Charles Robert Darwin (Shrewsbury, 12 de fevereiro de 1809 - Downe, Kent, 19 de abril de 1882) foi um naturalista britânico que alcançou fama ao convencer a comunidade científica da ocorrência da evolução e propor uma teoria para explicar como ela se dá por meio da seleção natural e sexual. Esta teoria culminou no que é, agora, considerado o paradigma central para explicação de diversos fenómenos na biologia. Foi laureado com a medalha Wollaston concedida pela Sociedade Geológica de Londres, em 1859.
domingo, abril 19, 2026
Charles Darwin morreu há 144 anos...
Charles Robert Darwin (Shrewsbury, 12 de fevereiro de 1809 - Downe, Kent, 19 de abril de 1882) foi um naturalista britânico que alcançou fama ao convencer a comunidade científica da ocorrência da evolução e propor uma teoria para explicar como ela se dá por meio da seleção natural e sexual. Esta teoria culminou no que é, agora, considerado o paradigma central para explicação de diversos fenómenos na biologia. Foi laureado com a medalha Wollaston concedida pela Sociedade Geológica de Londres, em 1859.
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sábado, março 28, 2026
Notícia sobre origem e evolução das plantas terrestres..
Como é que as plantas vieram do mar para a terra e mudaram a nossa vida para sempre?

Uma geocientista explica como surgiram as primeiras plantas na Terra, muito antes dos dinossauros, e como o seu crescimento moldou a vida no planeta tal como a conhecemos. Afinal, qual foi a primeira planta do mundo?
Muito antes de os dinossauros, a Terra parecia muito diferente do planeta que conhecemos hoje. Há cerca de 500 milhões de anos, a maior parte da superfície da Terra era rocha nua e solo seco. Não havia árvores, nem relva, nem flores. A vida existia quase inteiramente nos oceanos.
Depois aconteceu algo extraordinário: as plantas começaram a crescer em terra.
Antepassados das plantas viviam na água
A história das plantas começa na água. Os primeiros organismos semelhantes a plantas eram formas de vida verdes simples e minúsculas, como as algas. Ainda hoje pode ver algas como algas marinhas ao longo das praias ou como lodo verde nas rochas em lagoas.
As algas vivem nos oceanos e lagos da Terra há mais de mil milhões de anos. Conseguem produzir o seu próprio alimento, utilizando luz solar, água e dióxido de carbono para criar açúcares. Este processo chama-se fotossíntese; liberta oxigénio – o gás de que precisamos para respirar – como subproduto.
No início, a atmosfera da Terra tinha muito pouco oxigénio. Ao longo de milhões de anos, organismos que realizam fotossíntese, como as algas e algumas bactérias, libertaram lentamente oxigénio para o ar.
Esta mudança, também chamada Grande Evento de Oxigenação, tornou possível que formas de vida maiores e mais complexas evoluíssem. Sem organismos produtores de oxigénio, os animais, incluindo os seres humanos, nunca poderiam ter existido.
Os cientistas acreditam que as primeiras plantas verdadeiras evoluíram a partir de algas verdes há cerca de 470 milhões de anos.
Estas plantas primitivas viviam em águas pouco profundas perto das linhas de costa, onde as condições mudavam frequentemente. Por vezes estavam submersas e, por vezes, expostas ao ar. Este habitat ajudou-as a adaptar-se lentamente à vida em terra.
Conseguir estabelecer-se em terra firme
Passar para a terra não foi fácil. As plantas aquáticas são sustentadas pela água e conseguem absorver nutrientes facilmente, mas as plantas terrestres enfrentaram novos desafios. Como evitariam secar? Como poderiam manter-se de pé sem flutuar? Como obteriam água e nutrientes do solo seco?
Para sobreviver, as primeiras plantas desenvolveram novas características importantes. Uma adaptação fundamental foi um revestimento ceroso, chamado cutícula, que ajudava a manter a água dentro da planta.
As plantas também desenvolveram paredes celulares mais fortes que lhes permitiam manter-se de pé contra a gravidade. Estruturas simples semelhantes a raízes, chamadas rizoides, ajudavam a fixar as plantas ao solo e a absorver água e minerais do solo.
As primeiras plantas terrestres eram muito pequenas e simples. Pareciam-se com musgos modernos, hepáticas e antóceros, que ainda hoje crescem em locais húmidos como o chão das florestas e as margens de cursos de água.
Estas plantas não tinham raízes ou caules verdadeiros e mantinham-se próximas do solo. Fósseis de plantas terrestres primitivas, como Cooksonia, datam de há cerca de 430 milhões de anos e mostram pequenos caules ramificados com apenas dois ou três centímetros de altura.
Mesmo sendo minúsculas, estas plantas tiveram um enorme impacto na Terra. À medida que as plantas se espalharam pela terra, as suas raízes ajudaram a decompor rochas em solo, um processo chamado meteorização.
Há cerca de 420 milhões de anos, as plantas desenvolveram tecido vascular: pequenos tubos que transportam água e nutrientes por toda a planta.
Isto criou solos mais ricos que podiam sustentar mais vida.
Complexidade crescente ao longo de milhões de anos
Depois de as plantas se estabelecerem em terra, a evolução continuou.
Há cerca de 420 milhões de anos, as plantas desenvolveram tecido vascular: pequenos tubos que transportam água e nutrientes por toda a planta.
Esta adaptação permitiu que as plantas crescessem mais altas e mais fortes, porque a água podia ser transportada para cima desde as raízes até às folhas. Estas plantas vasculares incluíam parentes primitivos dos fetos e dos licopódios.
Com o tecido vascular, a vida vegetal começou realmente a florescer.
Por volta de 360 milhões de anos atrás, vastas florestas cobriam grande parte da Terra. Fetos gigantes e plantas semelhantes a árvores, algumas com mais de 30 metros de altura, dominavam a paisagem.
Com o tempo, material vegetal morto dessas florestas foi enterrado e comprimido, formando eventualmente carvão, que as pessoas ainda utilizam hoje como fonte de energia.
Outro grande passo na evolução das plantas foi o desenvolvimento das sementes, há cerca de 380 milhões de anos, encontradas nos fetos com semente.
Outras plantas com sementes, como as primeiras coníferas – um grupo que inclui os pinheiros modernos – podiam reproduzir-se sem precisar de água para a fertilização. As sementes protegiam os embriões das plantas e permitiam que sobrevivessem a condições difíceis como seca ou frio.
A evolução vegetal mais recente ocorreu há cerca de 140 milhões de anos, quando surgiram as plantas com flor, aquilo a que os cientistas chamam angiospérmicas.
As flores ajudaram as plantas a atrair animais como insetos e aves, que espalham pólen e sementes. Os frutos desenvolveram-se para proteger as sementes e ajudá-las a dispersar-se. Hoje, as plantas com flor constituem a maioria das plantas que vemos, incluindo árvores, relvas, frutos e vegetais.
As primeiras plantas não se limitaram a sobreviver; transformaram a Terra. Mudaram a atmosfera, criaram solo e formaram ecossistemas que permitiram que os animais prosperassem em terra. Graças à evolução das plantas, a Terra tornou-se um planeta verde e vivo, cheio de vida diversa.
in ZAP
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quinta-feira, março 26, 2026
Richard Dawkins faz hoje 85 anos
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terça-feira, março 03, 2026
Robert Hooke morreu há 323 anos...
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segunda-feira, março 02, 2026
Oparine nasceu há cento e trinta e dois anos...
Aleksandr Ivanovich Oparine (Uglitch, 2 de março de 1894 - Moscovo, 21 de abril de 1980) foi um biólogo e bioquímico russo, considerado uma das maiores autoridades sobre a teoria da origem da vida.
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segunda-feira, fevereiro 16, 2026
Hugo de Vries nasceu há 178 anos
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quinta-feira, fevereiro 12, 2026
Charles Darwin nasceu há 217 anos
Charles Robert Darwin (Shrewsbury, 12 de fevereiro de 1809 - Downe, Kent, 19 de abril de 1882) foi um naturalista britânico que alcançou fama ao convencer a comunidade científica da ocorrência da evolução e propor uma teoria para explicar como ela se dá por meio da seleção natural e sexual. Esta teoria culminou no que é, agora, considerado o paradigma central para explicação de diversos fenómenos na biologia. Foi laureado com a medalha Wollaston concedida pela Sociedade Geológica de Londres, em 1859.

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terça-feira, janeiro 06, 2026
Gregor Mendel morreu há cento e quarenta e dois anos...
in Wikipédia
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segunda-feira, novembro 24, 2025
Darwin publicou o livro A Origem das Espécies há 166 anos...!
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sexta-feira, agosto 01, 2025
Lamarck nasceu há 281 anos
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domingo, julho 20, 2025
Mendel nasceu há 203 anos...
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terça-feira, maio 20, 2025
Stanley Miller morreu há dezoito anos
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domingo, abril 27, 2025
Às vezes é mesmo preciso mexer na porcaria para fazer descobertas...
Cocós e vómitos fossilizados explicam como dinossauros dominaram a Terra
Pesquisadores estudaram mais de 500 fósseis coletados ao longo de 25 anos em cerca de 10 locais na Bacia Polaca, no sul da Polónia
Os primeiros dinossauros eram criaturas insignificantes, figurantes num supercontinente lotado de outros répteis antigos quando evoluíram
pela primeira vez há cerca de 230 milhões de anos.
No entanto, 30 milhões de anos para frente, os dinossauros dominaram o planeta, vindo em todas as formas, tamanhos e tipos, enquanto muitos de seus pares reptilianos haviam desaparecido. Por que eles foram tão bem-sucedidos evolutivamente é um mistério de longa data, mas novas pesquisas sugerem que algumas respostas para essa pergunta podem estar contidas no que eles deixaram para trás: fezes de dinossauro.
“Sabemos muito sobre suas vidas e extinção, mas não sobre como eles surgiram”, disse Martin Qvarnström, autor principal de um estudo sobre a ascensão dos dinossauros publicado o ano passado na revista Nature e paleontólogo da Universidade de Uppsala, na Suécia.
Para entender melhor os gigantes extintos, Qvarnström e seus colegas investigaram fósseis negligenciados conhecidos como bromalitos: restos do sistema digestivo — ou seja, fezes e vómitos de dinossauro.
Eles estudaram mais de 500 fósseis coletados ao longo de 25 anos em cerca de 10 locais na Bacia Polaca, uma área no sul da Polónia. Os restos datavam de uma faixa de tempo que abrange o final do Triássico ao início do período Jurássico, de cerca de 247 milhões de anos atrás a 200 milhões de anos atrás.
Para entender melhor os gigantes extintos, Qvarnström e seus colegas investigaram fósseis negligenciados conhecidos como bromalitos: restos do sistema digestivo - ou seja, fezes e vómitos de dinossauro.
Eles estudaram mais de 500 fósseis coletados ao longo de 25 anos em cerca de 10 locais na Bacia Polaca, uma área no sul da Polónia. Os restos datavam de uma faixa de tempo que abrange o final do Triássico ao início do período Jurássico, de cerca de 247 milhões de anos atrás a 200 milhões de anos atrás.
“Os bromalitos contêm tanta informação paleoecológica, mas não acho que os paleontólogos tenham realmente reconhecido isso e os tenham visto principalmente como uma piada; você coleta alguns coprólitos porque é engraçado”, disse Qvarnström, referindo-se às fezes fossilizadas. Eles descobriram que as fezes e vómitos fossilizados — cientificamente conhecidos como coprólitos e regurgitalitos, respetivamente — aumentaram em tamanho e variedade ao longo do tempo, indicando o surgimento de animais maiores e dietas diferentes.
Ao estudar a forma e o conteúdo dos bromalitos e ligá-los a esqueletos fossilizados e pegadas encontrados nos locais, os pesquisadores puderam identificar e categorizar os animais que provavelmente os produziram.
Fazendo isso, os pesquisadores puderam entender quantos e que tipo e tamanho de dinossauros, bem como outros animais vertebrados, estavam na paisagem em um determinado momento. A análise, que levou 10 anos para ser concluída, permitiu que a equipe reconstruísse por que os dinossauros vieram à proeminência.
Revelações do cocó antigo
Em alguns casos, foi possível fazer uma avaliação visual do tipo de dinossauro responsável por um bromalito com base no tamanho e na forma do fóssil — um coprólito em forma de espiral provavelmente veio de um animal com um intestino em espiral. Mas, em muitos outros, foi necessário fazer uma varredura 3D detalhada da estrutura interna do bromalito usando equipamentos especializados para entender o que os fósseis continham.
Restos digestivos antigos podem “parecer algo deixado por seu cachorro no parque e é muito evidente o que eles são. Em outros casos, especialmente herbívoros, são mais difíceis de reconhecer”, disse ele.
A equipe scaneou a estrutura interna dos fósseis na European Synchrotron Radiation Facility em Grenoble, França. A instalação maciça, um sincrotrão em forma de anel com 844 metros de circunferência, gera feixes de raios-X 10 biliões de vezes mais brilhantes que os raios-X médicos e permite que os cientistas estudem a matéria no nível molecular e atómico.
“É um pouco como um scanner de tomografia computadorizada no hospital. Funciona da mesma maneira, mas com energia muito maior. Precisamos disso para obter essa resolução muito alta e também um bom contraste”, disse Qvarnström.
Os coprólitos continham restos de peixes, insetos e plantas, e às vezes outros animais de presa. Alguns restos estavam lindamente preservados, incluindo pequenos besouros e peixes meio acabados. Outros coprólitos continham ossos esmagados por predadores.
“Os fósseis de esqueleto, pegadas e bromalitos de locais na Polónia fornecem uma série de instantâneos temporais discretos que demonstram uma transição de um mundo com poucos dinossauros para um em que eles dominavam”, disse Lawrence H. Tanner, paleontólogo do departamento de ciências biológicas e ambientais da Le Moyne College, em Nova York. Tanner não esteve envolvido no estudo.
“Usando as técnicas deste estudo em outros locais, poderíamos fornecer um contexto mais global e construir uma imagem mais detalhada”, escreveu Tanner em um artigo de comentário que foi publicado junto com a pesquisa.
Reconstruindo a ascensão dos dinossauros
Os autores chegaram a cinco fases para explicar a ascensão dos dinossauros: osseus ancestrais eram omnívoros, comendo plantas e animais. Eles evoluíram para os primeiros dinossauros carnívoros e herbívoros.
Um ponto de virada fundamental ocorreu quando o aumento da atividade vulcânica pode ter levado a uma gama mais diversa de plantas para se alimentar, seguido pelo surgimento de dinossauros herbívoros maiores e mais diversos.
Por sua vez, essa fase levou à evolução dos dinossauros carnívoros gigantes, amados por diretores de cinema e livros infantis, no início do período Jurássico, há 200 milhões de anos. A supremacia dos dinossauros durou até que um asteroide que atingiu a costa do que hoje é o México, há 66 milhões de anos, e condenou os dinossauros à extinção.
Antes desta última pesquisa, duas teorias foram propostas para explicar a transição de um mundo dominado por répteis não dinossaurianos para um em que os dinossauros eram ascendentes, observou o estudo.
Um modelo sugeriu que os dinossauros evoluíram para superar fisicamente seus rivais, segundo o estudo. A postura ereta dos dinossauros, resultante do posicionamento de seus membros posteriores diretamente abaixo de seu corpo, combinada com tornozelos flexíveis, os tornou altamente ágeis e mais eficientes do que seus concorrentes evolutivos, como répteis com pernas abertas.
Alternativamente, alguns pesquisadores acreditam que os dinossauros foram, por acaso, mais capazes de se adaptar às mudanças climáticas dramáticas que ocorreram no final do Triássico.
Qvarnström disse que a pesquisa baseada nos fósseis polacos sugeriu que uma combinação das duas hipóteses fornecia uma explicação mais provável, com uma “interação complexa de vários processos” que significava que os dinossauros eram mais capazes de lidar com a forma como as mudanças ambientais alteraram a disponibilidade de alimentos.
Por exemplo, o estudo descobriu que os resíduos alimentares extraídos de bromalitos pertencentes a dicinodontes, um parente antigo de mamíferos com cabeça em forma de tartaruga, sugeriam que a criatura tinha uma dieta restrita, alimentando-se principalmente de coníferas. Ele desapareceu do registo fóssil há cerca de 200 milhões de anos.
Os dinossauros, por outro lado, pareciam comer uma ampla variedade de plantas. Por exemplo, a equipe descobriu que o conteúdo dos coprólitos dos primeiros grandes dinossauros herbívoros, os sauropodomorfos, continha grandes quantidades de fetos arborescentes, mas também muitos outros tipos de plantas e carvão vegetal. A equipe suspeita que o carvão ajudou a desintoxicar dos fetos, que podem ser tóxicos.
Grzegorz Niedźwiedzki, autor sénior do estudo e paleontólogo do departamento de biologia do organismo; evolução e desenvolvimento da Uppsala, disse que a razão por trás do sucesso evolutivo dos dinossauros era uma mensagem que ainda se aplica hoje: “Coma seus vegetais e viva mais tempo”.
in CNN Brasil
Postado por Fernando Martins às 17:06 0 comentários
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Mais dados sobre a evolução das aves...!
Investigador da U.Porto ajuda a desvendar árvore filogenética das aves
Descoberta publicada na revista "Nature" lança as bases para a construção da árvore genealógica de aves mais abrangente de sempre.

Depois de décadas refém de resultados contraditórios, a árvore filogenética das aves acaba finalmente de ser desvendada, com a colaboração do investigador do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR) e professor da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), Agostinho Antunes.
Muitos estudos anteriores tinham tentado construir a árvore filogenética das aves, usando pequenos conjuntos de dados de diferentes regiões genómicas. Contudo, estes trabalhos produziam frequentemente resultados contraditórios.
O estudo intitulado “Complexity of avian evolution revealed by family-level genomes”, publicado na revista prestigiada Nature e que envolveu o investigador do CIIMAR e professor associado FCUP, permitiu usar, pela primeira vez, dados completos a uma escala genómica para construir a árvore para espécies de aves. Uma reconstrução intrincada que ilustra 93 milhões de anos de relações evolutivas entre 363 espécies de aves, representando 92% de todas as famílias destes animais.
Segundo Agostinho Antunes, “esta nova árvore genealógica será uma base sólida para mapear a história evolutiva de todas as espécies de aves, com implicações importantes para a investigação ornitológica, estudos de biodiversidade e conservação.”
Este conjunto completo de dados genómicos foi produzido pelo consórcio B10K (Bird 10 000 Genomes Project) após a sequenciação de 48 genomas de aves publicados em 2014 na revista Science, que também contou com a colaboração de investigador do CIIMAR e professor da FCUP. O trabalho publicado agora efetua um grande avanço aos trabalhos anteriores.
Mais dados e mais completos
Ao empregar dados completos do genoma de 363 espécies de aves, o estudo agora publicado envolveu o maior conjunto de dados já utilizado para análises filogenéticas de aves. Para isso, a equipa do B10K construiu um novo pipeline para extrair mais de 150 mil regiões espalhadas pelo genoma. A caracterização das relações filogenéticas em todo o genoma permitiu identificar padrões associados ao contexto genómico e às características da sequência.
Agostinho Antunes clarifica de que forma isso distingue este estudo das tentativas anteriores: “As várias partes do genoma, por exemplo, cromossomas individuais ou genes codificadores de proteínas, sustentam, muitas vezes, árvores muito diferentes. Isso possivelmente explica o motivo pelo qual os estudos anteriores, que analisaram apenas certas porções genómicas, estavam em conflito.”
A equipa de trabalho descobriu que, para a maioria dos agrupamentos, é possível chegar a um consenso sobre os seus relacionamentos, quando uma quantidade suficiente de dados é usada. Mas as posições filogenéticas de alguns grupos de aves, como é o caso das corujas ou dos falcões, permanecem intrigantes, mesmo com dados em escala completa do genoma. É nestes casos, em que reunir grandes quantidades de dados de alta qualidade é fundamental para se produzir uma árvore filogenética robusta.
Esta nova árvore genealógica resolve alguns destes debates de longa data sobre as relações entre as espécies de aves e estabelece uma base sólida para o estudo da evolução das aves e do desenvolvimento de características, desvendando novos caminhos naquela que ainda é a longa jornada para compreender completamente os mistérios da evolução das aves.

Professor Associado do Departamento de Biologia da FCUP, Agostinho Antunes lidera o grupo de «Genómica Evolutiva e Bioinformática» do CIIMAR
Uma escala temporal precisa
Apesar dos esforços anteriores para compreender os impactos do evento Cretácico-Paleogénico, utilizando dados morfológicos e moleculares, as relações entre as linhagens neoaviárias permaneceram controversas. Os métodos aplicados neste trabalho basearam-se na comparação de genomas de espécies vivas que, no entanto, permitem obter informação de eventos que aconteceram há muito tempo atrás.
Através de métodos computacionais de ponta e recursos de supercomputação de última geração, o estudo permitiu propor uma escala temporal mais precisa para a diversificação das aves modernas, sugerindo que se deu uma rápida radiação durante ou perto da extinção em massa na fronteira Cretácico-Paleogénico (o evento associado à extinção dos dinossauros) e após o Paleogénico-Neogénico.
“Aproximadamente 95% de todas as espécies de aves atuais (Neoaves), emergiu desta radiação!” reforça o investigador do CIIMAR e professor na FCUP. A nova árvore desafia a organização dos Neoaves ao classificar este grande grupo em quatro clados principais: Mirandornithes, Columbaves, Elementaves e Telluraves.
Os investigadores descobriram que estas radiações coincidiam com mudanças genéticas e morfológicas notáveis dentro das aves: maiores taxas de mutação, tamanhos corporais menores, cérebros maiores e tamanhos populacionais efetivos maiores.
“As aves são a única linhagem de dinossauros que sobreviveu até hoje. Há cerca de 66 milhões de anos, na fronteira do Cretácico-Paleogénico, um evento de extinção em massa destruiu todos os dinossauros não-aviários, proporcionando uma oportunidade para as aves se diversificarem rapidamente e ocuparem uma ampla gama de nichos ecológicos. As neoaves, um grupo diversificado que compreende aproximadamente 95% de todas as espécies de aves atuais, emergiu desta radiação. Dos imponentes condores dos Andes aos diminutos colibris que voam pelas florestas tropicais, as neoaves abrangem uma impressionante diversidade de formas e funções.”, conta Agostinho Antunes.
As primeiras aves
Usando métodos computacionais avançados, os investigadores também conseguiram esclarecer algo invulgar que tinha sido descoberto em 2014, mas que nunca tinha sido devidamente compreendido: uma secção específica de um cromossoma no genoma das aves permaneceu inalterada durante milhões de anos, anulando os padrões esperados de recombinação genética.
“Esta anomalia foi baseada na análise dos genomas de apenas 48 espécies de aves e levou inicialmente os investigadores a agrupar incorretamente os flamingos e as pombas como grupos evolutivos próximos, pois pareciam intimamente relacionados com base nesta secção inalterada do DNA. Ao repetir a análise usando os genomas de 363 espécies do atual estudo, surgiu uma árvore genealógica mais precisa que afastou os pombos dos flamingos. Essa deteção permitiu identificar atualmente um evento preciso que terá acontecido há mais de 60 milhões de anos, o que é extraordinário” explica o investigador do CIIMAR.
Este avanço é detalhado num artigo complementar publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) . Neste trabalho, os investigadores examinaram de perto um dos ramos da nova árvore genealógica e descobriram que os flamingos e as pombas estão mais distantemente relacionados do que as análises anteriores do genoma tinham mostrado.
Os resultados destes trabalhos lançam assim uma nova luz sobre os mecanismos adaptativos que impulsionaram a diversificação aviária no rescaldo do evento de extinção em massa Cretácico-Paleogénico.
Um voo de longa duração
Avançando com a investigação, a equipa promete continuar o esforço para desvendar por completo a evolução das aves. O trabalho futuro pretende conciliar a sequenciação dos genomas de outras espécies de aves para expandir a árvore genealógica a milhares de géneros de aves e optimizar algoritmos e recursos computacionais para acomodar conjuntos de dados ainda maiores, a fim de garantir que as análises em estudos futuros sejam conduzidas com alta velocidade e precisão.
No entanto, já é possível dizer que estes resultados alteram imensuravelmente as visões tradicionais sobre a história evolutiva das aves. Esta nova árvore genealógica será uma base sólida para mapear a história evolutiva de todas as espécies de aves, com implicações importantes para a investigação ornitológica, estudos de biodiversidade e conservação.
Como destaca Agostinho Antunes, os métodos computacionais desenvolvidos irão certamente ajudar a clarificar a árvore genealógica e a história evolutiva de outros seres vivos: “O impacto deste trabalho vai muito além do estudo da história evolutiva das aves. Os métodos computacionais pioneiros desenvolvidos irão certamente tornar-se ferramentas padrão para reconstruir árvores evolutivas de uma grande variedade de outros animais.”
Sobre o projeto B10K
O Projeto B10K (Bird 10 000 Genomes) é uma iniciativa que visa mapear os genomas de todas as aproximadamente 10.500 espécies de aves atualmente existentes na Terra.
Este ambicioso projeto procura construir uma árvore da vida das aves abrangente a partir do conhecimento completo dos seus genomas, descodificando as ligações entre a variação genética e as diferenças de características fenotípicas, desvendando a evolução molecular, a biogeografia e as inter-relações da biodiversidade, avaliando o impacto das mudanças ambientais e humanas, atividades sobre evolução das espécies e biodiversidade, e revelando a história populacional de todo o grupo de aves.
Os trabalhos agora publicados do B10K foram lideradas por Josefin Stiller (University of Copenhagen, Denmark), Siavash Mirarab (University of California San Diego, USA) e Guojie Zhang (Zhejiang University, China), e incluíram vários outros investigadores internacionais entre os quais Agostinho Antunes.
Postado por Fernando Martins às 16:45 0 comentários
Marcadores: aves, evolução, filogenética, genoma, KTB, Projeto B10K
sexta-feira, abril 25, 2025
Os humanos (modernos) europeus são mais neandertais do que pensavam...
A história de amor entre humanos e Neandertais foi recente e breve
Um pai neandertal e a sua filha, reconstituição artística
Há cerca de 60 mil anos, os Neandertais da Eurásia Ocidental encontraram novos vizinhos: O Homo sapiens que migrava de África. Este encontro levou a um breve período de cruzamento que deixou um legado genético.
Um estudo recente, baseado em centenas de genomas antigos e modernos, identificou quando começou esta mistura genética e revelou que durou apenas um curto período.
O estudo, pré-publicado no bioRxiv, mas ainda não revisto por pares, oferece uma cronologia detalhada da interação entre o Neandertal e os humanos contemporâneos. Os investigadores conseguiram localizar sequências de ADN do Neandertal no genoma homo sapiens com uma precisão sem precedentes.
Estimativas anteriores sugeriam que o cruzamento entre os Neandertais e os humanos modernos teria ocorrido entre 50 mil e 60 mil anos atrás.
No entanto, a nova análise indica que o fluxo genético começou há cerca de 47 mil anos e durou cerca de 6.800 anos. Embora quase 7 mil anos possam parecer extensos, é notavelmente breve em escala.
Leonardo Iasi, geneticista evolutivo do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, e a sua equipa utilizaram esta comparação em grande escala para seguir a “introgressão” de sequências derivadas do Neandertal no genoma sapiens.
As suas descobertas mostraram que estas contribuições genéticas foram mais proeminentes durante um único impulso de fluxo genético que coincidiu com o período em que os Neandertais estavam quase extintos.
Curiosamente, muitas das contribuições genómicas dos Neandertais foram rapidamente removidas do genoma humano. Os genomas humanos modernos contêm vastos “desertos” desprovidos de ADN neandertal, escreve a revista Nature.
Estas regiões já estavam presentes nos genomas antigos, desde as últimas fases da interação entre humanos e Neandertais.
De acordo com Emilia Huerta-Sanchez, bióloga evolutiva da Universidade de Brown, esta rápida remoção sugere que muitas sequências neandertais eram prejudiciais para os humanos e foram ativamente selecionadas pela seleção natural.
“Ao incorporar genomas humanos antigos, aprenderam mais sobre a forma como as forças evolutivas moldaram a variação do Neandertal nas populações humanas”, explica Huerta-Sanchez.
Contudo, há uma escassez de dados genómicos humanos ancestrais de regiões como a Oceânia e a Ásia Oriental. Isto é particularmente intrigante porque os humanos modernos da Ásia Oriental retêm cerca de 20% mais ADN de Neandertal do que os seus homólogos europeus.
Esta diferença sugere que a dinâmica da interação entre humanos modernos e Neandertais variou significativamente nas diferentes regiões.
in ZAP
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Marcadores: ADN, evolução, Homo sapiens, neandertais



