Num de seus mais famosos momentos, ao ser questionado repetidamente por repórteres em
Nova Iorque, durante uma série de conferências, por que queria escalar o
monte Everest, respondeu a um deles "
Porque está lá", frase hoje associada para sempre a si e ao montanhismo.
(...)
Alpinista
Em 1904, Mallory e um amigo tentaram escalar o Monte Vélan, nos Alpes, mas retornaram pouco antes de alcançarem o topo, por causa do mal de altitude. Em 1911, Mallory escalou o Monte Branco.
Por volta de 1913 ele estava no ápice de suas capacidades de alpinista em terrenos rochosos, tendo escalado o Pillar Rock, no Lake District, sem assistência, o que hoje em dia é conhecido como a "Mallory's Route" (Rota de Mallory) – agora classificada "Dura, muito severa" 5a (graduação americana 5.9). Foi a rota mais difícil de toda a Grã-Bretanha por muitos anos.
Em 1921, durante uma missão de exploração de rotas no passo norte do Everest, ele escalou diversos picos mais baixos, perto do Everest, a fim de melhor conhecer a geografia da região.
Em 1922, enquanto Mallory liderava um grupo de alpinistas na descida do passo norte do Everest sob neve, uma avalanche caiu sobre o grupo, matando sete sherpas.
Em 8 de junho de 1924, George Mallory e Andrew Irvine
tentaram atingir o topo do Everest pela face norte. O companheiro de
expedição Noel Odell afirma tê-los visto às 12.50 na ascensão de uma das
rotas principais da crista norte, e "progredindo fortemente para o
topo", mas nenhuma prova pode demonstrar que eles atingiram o topo. Eles
jamais retornaram ao acampamento avançado, tendo sucumbido nalgum
lugar da montanha.
Em 1995, o neto de Mallory, George Mallory II, atingiu o topo do Everest.
Perdido no Everest
Em
1 de maio de
1999, uma expedição
norte-americana, patrocinada em parte por
Nova e pela
BBC,
encontrou o corpo congelado de George Mallory, a 8000 metros de altitude, na face
norte do Everest. No entanto, não localizaram nenhuma das duas
câmaras que ele e Irvine tinham aparentemente carregado. Especialistas da
Kodak
afirmaram que se uma das câmaras fosse encontrada com seu filme,
existiria uma boa probabilidade de que o filme pudesse ser revelado,
devido à natureza do filme preto e branco utilizado e ao facto de ele ter
sido mantido congelado por mais de 75 anos.
As fotos dessas câmaras poderiam finalmente esclarecer se eles realmente alcançaram o topo antes de morrerem. Em
2004,
outra expedição foi organizada para procurar as câmaras e outras
pistas, pouco importando sua importância, de que eles alcançaram o topo,
mas nenhuma nova evidência foi encontrada. Uma terceira expedição de
busca foi feita em 2005, também sem resultados. A questão do sucesso ou
fracasso da dupla em alcançar o topo do Everest ficará provavelmente
sem resposta para sempre, a menos que alguma nova evidência seja
encontrada na montanha. Com o passar dos anos, as hipóteses de se
encontrar alguma coisa diminuem cada vez mais.
Em 1975, um alpinista chinês
chamado Wang Hongbao declarou ter visto o corpo de um "velho inglês
morto" perto do topo. Tragicamente, Hongbao morreu em uma avalancha no
dia seguinte, antes que a localização pudesse ser feita de maneira
precisa. As informações mais recentes indicam a vários analistas que o
corpo avistado por Hongbao seria o de Irvine.
Além das câmaras, dois detalhes observados quando da descoberta do corpo de Mallory são importantes, apesar de não conclusivos per se:
- Primeiro, a filha de Mallory sempre afirmou que Mallory
carregava uma fotografia da esposa com ele, com a intenção de deixá-la
no pico quando este fosse alcançado. Essa foto não foi encontrada com o
corpo quando ele foi descoberto. Dada o excelente estado de preservação
do corpo e de seus apetrechos, isso aponta para a possibilidade que ele
possa ter alcançado o topo e lá depositado a foto;
- Segundo, os óculos de Mallory estavam em seu bolso quando o corpo
foi encontrado, indicando que ele morreu à noite. Isso implica que ele e
Irvine teriam feito um esforço para alcançar o pico e estariam descendo
bem no final do dia. Dados a hora de partida e movimentos conhecidos,
se eles não tivessem alcançado o topo, seria pouco provável que eles
ainda estivessem em expedição ao cair da noite.
No entanto, resta a incerteza de que eles alcançaram o topo, o que
seria um feito extraordinário, precedendo de 29 anos a ascensão de Hillary e Norgay
de 1953. Do ponto de onde é comummente aceite que eles começaram a
ascensão – apesar de o fotógrafo da expedição de 1924, John Noel, manter
até à sua morte a versão de que ele sabia que eles tinham começado a
escalada de um acampamento mais alto do que se acredita – eles teriam
necessitado de cerca de onze horas. Eles tinham somente oito horas de
oxigénio disponível, assim – apesar de isso depender do fluxo de
oxigénio, que podia ser controlado e não foi necessariamente utilizado
ao máximo – pode ter faltado oxigénio antes de eles terem atingido o
topo do monte.
Vários alpinistas experientes discordam da eventualidade de que
Mallory teria sido capaz de escalar o difícil e infame "Second Step" da
face norte, atualmente facilitado por uma escada de alumínio instalada, de maneira permanente, por uma equipe chinesa em 1975, a fim de evitar o
problema. No entanto, Mallory era conhecido por ter vencido um obstáculo
bastante semelhante em condições alpinas no Nesthorn suíço, e os seus companheiros não tinham dúvidas de sua capacidade e motivação.
Em 2007, o alpinista Conrad Anker, que encontrou o corpo de
Mallory, testou o equipamento de Mallory e Irvine durante as gravações do
documentário "The Wildest Dream", e escalou o "Second Step" de forma
livre, sem o auxilio da escada de alumínio instalada pelos Chineses em
1975, provando que é possível que Mallory e Irvine tenham conseguido
também superar o obstáculo.