Sonia Delaunay (nascida Sarah Illinitchna Stern; Gradizhsk, 14 de novembro de 1885 - Paris, 5 de dezembro de 1979) foi uma pintora, designer, figurinista e cenógrafa ucraniano-francesa.
Considerada uma artista abstrata multidisciplinar e figura-chave
do avant-garde parisiense, Sonia e o seu marido, Robert Delaunay, foram
pioneiros do movimento do simultaneísmo,
onde exploravam a interseção entre as cores, criando uma sensação de
profundidade e movimento. Sonia foi a primeira artista mulher a ganhar
uma mostra no Museu do Louvre em 1964. Em 2015 a sua arte voltou a ser lembrada numa grande retrospetiva que o Museu de Arte Moderna de Paris realizou.
Biografia
Sonia nasceu em 1885 no seio de uma família judaica da Ucrânia, ainda pertencente ao Império Russo.
Quando tinha apenas 11 anos, ela foi morar com seu tio abastado, Henri
Terk e sua esposa Anna, em São Petersburgo, na Rússia. Lá ela pode viver
a cultura arrojada da época, ainda que Sonia retornasse com frequência à
Ucrânia e às suas paisagens do interior. O casal Terk adotou-a
oficialmente e levaram-nas suas viagens pela Europa, onde lhe mostraram
galerias de arte e a pintores. Foi um professor que notou suas
habilidades para desenho.
Estudou em São Petersburgo e, posteriormente, Academia de Belas Artes de Karlsruhe, na Alemanha. Depois instalou-se em Paris, aos 20 anos, frequentando a Académie de La Palette, em Montparnasse, onde conheceu o pintor Amédée Ozenfant. Nos trabalhos que realizou neste primeiro período é notória a marca da obra de Paul Gauguin e de Van Gogh,
na busca da liberdade e das qualidades expressivas da cor. Por outro
lado, o seu interesse pela exploração dos valores e das relações
cromáticas aproxima-a dos pintores fauvistas, com os quais expõe algumas
obras.
No seu primeiro ano na Académie, Sonia aceitou casar, num casamento branco por
conveniência, com o dono de uma galeria, Wilhelm Uhde, que era homossexual. Foi
devido a essa união que Sonia conseguiu entrar no mercado de
belas-artes. Em 1909, ela conheceu o artista francês Robert Delaunay,
de quem logo se tornou amante. Sonia engravidou de Robert, pediu o
divórcio de Uhde e se casou com Robert em novembro de 1910. Charles
Delaunay nasceu em janeiro de 1911.
Fugindo da I Guerra Mundial, foram viver, com o filho Charles, em Vila do Conde, entre o verão de 1915 e começo de 1917, numa casa a que chamaram La Simultané. Aí aprofundaram a amizade com os pintores Amadeo de Souza-Cardoso e Almada Negreiros.
Esse breve ano e meio em Vila do Conde foi considerado por Sonia o seu
período de vida mais feliz e no qual realizou importante obras. Até
meados de 1916 o casal teve, em Vila do Conde, a companhia dos pintores Eduardo Viana e Samuel Halpert.
O seu pensamento criativo e polivalente dominou as esferas da
pintura, artes aplicadas, arquitetura, automóveis, vestuário e
mobiliário. Sua intensa exploração cromática trouxe uma enorme expansão
ao design têxtil e foi responsável pela introdução da linguagem da arte
da cor na vida quotidiana. Sonia direcionou o seu trabalho para a história da abstração e escreveu:
| “
|
(...)
nova pintura começará quando entendermos que a cor tem uma vida
própria, que suas infinitas combinações têm a sua poesia... |
” |
Últimos anos e morte
Robert morreu devido a um cancro em outubro de 1941. No final da II Guerra Mundial,
Sonia tornou-se membro do Salão de Novos Criadores. Em 1964, ela e o
filho doaram 114 trabalhos, assinados por ela e por Robert, ao Museu
Nacional de Arte Moderna. Ela ainda criou tecidos, porcelanas e
joias, inspirados na sua obra dos anos 20. Em 1978 lançou uma
autobiografia.
Sonia morreu em 5 de dezembro de 1979, em Paris, aos 94 anos.

Retrato de L.N.Vilkina-Minskaya, 1907

Contrastes simultanés, 1913
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