sábado, março 14, 2026
A última Imperatriz do Brasil nasceu há 204 anos...
Postado por Fernando Martins às 02:04 0 comentários
Marcadores: Brasil, Imperatriz, Monarquia
O geólogo Alexander du Toit nasceu há 148 anos

Postado por Fernando Martins às 01:48 0 comentários
Marcadores: Alexander du Toit, Deriva dos Continentes, Gonduana, Laurásia, Wegener
Albert Einstein nasceu há 147 anos
Postado por Fernando Martins às 01:47 0 comentários
Marcadores: Albert Einstein, efeito fotoelétrico, Física, judeus, Prémio Nobel, Teoria da Relatividade, teoria quântica
O Carlos Marques morreu há 143 anos...

Postado por Pedro Luna às 01:43 0 comentários
Marcadores: comunismo, Karl Marx, marxismo, meme, socialismo
Celeste Rodrigues nasceu há cento e três anos...
Maria Celeste Rebordão Rodrigues, celebrizada como Celeste Rodrigues (Alpedrinha, Fundão, 14 de março de 1923 – Lisboa, 1 de agosto de 2018) foi uma fadista portuguesa, irmã mais nova de Amália Rodrigues.
Postado por Fernando Martins às 01:03 0 comentários
Marcadores: Amália Rodrigues, Celeste Rodrigues, Eu dantes cantava, Fado, música
Robert Kildea, dos Belle & Sebastian, faz hoje 54 anos
Bobby Kildea is a musician from Northern Ireland. He currently plays bass and guitar in the Scottish indie pop band Belle & Sebastian, after joining in 2001 to replace departing bassist Stuart David, and had previously been in V-Twin. He is the band's only Northern Irish member and is notable for his laidback demeanor and long hair.
He goes by the nickname "Belfast" in the band, despite being born in nearby Bangor, Northern Ireland.
In December 2008, he toured with The Vaselines during Belle & Sebastian's hiatus, during which Stuart Murdoch was heading his God Help the Girl project.
Bobby features alongside Belle and Sebastian co-star Stevie Jackson on the 2011 album 'Fuerteventura' by Spanish artist Russian Red.
Postado por Fernando Martins às 00:54 0 comentários
Marcadores: Belle and Sebastian, Boy With The Arab Strap, Escócia, Irlanda do Norte, música, pop, pop indie, Robert Kildea
Marcelo Caetano demitiu Spínola e (Costa Gomes...) há cinquenta e dois anos...
Postado por Fernando Martins às 00:52 0 comentários
Marcadores: 25 de Abril, descolonização, Francisco da Costa Gomes, Spínola
Israel invadiu o Líbano há 48 anos
Postado por Fernando Martins às 00:48 0 comentários
Marcadores: Guerra Civil Libanesa, Invasão do Líbano de 1978, Israel, Líbano, OLP, Operação Litani, Síria
Félix Rodríguez de la Fuente morreu há 46 anos - e nasceu há 98 anos...
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Marcadores: Biologia, divulgação científica, El hombre y la Tierra, Espanha, Etologia, Félix Rodríguez de la Fuente, naturalista
O poeta João José Cochofel morreu há quarenta e quatro anos...

João José de Melo Cochofel Aires de Campos (Coimbra, 17 de julho de 1919 – Lisboa, 14 de março de 1982), foi um poeta, ensaísta e crítico literário e musical português.
in Wikipédia
Não desafies
Não desafies
a alegria.
Quando ela chegue
um instante só
não lhe perguntes
porquê?
Estende as mãos ávidas
para o calor
da cinza fria.
João José Cochofel
Postado por Fernando Martins às 00:44 0 comentários
Marcadores: João José Cochofel, neo-realismo, Novo Cancioneiro, poesia
A última Imperatriz da Áustria e Hungria morreu há 37 anos...

Uma católica devota, criou uma grande família sozinha, tendo ficado viúva aos vinte e oito anos, permanecendo fiel à memória de Carlos I no resto da sua vida.
Postado por Fernando Martins às 00:37 0 comentários
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Stephen Hawking morreu há oito anos...
Stephen William Hawking (Oxford, 8 de janeiro de 1942 - Cambridge, 14 de março de 2018) foi um físico teórico e cosmólogo britânico, reconhecido internacionalmente por sua contribuição à ciência, sendo um dos cientistas de mais renome do século. Doutor em cosmologia, foi professor lucasiano emérito na Universidade de Cambridge, um posto que foi ocupado por Isaac Newton, Paul Dirac e Charles Babbage. Era, pouco antes de falecer, diretor de pesquisa do Departamento de Matemática Aplicada e Física Teórica (DAMTP) e fundador do Centro de Cosmologia Teórica (CTC) da Universidade de Cambridge.
Postado por Fernando Martins às 00:08 0 comentários
Marcadores: astronomia, cosmologia, Física, Stephen Hawking
Porque hoje é o Dia Internacional das Borboletas...
Postado por Fernando Martins às 00:00 0 comentários
Marcadores: Biodiversidade, Dia Internacional das Borboletas
sexta-feira, março 13, 2026
Percival Lowell nasceu há cento e setenta e um anos
Percival Lowell (Boston, 13 de março de 1855 - Flagstaff, 13 de novembro de 1916) foi um matemático, autor, empresário e astrónomo amador dos Estados Unidos que alimentou especulações de que existiam canais artificiais em Marte. Fundou o Observatório Lowell em Flagstaff, Arizona, e deu início ao esforço que levou à descoberta de Plutão, 14 anos após a sua morte. A escolha do nome Plutão e do seu símbolo foram parcialmente influenciados pelas suas iniciais, PL.
Biografia
Percival Lowell nasceu no seio da distinta família Lowell de Boston. O seu irmão mais novo Abbott Lawrence Lowell foi presidente da Universidade de Harvard, e a sua irmã Amy Lowell era uma bem conhecida poeta e crítica.
Percival Lowell graduou-se na Universidade Harvard em 1876 com distinção em matemática,
e viajou intensivamente através do Este americano antes de decidir
estudar Marte e astronomia. Estava particularmente interessado nos
supostos canais de Marte, como desenhados por Giovanni Schiaparelli, diretor do Observatório de Milão.
Em 1894 mudou-se para Flagstaff, no estado do Arizona.
A uma altitude superior a 7.000 pés (mais de 2.000 metros de altitude), e com noites com pouca
nebulosidade, era o sítio ideal para observações astronómicas. Nos 15
anos seguintes estudou intensivamente o planeta Marte, fazendo o desenho
intricado das marcas da superfície enquanto as tentava perceber. Lowell
publicou as suas observações em três livros: Mars (1895), Mars and its Canals (1906) e Mars as the Abode of Life (1908). Desse modo apresentava a opinião de que Marte teria tido formas de vida inteligente.
A maior contribuição de Lowell para estudos planetários surgiu
durante os últimos oito anos da sua vida, os quais dedicou ao então
chamado Planeta X, que era a designação para o planeta depois de Neptuno. A investigação prosseguiu durante alguns anos após a sua morte em Flagstaff, ocorrida em 1916; o novo planeta, chamado Plutão, foi descoberto por Clyde Tombaugh em 1930. O símbolo astronómico do planeta é "PL" (♇), escolhido, em parte, para homenagear Lowell. Plutão é agora considerado um planeta anão.
Postado por Fernando Martins às 17:10 0 comentários
Marcadores: astronomia, canais de Marte, Observatório Lowell, Percival Lowell, Plutão
Saudades de Jean Ferrat...
Postado por Pedro Luna às 16:00 0 comentários
Marcadores: Chanson française, França, Jean Ferrat, música, Nuit et brouillard
O poeta Giórgos Seféris nasceu há 126 anos

Giórgos Seféris, em grego: Γιώργος Σεφέρης, (Esmirna, 29 de fevereiro, no calendário juliano, e 13 de março de 1900 no atual calendário gregoriano - Atenas, 20 de setembro de 1971), foi um escritor grego, um dos poetas mais importantes da "geração de 30", que introduziu o Simbolismo na moderna literatura grega, filiado então à tradição intelectualista deste, a de Paul Valéry e Mallarmé.
in Wikipédia
SÃO ASSIM OS TÚMULOS
São assim os túmulos. Cheios de flores, no princípio,
com a chama do pesar acesa por sobre a sua alvura.
E tudo quanto a vida inventa de consolo – as mãos caídas,
a cabeça baixa, a fonte dos lamentos –
acompanha as horas pétreas dos que jazem.
Depois, sob o sol indiferente, os passos vão-se embora
para que cada qual possa viver
a sua própria morte.
São assim os túmulos.
E das sombras da noite, com um sorriso mau,
eis que a velha aparece.
Juntando os dedos, ela apaga a chama
e recolhe as flores para o seu amante.
Giórgos Seféris
Postado por Fernando Martins às 12:06 0 comentários
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Hoje é dia de ouvir música clássica...
Postado por Pedro Luna às 10:08 0 comentários
Marcadores: César Cui, Grupo dos Cinco, Lituânia, música, Ópera, Orientale, romantismo, Rússia
Scatman John nasceu há oitenta e quatro anos...
(...)
Postado por Fernando Martins às 08:40 0 comentários
Marcadores: dance, Eurodance, House, jazz, música, pop, scat rap, Scatman (Ski-Ba-Bop-Ba-Dop-Bop), Scatman John
Neil Sedaka nasceu há 87 anos...
Neil Sedaka nasceu em 1939 no Brooklyn, filho de pai taxista de origem judaica-libanesa e mãe judia de ascendência polaca e russa. Cresceu em Brighton Beach e demonstrou talento musical ainda criança. A sua mãe trabalhou para comprar um piano e ele ganhou uma bolsa para estudar na Juilliard School, com incentivo para seguir carreira na música clássica.
Apesar disso, Sedaka interessou-se por música pop, e a sua mãe passou a apoiá-lo quando ele teve sucesso financeiro com suas composições. Aos 13 anos, conheceu Howard Greenfield, com quem formou uma importante parceria como compositor no Brill Building. Ele estudou na Abraham Lincoln High School e formou-se em 1956, aos 17 anos.
Neil Sedaka fez parcerias com Howard Greenfield para compor muitos de seus sucessos, tanto para si como para outros cantores. A voz de Sedaka é identificada com a de tenor. O seu maior sucesso foi a canção "Oh! Carol", de 1959. Além dessa, outras de suas canções fizeram sucesso entre o final da década de 50 e início da década de 60. "The Diary" (provavelmente de 1958) fez parte da banda sonora da novela Esplendor, da TV Globo. As músicas "Breakin' Up Is Hard To Do" e "Calendar Girl", esta última de 1961 e a primeira de 1962, além de "Laughter in the Rain", são outros sucessos do cantor. Sedaka e Greenfield também escreveram para outros artistas, como Connie Francis e Jimmy Clanton.
Quando o grupo sueco ABBA estava no início de carreira, Sedaka ajudou a fazer a versão em inglês de uma das primeiras canções do grupo nessa língua. A canção é Ring Ring, incluída no álbum de mesmo nome, de 1973.
Em 27 de fevereiro de 2026, Neil Sedaka foi hospitalizado em Los Angeles após ter sofrido uma emergência médica não divulgada. O cantor acabou morrendo no mesmo dia, aos 86 anos.
Postado por Fernando Martins às 08:07 0 comentários
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A Batalha de Dien Bien Phu começou há 72 anos...
Dien Bien Phu é um pequeno planalto no nordeste do Vietname, na província de Lai Chau, no alto Tonkin, na qual se encontra a localidade de Dien Bien Phu. Encontra-se na proximidade das fronteiras da China e do Laos, em plena região tai. Ðiện significa uma administração, Biên um espaço fronteiriço e Phủ un distrito, ou seja, em termos afrancesados, “chef lieu d'administration préfectorale frontalière” (ou, em tradução para português, “sede da circunscrição administrativa fronteiriça”). Em língua tai, a povoação chama-se Muong Tanh. O local apresenta-se como uma grande planície coberta de arrozais e de campos, com a aldeia propriamente dita, e uma ribeira (a Nam Youn) que atravessa a planície. É o único sítio plano em centenas de quilómetros ao redor, inclui um antigo aeródromo construído pelos japoneses durante a Segunda Guerra Mundial.
Postado por Fernando Martins às 07:20 0 comentários
Marcadores: Batalha de Dien Bien Phu, França, Vietcong, Vietminh, Vietname do Norte
Adam Clayton, baixo dos U2, faz hoje 66 anos
Postado por Fernando Martins às 06:06 0 comentários
Marcadores: Adam Clayton, baixo, Irlanda, música, Post-punk, Reino Unido, Rock, Rock alternativo, U2, With Or Without You
Saudades de Chico Science...
Postado por Pedro Luna às 06:00 0 comentários
Marcadores: Brasil, Chico Science, Chico Science e Nação Zumbi, Da Lama Ao Caos, Manguebeat, música, Nação Zumbi, Pós-punk, punk rock
Música para recordar um presidente da Académica precocemente desaparecido...
Postado por Pedro Luna às 04:00 0 comentários
Marcadores: AAC, Académica, Associação Académica de Coimbra, Cesário Silva, Daniel Tadeu, Fado D'Anto, Fado de Coimbra, luto académico, Manuel Marques Ensemble, Universidade de Coimbra
Herschel descobriu o planeta Úrano há 245 anos...!
Sir William Herschel (Hanôver, 15 de novembro de 1738 - Slough, 25 de agosto de 1822) foi um astrónomo inglês nascido na Alemanha. Com o tempo passou a estudar astronomia e ficou famoso pela sua descoberta do planeta Úrano, assim como de duas das suas luas (Titânia e Oberon). Também descobriu duas luas de Saturno e a existência da radiação infravermelha. É também conhecido pelas vinte e quatro sinfonias que compôs. Foi o primeiro presidente da Royal Astronomical Society.

Postado por Fernando Martins às 02:45 0 comentários
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O Czar Alexandre II foi assassinado há 145 anos...
(...)
Após a última tentativa de assassinato em fevereiro de 1880, o conde Loris-Melikov foi nomeado chefe da Comissão Executiva Suprema e recebeu mais poderes para combater os revolucionários. As propostas de Loris-Melikov iriam incluir a criação de uma espécie de parlamento e o imperador pareceu concordar com ele, contudo estes planos nunca foram concretizados.
A 13 de março de 1881, Alexandre foi vitima de uma conspiração para o assassinar em São Petersburgo.
Como se sabia, todos os domingos, durante vários anos, o imperador ia visitar o Mikhailovsky Manège para assistir à chamada militar. Viajava para e regressava do Manège numa carruagem fechada acompanhada de seis cossacos e mais um sentado ao lado do cocheiro. A carruagem do imperador era seguida por dois trenós que levavam, entre outros, o chefe da polícia e o chefe dos guardas do imperador. A viagem, como sempre, fez-se pelo Canal de Catarina e por cima da Ponte Pevchesky. A estrada era apertada e tinha passeios para os peões de ambos os lados. Um jovem membro da Vontade do Povo, Nikolai Rysakov carregava uma pequena embalagem branca embrulhada num lenço de pano.
| “ | Após um momento de hesitação, atirei a bomba. Atirei-a para debaixo dos cascos dos cavalos pensando que iria explodir debaixo da carruagem (...) A explosão atirou-me contra a cerca. | ” |
| “ | Fiquei surdo após a segunda explosão, queimado, ferido e fui atirado para o chão. De repente, por entre o fumo e o nevoeiro da neve, ouvi a voz de Sua Majestade a gritar: 'Ajuda!' Juntando todas as forças que tinha, levantei-me e corri até ao imperador. Sua Majestade estava meio deitado, meio sentado, apoiado no seu braço direito. Pensando que ele estava apenas gravemente ferido, tentou levantá-lo, mas as pernas do czar estavam destruídas e o sangue escorria delas. Vinte pessoas, feridas de várias maneiras, estavam estendidas no passeio e na rua. Algumas conseguiam levantar-se, outras rastejavam, outras ainda tentavam sair debaixo de corpos que tinham caído em cima delas. Espalhados pela neve estavam detritos e sangue e podiam ver-se fragmentos de roupas, dragonas, sabres e pedaços sangrentos de carne humana. | ” |
Postado por Fernando Martins às 01:45 0 comentários
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Foi há treze anos: Annuntio vobis gaudium magnum: Habemus Papam!
Papa Francisco e D. Cláudio Hummes na varanda central da basílica de S. Pedro
O filme da eleição do papa Francisco contado pelo cardeal que lhe pediu para não se esquecer dos pobres
«Estava sentado ao lado dele, ele estava à minha direita e nós trocávamos algumas pequenas meditações, em voz baixa, ao ouvido…»
Começa assim, como um filme gravado em direto, a narração de outro protagonista que elegeu o primeiro papa latino-americano da história, um cardeal também dessa lado do mundo, Claudio Hummes, arcebispo emérito da maior diocese do Brasil, S. Paulo.
Um ao lado do outro, como acontecia há muito tempo, no conclave de 2005, nos sínodos da última década, nas liturgias solenes, juntos por causa daquele critério iniludível que é a idade.
«Os votos convergiam nele: estava a interiorizar muito naquele momento, silencioso. Comentei com ele a possibilidade de poder alcançar o número necessário para se tornar papa. Quando as coisas começaram a estar um pouco mais perigosas para ele, confortei-o. Depois houve o voto definitivo, e houve um grande aplauso. A contagem prosseguiu até ao fim, mas eu abracei-o e beijei-o logo. E disse-lhe aquela frase: “Não te esqueças dos pobres”.»
«Não tinha preparado nada, mas naquele momento veio do meu coração, com força, dizer-lhe isso, sem me dar conta de ser a boca através da qual falava o Espírito Santo. Ele disse que aquelas palavras lhe tinham com força, que foi naquele momento que pensou nos pobres e lhe veio à ideia o nome de S. Francisco.»
Tudo em poucos minutos, uma sucessão de instantes que D. Cláudio Hummes decompõe instante por instante.
«Foi interpelado, foi-lhe pedido se aceitava e com que nome desejava ser chamado. O nome que pronunciou, Francisco, foi uma enorme surpresa para todos. Quem teria imaginado que um papa poderia chamar-se Francisco! Porque é uma figura exigente, e ele escolheu-a com coração feliz e leve.»
«Identificou-se logo, percebeu que este nome significava também um programa de Igreja. Até porque em S. Damião, S. Francisco ouviu a palavra do crucifixo: vai e repara a minha igreja, que está em ruína. São coisas fortes e ele teve esta coragem. Estava sereno, muito sereno, todos estávamos espantados pela sua serenidade e espontaneidade, e estava muito concentrado.»
D. Cláudio Hummes não precisa que lhe façam perguntas: a sequência dos acontecimentos desenrola-se diante dos seus olhos e as palavras acorrem aos seus lábios naturalmente e em bom italiano.
«Foi paramentar-se como papa na antiga sacristia da Capela Sistina e ali começou a distender-se; realizou desde logo gestos significativos: não colocou o manto mais solene, não quis a cruz de ouro. Também não calçou os sapatos vermelhos, ficou com os seus; quanto à estola, disse que só queria usá-la para a bênção [na varanda central da Basílica de S. Pedro].»
Regressou à capela [Sistina] assim, despojado, vestido com simplicidade, com os sapatos pretos com que tinha chegado de Buenos Aires. Havia lá um trono onde devia sentar-se para a saudação, como prevê o cerimonial; mas ficou de pé, abraçou os cardeais, um a um, com uma espontaneidade maravilhosa. Era já Francisco que agia.»
Por um momento D. Cláudio Hummes concede-se um parêntesis:
«A coisa mais extraordinária é que os cardeais do primeiro mundo confiaram-se a um latino-americano. Conduzir a Igreja universal! Um latino-americano! Que fará com a Igreja? Pensa-se assim, é natural para um europeu pensar assim. Sabemos que nos amam, nos respeitam, no fundo somos filhos da Igreja da Europa. Mas somos uma Igreja jovem. Então confia-se a um europeu. Ficamos todos mais seguros. E foi sempre assim… se correu bem até agora… então é melhor continuar assim.
«Mas estas seguranças em que nos apoiamos matam o dinamismo do renovamento, de reforma, missionário da Igreja. O Espírito Santo trabalhou os corações dos cardeais para se confiarem assim.»
Hummes retoma a narração:
«Canta-se um “Te Deum” em gregoriano enquanto se forma a procissão para a varanda sobre a praça [de S. Pedro]. Já tinha chamado o cardeal Vallini, o seu vigário para Roma; olhou para mim e disse-me: “Vem, quero que estejas comigo neste momento”. Eu fui. Não estava tenso, era espontâneo, uma coisa extraordinária! Permanecia o homem gentil, simples de todos os dias.»
«Disse-nos para ir com ele à capela para uma oração antes de chegar à praça. Entre a Capela Sistina e a varanda está a Capela Paulina, onde celebrámos missa algumas vezes durante o conclave. Quis ir lá, e enquanto se formava a procissão dos cardeais rezou-se durante alguns minutos. Depois fomos para a praça.»
«Tinha acabado de chover, as pessoas tinham fechado os chapéus-de-chuva. Mas dali, da varanda, talvez por causa das luzes das televisões, não se viam bem as pessoas. Durante algum tempo não disse nada. Muitos se perguntaram porque ficou em silêncio com os braços estendidos ao longo do corpo. Simples: porque no adro havia uma banda que tocava com intensidade; não era possível falar até que parassem, e ele esperou que terminasse a música.»
«Depois saudou com um braço: “Buona sera”. A praça explodiu. Estava muito sereno. Apresentou-se como o bispo de Roma, falou como bispo de Roma; sabia que como bispo de Roma e o papa, mas nunca usou a palavra “papa” em nenhum momento. Também disse: “O meu antecessor, o bispo emérito de Roma Bento XVI”. Todos perceberam que ele abria já grandes portas.»
Postado por Fernando Martins às 01:30 0 comentários
Marcadores: Cláudio Hummes, Igreja Católica, jesuítas, música, Papa, Papa Francisco, Vaticano




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