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terça-feira, outubro 06, 2026

Saudade de Montserrat Caballé...

Montserrat Caballé morreu há oito anos...

  
Maria de Montserrat Viviana Concepción Caballé i Folc
(Barcelona, 12 de abril de 1933 – Barcelona, 6 de outubro de 2018) foi uma famosa cantora lírica catalã, soprano, considerada uma das maiores cantoras líricas de todos os tempos.
  

   

domingo, outubro 04, 2026

Teresa de Ávila morreu há 444 anos...

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Santa Teresa em glória de Pietro Novelli
      
Santa Teresa de Ávila ou Santa Teresa de Jesus (Gotarrendura, 28 de março de 1515 - Alba de Tormes, 4 de outubro de 1582), nascida Teresa Sánchez de Cepeda y Ahumada, foi uma freira carmelita, mística e santa católica do século XVI, importante pelas suas obras sobre a vida contemplativa através da oração mental e pela sua atuação durante a Contra Reforma. Foi também uma das reformadoras da Ordem Carmelita e é considerada co-fundadora da Ordem dos Carmelitas Descalços, juntamente com São João da Cruz.
Em 1622, quarenta anos depois da sua morte, foi canonizada pelo papa Gregório XV. Em 27 de setembro de 1970, Paulo VI proclamou-a Doutora da Igreja. Os seus livros, inclusive uma autobiografia ("A Vida de Teresa de Jesus") e a sua obra prima, "O Castelo Interior" (em espanhol: El Castillo Interior), são parte integral da literatura renascentista espanhola e do corpus do misticismo cristão. As suas práticas meditativas estão detalhadas noutra obra importante, o "Caminho da Perfeição" (Camino de Perfección).
Depois da sua morte, o culto a Santa Teresa espalhou-se pela Espanha, durante a década de 1620, principalmente durante o debate nacional pela escolha dum padroeiro, juntamente com Santiago Matamoros.
    
       
O Êxtase de Santa Teresa, estátua de Bernini na igreja de Santa Maria della Vittoria, em Roma - os profundos êxtases de Santa Teresa são descritos em detalhe nas suas obras e inspiraram outros religiosos como S. João da Cruz


 
SANTA TERESA
   
  
Terra...
Era em Ávila da Ibéria a minha terra...
Terra!
Mas eu não vi a terra que me teve!
Nem lhe dei o calor que um filho deve
A sua Mãe!
Terra!
Nem lhe sabia o nome verdadeiro!
Nem a cor! nem o gosto! nem o cheiro!
Nem calculava o peso que ela tem!

Terra...
Vai-se embaçando o brilho dos meus olhos!
Apodrece o tutano dos meus ossos!
Crescem as unhas doidas nos meus dedos
Contra a palma da mão encarquilhada!
Medra o livor em mim de tal maneira
Que me babo de nojo do meu nada!

Terra!...
E andei eu a morrer a vida inteira!
E andei eu a secar a seiva da raiz
Que do Céu ou do Inferno me prendia
A ti, humana terra de Castela!
Terra!
E andei eu a viver a morte que vivia
Disfarçada em amor na minha cela!

Terra!...
E andei eu a negar o amor do mundo,
Quando de pólo a pólo o meu amor podia
Ser sem limites como a alma quer!...
E ser fecundo como a luz do dia!
E dar um filho, porque eu fui mulher!

Terra!...
E andei eu a legar este legado:
“Vivo morrendo primeiro”,
Derradeiro Castelo a que subi!...
Terra...
E Deus, que prometeu ter-me a seu lado,
Tem-me aqui.
  

  
in Poemas Ibéricos (1965) - Miguel Torga

sábado, outubro 03, 2026

Gerardo Diego nasceu há cento e trinta anos...

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Gerardo Diego Cendoya (Santander, Cantabria, 3 de octubre de 1896 – Madrid, 8 de julio de 1987) fue un poeta y escritor español perteneciente a la llamada Generación del 27.
 
 
https://thumb.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/a9/Monumento_a_Gerardo_Diego.jpg/330px-Monumento_a_Gerardo_Diego.jpg?utm_source=es.wikipedia.org&utm_campaign=imageinfo&utm_content=thumbnail
Monumento en la calle Pío Baroja de Madrid, delante de la Casa de Cantabria 

   

   
  
El ciprés de Silos
A Ángel del Río

Enhiesto surtidor de sombra y sueño
que acongojas el cielo con tu lanza.
Chorro que a las estrellas casi alcanza
devanado a sí mismo en loco empeño.

Mástil de soledad, prodigio isleño,
flecha de fe, saeta de esperanza.
Hoy llegó a ti, riberas del Arlanza,
peregrina al azar, mi alma sin dueño.

Cuando te vi señero, dulce, firme,
qué ansiedades sentí de diluirme
y ascender como tú, vuelto en cristales,
 
como tú, negra torre de arduos filos,
ejemplo de delirios verticales,
mudo ciprés en el fervor de Silos.
  
 

Gerardo Diego

terça-feira, setembro 29, 2026

Miguel de Unamuno nasceu há cento e sessenta e dois anos...

https://thumb.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/1a/Miguel_de_Unamuno_Meurisse_c_1925.JPG/500px-Miguel_de_Unamuno_Meurisse_c_1925.JPG?utm_source=en.wikipedia.org&utm_campaign=imageinfo&utm_content=thumbnail
       

Miguel de Unamuno y Jugo (Bilbau, 29 de setembro de 1864 – Salamanca, 31 de dezembro de 1936) foi um ensaísta, romancista, dramaturgo, poeta e filósofo espanhol. Foi também deputado entre 1931 a 1933 pela região de Salamanca. É o principal representante espanhol do existencialismo cristão, sendo conhecido principalmente por sua obra O sentimento trágico da vida, que lhe valeu a condenação do Santo Ofício. Tendo apoiado inicialmente o franquismo, passaria seus últimos dias de vida em prisão domiciliar.
    
Biografia
Nasceu na Calle Ronda, no bairro de Casco Viejo (Bilbau), sendo o terceiro filho do comerciante Félix de Unamuno Larraza e da sua sobrinha, Salomé Jugo Unamuno. Ao concluir os seus estudos fundamentais, testemunha o assédio da sua cidade durante a Terceira Guerra Carlista, o que se refletirá no seu primeiro romance, Paz na guerra.
É considerado como a figura mais completa da Generación del 98 - um grupo constituído por nomes como Antonio Machado, Azorín, Pío Baroja, Ramón del Valle-Inclán, Ramiro de Maetzu, Angel Ganivet, entre outros.
Estudou na Universidade de Madrid, onde concluiu o curso de Filosofia e Letras em 1883. No ano seguinte, obtém seu doutorado com uma tese sobre a língua basca: Crítica del problema sobre  el origen y prehistoria de la raza vasca, na qual antecipa as suas ideias sobre a origem dos bascos - contrárias àquelas que nos anos seguintes irão alimentar o nacionalismo basco, fundado pelos irmãos Arana Goiri, que defenderão uma "raça basca" (no sentido de etnia), não contaminada por outras.
Em 1891 obteve a cátedra de Grego clássico na Universidade de Salamanca. Em 1900, com apenas 36 anos de idade, é nomeado Reitor, cargo que exerceria por mais duas vezes.
Conhecido também pelos sucessivos ataques à monarquia de Afonso XIII de Espanha, viveu no exílio, de 1926 a 1930, primeiro nas Ilhas Canárias e depois em França, de onde só voltaria depois da queda do general Primo de Rivera. Mais tarde o General Francisco Franco, cujo golpe Unamuno inicialmente apoiara, afastou-o novamente da vida pública, devido a críticas duras feitas pelo filósofo ao General Millán-Astray. Unamuno passaria os seus últimos dias de vida em prisão domiciliar, na cidade de Salamanca.
      

Hoje é dia de recordar Cervantes...

(imagem daqui)


 

Exortação a Sancho

 

Senhor meu, Sancho Pança enlouquecido
Servo vencido
Na terra sonhada
Olha esta Ibéria que te foi roubada,
E que só terá paz quando for tua.

Ergue a fronte dobrada
E começa a façanha prometida!
Cumpre o voto da nova arremetida,
Feito aos pés de quem foi
O destemido herói
Da batalha de ser fiel à vida!

Nega-te a ser passiva testemunha
Do amor cobiçoso
Que os falsos namorados
Fazem crer impoluto e arrebatado
Àquele que reflecte o céu lavado
Nos olhos confiados.

Venha o teu grito de transfigurado:
Ai, no se muera!... E a Donzela acorda
E renega o idílio traiçoeiro.
Venha o Sancho da lança e do arado,
E a Dulcineia terá, vivo a seu lado,
O senhor D. Quixote verdadeiro!



in Poemas Ibéricos (1965) - Miguel Torga

Hoje é preciso recordar Miguel de Unamuno...

https://thumb.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/3/31/Ramon_Casas_-_MNAC-_Miguel_de_Unamuno-_027584-D_006572.jpg/500px-Ramon_Casas_-_MNAC-_Miguel_de_Unamuno-_027584-D_006572.jpg?utm_source=en.wikipedia.org&utm_campaign=imageinfo&utm_content=thumbnail
Unamuno visto por Ramon Casas
  
    
Unamuno
 
 
D. Miguel…
Fazia pombas brancas de papel
Que voavam da Ibéria ao fim do mundo…
Unamuno Terceiro!
(Foi o Cid o primeiro,
D. Quixote o segundo.)

Amante duma outra Dulcineia,
Ilusória, também
(Pátria, mãe,
Ideia
E namorada),
Era seu defensor quando ninguém
Lhe defendia a honra ameaçada!

Chamado pelo aceno da miragem,
Deixava o Escorial onde vivia,
E subia, subia,
A requestar na carne da paisagem
A alma que, zeloso, protegia.

Depois, correspondido,
Voltava à cela desse nosso lar
Por Filipe Segundo construído
Com granito da fé peninsular.

E falava com Deus em castelhano.
Contava-lhe a patética agonia
Dum espírito católico, romano,
Dentro dum corpo quente de heresia.

Até que a madrugada o acordava
Da noite tumular.
E lá ia de novo o cavaleiro andante
Desafiar
Cada torvo gigante
Que impedia o delírio de passar.

Unamuno Terceiro!
Morreu louco.
O seu amor, por ser demais, foi pouco
Para rasgar o ventre da Donzela.
D. Miguel…
Fazia pombas brancas de papel,
E guardava a mais pura na lapela.



in
Poemas Ibéricos (1965) - Miguel Torga

Cervantes nasceu há 479 anos

https://thumb.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/09/Cervantes_J%C3%A1uregui.jpg/500px-Cervantes_J%C3%A1uregui.jpg?utm_source=pt.wikipedia.org&utm_campaign=imageinfo&utm_content=thumbnail

       
Miguel de Cervantes Saavedra (Alcalá de Henares, 29 de setembro de 1547 - Madrid, 22 de abril de 1616) foi romancista, dramaturgo e poeta castelhano. A sua obra-prima, Dom Quixote, muitas vezes considerada o primeiro romance moderno, é um clássico da literatura ocidental e é regularmente considerada um dos melhores romances já escritos. O seu trabalho é considerado entre os mais importantes em toda a literatura e a sua influência sobre a língua castelhana é tão grande que o castelhano é frequentemente chamado de la lengua de Cervantes (a língua de Cervantes).
   
     
D. Quixote e Sancho Pança (ilustração de Gustave Doré)

 

¿Quién dejará, del verde prado umbroso



¿Quién dejará, del verde prado umbroso,
las frescas yerbas y las frescas fuentes?
¿Quién, de seguir con pasos diligentes
la suelta liebre o jabalí cerdoso?

¿Quién, con el son amigo y sonoroso,
no detendrá las aves inocentes?
¿Quién, en las horas de la siesta, ardientes,
no buscará en las selvas el reposo,

por seguir los incendios, los temores,
los celos, iras, rabias, muertes, penas
del falso amor que tanto aflige al mundo?

Del campo son y han sido mis amores,
rosas son y jazmines mis cadenas,
libre nací, y en libertad me fundo.

Poesia de aniversariante de hoje, adequada à data...

https://thumb.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d7/Monumento_a_Unamuno_en_Salamanca.jpg/500px-Monumento_a_Unamuno_en_Salamanca.jpg?utm_source=es.wikipedia.org&utm_campaign=imageinfo&utm_content=thumbnail

  

 
Castilla


Tú me levantas, tierra de Castilla,
en la rugosa palma de tu mano,
al cielo que te enciende y te refresca,
al cielo, tu amo,

Tierra nervuda, enjuta, despejada,
madre de corazones y de brazos,
toma el presente en ti viejos colores
del noble antaño.

Con la pradera cóncava del cielo
lindan en torno tus desnudos campos,
tiene en ti cuna el sol y en ti sepulcro
y en ti santuario.

Es todo cima tu extensión redonda
y en ti me siento al cielo levantado,
aire de cumbre es el que se respira
aquí, en tus páramos.

¡Ara gigante, tierra castellana,
a ese tu aire soltaré mis cantos,
si te son dignos bajarán al mundo
desde lo alto!

   

    

Miguel de Unamuno

sexta-feira, setembro 25, 2026

Adolfo Suárez nasceu há 94 anos...

 
 
Adolfo Suárez González (Cebreros, Ávila, 25 de setembro de 1932 - Madrid, 23 de março de 2014) foi um político da Espanha. Ocupou o lugar de presidente do governo de Espanha de 1976 a 1981, sendo o primeiro presidente (primeiro-ministro) democrático após a ditadura do general Franco.
Foi-lhe concedido, pelo rei Juan Carlos I da Espanha, o título de Duque de Suárez, em 1981, com grandeza da Espanha, e foi cavaleiro da Ordem do Tosão de Ouro.

https://thumb.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/94/Great_Coat_of_Arms_of_Duke_of_Su%C3%A1rez.svg/500px-Great_Coat_of_Arms_of_Duke_of_Su%C3%A1rez.svg.png?utm_source=pt.wikipedia.org&utm_campaign=imageinfo&utm_content=thumbnail
Brasão de armas do Duque de Suárez

Etapa de formação e primeira trajetória política
Licenciado em Direito pela Universidade de Salamanca, desempenhou diferentes cargos no regime franquista, pela mão de Fernando Herrero Tejedor, um falangista ligado à Opus Dei, que foi o seu protetor desde que o conheceu, quando era governador civil de Ávila. Desta forma, em 1958, passa a fazer parte da Secretaría General del Movimiento ascendendo, em 1961, a Chefe do Gabinete técnico do Vice-Secretário Geral, procurador nas Cortes por Ávila em 1967 e governador civil de Segóvia em 1968. Em 1969 foi designado Diretor Geral de Radiotelevisión Española, onde já desempenhara outros cargos entre 1964 e 1968; permaneceu neste cargo até 1973.
Em abril de 1975, novamente da mão de Herrero Tejedor, foi nomeado Vice-Secretário Geral do Movimiento, cargo que ostentaria até a morte do seu mentor, a 13 de junho desse ano.
A 11 de dezembro de 1975, entrou no primeiro gabinete de Carlos Arias Navarro, formado após a morte de Franco, por sugestão de Torcuato Fernández Miranda, Adolfo Suárez é nomeado Ministro Secretário Geral do Movimiento.
A sua projeção com a chefia da Presidência do Governo aumentou consideravelmente graças ao apoio da Coroa e o apoio popular às suas políticas reformistas. A 9 de junho de 1976, num discurso sobre a Lei de Associações Políticas nas Cortes, antes da sua escolha, citou uns versos de Antonio Machado (exilado devido ao avanço das tropas franquistas durante a Guerra Civil):

Presidente do Governo espanhol
Quando, em julho de 1976, o rei Juan Carlos I lhe solicitou a formação do segundo governo do seu reinado e a consequente desmontagem das estruturas franquistas, Suárez era um desconhecido para a maioria do povo espanhol. Porém, aos seus 43 anos, com dificuldades, foi capaz de aglutinar um grupo de políticos da sua geração que chegaram às convicções democráticas por diversos caminhos. Soube reunir, junto a falangistas «convertidos» como ele, sociais democratas, liberais, democrata-cristãos, etc. e, entre 1976 e 1979, desmontar o regime franquista, com a cumplicidade das forças antifranquistas, como o PSOE e, especialmente, do Partido Comunista de Espanha e do seu líder, Santiago Carrillo, que denominou Suárez como um "anticomunista inteligente".
Nesta tarefa contou com a ajuda de Torcuato Fernández Miranda, entre outros, que conseguiu a auto-liquidação das cortes franquistas e avançar no Projeto de Reforma Política diante duma receosa oposição democrática e com a colaboração do Tenente-General Manuel Gutiérrez Mellado, encarregado de tranquilizar e controlar, no possível, as altas esferas militares, compostas na sua maior parte por militares que ganharam a guerra civil e, portanto, favoráveis ao regime franquista.

Primeiro presidente democrático
A 15 de junho de 1977, pela primeira vez na Espanha desde 1936, celebraram-se eleições gerais livres. Adolfo Suárez tornava-se o vencedor das mesmas, à frente de um conglomerado de formações de centro-direita, aglutinadas sob a sigla UCD (União de Centro Democrático). As Cortes saídas daquelas eleições, convertidas em constituintes, aprovaram a Constituição, que o povo espanhol referendou esmagadoramente, a 6 de dezembro de 1978.
A 20 de agosto de 1978 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo de Portugal.
A 3 de março de 1979, Adolfo Suárez ganhava pela segunda vez umas eleições, e iniciava o seu terceiro mandato como presidente do Governo. Talvez o seu primeiro erro neste período tivesse sido o de evitar a apresentação do seu programa de governo perante o Congresso, o que o pôs contra alguns grupos parlamentares, como o Partido Socialista Andaluz. Por outro lado, o triunfo nas eleições gerais ficou muito em segundo plano, depois da conquista pela esquerda dos principais municípios do país, após as primeiras eleições municipais de abril. O acordo entre o PSOE e o PCE permitiu as grandes cidades espanholas serem governadas por alcaides de partidos da oposição.
Foi uma etapa de governo cheia de dificuldades políticas, sociais e económicas. Em 1980, o PSOE apresentou uma moção de censura que, embora derrotada de antemão, deteriorou ainda mais a imagem de um Suárez desprovido de apoios no seu próprio partido. Finalmente, a falta de sintonia com o rei Juan Carlos I e as tensões crescentes no seu próprio partido, levaram-no a apresentar a demissão, a 29 de janeiro de 1981. Na sua mensagem ao país afirmou:
   
   
A suposição de que renunciava pela pressão dos militares pareceu confirmada pela tentativa de golpe de estado que aconteceu durante a investidura de Leopoldo Calvo-Sotelo. Contudo, alguns autores, como Javier Tusell e Charles Powell, insistem no cansaço e na falta de apoio da Coroa como principais fatores para a sua demissão.
Em 1981, o rei concedeu-lhe o título de duque de Suárez, pelo seu papel no processo da transição espanhola.

Vida política posterior
Pouco depois da sua demissão criou juntamente com outros ex-dirigentes da UCD o partido Centro Democrático e Social (CDS), com o que se apresentou às eleições de 28 de outubro de 1982, sendo eleito deputado por Madrid. Voltou a ser eleito em 1986 e 1989, mas em 1991 demitiu-se de Presidente do CDS, após os maus resultados da sua formação, nas eleições municipais, e abandonou definitivamente a política.
A 22 de fevereiro de 1996 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade de Portugal. Em 1996 foi-lhe concedido o "Prémio Príncipe de Astúrias da Concórdia" pela sua importante contribuição para a Transição Espanhola para a democracia, da qual é considerado um dos grandes artífices.
Tanto a sua esposa, Amparo Illana Elórtegui, quanto a sua filha mais velha, Marian Suárez Illana, padeceram e faleceram de cancro (Amparo em 2001 e a sua filha em 2004). A sua filha Sonsoles Suárez, apresentadora de televisão, também sofreu cancro. Suárez teve outros três filhos: Adolfo, que foi candidato do Partido Popular à presidência da Comunidade Autónoma de Castela-A Mancha em 2003, Laura e Javier.
Foi o seu filho Adolfo que, no decurso de uma entrevista para o programa Las cerezas, da Televisão Espanhola, emitido a 31 de maio de 2005, revelou que o ex-presidente Suárez padecia de Alzheimer há dois anos e nem sequer se lembrava de ter sido Presidente do Governo, nem não reconhecia ninguém, respondendo unicamente a estímulos afetivos.
A 8 de junho de 2007 e por ocasião do trigésimo aniversário das primeiras eleições democráticas, o rei Juan Carlos nomeou-o cavaleiro da insigne Ordem do Tosão de Ouro, pela sua importantíssima atuação na transição espanhola, comenda que lhe foi entregue a 16 de julho de 2008.

Morte 
Morreu a 23 de março de 2014, em Madrid, aos 81 anos.
  

Hoje é dia de ouvir Rosalía...

Rosalía - 34 anos

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Rosalía Vila Tobella (Sant Esteve Sesrovires, 25 de setembro de 1992), conhecida simplesmente como Rosalía, é uma cantora, compositora e produtora musical espanhola. Depois de descobrir a música tradicional espanhola ainda jovem, Rosalía frequentou o Taller de Músics e formou-se na Escola Superior de Música de Catalunya, com distinção, em virtude de seu álbum colaborativo com Raül Refree, Los Ángeles (2017) e o projeto de bacharelado El Mal Querer (2018), que é coproduzido por El Guincho e mistura interpretações modernas do flamenco com música pop e urbana. Gerando singles como "Malamente", o álbum chamou a atenção do público espanhol em geral, e foi lançado com aclamação da crítica universal. Vencedora do Grammy Latino de Álbum do Ano e listado nos 500 Maiores Álbuns de Todos os Tempos da Rolling Stone, El Mal Querer iniciou a ascensão de Rosalía no cenário musical internacional.

  

https://thumb.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/f/f7/Rosal%C3%ADa_MTV.jpg/960px-Rosal%C3%ADa_MTV.jpg?utm_source=pt.wikipedia.org&utm_campaign=imageinfo&utm_content=thumbnail

  

in Wikipédia

 


quinta-feira, setembro 24, 2026

Túpac Amaru, o último Inca, foi executado há 454 anos...

     
Túpac Amaru (Cusco, 1545 - Cusco, 24 de setembro de 1572) foi o último Inca, que se rebelou em Vilcabamba na época da conquista espanhola.
Filho de Manco Inca (também conhecido como Manco Capac II), foi feito sacerdote e guardião do corpo do seu pai. Túpac Amaru assumiu o título de supa inca, na época em que o Império Inca já havia perdido a sua capital, Cusco, e se resumia apenas à região de Vilcabamba, dezenas de quilómetros a norte de Cusco.
   

(...)

   

 
A Captura de Túpac Amaru 
Enquanto isso ocorria Túpac Amaru, acompanhado por seus guerreiros, havia deixado Vilcabamba no dia anterior e rumado a oeste, pelas matas das várzeas. O seu séquito, que incluía os seus generais e membros da sua família, foram divididos em pequenos grupos, numa tentativa de evitar que fossem presos todos juntos na perseguição.
Grupos de soldados espanhóis e guerreiros indígenas foram enviados para caçá-los, ocorrendo escaramuças sangrentas com a escolta do Inca. Um dos grupos espanhóis enviados capturou a esposa e filho de Wayna Cusi. Um segundo voltou sem encontrar nada. Um terceiro ao regressar voltou com dois irmãos de Tupac Amaru, outros parentes e os seus generais. Mas o Inca e o seu comandante permaneciam soltos.
A perseguição continuou, um grupo de quarenta soldados escolhidos a dedo saiu atrás de Tupac Amaru e Curi Paucar. O grupo seguiu o Rio Masahuay por 275 quilómetros, onde encontraram um tambo com ouro e pratos. Os espanhóis capturaram um grupo de antis e os forçaram a contar o que tinham visto, e eles relataram que ele tinham visto o Inca rio abaixo num barco. Os espanhóis construíram 20 balsas e continuaram a perseguição.
Ao chegarem às terras Momorí os espanhóis descobriram que Tupac Amaru tinha ancorado e continuou a sua fuga por terra. Eles continuaram com a ajuda de indígenas da região, que mostraram a rota pela qual os incas seguiram e avisaram que Tupac estava seguindo lentamente porque a sua esposa estava prestes a dar à luz. Após uma marcha de cerca de 80 quilómetros, os espanhóis viram uma fogueira, por volta das nove horas da noite. Encontraram Tupac Amaru e a sua esposa, aprisionando-os.
Os cativos foram trazidos de volta para as ruínas de Vilcabamba e de lá entraram foram conduzidos para Cusco. Os vencedores também trouxeram os restos mumificados de Manco Capac e Titu Cusi e a estátua de ouro de Punchao, a mais preciosa relíquia da linhagem inca que continha os restos mortais dos corações dos incas falecidos. Estes objetos sagrados foram destruídos de seguida.
  
Execução
Os cinco generais incas capturados foram acusados das mortes de Frei Diego Ortiz, de Pedro Pando e do embaixador Atilano de Anaya, receberam um julgamento sumário em que nada foi dito em sua defesa sendo condenados a serem enforcados por Gabriel de Loarte, magistrado da corte, e então governador da cidade de Cusco. Os generais foram conduzidos pelas ruas até ao local de execução, depois de serem torturados na prisão. Três não aguentaram até chegar ao cadafalso, morrendo no caminho, e tendo o seu corpo colocado ao pé da forca, os dois restantes, Curi Paucar e um índio chamado Huanca, foram pendurados ainda vivos.
Já o julgamento de Tupac Amaru começou dois dias depois. Condenado à decapitação pelo assassinato de sacerdotes em Urcos, dos quais provavelmente era inocente, muitos clérigos, convencidos dessa inocência, imploraram de joelhos ao vice-rei para que o líder Inca fosse enviado à Espanha, para ser julgado em vez de ser executado. No dia 24 de setembro de 1572, Tupac Amaru foi conduzido pelas ruas de Cusco entre o padre Alonso de Baranza e o padre Molina tendo as suas mãos atadas. Uma multidão aguardava na praça, que era guarnecida por cerca de 400 guardas com lanças. Em frente à catedral, na praça central de Cuzco, uma plataforma havia sido erguida. Tupac Amaru subiu ao cadafalso. Os índios lamentavam a sua sorte. Tupac Amaru levantou calmamente as mãos e o silêncio e a imobilidade caíram sobre a multidão. Tupac falou e implorou para que a multidão nunca amaldiçoasse os seus filhos por um mau comportamento, que os castigassem, mas nunca os amaldiçoasse. Os sacerdotes tinham-no convencido de que a sua morte era o desejo de Deus, pois uma vez tinha irritado a sua mãe e esta o amaldiçoara com uma morte não natural. As suas últimas palavras dos incas foram: Ccollanan Pachacamac ricuy auccacunac yahuarniy hichascancuta. Mãe Terra, testemunha como meus inimigos derramaram meu sangue. Ao proferir essas palavras colocou a cabeça no tronco e o carrasco, um índio Canãri, tomou o cabelo de Tupac numa mão e cortou a cabeça com um único golpe de machete. Ele ergueu a cabeça no ar para a multidão ver. Ao mesmo tempo, os sinos igrejas e mosteiros da cidade tocaram. Uma grande tristeza se abateu em todos os nativos presentes.

Legado
O seu bisneto, Tupac Amaru II, liderou uma revolta, duzentos anos depois, e o seu nome e a sua história inspiraram o movimento revolucionário Tupamaros.
    

quarta-feira, setembro 23, 2026

Julio Iglesias faz hoje oitenta e três anos

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Julio José Iglesias Puga de la Cueva (Madrid, 23 de setembro de 1943) é um ex-futebolista, cantor, compositor e empresário espanhol de fama internacional.
   
O Guiness World Records indica-o como o artista latino mais bem sucedido da história. 
 
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domingo, setembro 20, 2026

Javier Marías nasceu há setenta e cinco anos...

Javier Marías Franco (Madrid, 20 de setembro de 1951 – Madrid, 11 de setembro de 2022) foi um escritor, tradutor e editor espanhol, membro da Real Academia Espanhola. É considerado um dos romancistas mais relevantes da literatura espanhola contemporânea.

 

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Marías morreu em 11 de setembro de 2022, aos setenta anos de idade, em Madrid, por causa de uma pneumonia associada ao Covid-19.

 

Fernão de Magalhães partiu, para circum-navegar a Terra, há 507 anos

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Fernão de Magalhães (Sabrosa, primavera de 1480 - Cebu, Filipinas, 27 de abril de 1521) foi um navegador português, que se notabilizou por ter organizado a primeira viagem de circum-navegação ao globo, de 1519 até 1522.

Nascido em família nobre, Magalhães era inquieto por natureza: queria ver o mundo e explorá-lo. Em 1506 viajou para as Índias Ocidentais, participando de várias expedições militares nas Molucas, também conhecidas como as Ilhas das Especiarias.
A serviço do rei de Espanha, planeou e comandou a expedição marítima que efetuou a primeira viagem de circum-navegação ao globo. Foi o primeiro a alcançar a Terra do Fogo no extremo sul do continente americano, a atravessar o estreito que hoje leva seu nome e a cruzar o Oceano Pacífico, que nomeou. Fernão de Magalhães foi morto em batalha em Cebu, nas Filipinas no curso da expedição, posteriormente chefiada por Juan Sebastián Elcano até ao regresso em 1522.
    
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Em 1517 foi a Sevilha com Rui Faleiro, tendo encontrado no feitor da "Casa de la Contratación" da cidade um adepto do projecto que entretanto concebera: dar a Espanha a possibilidade de atingir as Molucas pelo Ocidente, por mares não reservados aos portugueses no Tratado de Tordesilhas e, além disso, segundo Faleiro, provar que as ilhas das especiarias se situavam no hemisfério castelhano.
Com a influência do bispo de Burgos conseguiram a aprovação do projeto por parte de Carlos V, e começaram os morosos preparativos para a viagem, cheios de incidentes; o cartógrafo de origem portuguesa Diogo Ribeiro que começara a trabalhar para Espanha em 1518, na Casa de Contratación em Sevilha participou no desenvolvimento dos mapas utilizados na viagem. Depois da rutura com Rui Faleiro, Magalhães continuou a aparelhagem dos cinco navios que, com 256 homens de tripulação, partiram de Sanlúcar de Barrameda em 20 de setembro de 1519. A esquadra tinha cinco navios e uma tripulação total de 234 homens, com cerca de 40 portugueses entre os quais Álvaro de Mesquita, primo co-irmão de Magalhães, Duarte Barbosa, primo da mulher de Magalhães, João Serrão, primo ou irmão de Francisco Serrão e Estevão Gomes. Seguia também Henrique de Malaca.
Antonio Pigafetta, escritor italiano que havia pago do seu próprio bolso para viajar com a expedição, escreveu um diário completo de toda a viagem, possibilitado pelo facto de Pigafetta ter sido um dos 18 homens a retornar vivo para a Europa. Dessa forma, legou à posteridade um raro e importante registo de onde se pode extrair muito do que se sabe sobre este episódio da história.
A armada fez escala nas ilhas Canárias e alcançou a costa da América do Sul, chegando em 13 de dezembro ao Rio de Janeiro. Prosseguindo para o sul, atingiram Puerto San Julian à entrada do estreito, na extremidade da atual costa da Argentina, onde o capitão decidiu parar. Irrompeu então uma revolta que ele conseguiu dominar com habilidosa astúcia. Após cinco meses de espera, período no qual a nau "Santiago" foi perdida, numa viagem de reconhecimento, tendo os seus tripulantes conseguido ser resgatados, Magalhães encontrou o estreito que hoje tem o seu nome, aprofundando-se nele. Noutra viagem de reconhecimento, outra nau foi perdida, mas desta vez por um motim, na nau "San Antonio" onde a tripulação aprisionou o seu capitão Álvaro de Mesquita, primo de Magalhães, e iniciou uma viagem de volta com o piloto Estêvão Gomes (realmente estes completaram a viagem, espalhando ofensas contra Fernão de Magalhães na Espanha).
Apenas em novembro a esquadra atravessaria o Estreito, penetrando nas águas do Mar do Sul (assim batizado por Balboa), e batizando o oceano em que entravam como «Pacífico» por contraste às dificuldades encontradas no Estreito. Depois de cerca de quatro meses, a fome, a sede e as doenças (principalmente o escorbuto) começaram a dizimar a tripulação. Foi também no Pacífico que encontrou as nebulosas que hoje ostentam o seu nome - as nebulosas de Magalhães.
Em março de 1521, alcançaram a ilha de Ladrões, no atual arquipélago de Guam, chegando à ilha de Cebu nas atuais ilhas Filipinas em 7 de abril. Imediatamente começaram com os nativos as trocas comerciais; boa parte das grandes dificuldades da viagem tinham sido vencidas. Dias depois, porém, Fernão de Magalhães morreu, em combate com os nativos na ilha de Mactan, atraído a uma emboscada, sendo morto pelo nativo Lapu-Lapu.
A expedição prosseguiu sob o comando de João Lopes Carvalho, deixando Cebu no início de março de 1522. Dois meses depois, seria comandada por Juan Sebastián Elcano.

 

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Mapa da expedição: a vermelho a rota percorrida por Magalhães, a laranja a rota percorrida por Elcano
    
Regresso
Decidiram incendiar a nau Concepción, visto o pequeno número de homens para operá-la, e finalmente conseguiram chegar às Molucas, onde obtiveram o seu suprimento de especiarias. Trinidad acabou ali permanecendo para reparos e a "Victoria" voltou sozinha para casa, contornando o Índico pelo sul, a fim de não encontrar navios portugueses. A Trinidad, após as reparações, tentou seguir uma rota pelo Pacífico até a América Central, onde poderia contactar os espanhóis e levar sua carga, no entanto acabou tendo de retornar às Molucas onde os seus tripulantes foram aprisionados pelos portugueses que haviam chegado. A nau "Victoria" dobrou o Cabo da Boa Esperança em 1522, fez escala em Cabo Verde, onde alguns homens foram detidos pelos portugueses, alcançando finalmente o porto de San Lúcar de Barrameda, com apenas 18 homens na tripulação.
Uma única nau tinha completado a circum-navegação do globo ao alcançar Sevilha, em 6 de setembro de 1522. Juan Sebastián Elcano, a restante tripulação da expedição de Magalhães e o último navio da frota regressaram decorridos três anos após a partida. A expedição de facto trouxe poucos benefícios financeiros aos participantes, não tendo a tripulação chegado a receber o pagamento. 
   

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Fernão de Magalhães
  

 
No vale clareia uma fogueira.
Uma dança sacode a terra inteira.
E sombras disformes e descompostas
Em clarões negros do vale vão
Subitamente pelas encostas,
Indo perder-se na escuridão.
 
De quem é a dança que a noite aterra?
São os Titãs, os filhos da Terra,
Que dançam da morte do marinheiro
Que quis cingir o materno vulto —
Cingi-lo, dos homens, o primeiro —,
Na praia ao longe por fim sepulto.
 
Dançam, nem sabem que a alma ousada
Do morto ainda comanda a armada,
Pulso sem corpo ao leme a guiar
As naus no resto do fim do espaço:
Que até ausente soube cercar
A terra inteira com seu abraço.
 
Violou a Terra. Mas eles não
O sabem, e dançam na solidão;
E sombras disformes e descompostas,
Indo perder-se nos horizontes,
Galgam do vale pelas encostas
Dos mudos montes.

 
  
 
in Mensagem (1934) - Fernando Pessoa

Justo Gallego Martínez, o construtor de uma catedral, nasceu há cento e um anos...


Justo Gallego Martínez (Mejorada del Campo, Madrid, 20 de septiembre de 1925 - ibídem, 28 de noviembre de 2021) fue un agricultor y constructor autodidacta español, conocido por haber iniciado la construcción de su propia catedral dentro de su pueblo natal.

 

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Justo en el año 2003 con el artista alemán Ulrich Brinkhoff en el tejado de la catedral

 

Ingresó a la edad de 27 años en el monasterio soriano de Santa María de Huerta para abandonarlo sin llegar a hacer los votos, cuando contrajo tuberculosis en 1961. Comenzó a construir su catedral en unos terrenos que había heredado de sus padres, sin el respaldo de la Iglesia católica. Justificó su catedral en la fe que poseía en Cristo y se la dedicó a la «Nuestra Señora del Pilar, Madre de Dios». Su cúpula tiene 40 metros de alto.

La construcción la hizo en su gran mayoría solo pero con ayuda de sus 6 sobrinos y de voluntarios eventuales. En ocasiones contrató los servicios de especialistas con su propio dinero. Financió su trabajo alquilando o vendiendo terrenos heredados y con donaciones que recibió de cuando en cuando. A su fallecimiento, no existían planos ni proyecto de la obra, ya que Justo Gallego afirmaba tenerlo «todo en la cabeza». Tampoco tenía conocimientos especializados en albañilería ni arquitectura y tuvo incluso que abandonar sus estudios primarios debido a la guerra civil española. Según contaba el propio Justo a los visitantes que se acercan a contemplar su obra, obtuvo los conocimientos necesarios a través de libros sobre catedrales y castillos.

La mayor parte de los materiales de construcción que utilizó eran reciclados. Usó tanto objetos de la vida diaria como materiales desechados por las constructoras y por una fábrica de ladrillos cercana. Para hacer las columnas utilizó como moldes bidones de gasolina viejos, y una rueda de bicicleta hace las veces de polea. Su obra le llevó a protagonizar en 2005 un anuncio publicitario de televisión para la marca de bebida Aquarius. Cobró 30.000 euros por ceder la catedral durante 3 días de rodaje y por participar en él.

Hasta su fallecimiento, Gallego vivió con su hermana cerca de su catedral. Su lema era «servir primero a Dios, luego al prójimo y por último a mí mismo» y por eso comenzó una catedral sin más conocimientos que los leídos en libros antiguos, muchos de ellos en latín, según asegura él mismo. Aseguró que cerca de 2000 personas acudían cada verano a visitar la catedral, y son muchos los estudiantes, sobre todo extranjeros, que le ayudan en esta época. En abril de 2021, a la edad de 95 años, recibió la medalla de Hijo Predilecto de Mejorada del Campo.

El 9 de noviembre de 2021 cedió su catedral a la ONG Mensajeros de la Paz del Padre Ángel para que terminase y gestionase el proyecto al cual dedicó su vida. Finalmente, falleció 19 días más tarde en su pueblo natal, Mejorada del Campo, contando con 96 años de edad. Aunque su deseo era ser enterrado en la cripta de su catedral, las autoridades no lo permitieron por motivos sanitarios, por lo que su cuerpo fue enterrado en el cementerio del pueblo.

Un año después de su muerte fue nombrado por la Iglesia Católica Siervo de Dios.

 

Catedral de Justo Gallego Martínez, en Mejorada del Campo (2005)

 

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