O Curso de Geologia de 85/90 da Universidade de Coimbra escolheu o nome de Geopedrados quando participou na Queima das Fitas.
Ficou a designação, ficaram muitas pessoas com e sobre a capa intemporal deste nome, agora com oportunidade de partilhar as suas ideias, informações e materiais sobre Geologia, Paleontologia, Mineralogia, Vulcanologia/Sismologia, Ambiente, Energia, Biologia, Astronomia, Ensino, Fotografia, Humor, Música, Cultura, Coimbra e AAC, para fins de ensino e educação.
Passam hoje exatamente quarenta e três anos (foi no dia 29 de janeiro de 1983...) sobre o último grande concerto
de Zeca Afonso, já fortemente debilitado pela doença degenerativa que o matou, no
Coliseu dos Recreios, em Lisboa. Com todos os amigos a ajudar (Octávio Sérgio, António Sérgio, Lopes de Almeida, Durval Moreirinhas,
Rui Pato, Fausto, Júlio Pereira, Guilherme Inês, Rui Castro, Rui Júnior,
Sérgio Mestre, Vitorino e Janita Salomé, entre outros...) fez
história nessa noite.
Recordemos a data com a sua Balada de Coimbra, que usou como uma pungente e triste despedida...
Balada do Outono - José Afonso
Aguas passadas do rio Meu sono vazio Não vão acordar Águas das fontes calai Ó ribeiras chorai Que eu não volto a cantar
Rios que vão dar ao mar Deixem meus olhos secar Águas das fontes calai Óh, ribeiras chorai Que eu não volto a cantar
Águas das fontes calai Óh, ribeiras chorai Que eu não volto a cantar
Águas das fontes calai Óh, ribeiras chorai Que eu não volto a cantar
Águas do rio correndo Poentes morrendo P'ras bandas do mar Águas das fontes calai Óh, ribeiras chorai Que eu não volto a cantar
Rios que vão dar ao mar Deixem meus olhos secar Águas das fontes calai Óh, ribeiras chorai Que eu não volto a cantar
Águas das fontes calai Óh, ribeiras chorai Que eu não volto a cantar
Águas das fontes calai Óh, ribeiras chorai Que eu não volto a cantar
Em toda parte baqueia a muralha imperialista Na ponta duma espingarda Os povos da Indochina Varrem da terra sangrenta Os fantoches de Kissinger Mas aqui também semeias No pátio da tua fábrica No largo da tua aldeia A fome, a prostituição São filhas da mesma besta Que Kissinger tem na mão Valor à Mulher Primeira Na luta que nos espera Só não há vida possível Na liberdade comprada na liberdade vendida A morte é mais desejada A NATO não chega a netos abaixo o hidrovião Na ponta duma espingarda o Povo da Palestina Mandou a Golda Meir uma mensagem divina Da CIA não tenhas pena Tem carne viva nas garras É a pomba de Kissinger toda a América Latina Se lembra das suas farras A mesma tropa domina a mesma tropa domina Só um é embaixador mas nada nos abalança A dormir sobre a calçada Faz como o trabalhador Dorme sobre a tua enxada faz como o atirador Dorme sobre a espingarda
Sérgio Martinho Mestre nasce em Moçambique a 24 de agosto de 1953.
Vem para Tavira, com os seus pais, no ano de 1956, tornando-se o que ele
próprio chamava “um filho da terra” e assumindo-se como algarvio de
gema sem que com isso fizesse qualquer defesa bairrista ou regional não
saudável. Aos 14 anos o pai oferece-lhe a primeira guitarra e de uma
forma autodidata vai aprendendo música até encontrar Telmo Palma. É com
este músico que aprende, estuda e se torna profissional.
Desde
sempre defensor do pacifismo, parte para a Holanda, em 1973,
autoexilando-se para não tomar parte da guerra colonial portuguesa. A
partir desse centro conhece os países circundantes tendo contacto e
aprendendo com variados músicos de diversos quadrantes, desde o Clássico
ao Jazz, tornando-se ele próprio um músico polivalente, de bases
sólidas e multi-instrumentista (guitarras várias, saxofone e flauta
transversa).
Regressa a Portugal em 1974, pouco tempo antes da Revolução. Nos
tempos seguintes, na altura denominada “PREC” (Período Revolucionário em
Curso) corre o país no projeto cultural que um grande grupo de
artistas de todas as áreas culturais promoveu não só nos centros urbanos
mas também no chamado “Portugal profundo”. Nesse projeto foi músico
fixo das bandas de Adriano Correia de Oliveira e José Afonso até aos
seus desaparecimentos. Com eles, para além do território nacional,
apresenta a música portuguesa destes autores e outros por algumas
ex-colónias como Angola, Moçambique, Cabo-Verde, Macau e Goa. Alemanha e
Brasil fazem também parte deste percurso. Pontualmente colabora, nessa
altura, com outros músicos- Vitorino, Pedro Barroso, Fausto ou Janita
Salomé. Mais tarde há-de integrar os projetos destes autores, ou de
raiz, como foi o caso da “Lua Extravagante”. Durante alguns anos faz
parte dos projetos da Brigada Vitor Jara e Vitorino. As tournées com
todas estas bandas fazem-no viajar por todos os continentes à exceção
da Oceania.
Seria fastidioso enumerar todos os autores e músicos com quem Sérgio
Martinho Mestre colaborou ao longo da sua vida ou as paragens por onde
andou. No entanto, destacamos ainda a sua colaboração, nos Açores, com
Miguel e Vera Quintanilha, onde faz parte integrante das bandas
Rosa-dos-ventos,e com José Medeiros, contactando com um grande número de
músicos deste arquipélago. Com os grupos açorianos leva a nossa música a
países como Estados Unidos, Canadá ou Brasil.
Merece
ainda destaque, na sua vida profissional, a ajuda efetiva na montagem
ou apoio que deu a autores ou grupos no início das suas carreiras
públicas, estruturando projetos, passando conhecimento técnico,
procurando formas, dando apoio. Mare Nostrum, Entre Aspas, Filipa Pais
ou João Afonso são nomes que estiveram indubitavelmente ligados a Sérgio
Martinho Mestre.
Nos últimos anos da sua vida integra a banda Coro dos Tribunais onde
interpreta o repertório que melhor sabia e que mais lhe dizia, o de José
Afonso. Nesta banda tem ocasião de convidar outros artistas e amigos
que há tanto tempo o acompanhavam.
Paralelamente começa a desenvolver algum trabalho a nível de promoção de espetáculos na sua cidade de Tavira.
No dia 3 de outubro de 2003 Sérgio Martinho Mestre quase conseguiu
aquilo que tantas vezes disse: “eu quero morrer em palco”. Sente-se mal a
meio de um espetáculo em Coimbra, termina-o e acaba por falecer de
madrugada no hospital com um acidente cardíaco.
Poema de Reinaldo Ferreira e música de Alain Oulman
Quem dorme à noite comigo?
É meu segredo, é meu segredo!
Mas se insistirem lhes digo.
O medo mora comigo,
Mas só o medo, mas só o medo!
E cedo, porque me embala
Num vaivém de solidão,
É com silêncio que fala,
Com voz de móvel que estala
E nos perturba a razão.
Que farei quando, deitado,
Fitando o espaço vazio,
Grita no espaço fitado
Que está dormindo a meu lado,
Lázaro e frio?
Gritar? Quem pode salvar-me
Do que está dentro de mim?
Gostava até de matar-me.
Mas eu sei que ele há-de esperar-me
Ao pé da ponte do fim.
O avô cavernoso
Instituiu a chuva
Ratificou a demora
Persignou-se
Ninguém o chora agora
Perfumou-se
Vinte mil léguas de virgens vieram
Inutéis e despidas
Flores de malva
E a boina bem segura
Sobre a calva
Ao avô cavernoso quem viu a tonsura?
E a tenda dos milagres e a privada?
Na tenda que foi nítida conjura
As flores de malva murcham devagar
Devagar
Até que se ouvem gritos, matinadas
Os seus últimos espetáculos terão lugar nos Coliseus de Lisboa e do Porto, em 1983, numa fase avançada da sua doença. No final desse mesmo ano é-lhe atribuída a Ordem da Liberdade, mas o cantor recusa a distinção.
Foi no dia 29 de janeiro de 1983 - passam hoje exatamente quarenta e dois anos sobre o último grande concerto
de Zeca Afonso, já fortemente debilitado pela doença degenerativa que o matou, no
Coliseu dos Recreios, em Lisboa. Com todos os amigos a ajudar (os manos
Salomé, Fausto, Júlio Pereira, Sérgio Godinho e muitos outros...) fez
história nessa noite.
Recordemos a data com uma sua Balada de Coimbra, que foi usada como uma pungente e triste despedida:
Balada do Outono - José Afonso
Aguas passadas do rio Meu sono vazio Não vão acordar Águas das fontes calai Ó ribeiras chorai Que eu não volto a cantar
Rios que vão dar ao mar Deixem meus olhos secar Águas das fontes calai Óh, ribeiras chorai Que eu não volto a cantar
Águas das fontes calai Óh, ribeiras chorai Que eu não volto a cantar
Águas das fontes calai Óh, ribeiras chorai Que eu não volto a cantar
Águas do rio correndo Poentes morrendo P'ras bandas do mar Águas das fontes calai Óh, ribeiras chorai Que eu não volto a cantar
Rios que vão dar ao mar Deixem meus olhos secar Águas das fontes calai Óh, ribeiras chorai Que eu não volto a cantar
Águas das fontes calai Óh, ribeiras chorai Que eu não volto a cantar
Águas das fontes calai Óh, ribeiras chorai Que eu não volto a cantar
Em toda parte baqueia a muralha imperialista Na ponta duma espingarda Os povos da Indochina Varrem da terra sangrenta Os fantoches de Kissinger Mas aqui também semeias No pátio da tua fábrica No largo da tua aldeia A fome, a prostituição São filhas da mesma besta Que Kissinger tem na mão Valor à Mulher Primeira Na luta que nos espera Só não há vida possível Na liberdade comprada na liberdade vendida A morte é mais desejada A NATO não chega a netos abaixo o hidrovião Na ponta duma espingarda o Povo da Palestina Mandou a Golda Meir uma mensagem divina Da CIA não tenhas pena Tem carne viva nas garras É a pomba de Kissinger toda a América Latina Se lembra das suas farras A mesma tropa domina a mesma tropa domina Só um é embaixador mas nada nos abalança A dormir sobre a calçada Faz como o trabalhador Dorme sobre a tua enxada faz como o atirador Dorme sobre a espingarda
Poema de Reinaldo Ferreira e música de Alain Oulman
Quem dorme à noite comigo?
É meu segredo, é meu segredo!
Mas se insistirem lhes digo.
O medo mora comigo,
Mas só o medo, mas só o medo!
E cedo, porque me embala
Num vaivém de solidão,
É com silêncio que fala,
Com voz de móvel que estala
E nos perturba a razão.
Que farei quando, deitado,
Fitando o espaço vazio,
Grita no espaço fitado
Que está dormindo a meu lado,
Lázaro e frio?
Gritar? Quem pode salvar-me
Do que está dentro de mim?
Gostava até de matar-me.
Mas eu sei que ele há-de esperar-me
Ao pé da ponte do fim.
Quem dorme à noite comigo?
É meu segredo, é meu segredo!
Mas se insistirem lhes digo.
O medo mora comigo,
Mas só o medo, mas só o medo!
E cedo, porque me embala
Num vaivém de solidão,
É com silêncio que fala,
Com voz de móvel que estala
E nos perturba a razão.
Que farei quando, deitado,
Fitando o espaço vazio,
Grita no espaço fitado
Que está dormindo a meu lado,
Lázaro e frio?
Gritar? Quem pode salvar-me
Do que está dentro de mim?
Gostava até de matar-me.
Mas eu sei que ele há-de esperar-me
Ao pé da ponte do fim.
Os seus últimos espetáculos terão lugar nos Coliseus de Lisboa e do Porto, em 1983, numa fase avançada da sua doença. No final desse mesmo ano é-lhe atribuída a Ordem da Liberdade, mas o cantor recusa a distinção.
Foi no dia 29 de janeiro de 1983 - passam hoje exatamente 41 anos sobre o último grande concerto
de Zeca Afonso, já fortemente debilitado pela doença degenerativa que o matou, no
Coliseu dos Recreios, em Lisboa. Com todos os amigos a ajudar (os manos
Salomé, Fausto, Júlio Pereira, Sérgio Godinho e muitos outros...) fez
história nessa noite.
Recordemos a data com uma sua música, uma Balada de Coimbra que foi usada como uma pungente e triste despedida:
Balada do Outono - José Afonso
Aguas passadas do rio Meu sono vazio Não vão acordar Águas das fontes calai Ó ribeiras chorai Que eu não volto a cantar
Rios que vão dar ao mar Deixem meus olhos secar Águas das fontes calai Óh, ribeiras chorai Que eu não volto a cantar
Águas das fontes calai Óh, ribeiras chorai Que eu não volto a cantar
Águas das fontes calai Óh, ribeiras chorai Que eu não volto a cantar
Águas do rio correndo Poentes morrendo P'ras bandas do mar Águas das fontes calai Óh, ribeiras chorai Que eu não volto a cantar
Rios que vão dar ao mar Deixem meus olhos secar Águas das fontes calai Óh, ribeiras chorai Que eu não volto a cantar
Águas das fontes calai Óh, ribeiras chorai Que eu não volto a cantar
Águas das fontes calai Óh, ribeiras chorai Que eu não volto a cantar