domingo, março 09, 2025

O satélite Sputnik 9 foi lançada há 64 anos


Korabl-Sputnik 4, em russo Корабль Спутник 4 que significa Nave satélite 4, também conhecida como Vostok-3KA No.1, e Sputnik 9 no Ocidente, foi uma missão de teste do Programa Vostok da União Soviética, tendo sido a terceira a tentar colocar animais em órbita e trazê-los de volta a salvo.

A Korabl-Sputnik 4 foi a quarta tentativa de lançar um foguetão Vostok com cães a bordo. A terceira tentativa, em 1 de dezembro de 1960, havia sido um sucesso parcial, pois um erro na trajetória de reentrada, obrigou o acionamento do sistema de autodestruição.

O lançamento, ocorreu em 9 de março de 1961 a partir do Cosmódromo de Baikonur, usando um foguete Vostok-K. A sua "tripulação", era composta pelo manequim científico, Ivan Ivanovich, por um cão: Chernushka, alguns ratos e um porquinho-da-índia, além de câmaras de televisão para os monitorizar, e uma série de instrumentos científicos.

O lançamento foi perfeito, e a órbita pretendida foi atingida. Cerca de uma hora e trinta minutos depois do lançamento, e de ter completado apenas uma órbita, foi dado o comando de reentrada. O pouso ocorreu conforme planeado, sendo o manequim ejetado da cápsula durante a descida para testar o assento ejetor. Tanto o manequim quanto a cápsula com a sua tripulação foram recuperados. 

 

in Wikipédia

The Notorious B.I.G. morreu há 28 anos...

  
Christopher George Latore Wallace (Nova Iorque, 21 de maio de 1972 - Los Angeles, 9 de março de 1997), também conhecido como Biggie Smalls, Big Poppa e Frank White, mas muito mais conhecido pelo apelido The Notorious B.I.G. (Business Instead of Game), foi um rapper dos Estados Unidos. B.I.G. entrou na história do rap como o ícone da Costa Leste dos EUA, assim como seu rival, o nova-iorquino Tupac Shakur, que foi o principal representante do rap da Costa Oeste.
   
(...)
  
A 9 março de 1997, por volta de 00.30 horas, Wallace estava, com a sua comitiva, em dois Chevrolet Suburbans, de regresso ao seu hotel, após o Corpo de Bombeiros encerrar uma festa mais cedo, devido a superlotação. Wallace viajou no banco do passageiro da frente ao lado de seus companheiros, Damion "D-Roc" Butler, o membro do Junior M.A.F.I.A. Lil Cease e Gregory "G-Money" Young. Combs viajou em outro veículo, com três guarda-costas. Os dois carros foram guiados por um Chevrolet Blazer que levava o diretor de segurança da Bad Boy.
Por volta de 00.45 as ruas estavam cheias de pessoas que estavam saindo do evento. O carro de Wallace parou em um sinal vermelho, a cerca de 50 metros de um museu. Um Chevrolet Impala preto parou ao lado do carro de Wallace. O motorista da Impala, um afro-americano que vestia um casaco azul e gravata borboleta, baixou a janela, sacou de uma pistola de 9 milímetros de aço azul e disparou contra o Suburban e quatro balas atingiram Wallace no peito. Os parceiros de B.I.G. levaram-no ao Centro Médico Cedars-Sinai, mas foi declarado morto às 01.15 horas.
   
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/3/33/Drawing_The_Notorious_B.I.G..png/250px-Drawing_The_Notorious_B.I.G..png
 
 

John Profumo morreu há dezanove anos...

  
John Dennis Profumo, 5º Barão Profumo, conhecido informalmente como Jack Profumo, (Kensington, 30 de janeiro de 1915 - Londres, 9 de março de 2006) foi um político britânico.

Profumo é mais conhecido pelo envolvimento em 1963 num escândalo envolvendo a modelo Christine Keeler, que obrigou John Profumo a renunciar e retirar-se da política. Ajudou a fazer cair o governo conservador de Harold Macmillan. Após a sua renúncia, Profumo começou a trabalhar como voluntário em instalações de limpeza sanitária em Toynbee Hall e continuou o trabalho pelo resto de sua existência. Essas atividades ajudaram restabelecer a reputação de Profumo; ele foi elevado a Comandante da Ordem do Império Britânico em 1975, e em 1995, foi convidado por Margaret Thatcher para o seu 70º aniversário. 

 

in Wikipédia

 


O Caso Profumo
Em julho de 1961 é apresentada como acompanhante a John Profumo, Secretário de Estado da Guerra do governo britânico, aquando de uma receção em redor de uma piscina em Cliveden, moradia de Lord William Waldorf Astor, em Buckinghamshire. Profumo teve então uma relação com ela, sem ter em conta que Christine estava também ligada a Yevgeny Ivanov, adido militar da embaixada da União Soviética. John põe rapidamente termo a esta imprudência, quando foi informado, por Sir Roger Hollis, chefe do MI5. A 9 de agosto de 1961, John Profumo escreveu à sua amante informando-a do fim da relação. Mas o caso deu muito que falar, sobretudo devido ao ambiente de guerra fria que se vivia. 
 

Anna Moffo morreu há dezanove anos...

 
Anna Moffo
(Wayne, 27 de junho de 1932 - Nova Iorque, 9 de março de 2006) foi uma soprano italo-norte-americana, considerada uma das melhores sopranos da sua geração, ativa principalmente na década de 60. Durante o seu apogeu, Moffo foi muito admirada pela pureza, agilidade, alcance e emoção de sua voz e sua grande beleza física.
   
 

Brad Delp, o vocalista dos Boston, morreu há dezoito anos...

 
Bradley E. Delp
(Danvers, Massachusetts, 12 de junho de 1951Atkinson, New Hampshire, 9 de março de 2007) foi um músico norte americano, mais conhecido como vocalista principal da banda de rock Boston.
  
(...)
  
Delp foi encontrado morto na sua casa, de causas desconhecidas, no dia 9 de março de 2007, aos 55 anos de idade. Naquele dia, o site oficial da banda foi substituído pela declaração: "Perdemos o tipo mais simpático do rock and roll." Estava programado que tocaria com os Beatlejuice em Somerville (Massachusetts), no dia em que morreu. Os Beatlejuice cancelaram os espetáculos seguintes, para o velório de Delp.
No dia 15 de março de 2007 a polícia de New Hampshire anunciou que Brad Delp cometera suicídio, por inalação de monóxido de carbono - fechou-se numa casa de banho com dois grelhadores queimando carvão.
  
 

sábado, março 08, 2025

Saudades da voz mágica de ti Catarina Chitas...

Poesia (cantada...) adequado à data...

 

 

LÁGRIMA CELESTE

 

Lágrima celeste,

pérola do mar,

tu que me fizeste

para me encantar!

 

Ah! se tu não fosses

lágrima do céu,

lágrimas tão doces

não chorava eu.

 

Se eu nunca te visse,

bonina do vale,

talvez não sentisse

nunca amor igual.

 

Pomba debandada,

que é dos filhos teus?

Luz da madrugada,

luz dos olhos meus!

 

Meu suspiro eterno,

meu eterno amor,

de um olhar mais terno

que o abrir da flor.

 

Quando o néctar chora

que se lhe introduz

ao romper da aurora

e ao raiar da luz!

 

Esta voz te enleve,

este adeus lá soe,

o Senhor to leve

e Deus te abençoe.

 

O Senhor te diga

se te adoro ou não,

minha doce amiga

do meu coração!

 

Se de ti me esqueço

ou já me esqueci,

ou se mais lhe peço

do que ver-te a ti!

 

A ti, que amo tanto

como a flor a luz,

como a ave o canto,

e o Cordeiro a Cruz;

 

A campa o cipreste,

a rola o seu par,

lágrima celeste,

pérola do mar.

 

Lágrima celeste,

pérola do mar,

tu que me fizeste

para me encantar?

 


in Campo de Flores (1868) - João de Deus

 

Domingos Sequeira morreu há 187 anos...

(imagem daqui
    
Domingos António de Sequeira (Lisboa, 10 de março de 1768 - Roma, 8 de março de 1837) foi um pintor português.
De origem modesta, foi educado na Casa Pia de Lisboa, após o quê frequentou o curso de Desenho e Figura na Aula Régia e trabalhou como decorador. Com uma pensão de D. Maria I, em 1788, partiu para Itália e estudou na Academia Portuguesa em Roma, onde recebeu aulas de António Cavallucci.
Admitido, depois, na Academia di San Luca, aí pintou a Degolação de São João Baptista, a Alegoria à Casa Pia e a Aparição de Cristo a D. Afonso Henriques.
Regressou a Lisboa em 1795 e de 1798 a 1801 viveu no Convento da Cartuxa de Laveiras.
Nomeado pintor da corte em 1802 e co-director da empreitada de pintura do Palácio da Ajuda, aí pintou abundantemente. Em 1803 foi professor de Desenho e Pintura das princesas, e em 1806, director da aula de Desenho no Porto. Neste período pintou alegorias patrióticas e retratos, fazendo o desenho das peças para oferecer a Beresford.
Viveu intensamente as convulsões políticas da época - foi, sucessivamente, partidário do exército de invasão francês (Junot protegendo Lisboa, 1808), da aliança inglesa (Apoteose de Wellington, 1811), da revolução liberal (retratos de 33 deputados, 1821) e da Carta Constitucional (D. Pedro IV e Maria II, 1825), exilando-se em França com a contra-revolução absolutista da Vila-Francada, onde expôs, no Salão do Louvre, A Morte de Camões (quadro desaparecido no Brasil), obra que lhe mereceu medalha de ouro e colocação entre os pintores românticos mais representativos, ao lado de Eugène Delacroix.
Acabou por se fixar em Roma em 1826, onde se dedicou à pintura religiosa, em visões de luminosidade já romântica (Vida de Cristo, 1828; Juízo Final, 1830).
Morreu naquela cidade, sem rever Portugal, encontrando-se o seu túmulo na Chiesa di Sant'Antonio dei Portoghesi. Foi igualmente autor da baixela neoclássica de cem peças oferecida a Wellington em 1811-1816 que se encontra presentemente na Apsley House.
Em termos estéticos é considerado o pintor de transição do Neoclassicismo para o Romantismo.
    
Conde de Farrobo - pintura de Domingos Sequeira
 
Domingos Sequeira: O Príncipe Regente Passando Revista às Tropas na Azambuja, 1803
     
Mariana Benedita Sequeira, 1822
  

Os astrónomos amadores andaram a caçar asteroides com ajuda do HST...

Cientistas-cidadãos andaram com o velho Hubble à caça de asteroides. Encontraram 1701

 

 

Parece que alguém pegou nesta imagem da galáxia espiral barrada UGC 12158, pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, e a riscou com uma caneta branca. Na realidade, é uma combinação de várias exposições de um asteroide em primeiro plano que se move através do campo de visão do Hubble, “fotobombando” a observação da galáxia

 

Recentemente, os astrónomos utilizaram um conjunto de imagens de arquivo obtidas pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA para detetar visualmente uma razoavelmente desconhecida população de asteroides pequenos.
 
A caça ao tesouro exigiu a análise de 37.000 imagens do Hubble, abrangendo um período de 19 anos.

A recompensa foi encontrar 1701 rastos de asteroides, estando 1031 desses asteroides por catalogar. Cerca de 400, não catalogados, têm uma dimensão inferior a 1 km.

Voluntários de todo o mundo, conhecidos como “cientistas cidadãos“, contribuíram para a identificação deste conjunto de asteroides. Cientistas profissionais combinaram então os esforços dos voluntários com algoritmos de aprendizagem de máquina para identificar os asteroides.

Os resultados da pesquisa foram apresentados num artigo recentemente publicado na Astronomy & Astrophysics.

Esta é uma nova abordagem para encontrar asteroides em arquivos astronómicos que abrangem décadas, e os investigadores dizem que pode ser eficazmente aplicada a outros conjuntos de dados.

“Estamos a aprofundar a observação da população de asteroides mais pequenos da cintura principal. Ficámos surpreendidos ao ver um número tão grande de objetos candidatos”, disse Pablo García Martín, investigador da Universidade Autónoma de Madrid, Espanha, e autor principal do artigo.

“Havia alguns indícios de que esta população existia, mas agora estamos a confirmá-la com uma amostra aleatória de asteroides obtida usando todo o arquivo do Hubble. Isto é importante para fornecer informações sobre os modelos evolutivos do nosso Sistema Solar”.

A amostra grande e aleatória fornece novas perspetivas sobre a formação e evolução da cintura de asteroides. A descoberta de muitos asteroides pequenos favorece a ideia de que são fragmentos de asteroides maiores que colidiram e se fragmentaram, como cerâmica destruída, um processo de trituração que dura milhares de milhões de anos.

Uma teoria alternativa para a existência de fragmentos mais pequenos é a de que se formaram dessa forma há milhares de milhões de anos. Mas não há nenhum mecanismo concebível que os impeça de, como uma bola de neve a descer uma colina, se tornarem cada vez maiores à medida que aglomeram poeira do disco circunstelar, formador de planetas, em torno do nosso Sol.

“As colisões teriam uma certa assinatura que podíamos usar para testar a população atual da cintura principal”, disse o coautor Bruno Merín, do Centro Europeu de Astronomia Espacial em Madrid, Espanha.

Devido à rápida órbita do Hubble em torno da Terra, este pode captar asteroides errantes através dos seus rastos nas exposições que obtém.

Visto de um telescópio terrestre, um asteroide deixa um rasto na imagem; os asteroides “fotobombam” as exposições do Hubble, aparecendo como riscos curvos e inconfundíveis nas fotos obtidas pelo telescópio espacial.

 

Este gráfico baseia-se em dados de arquivo do Telescópio Espacial Hubble, que foram utilizados para identificar uma população de asteroides muito pequenos, em grande parte desconhecida. Os asteroides não eram os alvos pretendidos, mas sim estrelas e galáxias de fundo em imagens do Hubble. A caça ao tesouro exigiu a análise de 37.000 imagens do Hubble, abrangendo 19 anos. Para o efeito, recorreu-se a voluntários de “ciência cidadã” e a algoritmos de inteligência artificial. A recompensa foi encontrar 1701 rastos de asteroides anteriormente não detetados.

 

À medida que o Hubble gira à volta da Terra, muda o seu ponto de vista enquanto observa um asteroide, que também se move ao longo da sua própria órbita.

Conhecendo a posição do Hubble durante a observação e medindo a curvatura dos riscos, os cientistas podem determinar as distâncias aos asteroides e estimar as formas das suas órbitas.

Os asteroides fotografados estão maioritariamente na cintura principal, que se situa entre as órbitas de Marte e Júpiter. O seu brilho é medido pelas câmaras sensíveis do Hubble, e a comparação do seu brilho com a sua distância permite uma estimativa do tamanho.

Os asteroides mais ténues analisados durante o estudo têm cerca de um quadragésimo de milhão – 1/(40×106) – do brilho da estrela mais fraca que pode ser vista pelo olho humano.

As posições dos asteroides mudam com o tempo e, por isso, não é possível encontrá-los apenas introduzindo as coordenadas, porque em alturas diferentes podem não estar lá”, disse Bruno.

“Como astrónomos, não temos tempo para procurar em todas as imagens de asteroides. Por isso, tivemos a ideia de colaborar com mais de 10.000 cidadãos voluntários para analisar os enormes arquivos do Hubble”, acrescentou.

Em 2019, um grupo internacional de astrónomos lançou o Hubble Asteroid Hunter, um projeto de ciência cidadã para identificar asteroides em dados de arquivo do Hubble.

A iniciativa foi desenvolvida por investigadores e engenheiros do European Science and Technology Centre e do ESAC Science Data Centre, em colaboração com a Zooniverse, a maior e mais popular plataforma de ciência cidadã do mundo, e com a Google.

Um total de 11.482 cidadãos voluntários, que forneceram cerca de dois milhões de identificações, receberam então um conjunto de treino para um algoritmo automatizado de identificação de asteroides baseado em inteligência artificial.

Esta abordagem pioneira pode ser efetivamente aplicada a outros conjuntos de dados.

O projeto irá em seguida explorar os riscos de asteroides anteriormente desconhecidos para caracterizar as suas órbitas e estudar as suas propriedades, tais como os períodos de rotação.

Dado que a maior parte destes riscos de asteroides foram captados pelo Hubble há muitos anos, não é possível segui-los agora para determinar as suas órbitas.

 

in ZAP

Capablanca, campeão mundial de Xadrez, morreu há oitenta e três anos...

   
Jose Raúl Capablanca y Graupera (Havana, 19 de novembro de 1888 - Nova Iorque, 8 de março de 1942) foi um xadrezista cubano, detentor do título de campeão do mundo da modalidade entre 1921 e 1927. Considerado, por muitos, o melhor jogador de todos os tempos, possuía um excecional conhecimento em finais de jogo e rápido raciocínio.
  

Hoje é dia de ouvir cantar e tocar a banda de Micky Dolenz...

Tonicha - 79 anos

 
Antónia de Jesus Montes Tonicha Viegas, mais conhecida como Tonicha (Beja, 8 de março de 1946) é uma cantora portuguesa

     

(...)

    

Conhece Ary dos Santos através do compositor Nuno Nazareth Fernandes. Os dois serão os autores de "Menina do Alto da Serra" que venceu o Festival RTP da Canção no ano de 1971. O tema fica em 9.º lugar no Festival da Eurovisão, em Dublin, o melhor resultado obtido até essa altura pelo nosso País.

 

in Wikipédia

Jorge Fernando nasceu há 68 anos

 


Jorge Fernando da Silva Nunes (Lisboa, 8 de março de 1957) é um músico e produtor português. É um dos compositores mais cantados da música portuguesa. É autor de canções como "Boa noite solidão", "Búzios", "Quem vai ao fado" ou "Chuva". 
 
 

Com quatro anos já acompanhava o avô a cantar fado (o marido da Ti Preciosa chegou a acompanhar Amália) nas noites de Lisboa. Mas foi com 16 anos que teve a sua primeira experiência a sério, quando trabalhou com Fernando Maurício, considerado o "rei" do fado. Aí deixou definitivamente para trás a sua carreira de futebolista, onde chegou a internacional júnior. Jogou no "1.º Maio de Sarilhos" de onde saíram nomes como José Carlos, Diamantino ou Manuel Fernandes.

Formou o seu primeiro grupo de baile aos 13 anos. Estava a ensaiar numa garagem (chegou a fazer parte do grupo Futuro) e disseram-lhe que estava lá perto o cantor Fernando Maurício. Quis conhecê-lo e mal o ouviu foi paixão absoluta. Passado pouco tempo estava a tocar para ele.

Com 19 anos conheceu Alcino Frazão, um dos maiores guitarristas da história do fado, e começou a tocar com ele. Um ano depois já fazia parte do grupo de Amália Rodrigues depois de ter substituído Alcino Frazão numa atuação com Carlos Gonçalves e ele o ter convidado para tocar com Amália.

Grava os primeiros singles para a editora Rádio Triunfo com temas como "Trigueirinha" e "Se Me Pedisses Desculpa". Em 1982 participa no álbum "Fado!" de Nuno da Câmara Pereira. Lança um novo single, "A Minha Rua", ainda para a Rádio Triunfo.

Muda para a editora Valentim de Carvalho e concorre ao Festival RTP da Canção de 1983 com "Rosas Brancas Para O Meu Amor". Apesar da fraca classificação foi dos temas com mais exposição pública. Toca e escreve três músicas no álbum "Sonho Menino" de Nuno da Câmara Pereira.

Em 1984 lança novo single a solo com "Fiz-me Vagabundo". Com o tema "Umbadá" regressa, em 1985, ao Festival RTP da Canção. Participa também no Festival da OTI desse ano com "Um Ano Depois".

Em 1986 é editado o seu primeiro LP, "Enamorado", que inclui temas como "Mulata" e "Lua Feiticeira Nua". Em 1988 lança o álbum "Coisas da Vida" que inclui o tema "Quando Eu Nasci". A Rádio Comercial, por votação do público, atribui-lhe o Prémio Popularidade.

Em 1989 lançou o seu primeiro disco de fados, "Boa Noite Solidão", na editora Polygram, e nele colaboraram Fernando Maurício, Maria da Fé e José Manuel Barreto. O disco inclui os temas "Quem Vai Ao Fado", "Senhora Minha", "Pode Ser Saudade", "Trigueirinha”, "Pátria", "Lágrima", "A Voz", "Mais Perto De Mim", "Maria da Vila", "A Hora do Profeta" e "Boa Noite Solidão".

Participa no Festival RTP da Canção de 1990 com "Via Área". O álbum "À Tua Porta" é editado em 1991. Produz os discos "Notas Sobre a Alma" de Paulo Bragança e "Notas à Guitarra" de António Pinto Basto.

O álbum "Oxála" é editado em 1993. O disco é bastante elogiado pela critica. Em 1997 lança o disco "Terra d'Água".

Em 1999 é lançado o álbum "Rumo Ao Sul". Em maio de 2000 comemora os 25 anos de carreira com um concerto no Tivoli. Em 2000 foi editado o disco "Inéditos", gravado ao vivo no Teatro Tivoli.

Em 2001 é lançado o livro+disco "Terras do Risco", projeto do pianista italiano Arrigo Cappelletti com poemas de Fernando Pessoa, Mário Sá-Carneiro e Eugénio de Andrade. Os outros colaboradores são o bandoneonista Daniel di Bonaventura, o guitarrista Flavio Minardo, o violoncelista Davide Zaccaria, Custódio Castelo, na guitarra portuguesa e a cantora Alexandra.

Lança em 2002 o disco "Velho Fado". Em 2003, a cidade italiana de Recanati homenageou-o em reconhecimento do seu talento como cantautor, produtor, instrumentista e impulsionador de novos talentos (Academia de Marco Poeta).

Em janeiro de 2004 é o diretor musical do espetáculo "Boa Noite Solidão" de homenagem a Fernando Maurício. Participa ainda no disco "A Tribute To Amalia Rodrigues"

No disco "Memória e Fado" apresenta alguns duetos e colaborações curiosas (Lucio Dalla, Ana Moura, Toninho Horta, Egberto Gismonti). Gravado em Portugal e no Brasil, o disco contém ainda quatro versões. O maior destaque é um excerto de uma atuação ao vivo de Amália Rodrigues, gravado em 1994, com o tema "Vida".

Em outubro de 2005 comemorou os 30 anos de carreira com um concerto no Fórum Lisboa, que contou com a participação de Argentina Santos e Celeste Rodrigues.

Colabora com o rapper Sam The Kid com quem atua nas Festas de Lisboa de 2008. Além da banda de Sam the Kid, em palco estiveram Custódio Castelo (guitarra portuguesa) e Filipe Larsen (viola baixo).

O disco "Vida", com participações de Sam the Kid e Ana Moura, é editado em 2009. O disco, que esteve para se intitular "Fados de Amor e Raiva", abre e fecha com a música "Vida", primeiro cantada em parceria com Fábia Rebordão e no final com Amália Rodrigues (numa gravação feita em casa da falecida fadista em 1996).

"Chamam-lhe Fado" é lançado em 2012.

Em 2018 edita o CD "De Mim Para mim", que inclui doze inéditos, de entre os quais se podem destacar "Lobisomem", "Sr. Doutor" em dueto com António Zambujo, o tema título "De Mim Para mim" e uma nova versão do clássico "Umbadá".

 
 

Gary Numan comemora hoje 67 anos

   
Gary Numan
, nascido Gary Anthony James Webb (Londres, 8 de março de 1958), é um cantor, compositor e músico britânico, sendo considerado um dos pioneiros da música eletrónica. Fundador da banda Tubeway Army, Numan é conhecido por seus hits de 1979 "Are 'Friends' Electric?" e "Cars", clássicos do new wave, movimento no qual Numan é frequentemente citado como uma das figuras mais importantes.
Os álbuns de Numan nunca bateram recordes de vendas, mas ele é considerado um pioneiro da música eletrónica comercial. O uso de temas de ficção científica e, principalmente, sua combinação da energia da música punk com os recursos da eletrónica, influenciaram diversos artistas dos anos 80.
     
 

Christopher Wren, o arquiteto que projetou a catedral de São Paulo, em Londres, morreu há 302 anos...

   
Christopher Wren, (East Knoyle, Wiltshire, 30 de outubro de 1632Londres, 8 de março de 1723) foi um projetista, astrónomo, especialista em geometria e, no seu tempo, o maior arquiteto da Inglaterra. Wren projetou 51 igrejas em Londres, incluindo a Catedral de São Paulo, considerada uma das obras primas da arquitetura europeia, e muitos edifícios seculares também dignos de nota.
Foi fundador da Royal Society e seu presidente (1680 - 1682) e os seus trabalhos científicos eram conhecidos pelos seus contemporâneos, sendo citados por Isaac Newton e Blaise Pascal.
   
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O grande arquiteto não teve uma velhice tranquila, com seu trabalho reconhecido. Em vez disso, foi alvo de criticas e ataques à sua competência e gosto. Particularmente agressivas foram as criticas de Ashley Cooper, que pediam um novo estilo para a arquitetura britânica. Wren morreu em 1723, com 91 anos, na casa de seu filho, após se expor ao frio numa visita à catedral de São Paulo no inverno. Foi enterrado na cripta da catedral, onde uma lápide diz: Leitor, se procuras o seu monumento, olha em volta.
   
    

O Duque de Ávila e Bolama nasceu há 218 anos

 
António José de Ávila  (Horta, Ilha do Faial, Açores, 8 de março de 1807 - Lisboa, 3 de maio de 1881), 1.º conde de Ávila, 1.º marquês de Ávila e 1.º duque de Ávila e Bolama, foi um político conservador do tempo da Monarquia Constitucional em Portugal. Entre outras funções, foi ministro das Finanças e, por três vezes, Presidente do Conselho de Ministros (1868, 18701871 e 18771878). 

 

Vida

António José de Ávila nasceu a 8 de março de 1807, numa modestíssima habitação da Rua de Santo Elias, da freguesia da Matriz da então vila da Horta, Ilha do Faial, Açores, filho de Manuel José de Ávila, de ascendência nobre, filho segundo de fidalgos de Lisboa, que perdera tudo e tentara fortuna no arquipélago, e de Prudenciana Joaquina Cândida da Costa, oriunda de famílias da Matriz da Horta.

Dos dez filhos do casal, apenas quatro sobreviveram até atingir a idade adulta, o que diz das condições de vida da família. Entre os filhos que atingiram a idade adulta, António José, o futuro duque, era o rapaz mais velho, apenas precedido por sua irmã Joaquina Emerenciana (nascida em 1804). Os outros sobreviventes foram Maria do Carmo (nascida em 1815) e Manuel José, o último filho do casal (nascido em 1817).

Durante a infância de António José as condições económicas da família melhoraram substancialmente, tendo o pai enveredado pelo comércio e conseguido amealhar alguns recursos. Tanto assim é que, quando António José termina com excecional brilho os poucos estudos então disponíveis no Faial, já o pai dispunha de meios suficientes para lhe permitir estudos fora da ilha, o que então era privilégio de poucos.

Assim, com apenas 15 anos, Ávila matriculou-se na Universidade de Coimbra, onde estudou filosofia natural e os preparatórios de Matemática. Frequentou também naquela Universidade o primeiro ano de Medicina. Dos tempos de estudante não se lhe conhece qualquer militância política.

Com o início da Guerra Civil de 1832-34, regressou aos Açores, onde se achava o governo liberal no exílio, tornando-se um político local de grande sucesso.

Após o fim da guerra (1834), foi eleito pela primeira vez para as Cortes, pelo círculo dos Açores; durante 26 anos consecutivos, foi deputado da Nação ao Parlamento.

Em termos ideológicos, Ávila aproximou-se da fação mais conservadora dentro do liberalismo português, o cartismo, tornado-se oposição ao governo progressista que tomou o poder em Setembro de 1836, na sequência da Revolução de Setembro.

Com o fim dos ciclo de governos setembristas (com a subida ao poder, pela primeira vez, do cartista Joaquim António de Aguiar, em 1841), Ávila tornou-se ministro das Finanças, cargo que manteve durante os governos de Costa Cabral e do Duque da Terceira. Só com a subida ao poder de Saldanha, abandonou o governo. Em 1857, no primeiro governo do Duque de Loulé, voltou a assumir a pasta da Fazenda.

Por alvará de mercê nova de D. Pedro V de Portugal, de 9 de outubro de 1860, concederam-se a António José de Ávila as seguintes armas de Ávila: esquartelado, o 1.º e o 4.º de ouro, com uma águia estendida de negro, o 2.º e o 3.º de prata, com três faixas de vermelho, acompanhadas de quatro olhos sombreados de azul, alinhados em banda; timbre: a águia do escudo. Coroas: posteriormente de Conde, de Marquês e de Duque. Antes dessa Mercê, usava um escudo partido: a 1.ª de Ávila e a 2.ª da Costa; timbre: de Ávila.

Quando, em 4 de janeiro de 1868, se deu a Janeirinha, que pôs termo ao governo de coligação a que presida Joaquim António de Aguiar, Ávila foi chamado a exercer as funções de presidente do Conselho.

Enquanto chefe de governo, Ávila revogou o imposto que causara a impopularidade e queda do governo anterior, mas tal agravou as dificuldades financeiras do Estado, pelo que acabaria por cair em 22 de julho do mesmo ano.

Voltaria ainda a ser ministro das Finanças, e de novo presidente do Conselho entre 29 de outubro de 1870 e 13 de setembro de 1871, altura em que foi substituído por Fontes Pereira de Melo. Foi então designado para presidir à Câmara dos Pares, em substituição do Duque de Loulé.

Em 1877, devido ao descontentamento popular, o governo Fontes caiu, e Ávila foi de novo chamado a formar governo, o qual durou dez meses, até Fontes voltar ao poder.

No ano seguinte, foi nobilitado, com o título de 1.º duque de Ávila e Bolama, em recompensa pelos serviços prestados, especialmente pelo sucesso na negociações por ele encetadas que permitiram resolver a Questão de Bolama, um conflito diplomático entre Portugal e o Reino Unido sobre a posse da ilha de Bolama e territórios adjacentes, na então Guiné Portuguesa.

Faleceu pelas 21 horas e meia do dia 3 de maio de 1881 no primeiro andar da casa Nº 20, da Rua do Duque de Bragança, freguesia dos Mártires (Lisboa), tinha 74 anos. Não deixou filhos. O funeral realizou-se dia 5. A urna saiu da Basílica dos Mártires pelas 14 horas até chegar ao Cemitério dos Prazeres pelas 16, onde foi sepultado no jazigo nº 1870.

Encontravam-se no funeral Fontes e Sampaio, o Duque de Palmela, o Marquês de Ficalho e o Duque de Loulé, seguido por cerca de 500 carruagens, com mais de um milhar de pessoas, que incluíam representantes dos órgãos do Estado, da família real, associações e muitas classes da sociedade. Um criado da Casa Real foi fornecido para conduzir a carruagem funerária, seguido de uma carruagem com o vigário paroquial da Basílica dos Mártires e doze sacerdotes. Este transporte também foi seguido pelo sobrinho António José de Ávila, e outra carruagem com a coroa Ducal sobre uma almofada de veludo preto, seguido pelo Regimento de Cavalaria n.º 4 e banda.

  

   

Berlioz morreu há 156 anos...

    
Hector Berlioz (La Côte-Saint-André, 11 de dezembro de 1803 - Paris, 8 de março de 1869), músico romântico, autor da Sinfonia Fantástica e Grande Messe des morts, teve contribuições significativas para a orquestra moderna, com o seu Grand traité d'instrumentation et d'orchestration modernes. Ele criou música para enormes grupos orquestrais, para alguns dos seus trabalhos, e realizou vários concertos com mais de 1.000 músicos. Ele também compôs cerca de 50 canções. A sua influência foi fundamental para o desenvolvimento do romantismo, especialmente em compositores como Richard Wagner, Nikolai Rimsky-Korsakov, Franz Liszt, Richard Strauss, Gustav Mahler e muitos outros.
  
 

O dia em que nasceram os heterónimos de Fernando Pessoa foi há 111 anos

(imagem daqui)
  
Especialistas garantem que esse relato sobre o ‘aparecimento' de Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos é uma ficção.
O nascimento dos heterónimos, tal como Fernando Pessoa o relatou em 1935, ano que viria a ser o da sua morte, era demasiado bom para ser verdade. O ‘Dia Triunfal', que terá acontecido há 100 anos, a 8 de março de 1914, não sobrevive à análise do espólio do poeta. Além das dúvidas quanto às datas de alguns manuscritos, há cartas do amigo Mário de Sá-Carneiro que fazem referência a obras que supostamente ainda não existiriam.

No entanto, aquilo que ficou para a história da literatura de Portugal, graças à carta que Fernando Pessoa escreveu ao crítico literário e amigo Adolfo Casais Monteiro, a 13 de janeiro de 1935, é que a génese dos heterónimos - apresentada como "o fundo traço de histeria que existe em mim" - teve o seu quê de épico: "Acerquei me de uma cómoda alta, e, tomando um papel, comecei a escrever, de pé, como escrevo sempre que posso. E escrevi trinta e tantos poemas a fio, numa espécie de êxtase cuja natureza não conseguirei definir. Foi o dia triunfal da minha vida, e nunca poderei ter outro assim."

A acreditar no poeta, que tinha então 46 anos, Alberto Caeiro foi o primeiro heterónimo a aparecer nesse dia. Ele, "que escrevia mal o português", o que era natural em quem não fora à escola, escreveu todos os poemas de ‘O Guardador de Rebanhos'.

Depois de encontrar o mestre, voltou a si próprio, escrevendo os seis poemas de ‘Chuva Oblíqua', mas ainda faltavam os discípulos. Ricardo Reis já estava latente, mas Pessoa garante ter-lhe então descoberto o nome, "porque nessa altura já o via". Depois, "num jato, e à máquina de escrever, sem interrupção nem emenda, surgiu a ‘Ode Triunfal' de Álvaro de Campos".

Teresa Rita Lopes contrapõe a realidade dos factos a essa narrativa. "Nesse dia só escreveu dois poemas enquanto Alberto Caeiro, e a ‘Chuva Oblíqua'", garante a especialista na obra de Fernando Pessoa, que vai estar hoje, às 16h30, a falar sobre o ‘Dia Triunfal', na livraria Culsete, em Setúbal. De igual forma, Álvaro de Campos só nasceria meses depois, em junho de 1914, seguindo-se Ricardo Reis. 
 

in CM - ler notícia

O Guardador de Rebanhos

I

Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações
A seguir e a olhar.
Toda a paz da Natureza sem gente
Vem sentar-se a meu lado.
Mas eu fico triste como um pôr de sol
Para a nossa imaginação,
Quando esfria no fundo da planície
E se sente a noite entrada
Como uma borboleta pela janela.
 
Mas a minha tristeza é sossego
Porque é natural e justa
E é o que deve estar na alma
Quando já pensa que existe
E as mãos colhem flores sem ela dar por isso.
 
Como um ruído de chocalhos
Para além da curva da estrada,
Os meus pensamentos são contentes.
 
Pensar incomoda como andar à chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais.
 
Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho.
 
E se desejo às vezes
Por imaginar, ser cordeirinho
(Ou ser o rebanho todo
Para andar espalhado por toda a encosta
A ser muita coisa feliz ao mesmo tempo),
É só porque sinto o que escrevo ao pôr do sol,
Ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz
E corre um silêncio pela erva fora.
 
Quando me sento a escrever versos
Ou, passeando pelos caminhos ou pelos atalhos,
Escrevo versos num papel que está no meu pensamento,
Sinto um cajado nas mãos
E vejo um recorte de mim
No cimo dum outeiro,
Olhando para o meu rebanho e vendo as minhas ideias,
Ou olhando para as minhas ideias e vendo o meu rebanho,
E sorrindo vagamente como quem não compreende o que se diz
E quer fingir que compreende.
 
Saúdo todos os que me lerem,
Tirando-lhes o chapéu largo
Quando me vêem à minha porta
Mal a diligência levanta no cimo do outeiro.
Saúdo-os e desejo-lhes sol,
E chuva, quando a chuva é precisa,
E que as suas casas tenham
Ao pé duma janela aberta
Uma cadeira predileta
Onde se sentem, lendo os meus versos.
E ao lerem os meus versos pensem
Que sou qualquer cousa natural -
Por exemplo, a árvore antiga
À sombra da qual quando crianças
Se sentavam com um baque, cansados de brincar,
E limpavam o suor da testa quente
Com a manga do bibe riscado.


Alberto Caeiro

José Blanc de Portugal, um poeta, geólogo, meteorologista e crítico musical, nasceu há 111 anos

 
(imagem daqui)
       
D. José Bernardino Blanc de Portugal nasceu em Lisboa em 8 de março de 1914 e faleceu em 5 de maio de 2000. Licenciou-se em Ciências Geológicas pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, que lhe concedeu o título de assistente-extraordinário. Cursou História da Música e Língua e Literatura Árabe, frequentando também cadeiras de Psicologia. Meteorologista da Pan American Airways, passou ao Serviço Meteorológico Nacional, onde desempenhou cargos diretivos na sede, Açores, Cabo Verde, Angola e Moçambique. Representou o país em reuniões técnicas da Organização Mundial de Aviação Civil e da Organização Meteorológica Mundial, em que foi vice-presidente da Associação Regional I (África). Nomeado Adido Cultural junto da Embaixada de Portugal em Brasília, pediu exoneração do cargo para assumir a vice-presidência do Instituto da Cultura Portuguesa. Desde os quinze anos que lecionou particularmente todas as cadeiras do curso liceal e algumas universitárias. Foi professor de Integração Cultural e Sociologia da Informação nos cursos de Formação Artística da Sociedade Nacional de Belas Artes. Desde os vinte anos que exerceu crítica musical, eventualmente de bailado, sendo posteriormente crítico musical do Diário de Notícias. Foi membro do Conselho das Ordens Nacionais, do Conselho Português da Música e do Conselho Português da Dança, filiados nos respetivos Conselhos Internacionais da UNESCO. Comendador da Ordem do Infante D. Henrique e medalha Oskar Nobiling, da Sociedade Brasileira de Língua e Literatura (Mérito Linguístico e Filológico). Fundador dos Cadernos de Poesia, com Ruy Cinatti e Tomaz Kim, aos quais, mais tarde, se associaram Jorge de Sena e José Augusto França.
Obras – Poesia: Parva Naturalia (Prémio Fernando Pessoa), 1960; O Espaço Prometido, 1960; Odes Pedestres, (Prémio Casa da Imprensa), 1965; Descompasso, 1986; Enéadas, 1959. Prémio do P.E.N. Club Português, pelo livro e pelo conjunto da obra. Ensaio: Anticrítico, 1960; Quatro Novíssimos da Música Actual, 1962. Traduções: de Shakespeare; T.S. Eliot, Christopher Fry, (Teatro); Pratolini, Coccioli, Truman Capote e Fernando Pessoa (The Mad Fiddler). Tem poemas seus traduzidos em, por ordem de publicação: francês, espanhol, inglês, alemão e sueco.
  

 

Ode a Lisboa


Ó cidade, ó miséria
Ó tudo que entediava
Meus dias perdidos no teu ventre
Ó tristeza, ó mesquinhez cativa
Ó perdidos passos meus cansados
Ó noites sem noite nem dia
Ó dias iguais às noites
Sem esperança de outros melhor haver
Ou, pior, esperando alguém que não havia
Ó cidade, ó meus amigos idos
(tive-os eu ao menos como tal um dia dia?)
Ó cansaço de tudo igual a chuva e o céu azul imenso
Igual em toda a volta, meses de calor,
Ou água suspensa, nuvens indistintas
Ou cordas de chuva a não poupar-me!
Igual, igual, igual por toda a banda
Ó miséria de sempre!
Tua miséria, ó cidade
Minha miséria igual em tudo
Igual às tuas ruas cheias
Igual às tuas ruas desertas
Igual às tuas ruas de dia
Igual às tuas ruas de noite
Igual à dos teus grandes
E das tuas prostitutas
Igual às dos teus homens corrompidos
E,
piormente igual à dos teus sábios!

Ó cidade igual inigualada
Por que te chamo perdidamente igual?

Tua miséria não é miséria,
Tua tristeza não é tristeza
Tudo que me perdeste para ti não é perdido:
Meus passos firmaram-te as pedras;
Tuas noites foram o meu sol;
Teus dias me foram descanso...
Iguais, dias, noites, minha desesperança
Era o próprio esperar doutras certezas:
A certeza de só poder tornar-se
O alguém que é forçoso haver!

Os meus amigos idos
Por tal seriam por certo perdidos
Sei — como não? que existiram:
Lá estão.

Ó cidade! o cansaço seguiu-me
— não era teu.
Igual o tempo está comigo
— não era teu...
Igual, igual, igual por toda a banda. . .
A miséria, o desalento aqui os tenho
— Também não eram teus.

Mas a gente era tua e eu também.
Lá ficou; e eu,
Ó cidade, ó miséria,
Ó tudo que me entediava,
Meus dias perdidos no teu ventre!...
Sei que nada me pertence
É tudo teu!
E eu me glorifico por eu e os meus
Sermos só de ti que és de Deus!

 

José Blanc de Portugal