Filho mais velho do arquiduque
Carlos Luís (irmão dos imperadores
Francisco José I da Áustria e
Maximiliano do México) e da princesa
Maria Anunciata de Bourbon-Duas Sicílias, ele herdou do seu primo, o duque
Francisco V de Módena,
a chefia da Casa de Áustria-Este, tornando-se pretendente ao trono do
extinto ducado, quando tinha apenas 12 anos de idade. Em
1889, com a morte do arquiduque Rodolfo, único filho varão de Francisco José I, no
incidente de Mayerling, o seu pai tornou-se o primeiro na linha de sucessão ao trono austro-húngaro, mas renunciou aos seus direitos, em seu favor.
A sua morte, num atentado em
Sarajevo, em 28 de junho de 1914, foi um dos fatores desencadeadores da
Primeira Guerra Mundial.
Assassinato
Em 28 de junho de 1914, um domingo, por volta de 10.45 horas, Francisco Fernando e a sua esposa foram mortos em
Sarajevo, capital da província austro-húngara da
Bósnia e Herzegovina, por
Gavrilo Princip, na época com apenas 19 anos, membro da
Jovem Bósnia e do grupo terrorista
Mão Negra. O evento foi um dos fatores que desencadearam a
Primeira Guerra Mundial.
O casal já havia sido atacado um pouco antes, quando uma granada foi
atirada em direção ao seu carro. Fernando desviou-se do artefacto e a granada
explodiu atrás deles. Encolerizado, ele teria gritado às autoridades
locais:
"Então vocês recebem os convidados com bombas?"
Fernando e Sofia insistiram em visitar o hospital onde os feridos no
atentado estavam sendo atendidos. Ao saírem de lá, o seu motorista
perdeu-se no caminho para o palácio onde estavam hospedados e, ao entrar
numa rua secundária, os ocupantes foram avistados por Princip.
Quando o motorista fazia uma manobra, o jovem aproximou-se e disparou
contra o casal, atingindo Sofia no abdómen e Francisco Fernando na
jugular. O arquiduque ainda estava vivo quando testemunhas chegaram para
socorrê-lo, mas expirou pouco depois, dirigindo as suas últimas palavras à esposa:
"Não morra, querida, viva para nossos filhos."
Assessores ainda tentaram abrir a sua farda, mas perceberam que teriam
que cortá-la com uma tesoura. Sofia morreu a caminho do hospital. Princip usou uma
7.65 x 17 mm Browning, de potência relativamente baixa, e uma pistola FN Model 1910 para cometer os assassinatos.
Um relato detalhado do atentado foi descrito por Joachim Remak, no livro
Sarajevo:
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Uma bala perfurou o
pescoço de Francisco Fernando, enquanto a outra perfurou o abdómen de
Sofia (...) Como o carro estava manobrando (para retornar à residência
do governador), um filete de sangue escorreu da boca do arquiduque sobre
a face direita do Conde Harrach (que estava no estribo do carro).
Harrach usou um lenço para tentar conter o sangue. Vendo isso, a duquesa
exclamou: "Pelo amor de Deus, o que lhe aconteceu?" e afundou-se
no assento, caindo com o rosto entre os joelhos de seu marido. |
” |
| “ |
Harrach e Potoriek
(...) acharam que ela havia desmaiado (...) só o marido parecia ter uma
ideia do que estava acontecendo. Virando-se para a esposa, apesar da
bala no seu pescoço, Francisco Fernando implorou: "Sopherl! Sopherl! Sterbe nicht! Bleibe am Leben für unsere Kinder!" ("Querida Sofia! Não morra! Fique viva para os nossos filhos!!!").
Dito isto, ele curvou-se para a frente. O seu chapéu de plumas (...) caiu
e muitas de suas penas verdes foram encontradas em todo o chão do
carro. O conde Harrach puxou o colarinho do uniforme do arquiduque para
segurá-lo. Ele perguntou: "Leiden Eure Kaiserliche Hoheit sehr?" ("Vossa Alteza Imperial está sentindo muita dor?") "Es ist nichts..." ("Não é nada..."),
disse o arquiduque com voz fraca, mas audível. Ele parecia estar a
perder a consciência durante seus últimos minutos mas, com voz crescente
embora fraca, repetiu esta frase, talvez, seis ou sete vezes mais. |
” |
| “ |
Um ronco começou a brotar de sua garganta, diminuindo quando o carro parou em frente ao Konak Bersibin (Câmara
Municipal). Apesar dos esforços médicos, o arquiduque morreu pouco
depois de ser levado para dentro do prédio, enquanto a sua amada esposa
morreu, de hemorragia interna, antes da comitiva chegar ao Konak. |
” |
Os assassinatos, juntamente com a
corrida armamentista, o
imperialismo, o
nacionalismo, o
militarismo e o sistema de alianças contribuíram para a
eclosão da Primeira Guerra Mundial, que começou menos de dois meses após a morte de Francisco Fernando, com a
declaração de guerra da Áustria-Hungria à Sérvia. O assassinato do arquiduque é considerado a causa mais imediata da Primeira Guerra Mundial.