O Curso de Geologia de 85/90 da Universidade de Coimbra escolheu o nome de Geopedrados quando participou na Queima das Fitas.
Ficou a designação, ficaram muitas pessoas com e sobre a capa intemporal deste nome, agora com oportunidade de partilhar as suas ideias, informações e materiais sobre Geologia, Paleontologia, Mineralogia, Vulcanologia/Sismologia, Ambiente, Energia, Biologia, Astronomia, Ensino, Fotografia, Humor, Música, Cultura, Coimbra e AAC, para fins de ensino e educação.
Quando o Regime ordenou que queimassem em público
Os livros de saber nocivo, e por toda parte
Os bois foram forçados a puxar carroças
Carregadas de livros para a fogueira, um poeta
Expulso, um dos melhores, ao estudar a lista
Dos queimados, descobriu, horrorizado, que os seus
Livros tinham sido esquecidos. Correu para a secretária
Alado de cólera e escreveu uma carta aos do Poder
Queimai-me! escreveu com pena veloz, queimai-me!
Não me façais isso! Não me deixeis de lado! Não disse eu
Sempre a verdade nos meus livros? E agora
Tratais-me como um mentiroso! Ordeno-vos:
Queimai-me!
Bücherverbrennung significa, em alemão, literalmente, Queima de Livros. É um termo muitas vezes associado à ação propagandística dos nazis, organizada entre 10 de maio e 21 de junho de 1933, poucos meses depois da chegada ao poder de Adolf Hitler.
Em várias cidades alemãs foram organizadas queimas de livros em
praças públicas, com a presença da polícia, bombeiros e outras
autoridades.
Tudo o que fosse crítico, ou se desviasse dos padrões impostos pelo
regime nazi, foi destruído. Centenas de milhares de livros foram
queimados no auge de uma campanha iniciada pelo diretório nacional de
estudantes (Verbindungen).
Os estudantes, em particular os estudantes membros das Verbindungen, membros das SA e SS participaram nestas queimas. A organização deste evento coube às associações de estudantes alemãs NSDStB e a ASTA,
que com grande zelo competiram entre si tentando cada uma provar que
era melhor do que a outra. Foram queimados milhares de cerca de 20.000
títulos de livros, a maioria dos quais pertencentes às bibliotecas
públicas, de autores oficialmente tidos como "pouco alemães" (undeutsch).
O poeta nazi Hanns Johst
foi um dos que justificou a queima, logo depois da ascensão dos nazis
ao poder, com a "necessidade de purificação radical da literatura
alemã de elementos estranhos que possam alienar a cultura alemã".
Oskar Maria Graf
não foi incluído na lista. Para seu espanto, os seus livros não foram
banidos como até foram recomendados pelos nazis. Em resposta, ele
publicou um artigo intitulado "Verbrennt mich! (Queimem-me!) no
jornal de Viena "Arbeiter-Zeitung" (Jornal dos Trabalhadores). Em 1934 o
seu desejo foi tornado realidade e os seus livros foram também banidos
pelos nazis.
Repercussão
A opinião pública e a intelectualidade alemãs ofereceram pouca
resistência à queima. Editoras e distribuidoras reagiram com
oportunismo, enquanto a burguesia nada fez, passando a responsabilidade
para os universitários. Também os outros países acompanharam a
destruição de forma distanciada, chegando a minimizar a queima como
resultado do "fanatismo estudantil".
Entre os poucos escritores que reconheceram o perigo e tomaram uma posição estava Thomas Mann, que havia recebido o Prémio Nobel de Literatura em 1929. Em 1933, ele emigrou para a Suíça e, em 1939, para os Estados Unidos. Quando a Faculdade de Filosofia da Universidade de Bona lhe retirou o título de Doutor Honoris Causa,
ele escreveu ao reitor: "Nestes quatro anos de exílio involuntário,
nunca parei de meditar sobre minha situação. Se tivesse ficado ou
retornado à Alemanha, talvez já estivesse morto. Jamais sonhei que no
fim da minha vida seria um emigrante, despojado da nacionalidade,
vivendo desta maneira!"
Também Ricarda Huch se retirou da Academia Prussiana de Artes.
Na carta ao seu presidente, em 9 de abril de 1933, a escritora
criticou os ditames culturais do regime nazi: "A centralização, a
opressão, os métodos brutais, a difamação dos que pensam diferente, os
auto-elogios, tudo isso não combina com meu modo de pensar",
justificou. Em 1934, a "lista negra" incluía mais de três mil obras
proibidas pelos nazis.
Como disse o poeta Heinrich Heine: "Onde se queimam livros, acaba por se queimar pessoas."
Memorial sobre a queima de livros, no chão da Bebelplaz
Alan Alexander Milne (Kilburn, Londres, 18 de janeiro de 1882 - Hartfield, 31 de janeiro de 1956), foi um autor inglês, mais conhecido por seus livros sobre o ursinho de peluche Winnie-the-Pooh
e por vários poemas. Milne foi um escritor notável, principalmente como
dramaturgo, antes que o enorme sucesso de Pooh ofuscasse todos os seus
trabalhos anteriores. Milne serviu em ambas as Guerras Mundiais,
ingressando no Exército Britânico na I Guerra Mundial e como capitão da Guarda Interna Britânica na Segunda Guerra Mundial.
Ele era o pai do livreiro Christopher Robin Milne, em quem o personagem Christopher Robin é baseado.
As cheias de 1967 na região de Lisboa foram causadas por
fortes chuvas na madrugada de 25 para 26 de novembro de 1967. Causaram
cerca de 700 mortes e a destruição de 20 mil casas, constituindo a pior catástrofe na região lisboeta desde o grande sismo de 1755.
Apesar da gravidade da tragédia, as cheias e as suas
consequências foram sub-noticiadas, devido às fortes limitações impostas
pela censura do Estado Novo. Foi igualmente impedida a contabilização
completa de mortes e estragos.
As condições meteorológicas
Na
madrugada de 25 para 26 de novembro de 1967, fruto de uma depressão
meteorológica que percorreu todo o Vale do Tejo, precipitação intensa e
concentrada provocou cheias em toda a região de Lisboa, atingindo
sobretudo os concelhos de Loures - do qual fazia parte na altura o atual concelho de Odivelas, que foi afetado nas freguesias à época de Póvoa de Santo Adrião, Olival Basto e Odivelas —, Vila Franca de Xira e Arruda dos Vinhos.
A precipitação destas fortes chuvadas equivaleu a um quinto da
precipitação anual. Na estação meteorológica da Gago Coutinho no
concelho de Lisboa foram registados 115.6 mm de precipitação num período
de apenas 24 horas
e na de São Julião do Tojal, no concelho de Loures, 111 mm em apenas 5
horas (entre as 19.00 e as 24.00 horas de dia 25 de novembro).
Várias causas contribuíram para a gravidade das cheias:
as bacias hidrográficas da região lisboeta têm áreas reduzidas e tempos
de resposta curtos (2 horas); a drenagem tinha sido dificultada pela
construção ao longo dos cursos de água, pela falta de limpeza dos rios e
ribeiras, e, em muitos pontos, pela canalização subterrânea com
dimensão insuficiente.
Destruição e mortes
As
inundações, associadas às precárias condições de habitação e à falta de
ordenamento, causaram cerca de 700 mortos e deixam milhares de pessoas
sem abrigo, e destruíram casas, estradas e pontes. A título de exemplo aponta-se o seguinte número de mortos:
Arruda dos Vinhos: 12 mortos;
Vila Franca de Xira: 204 mortos.
Reação do Estado e censura - Mobilização da sociedade civil
O estado foi incapaz de dar o apoio adequado às vítimas. Ocorreu então
uma mobilização da sociedade civil, nomeadamente de estudantes e de
associações católicas. Recorda Mariano Gago:
"...
com as cheias de 1967 e com a participação na movimentação dos
estudantes de Lisboa no apoio às populações (morreram centenas de
pessoas na área de Lisboa e isso era proibido dizer-se). Só as
Associações de Estudantes e a Juventude Universitária Católica é que
estavam no terreno a ajudar as pessoas a tirar a lama, a salvar-lhes os
pertences, juntamente com alguns raros corpos de bombeiros e militares.
Talvez isso, tenha sido um dos primeiros momentos de mobilização
política da minha geração."
Após se retirar da carreira musical, na década de 80, Khil desapareceu lentamente do cenário cultural russo, ressurgindo em meados de 2010 quando se tornou um meme, ao ser a estrela de um vídeo viral que foi apelidado de "Trololo", uma versão vocalizada da música Eu Estou Feliz por Finalmente Voltar a Casa, de 1976. O vídeo foi visto milhares de vezes em todo o mundo. Hospitalizado em São Petersburgo por causa de um AVC, entrou em coma e morreu no dia 4 de junho de 2012,
aos 77 anos. Em 4 de setembro de 2017 Eduard Khil, recebeu uma
homenagem da Google com um Google Doodle animado em homenagem pelo seu 83º
aniversário.
In 2009, a 1976 video of Eduard Khil singing a non-lexical vocable version of the song "I Am So Glad I'm Finally Returning Back Home" (Russian: Я очень рад, ведь я, наконец, возвращаюсь домой) was uploaded to YouTube and became known as "Trololol" or "Trololo". The name "Trololo" is an onomatopoeia
of the distinctive way Khil vocalizes throughout the song. The video
quickly went viral and Khil became known as "Mr. Trololo" or "Trololo
Man". The viral video also has been referred to as the Russian Rickroll.
According to Khil, the Trololo song originally featured lyrics which described a narrative about a cowboy riding a horse to his farm:
I'm riding the prairie on my stallion, so-and-so mustang, and my beloved Mary is thousand miles away knitting a stocking for me.
The Trololo video first appeared
on some sites beginning on 21
February 2010, the most prominent of those being the "Trololo" website
trololololololololololo.com that helped push the video into popular
awareness, receiving more than 3,000,000 hits in its first month. It
gained prominence on 3 March 2010, during a segment on The Colbert Report after appearing on Red Eye w/ Greg Gutfeld a handful of times over the previous couple of weeks. It was also parodied by actor Christoph Waltz on Jimmy Kimmel Live! as well as Craig Reucassel of The Chaser on the 2010 Australian TV specials Yes We Canberra!, and in September 2011 on the animated American television series Family Guy in its tenth-season premiere episode, "Lottery Fever".
"Trololo"'s popularity in turn re-ignited interest in Khil's
singing career aside from his vocalised performance; for a time, the
"Trololo" website included a petition for Khil to come out of retirement to perform on a world tour.
I haven't heard anything about it.
It's nice, of course! Thanks for good news!
There is a backstory about this song. Originally, we had lyrics written
for this song but they were poor. I mean, they were good, but we
couldn't publish them at that time. They contained words like these:
"I'm riding my stallion on a prairie, so-and-so mustang, and my beloved
Mary is thousand miles away knitting a stocking for me". Of course, we
failed to publish it at that time, and we, Arkady Ostrovsky and I,
decided to make it a vocalisation. But the essence remained in the
title. The song is very playful – it has no lyrics, so we had to make up
something so that people would listen to it, and so this was an
interesting arrangement.
- Eduard Khil
Arkady Ostrovsky's son, Mikhail, gives another version of the vocalise story:
Nobody banned its lyrics, but my father just composed the music during the period of his disagreement with Lev Oshanin.
The latter told him that the lyrics are more important in a song and
that a composer is nothing without a lyricist. So Dad told him during
the argument, "Well, I don't need your verses at all, I'll manage
without them."
Khil's son has said that his father does not really understand what
the Internet is, and was quoted as saying "He thinks maybe someone is
trying to make a fool of him," and "He keeps asking, 'Where were all
these journalists 40 years ago?'"
On 31 December 2011, Khil performed the Trololo song again live
on a 2012 New Year's Russian holiday television special. Within the
first week of January 2012, the new video of Khil performing his new
version of the Trololo song had gone viral on YouTube again, earning
over four million hits. Khil died later that year.
On 4 September 2017, Google displayed an interactive doodle
of Khil singing the Trololo song to celebrate what would have been his
83rd birthday. Although it was released on the doodle site on 4
September, it was not released until the next day due to Labor Day in some countries.
Nascido no Quartel Militar de Columbia, perto de Havana, na cidade de
Marianao, onde o seu pai era coronel, Lezama viveu os tempos mais
turbulentos da história de Cuba, lutando contra a ditadura de Machado, e mais tarde, sobrevivendo ao regime de Fidel Castro. Sendo homossexual, a sua obra literária inclui o romance barroco, semiautobiográfico, Paradiso, de 1966, a história de um jovem e das suas lutas contra misteriosas doenças, contra a morte do seu pai, e as suas sensibilidades homossexuais e poéticas em desenvolvimento. Lezama LIma coligiu ainda várias antologias de poesia cubana e colaborou nas revistas Verbum e Orígenes, sendo considerado o patriarca das letras cubanas na maior parte dos seus últimos anos.
Embora tenha deixado Cuba em pelo menos duas ocasiões (uma viagem à Jamaica e uma possível viagem ao México),
a poesia de Lezama Lima, os seus ensaios e dois dos seus romances
inspiraram-se em imagens e ideias de diversas culturas e períodos
históricos. O estilo barroco que ele desenvolveu baseava-se em partes
iguais na sua sintaxe influenciada por Góngora e por uma constelação
assombrosa de imagens invulgares. O primeiro livro publicado de Lezama
Lima, um longo poema intitulado "Muerte de Narciso", foi publicado
quando ele tinha apenas vinte e sete anos, tornando-o instantaneamente
famoso em Cuba e instituiu o estilo de Lezama e os seus temas clássicos.
Para além dos seus poemas e romances, Lezama Lima escreveu diversos ensaios sobre figuras da literatura mundial como Mallarmé, Paul Valéry, Góngora e Rimbaud, bem como sobre a estética barroca Latino-Americana. Muito notável são também os seus ensaios publicados como La expresión americana, descrevendo a sua visão do barroco europeu, a sua relação com os clássicos, e com o barroco Americano.
José Lezama Lima morreu em 1976 e foi enterrado no Cemitério Colon, em
Havana. Foi muito influente para os escritores cubanos e
porto-riquenhos da sua geração, como Virgilio Piñera, Reinaldo Arenas, René Marqués e Giannina Braschi, que representaram a sua vida nas suas obras.
AH, QUE TÚ ESCAPES Ah, que tú escapes en el instante en el que ya habías alcanzado tu definición mejor. Ah, mi amiga, que tú no quieras creer las preguntas de esa estrella recién cortada, que va mojando sus puntas en otra estrella enemiga. Ah, si pudiera ser cierto que a la hora del baño, cuando en una misma agua discursiva se bañan el inmóvil paisaje y los animales más finos: antílopes, serpientes de pasos breves, de pasos evaporados, parecen entre sueños, sin ansias levantar los más extensos cabellos y el agua más recordada. Ah, mi amiga, si en el puro mármol de los adioses hubieras dejado la estatua que nos podía acompañar, pues el viento, el viento gracioso, se extiende como un gato para dejarse definir.
Apesar de ter apoiado a revolução cubana nos seus primeiros anos,
devido à extrema miséria em que vivia com a sua família nos anos de Fulgêncio Batista, acabou por ser vítima de censura e de repressão,
tendo sido várias vezes perseguido, preso e torturado e forçado a
abandonar mesmo diversos trabalhos (como conta na obra autobiográfica Antes que anoiteça), mostrando que o governo de Fidel Castro não havia trazido mais democracia à ilha.
Durante a década de 70,
tentou, por vário meios, abandonar a ilha, mas não teve sucesso.
Mais tarde, devido a uma autorização de saída de todos os homossexuais e
de várias persona non grata e depois de ter mudado de nome,
Arenas pôde deixar o país e passou a viver em New York, onde
lhe diagnosticaram SIDA. Nessa época, escreveu "Antes que anoiteça" (no original "Antes que anochezca").
Em 1990, terminada a obra, Arenas suicidou-se, com uma dose excessiva de
álcool e droga. Dez anos mais tarde, em 2000, estreou a versão
cinematográfica da sua autobiografia, tendo Javier Bardem no papel do escritor.
Dos patrias tengo yo: Cuba y la noche,
sumidas ambas en un solo abismo.
Cuba o la noche (porque son lo mismo)
me otorgan siempre el mismo reproche:
'En el extranjero, de espectros fantoche,
hasta tu propio espanto es un espejismo,
rueda extraviada de un extraño coche
que se precipita en un cataclismo
donde respirar es en sí un derroche,
el sol no se enciende y sería cinismo
que el tiempo vivieras para la hermosura'.
Si ésa es la patria (la patria, la noche)
que nos han legado siglos de egoísmo,
yo otra patria espero, la de mi locura.
Após se aposentar da carreira musical, na década de 80, Khil desapareceu lentamente do cenário cultural russo, ressurgindo em meados de 2010 quando se tornou um grande meme ao ser divulgado um vídeo viral em que foi apelidado de "Trololó", uma versão vocalizada da música Eu Estou Feliz por Finalmente Regressar a Casa, de 1976. O vídeo foi visto milhões de vezes em todo o mundo. Hospitalizado em São Petersburgo, por causa de um AVC, entrou em coma e acabou por falecer no dia 4 de junho de 2012, aos 77 anos. Em 4 de setembro de 2017, Eduard Khil recebeu uma homenagem do Google com um Doodle animado, em homenagem ao seu 83º aniversário.
Ele escreveu várias novelas e narrativas socialistas-anarquistas sobre a vida na Baviera, consideradas um pouco autobiográficas.
Inicialmente usou o seu verdadeiro nome, Oskar Graf. Depois de 1918 passou a usar o pseudónimo de Oskar Graf-Berg, sobretudo em artigos de revistas e jornais; para trabalhos que considerava mais sérios, ele passou a assiná-los com o nome de Oskar Maria Graf.
(...)
Em 17 de fevereiro de 1933, viajou para Viena, uma viagem que deu início ao seu exílio voluntário da Alemanha natal. Os seus livros, inicialmente, não foram destruídos durante a Queima de Livros nazi, sendo, curiosamente, uma leitura recomendada pelo regime. Como resultado desta decisão, em 12 de maio de 1933, ele publicou, no jornal de Viena Arbeiter-Zeitung ("Jornal dos Trabalhadores") o seu famoso apelo anti-nazi, Verbrennt mich! ("Queimem-me!"). Os nazis, por causa do conteúdo aparentemente pertencente ao Movimento Völkisch, pensavam que os livros eram conformes à ideologia oficial do III Reich.
Um ano depois, em 1934, os seus livros foram finalmente proibidos na Alemanha.
Memorial recordando a Queima dos Livros de 1933, em Frankfurt
A QUEIMA DOS LIVROS
Quando o Regime ordenou que queimassem em público
Os livros de saber nocivo, e por toda parte
Os bois foram forçados a puxar carroças
Carregadas de livros para a fogueira, um poeta
Expulso, um dos melhores, ao estudar a lista
Dos queimados, descobriu, horrorizado, que os seus
Livros tinham sido esquecidos. Correu para a secretária
Alado de cólera e escreveu uma carta aos do Poder
Queimai-me! escreveu com pena veloz, queimai-me!
Não me façais isso! Não me deixeis de lado! Não disse eu
Sempre a verdade nos meus livros? E agora
Tratais-me como um mentiroso! Ordeno-vos:
Queimai-me!
in Poemas (2007) - Bertolt Brecht (tradução - Paulo Quintela)
Quando o Regime ordenou que queimassem em público
Os livros de saber nocivo, e por toda parte
Os bois foram forçados a puxar carroças
Carregadas de livros para a fogueira, um poeta
Expulso, um dos melhores, ao estudar a lista
Dos queimados, descobriu, horrorizado, que os seus
Livros tinham sido esquecidos. Correu para a secretária
Alado de cólera e escreveu uma carta aos do Poder
Queimai-me! escreveu com pena veloz, queimai-me!
Não me façais isso! Não me deixeis de lado! Não disse eu
Sempre a verdade nos meus livros? E agora
Tratais-me como um mentiroso! Ordeno-vos:
Queimai-me!
Bücherverbrennung significa, em alemão, literalmente, Queima de Livros. É um termo muitas vezes associado à ação propagandística dos nazis, organizada entre 10 de maio e 21 de junho de 1933, poucos meses depois da chegada ao poder de Adolf Hitler.
Em várias cidades alemãs foram organizadas queimas de livros em
praças públicas, com a presença da polícia, bombeiros e outras
autoridades.
Tudo o que fosse crítico, ou se desviasse dos padrões impostos pelo
regime nazi, foi destruído. Centenas de milhares de livros foram
queimados no auge de uma campanha iniciada pelo diretório nacional de
estudantes (Verbindungen).
Os estudantes, em particular os estudantes membros das Verbindungen, membros das SA e SS participaram nestas queimas. A organização deste evento coube às associações de estudantes alemãs NSDStB e a ASTA,
que com grande zelo competiram entre si tentando cada uma provar que
era melhor do que a outra. Foram queimados milhares de cerca de 20.000
títulos de livros, a maioria dos quais pertencentes às bibliotecas
públicas, de autores oficialmente tidos como "pouco alemães" (undeutsch).
O poeta nazi Hanns Johst
foi um dos que justificou a queima, logo depois da ascensão dos nazis
ao poder, com a "necessidade de purificação radical da literatura
alemã de elementos estranhos que possam alienar a cultura alemã".
Oskar Maria Graf
não foi incluído na lista. Para seu espanto, os seus livros não foram
banidos como até foram recomendados pelos nazis. Em resposta, ele
publicou um artigo intitulado "Verbrennt mich! (Queimem-me!) no
jornal de Viena "Arbeiter-Zeitung" (Jornal dos Trabalhadores). Em 1934 o
seu desejo foi tornado realidade e os seus livros foram também banidos
pelos nazis.
Repercussão
A opinião pública e a intelectualidade alemãs ofereceram pouca
resistência à queima. Editoras e distribuidoras reagiram com
oportunismo, enquanto a burguesia nada fez, passando a responsabilidade
para os universitários. Também os outros países acompanharam a
destruição de forma distanciada, chegando a minimizar a queima como
resultado do "fanatismo estudantil".
Entre os poucos escritores que reconheceram o perigo e tomaram uma posição estava Thomas Mann, que havia recebido o Prémio Nobel de Literatura em 1929. Em 1933, ele emigrou para a Suíça e, em 1939, para os Estados Unidos. Quando a Faculdade de Filosofia da Universidade de Bona lhe retirou o título de Doutor Honoris Causa,
ele escreveu ao reitor: "Nestes quatro anos de exílio involuntário,
nunca parei de meditar sobre minha situação. Se tivesse ficado ou
retornado à Alemanha, talvez já estivesse morto. Jamais sonhei que no
fim da minha vida seria um emigrante, despojado da nacionalidade,
vivendo desta maneira!"
Também Ricarda Huch se retirou da Academia Prussiana de Artes.
Na carta ao seu presidente, em 9 de abril de 1933, a escritora
criticou os ditames culturais do regime nazi: "A centralização, a
opressão, os métodos brutais, a difamação dos que pensam diferente, os
auto-elogios, tudo isso não combina com meu modo de pensar",
justificou. Em 1934, a "lista negra" incluía mais de três mil obras
proibidas pelos nazis.
Como disse o poeta Heinrich Heine: "Onde se queimam livros, acaba por se queimar pessoas."
Alan Alexander Milne (Kilburn, Londres, 18 de janeiro de 1882 - Hartfield, 31 de janeiro de 1956), foi um autor inglês, mais conhecido por seus livros sobre o ursinho de peluche Winnie-the-Pooh
e por vários poemas. Milne foi um escritor notável, principalmente como
dramaturgo, antes que o enorme sucesso de Pooh ofuscasse todos os seus
trabalhos anteriores. Milne serviu em ambas as Guerras Mundiais,
ingressando no Exército Britânico na Primeira Guerra Mundial e como capitão da Guarda Interna Britânica na Segunda Guerra Mundial.
Ele era o pai do livreiro Christopher Robin Milne, em quem o personagem Christopher Robin é baseado.
As cheias de 1967 na região de Lisboa foram causadas por
fortes chuvas na madrugada de 25 para 26 de novembro de 1967. Causaram
cerca de 700 mortes e a destruição de 20 mil casas, constituindo a pior catástrofe na região lisboeta desde o grande sismo de 1755.
Apesar da gravidade da tragédia, as cheias e as suas
consequências foram sub-noticiadas, devido às fortes limitações impostas
pela censura do Estado Novo. Foi igualmente impedida a contabilização
completa de mortes e estragos.
As condições meteorológicas
Na
madrugada de 25 para 26 de novembro de 1967, fruto de uma depressão
meteorológica que percorreu todo o Vale do Tejo, precipitação intensa e
concentrada provocou cheias em toda a região de Lisboa, atingindo
sobretudo os concelhos de Loures - do qual fazia parte na altura o atual concelho de Odivelas, que foi afetado nas freguesias à época de Póvoa de Santo Adrião, Olival Basto e Odivelas —, Vila Franca de Xira e Arruda dos Vinhos.
A precipitação destas fortes chuvadas equivaleu a um quinto da
precipitação anual. Na estação meteorológica da Gago Coutinho no
concelho de Lisboa foram registados 115.6 mm de precipitação num período
de apenas 24 horas e na de São Julião do Tojal, no concelho de Loures, 111 mm em apenas 5 horas (entre as 19.00 e as 24.00 horas de dia 25 de novembro).
Várias causas contribuíram para a gravidade das cheias:
as bacias hidrográficas da região lisboeta têm áreas reduzidas e tempos
de resposta curtos (2 horas); a drenagem tinha sido dificultada pela
construção ao longo dos cursos de água, pela falta de limpeza dos rios e
ribeiras, e, em muitos pontos, pela canalização subterrânea com
dimensão insuficiente.
Destruição e mortes
As
inundações, associadas às precárias condições de habitação e à falta de
ordenamento, causaram cerca de 700 mortos e deixam milhares de pessoas
sem abrigo, e destruíram casas, estradas e pontes. A título de exemplo aponta-se o seguinte número de mortos:
Arruda dos Vinhos: 12 mortos;
Vila Franca de Xira: 204 mortos.
Reação do Estado e censura - Mobilização da sociedade civil
O estado foi incapaz de dar o apoio adequado às vítimas. Ocorreu então
uma mobilização da sociedade civil, nomeadamente de estudantes e de
associações católicas. Recorda Mariano Gago:
"...
com as cheias de 1967 e com a participação na movimentação dos
estudantes de Lisboa no apoio às populações (morreram centenas de
pessoas na área de Lisboa e isso era proibido dizer-se). Só as
Associações de Estudantes e a Juventude Universitária Católica é que
estavam no terreno a ajudar as pessoas a tirar a lama, a salvar-lhes os
pertences, juntamente com alguns raros corpos de bombeiros e militares.
Talvez isso, tenha sido um dos primeiros momentos de mobilização
política da minha geração."
Após se retirar da carreira musical, na década de 80, Khil desapareceu lentamente do cenário cultural russo, ressurgindo em meados de 2010 quando se tornou um meme, ao ser a estrela de um vídeo viral que foi apelidado de "Trololo", uma versão vocalizada da música Eu Estou Feliz por Finalmente Voltar a Casa, de 1976. O vídeo foi visto milhares de vezes em todo o mundo. Hospitalizado em São Petersburgo por causa de um AVC, entrou em coma e morreu no dia 4 de junho de 2012,
aos 77 anos. Em 4 de setembro de 2017 Eduard Khil, recebeu uma
homenagem da Google com um Google Doodle animado em homenagem pelo seu 83º
aniversário.
In 2009, a 1976 video of Eduard Khil singing a non-lexical vocable version of the song "I Am So Glad I'm Finally Returning Back Home" (Russian: Я очень рад, ведь я, наконец, возвращаюсь домой) was uploaded to YouTube and became known as "Trololol" or "Trololo". The name "Trololo" is an onomatopoeia
of the distinctive way Khil vocalizes throughout the song. The video
quickly went viral and Khil became known as "Mr. Trololo" or "Trololo
Man". The viral video also has been referred to as the Russian Rickroll.
According to Khil, the Trololo song originally featured lyrics which described a narrative about a cowboy riding a horse to his farm:
I'm riding the prairie on my stallion, so-and-so mustang, and my beloved Mary is thousand miles away knitting a stocking for me.
The Trololo video first appeared on some sites beginning on 21
February 2010, the most prominent of those being the "Trololo" website
trololololololololololo.com that helped push the video into popular awareness, receiving more than 3,000,000 hits in its first month. It gained prominence on 3 March 2010, during a segment on The Colbert Report after appearing on Red Eye w/ Greg Gutfeld a handful of times over the previous couple of weeks. It was also parodied by actor Christoph Waltz on Jimmy Kimmel Live! as well as Craig Reucassel of The Chaser on the 2010 Australian TV specials Yes We Canberra!, and in September 2011 on the animated American television series Family Guy in its tenth-season premiere episode, "Lottery Fever".
"Trololo"'s popularity in turn re-ignited interest in Khil's
singing career aside from his vocalised performance; for a time, the
"Trololo" website included a petition for Khil to come out of retirement to perform on a world tour.
I haven't heard anything about it.
It's nice, of course! Thanks for good news!
There is a backstory about this song. Originally, we had lyrics written
for this song but they were poor. I mean, they were good, but we
couldn't publish them at that time. They contained words like these:
"I'm riding my stallion on a prairie, so-and-so mustang, and my beloved
Mary is thousand miles away knitting a stocking for me". Of course, we
failed to publish it at that time, and we, Arkady Ostrovsky and I,
decided to make it a vocalisation. But the essence remained in the
title. The song is very playful – it has no lyrics, so we had to make up
something so that people would listen to it, and so this was an
interesting arrangement.
- Eduard Khil
Arkady Ostrovsky's son, Mikhail, gives another version of the vocalise story:
Nobody banned its lyrics, but my father just composed the music during the period of his disagreement with Lev Oshanin.
The latter told him that the lyrics are more important in a song and
that a composer is nothing without a lyricist. So Dad told him during
the argument, "Well, I don't need your verses at all, I'll manage
without them."
Khil's son has said that his father does not really understand what
the Internet is, and was quoted as saying "He thinks maybe someone is
trying to make a fool of him," and "He keeps asking, 'Where were all
these journalists 40 years ago?'"
On 31 December 2011, Khil performed the Trololo song again live
on a 2012 New Year's Russian holiday television special. Within the
first week of January 2012, the new video of Khil performing his new
version of the Trololo song had gone viral on YouTube again, earning
over four million hits. Khil died later that year.
On 4 September 2017, Google displayed an interactive doodle
of Khil singing the Trololo song to celebrate what would have been his
83rd birthday. Although it was released on the doodle site on 4
September, it was not released until the next day due to Labor Day in some countries.
Nascido no Quartel Militar de Columbia, perto de Havana, na cidade de
Marianao, onde o seu pai era coronel, Lezama viveu os tempos mais
turbulentos da história de Cuba, lutando contra a ditadura de Machado, e mais tarde, sobrevivendo ao regime de Fidel Castro. Sendo homossexual, a sua obra literária inclui o romance barroco, semiautobiográfico, Paradiso, de (1966), a história de um jovem e das suas lutas contra misteriosas doenças, contra a morte do seu pai, e as suas sensibilidades homossexuais e poéticas em desenvolvimento. Lezama LIma coligiu ainda várias antologias de poesia cubana e colaborou nas revistas Verbum e Orígenes, sendo considerado o patriarca das letras cubanas na maior parte dos seus últimos anos.
Embora tenha deixado Cuba em pelo menos duas ocasiões (uma viagem à Jamaica e uma possível viagem ao México),
a poesia de Lezama Lima, os seus ensaios e dois dos seus romances
inspiraram-se em imagens e ideias de diversas culturas e períodos
históricos. O estilo barroco que ele desenvolveu baseava-se em partes
iguais na sua sintaxe influenciada por Góngora e por uma constelação
assombrosa de imagens invulgares. O primeiro livro publicado de Lezama
Lima, um longo poema intitulado "Muerte de Narciso", foi publicado
quando ele tinha apenas vinte e sete anos, tornando-o instantaneamente
famoso em Cuba e instituiu o estilo de Lezama e os seus temas clássicos.
Para além dos seus poemas e romances, Lezama Lima escreveu diversos ensaios sobre figuras da literatura mundial como Mallarmé, Paul Valéry, Góngora e Rimbaud, bem como sobre a estética barroca Latino-Americana. Muito notável são também os seus ensaios publicados como La expresión americana, descrevendo a sua visão do barroco europeu, a sua relação com os clássicos, e com o barroco Americano.
José Lezama Lima morreu em 1976 e foi enterrado no Cemitério Colon, em
Havana. Foi muito influente para os escritores cubanos e
porto-riquenhos da sua geração, como Virgilio Piñera, Reinaldo Arenas, René Marqués e Giannina Braschi, que representaram a sua vida nas suas obras.
AH, QUE TÚ ESCAPES Ah, que tú escapes en el instante en el que ya habías alcanzado tu definición mejor. Ah, mi amiga, que tú no quieras creer las preguntas de esa estrella recién cortada, que va mojando sus puntas en otra estrella enemiga. Ah, si pudiera ser cierto que a la hora del baño, cuando en una misma agua discursiva se bañan el inmóvil paisaje y los animales más finos: antílopes, serpientes de pasos breves, de pasos evaporados, parecen entre sueños, sin ansias levantar los más extensos cabellos y el agua más recordada. Ah, mi amiga, si en el puro mármol de los adioses hubieras dejado la estatua que nos podía acompañar, pues el viento, el viento gracioso, se extiende como un gato para dejarse definir.
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