quinta-feira, março 12, 2026

O livro Os Lusíadas foi publicado há 454 anos

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A obra é composta por dez cantos, 1.102 estrofes e 8.816 versos em oitavas decassilábicas, sujeitas ao esquema rímico fixo AB AB AB CC – oitava rima real, ou camoniana. A ação central é a descoberta do caminho marítimo para a Índia por Vasco da Gama, à volta da qual se vão evocando outros episódios da história de Portugal, glorificado o povo português.

Considerada a obra mais importante da literatura de língua portuguesa, é frequentemente comparada à Eneida de Virgílio (séc. I a.C.).

Escrito à moda homérica, Os Lusíadas é muitas vezes considerado como o épico nacional de Portugal, tanto quanto a Eneida de Virgílio foi para os antigos romanos, ou a Ilíada e a Odisseia de Homero para os antigos gregos.

   

(...) 

     

A estrutura externa refere-se à análise formal do poema: número de estrofes, número de versos por estrofe, número de sílabas métricas, tipos de rimas, ritmo, figuras de estilo, etc. Assim:

  • Os Lusíadas é constituído por dez partes, chamadas de cantos na lírica;
  • cada canto tem um número variável de estrofes (em média, 110);
  • as estâncias são oitavas, tendo portanto oito versos; a rima é cruzada nos seis primeiros versos e emparelhada nos dois últimos (AB AB AB CC, ver na citação ao lado);
  • cada verso é constituído por dez sílabas métricas (decassilábico), na sua maioria heroicas (acentuadas nas sextas e décimas sílabas).

Sendo Os Lusíadas um texto renascentista, não poderia deixar de seguir a estética grega que dava particular importância ao número de ouro. Assim, o clímax da narrativa, a chegada à Índia, foi colocada no ponto que divide a obra na proporção áurea (início do Canto VII).

A estrutura interna relaciona-se com o conteúdo do texto. Esta obra mostra ser uma epopeia clássica ao dividir-se em quatro partes:

Por fim, há um epílogo a concluir a obra (estrofes 145 a 156 do Canto X). 

Os planos temáticos da obra são:

Ao longo da narração deparam-se-nos vários tipos de episódios: bélicos, mitológicos, históricos, simbólicos, líricos e naturalistas

 

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Camões Lendo «Os Lusíadas» aos Frades de São Domingos (1929), de António Carneiro

in Wikipédia 

 

As armas e os barões assinalados,
Que da ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca de antes navegados,
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;

 

 in Os Lusíadas (1572) - Luís de Camões

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