quinta-feira, março 05, 2026
Prokofiev morreu há 73 anos...
Postado por Fernando Martins às 07:30 0 comentários
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Anna Akhmatova morreu há sessenta anos...
Do ciclo os mistérios do ofício
Não me importa o exército das odes,
Nem o jogo torneado da elegia.
Nos versos, tudo é fora de propósito.
Não como entre as pessoas, – me dizia.
Saibam vocês, o verso, é do monturo
Que eles se alenta, sem vexame disso,
Como um dente-de-leão pegado ao muro,
Anserina, bardana, erva-de-lixo.
Grito de zanga, um travo de alcatrão,
Um bolor misterioso que esverdinha…
E eis o verso, furor e mansidão,
Para alegria de vocês e minha.
Anna Akhmatova
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quarta-feira, março 04, 2026
Nikolai Gogol morreu há 174 anos...
Vida
Com vinte anos (1829), o jovem Gogol vai para São Petersburgo, onde conhece Alexandre Púchkin, o maior escritor russo de então, que lhe inspira devota amizade, fervorosa empatia e ideias novas para obras que ainda não tinham vindo à luz do dia, nomeadamente Noites na Herdade de Dikanka, sua obra de estreia, que viria a ser publicada em 1831, obtendo, então, Gogol o seu primeiro êxito. Mas, desde cedo, revela uma personalidade complexa.
Amante fervoroso da verdade, Gogol foi um homem repleto de preocupações místicas, religiosas e patrióticas. A sua obra reflete o lado moralista das questões que dizem respeito à condição humana, trágica e inapelavelmente prisioneira na sua jaula. Gogol não foi político, não possuía um programa de ação contra o regime, que fazia da Rússia da época um país "metade caserna, metade prisão".
O seu pai, antigo oficial cossaco, desenvolveu seu gosto pela literatura, mas nunca foi um amparo na infância de Nikolai, ainda que o jovem nutrisse, por seu pai, verdadeira amizade. A sua mãe transmitiu-lhe a fé religiosa, que veio a desencadear um misticismo doentio.
Depois de estudos medíocres, este jovem de fisionomia austera deixa a Ucrânia e encontra um modesto emprego de escritório ministerial em São Petersburgo. A distância de seu país natal e a nostalgia que dela resulta inspiraram alguns dos seus escritos. A panóplia de obras e romances do então "funcionário para sempre enclausurado" avivaram a sua carreira como autor, e após haver conhecido pessoalmente o romântico Alexandre Púchkin, sua obra despoletaria um realismo próprio - não diremos insuflado, mas uma fonte riquíssima em artifícios paradoxais, tal como Dostoiévski havia traçado em sua obra. Prova desse realismo típico veio a ser a novela O Capote, cujo herói se tornara arquétipo do pequeno funcionário russo.
De facto, a sua intervenção não é outra senão denunciar os vícios e abusos no interior da alma humana, humilhada e atravancada de emoções contraditórias. Em pleno desarranjo emocional, Gogól foge e recomeça a viajar pela Europa. A morte de Púchkin no ano de 1837, num desinteressante duelo, abala profundamente Gogol. "Agora tenho a obrigação de concluir a obra cuja ideia fora do meu amigo". Referia-se, naturalmente, ao alentado texto de Almas Mortas.
Tenta publicar a obra em Moscovo em 1841, mas o Comité Moscovita de Censura recusa. Não é senão após uma intervenção dos amigos do autor que o livro é publicado, em 1842. O romance é uma descrição em detalhe das preocupações do homem russo numa Rússia profunda; uma sátira às vezes impiedosa, que, porém, guarda, subjacente, o profundo e natural amor de Gogol pelo país. De 1837 a 1843, vive em Roma. Regressa à Rússia, doente. Um misticismo religioso acentuado induziu-o a abandonar as antigas ideias liberais para se tornar um defensor da autocracia. Essa fase mística virá a exacerbar-se após a sua viagem à Palestina, em 1849.
As tribulações recomeçam: Itália, França, Alemanha etc. Em 1848, faz uma peregrinação a Jerusalém. A pouco e pouco, sua saúde se degrada, e ainda mais devido à sua irritável hipocondria que em nada o recompõe; seu sentimento religioso se exalta. Gogol se torna cada vez mais místico, impelido em ir buscar, pelo sentimento religioso, a salvação da alma.
De volta a Moscovo, redige a segunda parte de Almas Mortas. Mas seu estado físico se degrada incessante, mercê do sonho que o acompanha desde jovem: mesmo homem absolutamente sadio e regrado, sua ânsia por uma nova ordem das coisas o martiriza. No início de fevereiro de 1852, num momento de delírio, segundo dizem, ele queima, na lareira de seu quarto, todos os manuscritos inéditos - inclusive o fim da segunda parte de Almas Mortas. O romance é uma belíssima e irónica ficção sobre a corrupção de uma classe decadente que domina o povo ignorante e escravo do Estado. Mas nunca fora concluída.
Morreu em 21 de fevereiro de 1852. Foram-lhe concedidas cerimónias e reconhecimento únicos: seu corpo embalsamado segue insepulto por mais de um dia, carregado pelos estudantes, que oferecem homenagens acaloradas em memória do grande escritor. Está enterrado no Cemitério Novodevichy, em Moscovo.
A sua obra fez de Nikolai Gogol o maior escritor de língua russa da primeira metade do século XIX, o verdadeiro introdutor do realismo na literatura russa e o precursor genial de todos os grandes escritores russos que se lhe seguiram. Como disse Dostoiévski: "Todos nós saímos de O Capote de Gógol". Toda a literatura russa, que já muito devia a Púchkin, colherá, em Gógol, os maiores ensinamentos.
Postado por Fernando Martins às 17:40 0 comentários
Marcadores: literatura, Nikolai Gogol, Rússia, Ucrânia
O físico George Gamow nasceu há 122 anos...
George Anthony Gamow (Odessa, 4 de março de 1904 - Boulder, 19 de agosto de 1968) foi um físico e divulgador científico norte-americano, nascido na Ucrânia. Gamow tornou-se cidadão dos Estados Unidos da América em 1940.
Carreira científica
No fim da década de 30, Gamow iniciou estudos sobre cosmologia relativística, em colaboração com Edward Teller na Universidade George Washington. Ele procurava entender a origem dos elementos químicos num universo primordial quente e denso. Para isso, ele adotou o modelo em expansão desenvolvido por Alexander Friedmann e Georges Lemaître.
O modelo de Gamow tinha muitos aspetos comuns ao modelo do átomo primordial, proposto por Lemaître em 1931: um universo primordial muito pequeno, quente e denso, que passou a se expandir e a arrefecer. No instante inicial o volume seria nulo, o que caracteriza a chamada singularidade inicial: toda a matéria existente estaria concentrada num ponto de densidade infinita.
Após a II Guerra Mundial, Gamow publicou com Ralph Alpher e Robert Herman uma série de artigos desenvolvendo esta teoria, que ficou posteriormente conhecida como a teoria do Big Bang. O mais famoso destes trabalhos foi publicado em 1948, pouco antes da defesa da tese de Alpher, orientada por Gamow. Gamow convenceu Alpher a adicionar no artigo o nome de Hans Bethe (que não participara da conceção do trabalho...) para fazer um trocadilho com as três primeiras letras do alfabeto grego: alfa, beta e gama.
Segundo a teoria cosmológica desenvolvida por Gamow e seus colaboradores, todos os elementos químicos teriam sido formados no universo primordial por reações de fusão nuclear. Uma teoria rival, proposta por Fred Hoyle, buscava explicar a origem dos elementos químicos nas estrelas por meio da teoria do estado estacionário, segundo a qual o universo jamais teria sido mais denso do que é atualmente.
Alpher, Herman e Gamow propuseram que, segundo o seu modelo cosmológico, deveria haver uma radiação de fundo que a princípio poderia ser detetada, mas não conseguiram convencer nenhum cientista a tentar investigá-la. Os seus estudos foram praticamente ignorados até à década de 60.
Em 1963, porém, Arno Penzias e Robert Woodrow Wilson, do Bell Telephone Laboratories, em Nova Jersey detetaram essa radiação por acaso, ao fazerem uma pesquisa que não estava relacionada à cosmologia. Em 1965 publicaram um artigo em colaboração com Robert Dicke e James Peebles, sugerindo que haviam detetado uma evidência a favor da chamada cosmologia do Big Bang. Então, após certo tempo, a comunidade reconheceu os trabalhos anteriores de Gamow, Alpher e Herman.
Postado por Fernando Martins às 01:22 0 comentários
Marcadores: big bang, cosmologia, Física, George Gamow, nucleossíntese, Ucrânia
terça-feira, fevereiro 24, 2026
quarta-feira, janeiro 14, 2026
Sergei Koroliov morreu há sessenta anos...
Apesar de Koroliov ter sido formado como um projetista de aeronaves, os seus maiores esforços concentraram-se na integração de projetos, organização e planeamento estratégico. Preso com a acusação de ser "membro de uma organização antirrevolucionária e anti soviética" (que posteriormente foi reduzido para "sabotador de tecnologia militar"), foi preso em 1938 por quase seis anos, incluindo alguns meses no campo de trabalho de Kolimá. Após a sua libertação tornou-se um projetista de foguetes reconhecido e uma figura chave no desenvolvimento do programa dos misseis balísticos intercontinentais. Posteriormente ele veio a dirigir o programa espacial soviético e foi feito Membro da Academia de Ciências da União Soviética, supervisionando os sucessos dos projetos Sputnik e Vostok, incluindo a primeira missão orbital tripulada no dia 12 de abril de 1961. A sua morte inesperada em 1966 interrompeu a implementação de seus planos de um pouso tripulado na Lua antes dos Estados Unidos.
As verdadeiras circunstâncias da morte de Koroliov continuam um tanto incertas. Em dezembro de 1965 ele teria sido diagnosticado com um pólipo sangrento no intestino grosso. Ele entrou no hospital no dia 5 de janeiro de 1966, para uma cirurgia relativamente rotineira, mas faleceu nove dias depois. Foi declarado pelo governo que o que ele tinha se tornou um grande tumor no seu abdómem, mas Glushko relatou que ele faleceu por uma operação mal-feita contra hemorroidas. Outra versão diz que a operação ia bem e não se previam complicações. Repentinamente, durante a operação, Koroliov sofreu uma hemorragia. Os médicos tentaram entubá-lo para possibilitar que respirasse sem problemas, mas o seu maxilar, ferido devido ao seu tempo no Gulag, não se havia se curado corretamente e impedia a instalação do tubo. Koroliov faleceu sem retomar a consciência. De acordo com Harford, a família de Koroliov confirmou a história do cancro. O seu coração enfraquecido contribuiu para seu falecimento durante a cirurgia.
Koroliov costuma ser comparado com Wernher von Braun como o principal arquiteto da Corrida Espacial.Postado por Fernando Martins às 06:00 0 comentários
Marcadores: cosmonáutica, foguetões, Sputnik, Ucrânia, URSS, Vostok
segunda-feira, janeiro 12, 2026
Sergei Koroliov nasceu há 119 anos
Apesar de Koroliov ter sido formado como um projetista de aeronaves, os seus maiores esforços concentraram-se na integração de projetos, organização e planeamento estratégico. Preso com a acusação de ser "membro de uma organização antirrevolucionária e anti soviética" (que posteriormente foi reduzido para "sabotador de tecnologia militar"), foi preso em 1938 por quase seis anos, incluindo alguns meses no campo de trabalho de Kolimá. Após a sua libertação tornou-se um projetista de foguetes reconhecido e uma figura chave no desenvolvimento do programa dos misseis balísticos intercontinentais. Posteriormente ele veio a dirigir o programa espacial soviético e foi feito membro da Academia de Ciências da União Soviética, supervisionando os sucessos dos projetos Sputnik e Vostok, incluindo a primeira missão orbital tripulada, no dia 12 de abril de 1961. A sua morte inesperada em 1966 interrompeu a implementação de seus planos de um pouso tripulado na Lua antes dos Estados Unidos.
As verdadeiras circunstâncias da morte de Koroliov continuam um tanto incertas. Em dezembro de 1965 ele teria sido diagnosticado com um pólipo sangrento no intestino grosso. Ele entrou no hospital no dia 5 de janeiro de 1966, para uma cirurgia relativamente rotineira, mas faleceu nove dias depois. Foi declarado pelo governo que o que ele tinha se tornou um grande tumor no seu abdómen, mas Glushko relatou que ele faleceu por uma operação mal-feita contra hemorroidas. Outra versão diz que a operação ia bem e não se previam complicações. Repentinamente, durante a operação, Koroliov sofreu uma hemorragia. Os médicos tentaram entubá-lo, para possibilitar que respirasse sem problemas, mas o seu maxilar, ferido devido ao seu tempo no Gulag, não se havia se curado corretamente e impedia a instalação do tubo. Koroliov faleceu sem retomar a consciência. De acordo com Harford, a família de Koroliov confirmou a história do cancro. O seu coração enfraquecido contribuiu para seu falecimento durante a cirurgia.
Koroliov costuma ser comparado com Wernher von Braun como o principal arquiteto da Corrida Espacial.Postado por Fernando Martins às 01:19 0 comentários
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sexta-feira, dezembro 05, 2025
Sonia Delaunay morreu há 46 anos...
Sonia Delaunay (nascida Sarah Illinitchna Stern; Gradizhsk, 14 de novembro de 1885 - Paris, 5 de dezembro de 1979) foi uma pintora, designer, figurinista e cenógrafa ucraniano-francesa.
Considerada uma artista abstrata multidisciplinar e figura-chave do avant-garde parisiense, Sonia e o seu marido, Robert Delaunay, foram pioneiros do movimento do simultaneísmo, onde exploravam a interseção entre as cores, criando uma sensação de profundidade e movimento. Sonia foi a primeira artista mulher a ganhar uma mostra no Museu do Louvre em 1964. Em 2015 a sua arte voltou a ser lembrada numa grande retrospetiva que o Museu de Arte Moderna de Paris realizou.
Biografia
Sonia nasceu em 1885 no seio de uma família judaica da Ucrânia, ainda pertencente ao Império Russo. Quando tinha apenas 11 anos, ela foi morar com seu tio abastado, Henri Terk e sua esposa Anna, em São Petersburgo, na Rússia. Lá ela pode viver a cultura arrojada da época, ainda que Sonia retornasse com frequência à Ucrânia e às suas paisagens do interior. O casal Terk adotou-a oficialmente e levaram-nas suas viagens pela Europa, onde lhe mostraram galerias de arte e a pintores. Foi um professor que notou suas habilidades para desenho.
Estudou em São Petersburgo e, posteriormente, Academia de Belas Artes de Karlsruhe, na Alemanha. Depois instalou-se em Paris, aos 20 anos, frequentando a Académie de La Palette, em Montparnasse, onde conheceu o pintor Amédée Ozenfant. Nos trabalhos que realizou neste primeiro período é notória a marca da obra de Paul Gauguin e de Van Gogh, na busca da liberdade e das qualidades expressivas da cor. Por outro lado, o seu interesse pela exploração dos valores e das relações cromáticas aproxima-a dos pintores fauvistas, com os quais expõe algumas obras.
No seu primeiro ano na Académie, Sonia aceitou casar, num casamento branco por conveniência, com o dono de uma galeria, Wilhelm Uhde, que era homossexual. Foi devido a essa união que Sonia conseguiu entrar no mercado de belas-artes. Em 1909, ela conheceu o artista francês Robert Delaunay, de quem logo se tornou amante. Sonia engravidou de Robert, pediu o divórcio de Uhde e se casou com Robert em novembro de 1910. Charles Delaunay nasceu em janeiro de 1911.
Fugindo da I Guerra Mundial, foram viver, com o filho Charles, em Vila do Conde, entre o verão de 1915 e começo de 1917, numa casa a que chamaram La Simultané. Aí aprofundaram a amizade com os pintores Amadeo de Souza-Cardoso e Almada Negreiros. Esse breve ano e meio em Vila do Conde foi considerado por Sonia o seu período de vida mais feliz e no qual realizou importante obras. Até meados de 1916 o casal teve, em Vila do Conde, a companhia dos pintores Eduardo Viana e Samuel Halpert.
O seu pensamento criativo e polivalente dominou as esferas da pintura, artes aplicadas, arquitetura, automóveis, vestuário e mobiliário. Sua intensa exploração cromática trouxe uma enorme expansão ao design têxtil e foi responsável pela introdução da linguagem da arte da cor na vida quotidiana. Sonia direcionou o seu trabalho para a história da abstração e escreveu:
| “ | (...) nova pintura começará quando entendermos que a cor tem uma vida própria, que suas infinitas combinações têm a sua poesia... | ” |
Últimos anos e morte
Robert morreu devido a um cancro em outubro de 1941. No final da II Guerra Mundial, Sonia tornou-se membro do Salão de Novos Criadores. Em 1964, ela e o filho doaram 114 trabalhos, assinados por ela e por Robert, ao Museu Nacional de Arte Moderna. Ela ainda criou tecidos, porcelanas e joias, inspirados na sua obra dos anos 20. Em 1978 lançou uma autobiografia.
Sonia morreu em 5 de dezembro de 1979, em Paris, aos 94 anos.
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Retrato de L.N.Vilkina-Minskaya, 1907
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Contrastes simultanés, 1913
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quinta-feira, dezembro 04, 2025
Serguei Bubka comemora hoje 62 anos
Postado por Fernando Martins às 06:20 0 comentários
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sexta-feira, novembro 14, 2025
A pintora Sonia Delaunay nasceu há 140 anos...
Sonia Delaunay (nascida Sarah Illinitchna Stern; Gradizhsk, 14 de novembro de 1885 - Paris, 5 de dezembro de 1979) foi uma pintora, designer, figurinista e cenógrafa ucraniano-francesa.
Considerada uma artista abstrata multidisciplinar e figura-chave do avant-garde parisiense, Sonia e o seu marido, Robert Delaunay, foram pioneiros do movimento do simultaneísmo, onde exploravam a interseção entre as cores, criando uma sensação de profundidade e movimento. Sonia foi a primeira artista mulher a ganhar uma mostra no Museu do Louvre em 1964. Em 2015 a sua arte voltou a ser lembrada numa grande retrospetiva que o Museu de Arte Moderna de Paris realizou.
Biografia
Sonia nasceu em 1885 no seio de uma família judaica da Ucrânia, ainda pertencente ao Império Russo. Quando tinha apenas 11 anos, ela foi morar com seu tio abastado, Henri Terk e sua esposa Anna, em São Petersburgo, na Rússia. Lá ela pode viver a cultura arrojada da época, ainda que Sonia retornasse com frequência à Ucrânia e às suas paisagens do interior. O casal Terk adotou-a oficialmente e levaram-nas suas viagens pela Europa, onde lhe mostraram galerias de arte e a pintores. Foi um professor que notou suas habilidades para desenho.
Estudou em São Petersburgo e, posteriormente, Academia de Belas Artes de Karlsruhe, na Alemanha. Depois instalou-se em Paris, aos 20 anos, frequentando a Académie de La Palette, em Montparnasse, onde conheceu o pintor Amédée Ozenfant. Nos trabalhos que realizou neste primeiro período é notória a marca da obra de Paul Gauguin e de Van Gogh, na busca da liberdade e das qualidades expressivas da cor. Por outro lado, o seu interesse pela exploração dos valores e das relações cromáticas aproxima-a dos pintores fauvistas, com os quais expõe algumas obras.
No seu primeiro ano na Académie, Sonia aceitou casar, num casamento branco por conveniência, com o dono de uma galeria, Wilhelm Uhde, que era homossexual. Foi devido a essa união que Sonia conseguiu entrar no mercado de belas-artes. Em 1909, ela conheceu o artista francês Robert Delaunay, de quem logo se tornou amante. Sonia engravidou de Robert, pediu o divórcio de Uhde e se casou com Robert em novembro de 1910. Charles Delaunay nasceu em janeiro de 1911.
Fugindo da I Guerra Mundial, foram viver, com o filho Charles, em Vila do Conde, entre o verão de 1915 e começo de 1917, numa casa a que chamaram La Simultané. Aí aprofundaram a amizade com os pintores Amadeo de Souza-Cardoso e Almada Negreiros. Esse breve ano e meio em Vila do Conde foi considerado por Sonia o seu período de vida mais feliz e no qual realizou importante obras. Até meados de 1916 o casal teve, em Vila do Conde, a companhia dos pintores Eduardo Viana e Samuel Halpert.
O seu pensamento criativo e polivalente dominou as esferas da pintura, artes aplicadas, arquitetura, automóveis, vestuário e mobiliário. Sua intensa exploração cromática trouxe uma enorme expansão ao design têxtil e foi responsável pela introdução da linguagem da arte da cor na vida quotidiana. Sonia direcionou o seu trabalho para a história da abstração e escreveu:
| “ | (...) nova pintura começará quando entendermos que a cor tem uma vida própria, que suas infinitas combinações têm a sua poesia... | ” |
Últimos anos e morte
Robert morreu devido a um cancro em outubro de 1941. No final da II Guerra Mundial, Sonia tornou-se membro do Salão de Novos Criadores. Em 1964, ela e o filho doaram 114 trabalhos, assinados por ela e por Robert, ao Museu Nacional de Arte Moderna. Ela ainda criou tecidos, porcelanas e joias, inspirados na sua obra dos anos 20. Em 1978 lançou uma autobiografia.
Sonia morreu em 5 de dezembro de 1979, em Paris, aos 94 anos.
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Retrato de L.N.Vilkina-Minskaya, 1907
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Postado por Fernando Martins às 00:14 0 comentários
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segunda-feira, setembro 29, 2025
O massacre nazi de Babi Yar foi há 84 anos...
| “ | Ordena-se a todos os judeus residentes de Kiev e suas vizinhanças que compareçam à esquina das ruas Melnyk e Dokterivsky, às 8 horas da manhã de segunda-feira, 29 de setembro de 1941 trazendo documentos, dinheiro, roupa interior, etc. Aqueles que não comparecerem serão fuzilados. Aqueles que entrarem nas casas evacuadas por judeus e roubarem pertences destas casas serão fuzilados. | ” |
| “ | As testemunhas oculares disseram que, meses após as mortes, o solo de Babi Yar continuava a esguichar geyseres de sangue. | ” |
Postado por Fernando Martins às 08:40 0 comentários
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segunda-feira, setembro 22, 2025
Isaac Stern morreu há vinte e quatro anos...
Postado por Fernando Martins às 00:24 0 comentários
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domingo, julho 27, 2025
Há vinte e três anos houve um acidente trágico num festival aéreo na Ucrânia...
O desastre do show aéreo Sknyliv ocorreu em 27 de julho de 2002, quando um caça Sukhoi Su-27 pilotado por Volodymyr Toponar e co-pilotado por Yuriy Yegorov caiu, durante uma apresentação de acrobacias, no Aeroporto Internacional de Lviv Danylo Halytskyi, perto de Lviv, Ucrânia. O acidente matou 77 pessoas e feriu 543, 100 das quais foram hospitalizadas. Foi o pior acidente aéreo da história da Ucrânia, até 2014, quando o voo MH 17 foi abatido por tropas russas.
Postado por Fernando Martins às 23:00 0 comentários
Marcadores: acidente, aviação, desastre do show aéreo Sknyliv, Ucrânia
segunda-feira, julho 21, 2025
Isaac Stern nasceu há 105 anos...
Postado por Fernando Martins às 01:05 0 comentários
Marcadores: Fritz Kreisler, Isaac Stern, judeus, Liebeslied, música, Ucrânia, USA, violino
quinta-feira, julho 17, 2025
Os esbirros de um ditador genocida russo abateram um avião civil, na Ucrânia, há onze anos...
A conclusão foi que não houve evidência de qualquer falha técnica ou operacional da aeronave e tripulação. Considerando os danos encontrados em partes da secção dianteira da aeronave, recuperados dos escombros, uma grande quantidade de objetos com alta energia de impacto atingiu externamente o avião. Os danos resultantes destes impactos provocaram a perda da sua integridade estrutural, causando a queda. O tipo de danos observados não eram consistentes com danos causados por falhas estruturais, dos motores ou dos sistemas do avião. O facto de haver muitas partes da estrutura encontradas numa extensa área, levou à conclusão que o avião se desintegrou ainda no ar.
A 28 de setembro de 2016 um novo relatório foi divulgado, após uma longa investigação, no qual procuradores internacionais chegaram a conclusão que o míssil que abateu o voo MH17 foi do modelo terra-ar 9M38 Buk, de origem russa. O relatório ainda indica o local exato do lançamento do míssil, que foi disparado do território ucraniano controlado por rebeldes separatistas pro-Rússia, perto de Pervomaisky, seis quilómetros a sul de Snizhne. O relatório também mostra que o sistema de mísseis foi transportado da Rússia para a Ucrânia e posteriormente retornou à Rússia, depois do acidente. A investigação consistiu no total de 200 entrevistas a testemunhas, 500.000 fotos e vídeos e analisou 150.000 telefonemas intercetados.
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Postado por Fernando Martins às 11:00 0 comentários
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segunda-feira, junho 23, 2025
Poesia para recordar Anna Akhmatova...
A palavra
caiu pétrea
no meu seio ainda vivo.
Não importa, eu já esperava,
de certo modo eu sabia.
Tenho muito
a fazer hoje:
matar memórias de vez,
para a alma ser de pedra
a viver mais aprender.
Ou ... o estralejar
do ardente Estio
como, além da janela, um feriado.
Há muito tempo já que vinham vindo
o luminoso dia e a vazia casa.
E não
me consentirá
que leve nada comigo
(por mais que eu peça e suplique,
por mais que a moa a rezar):
não
os olhos do meu filho,
sofrimento como pedra,
o dia de tempestade,
nem a hora da visita,
o suave frio
das mãos,
o rugir de sombras de árvore,
nem o distante som leve -
consolação das últimas palavras.
Anna Akhmatova
Postado por Pedro Luna às 13:06 0 comentários
Marcadores: Anna Akhmatova, estalinismo, poesia, Rússia, Ucrânia, URSS
Anna Akhmatova nasceu há 136 anos
MUSA
Quando à noite eu espero a sua vinda,
numa balança a minha vida pende.
Que é a honra, a liberdade, a juventude?
Fumo que de um cachimbo se desprende.
Veio, jogando o manto para trás,
e uma atenção cordial me concedeu.
“Foste – eu lhe disse – quem ditou a Dante
as páginas do Inferno?” E ela: “Fui eu.”
Postado por Fernando Martins às 01:36 0 comentários
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