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terça-feira, fevereiro 03, 2026

Jan Steen morreu há 347 anos

Autorretrato (1660-63)

  

Jan Havickszoon Steen (Leiden, circa 1626Leiden, 3 de fevereiro de 1679) foi um pintor neerlandês do século XVII. Perceção psicológica, sentido de humor e abundância de cores foram marcas dos seus trabalhos. 

 

A Festa de São Nicolau, circa 1665–1668

 

Gertrude Stein nasceu há 152 anos...


Gertrude Stein (Allegheny, Pennsylvania, February 3, 1874 – Neuilly-sur-Seine, July 27, 1946) was an American novelist, poet, playwright, and art collector. Born in Allegheny, Pennsylvania (now part of Pittsburgh), and raised in Oakland, California, Stein moved to Paris in 1903, and made France her home for the remainder of her life. She hosted a Paris salon, where the leading figures of modernism in literature and art, such as Pablo Picasso, Ernest Hemingway, F. Scott Fitzgerald, Sinclair Lewis, Ezra Pound, Sherwood Anderson and Henri Matisse, would meet.

In 1933, Stein published a quasi-memoir of her Paris years, The Autobiography of Alice B. Toklas, written in the voice of Alice B. Toklas, her life partner. The book became a literary bestseller and vaulted Stein from the relative obscurity of the cult-literature scene into the limelight of mainstream attention. Two quotes from her works have become widely known: "Rose is a rose is a rose is a rose", and "there is no there there", with the latter often taken to be a reference to her childhood home of Oakland.

Her books include Q.E.D. (1903), about a lesbian romantic affair involving several of Stein's friends; Fernhurst, a fictional story about a love triangle; Three Lives (1905–06); The Making of Americans (1902–1911); and Tender Buttons (1914).

Her activities during World War II have been the subject of analysis and commentary. As a Jew living in Nazi-occupied France, Stein may have only been able to sustain her lifestyle as an art collector, and indeed to ensure her physical safety, through the protection of the powerful Vichy government official and Nazi collaborator Bernard Faÿ. After the war ended, Stein expressed admiration for another Nazi collaborator, Vichy leader Marshal Pétain.
     
  
  
 
Susie Asado
 
Sweet sweet sweet sweet sweet tea.
Susie Asado.
Sweet sweet sweet sweet sweet tea.
Susie Asado.
Susie Asado which is a told tray sure.
A lean on the shoe this means slips slips hers.
When the ancient light grey is clean it is yellow, it is a silver seller.
This is a please this is a please there are the saids to jelly.
These are the wets these say the sets to leave a crown to Incy.
Incy is short of incubus.
A pot. A pot is a beginning of a rare bit of trees. Trees tremble,
the old vats are in bobbles, bobbles which shade and shove and
render clean, render clean must.
Drink pups.
Drink pups drink pups lease a sash hold, see it shine and a bobolink
has pins. It shows a nail.
What is a nail. A nail is unison.
Sweet sweet sweet sweet sweet tea. 
 

Gertrude Stein

segunda-feira, fevereiro 02, 2026

Enrique Simonet nasceu há 160 anos

Auto retrato de Enrique Simonet (1918)

 

Enrique Simonet Lombardo (Valencia, 2 de fevereiro de 1866 - Madrid, 20 de abril de 1927) foi um pintor espanhol nascido em Valência. Ele estudou primeiro na Real Academia de Bellas Artes de San Carlos de Valencia e obteve, em 1887, uma bolsa para estudar pintura na Academia de Belas Artes de Roma, onde ele pintou, em 1890, a "Anatomia do coração", também conhecida como "Ela tinha um coração!" ou "Autópsia". Esta obra trazer-lhe-ia fama internacional e venceu diversos prémios internacionais.
 
Ela tinha um coração!
 
    
   
 Decapitação de São Paulo (1887)
      
Julgamento de Páris (1904)
 

domingo, fevereiro 01, 2026

Piet Mondrian morreu há 82 anos...

    
Pieter Cornelis Mondrian
, geralmente conhecido por Piet Mondrian (Amersfoort, 7 de março de 1872 - Nova Iorque, 1 de fevereiro de 1944) foi um pintor neerlandês modernista. Participou do movimento artístico neoplasticismo e colaborou com a revista De Stijl.

 

Piet Mondrian, View from the Dunes with Beach and Piers, Domburg, 1909

       
Piet Mondrian, Evening; Red Tree (Avond; De rode boom), 1908–1910 - Gemeentemuseum Den Haag
  

quinta-feira, janeiro 29, 2026

Alfred Sisley faleceu há 127 anos...

Retrato de Sisley feito por Renoir em 1874
        
Alfred Sisley (Paris, 30 de outubro de 1839 - Moret-sur-Loing, 29 de janeiro de 1899) foi um pintor francês de ascendência e nacionalidade britânica.
Sisley nasceu em Paris, filho de pais ingleses, tendo estudado comércio em Londres, (1857-1861) para continuar o trabalho do seu pai, diretor de uma empresa de exportação de flores artificiais para a América do Sul. Porém em vez de estudar, passava o tempo a visitar museus e copiando esboços de Constable, Turner e Bonington. Quando voltou para Paris conseguiu autorização dos pais para entrar para a escola de Gleyre. No ateliê de Paris, Sisley conheceu Renoir, Bazille e Monet, com os quais passava horas pintando no bosque de Fontainebleau. Em 1877 participou da terceira exposição do grupo impressionista. Juntamente com Camille Pissarro, Sisley foi um dos mais representativos paisagistas do impressionismo, sendo considerado também um dos pintores da escola de Barbizon.
Os seus primeiros quadros revelaram uma certa influência da obra de Jean-Baptiste Camille Corot, mas pouco a pouco começou a se diferenciar dele, dando mais importância à cor do que à forma. Dono de uma capacidade surpreendente de observação, Sisley era capaz de captar os matizes mais subtis da luz, habilidade que demonstra nos seus quadros das estações do ano.
Também é muito singular o modo como consegue homogeneizar água, terra e céu, inundando as suas paisagens de uma paz transcendental. O galerista Durand-Ruel expôs os seus quadros, sem sucesso, em Paris. Mais tarde, em 1890, Sisley foi indicado como académico da Sociedade Nacional de Belas-Artes, onde expôs as suas obras pela última vez, no ano de 1898.
   
Biografia
A família de Sisley, proveniente de Manchester, morava em Paris quando Alfred Sisley nasceu. O pai, William, exportava flores artificiais para a América do Sul. A mãe, Felicia Sell, era de uma família inglesa culta. O pai estimulava Alfred Sisley a interessar-se pelo comércio, razão pela qual o mandou para Londres estudar.
Entre 1857 e 1861, Sisley ficou em Londres para aprender sobre comércio mas também frequentou vários museus na capital inglesa. Quando retornou a Paris trocou o comércio pela pintura matriculando-se no ateliê de Gabriel Gleyre, onde conheceu outros pintores como Frédéric Bazille, Claude Monet e Renoir.
Em 1863, Sisley abandonou o ateliê de Gleyre. Tempos depois ele e seus novos amigos foram pintar na floresta de Fontainebleau, pintar ao ar livre e aperfeiçoar o uso de efeito da luz do sol.
Até praticamente 1870, Sisley pintava com tons escuros, mas a partir de então as suas cores tornam-se mais vivas e mais claras adotando mais as técnicas impressionistas. Iniciou uma série de obras pintadas à margem dos rios, tema constante de suas obras.
O pai foi à falência com o fim da guerra franco-prussiana e morreu pouco tempo depois. Com a falência do pai, Sisley teve de passar a viver do próprio trabalho já que o pai lhe ajudava financeiramente evitando até então de passar dificuldades. Durante a comuna de Paris, ele refugiou-se com a família em Voisin-Louveceiennes, aldeia próxima de Paris.
Em 1872, Sisley conheceu o marchand Paul Durand-Ruel, que investia o seu dinheiro em obras impressionistas. Em 1874, Sisley expôs cinco telas na exposição independente do Salão Oficial de Paris, mas não vendeu nenhuma tela, aliás a exposição foi um fracasso. No ano seguinte, assim como os outros pintores impressionistas, Sisley passava por dificuldades financeiras por isso resolveram fazer uma nova exposição onde conseguiu vender algumas telas por pouco dinheiro. Mesmo assim ainda fizeram a segunda e terceira exposição independente sem muito sucesso também, Sisley novamente não vendeu nenhuma tela.
Em 1877, Sisley mudou-se para Sèvres onde pintou a aldeia em várias telas. Dois anos depois foi rejeitado no salão oficial e acabou se mudando para Veneux-Nadon. No ano seguinte mudou-se para uma casa perto da floresta de Fontainebleu. Ano após ano a sua situação financeira piorava. Procurou ajuda do marchand Durand que, em 1883 promoveu-lhe uma exposição que foi um fracasso. Pouco tempo depois mudou-se para Sablons. Cinco anos mais tarde voltou a morar em Moret-sur-Loing.
Foi só no ano de 1890 que Sisley pode receber um pouco de reconhecimento pelo seu trabalho, ao participar da exposição promovida pela Sociedade Nacional de Belas Artes.
Em 1897, George Petit, um marchand, promoveu uma exposição completa de Sisley, que não vendeu nenhum quadro.
Em 1898, Eugenie Lescouezec, a sua mulher morreu a 8 de outubro. Alfred Sisley morreu alguns meses depois, em 29 de janeiro de 1899, sem o reconhecimento merecido em vida.

  

"Neve em Louveciennes", obra de 1878
    
"A ponte e os Moinhos de Moret", obra de 1888
        

quarta-feira, janeiro 28, 2026

Jackson Pollock nasceu há 114 anos

       
Paul Jackson Pollock (Cody, Wyoming, January 28, 1912 – Springs, New York, August 11, 1956), known professionally as Jackson Pollock, was an American painter and a major figure in the abstract expressionist movement. He was well known for his unique style of drip painting.
During his lifetime, Pollock enjoyed considerable fame and notoriety; he was a major artist of his generation. Regarded as reclusive, he had a volatile personality, and struggled with alcoholism for most of his life. In 1945, he married the artist Lee Krasner, who became an important influence on his career and on his legacy.
Pollock died at the age of 44 in an alcohol-related single-car accident when he was driving. In December 1956, four months after his death, Pollock was given a memorial retrospective exhibition at the Museum of Modern Art (MoMA) in New York City. A larger, more comprehensive exhibition of his work was held there in 1967. In 1998 and 1999, his work was honored with large-scale retrospective exhibitions at MoMA and at The Tate in London.
      
   

segunda-feira, janeiro 26, 2026

Paula Rego nasceu há noventa e um anos...


  (imagem daqui)

 

Maria Paula Figueiroa Rego, mais conhecida por Paula Rego (Lisboa, 26 de janeiro de 1935 - Londres, 8 de junho de 2022), foi uma pintora luso-britânica, condecorada pelo governo português e pela Rainha Isabel II

 

Biografia

Paula Rego nasceu em Lisboa a 26 de janeiro de 1935, no seio de uma família da alta burguesia, de tradição liberal e republicana, com ligações à cultura inglesa e francesa. Filha de José Fernandes Figueiroa Rego (1907-1966), engenheiro eletrotécnico, e de Maria de São José Avanti Quaresma de Paiva Figueiroa Rego (1909-2001), durante os seus primeiros três anos de vida viveu com os seus avós paternos, José Figueiroa Rego (1885 - ?) e Gertrudes Fernandes (1890 - 1943), na quinta que a sua família possuía na Ericeira, devido aos seus pais terem partido para Inglaterra a fim de terminarem os seus estudos académicos, criando aí as suas primeiras memórias de vida e umas das principais fontes de inspiração para as suas obras artísticas. Mais tarde, já com os seus pais de regresso a Portugal, foi diagnosticada com tuberculose, passando a residir, por recomendação médica, junto ao mar, no Estoril, e a passar os fins de semana na casa dos avós, na Ericeira

Recuperada da doença, iniciou os seus estudos no Colégio Integrado Monte Maior, em Loures, ingressando posteriormente, em 1945, na St. Julian's School, em Carcavelos, sendo o seu talento para a pintura reconhecido bastante cedo pelos seus professores. Após concluir o ensino secundário, incentivada pelo pai a prosseguir o seu desenvolvimento artístico fora do país e longe do regime salazarista, em 1952 partiu para Londres, onde estudou na Slade School of Fine Art até 1956 e conheceu o pintor inglês, nascido no Egipto e então estudante, Victor Willing (1928-1988), com quem passou a viver e se casou em 1959.

Regressada a Portugal em 1957, passou a residir na Ericeira com a sua família, continuando durante esse período a criar efusivamente novas obras e a participar ocasionalmente em exposições coletivas em Inglaterra, recebendo ainda em sua casa vários amigos e artistas como Michael Andrews e Peter Frederick Snow ou visitando a praia de Mil Regos diariamente com os seus três filhos Nick Willing, Caroline Willing e Victoria Willing. Ainda no mesma época, a pintora tornou-se bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian e expôs coletivamente perante o público lisboeta em 1961, na II Exposição da Gulbenkian. Somente cinco anos depois, Paula Rego expôs individualmente pela primeira vez, na Galeria de Arte Moderna da Escola de Belas-Artes de Lisboa, em 1966, onde apresentou vários trabalhos relacionados com acontecimentos chocantes da vida política ibérica, como Cães de Barcelona, Gorgon, Retrato de Grimau ou Manifesto (por uma causa perdida), entusiasmando a crítica portuguesa.

Em princípios da década de 70, com dificuldades financeiras, geradas pela falência da empresa familiar e a falta de remuneração pelo seu trabalho como artista, para além da progressão do débil estado de saúde de Victor Willing, a pintora viu-se obrigada a vender a Quinta Figueiroa Rego, algo que a marcou profundamente, radicando-se em Londres com o seu marido e filhos.

Em 1975, inspirada pelo universo literário dos contos populares portugueses, Paula Rego recebeu uma nova bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian, começando a desenvolver uma intensa pesquisa, da qual criou a série de guaches Contos Populares Portugueses. Três anos depois, prosseguindo com os seus estudos sobre contos de fadas em várias bibliotecas de Londres e Paris, criou onze obras para a exposição Arte Portuguesa desde 1910, dominada pelas colagens.

Durante a década de 80, começou a lecionar como professora convidada na Slade School of Fine Art. Regressando à pintura, mais livre e mais direta, retratou o mundo intimista e infantil, inspirado em dados reais ou imaginários, com narrativas zoomórficas pertencentes a um teatro de crianças de Victor Willing, através das figuras de um macaco, um leão e um urso, assim como inspirou-se na obra literária de George Orwell, "1984", criando o painel Muro dos Proles, com mais de seis metros de comprimento, onde estabeleceu um paralelismo com as figuras de Hieronymus Bosch. Pouco depois, deu uma viragem radical na sua obra com a série da menina e do cão, onde a figura feminina assumia claramente a liderança na ação, enquanto o cão era subjugado e acarinhado. A menina faz de mãe, de amiga, de enfermeira e de amante, num jogo de sedução e de dominação que continua em obras posteriores. Tecnicamente as figuras ganham volume, o espaço ganha solidez e autonomia, a perspetiva cenográfica está montada. Ainda na mesma década, em 1987, Paula Rego assinou com a Galeria Marlborough Fine Art, ganhando divulgação internacional e dando entrada com obras da sua autoria nas colecções do Tate Museum e da Saatchi Collection. Um ano depois, com a morte do seu marido por esclerose múltipla, criou as obras O Cadete e a Irmã, A Partida, A Família e A Dança, expondo-as posteriormente na Gulbenkian e pela primeira vez nas Galerias Serpentine em Londres e no Museu de Serralves do Porto, e a coleção de gravuras em aguatinta Nursery Rhymes, sendo exposta em Lisboa pela Galeria 111 e posteriormente adquirida pelo Victoria and Albert Museum.

Durante a última década do século XX, a convite da primeira edição do programa Associate Artist Scheme da National Gallery, a pintora ocupou um atelier no museu, destacando-se desse período a obra Tempo – Passado e Presente (1990-1991) e a série de pinturas a pastel intitulada Mulher Cão (1994), que marcou o início de um novo ciclo de representações de mulheres simbólicas. De notar a importância da sua modelo e assistente Lila Nunes, que veio para Londres em 1985 para ajudar a tomar conta de Victor Willing. Lila torna-se no modelo mais importante da obra de Paula, tendo posado para centenas de obras, incluindo a série Mulher-Cão.

 

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Retrato oficial de Jorge Sampaio enquanto Presidente da República Portuguesa - Paula Rego

 

Apesar de viver no estrangeiro, a pintora que continuava atenta à situação política e social de Portugal, demonstrou o seu desagrado com o resultado do primeiro referendo ao aborto, realizado no país em 1997, com a obra Aborto (1997-1999), gerando o choque e abrindo novamente a discussão do tema na imprensa portuguesa. Anos mais tarde, na sequência do Ciclo da Vida da Virgem Maria que Paula Rego pintou para a Capela de Nossa Senhora de Belém, no Palácio Nacional de Belém, a convite do Presidente da República Jorge Sampaio, foi pedido à artista que realizasse o retrato oficial do presidente, rompendo com os cânones tradicionais do retrato presidencial, tal como já havia sido feito pelo seu predecessor Mário Soares ao ser retratado por Júlio Pomar. O Retrato oficial do Presidente Jorge Sampaio realizado em 2005, mas só revelado ao público em 2006, introduziu pela primeira vez uma mulher na galeria de pintores oficiais da Presidência da República.
Em 2006 foi convidada pelo Presidente da Câmara Municipal de Cascais, António Capucho, a expor em permanência a sua obra no concelho onde viveu grande parte da infância. Aceitando a proposta, Paula Rego indicou o nome de Eduardo Souto Moura para desenvolver o projeto e escolheu um dos terrenos que lhe foi apresentado, ao lado do Museu do Mar, como lugar do futuro museu, nascendo assim a Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais, a 18 de setembro de 2009, com o intuito de acolher e promover a divulgação e estudo da sua obra.

A 7 de julho de 2012, apresentou uma série de pinturas inéditas, numa exposição em parceria com a artista portuguesa Adriana Molder, inspirada na narrativa histórica de Alexandre Herculano, intitulada “A Dama Pé-de-Cabra”, na Casa das Histórias em Cascais.

Lançado em 2017, Nick Willing, filho de Paula Rego, realizou o documentário "Paula Rego, Histórias e Segredos" (Paula Rego, Secrets & Stories), produzido pela Kismet Films para a BBC, com imagens de arquivo familiar e pessoal nunca antes mostradas ao grande público, revelando também o lado mais intimo da vida e obra da pintora portuguesa, que sem restrições aborda directamente temas como a sua luta contra o Estado Novo e a misoginia no mundo das artes assim como a sua batalha contra a depressão.

Em 2019, durante o ano de comemoração dos 30 anos de existência da Fundação de Serralves, uma nova exposição foi organizada no Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto, intitulada "O Grito da Imaginação", compreendendo a produção artística de Paula Rego entre 1975 e 2004, com um total de 36 obras. No ano seguinte, foi realizada uma exposição que reunia 115 obras da pintora ao lado de telas de Josefa de Óbidos em uma mostra intitulada "Paula Rego/Josefa de Óbidos: Arte Religiosa no Feminino" na Casa das Histórias, em Caiscais.

Em 2021, teve a sua maior retrospetiva de sempre no Reino Unido na Tate Britain, com mais de 100 obras.

Faleceu a 8 de junho de 2022, em Londres, com 87 anos de idade, tendo sido decretado luto nacional em Portugal. Encontra-se sepultada junto do marido no cemitério de Hampstead, em Londres.

 

 in Wikipédia 


Pietà - Paula Rego

domingo, janeiro 25, 2026

A namorada de Modigliani, Jeanne Hébuterne, grávida de nove meses, morreu há 106 anos...

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/85/Jeanne_Hebuterne.jpg


Jeanne Hébuterne (Arras, 6 de abril de 1898 - Paris, 25 de janeiro de 1920) foi uma pintora francesa.
   
Biografia
Jeanne Hébuterne nasceu a 6 de abril de 1898 em Arras, no norte da França. O seu pai, Achille Casimir Hébuterne, trabalhava como chefe de perfumaria da loja de departamentos Bon Marché, era um ardente admirador de Pascal, lia sempre fragmentos da sua obra enquanto a família descascava batatas para o jantar, o que sempre irritou a Jeanne. O seu irmão, André Hébuterne (1894-1992), ao escolher a arte como profissão, causou a primeira rutura na conhecida respeitabilidade dos seus pais. Quando Jeanne seguiu seu irmão no caminho da arte, escolheu estudar na Academia Colarossi, na rua Grande Chaumière, desde pequena mostrou aptidão para a pintura e para o desenho. Possuía estilo próprio e criava suas próprias roupas. De acordo com o escultor Leon Indebaum, Jeanne "no era una luminaria de la vida de los cafés sino una figura menor, interesante por sus exóticos turbantes, su capa marrón y sus botas altas".
Por influência de seu irmão, conheceu Tsuguharu Foujita (1886-1968) pintor francês de ascendência japonesa, personagem característico de Montparnasse, sendo retratada por ele diversas vezes. Jeanne tinha a rosto pálido e ovalado com grandes olhos azuis, usava grandes tranças, era considerada uma mulher tímida, porém de olhar intrigante.
Em 1917, Jeanne conheceu o pintor Amedeo Modigliani no Café de La Rotonde, todos disputavam para saber quem ficaria primeiro com Jeanne, e como Modigliani tinha a fama de mulherengo, ganhou. Primeiro ele desenhou-a, em seguida a levou para um hotel miserável e pintou-a, depois dormiram juntos, tinha ela apenas dezoito anos. Modigliani, que era treze anos mais velho do que ela, era um homem muito considerado e com charme. Começaram a encontrar-se imediatamente e acabaram apaixonando-se. Em 29 de novembro de 1918 dá a luz a uma menina, que recebe o mesmo nome da mãe, Jeanne Modigliani (1918-1984), sendo reconhecida como filha por Modigliani.
No final de junho de 1919, informa Modigliani que estava grávida novamente, ao que este, surpreendido, teria dito: "Não temos sorte!". É afastada da sua família, por escolher viver com Modi. Logo fica comprometida a casar-se com o pintor. A vida do casal não era um mar de rosas e Modigliani tinha a saúde debilitada, devido a uma tuberculose mal curada e ao consumo excessivo de álcool e drogas. Em janeiro de 1920 trouxeram Modigliani, com febre e delirando, não tinha carvão e nem água, era necessário descer até o pátio para tirar água do poço, Jeanne grávida de nove meses, estava muito fraca, quase não tinham comida, pois alimentavam-se apenas de sardinhas enlatadas. Ficaram esquecidos por todos e trancados no estúdio durante uma semana. Modigliani delirava e Jeanne desenhava-se a si mesma.
  
Morte
No dia 21 de janeiro de 1920, quando o pintor Ortiz de Zárate aparececeu no estúdio e horrorizado, fez com que Modigliani fosse internado no Hospital de la Charité. Jeanne, atordoada, é levada a casa dos pais, sendo a última vez que viu Modigliani com vida, pois ele morre no dia 24 de janeiro, de tuberculose meningítica, aos 35 anos de idade. Ortiz levou a triste notícia a Jeanne, que estava quase em trabalho de parto. Na manhã seguinte, ela foi até ao hospital para ver Amedeo. Quando entrou no quarto em que o corpo estava, aproximou-se e olhou para ele durante um longo período. Depois, segundo Francis Carco, cortaram a mecha do cabelo de Jeanne e colocaram-no sobre o peito do seu amado, saindo em seguida, sem dizer uma palavra.
À tarde, Jeanne volta para a casa dos seus pais na rua Amyot, nº 8. O seu irmão, André, passa grande parte da noite no quarto de Jeanne em sua companhia, porém, com a proximidade do amanhecer, ele adormece. Jeanne, companheira devotada e grávida de nove meses do segundo filho, aproveita o momento e atira-se de costas do quinto andar da casa de seus pais, tinha 21 anos. O corpo de Jeanne foi recolhido por um homem que o levou até o apartamento da família. Apavorado, André Hébuterne não quis recebê-lo e ordenou que o levasse ao ateliê de Modigliani. O corpo fora então transportado numa carroça até o ateliê da Grand Chaumière , contudo a zeladora recusou-se a recebê-lo. De novo aquele homem com compaixão exemplar conduziu os pobres e rejeitados restos pelo bairro até a delegacia. A polícia acabou com a grotesca peregrinação mostrando uma ordem que obrigava a zeladora do estúdio a receber a defunta. E ali ficou abandonado o corpo de Jeanne.
Uma amiga de Jeanne da École des Arts Décoratifs e da Academia Colarossi, Chantal Quenneville, e Jeanne Léger, esposa do pintor Fernand Léger foram até ao ateliê. A visão da jovem dotada de tão incondicional amor por Amadeo transtornou-as. Léger foi buscar uma enfermeira para limpar e vestir o corpo.
O enterro de Modigliani, no dia 27 de janeiro de 1920, foi um estrondoso acontecimento público, onde a essa alturas suas obras já haviam experimentado uma vertiginosa valorização, do nada à glória. O corpo de Jeanne Hébuterne foi sepultado no mesmo dia, às escondidas e em penosa solidão, pelos pais, no cemitério de Bagneux. A sua filha foi criada pelas irmãs de Modigliani, e cresceu sem saber o que ocorrera com os pais. Apenas nove anos depois, o irmão mais velho de Modigliani conseguiu convencer a família Hébuterne a trasladar os restos mortais de Jeanne e do seu filho que não nasceu para o cemitério do Père Lachaise, onde, transfigurados pela imaginação e pela lenda, descansam enfim juntos.
Os trabalhos de Jeanne foram guardados pelo seu irmão André, a sete chaves, e apenas em 2000 foram mostrados em público, numa exposição na Itália, com uma sala reservada apenas para obras do casal.
      
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/75/Jeanne_H%C3%A9buterne_-_Autoportrait.jpg
Autorretrato
          

sábado, janeiro 24, 2026

Churchill morreu há 61 anos...

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Sir Winston Leonard Spencer-Churchill (Woodstock, 30 de novembro de 1874 - Londres, 24 de janeiro de 1965) foi um político conservador e estadista britânico, famoso principalmente por sua atuação como primeiro-ministro do Reino Unido durante a Segunda Guerra Mundial. Ele foi primeiro-ministro britânico por duas vezes (1940-45 e 1951-55). Orador e estadista notável, também foi oficial no Exército Britânico, historiador, escritor e artista. Ele é o único primeiro-ministro britânico a ter recebido o Prémio Nobel de Literatura e a cidadania honorária dos Estados Unidos.
Durante sua carreira no exército, Churchill pode assistir à ação militar na Índia britânica, no Sudão e na Segunda Guerra dos Bôeres (1899-1902). Ganhou fama e notoriedade como correspondente de guerra através dos livros que escreveu descrevendo as campanhas militares. Ele serviu brevemente no Exército britânico na Frente Ocidental, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), comandando o 6º Batalhão dos Fuzileiros Reais Escoceses.
Churchill nasceu numa família da nobreza britânica, da família do duque de Marlborough. O seu pai, Lorde Randolph Churchill, foi um carismático político, tendo servido como ministro da Fazenda do Reino Unido. Antes de alcançar o cargo de primeiro-ministro britânico, Churchill esteve em cargos proeminentes na política do Reino Unido durante quatro décadas. Foram notáveis a sua eleição para o parlamento em 1900, a sua ascensão a secretário para os Assuntos Internos em 1910 e a sua ida para o Ministério da Fazenda do Reino Unido, entre 1924 e 1929. Em 2002 foi eleito pela BBC o maior britânico de todos os tempos.
     
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/f/fc/Coat_of_Arms_of_Winston_Churchill.svg/640px-Coat_of_Arms_of_Winston_Churchill.svg.png
Brasão de Winston Spencer-Churchill
         

Modigliani morreu há 106 anos...

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/2/2a/Amedeo-modigliani-at-his-arrival-in-paris-1906-characteristic-red-scarf.jpg/640px-Amedeo-modigliani-at-his-arrival-in-paris-1906-characteristic-red-scarf.jpg

    
Amedeo Clemente Modigliani (Livorno, 12 de julho de 1884 - Paris, 24 de janeiro de 1920) foi um artista plástico e escultor italiano que viveu em Paris.
Artista principalmente figurativo, tornou-se célebre sobretudo pelos seus retratos femininos caracterizados por rostos e pescoços alongados, à maneira das máscaras africanas.
Morreu aos trinta e cinco anos, em condições de extrema pobreza material, vítima de meningite tuberculosa, agravada pelo excesso de trabalho, álcool e drogas.
   
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/12/Amedeo_Modigliani_-_Nu_Couch%C3%A9_au_coussin_Bleu.jpg
Nu Couché au coussin Bleu
  
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/23/Modis2.jpg
Cabeça de mulher, 1911/1912
       

sexta-feira, janeiro 23, 2026

Édouard Manet nasceu há 194 anos

    
Édouard Manet (Paris, 23 de janeiro de 1832 - Paris, 30 de abril de 1883) foi um pintor e artista gráfico francês e uma das figuras mais importantes da arte do século XIX.
Os gostos de Manet não vão para os tons fortes utilizados na nova estética impressionista. Prefere os jogos de luz e de sombra, restituindo ao nu a sua crueza e a sua verdade, muito diferente dos nus adocicados da época. O trabalhado das texturas é apenas sugerido, as formas, simplificadas. Os temas deixaram de ser impessoais ou alegóricos, passando a traduzir a vida da época, e, em certos quadros, seguiam a estética naturalista de Zola e Maupassant.
Manet era criticado não apenas pelos temas, mas também pela sua técnica, que escapava às convenções académicas. Frequentemente inspirado pelos mestres clássicos e em particular pelos espanhóis do Século de Ouro, Manet influenciou, entretanto, certos precursores do impressionismo, em virtude da pureza de sua abordagem. A esta sua libertação das associações literárias tradicionais, cómicas ou moralistas, com a pintura, deve o facto de ser considerado um dos fundadores da arte moderna. As suas principais obras foram: Almoço na relva ou Almoço no Campo, Olímpia, A sacada, O tocador de pífaro e A execução de Maximiliano.
 
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Retrato do Senhor e Senhora Auguste Manet

 

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/40/Edouard_Manet_022.jpg/708px-Edouard_Manet_022.jpg
 A execução de Maximiliano - 1867
      
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Olympia
     
  in Wikipédia

Munch morreu há oitenta e dois anos...

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/67/Edvard_Munch_1921.jpg

   
Edvard Munch (Løten, 12 de dezembro de 1863 - Ekely, 23 de janeiro de 1944) foi um pintor norueguês, um dos precursores do expressionismo alemão.

    
Curiosidades
  • Depois da Revolução Cultural Chinesa, Munch foi o primeiro artista ocidental cujas obras foram exibidas na Galeria Nacional de Pequim.
  • Alguns historiadores de arte consideram que o tom avermelhado de fundo no quadro O Grito, reflete o efeito na atmosfera, ao entardecer, da erupção do vulcão indonésio Krakatoa, em 1883.
  • O quadro O Grito foi roubado diversas vezes. Em 31 de agosto de 2006 a polícia norueguesa anunciou a sua recuperação, em boas condições.

  

O Grito (1893)
     
in Wikipédia

Gustave Doré morreu há cento e quarenta e três anos...

   
Paul Gustave Doré (Estrasburgo, 6 de janeiro de 1832 - Paris, 23 de janeiro de 1883) foi um pintor, desenhador e o mais produtivo e bem-sucedido ilustrador francês de livros do século XIX. O seu estilo caracterizava-se por uma inclinação para a fantasia, mas também produziu trabalhos mais sóbrios, como os notáveis estudos sobre as áreas pobres de Londres, realizados entre 1869 e 1871.
 
 
D. Quixote e Sancho Pança
  

Rafael Bordalo Pinheiro morreu há cento e vinte e um anos...

        
Rafael Augusto Prostes Bordalo Pinheiro (Lisboa, 21 de março de 1846 - Lisboa, 23 de janeiro de 1905) foi um artista português, de obra vasta dispersa por largas dezenas de livros e publicações, precursor do cartaz artístico em Portugal, desenhador, aguarelista, ilustrador, decorador, caricaturista político e social, jornalista, ceramista e professor. O seu nome está intimamente ligado à caricatura portuguesa, à qual deu um grande impulso, imprimindo-lhe um estilo próprio que a levou a uma qualidade nunca antes atingida. É o autor da representação popular do Zé Povinho, que se veio a tornar num símbolo do povo português. Entre seus irmãos estava o pintor Columbano Bordalo Pinheiro.
O Museu Rafael Bordalo Pinheiro, em Lisboa reúne parte significativa da sua obra.
Nascido Rafael Augusto Prostes Bordalo Pinheiro, filho de Manuel Maria Bordalo Pinheiro (1815-1880) e D. Maria Augusta do Ó Carvalho Prostes, em família de artistas, cedo ganhou o gosto pelas artes. Em 1860 inscreveu-se no Conservatório e posteriormente matriculou-se sucessivamente na Academia de Belas Artes (desenho de arquitetura civil, desenho antigo e modelo vivo), no Curso Superior de Letras e na Escola de Arte Dramática, para logo de seguida desistir. Estreou-se no Teatro Garrett embora nunca tenha vindo a fazer carreira como ator.
Em 1863, o pai arranjou-lhe um lugar na Câmara dos Pares, onde acabou por descobrir a sua verdadeira vocação, motivado pelas intrigas políticas dos bastidores.
Desposou Elvira Ferreira de Almeida em 1866 e no ano seguinte nasceu o seu filho Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro.
Começou por tentar ganhar a vida como artista plástico com composições realistas, apresentando pela primeira vez trabalhos seus em 1868, na exposição promovida pela Sociedade Promotora de Belas-Artes, onde apresentou oito aguarelas inspiradas nos costumes e tipos populares, com preferência pelos campinos de trajes vistosos. Em 1871 recebeu um prémio na Exposição Internacional de Madrid. Paralelamente foi desenvolvendo a sua faceta de caricaturista, ilustrador e decorador.
Em 1875 criou a figura do Zé Povinho, publicada n'A Lanterna Mágica. Nesse mesmo ano, partiu para o Brasil onde colaborou em alguns jornais e enviava a sua colaboração para Lisboa, voltando a Portugal em 1879, tendo lançado O António Maria (1879-1899).
Experimentou trabalhar o barro em 1885 e começou a produção de louça artística na Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha.
Faleceu a 23 de janeiro de 1905, em Lisboa, no nº 28 da rua da Abegoaria (atual Largo Raphael Bordallo-Pinheiro), no Chiado, freguesia do Sacramento, em Lisboa. Teve funeral católico, no qual participaram várias dezenas de pessoas, incluindo políticos de destaque. Destacou-se a oração fúnebre do jovem médico António José de Almeida. Segundo José-Augusto França foi esta até então a maior consagração pública prestada a um artista plástico em Portugal.
     
   
Imagem em barro do Zé Povinho
          

Salvador Dalí morreu há trinta e sete anos...

     
Salvador Domingo Felipe Jacinto Dali i Domènech, 1º Marquês de Dalí de Púbol (Figueres, 11 de maio de 1904 - Figueres, 23 de janeiro de 1989), conhecido apenas como Salvador Dalí, foi um importante pintor catalão, conhecido pelo seu trabalho surrealista. O trabalho de Dalí chama a atenção pela incrível combinação de imagens bizarras, oníricas, com excelente qualidade plástica. Dalí foi influenciado pelos mestres do Renascimento. O seu trabalho mais conhecido, A Persistência da Memória, foi concluído em 1931. Salvador Dalí teve também trabalhos artísticos no cinema, escultura, e fotografia. Ele colaborou com a Disney no curta de animação Destino, que foi lançado postumamente, em 2003, e, ao lado de Alfred Hitchcock, no filme Spellbound. Também foi autor de poemas dentro da mesma linha surrealista.
Dalí insistiu na sua "linhagem árabe", alegando que os seus antepassados eram descendentes de mouros que ocuparam o sul da Espanha durante quase 800 anos (711 a 1492), e atribui a isso o seu amor de tudo o que é excessivo e dourado, sua paixão pelo luxo e seu amor oriental por roupas. Tinha uma reconhecida tendência a atitudes e realizações extravagantes destinadas a chamar a atenção, o que por vezes aborrecia aqueles que apreciavam a sua arte, ao mesmo tempo que incomodava os seus críticos, já que sua forma de estar teatral e excêntrica tendia a eclipsar o seu trabalho artístico.
   
Biografia
Salvador Domingo Felipe Jacinto Dalí i Domènech nasceu às 08.45 horas de 11 de maio de 1904, no número vinte da carrer (rua) Monturiol da vila de Figueres, na Catalunha, em Espanha. O seu irmão mais velho, também chamado Salvador (nascido a 12 de outubro de 1901), morreu de gastroenterite, nove meses antes, em 1 de agosto de 1903. O seu pai, Salvador Dalí i Cusí, era um advogado de classe-média, figura popular da cidade e senhor de um caráter irascível e dominador; a sua mãe, Felipa Domenech Ferrés, sempre incentivou os esforços artísticos do filho. Dalí também teve uma irmã, Ana Maria, que era três anos mais nova. Em 1949, ela publicou um livro sobre o seu irmão, "Dalí visto pela sua irmã".
Dalí frequentou a Escola de Desenho Federal, onde iniciou a sua educação artística formal. Em 1916, durante umas férias de verão em Cadaquès, passadas com a família de Ramón Pichot, descobriu a pintura impressionista. Pichot era um artista local que fazia viagens frequentes a Paris. No ano seguinte, o pai de Dalí organizou uma exposição dos desenhos a carvão do filho na sua casa de família. A sua primeira exposição pública ocorreu no Teatro Municipal em Figueres em 1919.
Em fevereiro de 1921 a sua mãe morreu, de cancro da mama. Dalí, então com dezasseis anos de idade, disse depois da morte da sua mãe: "Foi o maior golpe que eu havia experimentado em minha vida. Eu adorava-a… eu não podia resignar-me a perda de um ser com quem eu contei para tornar invisíveis as inevitáveis manchas da minha alma". Após a morte de Felipa Domenech Ferrés, o pai de Dalí casou-se com a irmã da falecida esposa. Dalí não se ressentiu com este casamento, como alguns pensaram, pois tinha um grande amor e respeito pela sua tia. 
     
Aprendizagem - Madrid e Paris
Em outubro de 1921, Dalí foi viver para Madrid, onde estudou na Academia de Artes de San Fernando. Já então Dalí chamava a atenção nas ruas com um excêntrico cabelo comprido, um grande laço ao pescoço, calças até ao joelho, meias altas e casacos compridos. O que lhe granjeou maior atenção por parte dos colegas foram os quadros onde fez experiências com o cubismo (embora na época destes primeiros trabalhos ele provavelmente não compreendesse por completo o movimento cubista, dado que tudo o que sabia dessa arte provinha de alguns artigos de revistas e de um catálogo que Ramon Pichot lhe oferecera, visto não haver artistas cubistas, neste tempo, em Madrid).
Fez também experiências com o Dadaísmo, que provavelmente influenciou todo o seu trabalho. Nesta altura, tornou-se amigo íntimo do poeta Federico García Lorca e de Luis Buñuel. Dalí foi expulso da Academia em 1926, pouco tempo depois dos exames finais, em que declarou que ninguém na Academia era suficientemente competente para o avaliar. O seu domínio de competências na pintura está bem documentado, nesse tempo, na sua impecável e realista pintura "Cesto de Pão", de 1926.
Em 1924 o ainda desconhecido Salvador Dalí ilustrava pela primeira vez um livro, o poema"Les bruixes de Llers" ( "As bruxas de Llers") de seu amigo, o poeta e jornalista catalão Carles Fages de Climent.
Nesse mesmo ano fez a sua primeira viagem a Paris, onde se encontrou com Pablo Picasso, que era admirado pelo jovem Dalí. ("Vim vê-lo antes de ir ao Louvre", disse-lhe Dalí. "Fez você muito bem", respondeu-lhe Picasso.) Picasso já tinha ouvido falar bem de Dalí através de Juan Miró. Nos anos seguintes, Dali realizou uma série de trabalhos fortemente influenciados por Picasso e Miró, enquanto ia desenvolvendo o seu estilo próprio. Algumas tendências no trabalho de Dalí que iriam permanecer ao longo de toda a sua carreira já eram evidentes na década de 1920, principalmente por Raphael, Bronzino, Francisco de Zurbarán, Vermeer, e Velázquez. As exposições dos seus trabalhos em Barcelona despertaram grande atenção e uma mistura de elogios e debates e causando por parte dos críticos. Nesta época, Dalí deixou crescer o bigode, que se tornou emblemático nele, estilo baseado no pintor do século XVII espanhol Diego Velázquez.
Em 1929, colaborou com o cineasta espanhol Luis Buñuel no curta-metragem Un Chien Andalou, e conheceu, em agosto, a sua musa e futura mulher, Gala Éluard (cujo nome verdadeiro é Elena Ivanovna Diakonova, nascida a 7 de setembro de 1894, em Kazan, Tartária, Rússia), uma imigrante russa dez anos mais velha que Dalí, casada na época com o poeta surrealista Paul Éluard. Juntou-se oficialmente ao grupo surrealista no bairro parisiense de Montparnasse (embora o seu trabalho já estivesse a ser influenciado há dois anos pelo surrealismo). Em 1934 Dalí e Gala, que já viviam juntos desde 1929, casaram-se numa cerimónia civil (cerimónia religiosa em 1958).
      
Política e personalidade
A política desempenhou um papel significativo na sua emergência como um artista. Ele foi por vezes retratado como um apoiante do autoritário Francisco Franco. André Breton, líder do movimento surrealista, fez um grande esforço para dissociar o seu nome do surrealismo. A realidade é provavelmente um pouco mais complexa. Em qualquer caso, ele não era um anti-semita, pois era inclusive amigo do famoso arquiteto e designer Paulo László, que era judeu. Ele também tinha grande admiração por Freud (a quem ele conheceu), e Einstein, ambos judeus.
Em sua juventude, Dalí abraçou por um tempo tanto o anarquismo como o comunismo. Em seu livro, Dalí, em 1970, declara-se um anarquista e monárquico. Enquanto na cidade de Nova Iorque em 1942, denunciou o seu colega, o cineasta surrealista Luis Buñuel como ateu e comunista, o que levou Buñuel a ser despedido da sua posição no Museu de Arte Moderna e, posteriormente, constar na lista negra da indústria cinematográfica dos Estados Unidos.
Com a eclosão da Guerra Civil Espanhola, Dalí fugiu e recusou-se a alinhar com qualquer grupo. Após o seu regresso à Catalunha, após a II Guerra Mundial, Dalí tornou-se mais próximo do regime de Francisco Franco. Alguns declararam que Dalí apoiou o regime de Franco, felicitando-o por suas ações, em "limpar a Espanha de forças destrutivas". Dizem que enviou uma mensagem a Franco, "elogiando-lhe por assinar a sentença de morte de presos políticos." Dalí encontrou Franco uma vez mas nem sequer se reuniu pessoalmente com ele para pintar um retrato da sua neta. É impossível determinar se as suas homenagens a Franco foram sinceras ou caprichosas, uma vez que ele também enviou um telegrama louvando o romeno Nicolae Ceauşescu, líder comunista. O jornal diário romeno "Scînteia" publicou-o, sem suspeitar do seu aspeto de troça.
Em 1960, Dalí começou a trabalhar no Teatro-Museum Salvador Dalí, na sua terra natal, em Figueres. Foi o projeto de maior vulto de toda a sua carreira e o principal foco de suas energias até 1974, embora continuasse a fazer acrescentos até meados dos de 1980.
Gala morreu em Port Lligat, na madrugada de 10 de junho de 1982. Desde então, Dalí ficou profundamente deprimido e desorientado, perdendo toda a vontade de viver. Recusava-se a comer, ficando desidratado, teve de ser alimentado por uma sonda nasal. Em 1980, um conjunto de medicamentos não prescritos danificou o seu sistema nervoso, provocando assim um inoportuno fim à sua capacidade artística. Aos 76 anos, Dalí começa a sofrer tremores terríveis ao seu lado direito, causado pela doença de Parkinson.
Mudou-se de Figueres para o castelo em Pubol, que comprara para Gala. Em 1984, deflagrou um incêndio no seu quarto, em circunstâncias pouco claras - talvez tenha sido uma tentativa de suicídio de Dalí, talvez tenha sido uma tentativa de homicídio de um empregado, ou talvez simples negligência do seu pessoal - mas Dalí foi salvo e levado para Figueres, onde um grupo de amigos, patronos e artistas se assegurou de que o pintor vivesse confortavelmente os seus últimos anos no teatro-museu.
Em novembro de 1988 Dalí foi levado ao hospital, com insuficiência cardíaca, e em, 5 de dezembro de 1988, foi visitado pelo Rei Juan Carlos I, que confessou ter sido sempre um devoto de Dalí. Em 23 de janeiro de 1989, morreu, de insuficiência cardíaca, em Figueres, com a idade de 84, sendo sepultado na cripta do seu Teatro-Museu Dalí, em Figueres, do outro lado da rua, na Igreja de Sant Pere, onde ocorreram o seu funeral, primeira comunhão e batismo, a três quarteirões da casa onde nasceu.
    

Brasão do Marquês de Dalí de Púbol
              
          
Cristo de São João da Cruz (1951)
    

A Persistência da Memória