O Curso de Geologia de 85/90 da Universidade de Coimbra escolheu o nome de Geopedrados quando participou na Queima das Fitas.
Ficou a designação, ficaram muitas pessoas com e sobre a capa intemporal deste nome, agora com oportunidade de partilhar as suas ideias, informações e materiais sobre Geologia, Paleontologia, Mineralogia, Vulcanologia/Sismologia, Ambiente, Energia, Biologia, Astronomia, Ensino, Fotografia, Humor, Música, Cultura, Coimbra e AAC, para fins de ensino e educação.
Na década de 50
foi considerada "menina-prodígio", começou a cantar desde muito cedo,
com 11 anos de idade, em espetáculos de beneficência, estreando-se no fado aos 13 anos.
Assinou contrato com a editora RCA, em 1962, para a gravação do primeiro disco.
Algumas das suas canções mais conhecidas são "Mouraria", "Deixa
Que Te Cante Um Fado", "Fado, Dor e Sofrimento", "Passeio à Mouraria" ou
"Saudade, Silêncio e Sombra".
Teresa Tarouca atuou em vários países como Dinamarca, Bélgica, Espanha, Estados Unidos da América ou Brasil.
Após alguns afastamento das lides artísticas, Teresa Tarouca teve uma participação especial em 2008 no musicalFado... Esse Malandro Vadio!, de João Núncio, com encenação de Francisco Horta.
Ó meu amor não te atrases Vou agora pôr-te à prova Esta noite é Lua Nova E tu não sabes de fases
Se chegas tarde te acuso De que andarás a enganar-me Vindo de ti cada abuso Me soa a sinal de alarme
Teus olhos arregalados Não são desculpa melhor Sabes cá chegar de cor E mesmo de olhos fechados
Nem um cego se perdia Lá fora agitam-se os ramos Nas brenhas da ventania É tarde porém juramos
Que enquanto este amor se guarde E seja o nosso segredo Virias cedo, bem cedo E havias de partir tarde
Sendo a Lua Nova ou Cheia Ou Crescente ou Minguante O que a nós nos incendeia É fogo de outro quadrante
É clarão de uma outra luz Que ao pressentir os teus passos Acendi quando dispus Quatro quartos nos teus braços Quatro quartos nos teus braços Quatro quartos nos teus braços Quatro quartos Nos teus braços
José Pracana nasceu em Ponta Delgada, S. Miguel, Açores, a 18 de março de 1946.
Em 1964 inicia a sua carreira como amador, no universo do fado, estatuto
que manterá até ao final. Como guitarrista, acompanhou
assiduamente Alfredo Marceneiro, Teresa Tarouca, Maria do Rosário
Bettencourt, João Sabrosa, Vicente da Câmara, Manuel de Almeida, Alcindo
Carvalho, João Ferreira Rosa, João Braga, Carlos Zel, Carlos Guedes de
Amorim, Orlando Duarte, Arminda Alverenaz, entre outros.
Entre 1969 e 1972 dirigiu o Arreda, em Cascais, projeto que abandonou para ingressar na TAP.
Para além da participação em diversificados eventos culturais em
Portugal Continental, Açores e Madeira atuou também em Macau, Espanha,
França, Holanda, Bélgica, Luxemburgo, Dinamarca, Hungria, Israel,
Tailândia, Zaire, República da África do Sul, Brasil, Argentina,
Venezuela, Estados Unidos da América, Canadá e México.
Desde 1968, tem participado em vários programas televisivos desde o Zip-Zip (1969), Curto-Circuito (1970), Um, Dois, Três (1985), Noites de Gala (1987), Piano Bar (1988), Regresso ao Passado (1991) e Zona Mais (1995), entre outros.
Foi autor de duas séries de programas alusivos ao Fado para a RTP:
“Vamos aos Fados”, uma série de cinco programas, em 1976; “Silêncio que
se vai contar o Fado”, uma outra série de cinco programas em 1992, a
convite da RTP Açores.
Colaborou na edição de Um Século de Fado (Ediclube, 1999) e organizou para a EMI/Valentim de Carvalho, a partir dos estúdios da Abbey Road, a remasterização digital de exemplares de 78 RPM para as sucessivas edições da coleção Biografias do Fado (de 1994 a 1998).
Colaborou, entre outros, no projeto Todos os Fados (Visão, abril 2005) e no ano de 2005 recebeu o Prémio Amália Rodrigues, na categoria de Fado Amador.
A partir de 2007 realizou no Museu do
Fado um ciclo consagrado às memórias do Fado e da Guitarra Portuguesa
onde presta homenagem ao tributo artístico de Armando Augusto Freire,
Alfredo Marceneiro, José António Sabrosa e Carlos Ramos. Foi co-autor do
programa da RTP “Trovas Antigas, Saudade Louca”.
José
Pracana faleceu em 26 de dezembro de 2016. Em 2019 o Museu do Fado inaugurou uma
exposição temporária sobre José Pracana, celebrando a vida e obra de uma das
mais multifacetadas personalidades da história do Fado.
Se uma gaivota viesse trazer-me o céu de Lisboa no desenho que fizesse, nesse céu onde o olhar é uma asa que não voa, esmorece e cai no mar. Que perfeito coração no meu peito bateria, meu amor na tua mão, nessa mão onde cabia perfeito o meu coração. Se um português marinheiro, dos sete mares andarilho, fosse quem sabe o primeiro a contar-me o que inventasse, se um olhar de novo brilho no meu olhar se enlaçasse. Que perfeito coração no meu peito bateria, meu amor na tua mão, nessa mão onde cabia perfeito o meu coração. Se ao dizer adeus à vida as aves todas do céu, me dessem na despedida o teu olhar derradeiro, esse olhar que era só teu, amor que foste o primeiro. Que perfeito coração no meu peito morreria, meu amor na tua mão, nessa mão onde perfeito bateu o meu coração.
Quando esta escrevo a Vossa Alteza
Estou com um soluço que é sinal de morte.
Morro à vista de Goa, a fortaleza
Que deixo à Índia a defender-lhe a sorte.
Morro de mal com todos que servi,
Porque eu servi o Rei e o povo todo.
Morro quase sem mancha, que não vi
Alma sem mancha à tona deste lodo.
De Oeste a Leste a Índia fica vossa;
De Oeste a Leste o vento da traição
Sopra com força para que não possa
O Rei de Portugal tê-la na mão.
Em Deus e em mim o império tem raízes
Que nem um furacão pode arrancar...
Em Deus e em mim, que temos cicatrizes
Da mesma lança que nos fez lutar.
Em mais alguém, Senhor, em mais ninguém
O meu sonho cresceu e avassalou
A semente daninha que de além
A tua mão, Senhor, lhe semeou.
Por isso a Índia há de acabar em fumo
Nesses doirados paços de Lisboa;
Por isso a pátria há de perder o rumo
Das muralhas de Goa.
Por isso o Nilo há de correr no Egito
E Meca há de guardar o muçulmano
Corpo dum moiro que gerou meu grito
De cristão lusitano.
Por isso melhor é que chegue a hora
E outra vida comece neste fim...
Do que fiz não cuido agora:
A Índia inteira falará por mim.
Bebiana Guerreiro Rocha Cardinalli nasceu na cidade de Lisboa, na freguesia dos Anjos, a 13 de novembro de 1936. Na infância viveu com o
pai e a madrasta. Aos sete anos já dava nas vistas, cantando entre familiares e amigos na coletividade Sport Clube do Intendente, situada no bairro onde cresceu.
Em dezembro de 1952 concorre ao "Tribunal da Canção", um
passatempo radiofónico do programa "Comboio das Seis e Meia", na época
um enorme sucesso. Sobre este dia escreveu-se na imprensa: “Havia um
cronómetro a contar o tempo dos aplausos recebidos por cada
concorrente…. e Anita dispensou-o – tal a alegria do público a
ovacioná-la com a surpresa da artista feita que não figurava no
programa, mas enchia a sala com uma bela e sentida voz…”. (“Plateia”, 1
de dezembro de 1970). O produtor do programa, Marques Vidal,
surpreendido com a qualidade da sua prestação retirou-a do concurso e
fê-la estrear-se no Café Luso com o nome artístico Anita Guerreiro
Em 1954 a "Voz de Portugal" destacava Anita Guerreiro na secção
“Cantam Estrelas”: "...pelo que já vimos e ouvimos, é bem digna das
nossas palavras de estímulo, é bem merecedora da nossa simpatia
compreensiva." (A Voz de Portugal, 01 Agosto de 1954). Neste jornal
figura também uma das primeiras criações de sucesso de Anita Guerreiro,
“Menina Lisboa”, com letra de Francisco Radamanto e música de Martinho
D´Assunção.
Em 1955, Anita Guerreiro apresenta-se no palco do Teatro Maria Vitória, nas revistas "Ó Zé Aperta o Laço” (Companhia Eugénio Salvador),
onde se estreia e “Festa é Festa”. De novo o jornal “A Voz de Portugal”
destaca a protagonista que revela em entrevista: “Se não fosse artista,
gostaria de ser milionária, mas como isso é impossível, continuarei a
ser artista para servir o Fado e o Teatro, sempre com a intenção de bem
servir o público.” (“A Voz de Portugal”, 01 de Março de 1956).
Seguiram-se dezenas de outras participações em revistas. Neste
palco, Anita Guerreiro distingue-se na divulgação do fado e de canções
com temas populares e “alfacinhas”, interpretados com grande
autenticidade e natural talento, fazendo de Anita uma das mais
aplaudidas figuras do teatro de revista.
No histórico Parque Mayer,
Anita Guerreiro funda e dirige a casa típica Adega da Anita, por onde
passam grandes figuras do circuito fadista. Mais tarde encerra o espaço e
parte com o marido para Angola, por onde se mantêm cerca de 3 anos.
Após o seu regresso a Lisboa integra o elenco do Teatro Capitólio, no teatro de revista, Anita Guerreiro dá início a um dos pontos mais altos da sua carreira.
Do seu repertório constam grandes sucessos, e como afirmou
recentemente: "Tive a sorte e, desde o início, apareceram pessoas a
oferecer-me músicas e poemas. O que canto é tudo meu." (“DN”, 26 de julho
de 2005).
Anita Guerreiro popularizou na sua voz vários êxitos, dos quais
destacamos o fado-canção "Cheira a Lisboa” (Carlos Dias/César Oliveira)
que em 1969 estreou na revista “Peço a Palavra”, no Teatro Variedades. Estas interpretações, em tempos áureos do Parque Mayer,
conduziram-na ao Prémio Estevão Amarante para Melhor Artista de Revista
(1970). Quase simultaneamente, em terras africanas, é-lhe atribuída a
Guitarra de Oiro para além de prémios de interpretação e o primeiro
prémio de fado (Festival da Canção de Luanda).
Apesar de todo o sucesso que obteve na sua carreira artística,
nomeadamente no teatro de revista, Anita Guerreiro teve necessidade de
se afastar durante um longo período de tempo. Regressou em 1982 ao Teatro Variedades,
na revista "Há...mas são verdes". Nesse período de afastamento, Anita
Guerreiro manteve-se a cantar Fado, gravando e atuando no estrangeiro,
em longas temporadas na Europa, Canadá e nos Estados Unidos da América,
locais onde recebeu os aplausos do público, nomeadamente das comunidades
de emigrantes. Reflexo desse êxito são os Óscares de Popularidade que
Anita recebeu em 1987 e 1988, em Fall River (E.U.A.).
No seu retorno a Portugal, Anita Guerreiro volta à interpretação,
desta vez com grande destaque para a televisão, onde participou nos
elencos de algumas telenovelas e séries portuguesas, destaque para
"Primeiro Amor", (1995), "Roseira Brava" (1996), "Uma Casa em Fanicos"
(1998), "A Loja do Camilo" (1999), "Nunca Digas Adeus" (2001), "Os
Batanetes" (2004), e mais recentemente “Sentimentos” (2009). Pelo meio,
regressa ao cinema em 1997, para um papel no filme "Morte Macaca" de
Jeanne Waltz.
Num tributo à carreira de Anita Guerreiro, a Movieplay lança em
1994 um CD, integrado na coleção "O Melhor dos Melhores", com alguns dos
seus maiores sucessos: "Festa é Festa" (Carlos Dias/Aníbal Nazaré),
"Chico Marujo de Alfama" (António José/Ferrer Trindade), “Lisboa
Ribeirinha” (António José/Rocha Oliveira), entre muitos outros.
A cidade, a que Anita Guerreiro tantas vezes presta homenagem,
retribui o devido reconhecimento, e em outubro de 2001, o Município de
Lisboa, entrega-lhe o Pelourinho de Prata da Cidade. A par desta sua
popularidade, Anita é também convidada para Madrinha de várias marchas
populares de Lisboa, nomeadamente a "Marcha dos Mercados".
A 17 de fevereiro de 2004 realiza-se no Teatro Municipal de São
Luiz um tributo à voz emblemática da cidade de Lisboa, num espetáculo
comemorativo dos cinquenta anos de carreira da fadista e que antecedeu a
homenagem que, em Novembro de 2004, a Câmara Municipal de Lisboa,
atribui à fadista, com a entrega da Medalha Municipal de Mérito, Grau de
Ouro. Neste espetáculo estiveram presentes nomes como António Calvário,
António Rocha, Fernanda Baptista, Marina Mota, Natalina José, entre
outros que se juntaram à justa consagração.
Também em retrospetiva da sua vasta carreira, a Movieplay lança
em 2005 o CD "Anita Guerreiro - Antologia 50 Anos de Teatro em Revista
(1955-2000)" com 30 dos seus maiores êxitos interpretados na Revista
portuguesa.
Entre os aplausos, que soavam na casa de fados Faia, e da qual
Anita Guerreiro integrava o elenco, as homenagens sucederam-se, como a
ocorrida em outubro de 2006 pela Junta de Freguesia dos Anjos.
Grande referência no seu percurso foi a presença em inúmeras peças de teatro de revista.
Viveu parte da sua vida nos Estados Unidos, país onde casou e teve dois filhos.
Foi madrinha de diversas marchas populares em Lisboa, incluindo da “Marcha dos Mercados” entre 2006 e 2015.
Pertenceu ao elenco do restaurante O Faia, no Bairro Alto, em Lisboa.
Anita Guerreiro faleceu, durante o sono, a 7 de dezembro de 2025, aos 89 anos, na Casa do Artista, na freguesia de Carnide, em Lisboa, local onde residia desde 2018.
Pomba branca, pomba branca Já perdi o teu voar Naquela terra distante Toda coberta p'lo mar Pomba branca, pomba branca Já perdi o teu voar Naquela terra distante Toda coberta p'lo mar
Fui criança e andei descalço Porque a terra me aquecia E eram longos os meus olhos Quando a noite adormecia Vinham barcos dos países E eu sorria a deus, sonhei Traziam roupas, felizes As crianças dos países Nesses barcos a chegar
Pomba branca, pomba branca Já perdi o teu voar Naquela terra distante Toda coberta p'lo mar Pomba branca, pomba branca Já perdi o teu voar Naquela terra distante Toda coberta p'lo mar
Depois mais tarde ao perder-me Por ruas de outras cidades Cantei meu amor ao vento Porque sentia saudades Do primeiro amor da vida Desse instante a aproximar Dos campos, do meu lugar À chegada e à partida
Pomba branca, pomba branca Já perdi o teu voar Naquela terra distante Toda coberta p'lo mar