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segunda-feira, agosto 03, 2026

Alexander Soljenítsin morreu há dezoito anos...

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Alexander Issaiévich Soljenítsin (Kislovodsk, 11 de dezembro de 1918 - Moscovo, 3 de agosto de 2008) foi um romancista, dramaturgo e historiador russo cujas obras consciencializaram o mundo quanto aos gulags, sistema de campos de trabalhos forçados existente na antiga União Soviética. Recebeu, sem poder ir a cerimónia, o Nobel de Literatura de 1970. A sua postura crítica sobre o que considerava o esmagamento da liberdade individual pelo estado omnipresente e totalitário implicou a expulsão do autor do país natal e a retirada da respetiva nacionalidade, em 1974.
Alexander Soljenítsin nasceu em Kislovodsk, pequena cidade do sul da Rússia, numa região localizada entre o Mar Negro e o Mar Cáspio, filho póstumo de Isaac Soljenítsin, um oficial do exército imperial, e da sua jovem viúva, Taisia Soljenítsina. O seu avô materno havia superado as suas origens humildes e adquirido uma grande propriedade na região de Kuban, no sopé da grande cadeia de montanhas do Cáucaso. Durante a I Guerra Mundial, Taisia fora estudar em Moscovo, onde conhecera o seu futuro marido. Soljenítsin relataria vividamente a história de sua família nas suas obras "Agosto de 1914" e "A Roda Vermelha".
Em 1918 Taisia encontrou-se grávida, mas pouco depois receberia a notícia da morte do seu marido num acidente de caça. Esse facto, o confisco da propriedade do seu avô pelas novas autoridades comunistas, e a Guerra Civil Russa disputada ao redor, levaram às circunstâncias bastante modestas da infância de Aleksandr. Mais tarde ele diria que a sua mãe lutava pela mera sobrevivência, e que os elos do seu pai com o antigo regime tinham que ser mantidos em segredo. O menino exibia conspícuas tendências literárias e científicas, que a sua mãe incentivava como bem podia. Esta viria a falecer no final de 1939.
Soljenítsin estudou Matemática na Universidade Estatal de Rostov, ao mesmo tempo cursando por correspondência o Instituto de Filosofia, Literatura e História de Moscovo. Durante a II Guerra Mundial participou de ações importantes como comandante de uma companhia de artilharia do Exército Soviético, obtendo a patente de capitão e sendo condecorado em duas ocasiões.
Algumas semanas antes do fim do conflito, já havendo alcançado território alemão na Prússia Oriental, foi preso por agentes da NKVD, por fazer alusões críticas a Estaline em correspondência enviada a um amigo. Foi condenado a oito anos num campo de trabalhos forçados, a serem seguidos por exílio interno  perpétuo.
A primeira parte da pena de Soljenítsin foi cumprida em vários campos de trabalhos forçados; a "fase intermédia", como ele viria a referir-se a esta época, passou-a em uma sharashka, um instituto de pesquisas onde os cientistas e outros colaboradores eram prisioneiros. Dessas experiências surgiria o livro "O Primeiro Círculo", publicado no exterior em 1968. Em 1950 foi enviado a um "campo especial" para prisioneiros políticos em Ekibastuz, Cazaquistão onde trabalharia como pedreiro, mineiro e metalúrgico. Esta época inspiraria o livro "Um Dia na Vida de Ivan Denisovich". Neste campo retiraram-lhe um tumor, mas o seu cancro não chegou a ser diagnosticado.
A partir de março de 1953, iniciou a pena de exílio perpétuo em Kol-Terek, no sul do Cazaquistão. O seu cancro, ainda não detetado, continuou a espalhar-se, e no fim do ano, Soljenítsin encontrava-se próximo da morte. Porém, em 1954, finalmente recebeu tratamento adequado em Tashkent, Uzbequistão, e curou-se. Estes eventos formaram a base de " O Pavilhão dos Cancerosos".
Durante os seus anos de exílio, e após a sua libertação e retorno à Rússia europeia, Soljenítsin, enquanto lecionava em escolas secundárias durante o dia, passava as noites a escrever em segredo. Mais tarde, na breve autobiografia que escreveria ao receber o Nobel de Literatura, relataria que "durante todos os anos, até 1961, eu não estava apenas convencido que sequer uma linha por mim escrita jamais seria publicada durante a minha vida, mas também raramente ousava permitir que os meus íntimos lessem o que eu havia escrito, por medo de que o facto se tornasse conhecido".
Publicou ainda nos EUA uma obra sobre um gigantesco tabu que é a proeminência dos judeus russos no Partido Comunista e na polícia secreta soviética, sendo apelidado de antissemita e desmoralizado no seu exílio.
Soljenítsin regressou à Rússia a 27 de maio de 1994, depois de vinte anos de exílio e morreu em Moscovo a 3 de agosto de 2008, segundo o seu filho, em consequência de uma insuficiência cardíaca aguda.
Encontra-se sepultado no Cemitério do Mosteiro de Donskoi, em Moscovo, na Rússia.
       
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quinta-feira, julho 23, 2026

A chacina da Candelária foi há trinta e três anos...

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O monumento com a igreja no fundo
      
A chacina da Candelária, como ficou registada pelos media, ocorreu na madrugada do dia 23 de julho de 1993 próximo da Igreja de mesmo nome, localizada no centro da cidade do Rio de Janeiro.  Neste crime, oito jovens foram assassinados. O caso foi listado pelo portal Brasil Online (BOL, 2015) e pela Superinteressante (2015) ao lado de outros crimes que "chocaram" o Brasil.
 
A chacina
Na madrugada do dia 23 de julho de 1993, aproximadamente à meia-noite, vários carros pararam em frente à Igreja da Candelária. Logo após, os policias abriram fogo contra mais de setenta crianças e adolescentes que estavam dormindo nas proximidades da Igreja. Como resultado da chacina, seis menores e dois maiores morreram e várias crianças e adolescentes ficaram feridos. Um dos sobreviventes da chacina, Sandro Barbosa do Nascimento, mais tarde voltou aos noticiários quando se tornou o responsável pelo sequestro do autocarro 174.
Os nomes dos oito mortos no episódio encontram-se inscritos numa cruz de madeira, erguida no jardim em frente da Igreja:
  • Paulo Roberto de Oliveira, 11 anos
  • Anderson de Oliveira Pereira, 13 anos
  • Marcelo Cândido de Jesus, 14 anos
  • Valdevino Miguel de Almeida, 14 anos
  • "Gambazinho", 17 anos
  • Leandro Santos da Conceição, 17 anos
  • Paulo José da Silva, 18 anos
  • Marcos Antônio Alves da Silva, 19 anos
Investigação, participantes e assassinos

A investigação do ato levou até Wagner dos Santos, um dos adolescentes que sobreviveu, apesar de ter sido atingido por quatro tiros. Santos sofreria um segundo atentado em 12 de setembro de 1994 na Estação Central do Brasil e a partir de então, o Ministério Público o colocou no Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas. O seu testemunho foi fundamental no reconhecimento dos envolvidos. Wagner deixou o país com a ajuda do governo federal e sofre com sérios problemas de saúde.

No decorrer do processo, foram indiciadas sete pessoas no total: o ex-polícia militar Marcus Vinícius Emmanuel Borges, os polícias militares Cláudio dos Santos e Marcelo Cortes, o serralheiro Jurandir Gomes França, Nelson Oliveira dos Santos, Marco Aurélio Dias de Alcântara e Arlindo Afonso Lisboa Júnior.

  • Cláudio, Marcelo e Jurandir foram inocentados no processo.
  • Arlindo ainda não foi julgado pela chacina, tendo sido condenado a dois anos por ter em sua posse uma das armas do crime.
Os outros três, que já foram condenados, permanecem em liberdade, beneficiadas por indulto ou em liberdade condicional:
  • Marcus Vinicius Emmanuel Borges, ex-polícia militar – foi condenado a 309 anos de prisão em primeira instância. Recorreu a sentença e, num segundo julgamento, foi condenado a 89 anos. Insatisfeito com o resultado, o Ministério Público pediu um novo julgamento e, em fevereiro de 2003, Emmanuel foi condenado a 300 anos mas permanece em liberdade;
  • Nelson Oliveira dos Santos – foi condenado a 243 anos de prisão pelas mortes da chacina e a 18 anos por tentativa de assassinato de Santos. Recorreu a sentença, sendo absolvido pelas mortes num segundo julgamento, mesmo após ter confessado o crime. O Ministério Público recorreu e, no ano de 2000, Nelson foi condenando a 27 anos de prisão pelas mortes e foi mantida a condenação por tentativa de assassinato, somando uma pena de 45 anos. Nelson Oliveira dos Santos também já está solto. Atualmente ele está em liberdade condicional por outros crimes, segundo o Tribunal de Justiça do Rio;
  • Marco Aurélio Dias de Alcântara – foi condenado a 204 anos de prisão e também foi libertado da prisão.
  

sábado, julho 18, 2026

Poema para recordar um grande Homem...

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(imagem daqui)


António Vieira

 

O céu estrela o azul e tem grandeza.
Este, que teve a fama e a gloria tem,
Imperador da língua portuguesa,
Foi-nos um céu também.

No imenso espaço seu de meditar,
Constelado de forma e de visão,
Surge, prenúncio claro do luar,
El-Rei D. Sebastião.

Mas não, não é luar: é luz do etéreo.
É um dia; e, no céu amplo de desejo,
A madrugada irreal do Quinto Império
Doira as margens do Tejo.

 


in
Mensagem (1934) - Fernando Pessoa 

quarta-feira, julho 08, 2026

O ditador Kim Il-sung morreu há 32 anos...

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Kim Il-Sung (Mangyŏngdae, actual Pyongyang, 15 de abril de 1912 - Pyongyang, 8 de julho de 1994) foi o líder da Coreia do Norte desde a fundação do país, em 1948, até à data da sua morte. Sucedeu-lhe como líder o seu filho, Kim Jong-il.
Exerceu o cargo de primeiro-ministro de 1948 a 1972 e de presidente de 1972 até à sua morte. Foi também o secretário-geral do Partido dos Trabalhadores da Coreia, em que era o comandante autocrático.
Como líder da Coreia do Norte, partiu de uma ideologia marxista-leninista até formular a ideia Juche baseada no culto à personalidade. Conhecido como Grande Líder, Kim Il-sung é oficialmente (segundo a constituição do país) o Presidente Eterno da Coreia do Norte, sendo feriados no país as datas do seu nascimento e morte.
 
Nascido em 15 de abril de 1912 em Pyongyang (capital e maior cidade da Coreia do Norte), numa família de camponeses, Kim Il Sung recebeu uma educação cristã. Durante as lutas pela independência da Coreia, então pertencente ao Japão, a família de Kim mudou-se para a Manchúria, na China. Lá, Kim Il Sung frequentou uma escola chinesa. Aos 15 anos, foi preso como membro da Liga da Juventude Comunista do Sul da Manchúria. Libertado em 1930, passou a integrar o Exército Revolucionário Coreano. Kim Il Sung tornou-se líder de um grupo guerrilheiro.
Em 1945, a Conferência de Yalta permitiu que tropas soviéticas e americanas se instalassem na Coreia, dividindo o país em duas partes. O governo provisório da Coreia do Norte ficou a cargo de Kim Il Sung. Oficialmente, líder do Partido dos Trabalhadores Coreano, Kim Il Sung na realidade teve poder quase total sobre o país. Entre 1950 e 1953, Kim liderou os norte-coreanos na guerra contra a Coreia do Sul, protegida pelos Estados Unidos e pelas Nações Unidas.
Após o acordo de paz entre as duas Coreias, Kim Il Sung intensificou um governo ditatorial, baseado no culto da sua pessoa. Passou a ser tratado como "Grande Líder", enquanto seu filho Kim Jong-il, designado como seu sucessor, passou a ser tratado como "Estimado Líder".
  
Kim Il-sung casou-se com Kim Jong-Suk. Ela morreu em 1949, com 32 anos, por causa de um ataque cardíaco. Logo após a morte da primeira esposa, Kim Il-sung desposou Kim Song-ae, vinte anos mais nova que ele - e já grávida de um menino, o seu filho Kim Pyong-il.
Kim II Sung desenvolveu também uma filosofia de massas chamada "Juche", que significa auto-suficiência. Morreu em 1994, aos 82 anos, vítima de uma paragem cardíaca. Quatro anos depois, o seu filho Kim Jong II, atribuiu-lhe o título de "presidente eterno".
   

segunda-feira, julho 06, 2026

O 14º Dalai Lama faz hoje noventa e um anos

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Jetsun Jamphel Ngawang Lobsang Yeshe Tenzin Gyatso (nascido Lhamo Döndrub, Taktser, 6 de julho de 1935) é um religioso tibetano, atual Dalai Lama (14º da linhagem), líder religioso do budismo tibetano. Considerado a reencarnação do bodisatva da compaixão, Tenzin Gyatso é monge e geshe (doutor) em filosofia budista, recebeu o Nobel da Paz e foi agraciado com mais de 100 títulos honoris causa. Nascido em 6 de julho de 1935, ou, no calendário tibetano, no ano do Porco-Madeira, 5.º mês, 5.º dia. Ele é considerado um Bodisatva vivo; especificamente, uma emanação de Avalokiteśvara em sânscrito e Chenrezig em tibetano. Ele também é o líder e um monge ordenado da escola Gelug, a mais nova escola do budismo tibetano, formalmente liderada pelo Ganden Tripa. O governo central do Tibete, o Ganden Phodrang, investiu o Dalai Lama com deveres temporais até ao seu exílio em 1959. Em 29 de abril de 1959, o Dalai Lama estabeleceu um governo tibetano independente, no exílio, na estação montanhosa de Mussoorie, no norte da Índia, que depois mudou, em maio de 1960, para Dharamshala, onde reside. Ele se aposentou como chefe político em 2011 para dar lugar a um governo democrático, a Administração Central Tibetana.


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Bandeira do Tibete

 

quinta-feira, julho 02, 2026

Negros e mulheres dos Estados Unidos passaram a ter cidadania plena há 62 anos...!

 
A Lei de Direitos Civis de 1964 foi decretada em 2 de julho de 1964 com o objetivo de melhorar a qualidade de vida da população afro-americana e feminina, por causa do movimento dos direitos civis. A lei também pôs fim às segregações raciais, em locais públicos e privados, permitindo aos cidadãos negros frequentar os mesmos ambientes e gozar dos mesmos direitos legais que os brancos - Martin Luther King foi quem conseguiu que essa lei fosse criada, em benefício dos negros e mulheres do país.
      

Íngrid Betancourt foi libertada há dezoito anos

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Íngrid Betancourt Pulecio (Bogotá, 25 de dezembro de 1961) é uma senadora e ativista anticorrupção franco-colombiana. Foi sequestrada pelo grupo guerrilheiro FARC em 23 de fevereiro de 2002, enquanto fazia campanha para as eleições presidenciais. Betancourt permaneceu cativa até ao dia 2 de julho de 2008, quando o ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, anunciou a sua libertação, juntamente com outros catorze reféns.

   
Biografia
Filha de um ex-senador e ex-embaixador colombiano, Gabriel Betancourt, com uma ex-miss Colômbia, Yolanda Pulecio, viveu boa parte da sua juventude em Paris, onde o pai servia como embaixador da Colômbia junto da UNESCO. Estudou Ciências Políticas no Instituto de Estudos Políticos de Paris. O seu ambiente familiar propiciou-lhe o convívio com o poeta Pablo Neruda, o escritor Gabriel García Márquez e o pintor Fernando Botero. Teve dois filhos do seu primeiro casamento na França.
Após o assassinato de Luis Carlos Galán, (ex-candidato a presidência de uma plataforma política anti-drogas) Íngrid decidiu regressar à Colômbia (1989). Em 1990 ela trabalhou no Ministério das Finanças da Colômbia, que posteriormente abandonou, para entrar na política. Na sua primeira campanha, Íngrid distribuiu preservativos, que representavam, como ela mesmo dizia: "um preservativo contra a corrupção". Combatia o tráfico de drogas e militava na causa ambiental.
Íngrid concorrera ao cargo de senadora na eleição de 1998 - a quantidade de votos que recebera fora a maior entre todos os candidatos ao senado daquela eleição. Durante o seu mandato recebeu ameaças de morte por uma organização militar desconhecida, forçando-a a enviar os seus filhos para a Nova Zelândia.
Na eleição presidencial seguinte, Íngrid concedeu apoio a Andrés Pastrana em troca de concessões de seu interesse. Porém, após a sua eleição, ela reivindicou o não cumprimento das promessas feitas a ela por Andrés.
Após a eleição de 1998 Íngrid escrevera um livro, que não fora publicado na Colômbia, pois continha revelações polémicas, além de críticas e acusações contra o antigo presidente Samper e outros, por isso foi publicado inicialmente na França com o título: "La Rage au Coeur" (Raiva no coração).
Sequestrada em 2002, permaneceu em poder das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) até 2 de julho de 2008, quando foi resgatada numa operação do exército colombiano.
 
Resgate
Em 2 de julho de 2008, às 15.16 horas (hora da Colômbia), o ministro da Defesa do país, Juan Manuel Santos, anunciou a libertação no sul do país, pelo exército colombiano, de quinze reféns, entre os quais Íngrid Betancourt, três cidadãos dos Estados Unidos e onze agentes policiais e militares colombianos, alguns dos quais eram reféns das FARC há mais de dez anos. Íngrid Betancourt estava sequestrada havia 2.323 dias. Este resgate ocorreu através da infiltração do exército no comando das FARC que tinha os reféns em seu poder, conseguindo convencer os sequestradores a reunir num só grupo os reféns. O resgate foi feito por helicóptero, sob o pretexto de levar os reféns para uma inspeção humanitária.
A operação foi a conclusão de uma vasta preparação de infiltração no mais alto nível das FARC. Os reféns só souberam que estavam a caminho da liberdade no helicóptero, pois toda a operação decorreu sem um único tiro e sem qualquer violência.
    

quarta-feira, julho 01, 2026

Portugal aboliu a pena de morte há 159 anos

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Portugal foi praticamente o primeiro país da Europa e do Mundo a abolir a pena capital, sendo o primeiro Estado do Mundo a prever a abolição da pena de morte na Lei Constitucional, após a reforma penal de 1867.
  
Cronologia:
      
(..)   
 

A última execução conhecida em território português foi em 22 de abril de 1846, em Lagos, de José Joaquim, de alcunha “o Grande” que matou a criada do padrinho a tiro.

Remonta a 1 de julho de 1772 a última execução de uma mulher (Luísa de Jesus).

A penúltima e última execuções por enforcamento foram as de Manuel Pires, de Vila da Rua - Moimenta da Beira, a 8 de maio de 1845 e de José Maria, conhecido pelo "Calças", no Campo do Tabolado, em Chaves, a 19 de setembro de 1845. 

A última execução oficial, de homem ou mulher, foi em 1917, durante a I Guerra Mundial, por traição, no seio do exército português na França, ao abrigo do Direito Português.

De forma extraoficial, a PIDE, polícia política do regime ditatorial português designado por Estado Novo, executou (deliberadamente ou na sequência de torturas) alguns ativistas anti-regime e, de forma praticamente sistemática, os elementos capturados na guerra contra os movimentos de emancipação de três colónias portuguesas (Guiné-Bissau, Angola e Moçambique) entre 1961 e 1974, operando ainda campos de concentração nos quais se verificava elevada mortalidade metódica, o mais infame dos quais o do Tarrafal, por meios como da "Frigideira".

Atualmente, a pena de morte é um ato proibido e ilegal segundo o artigo 24º, nº 2, da Constituição Portuguesa.

     

domingo, junho 28, 2026

A revolta LGBT de Stonewall foi há 57 anos...

 
A Revolta ou Rebelião de Stonewall foi um conjunto de episódios de conflito violento entre gays, lésbicas, bissexuais e transgéneros e a polícia de Nova Iorque, que se iniciaram com uma carga policial em 28 de junho de 1969 e que duraram vários dias. Teve lugar no bar Stonewall Inn e nas ruas vizinhas, e é largamente reconhecida como o conjunto de eventos catalisadores dos modernos movimentos em defesa dos direitos civis LGBT. Stonewall foi um marco por ter sido a primeira vez em que um grande número de pessoas da comunidade LGBT se juntou para resistir aos maus tratos policiais contra a comunidade.
Os homossexuais norte-americanos das décadas de 50 e 60 enfrentavam um sistema jurídico anti-homossexual. Os primeiros grupos homófilos do país tentavam provar que os gays poderiam ser assimilados pela sociedade e apoiavam um sistema educacional não confrontacional para homossexuais e heterossexuais. Os últimos anos da década de 60, no entanto, foram muito controversos, visto que muitos movimentos sociais estavam ativos ao mesmo tempo, como o movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos, a contracultura dos anos 60 e as manifestações contra a guerra do Vietname. Estas influências, juntamente com o ambiente liberal da região de Greenwich Village, serviram como catalisadores para as revoltas de Stonewall.
Poucos estabelecimentos recebiam pessoas abertamente homossexuais nos anos 50 e 60. Aqueles que faziam isto eram, frequentemente, bares, embora os donos e gerentes raramente fossem gays. Na época, o Stonewall Inn era propriedade do grupo mafioso Cosa Nostra Americana. Ele recebia uma grande variedade de clientes e era conhecido por ser popular entre as pessoas mais pobres e marginalizadas da comunidade gay: drag queens, transgéneros, homens efeminados jovens, lésbicas masculinizadas, prostitutos e jovens sem-abrigo. As batidas policiais em bares gays eram rotina na década de 60, mas os polícias rapidamente perderam o controle da situação no Stonewall Inn. Eles atraíram uma multidão que foi incitada à revolta. As tensões entre a polícia de Nova York e os residentes homossexuais de Greenwich Village irromperam em mais protestos na noite seguinte e, novamente, em várias noites posteriores. Dentro de semanas, os moradores do bairro rapidamente organizaram grupos de ativistas para concentrar esforços no estabelecimento de lugares que gays e lésbicas pudessem frequentar sem medo de serem presos.
Depois dos motins de Stonewall, gays e lésbicas em Nova York ainda enfrentaram obstáculos geracionais e de género, raça e classe social para se tornar uma comunidade coesa. No período de seis meses, duas organizações ativistas gays foram formadas em Nova York, concentrando-se em táticas de confronto, e três jornais foram estabelecidos para promover os direitos para gays e lésbicas. No período de alguns anos, várias organizações de direitos homossexuais foram fundadas ao redor dos Estados Unidos e no resto do mundo. Em 28 de junho de 1970, as primeiras marchas do orgulho gay aconteceram em Nova York, Los Angeles, São Francisco e Chicago, em comemoração do aniversário dos motins. Marchas semelhantes foram organizados em outras cidades. Hoje, as paradas LGBT são realizadas anualmente em todo o mundo, geralmente no final de junho, para marcar as revoltas de Stonewall. Em 24 de junho de 2016, o presidente dos Estados Unidos Barack Obama oficializou o palco principal da revolta, o bar Stonewall Inn, como um monumento nacional.   
  
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in Wikipédia

terça-feira, junho 16, 2026

A URSS ocupou os Países Bálticos há 86 anos, no negócio feito por nazis e comunistas...

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Soviet expansion in 1939–1940
      
The Soviet occupation of the Baltic states covers the period from the SovietBaltic mutual assistance pacts in 1939, to their invasion and annexation in 1940, to the mass deportations of 1941.
In September and October 1939 the Soviet government compelled the much smaller Baltic states to conclude mutual assistance pacts which gave the Soviets the right to establish military bases there. Following invasion by the Red Army in the summer of 1940, Soviet authorities compelled the Baltic governments to resign. The presidents of Estonia and Latvia were imprisoned and later died in Siberia. Under Soviet supervision, new governments of Communists and fellow travelers arranged rigged elections with falsified results. Shortly thereafter, the Soviet-installed puppet governments requested admission into the Soviet Union. In June 1941 the new Soviet governments carried out mass deportations of "enemies of the people". Consequently, at first many Balts greeted the Germans as liberators when they occupied the area a week later.
   
Background
After the Soviet invasion of Poland on 17 September 1939, the Soviets pressured Finland and the Baltic states to conclude mutual assistance treaties. The Soviets questioned the neutrality of Estonia following the escape of a Polish submarine from Tallinn on 18 September. A week after on 24 September, the Estonian foreign minister was given an ultimatum in Moscow. The Soviets demanded the conclusion of a treaty of mutual assistance to establish military bases in Estonia. The Estonians had no choice but to allow the establishment of Soviet naval, air and army bases on two Estonian islands and at the port of Paldiski. The corresponding agreement was signed on 28 September 1939. Latvia followed on 5 October 1939 and Lithuania shortly thereafter, on 10 October 1939. The agreements permitted the Soviet Union to establish military bases on the Baltic states' territory for the duration of the European war and station 25,000 Soviet soldiers in Estonia, 30,000 in Latvia and 20,000 in Lithuania from October 1939.
   
Soviet ultimatums
In 1939 Finland had rejected similar Soviet demands for military bases on Finnish territory. Consequently, the Soviet Union attacked Finland, starting the Winter War in November. The war ended in March 1940 with Finnish territorial losses, but Finland kept its sovereignty. The Baltic states were neutral in the Winter War and the Soviets praised their relations with the USSR as exemplary.
   
Sovietic military plans 
The Soviet troops allocated for possible military actions against the Baltic states numbered 435,000 troops, around 8,000 guns and mortars, over 3,000 tanks, and over 500 armoured cars. On June 3, 1940 all Soviet military forces based in Baltic states were concentrated under the command of Aleksandr Loktionov. On June 9 the directive 02622ss/ov was given to the Red Army's Leningrad Military District by Semyon Timoshenko to be ready by 12 June to a) capture the vessels of the Estonian, Latvian and Lithuanian navies in their bases or at sea; b) capture the Estonian and Latvian commercial fleets and all other vessels; c) prepare for an invasion and landing in Tallinn and Paldiski; d) close the Gulf of Riga and blockade the coasts of Estonia and Latvia in the Gulf of Finland and Baltic Sea; e) prevent an evacuation of the Estonian and Latvian governments, military forces and assets; f) provide naval support for an invasion towards Rakvere; and g) prevent Estonian and Latvian airplanes from flying either to Finland or Sweden.
On June 12, 1940, according to the director of the Russian State Archive of the Naval Department Pavel Petrov (C.Phil.) referring to the records in the archive, the Soviet Baltic Fleet was ordered to implement a total military blockade of Estonia. On June 13 at 10:40 AM Soviet forces started to move to their positions and were ready by June 14 at 10 PM: Four submarines and a number of light navy units were positioned in the Baltic Sea, in the Gulfs of Riga and Finland to isolate the Baltic states by the sea; a navy squadron including three destroyer divisions was positioned to the west of Naissaar in order to support the invasion; the 1st marine brigade's four battalions were positioned on the transport ships Sibir, 2nd Pjatiletka and Elton for landings on the islands Naissaare and Aegna; the transport ship Dnester and destroyers Storozevoi and Silnoi were positioned with troops for the invasion of the capital Tallinn; the 50th battalion was positioned on ships for an invasion near Kunda. 120 Soviet vessels participated in the naval blockade, including one cruiser, seven destroyers, and seventeen submarines, along with 219 airplanes including the 8th air-brigade with 84 DB-3 and Tupolev SB bombers and the 10th brigade with 62 airplanes.
On June 14, 1940, the Soviets issued an ultimatum to Lithuania. The Soviet military blockade of Estonia went into effect while the world's attention was focused on the fall of Paris to Nazi Germany. Two Soviet bombers downed the Finnish passenger airplane "Kaleva" flying from Tallinn to Helsinki carrying three diplomatic pouches from the U.S. legations in Tallinn, Riga and Helsinki. The US Foreign Service employee Henry W. Antheil, Jr. was killed in the crash.
   
Red Army invades
On June 15, the USSR invaded Lithuania and Soviet troops attacked the Latvia border guards at Masļenki. On June 16, 1940, the USSR invaded Estonia and Latvia. According to a Time magazine article published at the time of the invasions, in a matter of days around 500,000 Soviet Red Army troops occupied the three Baltic states - just one week before the Fall of France to Nazi Germany.
Molotov accused the Baltic states of conspiracy against the Soviet Union and delivered an ultimatum to all Baltic countries for the establishment of Soviet-approved governments. Threatening invasion and accusing the three states of violating the original pacts as well as forming a conspiracy against the Soviet Union, Moscow presented ultimatums, demanding new concessions, which included the replacement of their governments and allowing an unlimited number of troops to enter the three countries. Hundreds of thousands Soviet troops entered Estonia, Latvia, Lithuania. These additional Soviet military forces far outnumbered the armies of each country.
The Baltic governments had decided that, given their international isolation and the overwhelming Soviet forces on their borders and already on their territories, it was futile to actively resist and better to avoid bloodshed in an unwinnable war. The occupation of the Baltic states coincided with a communist coup d'état in each country, supported by the Soviet troops.
Most of the Estonian Defence Forces and the Estonian Defence Leaguesurrendered according to the orders of the Estonian Government and were disarmed by the Red Army. Only the Estonian Independent Signal Battalion stationed in Tallinn at Raua Street showed resistance to the Red Army and "People's Self-Defence" Communist militia, fighting the invading troops on 21 June 1940. As the Red Army brought in additional reinforcements supported by six armoured fighting vehicles, the battle lasted several hours until sundown. Finally the military resistance was ended with negotiations and the Independent Signal Battalion surrendered and was disarmed. There were two dead Estonian servicemen, Aleksei Männikus and Johannes Mandre, and several wounded on the Estonian side and about ten killed and more wounded on the Soviet side. The Soviet militia that participated in the battle was led by Nikolai Stepulov.
Winston Churchill, First Lord of the Admiralty at the time, said in his 1939 radio broadcast: that the Russian armies should stand on this line was clearly necessary for the safety of Russia against the Nazi menace. At any rate, the line is there, and an Eastern front has been created which Nazi Germany does not dare assail. When Herr von Ribbentrop was summoned to Moscow last week it was to learn the fact, and to accept the fact, that the Nazi designs upon the Baltic States and upon the Ukraine must come to a dead stop.

   
Soviet repressions in Kuressaare, Estonia (1941)
 
Sovietization of the Baltic states 
Political repressions followed with mass deportations carried out by the Soviets. The Serov Instructions, "On the Procedure for carrying out the Deportation of Anti-Soviet Elements from Lithuania, Latvia, and Estonia", contained detailed procedures and protocols to observe in the deportation of Baltic nationals.
The Soviets began a constitutional metamorphosis of the Baltic states by first forming transitional "People's Governments." Led by Stalin’s close associates, and local communist supporters as well as official brought in from the Soviet Union, they forced the presidents and governments of all three countries to resign, replacing them with the provisional People's Governments.
On July 14–15, following illegal amendments to the electoral laws of the respective states, rigged parliamentary elections for the "People's Parliaments" were conducted by local Communists loyal to the Soviet Union. Because of new election restrictions in the amended electoral laws, only the Communists and their allies were effectively allowed to run. The election results were completely fabricated: the Soviet press service released them early, with the result that they had already appeared in print in a London newspaper a full 24 hours before the polls closed.
The new Soviet-installed governments in the Baltic states began to align their policies with current Soviet practices. According to the prevailing doctrine in the process, the old "bourgeois" societies were destroyed so that new socialist societies, run by loyal Soviet citizens, could be constructed in their place.

   

segunda-feira, junho 15, 2026

A Magna Carta foi assinada por João Sem-Terra há 811 anos

Uma das cópias certificadas da Magna Carta preparadas em 1215
       
A Magna Carta (significa "Grande Carta" em latim), cujo nome completo é Magna Charta Libertatum seu Concordiam inter regem Johannen at barones pro concessione libertatum ecclesiae et regni angliae (Grande Carta das liberdades, ou concórdia entre o rei João e os barões para a outorga das liberdades da Igreja e do rei Inglês), é um documento de 1215 que limitou o poder dos monarcas da Inglaterra, especialmente o do rei João, que o assinou, impedindo assim o exercício do poder absoluto. Resultou de desentendimentos entre João, o Papa e os barões ingleses acerca das prerrogativas do soberano. Segundo os termos da Magna Carta, João deveria renunciar a certos direitos e respeitar determinados procedimentos legais, bem como reconhecer que a vontade do rei estaria sujeita à lei. Considera-se a Magna Carta o primeiro capítulo de um longo processo histórico que levaria ao surgimento do constitucionalismo.
    
Antecedentes
Após a conquista normanda da Inglaterra de 1066 e os acontecimentos históricos do século XII, o Rei da Inglaterra tornara-se, na passagem para o século XIII, um dos soberanos mais poderosos da Europa, devido ao sofisticado sistema de governo centralizado introduzido pelos normandos e às amplas possessões anglo-normandas no continente. Entretanto, uma extraordinária sequência de fracassos da parte do rei João - que subira ao trono inglês no início do século XIII - levou os barões ingleses a revoltarem-se e a impor limites ao poder real.
Foram três os seus grandes fracassos.
Primeiro, o Rei não tinha o respeito dos seus súbditos, devido à maneira pela qual obteve o poder após a morte de Ricardo Coração-de-Leão. João mandou aprisionar e, ao que parece, liquidar o seu sobrinho e co-pretendente ao trono, Artur da Bretanha, causando a rebelião da Normandia e da Bretanha contra o rei inglês.
Em segundo lugar, João fracassou na sua tentativa de reconquistar os territórios ingleses tomados por Filipe Augusto de França, fracasso este que ficou patente com a batalha de Bouvines, em 1214. Não é por este motivo que João é chamado de "Sem Terra" (Lackland), mas sim porque, sendo o filho mais novo, não recebera terras em herança, ao contrário dos seus irmãos mais velhos.
O terceiro fracasso de João foi envolver-se numa controvérsia com a Igreja Católica acerca da indicação do Arcebispo da Cantuária. O rei recusou-se a aceitar a indicação feita pelo Papa para a posição e, como consequência, a Inglaterra foi colocada sob sentença de interdição até que João se submetesse, em 1213.
    
Eventos consequentes
Em 10 de junho de 1215, os barões, revoltados com os fracassos do rei, tomaram Londres e forçaram João a aceitar um documento conhecido como os "Artigos dos Barões", ao qual o grande selo real foi aposto em Runnymede, a 15 de junho do mesmo ano. Em troca, os barões renovaram os seus juramentos de fidelidade ao rei, em 19 de junho. Um diploma formal, preparado em 15 de junho pela chancelaria, para registar o acordo entre o rei João e os barões, ficou conhecido como Magna Carta. Cópias desta foram enviadas a funcionários tais como xerifes e bispos.
A cláusula mais importante para João, naquele momento, era a 61ª, conhecida como "cláusula de segurança" e a mais extensa do documento. Estabelecia um comité de 25 barões com poderes para reformar qualquer decisão real, até mesmo pela força se necessário.
João não pretendia honrar a Magna Carta, já que esta havia sido selada sob coerção; ademais, a cláusula 61 anulava, para todos os efeitos práticos, as suas prerrogativas como monarca. O rei, portanto, repudiou o documento assim que os barões deixaram Londres, o que mergulhou a Inglaterra numa guerra civil.
João viria a morrer em Newark, Inglaterra, em 18 de outubro de 1216, possivelmente envenenado por um abade, irritado por ele ter tentado seduzir uma freira e encontra-se sepultado na catedral de Worcester. Subiu ao trono o seu filho, Henrique III, em outubro de 1216. A Magna Carta foi repristinada em nome de seu filho e sucessor, Henrique III, pela sua regência (Henrique era menor de idade), em novembro daquele ano, suprimindo-se algumas cláusulas, inclusive a 61ª. Quando atingiu a maioridade, aos 18 anos, em 1225, Henrique republicou o documento mais uma vez, numa versão ainda mais curta, com apenas 37 artigos.
Na altura da morte de Henrique, em 1272, a Magna Carta já se tinha incorporado ao direito inglês, o que tornaria mais difícil a um futuro soberano anulá-la. O parlamento de Eduardo I, filho e sucessor de Henrique, republicou o documento uma última vez, em 12 de outubro de 1297, como parte de um estatuto conhecido como Confirmatio cartarum e que confirmava a versão curta de 1225.

   

sexta-feira, junho 05, 2026

O ditador Teodoro Obiang nasceu há 84 anos

   
Teodoro Obiang Nguema Mbasogo (Acoacán, 5 de junho de 1942) é um político e militar guinéu-equatoriano, atual presidente da Guiné Equatorial desde 1979, após depor seu tio, Francisco Macías, num golpe de estado militar. Obiang foi apontado pela revista Forbes como o oitavo governante mais rico do mundo, apesar da população do seu país ser considerada uma das mais pobres da Terra, sendo que 70 por cento vivem abaixo da linha de pobreza.
Nascido no seio do clã Esangui em Acoacán, Obiang juntou-se aos militares durante o período colonial, tendo frequentado a Academia Militar de Saragoça, em Espanha. Alcançou o posto de tenente após a eleição de Francisco Macías Nguema. Sob a liderança de Macías, Obiang ocupou vários cargos, incluindo os de governador de Bioko, chefe da prisão da Praia Negra e líder da Guarda Nacional.
Depôs Francisco Macías, de quem era sobrinho, a 3 de agosto de 1979, num golpe de estado sangrento (Macías foi levado a julgamento, pelas suas atividades ao longo da década anterior, e condenado à morte -  as suas atividades incluíram o genocídio dos bubis) e foi executado a 29 de setembro de 1979, por fuzilamento. Obiang declarou que o novo governo iria trazer um novo começo, em contraste com as medidas repressivas tomadas pela administração de Macías. Obiang herdou um país com um tesouro vazio e uma população que tinha decaído para um terço do seu total em 1968, tendo 50% dos seus anteriores 1,2 milhões de habitantes emigrado para Espanha, para os seus vizinhos africanos ou sido mortos durante a ditadura do predecessor de Obiang. A presidência foi assumida oficialmente em outubro de 1979. Uma nova constituição foi adotada em 1982. Ao mesmo tempo, Obiang era eleito para um mandato de 7 anos como presidente. Foi reeleito em 1989, sendo candidato único. Após a legalização de outros partidos, foi eleito em 1996 e 2002, em eleições consideradas fraudulentas pelos observadores internacionais.
Em 2016, Nguema, no poder há 36 anos, foi reeleito para um novo mandato de sete anos.  O mesmo ocorreu em novembro de 2022, quando Nguema foi reeleito para um novo mandato de sete anos, após receber 99,7% do votos nas urnas, tornando-se o chefe de Estado há mais tempo no cargo no mundo, há 43 anos. 
O regime de Obiang reteve características claramente autoritárias, mesmo após a legalização dos outros partidos em 1991. Muitos observadores nacionais e internacionais consideram o seu regime um dos mais corruptos, etnocêntricos, opressivos e não democráticos do mundo. A Guiné Equatorial é hoje essencialmente um estado de partido único, dominado pelo Partido Democrático da Guiné Equatorial (PDGE) de Obiang. Em 2008, o jornalista americano Peter Maas chamou a Obiang "o pior ditator de África", pior mesmo que Robert Mugabe do Zimbabué. A constituição garante a Obiang o poder de governar por decreto. Contudo, Obiang tem muito menos poder que Macías, e grande parte da sua governação tem sido mais suave que a do seu antecessor. Notavelmente, não têm existido as atrocidades que caracterizaram o período de Macías.
Todos os membros, com exceção de um dos 100 assentos parlamentares, pertencem ao PDGE ou estão alinhados com o partido. A oposição está severamente desamparada pela falta de imprensa livre como veículo para a propagação das suas ideias. Cerca de 90% de todos os políticos da oposição vivem no exílio, 550 ativistas anti-Obiang estão presos injustamente e vários foram mortos desde 1979. Em julho de 2003, a estação de rádio estatal declarou que Obiang era um deus "em permanente contacto com o Todo Poderoso" e que "pode decidir matar sem ninguém o chamar a prestar contas e sem ir para o inferno". Ele próprio fez comentários semelhantes em 1993. Apesar desses comentários, continua a alegar ser um devoto católico, tendo sido convidado para ir ao Vaticano pelos papas João Paulo II e Bento XVI. Macías proclamava igualmente ser um deus.
Obiang tem encorajado o culto da sua personalidade assegurando-se que os discursos públicos terminam em votos de prosperidade para si e não para a república. Vários edifícios importantes têm um pavilhão presidencial, várias vilas e cidades têm ruas comemorando o golpe de estado de Obiang contra Macías, tal como é comum entre a população utilizar roupas com a sua cara estampada. Tal como o seu predecessor e outros ditadores africanos, tais como Idi Amin ou Mobutu Sese Seko, Obiang atribuiu a si mesmo vários títulos criativos. Entre eles estão "cavalheiro da grande ilha de Bioko, Annobón e Río Muni". Também se refere a si próprio como El Jefe (O Chefe).
De forma semelhante a Idi Amin, Obiang permitiu propositadamente que se espalhassem rumores sobre se seria ou não canibal. Rumores fictícios sobre o canibalismo têm sido utilizados durante séculos entre o povo fang do centro e oeste africano de forma a criar medo entre os oponentes, dos quais Obiang descende. Vários testemunhos de antigos residentes no país, antes e durante as perseguições, indicam que o canibalismo tem sido utilizado como arma psicológica de guerra. A revista Forbes considera Obiang um dos chefes de estado mais ricos do mundo, com uma riqueza avaliada em cerca de 600 milhões de dólares. Fontes oficiais têm-se queixado de que a Forbes está a contar erradamente propriedades estaduais como pessoais do presidente.
Em 2003, Obiang informou o país de que se sentia obrigado a tomar controlo total sobre o tesouro nacional, de forma a prevenir que funcionários públicos fossem tentados a participar em práticas corruptas. Para evitar esta forma de corrupção, Obiang depositou mais de metade de mil milhões de dólares, em contas controladas por si mesmo e pela sua família, no Banco Riggs, em Washington, D.C., levando um tribunal federal americano a multar o banco em 16 milhões de dólares.
   

quinta-feira, junho 04, 2026

A ditadura comunista chinesa esmagou o protesto na Praça da Paz Celestial há 37 anos...

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/2/2a/Tank_Man_Censorship.jpg/960px-Tank_Man_Censorship.jpg
Ilustração de 2020, mostrando o O Rebelde Desconhecido sendo apagado pela Censura da Internet na China
         
O Protesto na Praça da Paz Celestial (Tian'anmen) em 1989, mais conhecido como Massacre da Praça da Paz Celestial, ou ainda Massacre de 4 de junho consistiu em uma série de manifestações lideradas por estudantes na República Popular da China, que ocorreram entre os dias 15 de abril e 4 de junho de 1989. O protesto recebeu o nome do lugar em que o Exército Popular de Libertação suprimiu a mobilização, na praça Tiananmen, em Pequim, capital do país. Os manifestantes (em torno de cem mil) eram oriundos de diferentes grupos, desde intelectuais que acreditavam que o governo do Partido Comunista era demasiado repressivo e corrupto, a trabalhadores da cidade, que acreditavam que as reformas económicas na China haviam sido lentas e que a inflação e o desemprego estavam a dificultar as suas vidas. O acontecimento que iniciou os protestos foi o falecimento de Hu Yaobang. Os protestos consistiam em marchas (caminhadas) pacíficas nas ruas de Pequim.
Devido aos protestos e às ordens do governo pedindo o encerramento dos mesmos, houve no Partido Comunista uma divisão de critérios (opiniões) sobre como se deveria responder aos manifestantes. A decisão tomada foi suprimir os protestos pela força, no lugar de atenderem suas reivindicações. Em 20 de maio, o governo declarou a lei marcial e, na noite de 3 de junho, enviou os tanques e a infantaria do exército à praça de Tiananmen para dissolver o protesto. As estimativas das mortes civis variam: 400 a 800 (segundo o jornal The New York Times), 2.600 (segundo informações da Cruz Vermelha chinesa) e sete mil (segundo os manifestantes). O número de feridos é estimado em torno de sete mil e dez mil, da acordo com a Cruz Vermelha. Diante da violência, o governo empreendeu um grande número de prisões para suprimir os líderes do movimento, expulsou a imprensa estrangeira e controlou completamente a cobertura dos acontecimentos na imprensa chinesa. A repressão do protesto pelo governo da República Popular da China foi condenada pela comunidade internacional.
No dia 4 os protestos estudantis intensificam-se. No dia 5 de junho, um jovem solitário e desarmado invade a Praça da Paz Celestial e anonimamente faz parar uma fileira de tanques de guerra. O fotógrafo Jeff Widener, da Associated Press, registou o momento e a imagem ganhou os principais jornais do mundo. O rapaz, que ficou conhecido como "o rebelde desconhecido" ou o homem dos tanques" foi eleito pela revista Time como uma das pessoas mais influentes do século XX. A sua identidade e o seu paradeiro são desconhecidos até hoje.
     

O Rebelde Desconhecido