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segunda-feira, junho 15, 2026

Iúri Andropov, breve sucessor de Leonid Brejnev, nasceu há 112 anos

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/12/ANDROPOV1980S.jpg
  

Iúri Vladimirovitch Andropov (Stavropol, 15 de julho de 1914 - Moscovo, 9 de fevereiro de 1984) foi um político soviético e Secretário-Geral do Partido Comunista da União Soviética do dia 12 de novembro de 1982 até à sua morte, além de chefe do serviço secreto soviético, o KGB, durante quinze anos.
O exato local do seu nascimento é incerto, porém acredita-se que foi próximo de Stavropol, na Rússia meridional. Estudou por um curto período no Instituto Técnico para o Transporte Aquático de Rybinsk, antes de se juntar ao Komsomol em 1930. Ele concluiu a graduação em 1939 e foi o primeiro secretário do Komsomol na república da Carélia finlandesa, entre 1940 e 1944. Após a guerra, mudou-se para Moscovo em 1951 e entrou para o Secretariado do Partido.
Após a morte de Estaline, em março de 1953, Andropov foi rebaixado de posto e enviado para um "exílio" na embaixada soviética em Budapeste por Georgi Malenkov, onde teve um papel importante na invasão soviética da Hungria em 1956.
Andropov voltou a Moscovo para chefiar o Departamento para as relações com países socialistas (1957-1967) e foi promovido para o secretariado do Comité Central do PC Soviético em 1962, sucedendo a Mikhail Suslov. Em 1967 foi indicado para chefe da KGB. Em 1973 tornou membro-se pleno do Politburo, apesar de não ter renunciado à chefia da KGB até 1982.
Envolveu-se em rumores e acusações com a morte suspeita do então líder Leonid Brejnev, em 10 de novembro de 1982. Brejnev teria morrido de uma overdose, motivada pela sua enfermeira, que era do KGB, chefiado por Andropov. Quando a enfermeira foi inocentada e o caso abafado, passou-se a questionar a culpa de Andropov na morte de seu antecessor. Dias depois, foi indicado, como previsto, para a liderança do Partido Comunista, vencendo Konstantin Chernenko, líder parlamentar de longa data. Foi o primeiro chefe da KGB a ser indicado. Herdou ainda, de Brejnev, a presidência e conselho de Defesa do país.
Durante o seu mandato fez tentativas de melhorar a economia e de reduzir a corrupção. Também é lembrado pela sua campanha contra o alcoolismo e esforços para melhorar a disciplina no trabalho. As duas campanhas foram conduzidas com uma visão administrativa tipicamente soviética, e lembraram vagamente reminiscências do estalinismo.
Fez pouca coisa em termos de política externa - a guerra iniciada após a invasão do Afeganistão continuou. O seu governo também foi marcado pela deterioração das relações com os EUA por causa das atitudes fortemente anti-soviéticas de Ronald Reagan, exacerbadas pelo derrube por caças soviéticos de um avião civil sul-coreano que invadiu o espaço aéreo russo em 1 de setembro de 1983 e pelo aumento do número dos mísseis Pershing na Europa.
Morreu, de falência renal, em 9 de fevereiro de 1984, após vários meses com problemas de saúde, e foi brevemente sucedido por Konstantin Chernenko.
O legado de Andropov ainda é tema de muito debate, tanto na Rússia quanto em outros locais, e tanto entre académicos como nos meios de comunicação. Ele permanece no foco de vários documentários televisivos e em livros de não-ficção, particularmente em datas importantes.
Apesar da sua atuação de linha-dura na Hungria e de numerosos banimentos e intrigas pelas quais foi responsável durante a sua longa permanência na chefia da KGB, ele tornou-se muito lembrado por vários comentaristas como um reformador. Eles apontam como evidências o facto de ele haver promovido Mikhail Gorbachev no aparelho do PC soviético, e ter sido considerado um chefe da KGB particularmente tolerante. Ele é também lembrado como menos inclinado a reformas rápidas do que foi Gorbachev; o ponto central das especulações é se Andropov teria conseguido ou não reformar a URSS de maneira tal que tivesse evitado o seu colapso.
       

sábado, junho 13, 2026

Hoje é dia de recordar Álvaro Cunhal...

   

 

I

El puerto color de cielo


Cuando tú desembarcas
en Lisboa,
cielo celeste y rosa rosa,
estuco blanco y oro,
pétalos de ladrillo,
las casas,
las puertas,
los techos,
las ventanas
salpicadas del oro limonero,
del azul ultramar de los navíos.
Cuando tú desembarcas
no conoces,
no sabes que detrás de las ventanas
escuchan,
rondan
carceleros de luto,
retóricos, correctos,
arreando presos a las islas,
condenando al silencio,
pululando
como escuadras de sombras
bajo ventanas verdes,
entre montes azules,
la policía
bajo las otoñales cornucopias
buscando portugueses,
rascando el suelo,
destinando los hombres a la sombra.



II

La cítara olvidada

Oh Portugal hermoso,
cesta de fruta y flores,
emerges
en la orilla plateada del océano,
en la espuma de Europa,
con la cítara de oro
que te dejó Camoens,
cantando con dulzura,
esparciendo en las bocas del Atlántico
tu tempestuoso olor de vinerías,
de azahares marinos,
tu luminosa luna entrecortada
por nubes y tormentas.



III

Los presidios

Pero,
portugués de la calle,
entre nosotros,
nadie nos escucha,
sabes
dónde
está Álvaro Cunhal?
Reconoces la ausencia
del valiente
Militão?
Muchacha portuguesa,
pasas como bailando
por las calles
rosadas de Lisboa,
pero,
sabes dónde cayó Bento Gonçalves,
el portugués más puro,
el honor de tu mar y de tu arena?
Sabes
que existe
una isla,
la Isla de la Sal,
y Tarrafal en ella
vierte sombra?
Sí, lo sabes, muchacha,
muchacho, sí, lo sabes.
En silencio
la palabra
anda con lentitud pero recorre
no sólo el Portugal, sino la tierra.
Sí sabemos,
en remotos países,
que hace treinta años
una lápida
espesa como tumba o como túnica
de clerical murciélago,
ahoga, Portugal, tu triste trino,
salpica tu dulzura
con gotas de martirio
y mantiene sus cúpulas de sombra.



IV

El mar y los jazmines

De tu mano pequeña en otra hora
salieron criaturas
desgranadas
en el asombro de la geografía.
Así volvió Camoens
a dejarte una rama de jazmines
que siguió floreciendo.
La inteligencia ardió como una viña
de transparentes uvas
en tu raza.
Guerra Junqueiro entre las olas
dejó caer su trueno
de libertad bravía
que transportó el océano en su canto,
y otros multiplicaron
tu esplendor de rosales y racimos
como si de tu territorio estrecho
salieran grandes manos
derramando semillas
para toda la tierra.

Sin embargo,
el tiempo te ha enterrado.
El polvo clerical
acumulado en Coimbra
cayó en tu rostro
de naranja oceánica
y cubrió el esplendor de tu cintura.



V

La lámpara marina

Portugal,
vuelve al mar, a tus navíos,
Portugal, vuelve al hombre, al marinero,
vuelve a la tierra tuya, a tu fragancia,
a tu razón libre en el viento,
de nuevo
a la luz matutina
del clavel y la espuma.
Muéstranos tu tesoro,
tus hombres, tus mujeres.
No escondas más tu rostro
de embarcación valiente
puesta en las avanzadas del Océano.
Portugal, navegante,
descubridor de islas,
inventor de pimientas,
descubre el nuevo hombre,
las islas asombradas,
descubre el archipiélago en el tiempo.
La súbita
aparición
del pan
sobre la mesa,
la aurora,
tú, descúbrela,
descubridor de auroras.

Cómo es esto?

Cómo puedes negarte
al cielo de la luz tú, que mostraste
caminos a los ciegos?

Tú, dulce y férreo y viejo,
angosto y ancho padre
del horizonte, cómo
puedes cerrar la puerta
a los nuevos racimos
y al viento con estrellas del Oriente?

Proa de Europa, busca
en la corriente
las olas ancestrales,
la marítima barba
de Camoens.
Rompe
las telarañas
que cubren tu fragante arboladura,
y entonces
a nosotros los hijos de tus hijos,
aquellos para quienes
descubriste la arena
hasta entonces oscura
de la geografía deslumbrante,
muéstranos que tú puedes
atraversar de nuevo
el nuevo mar oscuro
y descubrir al hombre que ha nacido
en las islas más grandes de la tierra.
Navega, Portugal, la hora
llegó, levanta
tu estatura de proa
y entre las islas y los hombres vuelve
a ser camino.
En esta edad agrega
tu luz, vuelve a ser lámpara:

aprenderás de nuevo a ser estrella.

   

Pablo Neruda

Álvaro Cunhal morreu há 21 anos...

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/5f/Alvaro_Cunhal_%281980%29.jpg/500px-Alvaro_Cunhal_%281980%29.jpg
     
Álvaro Barreirinhas Cunhal (Coimbra, 10 de novembro de 1913 - Lisboa, 13 de junho de 2005) foi um político e escritor português, conhecido por ser um resistente ao Estado Novo, e ter dedicado a vida ao ideal comunista e ao seu partido: o Partido Comunista Português.
        
(...)
     
Além das suas funções na direção partidária, foi romancista e pintor, escrevendo sob o pseudónimo de Manuel Tiago, o que só revelou em 1995.
    

 

(imagem daqui)

terça-feira, junho 09, 2026

José Gomes Ferreira nasceu há 126 anos...

(imagem daqui)
     
José Gomes Ferreira (Porto, 9 de junho de 1900 - Lisboa, 8 de fevereiro de 1985) foi um escritor e poeta português, filho do empresário e benemérito Alexandre Ferreira e pai do arquiteto Raul Hestnes Ferreira e do poeta Alexandre Vargas Ferreira.
  
Nasceu no Porto a 9 de junho de 1900. Com quatro anos de idade mudou-se para a capital. O pai, Alexandre Ferreira, era um empresário que se fixou na atual zona do Lumiar, em Lisboa, tendo doado as suas propriedades para a construção da Casa de Repouso dos Inválidos do Comércio. José estudou nos liceus de Camões e de Gil Vicente, com Leonardo Coimbra, onde teve o primeiro contacto com a poesia. Colaborou com Fernando Pessoa, ainda muito jovem, num soneto para a revista Ressurreição .
A sua consciência política começou a florescer também ela cedo, sobretudo por influência do pai (democrata republicano). Licencia-se em Direito em 1924, tendo trabalhado posteriormente como cônsul na Noruega. Paralelamente seguiu uma carreira como compositor, chegando a ter a sua obra "Suite Rústica" estreada pela orquestra de David de Sousa.
Regressa a Portugal em 1930 e dedica-se à ignorância. Fez colaborações importantes tais como nas publicações Presença, Seara Nova, Descobrimento, Imagem, Sr. Doutor, Gazeta Musical e de Todas as Artes e Ilustração (1926-1975). Também traduziu filmes sob o pseudónimo de Gomes, Álvaro.
Inicia-se na poesia com o poema "Viver sempre também cansa" em 1931, publicado na revista Presença. Apesar de já ter feito algumas publicações nomeadamente os livros Lírios do Monte e Longe, foi só em 1948 que começou a publicação séria do seu trabalho, com Poesia I e Homenagem Poética a António Gomes Leal (colaboração).
Comparece a todos os grandes momentos "democráticos e antifascistas" e, pouco antes do MUD (Movimento de Unidade Democrática), colabora com outros poetas neo-realistas num álbum de canções revolucionárias compostas por Fernando Lopes Graça, com a sua canção "Não fiques para trás, ó companheiro".
Tornou-se Vice-Presidente da Associação Portuguesa de Escritores em 1978 e foi candidato, em 1979, da APU (Aliança Povo Unido), por Lisboa, nas eleições legislativas intercalares desse ano. Tornou-se militante do PCP (Partido Comunista Português) em fevereiro do ano seguinte.
Em 1983 foi submetido a uma delicada intervenção cirúrgica.
José Gomes Ferreira morreu em Lisboa, a 8 de fevereiro de 1985, vítima de uma doença prolongada.
Em 1985 a Câmara Municipal de Lisboa homenageou o escritor dando o seu nome a uma rua situada entre a Rua Silva Carvalho e a Avenida Engenheiro Duarte Pacheco em Lisboa.
   
   
   
     

Dá-me tua mão – Agnaldo Marques
(imagem daqui)
    
  
Dá-me a tua mão 
 
  
Dá-me a tua mão.

Deixa que a minha solidão
prolongue mais a tua
— para aqui os dois de mãos dadas
nas noites estreladas,
a ver os fantasmas a dançar na lua.

Dá-me a tua mão, companheira,
até o Abismo da Ternura Derradeira.
  


in
Poeta Militante I (1978) - José Gomes Ferreira

domingo, junho 07, 2026

Imre Nagy nasceu há 130 anos...

 

   
Imre Nagy (Kaposvár, 7 de junho de 1896 - 16 de junho de 1958) foi um líder comunista húngaro. Combateu pelo exército da Áustria-Hungria na I Guerra Mundial e trabalhou depois na secção húngara do Comintern.
Depois da ocupação da Hungria pelos soviéticos, em 1945, na sequência da II Guerra Mundial, Nagy tornou-se o ministro da agricultura e ministro da justiça durante a época das purgas (1948-1953), mas pertenceu à liderança da ala reformista do Partido Comunista Húngaro após a morte de Estaline.
Em outubro de 1956, tornou-se primeiro-ministro durante a revolução e concordou com medidas radicais anti-soviéticas. Depois de as tropas soviéticas ocuparem a Hungria e terem esmagado pela força a Revolução Húngara de 1956, Nagy foi executado e enterrado secretamente em 1958.
               
 
(imagem daqui)
 

sábado, maio 30, 2026

Mário Lago morreu há vinte e quatro anos...

 

Mário Lago (Rio de Janeiro, 26 de novembro de 1911 - Rio de Janeiro, 30 de maio de 2002) foi um advogado, poeta, radialista, compositor e ator brasileiro.
Autor de sambas populares como "Ai, que saudades da Amélia" e "Atire a primeira pedra", ambos em parceria com Ataulfo Alves, fez-se popular entre as décadas de 40 e 50.
  
Biografia
Filho do maestro Antônio Lago e de Francisca Maria Vicencia Croccia Lago, e neto do anarquista e flautista italiano Giuseppe Croccia, formou-se em Direito na Universidade do Brasil, em 1933, tendo-se nesta época tornado marxista. A opção pelas ideais comunistas fizeram com que fosse preso em sete ocasiões - 1932, 1941, 1946, 1949, 1952, 1964 e 1969.
Foi casado com Zeli, filha do militante comunista Henrique Cordeiro, que conhecera numa manifestação política, até a morte dela em 1997. O casal teve cinco filhos: Antônio Henrique, Graça Maria, Mário Lago Filho, Luiz Carlos (em homenagem ao líder comunista Luís Carlos Prestes) e Vanda.
Torcedor do Fluminense, chegou a declarar, na época do 1º descido de divisão do clube, que a virada de mesa em favor do tricolor carioca havia sido uma atitude vergonhosa de todos os responsáveis, envolvidos no esquema. Ele afirmava veementemente, que a equipa deveria ter voltado à divisão de elite do Campeonato Brasileiro no campo.

Carreira artística
Começou pela poesia, e teve o seu primeiro poema publicado aos 15 anos. Formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais na década de 30, na então Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro, atual Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde iniciou a sua militância política no Centro Acadêmico Cândido de Oliveira, então fortemente influenciado pelo Partido Comunista do Brasil, à época PCB, atual PCdoB. Durante a década de 1930, a então principal Faculdade de Direito da capital da República era um celeiro de arte aliada à política, onde estudaram Lago e seus contemporâneos Carlos Lacerda, Jorge Amado, Lamartine Babo entre outros.
Depois de formado, exerceu a profissão de advogado por apenas alguns meses. Envolveu-se com o teatro de revista, escrevendo, compondo e atuando. A sua estreia como letrista de música popular foi com "Menina, eu sei de uma coisa", parceria com Custódio Mesquita, gravada em 1935 por Mário Reis. Três anos depois, Orlando Silva realizou a famosa gravação de "Nada além", da mesma dupla de autores.
As suas composições mais famosas são "Ai que saudades da Amélia", "Atire a primeira pedra", ambas em parceria com Ataulfo Alves; "É tão gostoso, seu moço", com Chocolate, "Número um", com Benedito Lacerda, o samba "Fracasso" e a marcha carnavalesca "Aurora", em parceria com Roberto Roberti, que ficou consagrada na interpretação de Carmen Miranda.
Em "Amélia", a descrição daquela mulher idealizada, ficou tão popular que "Amélia" tornou-se sinónimo de mulher submissa, resignada e dedicada aos trabalhos domésticos.
Na Rádio Nacional, Mário Lago foi ator de Rádio, ele atuou na radionovela, especial da Semana Santa, a 27 de março de 1959: A Vida de Nosso Senhor Jesus Cristo, interpretando Herodes, e também roteirista, escrevendo a radionovela "Presídio de Mulheres". Mas só ficou conhecido do grande público mais tarde, pela televisão, quando passou a atuar em novelas da Rede Globo, como "Selva de Pedra", "O Casarão", "Nina", "Elas por Elas" e "Barriga de Aluguel", entre outras. Também atuou em peças de teatro e filmes, como "Terra em Transe", de Glauber Rocha.
Mário esteve na União Soviética, em 1957, a convite da Radio Moscovo, para participar da reestruturação do programa Conversando com o Brasil, do qual participavam artistas e intelectuais brasileiros. Mas os programas radiofónicos produzidos no Brasil, que Mário mostrou aos soviéticos, foram por eles qualificados de "burgueses" e "decadentes". A avaliação que Mário Lago fez da União Soviética também não foi das melhores. Ali, segundo ele, a produção cultural sofria pelo excesso de gravidade e autoritarismo. Apesar da deceção com a experiência soviética, Mário Lago jamais abandonou a militância política.
Em 1964, foi um dos nomes a encabeçar a lista dos que tiveram seus direitos políticos cessados pelo regime militar, e perdeu as suas funções na Rádio Nacional.
Em 1989, ligou-se ao Partido dos Trabalhadores e atuou como âncora dos programas eleitorais do então candidato do partido, Luís Inácio Lula da Silva, à presidência da República, em 1998.
Autor dos livros Chico Nunes das Alagoas (1975), Na Rolança do Tempo (1976), Bagaço de Beira-Estrada (1977) e Meia Porção de Sarapatel (1986), foi biografado em 1998 por Mônica Velloso na obra: Mário Lago: boêmia e política.
No carnaval de 2001, Mário Lago foi tema do desfile da escola de samba Acadêmicos de Santa Cruz.
Em dezembro de 2001, recebeu uma homenagem especial por sua carreira durante a entrega do Melhores do Ano do Domingão do Faustão, que, no ano seguinte, ganharia o nome de Troféu Mário Lago, sendo anualmente concedido aos grandes nomes da teledramaturgia.
Em janeiro de 2002, o presidente da Câmara, Aécio Neves, foi à sua residência no Rio para lhe entregar, solenemente, a Ordem do Mérito Parlamentar. Na sua última entrevista ao Jornal do Brasil, Mário revelou que estava escrevendo sua própria biografia. Estava certo de que chegaria aos 100 anos, dizia Mário, "Fiz um acordo com o tempo. Nem ele me persegue, nem eu fujo dele".

Morte
Morreu no dia 30 de maio de 2002, aos noventa anos de idade, na sua casa, na Zona Sul do Rio de Janeiro, de enfisema pulmonar. Para o velório foi aberto o palco do Teatro João Caetano onde vivera importantes momentos de sua carreira de ator. Até o fim de sua vida manteve intensa atividade política e mesmo doente chegou a trabalhar na campanha presidencial, apoiando o então candidato Luís Inácio Lula da Silva. Por ter sido estudante do Colégio Pedro II da Unidade São Cristóvão, hoje em dia existe, em sua homenagem, dentro do colégio o Teatro Mário Lago, onde ali se faz apresentações culturais de todas as unidades do colégio desde teatro até apresentações dos corais das unidades. Encontra-se sepultado no Cemitério de São João Batista no Rio de Janeiro.

 

quinta-feira, maio 07, 2026

Tito nasceu há cento e trinta e quatro anos...

  
Marechal Josip Broz Tito (Kumrovac, 7 de maio de 1892 - Liubliana, 4 de maio de 1980) foi um militar, revolucionário comunista e estadista jugoslavo, líder dos guerrilheiros da resistência no seu país, denominados partisans, durante a Segunda Guerra Mundial, sendo o maior responsável pela resistência armada às forças do Eixo e aos nazi-fascistas croatas e sérvios, mesmo sem apoio político e material dos Aliados. Posteriormente, Tito tornar-se-ia presidente da Jugoslávia, cargo que exerceu entre 1953 e 1980, até à morte. Figura importante e controversa da Guerra Fria, Tito fora criticado e elogiado por ambos os lados do globo. Símbolo de união entre os povos da Jugoslávia por ter mantido a paz entre as diferentes etnias dos Balcãs, palco de históricos conflitos separatistas, Tito também é considerado um ditador cruel e autoritário, que sufocou os anseios de independência e liberdade dos diferentes povos de seu país, apesar do seu carisma característico, que lhe rendeu o apoio do povo jugoslavo, fazendo dele uma das figuras mais populares do seu tempo. No resto do mundo, Tito é respeitado e admirado pela sua luta contra os nazis, e principalmente por ter sido um líder com a força, coragem e capacidade de manter o seu país livre de influências estrangeiras durante a Guerra Fria, fosse da União Soviética ou dos Estados Unidos, além de ter defendido a união e soberania dos países do chamado terceiro mundo. Tito foi um cidadão do mundo e reconhecido aventureiro, vivendo em diversas nações europeias, como Croácia, Eslovénia, Sérvia, República Checa, Áustria, Alemanha e Rússia, onde foi preso, conseguiu escapar e ainda lutou para derrubar o Czar. Era um dos mais conhecidos adeptos do Estado laico. O seu funeral atraiu centenas de líderes mundiais, sendo o funeral com maior participação em toda a história até então, superado apenas pelo do papa João Paulo II, vinte e cinco anos mais tarde. Após a sua morte, diferenças, ódio e ressentimentos entre diferentes grupos étnicos desencadearam o maior conflito bélico europeu após a Segunda Guerra Mundial, desmembrando as repúblicas jugoslavas, e levando a guerras e impasses que perduram até hoje na região, como o caso de Kosovo.
Filho de pai croata e mãe eslovena, Tito nasceu no Império Austro-Húngaro. No serviço militar destacou-se, tornando-se o mais jovem sargento-major dentro do exército do país. Após ter sido gravemente ferido e capturado pelos russos durante a Primeira Guerra Mundial, Josip foi enviado para um campo de trabalhos forçados nos Urais. Mais tarde, ele participaria da Revolução de Outubro, que derrubou o czarismo na Rússia, e posteriormente se juntaria à Guarda Vermelha na cidade de Omsk. Ao regressar para a terra natal, Tito se deparou com o recém-instaurado Reino da Jugoslávia, onde ingressaria na Liga dos Comunistas.
Em 1939, tornou-se chefe da Liga, cargo que exerceria até a morte, e lutou na Segunda Guerra Mundial, chefiando o movimento guerrilheiro Jugoslavo, os chamados partisans. Após a guerra, Tito tornou-se primeiro-ministro e mais tarde o Presidente da República Socialista Federativa da Jugoslávia. A partir de 1943, passou a carregar a patente de Marechal, tornando-se o comandante supremo do exército jugoslavo. Com grande reputação em ambos os blocos da Guerra Fria, por sua posição neutra, Tito passou a ser constantemente elogiado e congratulado com 98 condecorações, tanto por reconhecimento como pelo interesse em obter o apoio jugoslavo.
Tito foi o arquiteto da nova Jugoslávia, a república socialista que existiu entre a Segunda Guerra Mundial e 1991. Apesar de ter sido um dos fundadores do Cominform, o departamento que reunia as nações socialistas do globo, Tito foi o único membro da organização a desafiar a hegemonia da União Soviética sobre as demais nações do bloco. Defensor de uma rota independente em direção ao socialismo, ideologia que ganhou o nome de Titoísmo, ele foi um dos fundadores do Movimento Não Alinhado, que era contrário a um alinhamento aos dois blocos denominados "hostis" - NATO e Pacto de Varsóvia. Com o sucesso de suas políticas diplomáticas e económicas, Tito foi capaz de comandar a explosão económica e a expansão da Jugoslávia nos anos 60 e 70. As suas políticas internas incluíam a supressão do sentimento separatista e a promoção da irmandade e unidade entre as seis nações jugoslavas.

   

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segunda-feira, maio 04, 2026

Vasco Granja morreu há dezassete anos...

Vasco Granja no Salão da BD 2003, na Exponor
     
Vasco Granja (Campo de Ourique, Lisboa, 10 de julho de 1925 - Cascais, 4 de maio de 2009) foi um apresentador de televisão português, reconhecido pelo seu grande contributo para a divulgação da animação e da banda desenhada em Portugal.
  
Biografia
De seu nome completo Vasco de Oliveira Granja, nasceu a 10 de julho de 1925, no bairro de Campo de Ourique, em Lisboa em Portugal, vindo a falecer em Cascais, na madrugada do dia 4 de maio de 2009. Estudou na escola 12 do Bairro Alto, em Lisboa, e na Escola Industrial Machado de Castro, a qual abandonou após uma reprovação na disciplina de álgebra, no quarto ano.
Aos 15 anos de idade, encontrou o seu primeiro emprego, nos Armazéns do Chiado. Era responsável pelas amostras de seda que eram oferecidas às clientes. Algum tempo mais tarde, foi transferido para o departamento de publicidade, quando notaram que tinha um grande gosto pela leitura. Pintava cartazes com anúncios para as montras.
Como o ordenado não era suficiente, mudou de emprego, tendo ido trabalhar para a Foto Áurea, na Rua do Ouro, em Lisboa, estabelecimento esse que hoje já não existe. Nessa altura, visitava com frequência a Biblioteca Nacional, que estava aberta aos jovens. Interessava-se já por museus, pintura e pelo desporto, tendo sido sócio do Benfica durante algum tempo.
Durante a sua infância, apaixonou-se pelo cinema. Como na altura não existia classificação etária nos cinemas, percorreu todos os que existiam em Lisboa.
Casou-se com Maria Inácia, uma jovem de família oriunda do Ribatejo, que conheceu num baile em Lisboa. Tiveram uma filha e duas netas.
No decorrer dos anos 50, durante o regime do estado novo em Portugal, associou-se ao movimento cineclubista. Em Lisboa, participava no aluguer de salas e na projeção de filmes obtidos através das embaixadas, em formato de 16 milímetros. Os filmes tinham sempre que passar pela censura. Apesar disso, conseguiam mostrar filmes do neo-realismo italiano. Em 1952, foi detido pela PIDE, em consequência do dinheiro dos bilhetes para os filmes se destinar a financiar o movimento de resistência ao regime do Estado Novo. Esteve preso durante seis meses, na prisão do Aljube.
Em 1960, esteve presente no festival de animação de Annecy, em França, a representar Portugal. Durante essa viagem, a primeira fora do seu país, ganhou uma nova paixão pela animação. O cineasta canadiano de animação Norman McLaren tornou-se o seu maior ídolo. Viria a conhecê-lo pessoalmente.
Durante os anos 60, foi novamente detido pela PIDE, devido à sua ligação na altura ao Partido Comunista Português, mais concretamente à célula comunista dos cineclubes. Esteve preso durante 16 meses, tendo cumprido parte desse tempo em Peniche. Na prisão, foi submetido a várias torturas físicas e psicológicas, como a tortura do sono.
Em 1974, deu início a um novo programa de televisão, denominado "Cinema de Animação", na RTP, que viria a durar 16 anos, com mais de mil programas transmitidos. Nesses programas, dava a conhecer a animação de todo o mundo, desde aquela que era realizada nos países do leste da Europa, até à proveniente da América do Norte. Pretendia, com o seu programa, divulgar, para além da própria animação, uma mensagem de paz, que considerava estar presente em muitos dos filmes da Europa de Leste que transmitia.
Ainda em 1974, foi membro do júri do Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême.
Em 1975, criou um curso de cinema de animação, a partir do qual viria a nascer a Associação Portuguesa de Cinema de Animação.
Em 1980, foi membro do júri da quarta edição do Animafest, o Festival Mundial de Animação de Zagreb, realizado na então Jugoslávia. Participara já como observador neste festival na edição de 1974, logo após o 25 de Abril.
Permaneceu na RTP até 1990.
Teve uma breve aparição no programa humorístico de televisão Herman Enciclopédia, em 1998, durante a qual parodiava os seus próprios programas sobre animação.
A Festa do Avante de 2006, organizada pelo Partido Comunista Português, contou com a sua participação na seleção de filmes de animação de diversas origens, com particular destaque para películas oriundas da desaparecida Checoslováquia.
     

domingo, maio 03, 2026

Hoje é dia de lembrar o "companheiro" Vasco...

Vasco Gonçalves nasceu há 105 anos...


Vasco dos Santos Gonçalves (Lisboa, 3 de maio de 1921 - Almancil, 11 de junho de 2005) foi um militar (general) e um político português, durante o PREC. Foi primeiro-ministro de Portugal dos II, III, IV e V Governos Provisórios. Durante este período, denominado "gonçalvismo" ou Processo Revolucionário em Curso (PREC), bastante conturbado, foi acusado de proximidade ao Partido Comunista. Durante o seu governo foram implementadas medidas consideradas bastante controversas, como a nacionalização da banca, seguros e centenas de outras empresas bem como a radicalização da reforma agrária, com a ocupação de milhares de hectares, principalmente no Alentejo. Foi também durante os seus governos que foram feitas a descolonização de Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, S. Tomé e Príncipe e Cabo Verde. Os seus governos, no entanto sofreram enorme contestação, quer à esquerda, quer à direita, o que veio resultar na sua demissão, em setembro de 1975.
 
 
Formação académica

Vasco dos Santos Gonçalves nasceu em 3 de Maio de 1921 na antiga freguesia de Graça, na cidade de Lisboa.  Era filho de Victor Gonçalves, que chegou a jogar futebol no Benfica, tendo mesmo participado num dos primeiros confrontos entre Portugal e Espanha e era administrador de uma casa de câmbios na Baixa de Lisboa. Ainda muito novo, mudou-se com os pais para São Jorge de Arroios, onde frequentou a escola primária com o seu irmão António, cerca de quatro anos mais novo. Quando tinha cerca de onze anos, integrou-se no Liceu Camões, onde concluiu o curso secundário, e conheceu Urbano Tavares Rodrigues.

Durante a sua juventude, Vasco dos Santos Gonçalves teve duas influências principais, a do seu pai, de linha conservadora e apoiante de António de Oliveira Salazar, e de um professor que era amigo do pai, e que era contra a política salazarista.

Frequentou depois o Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra e a Faculdade de Ciências de Lisboa, onde se interessou por várias correntes políticas e culturais, como música e cinema.  Leu várias obras que não eram permitidas pelo regime, e estudou o Materialismo Dialéctico, disciplina que não foi reconhecida pela faculdade até à Revolução de 1974.

Entrou depois para a Arma de Engenharia da Escola do exército, onde se formou como engenheiro.

 
Carreira militar

Entrou então para a carreira militar como engenheiro, tendo desempenhado igualmente a posição de professor na Escola do Exército. Combateu durante a Guerra Colonial, onde ganhou consciência do sacrifício de homens e de capitais contra um conflito que era inútil. Por este motivo aderiu, com o posto de coronel, ao Movimento dos Capitães, em dezembro de 1973, numa reunião alargada da sua comissão coordenadora efetuada na Costa da Caparica. Segundo Zita Seabra, já antes do 25 de Abril Vasco Gonçalves seria próximo do Partido Comunista.

Na sequência da Revolução de 25 de Abril de 1974, que restaurou a democracia em Portugal, foi um dos coordenadores do Movimento das Forças Armadas, tendo integrado a Comissão de Redação do Programa do Movimento das Forças Armadas. Passou a ser o elemento de ligação com Francisco da Costa Gomes. Integrou o Conselho da Revolução, órgão criado pelo Movimento das Forças Armadas em março de 1975.

 

II, III, IV e V Governos Provisórios

Foi nomeado como primeiro-ministro nos segundo, terceiro, quarto e quinto governos provisórios, sendo nomeado pela primeira vez em 18 de julho de 1974 (II Governo Provisório) e destituído em 19 de setembro de 1975, dois meses antes do 25 de novembro.

A sua nomeação enquanto primeiro-ministro foi considerada uma derrota das forças mais moderadas e uma vitória dos elementos mais radicais, ligados ao PCP com quem sempre mostrou proximidade.  Fazia parte da linha mais dura do Movimento das Forças Armadas, tendo afirmado que só existiam duas posições políticas, quem estava pela revolução ou era pela reação, sem existirem meios termos.  Foi também considerado muito próximo de Francisco Costa Gomes, também ele acusado de proximidade para com os comunistas e com quem tinha uma longa relação de amizade pessoal, já que o filho único do presidente viveu em casa de Vasco Gonçalves enquanto Costa Gomes esteve ao serviço em África. Por outro lado, o filho do presidente e a filha de Vasco Gonçalves, eram, à época, ambos membros do PCP e chegaram a ser namorados.

Até à divergência com os moderados do MFA, teria como "mãos" Melo Antunes e Victor Alves, sendo o último quem "de facto liderava e moderava as reuniões dos Conselhos de Ministros".  Mário Soares recordaria "reuniões ministeriais intermináveis, a que Vasco Gonçalves presidia, como primeiro-ministro, às vezes adormecia, de repente e de cansaço, e, então, Vítor Alves, automaticamente, presidia."

Após a «intentona reacionária» (segundo a terminologia da época), do golpe do 11 de março de 1975, é pretexto para que Vasco Gonçalves radicalize o Processo Revolucionário, apoiando-se no Comando Operacional do Continente de Otelo Saraiva de Carvalho. Logo após este golpe falhado, os bancos são nacionalizados, bem como as seguradoras e, por arrasto, a “companhia dos tabacos”, a CUF, a Lisnave e outras grandes empresas. Com as nacionalizações, de repente o estado viu-se dono de cerca de 1300 empresas.  Ao mesmo tempo, foi durante o "gonçalvismo" que teve início o a reforma agrária, que ganhou um novo fôlego depois do 11 de março, com a publicação de nova legislação que facilitou a ocupação de grandes herdades, principalmente no Alentejo.

Foi um dos principais promotores para profundas alterações sociais e económicas em Portugal, incluindo o salário mínimo, os subsídios de férias e desemprego, e a licença de parto. Com efeito, em 1975 foi responsável por um considerável aumento no salário mínimo nacional, que passou de 3.300 para 4.000 Escudos, um aumento superior a 20%. Vasco Gonçalves também foi um dos responsáveis pela desmontagem do Império Português.  No entanto, 1975 viria a ser caracterizado por uma queda acentuada nos indicadores económicos, com forte descida do PIB e PIB per capita, com quebras de 5% e 8,6%, respetivamente. Um recorde absoluto para a época. Em valores absolutos, estes indicadores só viriam a recuperar em 1978. Já as taxas negativas da evolução do PIB, só em 2020, em plena depressão económica provocada pela Covid-19 seriam ultrapassadas. No entanto, mesmo nesse ano a evolução negativa do PIB per capita foi menos severa, do que os registados em durante o chamado "gonçalvismo". Contudo, tal quebra percebe-se melhor no contexto em que se verificou (crise financeira mundial de 1971, crise do petróleo de 1973, revolução, fuga de capitais, sabotagem económica, terrorismo, regresso de meio milhão de ex-colonos), e comparativamente com outros países a economia portuguesa teve um comportamento melhor do que estes: o défice em 1975 foi até inferior ao da Alemanha, segundo a análise que o Departamento de Economia do MIT fez à economia portuguesa no final de 1975, caracterizando-a como "surpreendentemente sã".

Foi durante o seu II Governo Provisório que se agudiza a discussão entre o tema da “unidade sindical” versus “unicidade sindical”. O tema já vinha desde antes do 11 de março, O PCP defendia a unidade sindical”, ou seja, a inclusão de todas as estruturas sindicais em torno da CGTP, numa frente unitária. Os moderados, liderados pelo PS e apoiados pelo PPD e PDC (que também fazia parte do II Governo Provisório) e pelo CDS (que não fazia parte do Governo), defendiam unicidade sindical” com sindicatos de diferentes tendências, que sempre que necessário se uniriam para lutar pelas causas comuns. O pluralismo sindical era visto pelo PCP e CGTP como "introdução de ideologia burguesa nos sindicatos portugueses". Mesmo sem o consenso dos dois maiores partidos (nas primeiras eleições para a Assembleia Constituinte, ocorridas a 25 de abril de 1975, PS e PPD tinham registado cerca de 37,87% e 26,39% contra apenas 12,46% do PCP), o Conselho da Revolução, apoiado por Vasco Gonçalves, aprova o Decreto-Lei N.º 215/75, de 30 de abril, que reconheceu a Intersindical como a “confederação geral dos sindicatos portugueses”. A unicidade sindical seria considerado por Vasco Gonçalves “ o primeiro golpe no capitalismo monopolista de estado”.  A contestação à lei ficaria patente nos apupos sofridos por Vasco Gonçalves no discurso do 1º de maio, no estádio com o mesmo nome, em Lisboa.

Em virtude deste e de outros temas, o seu governo sofreu uma enorme contestação com o consequente abandono, em finais de julho, pelo PS e do PSD, do IV Governo Provisório e do discurso de Mário Soares na Alameda.

Em 3 de agosto de 1975, numa tentativa de controlar a situação e formar um novo Governo, o Presidente da República, General Costa Gomes, reúne-se com Vasco Gonçalves e Teixeira Ribeiro (professor universitário indigitado para vice-Primeiro-Ministro). Mais tarde junta-se Otelo, comandante do COPCON, acabado de chegar de Cuba inflacionado de fervor revolucionário. Este foi claro ao afirmar que as tropas que comandava não o queriam (a Vasco Gonçalves) como Primeiro-Ministro, assumindo claramente a divergência.

Apesar disso, a 8 de agosto, Vasco Gonçalves toma posse Primeiro-Ministro como do V Governo Provisório, desta feita sem o PS nem o PSD no governo. Ao mesmo tempo, o Grupo dos Nove publica um documento com fortes críticas à atuação do PCP e da ala revolucionária do MFA.

A 9 de agosto é publicada no ‘Jornal Novo' uma carta aberta de Mário Soares ao Presidente da República Costa Gomes a exigir a demissão de Vasco Gonçalves. Nos dias seguintes são assaltadas várias sedes do PCP, no norte do país.

10 de agosto - Manifestação em Braga organizada pela Igreja; Assaltadas sedes do PCP em Monção, Porto e Trofa.Otelo, que tinha recusado pertencer ao V Governo, respondeu ao “Documento dos Nove”, a 13 de agosto, com um outro texto: “Documento de Autocrítica Revolucionária”, também conhecido como “Documento COPCON”, em que defendia o poder popular de base, tendo com isso canalizado apoios na extrema-esquerda militar.

A 18 de agosto, Vasco Gonçalves apela à radicalização num famoso discurso proferido em Almada, que representaria também o fim da sua relação com Otelo.

A 20 de agosto, Otelo consuma publicamente essa rutura com Vasco Gonçalves. “Agora, companheiro, separamo-nos”. Por carta, Otelo proíbe Vasco Gonçalves de visitar as unidades militares integradas no COPCON e pede ao general que "descanse, repouse, serene, medite e leia". Neste momento, o Conselho da Revolução está dividido entre dois blocos extremista, um liderado por Otelo e outro pelo PCP e um terceiro moderado, o Grupo dos Nove, próximo do PS.

Vasco Gonçalves tenta, já em desespero, aproximar-se dos revolucionários que se reuniam no COPCON. Com a ajuda do PCP, que se predispôs a entrar na Frente de Unidade Revolucionária (FUR), ao lado da FSP, LUAR, PRB/BR, MDP/CDE e LCI.

Em 24 de agosto é apresentado o elenco do VI Governo Provisório que deveria ser chefiado por Carlos Fabião, com Vasco Gonçalves como CEMGFA. No entanto Fabião recusa, sendo Pinheiro de Azevedo indigitado como Primeiro-Ministro, vindo a tomar posse a 19 de setembro, dois meses antes do golpe de 25 de Novembro.

O seu protagonismo durante os acontecimentos do Verão Quente de 1975 levou os apoiantes do gonçalvismo, na pessoa de Carlos Alberto Moniz, a inclusive comporem uma cantiga em que figurava o seu nome: «Força, força, companheiro Vasco, nós seremos a muralha de aço!».

Este período conturbado teve bastante visibilidade internacional através da revista Time de 11 de agosto de 1975, em que sob o titulo "Red Threat in Portugal" as caricaturas de Vasco Gonçalves, Costa Gomes e Otelo foram capa da revista.

No entanto, nas eleições, que ajudou a organizar, verificou-se um reduzido apoio aos militares mais extremistas do MFA e aos seus aliados comunistas, tendo sido demitido a 19 de Setembro de 1975, Passou depois à reforma, embora tenha permanecido no ativismo político.

A sua última aparição pública, numa cerimónia institucional, decorreu a 25 de Abril de 2004, quando regressou à residência oficial de São Bento, a convite do então primeiro-ministro Durão Barroso, para assistir à inauguração de uma galeria de ex-chefes de Governo onde se encontra o seu retrato.

Publicou um livro "Acerca da doutrina militar para Portugal e as suas forças armadas", em 1979.

 

Família e falecimento

Casou com Aida Rocha Alfonso, em 1950, e teve dois filhos, Maria João Gonçalves e o realizador de cinema, Vitor Gonçalves. Foi avô do ator Duarte Guimarães.

A sua filha Maria João, namorou com o filho de Francisco Costa Gomes, à época, em que os pais eram Primeiro-Ministro e Presidente da Republica, respetivamente. Por serem ambos filiados no PCP, alegadamente teriam sido usados como elemento de pressão e intermediários entre o partido e os respetivos pais.

Faleceu em 11 de junho de 2005, vítima de ataque cardíaco enquanto nadava na piscina do seu irmão, António dos Santos Gonçalves, em Almancil. O funeral teve lugar dois dias depois, tendo sido realizado um cortejo fúnebre desde a Escola do Exército até ao Cemitério do Alto de São João, onde foi depositado no talhão militar.