Mostrar mensagens com a etiqueta URSS. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta URSS. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, outubro 23, 2026

A Hungria fartou-se de comunismo e socialismo há setenta anos...

   
A Revolução Húngara de 1956 (em húngaro: 1956-os forradalom) foi uma revolta popular e espontânea contra as políticas impostas pelo governo da República Popular da Hungria e pela União Soviética. O movimento durou de 23 de outubro até 10 de novembro de 1956.
A revolta começou como uma manifestação estudantil que atraiu milhares que marcharam pelo centro de Budapeste até o parlamento. Uma delegação de estudantes, depois de entrar no prédio da rádio, numa tentativa de transmitir as suas exigências, foi detida. Quando a libertação da delegação foi exigida pelo manifestantes do lado de fora, ele foram alvejados pela Autoridade de Proteção de Estado (ÁVH) de dentro do prédio. As notícias espalharam-se rapidamente e desordem e violência irromperam por toda a capital.
A revolta espalhou-se rapidamente pela Hungria, e o governo caiu. Milhares de pessoas organizaram-se em milícias, combatendo a Polícia de Segurança do Estado (ÁVH) e as tropas soviéticas. Comunistas pro-soviéticos e membros da ÁVH eram frequentemente executados ou aprisionados, enquanto os antigos prisioneiros eram libertados e armados. Conselhos improvisados tiraram o controle municipal do Partido dos Trabalhadores Húngaros e exigiram mudanças políticas. O novo governo formalmente dissolveu a ÁVH, declarou a sua intenção de se retirar do Pacto de Varsóvia e prometeu restabelecer livres eleições. No final de outubro, as lutas tinham quase parado e uma sensação de normalidade começava a retornar.
Depois de anunciar a boa vontade para negociar uma retirada das forças soviéticas, o Politburo mudou de ideia e decidiu suprimir a revolução. Em 4 de novembro, um grande exército soviético invadiu Budapeste e outras regiões do país. A resistência húngara continuou até 10 de novembro. Mais de 2.500 soldados húngaros e cerca de 700 soldados soviéticos foram mortos no conflito, tendo 200.000 húngaros fugido, passando a ser refugiados. Prisões em massa e denúncias continuaram durante meses. Em janeiro de 1957, o novo governo soviético instalado suprimiu toda a oposição pública. Estas ações soviéticas fizeram duvidar das suas convicções muitos marxistas ocidentais, ainda mais pelo brutal reforço do controle soviético na Europa Central.
Discussões públicas sobre essa revolução foram reprimidas na Hungria durante trinta anos, mas desde os anos 1980 ela tem sido objeto de intenso estudo e debate. No princípio da Terceira República da Hungria, em 1989, o dia 23 de outubro foi declarado feriado nacional.
   
Cronologia
O levantamento popular húngaro começou a 23 de outubro de 1956, com uma manifestação pacífica de estudantes em Budapeste. Exigiam o fim da ocupação soviética e a implantação do "socialismo verdadeiro". Quando os estudantes tentaram resgatar alguns colegas que haviam sido presos pela polícia política, esta abriu fogo contra a multidão.
No dia seguinte, oficiais e soldados juntaram-se aos estudantes nas ruas da capital. A estátua de Estaline foi derrubada por manifestantes que entoavam, "Russos, voltem para casa", "Abaixo Gerő" e "Viva Nagy". Em resposta, o Comité Central do Partido Comunista Húngaro recomendou o nome de Imre Nagy para a chefia de governo.
Em 25 de outubro, tanques soviéticos dispararam contra manifestantes na Praça do Parlamento. Chocado com tais acontecimentos, o Comité Central do partido forçou a renúncia de Gerő e substituiu-o por Imre Nagy.
Nagy foi à Rádio Kossuth e anunciou a futura instalação das liberdades, como seja o multipartidarismo, a extinção da polícia política, a melhoria radical das condições de vida do trabalhador e a busca do socialismo condizente com as características nacionais da Hungria.
Em 28 de outubro, o primeiro-ministro Nagy vê as suas opções serem aceites por todos os órgãos do Partido Comunista. Os populares desarmam a polícia política.
Em 30 de outubro, Nagy comunicou a libertação do cardeal Mindszenty e de outros prisioneiros políticos. Reconstituíram-se os Partidos dos Pequenos Proprietários, Social-Democrata e Camponês Petőfi. O Politburo Soviético decide, numa primeira fase (30 de outubro) mandar as tropas sair de Budapeste, e mesmo da Hungria se viesse essa a ser a vontade do novo governo. Mas no dia seguinte volta a trás e decide-se pela intervenção militar e instauração de um novo governo. A 1 de novembro, o governo húngaro, ao tomar conhecimento das movimentações militares em direção a Budapeste, comunica a intenção húngara de se retirar do Pacto de Varsóvia e pede a proteção das Nações Unidas.
A 3 de novembro, Budapeste está cercada por mais de mil tanques. Em 4 de novembro, o Exército Vermelho invade Budapeste, com o apoio de ataques aéreos e bombardeamentos de artilharia a Hungria, derrotando rapidamente as forças húngaras. Calcula-se que 20.000 pessoas foram mortas durante a intervenção soviética. Nagy foi preso (e posteriormente executado) e substituído no poder pelo traidor e simpatizante soviético János Kádár. Mais de 2 mil processos políticos foram abertos, resultando em 350 enforcamentos. Dezenas de milhares de húngaros fugiram do país e cerca de treze mil foram presos. As tropas soviéticas apenas saíram da Hungria em 1991.
 
Cenas da revolução, em cinejornal da época
 
   

quinta-feira, outubro 22, 2026

A sonda Venera 9 aterrou em Vénus há cinquenta e um anos

Modelo da Venera 9 - o aterrizador estava alojado dentro da esfera

   

A Venera 9 foi uma sonda espacial enviada a Vénus e fazia parte do Programa Venera, desenvolvido pelo programa espacial soviético e era essencialmente idêntica à Venera 10.

A sonda era composta por um orbitador e um aterrizador e pesava no total 4.936 kg. Foi lançada no dia 8 de junho de 1975 e chegou a Vénus no dia 22 de outubro de 1975. Fez medições da atmosfera do planeta e obteve as primeiras fotos de sua superfície.
 
Primeira foto tirada da superfície de Vénus (horizonte está no canto superior direito) - as rochas possuem algumas dezenas de centímetros de largura
 
 

O objetivo do orbitador era atuar como um retransmissor de comunicação para o aterrizador e explorar as camadas de nuvens e vários parâmetros atmosféricos. Consistia de um cilindro com dois painéis solares e uma antena parabólica de alto ganho presa na superfície curva. Uma unidade em forma de sino presa na parte inferior do cilindro, abrigava o sistema de propulsão e na parte de cima havia uma esfera com diâmetro de 2,4 m que abrigava o aterrizador. Pesava 2300 kg e possuía os seguintes instrumentos:


Objetivo do estudo Instrumento
Estrutura da atmosfera e nuvens; condições de

luz e calor através de características ópticas

Telefotómetro - câmera de TV (λ < 0,4 μm)

Espectrómetro (λ = 0,24 - 0,7 μm)

Espectrómetro infra-vermelho (λ = 1,7 - 2,8 μm)

Radiómetro infravermelho (λ = 8 - 40μm )

Fotómetro ultravioleta (λ = 0,35 μm)

Fotopolarímetro (λ = 0,4 - 0,8 μm)

Transmissor de RF (ocultação)

Estudo da superfície Transmissor de RF (radar biestático)
Estudo da atmosfera superior e ionosfera Fotómetro para linha Lyman-α

Espectrómetro (λ = 0,3 - 0,8 μm)

Transmissor de RF

Estudo da interação do planeta com o

vento solar

Magnetómetro

Espectrómetro eletrostático de plasma

Armadilha para partículas carregadas

 
 
https://thumb.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/59/Space_probe_Venera_on_the_venus_surface_%28artist_recreation%29.jpg/1920px-Space_probe_Venera_on_the_venus_surface_%28artist_recreation%29.jpg?utm_source=pt.wikipedia.org&utm_campaign=imageinfo&utm_content=thumbnail 
Conceção artística do aterrizador da Venera 9 na superfície de Vénus
 
 
A Venera 9 transmitiu a primeira foto da superfície de Vénus, tirada de uma altura de 90 cm, na verdade, foram as primeiras fotos recebidas da superfície de um outro planeta. O aterrizador deveria transmitir uma foto panorâmica de 360°, mas como uma das proteções da câmara falhou em ser ejetada, apenas um panorama de 180° foi recebido. A iluminação do local era semelhante a um dia nublado na Terra e a imagem mostra claramente a presença de rochas planas ao redor do aterrizador.

Alguns resultados preliminares indicaram:

  • nuvens com espessuras de 30 a 40 km;
  • pressão na superfície de aproximadamente 90 atm (terrestres);
  • temperatura na superfície de 485 °C;
  • níveis de luz comparáveis a dias nublados de verão na Terra;
  • ausência aparente de poeira no ar e uma variedade de rochas de 30 a 40 cm não erodidas;
  • os constituintes das rochas do local de pouso indicavam serem semelhantes ao basalto;
  • a velocidade dos ventos no local de pouso variavam de 0,4 a 0,7 m/s, uma velocidade baixa com consequente pouca poeira no ar;
  • a velocidade dos ventos variava entre 50 a 100 m/s nas altitudes de 40 a 50 km respetivamente..
Após transmitir informações por 53 minutos, o aterrizador encerrou as transmissões. Isso ocorreu não em função das condições adversas na superfície (a temperatura interna da sonda era de 60°C e os instrumentos estavam em operação), mas em função da não retransmissão dos sinais pelo orbitador que já se encontrava fora da linha de visada.
 

domingo, outubro 18, 2026

A sonda Venera 4 poisou em Vénus há 59 anos

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/1e/The_Soviet_Union_1968_CPA_3623_stamp_%28Venera_4_Space_probe%29.jpg?utm_source=ru.wikipedia.org&utm_campaign=imageinfo&utm_content=thumbnail_unscaled
   
A Venera 4 (em russo: Венера-4) foi uma sonda espacial soviética do Programa Venera.
Esta foi lançada a partir de um Sputnik Tyazheliy (67-058B) em direção ao planeta Vénus, com a missão de estudar a atmosfera local. A 18 de outubro de 1967, a sonda espacial entrou na atmosfera venusiana e libertou dois termómetros, um barómetro, um rádio-altímetro, um indicador da densidade atmosférica, 11 analisadores de gases e dois rádio-transmissores que operavam na banda DM.
O módulo principal, que transportou a cápsula para Vénus, incluía um magnetómetro, detetores de raios cósmicos, indicadores de hidrogénio e oxigénio e aparelhos para recolha de partículas carregadas. Foram enviados sinais da sonda espacial, que abrandou e libertou um sistema de paraquedas depois de entrar na atmosfera venusiana, a uma altitude de 24,96 quilómetros. Venera-4 foi a primeira sonda a realizar com sucesso a análise do ambiente de outro planeta e foi também a primeira sonda a pousar noutro planeta.
Venera 4 realizou a primeira análise química da atmosfera venusiana, mostrando que Vénus tem principalmente dióxido de carbono com uma pequena percentagem de azoto e abaixo de um por cento de oxigénio e vapor de água. Também foi ela que detetou que Vénus tinha um campo magnético muito fraco e sem radiação. A camada atmosférica exterior continha muito pouco hidrogénio e oxigénio não atómico. A sonda enviou as primeiras medições diretas provando que Vénus é extremamente quente, que a atmosfera era muito mais densa do que a esperada e que Vénus tinha perdido a maior parte da sua água há muito tempo.

sexta-feira, outubro 16, 2026

A crise dos mísseis de Cuba começou há sessenta e quatro anos...

Vista aérea mostrando base de lançamento de mísseis em Cuba, novembro de 1962

A Crise dos mísseis de Cuba, também conhecida como a Crise de Outubro (em espanhol: Crisis de Octubre), Crise do Caribe (em russo: Карибский кризис) foi um confronto de 13 dias (16-28 outubro de 1962) entre os Estados Unidos e a União Soviética relacionado com a implantação de mísseis balísticos soviéticos em Cuba. Além de ter sido televisionada em todo o mundo, foi o mais próximo que se chegou do início de uma guerra nuclear em grande escala durante a Guerra Fria.
Em resposta à fracassada Invasão da Baía dos Porcos de 1961 e à presença de mísseis balísticos norte-americanos PGM-19 Jupiter estacionados na Itália e na Turquia, o líder soviético Nikita Khrushchev decidiu aceitar o pedido de Cuba para colocar mísseis nucleares em seu território para deter uma futura invasão dos estados Unidos. Um acordo foi alcançado durante uma reunião secreta entre Kruchev e Fidel Castro em julho e a construção de uma série de instalações de lançamento de mísseis começou depois do verão.
Uma eleição estava em curso nos Estados Unidos. A Casa Branca negou as acusações de que estava ignorando os mísseis soviéticos a 145 quilómetros do litoral da Flórida. A instalação dos mísseis foi confirmada quando um avião espião Lockheed U-2 da Força Aérea dos Estados Unidos obteve provas fotográficas claras de instalações de mísseis balísticos R-12 Dvina e R-14 Chusovaya. Os Estados Unidos estabeleceram um bloqueio militar para evitar que novos mísseis entrassem em Cuba e anunciou que não permitiria que armas ofensivas fossem entregues a Cuba, além de ter exigido que as armas já entregues fossem desmontadas e levadas de volta para a URSS.
Depois de um longo período de tensas negociações, foi alcançado um acordo entre Kennedy e Kruschev. Publicamente, os soviéticos desmantelaram as suas armas em Cuba e levaram-nas para a União Soviética, sob reserva de verificação das Nações Unidas, em troca de uma declaração pública dos Estados Unidos de nunca invadir Cuba sem provocação direta. Secretamente, os Estados Unidos também concordaram que iriam desmantelar toda a rede de mísseis Júpiter que foi implantada na Turquia e Itália contra a União Soviética, mas que não era conhecida pelo público.
Todos os mísseis ofensivos e bombardeiros Ilyushin Il-28 foram retirados de Cuba e o bloqueio foi formalmente encerrado, em 20 de novembro de 1962. As negociações entre os Estados Unidos e a União Soviética destacaram a necessidade de uma rápida, clara e direta linha de comunicação entre Washington, DC e Moscovo. Uma série de acordos reduziu drasticamente as tensões USA-URSS durante os anos seguintes.
  
  

quarta-feira, outubro 14, 2026

Brejnev derrubou Khrushchev, num golpe de estado, há 62 anos...

https://thumb.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/b/b9/Leonid_Brezjnev%2C_leider_van_de_Sovjet-Unie%2C_Bestanddeelnr_925-6564.jpg/500px-Leonid_Brezjnev%2C_leider_van_de_Sovjet-Unie%2C_Bestanddeelnr_925-6564.jpg?utm_source=pt.wikipedia.org&utm_campaign=imageinfo&utm_content=thumbnail

 
Leonid Ilitch Brejnev (Kamenskoe, 19 de dezembro de 1906 - Moscovo, 10 de novembro de 1982) foi um estadista soviético que esteve à frente da liderança da União Soviética entre 1964 e 1982. Chefiou o Partido Comunista, tendo presidido ao Soviete Supremo de 1977 até à sua morte. Teve sob seu comando o maior exército do mundo na época e um imenso arsenal nuclear, no período em que a URSS chegou ao seu ápice geopolítico. Pôs em prática a Doutrina da Soberania Limitada, que buscou impedir a expansão e influência do neoliberalismo pelo mundo, razão pela qual é considerada neoestalinista, pelo seu cunho expansionista, agressivo e revolucionário.
As principais conquistas políticas de Brejnev durante a sua liderança foram a retomada das relações diplomáticas soviéticas com diversos países, as iniciativas de cooperação, junto das potências ocidentais, pela paz mundial e a criação de um bem-estar social em seu país, que entretanto potencializou a crise económica que fez estremecer a URSS. Ele também teve influente participação na expansão do socialismo a sua maior extensão, através do investimento em revoluções ao redor do globo.
Em termos políticos, a liderança de Brejnev perante a União Soviética representou o retorno do poder estalinista, tendo ele inclusive tentado uma má sucedida reabilitação do nome de seu antecessor Estaline.
Em termos culturais, deu fim às campanhas antirreligiosas iniciadas em 1958 e premiou o patriarca Pemeno I com a Ordem do Estandarte Vermelho, aumentando a liberdade religiosa na União Soviética, como forma de retomar e não degradar ainda mais a tradição cultural e religiosa da Rússia, em parte deturpada pelo ateísmo comunista.
Em 1972, foi-lhe atribuído o Prémio Lenine da Paz. Pelas suas contribuições na Grande Guerra Patriótica, o nome que a URSS dava à II Grande Guerra, recebeu a mais alta condecoração cívica que um cidadão soviético podia receber, Herói da União Soviética.
Morre, de forma suspeita, em 1982, provavelmente de overdose, estimulada pela sua enfermeira, associada à polícia secreta, chefiada por Iuri Andropov, o presumido sucessor de Brejnev. Menos de dez anos após a sua morte, durante o governo de Mikhail Gorbatchov, uma crise tomaria conta da URSS, levando o país ao caos e posteriormente à desintegração. Por esse motivo, os anos de Brejnev são muitas vezes lembrados como anos dourados.
   
(...)
   
Até 1962, aproximadamente, o posto de Khrushchev na liderança soviética permanece sólido, mas em parte por causa da derrota na crise dos mísseis cubanos, políticas demasiado liberais e diversos comentários inoportunos, os membros do partido começam a se preocupar com o futuro do país. Para piorar, aumento das dificuldades económicas da União Soviética aumentou a pressão. Aparentemente, Brejnev era leal a Khrushchev, mas em 1963 vê-se implicado numa conspiração iniciada pelo arménio Anastas Mikoyan, cujo objetivo é depor Khrushchev. Neste ano, sucede a Frol Kozlov na liderança do Comité Central, e passa a ser, por esse posto, o sucessor oficial de Khrushchev. Em 14 de outubro de 1964, aproveitando as férias de Khrushchev, os conspiradores executam o seu golpe de estado e retiram-lhe o poder, instituindo um triunvirato, cuja versão soviética seria denominada troika. Brejnev converte-se no chefe do PCUS, Alexey Kosygin no chefe de governo, e Mikoyan no chefe de estado, sendo sucedido, quatro anos depois, por Nikolai Podgorny.
 
https://thumb.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/8/87/1959_Khrushchev%2C_Nixon%2C_Brezhnev.jpg/960px-1959_Khrushchev%2C_Nixon%2C_Brezhnev.jpg?utm_source=pt.wikipedia.org&utm_campaign=imageinfo&utm_content=thumbnail
Khrushchev e Nixon (centro) perante repórteres e espetadores, incluindo o membro do Politburo Leonid Brezhnev, na Exposição Nacional Americana em Moscovo, 1959
     

 

Leonid Brejnev beija Walter Ulbricht, presidente da Alemanha Oriental (RDA),

Leonid Brejnev beija o presidente da Alemanha Oriental (RDA), Walter Ulbricht

domingo, outubro 11, 2026

A Cimeira de Reiquiavique foi há trinta e nove anos

https://thumb.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/67/President_Ronald_Reagan_Says_Goodbye_to_Soviet_General_Secretary_Gorbachev_After_The_Last_Meeting_at_Hofdi_House_Reykjavik_Iceland_-_DPLA_-_52e614a2e7c0706a37e0b9f3a873c385.jpg/960px-thumbnail.jpg?utm_source=pt.wikipedia.org&utm_campaign=imageinfo&utm_content=thumbnail
  
A Cimeira de Reiquiavique (ou Conferência de Reykjavík) foi um encontro de trabalho entre o presidente norteamericano Ronald Reagan e o Secretário-Geral soviético Mikhail Gorbachev, realizado na famosa casa de Höfði, em Reykjavík, a capital da Islândia, em 11 e 12 de outubro de 1986. As negociações falharam no último minuto, mas o progresso alcançado até então, eventualmente, resultou no Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário de 1987, entre os EUA e a União Soviética.
 

https://thumb.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/9b/Hofdi_House_Reykjavik.jpg/1920px-Hofdi_House_Reykjavik.jpg?utm_source=pt.wikipedia.org&utm_campaign=imageinfo&utm_content=thumbnail
Höfði, a sede do encontro
 
As negociações falharam por causa da insistência de Gorbachev em incluir a Iniciativa Estratégica de Defesa (Strategic Defense Initiative, SDI) dos EUA em todo e qualquer acordo sobre a eliminação de mísseis nucleares de alcance intermediário da Europa, a redução das armas nucleares táticas da NATO e a redução das forças convencionais do Pacto de Varsóvia, e por causa da recusa de Reagan e da delegação norte-americana em negociar sobre a pesquisa SDI. O encontro foi prolongado, embora sem haver acordo algum no final. No entanto, participantes e observadores referem-se ao encontro como um enorme avanço, que eventualmente facilitou o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, assinado em Washington em 8 de dezembro de 1987.

domingo, outubro 04, 2026

O Sputnik 1 foi lançado há 69 anos

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e5/Sputnik-1.jpg?utm_source=pt.wikipedia.org&utm_campaign=imageinfo&utm_content=thumbnail_unscaled

O Sputnik 1 foi a primeira missão do Programa Sputnik, que enviou o primeiro satélite artificial da Terra. A missão foi lançada pela URSS em 4 de outubro de 1957 do Cosmódromo de Baikonur. O Sputnik era uma esfera de aproximadamente 50 cm e pesando 83,6 kg.
   
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/17/Stamp_of_Kazakhstan_612.jpg?utm_source=pt.wikipedia.org&utm_campaign=imageinfo&utm_content=thumbnail_unscaled
    
Ele não tinha nenhuma função, a não ser transmitir um sinal de rádio, "beep", que podia ser sintonizado por qualquer radio-amador.
O satélite orbitou a Terra durante três meses, antes de cair. O seu foguete lançador, chamado R.7, pesava 4 toneladas e entrou em órbita também. Ele foi projetado originalmente para lançar ogivas nucleares.
O Sputnik 1 foi o primeiro satélite artificial a ser lançado pela antiga União Soviética e o primeiro satélite a ser lançado também pela humanidade. O seu lançamento abriu, simbolicamente falando, a "porta" para o começo da corrida espacial entre Estados Unidos e URSS.
 
https://thumb.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/13/SputnikSouvenir.jpg/500px-SputnikSouvenir.jpg?utm_source=pt.wikipedia.org&utm_campaign=imageinfo&utm_content=thumbnail
Modelo do Sputnik-1 na exposição "NASA - Uma Aventura Humana"
     

Richard Sorge, o espião soviético que Estaline traiu e abandonou, nasceu há 131 anos...


        
Richard Sorge (Sabunchi, Baku, 4 de outubro de 1895 - Tóquio, 7 de novembro de 1944) foi um jornalista alemão e um espião da União Soviética no Japão, antes e durante a Segunda Guerra Mundial. O nome de código na KGB do grupo deste espião era "Ramsay".
       
(...)
      
Em 1933, dirigentes soviéticos, interessados em conhecer melhor as intenções do governo japonês, enviam Sorge para o Japão, país que havia vencido a Rússia uma vez - na Guerra Russo-Japonesa (1904-1905). A sua missão era simples mas fulcral: descobrir se os japoneses tinham a intenção de cumprir com o Pacto Anti-Komintern e atacar a Rússia. Além disso, Sorge deveria aproveitar a oportunidade para reunir informações sobre as relações entre o Japão e a Alemanha e também sobre a indústria pesada e o exército japoneses.
Sorge, com uma brilhante reputação como jornalista do Frankfurter Zeitung, rapidamente tornou-se amigo próximo e confidente do general Eugen Ott, que seria o futuro embaixador alemão em Tóquio. Ao mesmo tempo, era amante da mulher do militar. Para a nomeação de Ott como embaixador no Japão a ajuda de Sorge foi fundamental. Com o apoio de sua vasta biblioteca sobre o país, forneceu grande quantidade de informação a Ott, auxiliando-o também nas análise do material.
Hedonista, amante de mulheres e bebidas fortes, Sorge passava despercebido aos serviços de contra-espionagem japoneses, não deixando perceber que, por sob a aparência do herói de guerra alemão, estaria um eficiente espião soviético. Recluso no Japão, após recusar-se a regressar à Alemanha - cumprindo ordens de Estaline -, em 1937 Sorge passa informações da maior importância a Moscovo, tais como a data do início da Operação Barbarossa - desacreditada por Estaline - e, principalmente, a de que o Japão não atacaria a URSS, o que permitiu o reposicionamento dos exércitos russos que se encontravam na fronteira com o Japão para oeste, o que possibilitou deter, em Estalingrado, a operação alemã de invasão da URSS.
Ozaki Hozumi, um jornalista japonês do Asahi Shimbun que trabalhava para Sorge, foi preso no dia 14 de outubro de 1941. Interrogado, acabou entregando Sorge, que foi preso a 18 de outubro de 1941, em Tóquio, e posteriormente encarcerado na prisão de Sugamo. Inicialmente, os japoneses pensaram que, devido à sua condição de membro do Partido Nazi e pelos seus laços com a Alemanha, Sorge fosse um  agente da Abwehr, o que a Abwehr negou. Mesmo sob tortura, Sorge negou os seus vínculos com os soviéticos.
No dia 7 de novembro de 1944 - ironicamente o dia da revolução de outubro, o feriado mais importante na URSS - ambos os prisioneiros são enforcados. Os japoneses chegaram a fazer três ofertas de negociação aos soviéticos, oferecendo a troca de Sorge por um dos seus espiões. Contudo, os soviéticos recusaram-se a negociar, alegando que Sorge lhes era desconhecido, muito provavelmente devido ao receio de Estaline de que se soubesse que havia ignorado os avisos de Sorge sobre a Operação Barbarossa. Assim, a contribuição de Richard Sorge permaneceu ignorada durante duas décadas, até que, em 1964, recebeu, postumamente, o título de Herói da União Soviética, sendo erguidos monumentos em sua homenagem em Baku e no centro de Moscovo.
Encontra-se sepultado no Cemitério de Tama, em Fuchū (Tóquio).
    
Selo postal soviético de homenagem a Richard Sorge
   

sexta-feira, outubro 02, 2026

A Insurreição de Varsóvia terminou há 82 anos...

Vítimas de massacres conduzidos por tropas do Eixo
     
A Revolta, Levantamento ou Insurreição de Varsóvia (em polaco Powstanie warszawskie) foi uma luta armada durante a II Guerra Mundial na qual o Armia Krajowa (Exército Clandestino Polaco) tentou libertar Varsóvia do controle da Alemanha nazi.
Teve início a 1 de agosto de 1944, às 17.00 horas, como parte de uma revolta nacional, a "Operação Tempestade", e deveria durar apenas alguns dias, até que o Exército Soviético chegasse à cidade. O avanço soviético no entanto foi interrompido, mas a resistência polaca continuou por 63 dias, até à sua rendição às forças alemãs, em 2 de outubro.
A ofensiva começou quando o Exército Soviético se aproximou de Varsóvia. Os principais objetivos dos polacos eram manter os alemães ocupados e ajudar nos esforços de guerra contra a Alemanha e as Forças do Eixo. Entre os objetivos políticos secundários estava a libertação da cidade antes da chegada dos soviéticos, conquistando assim o seu direito de soberania e desfazendo a divisão da Europa Central em esferas de influência sob os poderes aliados. Os insurgentes esperavam reinstalar as autoridades do seu país antes que o Polski Komitet Wyzwolenia Narodowego (Comité de Libertação Nacional Soviético Polaco) assumisse o controle.
Inicialmente os polacos isolaram áreas substanciais da cidade, mas os soviéticos não se aproximaram das suas cercanias até meados de setembro. No seu interior, uma luta aguerrida entre alemães e polacos continuava. Em 16 de setembro, as forças soviéticas conquistaram território a poucos metros das posições polacas nas margens do Rio Vístula, não avançando mais, durante o restante da duração da Revolta. Isso levou a acusações de que o líder soviético Estaline esperava pelo fracasso da insurreição para que pudesse assim ocupar a Polónia de forma incontestável.
Embora o número exato de baixas permaneça desconhecido, estima-se que aproximadamente 16.000 integrantes da resistência polaca foram mortos e 6.000 gravemente feridos. Entre 150.000 e 200.000 civis morreram, a maioria vítima de massacres conduzidos por tropas do Eixo. As perdas alemãs totalizaram aproximadamente 16.000 soldados mortos e 9.000 feridos. Durante o combate urbano, perto de 25% dos prédios de Varsóvia foram destruídos. Após a rendição das forças polacas, as tropas alemãs destruíram sistematicamente, quarteirão a quarteirão, 35% da cidade. Juntamente com os danos provocados pela Invasão da Polónia, em 1939, e o Levantamento do Gueto de Varsóvia, em 1943, mais de 85% da cidade estava destruída em 1945, quando os soviéticos finalmente ultrapassaram as suas fronteiras.

terça-feira, setembro 29, 2026

O massacre nazi de Babi Yar foi há 85 anos...

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/1d/Babi_Jar_ravijn.jpg?utm_source=en.wikipedia.org&utm_campaign=imageinfo&utm_content=thumbnail_unscaled

Ravina de Babi Yar, em Kiev
        
Babi Yar é uma ravina existente em Kiev, a capital da Ucrânia, que ficou conhecida na história como local de um dos maiores massacres de judeus e civis da então União Soviética pelos nazis, durante a II Guerra Mundial.
Em 29 e 30 de setembro de 1941, 92.771 civis ucranianos judeus foram levados a Babi Yar e assassinados coletivamente, num dos maiores massacres de massa da história. Nos meses que seguiram, milhares de outros judeus e não-judeus russos foram capturados, trazidos à ravina e fuzilados, num total de cerca de 100.000 mortos.
   
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/2b/Big-babijar14.jpg?utm_source=en.wikipedia.org&utm_campaign=imageinfo&utm_content=thumbnail_unscaled
   
História
A ravina de Babi Yar é mencionada por registos históricos desde 1401 e através dos tempos sua área foi usada para diferentes propósitos, incluindo campos militares e cemitérios, um dos quais judeu, foi fechado em 1937. Após a invasão da URSS pelas tropas nazis, em junho de 1941, a cidade de Kiev acabou por cair nas mãos dos alemães, depois de 45 dias de batalha, em 19 de setembro. Poucos dias após a ocupação, as execuções começaram, com o fuzilamento de 700 pacientes de um hospital psiquiátrico da cidade.
Em 28 de setembro, um aviso foi afixado pelos postes e muros de Kiev, dirigido aos judeus:

“ Ordena-se a todos os judeus residentes de Kiev e suas vizinhanças que compareçam à esquina das ruas Melnyk e Dokterivsky, às 8 horas da manhã de segunda-feira, 29 de setembro de 1941 trazendo documentos, dinheiro, roupa interior, etc. Aqueles que não comparecerem serão fuzilados. Aqueles que entrarem nas casas evacuadas por judeus e roubarem pertences destas casas serão fuzilados. ”
   
Os judeus levados à ravina esperavam ser embarcados em comboios. A multidão de homens, mulheres e crianças era grande o bastante para que ninguém tomasse conhecimento do que estava para acontecer a não ser tarde demais. Todos passavam por um corredor de soldados gritando, em grupos de dez, e de seguida fuzilados; ao escutarem o barulho das metralhadoras do grupo logo à frente, já não tinham como escapar.
O massacre foi realizado em dois dias, a cargo da unidade C do Einsatzgruppen, o esquadrão da morte das SS, apoiados por membros de um batalhão das Waffen-SS; unidades da polícia ucraniana também foram usadas para agrupar e conduzir os judeus até ao local de fuzilamento, o que provocaria uma grande discussão na Ucrânia após a guerra.
Além deste massacre, Babi Yar foi alvo de milhares de outras execuções durante os dois anos de ocupação nazi de Kiev. O número total de mortos na ravina não é exato, mas o número mais aceite, cerca de 100 mil, foi fornecido pelo cálculo de moradores, obrigados a enterrar os corpos. Tempos depois, o campo de concentração de Syrets foi erguido no local e nele internados prisioneiros de guerra russos, civis comunistas e combatentes da resistência, que ali eram executados.
Quando os nazis se retiraram de Kiev, fizeram tentativas de esconder os sinais das atrocidades cometidas durante os anos de ocupação. Entre agosto e setembro de 1943, o campo de Syrets foi parcialmente demolido e diversos corpos exumados e queimados, com as cinzas espalhadas pelas áreas vizinhas. Na noite de 29 de setembro de 1943, quando o campo estava a ser desmantelado, houve uma revolta entre os prisioneiros e quinze deles conseguiram escapar; após retomar o controle da situação, os alemães fuzilaram os 311 sobreviventes.
  
Selo ucraniano, recordando os 70 anos do Massacre de Babi Yar
      
Memória
Quando o Exército Vermelho retomou o controle de Kiev, em novembro de 1943, o campo foi transformado num local de internamento de prisioneiros alemães e utilizado até 1946, quando foi totalmente demolido. Nos anos 50 e 60, a área tornou-se um grande parque e um complexo de apartamentos.
O governo soviético sempre desencorajou que se desse ênfase ao massacre de judeus em Babi Yar, preferindo oficialmente que a tragédia fosse lembrada como um crime cometido contra todo o povo soviético e a população de Kiev. Diversas tentativas de se erguer um memorial judeu no local dos massacres foram adiadas. Em 1976 foi erguido um memorial em honra de todos os cidadãos soviéticos ali fuzilados, mas apenas em 1991, com o fim da URSS, os judeus puderam finalmente erguer o seu próprio monumento.
Sobre Babi Yar, o escritor e sobrevivente do Holocausto Elie Wiesel escreveu:
   
“

As testemunhas oculares disseram que, meses após as mortes, o solo de Babi Yar continuava a esguichar geyseres de sangue.

 

”
   https://thumb.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/3/34/Babi_Yar-06-194.jpg/960px-Babi_Yar-06-194.jpg?utm_source=pt.wikipedia.org&utm_campaign=imageinfo&utm_content=thumbnail
Prisioneiros de guerra soviéticos sendo usados pelos nazis para cobrir uma vala comum após o massacre de Babi Yar, 1 de outubro de 1941
 

O desastre de Kyshtym foi há 69 anos...

Área contaminada pelo desastre de Kyshtym

O desastre de Kyshtym foi um acidente de contaminação radioativa que ocorreu a 29 de setembro de 1957, em Mayak, com plutónio, no local de produção de armas nucleares e fábrica de reprocessamento de combustível nuclear da União Soviética. É medido como um nível 6 de desastres na Escala Internacional de Eventos Nucleares (INES), tornando-se o terceiro mais grave acidente nuclear da história, apenas atrás do desastre nuclear de Fukushima Daiichi e do desastre de Chernobyl (ambos de nível 7 no INES). O evento ocorreu na cidade de Ozyorsk, no oblast de Chelyabinsk, uma cidade fechada, construída em torno da fábrica Mayak. Como Ozyorsk/Mayak (também conhecido como Chelyabinsk-40 e Chelyabinsk-65) não está nos mapas, o desastre foi chamado depois de Kyshtym, o local mais próximo conhecido da cidade.
  
https://thumb.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/b/bd/Ecodefense_Mayak_Exhibition_17_Kyshtym_Memorial.jpg/500px-Ecodefense_Mayak_Exhibition_17_Kyshtym_Memorial.jpg?utm_source=pt.wikipedia.org&utm_campaign=imageinfo&utm_content=thumbnail
Memorial de Kyshtym 
  
Por causa do sigilo em torno de Mayak, as populações das áreas afetadas não foram inicialmente informados do acidente. Uma semana mais tarde (a 6 de outubro), uma operação foi realizada para evacuar 10.000 pessoas da área afetada, ainda sem dar uma explicação das razões da evacuação.
Relatos vagos de um "acidente catastrófico" causando "precipitação radioativa sobre a URSS e muitos estados vizinhos" começaram a aparecer na imprensa ocidental entre 13 e 14 de abril de 1958 e os primeiros detalhes surgiram no jornal vienense Die Presse, em 17 de março de 1959. Mas foi apenas em 1976 que Zhores Medvedev fez com que a natureza e a extensão do desastre fossem conhecidas pelo mundo. Na ausência de informações verificáveis, foram dados valores exagerados da catástrofe.  As pessoas ficaram histéricas com medo de doenças "misteriosas". As vítimas foram vistas com a pele de seus rostos, mãos e outras partes expostas de seus corpos "escamando". A descrição de Medvedev do desastre no New Scientist foi inicialmente ridicularizada por fontes da indústria nuclear ocidental, mas o núcleo da sua história foi logo confirmado pelo professor Leo Tumerman, ex-chefe do Instituto de Biologia Molecular, em Moscovo.
O verdadeiro número de mortos permanece incerto, devido ao facto de que o cancro induzido por radiação ser clinicamente indistinguível de qualquer outro cancro, e a sua taxa de incidência só pode ser medido por meio de estudos epidemiológicos. Um livro afirma que "em 1992, um estudo realizado pelo Instituto de Biofísica do antigo Ministério da Saúde Soviético em Chelyabinsk descobriu que 8.015 pessoas morreram nos últimos 32 anos, como resultado do acidente." Por outro lado, apenas 6.000 atestados de óbito foram encontrados por residentes do rio Techa entre 1950 e 1982 de todas as causas de morte, embora talvez o estudo soviético considerasse uma área geográfica maior afetada pela pluma aerotransportada. A estimativa mais citada é de 200 mortes por cancro, mas a origem desse número não está clara. Estudos epidemiológicos mais recentes sugerem que cerca de 49 a 55 mortes por cancro entre residentes ribeirinhos podem ser associadas à exposição à radiação. Isso incluiria os efeitos de todas as libertações radioativas no rio, 98% das quais ocorreram muito antes do acidente de 1957, mas não incluiria os efeitos da pluma transportada pelo ar, que foi levada para o nordeste. A área mais próxima do acidente produziu 66 casos diagnosticados de síndrome de radiação crónica, fornecendo a maior parte dos dados sobre esta condição.
Para reduzir a disseminação de contaminação radioativa após o acidente, o solo contaminado foi escavado e armazenados em áreas fechadas, que eram chamados de "cemitérios de terra". O governo soviético, em 1968, disfarçou o evento, criando a Reserva Natural Ural Oriental, que proibiu qualquer acesso não autorizado à área afetada.

sexta-feira, setembro 25, 2026

Shostakovich nasceu há cento e vinte anos

    
Dmitri Dmitriyevich Shostakovich (São Petersburgo, 25 de setembro de 1906 – Moscovo, 9 de agosto de 1975) foi um compositor russo e um dos mais célebres compositores do século XX. 
Shostakovich ganhou fama na União Soviética graças ao mecenato de Mikhail Tukhachevsky, chefe de pessoal de Leon Trotsky, tendo mais tarde uma complexa e difícil relação com a burocracia estalinista. A sua música foi oficialmente denunciada duas vezes, em 1936 e 1948, e foi periodicamente banida. Não obstante, recebeu alguns prémios e condecorações estatais e serviu no Soviete Supremo da União Soviética. Apesar das controvérsias oficiais, os seus trabalhos eram populares e bem recebidos pelo público.
Após um período influenciado por Sergei Prokofiev e Igor Stravinsky, Shostakovich desenvolveu um estilo híbrido, como exemplificado pela sua ópera Lady Macbeth do Distrito de Mtsensk (1934). Esta obra individual justapôs uma variedade de tendências, incluindo o estilo neoclássico (mostrando a influência de Igor Stravinsky) e o estilo pós-romântico (após Gustav Mahler).
Os trabalhos orquestrais de Shostakovitch incluem quinze sinfonias e seis concertos. A sua música de câmara inclui quinze quartetos para cordas, um quinteto para piano, duas peças para um octeto de cordas e dois trios para piano. Para piano, ele compôs duas sonatas a solo, um primeiro conjunto de prelúdios e um outro conjunto mais tardio de prelúdios e fugas. Outros trabalhos incluem duas óperas e uma quantidade substancial de música para filmes.
     
   

sexta-feira, setembro 18, 2026

Estaline desistiu de conquistar toda a Finlândia há oitenta e dois anos...

https://thumb.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/2/28/Finnish_areas_ceded_in_1944.png/500px-Finnish_areas_ceded_in_1944.png?utm_source=en.wikipedia.org&utm_campaign=imageinfo&utm_content=thumbnail
The areas ceded by Finland to the Soviet Union after the Continuation War - Porkkala was returned to Finland in 1956
    
The Moscow Armistice was signed between Finland on one side and the Soviet Union and United Kingdom on the other side on September 19, 1944, ending the Continuation War. The Armistice restored the Moscow Peace Treaty of 1940, with a number of modifications.
The final peace treaty between Finland and many of the Allies was signed in Paris in 1947.
   
Conditions for peace
The conditions for peace were similar to what had been agreed in the Moscow Peace Treaty of 1940: Finland was obliged to cede parts of Karelia and Salla, as well as certain islands in the Gulf of Finland. The new armistice also handed all of Petsamo to the Soviet Union, and Finland was further compelled to lease Porkkala to the Soviet Union for a period of fifty years (the area was returned to Finnish control in 1956).
Harsher conditions included Finnish payment of $300,000,000 ($4 billion in today's dollars) in the form of various commodities over six years to the Soviet Union as war reparations. Finland also agreed to legalise the Communist Party of Finland (after it had made some changes to the party rules) and ban the ones that the Soviet Union considered as fascist. Further, the individuals that the Soviets considered responsible for the war had to be arrested and put on trial, the most known case being the one of Risto Ryti. The armistice compelled Finland to drive German troops from its territory, leading to the Lapland War 1944–45.