domingo, agosto 09, 2026

O massacre de Corumbiara foi há 31 anos...

(imagem daqui)
         
O massacre de Corumbiara foi o resultado de um conflito violento, ocorrido a 9 de agosto de 1995, no município de Corumbiara, no estado de Rondónia. 
  
Conflito 
O conflito começou quando policiais entraram em confronto com camponeses sem-terra que estavam ocupando uma área, resultando na morte de 10 pessoas, entre elas uma criança de nove anos, e dois polícias.
Em agosto de 1995, cerca de 600 camponeses haviam se mobilizado para tomar a Fazenda Santa Elina, tendo construído um acampamento no latifúndio improdutivo. Na madrugada do dia 9, por volta das três horas, pistoleiros armados, recrutados nas fazendas da região, além de soldados da Polícia Militar com os rostos cobertos, iniciaram os ataques ao acampamento.
 
Mortos   
O número oficial de mortos no massacre é de 16 pessoas e sete desaparecidos. Para os agricultores, entretanto, o número de mortos pode ter passado de 100 pois, segundo eles, muitos mais teriam sido mortos por polícias e jagunços, e enterrados sumariamente. Depois de horas de tiroteio, os camponeses não tinham mais munições para as suas espingardas. O Comando de Operações Especiais, comandado na época pelo capitão José Hélio Cysneiros Pachá, atirou bombas de gás lacrimogénio e acendeu holofotes contra as famílias. A chacina ocorreu durante o governo estadual de Valdir Raupp (PMDB), que foi posteriormente eleito Senador pelo estado de Rondónia.
Mulheres foram usadas como escudo humano pelos policiais e pelos jagunços do fazendeiro Antenor Duarte. A pequenina Vanessa, de apenas seis anos, teve o corpo trespassado por uma bala "perdida", quando corria juntamente com a sua família. Cinquenta e cinco posseiros ficaram gravemente feridos. Os laudos tanatoscópicos provaram execuções sumárias. O bispo de Guajará Mirim, D. Geraldo Verdier, recolheu amostras de ossos calcinados em fogueiras do acampamento e enviou a Faculté de Médicine Paris-Oeste, que confirmou a cremação de corpos humanos no acampamento da fazenda.
Desde 1985 os camponeses se organizavam, tendo criado as vilas de Alto Guarajús, Verde Seringal, Palmares do Oeste, Rondolândia, e mais tarde o povoado de Nova Esperança - posteriormente cidade de Corumbiara. Dez anos depois, foram vítimas da chacina. E até hoje os familiares das vítimas aguardam uma indemnização.
 
Repercussão   
A assessoria jurídica da CPT RO e a CJP (Comissão Justiça e Paz de Porto Velho) acompanham o processo judicial a favor da indemnização das famílias vítimas da chacina.
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) aprovou, em 24 de abril de 2013, proposta que concede amnistia aos trabalhadores rurais e policiais militares de Rondónia punidos no episódio conhecido como Massacre de Corumbiara. Dois camponeses foram condenados na ocasião (Claudemir Gilberto Ramos e Cícero Pereira Leite Neto), pela morte de dois policiais. O Projeto de Lei 2000/11, do deputado João Paulo Cunha (PT-SP), propunha a amnistia apenas aos sem-terras. Para o deputado, o Poder Judiciário do Estado de Rondónia condenara injustamente os camponeses por homicídio, tendo absolvido a quase totalidade dos polícias militares, que teriam sido os responsáveis pelo massacre. Todavia o relator da proposta, deputado Vieira da Cunha (PDT-RS), incluiu os policiais militares na proposta de amnistia, após manifestações de outros parlamentares. "A amnistia deve ser ampla e irrestrita", justificou.
 

Jerry Garcia morreu há trinta e um anos...

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Jerome John "Jerry" Garcia (San Francisco, 1 de agosto de 1942 - Forest Knolls, California, 9 de agosto de 1995) foi guitarrista, vocalista e letrista da lendária banda de rock psicadélico Grateful Dead. Foi considerado o 46º melhor guitarrista de todos os tempos pela revista norte-americana Rolling Stone.

   

(...)

     

Jerry Garcia por vezes teve a saúde ameaçada por causa do seu peso instável, e, em 1986, entrou em coma diabético, que quase lhe custou a vida. Apesar da sua saúde ter melhorado após esses incidentes, ele também teve que lutar contra o vício do consumo de heroína e cocaína. Morreu em 1995 quando estava internado num centro de reabilitação para dependentes químicos na Califórnia, vítima de um ataque cardíaco. O seu corpo foi cremado e parte de suas cinzas espalhadas no Rio Ganges na Índia e a outra parte por baixo da Ponte Golden Gate, Califórnia no Estados Unidos. Desde então tornou-se uma figura muito respeitada na cultura musical americana.

  

 

Gregory Hines morreu há vinte e três anos...

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Ator, bailarino, cantor, coreógrafo, nasceu em Nova York, e tornou-se um dos mais famosos sapateadores de todos os tempos, bem como uma premiada estrela do palco e tela. Ele começou a se apresentar como um membro do grupo de dança "Hines, Hines e papá", com o seu pai e irmão. Ele apareceu pela primeira vez nos palcos da Broadway com a idade de oito anos, atuando como engraxador na comédia musical "The Girl in Pink Tights", de março a junho de 1954. Ele recebeu a sua primeira nomeação para o Tony (Melhor destaque num musical) em 1979, pelo seu papel na Broadway na revista musical "Eubie!". Ele ganhou o Theatre World Award de 1979 com o mesmo desempenho. Ele protagonizou os três musicais, "Uptown Comin '" (1979-80), "Sophisticated Ladies" (1981-83), e "Jelly's Last Jam" (1992-93). Ele foi nomeado para o Melhor Ator no Musical Tony Award para os três papéis, e ganhou em 1992, pela sua performance como Jelly Roll Morton em "Jelly's Last Jam". Também ganhou o Drama Desk Award de Melhor Ator em um Musical para este desempenho, e foi nomeado para o Tony e o Drama Desk Awards por sua coreografia para este show. Os seus créditos no cinema inclui papéis em "História do Mundo: Parte 1", "White Nights", "Toque", "Renaissance Man", "Waiting to Exhale" e "The Preacher's Wife". Na televisão incluídos os filmes "TV Eubie!" e "The Kid Cherokee"; papéis do convidado em shows como "Faerie Tale Theatre", "Amazing Stories", e "Law & Order" e papéis recorrentes em "The Gregory Hines Show", "Little Bill", "Will & Grace " e " Lost at Home ". Ele gravou um dueto de "There's Nothing Better Than Love" com Luther Vandross, e também lançou um álbum auto-intitulado, em 1987.
Hines morreu de cancro de fígado na tarde de sábado, 9 de agosto de 2003, no caminho de sua casa em Los Angeles, Califórnia, para um hospital. Ele tinha 57 anos e estava noivo de Negrita Jayde, no momento da sua morte. Além do seu pai e irmão, deixou a noiva, Negrita Jayde, uma filha, Daria Hines, um filho, Zach; uma enteada, Jessica Koslow e um neto.
        

Alexandre de Rezende, guitarrista, compositor e cantor do fado de Coimbra, nasceu há 140 anos...

 


 
ALEXANDRE de REZENDE (1886 - 1953). Guitarrista, compositor e cantor de Coimbra.

Faz hoje, dia 2 de fevereiro de 2013, 60 anos que ALEXANDRE AUGUSTO de REZENDE MENDES, ou ALEXANDRE AUGUSTO MENDES de PINA e ALBUQUERQUE REZENDE, faleceu em Lisboa, no ano de 1953, nascera em Campinas, estado de S. Paulo, Brasil, a 9 de agosto de 1886. O pai, Alexandre Augusto de Albuquerque Mendes de Pina e Rezende, fora Cônsul Honorário de Portugal, em Campinas. A mãe, D. Ana Duarte Gouveia de Rezende, faleceu quando o jovem Alexandre tinha 10 anos. Filho de pai fidalgo e abastado, vem para Portugal, passa pelos liceus da Guarda e de Lamego, e aos 16 anos instala-se com o progenitor, em Coimbra, em Celas. No ano seguinte, com 17 anos, faz exame de admissão à 5ª Classe do Liceu, em Coimbra, mas reprova. Nunca entrou na Universidade de Coimbra. Vivia em Celas, na Casa Grande de Celas, edifício que hoje já não existe, e onde havia sempre uma ajuda para os estudantes com mais dificuldades financeiras. Eram gente fraterna e solidária. Na sua casa, juntavam-se todos os que precisavam de ajuda e se entregavam nos serões gastronómicos e musicais, que Alexandre e o pai, lhes proporcionavam. O seu amigo Rafael Salinas Calado (1893 – 1962), no seu livro “Memórias de um estudante de Direito”, diz:

- “O Alexande Rezende. Não era estudante, já no meu tempo, mas acamaradava com galhardia e com amizade, recíproca, com muitos estudantes. Alto, esbelto, delgadinho, valente e destemido, sempre muito janota, abastado, muito leal, cantava muito bem e muito bem tocava guitarra.

Tinha uma pecha curiosa, ou antes uma imunidade muito característica.

Quando era preciso beber, bebia tanto ou mais que os outros, mas rijo, nada o virava, e calmo e, fleumático, não deixava adivinhar o estado em que se encontrava.” (vem depois uma estória de uma serenata, a umas senhoras gentilíssimas da Figueira, que os copos a mais, prejudicaram o final ...).

Alexandre Rezende, conviveu com a juventude estudantil do seu tempo em Coimbra, dos quais referiremos apenas Manassés de Lacerda (1885 – 1962), durante algum tempo, pois este segue cedo para o Porto, Alexandre Torres (1886 – 1969), Francisco Menano (1888 – 1970), Patrocíno Dias (1884 – 1965), muito, Paulo de Sá (1891 – 1952), António Menano (1895 – 1969), e muitos outros não estudantes, mas que eram famosos na altura, como os irmãos Caetanos, Francisco (1884 – 1956), Alberto (1888 – 1941) e José (1894 – 1971), José Trego (1883 – 1976) e outros. Na sua casa, cantava-se e tocavam-se guitarradas , o chamado Fado de Coimbra era presença indispensável, mas noites havia, em que o Fado de Lisboa era rei. Ficaram famosas as comezainas bem regadas, que pai e filho proporcionavam, na casa de Celas, sendo que não faltavam os charutos, as declamações poéticas e versalhadas do mais fino estilo. Consta que as tascas e tabernas de Coimbra, conheciam bem esta rapaziada, que parece terem eleito como templo principal, das suas noite de petiscos e comezainas musicais, a Tasca do Magrinho.

Era usual, deslocarem-se para fora de Coimbra, onde nas casas abastadas e fidalgas, em serões de antologia, se ouviam os estudantes de Coimbra, nos seus Fados e Guitarradas. Entre outras, a Condessa de Proença-a-Velha, D. Maria de Melo Furtado Caldeira Geraldes de Bourbon (1864 – 1944), quando se deslocava a Mogofores (Anadia), mas também em Penamacor, Lisboa e por vezes Coimbra, promovia com forte entusiasmo estes serões culturais. Deixou escrito, livros que atestam estas vivências inesquecíveis, a que Augusto Hilário (1864 – 1996), foi no seu tempo uma presença privilegiada, pois para além do mais, eram da mesma idade.

Alexandre de Rezende, mais tarde constituiu família, e veio a ser Administrador de concelho em Montemor-o-Velho, Fornos de Algodres (terra do famoso Jaime de Abreu, e da família Menano), e Celorico da Beira, procurando sempre nesses lugares, manter estes serões culturais, a fidalguia residente e com artistas amadores. Tendo em atenção o trabalho do Coronel José Anjos de Carvalho e do Mestre Dr. António Manuel Nunes, poderemos dizer que o AR, gravou nos anos longínquos de 1929, quatro fonogramas etiqueta Parlophon. Coloca-se a hipótese de haver ainda mais uma gravação, não totalmente identificada. Como composições de Alexandre de Rezende podemos referir, com música sua:

- D’UM OLHAR (As meninas dos meus olhos)
- FADO DE MINHA MÃE (Minha mãe é pobrezinha)
- INQUIETAÇÃO (Quanto mais foges de mim)
- FADO DA MENTIRA (Ninguém conhece no rosto)
- O MEU MENINO (O meu menino é de oiro)
- O MEU FILHINHO (À mãe de Nosso Senhor)
- FADO DA SUGESTÃO (Não digas não, dize sim)
- FADO DA GRAÇA (Dona Clarinha da Graça)
- FADO DA LUZ (Tenho uma luz que me guia)
- FADO DA MONTANHA (Quem por amor se perdeu)
- FADO TRISTE (Tive um só amor na terra)
- FADO REZENDE (ao morrer os olhos dizem)

Existem ainda composições suas, que de acordo com os autores referidos JAC e AMN, não se conhecem solfas impressas, estando os respetivos fonogramas inacessíveis. É o caso dos fonogramas da Parlaphom, B. 33500 e B. 33505, onde figuram as composições Canção da Despedida e Fado do Conde da Covilhã, no primeiro, e Fado da Minha Mãe e Canção da Raia, no segundo. Um outro fonograma tem duas composições ao estilo de Fado de Lisboa, com as composições, Fado de Lisboa e Fado da Fadistice. Alexandre de Rezende, faleceu em Lisboa a 2 de fevereiro de 1953. A 9 de agosto desse ano, faria 67 anos.
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Manuel Marques Inácio

NOTA - Para um conhecimento mais profundo de Alexandre de Rezende, veja o que se encontra no link que se segue, da autoria de Anjos de Carvalho e António Manuel Nunes: 
   

Urbano Tavares Rodrigues morreu há treze anos...

 

Urbano Augusto Tavares Rodrigues (Lisboa, 6 de dezembro de 1923 - Lisboa, 9 de agosto de 2013) foi um escritor e jornalista português.

 

Primeiros anos e formação

Urbano Tavares Rodrigues nasceu na freguesia de Santa Catarina, na cidade de Lisboa, em 6 de Dezembro de 1923. Era filho do escritor Urbano Rodrigues e de Maria da Conceição Tavares Rodrigues, doméstica, natural de Sintra (freguesia de Colares). Provinha de uma família de grandes proprietários agrícolas. Passou a infância e a adolescência na região do Alentejo, tendo frequentado a escola primária em Moura. Estudou depois no Liceu de Camões, em Lisboa, com o seu irmão Miguel Urbano Rodrigues. Tirou a licenciatura em Filologia Românica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.  Embora tivesse sido educado num ambiente católico tradicional, abandonou a religião durante a sua adolescência, por motivos morais.

 

Carreira profissional e artística

Exerceu como professor, primeiro no Liceu de Camões e, a partir de 1957, na Faculdade de Letras, a convite de Vitorino Nemésio, onde ensinou Literatura Francesa e Portuguesa. No ano seguinte, apoiou a candidatura de Humberto Delgado a presidente da república, tendo sido por esse motivo interdito de trabalhar como professor em estabelecimentos de ensino do estado. Esteve preso em Caxias, tendo-se depois exilado em França. Na cidade de Paris, esteve com algumas das figuras intelectuais mais marcantes dos anos 50, como Albert Camus, que o influenciaram no existencialismo francês. Foi leitor de português nas Universidades de Montpellier, Aix-en-Provence e Sorbonne, em Paris, entre 1949 e 1955.

No regresso a Portugal, ensinou no Colégio Moderno e no Liceu Francês. Começou igualmente a trabalhar em publicidade e no jornalismo, tendo escrito para os periódicos Artes e Letras, Jornal do Comércio, O Século e Diário de Lisboa, onde fez crítica teatral, Bulletin des Études Portugaises, Colóquio-Letras, Jornal de Letras, Vértice e Nouvel Observateur. Ocupou igualmente a posição de diretor na revista Europa, e escreveu crónicas de viagens de várias partes do mundo para o jornal Diário de Lisboa, que foram compiladas nos volumes Santiago de Compostela (1949), Jornadas no Oriente (1956) e Jornadas na Europa (1958).

Urbano Tavares Rodrigues foi um defensor dos ideais democráticos, tendo sido em grande parte influenciado pelo seu pai, de índole republicana, que apoiou a candidatura de Manuel Teixeira Gomes à presidência da República.  Lutou contra o governo ditatorial, tendo enfrentado a polícia de choque duas vezes, uma delas em meados da década de 60, contra a deportação de um amigo, tendo ficado com um dos braços fraturado. Foi atacado pela Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) desde a sua juventude, tendo chegado a ser preso em 1963 e 1968. Era amigo de Mário Soares, ligação que esmoreceu com a integração de Urbano Tavares Rodrigues no Partido Comunista Português.  Com efeito, fez parte da direção intelectual do partido, embora se tenha recusado a utilizar as suas obras como um instrumento de propaganda, e tenha fortemente criticado, em diversas ocasiões, a linha estalinista. Autoclassificou-se como um comunista heterodoxo, ideais que se refletiram no seu estilo literário.  Devido às suas diferenças culturais em relação à linha comunista, chegou a ter problemas dentro do partido, embora tenha permanecido como militante. Segundo o próprio, foi devido aos seus ideais políticos que nunca chegou a receber o Prémio Camões.

Urbano Tavares Rodrigues destacou-se igualmente como crítico literário e como escritor, tendo publicado principalmente obras de romance, prosa poética, conto, poesia e ensaios. O seu primeiro livro foi a coletânea de novelas e contos A Porta dos Limites, em 1952, que foi bem recebido pela crítica.  Apesar dos problemas que enfrentou durante a ditadura, ainda escreveu cerca de vinte obras de ficção durante esse período, tendo a última sido Estrada de Morrer, em 1972.

Continuou a escrever após a restauração da democracia em 1974, tendo publicado cerca de um livro por ano até ao seu falecimento, totalizando mais de quarenta obras. Ainda em 1974 publicou a obra Dissolução. O seu último livro antes de falecer foi A Imensa Boca dessa Angústia e Outras Histórias, tendo a editora D. Quixote editado postumamente a sua obra Nenhuma Vida, e em 2007 iniciou a publicação das suas obras completas. Também apoiou as carreiras de vários escritores, tendo escrito prefácios ou feito apresentações públicas de diversas obras. Um dos seus poemas foi musicado pelo cantor Adriano Correia de Oliveira.

Após a revolução de 25 de Abril de 1974, que restaurou a democracia em Portugal, Urbano Tavares Rodrigues retomou a sua carreira docente na Faculdade de Letras, onde se doutorou em 1984 com a tese Manuel Teixeira Gomes: O Discurso do Desejo. Jubilou-se em 1993 com a posição de professor catedrático.

Esteve muito ligado ao Algarve, tendo retratado a região em várias obras, nomeadamente Nunca diremos quem sois e Os Cadernos Secretos do Prior do Crato. Também participou em diversas iniciativas no Algarve, incluindo uma entrevista filmada com o diretor do Museu do Traje de São Brás de Alportel sobre o professor Estanco Louro.

 

Família e falecimento

A 3 de outubro de 1949, casou na igreja paroquial de São José, em Lisboa, com a também escritora Maria Judite de Carvalho. Era pai de Isabel Fraga e António Urbano.

Nos seus últimos anos de vida, sofreu de uma insuficiência cardíaca, que o deixou cada vez mais enfraquecido, embora continuasse a sua carreira literária. Em 6 de agosto de 2013, foi internado no Hospital dos Capuchos, em Lisboa, onde faleceu, três dias depois, aos 89 anos de idade. O corpo foi colocado em câmara ardente na sede da Sociedade Portuguesa de Autores, em Lisboa, tendo depois seguido para o Cemitério do Alto de São João.

 

 

Mulheres do Alentejo


Mulheres do Alentejo
Com papoilas nos olhos
São primaveras erguidas
Contra os bastões contra as balas
Oculto o rosto
Seus negros chapéus descidos
Frene ao sol
O claro choro nas mãos
Com bagos de amanhã.
São cor de terra
Cor de trabalho
Cor da habituação à dor.
Nossa Pátria do sofrimento
E do valor
Meu sinal de luz
Em toda a palavra que escrevo
Meu território do regresso e do futuro
Minha praia de secura
Percorrida pelo ódio e pelo pânico
Eis o ardente povo torturado
Esperança viva de um sonho feito carne
Mulheres searas fontes azinheiras
Nossa esperança, ainda em flor e fruto
No vermelho das feridas deste País de Abril

 

Urbano Tavares Rodrigues

sábado, agosto 08, 2026

Saudades de Raul Solnado...

O paleontólogo Henry Fairfield Osborn nasceu há 169 anos

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Era um especialista em mamíferos fósseis. Ele descobriu e nomeou os famosos Tyrannosaurus rex, em 1905, e Velociraptor, em 1924.
Foi laureado com a medalha Wollaston, pela Sociedade Geológica de Londres, em 1926.
 
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/94/Tyrannosaurus_Rex_Holotype.jpg/500px-Tyrannosaurus_Rex_Holotype.jpg?utm_source=pt.wikipedia.org&utm_campaign=parser&utm_content=thumbnail
Holotipo do Tyrannosaurus rex
   

Dustin Hoffman celebra hoje 89 anos

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Dustin Lee Hoffman (Los Angeles, 8 de agosto de 1937) é um ator norte-americano de ascendência judaica. Hoffman ganhou dois Óscares (pelas suas atuações em Kramer vs. Kramer e Rain Man), seis Globos de Ouros, quatro BAFTAs e dois Prémios Emmy, ao longo da sua carreira. Hoffman recebeu o AFI Life Achievement Award em 1999 e o Prémio Kennedy em 2012.
 
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/thumb/a/ad/Dustin_Hoffman_-_Little_Big_Man.jpg/500px-Dustin_Hoffman_-_Little_Big_Man.jpg?utm_source=en.wikipedia.org&utm_campaign=imageinfo&utm_content=thumbnail

   in Wikipédia

The Edge comemora hoje 65 anos...!

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David Howell Evans (Londres, 8 de agosto de 1961) mais conhecido por seu nome artístico The Edge (ou apenas Edge), é o guitarrista, backing vocal e teclista da banda de rock irlandesa U2. Em 2003, foi considerado o 38.º melhor guitarrista de todos os tempos pela revista norte-americana Rolling Stone.
 
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(...)
   
Edge também fornece o vocal de apoio para os U2. Em 1983, o álbum ao vivo do U2 e o lançamento do vídeo, Under a Blood Red Sky, e Live at Red Rocks: Under a Blood Red Sky são bons pontos de referência para o seu canto (como são os DVDs ao vivo da turnê Elevation Tour, U2 Go Home: Live from Slane Castle e Elevation 2001: Live from Boston).
The Edge canta a canção "Van Diemen's Land" e "Numb", a primeira metade de "Seconds". Faz um duplo vocal com Bono em "Discothèque", e uma ponte na canção "Miracle Drug". Os seu vocais de apoio (coros) sem frequentemente um falsete, como na canção "Stuck in a Moment You Can't Get Out Of", "Sometimes You Can't Make It on Your Own", "A Man and a Woman", "The Wanderer" e versões ao vivo de "The Fly" e "Window in the Skies".
Ele também canta como vocalista ocasional nas reedições ao vivo de outras músicas (como "Sunday Bloody Sunday" durante a Popmart Tour e "Party Girl" durante a Zoo TV Tour em Roterdão, no aniversário de Bono).
Além de seu papel regular nos U2, The Edge também gravou com artistas como Johnny Cash, BB King, Tina Turner, Ronnie Wood, Jay-Z e Rihanna.
 
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O mais famoso roubo de comboio no mundo foi há sessenta e três anos

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The Great Train Robbery was the robbery of £2.6 million from a Royal Mail train heading from Glasgow to London on the West Coast Main Line in the early hours of 8 August 1963, at Bridego Railway Bridge, Ledburn, near Mentmore in Buckinghamshire, England.
After tampering with the lineside signals in order to bring the train to a halt, a gang of 15, led by Bruce Reynolds, attacked the train. Other gang members included Gordon Goody, Buster Edwards, Charlie Wilson, Roy James, John Daly, Jimmy White, Ronnie Biggs, Tommy Wisbey, Jim Hussey, Bob Welch and Roger Cordrey, as well as three men known only as numbers "1", "2" and "3", two of whom later turned out to be Harry Smith and Danny Pembroke. A 16th man, an unnamed retired train driver, was also present.
With careful planning based on inside information from an individual known as "The Ulsterman", named (possibly erroneously) as Patrick McKenna in 2014, the robbers escaped with over £2.6 million (equivalent to £55 million in 2019). The bulk of the stolen money was never recovered. Though the gang did not use any firearms, Jack Mills, the train driver, was beaten over the head with a metal bar. Mills was so severely injured that he never worked again.
After the robbery, the gang hid at Leatherslade Farm. After the police found this hideout, incriminating evidence led to the eventual arrest and conviction of most of the gang. The ringleaders were sentenced to 30 years in jail. 
   
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Porque hoje é preciso recordar um Poeta...

(imagem daqui)

 

Quanto Morre um Homem

Quando eu um dia decisivamente voltar a face
daquelas coisas que só de perfil contemplei
quem procurará nelas as linhas do teu rosto?
Quem dará o teu nome a todas as ruas
que encontrar no coração e na cidade?
Quem te porá como fruto nas árvores ou como paisagem
no brilho de olhos lavados nas quatro estações?
Quando toda a alegria for clandestina
alguém te dobrará em cada esquina? 

 

 

in Aquele Grande Rio Eufrates (1961) - Ruy Belo

Joseph-Nicolas Robert-Fleury nasceu há 229 anos

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Joseph-Nicolas Robert-Fleury, né le 8 août 1797 à Cologne et mort le 5 mai 1890, dans le 6e arrondissement de Paris, est un peintre français.
Il est le père du peintre Tony Robert-Fleury.
 

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/96/Sc%C3%A8ne_de_la_saint-Barth%C3%A9lemy_-_Joseph-Nicolas_Robert-Fleury_-_MBA_Lyon_2014.jpg/500px-Sc%C3%A8ne_de_la_saint-Barth%C3%A9lemy_-_Joseph-Nicolas_Robert-Fleury_-_MBA_Lyon_2014.jpg?utm_source=fr.wikipedia.org&utm_campaign=imageinfo&utm_content=thumbnail
Scène de la saint-Barthélemy, assassinat de Briou, 1833, Musée du Louvre

 
Galilée devant le Saint-Office au Vatican, 1847, Musée du Louvre

Benny Carter nasceu há 119 anos...

 
Benny Carter, de seu nome completo Bennett Lester Carter (Nova Iorque, 8 de agosto de 1907 - Los Angeles, 12 de julho de 2003), foi um músico de jazz norte-americano. Foi compositor, tocou saxofone alto, clarinete e trompete e liderou diversas bandas, sendo uma das figuras principais do mundo do jazz, desde a década de 30 até à década de 90.
   

 


Dino De Laurentiis nasceu há 107 anos...

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/5d/Dino_de_laurentiis_crop.jpg/500px-Dino_de_laurentiis_crop.jpg?utm_source=pt.wikipedia.org&utm_campaign=imageinfo&utm_content=thumbnail
       
Agostino "Dino" De Laurentiis (Torre Annunziata, 8 de agosto de 1919 - Los Angeles, 10 de novembro de 2010) foi um produtor cinematográfico e empresário italiano, detentor da cidadania italiana e norte-americana. Após iniciar uma breve carreira como ator no final da década de 30 e no início da década de 40, dedicou-se à produção cinematográfica; ao lado de Carlo Ponti, foi um dos responsáveis por levar o cinema italiano ao cenário internacional no período pós-II Guerra Mundial. Além de colaborar com diretores famosos como Federico Fellini e Roberto Rossellini, De Laurentiis produziu ou coproduziu mais de 500 filmes, dos quais 38 foram indicados ao Óscar. Também foi o criador e proprietário da DDL Foodshow, uma rede de lojas especializadas em alimentos italianos.
     

Preta Gil nasceu há 52 anos...

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Preta Maria Gadelha Gil Moreira
(Rio de Janeiro, 8 de agosto de 1974 – Nova Iorque, 20 de julho de 2025) foi uma cantora, atriz, apresentadora e empresária brasileira. Filha do músico Gilberto Gil e da empresária Sandra Gadelha, era também meia-irmã do músico Bem Gil, da culinarista e apresentadora Bela Gil e da cantora Nara Gil, e sobrinha do músico Caetano Veloso.   
      

Shostakovich morreu há cinquenta e um anos...

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Dmitri Dmitriyevich Shostakovich (São Petersburgo, 25 de setembro de 1906 – Moscovo, 9 de agosto de 1975) foi um compositor russo e um dos mais célebres compositores do século XX.
Shostakovich ganhou fama na União Soviética graças ao mecenato de Mikhail Tukhachevsky, chefe de pessoal de Leon Trotsky, tendo mais tarde uma complexa e difícil relação com a burocracia estalinista. A sua música foi oficialmente denunciada duas vezes, em 1936 e 1948, e foi periodicamente banida. Não obstante, recebeu alguns prémios e condecorações estatais e serviu no Soviete Supremo da União Soviética. Apesar das controvérsias oficiais, os seus trabalhos eram populares e bem recebidos pelo público.
Após um período influenciado por Sergei Prokofiev e Igor Stravinsky, Shostakovich desenvolveu um estilo híbrido, como exemplificado pela sua ópera Lady Macbeth do Distrito de Mtsensk (1934). Esta obra individual justapôs uma variedade de tendências, incluindo o estilo neoclássico (mostrando a influência de Igor Stravinsky) e o estilo pós-romântico (após Gustav Mahler).
Os trabalhos orquestrais de Shostakovitch incluem quinze sinfonias e seis concertos. A sua música de câmara inclui quinze quartetos para cordas, um quinteto para piano, duas peças para um octeto de cordas e dois trios para piano. Para piano, ele compôs duas sonatas a solo, um primeiro conjunto de prelúdios e um outro conjunto mais tardio de prelúdios e fugas. Outros trabalhos incluem duas óperas e uma quantidade substancial de música para filmes.
     
 

José Lezama Lima morreu há cinquenta anos...

 

José Lezama Lima (Havana, 19 de dezembro de 1910 – Havana, 8 de agosto de 1976) foi um romancista, ensaísta e poeta cubano, considerado uma das figuras mais influentes da literatura latino-americana.
Nascido no Quartel Militar de Columbia, perto de Havana, na cidade de Marianao, onde o seu pai era coronel, Lezama viveu os tempos mais turbulentos da história de Cuba, lutando contra a ditadura de Machado, e mais tarde, sobrevivendo ao regime de Fidel Castro. Sendo homossexual, a sua obra literária inclui o romance barroco, semiautobiográfico, Paradiso, de 1966, a história de um jovem e das suas lutas contra misteriosas doenças, contra a morte do seu pai, e as suas sensibilidades homossexuais e poéticas em desenvolvimento. Lezama LIma coligiu ainda várias antologias de poesia cubana e colaborou nas revistas Verbum e Orígenes, sendo considerado o patriarca das letras cubanas na maior parte dos seus últimos anos.
Embora tenha deixado Cuba em pelo menos duas ocasiões (uma viagem à Jamaica e uma possível viagem ao México), a poesia de Lezama Lima, os seus ensaios e dois dos seus romances inspiraram-se em imagens e ideias de diversas culturas e períodos históricos. O estilo barroco que ele desenvolveu baseava-se em partes iguais na sua sintaxe influenciada por Góngora e por uma constelação assombrosa de imagens invulgares. O primeiro livro publicado de Lezama Lima, um longo poema intitulado "Muerte de Narciso", foi publicado quando ele tinha apenas vinte e sete anos, tornando-o instantaneamente famoso em Cuba e instituiu o estilo de Lezama e os seus temas clássicos.
Para além dos seus poemas e romances, Lezama Lima escreveu diversos ensaios sobre figuras da literatura mundial como Mallarmé, Paul Valéry, Góngora e Rimbaud, bem como sobre a estética barroca Latino-Americana. Muito notável são também os seus ensaios publicados como La expresión americana, descrevendo a sua visão do barroco europeu, a sua relação com os clássicos, e com o barroco Americano.
José Lezama Lima morreu em 1976 e foi enterrado no Cemitério Colon, em Havana. Foi muito influente para os escritores cubanos e porto-riquenhos da sua geração, como Virgilio Piñera, Reinaldo Arenas, René Marqués e Giannina Braschi, que representaram a sua vida nas suas obras.

 

AH, QUE TÚ ESCAPES

Ah, que tú escapes en el instante
en el que ya habías alcanzado tu definición mejor.
Ah, mi amiga, que tú no quieras creer
las preguntas de esa estrella recién cortada,
que va mojando sus puntas en otra estrella enemiga.
Ah, si pudiera ser cierto que a la hora del baño,
cuando en una misma agua discursiva
se bañan el inmóvil paisaje y los animales más finos: antílopes, serpientes de pasos breves, de pasos evaporados,
parecen entre sueños, sin ansias levantar
los más extensos cabellos y el agua más recordada.
Ah, mi amiga, si en el puro mármol de los adioses
hubieras dejado la estatua que nos podía acompañar,
pues el viento, el viento gracioso,
se extiende como un gato para dejarse definir.
 


in Enemigo Rumor (1941) - José Lezama Lima

Ruy Belo partiu há 48 anos...

 (imagem daqui)

 

Ruy de Belo (São João da Ribeira, Rio Maior, 27 de fevereiro de 1933 - Queluz, 8 de agosto de 1978) foi um poeta e ensaísta português.
      
Biografia
Em 1951 entrou para a Universidade de Coimbra, como aluno de Direito e tornou-se membro da Opus Dei. Concluiu o curso de direito em Lisboa, em 1956, ano em que partiu para Roma, doutorando-se em direito canónico pela Universidade S. Tomás de Aquino (Angelicum), dois anos depois, com uma tese intitulada "Ficção Literária e Censura Eclesiástica".
Regressado a Portugal, trabalhou no campo editorial e em 1961 entrou na Faculdade de Letras de Lisboa, recebendo uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian para investigação, abandonou a Opus Dei e foi leitor de Português em Madrid, entre 1971 e 1977.
Exerceu, ainda que brevemente, um cargo de diretor-adjunto no então Ministério da Educação Nacional, mas o seu relacionamento com opositores ao regime da época, a participação na greve académica de 1962 e a sua candidatura a deputado, em 1969, pelas listas da Comissão Eleitoral de Unidade Democrática, levaram a que as suas atividades fossem vigiadas e condicionadas. Ocupou, ainda, um lugar de leitor de Português na Universidade de Madrid (1971-1977). Regressado a Portugal, foi-lhe recusada a possibilidade de lecionar na Faculdade de Letras de Lisboa, dando aulas na Escola Técnica do Cacém, no ensino noturno.
Foi, na sua passagem pela imprensa, diretor literário da Editorial Aster e chefe de redação da revista Rumo, os seus primeiros livros de poesia foram Aquele Grande Rio Eufrates, de 1961, e O Problema da Habitação, de 1962. Às coletâneas de ensaios Poesia Nova, de 1961, e Na Senda da Poesia, de 1969, seguiram-se obras cuja temática se prende com o religioso e o metafísico, sob a forma de interrogações acerca da existência. É o caso de Boca Bilingue, de 1966, Homem de Palavras(s) de 1969, País Possível, de 1973 (antologia), Transporte no Tempo, de 1973, A Margem da Alegria, de 1974, Toda a Terra, de 1976, e Despeço-me da Terra da Alegria, de 1977. O versilibrismo dos seus poemas conjuga-se com um domínio das técnicas poéticas tradicionais. A sua obra, organizada em três volumes sob o título Obra Poética de Ruy Belo, obra publicada em 1981, foi, entretanto, alvo de revisitação crítica, sendo considerada uma das obras cimeiras, apesar da brevidade da vida do poeta, da poesia portuguesa contemporânea.
Apesar do curto período de atividade literária, Ruy Belo tornou-se um dos maiores poetas portugueses da segunda metade do século XX, tendo as suas obras sido reeditadas diversas vezes. Os seus primeiros livros de poesia foram Aquele Grande Rio Eufrates de 1961 e O Problema da Habitação de 1962. Às coletâneas de ensaios Poesia Nova de 1961 e Na Senda da Poesia de 1969, seguiram-se obras cuja temática se prende ao religioso e ao metafísico, sob a forma de interrogações acerca da existência. É o caso de Boca Bilingue de 1966, Homem de Palavra(s) de 1969, País Possível de 1973, antologia), Transporte no Tempo de 1973, A Margem da Alegria de 1974, Toda a Terra de 1976, Despeço-me da Terra da Alegria de 1977 e Homem de Palavra(s), 2ª edição de 1978. O versilibrismo dos seus poemas conjuga-se com um domínio das técnicas poéticas tradicionais. Destacou-se ainda pela tradução de autores como Antoine de Saint-Exupéry, Blaise Cendrars, Raymond Aron, Montesquieu, Jorge Luís Borges e Federico García Lorca. De Antoine de Saint-Exupéry traduz Piloto de Guerra e Cidadela e Cidadela; de Blaise Cendrars traduz Moravagine; de Jorge Luís Borges traduz Os Poemas Escolhidos e Dona Rosinha a Solteira ou a Linguagem das Flores.
A sua obra, organizada em três volumes sob o título Obra Poética de Ruy Belo, em 1981, foi, entretanto, alvo de revisitação crítica, sendo considerada uma das obras cimeiras, apesar da brevidade da vida do poeta, da poesia portuguesa contemporânea.
Em 1991 foi condecorado, a título póstumo, com o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'iago da Espada.
     
  in Wikipédia
   
    
Cólofon ou epitáfio
   
Trinta dias tem o mês
e muitas horas o dia
todo o tempo se lhe ia
em polir o seu poema
a melhor coisa que fez
ele próprio coisa feita
ruy belo portugalês
Não seria mau rapaz
quem tão ao comprido jaz
ruy belo, era uma vez

   
   
in
Homem de Palavra(s), 1969 - Ruy Belo