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quinta-feira, março 05, 2026

Prokofiev morreu há 73 anos...

    
Serguei Sergueievitch Prokofiev (Sontsovka, atualmente Krasne, região de Donetsk, Ucrânia, 23 de abril de 1891Moscovo, 5 de março de 1953) foi um compositor russo.
Um dos compositores mais celebrados do século XX, ele é mais conhecido por obras como o balé Romeu e Julieta, as óperas O Amor das Três Laranjas e Guerra e Paz, a composição infantil Pedro e o Lobo e duas bandas sonoras para filmes de Sergei Eisenstein. Precoce, mostrou-se talentoso no piano e na composição. Prokofiev nasceu no Império Russo, viajou por todo o mundo em turnês, e voltou à terra local, agora União Soviética. Nos seus últimos anos, enfrentou dificuldades financeiras e de saúde. Em conjunto com Shostakovitch, foi uma das figuras mais importantes da música soviética.
   
(...)
   
Prokofiev morreu, aos 61 anos, em 5 de março de 1953, no mesmo dia que Estaline. Como ele vivia próximo da Praça Vermelha, durante três dias a multidão que se despedia de Estaline impossibilitou a retirada do corpo de Prokofiev para o serviço funerário. No funeral, não havia flores nem músicos, todos reservados para o funeral do ditador soviético. A sua morte é frequentemente atribuída a uma hemorragia cerebral, mas é sabido que ele já estava muito doente pelos últimos oito anos de sua vida. Ele havia apenas iniciado os ensaios para o seu bailado A Flor de Pedra, que foi levado à cena no ano seguinte.
   
 

Anna Akhmatova morreu há sessenta anos...

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Retrato de Anna Akhmatova, de Kuzma Petrov-Vodkin -1922
   
Anna Akhmatova (Odessa, 23 de junho de 1889 - Moscovo, 5 de março de 1966) é o pseudónimo de Anna Andreevna Gorenko, uma das mais importantes poetas acmeístas russas.
Começou a escrever poesia aos onze anos de idade, mas o pai, um engenheiro naval, temia que Anna viesse a desonrar o nome da família, convencido de estar a adivinhar hábitos decadentes associados à vida artística. Assim, assinou os seus primeiros trabalhos com o primeiro nome da sua bisavó, Tatar.
Apesar do seu pai ter abandonado a família, quando Anna contava apenas dezasseis anos, conseguiu prosseguir os seus estudos. Portanto, não só estudou no liceu feminino de Tsarskoe Selo e no célebre Instituto Smolnyi de São Petersburgo, como também no Liceu Fundukleevskaia de Kiev e numa Faculdade de Direito, em 1907.
A obra de Akhmatova compõem-se tanto de pequenos poemas líricos como de grandes poemas, como o Requiem, um grande poema acerca do terror estalinista. Os temas recorrentes são o passar do tempo, as recordações, o destino da mulher criadora e as dificuldades em viver em escrever à sombra do estalinismo.
Os seus pais separaram-se em 1905. Ela casou-se com o poeta Nikolaï Goumilev em 1910 e o filho deles, nascido em 1912, foi o historiador Lev Goumilev.
Akhmatova teve uma longa amizade com a poetisa Marina Tsvetaeva, sua compatriota. Estas duas amigas trocaram uma correspondência poética.
Nikolaï Goumilev foi executado em 1921, por causa de atividades consideradas anti-soviéticas; Akhmatova foi forçada ao silêncio, não podendo a sua poesia ser publicada de 1925 a 1952 (excetuando-se o período de 1940 a 1946). Excluída da vida pública, vivendo de uma irrisória pensão e forçada a ir fazendo traduções de obras de escritores como Victor Hugo e Rabindranath Tagore, Akhmatova começou, após a morte de Estaline, em 1953, a ser reabilitada, tendo-lhe sido autorizada uma viagem a Itália, para receber o prémio literário Taormina, e a Oxford, para receber um título honorário, em 1965.
Na generalidade, a sua obra é caracterizada pela aparente simplicidade e naturalidade e pela precisão e clareza da sua escrita.
    
 

Do ciclo os mistérios do ofício
 

Não me importa o exército das odes,
Nem o jogo torneado da elegia.
Nos versos, tudo é fora de propósito.
Não como entre as pessoas, – me dizia.

Saibam vocês, o verso, é do monturo
Que eles se alenta, sem vexame disso,
Como um dente-de-leão pegado ao muro,
Anserina, bardana, erva-de-lixo.

Grito de zanga, um travo de alcatrão,
Um bolor misterioso que esverdinha…
E eis o verso, furor e mansidão,
Para alegria de vocês e minha.


  


Anna Akhmatova

quarta-feira, março 04, 2026

Nikolai Gogol morreu há 174 anos...


Nikolai Vasilievich Gogol (Sorochyntsi, Poltavska, Império Russo, atualmente Ucrânia, 1 de abril de 1809 - Moscovo, 4 de março de 1852), foi um proeminente escritor do Império Russo. A sua nacionalidade é motivo de polémica, pois a sua cidade natal fazia parte do Império Russo na época, mas atualmente pertence à Ucrânia. Como consequência, tanto a Rússia quanto a Ucrânia reivindicam a sua nacionalidade. Apesar de muitos de seus trabalhos terem sido influenciados pela tradição ucraniana, Gogol escreveu em russo e a sua obra é considerada herança da literatura russa. Toda a sua obra é fundada no realismo, mas um realismo muito próprio, com rasgos do que viria a ser o surrealismo

 

Vida

Com vinte anos (1829), o jovem Gogol vai para São Petersburgo, onde conhece Alexandre Púchkin, o maior escritor russo de então, que lhe inspira devota amizade, fervorosa empatia e ideias novas para obras que ainda não tinham vindo à luz do dia, nomeadamente Noites na Herdade de Dikanka, sua obra de estreia, que viria a ser publicada em 1831, obtendo, então, Gogol o seu primeiro êxito. Mas, desde cedo, revela uma personalidade complexa.

Amante fervoroso da verdade, Gogol foi um homem repleto de preocupações místicas, religiosas e patrióticas. A sua obra reflete o lado moralista das questões que dizem respeito à condição humana, trágica e inapelavelmente prisioneira na sua jaula. Gogol não foi político, não possuía um programa de ação contra o regime, que fazia da Rússia da época um país "metade caserna, metade prisão".

O seu pai, antigo oficial cossaco, desenvolveu seu gosto pela literatura, mas nunca foi um amparo na infância de Nikolai, ainda que o jovem nutrisse, por seu pai, verdadeira amizade. A sua mãe transmitiu-lhe a fé religiosa, que veio a desencadear um misticismo doentio.

Depois de estudos medíocres, este jovem de fisionomia austera deixa a Ucrânia e encontra um modesto emprego de escritório ministerial em São Petersburgo. A distância de seu país natal e a nostalgia que dela resulta inspiraram alguns dos seus escritos. A panóplia de obras e romances do então "funcionário para sempre enclausurado" avivaram a sua carreira como autor, e após haver conhecido pessoalmente o romântico Alexandre Púchkin, sua obra despoletaria um realismo próprio - não diremos insuflado, mas uma fonte riquíssima em artifícios paradoxais, tal como Dostoiévski havia traçado em sua obra. Prova desse realismo típico veio a ser a novela O Capote, cujo herói se tornara arquétipo do pequeno funcionário russo.

De facto, a sua intervenção não é outra senão denunciar os vícios e abusos no interior da alma humana, humilhada e atravancada de emoções contraditórias. Em pleno desarranjo emocional, Gogól foge e recomeça a viajar pela Europa. A morte de Púchkin no ano de 1837, num desinteressante duelo, abala profundamente Gogol. "Agora tenho a obrigação de concluir a obra cuja ideia fora do meu amigo". Referia-se, naturalmente, ao alentado texto de Almas Mortas.

Tenta publicar a obra em Moscovo em 1841, mas o Comité Moscovita de Censura recusa. Não é senão após uma intervenção dos amigos do autor que o livro é publicado, em 1842. O romance é uma descrição em detalhe das preocupações do homem russo numa Rússia profunda; uma sátira às vezes impiedosa, que, porém, guarda, subjacente, o profundo e natural amor de Gogol pelo país. De 1837 a 1843, vive em Roma. Regressa à Rússia, doente. Um misticismo religioso acentuado induziu-o a abandonar as antigas ideias liberais para se tornar um defensor da autocracia. Essa fase mística virá a exacerbar-se após a sua viagem à Palestina, em 1849.

As tribulações recomeçam: Itália, França, Alemanha etc. Em 1848, faz uma peregrinação a Jerusalém. A pouco e pouco, sua saúde se degrada, e ainda mais devido à sua irritável hipocondria que em nada o recompõe; seu sentimento religioso se exalta. Gogol se torna cada vez mais místico, impelido em ir buscar, pelo sentimento religioso, a salvação da alma.

De volta a Moscovo, redige a segunda parte de Almas Mortas. Mas seu estado físico se degrada incessante, mercê do sonho que o acompanha desde jovem: mesmo homem absolutamente sadio e regrado, sua ânsia por uma nova ordem das coisas o martiriza. No início de fevereiro de 1852, num momento de delírio, segundo dizem, ele queima, na lareira de seu quarto, todos os manuscritos inéditos - inclusive o fim da segunda parte de Almas Mortas. O romance é uma belíssima e irónica ficção sobre a corrupção de uma classe decadente que domina o povo ignorante e escravo do Estado. Mas nunca fora concluída.

Morreu em 21 de fevereiro de 1852. Foram-lhe concedidas cerimónias e reconhecimento únicos: seu corpo embalsamado segue insepulto por mais de um dia, carregado pelos estudantes, que oferecem homenagens acaloradas em memória do grande escritor. Está enterrado no Cemitério Novodevichy, em Moscovo.

A sua obra fez de Nikolai Gogol o maior escritor de língua russa da primeira metade do século XIX, o verdadeiro introdutor do realismo na literatura russa e o precursor genial de todos os grandes escritores russos que se lhe seguiram. Como disse Dostoiévski: "Todos nós saímos de O Capote de Gógol". Toda a literatura russa, que já muito devia a Púchkin, colherá, em Gógol, os maiores ensinamentos.

 

O físico George Gamow nasceu há 122 anos...

 

George Anthony Gamow (Odessa, 4 de março de 1904 - Boulder, 19 de agosto de 1968) foi um físico e divulgador científico norte-americano, nascido na Ucrânia. Gamow tornou-se cidadão dos Estados Unidos da América em 1940. 

  

Carreira científica

No fim da década de 30, Gamow iniciou estudos sobre cosmologia relativística, em colaboração com Edward Teller na Universidade George Washington. Ele procurava entender a origem dos elementos químicos num universo primordial quente e denso. Para isso, ele adotou o modelo em expansão desenvolvido por Alexander Friedmann e Georges Lemaître.

O modelo de Gamow tinha muitos aspetos comuns ao modelo do átomo primordial, proposto por Lemaître em 1931: um universo primordial muito pequeno, quente e denso, que passou a se expandir e a arrefecer. No instante inicial o volume seria nulo, o que caracteriza a chamada singularidade inicial: toda a matéria existente estaria concentrada num ponto de densidade infinita.

Após a II Guerra Mundial, Gamow publicou com Ralph Alpher e Robert Herman uma série de artigos desenvolvendo esta teoria, que ficou posteriormente conhecida como a teoria do Big Bang. O mais famoso destes trabalhos foi publicado em 1948, pouco antes da defesa da tese de Alpher, orientada por Gamow. Gamow convenceu Alpher a adicionar no artigo o nome de Hans Bethe (que não participara da conceção do trabalho...) para fazer um trocadilho com as três primeiras letras do alfabeto grego: alfa, beta e gama.

Segundo a teoria cosmológica desenvolvida por Gamow e seus colaboradores, todos os elementos químicos teriam sido formados no universo primordial por reações de fusão nuclear. Uma teoria rival, proposta por Fred Hoyle, buscava explicar a origem dos elementos químicos nas estrelas por meio da teoria do estado estacionário, segundo a qual o universo jamais teria sido mais denso do que é atualmente.

Alpher, Herman e Gamow propuseram que, segundo o seu modelo cosmológico, deveria haver uma radiação de fundo que a princípio poderia ser detetada, mas não conseguiram convencer nenhum cientista a tentar investigá-la. Os seus estudos foram praticamente ignorados até à década de 60.

Em 1963, porém, Arno Penzias e Robert Woodrow Wilson, do Bell Telephone Laboratories, em Nova Jersey detetaram essa radiação por acaso, ao fazerem uma pesquisa que não estava relacionada à cosmologia. Em 1965 publicaram um artigo em colaboração com Robert Dicke e James Peebles, sugerindo que haviam detetado uma evidência a favor da chamada cosmologia do Big Bang. Então, após certo tempo, a comunidade reconheceu os trabalhos anteriores de Gamow, Alpher e Herman.

 

terça-feira, fevereiro 24, 2026

quarta-feira, janeiro 14, 2026

Sergei Koroliov morreu há sessenta anos...


Sergei Pavlovich Koroliov (Jitomir, 12 de janeiro de 1907 ou 30 de dezembro de 1906, no calendário juliano então em vigor no Império Russo - Moscovo, 14 de janeiro de 1966) foi um cidadão ucraniano e um dos principais engenheiros de foguetes e projetistas de foguetões da União Soviética, durante a Corrida Espacial, entre os EUA e a URSS, nos anos 50 e 60. Ele é considerado por muitos como o pai da cosmonáutica prática. Ele esteve envolvido no desenvolvimento do R7, Sputnik e no lançamento de Laika, Belka e Strelka e do primeiro ser humano, Iuri Gagarin, ao espaço.

Apesar de Koroliov ter sido formado como um projetista de aeronaves, os seus maiores esforços  concentraram-se na integração de projetos, organização e planeamento estratégico. Preso com a acusação de ser "membro de uma organização antirrevolucionária e anti soviética" (que posteriormente foi reduzido para "sabotador de tecnologia militar"), foi preso em 1938 por quase seis anos, incluindo alguns meses no campo de trabalho de Kolimá. Após a sua libertação tornou-se um projetista de foguetes reconhecido e uma figura chave no desenvolvimento do programa dos misseis balísticos intercontinentais. Posteriormente ele veio a dirigir o programa espacial soviético e foi feito Membro da Academia de Ciências da União Soviética, supervisionando os sucessos dos projetos Sputnik e Vostok, incluindo a primeira missão orbital tripulada no dia 12 de abril de 1961. A sua morte inesperada em 1966 interrompeu a implementação de seus planos de um pouso tripulado na Lua antes dos Estados Unidos.

Antes de falecer ele era oficialmente identificado somente como Glavny Konstruktor (Главный Конструктор), ou o Projetista Chefe, para protegê-lo de uma possível tentativa de assassinato vinda dos Estados Unidos. Até mesmo alguns dos cosmonautas que trabalharam com ele não conheciam seu nome e só o conheciam como "Projetista Chefe". Por mais que entendesse a necessidade do anonimato, a impossibilidade de reconhecimento desagradava-lhe. Somente após a sua morte, em 1966, é que a sua identidade foi revelada e ele recebeu o reconhecimento público apropriado como a força motora por detrás das realizações soviéticas na exploração espacial durante a após o Ano Internacional da Geofísica.
 

As verdadeiras circunstâncias da morte de Koroliov continuam um tanto incertas. Em dezembro de 1965 ele teria sido diagnosticado com um pólipo sangrento no intestino grosso. Ele entrou no hospital no dia 5 de janeiro de 1966, para uma cirurgia relativamente rotineira, mas faleceu nove dias depois. Foi declarado pelo governo que o que ele tinha se tornou um grande tumor no seu abdómem, mas Glushko relatou que ele faleceu por uma operação mal-feita contra hemorroidas. Outra versão diz que a operação ia bem e não se previam complicações. Repentinamente, durante a operação, Koroliov sofreu uma hemorragia. Os médicos tentaram entubá-lo para possibilitar que respirasse sem problemas, mas o seu maxilar, ferido devido ao seu tempo no Gulag, não se havia se curado corretamente e impedia a instalação do tubo. Koroliov faleceu sem retomar a consciência. De acordo com Harford, a família de Koroliov confirmou a história do cancro. O seu coração enfraquecido contribuiu para seu falecimento durante a cirurgia.

Koroliov costuma ser comparado com Wernher von Braun como o principal arquiteto da Corrida Espacial. 

segunda-feira, janeiro 12, 2026

Sergei Koroliov nasceu há 119 anos


Sergei Pavlovich Koroliov (Jitomir, 12 de janeiro de 1907 ou 30 de dezembro de 1906, no calendário juliano então em vigor no Império Russo - Moscovo, 14 de janeiro de 1966) foi um cidadão ucraniano e um dos principais engenheiros de foguetes e projetistas de foguetões da União Soviética, durante a Corrida Espacial, entre os EUA e a URSS, nos anos 50 e 60. Ele é considerado por muitos como o pai da cosmonáutica prática. Ele esteve envolvido no desenvolvimento do R7, Sputnik e no lançamento de Laika, Belka e Strelka e do primeiro ser humano, Iuri Gagarin, ao espaço.

Apesar de Koroliov ter sido formado como um projetista de aeronaves, os seus maiores esforços  concentraram-se na integração de projetos, organização e planeamento estratégico. Preso com a acusação de ser "membro de uma organização antirrevolucionária e anti soviética" (que posteriormente foi reduzido para "sabotador de tecnologia militar"), foi preso em 1938 por quase seis anos, incluindo alguns meses no campo de trabalho de Kolimá. Após a sua libertação tornou-se um projetista de foguetes reconhecido e uma figura chave no desenvolvimento do programa dos misseis balísticos intercontinentais. Posteriormente ele veio a dirigir o programa espacial soviético e foi feito membro da Academia de Ciências da União Soviética, supervisionando os sucessos dos projetos Sputnik e Vostok, incluindo a primeira missão orbital tripulada, no dia 12 de abril de 1961. A sua morte inesperada em 1966 interrompeu a implementação de seus planos de um pouso tripulado na Lua antes dos Estados Unidos.

Antes de falecer ele era oficialmente identificado somente como Glavny Konstruktor (Главный Конструктор), ou o Projetista Chefe, para protegê-lo de uma possível tentativa de assassinato vinda dos Estados Unidos. Até mesmo alguns dos cosmonautas que trabalharam com ele não conheciam seu nome e só o conheciam como "Projetista Chefe". Por mais que entendesse a necessidade do anonimato, a impossibilidade de reconhecimento desagradava-lhe. Somente após a sua morte, em 1966, é que a sua identidade foi revelada e ele recebeu o reconhecimento público apropriado como a força motora por detrás das realizações soviéticas na exploração espacial durante a após o Ano Internacional da Geofísica.
 

As verdadeiras circunstâncias da morte de Koroliov continuam um tanto incertas. Em dezembro de 1965 ele teria sido diagnosticado com um pólipo sangrento no intestino grosso. Ele entrou no hospital no dia 5 de janeiro de 1966, para uma cirurgia relativamente rotineira, mas faleceu nove dias depois. Foi declarado pelo governo que o que ele tinha se tornou um grande tumor no seu abdómen, mas Glushko relatou que ele faleceu por uma operação mal-feita contra hemorroidas. Outra versão diz que a operação ia bem e não se previam complicações. Repentinamente, durante a operação, Koroliov sofreu uma hemorragia. Os médicos tentaram entubá-lo, para possibilitar que respirasse sem problemas, mas o seu maxilar, ferido devido ao seu tempo no Gulag, não se havia se curado corretamente e impedia a instalação do tubo. Koroliov faleceu sem retomar a consciência. De acordo com Harford, a família de Koroliov confirmou a história do cancro. O seu coração enfraquecido contribuiu para seu falecimento durante a cirurgia.

Koroliov costuma ser comparado com Wernher von Braun como o principal arquiteto da Corrida Espacial. 

sexta-feira, dezembro 05, 2025

Sonia Delaunay morreu há 46 anos...

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Sonia Delaunay (nascida Sarah Illinitchna Stern; Gradizhsk, 14 de novembro de 1885 - Paris, 5 de dezembro de 1979) foi uma pintora, designer, figurinista e cenógrafa ucraniano-francesa.

Considerada uma artista abstrata multidisciplinar e figura-chave do avant-garde parisiense, Sonia e o seu marido, Robert Delaunay, foram pioneiros do movimento do simultaneísmo, onde exploravam a interseção entre as cores, criando uma sensação de profundidade e movimento. Sonia foi a primeira artista mulher a ganhar uma mostra no Museu do Louvre em 1964. Em 2015 a sua arte voltou a ser lembrada numa grande retrospetiva que o Museu de Arte Moderna de Paris realizou.

 

Biografia

Sonia nasceu em 1885 no seio de uma família judaica da Ucrânia, ainda pertencente ao Império Russo. Quando tinha apenas 11 anos, ela foi morar com seu tio abastado, Henri Terk e sua esposa Anna, em São Petersburgo, na Rússia. Lá ela pode viver a cultura arrojada da época, ainda que Sonia retornasse com frequência à Ucrânia e às suas paisagens do interior. O casal Terk adotou-a oficialmente e levaram-nas suas viagens pela Europa, onde lhe mostraram galerias de arte e a pintores. Foi um professor que notou suas habilidades para desenho.

Estudou em São Petersburgo e, posteriormente, Academia de Belas Artes de Karlsruhe, na Alemanha. Depois instalou-se em Paris, aos 20 anos, frequentando a Académie de La Palette, em Montparnasse, onde conheceu o pintor Amédée Ozenfant. Nos trabalhos que realizou neste primeiro período é notória a marca da obra de Paul Gauguin e de Van Gogh, na busca da liberdade e das qualidades expressivas da cor. Por outro lado, o seu interesse pela exploração dos valores e das relações cromáticas aproxima-a dos pintores fauvistas, com os quais expõe algumas obras.

No seu primeiro ano na Académie, Sonia aceitou casar, num casamento branco por conveniência, com o dono de uma galeria, Wilhelm Uhde, que era homossexual. Foi devido a essa união que Sonia conseguiu entrar no mercado de belas-artes. Em 1909, ela conheceu o artista francês Robert Delaunay, de quem logo se tornou amante. Sonia engravidou de Robert, pediu o divórcio de Uhde e se casou com Robert em novembro de 1910. Charles Delaunay nasceu em janeiro de 1911.

Fugindo da I Guerra Mundial, foram viver, com o filho Charles, em Vila do Conde, entre o verão de 1915 e começo de 1917, numa casa a que chamaram La Simultané. Aí aprofundaram a amizade com os pintores Amadeo de Souza-Cardoso e Almada Negreiros. Esse breve ano e meio em Vila do Conde foi considerado por Sonia o seu período de vida mais feliz e no qual realizou importante obras. Até meados de 1916 o casal teve, em Vila do Conde, a companhia dos pintores Eduardo Viana e Samuel Halpert.

O seu pensamento criativo e polivalente dominou as esferas da pintura, artes aplicadas, arquitetura, automóveis, vestuário e mobiliário. Sua intensa exploração cromática trouxe uma enorme expansão ao design têxtil e foi responsável pela introdução da linguagem da arte da cor na vida quotidiana. Sonia direcionou o seu trabalho para a história da abstração e escreveu:

 

 

Últimos anos e morte

Robert morreu devido a um cancro em outubro de 1941. No final da II Guerra Mundial, Sonia tornou-se membro do Salão de Novos Criadores. Em 1964, ela e o filho doaram 114 trabalhos, assinados por ela e por Robert, ao Museu Nacional de Arte Moderna. Ela ainda criou tecidos, porcelanas e joias, inspirados na sua obra dos anos 20. Em 1978 lançou uma autobiografia.

Sonia morreu em 5 de dezembro de 1979, em Paris, aos 94 anos.

 

Portrait de L.N.Vilkina-Minskaya, 1907.

Retrato de L.N.Vilkina-Minskaya, 1907 

 

Contrastes simultanés, 1913.

Contrastes simultanés, 1913

 

in Wikipédia

quinta-feira, dezembro 04, 2025

Serguei Bubka comemora hoje 62 anos

 

   
Serguei Nazarovitch Bubka (Voroshilovgrad, 4 de dezembro de 1963) é um ex-atleta ucraniano especializado em salto com vara. É considerado por muitos o maior saltador com vara de todos os tempos, cujos destaques na carreira são seis vitórias consecutivas no Campeonato Mundial de Atletismo, a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 1988 e a quebra de 35 recordes mundiais de salto com vara (17 ao ar livre e 18 em recintos fechados).

 

sexta-feira, novembro 14, 2025

A pintora Sonia Delaunay nasceu há 140 anos...

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Sonia Delaunay (nascida Sarah Illinitchna Stern; Gradizhsk, 14 de novembro de 1885 - Paris, 5 de dezembro de 1979) foi uma pintora, designer, figurinista e cenógrafa ucraniano-francesa.

Considerada uma artista abstrata multidisciplinar e figura-chave do avant-garde parisiense, Sonia e o seu marido, Robert Delaunay, foram pioneiros do movimento do simultaneísmo, onde exploravam a interseção entre as cores, criando uma sensação de profundidade e movimento. Sonia foi a primeira artista mulher a ganhar uma mostra no Museu do Louvre em 1964. Em 2015 a sua arte voltou a ser lembrada numa grande retrospetiva que o Museu de Arte Moderna de Paris realizou.

 

Biografia

Sonia nasceu em 1885 no seio de uma família judaica da Ucrânia, ainda pertencente ao Império Russo. Quando tinha apenas 11 anos, ela foi morar com seu tio abastado, Henri Terk e sua esposa Anna, em São Petersburgo, na Rússia. Lá ela pode viver a cultura arrojada da época, ainda que Sonia retornasse com frequência à Ucrânia e às suas paisagens do interior. O casal Terk adotou-a oficialmente e levaram-nas suas viagens pela Europa, onde lhe mostraram galerias de arte e a pintores. Foi um professor que notou suas habilidades para desenho.

Estudou em São Petersburgo e, posteriormente, Academia de Belas Artes de Karlsruhe, na Alemanha. Depois instalou-se em Paris, aos 20 anos, frequentando a Académie de La Palette, em Montparnasse, onde conheceu o pintor Amédée Ozenfant. Nos trabalhos que realizou neste primeiro período é notória a marca da obra de Paul Gauguin e de Van Gogh, na busca da liberdade e das qualidades expressivas da cor. Por outro lado, o seu interesse pela exploração dos valores e das relações cromáticas aproxima-a dos pintores fauvistas, com os quais expõe algumas obras.

No seu primeiro ano na Académie, Sonia aceitou casar, num casamento branco por conveniência, com o dono de uma galeria, Wilhelm Uhde, que era homossexual. Foi devido a essa união que Sonia conseguiu entrar no mercado de belas-artes. Em 1909, ela conheceu o artista francês Robert Delaunay, de quem logo se tornou amante. Sonia engravidou de Robert, pediu o divórcio de Uhde e se casou com Robert em novembro de 1910. Charles Delaunay nasceu em janeiro de 1911.

Fugindo da I Guerra Mundial, foram viver, com o filho Charles, em Vila do Conde, entre o verão de 1915 e começo de 1917, numa casa a que chamaram La Simultané. Aí aprofundaram a amizade com os pintores Amadeo de Souza-Cardoso e Almada Negreiros. Esse breve ano e meio em Vila do Conde foi considerado por Sonia o seu período de vida mais feliz e no qual realizou importante obras. Até meados de 1916 o casal teve, em Vila do Conde, a companhia dos pintores Eduardo Viana e Samuel Halpert.

O seu pensamento criativo e polivalente dominou as esferas da pintura, artes aplicadas, arquitetura, automóveis, vestuário e mobiliário. Sua intensa exploração cromática trouxe uma enorme expansão ao design têxtil e foi responsável pela introdução da linguagem da arte da cor na vida quotidiana. Sonia direcionou o seu trabalho para a história da abstração e escreveu:

 

 

Últimos anos e morte

Robert morreu devido a um cancro em outubro de 1941. No final da II Guerra Mundial, Sonia tornou-se membro do Salão de Novos Criadores. Em 1964, ela e o filho doaram 114 trabalhos, assinados por ela e por Robert, ao Museu Nacional de Arte Moderna. Ela ainda criou tecidos, porcelanas e joias, inspirados na sua obra dos anos 20. Em 1978 lançou uma autobiografia.

Sonia morreu em 5 de dezembro de 1979, em Paris, aos 94 anos.

 

Portrait de L.N.Vilkina-Minskaya, 1907.

Retrato de L.N.Vilkina-Minskaya, 1907 

 

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segunda-feira, setembro 29, 2025

O massacre nazi de Babi Yar foi há 84 anos...


Ravina de Babi Yar, em Kiev
        
Babi Yar é uma ravina existente em Kiev, a capital da Ucrânia, que ficou conhecida na história como local de um dos maiores massacres de judeus e civis da então União Soviética pelos nazis, durante a II Guerra Mundial.
Em 29 e 30 de setembro de 1941, 92.771 civis ucranianos judeus foram levados a Babi Yar e assassinados coletivamente, num dos maiores massacres de massa da história. Nos meses que seguiram, milhares de outros judeus e não-judeus russos foram capturados, trazidos à ravina e fuzilados, num total de cerca de 100.000 mortos.
   
   
História
A ravina de Babi Yar é mencionada por registos históricos desde 1401 e através dos tempos sua área foi usada para diferentes propósitos, incluindo campos militares e cemitérios, um dos quais judeu, foi fechado em 1937. Após a invasão da URSS pelas tropas nazis, em junho de 1941, a cidade de Kiev acabou por cair nas mãos dos alemães, depois de 45 dias de batalha, em 19 de setembro. Poucos dias após a ocupação, as execuções começaram, com o fuzilamento de 700 pacientes de um hospital psiquiátrico da cidade.
Em 28 de setembro, um aviso foi afixado pelos postes e muros de Kiev, dirigido aos judeus:

Ordena-se a todos os judeus residentes de Kiev e suas vizinhanças que compareçam à esquina das ruas Melnyk e Dokterivsky, às 8 horas da manhã de segunda-feira, 29 de setembro de 1941 trazendo documentos, dinheiro, roupa interior, etc. Aqueles que não comparecerem serão fuzilados. Aqueles que entrarem nas casas evacuadas por judeus e roubarem pertences destas casas serão fuzilados.
   
Os judeus levados à ravina esperavam ser embarcados em comboios. A multidão de homens, mulheres e crianças era grande o bastante para que ninguém tomasse conhecimento do que estava para acontecer a não ser tarde demais. Todos passavam por um corredor de soldados gritando, em grupos de dez, e de seguida fuzilados; ao escutarem o barulho das metralhadoras do grupo logo à frente, já não tinham como escapar.
O massacre foi realizado em dois dias, a cargo da unidade C do Einsatzgruppen, o esquadrão da morte das SS, apoiados por membros de um batalhão das Waffen-SS; unidades da polícia ucraniana também foram usadas para agrupar e conduzir os judeus até ao local de fuzilamento, o que provocaria uma grande discussão na Ucrânia após a guerra.
Além deste massacre, Babi Yar foi alvo de milhares de outras execuções durante os dois anos de ocupação nazi de Kiev. O número total de mortos na ravina não é exato, mas o número mais aceite, cerca de 100 mil, foi fornecido pelo cálculo de moradores, obrigados a enterrar os corpos. Tempos depois, o campo de concentração de Syrets foi erguido no local e nele internados prisioneiros de guerra russos, civis comunistas e combatentes da resistência, que ali eram executados.
Quando os nazis se retiraram de Kiev, fizeram tentativas de esconder os sinais das atrocidades cometidas durante os anos de ocupação. Entre agosto e setembro de 1943, o campo de Syrets foi parcialmente demolido e diversos corpos exumados e queimados, com as cinzas espalhadas pelas áreas vizinhas. Na noite de 29 de setembro de 1943, quando o campo estava a ser desmantelado, houve uma revolta entre os prisioneiros e quinze deles conseguiram escapar; após retomar o controle da situação, os alemães fuzilaram os 311 sobreviventes.
  
Selo ucraniano, recordando os 70 anos do Massacre de Babi Yar
      
Memória
Quando o Exército Vermelho retomou o controle de Kiev, em novembro de 1943, o campo foi transformado num local de internamento de prisioneiros alemães e utilizado até 1946, quando foi totalmente demolido. Nos anos 50 e 60, a área tornou-se um grande parque e um complexo de apartamentos.
O governo soviético sempre desencorajou que se desse ênfase ao massacre de judeus em Babi Yar, preferindo oficialmente que a tragédia fosse lembrada como um crime cometido contra todo o povo soviético e a população de Kiev. Diversas tentativas de se erguer um memorial judeu no local dos massacres foram adiadas. Em 1976 foi erguido um memorial em honra de todos os cidadãos soviéticos ali fuzilados, mas apenas em 1991, com o fim da URSS, os judeus puderam finalmente erguer o seu próprio monumento.
Sobre Babi Yar, o escritor e sobrevivente do Holocausto Elie Wiesel escreveu:
   
As testemunhas oculares disseram que, meses após as mortes, o solo de Babi Yar continuava a esguichar geyseres de sangue.
   

segunda-feira, setembro 22, 2025

Isaac Stern morreu há vinte e quatro anos...

       
Isaac Stern (Kremenets, 21 de julho de 1920Nova Iorque, 22 de setembro de 2001) foi um violinista judeu ucraniano. Tornou-se célebre pelas suas gravações e pelas suas descobertas de novos talentos. 
 
(...)    
   
Entre as suas descobertas estavam os celistas Yo-Yo Ma e Jian Wang, e os violinistas Itzhak Perlman e Pinchas Zukerman. Também teve um papel crucial no resgate do Carnegie Hall, de Nova York, que estava prestes a ser demolido na década de 60, tendo, posteriormente, o seu principal auditório recebido o nome de Stern, em sua homenagem. 
  
 

domingo, julho 27, 2025

Há vinte e três anos houve um acidente trágico num festival aéreo na Ucrânia...

  

O desastre do show aéreo Sknyliv ocorreu em 27 de julho de 2002, quando um caça Sukhoi Su-27 pilotado por Volodymyr Toponar e co-pilotado por Yuriy Yegorov caiu, durante uma apresentação de acrobacias, no Aeroporto Internacional de Lviv Danylo Halytskyi, perto de Lviv, Ucrânia. O acidente matou 77 pessoas e feriu 543, 100 das quais foram hospitalizadas. Foi o pior acidente aéreo da história da Ucrânia, até 2014, quando o voo MH 17 foi abatido por tropas russas. 

 

segunda-feira, julho 21, 2025

Isaac Stern nasceu há 105 anos...

       
Isaac Stern (Kremenets, 21 de julho de 1920Nova Iorque, 22 de setembro de 2001) foi um violinista ucraniano. Tornou-se célebre pelas suas gravações discográficas e pelas suas descobertas de novos talentos. 
  
 

quinta-feira, julho 17, 2025

Os esbirros de um ditador genocida russo abateram um avião civil, na Ucrânia, há onze anos...

   
O Voo Malaysia Airlines 17 (MH17/MAS17) foi a identificação de uma rota aérea de passageiros regular e internacional entre Amesterdão e Kuala Lumpur, operada pela companhia aérea Malaysia Airlines. A 17 de julho de 2014, um Boeing 777-200ER que realizava esta rota, caiu perto de Grabove, no oblast de Donetsk, no leste da Ucrânia, a 40 km da fronteira com a Rússia, transportando 283 passageiros e 15 tripulantes de vários países. Foi o segundo incidente da companhia aérea em menos de cinco meses, após o desaparecimento do voo MH370 no início de março de 2014.
Às 15.30 UTC a Malaysia Airlines informou que tinha perdido o contacto com o voo. Relatos iniciais do governo ucraniano informaram que o avião foi abatido a uma altitude de 10.000 metros (32.800 pés) por um míssil terra-ar disparado utilizando o sistema de mísseis Buk.
As duas partes envolvidas na rebelião no leste da Ucrânia a princípio negaram responsabilidade pelo incidente, acusando-se mutuamente. Segundo o serviço de inteligência dos Estados Unidos, provavelmente os separatistas pró-Rússia derrubaram o avião; por outro lado, dirigentes russos disseram que as acusações norte-americanas eram precipitadas e acusaram a Ucrânia pela tragédia.
Este é o maior incidente da Malaysia Airlines, com 283 passageiros e 15 tripulantes vitimados, superando o voo 370, que resultou na morte de 227 passageiros, e que não foi encontrado.
   
(...)
   
Em setembro de 2014, o relatório preliminar do acidente foi divulgado pelo Conselho de Segurança da Holanda (Dutch Safety Board).
A conclusão foi que não houve evidência de qualquer falha técnica ou operacional da aeronave e tripulação. Considerando os danos encontrados em partes da secção dianteira da aeronave, recuperados dos escombros, uma grande quantidade de objetos com alta energia de impacto atingiu externamente o avião. Os danos resultantes destes impactos provocaram a perda da sua integridade estrutural, causando a queda. O tipo de danos observados não eram consistentes com danos causados por falhas estruturais, dos motores ou dos sistemas do avião. O facto de haver muitas partes da estrutura encontradas numa extensa área, levou à conclusão que o avião se desintegrou ainda no ar.
A 28 de setembro de 2016 um novo relatório foi divulgado, após uma longa investigação, no qual procuradores internacionais chegaram a conclusão que o míssil que abateu o voo MH17 foi do modelo terra-ar 9M38 Buk, de origem russa. O relatório ainda indica o local exato do lançamento do míssil, que foi disparado do território ucraniano controlado por rebeldes separatistas pro-Rússia, perto de Pervomaisky, seis quilómetros a sul de Snizhne. O relatório também mostra que o sistema de mísseis foi transportado da Rússia para a Ucrânia e posteriormente retornou à Rússia, depois do acidente. A investigação consistiu no total de 200 entrevistas a testemunhas, 500.000 fotos e vídeos e analisou 150.000 telefonemas intercetados.
   
in Wikipédia

segunda-feira, junho 23, 2025

Poesia para recordar Anna Akhmatova...


 

A sentença

A palavra
caiu pétrea
no meu seio ainda vivo.
Não importa, eu já esperava,
de certo modo eu sabia.
Tenho muito
a fazer hoje:
matar memórias de vez,
para a alma ser de pedra
a viver mais aprender.
Ou ... o estralejar
do ardente Estio
como, além da janela, um feriado.
Há muito tempo já que vinham vindo
o luminoso dia e a vazia casa.
E não
me consentirá
que leve nada comigo
(por mais que eu peça e suplique,
por mais que a moa a rezar):
não
os olhos do meu filho,
sofrimento como pedra,
o dia de tempestade,
nem a hora da visita,
o suave frio
das mãos,
o rugir de sombras de árvore,
nem o distante som leve -
consolação das últimas palavras.
  


Anna Akhmatova

Anna Akhmatova nasceu há 136 anos

Retrato de Anna Akhmatova, por Kuzma Petrov-Vodkin, em 1922
  
Anna Akhmatova (Odessa, 23 de junho de 1889 - Leningrado, 5 de março de 1966) é o pseudónimo de Anna Andreevna Gorenko, uma das mais importantes poetas acmeístas russas.
Começou a escrever poesia aos onze anos de idade, mas o pai, um engenheiro naval, temia que Anna viesse a desonrar o nome da família, convencido de estar a adivinhar hábitos decadentes associados à vida artística. Assim, assinou os seus primeiros trabalhos com o primeiro nome da sua bisavó, Tatar.
Apesar do seu pai ter abandonado a família, quando Anna contava apenas dezasseis anos, conseguiu prosseguir os seus estudos. Portanto, não só estudou no liceu feminino de Tsarskoe Selo e no célebre Instituto Smolnyi de São Petersburgo, como também no Liceu Fundukleevskaia de Kiev e numa Faculdade de Direito, em 1907.
A obra de Akhmatova compõem-se tanto de pequenos poemas líricos como de grandes poemas, como o Requiem, um grande poema acerca do terror estalinista. Os temas recorrentes são o passar do tempo, as recordações, o destino da mulher criadora e as dificuldades em viver e escrever na sombra do estalinismo.
Os seus pais separaram-se em 1905. Ela casou-se com o poeta Nikolaï Goumilev em 1910 e o filho deles, nascido em 1912, foi o historiador Lev Goumilev.
Akhmatova teve uma longa amizade com a poeta Marina Tsvetaeva, sua compatriota. Estas duas amigas trocaram uma correspondência poética.
Nikolaï Goumilev foi executado em 1921, por causa de atividades consideradas anti-soviéticas; Akhmatova foi forçada ao silêncio, não podendo a sua poesia ser publicada de 1925 a 1952 (excetuando-se o período de 1940 a 1946). Excluída da vida pública, vivendo de uma irrisória pensão e forçada a ir fazendo traduções de obras de escritores como Victor Hugo e Rabindranath Tagore, Akhmatova começou, após a morte de Estaline, em 1953, a ser reabilitada, tendo-lhe sido autorizada uma viagem a Itália, para receber o prémio literário Taormina, e a Oxford, para receber um título honorário, em 1965.
Na generalidade, a sua obra é caracterizada pela aparente simplicidade e naturalidade e pela precisão e clareza da sua escrita.
  
 
 


MUSA

 



Quando à noite eu espero a sua vinda,

numa balança a minha vida pende.

Que é a honra, a liberdade, a juventude?

Fumo que de um cachimbo se desprende.

 



Veio, jogando o manto para trás,

e uma atenção cordial me concedeu.

“Foste – eu lhe disse – quem ditou a Dante

as páginas do Inferno?” E ela: “Fui eu.”

 

 
 
 
Anna Akhmatova