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quarta-feira, janeiro 07, 2026

Francis Poulenc nasceu há 126 anos

  
Francis Jean Marcel Poulenc (Paris, 7 de janeiro de 1900 – Paris, 30 de janeiro de 1963) foi um compositor e pianista francês, membro do grupo Les Six, autor de obras que abarcam a maior parte dos géneros musicais, incluindo canção, música de câmara, oratório, ópera, música para bailado e música orquestral. O crítico Claude Rostand, num artigo do Paris-Presse, de julho de 1950, descreveu Poulenc como "meio monge, meio mau rapaz" ("le moine et le voyou"), uma etiqueta que lhe ficou associada para o resto da vida.
Poulenc aprendeu piano com a sua mãe e começou a compor com sete anos de idade. Aos quinze anos estudou com Ricardo Vinhes, que encorajou a sua ambição de compor e o apresentou a Satie, Casella, Auric e outros. Em 1917 a sua Rapsodie Nègre deu-lhe uma proeminência notável em Paris, como um dos compositores encorajados por Satie e Cocteau, que os designava como "Les Nouveaux Jeunes" (Os novos jovens). Mesmo assim os seus conhecimentos técnicos eram escassos - Poulenc nunca frequentou o Conservatório - pelo que em 1920 decidiu estudar harmonia durante três anos com Charles Koechlin, mas nunca estudou Contraponto nem Orquestração, pelo que parte dos seus conhecimentos eram intuitivos. Em 1920 um crítico musical, Henri Collete escolheu 6 destes "Nouveaux Jeunes" e chamou-lhes "Les Six"; Poulenc fazia parte deste grupo. Deram concertos juntos, sendo um dos seus artigos de fé que se inspiravam no «folclore parisiense», isto é, nos músicos de rua, nos teatros musicais, nas bandas de circo.
A vida de Poulenc foi uma vida de constante luta interna ("meio monge, meio mau rapaz"). Tendo nascido e sido educado na religião católica, Poulenc debatia-se com a conciliação dos seus desejos sexuais pouco ortodoxos à luz das suas convicções religiosas. Poulenc referiu a Chanlaire que "Sabes que sou sincero na minha fé, sem excessos de messianismo, tanto como sou sincero na minha sexualidade parisiense." Alguns autores consideram mesmo que Poulenc foi o primeiro compositor abertamente homossexual, embora o compositor tenha mantido relações sentimentais e físicas com mulheres e tenha sido pai de uma filha, Marie-Ange.
A sua primeira relação afectiva importante foi com o pintor Richard Chanlaire, a quem dedicou o seu Concert champêtre: "Mudaste a minha vida, és o sol dos meus trinta anos, uma razão para viver e trabalhar." Em 1926, Francis Poulenc conhece o barítono Pierre Bernac, com o qual estabelece uma forte relação afectiva, e para quem compõe um grande número de melodias. Alguns autores indicam que esta relação tinha carácter sexual, embora a correspondência entre os dois, já publicada, sugira fortemente que não. A partir de 1935 e até à sua morte, em 1963, acompanha Bernac ao piano em recitais de música francesa por todo o mundo. Pierre Bernac é considerado como "a musa" de Poulenc.
Poulenc foi profundamente afectado pela morte de alguns dos seus amigos mais próximos. O primeiro foi a morte prematura de Raymonde Linossier, uma jovem com quem Poulenc tinha esperanças de casar. Embora Poulenc tivesse admitido que não tinha nenhum interesse sexual em Linossier, eram amigos de longa data. Em 1923, Poulenc ficou chocado e inanimado durante um par de dias depois da sua morte, aos 20 anos, na sequência de febre tifóide, do seu amigo, o romancista Raymond Radiguet. Já em 1936, o seu grande amigo Pierre-Octave Ferroud morreu num acidente de automóvel na Hungria, na sequência do qual visitou a Virgem Negra de Rocamadour. Em 1949, a morte de outro grande amigo, o artista Christian Bérard, esteve na origem da composição do seu Stabat Mater.
O ambiente parisiense da época é fielmente representado na versão de Poulenc de "Cocards" de Cocteau. Esta obra chamou a atenção de Stravinski que recomendou Poulenc a Sergei Diaguilev, sendo o resultado desta colaboração o ballet "Les Biches", no qual ele expressa a sofisticação frágil dos ano 20, uma compreensão verdadeira do idioma do jazz e (no adagietto) do lirismo romântico que cada vez mais influenciou a sua obra.
As suas obras mais conhecidas são talvez as canções para voz e piano, em especial as escritas a partir de 1935, quando começou a acompanhar o grande barítono francês Pierre Bernac. As suas versões de poemas de Apollinaire e do seu amigo Paul Eluard são particularmente boas, cobrindo uma vasta gama de emoções.
Compôs três óperas, sendo a mais conhecida "Les Dialogues des Carmélites" (1953-56), baseada em trágicos acontecimentos da Revolução Francesa, e as suas obras religiosas têm um toque de êxtase como o que apenas se encontra nas obras de Haydn. Das suas obras instrumentais, o concerto para órgão (1938) é muito original no tratamento do instrumento solista.
A sua música, eclética e ao mesmo tempo pessoal, é essencialmente diatónica e melodiosa, embelezada com dissonâncias do século XX. Tem talento, elegância, profundidade de sentimento e um doce-amargo que são derivados da sua personalidade alegre e melancólica. A morte acidental do seu grande amigo Pierre-Octave Ferroud conjugada com uma peregrinação à Virgem Negra de Rocamadour, em 1935, levaram Poulenc a regressar ao catolicismo, resultando em composições em tom mais austero e sombrio.
   
 

O Massacre do Charlie Hebdo foi há onze anos...

      
O Massacre do Charlie Hebdo foi um atentado terrorista que atingiu o jornal satírico francês Charlie Hebdo a 7 de janeiro de 2015, em Paris, resultando em doze pessoas mortas e cinco gravemente feridas. O ataque foi perpetrado pelos irmãos Saïd e Chérif Kouachi, vestidos de preto e armados com Kalashnikovs, na sede do semanário no 11º Bairro de Paris, supostamente como forma de protesto contra a edição Charia Hebdo, que ocasionou polémica no mundo islâmico e foi recebida como um insulto aos muçulmanos. Mataram 12 pessoas, incluindo uma parte da equipa do Charlie Hebdo e dois agentes da polícia nacional francesa, ferindo durante o tiroteio mais outras 11 pessoas que estavam próximas do local.
No mesmo dia, outro francês muçulmano, Amedy Coulibaly, ligado aos atacantes do jornal (conhecia bem Chérif Kouachi) matou a tiros uma polícia em Montrouge, na periferia de Paris, e no dia seguinte invadiu um supermercado kosher (judeu) perto da Porta de Vincennes, fazendo reféns, quatro deles mortos pelo Coulibaly no novo ataque, que terminou após a invasão do estabelecimento pela polícia francesa. No dia 11 de janeiro, após as acções e a morte de Coulibaly, um vídeo é publicado na Youtube a reivindicar os atos: A. Coulibaly confirma a sua responsabilidade no ataque a Montrouge; também se afirma como membro do Estado Islâmico do Iraque e do Levante. No total, durante os eventos entre 7 a 9 de janeiro, ocorreram 17 mortes em atentados terroristas na região de Île-de-France, em Paris.
Centenas de pessoas e personalidades manifestaram o seu repúdio aos ataques orquestrados contra o jornal. O presidente da França, François Hollande, decretou luto nacional no país no dia seguinte ao atentado. Em 11 de janeiro, cerca de três milhões de pessoas em toda a França, incluindo mais de 40 líderes mundiais, fizeram uma grande manifestação de unidade nacional para homenagear as 17 vítimas dos três dias de terror. A frase "Je suis Charlie" (em francês, significando "Eu sou Charlie") transformou-se num sinal comum, em todo o mundo, para mostrar solidariedade contra os ataques e com a liberdade de expressão.
    
    

terça-feira, janeiro 06, 2026

Gustave Doré nasceu há 194 anos

     
Paul Gustave Doré (Estrasburgo, 6 de janeiro de 1832 - Paris, 23 de janeiro de 1883) foi um pintor, desenhador e o mais produtivo e bem-sucedido ilustrador francês de livros do século XIX. O seu estilo caracterizava-se por uma inclinação para a fantasia, mas também produziu trabalhos mais sóbrios, como os notáveis estudos sobre as áreas pobres de Londres, realizados entre 1869 e 1871.
  
 
D. Quixote e Sancho Pança
  

segunda-feira, janeiro 05, 2026

Joana d'Arc nasceu há 614 anos...

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/6b/Joan_of_Arc_on_horseback.png

   
Santa Joana d'Arc, em francês Jeanne d'Arc (Domrémy-la-Pucelle, 6 de janeiro de 1412 - Ruão, 30 de maio de 1431), por vezes chamada de donzela de Orléans, era filha de Jacques d'Arc e Isabelle Romée e é a santa padroeira da França e foi uma heroína da Guerra dos Cem Anos, durante a qual tomou partido pelos Armagnacs, na longa luta contra os borguinhões e seus aliados ingleses.
Descendente de camponeses, gente modesta e analfabeta, foi uma mártir francesa canonizada em 1920, quase cinco séculos depois de ter sido queimada viva.
Segundo a escritora Irène Kuhn, Joana d'Arc foi esquecida pela história até o século XIX, conhecido como o século do nacionalismo, o que pode confirmar as teorias de Ernest Gellner. Irène Kuhn escreveu: Foi apenas no século XIX que a França redescobriu esta personagem trágica.
François Villon, nascido em 1431, no ano de sua morte, evoca sua lembrança na bela Ballade des Dames du temps jadis ou seja, Balada das damas do tempo passado -
Et Jeanne, la bonne Lorraine
Qu'Anglais brûlèrent à Rouen;
Où sont-ils, où, Vierge souvraine?
Mais où sont les neiges d'antan?
Antes aos factos relacionados, Shakespeare tratou-a como uma bruxa; Voltaire escreveu um poema satírico, ou pseudo-ensaio histórico, que a ridicularizava, intitulado «La Pucelle d´Orléans» ou «A Donzela de Orléans».
Depois da Revolução Francesa, o partido monárquico reavivou a lembrança da boa lorena, que jamais desistiu do retorno do rei.
Joana foi recuperada pelos profetas da «França eterna», em primeiro lugar o grande historiador romântico Jules Michelet. Com o romantismo, o alemão Schiller fez dela a heroína da sua peça de teatro "Die Jungfrau von Orléans", publicada em 1801.
Em 1870, quando a França foi derrotada pela Alemanha - que ocupou a Alsácia e a Lorena - "Jeanne, a pequena pastora de Domrémy, um pouco ingénua, tornou-se a heroína do sentimento nacional". Republicanos e nacionalistas exaltaram aquela que deu sua vida pela pátria.
Durante a primeira fase da Terceira República, no entanto, o culto a Joana d'Arc esteve associado à direita monárquica, da qual era um dos símbolos, como o rei Henrique IV, sendo mal vista pelos republicanos.
A Igreja Católica francesa propôs ao Papa Pio X sua beatificação, realizada em 1909, num período dominado pela exaltação da nação e ao ódio ao estrangeiro, principalmente Inglaterra e Alemanha.
O gesto do Papa inspirou-se no desejo de fazer a Igreja de França entrar em mais perfeito acordo com os dirigentes anticlericais da III República, mas só com a I Guerra Mundial de 1914 a 1918, Joana deixa de ser uma heroína da Direita. Segundo Irène Kuhn, a partir daí os "postais patrióticos" mostram Jeanne à cabeça dos exércitos e monumentos seus aparecem como cogumelos por toda a França. O Parlamento francês estabelece uma festa nacional em sua honra no 2º domingo de maio.
Em 9 de maio de 1920, cerca de 500 anos depois de sua morte, Joana d'Arc foi definitivamente reabilitada, sendo canonizada pelo Papa Bento XV - era a Santa Joana d'Arc. A canonização traduzia o desejo da Santa Sé de estender pontes para a França republicana, laica e nacionalista. Em 1922 foi declarada padroeira de França. Joana d´Arc permanece como testemunha de milagres que pode realizar uma pessoa, ainda que animada apenas pela energia de suas convicções, mesmo adolescente, pastora e analfabeta, de modo que o seu exemplo guarda um valor universal.

 

domingo, janeiro 04, 2026

Hoje foi o Dia Mundial do Braille...

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Uma mão lendo um código braille entalhado em madeira, onde a palavra "premier" pode ser lida em braille

 

O Dia Mundial do Braille celebra-se a 4 de janeiro. É uma data assinalada pela Assembleia Geral das Nações Unidas e proclamada em novembro de 2018, para consciencializar as pessoas da importância da invenção do código Braille como meio de comunicação para a plena realização dos direitos humanos das pessoas cegas ou com baixa visão.


Luis Braille

Esta data coincide com a data de nascimento de Louis Braille (4 de janeiro de 18096 de janeiro de 1852), inventor deste sistema de leitura e de escrita. Louis Braille cegou aos três anos de idade, após ter-se ferido num olho. A inflamação transformou-se em infeção propagando-se para o outro olho e levando-o à cegueira total. Aos 10 anos, os pais de Louis Braille inscrevem-no com sucesso no Instituto Real para Jovens Cegos (Institution Nationale des Jeunes Aveugles), em Paris. Nesta escola, Braille mostrou entusiasmo pelas ciências e as humanidades desenvolvendo os seus estudos. Após várias tentativas Louis Braille desenvolveu um sistema de escrita, hoje universalmente aceite, que consiste num código de 63 caracteres. Cada caráter é composto por um a seis pontos em relevo dispostos numa matriz de seis posições. Estes caracteres são gravados em relevo e dispostos em linha sobre papel para serem lidos passando levemente as pontas dos dedos da esquerda para a direita sobre as linhas de pontos. 

O código de Braille é um aperfeiçoamento do conceito inventado uns anos antes por Charles Barbier para permitir aos soldados franceses comunicar em situações de ausência de luz. Este sistema nunca foi efetivamente usado pelo exército francês, contudo, Louis Braille apropriou-se dele, simplificando-o, tornando-o naquilo que hoje reconhecemos como o código Braille. O código Braille mostrou ser mais eficaz em dar às pessoas invisuais acesso à palavra escrita do que o sistema de letras romanas em relevo em uso na altura em que Luis Braille era estudante.

Não obstante os esforços de Louis Braille, o seu código levou tempo a tornar-se a via padrão para a alfabetização de pessoas cegas. Com dedicação e persistência Braille trouxe o seu sistema de leitura e escrita para as escolas. No entanto, apesar do mesmo ter sido imediatamente posto em prática por si e pelos seus colegas e alunos na escola onde estudou e lecionou, Braille enfrentou uma grande burocracia e resistência política para uma aceitação mais ampla do código Braille. O código Braille só foi oficialmente adotado em França em 1854, dois anos após a sua morte, trinta e um anos após a sua invenção.

Os anglo-saxónicos só adotaram o sistema Braille a partir de 1932, quando especialistas invisuais do Reino Unido e Estados Unidos se reuniram em Londres e acordaram na estabilização de um sistema conhecido como Braille Inglês Standard, grau 2. O sistema grau 2 é um sistema avançado e mais utilizado por pessoas cegas experientes e o sistema de grau 1 utiliza as mesmas letras, pontuação e números, mas acrescenta uma série de sinais especiais para representar palavras ou grupos de letras comuns, um tipo de abreviatura. Em 1957, especialistas anglo-americanos reuniram-se novamente em Londres para melhorar ainda mais o sistema.

O código Braille é provavelmente um dos maiores contributos na história ocidental para a educação e emancipação das pessoas cegas ou com baixa visão.
  
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Louis Braille nasceu há 217 anos...


 
Louis Braille (Coupvray, 4 de janeiro de 1809 - Paris, 6 de janeiro de 1852), mais raramente, em português, Luís Braille, foi o criador do sistema de escrita e leitura para cegos que recebeu o seu nome, o braille.
 

O nome "Louis Braille" em braille
 
 
Biografia
Louis Braille nasceu a 4 de janeiro de 1809 em Coupvray, na França, a cerca de 40 quilómetros de Paris. O seu pai, Simon-René Braille, era um fabricante de arreios e selas. Aos três anos, provavelmente ao brincar na oficina do pai, Louis feriu-se no olho esquerdo com uma ferramenta pontiaguda, possivelmente uma sovela. A infeção que se seguiu ao ferimento alastrou para o olho direito, provocando-lhe cegueira total.
Na tentativa de que Louis tivesse uma vida o mais normal possível, os pais e o padre da paróquia, Jacques Pallury, matricularam-no na escola local. Louis tinha enorme facilidade em aprender o que ouvia e em determinados anos foi selecionado como líder da turma. Com 10 anos de idade, Louis ganhou uma bolsa do Institut Royal des Jeunes Aveugles de Paris (Instituto Real de Jovens Cegos de Paris).
   
(...)

Assim, nos dois anos seguintes, Braille esforçou-se em simplificar o código. Por fim desenvolveu um método eficiente e elegante que se baseava numa célula de apenas três pontos de altura por dois de largura. O sistema apresentado por Barbier, era baseado em 12 pontos, ao passo que o sistema desenvolvido por Braille é mais simples, com apenas 6 pontos. Braille, em seguida, melhorou o seu próprio sistema, incluindo a notação numérica e musical. Em 1824, com apenas 15 anos, Louis Braille terminou o seu sistema de células com seis pontos. Pouco depois, ele mesmo começou a ensinar no instituto e, em 1829, publicou o seu método exclusivo de comunicação que hoje tem o seu nome e que, exceto algumas pequenas melhorias, permanece basicamente o mesmo até hoje.
Apesar de tudo, levou tempo até essa inovação ser aceite. As pessoas com visão não entendiam quão útil o sistema inventado por Braille podia ser, e um dos professores principais da escola chegou a proibir o seu uso pelas crianças. Felizmente, tal decisão teve efeito contrário ao desejado, encorajando as crianças a usar o método e a aprendê-lo em segredo. Com o tempo, mesmo as pessoas com visão acabaram por perceber os benefícios do novo sistema. No instituto, o novo código só foi adotado oficialmente em 1854, dois anos após a morte de Braille, provocada pela tuberculose, em 6 de janeiro de 1852, com apenas 43 anos.
Na França, a invenção de Louis Braille foi finalmente reconhecida pelo Estado. Em 1952, o seu corpo foi transferido para Paris, onde repousa no Panteão Nacional.
  
O código Braille

A palavra geopedrados escrita em braille
  
Sendo um sistema realmente eficaz, por fim tornou-se popular. Hoje, o método simples e engenhoso elaborado por Braille torna a palavra escrita disponível a milhões de deficientes visuais, graças aos esforços decididos daquele rapaz há quase 200 anos.
O braille é lido da esquerda para a direita, com uma ou ambas as mãos. Cada célula braille permite 63 combinações de pontos. Assim, podem-se designar combinações de pontos para todas as letras e para a pontuação da maioria dos alfabetos. Vários idiomas usam uma forma abreviada de braille, na qual certas células são usadas no lugar de combinações de letras ou de palavras frequentemente usadas. Algumas pessoas ganharam tanta prática em ler braille que conseguem ler até 200 palavras por minuto.
a | b | c | d | e | f | g | h | i | j
As primeiras dez letras só usam os pontos das duas filas de cima.
Os números de 1 a 9, e o zero, são representados por esses mesmos dez sinais, precedidos pelo sinal de número, especial.
k | l | m | n | o | p | q | r | s | t
As dez letras seguintes acrescentam o ponto no canto inferior esquerdo a cada uma das dez primeiras letras.
u | v | x | y | z
As últimas cinco letras acrescentam ambos os pontos inferiores às cinco primeiras letras, a letra "w" é uma exceção, porque foi acrescentada posteriormente ao alfabeto francês.
As combinações restantes, ainda possíveis visto que 63 hipóteses de combinação dos pontos, são usadas para pontuação, contrações e abreviaturas especiais. Estas contrações e abreviaturas às vezes tornam o braille difícil de aprender. Isto acontece especialmente no caso de pessoas que ficam cegas numa idade mais avançada, visto que a única forma de aprender braile é memorizar todos os sinais. Por esse motivo, há vários "graus" de braille.

Claude Allègre, o geólogo francês que também foi político, morreu há um ano...

 
Claude Jean Ernest Allègre, (Paris, 31 de março de 1937Paris, 4 de janeiro de 2025) foi um político e geoquímico francês.

Biografia
Fez os seus estudos universitários na Universidade de Paris, onde se formou em física e geologia, recebendo o título de Doutor em Física em 1962.
Lecionou como assistente de Física na Universidade de Paris de 1962 até 1968, antes de assumir o posto de assistente de física no "Instituto de Física do Globo" de Paris. A partir de 1967 ocupou o cargo de diretor do programa de geoquímica e cosmoquímica no "Centro Nacional de Pesquisa Científica da França". Em 1970, ocupou uma posição na "Universidade de Paris VII". De 1971 a 1976 foi diretor do "Departamento de Ciências da Terra", e de 1976 a 1986, diretor do Instituto de Física do Globo. Em 1993 assumiu como membro da "Universidade Denis Diderot". Além disso, trabalhou em várias universidades e instituições dos Estados Unidos e Inglaterra.
Foi um dos primeiros geoquímicos a analisar as amostras das rochas lunares recolhidas pela missão Apollo, sendo um dos primeiros cientistas a medir a idade da Lua. Foi autor de uma centena de artigos e uma dezena de livros, a maioria sobre a evolução da Terra, usando especialmente evidências isotópicas.
Na política, como membro do Partido Socialista da França, foi conselheiro especial de Lionel Jospin no Ministério da Educação, de 1988 a 1992 e Ministro da Educação, Pesquisa e Tecnologia no gabinete de Jospin, de junho de 1997 a março de 2000.
Foi responsável pelo lançamento e grande impulsionador da Declaração de Bolonha.
Foi membro eleito da Académie des Sciences desde 1995 e associado estrangeiro da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos. Foi laureado com o Prémio Crafoord em 1986 pela Academia Real das Ciências da Suécia, com a Medalha Wollaston, em 1987, pela Sociedade Geológica de Londres, e com a Medalha de Ouro CNRS, em 1994.
Morreu a 4 de janeiro de 2025, aos 87 anos.
     

sábado, janeiro 03, 2026

O enciclopedista Larousse morreu há 151 anos...

  
Pierre Athanase Larousse (Toucy, 23 de outubro de 1817 - Paris, 3 de janeiro de 1875) foi um pedagogo e pedagogista, editor e enciclopedista francês. A sua sepultura encontra-se no cemitério de Montparnasse.

Biografia
Nasceu em 23 de outubro de 1817, na cidade de Toucy, na França. Aos dezasseis anos ganhou uma bolsa para concluir os seus estudos em Versailles. Com 21 anos, Pierre Larousse regressou à sua terra natal, para trabalhar como professor. Deparou-se com métodos e manuais de ensino que considerou extremamente arcaicos.
Dois anos depois, em 1840, abandonou a escola em que lecionava para dedicar-se plenamente à sua grande vocação. Apesar dos poucos recursos, foi a Paris onde participou de diversos cursos gratuitos. Como os estudos não eram oficializados por nenhum tipo de diploma, foi considerado um autodidata. Em 1848, ele publicou a sua primeira obra, uma gramática: "A lexicologia das escolas". Tratava-se de uma obra moderna, pioneira. Naquela época, a maioria das regiões francesas falavam dialetos e era na escola que se aprendia o francês. Em 1851, Pierre Larousse teve um encontro com Augustin Boyer, um professor que acabava de abandonar o magistério e pretendia iniciar-se no comércio. Os dois ficaram amigos e associaram-se para fundar, em 1852, a livraria Larousse & Boyer. A partir de então, Pierre Larousse revolucionou o ensino do francês, com o objetivo de estimular a criatividade, inteligência e capacidade de raciocínio das crianças. em 1856, foi lançado, com grande êxito, o Novo Dicionário da Língua Francesa, precursor do Petit Larousse. Mas já havia bastante tempo que Pierre Larousse tinha outro projeto em mente: a elaboração de uma enciclopédia comparada, segundo seu desejo, à enciclopédia de Diderot e d'Alembert. Seria um livro em que, em suas próprias palavras, "fosse possível encontrar, por ordem alfabética, todo o conhecimento que atualmente enriquece o espírito humano"; que não fosse dirigido apenas a uma elite, mas a toda a sociedade, para "instruir a todo a gente sobre todas as coisas". Esse projeto tornou-se uma realidade em 27 de dezembro de 1863, com o lançamento do primeiro fascículo do Grande Dicionário Universal, dedicado à glória das ideias republicanas, liberais, progressistas e laicas. Pierre Larousse esteve presente em todo o processo de criação da obra, lendo e revisando os verbetes dos dicionários. Durante o trabalho, contava piadas, divertia-se, indignava-se, fazia reflexões, explicava, sempre... ensinava. Em 1869, Auguste Boyer separou-se de Pierre Larousse. As obras escolares e o dicionário passaram a ser distribuídos, a partir de então, pela Editora Boyer, que imprimia através de Larousse as suas próprias obras. Pierre Larousse sofreu uma embolia cerebral, causada por esgotamento provocado pelo excesso de atividades empreendidas. Em 1871 foi afetado por uma paralisia e faleceu, a 3 de janeiro de 1875, aos 57 anos, sem chegar a ver a sua obra finalizada.
   
   
   in Wikipédia

quarta-feira, dezembro 31, 2025

Matisse nasceu há 156 anos...

       
Henri-Émile-Benoît Matisse (Le Cateau-Cambrésis, 31 de dezembro de 1869 - Nice, 3 de novembro de 1954) foi um artista francês, conhecido pelo seu uso da cor e a sua arte de desenhar, fluida e original. Foi um desenhador, gravurista e escultor, mas é principalmente conhecido como um pintor. Matisse é considerado, juntamente com Picasso e Marcel Duchamp, como um dos três artistas seminais do século XX, responsável por uma evolução significativa na pintura e na escultura.
    
 La Tristesse du roi, ou Sorrows of the King - Centre Pompidou (1952)

 

Gustave Courbet morreu há 148 anos

Auto-retrato, Gustave Courbet
   
Gustave Courbet (Ornans, 10 de junho de 1819 - La Tour-de-Peilz, 31 de dezembro de 1877) foi um pintor anarquista francês pertencente à escola realista. Foi acima de tudo um pintor de paisagens campestres e marítimas onde o romantismo e idealização da altura são substituídos por uma representação da realidade fruto de observação direta. Esta busca da verdade é transposta para a tela em pinceladas espontâneas que não deixam de lado os aspetos menos estéticos do que é observado.
Courbet nasceu numa família de milionários na França. Depois de frequentar um colégio na mesma cidade, começou a ter aulas de pintura e iniciou seus estudos de direito em Paris. Finalmente decidiu estudar desenho e pintura por iniciativa própria, copiando os grandes mestres no Louvre, principalmente Hals e Velázquez. Suas primeiras obras foram uma série de auto-retratos. Em 1844 expôs pela primeira vez no Salão de Paris e dois anos mais tarde apresentou os quadros Enterro em Ornans e O Ateliê do Artista, que lhe custaram críticas severas e a recusa do Salão de Paris devido aos seus temas demasiadamente prosaicos. Courbet não se deu por vencido e construiu um pavilhão perto do Salão, onde expôs quarenta e quatro de suas obras, que chamou de realista, fundando assim esse movimento.
O público não viu com satisfação essa nova estética das classes trabalhadoras. Courbet, enquanto isso, se reunia para compartilhar opiniões com seus amigos, entre eles o pintor e notável teórico anarquista Proudhon, o escritor Baudelaire e o irónico caricaturista Daumier.
Já se discutiu muito sobre os motivos que teriam levado Courbet a escolher os trabalhadores como tema. De facto, os homens de seus quadros não expressam nenhuma emoção e mais parecem parte de uma paisagem do que seus personagens. Courbet se manteve, nesta etapa realista, muito longe do colorismo romântico, aproximando-se, em compensação, do realismo tenebroso espanhol do barroco, com uma profusão de pretos, ocres e castanhos, banhados por uma pátina cinza. Comprova-se isto no seu quadro mais importante, O Ateliê do Artista (1855), em que manifestou sua desaprovação em relação à sociedade.
Por volta de 1850, o realismo de Courbet foi se apagando e deu lugar a uma pintura de formas voluptuosas e conteúdo erótico, de figuras femininas no estilo de Ingres, mas mais descarnadas. A elas seguiu-se uma série de naturezas-mortas, quadros de caça e paisagens marinhas que confirmaram sua capacidade criativa e técnica impecável. Por volta de 1870, Courbet foi acusado de ter destruído uma coluna da praça Vendôme, o que levou o pintor a se mudar para Viena. Em Paris, as suas obras foram rejeitadas, e o ateliê do artista foi leiloado para pagar a restauração da coluna.
 
          
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/a0/Gustave_Courbet_-_A_Burial_at_Ornans_-_Google_Art_Project_2.jpg/1024px-Gustave_Courbet_-_A_Burial_at_Ornans_-_Google_Art_Project_2.jpg
Un enterrement à Ornans (1949-50) - Musée d'Orsay, Paris
   

domingo, dezembro 28, 2025

BB morreu...

 Brigitte Bardot em nova

Morreu Brigitte Bardot, ícone do cinema francês

 

Ravel morreu há 88 anos...

      
Joseph-Maurice Ravel (Ciboure, 7 de março de 1875Paris, 28 de dezembro de 1937) foi um compositor e pianista francês, conhecido sobretudo pela subtileza das suas melodias instrumentais e orquestrais, entre elas, o Bolero, que ele considerava trivial e descreveu como "uma peça para orquestra sem música".
   
 

Hoje é dia de ouvir música de Maurice Ravel...

sábado, dezembro 27, 2025

Gérard Depardieu, um orc de um ditador genocida ex-KGB, faz hoje 77 anos

 

Gérard Xavier Marcel Depardieu (Châteauroux, 27 de dezembro de 1948) é um ator e cineasta de nacionalidade russa e nascido na França. É também empresário, principalmente no ramo da viticultura. Foi agraciado com o título de chevalier pela Ordem Nacional da Legião de Honra e pela Ordem Nacional do Mérito. Em 2012 renunciou à cidadania francesa e, em janeiro de 2013, recebeu a cidadania russa, tornando-se embaixador cultural de Montenegro no mesmo mês.


 


In 1991, Time magazine published a translation of a 1978 interview in which Depardieu apparently confirmed a rumour that he first participated in a rape when he was nine years old and that he had participated in more rapes since then. He reportedly stated there were "too many [rapes] to count... There was nothing wrong with it. The girls wanted to be raped. I mean, there's no such thing as rape. It's only a matter of a girl putting herself in a situation where she wants to be." The story re-emerged in 1991. On 15 March 1991, Depardieu's American publicist Lois Smith, stated: "He's sorry, but it happened". The National Organization for Women requested an apology from Depardieu. Later that month, Depardieu's French publicist Claude Devy discounted the statements made by Smith, and Depardieu threatened legal action against any media outlet that published the comments. Depardieu's team said that Time had mistranslated the word "assister" as "participate", when a more accurate translation would be "attend" or "be witness to". Time refused to retract the story and claimed that Depardieu had told them he had "participated" in the rapes.

In August 2018, Depardieu was accused of sexual assault and rape by a 22-year-old actress and dancer. The actress reported being assaulted twice by Depardieu in his home during rehearsal sessions. The unnamed actress made her statement to police in Lambesc, southern France, after which the case was passed to prosecutors in the capital. Depardieu denied the allegations. In 2019, the charges were dropped after a nine-month police investigation. The case was reopened in October 2020 after his accuser refiled the complaint. In February 2021, it was announced that French authorities had charged Depardieu with rape in December 2020, stemming from the incident in August 2018. According to Depardieu's lawyer, Hervé Témime, speaking to Le Monde, the actor rejects the allegation. In March 2022, the Paris Court of Appeal rejected Depardieu's attempt to have the charges dropped and announced the actor will remain under formal investigation. Following this investigation, the case will either be brought to trial or dismissed.

In April 2023, 13 women accused Depardieu of sexual assault and sexual harassment pertaining to incidents that occurred between 2004 and 2022. On 19 December 2023, Ruth Baza, a Spanish author and journalist, told La Vanguardia that Depardieu had kissed and groped her without her consent in 1995 when she was 23, after she had interviewed him in Paris for Cinemania magazine, and that she has filed a complaint. Baza explained that she hid the story through the years until the allegations against him emerged in 2023, which had a profound impact on her and led her to discover a description of the 1995 events in her diary from that time. By rereading her personal notes, she remembered this traumatic event that her memory had buried.

One of his accusers, Emmanuelle Debever, who had made allegations against Depardieu, committed suicide and died on 6 December 2023 after one week at the hospital. On 25 December 2023, a group of over 50 French actors and other prominent figures including Charlotte Rampling, Carla Bruni, and Carole Bouquet, denounced the "lynching" of Depardieu, in an open letter published in French newspaper Le Figaro. The group claims the star is the victim of a "torrent of hatred", adding "Gérard Depardieu is probably the greatest of all actors". His former partner Karine Silla defends him. Some of his colleagues have spoken out against him, including Sophie Marceau, Muriel Robin and Swann Arlaud. On 29 April 2024, the police detained Depardieu for questioning. A trial on two counts of sexual assault was scheduled to begin on October 28, 2024. Depardieu's lawyer said that health concerns meant he was unable to attend court. The trial was rescheduled to March 24, 2025.
   
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2025 sexual assault trial

Depardieu's trial on two counts of sexual assault said to have occurred during the shooting of The Green Shutters was scheduled to begin on 28 October 2024. That day, Depardieu's lawyer said that health concerns meant he was unable to attend court. The trial was rescheduled, and began on 24 March 2025.

Depardieu spoke in his own defense,  taking the stand for three days. He denied any sexual misconduct, but appeared sometimes confused and unfocused. Several women testified that they had been groped by Depardieu on film sets, or had seen him grope other women. Fanny Ardant, his friend and co-star in several films including The Green Shutters, testified of his good characterAnouk Grinberg, who had also co-starred with Depardieu in that film, attended the trial in support of the two plaintiffs.

On 13 May 2025, Depardieu was convicted on both counts of sexual assault. He was handed an 18 month suspended sentence. The court commented that Depardieu did not appear to have "grasped the notion of consent". He appealed his conviction.

 
 

Pasteur nasceu há duzentos e três anos

 
Louis Pasteur (Dole, 27 de dezembro de 1822 - Marnes-la-Coquette, 28 de setembro de 1895) foi um cientista francês. A suas descobertas tiveram enorme importância na história da química e da medicina.
É lembrado por suas notáveis descobertas das causas e prevenções de doenças. Entre seus feitos mais notáveis pode-se citar a redução da mortalidade por febre puerperal, e a criação da primeira vacina contra a raiva. As suas experiências deram fundamentação à teoria microbiológica da doença. Foi mais conhecido do público em geral por inventar um método para impedir que leite e vinho causem doenças, um processo que veio a ser chamado pasteurização. Ele é considerado um dos três principais fundadores da microbiologia, juntamente com Ferdinand Cohn e Robert Koch. Pasteur também fez muitas descobertas no campo da química, principalmente a base molecular para a assimetria de certos cristais. O seu corpo está enterrado sob o Instituto Pasteur em Paris, num mausoléu decorado por mosaicos em estilo bizantino que lembram as suas realizações.
Louis Pasteur nasceu em Dole no dia 27 de dezembro de 1822. O seu pai foi sargento da Armada Napoleónica. Pasteur não foi um aluno especialmente aplicado ou brilhante na escola e nem mesmo na universidade. Quando era jovem, tinha um gosto especial pela pintura e fez diversos retratos de sua família. Aos dezanove anos abandonou a pintura para se dedicar à carreira científica, que perdurou por toda a sua vida. Em 1847 ele completou os seus estudos na escola de física e química em Paris.
Iniciou os seus estudos no Colégio Royal em Besançon, transferindo-se para a Escola Normal Superior em 1843 de Paris estudando química, física e cristalografia. Foi na cristalogia que Pasteur fez suas primeiras descobertas. Descobriu em 1848 o dimorfismo do ácido tartárico, ao observar no microscópio que o ácido racémico apresentava dois tipos de cristais, com simetria inversa. Foi portanto o descobridor das formas dextrógiras e levógiras, comprovando que desviavam o plano de polarização da luz no mesmo ângulo porém em sentido contrário. Esta descoberta valeu ao jovem químico, com apenas 26 anos de idade, a concessão da "Légion d'Honneur" Francesa. Após licenciar-se e assistir às aulas do grande químico francês Jean-Baptiste Dumas, começou a interessar-se pela Química.
Exerceu o cargo de professor de química em Dijon e depois em Estrasburgo. Casou-se com Marienne Laurente, filha do reitor da Academia. Em 1854 foi nomeado decano da Faculdade de Ciências na Universidade de Lille.
A pedido dos vinicultores e cervejeiros da região, começou a investigar a razão pela qual azedavam os vinhos e a cerveja. De novo, utilizando o microscópio, conseguiu identificar a bactéria responsável pelo processo. Propôs eliminar o problema aquecendo a bebida lentamente até alcançar 48° C, matando, deste modo, as bactérias, e encerrando o líquido posteriormente em cubas hermeticamente seladas para evitar uma nova contaminação. Este processo originou a atual técnica de pasteurização dos alimentos. Demonstrou, desta forma, que todo processo de fermentação e decomposição orgânica ocorre devido à ação de organismos vivos.
Na Inglaterra, em 1865, o cirurgião Joseph Lister aplicou os conhecimentos de Pasteur para eliminar os micro-organismos vivos em feridas e incisões cirúrgicas. Em 1871, o próprio Pasteur obrigou os médicos dos hospitais militares a ferver os instrumentos cirúrgicos e os pensos que seriam utilizados nos procedimentos médicos.
Expôs a "teoria germinal das enfermidades infecciosas", segundo a qual toda enfermidade infecciosa tem sua causa (etiologia) num micróbio com capacidade de propagar-se entre as pessoas. Deve-se buscar o micróbio responsável por cada enfermidade para se determinar um modo de combatê-lo.
Pasteur passou a investigar os microscópicos agentes patogénicos, terminando por descobrir vacinas, em especial a anti-rábica. Fundou em 1888 o Instituto Pasteur, um dos mais famosos centros de pesquisa da atualidade.
Pasteur foi quem derrubou definitivamente a ideia da abiogénese, com a utilização material em vidro chamado pescoço de cisne. Pasteur colocou um caldo nutritivo em um balão de vidro, de pescoço curvo. Ferveu o caldo existente no balão, o suficiente para matar todos os possíveis microrganismos que poderiam existir nele. Cessado o aquecimento, vapores da água proveniente do caldo condensaram-se no pescoço do balão e se depositaram, sob forma líquida, na sua curvatura inferior.
Como os frascos ficavam abertos, não se podia falar da impossibilidade da entrada do "princípio ativo" do ar. Com a curvatura do gargalo, os micro-organismos do ar ficavam retidos na superfície interna húmida e não alcançavam o caldo nutritivo. Quando Pasteur quebrou o pescoço do balão, permitindo o contacto do caldo existente dentro dele com o ar, constatou que o caldo se contaminou com os microrganismos provenientes do ar.
Morreu em Villeneuve-L'Etang, no dia 28 de setembro de 1895. Foi sepultado no Instituto Pasteur, em Paris.
    

Michel Piccoli nasceu há um século...

  

Michel Piccoli (Paris, 27 de dezembro de 1925 - Saint-Philbert-sur-Risle, 12 de maio de 2020) foi um ator francês.

 

 Biografia

Nascido numa família musical de imigrantes italianos, a sua mãe era pianista e o seu pai violinista.

Após o estudo de interpretação trabalhou em muitos palcos parisienses e foi por algum tempo diretor do Théâtre Babylone.

Fez parte da história do cinema com interpretações brilhantes em filmes como O Desprezo (1963) de Jean-Luc Godard, A Bela da Tarde (1967) de Luis Buñuel ou A Comilança (1973).

Tornou-se o ator preferido de Claude Sautet, em "Les Choses de la vie" (Coisas da vida),"Max et les ferrailleurs" (Max e os ferros-velhos) e "Vincent, François, Paul et les autres" (Vincente, Francisco, Paulo e os outros), e de Luis Buñuel com quem manteve uma longa camaradagem. Participou de seis filmes realizados pelo cineasta espanhol, entre os quais importantes obras como Le journal d'une femme de chambre (O jornal de uma camareira), Belle de jour (A Bela de dia) Le Charme discret de la bourgeoisie (O charme discreto da burguesia). Paralelamente, consolidou a sua notoriedade no início dos anos de 60, representando papéis na televisão: Les Joueurs (Os jogadores), Montserrat, Don Juan

 

Empenhamento político

Engajado numa linha política de esquerda, membro do Movimento pela Paz, ele sempre se destacou pelas suas posições contra a Front National (Frente Nacional), um partido político francês de extrema direita, militando também na Anistia Internacional.

Em março de 2007, assinou uma petição com 150 intelectuais pedindo para votar em Ségolène Royal, contra uma direita arrogante e pela esquerda da esperança. Ele continuou fiel ao Partido Socialista, após haver apoiado François Mitterrand em 1981.

Em maio de 2009 ele assinou com Juliette Gréco, Maxime Le Forestier e Pierre Arditi, uma carta aberta endereçada a Martine Aubry, primeira secretária do Partido Socialista, pedindo que os parlamentares socialistas adotassem a lei Criação e Internet

 

Vida pessoal e morte

Foi casado com a atriz Eléonore Hirt, que lhe deu uma filha, Anne-Cordélia; viveu em seguida durante onze anos com a cantora Juliette Gréco, antes de compartilhar a sua vida com a cenarista Ludivine Clerc.

Morreu no dia 12 de maio de 2020, aos 94 anos, de acidente vascular cerebral.