quinta-feira, maio 30, 2024

Um terramoto afetou o norte do Afeganistão há 26 anos...

 

An earthquake occurred in northern Afghanistan on 30 May 1998, at 06:22 UTC in the Takhar Province with a moment magnitude of 6.5 and a maximum Mercalli intensity of VII (Very strong). At the time, the Afghan Civil War was underway; the affected area was controlled by the United Islamic Front for the Salvation of Afghanistan (the "Northern Alliance").

   

Overview

This earthquake was the second large earthquake in the area in 1998 after another earthquake on February 4. Between 4,000–4,500 people died in Takhar and Badakhshan provinces. Nearly 7,000 families were affected and estimated 16,000 houses were destroyed or damaged. Approximately 45,000 people became homeless. More than 30 villages were destroyed and another 70 were severely damaged. Several thousand animals were killed and crops and infrastructure were destroyed.

Like many other poorer developing nations, Afghanistan was ill-equipped to face this kind of natural disaster. The country had no forms of protection or hazard micronization. Houses were mainly built of mud brick with shallow foundation. The villages were built on unstable slopes. Many villages were entirely buried due to the landslides.Aftershocks continued for a month. It was also felt at Mazar-e Sharif, Kabul, Andijan, Samarkand, Islamabad, Peshawar, Rawalpindi and Dushanbe.
  

Relief efforts
Several problems appeared during the relief operation. The affected region was remote and lacked any modern telecommunication. The local culture[dubious – discuss] prohibited male physicians from examining or speaking to women. There was no available accurate map of the affected region. However this problem was solved as the pilots of the first Tajikistan helicopters served with the Soviet Armed Forces in the area during the Soviet–Afghan War and knew many of the villages. Relief efforts were also delayed because of blocked roads, bad weather and political turmoil in the region.

Relief effort by several agencies in Afghanistan was administered from neighboring Pakistan, as many organizations had learned from previous experience not to base too many assets in Kabul or in any other city in Afghanistan. A sub-base for the relief efforts was established in Rostaq in the Takhar Province near the Afghanistan-Tajikistan border, which in spite of lacking airfields, had open spaces for helicopter operations and a road link to Tajikistan. A worldwide appeal for helicopters was made to assist in the relief operations.

The United Nations (UN) and several non-governmental organizations (NGOs) were involved in the relief efforts of the affected area. A joint relief operation was mounted by the UN, the International Committee of the Red Cross (ICRC), the International Federation of Red Cross and Red Crescent Societies (IFRC) and a number of national and international NGOs. 

 

Mário Lago, ator e cantor, morreu há vinte e dois anos...

 

Mário Lago (Rio de Janeiro, 26 de novembro de 1911 - Rio de Janeiro, 30 de maio de 2002) foi um advogado, poeta, radialista, compositor e ator brasileiro.
Autor de sambas populares como "Ai, que saudades da Amélia" e "Atire a primeira pedra", ambos em parceria com Ataulfo Alves, fez-se popular entre as décadas de 40 e 50.
  
Biografia
Filho do maestro Antônio Lago e de Francisca Maria Vicencia Croccia Lago, e neto do anarquista e flautista italiano Giuseppe Croccia, formou-se em Direito na Universidade do Brasil, em 1933, tendo-se nesta época tornado marxista. A opção pelas ideais comunistas fizeram com que fosse preso em sete ocasiões - 1932, 1941, 1946, 1949, 1952, 1964 e 1969.
Foi casado com Zeli, filha do militante comunista Henrique Cordeiro, que conhecera numa manifestação política, até a morte dela em 1997. O casal teve cinco filhos: Antônio Henrique, Graça Maria, Mário Lago Filho, Luiz Carlos (em homenagem ao líder comunista Luís Carlos Prestes) e Vanda.
Torcedor do Fluminense, chegou a declarar, na época do 1º descido de divisão do clube, que a virada de mesa em favor do tricolor carioca havia sido uma atitude vergonhosa de todos os responsáveis, envolvidos no esquema. Ele afirmava veementemente, que a equipa deveria ter voltado à divisão de elite do Campeonato Brasileiro no campo.

Carreira artística
Começou pela poesia, e teve o seu primeiro poema publicado aos 15 anos. Formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais na década de 30, na então Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro, atual Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde iniciou a sua militância política no Centro Acadêmico Cândido de Oliveira, então fortemente influenciado pelo Partido Comunista do Brasil, à época PCB, atual PCdoB. Durante a década de 1930, a então principal Faculdade de Direito da capital da República era um celeiro de arte aliada à política, onde estudaram Lago e seus contemporâneos Carlos Lacerda, Jorge Amado, Lamartine Babo entre outros.
Depois de formado, exerceu a profissão de advogado por apenas alguns meses. Envolveu-se com o teatro de revista, escrevendo, compondo e atuando. A sua estreia como letrista de música popular foi com "Menina, eu sei de uma coisa", parceria com Custódio Mesquita, gravada em 1935 por Mário Reis. Três anos depois, Orlando Silva realizou a famosa gravação de "Nada além", da mesma dupla de autores.
As suas composições mais famosas são "Ai que saudades da Amélia", "Atire a primeira pedra", ambas em parceria com Ataulfo Alves; "É tão gostoso, seu moço", com Chocolate, "Número um", com Benedito Lacerda, o samba "Fracasso" e a marcha carnavalesca "Aurora", em parceria com Roberto Roberti, que ficou consagrada na interpretação de Carmen Miranda.
Em "Amélia", a descrição daquela mulher idealizada, ficou tão popular que "Amélia" tornou-se sinónimo de mulher submissa, resignada e dedicada aos trabalhos domésticos.
Na Rádio Nacional, Mário Lago foi ator de Rádio, ele atuou na radionovela, especial da Semana Santa, a 27 de março de 1959: A Vida de Nosso Senhor Jesus Cristo, interpretando Herodes, e também roteirista, escrevendo a radionovela "Presídio de Mulheres". Mas só ficou conhecido do grande público mais tarde, pela televisão, quando passou a atuar em novelas da Rede Globo, como "Selva de Pedra", "O Casarão", "Nina", "Elas por Elas" e "Barriga de Aluguel", entre outras. Também atuou em peças de teatro e filmes, como "Terra em Transe", de Glauber Rocha.
Mário esteve na União Soviética, em 1957, a convite da Radio Moscovo, para participar da reestruturação do programa Conversando com o Brasil, do qual participavam artistas e intelectuais brasileiros. Mas os programas radiofónicos produzidos no Brasil, que Mário mostrou aos soviéticos, foram por eles qualificados de "burgueses" e "decadentes". A avaliação que Mário Lago fez da União Soviética também não foi das melhores. Ali, segundo ele, a produção cultural sofria pelo excesso de gravidade e autoritarismo. Apesar da deceção com a experiência soviética, Mário Lago jamais abandonou a militância política.
Em 1964, foi um dos nomes a encabeçar a lista dos que tiveram seus direitos políticos cessados pelo regime militar, e perdeu as suas funções na Rádio Nacional.
Em 1989, ligou-se ao Partido dos Trabalhadores e atuou como âncora dos programas eleitorais do então candidato do partido, Luís Inácio Lula da Silva, à presidência da República, em 1998.
Autor dos livros Chico Nunes das Alagoas (1975), Na Rolança do Tempo (1976), Bagaço de Beira-Estrada (1977) e Meia Porção de Sarapatel (1986), foi biografado em 1998 por Mônica Velloso na obra: Mário Lago: boêmia e política.
No carnaval de 2001, Mário Lago foi tema do desfile da escola de samba Acadêmicos de Santa Cruz.
Em dezembro de 2001, recebeu uma homenagem especial por sua carreira durante a entrega do Melhores do Ano do Domingão do Faustão, que, no ano seguinte, ganharia o nome de Troféu Mário Lago, sendo anualmente concedido aos grandes nomes da teledramaturgia.
Em janeiro de 2002, o presidente da Câmara, Aécio Neves, foi à sua residência no Rio para lhe entregar, solenemente, a Ordem do Mérito Parlamentar. Na sua última entrevista ao Jornal do Brasil, Mário revelou que estava escrevendo sua própria biografia. Estava certo de que chegaria aos 100 anos, dizia Mário, "Fiz um acordo com o tempo. Nem ele me persegue, nem eu fujo dele".

Morte
Morreu no dia 30 de maio de 2002, aos noventa anos de idade, na sua casa, na Zona Sul do Rio de Janeiro, de enfisema pulmonar. Para o velório foi aberto o palco do Teatro João Caetano onde vivera importantes momentos de sua carreira de ator. Até o fim de sua vida manteve intensa atividade política e mesmo doente chegou a trabalhar na campanha presidencial, apoiando o então candidato Luís Inácio Lula da Silva. Por ter sido estudante do Colégio Pedro II da Unidade São Cristóvão, hoje em dia existe, em sua homenagem, dentro do colégio o Teatro Mário Lago, onde ali se faz apresentações culturais de todas as unidades do colégio desde teatro até apresentações dos corais das unidades. Encontra-se sepultado no Cemitério de São João Batista no Rio de Janeiro.

 


Bakunin, o pai do moderno anarquismo, nasceu há 210 anos

       
Mikhail Aleksandrovitch Bakunin (Premukhimo, 30 de maio de 1814 - Berna, 1 de julho de 1876) também aportuguesado de Bakunine ou Bakúnine, foi um teórico político, sociólogo, filósofo e revolucionário anarquista. É considerado uma das figuras mais influentes do anarquismo e um dos principais fundadores da tradição social anarquista. O enorme prestígio de Bakunin como ativista o tornou um dos ideólogos mais famosos da Europa e sua influência foi substancial entre os radicais da Rússia e da Europa. 
       
     

Joaquim António de Aguiar, o Mata-Frades, extinguiu as ordem religiosas em Portugal há cento e noventa anos

Monumento de homenagem a Joaquim António de Aguiar, no Largo da Portagem, em Coimbra
    
Joaquim António de Aguiar (Coimbra, 24 de agosto de 1792 - Lavradio, 26 de maio de 1884) foi um político português do tempo da Monarquia Constitucional e um importante líder dos cartistas e mais tarde do Partido Regenerador. Foi por três vezes presidente do Conselho de Ministros de Portugal (1841–1842, 1860 e 1865–1868, neste último período chefiando o Governo da Fusão, um executivo de coligação dos regeneradores com os progressistas). Ao longo da sua carreira política assumiu ainda várias pastas ministeriais, designadamente a de Ministro dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça durante a regência de D. Pedro, nos Açores, em nome da sua filha D. Maria da Glória. Foi no exercício dessa função que promulgou a célebre lei, de 30 de maio de 1834, pela qual declarava extintos "todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios, e quaisquer outras casas das ordens religiosas regulares", sendo os seus bens secularizados e incorporados na Fazenda Nacional. Essa lei, pelo seu espírito anti-eclesiástico, valeu-lhe a alcunha de o Mata-Frades.
   

Venceslau de Morais nasceu há cento e setenta anos

Monumento de Venceslau de Morais em Kobe, Japão
    
Venceslau José de Sousa de Morais (Lisboa, 30 de maio de 1854 - Tokushima, 1 de julho de 1929) foi um escritor e militar da Marinha Portuguesa.
Era filho de Venceslau de Morais e de Maria Amélia Figueiredo. Oficial da marinha, completou o curso Escola Naval em 1875, tendo prestado serviço em Moçambique, Macau, Timor Português e no Japão.
Após ter frequentado a Escola Naval serviu a bordo de diversos navios da Marinha de Guerra Portuguesa. Em 1885 viaja pela primeira vez até Macau, onde se estabelece. Foi imediato da capitania do Porto de Macau e professor do Liceu de Macau desde a sua fundação em 1894. Durante a sua estadia em Macau casou com Vong-Io-Chan (Atchan), mulher de etnia chinesa de quem teve dois filhos, e estabeleceu laços de amizade com Camilo Pessanha.
Entretanto, em 1889, viajara até ao Japão, país que o encanta, e onde regressará várias vezes nos anos que se seguem no exercício das suas funções. Em 1897 visita o Japão, na companhia do Governador de Macau, sendo recebido pelo Imperador Meiji. No ano seguinte abandona Atchan e os seus dois filhos, e muda-se definitivamente para o Japão, como cônsul em Kobe.
Aí a sua vida é marcada pela sua atividade literária e jornalística, pelas suas relações amorosas com duas japonesas (Ó-Yoné Fukumoto e Ko-Haru) e pela sua crescente "japonização".
Durante os trinta anos que se seguiram Venceslau de Morais tornou-se a grande fonte de informação portuguesa sobre o oriente, partilhando as suas experiências íntimas do quotidiano japonês com os seus leitores portugueses, numa atividade paralela à de Lafcádio Hearn, o grande divulgador da cultura nipónica no mundo anglo-saxão, de quem foi contemporâneo.
Amargurado com a morte, por doença, de Ó-Yoné, Venceslau de Morais renunciou ao seu cargo consular em 1913, quando já era graduado como Tenente-coronel/Capitão de fragata, mudou-se para Tokushima, terra natal daquela. Aí viveu com Ko-Haru, sobrinha de Ó-Yoné, que viria também a falecer por doença.
Aí o seu quotidiano tornou-se crescentemente idêntico ao dos japoneses, embora tendo como pano de fundo uma crescente hostilidade destes. Cada vez mais solitário, e com a saúde minada, Venceslau de Morais viria a falecer, em Tokushima, a 1 de julho de 1929.
Venceslau de Morais foi autor de vários livros sobre assuntos ligados ao oriente, em especial sobre o Japão. Também se encontra colaboração literária da sua autoria nas revistas: Branco e Negro (1896-1898), Brasil-Portugal (1899-1914) e Serões (1901-1911).
A TAP Portugal homenageou-o ao atribuir o seu nome a uma das suas aeronaves.
      

Wynonna Judd faz hoje sessenta anos...!

  

Wynonna Ellen Judd (born Christina Claire Ciminella; Ashland, May 30, 1964) is a multi award-winning American country music singer. She is one of America's most widely recognized and awarded female country singers of the 1990s. Her solo albums and singles are all credited to the single name Wynonna. She first rose to fame in the 1980s alongside her mother Naomi in the country music duo the Judds. They released seven albums on Curb Records in addition to 26 singles, of which 14 were number-one hits.

The Judds disbanded in 1991 and Wynonna began a solo career, also on Curb. In her solo career, she has released eight studio albums, a live album, a holiday album, and two compilation albums, in addition to more than 20 singles. Her first three singles were "She Is His Only Need", "I Saw the Light," and "No One Else on Earth". All three reached number one on the U.S. country singles charts consecutively, and "To Be Loved by You" also hit number one in 1996, her fourth number one and top ten hit. Three of her albums are certified platinum or higher by the RIAA. Her most recent recording was Wynonna & the Big Noise, released on February 12, 2016, and she released the single "Cool Ya'" that same month. Wynonna is most recognized for her musical work, although she has also pursued other interests starting in the 2000s, including writing, acting, and philanthropy.    

   

 in Wikipédia

 


quarta-feira, maio 29, 2024

Hoje, no Brasil, foi o dia do Geógrafo...


O Dia do Geógrafo é comemorado anualmente em 29 de maio.

Esta data homenageia os profissionais responsáveis em estudar todos os aspetos geográficos de determinada região. Além disso, os geógrafos também ajudam a analisar os processos de transformação dos espaços urbanos e naturais.

Para que uma pessoa exerça a profissão de geógrafo, esta deve concluir o curso de ensino superior em Geografia.

A escolha do dia 29 de maio para a celebração do Dia do Geógrafo é uma homenagem à criação do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 29 de maio de 1936, quando passou a ser instituído o Instituto Nacional de Estatística (INE).

 

in Calendarr

Hoje é dia de recordar o criador de Platero...

Monumento a Platero en Moguer

 

Platero es pequeño, peludo, suave; tan blando por fuera, que se diría todo de algodón, que no lleva huesos. Sólo los espejos de azabache de sus ojos son duros cual dos escarabajos de cristal negro. Lo dejo suelto y se va al prado y acaricia tibiamente con su hocico, rozándolas apenas, las florecillas rosas, celestes y gualdas... Lo llamo dulcemente: ¿Platero?, y viene a mí con un trotecillo alegre, que parece que se ríe, en no sé qué cascabeleo ideal...

 

in Platero y yo (1917) - Juan Ramón Jiménez

Poema adequado à data...

(imagem daqui)
  
    
Sermão da montanha

1.

Cho Oyo
Dhaulagiri
Evereste
Gasherbrum II
Gasherbrum I
Lhotse
Kangchenjunga
Sishma Pangma
K 2
Makalu
Broad Peak
Manaslu
Nanga Parbat
Annapurna
...
   
2.


Quando chegares ao cimo da montanha
continua a subir
   
  
  
in
O Novíssimo Testamento e outros poemas (2012) - Jorge Sousa Braga

Isaac Albéniz nasceu há 164 anos...

   

Isaac Albéniz (Camprodón, 29 de maio de 1860 - Cambo-les-Bains, 18 de maio de 1909) foi um compositor, pianista e dramaturgo espanhol.


   
Como uma criança que era excecionalmente talentosa no piano, apresentou-se pela primeira vez publicamente em Barcelona, com quatro anos. Dois anos depois a sua mãe levou-o para Paris, onde, durante nove meses, ele estudou com Antoine François Marmontel, um famoso professor de piano no Conservatório de Paris. Tentou inscrever-se no Conservatório, mas foi-lhe negada a admissão, porque era muito jovem. Ao regressar a Espanha, deu vários concertos e publicou a sua primeira composição, Marcha Militar.
Em 1868 a família mudou-se para Madrid , onde começou a estudar na Escola Nacional de Música y Declamación (atualmente Conservatório Real de Música). O menino pianista inspirou grandes elogios e foi aclamado como o maior prodígio na Espanha, sendo muitas vezes comparado a Mozart. Logo, porém, Albéniz tornou-se inquieto e impaciente com os seus estudos. Insatisfeito com a sua situação, ele rebelou-se e começou por fugir de casa. Provavelmente, com doze anos, ele fugiu para a Argentina como clandestino num navio. Enquanto esteva lá, disse ter ganhado a uma vida tocando em bares até que foi capaz de organizar uma série de concertos que rendeu um montante considerável de dinheiro - o suficiente para lhe permitir viajar a Cuba, Porto Rico e Estados Unidos. Segundo Gilbert Chase e outros, uma vez em Nova York, Albéniz, vivendo quase como indigente, teve que trabalhar como porteiro de cais. Estes mesmos escritores afirmam que Albéniz também tocava piano, atraindo a atenção por brincar com as costas dos dedos, enquanto estava longe do piano! "Com este truque, ele ganhou dinheiro suficiente para viajar até San Francisco, e para pagar o seu caminho de volta à Europa".
Mais tarde, naquele mesmo ano, com a ajuda do conde Guillermo Morphy, secretário particular do Rei Alfonso XII, Albéniz obteve uma bolsa de estudos para estudar no Conservatório de Bruxelas, onde, em 1879, ele ganhou o primeiro prémio de desempenho no piano. A sua maior ambição no momento, porém, foi estudar com Franz Liszt. Assim, aos vinte anos, ele deixou Bruxelas rumo a Budapeste, a fim de cumprir o seu sonho.
Albéniz, ao que parece, viajou todo o caminho até a capital húngara, apenas para descobrir que Liszt não estava na residência no país naquele momento.
Ao descobrir que Liszt não estava disponível, Albéniz regressou a Madrid, onde ele passou os dois anos seguintes, dando concertos e turnês pelas principais cidades da Espanha. Foi por volta de nessa época que ele compôs as suas primeiras obras para o teatro musical, três Zarzuelas, uma dos quais, Cantalones de Gracia, foi bem recebido pela imprensa de Madrid.
O ano de 1883 foi um importante ponto na vida de Albéniz. Depois de uma turnê sul-americana, ele estabeleceu-se em Barcelona, onde conheceu Felipe Pedrell (1841-1922), que é às vezes descrito como o pai da música espanhola. Pedrell foi um professor, compositor e musicólogo que tinha feito uma quantidade considerável de pesquisa sobre a música espanhola antiga. Um fervoroso nacionalista, que era "a sua convicção de que os compositores espanhóis devem escrever música em espanhol", ou seja, "música enraizada na cultura espanhola", adquirindo a sua expressão e técnicas de canções folclóricas e danças nacionais. As ideias de Pedrell provocaram uma profunda impressão em Albéniz, que até este ponto, composto quase exclusivamente no estilo europeu de salão da época. Ou seja, ele passou a compor peças mais curtas, para piano, simples, ao estilo de Schubert, Chopin e Brahms. O outro acontecimento importante de 1883 foi o seu casamento com uma das suas alunas, Rosita Jordana.
Em 1885 o casal mudou-se para Madrid, onde Albéniz rapidamente se estabeleceu como um professor de piano e intérprete virtuoso do mais alto nível. O seu estilo era tão impressionante que foi muitas vezes comparada ao de Liszt e Anton Rubinstein, dois dos mais famosos pianistas do século XIX. A sua carreira como pianista atingiu o seu pico durante os anos de 1889-92, quando ele visitou a Grã-Bretanha, Alemanha, Áustria, Bélgica e França. O seu maior sucesso surgiu em Londres, onde ele deu vários recitais, o primeiro dos quais foi no Teatro do Príncipe de Gales (Prince's Hall), em 12 de junho de 1889. Este foi seguido por apresentações em St. James Hall, Steinway Hall e no Palácio de Cristal.
No meio de toda esta atividade, Albéniz compôs uma quantidade considerável de músicas em uma variedade de estilos, por exemplo, o Anciennes Suites, três suites de danças neo-barrocas datadas de cerca de 1886; Deseo: Estudio de concierto, op. 40, um concerto com o estilo de Liszt; Chopinesque, o primeiro concerto de piano, Concierto fantastico, Op. 40. Mas o mais importante, foi durante essa época que ele começou a produzir música instrumental que mostrou a influência cultural espanhola. Peças como a Suite Española, Op. 47 (Granada, Cataluña, Sevilla e Cuba), Seis Danzas Españolas, e Rapsodia española, Op.70 para piano e orquestra, foram todas compostas por volta de 1886-87. Bermeja Torre (Op. 92, No. 12), que foi incluído no programa do referido Prince's Hall, foi escrito em 1889.
Albéniz passou os anos de 1890 até 1893 principalmente em Londres, onde o seu interesse em escrever para o teatro musical foi reacendido. Além de compor música para piano e regularmente dar concertos em Londres e outras grandes cidades europeias, ele escreveu algumas operetas e canções de sucesso que levou para ele ser nomeado temporariamente principal compositor e maestro do Teatro do Príncipe de Gales.
Tempos depois, frustrado e com a saúde debilitada, Albéniz virou as costas à escrita para o teatro lírico e retornou à tarefa solitária de compor música de piano. Entre 1905 e 1909, ele produziu a sua obra-prima, a Iberia, um conjunto de doze peças para piano, impressas em quatro livros, trabalho de sofisticação notável e bastante dificuldade técnica, essas "doze novas impressões" - como são chamados no subtítulo - constituem uma síntese imaginativa espanhola (isto é, na maior parte da tradição andaluza), de estilo romântico, influenciado por Liszt, Dukas e D 'Indy.
Em março de 1909, quase incapacitado por doença, mudou-se, com a sua família, de Nice (onde tinham vivido desde 1903), para Cambo-les-Bains, nos Pirenéus franceses. Lá morreu, no dia 18 de maio de 1909. O seu corpo foi levado para o Barcelona e sepultado no Cemitério de Montjuïc, em Barcelona. Isaac Albéniz é sempre descrito como tendo sido um homem bom e generoso, com senso de humor, um extrovertido que era amado e respeitado por todos.
 

 


Mais novidades sobre hominídeos...

Misterioso crânio com 1 milhão de anos na China pode ser da linhagem do “Homem Dragão”

 

 

Uma reconstrução de um dos crânios descobertos em Yunyang sugere que pertencerá ao último antepassado comum entre o Homo sapiens e o Homem-Dragão.

Em 1989 e 1990, dois crânios com cerca de 1 milhão de anos, pertencentes a uma espécie humana desconhecida, foram descobertos no distrito de Yunyang, na província de Hubei, na China Central.

Um terceiro crânio semelhante foi encontrado nas proximidades em 2022, mas a identidade desses fósseis continuou a ser um mistério: seriam Homo erectus ou primeiros Homo sapiens? Ou talvez estivessem relacionados à enigmática linhagem asiática do “Homem-Dragão”?

um novo estudo – que está ainda a ser revisto por pares – cientistas reconstruiram um dos crânios e fizeram a intrigante afirmação de que o indivíduo pode estar próximo do último ancestral comum entre Homo sapiens e a linhagem do Homem-Dragão.

O Homem-Dragão, cientificamente conhecido como Homo longi, é uma espécie extinta de humano arcaico, conhecida por um crânio com 146.000 anos encontrado na província chinesa de Heilongjiang. Alguns sugerem que o Homem-Dragão é a mesma espécie dos Denisovanos – a misteriosa “espécie irmã” extinta dos humanos que viveu ao lado do H. sapiens na Eurásia – embora o seu lugar exato na árvore genealógica da humanidade seja incerto.

Curiosamente, parece que o Homem-Dragão pode ter uma relação intrigante com os três crânios encontrados em Yunyang, conhecidos como o “Homem de Yunxian”.

Para chegar a essa conclusão, os investigadores reconstruíram o crânio do Homem de Yunxian, utilizando principalmente o espécime melhor preservado (Yunxian 2). Eles então estudaram a forma do crânio reconstruido para ver como ele se comparava com outros membros da família Homo.

Embora o crânio de Yunxian apresentasse uma mistura de características, muitos aspetos do seu crânio pareciam pertencer a um membro inicial da linhagem do Homem-Dragão, relata o IFLScience.

“Yunxian 2 reconstruido sugere que ele é um membro inicial da linhagem asiática do ‘Homem-Dragão’, que provavelmente inclui os Denisovanos, e é o grupo irmão da linhagem Homo sapiens. Ambas as linhagens, H. sapiens e Homem-Dragão, têm raízes profundas que se estendem além do Pleistoceno Médio, e a posição basal do crânio fóssil de Yunxian sugere que ele representa uma população próxima ao último ancestral comum das duas linhagens,” escrevem os autores do estudo.

Com cerca de 940.000 a 1,1 milhão de anos, o Homem de Yunxian é significativamente mais antigo que a linhagem do Homem-Dragão e H. sapiens. No entanto, a sua datação coincide com o tempo teórico de origem dessas duas linhagens, por volta de 1,13 milhões e 930.000 anos atrás, respetivamente.

Portanto, os investigadores ponderam que o Homem de Yunxian pode ser algo como um último ancestral comum entre a nossa espécie e o chamado Homem-Dragão da Ásia Oriental.

 

in ZAP

O Everest foi finalmente escalado há setenta e um anos...

  
O monte Everest (ou Evereste) é a mais alta montanha da Terra. Está localizado na cordilheira do Himalaia, na fronteira entre a República Popular da China (Tibete) e o Nepal. Em nepalês, o pico é chamado de Sagarmatha (rosto do céu), e em tibetano Chomolangma ou Qomolangma (mãe do universo).

Nome e altitude
O Everest foi assim chamado por Sir Andrew Scott Waugh, o governador-geral da Índia colonial britânica, em homenagem a seu predecessor, Sir George Everest.
Radhanath Sikdar, um matemático e topógrafo indiano de Bengala, foi o primeiro a identificar o Everest como a montanha mais alta do globo, de acordo com seus cálculos trigonométricos em 1852. Alguns indianos pensam que o pico deveria ser chamado Sikdar e não Everest.
  
Rotas de escalada
O monte Everest tem duas rotas principais de ascensão, pelo cume sudeste no Nepal e pelo cume nordeste no Tibete, além de mais 13 outras rotas menos utilizadas. Das duas rotas principais a de sudeste é a tecnicamente mais fácil e a mais frequentemente utilizada. Esta foi a rota utilizada por Edmund Hillary e Tenzing Norgay em 1953. Contudo, a escolha por esta rota foi mais por questões políticas do que por planeamento de percurso, quando a fronteira do Tibete foi fechada aos estrangeiros em 1949.
A maioria das tentativas é feita entre abril e maio antes do período das monções porque uma mudança na jet stream nesta época do ano reduz a velocidade média das rajadas de vento. Ainda que algumas vezes sejam feitas tentativas após o período da monções em setembro e outubro, o acumular de neve causado pelas monções torna a escalada ainda mais difícil.
  
A primeira ascensão
Desde 1921, diversas tentativas de escalada foram feitas. Em 8 de junho de 1924, George Mallory e Andrew Irvine, ambos britânicos, fizeram uma tentativa de ascensão da qual jamais retornaram. Não se sabe se atingiram o pico e morreram na descida, ou se não chegaram até ele, já que o corpo de Mallory, encontrado em 1999, estava com objetos pessoais, mas sem a foto da esposa, que ele prometera deixar no pico. A primeira ascensão até o topo foi feita pela expedição anglo-neozelandesa em 1953, dirigida por John Hunt. O pico foi alcançado a 29 de maio desse ano por Edmund Hillary e Tenzing Norgay.
   
  

Gary Brooker, vocalista dos Procol Harum, faz hoje 79 anos

     
Gary Brooker (Hackney, East London, 29 May 1945) is an English singer, songwriter, pianist and founder and lead singer of the rock band Procol Harum. He was appointed Member of the Order of the British Empire in the Queen's Birthday Honours on 14 June 2003, in recognition of his charitable services.
        
   

 


Yazalde, o mítico Chirola, nasceu há 78 anos...

 Ficheiro:Hector Yazalde.jpg

Héctor Casimiro Yazalde (Buenos Aires, 29 de maio de 1946 - Buenos Aires, 18 de junho de 1997) foi um jogador de futebol argentino.Vestiu a camisola do Sporting Clube de Portugal onde se sagrou bota de ouro, com 46 golos em 30 jogos.
 

Yazalde nasceu em 29 de maio de 1946, num bairro pobre de Buenos Aires.
Devido à sua condição social desfavorecida, quando entrou para a escola aos sete anos, não tinha livros. Horácio Aguirre, um bom amigo, era quem lhe emprestava os livros para que pudesse estudar.
Aos 13 anos começou a trabalhar para ajudar no sustento da família. Começou por vender jornais, depois bananas e por último a partir gelo.
Em 1965, quando Yazalde foi assistir ao treino do seu amigo Horácio Aguirre, no Piraña, clube de Buenos Aires, pediu que alguém lhe emprestasse um equipamento para treinar. Na mesma tarde assinou o contrato e recebeu 2.000 pesos argentinos, que era o equivalente ao que recebia num mês, como vendedor ambulante de bananas.
Dois anos passados e transferiu-se para o Independiente de Buenos Aires. Aos 20 anos, sagrou-se pela primeira vez campeão e recebeu o troféu de melhor marcador. Não foi preciso muito tempo para que fosse chamado à selecção Argentina.
Em 1967/1968 revalidou o título de Campeão Nacional da Argentina e com o dinheiro que recebeu comprou um apartamento no centro de Buenos Aires.
Em 1970, surgiram convites do Santos, do Palmeiras, do Valência, do Lyon, do Nacional de Montevidéu e do Boca Juniors, mas quem o convenceu foi o dirigente do Sporting, Abraão Sorin.
Com o dinheiro que recebeu construiu uma vivenda em zona chique, para os pais viverem à sua volta. Na primeira temporada que jogou pelo Sporting, Yazalde não mostrou o seu potencial, mas na temporada de 1973/1974, o popular "Chirola" marcou 46 golos em 30 jogos do campeonato e conquistou a Bota de Ouro europeia.
Yazalde estabeleceu um novo recorde europeu de golos em 19 de maio de 1974, batendo o recorde do húngaro Skoblar. Como prémio recebeu um carro, que vendeu e dividiu o dinheiro com os companheiros de equipa.
Em 1975, transferiu-se para o Marselha, mas não foi feliz. Voltou para a Argentina, onde se tornou empresário de futebol.
Faleceu com 51 anos, em Buenos Aires, vítima de uma cirrose hepática e paragem cardíaca.

A Batalha de Trancoso foi há 639 anos

(imagem daqui)

A Batalha de Trancoso ocorreu provavelmente no dia 29 de maio de 1385, entre forças portuguesas e castelhanas.
No contexto da crise de 1383-1385, ao final da Primavera de 1385, ao mesmo tempo em que D. João I de Castela invadia o país ao Sul, pela fronteira de Elvas, forças castelhanas invadiam a Beira por Almeida, passavam por Trancoso, cujos arrabaldes saquearam, até atingir Viseu, cidade aberta, também na ocasião saqueada e incendiada.
Ao retornarem da incursão com o esbulho, saiu-lhes ao encontro o Alcaide do Castelo de Trancoso, Gonçalo Vasques Coutinho, com as forças do Alcaide do Castelo de Linhares, Martim Vasques da Cunha e as do Alcaide do Castelo de Celorico, João Fernandes Pacheco. Estando os dois primeiros fidalgos desavindos à época, o terceiro promoveu a reconciliação de ambos, e assim concertados, com os respetivos homens de armas e as forças que conseguiram arregimentar, fizeram os arranjos para o combate.
De acordo com estudos que levaram a fixar o feriado municipal em 29 de maio, ocorreu o encontro entre as forças de Castela e as de Portugal, no alto da Capela de São Marcos, em Trancoso. A sorte das armas sorriu aos nacionais, que desse modo recuperaram as posses, alcançando a liberdade dos cativos.
No mês seguinte, uma nova invasão de tropas castelhanas, sob o comando de D. João I de Castela em pessoa, voltou a cruzar a fronteira por Almeida e, de passagem, pelo alto de São Marcos, incendiaram-lhe a Capela em represália. Passando por Celorico, a caminho de Lisboa, essas tropas foram derrotadas na batalha de Aljubarrota.
Reza a lenda local, registada pela historiografia portuguesa seiscentista, que o próprio São Marcos apareceu, por milagre, como um cavaleiro na batalha, incitando os combatentes portugueses. Como testemunho do feito, teria ficado gravada, na rocha, uma das ferraduras da sua montaria.
  

Juan Ramón Jiménez morreu há 66 anos...

  
Juan Ramón Jiménez Mantecón (Moguer, 23 de dezembro de 1881 - San Juan, 29 de maio de 1958) foi um poeta espanhol. Pela sua oposição ao regime franquista foi obrigado a exilar-se nos Estados Unidos, no ano de 1936 . Recebeu o Nobel de Literatura de 1956.
A sua obra teria grande influência sobre a poesia de vanguarda espanhola, a chamada geração de 1927, a qual incluía Federico Garcia Lorca e Rafael Alberti.
 

Ainda que mais velho que os poetas de 1927 e pertencente a uma geração anterior de poetas, Jiménez uniu-se aos autores da dita vanguarda espanhola, sendo considerado um mestre de muitos deles, como Jorge Guillén.

A sua obra começa oficialmente em 1908 com influências de Gustavo Adolfo Bécquer, do Simbolismo francês, do Decadentismo de Walter Pater e do Modernismo castelhano de Rubén Darío; a sua obra mais popular desta fase, na Espanha, no entanto, é "Platero y yo", de 1914, um livro de poesia em prosa.

A partir de 1916, Jiménez passa por uma mudança na sua produção poética, sofrendo influência de poetas de língua inglesa, como William Blake, Emily Dickinson, Yeats e Shelley, se unindo a um grupo de pensadores e artistas espanhóis que é classificado como "Novecentismo", uma geração pré-vanguardista. Desta fase, o livro mais importante e inovador é "Diario de un poeta recién-casado", de 1916, aquele que na sua obra o aproximaria da vanguarda de língua espanhola. A partir de 1919, com "Piedra y cielo" o poeta passa a explorar o tema da criação poética como atividade, o poema como uma obra de arte e o poeta como um deus-criador de um universo novo, ideias centrais do criacionismo de Vicente Huidobro.

A partir de 1937, o poeta entra em uma nova fase, com seu exílio, na qual se torna místico e passa a buscar por Deus, um período que culmina com a morte de sua esposa, depressão profunda do autor e a sua morte, três anos após a da esposa.

Encontra-se sepultado no Cemitério de Jesus, Moguer, Andaluzia na Espanha.
     

 
El amor en el mar

El hombre,
con el hombre,
en cuanto que hombre.
Con dedos de mujer, digo:
Teresa, Juan, mostradme el camino.
Porque soy un hombre,
entre hombres,
con más hombres,
y más y más hombres.

Silvia me acompaña.
Y me sigue allá a donde voy.
Porque es un hombre.
Y el hombre, con el hombre,
y con muchos más hombres,
llega a ser hombre.

El hombre.

 

   

Juan Ramón Jiménez

Bartolomeu Dias morreu há 524 anos...

Estátua de Bartolomeu Dias em Londres
    
Bartolomeu Dias (circa 1450 - Cabo da Boa Esperança, 29 de maio de 1500) foi um navegador português que ficou célebre por ter sido o primeiro europeu a navegar para além do extremo sul da África, "dobrando" o Cabo da Boa Esperança e chegando ao oceano Índico a partir do Atlântico.
Dele não se conhecem os antepassados, mas mercês e armas a ele outorgadas passaram aos seus descendentes. Seu irmão foi Diogo Dias, também experiente navegador. Há quem o diga descendente de Dinis Dias, escudeiro de D. João I e, que, como navegador, descobrira Cabo Verde em 1445. Ignora-se onde e quando nasceu, no entanto alguns historiadores sustentam ter ele nascido em  Mirandela, em Trás-os-Montes e Alto Douro. Sobre a sua família sabe-se apenas que um parente, Dinis Dias, na década de 1440 terá comandado expedições marítimas ao longo da costa do Norte de África, tendo visitado as ilhas de Cabo Verde.
   
(...)
    
Em 1486, o rei D. João II passou o comando de uma expedição marítima a Bartolomeu Dias. A missão era procurar e estabelecer relações pacíficas com um legendário rei cristão africano, conhecido como Prestes João. Ele tinha ordens também de explorar o litoral africano e encontrar uma rota para as Índias. As duas caravelas de 50 toneladas e uma naveta auxiliar passaram primeiro pela angra dos Ilhéus (atual baía de Spencer) e o cabo das Tormentas. Entraram em seguida num violento temporal. Ficaram treze dias sem controle, enfrentando o vento e as ondas. Quando o mar acalmou, navegaram para leste em busca da costa, mas só encontraram mar.
Decidiram, então, ir para o norte, onde acharam diversos portos. Ao encontrar a foz de um rio, que batizaram de rio do Infante, a tripulação obrigou o capitão a voltar. Era o final de janeiro e início de fevereiro de 1488.
Bartolomeu Dias deu-se conta então que passara pelo extremo sul da África, o cabo que, por conta da tempestade, ele havia chamado de cabo das Tormentas. O rei D. João II viu a novidade com outros olhos e mandou mudar o nome para Boa Esperança. Afinal, uma expedição portuguesa provara que havia um caminho alternativo para o comércio com o Oriente.
A primeira representação cartográfica das zonas exploradas por Bartolomeu Dias é o planisfério de Henricus Martellus. Em 1652, o mercador holandês Jan van Riebeeck fundaria um posto comercial na região que, mais tarde, se tornaria a Cidade do Cabo.
Bartolomeu Dias voltou ao mar em 1500, ao comando de um dos navios da frota de Pedro Álvares Cabral. Depois de passar pelas costas brasileiras, a caminho da Índia, Bartolomeu Dias morreu quando a sua caravela naufragou, ironicamente, no cabo da Boa Esperança. 
  
  
Lado este do Padrão dos Descobrimentos – detalhe mostrando Estêvão da Gama (extrema esquerda) e António de Abreu (extrema direita), Bartolomeu Dias (centro esquerda) e Diogo Cão (centro direita) levantando um padrão
  
  
Bartolomeu Dias

Eu não cheguei ao fim.
Dobrei o Cabo, mas havia em mim
Um herói sem remate.
Quando os loiros da fama me sorriam,
Aceitei o debate
Do meu destino de predestinado
Com singelos destinos que teriam
Um futuro apagado,
Fosse qual fosse a glória prometida.
E sempre que uma nau enfrenta o mar e o teme,
E regressa vencida,
Sou eu que venho ao leme
Com a Índia perdida.
 
   
in
Poemas Ibéricos (1965) - Miguel Torga

Saudades de Max...

A poetisa Alfonsina Storni nasceu há 132 anos...

 
    

Filha de pais argentinos, nascida na Suíça, imigrou com os seus pais para a província de San Juan na Argentina em 1896. Em 1901, muda-se para Rosario, (Santa Fé), onde tem uma vida com muitas dificuldades financeiras. Trabalhou para o sustento da família como costureira, operária, atriz e professora.
Descobre-se portadora de cancro da mama em 1935. O suicídio de um amigo, o também escritor Horacio Quiroga, em 1937, abala-a profundamente.
Em 1938, três dias antes de se suicidar, envia, de um hotel de Mar del Plata para um jornal, o soneto “Voy a Dormir”.
Consta que se suicidou andando pelo mar adentro - o que foi poeticamente registado na canção "Alfonsina y el mar", gravada por Mercedes Sosa; o seu corpo foi resgatado do oceano no dia 25 de outubro de 1938. Alfonsina tinha 46 anos.


 
Peso ancestral


Tú me dijiste: no lloró mi padre;
tú me dijiste: no lloró ni abuelo;
no han llorado los hombres de mi raza,
eran de acero.

Así diciendo te brotó una lágrima
y me cayó en la boca... más veneno.
Yo no he bebido nunca en otro vaso
así pequeño.

Débil mujer, pobre mujer que entiende
dolor de siglos conocí al beberlo:
¡Oh, el alma mía soportar no puede
todo su peso!
 
 
 
Alfonsina Storni