sábado, agosto 01, 2026
Hintze Ribeiro morreu há 119 anos...
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sábado, julho 25, 2026
A Batalha da Salga foi há 445 anos...
Monumento em memória da batalha, na baía da Salga, Terceira
A Batalha da Salga foi um recontro travado a 25 de julho de 1581 na baía da Salga, em São Sebastião, na jurisdição do extinto concelho da vila de São Sebastião, Terceira, Açores, entre uma força de desembarque espanhola e as forças portuguesas que, em nome de D. António I, defendiam a ilha, em oposição à união pessoal com Espanha, no contexto da crise de sucessão de 1580.
(...)
Escapariam a nado pouco mais de 50 soldados, e o mar desde a costa até a bordo da armada estava tinto de sangue, oferecendo uma horrorosa perspetiva a toda a gente nobre e de entendimento que se puderam dar vida a todos depois de vencidos o fizeram; mas não podiam com a muita gente do povo.
Morreram de terra somente 17 homens; houve muitos feridos e queimados. Alguns elevam o número dos mortos a pouco menos de 30 (Antonio de Herrera é desta opinião). E suposto Herrera dizer que dos castelhanos morreram 400 somente, este número não é exato, pelo que temos visto em diferentes relações, que, dando o desembarque de mil homens para cima, dizem que só destes escapariam a nado 50, ou pouco mais.
Por meio desta vitória, não só os portugueses recobraram a artilharia que os castelhanos lhes tinham tomado ao entrar da ilha, mas também a que trouxeram, riquíssimas armas com que vinham, bandeiras e caixas, e em fim tudo o que tinham roubado na terra.
Postado por Fernando Martins às 04:45 0 comentários
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quinta-feira, julho 09, 2026
O último terramoto nos Açores com vítimas mortais foi há 28 anos...

NOTA: estava a dar a minha primeira formação (e, na altura, era mais novo que todos os meus formandos...) quando se deu este sismo'. Curiosamente vou estar na ilha do Faial, a dar nova formação...
quarta-feira, julho 08, 2026
Manuel de Arriaga nasceu há 186 anos
Manuel José de Arriaga Brum da Silveira e Peyrelongue (Horta, Matriz, 8 de julho de 1840 - Lisboa, Santos-o-Velho, 5 de março de 1917) foi um advogado, professor, escritor e político português. Grande orador e membro destacado da geração doutrinária do republicanismo português, foi dirigente e um dos principais ideólogos do Partido Republicano Português. A 24 de agosto de 1911 tornou-se no primeiro presidente eleito da República Portuguesa, sucedendo na chefia do Estado ao Governo Provisório presidido por Teófilo Braga. Exerceu aquelas funções até 29 de maio de 1915, data em que foi obrigado a demitir-se, sendo substituído no cargo pelo mesmo Teófilo Braga, que, como substituto, completou o tempo restante do mandato.
Postado por Fernando Martins às 18:06 0 comentários
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quinta-feira, junho 18, 2026
António Feliciano de Castilho morreu há 151 anos...
(Cantilena)
Já tenho treze anos,
que os fiz por Janeiro:
Madrinha, casai-me
com Pedro Gaiteiro.
Já sou mulherzinha,
já trago sombreiro,
já bailo ao Domingo
com as mais no terreiro.
Já não sou Anita,
como era primeiro;
sou a Senhora Ana,
que mora no outeiro.
Nos serões já canto,
nas feiras já feiro,
já não me dá beijos
qualquer passageiro.
Quando levo as patas,
e as deito ao ribeiro,
olho tudo à roda,
de cima do outeiro.
E só se não vejo
ninguém pelo arneiro,
me banho co’as patas
Ao pé do salgueiro.
Miro-me nas águas,
rostinho trigueiro,
que mata de amores
a muito vaqueiro.
Miro-me, olhos pretos
e um riso fagueiro,
que diz a cantiga
que são cativeiro.
Em tudo, madrinha,
já por derradeiro
me vejo mui outra
da que era primeiro.
O meu gibão largo,
de arminho e cordeiro,
já o dei à neta
do Brás cabaneiro,
dizendo-lhe: «Toma
gibão, domingueiro,
de ilhoses de prata,
de arminho e cordeiro.
A mim já me aperta,
e a ti te é laceiro;
tu brincas co’as outras
e eu danço em terreiro».
Já sou mulherzinha,
já trago sombreiro,
já tenho treze anos,
que os fiz por Janeiro.
Já não sou Anita,
sou a Ana do outeiro;
Madrinha, casai-me
com Pedro Gaiteiro.
Não quero o sargento,
que é muito guerreiro,
de barbas mui feras
e olhar sobranceiro.
O mineiro é velho,
não quero o mineiro:
Mais valem treze anos
que todo o dinheiro.
Tão-pouco me agrado
do pobre moleiro,
que vive na azenha
como um prisioneiro.
Marido pretendo
de humor galhofeiro,
que viva por festas,
que brilhe em terreiro.
Que em ele assomando
co’o tamborileiro,
logo se alvorote
o lugar inteiro.
Que todos acorram
por vê-lo primeiro,
e todas perguntem
se ainda é solteiro.
E eu sempre com ele,
romeira e romeiro,
vivendo de bodas,
bailando ao pandeiro.
Ai, vida de gostos!
Ai, céu verdadeiro!
Ai, Páscoa florida,
que dura ano inteiro!
Da parte, madrinha,
de Deus vos requeiro:
Casai-me hoje mesmo
com Pedro Gaiteiro.
António Feliciano de Castilho
Postado por Fernando Martins às 01:51 0 comentários
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sexta-feira, junho 12, 2026
Roberto Ivens nasceu há 176 anos...
Roberto Ivens nasceu a 12 de junho de 1850, na freguesia de São Pedro, Ponta Delgada, filho de Margarida Júlia de Medeiros Castelo Branco, de apenas 18 anos de idade, oriunda de uma família de modestos recursos, e de Robert Breakspeare Ivens, de 30 anos, filho do abastado comerciante inglês William Ivens, residente em Ponta Delgada desde 1800. Robert Breakspeare Ivens era bisneto materno do famoso Thomas Hickling, vice-cônsul americano em Ponta Delgada.
Não sendo os pais casados, e dadas as diferenças sociais e convenções da época, fruto de amores furtivos e proibidos (mas tolerados), o nascimento deu-se numa casa arrendada, onde o pai havia instalado a amante, que, entretanto, fora amaldiçoada, deserdada e expulsa de casa pelo pai. A instâncias da mãe, o recém-nascido foi batizado às escondidas como filho de pai incógnito, na igreja da Fajã de Cima, arredores da cidade. Entregue à parteira do lugar, Ana de Jesus, foi por esta levado à igreja sendo batizada pelo cura, tendo como padrinho o irmão do vigário.
A criança foi entretanto criada na companhia da mãe e da tia, Ana Matilde. Com o aparecimento de uma nova gravidez, Roberto Breakspeare Ivens providencia uma empregada e uma casa na Rua Nova do Passal, Ponta Delgada. Por influência do Dr. Paulo de Medeiros, reconhece a paternidade sobre o pequeno Roberto, mesmo antes do nascimento do segundo filho, Duarte Ivens. Com apenas três anos de idade perde a mãe vítima da tuberculose.
Permanecendo em Ponta Delgada, beneficiando do estatuto social que o reconhecimento por parte da família Ivens lhe conferiu, frequenta a Escola Primária do Convento da Graça, onde desde logo foi apelidado de "Roberto do Diabo" dadas as travessuras em que se envolvia.
O pai, que entretanto casara, fixou-se em Faro, no Algarve, para onde leva os filhos em agosto de 1858.
Em 1861 Roberto Ivens é inscrito na Escola da Marinha, em Lisboa, ali fazendo os estudos que o conduziram a uma carreira como oficial de marinha. Foi sempre um estudante inteligente e aplicado, mas igualmente brincalhão. Um dos camaradas de curso confirmaria mais tarde este aspeto do carácter de Roberto Ivens: "Onde havia uma guitarra era chamado o Ivens e onde estava o Ivens era procurada uma guitarra".
Postado por Fernando Martins às 17:06 0 comentários
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segunda-feira, maio 25, 2026
Música para recordar que, aqui, amamos os Açores...
Postado por Pedro Luna às 11:11 0 comentários
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Hoje é o Dia dos Açores - viva o Dia da Pombinha...!
O Dia dos Açores foi instituído pelo parlamento açoriano em 1980, destinado a comemorar a açorianidade e a autonomia do arquipélago. É a maior celebração religiosa e cívica dos Açores.
A escolha da Segunda-Feira do Espírito Santo (também conhecida por Dia do Bodo ou Dia da Pombinha), isto é a segunda-feira imediatamente após a festa religiosa do Pentecostes, alicerça-se no facto da comemoração do Espírito Santo - em que se entrelaçam as mais nobres tradições cristãs com a celebração da Primavera, da vida, da solidariedade e da esperança -, constituir a principal festividade do povo açoriano.
NOTA: como o líder da FLA é um geopedrado, aqui fica a bandeira desse movimento:
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Postado por Fernando Martins às 00:00 0 comentários
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segunda-feira, maio 11, 2026
Sismo forte sentido nas ilhas do Grupo Central dos Açores
O Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA) informa que às 12.21 (hora local), do dia 10 de maio foi registado um evento com magnitude 4,6 (Richter) e epicentro a cerca de 3 km a NW de Santo Antão, ilha de São Jorge.
De acordo com a informação disponível até ao momento, o sismo foi sentido com intensidade máxima V/VI (Escala de Mercalli Modificada) em Santo Antão e Topo (concelho de Calheta), na ilha de S. Jorge. Ainda nesta ilha, foi sentido com intensidade V nas freguesias de Ribeira Seca, Calheta, Norte Pequeno (concelho de Calheta), Norte Grande, Manadas, Urzelina, Santo Amaro e Velas (concelho de Velas). Na freguesia de Rosais foi sentido com intensidade IV.
Na ilha do Pico, o sismo foi sentido com intensidade IV/V nas freguesias de Piedade, Calheta de Nesquim, Ribeirinha, Ribeiras (concelho de Lajes do Pico) e Santo Amaro (concelho de São Roque do Pico). Na restante ilha do Pico foi sentido com intensidade IV.
Nas restantes ilhas do grupo central, o sismo foi sentido com intensidade IV na ilha Terceira e Graciosa, e intensidade III na ilha do Faial.
O CIVISA continua a acompanhar o evoluir da situação.
in CIVISA
Postado por Fernando Martins às 11:50 0 comentários
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sábado, abril 25, 2026
Novidades sobre a subida de magma em São Jorge, em 2022
Irrupção silenciosa de magma elevou ilha açoriana 6,35 cm e parou de súbito sob a superfície

Morro Grande, na ilha de São Jorge, nos Açores
Uma série de sismos na ilha de São Jorge, nos Açores, revelou magma acumulado a apenas 1,6 quilómetros de profundidade. Segundo um novo estudo, falhas subterrâneas impediram a erupção. Tratou-se de uma quase-erupção, que nunca chegou a concretizar-se.
Em março de 2022, a pequena ilha açoriana de São Jorge foi subitamente atingida por uma série de sismos, após quase 60 anos sem atividade sísmica significativa.
Os tremores prolongaram-se durante meses, com micro-sismos a persistirem ao longo de dois anos, mas o que se estava a passar nas profundezas do subsolo da ilha açoriana continuava a ser um mistério.
Num novo estudo, uma equipa internacional de investigadores acredita ter clarificado a cadeia de eventos que na altura teve lugar.
O estudo, publicado na quinta-feira na revista Nature Communications, descreve como o magma irrompeu em direção à superfície em apenas dois dias, num volume equivalente a aproximadamente 32.000 piscinas olímpicas.
Ao analisarem dados sísmicos recolhidos em terra e no fundo do mar, juntamente com imagens de satélite, os investigadores concluíram que o magma subiu a partir de mais de 19 km de profundidade, acabando por estancar a cerca de 1,6 km abaixo da superfície.
Resumindo, tratou-se de uma quase-erupção que nunca chegou a concretizar-se, dizem os autores do estudo.
“Esta foi uma intrusão furtiva”, afirmou Stephen Hicks, investigador da University College London e autor principal do estudo, num comunicado publicado no EurekAlert.
“O magma deslocou-se rapidamente através da crosta, mas grande parte do seu percurso foi silenciosa, o que dificultou a previsão sobre se ocorreria ou não uma erupção”, acrescenta o investigador.
Acumulação subterrânea de magma fez a ilha crescer
Quando o magma empurra para cima através das camadas da crosta terrestre, frequentemente provoca erupções vulcânicas. Mas nem sempre. Por vezes, estanca a diversas profundidades, sem conseguir romper a superfície, explica a Discover Magazine.
Foi exatamente o que aconteceu sob São Jorge. Os Açores situam-se ao longo do Rift da Terceira, onde as placas tectónicas euroasiática e africana se afastam lentamente uma da outra, tornando a atividade sísmica relativamente comum.
A própria ilha, com apenas cerca de 56 km de comprimento e e cerca de 6,4 km de largura, tem um historial de sismos poderosos, incluindo um evento de magnitude 7,5 em 1757, um dos maiores sismos registados nos Açores.
Após o início dos sismos de 2022, os investigadores reconstituíram a atividade subterrânea recorrendo a uma combinação de registos sísmicos, medições por GPS e dados de satélite
Estes instrumentos revelaram que o solo se tinha elevado cerca de 6,35 cm - uma evidência forte de que o magma tinha penetrado na crosta superficial. Em escalas temporais longas, este tipo de soerguimento é, na verdade, uma das formas como as ilhas ganham altitude.
Os autores do estudo descobriram ainda que o magma se deslocou ao longo de um importante sistema de falhas que atravessa a ilha, conhecido como a Zona de Falha do Pico do Carvão.
As falhas podem guiar o magma e reduzir a pressão
As falhas e fraturas na crosta terrestre podem funcionar como vias de passagem para o magma ascendente, embora os cientistas continuem a trabalhar para compreender plenamente esta relação. No caso de São Jorge, o sistema de falhas parece ter desempenhado um papel surpreendentemente complexo.
Estudos anteriores já tinham demonstrado que esta zona de falha era capaz de produzir grandes sismos no passado. Durante a crise sísmica de 2022, em vez de um grande sismo, os investigadores observaram numerosos sismos de menor magnitude, agrupados ao longo da falha, desencadeados pelo movimento do magma em profundidade.
Segundo os investigadores, a falha funcionou como uma espécie de guia, facilitando a irrupção do magma. Ao mesmo tempo, poderá ter permitido que gases e fluidos escapassem lateralmente, reduzindo a pressão no interior do magma e impedindo, em última instância, a erupção.
“A falha funcionou simultaneamente como uma autoestrada e como uma fuga“, explica Pablo González, investigador do Conselho Superior de Investigações Científicas de Espanha e o coautor do estudo, no comunicado. “Ajudou o magma a subir, mas pode também ter impedido uma erupção”.
Compreender como o magma se desloca abaixo da superfície é fundamental para interpretar a agitação vulcânica e prever o que poderá acontecer a seguir.
Os Açores são um raro laboratório natural, onde sistemas magmáticos ativos se cruzam com grandes falhas geradoras de sismos, o que facilita o estudo, por parte dos cientistas, da interação em tempo real entre estruturas tectónicas e rocha fundida.
As observações dos eventos de São Jorge sugerem que irrupções maciças de magma podem desenvolver-se rapidamente e sem aviso prévio, mas revelam também de que forma as falhas geológicas influenciam se esse magma atinge a superfície ou fica retido em profundidade.
Ambas as conclusões são cruciais para tornar a atividade vulcânica mais previsível.
“Este estudo apoiou as autoridades locais na avaliação de uma potencial ameaça vulcânica”, explica Ricardo Ramalho, investigador da Universidade de Cardiff e também coautor do estudo, no comunicado.
“O estudo evidencia o valor de combinar dados geofísicos em terra e no mar para uma deteção e localização precisas de eventos sísmicos e de deformação do solo”, conclui o investigador português.
in ZAP
Postado por Fernando Martins às 18:57 0 comentários
Marcadores: Açores, crise sísmica, São Jorge, sismo, Vulcanologia
sábado, abril 18, 2026
Antero de Quental nasceu há cento e oitenta e quatro anos...
Portador de Distúrbio Bipolar, nesse momento o seu estado de depressão era permanente. Após um mês, em junho de 1891, regressou a Ponta Delgada, cometendo suicídio no dia 11 de setembro de 1891, com dois tiros, num banco de jardim junto ao Convento de Nossa Senhora da Esperança, onde está na parede a palavra "Esperança", no Campo de São Francisco, cerca das vinte horas.

Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo
tronco ou ramo na incógnita floresta...
Onda, espumei, quebrando-me na aresta
Do granito, antiquíssimo inimigo...
Rugi, fera talvez, buscando abrigo
Na caverna que ensombra urze e giesta;
O, monstro primitivo, ergui a testa
No limoso paúl, glauco pascigo...
Hoje sou homem, e na sombra enorme
Vejo, a meus pés, a escada multiforme,
Que desce, em espirais, da imensidade...
Interrogo o infinito e às vezes choro...
Mas estendendo as mãos no vácuo, adoro
E aspiro unicamente à liberdade.
Antero de Quental
Postado por Fernando Martins às 18:40 0 comentários
Marcadores: Açores, Antero de Quental, poesia, Ponta Delgada, romantismo, suicídio
terça-feira, abril 14, 2026
José Júlio de Souza Pinto morreu há 87 anos...
José Júlio de Souza Pinto (Angra do Heroísmo, 15 de setembro de 1856 - Pont-Scorff, Bretanha, 14 de abril de 1939) foi um pintor português, ligado à primeira geração naturalista. Foi irmão de António Souza Pinto, também pintor, ativo no Brasil.
Postado por Fernando Martins às 08:07 0 comentários
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quarta-feira, abril 08, 2026
Formação nos Açores em julho de 2026...!
sábado, abril 04, 2026
Mouzinho da Silveira morreu há 177 anos...
Postado por Fernando Martins às 17:07 0 comentários
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quarta-feira, março 18, 2026
Saudades de José Pracana...
Postado por Pedro Luna às 08:00 0 comentários
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José Pracana nasceu há oitenta anos...

José Pracana nasceu em Ponta Delgada, S. Miguel, Açores, a 18 de março de 1946.
A partir de 2007 realizou no Museu do Fado um ciclo consagrado às memórias do Fado e da Guitarra Portuguesa onde presta homenagem ao tributo artístico de Armando Augusto Freire, Alfredo Marceneiro, José António Sabrosa e Carlos Ramos. Foi co-autor do programa da RTP “Trovas Antigas, Saudade Louca”.
José Pracana faleceu em 26 de dezembro de 2016. Em 2019 o Museu do Fado inaugurou uma exposição temporária sobre José Pracana, celebrando a vida e obra de uma das mais multifacetadas personalidades da história do Fado.
Postado por Fernando Martins às 00:08 0 comentários
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segunda-feira, março 16, 2026
Para recordar a poesia de Natália...
Glorifiquei-te no eterno.
Eterno dentro de mim
fora de mim perecível.
Para que desses um sentido
a uma sede indefinível.
Para que desses um nome
à exactidão do instante
do fruto que cai na terra
sempre perpendicular
à humidade onde fica.
E o que acontece durante
na rapidez da descida
é a explicação da vida.
II
Harmonioso vulto que em mim se dilui.
Tu és o poema
e és a origem donde ele flui.
Intuito de ter. Intuito de amor
não compreendido.
Fica assim amor. Fica assim intuito.
Prometido.
III
Príncipe secreto da aventura
em meus olhos um dia começada e finita.
Onda de amargura numa água tranquila.
Flor insegura enlaçada no vento que a suporta.
Pássaro esquivo em meus ombros de aragem
reacendendo em cadência e em passagem
a lua que trazia e que apagou.
IV
Dá-me a tua mão por cima das horas.
Quero-te conciso.
Adão depois do paraíso
errando mais nítido à distância
onde te exalto porque te demoras.
V
Toma o meu corpo transparente
no que ultrapassa tua exigência taciturna
Dou-me arrepiando em tua face
uma aragem nocturna.
Vem contemplar nos meus olhos de vidente
a morte que procuras
nos braços que te possuem para além de ter-te.
Toma-me nesta pureza com ângulos de tragédia.
Fica naquele gosto a sangue
que tem por vezes a boca da inocência.
VI
Aumentámos a vida com palavras
água a correr num fundo tão vazio.
As vidas são histórias aumentadas.
Há que ser rio.
Passámos tanta vez naquela estrada
talvez a curva onde se ilude o mundo.
O amor é ser-se dono e não ter nada.
Mas pede tudo.
VII
Tu pedes-me a noção de ser concreta
num sorriso num gesto no que abstrai
a minha exactidão em estar repleta
do que mais fica quando de mim vai.
Tu pedes-me uma parcela de certeza
um desmentido do meu ser virtual
livre no resultado de pureza
da soma do meu bem e do meu mal.
Deixa-me assim ficar. E tu comigo
sem tempo na viagem de entender
o que persigo quando te persigo.
Deixa-me assim ficar no que consente
a minha alma no gosto de reter-te
essencial. Onde quer que te invente.
VIII
Eis-me sem explicações
crucificada em amor:
a boca o fruto e o sabor.
IX
Pusemos tanto azul nessa distância
ancorada em incerta claridade
e ficamos nas paredes do vento
a escorrer para tudo o que ele invade.
Pusemos tantas flores nas horas breves
que secam folhas nas árvores dos dedos.
E ficámos cingidos nas estátuas
a morder-nos na carne dum segredo.
in Poemas (1955) - Natália Correia
Postado por Pedro Luna às 22:22 0 comentários
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Natália Correia morreu há trinta e três anos...
(imagem daqui)
A defesa do poeta
Senhores juízes sou um poeta
um multipétalo uivo um defeito
e ando com uma camisa de vento
ao contrário do esqueleto.
Sou um vestíbulo do impossível um lápis
de armazenado espanto e por fim
com a paciência dos versos
espero viver dentro de mim.
Sou em código o azul de todos
(curtido couro de cicatrizes)
uma avaria cantante
na maquineta dos felizes.
Senhores banqueiros sois a cidade
o vosso enfarte serei
não há cidade sem o parque
do sono que vos roubei.
Senhores professores que pusestes
a prémio minha rara edição
de raptar-me em crianças que salvo
do incêndio da vossa lição.
Senhores tiranos que do baralho
de em pó volverdes sois os reis
dou um poeta jogo-me aos dados
ganho as paisagens que não vereis.
Senhores heróis até aos dentes
puro exercício de ninguém
minha cobardia é esperar-vos
umas estrofes mais além.
Senhores três quatro cinco e sete
que medo vos pôs em ordem?
que pavor fechou o leque
da vossa diferença enquanto homem?
Senhores juízes que não molhais
a pena na tinta da natureza
não apedrejeis meu pássaro
sem que ele cante minha defesa.
Sou um instantâneo das coisas
apanhadas em delito de paixão
a raiz quadrada da flor
que espalmais em apertos de mão.
Sou uma impudência a mesa posta
de um verso onde o possa escrever.
Ó subalimentados do sonho!
A poesia é para comer.
Natália Correia
Postado por Fernando Martins às 00:33 0 comentários
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