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quarta-feira, janeiro 14, 2026

Jean-Auguste Dominique Ingres morreu há 159 anos...

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/94/Ingres,_Self-portrait.jpg/482px-Ingres,_Self-portrait.jpg

Auto-retrato com 24 anos, 1804

  

Jean-Auguste Dominique Ingres (Montauban, 29 de agosto de 1780Paris, 14 de janeiro de 1867), mais conhecido simplesmente por Ingres, foi um celebrado pintor francês, atuando na passagem do Neoclassicismo para o Romantismo. Foi um discípulo de David e na sua carreira encontrou grandes sucessos e grandes fracassos, mas é considerado hoje um dos mais importantes nomes da pintura do século XIX.
Filho de um escultor ornamentista, estudou inicialmente em Toulouse. Depois, formado na oficina de David, permaneceu fiel aos postulados neoclássicos do seu mestre ao longo de toda a vida. Passou muitos anos em Roma, onde assimilou aspetos formais de Rafael e do maneirismo. Ingres sobreviveu largamente à época de predomínio do seu estilo, dado que morreu em 1867. A partir de 1830 opôs-se com veemência, da sua posição de académico, ao triunfo do romantismo pictórico representado por Delacroix.
Ingres preferia os retratos e os nus às cenas mitológicas e históricas. Entre os seus melhores retratos contam-se Bonaparte Primeiro Cônsul, A Bela Célia, O Pintor Granet e A Condessa de Hassonville. Nos nus que pintou (A Grande Odalisca, Banho Turco e, sobretudo, A Banhista) é patente o domínio e a graça com que se serve do traço. A sua obra mais conhecida é Apoteose de Homero, de desenho nítido e equilibrada composição.
A sua obra representa a última grande floração da veneranda tradição de pintura histórica. Também deixou obra notável no retrato e no nu feminino. A sua pintura tinha um acabamento técnico impecável e a qualidade de sua linha foi sempre altamente elogiada. Respeitava profundamente os mestres do passado, assumindo depois da morte de David o papel de paladino da ortodoxia clássica contra a ascensão do Romantismo. Esclareceu sua posição afirmando que seguia "os grandes mestres que floresceram naquele século de gloriosa memória quando Rafael estabeleceu os eternos e incontestáveis padrões do sublime em arte… Sou, assim, um conservador de boa doutrina, e não um inovador".
Não obstante a crítica moderna tender a considerá-lo como uma encarnação do mesmo espírito romântico que ele procurava evitar - opinião que foi expressa também por vários de seus contemporâneos -, enquanto que suas distorções expressivas de forma e de espaço o tornam um precursor da arte moderna, exercendo influência sobre artistas como Degas, Picasso, Matisse e Willem de Kooning, entre outros.

   

 

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/c0/Jean_Auguste_Dominique_Ingres,_Apotheosis_of_Homer,_1827.jpg/784px-Jean_Auguste_Dominique_Ingres,_Apotheosis_of_Homer,_1827.jpg
A apoteose de Homero, 1827 
   
Napoleão entronizado, 1806

terça-feira, janeiro 13, 2026

Jan Brueghel, o Velho, morreu há quatrocentos e um anos

Jan Brueghel, o Velho - retrato atribuído a Antoon van Dyck

 

Jan Brueghel o Velho (Bruxelas, 1568 - Antuérpia, 13 de janeiro de 1625) foi um dos mais notáveis pintores quinhentistas flamengos. Segundo filho de Pieter Brueghel, o Velho, irmão de Pieter Brueghel, o Jovem e pai de Jan Brueghel, o Jovem, Jan é muito conhecido pelas suas naturalistas paisagens campestres ou pelos seus realistas bouquets de flores.

Nascido no seio de uma família de pintores flamengos, Jan teve, desde cedo, um grande contacto com a arte, tendo aprendido, por exemplo, com a sua avó, a pintar com aguarelas. Tinha diversos cognomes, como "veludo" e "flor", para assim se poder distinguir dos outros membros da família.

Estudou na escola de Antuérpia, onde foi aluno de Pieter Goctkind e, provavelmente, de Gillis van Coninxloo, durante oito anos. Esteve em Itália alguns anos, porém, retornou à sua cidade de Antuérpia em 1598. Lá se casou, um ano depois, com Isabella de Jode, de quem teve dois filhos, incluindo Jan Brueghel o jovem. Porém, a sua mulher morreu em 1603.

Em 1605, Jan casou-se de novo, desta vez com Catherinne van Marienberghe, de quem teve oito filhos.

Durante toda a sua vida foi-lhe assegurada fama e fortuna, em parte, devido ao enorme reconhecimento do seu pai entre a aristocracia e artistas flamengos. Todavia, nem a fama nem a fortuna lhe valeram muito quando contraiu cólera e morreu, em 1625. 

 

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Os apóstolos Pedro e André


A tentação de Santo António

   

domingo, janeiro 11, 2026

Hoje foi dia de recordar um Poeta...

(imagem daqui)

 

Visita-me Enquanto não Envelheço 
     
     
visita-me enquanto não envelheço
toma estas palavras cheias de medo e surpreende-me
com teu rosto de Modigliani suicidado
     
tenho uma varanda ampla cheia de malvas
e o marulhar das noites povoadas de peixes voadores
   
ver-me antes que a bruma contamine os alicerces
as pedras nacaradas deste vulcão a lava do desejo
subindo à boca sulfurosa dos espelhos
   
antes que desperte em mim o grito
dalguma terna Jeanne Hébuterne a paixão
derrama-se quando tua ausência se prende às veias
prontas a esvaziarem-se do rubro ouro
   
perco-te no sono das marítimas paisagens
estas feridas de barro e quartzo
os olhos escancarados para a infindável água
   
com teu sabor de açúcar queimado em redor da noite
sonhar perto do coração que não sabe como tocar-te
    
           
    

in Salsugem (1984) - Al Berto

Saudades de Al Berto...

 

Vincent Van Gogh, La Nuit Etoilée

   
 

se te nomeasse cintilarias

   
   
se te nomeasse cintilarias
no beco de uma cidade desfeita
e o chumbo dos labirintos derreter-se-ia
na veia branca da noite uma estátua
de areia talvez um barco sulcasse
a cabeleira aquática da fala e
nenhuma porta se abriria sob teus passos

onde estamos? onde vivemos?
no desaguar tenebroso deste rio de penumbra
não beberemos ao futuro do homem
nem festejaremos o rugido triste da fera
moribunda

mas se te nomeasse
que desejo de sexo e da mente a medrosa alegria
em mim permaneceria?

 

  
in
Transumâncias - O Medo - Al Berto

Al Berto nasceu há 78 anos...

(imagem daqui)
  

Al Berto, pseudónimo de Alberto Raposo Pidwell Tavares (Coimbra, 11 de janeiro de 1948 - Lisboa, 13 de junho de 1997), foi um poeta, pintor, editor e animador cultural português.
 
Vida
Nascido no seio de uma família da alta burguesia (origem inglesa por parte da avó paterna). Um ano depois foi viver para o Alentejo. O pai morre cedo, num desastre de viação. Em Sines passa toda a infância e adolescência, até que a família decide enviá-lo para o estabelecimento de ensino artístico Escola António Arroio, em Lisboa.
A 14 de abril de 1967, refratário militar, mudou-se para a Bélgica, onde estudou pintura na École Nationale Supérieure d’Architecture et des Arts Visuels (La Cambre), em Bruxelas.
Após concluir o curso, decide abandonar a pintura em 1971 e dedicar-se exclusivamente à escrita.
Regressa a Portugal a 17 de novembro de 1974 e escreve o primeiro livro inteiramente na língua portuguesa, À Procura do Vento num Jardim d'Agosto.
O Medo, uma antologia do seu trabalho desde 1974 a 1986, é editado pela primeira vez em 1987. Este veio a tornar-se no trabalho mais importante da sua obra e o seu definitivo testemunho artístico, sendo adicionados em posteriores edições novos escritos do autor, mesmo após a sua morte.
Deixou ainda textos incompletos para uma ópera, para um livro de fotografia sobre Portugal e uma «falsa autobiografia», como o próprio autor a intitulava. Morreu de linfoma. Homossexual assumido, tal facto só foi amplamente conhecido depois da sua morte.
Al Berto morreu em Lisboa, a 13 de junho de 1997.
Em 2009 a Companhia de Teatro O Bando estreia no Teatro Nacional Dona Maria II, em Lisboa, um espetáculo intitulado A Noite a partir de Lunário, Três cartas da memória das Índias, Apresentação da noite, O Medo, À procura do vento num jardim d'Agosto e Dispersos. O espetáculo foi encenado por João Brites e interpretado por Ana Lúcia Palminha e Pedro Gil. Além de Lisboa, o espetáculo esteve ainda no Teatro da Cerca de São Bernardo em Coimbra e no espaço d'O Bando.
 

 

Recado

ouve-me
que o dia te seja limpo e
a cada esquina de luz possas recolher
alimento suficiente para a tua morte

vai até onde ninguém te possa falar
ou reconhecer - vai por esse campo
de crateras extintas - vai por essa porta
de água tão vasta quanto a noite

deixa a árvore das cassiopeias cobrir-te
e as loucas aveias que o ácido enferrujou
erguerem-se na vertigem do voo - deixa
que o outono traga os pássaros e as abelhas
para pernoitarem na doçura
do teu breve coração - ouve-me

que o dia te seja limpo
e para lá da pele constrói o arco de sal
a morada eterna - o mar por onde fugirá
o etéreo visitante desta noite

não esqueças o navio carregado de lumes
de desejos em poeira - não esqueças o ouro
o marfim - os sessenta comprimidos letais
ao pequeno-almoço

 

Al Berto

O escultor Alberto Giacometti morreu há sessenta anos...

    
Alberto Giacometti (Borgonovo di Stampa, 10 de outubro de 1901 - Coira, 11 de janeiro de 1966) foi um artista plástico suíço que se distinguiu pelas suas esculturas e pinturas surrealistas, inicialmente, e expressionistas, posteriormente. 

   

Vida 

Filho do pintor Giovanni Giacometti (impressionista), estudou em Genebra, Roma e, a partir de 1922, em França.

Alberto Giacometti nasceu em 1901, em Borgonovo, e morreu em 1966, em Chur. Inicia a sua formação em Genebra, deslocando-se em 1923 para Paris, onde estuda com Antoine Bourdelle. Nessa época conheceu alguns dos principais pintores dadaístas, cubistas e surrealistas que influenciaram o seu início de carreira.

Adere ao movimento surrealista entre 1930 e 1934, período em que produziu algumas obras fundamentais para a caracterização da escultura surrealista, como L'Heure des Traces (1930), O Palácio às Quatro da Manhã (1932) e Mãos Sustentando o Vazio (1934). Esta última escultura valeu-lhe a admiração de André Breton, o autor do Manifesto Surrealista.

O escritor James Lord posou para o último retrato de Giacometti e escreveu um livro sobre o escultor que foi transformado em filme dirigido por Stanley Tucci

   

Obra

Nos trabalhos realizados depois da II Guerra Mundial, onde a figura humana protagoniza as suas pesquisas plásticas, Giacometti recupera a capacidade expressiva da imagem e do objeto, acompanhando a tendência neo-figurativa que, nestes anos, marca o percurso criativo de vários artistas plásticos. Esta representação do corpo humano marca o período mais original de Giacometti.

A recorrência dos temas e das soluções plásticas adotadas resulta de um posicionamento teórico identificado com a filosofia existencialista, como o testemunha a amizade entre Giacometti e Jean-Paul Sartre. O existencialismo na obra de Giacometti traduz-se numa essencialidade e numa repetição dos meios expressivos e dos gestos formais, que imprimem à figura humana uma significação fundamental: uma linha vertical confrontando com a horizontalidade do mundo. A deformação dramática das proporções, o alongamento das formas e a manipulação da superfície e da textura acentuam a materialidade dos objetos e a capacidade expressiva e poética da obra de arte. As personagens, isoladas ou em grupos, exprimem um sentido de individualismo e de descontextualização, acentuado pela própria escala das esculturas. Destacam-se, entre as inúmeras obras executadas durante o final da década de 40 e da década seguinte, as esculturas L'Homme qui marche, representado, atualmente, na nota de cem francos suíços. Também era sua a escultura mais cara do mundo, vendida por 74,2 milhões de euros, em 3 de fevereiro de 2010.

   

  

sábado, janeiro 10, 2026

Júlio Pomar nasceu há um século...

  
Júlio Pomar
(Lisboa, 10 de janeiro de 1926 - Lisboa, 22 de maio de 2018) foi um artista plástico/pintor português. Pertenceu à 3ª geração de pintores modernistas portugueses, sendo autor de uma obra multifacetada, centrada na pintura, desenho, cerâmica e gravura, com importantes desenvolvimentos nos domínios da tridimensão (escultura; assemblage) ou da escrita. Os primeiros anos da sua carreira estão ligados à resistência contra o regime do Estado Novo e à afirmação do movimento neorrealista em Portugal, marcando a especificidade deste no contexto europeu. Teve uma ação artística e cívica intensa ao longo das décadas de 40 e 50 e é consensualmente considerado o mais destacado dos cultores do neorrealismo nacional.
  
Painel de azulejos (fragmento), circa 1958, Avenida Infante Santo, Lisboa
    
O almoço do trolha, 1946-50, óleo sobre tela
   

quinta-feira, janeiro 08, 2026

Giotto morreu há 689 anos

Retrato anónimo de Giotto, Museu do Louvre
       
Giotto di Bondone mais conhecido simplesmente por Giotto, (Colle Vespignano, 1266 - Florença, 8 de janeiro de 1337) foi um pintor e arquiteto italiano.
Nasceu perto de Florença, foi discípulo de Cinni di Pepo, mais conhecido na história da arte pela introdução da perspectiva na pintura, durante o Renascimento.
Devido ao alto grau de inovação de seu trabalho (ele é considerado o introdutor da perspetiva na pintura da época), Giotto é considerado por Bocaccio o precursor da pintura renascentista. Ele é considerado o elo entre o renascimento e a pintura medieval e a bizantina.
A característica principal do seu trabalho é a identificação da figura dos santos como seres humanos de aparência comum. Esses santos com ar humanizado eram os mais importantes das cenas que pintava, ocupando sempre posição de destaque na pintura. Assim, a pintura de Giotto vem ao encontro de uma visão humanista do mundo, que vai cada vez mais se firmando até o Renascimento.
Giotto, forma diminutiva de Ambrogio ou Angiolo, não se sabe ao certo, adotou a linguagem visual dos escultores, procurando obter volume e altura realista nas figuras em suas obras. Comparando as suas obras com as do seu mestre, elas são muito mais naturalistas, sendo Giotto o pioneiro na introdução do espaço tridimensional na pintura europeia. Nos seus trabalhos pela península itálica, Giotto fez amizades com o rei de Nápoles e Bocaccio, que o menciona no seu famoso livro, Decameron.
O Papa Benedito XI decidiu empregar Giotto, que passaria então dez anos em Roma. Posteriormente, trabalharia para o Rei de Nápoles. Em 1320, ele regressou a Florença, onde chefiaria a construção da Catedral de Florença. Giotto morreu enquanto pintava "O Juízo Final" para a capela de Bargello, em Florença. Durante uma escavação na Igreja de Santa Reparata, em Florença, foram descobertos ossos na mesma área que Vasari tinha relatado como o túmulo de Giotto. Um exame forense parece ter confirmado que a ossada era mesmo de Giotto.
Os ossos eram de um homem baixo, que pode ter sofrido de uma forma de nanismo, o que apoia uma tradição da Basílica de Santa Cruz de que um anão, que aparece em um dos afrescos, é um auto-retrato de Giotto.
 
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A Lamentação - Capella degli Scrovegni
 
 
Estigmatização de São Francisco - Museu do Louvre
 
    
Dormitio Virginis (detalhe)

 

in Wikipédia

quarta-feira, janeiro 07, 2026

Thomas Lawrence morreu há 196 anos

Auto-retrato, 1788

    

Thomas Lawrence (Bristol, 13 de abril de 1769Londres, 7 de janeiro  de 1830) foi um dos principais pintores retratistas britânicos do início do século XIX, além de presidente da Academia Real Inglesa. Nascido em Bristol, Lawrence era um rapaz muito adiante do seu tempo e que começou a pintar com apenas dez anos, apoiando a sua família, fazendo retratos em pastel. Aos dezoito anos foi para Londres e logo conseguiu uma reputação de retratista a óleo, recebendo a sua primeira comissão real: um retrato da rainha Carlota de Mecklemburgo-Strelitz, em 1790. No ano seguinte tornou-se associado da Academia Real Inglesa, um membro de 1794 e seu presidente em 1820. Lawrence teve como patrono Jorge, Príncipe Regente, em 1810, sendo enviado para o exterior a fim de pintar os líderes aliados responsáveis pela queda de Napoleão Bonaparte, para a Câmara Waterloo do Castelo de Windsor. A quando da sua morte, era o pintor retratista mais popular da Europa, mas a sua reputação desapareceu na era vitoriana, porém, desde então, foi restaurada. 

 

Jorge IV do Reino Unido

    

Retrato de Maria II de Portugal 1829, Royal Collection

     

terça-feira, janeiro 06, 2026

Gustave Doré nasceu há 194 anos

     
Paul Gustave Doré (Estrasburgo, 6 de janeiro de 1832 - Paris, 23 de janeiro de 1883) foi um pintor, desenhador e o mais produtivo e bem-sucedido ilustrador francês de livros do século XIX. O seu estilo caracterizava-se por uma inclinação para a fantasia, mas também produziu trabalhos mais sóbrios, como os notáveis estudos sobre as áreas pobres de Londres, realizados entre 1869 e 1871.
  
 
D. Quixote e Sancho Pança
  

Emmerico Nunes nasceu há 138 anos


Emmerico Hartwich Nunes (Lisboa, 6 de janeiro de 1888 - 18 de janeiro de 1968), foi um pintor, ilustrador e caricaturista português. Pertence à primeira geração de artistas modernistas portugueses.

 

Domingos Rebelo, Eduardo Viana, Solá e Amadeo de Souza-Cardoso, Paris, 1910, desenho aguarelado

 

Porque hoje é dia de Reis...

Ficheiro:Giotto - Scrovegni - -18- - Adoration of the Magi.jpg
A Adoração dos Magos - Giotto, 1304-1306, Capela Scrovegni, Pádua, Itália
 
 
Cantar de Reis - tradicional beirão

Três Reis vieram
Do Oriente
A adorar o Menino
Deus Omnipotente!

Ron-rom Menino
Dorme e descansa
Tu és o alívio
E a nossa esperança!

Todos Vos trazem
Suas oferendas
E a melhor de todas
São as verdades certas

segunda-feira, janeiro 05, 2026

Hoje é dia de recordar um Pintor que era poeta...

https://www.escritas.org/autores/malangatana-valente-ngwenya.webp?132727499427436056

 

Pensar alto

 

Sim
às marrabentas
às danças rituais
que nas madrugadas
criam o frenesi
quando os tambores e as flautas entram a fanfarrar

fanfarrando até o vermelho da madrugada fazer o solo sangrar
em contraste com o verdurar das canções dos pássaros
sobre o já verduzido manto das mangueiras
dos cajueiros prenhes
para em Dezembro seus rebentos
dançarem como mulheres sensualíssimas
em cada ramo do cajual da minha terra


mas, sim ao orgasmo
das mafurreiras
repletas de chiricos
das rolas ciosas pela simbiose que só a natureza sabe oferecer

mas sim
ao som estridente do kulunguana
das donzelas no zig-zague dos ritos
quando as gazelas tão belas
não suportam mais quarenta graus à sombra dos canhueiros em flor

enquanto as oleiras da aldeia, desta grande aldeia Moçambique
amassam o barro dos rios
para o pote feito ser o depositário
de todo o íntimo desse Povo que se não cala disputando
ecoosamente com os tambores do meu ontem antigo.

 

 

Malangatana  

Malangatana morreu há quinze anos...

   
Malangatana Valente Ngwenya (Matalana, 6 de junho de 1936 - Matosinhos, 5 de janeiro de 2011) foi um artista plástico e poeta moçambicano, conhecido internacionalmente pelo seu primeiro nome, "Malangatana", tendo produzido trabalhos em vários suportes e meios, desde desenho, pintura, escultura, cerâmica, murais, poesia e música.
 
Vista do mercado através da prisão, 1967

 

 

domingo, janeiro 04, 2026

Anselm Feuerbach morreu há 146 anos...

Auto-retrato


Anselm Feuerbach (Speyer, 12 de setembro de 1829Veneza, 4 de janeiro de 1880), foi um pintor alemão. Ele foi o principal pintor classicista da escola alemã do século XIX. 

Feuerbach nasceu em Speyer, filho do arqueólogo Joseph Anselm Feuerbach e neto do jurista Paul Johann Anselm Ritter von Feuerbach. A casa onde nasceu é agora um pequeno museu.

Entre 1845 e 1848 frequentou a Academia de Düsseldorf, onde foi ensinado por Johann Wilhelm Schirmer, Wilhelm von Schadow e Carl Sohn. Ele foi para a Academia de Munique, mas em 1850, juntamente com vários outros alunos insatisfeitos, mudou-se para a academia de Antuérpia, onde estudou com Gustav Wappers. Feuerbach mudou-se para Paris em 1851, onde foi aluno de Thomas Couture até 1854. Foi em Paris que ele produziu sua primeira obra-prima, Hafiz na Fonte (1852).

Em 1854, financiado pelo Grão-Duque Friedrich de Baden, ele visitou Veneza, onde caiu sob o feitiço da maior escola de coloristas, várias de suas obras demonstrando um estudo atento dos mestres italianos. De lá, ele continuou para Florença e depois para Roma. Ele permaneceu em Roma até 1873, fazendo breves visitas de volta à Alemanha. Em 1861 ele conheceu Anna Risi (conhecida como "Nanna"), que foi a sua modelo pelos quatro anos seguintes. Em 1866, ela foi sucedida como seu modelo principal por Lucia Brunacci, esposa de um estalajadeiro que posou para suas pinturas de Medeia. Em 1862, Feuerbach conheceu o conde Adolf Friedrich von Schack, que lhe encomendou cópias dos antigos mestres italianos. O conde o apresentou a Arnold Böcklin e Hans von Marées. Os três artistas ficaram conhecidos como Deutschrömer ("Romanos Alemães") por causa de sua preferência pela arte italiana em vez da alemã.

Entre 1869 e 1874, ele pintou duas versões do Simpósio de Platão.

Em 1873, Feuerbach mudou-se para Viena, tendo sido nomeado professor de pintura histórica na Academia.  Entre os seus alunos teve Ludwig Deutsch, Rudolf Ernst e Jean Discart. Mais tarde, Feuerbach teve um desacordo com o arquiteto Theophil Hansen sobre o seu mural de teto A Queda dos Titãs, pintado para o Grande Salão do novo edifício da Academia na Ringstrasse. Enquanto em Viena ele conheceu Johannes Brahms. Brahms mais tarde dedicou-lhe uma composição, Nänie. 

 

Últimos anos

Em 1877, ele renunciou ao cargo na Academia de Viena e mudou-se para Veneza, onde morreu em 1880.  Brahms compôs Nänie, uma peça para coro e orquestra, em sua memória.

Após a sua morte, a sua madrasta Henriette, de quem sempre foi próximo e que sempre fez muito para promover sua carreira, escreveu um livro intitulado Ein Vermächtnis ("Um Testamento" ou "Um Legado"), incluindo suas cartas e notas autobiográficas. Provou ser um enorme sucesso e aumentou muito sua reputação póstuma.

De acordo com a Encyclopædia Britannica de 1911:

Ele estava imerso no conhecimento clássico, e as suas composições de figuras têm a dignidade e a simplicidade escultural da arte grega. Ele foi o primeiro a perceber o perigo decorrente do desprezo pela técnica, que o domínio da técnica era necessário para expressar até mesmo as ideias mais elevadas e que um desenho animado mal desenhado nunca pode ser a conquista suprema na arte.

As suas obras estão nas principais galerias públicas da Alemanha. Estugarda tem a segunda versão da Ifigénia; Karlsruhe, o Dante em Ravenna; Munique, a Medeia; e Berlim, The Concert, a sua última pintura importante. Outras obras importantes incluem A Batalha das Amazonas, Pietà, O Simpósio de Platão, Orfeu e Eurídice e Ariosto no Parque de Ferrara.

     

Simpósio de Platão, 1869

  

Francesca da Rimini e Paolo Malatesta - circa 1864
     

sexta-feira, janeiro 02, 2026

Mário-Henrique Leiria nasceu há cento e três anos

(imagem daqui)

   

Mário Henrique Baptista Leiria (Lisboa, 2 de janeiro de 1923 - Cascais, 9 de janeiro de 1980) foi um escritor surrealista português. 

 

Vida

Foi aluno na Escola Superior de Belas Artes, donde foi expulso em 1942 por motivos políticos. Participou nas atividades do Grupo Surrealista de Lisboa, entre 1949 e 1951 e em 1962. Depois de ser preso pela PIDE aquando da "Operação Papagaio", instalou-se no Brasil onde desenvolveu várias atividades, como a de encenador e de diretor literário da Editora Samambaia. Regressou a Portugal em 1970.

Colaborou, com pequenos contos, no suplemento Fim-de-semana, do jornal República, e no semanário humorístico "Pé de Cabra". Chefiou a redação de O Coiso, semanário impresso nas oficinas do jornal República, durante 13 semanas, em 1975.
Aderiu em 1976 ao PRP - Partido Revolucionário do Proletariado.
Alguns textos seus, escritos em colaboração, foram recolhidos na Antologia Surrealista do Cadáver Esquisito (1961), organizada por Mário Cesariny.

Os últimos anos da sua vida foram muito difíceis, tolhido pela doença (degenerescência óssea) e afligido pela pobreza; vivendo na casa materna, com a mãe e uma tia, muito idosas.

 

in Wikipédia






Eu vos afirmo




Eu vos afirmo
Eu sou o maldito
o único que conhece
a maldição de não existir
existindo
o único único
que é acompanhado
por outro que conhece a maldição
que é também maldito
que é também o único
eu sou
eu sou
porque somos
o único vários só
solitário de ser acompanhado
solitários de sermos verdadeiros
talvez sabendo
talvez conhecendo
a solidão que formo
formamos
só   único
sós   únicos.



Mário-Henrique Leiria

Piero di Cosimo nasceu há 564 anos

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Presumivel auto-retrato

 

Piero di Lorenzo di Piero d´Antonio, mais conhecido como Piero di Cosimo (Florença, 2 de janeiro de 1462Florença, 12 de abril de 1522) foi um pintor italiano da Escola Florentina do Renascimento.

O nome pelo qual este artista veio a ser conhecido deve-se a seu aprendizado, por volta de 1480, no ateliê de Cosimo Rosselli. Colaborou com o seu mestre na execução dos afrescos da Capela Sistina (1481-1482), encomendados pelo Papa Sisto IV. A sua arte foi fortemente influenciada pela pintura flamenga, em voga em Florença, sobretudo após 1483, por ocasião da colocação do Tríptico Portinari, de Hugo van der Goes, na igreja de Sant´Egidio (Uffizi). As suas obras da juventude também denotam a influência de Luca Signorelli e de Lorenzo di Credi.

Em 1503, inscreve-se como pintor na Compagnia di San Luca, uma corporação de ofício de artistas florentinos, conforme atesta um registro da época. A documentação sobre sua vida e carreira, no entanto, é bastante escassa. A principal fonte de informações sobre Piero é a obra Le Vite, de Giorgio Vasari. Das pinturas de Piero que chegaram até nós, nenhuma é assinada, datada ou documentada, e as atuais atribuições dependem, em grande parte, do julgamento de Vasari.

Não obstante, sua obra pictórica se caracteriza por extrema originalidade e por uma aguçada capacidade de combinar o realismo de matriz flamenga (a exemplo dos famosos retratos de Giuliano da Sangallo e Francesco Giamberti) com uma desconcertante liberdade de imaginação, não isenta por vezes de certa inclinação ao fantástico, ao caprichoso, ao monstruoso e mesmo ao lúgubre.

As obras tardias de Piero são marcadas por uma aproximação do sfumato leonardiano, como se percebe na célebre Libertação de Andrômeda, nos Uffizi, em Florença, pintada para os Strozzi, embora a obra não seja consensualmente atribuída ao pintor. Teve vários discípulos, dentre os quais destacou-se Andrea del Sarto

 

Perseu e Andrômeda

 

in Wikipédia 

quinta-feira, janeiro 01, 2026

Henrique Pousão nasceu há 167 anos

Henrique Pousão (1881), por Rodolfo Amoedo
           
Henrique César de Araújo Pousão (Vila Viçosa, 1 de janeiro de 1859 - Vila Viçosa, 20 de março de 1884), foi um pintor português, pertencente a 1 ª geração naturalista.
Tio do poeta João Lúcio, faleceu, com apenas 25 anos, de tuberculose.
Foi o mais inovador pintor português da sua geração, refletindo, na sua obra naturalista, influências de pintores impressionistas, como Pissarro e Manet. Realizou também paisagens que ultrapassam as preocupações estéticas da pintura do seu tempo. Natural de Vila Viçosa, Henrique Pousão faz-se pintor na Academia Portuense de Belas Artes, onde é discípulo de Thadeo Furtado e João Correia.
Bolseiro do Estado, parte para Paris, em 1880, com José Júlio de Sousa Pinto onde é discípulo de Alexandre Cabanel e Yvon. Por razões de saúde, troca a França por Itália: em Nápoles, Capri e Anacapri, executa algumas das suas melhores pinturas, em Roma é sócio dos Círculo dos Artistas e frequenta sessões noturnas de Modelo Vivo.
Considerado um dos maiores da Pintura portuguesa da segunda metade do século XIX, Henrique Pousão desenvolveu toda a sua produção artística em fase de formação. A sua pintura é marcada pelos lugares por que passa.
Em França, revela já a originalidade que, mais tarde, marca a sua obra: um entendimento da luz e da cor, traduzido nas representações das margens do Sena, dos bosques sombrios dos arredores de Paris e em aspetos da aldeia de St. Sauves.
Em Roma, embora adira ao gosto académico, afasta-se do registo mimético e narrativo do naturalismo: num numeroso conjunto de pequenas tábuas, pinta ruas, caminhos, pátios, casas, trechos de paisagens, expressa as formas em grandes massas de cor, em jogos de claro-escuro e de luz-sombra. Em algumas obras, as composições assumem formas sintetizadas - próximas de uma expressão abstrata - caso de exceção na pintura portuguesa da época.
Através da sua obra, é possível traçar o antes e o depois do naturalismo.
 

Cabeça de Rapaz Napolitano - Museu Nacional de Soares dos Reis, Porto

   
Esperando o sucesso (1882), óleo de Henrique Pousão
       

quarta-feira, dezembro 31, 2025

O pintor Murillo nasceu há 408 anos

Autorretrato

Bartolomé Esteban Perez Murillo (Sevilha, 30 ou 31 de dezembro de 1617, batizado no dia 1 de janeiro de 1618 – Sevilha, 3 de abril de 1682) foi um pintor barroco espanhol.
Bartolomé Esteban Murillo é, quiçá, o pintor que melhor define o barroco espanhol. Nasceu em Sevilha, onde passou a maior parte da sua vida. O dia exato do seu nascimento é desconhecido, mas terá, provavelmente, nascido em dezembro de 1617, já que foi batizado no dia 1 de janeiro de 1618, na Igreja da Madalena. Era costume nessa altura batizar as crianças somente alguns dias após o seu nascimento, como tal é normal que os especialistas façam tal afirmação. 
 
São João Batista e o "Cordeiro", finais do século XVII

Matisse nasceu há 156 anos...

       
Henri-Émile-Benoît Matisse (Le Cateau-Cambrésis, 31 de dezembro de 1869 - Nice, 3 de novembro de 1954) foi um artista francês, conhecido pelo seu uso da cor e a sua arte de desenhar, fluida e original. Foi um desenhador, gravurista e escultor, mas é principalmente conhecido como um pintor. Matisse é considerado, juntamente com Picasso e Marcel Duchamp, como um dos três artistas seminais do século XX, responsável por uma evolução significativa na pintura e na escultura.
    
 La Tristesse du roi, ou Sorrows of the King - Centre Pompidou (1952)