quarta-feira, agosto 06, 2025
O Papa São Paulo VI morreu há 47 anos...
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Klaus Nomi morreu há 42 anos...

Klaus Nomi, nascido Klaus Sperber (Immenstadt, 24 de janeiro de 1944 - Nova Iorque, 6 de agosto de 1983) foi um cantor contratenor alemão, reputado pelas suas notáveis atuações vocais e invulgar personagem de palco, que se tornou um ícone do início dos anos 80. Morreu de SIDA em 1983, uma das primeiras celebridades a morrer com a doença.
Nomi mudou-se da Alemanha para Nova York em meados dos anos 70. Após um encontro fortuito num nightclub, David Bowie contratou-o como cantor de suporte para uma atuação no Saturday Night Live em 1979. Nomi também colaborou com Manny Parrish.
Nomi é lembrado pelos seus espetáculos bizarramente teatrais, onde usava bastante maquilhagem, roupa vulgar e penteados altamente estilizados. As suas músicas eram igualmente invulgares, desde interpretações de ópera clássica, acompanhadas por sintetizadores, a covers de músicas como The Twist de Chubby Checker. Nos anos 90, Nomi era frequentemente mencionado nos monólogos de Dennis Miller como uma das suas referências obscuras favoritas.
Em 2004, foi feito um documentário sobre a sua vida e carreira: The Nomi Song.
in Wikipédia
Postado por Fernando Martins às 00:42 0 comentários
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Velázquez morreu há 365 anos...
Filho de um advogado nobre, de ascendência portuguesa - os seus avós paternos eram do Porto, João Rodrigues da Silva - Velázquez ficou com o prenome do avô paterno que, em 1581, deixou Portugal (era originário do Porto) para instalar-se com a sua esposa em Sevilha, onde Diego nasceu a 6 de junho de 1599 e foi batizado. Eventualmente nasceu no dia anterior ao do seu batismo, ou seja, 5 de junho de 1599. A sua mãe era de origem sevilhana e ele era o mais velho de oito irmãos, pertencendo a sua família à pequena fidalguia da cidade. Foi um artista tecnicamente formidável e, na opinião de muitos críticos de arte, insuperável pintor de retratos.
A World Wide Web faz hoje trinta e quatro anos
Postado por Fernando Martins às 00:34 0 comentários
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Os Ramones deram o derradeiro espectáculo há 29 anos...
Postado por Fernando Martins às 00:29 0 comentários
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Jorge Amado morreu há vinte e quatro anos...
Postado por Fernando Martins às 00:24 0 comentários
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Hoje é dia de recordar um Poeta...
AS PALAVRAS DO PAI
Olha, meu filho, esta
é a árvore
da vida. Crescerás
com ela. Às vezes
nos seus ombros colherás
lágrimas em lugar
de frutos, mas
é nos ramos mais altos
que o sonho
mora e a liberdade
floresce.
Albano Martins
Postado por Fernando Martins às 00:09 0 comentários
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Poema (de aniversariante de hoje) adequado à estação estival...
Espreguiçados, os ramos
das palmeiras filtram
a luz que sobra
do dia. É já noite
nas folhas. O branco
das paredes recolhe
o sangue e o vinho
de buganvílias
e hibiscos. Bebe-os
de um trago: saberás
que, mais do que cegueira, a noite
é uma embriaguez perfeita.
in Castália e Outros Poemas (2001) - Albano Dias Martins
Postado por Pedro Luna às 00:08 0 comentários
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Saudades do violão de Baden Powell de Aquino...
Postado por Pedro Luna às 00:08 0 comentários
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Hiroshima foi bombardeada há oitenta anos...
Postado por Fernando Martins às 00:08 0 comentários
Marcadores: Hiroshima, II Grande Guerra, II Guerra Mundial, Japão
Os Beatles lançaram o álbum Help! há sessenta anos...!
| Studio album by | ||||
|---|---|---|---|---|
| Released | 6 August 1965 | |||
| Recorded | 15 February – 17 June 1965 | |||
| Studio | EMI, London | |||
| Genre | ||||
| Length | 33:44 | |||
| Label | Parlophone | |||
| Producer | George Martin | |||
| The Beatles chronology | ||||
| ||||
| The Beatles North American chronology | ||||
| ||||
| Singles from Help! | ||||
| ||||
Help! is the fifth studio album by the English rock band the Beatles and the soundtrack to their film of the same name. It was released on 6 August 1965. Seven of the fourteen songs, including the singles "Help!" and "Ticket to Ride", appeared in the film and take up the first side of the vinyl album. The second side includes "Yesterday", the most-covered song ever written. The album was met with favourable critical reviews and topped the Australian, German, UK and US charts.
During the recording sessions for the album, the Beatles continued to explore the studio's multitracking capabilities to layer their sound. "Yesterday" features a string quartet, the band's first use of Baroque sensibilities, and "You've Got to Hide Your Love Away" includes a flute section. The North American release is a true soundtrack album, combining the first seven songs with instrumental music from the film. The omitted tracks are instead spread across the Capitol Records LPs Beatles VI, Rubber Soul and Yesterday and Today.
Postado por Fernando Martins às 00:06 0 comentários
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terça-feira, agosto 05, 2025
Saudades de Chavela...
Paloma Negra - Chavela Vargas
Ya me canso de llorar y no amanece
Ya no sé si maldecirte o por ti rezar
Tengo miedo de buscarte y de encontrarte
Donde me aseguran mis amigos que te vas
Hay momentos en que quisiera mejor rajarme
Y arrancarme ya los clavos de mi penar
Pero mis ojos se mueren sin mirar tus ojos
Y mi cariño con la aurora te vuelve a esperar
Ya agarraste por tu cuenta las parrandas
Paloma negra, paloma negra
¿Dónde?
¿Dónde andarás?
Ya no jueges con mi honra, parrandera
Si tus caricias deben ser mías, de nadie más
Y aunque te amo con locura, ya no vuelvas
Paloma negra, eres la reja de un penar
Quiero ser libre
Vivir mi vida con quien me quiera
Dios dame fuerza, me estoy muriendo
Por irla a buscar
Ya agarraste por tu cuenta las parrandas
Postado por Pedro Luna às 22:22 0 comentários
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O Abbé Pierre nasceu há 113 anos...
Postado por Fernando Martins às 11:30 0 comentários
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Neil Armstrong nasceu há 95 anos...
Postado por Fernando Martins às 09:50 0 comentários
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E o mundo não se acabou - só para Carmen Miranda...
Postado por Pedro Luna às 07:00 0 comentários
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João Barone, percursionista n'Os Paralamas do Sucesso, nasceu há 63 anos

Postado por Fernando Martins às 06:30 0 comentários
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Pat Smear - 66 anos
Georg Albert Ruthenberg (Los Angeles, August 5, 1959), better known by his stage name Pat Smear, is an American musician. He is best known for being the lead guitarist and co-founder of Los Angeles-based punk band The Germs and for being a rhythm guitarist for grunge band Nirvana, which he joined as a touring guitarist in 1993, and Foo Fighters, with whom he has recorded six studio albums. After Nirvana disbanded following the suicide of its frontman Kurt Cobain, drummer Dave Grohl went on to become the frontman of rock band Foo Fighters, with Smear joining on guitar. He left Foo Fighters in 1997, before rejoining as a touring guitarist in 2005, and has been a full-time member since 2010.
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Postado por Fernando Martins às 06:06 0 comentários
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Hoje é dia de ler Poesia...
Moral da história
Deixamos passar o outono, o inverno,
a primavera, o verão,
e fazemos de conta que lhes sobrevivemos
como se tudo não passasse
de inofensiva e reversível
sucessão.
Passeamos de mãos dadas,
temos filhos e casamos,
pedimos a reforma,
partilhamos o gelado na praia
junto à rebentação,
apertamos o casaco na gola
quando as folhas se deitam,
pisamos papoilas em caminhos
de aldeias abandonadas,
olhamos a água no tanque
quando levamos o cão à rua
de madrugada,
e dizemos: é isto a vida, é isto
o real
(e assim nos enganamos)
como meninos
livres para brincar junto do poço
enquanto a mãe não está a olhar
ou fala ao telefone,
ou prepara o almoço.
Rui Lage
Postado por Pedro Luna às 05:00 0 comentários
Ana Luísa Amaral morreu há três anos...
Ana Luísa Amaral (Lisboa, 5 de abril de 1956 – Porto, 5 de agosto de 2022) foi uma poetisa portuguesa, tradutora e professora de Literatura e Cultura Inglesa e Americana na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
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Três de maio de 1808 em Madrid: os fuzilamentos na montanha do Príncipe Pío - Francisco de Goya
UM POUCO SÓ DE GOYA: CARTA A MINHA FILHA:
Lembras-te de dizer que a vida era uma fila?
Eras pequena e o cabelo mais claro,
mas os olhos iguais. Na metáfora dada
pela infância, perguntavas do espanto
da morte e do nascer, e de quem se seguia
e porque se seguia, ou da total ausência
de razão nessa cadeia em sonho de novelo.
Hoje, nesta noite tão quente rompendo-se
de junho, o teu cabelo claro mais escuro,
queria contar-te que a vida é também isso:
uma fila no espaço, uma fila no tempo,
e que o teu tempo ao meu se seguirá.
Num estilo que gostava, esse de um homem
que um dia lembrou Goya numa carta a seus
filhos, queria dizer-te que a vida é também
isto: uma espingarda às vezes carregada
(como dizia uma mulher sozinha, mas grande
de jardim). Mostrar-te leite-creme, deixar-te
testamentos, falar-te de tigelas — é sempre
olhar-te amor. Mas é também desordenar-te à
vida, entrincheirar-te, e a mim, em fila descontínua
de mentiras, em carinho de verso.
E o que queria dizer-te é dos nexos da vida,
de quem a habita para além do ar.
E que o respeito inteiro e infinito
não precisa de vir depois do amor.
Nem antes. Que as filas só são úteis
como formas de olhar, maneiras de ordenar
o nosso espanto, mas que é possível pontos
paralelos, espelhos e não janelas.
E que tudo está bem e é bom: fila ou
novelo, duas cabeças tais num corpo só,
ou um dragão sem fogo, ou unicórnio
ameaçando chamas muito vivas.
Como o cabelo claro que tinhas nessa altura
se transformou castanho, ainda claro,
e a metáfora feita pela infância
se revelou tão boa no poema. Se revela
tão útil para falar da vida, essa que,
sem tigelas, intactas ou partidas, continua
a ser boa, mesmo que em dissonância de novelo.
Não sei que te dirão num futuro mais perto,
se quem assim habita os espaços das vidas
tem olhos de gigante ou chifres monstruosos.
Porque te amo, queria-te um antídoto
igual a elixir, que te fizesse grande
de repente, voando, como fada, sobre a fila.
Mas por te amar, não posso fazer isso,
e nesta noite quente a rasgar junho,
quero dizer-te da fila e do novelo
e das formas de amar todas diversas,
mas feitas de pequenos sons de espanto,
se o justo e o humano aí se abraçam.
A vida, minha filha, pode ser
de metáfora outra: uma língua de fogo;
uma camisa branca da cor do pesadelo.
Mas também esse bolbo que me deste,
e que agora floriu, passado um ano.
Porque houve terra, alguma água leve,
e uma varanda a libertar-lhe os passos.
Ana Luísa Amaral
Postado por Fernando Martins às 03:00 0 comentários
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Osvaldo Cruz nasceu há 153 anos

Postado por Fernando Martins às 01:53 0 comentários
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Não voltará...
Postado por Pedro Luna às 01:30 0 comentários
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O poeta Rui Lage celebra hoje cinquenta anos...!
Rui Carlos Morais Lage (Porto, 5 de agosto de 1975) é um escritor e político português.
Biografia
Rui Lage foi deputado à Assembleia da República na XV Legislatura, em 2022, eleito pelo Partido Socialista no círculo eleitoral do Porto, com assento, enquanto membro efetivo, na Comissão de Assuntos Europeus e na Comissão de Ambiente e Energia. Foi vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS. Foi colunista do semanário Expresso e assina uma crónica quinzenal no Jornal de Notícias. Publicou, ao longo dos anos, diversos artigos de opinião no Público.
Entre 2014 e 2021 foi assessor parlamentar no Parlamento Europeu.
É membro da Assembleia Municipal do Porto, pelo PS, e fez parte do Conselho Municipal de Cultura do mesmo município. Entre 2001 e 2011, integrou a direção da Fundação Eugénio de Andrade. Em 2023, foi o programador convidado e o comissário da homenagem a Manuel António Pina na Feira do Livro do Porto.
Licenciado em Estudos Portugueses e Ingleses pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, obteve, nesta mesma instituição, uma especialização em Literatura Portuguesa e Brasileira, e, em 2010, o grau de Doutor em Literaturas e Culturas Românicas - Especialidade em Literatura Portuguesa, com a tese de doutoramento "A elegia portuguesa nos séculos XX e XXI: perda, luto e desengano".
Foi investigador académico, formador, docente do ensino artístico na ACE - Academia Contemporânea do Espetáculo / Teatro do Bolhão e lecionou as cadeiras de História Cultural do Teatro I e II, na licenciatura em Artes Dramáticas da Universidade Lusófona do Porto.
É autor de vários livros nos domínios da poesia, da ficção e do ensaio. O seu livro Estrada Nacional (2016) foi distinguido com o Prémio Literário da Fundação Inês de Castro 2016 e com o Prémio Ruy Belo 2018. O seu primeiro romance, O Invisível (Gradiva, 2018), foi distinguido com o Prémio Revelação Agustina Bessa-Luís 2017 e com o Prémio Autores 2019, da SPA, na categoria de melhor livro de ficção narrativa, tendo sido traduzido para castelhano, em 2020, com a chancela de La Umbría y La Solana.
É autor de ficção infanto-juvenil e de trabalhos de dramaturgia para companhias como o Ensemble – Sociedade de Atores ("Três Irmãs", de Anton Tchékhov 2021, Teatro Nacional de São João) e Astro Fingido ("O Grito dos Pavões", 2011).
Com Jorge Reis-Sá, organizou e prefaciou a antologia Poemas Portugueses: Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI (Porto Editora, 2009), a mais extensa e abrangente alguma vez publicada em Portugal. Traduziu obras de Paul Auster, Pablo Neruda, Samuel Beckett e Carl Sagan.
Em 2019 foi o romancista convidado do “European First Novel Festival”, de Budapeste, Hungria.
Escreveram sobre a sua obra ensaístas e críticos literários tais como Pedro Mexia, António Guerreiro, Maria Alzira Seixo, José Mário Silva, Arnaldo Saraiva, Osvaldo Manuel Silvestre, Diogo Vaz Pinto, Rosa Maria Martelo e Carlos Fiolhais, entre vários outros.
Obras
Poesia
- Antigo e Primeiro. Vila Nova de Famalicão, Quasi Edições, 2002.
- Berçário. Vila Nova de Famalicão, Quasi Edições, 2004.
- Revólver. Vila Nova de Famalicão, Quasi Edições, 2006.
- Corvo. Vila Nova de Famalicão, Quasi Edições, 2008.
- Um Arraial Português, Lisboa, Ulisseia, 2011.
- Rio Torto, Lisboa, Língua Morta, 2014.
- Estrada Nacional, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2016.
- Firmamento, Lisboa, Assírio & Alvim, 2022.
Ficção
- O Invisível. Lisboa, Gradiva, 2018.
Ensaio
- A meta física do corpo: sobre a poesia de Valter Hugo Mãe; seguido de uma antologia. Maia, Cosmorama, 2006.
- A presença do mistério: introdução à poesia de Manuel António Pina (ensaio e antologia comentada). Porto, Exclamação, 2022.
- Tiago e os Primos Espantam os Morcegos. Vila Nova de Famalicão, Quasi Edições / Jornal de Notícias, 2005.
- Sermão de Santo António aos peixes. 1ª ed. (adaptação). Vila Nova de Famalicão, Quasi Edições / Jornal Sol, 2008; 2ª ed. 2018.
Organização de antologias
- Poemas Portugueses: Antologia da Poesia Portuguesa do séc. XIII ao séc. XXI. (Seleção, organização, introdução e notas). Com Jorge Reis-Sá; prefácio de Vasco Graça Moura. Porto, Porto Editora, 2009.
Outros
- Portugal Possível. Textos de Rui Lage e fotografias de Álvaro Domingues e Duarte Belo. Lisboa, Museu da Paisagem, 2022.
- Prémio Literário da Fundação Inês de Castro 2016.
- Prémio Revelação Agustina Bessa-Luís 2017.
- Prémio Ruy Belo 2018.
- Prémio Autores da Sociedade Portuguesa de Autores, 2019 - categoria de melhor livro de ficção narrativa.
- Prémio Literário António Gedeão 2024, Instituído pela Federação Nacional dos Professores (Fenprof) em parceria com a SABSEG - Corretor de Seguros.
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A CARTA NA MÃO
ao meu pai, Carlos
País perdido no regaço da palha
sob o peso da luz e do pão,
tenho-te escrito e aberto nas mãos,
tenho-te perto da vista e longe
cada vez mais do coração.
Sobre os joelhos o fruto seco da carta,
a nódoa de veneno deixada
pelos insectos, a invasão dos vermes,
as unhas imundas que feriram
a polpa, o caroço onde guardo
os sinos da manhã.
O pátio na carta aberta,
a casa remota, perdida
após montes e montes deitados
sobre o perfume das hortas,
o eco das minas bebendo em sossego
o pensamento, a lentidão dos animais
que perduram na curva dos caminhos.
Na carta aberta o cimo das escadas,
o céu tranquilo as mãos na cintura,
a súplica de pó no rosto que olha
pedindo a mão pequena
para a borda da saia,
o primeiro dia de escola
para o colo do regresso.
Mas se morrermos agora,
no pátio ou no deserto, quem dará conta
do país perdido?
Que me pede a carta nas mãos
cantando o país perdido?
Também aqui as cigarras cantam
mas estranhas aves amplificam
no tímpano sujo dos muros
o ar queimado da savana.
Que faço na terra do marfim?
Porque não há cravos
na pequena horta da prisão?
Rui Lage
Postado por Fernando Martins às 00:50 0 comentários
Richard Burton morreu há quarenta e um anos...
Postado por Fernando Martins às 00:41 0 comentários
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