O Curso de Geologia de 85/90 da Universidade de Coimbra escolheu o nome de Geopedrados quando participou na Queima das Fitas.
Ficou a designação, ficaram muitas pessoas com e sobre a capa intemporal deste nome, agora com oportunidade de partilhar as suas ideias, informações e materiais sobre Geologia, Paleontologia, Mineralogia, Vulcanologia/Sismologia, Ambiente, Energia, Biologia, Astronomia, Ensino, Fotografia, Humor, Música, Cultura, Coimbra e AAC, para fins de ensino e educação.
Giovanni di Pietro di Bernardone, mais conhecido como São Francisco de Assis (Assis, 5 de julho de 1182 - 3 de outubro de 1226), foi um fradecatólico da Itália. Depois de uma juventude irrequieta e mundana, voltou-se para uma vida religiosa de completa pobreza, fundando a ordem mendicante dos Frades Menores, mais conhecidos como Franciscanos, que renovaram o catolicismo do seu tempo. Com o hábito da pregação itinerante, quando os religiosos de seu tempo costumavam fixar-se em mosteiros, e com sua crença de que o Evangelho devia ser seguido à risca, imitando-se a vida de Cristo,
desenvolveu uma profunda identificação com os problemas de seus
semelhantes e com a humanidade do próprio Cristo. A sua atitude foi
original também quando afirmou a bondade e a maravilha da Criação
num tempo em que o mundo era visto como essencialmente mau, quando se
dedicou aos mais pobres dos pobres, e quando amou todas as criaturas
chamando-as de irmãos. Alguns estudiosos afirmam que sua visão positiva
da natureza e do homem, que impregnou a imaginação de toda a sociedade
de sua época, foi uma das forças primeiras que levaram à formação da filosofia da Renascença.
Dante Alighieri disse que ele foi uma "luz que brilhou sobre o mundo", e para muitos ele foi a maior figura do Cristianismo desde Jesus,
mas a despeito do enorme prestígio de que ele desfruta até os dias de
hoje nos círculos cristãos, que fez sua vida e mensagem serem envoltas
em copioso folclore e darem origem a inumeráveis representações na arte,
a pesquisa académica moderna sugere que ainda há muito por elucidar
quanto aos aspetos políticos de sua atuação, e que devem ser mais
exploradas as conexões desses aspetos com o seu misticismo
pessoal. A sua vida é reconstituída a partir de biografias escritas
pouco após a sua morte mas, segundo alguns estudiosos, essas fontes
primitivas ainda estão à espera de edições críticas mais profundas e
completas, pois apresentam contradições factuais e tendem a fazer uma
apologia de seu caráter e obras; assim, deveriam ser analisadas sob uma
ótica mais científica e mais isenta de apreciações emocionais do que
tem ocorrido até agora, a fim de que sua verdadeira estatura como
figura histórica e social, e não apenas religiosa, se esclareça. De
qualquer forma, a sua posição como um dos grandes santos da Cristandade
afirmou-se enquanto ele ainda era vivo, e permanece inabalada. Foi
canonizado pela Igreja Católica menos de dois anos após falecer, em 1228, e pelo seu apreço pela natureza é mundialmente conhecido como o santo patrono dos animais e do meio ambiente.
O sermão aos pássaros - Basílica de São Francisco de Assis
Lagartixa-das-Berlengas e gaivota - fotos pessoais
O leite puro O mundo devia ser refeito por alguns santos. São Francisco de Assis, a seu cargo as criaturas, não deixaria que se pervertessem e o sol poluísse os mortos. Santo António falaria aos peixes e dar-lhes-ia de comer multiplicando as águas com o canal dessalgado do abismo. São João da Cruz faria o amor exasperadamente sensual à semelhança do seu por Deus. E São João do Apocalipse simularia ressuscitar Nossa Senhora e seu pobre Filho.
Participou em diversas exposições coletivas, podendo destacar-se: I Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa, 1957); Art Portugais: Peinture et Sculpture du Naturalisme à nos Jours (Paris, 1968). Foi galardoado com o Prémio Marques de Oliveira e o Prémio Armando Basto (S.N.I.).
Parte para Moçambique
em 1964. Em 1968 revela-se como poeta ao obter um prémio para "40
Sonetos de Amor e Circunstância e Uma Canção Desesperada" assinado por
João Pedro Grabato Dias, negando durante vários anos ser o seu autor.
Nesse período colaborou com grupos de teatro em Lourenço Marques,
como o TALM (Teatro Amador de Lourenço Marques), em que foi autor do
cenário da peça "Jardim Zoológico" de Eduardo Albee,
encenada e interpretada por Mário Barradas, e o TEUM (Teatro dos
Estudantes da Universidade de Moçambique), sendo autor dos cenários e o
guarda roupa de "O Velho da Horta" e "Quem tem Farelos?" de Gil Vicente, ambas encenadas por Matos Godinho.
Colaborou no Núcleo de Arte de Lourenço Marques, como professor, onde contactou, entre outros, com Malangatana
Valente. Ganhou o 1º Prémio no concurso da Sociedade de Estudos de
Moçambique que, na cerimónia oficial, não foi entregue, dado que o
Secretário Provincial de Educação considerou a obra indecorosa.
Em 1971, lançou as odes O Morto e A Arca e ainda as Laurentinas. Grabato Dias e Rui Knopfli, criam nesse ano a revista Caliban.
Depois do 25 de abril, inventou o livrinho Eu, o povo, supostamente deixado por Mutimati Barnabé João, guerrilheiromoçambicano morto em combate, não assumindo inicialmente a sua autoria. Escreveu o novo livro de poemas didático O Povo e nós, já de autoria de João Pedro Grabato Dias.
Publicou um livro de divulgação da biotecnologia, para aplicação nas zonas rurais moçambicanas.
Publicou o poema pseudobibliográfico "Facto/Fado", considerado
pelo crítico literário Eugénio Lisboa um dos melhores livros em
português.
Em Moçambique, foi ainda o co-autor do monumento aos heróis, na Praça dos Heróis Moçambicanos, em Maputo.
No regresso a Portugal e a Santiago de Besteiros, em 1984, dedicou-se ao ensino, à escrita e pintura.
Como pintor, atividade principal da sua criação, tem extensa e
rica obra, de extrema beleza, realizada em Portugal e Moçambique.
Dedicou-se ainda a outras artes plásticas, como cerâmica, pintura em cerâmica, esculturas metálicas, cartazes, ilustração de livros e desenhos criados por computador.
Obteve a Grã-Cruz da Ordem do Infante D.Henrique, atribuída, a título póstumo, pelo presidente Jorge Sampaio, em 1998, pela obra plástica e literária, particularmente pela autoria de As Quybyrycas.
«Comecei a minha vida de artista como ceramista e sou ceramista mesmo quando faço pintura a óleo.
Não consigo imaginar uma coisa sem a outra. As minhas duas práticas,
claro que se influenciam mutuamente. Não posso esquecer todos os meus
conhecimentos sobre a história da faiança
ou sobre a decoração mural quando pinto, assim como não esqueço a minha
cultura pictórica quando crio em cerâmica. Está tudo muito ligado, e é
isso que constitui a minha especificidade. Eu não copio os meus quadros
nos azulejos: pinto diretamente sobre a faiança, sem desenho prévio, como numa tela.»
Pintor e ceramista português, era oriundo da Beira Baixa,
onde nasceu em 1927. O seu pai, Manuel, era gestor agrícola, e a mãe,
Ermelinda, uma especialista em mantas de retalhos coloridas com formas
geométricas variadas (patchwork).
Inscreveu-se na Faculdade de Ciências de Lisboa e chegou a
trabalhar num banco, mas frequentava as aulas livres da Academia de
Belas-Artes e o atelier de olaria de José Trindade.
Em 1945, inicia as primeiras experiências de modelação de barro, na olaria de José Trindade, no Monte de Caparica.
Em 1952, tem a sua primeira exposição individual, realizada na Sala de Exposições do SNI.
Nesse mesmo ano participa na Terceira Exposição de Cerâmica Moderna,
onde obtém uma menção honrosa, e na exposição coletiva Mostruário da
Arte e da Vida Metropolitana, no âmbito das Comemorações do IV
Centenário da Morte de São Francisco Xavier, organizado pela Agência Geral do Ultramar, em Goa.
Em 1953, expõe pintura pela primeira vez no Salão da Jovem Pintura, na Galeria de Março, em Lisboa.
Em 1955, dirige os trabalhos de passagem para cerâmica das estações da Via Sacra do Santuário de Fátima, da autoria de Lino António. Nesse mesmo ano, participa na exposição coletiva Fifth International Exhibition of Ceramic Art, no Kiln Club of Washington, em Washington, D.C., e recebe o Diplôme d’Honnneur de l’Académie Internationale de la Céramique (AIC), aquando da sua participação no I Festival International de Céramique, em Cannes.
Participa igualmente numa exposição coletiva com Fernando Lemos e Marcelino Vespeira, na Galeria Pórtico, em Lisboa.
Em 1957, recebe uma bolsa do Governo Italiano, por intermédio do Instituto de Alta Cultura, que lhe permite visitar Itália e estudar a arte da cerâmica em Faença, com Giuseppe Liverani, Roma e Florença.
Nesse mesmo ano, instala-se em Paris.
Em 1958, recebe uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian para a realização de um estágio na Faiencerie de Gien, sob a orientação de Roger Bernard. Nesse mesmo ano:
Participa no XVI Concorso nazionale della ceramica: Faenza no Museo Internazionale delle Ceramiche in Faenza
(MIC). Oferece peças de cerâmica popular, dois painéis e um vaso de sua
autoria para a reconstituição da secção portuguesa do MIC, muito
danificado durante a Segunda Guerra Mundial.
Em 1959, adquire um atelier na Rue des Grands-Augustins 19, em Paris, onde passa a residir. Nesse mesmo ano:
Participa numa exposição coletiva, com Camille Bryen, Jean Arp e Max Ernst, na Galerie Edouard Loeb, em Paris
Participa na exposição Céramiques Contemporaines, no Musée des Beaux-Arts em Ostende, na Bélgica.
Em 1960 participa na I Exposição de Poesia Ilustrada, no Café Dragão
Vermelho, Almada. Participa na exposição coletiva Arte Moderna, no
Café Dragão Vermelho, Almada. Participa na IV Exposição de Artes
Plásticas, no Convento dos Capuchos, em Almada. Participa na exposição
da AIC, no Musée Ariana, Genebra, Suíça. Exposição coletiva na
Galerie Edouard Loeb, Paris.
Morre a 30 de junho de 2024, em Lisboa, aos 97 anos, tendo sido declarado um dia de luto nacional em Portugal pela sua morte.
Paul Klee (Münchenbuchsee, 18 de dezembro de 1879 - Muralto, 29 de junho de 1940) foi um pintor e poeta suíço naturalizado alemão. O seu estilo, fortemente individualista, foi influenciado por várias tendências artísticas diferentes, incluindo o expressionismo, cubismo e surrealismo. Ele foi um estudante do orientalismo e um desenhador nato, que realizou experiências e dominou a
teoria das cores, assunto sobre o qual escreveu extensivamente. As suas obras
refletem o seu humor seco e, às vezes, a sua perspetiva infantil, os seus
ânimos e suas crenças pessoais e a sua musicalidade. Ele, e o pintor russoWassily Kandinsky, seu amigo, também eram famosos por terem dado aulas na escola de arte e arquitetura Bauhaus.
Além de manter um grande estúdio em Antuérpia que produziu muitas
pinturas populares entre a nobreza e os colecionadores de toda a
Europa, Rubens foi um humanista de educação clássica, um colecionador e um diplomata, e foi elevado a cavaleiro por Filipe IV da Espanha e Carlos I de Inglaterra.
A Assunção da Virgem Maria
O Duque de Bragança, futuro Rei D. João IV (circa 1628)
Naquele lugar sem nome p'ra qualquer fim Uma gota rubra sobre a calçada cai E um rio de sangue dum peito aberto sai
O vento que dá nas canas do canavial E a foice duma ceifeira de Portugal E o som da bigorna como um clarim do céu Vão dizendo em toda a parte o pintor morreu
Teu sangue, Pintor, reclama outra morte igual Só olho por olho e dente por dente vale À lei assassina à morte que te matou Teu corpo pertence à terra que te abraçou
Aqui te afirmamos dente por dente assim Que um dia rirá melhor quem rirá por fim Na curva da estrada há covas feitas no chão E em todas florirão rosas duma nação.
Zeca Afonso (Letra e Música), Eu Vou Ser Como a Toupeira, 1972
Foi persuadido, pelo imperador francês Napoleão III e por monárquicos mexicanos, a aceitar a coroa do recém-fundado Império Mexicano (1864-1867).
A Aventura de Maximiliano de Habsburgo - como foi chamada no México
- não passou de um triste episódio de interesses criados, ingenuidade e
desespero. Os conservadores viram na sua pessoa a possibilidade de
manter um sistema político que lhes era cómodo e que lhes parecia seguro
por contar com o apoio da França, da Inglaterra e da Santa Sé.
O arquiduque austríaco, por sua vez, de certo modo condenado a ser
sempre o irmão do imperador da Áustria, aceitou o papel que lhe era
oferecido desempenhar num país completamente desconhecido para ele e
submerso numa profunda crise política.
Devido às suas tendências liberais, Maximiliano logo perdeu o apoio dos
conservadores. Foi alvo da hostilidade dos seguidores de Benito Juárez, os republicanos, ao ordenar a execução sumária de seus líderes (1865). A única proteção de Maximiliano era a presença de tropas francesas.
"Por sua vez, o presidente deposto, Benito Juárez, continuava vivo e em
liberdade. Os seus partidários controlavam boa parte do México e, apesar
de alguns sucessos, o exército francês era acossado pela guerrilha
que ia ganhando terreno. Em 1865, ficou claro que era impossível ganhar
aquela guerra. O golpe de misericórdia sobre a monarquia veio dos
Estados Unidos. Desembaraçado da Guerra de Secessão, o governo
americano recusou a reconhecer o imperador Maximiliano e exigiu a
retirada das tropas francesas. A alternativa seria a guerra. Napoleão
III calculou o prejuízo de uma guerra e, em fevereiro de 1866,
escreveu: “Minhas intenções assim se resumem: evacuar o mais depressa
possível, mas fazer tudo que estiver ao nosso alcance para que a obra
que fundamos não desmorone no dia seguinte ao da nossa partida”. Com
Maximiliano descartado interna e externamente, Juárez avançou e não
tardou a chegar à capital mexicana. Desprezando os conselhos de
Napoleão III, Maximiliano recusou-se a abdicar. Em 15 de maio de 1866
foi preso na cidade de Querétaro. Os guerrilheiros propuseram-lhe
a fuga, que ele chegou a aceitar, mas mudou de ideias – dizia que
amava o país. Condenado à morte, foi executado no dia 19 de junho de
1867. As suas últimas palavras teriam sido: “Viva o México!”
Encarando o ocorrido sob a perspetiva de Maximiliano, quando as tropas francesas retiraram (1866-1867), ele assumiu pessoalmente o comando de seus soldados. Após um cerco em Santiago de Querétaro, foi capturado, aprisionado, julgado por um tribunal marcial e fuzilado, juntamente com os seus generais Tomás Mejía e Miguel Miramón.
Biografia
Natural de Pinhel, cidade próxima da Guarda, foi o quinto de nove irmãos e irmãs.
Foi aluno da Escola de Belas Artes de Lisboa onde entrou em 1942. Frequentou primeiro o curso de Arquitetura, que abandonou, para frequentar o de Escultura.
Ainda muito jovem aderiu à Frente Académica Antifascista e, mais tarde (em 1946), ao MUD Juvenil. Participante em várias lutas estudantis em 1947, aderiu de seguida ao Partido Comunista Português e, em 1949, foi detido pela PIDE depois de participar na campanha presidencial de Norton de Matos. Em 1952, foi expulso da Escola Superior de Belas Artes e impedido de ingressar em qualquer faculdade do país; seria também demitido do lugar de professor do Ensino Técnico.
José Dias Coelho vai trabalhar, em 1952, como desenhador com os arquitetos Keil do Amaral, Hernâni Gandra e Alberto José Pessoa num atelier na Rua Fernão Álvares do Oriente, no Bairro de São Miguel em Lisboa.
Em 1955 entra para a clandestinidade, ao mesmo tempo que exercia funções no PCP,
com o objetivo de criar uma oficina de falsificação de documentos para
dar cobertura às atividades dos militantes clandestinos. Exercia esta
atividade na altura do seu assassinato pela PIDE, em 19 de dezembro de 1961, na Rua da Creche, que hoje tem o seu nome, junto ao Largo do Calvário, em Lisboa.
O assassinato levou o cantor Zeca Afonso a escrever e dedicar-lhe a música A Morte Saiu à Rua. O mesmo fez o grupo Trovante com a música Flor da Vida. Da vida pessoal de José Dias Coelho há ainda a salientar a sua relação com Margarida Tengarinha, também artista plástica. O casal teve três filhas.
Ao optar pela clandestinidade em 1955, põe de parte a sua carreira artística como escultor, que nesse mesmo ano vê os primeiros sinais de reconhecimento público, com duas esculturas para a Escola Primária de Campolide (secções feminina e masculina) e uma grande escultura para a Escola Primária de Vale Escuro, em Lisboa, e dois baixos relevos, um para o Café Central das Caldas da Rainha, e outro para a fábrica Secil.
Já estava na clandestinidade quando, em junho de 1956, se realizou a 10.ª e última das Exposições Gerais de Artes Plásticas;
José Dias Coelho foi um dos organizadores dessas exposições, desde a
primeira edição em 1946, e é um dos artistas que expõe a partir da
segunda. Por não poder participar abertamente na 10ª edição devido ao
facto de estar na clandestinidade, um grupo de amigos expõe a escultura
da cabeça da irmã Maria Emília, que já havia sido exposta, para
garantir que o seu nome consta do catálogo.
Com uma intensa atividade social e intelectual a par da política,
travou e manteve amizade com várias figuras destacadas da sociedade
portuguesa de então, tais como os arquitetosKeil do Amaral e João Abel Manta, com Fernando Namora, Carlos de Oliveira, José Gomes Ferreira, Eugénio de Andrade, José Cardoso Pires, Abel Manta, Rogério Ribeiro, João Hogan, bem como aqueles que viriam dentro em breve a liderar os movimentos de independência em África, na altura estudantes em Lisboa: Agostinho Neto, Vasco Cabral, Marcelino dos Santos, Amílcar Cabral e Orlando Costa.
Em março de 1975, quase um ano depois do 25 de Abril, foi finalmente organizada uma exposição em sua homenagem, na Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa.
Uma das principais contribuições da obra deste artista está em sua capacidade de gerar imagens com efeitos de ilusões de óptica. Foi numa visita à Alhambra, na Espanha, que o artista conheceu e se encantou pelos mosaicos
que havia neste palácio de construção árabe. Escher achou muito
interessante as formas como cada figura se entrelaçava a outra e se
repetia, formando belos padrões geométricos. Este foi o ponto de partida
para os seus trabalhos mais famosos, que consistiam no preenchimento
regular do plano, normalmente utilizando imagens geométricas e não
figurativas, como os árabes faziam por causa da religião muçulmana, que proíbe tais representações.
A partir de uma malha de polígonos, regulares ou não, Escher fazia mudanças, mas sem alterar a área
do polígono original. Assim surgiam figuras de homens, peixes, aves,
lagartos, todos envolvidos de tal forma que nenhum poderia mais se
mexer. Tudo representado num plano bidimensional. Destacam-se também os
trabalhos do artista que exploram o espaço. Escher brincava com o facto
de ter que representar o espaço, que é tridimensional, num plano
bidimensional, como a folha de papel. Com isto ele criava figuras
impossíveis, representações distorcidas, paradoxos. Mais tarde ele foi
considerado como um grande matemático geométrico.
Se eu fosse cego amava toda a gente.
Não é por ti que dormes em meus braços que sinto amor. Eu amo a minha irmã gémea que nasceu sem vida, e amo-a a fantasiá-la viva na minha idade.
Tu, meu amor, que nome é o teu? Diz onde vives, diz onde moras, dize se vives ou se já nasceste.
Eu amo aquela mão branca dependurada da amurada da galé que partia em busca de outras galés perdidas em mares longíssimos.
Eu amo um sorriso que julgo ter visto em luz do fim-do-dia por entre as gentes apressadas.
Eu amo aquelas mulheres formosas que indiferentes passaram a meu lado e nunca mais os meus olhos pararam nelas.
Eu amo os cemitérios - as lajes são espessas vidraças transparentes, e eu vejo deitadas em leitos floridos virgens nuas, mulheres belas rindo-se para mim.
Eu amo a noite, porque na luz fugida as silhuetas indecisas das mulheres
são como as silhuetas indecisas das mulheres que vivem em meus sonhos.
Eu amo a lua do lado que eu nunca vi.
Se eu fosse cego amava toda a gente.
Em 1952 expõe individualmente na Galeria de Março
(exposição inaugural dessa galeria) e participa na Exposição de Arte
Moderna (Lisboa). Dois anos mais tarde pinta a primeira versão de Retrato de Fernando Pessoa para o restaurante Irmãos Unidos. Em 1957 participa na I Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian,
sendo galardoado com um prémio extra concurso. Ainda dentro da
colaboração com Pardal Monteiro, entre 1957 e 1961 realiza grandes
painéis decorativos para as fachadas de vários edifícios da Cidade Universitária de Lisboa (Faculdade de Direito; Faculdade de Letras; Reitoria). Em 1960 dá uma série de entrevistas, publicadas no Diário de Notícias, onde de algum modo encerra o seu "itinerário espiritual" e retoma a questão da reconstrução do Painéis de São Vicente de Fora; em 1963 expõe na Sociedade Nacional de Belas Artes,
em Lisboa, e nesse mesmo ano é alvo de homenagem por ocasião do seu
septuagésimo aniversário, sendo publicada a primeira monografia sobre a
sua obra, da autoria de José Augusto França. Encomendas e atividades diversas preenchem os anos finais, entre as quais se destacam as tapeçarias para a Exposição de Lausana, para o Tribunal de Contas e para o Hotel Ritz, Lisboa; uma série de gravuras em vidro acrílico (1963) e cenários para o «Auto da Alma», de Gil Vicente, no Teatro Nacional de São Carlos, a sua última participação no teatro. É condecorado com o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada a 13 de julho de 1967. Em 1968-1969 realiza o painel Começar, para o átrio do edifício sede da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa. Em julho de 1969 faz a sua derradeira intervenção pública, participando no programa televisivo Zip-Zip.
Morre em Lisboa, a 15 de junho de 1970, no mesmo quarto em que faleceu Fernando Pessoa trinta e cinco anos antes, no Hospital de São Luís dos Franceses, no Bairro Alto.
Átrio do edifício das Matemáticas - Universidade de Coimbra
Era filha do embaixador Marcos Vieira da Silva, e neta de José Joaquim da Silva Graça, fundador do jornal O Século, tendo vivido na casa do avô, em Lisboa.
Devido ao facto de o seu marido ser judeu e de ela ter perdido a nacionalidade portuguesa, eram oficialmente apátridas. Então, o casal decidiu residir por um longo tempo no Brasil, durante a Segunda Guerra Mundial e no período pós-guerra. No Brasil, entraram em contacto com importantes artistas locais, como Carlos Scliar e Djanira. Ambos exerceram grande influência na arte brasileira, especialmente entre os modernistas.
Vieira da Silva foi autora de uma série de ilustrações para crianças que constituem uma surpresa no conjunto da sua obra. Kô et Kô, les deux esquimaux, é o título de uma história para crianças inventada por ela em 1933.
Não se sentindo capaz de a escrever, a pintora entregou essa tarefa ao
seu amigo Pierre Guéguen e assumiu o papel de ilustradora, executando
uma série de guaches.
Mais tarde a artista viveu e trabalhou em Paris, no número 34 da Rue Abbé Carton, no XIV Bairro da cidade.
A partir de 1948 o estado francês começa a adquirir as suas pinturas e,
em 1956, tanto ela como o marido obtêm a nacionalidade francesa. Em
1960 o Governo Francês atribui-lhe uma primeira condecoração, em 1966 é
a primeira mulher a receber o Grand Prix National des Arts e, em 1979, torna-se cavaleiro da Legião de Honra francesa.
Participou na Europália, em 1992, e veio a morrer nesse ano.
Nascido no seio de uma família da alta burguesia (origem inglesa por parte da avó paterna). Um ano depois foi viver para o Alentejo. O pai morre cedo, num desastre de viação. Em Sines passa toda a infância e adolescência, até que a família decide enviá-lo para o estabelecimento de ensino artístico Escola António Arroio, em Lisboa.
A 14 de abril de 1967, refratário militar, mudou-se para a Bélgica, onde estudou pintura na École Nationale Supérieure d’Architecture et des Arts Visuels (La Cambre), em Bruxelas.
Após concluir o curso, decide abandonar a pintura em 1971 e dedicar-se exclusivamente à escrita.
Regressa a Portugal a 17 de novembro de 1974 e escreve o primeiro livro inteiramente na língua portuguesa, À Procura do Vento num Jardim d'Agosto.
O Medo, uma antologia do seu trabalho desde 1974 a 1986, é
editado pela primeira vez em 1987. Este veio a tornar-se no trabalho
mais importante da sua obra e o seu definitivo testemunho artístico,
sendo adicionados em posteriores edições novos escritos do autor, mesmo
após a sua morte.
Deixou ainda textos incompletos para uma ópera, para um livro de fotografia sobre Portugal e uma «falsa autobiografia», como o próprio autor a intitulava. Morreu de linfoma. Homossexual assumido, tal facto só foi amplamente conhecido após a sua morte.
Al Berto morreu em Lisboa, a 13 de junho de 1997.
Em 2009 a Companhia de Teatro O Bando estreia no Teatro Nacional Dona Maria II, em Lisboa, um espetáculo intitulado A Noite a partir de Lunário, Três cartas da memória das Índias, Apresentação da noite, O Medo, À procura do vento num jardim d'Agosto e Dispersos. O espetáculo foi encenado por João Brites
e interpretado por Ana Lúcia Palminha e Pedro Gil. Além de Lisboa, o
espetáculo esteve ainda no Teatro da Cerca de São Bernardo em Coimbra e
no espaço d'O Bando.
se te nomeasse cintilarias
no beco de uma cidade desfeita
e o chumbo dos labirintos derreter-se-ia
na veia branca da noite uma estátua
de areia talvez um barco sulcasse
a cabeleira aquática da fala e
nenhuma porta se abriria sob teus passos
onde estamos? onde vivemos?
no desaguar tenebroso deste rio de penumbra
não beberemos ao futuro do homem
nem festejaremos o rugido triste da fera
moribunda
mas se te nomeasse
que desejo de sexo e da mente a medrosa alegria
em mim permaneceria?
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