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quarta-feira, fevereiro 18, 2026

Fagundes Varella morreu há 151 anos...

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Luís Nicolau Fagundes Varella (Rio Claro, 17 de agosto de 1841 - Niterói, 18 de fevereiro de 1875) foi um poeta brasileiro, patrono na Academia Brasileira de Letras.
Filho do magistrado Emiliano Fagundes Varella e de Emília de Andrade, ambos de ricas famílias cariocas.
Poeta romântico e boémio inveterado, Fagundes Varella foi um dos maiores expoentes da poesia brasileira, em seu tempo. Tendo ingressado no curso de Direito (e frequentado a Faculdade de Direito de São Paulo e a Faculdade de Direito do Recife), abandonou o curso no quarto ano. Foi a transição entre a segunda e a terceira geração romântica.
Diria, reafirmando sua vocação exclusiva para a arte, no poema "Mimosa", na boca duma personagem: "Não sirvo para doutor"...
Casando-se muito novo (aos vinte e um anos) com Alice Guilhermina Luande, filha de dono de um circo, teve um filho que veio a morrer aos três meses. Este facto inspirou-lhe o poema "Cântico do Calvário", expressão máxima de seus versos, tão jovem ainda. Sobre estes versos, analisou Manuel Bandeira:
"...uma das mais belas e sentidas nênias da poesia em língua portuguesa. Nela, pela força do sentimento sincero, o Poeta atingiu aos vinte anos uma altura que, não igualada depois, permaneceu como um cimo isolado em toda a sua poesia."
Casou-se novamente com uma prima - Maria Belisária de Brito Lambert, sendo novamente pai de duas meninas e um menino, também falecido prematuramente.
Embriagando-se e escrevendo, faleceu ainda jovem, vivendo à custa do pai, passando boa parte do tempo no campo, seu ambiente predileto.
Fagundes Varella morreu com 33 anos de idade.
  

 

A flor do maracujá

 

Pelas rosas, pelos lírios,
Pelas abelhas, sinhá,
Pelas notas mais chorosas
Do canto do sabiá,
Pelo cálice de angústias
Da flor do maracujá!

Pelo jasmim, pelo goivo,
Pelo agreste manacá,
Pelas gotas do sereno
Nas folhas de gravatá,
Pela coroa de espinhos
Da flor do maracujá!

Pelas tranças da mãe-d'água
Que junto da fonte está,
Pelos colibris que brincam
Nas alvas plumas do ubá,
Pelos cravos desenhados
Na flor do maracujá!

Pelas azuis borboletas
Que descem do Panamá,
Pelos tesouros ocultos
Nas minas do Sincorá,
Pelas chagas roxeadas
Da flor do maracujá!

Pelo mar, pelo deserto,
Pelas montanhas, sinhá!
Pelas florestas imensas
Que falam de Jeová!
Pela lança ensanguentada
Da flor do maracujá!

Por tudo o que o céu revela!
Por tudo o que a terra dá
Eu te juro que minh'alma
De tua alma escrava está!...
Guarda contigo esse emblema
Da flor do maracujá!

Não se enojem teus ouvidos
De tantas rimas em — a —
Mas ouve meus juramentos,
Meus cantos ouve, sinhá!
Te peço pelos mistérios
Da flor do maracujá!

 

Fagundes Varella

terça-feira, fevereiro 17, 2026

Oskar Merikanto morreu há cento e dois anos...

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/fa/Oskar_Merikanto.gif
       
Organista em Helsínquia desde 1892 e diretor de orquestra da Ópera Finlandesa de 1911 a 1922, compôs canções, obras para piano, órgão, música incidental e três óperas.
O seu filho Aarre Merikanto foi também compositor.
   
 

O poeta Gustavo Adolfo Bécquer nasceu há cento e noventa anos

    
Gustavo Adolfo Claudio Domínguez Bastida (Sevilla, 17 de febrero de 1836 - Madrid, 22 de diciembre de 1870), más conocido como Gustavo Adolfo Bécquer, fue un poeta y narrador español, perteneciente al movimiento del Romanticismo. Por ser un romántico tardío, ha sido asociado igualmente con el movimiento posromántico. Aunque en vida ya alcanzó cierta fama, solo después de su muerte y tras la publicación del conjunto de sus escritos alcanzó el prestigio que hoy se le reconoce.
Su obra más célebre son las Rimas y Leyendas. Los poemas e historias incluidos en esta colección son esenciales para el estudio de la literatura hispana, sobre la que ejercieron posteriormente una gran influencia.
  

 

Rima LII (Volverán las oscuras golondrinas) 

   

Volverán las oscuras golondrinas
en tu balcón sus nidos a colgar,
y otra vez con el ala a sus cristales,
jugando llamarán;
  
pero aquellas que el vuelo
refrenaban tu hermosura y mi dicha al contemplar;
aquellas que aprendieron nuestros nombres,
esas... ¡no volverán!
  
Volverán las tupidas madreselvas
de tu jardín las tapias a escalar,
y otra vez a la tarde, aun más hermosas,
sus flores abrirán;
  
pero aquellas cuajadas de rocío,
cuyas gotas mirábamos temblar
y caer, como lágrimas del día...
esas... ¡no volverán!
  
Volverán del amor en tus oídos
las palabras ardientes a sonar;
tu corazón, de su profundo sueño
tal vez despertará;
  
pero mudo y absorto y de rodillas
como se adora a Dios ante su altar,
como yo te he querido... desengáñate,
¡así no te querrán!

 

 

Gustavo Adolfo Bécquer

sexta-feira, fevereiro 13, 2026

Música adequada à data...!

Richard Wagner morreu há cento e quarenta e três anos...

    
Wilhelm Richard Wagner (Leipzig, 22 de maio de 1813 - Veneza, 13 de fevereiro de 1883) foi um maestro, compositor, diretor de teatro e ensaísta alemão, primeiramente conhecido por suas Óperas (ou "dramas musicais", como ele posteriormente chamou). As composições de Wagner, particularmente essas do fim do período, são notáveis por suas texturas complexas, harmonias ricas e orquestração, e o elaborado uso de leitmotiv: temas musicais associados com caráter individual, lugares, ideias ou outros elementos. Por não gostar da maioria das outras óperas de compositores, Wagner escreveu simultaneamente a música e o libretto para todos os seus trabalhos.
   
 

domingo, fevereiro 08, 2026

Mieczyslaw Karlowicz morreu há 117 anos...


Mieczysław Karłowicz
(Višneva, 11 de dezembro de 1876Montanhas Tatra, 8 de fevereiro de 1909) foi um compositor polaco do romantismo nascido em Wiszniew, hoje denominada Višnieva (Ві́шнева), pequena localidade na província de Minsk, na atual Bielorrússia. Herdou o talento musical de seu pai, Jan, historiador e músico.
Estudou em Varsóvia com Noskowski e em Berlim com Urban. Entre 1906 e 1907 estudou regência com Nikisch.
Karłowicz morreu, enquanto esquiava nos montes Tatra, durante uma avalanche, em 1909, aos 32 anos de idade.
  
 

sábado, fevereiro 07, 2026

Hoje é um bom dia para ouvir Berlioz...

Berlioz nasceu há 223 anos

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/de/Hector_berlioz.jpg/200px-Hector_berlioz.jpg
  
Louis Hector Berlioz (Côte-Saint-André, 7 de fevereiro de 1803 - Paris, 8 de março de 1869) foi um compositor do romantismo francês, conhecido por sua Sinfonia Fantástica (1830) e pela Missa de Requiem (1837).
 
 

O pintor Johann Heinrich Füssli nasceu há 285 anos

Henry Fuseli pintado por James Northcote (1778)

 

Johann Heinrich Füssli, também conhecido como Henry Fuseli ou Fusely (Zurique, 7 de fevereiro de 1741 - Putnry Hill, 16 de abril de 1825) foi um pintor suíço.

Após estudar com o pai, que também era pintor, foi obrigado a deixar a sua cidade natal, Zurique, na Suíça em 1763 por motivos políticos/religiosos - era pastor, mas foi expulso de sua igreja devido à ousadia dos seus sermões. Seguiu então para a Alemanha, onde estudou estética com Sulzer, e, no ano seguinte, passou a viver na Inglaterra. Entre os anos de 1769 e 1778 viveu na Itália, particularmente em Roma, onde passou a copiar as obras de artistas antigos e de Michelangelo. Na volta à Inglaterra, dedicou-se tanto aos trabalhos em pintura como aos literários, tornando-se representante do romantismo inglês.

Com o pai, historiador de arte e propagador das teorias de Mengs e Winckelman, Füssli aprendeu os princípios básicos das obras da antiguidade clássica e do renascimento. Entretanto, desde o princípio seu estilo foi bem diferente. A arte pictórica de Füssli, marcada pelo aspeto passional, pelo interesse dedicado às emoções e aos estados de ânimo, assinala um dos primeiros exemplos típicos da sensibilidade romântica. Em geral, tirava os seus temas das obras de Shakespeare, que admirava. A sua pintura se caracterizou por uma composição dramática e ao mesmo tempo dinâmica, embora leve, quase neomaneirista.

Durante a sua estada na Itália, com o objetivo de estudar de perto os grandes mestres, deixou-se cativar por Rosso e Pontormo, e muito particularmente por Michelangelo. Os seus personagens solitários parecem prestes a ser devorados por uma realidade de cores escuras em que se movimentam e que lembra muito os quadros de Goya, paradigma do espírito romântico.

Füssli colaborou com inúmeras telas para uma galeria shakespeariana e para uma galeria miltoniana, compondo em cinquenta quadros uma representação do Paraíso Perdido, de Milton. Em 1790, era membro da Royal Academy e a sua obra constitui um importante elo entre o neoclassicismo e o romantismo.

Entre os seus trabalhos mais conhecidos, estão: A três bruxas de Macbeth, de 1783, Sonho de uma noite de verão, de 1788, O pesadelo, de 1782 e O Despertar de Titânia, 1775, algumas como representações macabras do amor não correspondido, que era um dos impulsionadores do movimento romântico. 

 

O pesadelo (1781)

O pesadelo (1781)

  

in Wikipédia

quarta-feira, fevereiro 04, 2026

Hoje é dia de celebrar umas asas brancas...

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As Minhas Asas

 

Eu tinha umas asas brancas,
Asas que um anjo me deu,
Que, em me eu cansando da terra,
Batia-as, voava ao céu.

- Eram brancas, brancas, brancas,
Como as do anjo que mas deu:
Eu inocente como elas,
Por isso voava ao céu.
Veio a cobiça da terra,
Vinha para me tentar;
Por seus montes de tesouros
Minhas asas não quis dar.
- Veio a ambição, coas grandezas,
Vinham para mas cortar,
Davam-me poder e glória;
Por nenhum preço as quis dar.

Porque as minhas asas brancas,
Asas que um anjo me deu,
Em me eu cansando da terra,
Batia-as, voava ao céu.

Mas uma noite sem lua
Que eu contemplava as estrelas,
E já suspenso da terra,
Ia voar para elas,
— Deixei descair os olhos
Do céu alto e das estrelas...
Vi entre a névoa da terra,
Outra luz mais bela que elas.

E as minhas asas brancas,
Asas que um anjo me deu,
Para a terra me pesavam,
Já não se erguiam ao céu.

Cegou-me essas luz funesta
De enfeitiçados amores...
Fatal amor, negra hora
Foi aquela hora de dores!

- Tudo perdi nessa hora
Que provei nos seus amores
O doce fel do deleite,
O acre prazer das dores.

E as minhas asas brancas,
Asas que um anjo me deu,
Pena a pena me caíram...
Nunca mais voei ao céu.

 

Almeida Garrett

 

Com base no poema do imortal Almeida Garrett, são essas mesmas asas que Coimbra (e a sua música e academia) glosou e cantou, a sua e minha alma mater, na voz, também imortal, de outro ex-aluno da nossa Universidade, Luiz Goes:

 

 

Asas brancas  - Luiz Goes
Letra e Música: Afonso de Sousa

 

Quando era pequenino a desventura
Trazia-me saudoso e triste o rosto,
Assim como quem sofre algum desgosto,
Assim como quem chora de amargura.

Um anjo de asas brancas muito finas,
Sabendo-me infeliz mas inocente,
Cedeu-me as suas asas pequeninas,
Para me ver voar e ser contente.

E as asas de criança, meu tesoiro,
Ao ver-me assim tão triste, iam ao céu...
Tão brandas, tão macias - penas de oiro -
Tão leves como a aragem... como eu!

Cresci. Cresceram culpas juntamente,
Já grandes são as mágoas mais pequenas!
As asas brancas vão-se... e ficam penas!
Não mais voei ao céu nem fui contente

Hoje é dia de recordar Almeida Garrett...

 

Barca bela

 

Pescador da barca bela,
Onde vais pescar com ela.
Que é tão bela,
Oh pescador?

Não vês que a última estrela
No céu nublado se vela?
Colhe a vela,
Oh pescador!

Deita o lanço com cautela,
Que a sereia canta bela...
Mas cautela,
Oh pescador!

Não se enrede a rede nela,
Que perdido é remo e vela,
Só de vê-la,
Oh pescador.

Pescador da barca bela,
Inda é tempo, foge dela
Foge dela
Oh pescador!


Almeida Garrett

Almeida Garrett nasceu há 227 anos...

      
João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett (Porto, 4 de fevereiro de 1799 - Lisboa, 9 de dezembro de 1854), 1.º Visconde de Almeida Garrett, foi um escritor e dramaturgo romântico, orador, par do Reino, ministro e secretário de estado honorário português.
Grande impulsionador do teatro em Portugal, uma das maiores figuras do romantismo português, foi ele quem propôs a edificação do Teatro Nacional de D. Maria II e a criação do Conservatório de Arte Dramática.

Filho segundo do selador-mor da Alfândega do Porto, acompanhou a família quando esta se refugiou nos Açores, onde tinha propriedades, fugindo da segunda invasão francesa, realizada pelo exército comandado pelo marechal Soult que entrando em Portugal por Chaves se dirigiu para o Porto, ocupando-o.
Passou a adolescência na ilha Terceira, onde foi criado por familiares, tendo sido destinado à vida eclesiástica, devendo entrar na Ordem de Cristo, por sugestão do tio paterno, frei Alexandre da Sagrada Família, bispo de Malaca e depois de Angra.
Em 1816, tendo regressado a Portugal, inscreveu-se na Universidade, na Faculdade de Leis, sendo aí que entrou em contacto com os ideais liberais. Em Coimbra, organiza uma loja maçónica, que será frequentada por alunos da Universidade como Manuel Passos. Em 1818, começa a usar o apelido Almeida Garrett, assim como toda a sua família.
Participa entusiasticamente na revolução de 1820, de que parece ter tido conhecimento atempado, como parece provar a poesia As férias no campo, escrita em 1819. Enquanto dirigente estudantil e orador defende o vintismo com ardor escrevendo um Hino Patriótico recitado no Teatro de São João. Em 1821, funda a Sociedade dos Jardineiros, e volta aos Açores numa viagem de possível motivação maçónica. De regresso ao Continente, estabelece-se em Lisboa, onde continua a publicar escritos patrióticos e concluindo a Licenciatura em novembro deste ano.
Em Coimbra publica o poema libertino O Retrato de Vénus, que lhe vale ser acusado de materialista e ateu, assim como de «abuso da liberdade de imprensa», de que será absolvido em 1822. Torna-se secretário particular de Silva Carvalho, secretário de estado dos Negócios do Reino, ingressando em agosto na respetiva secretaria, com o lugar de chefe de repartição da instrução pública. No fim do ano, em 11 de novembro, casa com Luísa Midosi.
A Vilafrancada, o golpe militar de D. Miguel que, em 1823, acaba com a primeira experiência liberal em Portugal, leva-o para o exílio. Estabelece-se em março de 1824 em Le Havre, cidade portuária francesa na foz do Sena, mas em dezembro está desempregado, o que o leva a ir viver para Paris. Não lhe sendo permitido o regresso a Portugal, volta ao seu antigo emprego no Havre. Em 1826 está de volta a Paris, para ir trabalhar na livraria Aillaud. A mulher regressa a Portugal.
É amnistiado após a morte de D. João VI, regressando com os últimos emigrados, após a outorga da Carta Constitucional, reocupando em agosto o seu lugar na Secretaria de Estado. Em outubro começa a editar «O Português, diário político, literário e comercial», sendo preso em finais do ano seguinte. Libertado, vai para o exílio em junho de 1828, devido ao restabelecimento do regime absoluto por D. Miguel. De 1828 a dezembro de 1831 vive em Inglaterra, indo depois para França, onde se integra num batalhão de caçadores, e mais tarde, em 1832, para os Açores integrado na expedição comandada por D. Pedro IV. Nos Açores transfere-se para o corpo académico, sendo mais tarde chamado, por Mouzinho da Silveira, para a Secretaria de Estado do Reino.
Participa na expedição liberal que desembarca no Mindelo e ocupa o Porto em julho de 1832. No Porto, é reintegrado como oficial na secretaria de estado do Reino, acumulando com o trabalho na comissão encarregada do projeto de criação do Códigos Criminal e Comercial. Em novembro parte com Palmela para uma missão a várias cortes europeias, mas a missão é dissolvida em janeiro e Almeida Garrett vê-se abandonado em Inglaterra, indo para Paris onde se encontra com a mulher. Só com a ocupação de Lisboa em julho de 1834, consegue apoio para o seu regresso, que acontece em outubro. Em novembro é nomeado secretário da comissão de reforma geral dos estudos. Em fevereiro do ano seguinte é nomeado cônsul-geral e encarregado de negócios na Bélgica, onde chega em junho, mas é de novo abandonado pelo governo. Regressa a Portugal em princípios de 1835, regressando ao seu posto em maio. Estava em Paris, em tratamento, quando foi substituído sem aviso prévio na embaixada belga. Nomeado embaixador na Dinamarca, é demitido antes mesmo de abandonar a Bélgica.
Estes sucessivos abandonos por parte dos governos cartistas, levam-no a envolver-se com o Setembrismo, dando assim origem à sua carreira parlamentar. Logo em 28 de setembro de 1837 é incumbido de apresentar uma proposta para o teatro nacional, o que faz propondo a organização de uma Inspeção-Geral dos Teatros, a edificação do Teatro D. Maria II e a criação do Conservatório de Arte Dramática. Os anos de 1838 e 1838, são preenchidos nas discussões políticas que levarão à aprovação da Constituição de 1838, e na renovação do teatro nacional.
Em 20 de dezembro é nomeado cronista-mor do Reino, organizando logo no princípio de 1839 um curso de leituras públicas de História. No ano seguinte o curso versa a «história política, literária e científica de Portugal no século XVI».
Em 15 de julho de 1841 ataca violentamente o ministro António José d'Ávila, num discurso a propósito da Lei da Décima, o que implica a sua passagem para a oposição, e o leva à demissão de todos os seus cargos públicos. Em 1842, opõem-se à restauração da Carta proclamada no Porto por Costa Cabral. Eleito deputado nas eleições para a nova Câmara dos Deputados cartista, recusa qualquer nomeação para as comissões parlamentares, como toda a esquerda parlamentar. No ano seguinte ataca violentamente o governo cabralista, que compara ao absolutista.
É neste ano de 1843 que começou a publicar, na Revista Universal Scalabitana, as Viagens na Minha Terra, descrevendo a viagem ao vale de Santarém começada em 17 de julho. Anteriormente, em 6 de maio, tinha lido no Conservatório Nacional uma memória em que apresentou a peça de teatro Frei Luís de Sousa, fazendo a primeira leitura do drama.
Continuando a sua oposição ao Cabralismo, participa na Associação Eleitoral, dirigida por Sá da Bandeira, assim como nas eleições de 1845, onde foi um dos 15 membros da minoria da oposição na nova Câmara. Em 17 de janeiro de 1846, proferiu um discurso em que considerava a minoria como representante da «grande nação dos oprimidos», pedido em 7 de maio a demissão do governo, e em Junho a convocação de novas Cortes.
Com o despoletar da revolução da Maria da Fonte, e da Guerra Civil da Patuleia, Almeida Garrett que apoia o movimento, tem que passar a andar escondido, reaparecendo em junho, com a assinatura da Convenção do Gramido.
Com a vitória cartista e o regresso de Costa Cabral ao governo, Almeida Garrett é afastado da vida política, até 1852. Em 1849, passa uma breve temporada em casa de Alexandre Herculano, na Ajuda. Em 1850, subscreve com mais de 50 outras personalidades um Protesto contra a Proposta sobre a Liberdade de Imprensa, mais conhecida por «lei das rolhas». Costa Cabral nomeia-o, em dezembro, para a comissão do monumento a D. Pedro IV.
Com o fim do Cabralismo e o começo da Regeneração, em 1851, Almeida Garrett é consagrado oficialmente. É nomeado sucessivamente para a redação das instruções ao projeto da lei eleitoral, como plenipotenciário nas negociações com a Santa Sé, para a comissão de reforma da Academia das Ciências, vogal na comissão das bases da lei eleitoral, e na comissão de reorganização dos serviços públicos, para além de vogal do Conselho Ultramarino, e de estar encarregado da redação do que irá ser o Ato Adicional à Carta.

 Brasão do Visconde de Almeida Garrett (daqui)
 
Por decreto do El-Rei D. Pedro V, datado de 25 de junho de 1851, o poeta é feito visconde de Almeida Garrett em vida (tendo o título sido posteriormente renovado por 5 vezes).
Em 1852 é eleito novamente deputado, e de 4 a 17 de agosto será ministro dos Negócios Estrangeiros (em governo presidido pelo Duque de Saldanha). A sua última intervenção no Parlamento será em março de 1854, em que ataca o governo na pessoa de Rodrigo de Fonseca Magalhães.
Falece em 1854, vítima de problemas intestinais, na sua casa situada na atual Rua Saraiva de Carvalho, em Campo de Ourique, Lisboa. Foi sepultado no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa, tendo sido trasladado, em 8 de março de 1926, para o Panteão Nacional, à data no Mosteiro dos Jerónimos. Encontra-se atualmente no Panteão Nacional, na Igreja de Santa Engrácia.

 in Wikipédia

 

Seus olhos
 
Seus olhos - que eu sei pintar
O que os meus olhos cegou –
Não tinham luz de brilhar,
Era chama de queimar;
E o fogo que a ateou
Vivaz, eterno, divino,
Como facho do Destino.

Divino, eterno! - e suave
Ao mesmo tempo: mas grave
E de tão fatal poder,
Que, um só momento que a vi,
Queimar toda a alma senti...
Nem ficou mais de meu ser,
Senão a cinza em que ardi.


in
Folhas Caídas (1853) - Almeida Garrett

terça-feira, fevereiro 03, 2026

Hoje é dia de ouvir Mendelssohn...

Mendelssohn nasceu há 217 anos...

     

Jakob Ludwig Felix Mendelssohn Bartholdy conhecido como Felix Mendelssohn (Hamburgo, 3 de fevereiro de 1809 - Leipzig, 4 de novembro de 1847) foi um compositor, pianista e maestro alemão do início do período romântico. Algumas das suas mais conhecidas obras são a abertura e a música incidental para Sonho de uma Noite de Verão (que inclui a famosa Marcha nupcial), o Concerto para violino, os dois concertos para piano, cerca de 100 Lieder, a abertura As Hébridas, as sinfonias Italiana e Escocesa e os oratórios Paulus e Elias.
  
Mendelssohn era filho do banqueiro Abraham Mendelssohn e de Lea Salomon, e neto do filósofo judaico-alemão Moses Mendelssohn, membro de uma família judia notável, mais tarde convertida ao cristianismo. Começou a compor aos nove anos (mais tarde mudou o seu sobrenome para Mendelssohn Bartholdy).
Felix cresceu num ambiente de intensa efervescência intelectual. As maiores mentes da Alemanha foram visitas frequentes da sua família na casa em Berlim, incluindo a Wilhelm von Humboldt e Alexander von Humboldt. A sua irmã Rebecca casou com o grande matemático belga Lejeune Dirichlet.
Abraão renunciou à religião judaica e a família mudou-se para Berlim em 1811. Abraão e Lea tentam dar a Felix Mendelssohn, ao seu irmão Paul, e às suas irmãs Fanny e Rebeca, a melhor educação possível. A sua irmã Fanny Mendelssohn (mais tarde, Fanny Hensel), tornou-se uma conhecida pianista e compositora.
Mendelssohn era considerado uma criança prodígio. Começou lições de piano com a sua mãe aos seis anos, acompanhados por Marie Bigot. A partir de 1817, estudou composição com Carl Friedrich Zelter em Berlim. Escreveu e publicou o seu primeiro trabalho, um quarteto com piano, aos treze anos. Mais tarde teve aulas de piano do compositor e virtuoso Ignaz Moscheles, que confessou em seu diário que ele tinha muito a ensinar-lhe. Moscheles foi grande colega e amigo ao longo da vida.
  
(...) 
    

Em 14 de maio de 1847, Berlim, Alemanha, a irmã Fanny de Mendelssohn morre, após um ataque de apoplexia. Os seus pais haviam morrido alguns anos antes, em 1835 e em 1842, e a morte de Fanny causou um grande impacto no compositor. Mendelssohn morreu no dia 4 de novembro de 1847, seis meses após a morte da irmã, devido a um derrame cerebral.

Uma paixão não correspondida pela soprano sueca Jenny Lind pode ter contribuído para a morte de Felix Mendelssohn. Essa é a tese levantada por uma jornalista do The Independent, Jessica Duchen. A tese tem por base um documento depositado nos arquivos da Royal Academy of Music, em Londres: uma declaração do marido de Jenny Lind, Otto Goldschmidt, confessando ter destruído uma carta de Mendelssohn para Jenny, que teria o poder de macular profundamente as reputações de sua mulher e de Mendelssohn. Na carta o compositor teria declarado amor ardente por ela, implorando que ela fugisse com ele para os Estados Unidos e ameaçando suicídio caso ela recusasse. Supõe-se que Jenny, efetivamente, recusou. Meses depois, Mendelssohn estava morto.

Charles Rosen, no seu livro A Geração Romântica, deprecia Mendelssohn como "kitsch religioso". Essa opinião reflete um contínuo desprezo pela estética musical por parte de Richard Wagner e seus seguidores. Na Inglaterra, a reputação de Mendelssohn manteve-se elevada durante muito tempo. A Rainha Vitória demonstrou o seu entusiasmo, quando, no Crystal Palace, foi colocada, em 1854, uma estátua de Mendelssohn.

 

 

sábado, janeiro 31, 2026

Schubert nasceu há 229 anos...

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0d/Franz_Schubert_by_Wilhelm_August_Rieder_1875.jpg
         
Franz Peter Schubert (Himmelpfortgrund, 31 de janeiro de 1797 - Viena, 19 de novembro de 1828) foi um compositor austríaco do fim da era clássica, com um estilo marcante, inovador e poético do romantismo. Escreveu cerca de seiscentas canções (o "lied" alemão), bem como óperas, sinfonias, incluindo a "Sinfonia Incompleta", sonatas entre outros trabalhos. Viveu pouco e não teve reconhecimento publico, pois morreu aos 31 anos. Hoje, o seu estilo é considerado por muitos como imaginativo, lírico e melódico, fá-lo ser considerado um dos maiores compositores do século XIX, marcando a passagem do estilo clássico para o romântico.
     
 

terça-feira, janeiro 27, 2026

Hoje é dia de recordar Verdi...

Verdi morreu há cento e vinte e cinco anos...

     

Giuseppe Fortunino Francesco Verdi (Roncole, 10 de outubro de 1813 - Milão, 27 de janeiro de 1901) foi um compositor de óperas do período romântico italiano, sendo na época considerado o maior compositor nacional da Itália, tal como Richard Wagner o era na Alemanha.

Foi um dos compositores mais influentes do século XIX. As suas obras são executadas com frequência em teatros de ópera em todo o mundo e, transcendendo os limites do género, alguns de seus temas já estão há muito enraizados na cultura popular - como "La donna è mobile de Rigoletto, "Va, pensiero" (O Coro dos Escravos Hebreus) de Nabucco, "Libiamo ne' lieti calici" (A Canção da Bebida) de La Traviata e o "Grande Março de Aida. Embora sua obra tenha sido algumas vezes criticada por usar de modo geral a expressão musical diatónica em vez de uma cromática e com uma tendência de melodrama, as obras-primas de Verdi dominam o reportório padrão da Ópera um século e meio depois de realizar as suas composições.
   
 

sexta-feira, janeiro 23, 2026

Stendhal nasceu há duzentos e quarenta e três anos

     
Henri-Marie Beyle, mais conhecido como Stendhal (Grenoble, 23 de janeiro de 1783 - Paris, 23 de março de 1842) foi um escritor francês. Os seus romances de formação O Vermelho e o Negro (1830), A Cartuxa de Parma (1839) e Lucien Leuwen (inacabado) fizeram dele, ao lado de Flaubert, Victor Hugo, Balzac e Zola, um dos grandes romancistas franceses do século XIX. Nos seus romances, caracterizados por um estilo económico e deliberadamente seco, Stendhal busca "a verdade, a dura verdade" no campo psicológico e, essencialmente, aborda jovens com aspirações românticas de vitalidade, força de sentimento e sonhos de glória.

    

Gustave Doré morreu há cento e quarenta e três anos...

   
Paul Gustave Doré (Estrasburgo, 6 de janeiro de 1832 - Paris, 23 de janeiro de 1883) foi um pintor, desenhador e o mais produtivo e bem-sucedido ilustrador francês de livros do século XIX. O seu estilo caracterizava-se por uma inclinação para a fantasia, mas também produziu trabalhos mais sóbrios, como os notáveis estudos sobre as áreas pobres de Londres, realizados entre 1869 e 1871.
 
 
D. Quixote e Sancho Pança
  

quinta-feira, janeiro 22, 2026

Byron nasceu há 238 anos

Lord Byron, com roupa tradicional albanesa - Thomas Phillips, 1813
   
George Gordon Byron, 6º Barão Byron (Londres, 22 de janeiro de 1788 - Missolonghi, 19 de abril de 1824), melhor conhecido como Lorde Byron, foi um destacado poeta britânico e uma das figuras mais influentes do Romantismo, célebre por suas obras-primas, como Peregrinação de Child Harold e Don Juan (o último permaneceu inacabado, devido à sua morte iminente). Byron é considerado como um dos maiores poetas europeus, é muito lido até os dias de hoje.
Toda a obra de Byron, que exprime o pessimismo romântico, com a tendência a se voltar contra os outros e contra a sociedade, pode ser vista como um grande painel autobiográfico. Foram novos, em sua postura, o tom declarado de rebeldia ante as convenções morais e religiosas e o charme cínico de que seu herói demoníaco sempre se revestiu.
A fama de Byron não se deve somente aos seus escritos, mas também a sua vida - amplamente considerada extravagante - que inclui numerosas amantes, dívidas, separações e alegações de incesto.
Encontrou a morte em Missolonghi, quando estava lutando ao lado dos gregos pela sua independência da opressão turca. Segundo consta, a causa da morte parece ter sido uremia, complicada por febre reumática. A sua filha, Ada Lovelace, colaborou com Charles Babbage para o engenho analítico, um passo importante na história dos computadores.

 

She walks in Beauty

She walks in beauty, like the night
Of cloudless climes and starry skies;
And all that's best of dark and bright
Meet in her aspect and her eyes:
Thus mellow'd to that tender light
Which heaven to gaudy day denies.

One shade the more, one ray the less,
Had half impair'd the nameless grace
Which waves in every raven tress,
Or softly lightens o'er her face;
Where thoughts serenely sweet express
How pure, how dear their dwelling-place.

And on that cheek, and o'er that brow,
So soft, so calm, yet eloquent,
The smiles that win, the tints that glow,
But tell of days in goodness spent,
A mind at peace with all below,
A heart whose love is innocent!