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domingo, agosto 30, 2026

Elísio de Moura nasceu há 149 anos

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Elísio de Azevedo e Moura
(Braga, 30 de agosto de 1877 - Coimbra, 18 de junho de 1977) foi um médico, professor e psiquiatra português, o primeiro bastonário da Ordem dos Médicos, em 1939.

Biografia
Elísio de Moura notabilizou-se no ensino e investigação da Psiquiatria e Neurologia, tendo contribuído, no início da república, para a manutenção do ensino da Medicina na Universidade de Coimbra, que estava em risco de passar para as novas Universidade de Lisboa e Universidade do Porto.
Elísio de Moura era filho de José Alves de Moura, um bacharel formado em Teologia, professor e, mais tarde, Reitor do Liceu de Braga (atual Escola Secundária Sá de Miranda) e da sua mulher, Emília da Costa Pereira de Azevedo. Foi o quarto de dez filhos e filhas deste casal, tendo sido o único que seguiu Medicina.
Ao longo da sua vida escolar Elísio de Moura distinguiu-se sempre pela precocidade e brilho. A 15 de outubro de 1892, apenas com quinze anos de idade, inscreveu-se na Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra, como aluno de Matemática e Filosofia. A 10 de julho de 1895, obteve o grau de Bacharel em Filosofia.
Inscreveu-se então na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, frequentando o curso de Medicina de 1895 a 1901. A 1 de março de 1901 fez ato de licenciatura e, aprovado com distinção, é nomeado, em 1902, professor substituto da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.
Mais tarde, como professor catedrático, rege as cadeiras de Patologia Interna, Propedêutica Médica, Obstetrícia e Pediatria. Terá sido a regência das cadeiras de Patologia Interna e de Clínica Médica que motivou Elísio de Moura para o estudo de Neurologia e Psiquiatria.
Em 1907, consegue, graças à sua notoriedade, dar início em Portugal ao ensino de Neurologia e Psiquiatria, na Universidade de Coimbra.
A par da investigação e do ensino, o médico dedicou também parte do seu tempo à fundação e direção daquela que é hoje conhecida como Casa da Infância Dr Elísio de Moura, em Coimbra.
Em 1939, os colegas elegeram-no para primeiro Bastonário da Ordem dos Médicos.
A 5 de junho de 1947 foi feito Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, a 31 de maio de 1961 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem de Benemerência e a 5 de julho de 1971 foi elevado a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.
Faleceu a 18 de junho de 1977, a pouco mais de dois meses de completar 100 anos, e encontra-se sepultado no Cemitério de Monte d'Arcos em Braga.
 
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terça-feira, agosto 18, 2026

O médico Sousa Martins morreu há 129 anos...

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José Tomás de Sousa Martins (Alhandra, 7 de março de 1843 - Alhandra, 18 de agosto de 1897) foi um médico e professor catedrático da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, antecessora da Faculdade de Medicina de Lisboa. Formado em Farmácia e Medicina, trabalhou intensa e, na maioria dos casos, gratuitamente, sobretudo no combate à tuberculose. Orador brilhante, dotado de humor e inteligência, homem de atividade inesgotável e praticante incansável da caridade junto aos mais desfavorecidos, exerceu uma forte influência sobre os colegas de profissão, os alunos e os pacientes que tratou. Esta influência metamorfoseou-se e perpetuou-se no tempo, tendo a figura de Sousa Martins assumido contornos de santo laico, num culto atual, bem visível nos ex-votos colocados em torno da sua estátua no Campo de Santana, em Lisboa, e no cemitério de Alhandra, onde está sepultado. Foi sócio correspondente da Academia Real das Ciências de Lisboa.
     
(...)
   
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/b/b0/Campo_Santana_02.JPG/500px-Campo_Santana_02.JPG?utm_source=pt.wikipedia.org&utm_campaign=parser&utm_content=thumbnail
Monumento em homenagem a Sousa Martins, Campo de Santana, Lisboa
   
Adoeceu quando se encontrava em Veneza, regressando a Lisboa muito debilitado. Diagnosticada tuberculose, partiu para a Serra da Estrela à procura de alívio. Aparentemente convalescendo, recolheu-se a Alhandra, onde se instalou numa quinta, propriedade de amigos, tentando recuperar.
A doença agravou-se e aos 54 anos, tuberculoso terminal e sofrendo de lesão cardíaca, Sousa Martins cometeu suicídio, com uma injeção de morfina. Pouco antes, havia confidenciado a um amigo: "A morte não é mais forte do que eu" e "Um médico ameaçado de morte por duas doenças, ambas fatais, deve eliminar-se por si mesmo".
Na mensagem que enviou ao saber da morte de Sousa Martins, o rei D. Carlos I de Portugal afirmou: Ao deixar o mundo, chorou-o toda a terra que o conheceu. Foi uma perda irreparável, uma perda nacional, apagando-se com ele a maior luz do meu reino.
Também sobre ele, António Egas Moniz, Prémio Nobel da Medicina, disse: Notável professor que deixou, atrás de si, um nome aureolado de preletor admirável, de clínico, de orador consagrado, sempre alerta nas justas da Sociedade das Ciências Médicas.
Por sua vez Guerra Junqueiro considerou-o:
Eminente homem que radiou amor, encanto, esperança, alegria e generosidade. Foi amigo, carinhoso e dedicado dos pobres e dos poetas. A sua mão guiou. O seu coração perdoou. A sua boca ensinou. Honrou a medicina portuguesa e todos os que nele procuraram cura para os seus males.
O principal hospital da cidade da Guarda tem o nome de Hospital Sousa Martins, em homenagem ao trabalho pioneiro de Sousa Martins sobre a tuberculose e climoterapia que conduziu à promoção da Serra da Estrela como área propícia à instalação de sanatórios para o tratamento de tuberculosos. Para além disso, existem vários sítios que homenageiam o Dr. Sousa Martins, entre os quais um concorrido monumento, de autoria de Costa Motta (tio) no Campo de Santana, em Lisboa; um jazigo no Cemitério de Alhandra, onde se encontra sepultado; a Casa-Museu Dr. Sousa Martins, em Alhandra; e o busto do Dr. Sousa Martins, no Largo 7 de Março, na baixa alhandrense. Também a toponímia da cidade da Guarda, à qual o nome de Sousa Martins está associado desde o início do século XX mercê da estrutura sanatorial que ali existiu, o recorda no nome de uma das ruas do moderno Bairro da Senhora dos Remédios. Um pequeno monumento erguido dentro dos muros do antigo Sanatório da Guarda continua, diariamente, a receber preces e agradecimentos e, à semelhança do monumento lisboeta do Campo de Santana, está quase sempre emoldurado de flores e de ex-votos diversos.
Os adeptos do espiritismo pretendem que ele tenha sido seguidor desta crença, embora não haja nenhuma prova que o confirme; muitos dos adeptos dessa crença atribuem-lhe curas milagrosas por intermédio das suas comunicações mediúnicas, como aliás fazem com outros opositores da sua crença, veja-se por exemplo o famoso Padre Miguel do Soito (Sabugal), que era um sacerdote católico. A 7 de março e a 18 de agosto de cada ano, aniversários do seu nascimento e morte, milhares de devotos visitam e rezam sobre o seu túmulo e outros locais onde está representado (como junto da sua estátua no Campo de Santana, em Lisboa).
   

quinta-feira, agosto 13, 2026

Florence Nightingale morreu há 116 anos...

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Florence Nightingale (Florença, 12 de maio de 1820 - Londres, 13 de agosto de 1910) foi uma enfermeira britânica que ficou famosa por ser pioneira no tratamento a feridos de guerra, durante a Guerra da Crimeia. Ficou conhecida na história pelo apelido de "A dama da lamparina", pelo facto de servir-se deste instrumento para auxiliar na iluminação dos feridos durante a noite. 
Comentaristas recentes afirmaram que as conquistas de Nightingale na Guerra da Crimeia foram exageradas pelos media na época, mas os críticos concordam sobre a importância de seu trabalho posterior na profissionalização das funções de enfermagem para mulheres. Foi pioneira na utilização do modelo biomédico, baseando-se na medicina praticada pelos médicos. Em 1860, ela lançou as bases da enfermagem profissional com o estabelecimento da sua escola de enfermagem no Hospital St. Thomas em Londres. Foi a primeira escola secular de enfermagem do mundo, hoje parte do King's College de Londres. Em reconhecimento do seu trabalho pioneiro na enfermagem, o Juramento Nightingale feito por novas enfermeiras e a Medalha Florence Nightingale, a mais alta distinção internacional que uma enfermeira pode alcançar, foram nomeados em sua homenagem, e o Dia Internacional da Enfermagem é comemorado anualmente na data do seu aniversário. As suas reformas sociais incluíram a melhoria da assistência de saúde para todos os setores da sociedade britânica, defendendo maior combate à fome na Índia, ajudando a abolir as leis de prostituição, consideradas severas para as mulheres, e expandindo as formas aceitáveis de participação feminina na força de trabalho.
Nightingale foi uma escritora prodigiosa e versátil. Na sua vida, muitos de seus trabalhos publicados mostraram a sua preocupação em divulgar o conhecimento médico. Algumas de suas obras foram escritas em inglês simples para que pudessem ser facilmente compreendidos por aqueles com habilidades literárias insuficientes. Ela também foi pioneira na visualização de dados com o uso de infográficos, efetivamente utilizando apresentações gráficas de dados estatísticos. Muitos dos seus escritos, incluindo o seu extenso trabalho sobre religião e misticismo, só foram publicados após a sua morte.
    

quarta-feira, agosto 12, 2026

Miguel Torga nasceu há 119 anos...

(imagem daqui)

 

Miguel Torga, pseudónimo de Adolfo Correia da Rocha (Vila Real, São Martinho de Anta, 12 de agosto de 1907 - Coimbra, 17 de janeiro de 1995), foi um dos mais influentes poetas e escritores portugueses do século XX. Destacou-se como poeta, contista e memorialista, mas escreveu também romances, peças de teatro e ensaios.

   

 

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/68/Miguel_Torga_escritor.png/500px-Miguel_Torga_escritor.png?utm_source=pt.wikipedia.org&utm_campaign=imageinfo&utm_content=thumbnail

 


Inocência
    
Vou aqui como um anjo, e carregado
De crimes!
Com asas de poeta voa-se no céu...
De tudo me redimes, Penitência De ser artista!
Nada sei,
Nada valho,
Nada faço,
E abre-se em mim a força deste abraço
Que abarca o mundo!
    
Tudo amo, admiro e compreendo.
Sou como um sol fecundo
Que adoça e doira, tendo
Calor apenas.
Puro,
Divino
E humano como os outros meus irmãos,
Caminho nesta ingénua confiança
De criança
Que faz milagres a bater as mãos.
 
    
    
in Penas do Purgatório (1954) - Miguel Torga

sexta-feira, agosto 07, 2026

Verginia Apgar morreu há cinquenta e dois anos...

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/25/Virginia-Apgar-July-6-1959.jpg?utm_source=pt.wikipedia.org&utm_campaign=imageinfo&utm_content=thumbnail_unscaled
         
Virginia Apgar (Westfield, New Jersey, 7 de junho de 1909Nova Iorque, 7 de agosto de 1974) foi uma médica norte-americana que se especializou em anestesia. Ela foi uma líder em vários campos da anestesiologia e, efetivamente, foi a responsável pela criação do que viria a ser a neonatologia. Para o público em geral, ela é mais conhecida como a responsável pelo desenvolvimento do Índice de Apgar, um método de avaliação de saúde de recém-nascidos que reduziu drasticamente a mortalidade infantil em todo o mundo.
A Dra. Apgar jamais casou e faleceu, aos 65 anos, no Columbia-Presbyterian Medical Center.
      
    
     
     
A Escala ou Índice de Apgar é um teste desenvolvido pela Dra. Virginia Apgar, médica norte-americana, que consiste na avaliação de cinco sinais objetivos do recém-nascido no primeiro, no quinto e no décimo minuto após o nascimento, atribuindo-se a cada um dos sinais uma pontuação de 0 a 2, sendo utilizado para avaliar as condições dos recém-nascidos. Os sinais avaliados são: frequência cardíaca, respiração, tónus muscular, irritabilidade reflexa e cor da pele. O somatório da pontuação (mínimo zero e máximo dez) resultará no Índice de Apgar e o recém-nascido será classificado como ausência de asfixia (Apgar 8 a 10), com asfixia leve (Apgar 5 a 7), com asfixia moderada (Apgar 3 a 4) e com asfixia grave - Apgar 0 a 2.
No momento do nascimento, este índice é útil como parâmetro para avaliar as condições do recém-nascido e orientar nas medidas a serem tomadas quando necessárias. As notas obtidas nos primeiro e quinto minutos são registadas na Ficha Médica e permitem identificar posteriormente as condições de nascimento desta criança (se ela nasceu sem asfixia ou com asfixia leve, moderada ou grave).
Quando o bebe nasce, iniciamos a contagem do tempo e avaliamos o índice de Apgar no primeiro e no quinto minutos de vida da criança.
É o método mais comummente empregado para avaliar o ajustamento imediato do recém-nascido à vida extra-uterina, avaliando as suas condições de vitalidade. Para cada um dos 5 pontos é atribuída uma nota de 0 a 2. Somam-se as notas de cada pontos e temos o total, que pode dar uma nota mínima de 0 e máxima de 10. Uma nota de 8 a 10, presente em cerca de 90% dos recém-nascidos significa que o bebé nasceu em ótimas condições. Uma nota 7 significa que o bebé teve uma dificuldade leve. De 4 a 6, traduz uma dificuldade de grau moderado, e de 0 a 3 uma dificuldade de ordem grave. Se estas dificuldades persistirem durante alguns minutos sem tratamento, pode levar a alterações metabólicas no organismo do bebé, gerando uma situação potencialmente perigosa, a chamada anóxia (falta de oxigenação). O boletim Apgar de primeiro minuto é considerado como um diagnóstico da situação presente, índice que pode traduzir sinal de asfixia e da necessidade de ventilação mecânica. Já o Apgar de quinto minuto e o de décimo minuto são considerados mais importantes, levando ao prognóstico da saúde neurológica da criança (sequelas neurológicas ou morte).
   
Tabela para cálculo do índice
Pontos 0 1 2
Frequência cardíaca Ausente <100/min >100/min
Respiração Ausente Irregular Forte/Choro
Tónus muscular Flácido Flexão de pernas e braços Movimento ativo e boa flexão
Cor Cianose  ou palidez Cianose de extremidades Rosado
Irritabilidade reflexa ao cateter nasal Ausente Alguns  movimento ou caretas Espirros ou choro

  

quarta-feira, agosto 05, 2026

Osvaldo Cruz nasceu há 154 anos

 
Foi pioneiro no estudo de doenças tropicais e da medicina experimental no Brasil. Fundou em 1900 o Instituto Soroterápico Federal no bairro de Manguinhos, no Rio de Janeiro, transformado em Instituto Oswaldo Cruz, respeitado internacionalmente.

(...)

Em 1909, quando Carlos Chagas descobriu o protozoário causador da tripanossomíase americana (popularmente conhecida como "doença de Chagas") batizou-o com o nome de Trypanosoma cruzi, em homenagem a Oswaldo Cruz.
 

sábado, julho 25, 2026

O primeiro bebé-proveta nasceu há 48 anos

Baby photo of Louise Joy Brown taken not long after she was born. 
(imagem daqui
        
Louise Joy Brown (born 25 July 1978) is the first person to have been conceived by in vitro fertilization, or IVF.
   
Louise Brown was born at Oldham General Hospital, Oldham, by planned caesarean section delivered by registrar John Webster. She weighed 5 pounds, 12 ounces (2.608 kg) at birth. Her parents, Lesley and John Brown, had been trying to conceive for nine years. They faced complications of blocked fallopian tubes.
On 10 November 1977, Lesley Brown underwent a procedure, later to become known as IVF, developed by Patrick Steptoe and Robert Edwards. Edwards was awarded the 2010 Nobel Prize in Medicine for this work. Although the media referred to Brown as a "test tube baby", her conception actually took place in a petri dish. Her younger sister, Natalie Brown, was also conceived through IVF four years later, and became the world's fortieth IVF baby. In May 1999, Natalie was the first IVF baby to give birth herself - naturally - to daughter Casey.
In 2004, Louise married nightclub doorman Wesley Mullinder. Dr. Edwards attended their wedding. Their son Cameron, conceived naturally, was born on 20 December 2006.
John, Louise's father, died in 2006. Her mother, Lesley, died on 6 June 2012 in Bristol Royal Infirmary, at the age of 64, due to complications from a gallbladder infection.
        

sábado, julho 04, 2026

Por quem não esqueci...

Ricardo Camacho morreu há oito anos...

Ricardo Camacho

 

Ricardo Camacho (Funchal, 23 de maio de 1954 - Bélgica, 4 de julho de 2018) foi um médico especialista em imunohemoterapia e músico português, nascido na ilha da Madeira, fundador da banda Sétima Legião. Por volta dos 7 anos de idade entrou para a Academia de Música da Madeira onde fez a iniciação musical, solfejo e violino. Com 14 anos começou a tocar guitarra elétrica e formou a sua primeira banda. 

 

Carreira

Tinha 17 anos quando veio para Lisboa estudar medicina na Universidade de Lisboa. Considera que o meio musical no continente era muito mais retrógrado do que o que da ilha.

Trabalhou na Rádio Comercial onde foi realizador radiofónico de programas como "Rock Em Stock", de Luís Filipe Barros, ou "Mão na Música".

Foi um dos fundadores da editora Fundação Atlântica, com Pedro Ayres Magalhães e Miguel Esteves Cardoso, entre outros.

Lançou os Sétima Legião com quem colaborou, como produtor e teclista, no disco "A Um Deus Desconhecido". Depois passou a membro efetivo do grupo.

Produziu discos como "Foram Cardos, Foram Prosas" de Manuela Moura Guedes, "Estou Além" de António Variações, "Remar Remar" dos Xutos & Pontapés. Produziu ainda outros nomes como GNR, UHF ou Diva.

Depois do fim, não concretizado definitivamente, da Sétima Legião, em 1995, falou-se do seu projeto Condor, com Amândio Bastos, que não chegou a estrear-se em disco.

Passou por vários hospitais, como o IPO, na unidade de transplantes de medula, na oncologia pediátrica. Depois entrou para o Hospital Egas Moniz onde se dedicou à investigação da SIDA.

Morreu a 4 de julho de 2018. Estava internado na Bélgica e sofria de cancro do pulmão.

"Houve uma altura em que odiei Medicina e desisti. Depois regressei ao curso. A partir do momento em que comecei a especializar-me, acabei por me entusiasmar imenso e hoje representa uma parte importante da minha vida."
— Entrevista a Sandra Nobre no DNA / 21-04-2001

 

in Wikipédia

 

sábado, junho 27, 2026

João Guimarães Rosa nasceu há 118 anos...

    

João Guimarães Rosa (Cordisburgo, 27 de junho de 1908 - Rio de Janeiro, 19 de novembro de 1967), foi um dos mais importantes escritores brasileiros de todos os tempos. Foi também médico e diplomata.
Os contos e romances escritos por Guimarães Rosa ambientam-se quase todos no chamado sertão brasileiro. A sua obra destaca-se, sobretudo, pelas inovações de linguagem, sendo marcada pela influência de falares populares e regionais que, somados à erudição do autor, permitiu a criação de inúmeros vocábulos a partir de arcaísmos e palavras populares, invenções e intervenções semânticas e sintáticas.
  
Biografia
Foi o primeiro dos seis filhos de Florduardo Pinto Rosa ("Flor") e de Francisca Guimarães Rosa ("Chiquitita"). Começou ainda criança a estudar diversos idiomas, iniciando-se no Francês quando ainda não tinha 7 anos, como se pode verificar neste trecho de uma entrevista concedido a uma prima, anos mais tarde:
Eu falo: português, alemão, francês, inglês, espanhol, italiano, esperanto, um pouco de russo; leio: sueco, holandês, latim e grego (mas com o dicionário agarrado); entendo alguns dialetos alemães; estudei a gramática: do húngaro, do árabe, do sânscrito, do lituano, do polaco, do tupi, do hebraico, do japonês, do checo, do finlandês, do dinamarquês; bisbilhotei um pouco a respeito de outras. Mas tudo mal. E acho que estudar o espírito e o mecanismo de outras línguas ajuda muito à compreensão mais profunda do idioma nacional. Principalmente, porém, estudando-se por divertimento, gosto e distração.
Ainda pequeno, mudou-se para a casa dos avós, em Belo Horizonte, onde concluiu o curso primário. Iniciou o curso secundário no Colégio Santo Antônio, em São João del-Rei, mas logo retornou a Belo Horizonte, onde se formou. Em 1925, matriculou-se na então "Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais", com apenas 16 anos. Em 27 de junho de 1930, casou-se com Lígia Cabral Pena, de apenas 16 anos, de quem teve duas filhas: Vilma e Agnes. Ainda nesse ano formou-se e passou a exercer a profissão em Itaguara, então município de Itaúna (MG), onde permaneceu cerca de dois anos. Foi nessa localidade que passou a ter contacto com os elementos do sertão que serviram de referência e inspiração à sua obra. De volta de Itaguara, Guimarães Rosa serviu como médico voluntário da Força Pública (atual Polícia Militar), durante a Revolução Constitucionalista de 1932, indo para o setor do Túnel em Passa-Quatro (MG) onde tomou contacto com o futuro presidente Juscelino Kubitschek, naquela ocasião o médico-chefe do Hospital de Sangue. Posteriormente, entrou para o quadro da Força Pública, por concurso. Em 1933, foi para Barbacena na qualidade de Oficial Médico do 9º Batalhão de Infantaria. Aprovado em concurso para o Itamaraty, passou alguns anos de sua vida como diplomata na Europa e na América Latina. No início da carreira diplomática, exerceu, como primeira função no exterior, o cargo de cônsul-adjunto do Brasil em Hamburgo, na Alemanha, de 1938 a 1942. No contexto da Segunda Guerra Mundial, para auxiliar judeus a fugir para o Brasil, emitiu, ao lado da sua segunda esposa, Aracy de Carvalho Guimarães Rosa, mais vistos do que as quotas legalmente estipuladas, tendo, por essa ação humanitária e de coragem, ganho, no pós-Guerra, o reconhecimento do estado de Israel. Aracy é a única mulher homenageada no Jardim dos Justos entre as Nações, o Yad Vashem, que é o memorial oficial de Israel para lembrar as vitimas judaicas do Holocausto. No Brasil, na sua segunda candidatura para a Academia Brasileira de Letras, foi eleito por unanimidade (1963). Temendo ser tomado por uma forte emoção, adiou a cerimónia de posse durante quatro anos. No seu discurso, quando enfim decidiu assumir a cadeira da Academia, em 1967, chegou a afirmar, em tom de despedida, como se soubesse o que se passaria ao entardecer do domingo seguinte: "…a gente morre é para provar que viveu." Faleceu três dias mais tarde, na cidade do Rio de Janeiro, a 19 de novembro. Se a certidão de óbito atestou que morreu de enfarte do miocárdio, a sua morte permanece um mistério inexplicável, sobretudo por estar previamente anunciada na sua obra mais marcante - Grande Sertão: Veredas -, romance qualificado por Rosa como uma "autobiografia irracional". Talvez a explicação esteja na própria travessia simbólica do rio e do sertão de Riobaldo, ou no amor inexplicável por Diadorim, maravilhoso demais e terrível demais, beleza e medo ao mesmo tempo, ser e não-ser, verdade e mentira. Diadorim-Mediador, a alma que se perde na consumação do pacto com a linguagem e a poesia. Riobaldo (Rosa-IO-bardo), o poeta-guerreiro que, em estado de transe, dá à luz obras-primas da literatura universal. Biografia e ficção se fundem e se confundem nas páginas enigmáticas de João Guimarães Rosa, desaparecido prematuramente, aos 59 anos de idade, no ápice de sua carreira literária e diplomática.
  
Contexto literário
Realismo mágico, regionalismo, liberdades e invenções linguísticas e neologismos são algumas das características fundamentais da literatura de Guimarães Rosa, mas não as suficientes para explicar o seu sucesso. Guimarães Rosa prova o quão importante é ter a linguagem a serviço da temática, e vice-versa, uma potencializando a outra. Nesse sentido, o escritor mineiro inaugura uma metamorfose no regionalismo brasileiro que o traria de novo ao centro da literatura de ficção brasileira.
Guimarães Rosa também seria incluído no cânone internacional a partir do boom da literatura latino-americano pós-1950. O romance entrara em decadência nos Estados Unidos (onde à época era vitrine da própria arte literária, concorrendo apenas com o cinema), especialmente após a morte de Céline (1951), Thomas Mann (1955), Albert Camus (1960), Hemingway (1961), Faulkner (1962). E, a partir de Cem anos de solidão (1967), do colombiano Gabriel García Márquez, a ficção latino-americana torna-se a representação de uma vitalidade artística e de uma capacidade de invenção ficcional que pareciam, naquele momento, perdidas para sempre. São desse período os imortais Mario Vargas Llosa (Peru), Carlos Fuentes (México), Julio Cortázar (Argentina), Juan Rulfo (México), Alejo Carpentier (Cuba) e mais recentemente Angel Ramá (Uruguai).
    
   in Wikipédia
  

Gargalhada
  
  
Quando me disseste que não mais me amavas,
e que ias partir,
dura, precisa, bela e inabalável,
com a impassibilidade de um executor,
dilatou-se em mim o pavor das cavernas vazias...
Mas olhei-te bem nos olhos,
belos como o veludo das lagartas verdes,
e porque já houvesse lágrimas nos meus olhos,
tive pena de ti, de mim, de todos,
e me ri
da inutilidade das torturas predestinadas,
guardadas para nós, desde a treva das épocas,
quando a inexperiência dos Deuses
ainda não criara o mundo...
  
  
 

in Magma (1936) - João Guimarães Rosa

terça-feira, junho 16, 2026

John Snow, famoso médico inglês, morreu há 168 anos

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/cc/John_Snow.jpg/500px-John_Snow.jpg
  
John Snow (York15 de março de 1813 – Londres16 de junho de 1858) foi um médico inglês, considerado pai da epidemiologia moderna. Em 1853 receberia o título de sir, após ter anestesiado a rainha Vitória no parto, sem dor, do seu oitavo filho, Leopoldo de Albany, facto que ajudou a divulgar a técnica entre os médicos da época.
Demonstrou que o cólera era causado pelo consumo de águas contaminadas com matérias fecais, ao comprovar que os casos dessa doença se agrupavam nas zonas onde a água consumida estava contaminada com fezes, na cidade de Londres, no ano de 1854. Nesse ano cartografou num mapa do distrito do Soho os poços de água, localizando como culpado o poço existente em Broad Street, em pleno coração da epidemia. Snow recomendou à comunidade fecha-lo, com o que foram diminuindo os casos da doença. Este episódio é considerado como um dos exemplos mais precoces no uso do método geográfico para a descrição de casos de uma epidemia.

O trabalho realizado por John Snow na Inglaterra ajudou a romper com os paradigmas existentes em uma época em que ainda predominava uma forte crença na teoria miasmática da doença, também denominada "teoria anti-contagionista". Mais ainda, Snow assentou as bases teórico-metodológicas do "método epidemiológico", o qual tem sido utilizado através da história tanto para a investigação das causas, como para a solução das fontes de todas as doenças transmissíveis. Mais recentemente, usa-se esse método para a investigação de todos os problemas de saúde e doença que afetem às comunidades humanas.


domingo, junho 14, 2026

Aloysius Alzheimer nasceu há 162 anos...

   
Aloysius Alzheimer (Marktbreit, 14 de junho de 1864 - Wroclaw, 19 de dezembro de 1915) foi um psiquiatra alemão conhecido sobretudo por ter sido o primeiro autor a reconhecer como entidade patognomónica distinta a doença neurodegenerativa que hoje tem o seu nome (doença de Alzheimer ou mal de Alzheimer). Alzheimer trabalhou também com Emil Kraepelin, autor da primeira classificação moderna dos vários tipos de doenças psicóticas.

Vida e obra
Aloysius Alzheimer nasceu em 1864, na cidade alemã de Markbreit, Baviera, filho de Eduard Alzheimer e sua segunda esposa, Theresia. Estudou em Berlim, Tübingen e Würzburg.
Casou-se, em 1894, com a viúva Cecilie Simonette Nathalie Geisenheimer, de quem teve três filhos.
O primeiro caso da doença que levou o seu nome foi da paciente Auguste D., internada no hospital de Frankfurt, a 25 de novembro de 1901, e que, aos cinquenta e um anos de idade, apresentava sintomas de demência.
Em 1906 apresentou, durante um congresso científico na Alemanha, a doença do córtex cerebral (Mal de Alzheimer).
Alois morreu, em 1915, de uma grave infeção cardíaca.

domingo, junho 07, 2026

Virginia Apgar nasceu há 117 anos

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/25/Virginia-Apgar-July-6-1959.jpg


Virginia Apgar (Westfield, New Jersey, 7 de junho de 1909Nova Iorque, 7 de agosto de 1974) foi uma médica norte-americana que se especializou em anestesia. Ela foi uma líder em vários campos da anestesiologia e, efetivamente, foi a responsável pela criação do que viria a ser a neonatologia. Para o público em geral, ela é mais conhecida como a responsável pelo desenvolvimento do Índice de Apgar, um método de avaliação de saúde de recém-nascidos que reduziu drasticamente a mortalidade infantil em todo o mundo.
A Dr.ª Apgar jamais casou e faleceu aos 65 anos, no Columbia-Presbyterian Medical Center.
   
   
   
A Escala ou Índice de Apgar é um teste desenvolvido pela Dra. Virginia Apgar, médica norte-americana, que consiste na avaliação de 5 sinais objetivos do recém-nascido no primeiro, no quinto e no décimo minuto após o nascimento, atribuindo-se a cada um dos sinais uma pontuação de 0 a 2, sendo utilizado para avaliar as condições dos recém-nascidos.

 

sábado, maio 23, 2026

O músico e médico Ricardo Camacho nasceu há 72 anos...

Morreu o músico Ricardo Camacho da banda Sétima Legião

(imagem daqui)

 

Ricardo Camacho (Funchal, 23 de maio de 1954 - Bélgica , 4 de julho de 2018) foi um médico, especialista em imunohemoterapia, e músico português, nascido na ilha da Madeira, fundador da banda Sétima Legião. Por volta dos sete anos de idade entrou para a Academia de Música da Madeira onde fez a iniciação musical, solfejo e violino. Com 14 anos começou a tocar guitarra elétrica e formou a sua primeira banda. 

 

Carreira

Tinha 17 anos quando veio para Lisboa estudar Medicina na Universidade de Lisboa. Considera que o meio musical no continente era muito mais retrógrado do que o que da ilha.

Trabalhou na Rádio Comercial onde foi realizador radiofónico de programas como "Rock Em Stock", de Luís Filipe Barros, ou "Mão na Música".

Foi um dos fundadores da editora Fundação Atlântica com Pedro Ayres Magalhães e Miguel Esteves Cardoso, entre outros.

Lançou os Sétima Legião, com quem colaborou, como produtor e teclista, no disco A Um Deus Desconhecido. Depois passou a membro efetivo do grupo.

Produziu discos como "Foram Cardos, Foram Prosas", de Manuela Moura Guedes, "Estou Além", de António Variações, ou "Remar Remar", dos Xutos & Pontapés. Produziu ainda outros grupos como GNR, UHF ou Diva.

Depois do fim, não concretizado definitivamente, da Sétima Legião, em 1995, falou-se do seu projeto Condor, com Amândio Bastos, que não chegou a estrear-se em disco.

Passou por vários hospitais, como o IPO, na unidade de transplantes de medula, na oncologia pediátrica. Depois entrou para o Hospital Egas Moniz onde se dedicou à investigação da SIDA.

Morreu a 4 de julho de 2018. Estava internado na Bélgica e sofria de cancro do pulmão.

"Houve uma altura em que odiei Medicina e desisti. Depois regressei ao curso. A partir do momento em que comecei a especializar-me, acabei por me entusiasmar imenso e hoje representa uma parte importante da minha vida."
— Entrevista a Sandra Nobre no DNA / 21-04-2001

 

in Wikipédia

 

Hoje é dia de ouvir Sétima Legião...

quarta-feira, maio 20, 2026

O Papa João XXI morreu há 749 anos

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João XXI, nascido Pedro Julião Rebolo (ou João Pedro Julião), mais conhecido como Pedro Hispano, (Lisboa, circa 1215 - Viterbo, 20 de maio de 1277) foi Papa entre 20 de setembro de 1276, até à data da sua morte, tendo sido também um famoso médico, filósofo, professor e matemático português do século XIII.
Alguns autores indicam como data de nascimento o ano de 1205, outros que foi antes de 1210, possivelmente em 1205 ou 1207 e outros ainda entre 1210 e 1220.
    
(...)
  

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Brasão eclesiástico do Papa João XXI
      
João XXI irá marcar o seu breve pontificado (de pouco mais de oito meses) pela fidelidade ao XIV Concílio Ecuménico de Lião. Apressa-se a mandar castigar, em tribunal criado para o efeito, os que haviam molestado os cardeais presentes no conclave que o elegera. Embora sem grande sucesso, leva por diante a missão encetada por Gregório X de reunir a Igreja Grega à Igreja do Ocidente. Esforça-se por libertar a Terra Santa em poder dos turcos.
Tenta reconciliar grandes nações europeias, como França, Germânia e Castela, dentro do espírito da unidade cristã. Neste sentido, envia legados a Rodolfo de Habsburgo e a Carlos de Anjou, sem sucesso.
Pontífice dotado de rara simplicidade, recebe em audiência tanto os ricos como os pobres. Dante Alighieri, poeta italiano (1265-1321), na sua famosa Divina Comédia, coloca a alma de João XXI no Paraíso, entre as almas que rodeiam a alma de São Boaventura, apelidando-o de "aquele que brilha em doze livros", menção clara a doze tratados escritos pelo erudito pontífice português. O rei Afonso X de Leão e Castela, o Sábio, avô do rei D. Dinis de Portugal, elogia-o em forma de canção no "Paraíso", canto XII. Mecenas de artistas e estudantes, é tido na sua época por 'egrégio varão de letras', 'grande filósofo', 'clérigo universal' e 'completo cientista físico e naturalista'.
Mais dado ao estudo que às tarefas pontifícias, João XXI delega no Cardeal Orsini, o futuro Papa Nicolau III, os assuntos correntes da Sé Apostólica. Ao sentir-se doente, retira-se para a cidade de Viterbo, onde morre, a 20 de maio de 1277, vitimado pelo desmoronamento das paredes do seu aposento, estando o palácio apostólico em obras. É sepultado junto do altar-mor da Catedral de São Lourenço, naquela cidade. No século XVI, durante os trabalhos de reconstrução do templo, os seus restos mortais são trasladados para modesto e ignorado túmulo, mas nem aqui encontraram repouso definitivo. Através do contributo da Câmara Municipal de Lisboa, o mausoléu é colocado, a título definitivo, ao lado do Evangelho da Catedral de Viterbo, a 28 de março de 2000.
 
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Deu nome ao Hospital Pedro Hispano e à Estação Pedro Hispano, ambos em Matosinhos, à Avenida João XXI, em Lisboa, e a um colégio particular chamado Instituto Pedro Hispano, em Granja do Ulmeiro, no concelho de Soure, distrito de Coimbra.
   
    in Wikipédia

domingo, maio 17, 2026

O médico Edward Jenner nasceu há 277 anos

    
Edward Jenner (Berkeley, 17 de maio de 1749 - Berkeley, 26 de janeiro de 1823) foi um naturalista e médico britânico que exercia em Berkeley, filho de um vigário anglicano. Edward Jenner, aos 14 anos, tornou-se aprendiz do cirurgião da sua terra  natal e, mais tarde, estudou em Londres. Em 1772, voltou para Berkeley, dedicando-se à Medicina, sendo conhecido pela descoberta da vacina da varíola - a primeira imunização deste tipo na história do ocidente. 
    

quinta-feira, maio 14, 2026

A mais jovem mãe humana conhecida teve um filho há 87 anos...

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Lina Vanessa Medina (Pauranga, 27 de setembro de 1933) é uma peruana e a mãe mais jovem já confirmada na história da medicina. Teve um filho aos cinco anos de idade, sete meses e 21 dias. Além do feito, a menina ficou conhecida por também nunca revelar o nome do pai da criança e também por passar a sua vida em pobreza, sem qualquer assistência do governo peruano. Casou-se em 1972 e chegou a ter outro filho aos 38 anos de idade. Hoje vive em um bairro pobre em Lima. Era uma de entre nove filhos.

 

Gestação

Ao perceber o aumento anormal do tamanho do abdómen de sua filha, Tiburcio Medina recorreu a curandeiros da vila local para resolver o problema. Porém, os xamãs da vila descartaram que este tivesse a ver com superstições da localidade (como uma em que uma cobra, Apu, vai crescendo dentro da pessoa até matá-la), então recomendaram aos pais que a levassem para o hospital da cidade de Pisco. Na época, os pais pensaram que se tratava de um tumor, mas os médicos determinaram que se tratava de uma gravidez de sete meses. Dr. Gerardo Lozada levou-a para Lima, capital do Peru, para que outros especialistas confirmassem a gravidez antes da cirurgia. Um mês e meio depois, em 14 de maio de 1939 (quando era comemorado o Dia da Mãe no Peru), ela deu a luz um menino, por cesariana, feita necessariamente, já que a sua abertura pélvica era muito pequena. A cirurgia foi feita pelo Dr. Lozada e pelo Dr. Busalleu, com o Dr. Colretta como anestesista.
Esse caso foi publicado em detalhe pelo Dr. Edmundo Escomel na revista La Presse Medicale, juntamente com detalhes adicionais, como que a sua menarca teria ocorrido aos 8 meses de idade e os seus seios proeminentes começarem a desenvolver-se aos 4 anos. Aos 5 anos, a sua aparência demonstrava alargamento pélvico e maturação óssea avançada.
O seu filho nasceu com 2,7 quilogramas e recebeu o nome de Gerardo, em homenagem ao médico que realizou a operação. Apesar de fisicamente amadurecida, Lina preferia brincar com bonecas do que cuidar do seu filho, que recebia alimentação de uma enfermeira. Gerardo foi criado pelo irmão de Lina e levado a acreditar que Lina era sua irmã, mas aos dez anos descobriu que na verdade se tratava de sua mãe, depois de ser ridicularizado na escola. Ele cresceu saudavelmente e morreu em 1979 aos 40 anos de uma doença na medula óssea. Nunca foi confirmada qualquer relação entre a doença e o seu nascimento de uma mãe tão precoce.
O mistério da história não se trata na precocidade de Lina, já que isso pode ser explicado como desequilíbrio hormonal, mas sim quem seria o pai da criança, pois a peruana nunca revelou o segredo e se nega a falar do assunto até hoje, chegando a recusar uma entrevista com a Reuters em 2002. O seu pai chegou a ser preso após o nascimento do filho, acusado de incesto, mas foi libertado após alguns dias, por ausência de provas para incriminá-lo. As suspeitas recaíram então num irmão de Lina, que era deficiente mental.
No Peru, muitas vezes a garota era associada com a Virgem Maria, que havia concebido um filho sem o pecado original, por obra do Espírito Santo. Algumas pessoas da região acreditam até hoje que Gerardo é filho do deus Sol.
    
Pobreza
Após o nascimento, policiais, doutores e uma equipe de filmagem chegaram à vila para reportar o ocorrido. Muitas pessoas quiseram auxiliá-la, chegando a existir uma oferta de 5 mil dólares de um empresário norte-americano. Uma oferta mais ousada veio de Nova Iorque, propondo mil dólares por semana, mais despesas, para que Lina e o filho fossem colocados em exposição na Feira Mundial da cidade. A única proposta aceita pela família foi a de um empresário norte-americano que a mãe e o bebé fossem aos EUA para que cientistas analisassem o caso. A oferta incluía o apoio financeiro vitalício aos dois.
Em poucos dias, o Estado peruano proibiu todas as ofertas anteriores, alegando que Lina e o filho estavam em ‘‘perigo moral’’, e chegou a criar uma comissão para protegê-los. Mas após seis meses o governo os abandonou.
Lina permaneceu no hospital durante onze meses e só pôde voltar para a família após o início de procedimentos legais que levaram o Supremo Tribunal a permitir a sua convivência com os pais. Alguns anos depois, o Estado expropriou Lina e destruiu a sua casa, onde hoje existe uma estrada. Hoje ela espera que o governo lhe dê o equivalente a uma propriedade, para compensar a casa já perdida. Segundo o atual marido de Lina, o imóvel valia cerca de 25 mil dólares. Caso conseguisse a moradia, Lina encerraria uma longa batalha judicial.
Em 1972, a mãe mais jovem do mundo casa-se, pela primeira vez, com Raúl Jurado e, no mesmo ano, aos 38 anos, tem o seu segundo filho, que vive no México. Atualmente vive no caminho de um beco escuro, parcialmente interditado por placas de madeira, num bairro pobre e com alto índice de criminalidade, na capital peruana de Lima, conhecido na localidade como o ‘‘paraíso dos ladrões’’ e "Chicago Chico" (‘‘Pequena Chicago’’), em alusão à cidade dos Estados Unidos Chicago.
Alguns consideram que a falta de ajuda do governo peruano possa ser explicada por puro preconceito, já que em outros países Lina receberia total apoio do Estado. O obstetra José Sandoval, autor de Mãe aos Cinco Anos, luta desde os seus tempos de estudante para uma pensão vitalícia para Lina. Desde 2002 ele já conseguiu acelerar os processos e já chegou a levar o caso até à primeira-dama Eliane Karp.