada superfície implacável
cordas e alçapões


Do ponto mais alto do céu a 56 milhões de quilómetros
um dia me dirás
"desde a idade do gelo nunca estivemos tão próximos"

 

in A Estrada Branca (2005) - Tolentino Mendonça

Brandi Carlile celebra hoje 45 anos

  
Brandi Carlile (Ravensdale, 1 de junho de 1981) é uma cantora e compositora norte-americana. A música de Carlile tem sido catalogada de vários géneros musicais, incluindo pop, rock, música country, indie e folk.
 
 

Poema para celebrar o Dia da Criança...


(imagem daqui)

     
Instrução Primária
  
Não saibas: imagina...
Deixa falar o mestre, e devaneia...
A velhice é que sabe, e apenas sabe
Que o mar não cabe
Na poça que a inocência abre na areia.
 
Sonha!
Inventa um alfabeto
De ilusões...
Um á-bê-cê secreto
Que soletres à margem das lições...
  
Voa pela janela
De encontro a qualquer sol que te sorri!
Asas? Não são precisas:
Vais ao colo das brisas,
Aias da fantasia...


    
     

in Diário IX (1964) - Miguel Torga

Yves Saint Laurent morreu há dezoito anos...

  
Yves Henri Donat Mathieu-Saint Laurent (Orão, 1 de agosto de 1936 - Paris, 1 de junho de 2008) foi um designer de moda francês, fundador da marca Yves Saint Laurent, e um dos nomes mais significativos da alta-costura do século XX.
  
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Um voo da Air France caiu, no meio do Atlântico, matando 228 pessoas, há dezassete anos...

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Voo Air France 447 era a identificação da rota aérea regular de longo curso operada pela companhia francesa Air France entre Rio de Janeiro e Paris. Tornou-se conhecido pelo acidente aéreo ocorrido durante o voo da noite de 31 de maio para 1 de junho de 2009, efetuado pelo Airbus A330-203, quando a aeronave se despenhou no Oceano Atlântico com 228 pessoas a bordo (216 passageiros e 12 tripulantes).
O avião, de matrícula F-GZCP, partiu do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro-Galeão a 31 de maio de 2009, às 19h29min locais (22h29 UTC), e deveria chegar ao Aeroporto de Paris-Charles de Gaulle 10h34min depois. O último contacto humano com a tripulação foram mensagens de rotina enviadas aos controladores de terra brasileiros 3 horas e 06 minutos após o início do voo, quando o avião se aproximava do limite de vigilância dos radares brasileiros, cruzando o Oceano Atlântico en route, seguindo para a costa senegalesa, na África Ocidental, onde voltaria a ser coberto por radares. Quarenta minutos mais tarde, uma série de mensagens automáticas emitidas pelo ACARS (Aircraft Communications Addressing and Reporting System ou Sistema Dirigido de Comunicação e Informação da Aeronave) foram enviadas pelo avião, indicando problemas elétricos e de perda da pressurização da cabine da aeronave, sem que houvesse outras indicações de problemas.
Por não se confirmar a esperada aparição da aeronave nos radares senegaleses e não ter sido possível o contacto com o controle de tráfego aéreo de ambos os lados do Oceano Atlântico, teve início uma busca pelo avião. Posteriormente, o Ministro dos Transportes da França, Jean-Louis Borloo, admitiu que "a situação era alarmante" e que a aeronave poderia ser dada como desaparecida já que, pelo tempo decorrido, teria esgotado suas reservas de combustível.
Em 2 de junho foram reportadas observações aéreas e marítimas de destroços no oceano, perto da última localização conhecida do aparelho. À medida que as buscas continuaram, a França enviou o navio de pesquisa Pourquoi Pas?, equipado com dois mini-submarinos capazes de realizar buscas a uma profundidade de 4.700 m. O Brasil enviou cinco navios para o local, de entre os quais um navio-tanque para prolongar as buscas na área. O porta voz da marinha brasileira afirmou que a existência de destroços poderia ser um indício de haver sobreviventes.
Na tarde de 2 de junho o ministro da defesa do Brasil, Nelson Jobim, confirmou a queda do avião no Oceano Atlântico, na área onde foram avistados os destroços. Na noite do mesmo dia, o presidente brasileiro em exercício, José Alencar, tendo em vista a localização do acidente em alto-mar, decretou luto nacional por três dias, em memória às vítimas da tragédia. A 3 de junho o Estado Maior do Exército francês confirmou que os destroços encontrados pertenciam ao Airbus desaparecido.
Em 3 de abril de 2011, a agência do governo francês para investigações de acidentes aeronáuticos (BEA) anunciou que, após novas buscas no oceano, localizou e que iria recolher diversos destroços. Também foi anunciado que corpos foram vistos entre os destroços.
A investigação inicial do acidente foi prejudicada tanto pela falta de testemunhas e rastreamento de radares, como pela falta das caixas pretas, localizadas dois anos após o acidente, em maio de 2011.
  
Plano do voo AF 447, que se dirigia para nordeste - a linha vermelha mostra a rota real. O tracejado indica a rota planeada a partir da última posição captada pelo radar (tempo UTC)
 
Incidente
No dia 31 de maio de 2009, às 19.29 horas (horário de Brasília), o voo Air France AF 447 partiu do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/Galeão - Antonio Carlos Jobim, com destino ao Aeroporto Internacional de Paris-Charles de Gaulle, em Paris. Estavam no voo, além de 12 tripulantes, 216 passageiros, incluindo um bebé e sete crianças. Dos passageiros adultos, 82 eram mulheres e 126 homens. Com duração de 10.34 horas, o voo deveria pousar em Paris às 11.03 horas locais - 06.03 horas no horário de Brasília (09.03 UTC).
O último contacto verbal foi à 01.33 horas UTC de 1 de junho, segunda-feira, ao aproximar-se do waypoint INTOL (1° 21′ S 32° 49′ W), a 565 km da cidade de Natal. A tripulação informou que esperava entrar em 50 minutos no espaço aéreo controlado pelo Senegal, no waypoint TASIL (4° 0′ N 29° 59′ W), e que o avião voava normalmente a uma altitude de 10.670 m (35.000 pés) e a uma velocidade de 840 km/h.
O avião deixou a área de cobertura do Centro de Controle Aéreo (ACC) Atlântico à 01.48 horas UTC. O desaparecimento se deu após a saída da zona de cobertura pelo radar brasileiro e alguns minutos antes da entrada no espaço aéreo senegalês, sob controle do ACC Dakar, o que deveria ter ocorrido às 02.20 horas GMT. O último contacto com o avião foi quatro horas após a partida, às 02.14 horas UTC, a cerca de 100 km do waypoint TASIL e a cerca de 1.228 km de Natal, quando cerca de dez mensagens automáticas ACARS indicaram falhas em vários sistemas elétricos e um possível problema de pressurização. A troca de mensagens automática durou cerca de quatro minutos. Na altura o avião atravessava uma área com formações meteorológicas pesadas.
Quando isto ocorreu, a localização provável do avião era a cerca de 100 km do waypoint TASIL, assumindo que o voo decorria conforme planeado. Fontes da Air France anunciaram que as mensagens de falhas nos sistemas começaram a chegar às 2h10min UTC, indicando que o piloto automático tinha sido desativado. Entre as 02.11 horas UTC e as 02.13 horas UTC chegaram várias mensagens referentes a falhas na Air Data Inertial Reference Unit (ADIRU) (fornecendo informação de posição e navegação) e no Integrated Standby Instrument System (ISIS) (um sistema secundário que fornece altitude, velocidade, Mach, altitude e velocidade vertical), e às 02.13 horas UTC foram indicadas falhas no Flight Control Primary Computer (PRIM 1) e no Spoiler Elevator Control (SEC 1), e às 02.14 horas UTC chegou a última mensagem, um aviso sobre a velocidade vertical de cabine, o que significa que o ar externo penetrou na aeronave, o que pode indicar despressurização ou mesmo que, a essa altura, o A330 já estivesse em queda na localização.
O voo deveria chegar a Paris às 11.10 horas CEST, 09.10 horas UTC.
A 2 de junho foi confirmada pelo ministro da defesa brasileiro Nelson Jobim a queda do aparelho, numa área próxima do arquipélago de São Pedro e São Paulo, cerca de 270 km a sul/sudeste da última localização conhecida da aeronave.
   
(...)
  
Em 17 de fevereiro de 2010, Jean-Paul Troadec, diretor do Bureau d'Enquêtes et d'Analyses pour la sécurité de l'Aviation Civile (BEA) da França anunciou a terceira fase de buscas submarinas das duas caixas-pretas. Foram utilizados dois navios, um norte-americano e um norueguês, equipados com quatro sonares e dois robôs, que vasculharam uma área de 2 mil quilómetros quadrados ao noroeste da última posição conhecida do avião antes da queda, a cerca de 1,2 mil quilómetros da costa brasileira.
Cerca de dois anos depois do acidente, em 4 de abril de 2011, equipes de busca e resgate francesas anunciaram a descoberta de mais destroços do avião em meio ao Oceano Atlântico, e de corpos ainda presos a uma grande parte da fuselagem encontrada praticamente intacta no mar. A descoberta, anunciada pela ministra francesa dos Transportes, Nathalie Kosciusko-Morizet, deu esperanças de que as caixas pretas do avião pudessem ser finalmente encontradas. A área em que os novos destroços com corpos presos neles foram encontrados, ficava no meio do oceano, cerca de dois a quatro dias de distância de navio tanto do Senegal quanto do Brasil e o fundo do mar no local é coberto de montanhas e vales.
No dia 1 de maio de 2011, foram encontradas as duas caixas pretas com os dados registados do voo, além das gravações da comunicações dos pilotos. No dia 5 de maio, com a ajuda do robô submarino Remora 6000, de fabrico norte-americano, o mesmo que descobriu os destroços e as caixas pretas, a equipe de busca resgatou o primeiro corpo do fundo do mar. As autoridades francesas informaram que, após dois anos a 3.900 metros de profundidade, os restos mortais encontravam-se em adiantado estado de decomposição. A notícia causou surpresa à Associação das Famílias das Vítimas do Voo 447 da Air France, já que numa reunião em abril com a BEA (Birô de Investigações e Análises), em Paris, havia ficado decidido que os corpos encontrados não seriam resgatados, permanecendo em seu túmulo no fundo do oceano. 
  
(...)
  
Em 5 de julho de 2012, o BEA (Bureau de Investigações e Análises), órgão do governo francês responsável pelas investigações, apresentou seu relatório final. Nele, o órgão aponta que a tragédia foi causada por uma combinação de erros de avaliação dos pilotos, com problemas técnicos ocorridos por congelamento nos sensores de velocidade (Sondas Pitot). Segundo o relatório as sondas Pitot, obstruídas por cristais de gelo, não conseguiram informar a velocidade correta da aeronave, o que causou a desconexão do piloto automático e em seguida diversos erros de avaliação dos pilotos. 
    
(...)   
     

Estava a bordo do avião o príncipe Pedro Luís de Orléans e Bragança, de 26 anos, na altura o quarto na linha de sucessão à chefia da Casa Imperial brasileira.