D. Maria Pia era a segunda filha do rei
Vítor Emanuel II da
Sardenha e
Piemonte (que, em
1861, se tornou o primeiro rei da
Itália) e da arquiduquesa austríaca
Adelaide de Habsburgo. Teve sete irmãos, entre os quais os Reis
Humberto I de Itália e
Amadeu I de Espanha. A irmã mais velha,
Maria Clotilde de Saboia, desposou um sobrinho de
Napoleão Bonaparte.
No dia de seu
batismo, o
Papa Pio IX, o seu padrinho, concedeu-lhe a
Rosa de Ouro.
Casamento e vida como Rainha de Portugal
No dia
6 de outubro de
1862, um dia depois de chegar a
Lisboa, D. Maria Pia casou-se com o rei
D. Luís I, tornando-se assim rainha de Portugal. A cerimónia ocorreu na
Igreja de São Domingos.
Rainha aos quinze anos, D. Maria Pia cumpriu rapidamente o seu
principal papel, assegurando a sucessão ao trono com o nascimento do príncipe D.
Carlos, em
28 de setembro de
1863, e do
infante D. Afonso Henriques, em
31 de julho de
1865, titulado como
Duque do Porto.
Mulher de temperamento meridional, ela foi mãe extremosa dos seus
filhos e mulher atenta aos mais necessitados, tendo-se destacado pela sua
solidariedade para com os parentes das vítimas do
incêndio do
Teatro Baquet, em
1888. Habituada aos luxos da corte de
Turim, D. Maria Pia era amante da
alta costura e de festas, como
bailes de
máscaras.
Manteve-se alheia aos assuntos políticos, exceto quando o
Marechal Saldanha, que cercou o
Palácio da Ajuda em
1870, obrigou o rei a nomeá-lo presidente do Conselho de Ministros. Reza a lenda que D. Maria Pia teria exclamado ao Marechal:
Se eu fosse o Rei, mandava-o fuzilar!
|
Assistiu, de forma excecional o seu marido, durante a sua terrível
agonia.
Reinado do filho e neto
Após a subida ao trono português de seu filho, o rei D.
Carlos I, D. Maria Pia cedeu o protagonismo à sua nora, a princesa
Amélia de Orleães, continuando a residir oficialmente no
Palácio da Ajuda (cuja
decoração se deve ao seu gosto), utilizando como residências de recreio o
Palácio da vila de
Sintra e um
chalé que adquiriu no
Estoril. Serviu diversas vezes como
regente do Reino, durante as visitas oficiais do seu filho e da nora ao estrangeiro.
Na sequência do
Regicídio de 1908, em que o seu filho, D. Carlos I, e o seu neto, o herdeiro do trono, D.
Luís Filipe, Duque de Bragança,
foram assassinados, D. Maria Pia ficou abatida pelo desgosto e, durante o breve reinado do seu outro
neto, D.
Manuel II, a rainha manteve-se praticamente retirada do público e quase sempre estava acompanhada do segundo filho,
D. Afonso, Duque do Porto.
Morte
Com a implantação da república, em
5 de outubro de
1910, D. Maria Pia seguiu então para o
exílio, mas não com os restantes membros da família real; partiu para o seu
Piemonte natal, onde viria a falecer no ano seguinte, a
5 de julho de
1911. Foi sepultada no Panteão Real dos Saboias, na
Basílica de Superga,
em Itália. Momentos antes de expirar, ela pediu que a voltassem no
leito na direção de Portugal, país onde permaneceu durante quarenta e
oito anos. Espera ainda hoje que seja cumprido o seu último desejo, o
regresso a Portugal, onde possa descansar em paz junto do marido, dos
seus filhos, dos seus netos e restante família.
É o único membro da Família Real exilada que ainda não voltou para Portugal.