- When the Sky Falls, de 2000, com Joan Allen como "Sinead Hamilton".
- Veronica Guerin, de 2003, estrelado por Cate Blanchett como "Veronica".
sexta-feira, junho 26, 2026
Veronica Guerin foi assassinada há trinta anos...
Postado por Fernando Martins às 00:31 0 comentários
Marcadores: assassinato, IRA, Irlanda, jornalismo, jornalismo de investigação, Mafia, Veronica Guerin
quinta-feira, junho 25, 2026
Miguel Sousa Tavares - 76 anos
Postado por Fernando Martins às 07:06 0 comentários
Marcadores: jornalismo, literatura, Miguel Sousa Tavares
quinta-feira, maio 28, 2026
Porque hoje é preciso recordar Craveirinha...
Grito Negro
Eu sou carvão!
E tu arrancas-me brutalmente do chão
e fazes-me tua mina, patrão.
Eu sou carvão!
E tu acendes-me, patrão,
para te servir eternamente como força motriz
mas eternamente não, patrão.
Eu sou carvão
e tenho que arder sim;
queimar tudo com a força da minha combustão.
Eu sou carvão;
tenho que arder na exploração
arder até às cinzas da maldição
arder vivo como alcatrão, meu irmão,
até não ser mais a tua mina, patrão.
Eu sou carvão.
Tenho que arder
Queimar tudo com o fogo da minha combustão.
Sim!
Eu sou o teu carvão, patrão.
José Craveirinha
Postado por Pedro Luna às 10:40 0 comentários
Marcadores: FRELIMO, jornalismo, José Craveirinha, Moçambique, negritude, poesia, Prémio Camões
José Craveirinha nasceu há 104 anos...

Oh velho Deus dos homens
deixa-me ser tambor
corpo e alma só tambor
só tambor gritando na noite quente dos trópicos.
Nem flor nascida no mato do desespero
Nem rio correndo para o mar do desespero
Nem zagaia temperada no lume vivo do desespero
Nem mesmo poesia forjada na dor rubra do desespero.
Nem nada!
Só tambor velho de gritar na lua cheia da minha terra
Só tambor de pele curtida ao sol da minha terra
Só tambor cavado nos troncos duros da minha terra.
Eu
Só tambor rebentando o silêncio amargo da Mafalala
Só tambor velho de sentar no batuque da minha terra
Só tambor perdido na escuridão da noite perdida.
Oh velho Deus dos homens
eu quero ser tambor
e nem rio
e nem flor
e nem zagaia por enquanto
e nem mesmo poesia.
Só tambor ecoando como a canção da força e da vida
Só tambor noite e dia
dia e noite só tambor
até à consumação da grande festa do batuque!
Oh velho Deus dos homens
deixa-me ser tambor
só tambor!
José Craveirinha
Postado por Fernando Martins às 01:04 0 comentários
Marcadores: FRELIMO, jornalismo, José Craveirinha, Moçambique, negritude, poesia, Prémio Camões
quarta-feira, maio 20, 2026
Maria Teresa Horta nasceu há 89 anos...
TUDO OU NADA
Com uma mão
dou-te tudo
com a outra descubro o nada
uns dias sou
de veludo
outros de raiva vidrada
Entre a escrita onde me digo
e na escrita
onde me iludo
há a escrita onde me escondo
e a outra
de meu abrigo
Tendo a razão como escudo
na porfia do disfarce
eu escrevo a ventania
pelo meio da tempestade
Postado por Fernando Martins às 08:09 0 comentários
Marcadores: feminismo, jornalismo, literatura, Maria Teresa Horta, Novas Cartas Portuguesas, poesia, Três Marias
sábado, maio 09, 2026
Baptista-Bastos morreu há nove anos...
Armando Baptista-Bastos (Lisboa, 27 de fevereiro de 1933 – Lisboa, 9 de maio de 2017) foi um jornalista e escritor português.
Postado por Fernando Martins às 00:09 0 comentários
Marcadores: Baptista-Bastos, jornalismo, literatura
segunda-feira, maio 04, 2026
Porque vítimas de ditaduras, sejam de nazis ou de russos, serão sempre recordadas...

À morte de um lutador pela paz
(in memoriam de Carl von Ossietzky)
O que não se rendeu
Foi abatido
O que foi abatido
Não se rendeu.
A boca que admoestava
Foi tapada por terra.
A aventura sangrenta
Começa.
Sobre a cova do amigo da paz
Calcam os batalhões.
Foi então vã a luta?
Se aquele que não lutou sozinho, foi abatido,
O inimigo
Inda não venceu.
Bertold Brecht
Postado por Pedro Luna às 19:38 0 comentários
Marcadores: Bertold Brecht, Carl von Ossietzky, jornalismo, literatura, nazis, Paulo Quintela, paz, poesia, Prémio Nobel
quarta-feira, abril 29, 2026
Fernando Pessa morreu há vinte e quatro anos...
Postado por Fernando Martins às 00:24 0 comentários
Marcadores: BBC, Fernando Pessa, jornalismo, rádio, RTP, saudades, televisão
quarta-feira, abril 15, 2026
Fernando Pessa nasceu há 124 anos...
Postado por Fernando Martins às 01:24 0 comentários
Marcadores: BBC, Fernando Pessa, jornalismo, rádio, RTP, saudades, televisão
segunda-feira, abril 13, 2026
Eduardo Galeano morreu há onze anos...
in Wikipédia
ESTRANGEIRO
Num jornal do bairro do Raval, em Barcelona, uma mão anónima escreveu:
O teu deus é judeu, a tua música é negra, o teu carro é japonês, a tua pizza é italiana, o teu gás é argelino, a tua democracia é grega, os teus números são árabes, as tuas letras são latinas.
Eu sou teu vizinho. E ainda me chamas estrangeiro?
Eduardo Galeano
Postado por Fernando Martins às 11:00 0 comentários
Marcadores: América Latina, Eduardo Galeano, jornalismo, literatura, Uruguai
quinta-feira, março 12, 2026
Morreu uma das maiores figuras do jornalismo e da ficção contemporâneos - Mário Zambujal

Morreu Mário Zambujal
Era uma das maiores figuras do jornalismo e da ficção contemporâneos. Morre uma semana depois de completar 90 anos.
Morreu Mário Zambujal. Uma das maiores figuras do jornalismo e da ficção contemporâneos faleceu uma semana depois de completar 90 anos.
Alentejano, de Moura, viria a morar Lisboa e começou a escrever muito cedo. Primeira função: jornalista na área do desporto. Trabalhou nos jornais A Bola, Record, O Século e Diário de Notícias.
Ainda no jornalismo, viria a ser responsável (diretor ou chefe) em várias redações. Também passou a ser cara conhecida na RTP, onde apresentou o programa “Grande encontro”, também sobre desporto.
Na rádio, Zambujal esteve no famoso “Pão com Manteiga” na Rádio Comercial, ao lado de Carlos Cruz. Uma voz muito própria, marcada pelo humor, pela ironia, pela oralidade.
Aos 15 anos já escrevia ficção. Um conto, no semanário “Os Ridículos”.
O seu primeiro livro foi também o mais famoso: Crónica dos Bons Malandros, publicado em 1980. Deu origem a adaptações para cinema e televisão.
Escreveu outras obras: Histórias do Fim da Rua, À Noite Logo se Vê, Fora de Mão, Primeiro as Senhoras, entre muitas outras.
Mário Zambujal escreveu ainda guiões para televisão.
Em 1984 foi distinguido como Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. Recebeu o Prémio Gazeta de Mérito, atribuído pelo Clube de Jornalistas.
in ZAP
Postado por Fernando Martins às 16:37 0 comentários
Marcadores: jornalismo, literatura, Mário Zambujal
domingo, março 08, 2026
João de Deus, poeta e pedagogo, nasceu há 196 anos
Beijo
Beijo na face
Pede-se e dá-se:
Dá?
Que custa um beijo?
Não tenha pejo:
Vá!
Um beijo é culpa,
Que se desculpa:
Dá?
A borboleta
Beija a violeta:
Vá!
Um beijo é graça,
Que a mais não passa:
Dá?
Teme que a tente?
É inocente...
Vá!
Guardo segredo,
Não tenha medo...
Vê?
Dê-me um beijinho,
Dê de mansinho,
Dê!
*
Como ele é doce!
Como ele trouxe,
Flor,
Paz a meu seio!
Saciar-me veio,
Amor!
Saciar-me? louco...
Um é tão pouco,
Flor!
Deixa, concede
Que eu mate a sede,
Amor!
Talvez te leve
O vento em breve,
Flor!
A vida foge,
A vida é hoje,
Amor!
Guardo segredo,
Não tenhas medo
Pois!
Um mais na face,
E a mais não passe!
Dois...
*
Oh! dois? piedade!
Coisas tão boas...
Vês?
Quantas pessoas
Tem a Trindade?
Três!
Três é a conta
Certinho, e justa...
Vês?
E que te custa?
Não sejas tonta!
Três!
Três, sim: não cuides
Que te desgraças:
Vês?
Três são as Graças,
Três as Virtudes;
Três.
As folhas santas
Que o lírio fecham,
Vês?
E não o deixam
Manchar, são... quantas?
Três!
João de Deus
Postado por Fernando Martins às 19:06 0 comentários
Marcadores: Cartilha Maternal, João de Deus, jornalismo, poesia, ultrarromantismo, Universidade de Coimbra
Poema, cantado, adequado à data...
LÁGRIMA CELESTE
Lágrima celeste,
pérola do mar,
tu que me fizeste
para me encantar!
Ah! se tu não fosses
lágrima do céu,
lágrimas tão doces
não chorava eu.
Se eu nunca te visse,
bonina do vale,
talvez não sentisse
nunca amor igual.
Pomba debandada,
que é dos filhos teus?
Luz da madrugada,
luz dos olhos meus!
Meu suspiro eterno,
meu eterno amor,
de um olhar mais terno
que o abrir da flor.
Quando o néctar chora
que se lhe introduz
ao romper da aurora
e ao raiar da luz!
Esta voz te enleve,
este adeus lá soe,
o Senhor to leve
e Deus te abençoe.
O Senhor te diga
se te adoro ou não,
minha doce amiga
do meu coração!
Se de ti me esqueço
ou já me esqueci,
ou se mais lhe peço
do que ver-te a ti!
A ti, que amo tanto
como a flor a luz,
como a ave o canto,
e o Cordeiro a Cruz;
A campa o cipreste,
a rola o seu par,
lágrima celeste,
pérola do mar.
Lágrima celeste,
pérola do mar,
tu que me fizeste
para me encantar?
in Campo de Flores (1868) - João de Deus
Postado por Pedro Luna às 00:19 0 comentários
Marcadores: Cartilha Maternal, João de Deus, jornalismo, Lágrima celeste, música, poesia, ultrarromantismo, Universidade de Coimbra
sexta-feira, fevereiro 20, 2026
Vitorino Nemésio morreu há 48 anos...
Tenho uma saudade tão braba
Da ilha onde já não moro,
Que em velho só bebo a baba
Do pouco pranto que choro.
Os meus parentes, com dó,
Bem que me querem levar,
Mas talvez que nem meu pó
Mereça a Deus lá ficar.
Enfim, só Nosso Senhor
Há-de decidir se posso
Morrer lá com esta dor,
A meio de um Padre Nosso.
Quando se diz «Seja feita»
Eu sentirei na garganta
A mão da Morte, direita
A este peito, que ainda canta.
in Caderno de Caligraphia e outros Poemas a Marga (2003) - Vitorino Nemésio
Postado por Fernando Martins às 00:48 0 comentários
Marcadores: Açores, jornalismo, literatura, poesia, Se bem me lembro, televisão, Terceira, Universidade de Coimbra, Vitorino Nemésio
quinta-feira, fevereiro 05, 2026
José Craveirinha morreu há vinte e três anos...
Terra de Canaã
Inútil procurares nos incêndios de Beirute
e nos inocentes corpos mutilados pelos estilhaços ardentes
as belas palavras do Cântico dos Cânticos.
E voa mais baixo.
Desce velozmente mais baixo no teu caça-bombardeiro.
Voa mais baixo. Desce ainda mais baixo piloto hebreu.
Desce até Eichman. Voa até ao fundo dos ascos.
Acelera até os motores e as bombas de fósforo
contigo oscularem sofregamente o chão sagrado.
Foi para este holocausto que sobreviveste
ao teu genocídio nos tempos da Nazilandia?
Achas que é esta a tua ambicionada Terra de Canaã?
Tu achas que assim ganhas a paz na Terra Prometida?
José Craveirinha
Postado por Fernando Martins às 00:23 0 comentários
Marcadores: FRELIMO, jornalismo, José Craveirinha, Moçambique, negritude, poesia, Prémio Camões
quarta-feira, fevereiro 04, 2026
Maria Teresa Horta deixou-nos há um ano...
Morrer de amor
ao pé da tua boca
Desfalecer
à pele
do sorriso
Sufocar
de prazer
com o teu corpo
Trocar tudo por ti
se for preciso
in Destino (1998) - Maria Teresa Horta
Postado por Fernando Martins às 00:01 0 comentários
Marcadores: feminismo, jornalismo, literatura, Maria Teresa Horta, Novas Cartas Portuguesas, poesia, Três Marias




.jpg)


