sexta-feira, maio 29, 2026
Saudades de Max...
Postado por Pedro Luna às 04:06 0 comentários
Marcadores: A Rosinha dos Limões, Fado, Humor, Madeira, Max, música, Teatro de Revista
Max morreu há quarenta e seis anos...
Maximiano de Sousa ou Max (Funchal, Madeira, 20 de janeiro de 1918 - 29 de maio de 1980) foi um cantor e fadista português.
Postado por Fernando Martins às 00:46 0 comentários
Marcadores: Fado, Humor, Madeira, Max, música, Pomba branca, Teatro de Revista
segunda-feira, março 23, 2026
Herberto Helder morreu há onze anos...
Herberto Helder de Oliveira (Funchal, São Pedro, 23 de novembro de 1930 – Cascais, Cascais, 23 de março de 2015) foi um poeta português, considerado por alguns o "maior poeta português da segunda metade do século XX" e um dos mentores da Poesia Experimental Portuguesa.
Originário da Ilha da Madeira, de família de origem judaica, viajou para o Continente no final dos anos 40.
Concluiu o ensino liceal no Liceu Camões. Ingressou, a seguir, no curso de Direito da Universidade de Coimbra, mudando-se, ao fim de um ano, para Filologia Românica, que frequentou durante cerca de três anos.
Os seus primeiros poemas surgiram nas antologias Arquipélago (1952) e Poemas Bestiais (1954), ambas do Funchal, e, depois, no jornal A Briosa (1954), publicado em Coimbra.
Na mesma década de 50 colaborou nas revistas Re-nhau-nhau (1955) e Búzio (1956), editada por António Aragão e com a colaboração de Edmundo de Bettencourt.
O seu primeiro livro, O Amor em Visita, data de 1958.
Nesses anos, o poeta frequentava o círculo surrealista do Café Gelo, ao Rossio, em Lisboa, convivendo com personalidades como Mário Cesariny, Luiz Pacheco, Hélder Macedo e João Vieira.
Partiria, pouco depois, Europa fora, deambulando por França, Holanda e Bélgica, exercendo para seu sustento, profissões sem qualquer relação com as letras.
Repatriado em 1960, regressou então a Portugal.
Na entrada dessa década teve colaboração na efémera revista Pirâmide (1959-1960).
Após desempenhar funções como encarregado nas Bibliotecas Itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian (1960-62), ligou-se a radio e a televisão, nos ofícios de redator do noticiário internacional da Emissora Nacional (1964-66) e de colaborador em programas da RTP, fazendo igualmente publicidade (1967-68).
Em 1964 organizou, com António Aragão, o "1.º Caderno Antológico de Poesia Experimental" (Cadernos de Hoje, MONDAR editores), marco histórico da poesia portuguesa (ver: Poesia Experimental Portuguesa).[2]
Em 1968 foi alvo de um processo judicial, desencadeado com a publicação da tradução de Filosofia na Alcova, do Marquês de Sade (como intermediário entre tradutor e editor), no qual foi condenado a pena suspensa. Também nesta data, o seu livro Apresentação do Rosto foi apreendido pela censura, nunca tendo sido reeditado.
Uma ficha na PIDE identificava Herberto Helder, no período anterior ao 25 de Abril de 1974, como alguém com “características comunistas”. O poeta chegaria, de facto, a filiar-se no Partido Comunista Português, mas nunca teve atividade efetiva como militante do partido.
Diretor literário da Editorial Estampa, onde começou a publicar a obra completa de Almada Negreiros, em 1969, decidiu sair novamente do pais, e estabelecer-se em Angola, onde, sob diversos nomes, fez reportagens para a revista Notícia, editada em Luanda.
Encontrava-se em Luanda quando, em 1971, sofreu um acidente grave.
Regressado a capital, assumiu agora o oficio de revisor tipográfico na Editora Arcádia (1973) e, novamente, de redator de notícias na RDP (1974).
Um dos mais originais poetas de língua portuguesa, a critica insere a sua escrita, inicialmente, no âmbito de um surrealismo tardio. Depois, identifica na sua linguagem poética traços de alquimia, da mística, da mitologia edipiana e da imagem de Mãe. Quer do surrealismo quer da poesia experimental, o poeta terá retirado o postulado da «liberdade, liberdades» como fator determinante na construção do seu percurso.
Na sua obra Os Passos em Volta, retratou, em vários contos, as viagens deambulatórias de uma personagem por entre cidades e quotidianos, vivendo ao mesmo tempo incertezas acerca da identidade própria de cada ser humano. Poesia Toda é o título de uma antologia pessoal de poesia, que foi sendo depurada ao longo dos anos. Alguns dos seus livros desapareceram das edições mais recentes edições da obra, que entretanto também foi rebatizada de Ofício Cantante (nomeadamente Vocação Animal e Cobra).
Ao longo dos anos, Herberto Helder converteu-se numa figura hermética e misantropa, que recusava homenagens, prémios ou condecorações, assim como se negava a dar entrevistas ou a ser fotografado. Em 1994 recusou o Prémio Pessoa, que lhe foi então atribuído.
Herberto Helder faleceu a 23 de março de 2015, vítima de ataque cardíaco, aos 84 anos, na sua casa em Cascais.
Menos de dois meses após a sua morte, em maio de 2015, foi publicado o último livro de originais do poeta, "Poemas canhotos", que tinha terminado pouco antes de morrer.
in Wikipédia
Há cidades cor de pérola onde as mulheres
V
Há cidades cor de pérola onde as mulheres
existem velozmente. Onde
às vezes param, e são morosas
por dentro. Há cidades absolutas,
trabalhadas interiormente pelo pensamento
das mulheres.
Lugares límpidos e depois nocturnos,
vistos ao alto como um fogo antigo,
ou como um fogo juvenil.
Vistos fixamente abaixados nas águas
celestes.
Há lugares de um esplendor virgem,
com mulheres puras cujas mãos
estremecem. Mulheres que imaginam
num supremo silêncio, elevando-se
sobre as pancadas da minha arte interior.
Há cidades esquecidas pelas semanas fora.
Emoções onde vivo sem orelhas
nem dedos. Onde consumo
uma amizade bárbara. Um amor
levitante. Zona
que se refere aos meus dons desconhecidos.
Há fervorosas e leves cidades sob os arcos
pensadores. Para que algumas mulheres
sejam cândidas. Para que alguém
bata em mim no alto da noite e me diga
o terror de semanas desaparecidas.
Eu durmo no ar dessas cidades femininas
cujos espinhos e sangues me inspiram
o fundo da vida.
Nelas queimo o mês que me pertence.
o minha loucura, escada
sobre escada.
Mulheres que eu amo com um des-
espero .fulminante, a quem beijo os pés
supostos entre pensamento e movimento.
Cujo nome belo e sufocante digo com terror,
com alegria. Em que toco levemente
Imente a boca brutal.
Há mulheres que colocam cidades doces
e formidáveis no espaço, dentro
de ténues pérolas.
Que racham a luz de alto a baixo
e criam uma insondável ilusão.
Dentro de minha idade, desde
a treva, de crime em crime - espero
a felicidade de loucas delicadas
mulheres.
Uma cidade voltada para dentro
do génio, aberta como uma boca
em cima do som.
Com estrelas secas.
Parada.
Subo as mulheres aos degraus.
Seus pedregulhos perante Deus.
É a vida futura tocando o sangue
de um amargo delírio.
Olho de cima a beleza genial
de sua cabeça
ardente: - E as altas cidades desenvolvem-se
no meu pensamento quente.
in Lugar (1962) - Herberto Helder
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sexta-feira, fevereiro 20, 2026
Poema para recordar uma catástrofe...
Descida aos Infernos
I
Desço
pelo cascalho interno da terra,
onde o esqueleto da vida
se petrifica protestando.
Como um rio ao contrário, de águas povoadas
por alucinações mortas boiando levadas
para a alma da terra,
procuro os úberes do fogo.
Carlos de Oliveira
Postado por Pedro Luna às 16:00 0 comentários
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Um extraordinária pluviosidade e incúria humana mataram 47 pessoas na Madeira há dezasseis anos...
Ribeira de Santa Luzia transbordando para a Rua 5 de outubro
Salvamento, limpeza e apoio às vítimas
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quarta-feira, fevereiro 04, 2026
Alberto João Jardim celebra hoje oitenta e três anos
Foi presidente do Governo Regional da Madeira, entre 1978 e 2015.
(...)
A 10 de junho de 2014 bateu o recorde de longevidade no poder, recorde esse que pertencia a António de Oliveira Salazar (36 anos e 85 dias de governação).
Entre eleições Regionais, Autárquicas, Europeias, Presidenciais e Legislativas Nacionais averbou, para o PSD-Madeira, 46 vitórias eleitorais.Postado por Fernando Martins às 08:30 0 comentários
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domingo, fevereiro 01, 2026
Edmundo Bettencourt morreu há cinquenta e três anos...
Edmundo Alberto Bettencourt (Funchal, 7 de agosto de 1899 - Lisboa, 1 de fevereiro de 1973) foi um cantor e poeta português notavelmente conhecido por interpretar o Fado e a Canção de Coimbra e pelo seu papel determinante na introdução de temas populares neste género musical. Notabilizou-se pela composição musical "Saudades de Coimbra" a qual é ainda hoje uma referência da música portuguesa universitária.
Edmundo era neto de Júlio César de Bettencourt, morgado da Calheta. Caso os morgadios não tivessem sido extintos, Edmundo teria sido o Morgado.
Frequentou a Faculdade de Direito de Coimbra, foi funcionário público, até ser despedido, por o seu nome figurar entre os milhares de signatários das listas do MUD, desenvolvendo, então, a atividade de delegado de propaganda médica. Integrou o grupo fundador de Presença, cujo título sugerira, e em cujas edições publica O Momento e a Legenda. Dissocia-se do grupo presencista em 1930, subscrevendo com Miguel Torga e Branquinho da Fonseca uma carta de dissensão, onde é acusado o risco em que a revista incorria de enquadrar o "artista em fórmulas rígidas", esquecendo o princípio de "ampla liberdade de criação" defendido nos primeiros tempos" (cf. "O Modernismo em Portugal", entrevista de João de Brito Câmara a Edmundo de Bettencourt, reproduzida in A Phala, n.° 70, maio de 1999, p. 114). A redação de Poemas Surdos, entre 1934 e 40, alguns dos quais publicados na revista lisboeta Momento, permite antedatar o surto do surrealismo em Portugal, enquanto adesão a um "sistema de pensamento, no que ele tem de fuga à chamada realidade, repúdio dos valores duma civilização e esperança de ação num domínio onde por tradição ela é quase sempre negada", embora não seja possível esclarecer com especificidade qual foi o conhecimento que Bettencourt teve da lição surrealista francesa.
Frequentou os cafés Royal e Gelo, onde se reuniu a segunda geração surrealista, vindo a publicar seis inéditos no n.° 3 da revista Pirâmide (1959-1960), em cujas páginas, entre 59 e 60, foram dadas à luz algumas das produções do grupo do Gelo. Publicou ainda esparsamente outros poemas em Momento, Vértice, Búzio. Depois de um silêncio, que deve ser compreendido não como desistência "mas sim [como] uma peculiar forma de revolta que o poeta defende carinhosamente", colige toda a sua produção, permitindo a edição, em 1963, dos Poemas de Edmundo de Bettencourt, prefaciados por Herberto Helder, poeta que, pela primeira vez, faz justiça à originalidade do autor de Poemas Surdos, considerando-o "uma das pouquíssimas vozes modernas entre o milagre do Orpheu e o breve momento surrealista português" (HELDER, Herberto - "Relance sobre a Poesia de Edmundo de Bettencourt", prefácio a Poemas de Edmundo de Bettencourt, Lisboa, Portugália, 1963, p. XXXII). Com efeito, o versilibrismo, o imagismo e certa atmosfera onírica e irreal conferem à sua poesia um lugar de destaque no segundo modernismo, estabelecendo, simultaneamente, a ponte com o vanguardismo de Orpheu e com tendências surrealistas e imagistas verificadas em gerações posteriores à Presença.
in Wikipédia
Postado por Fernando Martins às 00:53 0 comentários
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quarta-feira, janeiro 14, 2026
John Dos Passos nasceu há 130 anos...
Escritor modernista norte-americano, John Roderigo Dos Passos nasceu em 1896, em Chicago.
Oriundo de uma família de origem portuguesa, era fruto de uma relação
ilegítima entre o seu pai, o advogado John Randolph Dos Passos, e Lucy
Sprigg.
Estudou na Choate School (atualmente Choate Rosemary Hall) em Wallingford, Connecticut em 1907, tendo viajado posteriormente com um professor particular numa viagem de 6 meses pela França, Inglaterra, Itália, Grécia e Médio Oriente para estudar arte clássica, arquitetura e literatura.
Licenciou-se em Harvard em 1916, partindo depois para Espanha para estudar arte e arquitetura. Em 1917 voluntariou-se para se juntar às tropas americanas durante a Primeira Guerra Mundial, ao lado dos amigos E. E. Cummings e Robert Hillyer, como condutor de ambulâncias. Regressando aos Estados Unidos, publicou a sua primeira obra, One Man's Initiation, em 1919. Com Manhattan Transfer (1925), romance que retrata em episódios a vida na cidade de Nova Iorque, obteve o reconhecimento da crítica. Publicou ainda a trilogia U.S.A., incluindo The 42nd Parallel (1930), 1919 (1932) e The Big Money (1936).
John Dos Passos e Hemingway tornaram-se amigos em Paris em 1923 (tendo-se conhecido brevemente quando conduziram ambulâncias em Itália em junho de 1918). Tinham muitos amigos em comum, tendo Dos Passos casado com uma paixoneta de escola secundária de Hemingway, Katy Smith. Em maio de 1937, em Espanha, zangaram-se devido a desentendimentos políticos: Hemingway era um apoiante da causa anti-fascista espanhola, enquanto Dos Passos tinha-se tornado desconfiado do comunismo e com a esquerda em geral.
No domínio da poesia, publicou, entre outras obras, A Pushcard at The Curb (1922). Também cultivou a narrativa de viagens, como, por exemplo, em Orient Express (1927). Nota-se neste autor uma evolução temática e filosófica, que começa por ser de carácter social, cheia de esperança, e passa por um ceticismo político, terminando nos últimos anos num conservadorismo ultradireitista. Dos Passos trabalhou como correspondente durante a Segunda Guerra Mundial.
Escreveu na revista Life em 7 de janeiro de 1946 citando que "o estupro brutal e álcool é o salário de um soldado", sobre os estupros e atrocidades cometidos pelos aliados na Alemanha pós guerra - o exército de assassinos e estupradores."
Morreu em 1970, aos 74 anos, sendo enterrado no Yeocomico Episcopal Churchyard, Kinsale, Westmoreland County, Virgínia.
On Poetic Composition
He sat in a garden under a moon of gold
while a black slave scratched his back
with a backscratcher of emerald.
Before him beyond the tulipbed
where the tulips were stiff goblets of fiery wine
stood the poets in a row.
One sang of the intricate patterns of snowflakes.
One sang of the hennatipped breasts of girls dancing
and of yellow limbs rubbed with attar.
One sang of the red bows of Tartar horsemen
and the whine of arrows, and bloodclots on new spearshafts.
Others sang of wine and dragons coiled in purple bowls,
and one, in a droning voice
recited the maxims of Lao T'se.
(Far off at the walls of the city
a groaning of drums and a clank of massed spearmen.
Gongs in the temples.)
The king sat under a moon of gold
while a black slave scratched his back
with a backscratcher of emerald.
The long gold nails of his left hand
twined about a red tulip blotched with black,
a tulip shaped like a dragon's mouth
or the flames bellying about a pagoda of sandalwood.
The long gold nails of his right hand
were held together at the tips
in an attitude of discernment: --
to award the tulip to the poet
of the poets that stood in a row.
(Gongs in the temples,
Men with hairy arms
climbing on the walls of the city.
They have red bows slung on their backs,
their hands grip new spearshafts.)
The guard of the tomb of the king's great grandfather
stood with two swords under the moon of gold.
With one sword he very carefully
slit the base of his large belly
and inserted the other and fell upon it
and sprawled beside the king's footstool;
his blood sprinkled the tulips
and the poets in a row.
(The gongs are quiet in the temples.
Men with hairy arms
scatter with taut bows through the city.
There is blood on new spearshafts.)
The long gold nails of the king's right hand
were held together at the tips
in an attitude of discernment:
the geometric glitter of snowflakes,
the pointed breasts of yellow girls
crimson with henna,
the swirl of river-eddies about a barge
where men sit drinking,
the eternal dragon of magnificence . . .
Beyond the tulipbed
stood the poets in a row.
The garden full of spearshafts and shouting
and the whine of arrows and the red bows of Tartars
and trampling of the sharp hoofs of warhorses.
Under the golden moon
the men with hairy arms
struck off the heads of the tulips in the tulipbed
and of the poets in a row.
The king lifted the hand that held the flaming dragonflower:
To him of the snowflakes, he said.
On a new white spearshaft
the men with hairy arms
spitted the king and the black slave
who scratched his back with a backscratcher of emerald.
There was a king in China.
John Dos Passos
Postado por Fernando Martins às 00:13 0 comentários
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segunda-feira, dezembro 15, 2025
D. José Tolentino Mendonça, cardeal e poeta, comemora hoje sessenta anos...!
José Tolentino Calaça Mendonça, mais conhecido por José Tolentino de Mendonça (Machico, Madeira, 15 de dezembro de 1965) é um cardeal, poeta e teólogo português.
Atualmente é prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação, na Cúria Romana. No dia 5 de outubro de 2019 foi elevado a Cardeal pelo Papa Francisco durante o Consistório Ordinário Público de 2019.
Teólogo e professor universitário, José Tolentino de Mendonça é também considerado uma das vozes mais originais da literatura portuguesa contemporânea e reconhecido como um eminente intelectual católico. A sua obra inclui poesia, ensaios e peças de teatro assinados como José Tolentino Mendonça.A casa onde às vezes regresso é tão distante
A casa onde às vezes regresso é tão distante
da que deixei pela manhã
no mundo
a água tomou o lugar de tudo
reúno baldes, estes vasos guardados
mas chove sem parar há muitos anos
Durmo no mar, durmo ao lado do meu pai
uma viagem se deu
entre as mãos e o furor
uma viagem se deu: a noite abate-se fechada
sobre o corpo
Tivesse ainda tempo e entregava-te
o coração
in A Que Distância Deixaste o Coração (1998) - José Tolentino Mendonça
Postado por Fernando Martins às 06:00 0 comentários
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domingo, novembro 23, 2025
Herberto Helder nasceu há noventa e cinco anos...
Filho de Romano Carlos de Oliveira (Funchal, Monte, batizado a 26 de novembro de 1895) e de Maria Ester dos Anjos Luís Bernardes (c. 1900 - 1938), tinha duas irmãs, Maria Regina e Maria Elora. Herberto Hélder nasceu no n.º 284 da Rua da Carreira, numa casa que pertencia à família do cientista e naturalista madeirense Adolfo César de Noronha.
Casou duas vezes: com Maria Ludovina Dourado Pimentel (de quem teve uma filha, Gisela Ester Pimentel de Oliveira, por casamento Lopes da Conceição) e com Olga da Conceição Ferreira Lima.
Foi pai do jornalista Daniel Oliveira, nascido da relação que teve com Isabel Figueiredo.
A crítica literária aproxima sua linguagem poética do universo da alquimia, da mística, da mitologia edipiana e da imagem da Mãe.
Faleceu a 23 de março de 2015, vítima de ataque cardíaco, aos 84 anos, na sua casa, em Cascais. Menos de dois meses após a sua morte, em maio de 2015, foi publicado o último livro de originais do poeta, "Poemas canhotos", que tinha terminado pouco antes de morrer.Quem deita sal na carne crua deixa
a lua entrar pela oficina e encher o barro forte:
vasos redondos, os quadris
das fêmeas - e logo o meu dedo se poe a luzir
ao fôlego da boca: onde
o gargalo se estrangula e entre as coxas a fenda
é uma queimadura
vizinha
do coração - toda a minha mão se assusta,
transmuda,
se torna transparente e viva, por essa força que a traga
até dentro,
onde o sangue mulheril queimado
a arrasta pelos rins e aloja, brilhando
como um coração,
na garganta - o sal que se deita cresce sempre
ao enredo dos planetas: com unhas
frias e nuas
retrato as lunações, talho a carne límpida
- porque eu sou o teu nome quando
te chamas a toda a altura
dos espelhos e até ao fundo, se teus dedos abertos tocam
a estrela
como uma pedra fechada no seu jardim selvagem
entre a água: tu tocas
onde te toco, e os remoinhos da luz e do sal se tocam
na carne profunda: como em toda a olaria o movimento
toca a argila e a torna
atenta
à translação da casa pela paisagem rodando sobre si
mesma - a teia sensível,
que se fabrica no mundo entre a mão no sal
e a potência
múltipla de que esta escrita é a simetria,
une
tudo boca a boca: o verbo que estás a ser cada
tua morte
ao que ouço, quando a luz se empina e a noite inteira
se despenha
para dentro do dia: ou a mão que lanço sobre
esse cabelo animal
que respira no sono, que transpira
como barro ou madeira ou carne salgada
exposta
a toda a largura da lua: o que é grave, amargo, sangrento.
in PHOTOMATON & VOX (1995) - Herberto Helder
Postado por Fernando Martins às 09:50 0 comentários
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quinta-feira, agosto 07, 2025
Hoje é dia de ouvir fado e canção de Coimbra...
Postado por Pedro Luna às 22:22 0 comentários
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Saudades de Edmundo Bettencourt...
Canção do Alentejo - Edmundo Bettencourt
Lá vai Serpa, lá vai Moura
Ai, as Pias ficam no meio
Lá vai Serpa, lá vai Moura
Ai, as Pias ficam no meio
Quem vier à minha terra
Ai, não tem de que ter receio
Quem vier à minha terra
Ai, não tem de que ter receio
Teus olhos, linda morena,
Ai, fazem-me a alma sombria
Teus olhos, linda morena,
Ai, fazem-me a alma sombria
Quero-te mais, ó morena
Ai, do que à luz de cada dia.
Quero-te mais, ó morena
Ai, do que à luz de cada dia.
Postado por Pedro Luna às 12:06 0 comentários
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Edmundo Bettencourt nasceu há 126 anos...
Edmundo Alberto Bettencourt (Funchal, 7 de agosto de 1899 - Lisboa, 1 de fevereiro de 1973) foi um cantor e poeta português notavelmente conhecido por interpretar o Fado e a Canção de Coimbra e pelo seu papel determinante na introdução de temas populares neste género musical. Notabilizou-se pela composição musical "Saudades de Coimbra" a qual é ainda hoje uma referência da música portuguesa universitária.
Edmundo era neto de Júlio César de Bettencourt, Morgado da Calheta. Caso o morgadio não tivesse sido extinto, Edmundo teria sido o Morgado.
Frequentou a Faculdade de Direito de Coimbra, foi funcionário público, até ser despedido, por o seu nome figurar entre os milhares de signatários das listas do MUD, desenvolvendo, então, a atividade de delegado de propaganda médica. Integrou o grupo fundador de Presença, cujo título sugerira, e em cujas edições publica O Momento e a Legenda. Dissocia-se do grupo presencista em 1930, subscrevendo com Miguel Torga e Branquinho da Fonseca uma carta de dissensão, onde é acusado o risco em que a revista incorria de enquadrar o "artista em fórmulas rígidas", esquecendo o princípio de "ampla liberdade de criação" defendido nos primeiros tempos" (cf. "O Modernismo em Portugal", entrevista de João de Brito Câmara a Edmundo de Bettencourt, reproduzida em A Phala, n.° 70, maio de 1999, p. 114). A redação de Poemas Surdos, entre 1934 e 40, alguns dos quais publicados na revista lisboeta Momento, permite antedatar o surto do surrealismo em Portugal, enquanto adesão a um "sistema de pensamento, no que ele tem de fuga à chamada realidade, repúdio dos valores duma civilização e esperança de ação num domínio onde por tradição ela é quase sempre negada", embora não seja possível esclarecer com especificidade qual foi o conhecimento que Bettencourt teve da lição surrealista francesa.
Frequentou os cafés Royal e Gelo, onde se reuniu a segunda geração surrealista, vindo a publicar seis inéditos no n.° 3 da revista Pirâmide (1959-1960), em cujas páginas, entre 59 e 60, foram dadas à luz algumas das produções do grupo do Gelo. Publicou ainda esparsamente outros poemas em Momento, Vértice, Búzio. Depois de um silêncio, que deve ser compreendido não como desistência "mas sim [como] uma peculiar forma de revolta que o poeta defende carinhosamente", colige toda a sua produção, permitindo a edição, em 1963, dos Poemas de Edmundo de Bettencourt, prefaciados por Herberto Helder, poeta que, pela primeira vez, faz justiça à originalidade do autor de Poemas Surdos, considerando-o "uma das pouquíssimas vozes modernas entre o milagre do Orpheu e o breve momento surrealista português" (HELDER, Herberto - "Relance sobre a Poesia de Edmundo de Bettencourt", prefácio a Poemas de Edmundo de Bettencourt, Lisboa, Portugália, 1963, p. XXXII). Com efeito, o versilibrismo, o imagismo e certa atmosfera onírica e irreal conferem à sua poesia um lugar de destaque no segundo modernismo, estabelecendo, simultaneamente, a ponte com o vanguardismo de Orpheu e com tendências surrealistas e imagistas verificadas em gerações posteriores à Presença.
in Wikipédia
Nebulosa
apenas, sob um céu menos escuro.
Quem vive para o futuro,
já o vive!
Futuro!
Quando te posso ver, por ti, plena aurora,
condena-te a presença:
és este agora
que possuo
como a abelha suga a rosa…
e sem que o resto me importe.
Mas ante sou depois, ver-te ou pensar-te
é ver uma nebulosa
– é como pensar na morte.
Edmundo Bettencourt
Postado por Fernando Martins às 01:26 0 comentários
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sexta-feira, julho 25, 2025
O comunicado do IPMA sobre o sismo na Falha Gloria
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera informa que no dia
25.07.2025 pelas 02.29 (hora local) foi registado nas estações da Rede
Sísmica do Continente, um sismo de magnitude 5.7 (Richter) e cujo
epicentro se localizou a cerca de 520 km a Norte-Noroeste do Porto
Santo.
Este sismo, de acordo com a informação disponível até ao momento,
não causou danos pessoais ou materiais e foi sentido com intensidade
máxima III/IV (escala de Mercalli modificada) no concelho de Santa Cruz
(Ilha da Madeira). Foi ainda sentido com menor intensidade nos concelhos
de Lisboa, Loures e Almada (Setúbal).
Registo no Geofone de Manteigas
Postado por Fernando Martins às 11:05 0 comentários
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Sismo forte na zona de fratura Açores-Gibraltar (Falha Gloria)
Sismo de 5.8 na região da Madeira. Foi sentido em Lisboa e Setúbal
Não existiram danos pessoais ou materiais, segundo o IPMA.

Um sismo de magnitude 5,8 na escala de Richter foi esta sexta-feira sentido na região da Madeira e em algumas regiões do continente, sem causar danos ou pessoais ou materiais, segundo o IPMA.
Em comunicado, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) adianta que o sismo teve o seu epicentro a cerca de 510 quilómetros a norte-noroeste da ilha do Porto Santo e foi registado na Rede Sísmica do Continente às 02.29 de esta sexta-feira.
Este sismo não causou danos pessoais ou materiais e foi sentido com intensidade máxima II-III (escala de Mercalli modificada) na região da Madeira e ainda com menor intensidade nas regiões de Setúbal e Lisboa.
in CM
Postado por Fernando Martins às 10:32 0 comentários
Marcadores: falha Gloria, Madeira, sismo, zona de fratura Açores-Gibraltar
terça-feira, julho 01, 2025
A Madeira foi descoberta, oficialmente, há 606 anos
![]()
As ilhas do arquipélago da Madeira já seriam conhecidas antes da chegada dos europeus no século XIV, a crer em referências presentes em obras e cartas geográficas como o "Libro del Conoscimiento" (1348-1349), de autoria de um frade mendicante espanhol, no qual as ilhas são referidas pelo nome de "Leiname", "Diserta" e "Puerto Santo".
Postado por Fernando Martins às 06:06 0 comentários
Marcadores: Bartolomeu Perestrelo, descobrimentos, João Gonçalves Zarco, Madeira, Tristão Vaz Teixeira
quinta-feira, maio 29, 2025
Saudades de Max...
Postado por Pedro Luna às 04:50 0 comentários
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Max faleceu há quarenta e cinco anos...
Maximiano de Sousa ou Max (Funchal, Madeira, 20 de janeiro de 1918 - 29 de maio de 1980) foi um cantor e fadista português.
Postado por Fernando Martins às 00:45 0 comentários
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quinta-feira, fevereiro 20, 2025
Porque hoje é dia de recordar uma catástrofe...
Descida aos Infernos
I
Desço
pelo cascalho interno da terra,
onde o esqueleto da vida
se petrifica protestando.
Como um rio ao contrário, de águas povoadas
por alucinações mortas boiando levadas
para a alma da terra,
procuro os úberes do fogo.
Carlos de Oliveira
Postado por Pedro Luna às 01:50 0 comentários
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Forte pluviosidade e muita incúria mataram 47 pessoas na Madeira há quinze anos...
Ribeira de Santa Luzia transbordando para a Rua 5 de outubro
Salvamento, limpeza e apoio às vítimas
Postado por Fernando Martins às 00:15 0 comentários
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