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quarta-feira, março 25, 2026

James Hutton, fundador da ciência a que chamamos Geologia, morreu há 229 anos...

     
James Hutton (Edimburgo, 14 de junho de 1726 - Edimburgo, 26 de março de 1797) foi um geólogo, químico e naturalista escocês, conhecido por ser o pai do uniformitarismo e do plutonismo. Pelo seu trabalho pioneiro, na interpretação dos processos geológicos, é considerado como o pai da Geologia moderna.
    

segunda-feira, março 23, 2026

William Smith, o fundador da cartografia geológica na Inglaterra, nasceu há 257 anos

 
William Smith, conhecido como Strata Smith, (Churchill, Oxfordshire, 23 de março de 1769 - Northampton, Northamptonshire, 28 de agosto de 1839) foi um geólogo britânico. É considerado o "pai da geologia inglesa".
O seu trabalho mais famoso é conhecido como "The Map That Changed the World" (O mapa que mudou o Mundo), um mapa geológico detalhado da Inglaterra, do País de Gales e de uma parte da Escócia. O seu trabalho, no início, não recebeu o devido valor; foi plagiado, e, arruinado financeiramente, passou muito tempo na prisão. A nova ciência da Geologia e as realizações de Smith só foram reconhecidas no final da sua vida.
Recebeu a primeira Medalha Wollaston, concedida pela Sociedade Geológica de Londres, em 1831.
   
O famoso mapa geológico de Smith da Grã-Bretanha (1815)
   

domingo, março 22, 2026

Adam Sedgwick, geólogo mentor de Charles Darwin, nasceu há 241 anos

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Adam Sedgwick (Yorkshire, 22 de março de 1785Cambridge, 27 de janeiro de 1873) foi um geólogo britânico.

 

Carreira

Foi um dos fundadores da geologia moderna. Baseado em estudos de fósseis propôs a existência do período geológico Devónico e mais tarde o Câmbrico.

Adam Sedgwick passava o seu tempo através do país colecionando rochas e fósseis. Estudou no Trinity College na Universidade de Cambridge. Em 1818 tornou-se professor de geologia em Cambridge. Sedwick explorou a geologia da Escócia em 1827, e em 1839 apresentou sua pesquisa sobre certas rochas em Devonshire, Inglaterra, as quais continham um distinto grupo de fósseis os quais levaram a se propor uma nova divisão na escala de tempo geológico – o Devónico.

Embora tenha guiado o jovem Charles Darwin nos seus estudos de campo geológicos preliminares, na fase inicial da vida do naturalista, não aceitou as teorias evolucionistas de Darwin no final da sua vida.

Foi laureado com a medalha Wollaston de 1851, concedida pela Sociedade Geológica de Londres.

 

 in Wikipédia

quinta-feira, março 19, 2026

Cotelo Neiva, o Geólogo e antigo Magnífico Reitor da Universidade de Coimbra, morreu há 11 anos...


Nasceu a 18 de fevereiro de 1917 na freguesia de Cedofeita, Porto, foi nomeado Professor Catedrático da Universidade de Coimbra em 1949 e seu Reitor entre 1971 e 1974, tendo-se Jubilado como Professor Catedrático do Departamento de Ciências da Terra em 1987.
Licenciado em Ciências Geológicas, com distinção, pela Universidade do Porto, em 1938, onde foi contratado em 1939 como assistente do Grupo de Ciências Geológicas. Doutorado nesta Universidade em 1944, com a tese “Jazigos Portugueses de Cassiterite e Volframite”, onde passou a exercer funções de 1º assistente de 1945 a 1948. Prestou provas públicas para professor extraordinário com a tese “Rochas e minérios da região de Bragança-Vinhais”, em 1948, na Universidade do Porto. Foi Professor Extraordinário nesta Universidade de 1948 a 1949. Em 1949, prestou provas públicas para Professor Catedrático na Universidade de Coimbra, tendo dado a lição “Geologia dos minérios de ferro portugueses – seu interesse para a siderurgia”.
Entre 1950 e 1974, dirigiu o Museu e Laboratório Mineralógico e Geológico da Universidade de Coimbra. Foi diretor dos Centro de Estudos Geológicos (1950-1975), do Agrupamento de Estudos Geológicos do Ultramar (1954-1974) e do Centro de Estudos de Mineralogia e Geologia de Coimbra (1958-1974).
Colaborou com os Serviços Geológicos de Portugal desde 1940, Serviço de Fomento Mineiro (1945-1963) e Laboratório Nacional de Engenharia Civil (1962-1964). Foi membro do Conselho Superior de Minas e Serviços Geológicos (1958-1974), do Centro de Investigação Científica do Instituto de Alta Cultura (1964-1973) e da Junta Nacional de Educação (1971-1974).
Foi diretor da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra, entre 1963 e 1971, onde se destacou pela reforma das várias licenciaturas, pelo desenvolvimento da investigação e pelo apetrechamento didático.
Entre 1971 e 1974, assumiu o cargo de Reitor da Universidade de Coimbra, tendo protagonizado o crescimento físico e orgânico da Universidade, com a transformação da Faculdade de Ciências em Faculdade de Ciências e Tecnologia, a criação da Faculdade de Economia e deixou organizado o processo de criação da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação. Desenvolveu os Serviços Sociais para os funcionários e estudantes, tendo sido responsável pela instalação de serviços de benefícios múltiplos.
A sua atividade académica é marcada pela investigação nos domínios dos recursos geológicos, nomeadamente, das mineralizações e dos jazigos minerais e dos processos geoquímicos associados, bem como da geologia de engenharia, relacionada com a cartografia geológica e geotécnica e com o comportamento geomecânico dos materiais.
Realizou estudos geológicos e petrográficos em Portugal continental, Porto Santo, Angola, Moçambique, S. Tomé e Príncipe, Macau e Timor. Estudou jazigos minerais e pedreiras em Portugal, Angola, Moçambique e Goa.
Foi consultor dos principais projetos hidroelétricos em Portugal e nas ex-colónias, desde 1957, onde marcou as equipas multidisciplinares de projeto e construção das principais barragens, tendo mantido essa atividade até 2002.
A sua bibliografia é composta por 203 trabalhos científicos publicados e 334 relatórios de Geologia Económica e de Geologia Aplicada, os quais tiveram impacto nacional e internacional.
Foi um dos fundadores da Sociedade Geológica de Portugal (1941) e da Sociedad Española de Cristalografia e Mineralogia (1975).
Na Academia das Ciências de Lisboa, foi Membro Correspondente de 1983 a 1987, Membro Efetivo de 1987 a 2013 e Sócio Emérito de 2013 a 2015. Foi Sócio Emérito da Academia de Engenharia de 2009 a 2015.
Foi-lhe concedido a Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública por Sua Excelência o Presidente da República, em 2003.
Em 2015, a Sociedade Geológica de Portugal instituiu o prémio Cotelo Neiva destinado a homenagear e distinguir a carreira científica e/ou profissional de um geólogo português.
  
 

quinta-feira, março 12, 2026

William Buckland nasceu há duzentos e quarenta e dois anos

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0e/William_Buckland_c1845.jpg

     
William Buckland (Axminster, Devon, 12 de março de 1784 - 24 de agosto de 1856) foi um teólogo britânico que se tornou Deão de Westminster, geólogo e paleontólogo que fez a primeira recolha e descrição completa de um dinossauro nomeado megalossauro, no seu trabalho na caverna de Kirkdale comprovando um covil pré-histórico de hiena, e pelo qual foi premiado com a Medalha Copley, foi amplamente elogiado como um exemplo de como a análise científica detalhada pode ser usada para entender a história geológica pela reconstrução de eventos de tempo profundo. Foi um pioneiro no uso de fezes, restos fossilizados, pelo qual ele inseriu o termo coprólito, para reconstruir antigos eco-sistemas. Buckland foi o proponente da Teoria do Hiato, que interpretava o acontecimento Bíblico de Génesis se referindo a dois episódios da Criação separados por um período de duração, que surgiu no final do século XVIII e começo do século XIX com uma maneira de reconciliar os acontecimentos das escrituras com as descobertas geológicas que sugeria a terra muito antiga. No começo de sua carreira ele acreditou que tivesse encontrado evidência geológica do Dilúvio Bíblico, porém mais tarde convenceu-se que a Era do Gelo de Louis Agassiz era uma melhor explicação e desempenhou um importante papel na promoção da teoria na Grã Bretanha.
Foi laureado com a Medalha Copley, em 1822, e com a medalha Wollaston, concedida pela Sociedade Geológica de Londres, em 1848.
   

terça-feira, março 10, 2026

O geólogo George Julius Poulett Scrope nasceu há 229 anos

   
George Julius Poulett Scrope (London, 10 March 1797 – Cobham, 19 January 1876) was an English geologist and political economist as well as a magistrate for Stroud in Gloucestershire.
He was the second son of J. Poulett Thompson of Waverley Abbey, Surrey. He was educated at Harrow, and for a short time at Pembroke College, Oxford, but in 1816 he entered St John's College, Cambridge, graduating BA in 1821. Through the influence of Edward Clarke and Adam Sedgwick he became interested in mineralogy and geology.
During the winter of 1816–1817 he was at Naples, and was so keenly interested in Vesuvius that he renewed his studies of the volcano in 1818; and in the following year visited Etna and the Lipari Islands. In 1821 he married the daughter and heiress of William Scrope of Castle Combe, Wiltshire, and assumed her name; and he entered the House of Commons of the United Kingdom in 1833 as MP for Stroud, retaining his seat until 1868.
Meanwhile he began to study the volcanic regions of central France in 1821, and visited the Eifel district in 1823. In 1825 he published Considerations on Volcanos, leading to the establishment of a new theory of the Earth, and in the following year was elected FRS. This earlier work was subsequently amplified and issued under the title of Volcanos (1862); an authoritative text-book of which a second edition was published ten years later.
In 1827 he issued his classic Memoir on the Geology of Central France, including the Volcanic formations of Auvergne, the Velay and the Vivarais, a quarto volume illustrated by maps and plates. The substance of this was reproduced in a revised and somewhat more popular form in The Geology and extinct Volcanos of Central France (1858). These books were the first widely published descriptions of the Chaîne des Puys, a chain of over 70 small volcanoes in the Massif Central.
Scrope was awarded the Wollaston Medal by the Geological Society of London in 1867. Among his other works was the History of the Manor and Ancient Barony of Castle Combe (printed for private circulation, 1852).
He died at Fairlawn near Cobham, Surrey on 19 January 1876.
   
The Eruption of Vesuvius as seen from Naples, October 1822 - historical drawing from George Julius Poulett Scrope
  

O geólogo e matemático John Playfair nasceu há 278 anos

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Rev. Prof. John Playfair (Benvie, Forfarshire, 10 March 1748 – Burntisland, Fife, 20 July 1819) was a Scottish minister, remembered as a scientist and mathematician, and a professor of natural philosophy at the University of Edinburgh. He is best known for his book Illustrations of the Huttonian Theory of the Earth (1802), which summarised the work of James Hutton. It was through this book that Hutton's principle of uniformitarianism, later taken up by Charles Lyell, first reached a wide audience. Playfair's textbook Elements of Geometry made a brief expression of Euclid's parallel postulate known now as Playfair's axiom.
In 1783 he was a co-founder of the Royal Society of Edinburgh. He served as General Secretary to the society 1798-1819.
      

domingo, março 08, 2026

Hoje é dia de recordar um poeta que era geólogo...

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(imagem daqui)

 

Oração Final

 

Poesia! Sem esperar voltei meu canto que é teu
As coisas de meu Pai que são as pobres criaturas
Caminhando a par de mim pelas ruas da amargura
Disfarçando mais do que eu a certeza que as leis tuas
Nada têm que ver com a minha piedade de evitarem
Cada maior dor seguindo à menos dura.
Deus Pai pudesse eu como Vosso Filho
Como irmão de Cristo, imolar-se só sem perder alguém
— Sem ter que fechar ouvidos ao Espírito Vosso
Cada instante inundando-me de luz! —
Sem vós tudo é impossível.
Sem mim tudo seria igual,
Mas fazei que meus iguais
Não sejam como eu tão miseráveis:
Crendo em Vós, sabendo-vos as provas,
mostro-me pior que os que vos esquecem!

A vossa Lei, a vossa marca não se
apagou de cada poro da minha pele
Dai-me a força de ajudar a todos com
um sopro do teu Ser que bastará
Pra todos e pra mim.

Fico na angústia da vossa perdida Graça.
Perdoai-me! Perdoai como eu devo perdoar!!
Fazei que eu perdoe!
Fazei-nos os Santos que Vos devemos!

 

José Blanc de Portugal 

José Blanc de Portugal, o geólogo que era poeta, meteorologista e crítico musical, nasceu há 112 anos

(imagem daqui)
       
D. José Bernardino Blanc de Portugal nasceu em Lisboa em 8 de março de 1914 e faleceu em 5 de maio de 2000. Licenciou-se em Ciências Geológicas pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, que lhe concedeu o título de assistente-extraordinário. Cursou História da Música e Língua e Literatura Árabe, frequentando também cadeiras de Psicologia. Meteorologista da Pan American Airways, passou ao Serviço Meteorológico Nacional, onde desempenhou cargos diretivos na sede, Açores, Cabo Verde, Angola e Moçambique. Representou o país em reuniões técnicas da Organização Mundial de Aviação Civil e da Organização Meteorológica Mundial, em que foi vice-presidente da Associação Regional I (África). Nomeado Adido Cultural junto da Embaixada de Portugal em Brasília, pediu exoneração do cargo para assumir a vice-presidência do Instituto da Cultura Portuguesa. Desde os quinze anos que lecionou particularmente todas as cadeiras do curso liceal e algumas universitárias. Foi professor de Integração Cultural e Sociologia da Informação nos cursos de Formação Artística da Sociedade Nacional de Belas Artes. Desde os vinte anos que exerceu crítica musical, eventualmente de bailado, sendo posteriormente crítico musical do Diário de Notícias. Foi membro do Conselho das Ordens Nacionais, do Conselho Português da Música e do Conselho Português da Dança, filiados nos respetivos Conselhos Internacionais da UNESCO. Comendador da Ordem do Infante D. Henrique e medalha Oskar Nobiling, da Sociedade Brasileira de Língua e Literatura (Mérito Linguístico e Filológico). Fundador dos Cadernos de Poesia, com Ruy Cinatti e Tomaz Kim, aos quais, mais tarde, se associaram Jorge de Sena e José Augusto França.
Obras – Poesia: Parva Naturalia (Prémio Fernando Pessoa), 1960; O Espaço Prometido, 1960; Odes Pedestres, (Prémio Casa da Imprensa), 1965; Descompasso, 1986; Enéadas, 1959. Prémio do P.E.N. Club Português, pelo livro e pelo conjunto da obra. Ensaio: Anticrítico, 1960; Quatro Novíssimos da Música Actual, 1962. Traduções: de Shakespeare; T.S. Eliot, Christopher Fry, (Teatro); Pratolini, Coccioli, Truman Capote e Fernando Pessoa (The Mad Fiddler). Tem poemas seus traduzidos em, por ordem de publicação: francês, espanhol, inglês, alemão e sueco.
  

 

Ode a Lisboa


Ó cidade, ó miséria
Ó tudo que entediava
Meus dias perdidos no teu ventre
Ó tristeza, ó mesquinhez cativa
Ó perdidos passos meus cansados
Ó noites sem noite nem dia
Ó dias iguais às noites
Sem esperança de outros melhor haver
Ou, pior, esperando alguém que não havia
Ó cidade, ó meus amigos idos
(tive-os eu ao menos como tal um dia dia?)
Ó cansaço de tudo igual a chuva e o céu azul imenso
Igual em toda a volta, meses de calor,
Ou água suspensa, nuvens indistintas
Ou cordas de chuva a não poupar-me!
Igual, igual, igual por toda a banda
Ó miséria de sempre!
Tua miséria, ó cidade
Minha miséria igual em tudo
Igual às tuas ruas cheias
Igual às tuas ruas desertas
Igual às tuas ruas de dia
Igual às tuas ruas de noite
Igual à dos teus grandes
E das tuas prostitutas
Igual às dos teus homens corrompidos
E,
piormente igual à dos teus sábios!

Ó cidade igual inigualada
Por que te chamo perdidamente igual?

Tua miséria não é miséria,
Tua tristeza não é tristeza
Tudo que me perdeste para ti não é perdido:
Meus passos firmaram-te as pedras;
Tuas noites foram o meu sol;
Teus dias me foram descanso...
Iguais, dias, noites, minha desesperança
Era o próprio esperar doutras certezas:
A certeza de só poder tornar-se
O alguém que é forçoso haver!

Os meus amigos idos
Por tal seriam por certo perdidos
Sei — como não? que existiram:
Lá estão.

Ó cidade! o cansaço seguiu-me
— não era teu.
Igual o tempo está comigo
— não era teu...
Igual, igual, igual por toda a banda. . .
A miséria, o desalento aqui os tenho
— Também não eram teus.

Mas a gente era tua e eu também.
Lá ficou; e eu,
Ó cidade, ó miséria,
Ó tudo que me entediava,
Meus dias perdidos no teu ventre!...
Sei que nada me pertence
É tudo teu!
E eu me glorifico por eu e os meus
Sermos só de ti que és de Deus!

 

José Blanc de Portugal

sexta-feira, março 06, 2026

O polímata William Whewell morreu há 160 anos...

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Estátua de Whewell por Thomas Woolner na capela do Trinity College, Cambridge

 

William Whewell (Lancaster, 24 de maio de 1794 - Cambridge, 6 de março de 1866) foi um inglês polímata, cientista, sacerdote anglicano, filósofo, teólogo e historiador da ciência. Ele foi mestre do Trinity College, Cambridge. No seu tempo como estudante lá, alcançou distinção tanto em poesia quanto em matemática.

O que é mais frequentemente observado sobre Whewell é a amplitude de seus esforços. Numa época de crescente especialização, Whewell parece um retrocesso a uma era anterior, quando os filósofos naturais se envolviam num pouco de tudo. Ele publicou trabalhos nas disciplinas de mecânica, física, geologia, astronomia e economia, enquanto também encontrava tempo para compor poesia, escrever um Tratado de Bridgewater, traduzir as obras de Goethe e escrever sermões e tratados teológicos. Na matemática, Whewell introduziu o que agora é chamado de equação de Whewell, uma equação que define a forma de uma curva sem referência a um sistema de coordenadas escolhido arbitrariamente. Ele também organizou milhares de voluntários internacionalmente para estudar as marés oceânicas, no que hoje é considerado um dos primeiros projetos de ciência cidadã. Ele recebeu a Medalha Real por este trabalho em 1837.

Um dos maiores dons de Whewell para a ciência foi a arte de escrever. Ele frequentemente se correspondia com muitos em seu campo e os ajudava a encontrar novos termos para suas descobertas. Whewell cunhou os termos cientistafísico, linguística, consiliência, catastrofismo, uniformitarismo e astigmatismo entre outros; Whewell sugeriu os termos eletrodo, ião, dielétrico, ânodo e cátodo para Michael Faraday.

Whewell morreu em Cambridge em 1866 como resultado de uma queda de seu cavalo. 

 

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Vida e carreira

Whewell nasceu em Lancaster, filho de John Whewell e sua esposa, Elizabeth Bennison. O seu pai era um mestre carpinteiro e desejava que ele seguisse seu ofício, mas o sucesso de William em matemática na Lancaster Royal Grammar School e na Heversham grammar school rendeu-lhe uma exposição (um tipo de bolsa de estudos) no Trinity College, Cambridge (1812). Em 1814, ele foi premiado com a Medalha de Ouro do Chanceler pela poesia.  Ele foi o segundo lutador em 1816, presidente da Cambridge Union Society em 1817, tornou-se companheiro e tutor de sua faculdade e, em 1841, sucedeu a Christopher Wordsworth como mestre. Ele foi professor de mineralogia de 1828 a 1832 e Professor de Filosofia Knightbridge (então chamado de "teologia moral e divindade casuística") de 1838 a 1855.

Whewell casou-se, primeiramente, em 1841, com Cordelia Marshall, filha de John Marshall; ela morreu em 1855. Em 1858 ele se casou novamente, para Everina Frances (née Ellis), viúva de Sir Gilbert Affleck, 5ª Baronet que morreu em 1865. Whewell morreu em Cambridge em 1866, como resultado de uma queda de seu cavalo;  ele está enterrado na capela do Trinity College, Cambridge, enquanto suas esposas são enterradas juntas no Mill Road Cemetery, Cambridge. Uma janela dedicada a Lady Affleck, sua segunda esposa, foi instalada em sua memória na capela-mor da Igreja de Todos os Santos, Cambridge e feita por Morris & Co.

 

Trabalho científico 

História e desenvolvimento da ciência

Em 1826 e 1828, Whewell se envolveu com George Airy na realização de experimentos na mina Dolcoath na Cornualha, a fim de determinar a densidade da Terra. Seus trabalhos unidos foram malsucedidos e Whewell fez pouco mais no caminho da ciência experimental. Ele foi o autor, no entanto, de um Ensaio sobre Classificação Mineralógica, publicado em 1828, e contribuiu com várias memórias sobre as marés para as Transações Filosóficas da Sociedade Real entre 1833 e 1850.

As suas obras mais conhecidas são dois livros volumosos que tentam sistematizar o desenvolvimento das ciências, História das Ciências Indutivas (1837) e A Filosofia das Ciências Indutivas, Fundada em Sua História (1840, 1847, 1858-60). Enquanto a História traçou como cada ramo das ciências evoluiu desde a antiguidade, Whewell viu a Filosofia como a "Moral" do trabalho anterior, pois buscava extrair uma teoria universal do conhecimento através da história.

Neste último, ele tentou seguir o plano de descoberta de Francis Bacon. Ele examinou ideias ("explicação de conceções") e pela "coligação de fatos" se esforçou para unir essas ideias com os fatos e assim construir a ciência.  Esta coligação é um "ato de pensamento", uma operação mental que consiste em reunir uma série de factos empíricos por "superinduzir" sobre eles uma concepção que une os fatos e os torna capazes de serem expressos em leis gerais. Whewell refere-se como um exemplo de Kepler e a descoberta da órbita elíptica: os pontos da órbita foram coligados pela concepção da elipse, não pela descoberta de novos fatos. Essas conceções não são "inatas" (como em Kant), mas sendo frutos do "progresso do pensamento científico (história) se desdobram com clareza e distinção".

 

As três etapas de indução de Whewell

Whewell analisou o raciocínio indutivo em três etapas:

  • A seleção da ideia (fundamental), como espaço, número, causa ou semelhança (semelhança);
  • A formação da concepção, ou modificação mais especial dessas ideias, como um círculo, uma força uniforme, etc.; e,
  • A determinação das magnitudes.

Sobre estes seguem métodos especiais de indução aplicáveis ​​à quantidade: o método das curvas, o método dos meios, o método dos mínimos quadrados e o método dos resíduos, e métodos especiais dependendo da semelhança (para os quais a transição é feita através da lei da continuidade ), como o método de gradação e o método de classificação natural. Em Filosofia das Ciências Indutivas, Whewell foi o primeiro a usar o termo "consiliência" para discutir a unificação do conhecimento entre os diferentes ramos da aprendizagem. 

 

Oponente do empirismo inglês

Aqui, como em sua doutrina ética, Whewell foi movido pela oposição ao empirismo inglês contemporâneo. Seguindo Immanuel Kant, ele afirmou contra John Stuart Mill a natureza a priori da verdade necessária, e por suas regras para a construção de conceções ele dispensou os métodos indutivos de Mill. No entanto, de acordo com Laura J. Snyder, "surpreendentemente, a visão aceita da metodologia de Whewell no século XX tende a descrevê-lo como um antiindutivista nos moldes popperianos, isto é, afirma-se que Whewell endossa uma visão de 'conjeturas e refutações' da descoberta científica. Whewell explicitamente rejeita a afirmação hipotético-dedutiva de que hipóteses descobertas por suposições não racionais podem ser confirmadas por testes consequencialistas. Whewell explicou que novas hipóteses são 'coletadas dos fatos' (Filosofia das Ciências Indutivas, 1849, 17)".  Em suma, a descoberta científica é um processo parcialmente empírica e parcialmente racional; a "descoberta das conceções não é conjetura nem mera questão de observações", inferimos mais do que vemos.

 

Neologismos de Whewel

Um dos maiores dons de Whewell para a ciência foi a arte de escrever. Ele frequentemente se correspondia com muitos em seu campo e os ajudava a encontrar novos termos para suas descobertas. Na verdade, Whewell criou o próprio termo cientista em 1833, e foi publicado pela primeira vez na revisão anónima de Whewell, de 1834, de Mary Somerville, On the Connexion ofthe Physical Sciences, publicada na Quarterly Review. (Eles eram anteriormente conhecidos como "filósofos naturais" ou "homens da ciência"). 

 

Trabalho na administração da faculdade

Whewell era proeminente não apenas em pesquisa científica e filosofia, mas também em administração de universidades e faculdades. Seu primeiro trabalho, An Elementary Treatise on Mechanics (1819), cooperou com os de George Peacock e John Herschel na reforma do método de Cambridge de ensino matemático. Seu trabalho e publicações também ajudaram a influenciar o reconhecimento das ciências morais e naturais como parte integrante do currículo de Cambridge.

Em geral, porém, especialmente nos anos posteriores, ele se opôs à reforma: ele defendeu o sistema tutorial e, numa controvérsia com Connop Thirlwall (1834), opôs-se à admissão de dissidentes; ele defendia o sistema de comunhão clerical, a classe privilegiada de "companheiros plebeus" e a autoridade dos chefes de faculdades em assuntos universitários.

Ele opôs-se à nomeação da Comissão Universitária (1850) e escreveu dois panfletos (Observações) contra a reforma da universidade (1855). Ele opôs-se ao esquema de confiar as eleições aos membros do Senado e, em vez disso, defendeu o uso de fundos da faculdade e a subvenção de trabalhos científicos e professores.

Ele foi eleito Mestre do Trinity College, Cambridge em 1841, e manteve essa posição até à sua morte, em 1866.

A Whewell Professorship of International Law e as Whewell Scholarships foram estabelecidas por meio das disposições de seu testamento.

 

Os interesses de Whewell sobre arquitetura

Além da ciência, Whewell também se interessou pela história da arquitetura ao longo de sua vida. Ele é mais conhecido por seus escritos sobre arquitetura gótica, especificamente seu livro Architectural Notes on German Churches (publicado pela primeira vez em 1830). Neste trabalho, Whewell estabeleceu uma nomenclatura estrita para as igrejas góticas alemãs e propôs uma teoria do desenvolvimento estilístico. O seu trabalho está associado à "tendência científica" dos escritores arquitetónicos, junto com Thomas Rickman e Robert Willis.

Ele pagou com seus próprios recursos a construção de dois novos pátios de quartos no Trinity College, Cambridge, construídos em estilo gótico. Os dois tribunais foram concluídos em 1860 e (postumamente) em 1868, e agora são chamados coletivamente de Corte de Whewell (no singular). 

 

Obras de Whewell em filosofia e moral

Entre 1835 e 1861 Whewell produziu vários trabalhos sobre a filosofia da moral e da política, o principal dos quais, Elements of Morality, incluindo Polity, foi publicado em 1845. A peculiaridade deste trabalho - escrito do que é conhecido como o ponto de vista intuitivo - é a sua divisão quíntupla das fontes de ação e de seus objetos, dos direitos primários e universais do homem (segurança pessoal, propriedade, contrato, direitos familiares e governo) e das virtudes cardeais (benevolência, justiça, verdade, pureza e ordem).

Entre as outras obras de Whewell - numerosas demais para mencionar - estavam escritos populares, como o terceiro Tratado de Bridgewater Astronomy and General Physics considerado com referência à Teologia Natural (1833), e o ensaio Of the Plurality of Worlds (1853), no qual ele argumentou contra a probabilidade de vida em outros planetas, e também os Diálogos Platónicos para Leitores Ingleses (1850-1861), as Lectures on the History of Moral Philosophy in England (1852), o ensaio Of a Liberal Education in General, com referência particular aos Estudos Principais da Universidade de Cambridge (1845), a importante edição e tradução resumida de Hugo Grotius, De Jure Belli Ac Pacis (1853), e a edição das Obras Matemáticas de Isaac Barrow (1860).

Whewell foi um dos mestres de Cambridge que Charles Darwin conheceu durante a sua aprendizagem lá, e quando Darwin voltou da viagem do Beagle, foi diretamente influenciado por Whewell, que persuadiu Darwin a se tornar secretário da Sociedade Geológica de Londres. As páginas de título de A Origem das Espécies abrem com uma citação do Bridgewater Treatise de Whewell sobre ciência fundada em uma teologia natural de um criador que estabelece leis:

Mas com respeito ao mundo material, podemos pelo menos ir tão longe quanto isto - podemos perceber que os eventos são provocados não por interposições isoladas do poder Divino, exercido em cada caso particular, mas pelo estabelecimento de leis gerais.

 

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quarta-feira, março 04, 2026

Christian Leopold von Buch morreu há cento e setenta e três anos

  
Christian Leopold Freiherr von Buch (Stolpe an der Oder, 26 de abril de 1774 - Berlim, 4 de março de 1853) foi um geólogo e paleontólogo alemão, considerado como um dos mais importantes contribuidores para o progresso da Geologia na primeira metade do século XIX.
Von Buch estudou com Alexander von Humboldt e Abraham Gottlob Werner e viajou muito depois. O seu interesse científico era voltado para um largo espectro de tópicos geológicos: vulcanismo, fósseis, estratigrafia, etc. O seu feito mais lembrado foi a definição científica do sistema jurássico.
A Sociedade Geológica Alemã (Deutsche Gesellschaft für Geowissenschaften) nomeou o seu prémio anual de Leopold-von-Buch-Plakette em sua homenagem.
Foi laureado com a Medalha Wollaston de 1842, concedida pela Sociedade Geológica de Londres.
   

O mineralogista Alfredo Bensaúde nasceu há cento e setenta anos

Busto de Alfredo Bensaúde, esculpido por António Duarte - Instituto Superior Técnico

 

Alfredo Bensaúde (Ponta Delgada, 4 de março de 1856 - Ponta Delgada, 1 de janeiro de 1941) foi um mineralogista, engenheiro e professor universitário de ciências geológicas, reformador do ensino tecnológico em Portugal no início do século XX. Foi o fundador e primeiro diretor do Instituto Superior Técnico (IST) em Lisboa.  


Biografia

Nasceu em Ponta Delgada, primeiro filho de José Bensaúde (1835-1922), importante e culto industrial açoriano de origem judaica, e de Raquel Bensliman (1836-1934). Foi irmão de Joaquim Bensaude (1859-1952), destacado historiador dos Descobrimentos Portugueses e de Raul Bensaude, famoso médico em Paris.

Depois de fazer os seus estudos preparatórios em Ponta Delgada, aos 15 anos de idade foi enviado pelo pai para a Alemanha, a fim de se educar nesse país e onde prosseguiu os estudos. Começou por frequentar as classes preparatórias da Escola Técnica Superior de Hanôver, em Hanôver, passando, depois, para o curso de Engenharia na Escola de Minas de Clausthal, em Clausthal, hoje Clausthal-Zellerfeld, obtendo o grau de Engenheiro de Minas em 1878.

Permaneceu na Alemanha, prosseguindo e terminando os seus estudos na Georg-August-Universität Göttingen, em Göttingen, onde, em 1881, obteve o grau de Doutor em Filosofia na especialidade de Mineralogia. No ano seguinte, em 1882, premiou a mesma Universidade uma memória sua. A sua dissertação versa a cristalografia do mineral perovskite, então descoberto na Rússia e foi premiada e publicada pelo Governo Alemão.

A partir de 1884 fixou-se em Lisboa, sendo nomeado Professor de Mineralogia e Geologia no Instituto Industrial e Comercial de Lisboa, função que exerceu seguidamente. Imbuído dos métodos práticos com que estudara na Alemanha, introduziu os métodos laboratoriais de ensino, revolucionando a forma de ensino das disciplinas que regia. Foi o introdutor em Portugal do ensino da Cristalografia e das modernas técnicas de Petrografia.

Após a implantação da República Portuguesa, em 1910, foi convidado e confiou-lhe o Dr. Manuel de Brito Camacho, Ministro do Fomento do Governo Provisório, o encargo de instalar, dirigir e reformar o Instituto Superior Técnico, de que foi Professor e o primeiro Diretor, empreendimento que levou a cabo de maneira muito notável, tendo a oportunidade de renovar também nestas funções os métodos de ensino da Engenharia em Portugal e o pessoal docente. Dirigiu a instituição desde a sua fundação em 1911 até 1922, ano em que se retirou para Ponta Delgada, onde, aquando e devido ao falecimento de seu pai, lhe coube a missão de lhe suceder e de assumir a administração da empresa industrial que este havia fundado na ilha de São Miguel.

Residindo em Ponta Delgada, mas de onde se ausentava com frequência em visitas ao estrangeiro, manteve a sua atividade intelectual, colaborando com diversas instituições locais e dedicando-se ao estudo da mineralogia açoriana. Neste período descreveu a açorite, um mineral aparentado com o zircónio, comum nas rochas vulcânicas.

Alfredo Bensaude foi admitido como Sócio Correspondente da Academia das Ciências de Lisboa em 1893 e como sócio efetivo em 1911. Em 1929 foi declarado Académico Emérito.

Publicou múltiplos artigos sobre assuntos da sua especialidade e trabalhos sobre reforma pedagógica do ensino das ciências naturais e da engenharia. Algumas das suas obras são marcos importantes no património pedagógico de Portugal, entre elas as Notas Histórico-Pedagógicas sobre o Instituto Superior Técnico (1922), onde criticou inúmeras deficiências do ensino técnico em sobre os cursos de engenharia, propondo uma reestruturação pedagógica profunda, com destaque para o aumento do número de laboratórios. Tentou provar que a associação da teoria a prática era importante até mesmo aos cursos de Arquitetura. Foi o responsável pelo surgimento das primeiras disciplinas que envolviam técnicas de desenho.

Entre os seus trabalhos, contam-se, além da Tese de Doutoramento e memória laureada pela Universidade, Relatórios sôbre vários jazigos minerais de Portugal, notícias várias sobre mineralogia, publicadas em revistas alemãs, francesas e portuguesas, uma monografia sobre o diamante na revista portuense da Sociedade Carlos Ribeiro, precursora da "Portugália", de Ricardo Severo, um estudo sobre o Ensino Tecnológico, de 1892, cujas ideias pôs em prática quando tomou a Direção do Instituto Superior Técnico: Études sur le séisme du Ribatejo du 23 Avril 1909, em colaboração com Paulo Choffat e impresso pela Comissão dos Trabalhos Geológicos de Portugal.

Paralelamente à sua atividade científica e empresarial, teve como hobby a construção e restauro de violinos. A paixão pelos violinos terá surgido quando assistiu em Hanôver à repetição das experiências de acústica do médico e físico francês Félix Savart (1791-1841). Construiu o seu primeiro violino em 1874, ano em que frequentou a oficina, em Hanover, do construtor de violinos dinamarquês Jacob Eritzoe, que fora durante muitos anos contramestre da oficina de August Riechers, em Berlin. Chegou a interromper os estudos no ano letivo de 1874/1875 para aprender a arte de construir violinos. Os seus instrumentos eram simétricos na curvatura dos tampos e no contorno da costilha, diferente dos tradicionais, aos quais aplicava verniz de composição sua, com elasticidade, transparência e brilho característicos. Entre os seus trabalhos nesta área, contam-se: Uma conceção evolucionista da música e As canções de F. Schubert, ambas de 1905.

Escreveu, ainda, a biografia de seu pai, Vida de José Bensaude, de 1936.

A 6 de novembro de 1929 foi feito Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada e a 14 de novembro de 1936 foi feito Grande-Oficial da Ordem da Instrução Pública.

Em sua homenagem, foi criado o Museu Alfredo Bensaúde, no Departamento de Engenharia Civil, Arquitetura e Georrecursos do Instituto Superior Técnico e foi dado o seu nome à Avenida Doutor Alfredo Bensaude, em Santa Maria dos Olivais, Lisboa.

Casou com Jane Oulman Bensaude (1862-1938), autora de livros didáticos e infantis. Foi pai da bióloga Matilde Bensaude (1890-1969).

 

terça-feira, fevereiro 17, 2026

Cotelo Neiva, o geólogo que foi Magnífico Reitor da Universidade de Coimbra, nasceu há 109 anos...

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Nasceu a 18 de fevereiro de 1917 na freguesia de Cedofeita, Porto, foi nomeado Professor Catedrático da Universidade de Coimbra em 1949 e seu Reitor entre 1971 e 1974, tendo-se Jubilado como Professor Catedrático do Departamento de Ciências da Terra em 1987.
Licenciado em Ciências Geológicas com distinção, pela Universidade do Porto, em 1938, onde foi contratado em 1939 como assistente do Grupo de Ciências Geológicas. Doutorado nesta Universidade em 1944, com a tese “Jazigos Portugueses de Cassiterite e Volframite”, onde passou a exercer funções de 1º assistente de 1945 a 1948. Prestou provas públicas para professor extraordinário com a tese “Rochas e minérios da região de Bragança-Vinhais”, em 1948, na Universidade do Porto. Foi Professor Extraordinário nesta Universidade de 1948 a 1949. Em 1949, prestou provas públicas para Professor Catedrático na Universidade de Coimbra, tendo dado a lição “Geologia dos minérios de ferro portugueses – seu interesse para a siderurgia”.
Entre 1950 e 1974, dirigiu o Museu e Laboratório Mineralógico e Geológico da Universidade de Coimbra. Foi diretor dos Centro de Estudos Geológicos (1950-1975), do Agrupamento de Estudos Geológicos do Ultramar (1954-1974) e do Centro de Estudos de Mineralogia e Geologia de Coimbra (1958-1974).
Colaborou com os Serviços Geológicos de Portugal desde 1940, Serviço de Fomento Mineiro (1945-1963) e Laboratório Nacional de Engenharia Civil (1962-1964). Foi membro do Conselho Superior de Minas e Serviços Geológicos (1958-1974), do Centro de Investigação Científica do Instituto de Alta Cultura (1964-1973) e da Junta Nacional de Educação (1971-1974).
Foi diretor da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra, entre 1963 e 1971, onde se destacou pela reforma das várias licenciaturas, pelo desenvolvimento da investigação e pelo apetrechamento didático.
Entre 1971 e 1974, assumiu o cargo de Magnífico Reitor da Universidade de Coimbra, tendo protagonizado o crescimento físico e orgânico da Universidade, com a transformação da Faculdade de Ciências em Faculdade de Ciências e Tecnologia, a criação da Faculdade de Economia e deixou organizado o processo de criação da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação. Desenvolveu os Serviços Sociais para os funcionários e estudantes, tendo sido responsável pela instalação de serviços de benefícios múltiplos.
A sua atividade académica é marcada pela investigação nos domínios dos recursos geológicos, nomeadamente, das mineralizações e dos jazigos minerais e dos processos geoquímicos associados, bem como da geologia de engenharia, relacionada com a cartografia geológica e geotécnica e com o comportamento geomecânico dos materiais.
Realizou estudos geológicos e petrográficos em Portugal continental, Porto Santo, Angola, Moçambique, S. Tomé e Príncipe, Macau e Timor. Estudou jazigos minerais e pedreiras em Portugal, Angola, Moçambique e Goa.
Foi consultor dos principais projetos hidroelétricos em Portugal e nas ex-colónias, desde 1957, onde marcou as equipas multidisciplinares de projeto e construção das principais barragens, tendo mantido essa atividade até 2002.
A sua bibliografia é composta por 203 trabalhos científicos publicados e 334 relatórios de Geologia Económica e de Geologia Aplicada, os quais tiveram impacto nacional e internacional.
Foi um dos fundadores da Sociedade Geológica de Portugal (1941) e da Sociedad Española de Cristalografia e Mineralogia (1975).
Na Academia das Ciências de Lisboa, foi Membro Correspondente de 1983 a 1987, Membro Efetivo de 1987 a 2013 e Sócio Emérito de 2013 a 2015. Foi Sócio Emérito da Academia de Engenharia de 2009 a 2015.
Foi-lhe concedido o grau da Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública por Sua Excelência o Presidente da República, em 2003.
Em 2015, a Sociedade Geológica de Portugal instituiu o Prémio Cotelo Neiva destinado a homenagear e distinguir a carreira científica e/ou profissional de um geólogo português.
   
 

 

NOTA: falecido há mais de dez anos (a 19 de março de 2015) este grande Geólogo, que já não tive a honra e o prazer de ser  aluno (jubilou-se pouco após eu ter entrado na Universidade) mas recordo-o ainda, com muito carinho, bem como à sua filha, a já falecida Professora Doutora Ana Neiva, que deu aulas a todos Geopedrados...

segunda-feira, fevereiro 16, 2026

O geógrafo Orlando Ribeiro nasceu há 115 anos...

Orlando Ribeiro (à esquerda) no Pico do Fogo, na ilha do Fogo, Cabo Verde, durante a erupção de 1951
   
Orlando Ribeiro (Lisboa, 16 de fevereiro de 1911 - Lisboa, 17 de novembro de 1997) foi um geógrafo e historiador português.
   
(...)
     
Ribeiro dedicou toda a sua vida ao ensino e investigação em Geografia, e é a justo título considerado como o renovador desta ciência em Portugal. Foi também o geógrafo português do século XX com mais projeção ao nível internacional. A sua vasta obra inclui não só científicos na Geografia, mas revela também uma diversidade de interesses intelectuais invulgares. Orlando Ribeiro licenciou-se em Geografia e História em 1932, e veio a doutorar-se em 1935 pela Universidade de Lisboa com a tese A Arrábida, esboço geográfico. Entre 1937 e 1940 (durante a guerra) viveu em Paris, e trabalhou na Sorbonne, com Marc Bloch, Emmanuel de Martonne e A. Demangeon. Em 1940, foi nomeado professor da Universidade de Coimbra, mas rapidamente se instalou em Lisboa. Em 1943, já em Lisboa, fundou o Centro de Estudos Geográficos.
Da sua intensa atividade científico-académica destaca-se Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico. Em 1966, o Centro de Estudos Geográficos começou a publicar a revista Finisterra, que foi e continua a ser a principal publicação da Geografia portuguesa, com projeção internacional.
O interesse intelectual de Ribeiro pela História, Antropologia e Etnografia foi desenvolvido essencialmente enquanto discípulo de David de Melo Lopes e de Leite de Vasconcelos. Ribeiro lançou-se também na Geologia, com Carlos Teixeira. Trabalhou ainda com Juvenal Esteves, Barahona Fernandes e Celestino da Costa.
Recebeu o grau de Grande Oficial da Ordem de Santiago da Espada, em 1987.
 

quinta-feira, fevereiro 12, 2026

Charles Darwin nasceu há 217 anos


Charles
Robert Darwin (Shrewsbury, 12 de fevereiro de 1809 - Downe, Kent, 19 de abril de 1882) foi um naturalista britânico que alcançou fama ao convencer a comunidade científica da ocorrência da evolução e propor uma teoria para explicar como ela se dá por meio da seleção natural e sexual. Esta teoria culminou no que é, agora, considerado o paradigma central para explicação de diversos fenómenos na biologia. Foi laureado com a medalha Wollaston concedida pela Sociedade Geológica de Londres, em 1859.
Darwin começou a se interessar por história natural na universidade enquanto era estudante de Medicina e, depois, Teologia. A sua viagem de cinco anos a bordo do brigue HMS Beagle e escritos posteriores trouxeram-lhe reconhecimento como geólogo e fama como escritor. As suas observações da natureza levaram-no ao estudo da diversificação das espécies e, em 1838, ao desenvolvimento da teoria da Seleção Natural. Consciente de que outros antes dele tinham sido severamente punidos por sugerir ideias como aquela, ele as confiou apenas a amigos próximos e continuou as suas pesquisas, tentando antecipar possíveis objeções. Contudo, a informação de que Alfred Russel Wallace tinha desenvolvido uma ideia similar forçou a apresentação conjunta das suas teorias em 1858.
No seu livro de 1859, "A Origem das Espécies" (do original, em inglês, On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or The Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life), ele introduziu a ideia de evolução a partir de um ancestral comum, por meio de seleção natural. Esta tornou-se a explicação científica dominante para a diversidade de espécies na natureza. Ele entrou na Royal Society e continuou a sua pesquisa, escrevendo uma série de livros sobre plantas e animais, incluindo a espécie humana, notavelmente "A descendência do Homem e Seleção em relação ao Sexo" (The Descent of Man, and Selection in Relation to Sex, 1871) e "A Expressão da Emoção em Homens e Animais" (The Expression of the Emotions in Man and Animals, 1872).
Como reconhecimento da importância do seu trabalho, Darwin foi enterrado na Abadia de Westminster, próximo dos túmulos de Charles Lyell, William Herschel e Isaac Newton. Foi uma das cinco pessoas não ligadas à família real inglesa a ter um funeral de estado, no Reino Unido, no século XIX.
         
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/8b/Hw-darwin.jpg
       
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terça-feira, fevereiro 03, 2026

O geólogo Achille Delesse nasceu há 209 anos

  
Achille Ernest Oscar Joseph Delesse (Metz, 3 de fevereiro de 1817 – Paris, 24 de março de 1881) foi um geólogo e mineralogista francês

 

Formação

Delesse entrou para a École Polytechnique aos vinte anos de idade, e posteriormente estudou na École des Mines. Em 1845, foi nomeado para a cátedra de Mineralogia e Geologia em Besançon; em 1850, para a cadeira de Geologia na Sorbonne, em Paris; e em 1864, professor de Agricultura na École des Mines. Em 1878, tornou-se inspetor-geral de minas.

 

Carreira

Nos primeiros anos, como engenheiro de minas, investigou e descreveu vários novos minerais; passou mais tarde ao estudo das rochas, elaborando novos métodos para a sua determinação, e dando particulares descrições do meláfiro, arcóseo, pórfiro, sienito e outros. As rochas ígneas dos Vosges e as dos Alpes, Córsega, etc, e o conceito de metamorfismo ocuparam a sua atenção. Preparou também em 1858, os mapas geológicos e hidrológicos de Paris, com relação à água subterrânea, mapas similares dos departamentos do Sena e Seine-et-Marne, e um mapa agronómico de Seine-et-Marne (1880), no qual mostrou a relação que existe entre as características físicas e químicas do solo e a estrutura geológica.

A sua revista anual Revue des progrès de géologie, editada com o apoio (1860-1865) de Auguste Laugel e posteriormente (1865-1878) de Albert de Lapparent, esteve em circulação de 1860 até 1880. As suas observações sobre a litologia dos depósitos acumulados no fundo do mar foram de especial interesse e importância.