O Curso de Geologia de 85/90 da Universidade de Coimbra escolheu o nome de Geopedrados quando participou na Queima das Fitas.
Ficou a designação, ficaram muitas pessoas com e sobre a capa intemporal deste nome, agora com oportunidade de partilhar as suas ideias, informações e materiais sobre Geologia, Paleontologia, Mineralogia, Vulcanologia/Sismologia, Ambiente, Energia, Biologia, Astronomia, Ensino, Fotografia, Humor, Música, Cultura, Coimbra e AAC, para fins de ensino e educação.
Papa Francisco e D. Cláudio Hummes na varanda central da basílica de S. Pedro
O filme da eleição do papa Francisco contado pelo cardeal que lhe pediu para não se esquecer dos pobres
«Estava sentado ao lado dele, ele estava à minha
direita e nós trocávamos algumas pequenas meditações, em voz baixa, ao
ouvido…»
Começa assim, como um filme gravado em direto, a
narração de outro protagonista que elegeu o primeiro papa
latino-americano da história, um cardeal também dessa lado do mundo,
Claudio Hummes, arcebispo emérito da maior diocese do Brasil, S. Paulo.
Um ao lado do outro, como acontecia há muito tempo, no
conclave de 2005, nos sínodos da última década, nas liturgias solenes,
juntos por causa daquele critério iniludível que é a idade.
«Os votos convergiam nele: estava a interiorizar muito
naquele momento, silencioso. Comentei com ele a possibilidade de poder
alcançar o número necessário para se tornar papa. Quando as coisas
começaram a estar um pouco mais perigosas para ele, confortei-o. Depois
houve o voto definitivo, e houve um grande aplauso. A contagem
prosseguiu até ao fim, mas eu abracei-o e beijei-o logo. E disse-lhe
aquela frase: “Não te esqueças dos pobres”.»
«Não tinha preparado nada, mas naquele momento veio do
meu coração, com força, dizer-lhe isso, sem me dar conta de ser a boca
através da qual falava o Espírito Santo. Ele disse que aquelas palavras
lhe tinham com força, que foi naquele momento que pensou nos pobres e
lhe veio à ideia o nome de S. Francisco.»
Tudo em poucos minutos, uma sucessão de instantes que D. Cláudio Hummes decompõe instante por instante.
«Foi interpelado, foi-lhe pedido se aceitava e com que
nome desejava ser chamado. O nome que pronunciou, Francisco, foi uma
enorme surpresa para todos. Quem teria imaginado que um papa poderia
chamar-se Francisco! Porque é uma figura exigente, e ele escolheu-a com
coração feliz e leve.»
«Identificou-se logo, percebeu que este nome
significava também um programa de Igreja. Até porque em S. Damião, S.
Francisco ouviu a palavra do crucifixo: vai e repara a minha igreja,
que está em ruína. São coisas fortes e ele teve esta coragem. Estava
sereno, muito sereno, todos estávamos espantados pela sua serenidade e
espontaneidade, e estava muito concentrado.»
D. Cláudio Hummes não precisa que lhe façam perguntas: a
sequência dos acontecimentos desenrola-se diante dos seus olhos e as
palavras acorrem aos seus lábios naturalmente e em bom italiano.
«Foi paramentar-se como papa na antiga sacristia da
Capela Sistina e ali começou a distender-se; realizou desde logo gestos
significativos: não colocou o manto mais solene, não quis a cruz de
ouro. Também não calçou os sapatos vermelhos, ficou com os seus; quanto
à estola, disse que só queria usá-la para a bênção [na varanda central
da Basílica de S. Pedro].»
Regressou à capela [Sistina] assim, despojado, vestido
com simplicidade, com os sapatos pretos com que tinha chegado de Buenos
Aires. Havia lá um trono onde devia sentar-se para a saudação, como
prevê o cerimonial; mas ficou de pé, abraçou os cardeais, um a um, com
uma espontaneidade maravilhosa. Era já Francisco que agia.»
Por um momento D. Cláudio Hummes concede-se um parêntesis:
«A coisa mais extraordinária é que os cardeais do
primeiro mundo confiaram-se a um latino-americano. Conduzir a Igreja
universal! Um latino-americano! Que fará com a Igreja? Pensa-se assim, é
natural para um europeu pensar assim. Sabemos que nos amam, nos
respeitam, no fundo somos filhos da Igreja da Europa. Mas somos uma
Igreja jovem. Então confia-se a um europeu. Ficamos todos mais seguros.
E foi sempre assim… se correu bem até agora… então é melhor continuar
assim.
«Mas estas seguranças em que nos apoiamos matam o
dinamismo do renovamento, de reforma, missionário da Igreja. O Espírito
Santo trabalhou os corações dos cardeais para se confiarem assim.»
Hummes retoma a narração:
«Canta-se um “Te Deum” em gregoriano enquanto se forma a
procissão para a varanda sobre a praça [de S. Pedro]. Já tinha chamado
o cardeal Vallini, o seu vigário para Roma; olhou para mim e disse-me:
“Vem, quero que estejas comigo neste momento”. Eu fui. Não estava
tenso, era espontâneo, uma coisa extraordinária! Permanecia o homem
gentil, simples de todos os dias.»
«Disse-nos para ir com ele à capela para uma oração
antes de chegar à praça. Entre a Capela Sistina e a varanda está a
Capela Paulina, onde celebrámos missa algumas vezes durante o conclave.
Quis ir lá, e enquanto se formava a procissão dos cardeais rezou-se
durante alguns minutos. Depois fomos para a praça.»
«Tinha acabado de chover, as pessoas tinham fechado os
chapéus-de-chuva. Mas dali, da varanda, talvez por causa das luzes das
televisões, não se viam bem as pessoas. Durante algum tempo não disse
nada. Muitos se perguntaram porque ficou em silêncio com os braços
estendidos ao longo do corpo. Simples: porque no adro havia uma banda
que tocava com intensidade; não era possível falar até que parassem, e
ele esperou que terminasse a música.»
«Depois saudou com um braço: “Buona sera”. A praça
explodiu. Estava muito sereno. Apresentou-se como o bispo de Roma,
falou como bispo de Roma; sabia que como bispo de Roma e o papa, mas
nunca usou a palavra “papa” em nenhum momento. Também disse: “O meu
antecessor, o bispo emérito de Roma Bento XVI”. Todos perceberam que
ele abria já grandes portas.»
Ao longo de sua vida pública, o Papa Francisco destacou-se por sua humildade, preocupação com os pobres e compromisso com o diálogo inter-religioso. Francisco teve uma abordagem menos formal ao papado do que seus antecessores, tendo escolhido residir na casa de hóspedes Domus Sanctae Marthae, em vez de nos aposentos papais do Palácio Apostólico usados por papas anteriores. Ele sustentava que a Igreja deveria ser mais aberta e acolhedora. Ele não apoiava o capitalismo definido "selvagem", o marxismo ou as versões marxistas da teologia da libertação. Francisco manteve as visões tradicionais da Igreja em relação ao aborto, casamento, ordenação de mulheres e celibato clerical. Opunha-se ao consumismo e apoiava a ação sobre as mudanças climáticas, foco de seu papado com a promulgação da encíclica Laudato si'.
As causas da morte de João de Brito devem-se ao facto de um príncipe da
casa real do Maravá querer conhecer a religião cristã, sendo-lhe enviado
um catequista para tal. O príncipe, que entretanto adoeceu, não estava a
conseguir melhorar com os cuidados médicos da corte, e resolveu invocar
o Deus dos cristãos. Acompanhado pelo catequista, foi-lhe lido o
Evangelho de São João. Esta situação terá sido a origem da sua cura.
O príncipe, sensibilizado pela forma como ficou curado, pediu para ser baptizado pelo Padre João de Brito. No entanto, havia o problema de ser polígamo
e, de acordo com a lei da Igreja cristã, tal não era permitido.
Informado, o príncipe aceitou ficar apenas com uma mulher, a primeira,
não descurando as outras a quem prometeu que nada lhes faltaria, e foi
batizado. Porém, a sua mulher mais nova não gostou de ser relevada para
segundo plano, e foi queixar-se ao rei do Maravá, seu tio, e aos
sacerdotes. Estes, que não gostavam do Padre, pediram ao rei que
chamasse o príncipe que, entretanto, se tinha convertido à religião
cristã. Ao saber disto, o rei ficou furioso, mandou destruir tudo o que
fosse dos cristãos, e enviou soldados para prender João de Brito, que se
encontrava em Muni.
A 8 de janeiro de 1693,
João de Brito é preso, e espancado, juntamente com um jovem e um
brâmane cristão. Seguidamente, atado a um cavalo, depois de percorrer um
longo caminho a pé, e de ser insultado pelo povo, chegam à capital a 11
de janeiro e são colocados numa prisão apenas alimentados com uma
pequena refeição de leite por dia. O príncipe tentou interceder a favor
de João de Brito, mas não o conseguiu. É levado para Oriur, onde chegou
no dia 31 de janeiro. A 4 de fevereiro, o rei manda executá-lo, por
decapitação e, posteriormente, foi desmembrado. Depois de saberem da notícia
da sua morte, os Padres dirigiram-se para o local da sua execução para
recolher o restava do seu corpo e demais objetos pessoais, e mesmo a acha onde foi decapitado. Esta foi enviada para Portugal e entregue ao rei D. Pedro II. A notícia do martírio
foi recebida como uma “boa-nova” dado tratar-se de alguém considerado
“santo”. Após a morte de João de Brito, o local onde foi executado
passou a ser um lugar de peregrinação. A notícia da sua morte fez
aumentar o número daqueles que queriam aderir à sua religião na região
de Madurai. Também a notícia de milagres devido ao Padre João de Brito começou a aumentar.
O seu intuito era derrubar as ideias de John Needham,
que, através de suas experiências, havia "comprovado" que a vida poderia
surgir espontaneamente de um caldo nutritivo, colocado em um recipiente
vedado e aquecido até sua fervura. O problema do experimento de Needham
eram os recipientes, que não foram bem vedados, permitindo a entrada de
microorganismos e a contaminação do caldo nutritivo, e uma fervura
branda, que possivelmente não haveria matado todos os microrganismos que
já estavam no caldo nutritivo. Spallanzani mostra que com os
recipientes vedados de outra maneira mais eficiente e realizando a
fervura por mais tempo, a vida não surge espontaneamente.
Porém Needham retorquiu afirmando que com aquela fervura Spallanzani
havia acabado com o ar dos recipientes, impossibilitando o surgimento da
vida. Realmente a experiência acabava com o oxigénio dos frascos. A controvérsia só veio a ser esclarecida mais tarde, com as descobertas de Louis Pasteur.
Além disso, aprofundou os estudos de René-Antoine Reaumur, ao
demonstrar que o suco gástrico era um fator decisivo na digestão.
Obteve suco gástrico fazendo um animal engolir um tubo atado a um fio
para posteriormente o retirar cheio do suco digestivo. Com este suco
realizava experiências sobre a digestão no estômago. Para assegurar as
condições corretas de temperatura, mantinha os tubos de ensaio nas suas
axilas, dispensando assim a necessidade de um termostato (que não
existia na altura). Também fez experiências com animais, fazendo com que
estes engolissem pedaços de carne presos por fios, que depois
recuperava para observar a progressão da digestão, assim como os fazia
engolir objetos metálicos. Também estudou o fenómeno nele próprio,
engolindo, numa das vezes, uma saqueta de tela contendo pão e carne.
Deixou ficar a saqueta durante 2 dias, retirando-a repetidamente para
verificar a evolução da digestão. Concluiu que, ao fim de 18 horas, a
carne era completamente digerida mas o pão ficava intacto.
Uma das mais influentes personagens do século XVII em termos de política e oratória, destacou-se como missionário em terras brasileiras. Nesta qualidade, defendeu infatigavelmente os direitos dos povos indígenas combatendo a sua exploração e escravização e fazendo a sua evangelização. Era por eles chamado de "Paiaçu" (Grande Padre/Pai, em tupi).
António Vieira defendeu também os judeus, a abolição da distinção entre cristãos-novos (judeus convertidos, perseguidos na época pela Inquisição) e cristãos-velhos (os católicos tradicionais) e a abolição da escravatura. Criticou ainda severamente os sacerdotes da sua época e a própria Inquisição.
O missionário português Luís Fróis descreveu o martírio dos cristãos ordenado por Toyotomi Hideyoshi no seu último livro Relacion del martirio de los 26 cristianos crucificados em Nagasaki el Febrero de 1597.
Este foi escrito sob a tremenda impressão do cruel acontecimento,
terminado cinco semanas após as execuções, e quatro meses antes da morte
do autor.
Este acontecimento é hoje lembrado pelo monumento e museu destinados pela cidade de Nagasaki à memória dos mártires.
Os mártires eram compostos por vinte japoneses, cinco espanhóis
(incluindo um de origem mexicana) e um português de origem indiana,
sendo jesuítas, franciscanos e leigos.
São Paulo Miki – nasceu no Japão em 1562; entrou para Sociedade de Jesus em 1580 e foi o primeiro membro japonês dessa ordem religiosa católica, morrendo um ano depois de sua ordenação
A povoação de São Paulo de Piratininga surgiu a 25 de janeiro de 1554, com a construção de um colégio jesuíta por doze padres, entre eles Manuel da Nóbrega e José de Anchieta, no alto de uma colina escarpada, entre os rios Anhangabaú e Tamanduateí. Tal colégio, que funcionava num barracão feito de taipa de pilão, tinha, por finalidade, a catequese dos índios que viviam na região do Planalto de Piratininga, separados do litoral pela Serra do Mar, chamada pelos índios de "Serra de Paranapiacaba".
O nome São Paulo foi escolhido porque o dia da fundação do colégio foi 25 de janeiro, mesmo dia no qual a Igreja Católica celebra a conversão do apóstoloPaulo de Tarso, conforme disse o padre José de Anchieta em carta à Companhia de Jesus.
O Processo dos Távoras refere-se a um escândalo político português do século XVIII. Os acontecimentos foram desencadeados pela tentativa, pensa-se, sem se ter certeza, de assassinato de El-Rei D. José I em 1758, e que culminaram numa execução pública em Belém. Foram espancados e depois queimados D. Francisco de Távora
e os seus dois filhos, José Maria e Luís Bernardo. Brás Romeiro,
grande amigo de Luís Bernardo também não escapou. Também foram logo
presos o Duque de Aveiro, um dos seus criados e um irmão desse criado, e a Marquesa de Távora, D. Leonor, que foi decapitada.
O resto da família Távora, Aveiro, Alorna e Atouguia, entre eles o Bispo-Conde de Coimbra, D. Miguel da Anunciação, foram presos, sendo mais tarde mandados libertar por D. Maria I,
que nunca viu este processo com bom olhos, acreditando na inocência
dos Távoras e restantes acusados, em prol de benefícios obscuros.
Um dos criados do Duque de Aveiro desapareceu depois da guarda ter ido à residência do Duque de Aveiro: diz-se que se desfigurou com óleo de vitríolo e que se tornou mendicante. Foram dadas ordens de captura por toda a Europa, nunca se chegando a encontrar este homem.
Na verdade nunca ficou provado que se tratasse de um atentado contra o
Rei, falou-se e pensa-se que os tiros eram para um tal de Pedro
Teixeira, com o qual o Duque de Aveiro tinha um diferendo, mas também
aqui não há certezas.
No seguimento do terramoto de Lisboa de 1 de novembro de 1755,
que destruiu o palácio real, o rei D. José I vivia num grande complexo
de tendas e barracas instaladas na Ajuda, à saída da cidade. Este era o
centro da vida política e social portuguesa.
Apesar de constituírem acomodações pouco espetaculares, as tendas da
Ajuda eram o centro de uma corte tão glamorosa e rica como a de Versalhes de Luís XV de França. O rei vivia rodeado pela sua equipa administrativa, liderada pelo primeiro-ministro, Sebastião José de Carvalho e Melo, e pelos seus nobres. O primeiro-ministro era um homem severo, filho de um fidalgo de província,
com algum rancor para com a velha nobreza, que o desprezava.
Desavenças entre ele e os nobres eram frequentes e toleradas pelo rei,
que confiava em Sebastião de Melo pela sua liderança competente após o
terramoto.
D. José I era casado com Mariana Vitoria de Borbón,
princesa espanhola, e tinha 4 filhas. Apesar de ter uma vida familiar
alegre (o rei adorava as filhas e apreciava brincar com elas e levá-las
em passeio), D. José I tinha uma amante: Teresa Leonor, mulher de Luís
Bernardo, herdeiro da família Távora.
A marquesa Leonor de Távora e o seu marido Francisco de Assis, conde de Alvor (e antigo vice-rei da Índia), eram as cabeças de uma das famílias mais poderosas do reino, ligadas às casas de Aveiro, Cadaval, São Vicente e de Alorna.
Eram também fortes opositores de Sebastião de Melo. Leonor de Távora
era uma mulher política, preocupada com os negócios do Reino, entregue a
seu ver a um novo-rico sem educação. Ela era também uma devota católica, com forte afiliação aos jesuítas, tendo como confessor um deles, Gabriel Malagrida.
O atentado, investigação, julgamento e execução
Na noite de 3 de setembro de 1758, D. José I seguia incógnito numa carruagem que percorria uma rua secundária nos arredores de Lisboa.
O rei regressava para as tendas da Ajuda de uma noite com a amante.
Pelo caminho, a carruagem foi intercetada por três homens, que
dispararam sobre os ocupantes. D. José I foi ferido num braço, o seu
condutor também ficou ferido gravemente, mas ambos sobreviveram e
regressaram à Ajuda.
Sebastião de Melo tomou o controle imediato da situação. Mantendo em
segredo o ataque e os ferimentos do rei, ele efetuou julgamento rápido.
Poucos dias depois, dois homens foram presos e torturados. Os homens
confessaram a culpa e que tinham tido ordens da família dos Távoras, que
estavam a conspirar pôr o duque de Aveiro, José Mascarenhas, no trono. Ambos foram enforcados no dia seguinte, mesmo antes da tentativa de regicídio
ter sido tornada pública. Nas semanas que se seguem, a marquesa Leonor
de Távora, o seu marido, o conde de Alvor, todos os seus filhos,
filhas e netos foram encarcerados. Os conspiradores, o duque de Aveiro e
os genros dos Távoras, o marquês de Alorna e o conde de Atouguia foram
presos com as suas famílias. Gabriel Malagrida, o jesuíta confessor de Leonor de Távora foi igualmente preso.
Foram todos acusados de alta traição e de regicídio. As provas
apresentadas em tribunal eram simples: a) as confissões dos assassinos
executados, b) a arma do crime pertencia ao duque de Aveiro e c) o facto
de apenas os Távoras poderem ter sabido dos afazeres do rei nessa
noite, uma vez que ele regressava de uma ligação com Teresa de Távora,
presa com os outros. Os Távoras negaram todas as acusações mas foram
condenados à morte. Os seus bens foram confiscados pela coroa, o seu
nome apagado da nobreza e os brasões familiares foram proibidos. A varonia Távora e morgadio foram então transferidos para a casa dos condes de São Vicente.
A sentença ordenou a execução de todos, incluindo mulheres e crianças. Apenas as intervenções da Rainha Mariana e de Maria Francisca, a herdeira do trono, salvaram a maioria deles. A marquesa, porém, não seria poupada. Ela e outros acusados que tinham sido sentenciados à morte foram torturados e executados publicamente em 13 de janeiro de 1759, num descampado, perto de Lisboa, próximo da Torre de Belém.
A execução foi violenta, mesmo para a época, as canas das mãos e dos pés
dos condenados foram partidas com paus e as suas cabeças decapitadas e
depois os restos dos corpos queimados e as cinzas deitadas ao rio Tejo.
O rei esteve presente, juntamente com a sua corte, absolutamente
desnorteada. Os Távoras eram seus semelhantes, mas o rei quis que a
lição fosse aprendida e para que nunca mais a nobreza se rebelasse
contra a autoridade régia.
O palácio do Duque de Aveiro, em Belém, Lisboa foi demolido e o terreno salgado, simbolicamente, para que nunca mais nada ali crescesse. No local, hoje chamado Beco do Chão Salgado,
existe um marco alusivo ao acontecimento mandado erigir por D. José
com uma lápide que pode ser lida. As armas da família Távora foram
picadas e o nome Távora foi mesmo proibido de ser citado.
Gabriel Malagrida foi enforcado e queimado, a 21 de setembro de 1761, e a Companhia de Jesus declarada ilegal. Todos as suas propriedades foram confiscadas e os jesuítas
expulsos do território português, na Europa e no Ultramar. Os restantes membros da família
Alorna e as filhas do Duque de Aveiro foram condenadas a prisão perpétua
em mosteiros e conventos.
Sebastião de Melo foi feito Conde de Oeiras, pelo seu tratamento competente do caso, e posteriormente, em 1770, obteve o título de 1º Marquês de Pombal, o nome pelo qual é mais conhecido hoje.
(...)
Consequências
Culpados ou não, as execuções dos Távoras foram um acontecimento devastador para Portugal. A execução de uma família da primeira nobreza constituiu um choque. A futura rainha Dona Maria I ficou muito afetada pelos eventos.
O desprezo da rainha pelo primeiro-ministro de seu pai foi total. Retirou-lhe todos os poderes e expulsou-o de Lisboa. Foi emitido um decreto proibindo a sua presença a uma distância inferior a 20 milhas da capital.
Do total de mais de 400 pessoas citadas, muitas escaparam e fugiram
para o Brasil, sendo o caso mais conhecido o misterioso Frei Lourenço,
fundador do Convento do Caraça em Minas Gerais.
Mais tarde, depois da governação de "Pombal", o desembargador Frei Dr. José Ricalde Pereira de Castro, tendo sido o relator do Tribunal que fez a revisão deste processo ("dos Távoras"), por sentença de 23 de maio de 1781, pronunciou-se a inocência dos Marqueses de Távora, de seus filhos, do Conde de Atouguia, embora confirmando a culpabilidade do Duque de Aveiro, mas tal sentença nunca foi confirmada pela rainha D. Maria I.
Óscar González-Quevedo BruzónS.J., conhecido como Padre Quevedo(Madrid, 15 de dezembro de 1930 - Belo Horizonte, 9 de janeiro de 2019), foi um padrejesuíta, de origem espanhola, naturalizado brasileiro desde 1960. Foi professor universitário de Parapsicologia na UNISAL e do Centro Latino-Americano de Parapsicologia
(CLAP) até ao ano de 2012, quando se aposentou. No CLAP, onde era
diretor, realizou estudos, difusão e pesquisa no campo da Parapsicologia
e da Psicologia. É considerado um dos maiores expoentes do mundo nessa
área, tendo 5 carreiras académicas: era licenciado em Humanidades
Clássicas, Filosofia e Psicologia na Universidade Pontifícia de Comillas na Espanha; doutor em Teologia formado na Faculdade de Nossa Senhora de Assunção em São Paulo,
além de ter pós-graduação e doutoramento em Parapsicologia.
Pelos seus trabalhos foi distinguido com Diploma de Gratidão e Medalha de
Ouro da cidade de São Paulo, outorgado pela Câmara Municipal, bem como recebeu um Diploma de Honra do IX Congresso Internacional de
Parapsicologia de Milão,
além de ser distinguido especialmente com um voto expresso e unânime de
agradecimento e reconhecimento pelo seu trabalho, pelos participantes
no I Congresso Internacional de Psicotrónica (Parapsicologia aplicada)
realizado em Praga, na República Checa.
Autor de 17 livros, muitos dos quais traduzidos para outras línguas, sendo os mais famosos: A Face Oculta da Mente, As Forças Físicas da Mente e Antes que os Demónios Voltem, seus livros já foram considerados por membros da Society for Psychical Research de Londres e a International Foundation of Parapsychology de Nova York, como a melhor coleção de obras de Parapsicologia do mundo.
Foi também membro de honra do Instituto de Investigações Parapsicológicas de Córdoba, bem como membro de honra de diversas instituições em países como EUA, Espanha, Portugal, Japão, México, Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai, Bolívia, Peru, entre outros. Também deteve o título de "Master Magician" (Metamágico), que lhe fez ser um dos cinco mestres em ilusionismo e magia do mundo.
Com um sotaque carregado e sempre polémico, ficou famoso pela frase: "Isso non ecziste!", renegando posicionamentos supersticiosos de religiosos e ditos paranormais
que afirmavam que podiam realizar milagres através de intervenção do
além, sendo tais práticas consideradas e demonstradas ao longo do tempo
pelo padre como ilusionismo, charlatanismo e curandeirismo. Para Quevedo uma intervenção supranatural do além para o aquém são raríssimas e podem ser realizadas exclusivamente por Deus.
As suas ações de expor fenómenos muitas vezes tidos como
inexplicáveis e desmascarar farsantes renderam-lhe fama, a qual o levou a
inúmeros programas de televisão como Fantástico, Programa do Jô, Programa do Ratinho, Agora é Tarde, SuperPop, Tribuna Independente, Sem Censura, Programa Livre, De Frente com Gabi, O Estranho Mundo de Zé do Caixão, Programa Silvia Poppovic, QG Podcast, entre diversos outros, além de programas da TV argentina, espanhola e portuguesa,
para explicar cientificamente a origem de diversos fenómenos tidos como
sobrenaturais. Demonstrava que na maioria dos casos, os mesmos se
tratavam de truques de ilusionismo ou raramente eventos parapsicológicos
que podiam ser explicados à luz da ciência. O seu sucesso garantiu-lhe uma série na Rede Globo, dentro do programa Fantástico, chamado de "Padre Quevedo - O Caçador de Enigmas" que foi para o ar aos domingos, entre 2 de janeiro e 5 de maio de 2000,
no qual desvendava truques e fenómenos paranormais, refutando o que era
falso e esclarecendo o que era verdadeiro. A audiência do programa
atingia picos de 42 pontos.
Morte
Óscar González-Quevedo Bruzon, aos 88 anos, veio a falecer na madrugada do dia 9 de janeiro de 2019, em Belo Horizonte, MG, por complicações cardíacas. O padre Quevedo morreu na Casa Irmão Luciano Brandão, no Bairro Planalto, na
capital mineira, onde vivem os jesuítas idosos e com problemas de
saúde, onde morava desde 2012. O velório foi realizado no
Ginásio da Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia e foi sepultado no
Cemitério Bosque da Esperança.
São Pedro Canísio foi beatificado pelo Papa Pio IX em 1864 e, posteriormente, canonizado e declarado um Doutor da Igreja (Malleus Hereticus, o "martelo dos hereges") em 21 de maio de 1925 pelo Papa Pio XI. O dia de sua celebração foi incluído no calendário hagiológico em 1926, sendo então escolhida a data de 27 de abril. Em 1969, foi alterada para 21 de dezembro, o aniversário de sua morte e, assim, o dia em que, normalmente, é celebrada a entrada de um santo no céu (die natalis).
Ao longo de sua vida pública, o Papa Francisco destacou-se por sua humildade, preocupação com os pobres e compromisso com o diálogo inter-religioso. Francisco teve uma abordagem menos formal ao papado do que seus antecessores, tendo escolhido residir na casa de hóspedes Domus Sanctae Marthae, em vez de nos aposentos papais do Palácio Apostólico usados por papas anteriores. Ele sustentava que a Igreja deveria ser mais aberta e acolhedora. Ele não apoiava o capitalismo definido "selvagem", o marxismo ou as versões marxistas da teologia da libertação. Francisco manteve as visões tradicionais da Igreja em relação ao aborto, casamento, ordenação de mulheres e celibato clerical. Opunha-se ao consumismo e apoiava a ação sobre as mudanças climáticas, foco de seu papado com a promulgação da encíclica Laudato si'.
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