terça-feira, janeiro 20, 2026
Audrey Hepburn morreu há trinta e três anos...
Postado por Fernando Martins às 00:33 0 comentários
Marcadores: actriz, Audrey Hepburn, cinema, Óscar
Aristóteles Onassis nasceu há cento e vinte anos...
Vida
Aristóteles Sócrates Onassis nasceu numa família grega que vivia em Esmirna, região da Ásia Menor onde muitos gregos moravam e que, depois da Primeira Guerra Mundial, era território grego, e que se dedicava ao comércio de tabaco. Em 1922, após uma tentativa frustrada de invadir Istambul, o governo grego perdeu o controle que estabelecera em Esmirna em 1919 e aceitou uma troca de civis. Cerca de 400 mil turcos que habitavam na Grécia voltaram para a sua terra de origem, enquanto que um milhão de helenos chegaram à Grécia como refugiados. A família de Onassis estava nesse grupo.
Em 1927, partiu em direção à Argentina como refugiado, onde tentaria uma nova vida. Em Buenos Aires, falsificou a sua identidade para "envelhecer" seis anos e ter condições legais de trabalhar. Tornou-se telefonista da British United River Plate Telephone Company e, nas horas vagas, estudava por conta própria o mercado financeiro. Com os poucos lucros obtidos pela especulação, pôde comprar roupas sofisticadas, passando a frequentar discretamente a alta sociedade portenha.
Aos poucos, os ganhos de Onassis se tornaram mais significativos e, com a ajuda de seu pai, que permanecera na Grécia, aventurou-se na importação de tabaco turco. A ideia surgiu após Onassis ouvir uma conversa telefónica entre um distribuidor de filmes argentino e um executivo do estúdio Paramount Pictures, onde comentavam uma declaração do ator Rodolfo Valentino sobre as coisas do Oriente estarem em evidência naquele momento. Onassis também considerou que o tabaco turco faria sucesso entre as mulheres, por ser mais suave que o cubano. Enganado por um empresário argentino, perdeu tudo o que possuía. O seu contacto com a terra natal aumentou, e ele decidiu manter-se na exportação de tabaco. Para ampliar a sua capacidade de transporte de tabaco, obteve empréstimos e comprou dois navios no Canadá.
Após um problema burocrático no porto de Roterdão, Onassis trocou a bandeira de seus barcos, agora com registo do Panamá. Com isso, trâmites como número de tripulantes, impostos e tipo de carga passaram a ser resolvidos com mais rapidez, tornando mais baratos os seus processos. Sempre humilde, persistente e criativo, conseguia empréstimos bancários com constância, aumentando o tamanho de sua frota.
Em 1946, casou-se com Athina Livanos, filha de Stavros Livanos, outro empresário grego do setor de marinha mercante. Mudou-se para os Estados Unidos, onde ganhou espaço no mercado de petroleiros e baleeiros. Em 1956, vendeu a sua frota baleeira a japoneses e, com o lucro, comprou navios petroleiros e fundou a companhia aérea Olympic Airways, tornando-se o homem mais rico do mundo. Após diversas negociações com o governo grego, a empresa obteve privilégios para se tornar a linha aérea nacional da Grécia, mesmo sendo propriedade privada.
Em 1959, Onassis iniciou um longo romance com a soprano americana Maria Callas. No ano seguinte, divorciou-se de Athina. A artista chegou a suspender a sua carreira para acompanhar o empresário, até que o grego anunciou o seu casamento com Jacqueline Kennedy, viúva do ex-presidente dos Estados Unidos John F. Kennedy, em 1968. Deprimida, Callas praticamente se retirou.
Na década de 70, o jornal britânico The Times considerou a fortuna do bilionário grego "incomensurável" e Onassis tornou-se o homem mais rico do mundo. Até hoje, foi o que mais tempo permaneceu nessa posição.
A Olympic Airways sobrevivia com dificuldades, mas a família Onassis quis mantê-la, dividindo-a em duas empresas. Com a morte de seu filho Alexander Onassis, num acidente aéreo em 1974, Aristóteles ficou extremamente abalado e decidiu vender a Olympic Airways ao governo grego, que fez dessa companhia um sucesso. A fortuna de Onassis passou a ser considerada colossal.
Morte
Os negócios com os petroleiros estavam bem, mas a saúde do milionário deteriorava. Onassis morreu em 15 de março de 1975, em Neuilly-sur-Seine, França, devido a complicações após uma cirurgia para tratar uma pneumonia, complicação de sua miastenia grave. Encontra-se sepultado na Ilha de Skorpios, na Grécia. A sua fortuna ficou para Christina Onassis, a sua única filha. Ela morreu em Buenos Aires em 1988, e a neta, Athina Roussel, acabou herdando uma fortuna estimada, na altura, em 200 milhões de dólares.
Postado por Fernando Martins às 00:12 0 comentários
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Nuno Teotónio Pereira morreu há dez anos...
Formou-se em Arquitetura na Escola de Belas-Artes de Lisboa. Singular arquiteto com predominância na segunda metade do século XX.
(...)
Ao longo da sua carreira foi condecorado por diversas vezes tendo ganho vários prémios de arquitetura: Prémio da I Exposição Gulbenkian, 1955, com o Bloco das Águas Livres; 2.º Prémio Nacional de Arquitetura da Fundação Gulbenkian, 1961. Prémio AICA de 1985. Prémios Valmor de 1967, 1971, 1975, respetivamente com a Torre de Habitação nos Olivais Norte, o Edifício Franjinhas na Rua Braamcamp e a Igreja do Sagrado Coração de Jesus. Obteve ainda as Menções Honrosas de 1987 e 1988, com o edifício ao n.º 18 na Rua Diogo Silves, e os edifícios aos números 31 a 45 na Rua Gonçalo Nunes, ambos no Restelo. Prémio I.N.H. de Promoção Municipal 1992, com o empreendimento de 144 fogos em Laveiras, Oeiras. Prémio Espiga de Ouro da Câmara Municipal de Beja, 1993 e Prémio Municipal Eugénio dos Santos da CML, 1995. Foi membro honorário da Ordem dos Arquitectos desde novembro de 1994 e Doutor Honoris Causa pela Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto em 2003 e Doutor Honoris Causa pela Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa em 2005.
Entre os seus projetos de arquitetura destacam-se:
- Edifício de habitação na Rua General Silva Freire, números 55 a 55 A (Olivais Norte), em Lisboa (com António Pinto Freitas) - Prémio Valmor, 1967.
- Edifícios de habitação de renda económica, na Avenida da Liberdade, na freguesia de São José de São Lázaro, em Braga 1947.
- Edifício de escritórios e comércio na Rua Braamcamp n.º 9, em Lisboa (conhecido por Edifício Franjinhas) (com João Braula Reis) - Prémio Valmor, 1971.
- Igreja do Sagrado Coração de Jesus (com Nuno Portas) - Prémio Valmor, 1975.
- Bloco das Águas Livres em Lisboa (com Bartolomeu Costa Cabral), 1956.
Postado por Fernando Martins às 00:10 0 comentários
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Jorge V do Reino Unido morreu há noventa anos...
Jorge era neto da rainha Vitória e do príncipe Alberto e primo-irmão dos Imperadores Nicolau II da Rússia e Guilherme II da Alemanha. De 1877 a 1891, ele serviu na Marinha Real. Com a morte da sua avó, em 1901, o seu pai tornou-se rei, como Eduardo VII e Jorge recebeu a investidura de príncipe de Gales. Em 1910, com a morte do pai, tornou-se Rei-Imperador do Império Britânico, sendo o único Imperador da Índia a estar presente no seu Delhi Durbar.
Em 1917, Jorge tornou-se o primeiro monarca da Casa de Windsor, renomeada por ele em lugar da anterior Casa de Saxe-Coburgo-Gota, em virtude do sentimento anti-germânico que dominava o Reino Unido. O seu reinado foi testemunha de mudanças radicais no cenário político mundial, como a ascensão do socialismo, o comunismo, o fascismo, o republicanismo irlandês e o movimento de independência da Índia. A Lei Parlamentar de 1911 estabeleceu a supremacia da elegível Câmara dos Comuns sobre a Câmara dos Lordes. Em 1924, ele nomeou o primeiro gabinete trabalhista e, em 1931, o Estatuto de Westminster reconheceu os domínios do Império como reinos separados, independentes dentro da Commonwealth.
Ele foi atormentado pela doença em grande parte do seu reinado e, após a
sua morte, foi brevemente sucedido pelo seu filho mais velho, Eduardo VIII.
Postado por Fernando Martins às 00:09 0 comentários
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David Lynch nasceu há oitenta anos...

Nascido numa família de classe média em Missoula, Montana, Lynch passou a sua infância viajando pelos Estados Unidos, antes de ir estudar pintura na Academia de Belas Artes da Pensilvânia na Filadélfia, onde ele fez a transição para produzir curtas metragens. Decidindo dedicar-se mais totalmente a esse meio, ele mudou para Los Angeles, onde ele produziu o seu primeiro filme, o filme de terror surrealista Eraserhead (1977). Depois de Eraserhead se tornar um clássico de culto no circuito de filmes de terror, Lynch foi contratado para dirigir The Elephant Man (1980), a partir do qual ele conseguiu sucesso comercial. Depois de ser contratado pela De Laurentiis Entertainment Group, ele procedeu para fazer mais dois filmes: o épico de ficção científica Dune (1984), que foi um fracasso de crítica e bilheteira, e o filme de crime neo-noir Blue Velvet, que foi muito aclamado.
Procedendo para criar a sua própria série de televisão com Mark Frost, a altamente popular Twin Peaks (1990-1992, 2017), ele também criou a prequela cinematográfica Twin Peaks: Fire Walk with Me (1992); um filme de estrada, Wild at Heart (1990), e um filme de família, The Straight Story (1999), no mesmo período. Se virando mais profundamente para o surrealismo, três de seus filmes seguintes trabalharam na estrutura não-linear da "lógica dos sonhos", Lost Highway (1997), Mulholland Drive (2001) e Inland Empire (2006). No entretanto, Lynch começou a usar a a Internet como um meio, produzindo vários programas para a web, como a animação DumbLand (2002) e o sitcom surreal Rabbits (2002).
Postado por Fernando Martins às 00:08 0 comentários
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Meat Loaf morreu há quatro anos...
Michael Lee Aday (born Marvin Lee Aday; Dallas, Texas, September 27, 1947 – Nashville, Tennessee, January 20, 2022), known professionally as Meat Loaf, was an American rock singer and actor known for his powerful, wide-ranging voice and theatrical live shows. He is on the list of bestselling music artists. His Bat Out of Hell trilogy - Bat Out of Hell (1977), Bat Out of Hell II: Back into Hell (1993), and Bat Out of Hell III: The Monster Is Loose (2006) - has sold more than 100 million records worldwide. The first album stayed on the charts for over nine years, as of 2016 still sold an estimated 200,000 copies annually, and is on the list of bestselling albums.
After the commercial success of Bat Out of Hell and Bat Out of Hell II: Back Into Hell, and earning a Grammy Award for Best Solo Rock Vocal Performance for the song "I'd Do Anything for Love", Meat Loaf nevertheless experienced some difficulty establishing a steady career within the United States. The key to this success was his popularity in Europe, especially in the United Kingdom and Ireland. He received the 1994 Brit Award in the United Kingdom for bestselling album and single. He appeared in the 1997 film Spice World and he ranked 23rd for the number of weeks spent on the UK charts in 2006. He ranks 96th on VH1's "100 Greatest Artists of Hard Rock".
Meat Loaf appeared in over 50 films and television shows, sometimes as himself or as characters resembling his stage persona. His film roles included Eddie in The Rocky Horror Picture Show (1975) and Robert Paulson in Fight Club (1999). His early stage work included dual roles in the original Broadway cast of The Rocky Horror Show. He also appeared in the musical Hair, both on and Off-Broadway.
(...)
Meat Loaf died in Nashville, Tennessee, on the evening of January 20, 2022, at the age of 74. No official cause of death was released. He was reportedly ill with COVID-19 earlier in January and reporting by TMZ suggested that he died from COVID-19 complications.
After his health rapidly declined, his two daughters rushed to see him
in the hospital with his wife being beside him as he died. His daughter had posted to Instagram
in early January that: "We are not sick, but we have too many friends
and family testing positive [for COVID-19] right now, positive but doing
OK". Notable people who posted tributes include Bonnie Tyler, Cher, Brian May, Boy George, Piers Morgan, Travis Tritt, Marlee Matlin, Stephen Fry, his Rocky Horror co-star Nell Campbell, and Donald Trump. The Queen's Guard performed a rendition of "I'd Do Anything for Love (But I Won't Do That)".

Postado por Fernando Martins às 00:04 0 comentários
Marcadores: hard rock, I'd Do Anything For Love (But I Wont Do That), Meat Loaf, música, Rock
segunda-feira, janeiro 19, 2026
Hoje é dia de ouvir The Mamas and The Papas...
Postado por Pedro Luna às 19:00 0 comentários
Marcadores: anos 60, Canadá, Denny Doherty, folk, Monday Monday, música, pop, The Mamas and The Papas
Saudades de Fiama Hasse Pais Brandão...
O súbito fraseador que mimava
a sua fala pela do vento
não me disse Heraclito fui,
tal como eu o pensei.
Disse só deste lado do recorte
da serra sopra mais.
Ouvir por dentro. Clarear
traços que nos separam
da figura falante. O amanho
da Terra liga-nos.
Ouvinte do vento, não me
disse como eu: Verdade
e substância, na primeira apanha.
Quietude. Êxtase, na eclosão.
Cavou ao longo da esticada corda
que orienta as leiras. Esteve
em movimento ali um dia: Ó terra,
tudo está nos sentidos
antes do senso, voz certa,
som áspero, vento de rajadas grossas.
in Três Rostos - Ecos (1989) - Fiama Hasse Pais Brandão
Postado por Pedro Luna às 19:00 0 comentários
Marcadores: Fiama Hasse Pais Brandão, poesia, Poesia 61, teatro
Cézanne nasceu há 187 anos...


Postado por Fernando Martins às 18:07 0 comentários
Marcadores: França, impressionismo, modernismo, Paul Cézanne, pintura, pós-impressionismo
Il Trovatore, ópera de Verdi, teve a première há 173 anos...
Postado por Fernando Martins às 17:30 0 comentários
Marcadores: Giuseppe Verdi, Il Trovatore, Maria Callas, Miserere, música, Ópera, Verdi
Saudades de Etta James...
Postado por Pedro Luna às 14:00 0 comentários
Marcadores: At Last, blues, Etta James, gospel, jazz, música, Rhythm and Blues, Rock and Roll, soul
Música para recordar um Poeta...
Não canto porque sonho
Não canto porque sonho.
Canto porque és real.
Canto o teu olhar maduro,
o teu sorriso puro,
a tua graça animal.
Canto porque sou homem.
Se não cantasse seria
somente um bicho sadio
embriagado na alegria
da tua vinha sem vinho.
Canto porque o amor apetece.
Porque o feno amadurece
nos teus braços deslumbrados.
Porque o meu corpo estremece
por vê-los nus e suados.
in As mãos e os frutos (1948) - Eugénio de Andrade
Postado por Pedro Luna às 11:11 0 comentários
Marcadores: Eugénio de Andrade, Fausto, música, poesia, Zeca Afonso
Porque ainda é urgente o Amor...

É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.
Eugénio de Andrade
Postado por Pedro Luna às 10:30 0 comentários
Marcadores: Eugénio de Andrade, poesia
Miguel José Ferrer morreu há nove anos...
Miguel José Ferrer (Santa Mónica, 7 de fevereiro de 1955 - Santa Mónica, 19 de janeiro de 2017) foi um ator norte-americano, frequentemente escolhido para fazer papéis de vilões. Morreu aos 61 anos, vítima de cancro na garganta.
Postado por Fernando Martins às 09:00 0 comentários
Marcadores: actor, Miguel José Ferrer
Saudade de Nara Leão...
Postado por Pedro Luna às 08:40 0 comentários
Marcadores: Bossa-nova, Brasil, Manhã de carnaval, MPB, música, Nara Leão, O barquinho, O pato, Roberto Menescal
Janis Joplin nasceu há oitenta e três anos...
Postado por Fernando Martins às 08:30 0 comentários
Marcadores: blues, clube dos 27, country, folk, Janis Joplin, jazz, música, Piece of my heart, Rock, rock psicadélico, soul
Hoje é dia de ouvir country...
Postado por Pedro Luna às 08:00 0 comentários
Marcadores: bluegrass, country, Dolly Parton, gospel, Jolene, música, pop, USA
Dewey Bunnell, fundador da banda America, celebra hoje 74 anos
Bunnell conheceu Gerry Beckley e Dan Peek ainda na escola, na Inglaterra. Os três formaram os America e gravaram o primeiro disco da banda em 1971.
Assim como os outros membros, Bunnell compunha, cantava e tocava viola. As suas composições mais famosas são "A Horse With No Name" e "Ventura Highway".
Bunnell ainda é membro dos America, juntamente com o outro membro fundador, Gerry Beckley.
in Wikipédia
Postado por Fernando Martins às 07:40 0 comentários
Marcadores: A Horse With No Name, America, Dewey Bunnell, folk rock, música, Rock
Saudades de Robert Palmer...
Postado por Pedro Luna às 07:07 0 comentários
Marcadores: anos 80, Johnny and Mary, música, Robert Palmer
Edgar Allan Poe nasceu há 217 anos...
Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de alguém que batia levemente a meus umbrais
«Uma visita», eu me disse, «está batendo a meus umbrais.
.............. É só isso e nada mais.»
Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P'ra esquecer (em vão) a amada, hoje entre hostes celestiais —
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
.............. Mas sem nome aqui jamais!
Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundindo força, eu ia repetindo,
«É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.
.............. É só isso e nada mais».
E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
«Senhor», eu disse, «ou senhora, decerto me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi...» E abri largos, franquendo-os, meus umbrais.
.............. Noite, noite e nada mais.
A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais —
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.
.............. Isto só e nada mais.
Para dentro estão volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
«Por certo», disse eu, «aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais.»
Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.
.............. «É o vento, e nada mais.»
Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais.
.............. Foi, pousou, e nada mais.
E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
«Tens o aspecto tosquiado», disse eu, «mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais.»
.............. Disse-me o corvo, «Nunca mais».
Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos seus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,
.............. Com o nome «Nunca mais».
Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
Perdido, murmurei lento, «Amigo, sonhos — mortais
Todos — todos lá se foram. Amanhã também te vais».
.............. Disse o corvo, «Nunca mais».
A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
«Por certo», disse eu, «são estas vozes usuais.
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais
.............. Era este «Nunca mais».
Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu'ria esta ave agoureira dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,
.............. Com aquele «Nunca mais».
Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sombras desiguais,
Naquele veludo onde ela, entre as sombras desiguais,
.............. Reclinar-se-á nunca mais!
Fez-me então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
«Maldito!», a mim disse, «deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!»
.............. Disse o corvo, «Nunca mais».
«Profeta», disse eu, «profeta — ou demónio ou ave preta!
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais,
Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!»
.............. Disse o corvo, «Nunca mais».
«Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!, eu disse. «Parte!
Torna à noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!»
.............. Disse o corvo, «Nunca mais».
E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha dor de um demónio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão mais e mais,
E a minh'alma dessa sombra, que no chão há mais e mais,
.............. Libertar-se-á... nunca mais!
Postado por Fernando Martins às 02:17 0 comentários
Marcadores: contos, Edgar Allan Poe, ficção científica, literatura policial, poesia, romantismo




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