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quinta-feira, agosto 06, 2026

O poeta Albano Martins nasceu há 96 anos...

(imagem daqui)
  
Albano Dias Martins (Fundão, 6 de agosto de 1930Vila Nova de Gaia, 6 de junho de 2018) foi um poeta português.
Formado em Filologia Clássica clássica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi professor do Ensino Secundário de 1956 a 1976. Exerceu o cargo de Inspetor-coordenador da Inspeção-Geral do Ensino.
Tendo ingressado, em 1980, nos quadros da Inspeção-Geral de Ensino, passou, em 1993, à situação de aposentado. Presentemente, é professor na Universidade Fernando Pessoa, do Porto.
O poeta foi um dos fundadores da revista Árvore e colaborador da Colóquio-Letras e Nova Renascença.
Fez também algumas traduções como "O Essencial de Alceu" e "Cantos de Leopardi", "Cântico dos Cânticos". "Dez Poetas Gregos Arcaico", "O Aprendiz de Feiticeiro", "Dez Poetas Italianos Contemporâneos", "O Aprendiz de Feiticeiro" e "Os Versos do Capitão".
Morreu a 6 de junho de 2018, em Mafamude, Vila Nova de Gaia, onde residia.

Sobre os seus poemas:

Cquote1.svg sóbrios, breves, mas rutilantes, coloridos, vibrantes Cquote2.svg

Cquote1.svg a nomeação é um acto de criação vital e a presentificação de uma realidade física. Cquote2.svg  
António Ramos Rosa
   

 

Pequenas coisas


Falar do trigo e não dizer
o joio. Percorrer
em voo raso os campos
sem pousar
os pés no chão. Abrir
um fruto e sentir
no ar o cheiro
a alfazema. Pequenas coisas,
dirás, que nada
significam perante
esta outra, maior: dizer
o indizível. Ou esta:
entrar sem bússola
na floresta e não perder
o rumo. Ou essa outra, maior
que todas e cujo
nome por precaução
omites. Que é preciso,
às vezes, não acordar o silêncio.

 

Albano Martins 

quarta-feira, agosto 06, 2025

Albano Martins nasceu há 95 anos...

(imagem daqui)
  
Albano Dias Martins (Fundão, 6 de agosto de 1930Vila Nova de Gaia, 6 de junho de 2018) foi um poeta português.
Formado em Filologia Clássica clássica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi professor do Ensino Secundário de 1956 a 1976. Exerceu o cargo de Inspetor-coordenador da Inspeção-Geral do Ensino.
Tendo ingressado, em 1980, nos quadros da Inspeção-Geral de Ensino, passou, em 1993, à situação de aposentado. Presentemente, é professor na Universidade Fernando Pessoa, do Porto.
O poeta foi um dos fundadores da revista Árvore e colaborador da Colóquio-Letras e Nova Renascença.
Fez também algumas traduções como "O Essencial de Alceu" e "Cantos de Leopardi", "Cântico dos Cânticos". "Dez Poetas Gregos Arcaico", "O Aprendiz de Feiticeiro", "Dez Poetas Italianos Contemporâneos", "O Aprendiz de Feiticeiro" e "Os Versos do Capitão".
Morreu a 6 de junho de 2018, em Mafamude, Vila Nova de Gaia, onde residia.

Sobre os seus poemas:

Cquote1.svg sóbrios, breves, mas rutilantes, coloridos, vibrantes Cquote2.svg

Cquote1.svg a nomeação é um acto de criação vital e a presentificação de uma realidade física. Cquote2.svg  
António Ramos Rosa
   

 

ESCRITO A VERMELHO



Também ainda não disseste
(e é bom que o faças antes que anoiteça)
que foi ao serviço duma causa que vieste.
Não lhe dirás o nome, nem é preciso, julgo eu.
Basta que se saiba que foi com sangue que
sempre o escreveste. E bastará, por isso, que
leiam os teus versos. Porque em todos eles está
escrito a vermelho.



Albano Martins 

Hoje é dia de recordar um Poeta...

 

 

AS PALAVRAS DO PAI



Olha, meu filho, esta
é a árvore
da vida. Crescerás
com ela. Às vezes
nos seus ombros colherás
lágrimas em lugar
de frutos, mas
é nos ramos mais altos
que o sonho
mora e a liberdade
floresce.



Albano Martins 

Poema (de aniversariante de hoje) adequado à estação estival...

 

(imagem daqui)

 

ENTARDECER NA PRAIA DA LUZ
  
Espreguiçados, os ramos
das palmeiras filtram
a luz que sobra
do dia. É já noite
nas folhas. O branco
das paredes recolhe
o sangue e o vinho
de buganvílias
e hibiscos. Bebe-os
de um trago: saberás
que, mais do que cegueira, a noite
é uma embriaguez perfeita. 
   

   
in
Castália e Outros Poemas (2001) - Albano Dias Martins

terça-feira, agosto 06, 2024

Albano Dias Martins nasceu há 94 anos...

(imagem daqui)
  
Albano Dias Martins (Fundão, 6 de agosto de 1930Vila Nova de Gaia, 6 de junho de 2018) foi um poeta português.
Formado em Filologia Clássica clássica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi professor do Ensino Secundário de 1956 a 1976. Exerceu o cargo de Inspetor-coordenador da Inspeção-Geral do Ensino.
Tendo ingressado, em 1980, nos quadros da Inspeção-Geral de Ensino, passou, em 1993, à situação de aposentado. Presentemente, é professor na Universidade Fernando Pessoa, do Porto.
O poeta foi um dos fundadores da revista Árvore e colaborador da Colóquio-Letras e Nova Renascença.
Fez também algumas traduções como "O Essencial de Alceu" e "Cantos de Leopardi", "Cântico dos Cânticos". "Dez Poetas Gregos Arcaico", "O Aprendiz de Feiticeiro", "Dez Poetas Italianos Contemporâneos", "O Aprendiz de Feiticeiro" e "Os Versos do Capitão".
Morreu a 6 de junho de 2018, em Mafamude, Vila Nova de Gaia, onde residia.

Sobre os seus poemas:

Cquote1.svg sóbrios, breves, mas rutilantes, coloridos, vibrantes Cquote2.svg

Cquote1.svg a nomeação é um acto de criação vital e a presentificação de uma realidade física. Cquote2.svg  
António Ramos Rosa
   

 

Pequenas coisas

Falar do trigo e não dizer o joio.
Percorrer
em voo raso os campos
sem pousar
os pés no chão. Abrir
um fruto e sentir
no ar o cheiro
a alfazema. Pequenas coisas,
dirás, que nada
significam perante
esta outra, maior: dizer
o indizível. Ou esta:
entrar sem bússola
na floresta e não perder
o rumo. Ou essa outra, maior
que todas e cujo
nome por precaução
omites. Que é preciso,
às vezes,
não acordar o silêncio.
 


 

in Escrito em vermelho (1999) - Albano Dias Martins

 

Poema de aniversariante de hoje adequado à época...

 

(imagem daqui)

 

ENTARDECER NA PRAIA DA LUZ
  
Espreguiçados, os ramos
das palmeiras filtram
a luz que sobra
do dia. É já noite
nas folhas. O branco
das paredes recolhe
o sangue e o vinho
de buganvílias
e hibiscos. Bebe-os
de um trago: saberás
que, mais do que cegueira, a noite
é uma embriaguez perfeita. 

   
in
Castália e Outros Poemas (2001) - Albano Dias Martins

domingo, agosto 06, 2023

O poeta Albano Dias Martins nasceu há 93 anos...

(imagem daqui)
  
Albano Dias Martins (Fundão, 6 de agosto de 1930Vila Nova de Gaia, 6 de junho de 2018) foi um poeta português.
Formado em Filologia Clássica clássica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi professor do Ensino Secundário de 1956 a 1976. Exerceu o cargo de Inspetor-coordenador da Inspeção-Geral do Ensino.
Tendo ingressado, em 1980, nos quadros da Inspeção-Geral de Ensino, passou, em 1993, à situação de aposentado. Presentemente, é professor na Universidade Fernando Pessoa, do Porto.
O poeta foi um dos fundadores da revista Árvore e colaborador da Colóquio-Letras e Nova Renascença.
Fez também algumas traduções como "O Essencial de Alceu" e "Cantos de Leopardi", "Cântico dos Cânticos". "Dez Poetas Gregos Arcaico", "O Aprendiz de Feiticeiro", "Dez Poetas Italianos Contemporâneos", "O Aprendiz de Feiticeiro" e "Os Versos do Capitão".
Morreu a 6 de junho de 2018, em Mafamude, Vila Nova de Gaia, onde residia.

Sobre os seus poemas:

Cquote1.svg sóbrios, breves, mas rutilantes, coloridos, vibrantes Cquote2.svg

Cquote1.svg a nomeação é um acto de criação vital e a presentificação de uma realidade física. Cquote2.svg  
António Ramos Rosa
   

 

Uma Cidade
  

Uma cidade pode ser
apenas um rio, uma torre, uma rua
com varandas de sal e gerânios
de espuma. Pode
ser um cacho
de uvas numa garrafa, uma bandeira
azul e branca, um cavalo
de crinas de algodão, esporas
de água e flancos
de granito.
Uma cidade
pode ser o nome
dum país, dum cais, um porto, um barco
de andorinhas e gaivotas
ancoradas
na areia. E pode
ser
um arco-íris à janela, um manjerico
de sol, um beijo
de magnólias
ao crepúsculo, um balão
aceso
  
numa noite
de junho.
  
Uma cidade pode ser
um coração,
um punho.

  

 
in
Castália e Outros Poemas (2001) - Albano Dias Martins

sábado, agosto 06, 2022

Albano Dias Martins nasceu há 92 anos

(imagem daqui)
  
Albano Dias Martins (Fundão, 6 de agosto de 1930Vila Nova de Gaia, 6 de junho de 2018) foi um poeta português.
Formado em Filologia Clássica clássica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi professor do Ensino Secundário de 1956 a 1976. Exerceu o cargo de Inspetor-coordenador da Inspeção-Geral do Ensino.
Tendo ingressado, em 1980, nos quadros da Inspeção-Geral de Ensino, passou, em 1993, à situação de aposentado. Presentemente, é professor na Universidade Fernando Pessoa, do Porto.
O poeta foi um dos fundadores da revista Árvore e colaborador da Colóquio-Letras e Nova Renascença.
Fez também algumas traduções como "O Essencial de Alceu" e "Cantos de Leopardi", "Cântico dos Cânticos". "Dez Poetas Gregos Arcaico", "O Aprendiz de Feiticeiro", "Dez Poetas Italianos Contemporâneos", "O Aprendiz de Feiticeiro" e "Os Versos do Capitão".
Morreu a 6 de junho de 2018, em Mafamude, Vila Nova de Gaia, onde residia.

Sobre os seus poemas:

Cquote1.svg sóbrios, breves, mas rutilantes, coloridos, vibrantes Cquote2.svg

Cquote1.svg a nomeação é um acto de criação vital e a presentificação de uma realidade física. Cquote2.svg  
António Ramos Rosa
   

 

Pequenas coisas

Falar do trigo e não dizer o joio.
Percorrer
em voo raso os campos
sem pousar
os pés no chão. Abrir
um fruto e sentir
no ar o cheiro
a alfazema. Pequenas coisas,
dirás, que nada
significam perante
esta outra, maior: dizer
o indizível. Ou esta:
entrar sem bússola
na floresta e não perder
o rumo. Ou essa outra, maior
que todas e cujo
nome por precaução
omites. Que é preciso,
às vezes,
não acordar o silêncio.
 


 

in Escrito em vermelho (1999) - Albano Martins

sexta-feira, agosto 06, 2021

O poeta Albano Dias Martins nasceu há 91 anos

(imagem daqui)
  
Albano Dias Martins (Fundão, 6 de agosto de 1930Vila Nova de Gaia, 6 de junho de 2018) foi um poeta português.
Formado em Filologia Clássica clássica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi professor do Ensino Secundário de 1956 a 1976. Exerceu o cargo de Inspector-coordenador da Inspecção-Geral do Ensino.
Tendo ingressado, em 1980, nos quadros da Inspecção-Geral de Ensino, passou, em 1993, à situação de aposentado. Presentemente, é professor na Universidade Fernando Pessoa, do Porto.
O poeta foi um dos fundadores da revista Árvore e colaborador da Colóquio-Letras e Nova Renascença.
Fez também algumas traduções como "O Essencial de Alceu" e "Cantos de Leopardi", "Cântico dos Cânticos". "Dez Poetas Gregos Arcaico", "O Aprendiz de Feiticeiro", "Dez Poetas Italianos Contemporâneos", "O Aprendiz de Feiticeiro" e "Os Versos do Capitão".
Morreu a 6 de junho de 2018, em Mafamude, Vila Nova de Gaia, onde residia.

Sobre os seus poemas:

Cquote1.svg sóbrios, breves, mas rutilantes, coloridos, vibrantes Cquote2.svg

Cquote1.svg a nomeação é um acto de criação vital e a presentificação de uma realidade física. Cquote2.svg  
António Ramos Rosa
   

 

ENTARDECER NA PRAIA DA LUZ
  
Espreguiçados, os ramos
das palmeiras filtram
a luz que sobra
do dia. É já noite
nas folhas. O branco
das paredes recolhe
o sangue e o vinho
de buganvílias
e hibiscos. Bebe-os
de um trago: saberás
que, mais do que cegueira, a noite
é uma embriaguez perfeita. 
  
   
in
Castália e Outros Poemas - Albano Dias Martins

 

Poema para recordar um aniversariante de hoje...

(imagem daqui)
  
 
Uma Cidade
  

Uma cidade pode ser
apenas um rio, uma torre, uma rua
com varandas de sal e gerânios
de espuma. Pode
ser um cacho
de uvas numa garrafa, uma bandeira
azul e branca, um cavalo
de crinas de algodão, esporas
de água e flancos
de granito.
Uma cidade
pode ser o nome
dum país, dum cais, um porto, um barco
de andorinhas e gaivotas
ancoradas
na areia. E pode
ser
um arco-íris à janela, um manjerico
de sol, um beijo
de magnólias
ao crepúsculo, um balão
aceso
  
numa noite
de junho.
  
Uma cidade pode ser
um coração,
um punho.

  

 
in
Castália e Outros Poemas (2001) - Albano Dias Martins

quinta-feira, agosto 06, 2020

Poema de aniversariante de hoje...


(imagem daqui)
  
 
Uma Cidade
  

Uma cidade pode ser
apenas um rio, uma torre, uma rua
com varandas de sal e gerânios
de espuma. Pode
ser um cacho
de uvas numa garrafa, uma bandeira
azul e branca, um cavalo
de crinas de algodão, esporas
de água e flancos
de granito.
Uma cidade
pode ser o nome
dum país, dum cais, um porto, um barco
de andorinhas e gaivotas
ancoradas
na areia. E pode
ser
um arco-íris à janela, um manjerico
de sol, um beijo
de magnólias
ao crepúsculo, um balão
aceso
  
numa noite
de junho.
  
Uma cidade pode ser
um coração,
um punho.

  

 
in
Castália e Outros Poemas (2001) - Albano Dias Martins

Albano Dias Martins nasceu há noventa anos

(imagem daqui)
   
Albano Dias Martins (Telhado, Fundão, 6 de agosto de 1930), é um poeta português.
Formado em Filologia Clássica clássica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi professor do Ensino Secundário de 1956 a 1976. Exerceu o cargo de Inspector-coordenador da Inspecção-Geral do Ensino.
Tendo ingressado, em 1980, nos quadros da Inspecção-Geral de Ensino, passou, em 1993, à situação de aposentado. Presentemente, é professor na Universidade Fernando Pessoa, do Porto.
O poeta foi um dos fundadores da revista Árvore e colaborador da Colóquio-Letras e Nova Renascença.
Fez também algumas traduções como "O Essencial de Alceu" e "Cantos de Leopardi", "Cântico dos Cânticos". "Dez Poetas Gregos Arcaico", "O Aprendiz de Feiticeiro", "Dez Poetas Italianos Contemporâneos", "O Aprendiz de Feiticeiro" e "Os Versos do Capitão".
  
Sobre os seus poemas:
Cquote1.svg sóbrios, breves, mas rutilantes, coloridos, vibrantes Cquote2.svg

Cquote1.svg a nomeação é um acto de criação vital e a presentificação de uma realidade física. Cquote2.svg  
António Ramos Rosa
    
    
  
ENTARDECER NA PRAIA DA LUZ
  
Espreguiçados, os ramos
das palmeiras filtram
a luz que sobra
do dia. É já noite
nas folhas. O branco
das paredes recolhe
o sangue e o vinho
de buganvílias
e hibiscos. Bebe-os
de um trago: saberás
que, mais do que cegueira, a noite
é uma embriaguez perfeita.
   
in
Castália e Outros Poemas - Albano Dias Martins

terça-feira, agosto 06, 2019

Albano Dias Martins nasceu há 89 anos

(imagem daqui)
  
Albano Dias Martins (Fundão, 6 de agosto de 1930Vila Nova de Gaia, 6 de junho de 2018) foi um poeta português.
Formado em Filologia Clássica clássica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi professor do Ensino Secundário de 1956 a 1976. Exerceu o cargo de Inspector-coordenador da Inspecção-Geral do Ensino.
Tendo ingressado, em 1980, nos quadros da Inspecção-Geral de Ensino, passou, em 1993, à situação de aposentado. Presentemente, é professor na Universidade Fernando Pessoa, do Porto.
O poeta foi um dos fundadores da revista Árvore e colaborador da Colóquio-Letras e Nova Renascença.
Fez também algumas traduções como "O Essencial de Alceu" e "Cantos de Leopardi", "Cântico dos Cânticos". "Dez Poetas Gregos Arcaico", "O Aprendiz de Feiticeiro", "Dez Poetas Italianos Contemporâneos", "O Aprendiz de Feiticeiro" e "Os Versos do Capitão".
Morreu a 6 de junho de 2018, em Mafamude, Vila Nova de Gaia, onde residia.

Sobre os seus poemas:
Cquote1.svg sóbrios, breves, mas rutilantes, coloridos, vibrantes Cquote2.svg

Cquote1.svg a nomeação é um acto de criação vital e a presentificação de uma realidade física. Cquote2.svg  
António Ramos Rosa
   
   
  
Pequenas coisas

Falar do trigo e não dizer o joio.
Percorrer
em voo raso os campos
sem pousar
os pés no chão. Abrir
um fruto e sentir
no ar o cheiro
a alfazema. Pequenas coisas,
dirás, que nada
significam perante
esta outra, maior: dizer
o indizível. Ou esta:
entrar sem bússola
na floresta e não perder
o rumo. Ou essa outra, maior
que todas e cujo
nome por precaução
omites. Que é preciso,
às vezes,
não acordar o silêncio.

 

in Escrito em vermelho (1999) - Albano Martins

quarta-feira, agosto 06, 2014

O poeta Albano Dias Martins fez hoje 84 anos

(imagem daqui)

Albano Dias Martins (Telhado, Fundão, 6 de agosto de 1930), é um poeta português.
Formado em Filologia Clássica clássica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi professor do Ensino Secundário de 1956 a 1976. Exerceu o cargo de Inspector-coordenador da Inspecção-Geral do Ensino.
Tendo ingressado, em 1980, nos quadros da Inspecção-Geral de Ensino, passou, em 1993, à situação de aposentado. Presentemente, é professor na Universidade Fernando Pessoa, do Porto.
O poeta foi um dos fundadores da revista Árvore e colaborador da Colóquio-Letras e Nova Renascença.
Fez também algumas traduções como "O Essencial de Alceu" e "Cantos de Leopardi", "Cântico dos Cânticos". "Dez Poetas Gregos Arcaico", "O Aprendiz de Feiticeiro", "Dez Poetas Italianos Contemporâneos", "O Aprendiz de Feiticeiro" e "Os Versos do Capitão".

Sobre os seus poemas:
    Cquote1.svg sóbrios, breves, mas rutilantes, coloridos, vibrantes Cquote2.svg

    Cquote1.svg a nomeação é um acto de criação vital e a presentificação de uma realidade física. Cquote2.svg  
    António Ramos Rosa
    Pequenas coisas

    Falar do trigo e não dizer o joio.
    Percorrer
    em voo raso os campos
    sem pousar
    os pés no chão. Abrir
    um fruto e sentir
    no ar o cheiro
    a alfazema. Pequenas coisas,
    dirás, que nada
    significam perante
    esta outra, maior: dizer
    o indizível. Ou esta:
    entrar sem bússola
    na floresta e não perder
    o rumo. Ou essa outra, maior
    que todas e cujo
    nome por precaução
    omites. Que é preciso,
    às vezes,
    não acordar o silêncio.

     

    in Escrito em vermelho (1999) - Albano Martins