Francisco Ignacio Madero González (Parras de la Fuente,
Coahuila,
30 de outubro de
1873 -
Cidade do México,
22 de fevereiro de
1913) foi um
revolucionário, escritor e
estadista mexicano que serviu como 37º
presidente do México
(33º eleito) de 1911 até pouco antes do seu assassinato, em 1913. Um
rico proprietário de terras, tornou-se no entanto um defensor da
justiça social e da democracia. Madero foi notável por desafiar o presidente de longa data,
Porfirio Díaz, para a presidência em 1910 e por ter sido fundamental em desencadear a
Revolução Mexicana.
Nascido numa família extremamente rica no estado de Coahuila,
no norte, Madero era um político incomum, que até se candidatar à
presidência, nas eleições de 1910, nunca ocupou um cargo. Inspirado por
cartas que ele considerava ter recebido de espíritos através da sua mediunidade, Madero, para preocupação de sua família, decidiu mobilizar uma revolução política contra o Porfiriato, escrevendo o seu livro de 1908 intitulado A Sucessão Presidencial de 1910,
em que pediu aos eleitores que impedissem a sexta reeleição de Porfirio
Díaz, o que Madero considerava antidemocrático. A sua visão lançaria as
bases para um México democrático do século XX,
mas sem polarizar as classes sociais. Para esse efeito, ele apoiou-se no
Partido Nacional Antirreeleicionista,
de oposição, e instou os eleitores a expulsarem Díaz nas eleições de
1910. A candidatura de Madero contra Díaz conquistou amplo apoio no
México. Ele possuía meios financeiros independentes, determinação
ideológica e a coragem de se opor a Díaz quando era perigoso fazê-lo.
Díaz prendeu Madero antes das eleições, que foram então vistas como
fraudulentas. Madero escapou da prisão e emitiu o Plano de San Luis Potosí
nos Estados Unidos. Pela primeira vez, ele pediu uma revolta armada
contra Díaz, eleito ilegalmente, e delineou um programa de reforma. A
fase armada da Revolução Mexicana data de seu plano.
Revoltas em Morelos sob o comando de Emiliano Zapata e no norte, por Pascual Orozco, Pancho Villa
e outros, e a incapacidade do Exército Federal de suprimi-los, forçaram a
renúncia de Díaz, em 25 de maio de 1911, após a assinatura do Tratado de Ciudad Juárez;
Madero era muito popular entre muitos setores, mas não assumiu a
presidência. Um presidente interino foi instalado e as eleições foram
agendadas para o outono de 1911. Madero foi eleito presidente em 15 de
outubro de 1911, com quase 90% dos votos. Juramentado no cargo em 6 de
novembro de 1911, tornou-se um dos mais jovens presidentes eleitos do
México, com apenas 38 anos.
O governo de Madero logo encontrou oposição tanto de
revolucionários mais radicais quanto de conservadores. Ele não avançou
rapidamente na reforma agrária, o que era uma demanda importante de
muitos de seus apoiantes. Os ex-apoiantes Emiliano Zapata declararam-se em rebelião contra Madero no Plano de Ayala,
como Pascual Orozco fez no seu Plano Orozquista. Estes foram desafios
significativos para a presidência de Madero. O operariado também ficou
desiludido com suas políticas moderadas. Os empresários estrangeiros
estavam preocupados com o facto de Madero não ter conseguido manter a
estabilidade política que deixaria os seus investimentos seguros. A Igreja
Católica atacava a sua fé no espiritismo e, embora Madero a escondesse do
público, a imprensa ridicularizava-o e o embaixador americano no México
considerava-o lunático. Governos estrangeiros preocuparam-se que um
México desestabilizado ameaçaria a ordem internacional e os movimentos
de sucessão governamental foram observados com diversos interesses, a
favor e contra, com intervenções por embaixadores de diversos países,
inclusive agentes secretos alemães.
Em fevereiro de 1913, ocorreu um golpe de estado na capital mexicana, liderada pelo general Victoriano Huerta,
secretário da Guerra e Marinha e comandante militar na cidade,
apoiado pelo embaixador norte-americano no México. Madero foi preso e,
pouco tempo depois, assassinado, juntamente com o seu vice-presidente, José María Pino Suárez, em 22 de fevereiro de 1913, após a série de eventos conhecidos como a Decena Trágica.
Na morte, Madero tornou-se uma força unificadora de elementos díspares
no México, em oposição ao regime de Huerta. No norte, o governador de
Coahuila Venustiano Carranza
liderou o que se tornou o Exército Constitucionalista contra Huerta,
enquanto Zapata continuou na sua rebelião sob o Plano de Ayala. Uma vez
que Huerta foi demitido em julho de 1914, a coligação de oposição, mantida
unida pela memória de Madero, dissolveu-se e o México entrou numa nova
etapa de guerra civil.