O Curso de Geologia de 85/90 da Universidade de Coimbra escolheu o nome de Geopedrados quando participou na Queima das Fitas.
Ficou a designação, ficaram muitas pessoas com e sobre a capa intemporal deste nome, agora com oportunidade de partilhar as suas ideias, informações e materiais sobre Geologia, Paleontologia, Mineralogia, Vulcanologia/Sismologia, Ambiente, Energia, Biologia, Astronomia, Ensino, Fotografia, Humor, Música, Cultura, Coimbra e AAC, para fins de ensino e educação.
Né Ladeiras, é o nome artístico da cantora portuguesa Maria de Nazaré de Azevedo Sobral Ladeiras (Porto, 10 de agosto de 1959).
Nasceu numa família com grandes afinidades com a música.
A mãe cantava em programas de rádio, o pai tocava viola e o avô
materno tocava guitarra portuguesa, braguesa, cavaquinho e instrumentos
de percussão. Com 6 anos participa no Festival dos Pequenos Cantores
da Figueira da Foz. Durante a sua adolescência integra vários
projetos musicais, entre os quais um duo acústico formado com uma
amiga da escola.
A sua carreira musical começou realmente com a fundação, em 1974, com diversos amigos, da Brigada Victor Jara, projeto no qual tocavam sobretudo música latino-americana tendo participado em diversas campanhas de animação cultural do MFA
(Movimento de Forças Armadas) e de trabalho voluntário. O interesse
do grupo pela música tradicional portuguesa só se manifesta nos
últimos meses de 1976, após realizarem diversos espetáculos pelo país
e aí "descobrirem" as potencialidades e qualidade da nossa tradição
musical.
Em 1977, na sequência de uma atuação na FIL
(Feira Internacional de Lisboa), mantêm contactos com a editora Mundo
Novo (associada à editorial Caminho), para a qual gravam, durante
dois dias, o álbum Eito Fora, que é editado nesse mesmo ano. Né Ladeiras interpreta, neste disco, um dos temas mais conhecidos, Marião com base num tradicional de Trás-os-Montes.
No ano seguinte, Né Ladeiras participa ainda nas gravações do segundo álbum da Brigada Victor Jara intitulado Tamborileiro. Em 1979, após se separar da Brigada, Né Ladeiras junta-se ao agrupamento Trovante, ainda antes de este alcançar sucesso, com o qual grava o single Toca a Reunir.
Na altura da gravidez do seu primeiro filho, Né Ladeiras fica em casa e é nessa altura que é convidada pelos Trovante que já andavam há muito tempo à procura de uma voz feminina. Fizeram alguns espetáculos e toda a preparação de Baile do Bosque. Quase todas as músicas da maqueta apresentada às editoras eram cantadas por Né Ladeiras.
O primeiro trabalho a solo de Né Ladeiras, Alhur, é editado em 1982 pela Valentim de Carvalho. O disco, um EP (ou máxi-single) composto por quatro temas da autoria de Miguel Esteves Cardoso (letras) e Né Ladeiras (músicas), regista a participação de Ricardo Camacho na produção e dos Heróis do Mar como músicos de estúdio. Alhur é um disco que fala de águas, desde as águas régias do pensamento às águas salgadas dos oceanos e das lágrimas.
Né Ladeiras retribuiu, nesse mesmo ano, a colaboração com os Heróis do Mar, participando no maxi-single de Amor, que se tornou um grande êxito comercial.
Colabora com Miguel Esteves Cardoso num duplo álbum intitulado Hotel Amen que não chega a ser gravado.
Em 1984 é editado pela Valentim de Carvalho o álbum, Sonho Azul,
com produção de Pedro Ayres Magalhães (membro dos Heróis do Mar e
futuro mentor dos Madredeus e Resistência), que também assina as letras e
partilha, com Né Ladeiras, a composição das músicas. O disco é
dedicado a todas as pessoas que fizeram do cinzento um "Sonho azul" e
ao filho Miguel. Dos oito temas, os que obtém maior notoriedade são: Sonho Azul, Em Coimbra Serei Tua e Tu e Eu.
Em 1988 integra o projeto Ana E Suas Irmãs, idealizado por Nuno
Rodrigues - seu colega na Banda do Casaco e então diretor da editora
Transmédia. O grupo concorre ao Festival RTP da Canção de 1988 com o
tema Nono Andar, sendo apresentado como um conjunto mistério. No
entanto, Né Ladeiras não participa no certame, colaborando apenas na
edição em single.
Em 1989 lança um álbum dedicado à atriz sueca Greta Garbo, Corsária,
fruto de um projeto de pesquisa, o que, aliás, é bem característico
do trabalho a solo de Né Ladeiras. A produção e arranjos estiveram a
cargo de Luís Cília.
As músicas são compostas por si, sendo as letras da autoria de Alma
Om. O disco não obtém uma grande divulgação, principalmente porque a
editora abre falência pouco tempo após a edição do disco.
Colabora igualmente com a rádio, outra das suas paixões, em rádios de Coimbra, Antena 1 e TSF. E, posteriormente, em resultado de algum desencantamento com a música, retira-se da atividade musical.
Entre janeiro de 1993 e outubro de 1994, Né Ladeiras grava, com produção de Luís Pedro Fonseca, o seu terceiro álbum, Traz-os-Montes,
uma produção da Almalusa com edição da EMI-Valentim de Carvalho, que
resulta de dois anos de pesquisa de material relacionado com a música e
a cultura tradicionais transmontanas (onde veio a descobrir raízes na
família), nomeadamente as recolhas efetuadas por Michel Giacometti e
por Jorge e Margot Dias. O disco recebeu o Prémio José Afonso.
A qualidade de temas como Çarandilheira e Beijai o Menino
fazem deste disco, que é a revisitação de temas tradicionais
transmontanos interpretados em mirandês, a sua obra-prima e um
dos melhores discos de sempre da música portuguesa.
No Natal de 1995 é editado o disco Espanta Espíritos, disco de natal idealizado e produzido por Manuel Faria (seu colega nos tempos dos Trovante),
no qual participam diversos artistas, entre os quais se destaca Né
Ladeiras que interpreta o tema "Estrela do Mar" com letra de João Monge e música de João Gil.
Em 1996 participa na compilação A Cantar com Xabarin, Vol. III e IV, proposta pelo programa da TV Galiza, com o tema Viva a Música! composto por Né Ladeiras e Bruno Candeias, no qual participam, nos coros, os seus filhos Eduardo e João.
No álbum-compilação A Voz e a Guitarra faz incluir o tema As Asas do brasileiro Chico César e uma nova versão de La Molinera que conta com a participação do guitarrista Pedro Jóia.
Durante a Expo '98 partilha Afinidades
com Chico César numa iniciativa que "desafia cantoras nacionais a
conceberem um espetáculo para o qual convidam um ou uma vocalista que
seja para elas uma referência." Os dois intérpretes participam
igualmente no programa Atlântico da RTP/TV Cultura.
Em 1999 inicia no Castelo de Montemor-o-Velho as gravações de um disco de cantares religiosos e pagãos com a produção de Hector Zazou. Nele participam músicos portuguesas como os Gaiteiros de Lisboa, Pedro Oliveira, João Nuno Represas, passando por um grupo de adufeiras do Paul e ainda a colaboração, em algumas faixas, de Brendan Perry, Ryuichi Sakamoto e John Cale.
Por divergências de reportório com o mítico produtor, Né Ladeiras
decide não continuar com as gravações e dá por finda a sua realização.
Meses mais tarde outros nomes são indicados para a produção do disco Tim Whelan e Hamilton Lee dos Transglobal Underground
e novos arranjos são elaborados pelos músicos britânicos. Apesar dos
esforços da cantora e dos novos produtores o álbum não chega a ser
gravado.
O álbum Da Minha Voz, de (2001), têm várias músicas do brasileiroChico César e teve lançamento no Brasil em espetáculos realizados em São Paulo, com a orquestra do Teatro Municipal de São Paulo e com o grupo Mawaca.
A imprensa brasileira teceu críticas positivas e elogiou, sobretudo, a
voz grave e segura de Né Ladeiras. O disco conta com a participação
de Ney Matogrosso, curiosamente cantando sozinho o tema "Sereia".
Ao mesmo tempo foi delineando outros projetos: um disco inspirado nas pinturas de Frida Kahlo e um outro disco de homenagem à escritora Isabelle Eberhardt (escritora convertida ao Islão, autora de "Escritos no Deserto") contando, para isso, com as letras de Tiago Torres da Silva.
Em 2016 lançou o CD "Outras vidas", dedicado a várias mulheres que
marcaram a sua vivência e a sua carreira como Avita, Greta Garbo, Frida
Khalo, Madre Teresa, Isabelle Eberhardt ou Violeta Parra. A música é
da própria e as letras têm assinatura de Tiago Torres da Silva tendo produção de Amadeu Magalhães.
Começou a cantar numa idade muito precoce, utilizando instrumentos de seu pai. Após a independência de Angola,
em 1975, representou Angola por várias vezes, viajando pela Polónia,
Checoslováquia, Cuba e União Soviética, no entanto, concluiu, com
relutância, que devido à instabilidade política, não havia um clima
propício para que os músicos se pudessem desenvolver e crescer e, após
uma visita a Portugal em 1982, decidiu não regressar.
Bastos considerava a sua música como reflexo da própria vida e suas
experiências, composta para elogiar a identidade nacional. Os seus
temas fazem um apelo à fraternidade universal. Ao longo dos seus 40 anos
de carreira em 2008 foi distinguido com um Diploma de Membro Fundador,
de 25 anos, da União dos Artistas e Compositores e um Prémio Award, em
1999, pela World Music.O jornal New York Times considerou, em 1999, o
seu disco Black Light uma das melhores obras da época.
Morreu no dia 10 de agosto de 2020, em Lisboa, aos 66 anos, vítima de um cancro.
Imaginou entrevistas com Mata
Hari e Conan Doyle, enviou reportagens da "Rússia dos Sovietes" sem
nunca lá ter posto os pés, criou um dos primeiros detetives de gabinete
da literatura policial, deu forma a uma galeria interminável de heróis
de folhetim, fundou jornais, realizou filmes, previu, ao jeito de Júlio
Verne, como seriam Lisboa e o Porto no ano 2000.
Reinaldo Ferreira. R de realidade e F de ficção. Nasceu há um
século. Os 38 anos da sua breve passagem pelo mundo foram vividos à
beira do delírio, com a morfina a ajudar. Um tipógrafo distraído
inventou a alcunha que o iria consagrar: Repórter X.
Luís Miguel Queirós - Jornal PÚBLICO, 10 de agosto de 1997
Nascido no Brasil, filho de imigrantes portugueses, veio aos dois anos para Portugal. A família fixa-se em Cantanhede, mais precisamente na vila de Febres, onde o pai exercia medicina. Em 1933 muda-se para Coimbra, onde permanece durante quinze anos, a fim de prosseguir os estudos. Em 1941 ingressa na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde estabelece amizade com Joaquim Namorado, João Cochofel e Fernando Namora. Em 1947 licencia-se em Ciências Histórico-Filosóficas, instalando-se definitivamente em Lisboa, no ano seguinte. Periodicamente volta a Coimbra e à Gândara. Em 1949 casa-se com Ângela, jovem madeirense que conhecera nos bancos da Faculdade, sua companheira e futura colaboradora permanente.
Data de 1942
o seu primeiro livro de poemas, intitulado "Turismo", com ilustrações
de Fernando Namora e integrado na coleção poética de 10 volumes do
"Novo Cancioneiro", iniciativa coletiva que, em Coimbra, assinalava o
advento do movimento neo-realista. Porém, em 1937, já publicara em conjunto com Fernando Namora e Artur Varela, amigos de juventude, um pequeno livro de contos "Cabeças de Barro". Em 1943 publica o seu primeiro romance, "Casa na Duna", segundo volume da coleção dos Novos Prosadores (1943), editado pela Coimbra Editora. No ano de1944
surge o romance "Alcateia", que viria a ser apreendido pelo regime. No
entanto é desse mesmo ano a segunda edição de "Casa na Duna".
Em 1945
publica um novo livro de poesias, "Mãe Pobre". Os anos seguintes serão,
para Carlos de Oliveira, bem profícuos quanto à integração e afirmação
no grupo que veicula e auspera por um novo humanismo, com a
participação nas revistas Seara Nova e Vértice, além da colaboração no livro de Fernando Lopes Graça "Marchas, Danças e Canções", uma antologia de vários poetas, musicadas pelo maestro.
Em 1953 publica "Uma Abelha na Chuva", o seu quarto romance e, unanimemente reconhecido, uma das mais importantes obras da literatura portuguesa do séculoXX, tendo sido integrado no programa da disciplina de português no ensino secundário.
Em 1968 publica dois novos livros de poesia, "Sobre o Lado Esquerdo" e "Micropaisagem", e colabora com Fernando Lopes na adaptação de "Uma Abelha na Chuva". Em 1971 sai "O Aprendiz de Feiticeiro", coletânea de crónicas e artigos, e "Entre Duas Memórias", livro de poemas, que lhe vale o Prémio da Casa da Imprensa.
Em 1976
reúne toda a sua poesia em dois volumes, sob o título de "Trabalho
Poético", juntando aos seus poemas anteriores, os inéditos reunidos em
"Pastoral", publicado autonomamente no ano seguinte.
O seu último romance, "Finisterra", sai em 1978, tendo como fundo a paisagem gandaresa. A obra proporciona-lhe o Prémio Cidade de Lisboa, no ano seguinte.
Morre na sua casa em Lisboa, com 60 anos incompletos.
Foi pioneiro nos trabalhos sobre a ecologia e na disseminação da consciência social sobre os ecossistemas.
Filho do sociólogoHoward W. Odum. Uma de suas principais obras é o clássico Fundamentos da Ecologia (1953).
“
Por
muitos anos, eu tenho apontado que a Ecologia não é mais uma subdivisão
da Biologia, mas tem emergido de suas próprias raízes biológicas para
tornar-se uma disciplina separada que integra organismos, o ambiente
físico e os seres humanos.
Antônio Gonçalves Dias nasceu em 10 de agosto de 1823, no sítio Boa Vista, em terras de Jatobá (a 14 léguas de Caxias). Morreu aos 41 anos em um naufrágio do navio Ville Bologna, próximo do baixo de Atins, na baía de Cumã, município de Guimarães. Advogado de formação, é mais conhecido como poeta e etnógrafo, sendo relevante também para o teatro brasileiro, tendo escrito quatro peças. Teve também atuação importante como jornalista.
Era filho de uma união não oficializada entre um comerciante português com uma mestiça,
e estudou inicialmente por um ano com o professor José Joaquim de
Abreu, quando começou a trabalhar como caixeiro e a tratar da
escrituração da loja de seu pai, que veio a falecer em 1837.
Iniciou os seus estudos de latim, francês e filosofia em 1835 quando foi matriculado numa escola particular.
Foi estudar na Europa, em Portugal, onde, em 1838 terminou os estudos secundários e ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (1840), retornando em 1845, após bacharelar-se. Mas antes de retornar, ainda em Coimbra, participou dos grupos medievalistas da Gazeta Literária e de O Trovador, compartilhando das ideias românticas de Almeida Garrett, Alexandre Herculano e António Feliciano de Castilho. Por se achar tanto tempo fora de sua pátria inspira-se para escrever a Canção do Exílio
e parte dos poemas de "Primeiros cantos" e "Segundos cantos"; o drama
Patkull; e "Beatriz de Cenci", depois rejeitado por sua condição de
texto "imoral" pelo Conservatório Dramático do Brasil. Foi ainda neste
período que escreveu fragmentos do romance biográfico "Memórias de
Agapito Goiaba", destruído depois pelo próprio poeta, por conter alusões
a pessoas ainda vivas.
No ano seguinte ao seu retorno conheceu aquela que seria a sua grande
musa inspiradora: Ana Amélia Ferreira Vale. Várias de suas peças
românticas, inclusive “Ainda uma vez — Adeus”
foram escritas para ela. Nesse mesmo ano ele viajou para o Rio de
Janeiro, então capital do Brasil, onde trabalhou como professor de História e Latim do Colégio Pedro II,
além de ter atuado como jornalista, contribuindo para diversos
periódicos: Jornal do Commercio, Gazeta Oficial, Correio da Tarde e
Sentinela da Monarquia, publicando crónicas, folhetins teatrais e
crítica literária.
Gonçalves Dias pediu Ana Amélia em casamento em 1852,
mas a família dela, em virtude da ascendência mestiça do escritor,
refutou veementemente o pedido. No mesmo ano retornou ao Rio de Janeiro,
onde casou-se com Olímpia da Costa. Logo depois foi nomeado oficial da
Secretaria dos Negócios Estrangeiros. Passou os quatro anos seguintes
na Europa realizando pesquisas em prol da educação nacional. Voltando
ao Brasil foi convidado a participar da Comissão Científica de
Exploração, pela qual viajou por quase todo o norte do país.
Voltou à Europa em 1862 para um tratamento de saúde. Não obtendo resultados retornou ao Brasil, em 1864, no navio Ville de Boulogne,
que naufragou na costa brasileira; salvaram-se todos, exceto o poeta,
que foi esquecido, agonizando no seu leito, e afogou-se. O acidente
ocorreu nos Baixos de Atins, perto de Tutóia, no Maranhão.
A sua obra enquadra-se no romantismo,
pois, à semelhança do que fizeram os seus correlegionários europeus,
procurou formar um sentimento nacionalista ao incorporar assuntos, povos
e paisagens brasileiras na literatura nacional. Ao lado de José de
Alencar, desenvolveu o indianismo. Pela sua importância na história da literatura brasileira, podemos dizer que Gonçalves Dias incorporou uma ideia de Brasil na literatura nacional.
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar - sozinho, à noite -
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu´inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Publicou a sua obra muitas vezes marcada pela vivência tropical
africana em Moçambique. Integrou o grupo de intelectuais locais.
Conviveu com muitos dos artistas, críticos literários e outros da capital
moçambicana, como Eugénio Lisboa, Carlos Adrião Rodrigues, Craveirinha,
António Quadros (pintor), etc. Como fotógrafo publicou um livro sobre a
Ilha de Moçambique (A Ilha de Próspero, 1972). Com António Quadros (pintor) fundou Os Cadernos de Caliban. Deixou Moçambique em 1975. A nacionalidade portuguesa não impediu que a sua alma fosse assumidamente africana.
Mas a sua desilusão pelos acontecimentos políticos estão expressos na
sua poesia publicada após a saída da sua terra. Tem colaboração
dispersa por vários jornais e revistas e publicou alguns livros.
Desempenhou funções de adido cultural na Embaixada Portuguesa em Londres.
Velho Colono
Sentado no banco cinzento
entre as alamedas sombreadas do parque.
Ali sentado só, àquela hora da tardinha,
ele e o tempo. O passado certamente,
que o futuro causa arrepios de inquietação.
Pois se tem o ar de ser já tão curto,
o futuro. Sós, ele e o passado,
os dois ali sentados no banco de cimento.
Há pássaros chilreando no arvoredo,
certamente. E, nas sombras mais densas
e frescas, namorados que se beijam
e se acariciam febrilmente. E crianças
rolando na relva e rindo tontamente.
Em redor há todo o mundo e a vida.
Ali está ele, ele e o passado,
sentados os dois no banco de frio cimento.
Ele a sombra e a névoa do olhar.
Ele, a bronquite e o latejar cansado
das artérias. Em volta os beijos húmidos,
as frescas gargalhadas, tintas de Outono
próximo na folhagem e o tempo.
O tempo que cada qual, a seu modo,
vai aproveitando.
NASA estava “completamente errada” sobre o asteroide Bennu
Em 2020, a NASA enviou uma nave para recolher amostras da
superfície do asteroide Bennu. Ao aterrar, causou uma explosão e abriu
uma cratera de 8 metros de largura.
Um cientista da NASA observou que “as partículas que compõem o exterior
do Bennu são tão soltas, que agem mais como um fluido do que como um
sólido”.
A NASA surpreendeu-se a ela própria quando aterrou uma nave espacial no
asteroide Bennu em 2020 e causou uma explosão que criou uma enorme
cratera no corpo rochoso — mas a experiência de aprendizagem pode ajudar a salvar a Terra, se um asteroide alguma vez ameaçar aniquilar-nos.
Em 2016, a NASA lançou a nave espacial OSIRIS-REx para dar uma vista
de olhos ao asteroide Bennu. Dois anos depois, a nave chegou ao seu
destino e começou a vigiar Bennu, a cerca de 6 quilómetros acima da sua
superfície.
Em 2020, a NASA levou a missão um passo mais longe, enviando a OSIRIS-REx à superfície do asteroide para recolher uma amostra — algo que nenhuma nave espacial da NASA tinha feito antes, segundo a Big Think.
Para essa parte da missão, o OSIRIS-REx aterrou na superfície do
asteroide e mandou um sopro de gás. Em seguida, captou um pouco do
material deslocado pelo gás antes de disparar os seus propulsores para
se afastar de Bennu.
O plano funcionou, mas nas simulações do asteroide feitas pela NASA, o
processo deveria ter deixado o mais pequeno desnível na superfície. A
missão real criou uma explosão de destroços e uma cratera de 8 metros de largura no local de aterragem.
“Esperávamos que a superfície fosse bastante rígida”, contou Dante Lauretta, investigador principal do OSIRIS-REx, ao Space.com.
“Vimos uma parede gigante de detritos a voar para longe do local da amostra. Para os operadores de naves espaciais, foi realmente assustador“, acrescentou Lauretta.
Com base nos dados da missão e de uma análise do local de aterragem,
os investigadores determinaram que a superfície do asteroide Bennu está
tão solta, que o OSIRIS-REx teria continuado a afundar-se nele se não
tivesse disparado os seus propulsores dentro do prazo previsto.
A NASA descreve o asteroide como sendo semelhante às piscinas de
bolas em que as crianças brincam — coloca-se qualquer tensão nas rochas e
pedaços de pó na superfície de Bennu, e elas deslizam facilmente umas
para as outras.
“As nossas expectativas sobre a superfície do asteroide estavam completamente erradas”, sublinhou o investigador principal da missão.
“Acontece que as partículas que compõem o exterior do Bennu são tão
soltas, que agem mais como um fluido do que como um sólido”, concluiu
Lauretta.
Os investigadores utilizaram agora os dados da missão OSIRIS-REx para
recalcular as propriedades de Bennu, detalhando o que aprenderam em
dois estudos, publicados em julho na revista Science e na Science Advances.
Esta experiência pode ajudar os cientistas a interpretar com precisão
dados remotos sobre outros asteroides - algo extremamente importante se
alguma vez nos virmos confrontados com um impacto de asteroides e
precisarmos de lançar uma missão para desviar ou destruir a ameaçadora rocha espacial.
Ator, bailarino, cantor, coreógrafo, nasceu em Nova York, e
tornou-se um dos mais famosos sapateadores de todos os tempos, bem
como uma premiada estrela do palco e tela. Ele começou a se apresentar
como um membro do grupo de dança "Hines, Hines e papá", com o seu pai e
irmão. Ele apareceu pela primeira vez nos palcos da Broadway com a
idade de oito anos, atuando como engraxador na comédia musical "The
Girl in Pink Tights", de março a junho de 1954. Ele recebeu a sua
primeira nomeação para o Tony (Melhor destaque num musical) em 1979,
pelo seu papel na Broadway na revista musical "Eubie!". Ele ganhou o Theatre World Award
de 1979 com o mesmo desempenho. Ele protagonizou os três musicais,
"Uptown Comin '" (1979-80), "Sophisticated Ladies" (1981-83), e
"Jelly's Last Jam" (1992-93). Ele foi nomeado para o Melhor Ator no
Musical Tony Award para os três papéis, e ganhou em 1992, pela sua
performance como Jelly Roll Morton
em "Jelly's Last Jam". Também ganhou o Drama Desk Award de Melhor
Ator em um Musical para este desempenho, e foi nomeado para o Tony e o
Drama Desk Awards por sua coreografia para este show. Os seus
créditos no cinema inclui papéis em "História do Mundo: Parte 1",
"White Nights", "Toque", "Renaissance Man", "Waiting to Exhale" e "The
Preacher's Wife". Na televisão incluídos os filmes "TV Eubie!" e "The
Kid Cherokee"; papéis do convidado em shows como "Faerie Tale
Theatre", "Amazing Stories", e "Law & Order" e papéis recorrentes
em "The Gregory Hines Show", "Little Bill", "Will & Grace " e "
Lost at Home ". Ele gravou um dueto de "There's Nothing Better Than
Love" com Luther Vandross, e também lançou um álbum auto-intitulado, em 1987.
Hines morreu de cancro de fígado na tarde de sábado, 9 de agosto
de 2003, no caminho de sua casa em Los Angeles, Califórnia, para um
hospital. Ele tinha 57 anos e estava noivo de Negrita Jayde, no momento
da sua morte. Além do seu pai e irmão, ele deixou a noiva, Negrita Jayde, uma filha, Daria Hines, um filho, Zach; uma enteada, Jessica Koslow e um neto.
Faz-me o favor Faz-me o favor de não dizer absolutamente nada! Supor o que dirá Tua boca velada É ouvir-te já. É ouvir-te melhor Do que o dirias. O que és nao vem à flor Das caras e dos dias. Tu és melhor - muito melhor!- Do que tu. Não digas nada. Sê Alma do corpo nu Que do espelho se vê.
A
bomba, de 2,34 metros de comprimento, 1,52 metro de diâmetro e
4.545 kg, foi detonada a uma altitude de cerca de 550 metros sobre a
cidade, após ter sido lançada do bombardeiro B-29Bockscar, pilotado pelo Major Charles Sweeney. A bomba tinha uma potência de 25 kilotons. O curioso é que, tendo uma potência praticamente duas vezes maior que a da bomba conhecida como "Little Boy", lançada em Hiroshima
três dias antes, os danos foram menores que os do
ataque anterior, pois as condições climáticas de Nagasaki no dia estavam
desfavoráveis, fazendo com que a Fat Man não atingisse o alvo com
precisão, caindo num vale ao lado da cidade. Como o terreno de
Nagasaki é montanhoso, parte da carga energética da explosão foi
contida. Ainda assim, cerca de 40.000 pessoas foram mortas e mais de
25.000 ficaram feridas. Milhares morreram nos anos posteriores ao ataque,
devido a radiações e doenças causadas pela radiação.
Nagasaki antes e após o ataque
Na manhã de 9 de agosto de 1945, a tripulação do avião dos E.U.A. B-29 Superfortress, batizado de Bockscar, pilotado pelo Major Charles W. Sweeney e carregando a bomba nuclear com o nome de código Fat Man, deparou-se com o seu alvo principal, Kokura,
obscurecido por nuvens. Após três voos sobre a cidade e com baixo
nível de combustível devido a problemas na sua transferência, o
bombardeiro dirigiu-se para o alvo secundário, Nagasaki - a maior
comunidade cristã do Japão. Cerca das 07.50 horas (fuso horário japonês) soou um alerta de raide aéreo em Nagasaki, mas o sinal de "tudo limpo" (all clear,
em inglês) foi dado às 08.30 horas. Quando apenas dois B-29 foram
avistados às 10.53 horas, os japoneses aparentemente assumiram que os
aviões se encontravam em missão de reconhecimento, e nenhum outro alarme
foi dado.
Alguns minutos depois, às 11.00 horas, o B-29 de observação, batizado de The Great Artiste
("O Grande Artista"), pilotado pelo Capitão Frederick C.
Bock, largou instrumentação amarrada a três pára-quedas. Esta continha
também mensagens para o Professor Ryokichi Sagane, um físico nuclear da Universidade de Tóquio que tinha estudado na Universidade da Califórnia
com três dos cientistas responsáveis pelo bombardeamento atómico.
Estas mensagens, encorajando Sagane a falar ao público acerca do perigo
destas armas de destruição maciça, foram encontradas pelas autoridade militares, mas nunca entregues ao académico.
Às 11.02 horas, uma abertura de última hora nas nuvens sobre Nagasaki permitiu ao artilheiro do Bockscar, Capitão Kermit Beahan, ter contacto visual com o alvo. A arma Fat Man, contendo um núcleo de aproximadamente 6,4 kg de plutónio-239, foi largada sobre o vale industrial da cidade. Explodiu a 469 metros sobre o solo, a cerca de meio caminho entre a Mitsubishi Steel and Arms Works (a sul) e a Mitsubishi-Urakami Ordnance Works
(a norte), os dois principais alvos na cidade. De acordo com a maior
parte das estimativas, cerca de 40 mil dos 240 mil habitantes de
Nagasaki foram mortos instantaneamente, e entre 25 mil e 60 mil ficaram
feridos. No entanto, crê-se que o número total de habitantes mortos
poderá ter atingido os 80 mil, incluindo aqueles que morreram, nos meses
posteriores, devido a envenenamento radioativo.
Depois
da guerra ficou claro que o design desta bomba era o mais eficiente,
então melhoraram-na e então criaram a arma sucessora do Fat Man: o Mark 4.
Jordão começou por destacar-se no Sporting Clube de Benguela
já como avançado e despertou a cobiça dos rivais lisboetas pela sua
contratação apesar de ter sofrido uma lesão com alguma gravidade numa
prova de atletismo quando não tinha ainda idade sénior (também aí se
destacava, tendo sido vice-campeão dos 80 metros). Ficou conhecido como a Gazela de Benguela.
Em 1970, estreou-se nos juniores do Benfica, um ano depois saltou
para o plantel principal e justificou em pleno a aposta num período
áureo pelos encarnados, onde ganhou quatro Campeonatos e uma Taça em
cinco temporadas até 1976.
Em 1976, depois de uma época com Mário Wilson no comando em que as águias se sagraram campeãs nacionais e foram aos quartos da Taça dos Clubes Campeões Europeus, Jordão sagrou-se o melhor marcador nacional com 30 golos em 28 jogos no Campeonato Português de Futebol (mais um do que Nené, com quem formou uma dupla temível).
Os espanhóis do Saragoça investiram 9.000 contos na sua contratação em 1976/77 onde marcou 14 golos em 33 jogos.
Apesar das lesões graves que sofreu, em especial duas onde teve fratura de tíbia e perónio,
Jordão marcou um total de 184 golos em 262 jogos, tendo conquistado
dois Campeonatos (o primeiro em 1980, onde foi de novo o melhor marcador
da prova com 31 golos), duas Taças de Portugal e uma Supertaça de Portugal.
Entre alguns dos jogos mais marcantes estiveram um dérbi com o Benfica
onde apontou um hat-trick ou os cinco golos na receção ao Rio Ave
na festa do título, ambos no decorrer da Temporada de 1981/82. Deixou
Alvalade em 1986, já com 34 anos, para terminar a carreira, algo que
sofreu uma reviravolta depois do pedido do amigo Manuel Fernandes.
Depois de se aposentar, Rui Jordão se afastou do mundo do futebol
e se tornou pintor e escultor. Rui Jordão morreu em 18 de outubro de
2019 aos 67 anos de idade, depois de ser hospitalizado por problemas
cardíacos resultantes duma doença cardíaca rara mais frequente em
pessoas de ascendência africana. Antes de morrer, despediu-se do antigo colega José Eduardo e pediu-lhe que tomasse conta dos filhos. Fernando Gomes, Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, disse em comunicado que estava "inigualável".
Seleção
Foi internacional por 43 vezes, marcando 15 golos, de 1972 a 1989. Jogou na Taça Independência do Brasil, em 1972, e na fase final do Campeonato da Europa de 1984. Marcou os dois golos na meia-final com a França em que Portugal perdeu, após prolongamento, por 3-2.
Fora dos relvados
Após a carreira como futebolista, Jordão tornou-se pintor.
Jerry Garcia por vezes teve a saúde ameaçada por causa do seu peso
instável, e, em 1986, entrou em coma diabético, que quase lhe custou a
vida. Apesar da sua saúde ter melhorado após esses incidentes, ele
também teve que lutar contra o vício do consumo de heroína e cocaína. Morreu em 1995 quando estava internado num centro de reabilitação para dependentes químicos na Califórnia, vítima de um ataque cardíaco. O seu corpo foi cremado e parte de suas cinzas espalhadas no Rio Ganges na Índia e a outra parte por baixo da Ponte Golden Gate, Califórnia no Estados Unidos. Desde então tornou-se uma figura muito respeitada na cultura musical americana.
A sua ópera "I Pagliacci", com os personagens Canio, Tonio, Peppe e Silvio, continua uma das mais populares obras do repertório de ópera.
Filho de um magistrado policial, Leoncavallo nasceu em Nápoles em 23 de
abril de 1857 e estudou no Conservatório San Pietro a Majella. Depois
de alguns anos de estudo, e ineficazes tentativas de obter a produção
de mais de uma ópera, ele viu o enorme sucesso de Mascagni em Cavalleria rusticana em 1890, e não desperdiçou tempo na elaboração do seu próprio verismo, Pagliacci
(segundo Leoncavallo, o enredo deste trabalho teve origem na vida
real: um julgamento sobre assassinato a que seu pai tinha presidido). Pagliacci foi apresentada em Milão em 1892 com sucesso imediato e hoje é o único trabalho de Leoncavallo no reportório padrão de ópera. A sua mais famosa ária Vesti la giubba, "Veste a manta de retalhos") foi gravada por Enrico Caruso e foi o primeiro registo do mundo a vender um milhão de cópias. I Medici e Chatterton (1896) foram também produzidas em Milão. Grande parte de Chatterton foi gravado pela Gramophone Company (mais tarde HMV). Foi em La bohème,
realizada em 1897 em Veneza que o seu talento obteve confirmação
pública (as suas duas árias para tenor são realizadas ocasionalmente,
especialmente em Itália). Posteriormente compôs as óperas Zaza (1900) (a ópera de Geraldine Farrar, famosa pelo seu desempenho de despedida no Met) e Der Roland Von Berlin (1904). Obteve um breve sucesso em Zingari
que estreou em Itália, e Londres, em 1912. (Zingari esteve longo
tempo, no Hipódromo Teatro). Zingari chegou aos Estados Unidos, mas
logo depois desapareceu do repertório.
Após uma série de operetas, Leoncavallo, num último esforço, criou Edipo Re,
mas morreu antes de terminar a orquestração, que foi completada por
Giovanni Pennacchio. Desde a década de 70 esta ópera tem tido um
número surpreendentemente elevado de representações (incluindo Roma
1972, Viena 1977 e Amsterdão 1998), bem como uma produção totalmente
encenada no Teatro Regio di Torino, em 2002.
A famosa Mattinata foi por ele escrita para a Gramofone Company
com Caruso em mente. Escreveu o libreto para a maioria das suas
próprias óperas e é considerado o maior libretista italiano do seu
tempo, após Arrigo Boito. Importante foi ainda a sua contribuição para o libreto de Manon Lescaut de Giacomo Puccini.
Ruggero Leoncavallo morreu em Montecatini, Toscânia, em 9 de agosto de 1919.