O Curso de Geologia de 85/90 da Universidade de Coimbra escolheu o nome de Geopedrados quando participou na Queima das Fitas.
Ficou a designação, ficaram muitas pessoas com e sobre a capa intemporal deste nome, agora com oportunidade de partilhar as suas ideias, informações e materiais sobre Geologia, Paleontologia, Mineralogia, Vulcanologia/Sismologia, Ambiente, Energia, Biologia, Astronomia, Ensino, Fotografia, Humor, Música, Cultura, Coimbra e AAC, para fins de ensino e educação.
Antônio Gonçalves Dias nasceu em 10 de agosto de 1823, no sítio Boa Vista, em terras de Jatobá (a 14 léguas de Caxias). Morreu aos 41 anos em um naufrágio do navio Ville Bologna, próximo do baixo de Atins, na baía de Cumã, município de Guimarães. Advogado de formação, é mais conhecido como poeta e etnógrafo, sendo relevante também para o teatro brasileiro, tendo escrito quatro peças. Teve também atuação importante como jornalista.
Era filho de uma união não oficializada entre um comerciante português com uma mestiça,
e estudou inicialmente por um ano com o professor José Joaquim de
Abreu, quando começou a trabalhar como caixeiro e a tratar da
escrituração da loja de seu pai, que veio a falecer em 1837.
Iniciou os seus estudos de latim, francês e filosofia em 1835 quando foi matriculado numa escola particular.
Foi estudar na Europa, em Portugal, onde, em 1838 terminou os estudos secundários e ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (1840), retornando em 1845, após bacharelar-se. Mas antes de retornar, ainda em Coimbra, participou dos grupos medievalistas da Gazeta Literária e de O Trovador, compartilhando das ideias românticas de Almeida Garrett, Alexandre Herculano e António Feliciano de Castilho. Por se achar tanto tempo fora de sua pátria inspira-se para escrever a Canção do Exílio
e parte dos poemas de "Primeiros cantos" e "Segundos cantos"; o drama
Patkull; e "Beatriz de Cenci", depois rejeitado por sua condição de
texto "imoral" pelo Conservatório Dramático do Brasil. Foi ainda neste
período que escreveu fragmentos do romance biográfico "Memórias de
Agapito Goiaba", destruído depois pelo próprio poeta, por conter alusões
a pessoas ainda vivas.
No ano seguinte ao seu retorno conheceu aquela que seria a sua grande
musa inspiradora: Ana Amélia Ferreira Vale. Várias de suas peças
românticas, inclusive “Ainda uma vez — Adeus”
foram escritas para ela. Nesse mesmo ano ele viajou para o Rio de
Janeiro, então capital do Brasil, onde trabalhou como professor de História e Latim do Colégio Pedro II,
além de ter atuado como jornalista, contribuindo para diversos
periódicos: Jornal do Commercio, Gazeta Oficial, Correio da Tarde e
Sentinela da Monarquia, publicando crónicas, folhetins teatrais e
crítica literária.
Gonçalves Dias pediu Ana Amélia em casamento em 1852,
mas a família dela, em virtude da ascendência mestiça do escritor,
refutou veementemente o pedido. No mesmo ano retornou ao Rio de Janeiro,
onde casou-se com Olímpia da Costa. Logo depois foi nomeado oficial da
Secretaria dos Negócios Estrangeiros. Passou os quatro anos seguintes
na Europa realizando pesquisas em prol da educação nacional. Voltando
ao Brasil foi convidado a participar da Comissão Científica de
Exploração, pela qual viajou por quase todo o norte do país.
Voltou à Europa em 1862 para um tratamento de saúde. Não obtendo resultados retornou ao Brasil, em 1864, no navio Ville de Boulogne,
que naufragou na costa brasileira; salvaram-se todos, exceto o poeta,
que foi esquecido, agonizando no seu leito, e afogou-se. O acidente
ocorreu nos Baixos de Atins, perto de Tutóia, no Maranhão.
A sua obra enquadra-se no romantismo,
pois, à semelhança do que fizeram os seus correlegionários europeus,
procurou formar um sentimento nacionalista ao incorporar assuntos, povos
e paisagens brasileiras na literatura nacional. Ao lado de José de
Alencar, desenvolveu o indianismo. Pela sua importância na história da literatura brasileira, podemos dizer que Gonçalves Dias incorporou uma ideia de Brasil na literatura nacional.
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar - sozinho, à noite -
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu´inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Publicou a sua obra muitas vezes marcada pela vivência tropical
africana em Moçambique. Integrou o grupo de intelectuais locais.
Conviveu com muitos dos artistas, críticos literários e outros da capital
moçambicana, como Eugénio Lisboa, Carlos Adrião Rodrigues, Craveirinha,
António Quadros (pintor), etc. Como fotógrafo publicou um livro sobre a
Ilha de Moçambique (A Ilha de Próspero, 1972). Com António Quadros (pintor) fundou Os Cadernos de Caliban. Deixou Moçambique em 1975. A nacionalidade portuguesa não impediu que a sua alma fosse assumidamente africana.
Mas a sua desilusão pelos acontecimentos políticos estão expressos na
sua poesia publicada após a saída da sua terra. Tem colaboração
dispersa por vários jornais e revistas e publicou alguns livros.
Desempenhou funções de adido cultural na Embaixada Portuguesa em Londres.
Velho Colono
Sentado no banco cinzento
entre as alamedas sombreadas do parque.
Ali sentado só, àquela hora da tardinha,
ele e o tempo. O passado certamente,
que o futuro causa arrepios de inquietação.
Pois se tem o ar de ser já tão curto,
o futuro. Sós, ele e o passado,
os dois ali sentados no banco de cimento.
Há pássaros chilreando no arvoredo,
certamente. E, nas sombras mais densas
e frescas, namorados que se beijam
e se acariciam febrilmente. E crianças
rolando na relva e rindo tontamente.
Em redor há todo o mundo e a vida.
Ali está ele, ele e o passado,
sentados os dois no banco de frio cimento.
Ele a sombra e a névoa do olhar.
Ele, a bronquite e o latejar cansado
das artérias. Em volta os beijos húmidos,
as frescas gargalhadas, tintas de Outono
próximo na folhagem e o tempo.
O tempo que cada qual, a seu modo,
vai aproveitando.
NASA estava “completamente errada” sobre o asteroide Bennu
Em 2020, a NASA enviou uma nave para recolher amostras da
superfície do asteroide Bennu. Ao aterrar, causou uma explosão e abriu
uma cratera de 8 metros de largura.
Um cientista da NASA observou que “as partículas que compõem o exterior
do Bennu são tão soltas, que agem mais como um fluido do que como um
sólido”.
A NASA surpreendeu-se a ela própria quando aterrou uma nave espacial no
asteroide Bennu em 2020 e causou uma explosão que criou uma enorme
cratera no corpo rochoso — mas a experiência de aprendizagem pode ajudar a salvar a Terra, se um asteroide alguma vez ameaçar aniquilar-nos.
Em 2016, a NASA lançou a nave espacial OSIRIS-REx para dar uma vista
de olhos ao asteroide Bennu. Dois anos depois, a nave chegou ao seu
destino e começou a vigiar Bennu, a cerca de 6 quilómetros acima da sua
superfície.
Em 2020, a NASA levou a missão um passo mais longe, enviando a OSIRIS-REx à superfície do asteroide para recolher uma amostra — algo que nenhuma nave espacial da NASA tinha feito antes, segundo a Big Think.
Para essa parte da missão, o OSIRIS-REx aterrou na superfície do
asteroide e mandou um sopro de gás. Em seguida, captou um pouco do
material deslocado pelo gás antes de disparar os seus propulsores para
se afastar de Bennu.
O plano funcionou, mas nas simulações do asteroide feitas pela NASA, o
processo deveria ter deixado o mais pequeno desnível na superfície. A
missão real criou uma explosão de destroços e uma cratera de 8 metros de largura no local de aterragem.
“Esperávamos que a superfície fosse bastante rígida”, contou Dante Lauretta, investigador principal do OSIRIS-REx, ao Space.com.
“Vimos uma parede gigante de detritos a voar para longe do local da amostra. Para os operadores de naves espaciais, foi realmente assustador“, acrescentou Lauretta.
Com base nos dados da missão e de uma análise do local de aterragem,
os investigadores determinaram que a superfície do asteroide Bennu está
tão solta, que o OSIRIS-REx teria continuado a afundar-se nele se não
tivesse disparado os seus propulsores dentro do prazo previsto.
A NASA descreve o asteroide como sendo semelhante às piscinas de
bolas em que as crianças brincam — coloca-se qualquer tensão nas rochas e
pedaços de pó na superfície de Bennu, e elas deslizam facilmente umas
para as outras.
“As nossas expectativas sobre a superfície do asteroide estavam completamente erradas”, sublinhou o investigador principal da missão.
“Acontece que as partículas que compõem o exterior do Bennu são tão
soltas, que agem mais como um fluido do que como um sólido”, concluiu
Lauretta.
Os investigadores utilizaram agora os dados da missão OSIRIS-REx para
recalcular as propriedades de Bennu, detalhando o que aprenderam em
dois estudos, publicados em julho na revista Science e na Science Advances.
Esta experiência pode ajudar os cientistas a interpretar com precisão
dados remotos sobre outros asteroides - algo extremamente importante se
alguma vez nos virmos confrontados com um impacto de asteroides e
precisarmos de lançar uma missão para desviar ou destruir a ameaçadora rocha espacial.
Ator, bailarino, cantor, coreógrafo, nasceu em Nova York, e
tornou-se um dos mais famosos sapateadores de todos os tempos, bem
como uma premiada estrela do palco e tela. Ele começou a se apresentar
como um membro do grupo de dança "Hines, Hines e papá", com o seu pai e
irmão. Ele apareceu pela primeira vez nos palcos da Broadway com a
idade de oito anos, atuando como engraxador na comédia musical "The
Girl in Pink Tights", de março a junho de 1954. Ele recebeu a sua
primeira nomeação para o Tony (Melhor destaque num musical) em 1979,
pelo seu papel na Broadway na revista musical "Eubie!". Ele ganhou o Theatre World Award
de 1979 com o mesmo desempenho. Ele protagonizou os três musicais,
"Uptown Comin '" (1979-80), "Sophisticated Ladies" (1981-83), e
"Jelly's Last Jam" (1992-93). Ele foi nomeado para o Melhor Ator no
Musical Tony Award para os três papéis, e ganhou em 1992, pela sua
performance como Jelly Roll Morton
em "Jelly's Last Jam". Também ganhou o Drama Desk Award de Melhor
Ator em um Musical para este desempenho, e foi nomeado para o Tony e o
Drama Desk Awards por sua coreografia para este show. Os seus
créditos no cinema inclui papéis em "História do Mundo: Parte 1",
"White Nights", "Toque", "Renaissance Man", "Waiting to Exhale" e "The
Preacher's Wife". Na televisão incluídos os filmes "TV Eubie!" e "The
Kid Cherokee"; papéis do convidado em shows como "Faerie Tale
Theatre", "Amazing Stories", e "Law & Order" e papéis recorrentes
em "The Gregory Hines Show", "Little Bill", "Will & Grace " e "
Lost at Home ". Ele gravou um dueto de "There's Nothing Better Than
Love" com Luther Vandross, e também lançou um álbum auto-intitulado, em 1987.
Hines morreu de cancro de fígado na tarde de sábado, 9 de agosto
de 2003, no caminho de sua casa em Los Angeles, Califórnia, para um
hospital. Ele tinha 57 anos e estava noivo de Negrita Jayde, no momento
da sua morte. Além do seu pai e irmão, ele deixou a noiva, Negrita Jayde, uma filha, Daria Hines, um filho, Zach; uma enteada, Jessica Koslow e um neto.
Faz-me o favor Faz-me o favor de não dizer absolutamente nada! Supor o que dirá Tua boca velada É ouvir-te já. É ouvir-te melhor Do que o dirias. O que és nao vem à flor Das caras e dos dias. Tu és melhor - muito melhor!- Do que tu. Não digas nada. Sê Alma do corpo nu Que do espelho se vê.
A
bomba, de 2,34 metros de comprimento, 1,52 metro de diâmetro e
4.545 kg, foi detonada a uma altitude de cerca de 550 metros sobre a
cidade, após ter sido lançada do bombardeiro B-29Bockscar, pilotado pelo Major Charles Sweeney. A bomba tinha uma potência de 25 kilotons. O curioso é que, tendo uma potência praticamente duas vezes maior que a da bomba conhecida como "Little Boy", lançada em Hiroshima
três dias antes, os danos foram menores que os do
ataque anterior, pois as condições climáticas de Nagasaki no dia estavam
desfavoráveis, fazendo com que a Fat Man não atingisse o alvo com
precisão, caindo num vale ao lado da cidade. Como o terreno de
Nagasaki é montanhoso, parte da carga energética da explosão foi
contida. Ainda assim, cerca de 40.000 pessoas foram mortas e mais de
25.000 ficaram feridas. Milhares morreram nos anos posteriores ao ataque,
devido a radiações e doenças causadas pela radiação.
Nagasaki antes e após o ataque
Na manhã de 9 de agosto de 1945, a tripulação do avião dos E.U.A. B-29 Superfortress, batizado de Bockscar, pilotado pelo Major Charles W. Sweeney e carregando a bomba nuclear com o nome de código Fat Man, deparou-se com o seu alvo principal, Kokura,
obscurecido por nuvens. Após três voos sobre a cidade e com baixo
nível de combustível devido a problemas na sua transferência, o
bombardeiro dirigiu-se para o alvo secundário, Nagasaki - a maior
comunidade cristã do Japão. Cerca das 07.50 horas (fuso horário japonês) soou um alerta de raide aéreo em Nagasaki, mas o sinal de "tudo limpo" (all clear,
em inglês) foi dado às 08.30 horas. Quando apenas dois B-29 foram
avistados às 10.53 horas, os japoneses aparentemente assumiram que os
aviões se encontravam em missão de reconhecimento, e nenhum outro alarme
foi dado.
Alguns minutos depois, às 11.00 horas, o B-29 de observação, batizado de The Great Artiste
("O Grande Artista"), pilotado pelo Capitão Frederick C.
Bock, largou instrumentação amarrada a três pára-quedas. Esta continha
também mensagens para o Professor Ryokichi Sagane, um físico nuclear da Universidade de Tóquio que tinha estudado na Universidade da Califórnia
com três dos cientistas responsáveis pelo bombardeamento atómico.
Estas mensagens, encorajando Sagane a falar ao público acerca do perigo
destas armas de destruição maciça, foram encontradas pelas autoridade militares, mas nunca entregues ao académico.
Às 11.02 horas, uma abertura de última hora nas nuvens sobre Nagasaki permitiu ao artilheiro do Bockscar, Capitão Kermit Beahan, ter contacto visual com o alvo. A arma Fat Man, contendo um núcleo de aproximadamente 6,4 kg de plutónio-239, foi largada sobre o vale industrial da cidade. Explodiu a 469 metros sobre o solo, a cerca de meio caminho entre a Mitsubishi Steel and Arms Works (a sul) e a Mitsubishi-Urakami Ordnance Works
(a norte), os dois principais alvos na cidade. De acordo com a maior
parte das estimativas, cerca de 40 mil dos 240 mil habitantes de
Nagasaki foram mortos instantaneamente, e entre 25 mil e 60 mil ficaram
feridos. No entanto, crê-se que o número total de habitantes mortos
poderá ter atingido os 80 mil, incluindo aqueles que morreram, nos meses
posteriores, devido a envenenamento radioativo.
Depois
da guerra ficou claro que o design desta bomba era o mais eficiente,
então melhoraram-na e então criaram a arma sucessora do Fat Man: o Mark 4.
Jordão começou por destacar-se no Sporting Clube de Benguela
já como avançado e despertou a cobiça dos rivais lisboetas pela sua
contratação apesar de ter sofrido uma lesão com alguma gravidade numa
prova de atletismo quando não tinha ainda idade sénior (também aí se
destacava, tendo sido vice-campeão dos 80 metros). Ficou conhecido como a Gazela de Benguela.
Em 1970, estreou-se nos juniores do Benfica, um ano depois saltou
para o plantel principal e justificou em pleno a aposta num período
áureo pelos encarnados, onde ganhou quatro Campeonatos e uma Taça em
cinco temporadas até 1976.
Em 1976, depois de uma época com Mário Wilson no comando em que as águias se sagraram campeãs nacionais e foram aos quartos da Taça dos Clubes Campeões Europeus, Jordão sagrou-se o melhor marcador nacional com 30 golos em 28 jogos no Campeonato Português de Futebol (mais um do que Nené, com quem formou uma dupla temível).
Os espanhóis do Saragoça investiram 9.000 contos na sua contratação em 1976/77 onde marcou 14 golos em 33 jogos.
Apesar das lesões graves que sofreu, em especial duas onde teve fratura de tíbia e perónio,
Jordão marcou um total de 184 golos em 262 jogos, tendo conquistado
dois Campeonatos (o primeiro em 1980, onde foi de novo o melhor marcador
da prova com 31 golos), duas Taças de Portugal e uma Supertaça de Portugal.
Entre alguns dos jogos mais marcantes estiveram um dérbi com o Benfica
onde apontou um hat-trick ou os cinco golos na receção ao Rio Ave
na festa do título, ambos no decorrer da Temporada de 1981/82. Deixou
Alvalade em 1986, já com 34 anos, para terminar a carreira, algo que
sofreu uma reviravolta depois do pedido do amigo Manuel Fernandes.
Depois de se aposentar, Rui Jordão se afastou do mundo do futebol
e se tornou pintor e escultor. Rui Jordão morreu em 18 de outubro de
2019 aos 67 anos de idade, depois de ser hospitalizado por problemas
cardíacos resultantes duma doença cardíaca rara mais frequente em
pessoas de ascendência africana. Antes de morrer, despediu-se do antigo colega José Eduardo e pediu-lhe que tomasse conta dos filhos. Fernando Gomes, Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, disse em comunicado que estava "inigualável".
Seleção
Foi internacional por 43 vezes, marcando 15 golos, de 1972 a 1989. Jogou na Taça Independência do Brasil, em 1972, e na fase final do Campeonato da Europa de 1984. Marcou os dois golos na meia-final com a França em que Portugal perdeu, após prolongamento, por 3-2.
Fora dos relvados
Após a carreira como futebolista, Jordão tornou-se pintor.
Jerry Garcia por vezes teve a saúde ameaçada por causa do seu peso
instável, e, em 1986, entrou em coma diabético, que quase lhe custou a
vida. Apesar da sua saúde ter melhorado após esses incidentes, ele
também teve que lutar contra o vício do consumo de heroína e cocaína. Morreu em 1995 quando estava internado num centro de reabilitação para dependentes químicos na Califórnia, vítima de um ataque cardíaco. O seu corpo foi cremado e parte de suas cinzas espalhadas no Rio Ganges na Índia e a outra parte por baixo da Ponte Golden Gate, Califórnia no Estados Unidos. Desde então tornou-se uma figura muito respeitada na cultura musical americana.
A sua ópera "I Pagliacci", com os personagens Canio, Tonio, Peppe e Silvio, continua uma das mais populares obras do repertório de ópera.
Filho de um magistrado policial, Leoncavallo nasceu em Nápoles em 23 de
abril de 1857 e estudou no Conservatório San Pietro a Majella. Depois
de alguns anos de estudo, e ineficazes tentativas de obter a produção
de mais de uma ópera, ele viu o enorme sucesso de Mascagni em Cavalleria rusticana em 1890, e não desperdiçou tempo na elaboração do seu próprio verismo, Pagliacci
(segundo Leoncavallo, o enredo deste trabalho teve origem na vida
real: um julgamento sobre assassinato a que seu pai tinha presidido). Pagliacci foi apresentada em Milão em 1892 com sucesso imediato e hoje é o único trabalho de Leoncavallo no reportório padrão de ópera. A sua mais famosa ária Vesti la giubba, "Veste a manta de retalhos") foi gravada por Enrico Caruso e foi o primeiro registo do mundo a vender um milhão de cópias. I Medici e Chatterton (1896) foram também produzidas em Milão. Grande parte de Chatterton foi gravado pela Gramophone Company (mais tarde HMV). Foi em La bohème,
realizada em 1897 em Veneza que o seu talento obteve confirmação
pública (as suas duas árias para tenor são realizadas ocasionalmente,
especialmente em Itália). Posteriormente compôs as óperas Zaza (1900) (a ópera de Geraldine Farrar, famosa pelo seu desempenho de despedida no Met) e Der Roland Von Berlin (1904). Obteve um breve sucesso em Zingari
que estreou em Itália, e Londres, em 1912. (Zingari esteve longo
tempo, no Hipódromo Teatro). Zingari chegou aos Estados Unidos, mas
logo depois desapareceu do repertório.
Após uma série de operetas, Leoncavallo, num último esforço, criou Edipo Re,
mas morreu antes de terminar a orquestração, que foi completada por
Giovanni Pennacchio. Desde a década de 70 esta ópera tem tido um
número surpreendentemente elevado de representações (incluindo Roma
1972, Viena 1977 e Amsterdão 1998), bem como uma produção totalmente
encenada no Teatro Regio di Torino, em 2002.
A famosa Mattinata foi por ele escrita para a Gramofone Company
com Caruso em mente. Escreveu o libreto para a maioria das suas
próprias óperas e é considerado o maior libretista italiano do seu
tempo, após Arrigo Boito. Importante foi ainda a sua contribuição para o libreto de Manon Lescaut de Giacomo Puccini.
Ruggero Leoncavallo morreu em Montecatini, Toscânia, em 9 de agosto de 1919.
Considerada uma das melhores promessas do cinema e sex symbol de Hollywood, na época de sua morte, aos 26 anos, já era conhecida mundialmente, estava casada com o realizador polaco Roman Polanski, havia participado em sete filmes, trabalhado como modelo para anúncios e revistas de moda e tinha sido indicada para o Globo de Ouro pelo filme O Vale das Bonecas, de 1967.
Uma década após o seu assassinato, a sua mãe, Doris Tate, em resposta a um crescente status cult que envolvia os seus assassinos e temerosa de que eles pudessem conseguir liberdade condicional - apesar de condenados à prisão perpétua - organizou uma campanha pública contra o que ela considerava deficiências no sistema correcional da Califórnia.
A campanha resultou em emendas criadas na lei criminal do estado, que
passou a permitir a vítimas de crimes e seus familiares a participação
com depoimentos durante o julgamento ou pedidos de liberdade condicional
de criminosos condenados. Ela foi a primeira pessoa nos Estados Unidos a
ter o direito de se expressar em audiência oficial após a aprovação da
nova lei, o que fez durante a audiência do pedido de liberdade
condicional de um dos assassinos de sua filha, Tex Watson.
Ela acreditava que a mudança na lei tinha dado à Sharon Tate a
dignidade que lhe havia sido retirada por seus assassinos e que por isso
ela agora era capaz de transformar o legado de Sharon de vítima de
assassinato em símbolo de vítimas de crimes de morte.
Morte
No dia 8 de agosto, Sharon estava a quinze dias de ter o bebé. Ela
almoçou em casa com duas amigas e contou-lhes sobre o seu
desapontamento por Roman não estar ainda ali, tendo adiado por alguns
dias o seu regresso de Londres. De tarde ele telefonou, assim como as suas
irmãs, Debra e Patti, pedindo para passar a noite com ela na casa, o que
ela negou. De noite, ela foi com alguns amigos jantar no restaurante El
Coyote e regressaram a casa cerca das 22.30 horas.
Com ela estavam Jay Sebring, Abigail Folger e Wojciech Frykowski. Na
casa também estavam o caseiro William Garretson, que morava numa
construção menor, afastada da casa principal, e seu amigo, o estudante de
18 anos, Steven Parent.
Nos primeiros minutos da madrugada do dia 9, por ordem de Charles
Manson, um grupo dos seus seguidores, todos eles jovens, entre 20 e 23
anos, formado por Charles "Tex" Watson, Susan Atkins, Patricia Krenwinkel e Linda Kasabian,
invadiu a casa de Cielo Drive e massacrou os seus moradores. Parent foi
morto a tiros quando saía da da casa e deu de frente com o grupo que
entrava e Tate, Sebring, Folger e Frykowski assassinados a tiros e
facadas na sala da residência e nos jardins. Sharon Tate foi assassinada
com 16 facadas, várias delas na barriga em que carregava o filho.
Na noite seguinte, o mesmo grupo, acrescido de Steve Grogan e Leslie Van Houten, cometeria outro bárbaro assassinato, nos mesmos moldes, noutro local da cidade, matando o casal Leno e Rosemary LaBianca.
Depois de semanas de investigação, os membros da Família Manson foram todos localizados, presos, processados e condenados à morte em 1971, após um dos julgamentos mais cobertos pelos media
na história criminal dos Estados Unidos. Durante os meses que se
seguiram, sem a descoberta dos culpados e mesmo depois da identificação
deles, todo o Condado de Los Angeles entrou em pânico e paranóia,
pela revelação de que os assassinatos da Família tinham sido
aleatórios. Pessoas famosas e ricas acreditavam que poderiam ser as
próximas e abandonavam a cidade. Outros contratavam guarda-costas e
instalavam sofisticados sistemas de alarme em suas casas. O ator Christopher Jones, astro de A Filha de Ryan,
devastado com a morte brutal de Tate, teve um bloqueio psicológico e
abandonou a carreira de ator durante as filmagens, precisando ser
dobrado na versão final do filme pelo diretor David Lean.
O escritor e jornalista de investigação Dominick Dunne deu o seu testemunho
da dimensão do pavor que se instalou por Los Angeles nas semanas e
meses seguintes:
“
A onda de
choque provocada pelos crimes Tate-LaBianca criou uma convulsão social
na cidade como nunca havia se visto. As pessoas estavam convencidas de
que os ricos e famosos da comunidade estavam em perigo. Crianças foram
mandadas para fora da Califórnia. Cercas eletrificadas foram instaladas e
guardas pessoais foram contratadas. Steve McQueen compareceu armado ao
enterro de Jay Sebring.
Sharon Tate foi enterrada a 13 de agosto de 1969 no Holy Cross Cemetery em Culver City,
com o filho natimorto Paul Richard Polanski – assim batizado
postumamente pelos pais de Roman e Sharon – nos seus braços. Anos depois, a
sua mãe Doris e a sua irmã mais nova Patti seriam enterradas no mesmo
local, dividindo a mesma lápide.
Charles Manson, o mentor intelectual das chacinas, Tex Watson,
Patricia Krenwinkel, Susan Atkins e Leslie Van Houlen, todos condenados à
morte, tiveram as suas penas comutadas para prisão perpétua quando as leis
da Califórnia foram mudadas em 1972, considerando a pena de morte
inconstitucional. Linda Kasabian, que participou dos ataques mas não
matou ninguém, recebeu imunidade e atuou como testemunha de acusação
contra os ex-companheiros durante os julgamentos, sendo, como testemunha
ocular, a principal peça para a condenação de todos à pena máxima
pedida pelo promotor Vincent Bugliosi, que, em 1974 escreveu o livro Helter Skelter, contando em detalhes todo o Caso Tate-LaBianca, um best-seller nos Estado Unidos com mais de sete milhões de exemplares vendidos.
O caso Watergate foi o escândalo político ocorrido na década de 70 nos Estados Unidos que, ao vir à tona, acabou por culminar com a renúncia do presidente americano Richard Nixon eleito pelo partido republicano. "Watergate" de certo modo tornou-se um caso paradigmático de corrupção.
Em 18 de junho de 1972, o jornal Washington Post noticiava na primeira página o assalto do dia anterior à sede do Comité Nacional Democrata, no Complexo Watergate,
na capital dos Estados Unidos. Durante a campanha eleitoral, cinco
pessoas foram detidas quando tentavam fotografar documentos e instalar aparelhos de escuta no escritório do Partido Democrata.
Bob Woodward e Carl Bernstein,
dois repórteres do Washington Post, começaram a investigar o então já
chamado caso Watergate. Durante muitos meses, os dois repórteres
estabeleceram as ligações entre a Casa Branca e o assalto ao edifício de Watergate. Eles foram informados por uma pessoa conhecida apenas por Garganta Profunda (Deep Throat) que revelou que o presidente sabia das operações ilegais.
Richard Nixon foi eleito presidente em 1968, sucedendo a Lyndon Johnson, tornando-se o terceiro presidente dos Estados Unidos a ter de lidar com a Guerra do Vietname. Nixon voltou a candidatar-se em 1972, tendo como opositor o senador democrata George McGovern, e obteve uma vitória esmagadora, ganhando em 48 dos 50 estados. McGovern venceu apenas em Massachusetts e em Washington.
Foi durante essa campanha de 1972 que se verificou o incidente na sede
do Comité Nacional Democrático. Durante a investigação oficial que se
seguiu, foram apreendidas fitas gravadas que demonstravam que o
presidente tinha conhecimento das operações ilegais contra a oposição.Em 9 de agosto de 1974, quando várias provas já ligavam os atos de espionagem ao Partido Republicano, Nixon renunciou à presidência. Foi substituído pelo vice-presidente Gerald Ford, que assinou uma amnistia, retirando-lhe as devidas responsabilidades legais perante qualquer infração que tivesse cometido.
Durante muitos anos a identidade de "Garganta Profunda" foi desconhecida, até que, a 31 de maio de 2005, o ex-vice-presidente do FBI, W. Mark Felt, revelou que era o Garganta Profunda. Bob Woodward e Carl Bernstein confirmaram o facto.
Shostakovich ganhou fama na União Soviética graças ao mecenato de Mikhail Tukhachevsky, chefe de pessoal de Leon Trotsky, tendo mais tarde uma complexa e difícil relação com a burocracia estalinista.
A sua música foi oficialmente denunciada duas vezes, em 1936 e 1948, e
foi periodicamente banida. Não obstante, recebeu alguns prémios e
condecorações estatais e serviu no Soviete Supremo da União Soviética. Apesar das controvérsias oficiais, os seus trabalhos eram populares e bem recebidos pelo público.
Os trabalhos orquestrais de Shostakovitch incluem quinze sinfonias e seis concertos.
A sua música de câmara inclui quinze quartetos para cordas, um
quinteto para piano, duas peças para um octeto de cordas e dois trios
para piano. Para piano, ele compôs duas sonatas a solo, um primeiro conjunto de prelúdios e um outro conjunto mais tardio de prelúdios e fugas. Outros trabalhos incluem duas óperas e uma quantidade substancial de música para filmes.
O massacre de Corumbiara foi o resultado de um conflito violento, ocorrido a 9 de agosto de 1995, no município de Corumbiara, no estado de Rondónia.
Conflito
O conflito começou quando policiais entraram em confronto com camponeses sem-terra que estavam ocupando uma área, resultando na morte de 10 pessoas, entre elas uma criança de nove anos e dois polícias.
Em agosto de 1995, cerca de 600 camponeses haviam se mobilizado
para tomar a Fazenda Santa Elina, tendo construído um acampamento no latifúndio
improdutivo. Na madrugada do dia 9, por volta das três horas,
pistoleiros armados, recrutados nas fazendas da região, além de soldados
da Polícia Militar com os rostos cobertos, iniciaram os ataques ao
acampamento.
Mortos
O número
oficial de mortos no massacre é de 16 pessoas e sete desaparecidos.
Para os agricultores, entretanto, o número de mortos pode ter passado de
100 pois, segundo eles, muitos mais teriam sido mortos por polícias e
jagunços, e enterrados sumariamente. Depois de horas de tiroteio, os
camponeses não tinham mais munições para as suas espingardas. O Comando de Operações Especiais, comandado na época pelo capitão José Hélio Cysneiros Pachá, atirou bombas de gás lacrimogénio e acendeu holofotes contra as famílias. A chacina ocorreu durante o governo estadual de Valdir Raupp (PMDB), que foi posteriormente eleito Senador pelo estado de Rondónia.
Mulheres foram usadas como escudo humano pelos policiais e pelos
jagunços do fazendeiro Antenor Duarte. A pequenina Vanessa, de apenas
seis anos, teve o corpo trespassado por uma bala "perdida", quando
corria juntamente com a sua família. Cinquenta e cinco posseiros ficaram
gravemente feridos. Os laudos tanatoscópicos provaram execuções
sumárias. O bispo de Guajará Mirim, D. Geraldo Verdier, recolheu amostras de ossos calcinados em fogueiras do acampamento e enviou a Faculté de Médicine Paris-Oeste, que confirmou a cremação de corpos humanos no acampamento da fazenda.
Desde 1985 os camponeses se organizavam, tendo criado as vilas de
Alto Guarajús, Verde Seringal, Palmares do Oeste, Rondolândia, e mais
tarde o povoado de Nova Esperança - posteriormente cidade de Corumbiara.
Dez anos depois, foram vítimas da chacina. E até hoje os familiares das
vítimas aguardam uma indemnização.
Repercussão
A
assessoria jurídica da CPT RO e a CJP (Comissão Justiça e Paz de Porto
Velho) acompanham o processo judicial a favor da indemnização das
famílias vítimas da chacina.
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ)
aprovou, em 24 de abril de 2013, proposta que concede amnistia aos
trabalhadores rurais e policiais militares de Rondónia punidos no
episódio conhecido como Massacre de Corumbiara. Dois camponeses foram
condenados na ocasião (Claudemir Gilberto Ramos e Cícero Pereira Leite
Neto), pela morte de dois policiais. O Projeto de Lei 2000/11, do
deputado João Paulo Cunha (PT-SP), propunha a amnistia apenas aos sem-terras. Para o deputado, o Poder Judiciário do Estado de Rondónia condenara injustamente os camponeses por homicídio, tendo absolvido a quase totalidade dos polícias militares, que teriam sido os responsáveis pelo massacre. Todavia o relator da proposta, deputado Vieira da Cunha
(PDT-RS), incluiu os policiais militares na proposta de amnistia, após
manifestações de outros parlamentares. "A amnistia deve ser ampla e
irrestrita", justificou.
Mário Cesariny de Vasconcelos (Lisboa, 9 de agosto de 1923 - Lisboa, 26 de novembro de 2006) foi pintor e poeta, considerado o principal representante do surrealismoportuguês.
É de destacar também o seu trabalho de antologista, compilador e
historiador (polémico) das actividades surrealistas em Portugal.
Mário Cesariny nasceu, por acaso, na Vila Edith, na Estrada da Damaia, em Benfica, onde os pais estavam a passar férias. Último filho (três irmãs mais velhas) de Viriato de Vasconcelos, natural de Tondela, Tondela, e de sua mulher María de las Mercedes Cesariny (de ascendência paterna corsa e materna espanhola), natural de Paris. O pai, com uma personalidade dominadora e pragmática, era empresárioourives, com loja e oficina na rua da Palma, na freguesia de Santa Justa, em plena baixa lisboeta.
Depois da escola primária, o jovem Mário frequentou durante um ano o
Liceu Gil Vicente, após o que o pai (que o queria ourives) o mudou para
um curso de cinzelagem na Escola de Artes Decorativas António Arroio (onde conheceu Artur do Cruzeiro Seixas e Fernando José Francisco),
que completou. Depois, como não lhe agradasse o trabalho de ourives,
frequentou um curso de habilitação às Belas-Artes. Também estudou
música, gratuitamente, com o compositor Fernando Lopes Graça.
Cesariny era um talentoso pianista, mas o pai, enfurecido, proibiu-o
de continuar esses estudos. Entretanto, no final da adolescência,
Cesariny e os amigos frequentam várias tertúlias nos cafés de Lisboa e
descobrem o neo-realismo e depois o surrealismo.
É nesta altura também que Viriato, o seu pai, abandona a família para se fixar no Brasil com uma amante. Isto faz com que Mário se aproxime mais de sua mãe e, da sua irmã Henriette.
Na década de 50, Cesariny dedica-se à pintura, mas também, e sobretudo, à poesia, que escreve nos cafés. O seu editor é Luiz Pacheco,
com quem mais tarde (nos anos 70) se incompatibilizaria por
completo. É também durante esse período que começa a ser incomodado e a
ser vigiado pela Polícia Judiciária, por "suspeita de vagabundagem", obrigado a humilhantes apresentações e interrogatórios regulares, devido à sua homossexualidade, que vivencia diariamente, de modo franco e destemido. Só a partir de 25 de Abril de 1974 deixará de ser perseguido e atormentado pela polícia.
Cesariny vivia com dificuldades financeiras, ajudado pela família.
Apesar da excelência da sua escrita, esta não o sustentava
financeiramente e Cesariny, a partir de meados dos anos 60, acabaria
por se dedicar por inteiro à pintura, como modo de subsistência.
A partir da década de 80, a obra poética de Cesariny é reeditada pelo editor Manuel Hermínio Monteiro e redescoberta por uma nova geração de leitores.
Nos últimos anos da sua vida, Cesariny viveu com a sua irmã mais
velha, Henriette (falecida em 2004). Ao contrário do que acontecia
anteriormente, abriu-se aos meios de comunicação dando frequentes
entrevistas e falando sobre a sua vida íntima. Em 2004, Miguel Gonçalves Mendes realizou o documentário Autografia, filme intenso e comovente onde Cesariny se expõe e revela de modo total.
Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte......violar-nos.....tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas.....portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício
Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida......há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição
Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsenor
E há palavras e nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmo só amor só solidão desfeita
Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar
in Pena Capital (1957) - Mário de Cesariny de Vasconcelos
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