Frederik Willem de Klerk (
Joanesburgo,
18 de março de
1936 -
Cidade do Cabo,
11 de novembro de
2021) foi um
político sul-africano que serviu como
presidente da África do Sul de
setembro de
1989 a
maio de
1994, tendo sido o último branco a ocupar o cargo. De Klerk foi também o líder do
Partido Nacional, de
fevereiro de 1989 a setembro de
1997.
Nascido em Joanesburgo numa influente família africânder, de Klerk estudou na Universidade de Potchefstroom antes de começar uma carreira como advogado. Ele filiou-se no Partido Nacional, que tinha ligações com a sua família, sendo eleito para o Parlamento e foi membro do governo de P. W. Botha, servindo em vários postos ministeriais. Como ministro, ele apoiou e implementou políticas do apartheid, um sistema de segregação racial que privilegiava os sul-africanos brancos
em detrimento da maioria negra. Após a renúncia do presidente Botha em
1989, de Klerk substitui-o, primeiro como líder do Partido Nacional e
depois como Presidente do país. Embora observadores da época
acreditassem que de Klerk continuaria com as políticas de Botha de defesa do apartheid,
ele decidiu seguir ao caminho oposto e
apostar na abertura política e encerrar a política estatal de
segregação. Ele estava ciente da crescente animosidade e violência
étnica que estava a levar a África do Sul a uma guerra civil racial. No
meio dessa crise, as forças de segurança do Estado cometeram abusos
generalizados de direitos humanos e encorajavam a violência entre os
povos xhosa e zulu,
embora de Klerk negasse que sancionava estas atitudes. Então, para
apaziguar o clima tenso interno da nação, além das condenações da comunidade internacional,
ele permitiu marchas e manifestações anti-apartheid, legalizou uma
série de partidos políticos anti-apartheid anteriormente proibidos e
libertou ativistas presos, incluindo Nelson Mandela. O presidente também desmantelou o programa nuclear sul-africano.
De Klerk negociou com Mandela o desmantelamento do governo do apartheid e estabeleceu a transição política para o sufrágio universal. Em 1993, ele formalmente pediu desculpas pelos efeitos maléficos do apartheid, mas não pelo apartheid em si. Ele supervisionou as eleições livres de 1994, onde Mandela liderou o Congresso Nacional Africano
(o ANC) e o levou à vitória; o Partido Nacional de Frederik de Klerk terminou em
segundo lugar. De Klerk foi vice-presidente de Mandela na sua coligação,
formando o Governo de Unidade Nacional. Nesta posição, ele apoiou as
políticas económicas liberais do governo de Mandela, mas opôs-se à
instituição da Comissão de Verdade e Reconciliação, que deveria investigar violações de direitos humanos na era do apartheid.
De Klerk defendia uma amnistia completa. A sua relação de trabalho com Mandela
era tensa, embora mais tarde ele falasse positivamente dele. Em maio de
1996, após o Partido Nacional se opor à nova constituição
do país, de Klerk retirou-se da coligação de governo; o partido
desfez-se no ano seguinte e reapareceu como o "Novo Partido Nacional".
Em
1997, ele retirou-se da política ativa e, a partir daí, lecionou
internacionalmente.
De Klerk foi uma figura controversa. Ele recebeu vários prémios, incluindo um Nobel da Paz, ganhando muitos elogios por desmantelar o apartheid e trazer o sufrágio universal para a África do Sul. Por outro lado, ativistas anti-apartheid criticaram-no por oferecer apenas um pedido de desculpas básico pelo
regime repressivo e por ignorar os abusos de direitos humanos pelas
forças de segurança do Estado. Enquanto isso, membros da extrema-direita sul-africana e supremacistas brancos acusaram-no de traição, por abandonar o apartheid.
Em 19 de março de 2021, foi anunciado que De Klerk sofria com mesotelioma, um tipo de cancro. Alguns meses depois, em 11 de novembro, faleceu na sua casa, na Cidade do Cabo, enquanto dormia, aos 85 anos de idade.