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segunda-feira, fevereiro 02, 2026

Alexandre de Rezende, guitarrista, compositor e cantor do fado de Coimbra, morreu há 73 anos...

 


 
ALEXANDRE de REZENDE (1886 - 1953). Guitarrista, compositor e cantor de Coimbra.

Faz hoje, dia 2 de fevereiro de 2013, 60 anos que ALEXANDRE AUGUSTO de REZENDE MENDES ou ALEXANDRE AUGUSTO MENDES de PINA e ALBUQUERQUE REZENDE, faleceu em Lisboa, no ano de 1953, nascera em Campinas, estado de S. Paulo, Brasil, a 9 de agosto de 1886. O pai, Alexandre Augusto de Albuquerque Mendes de Pina e Rezende, fora Cônsul Honorário de Portugal, em Campinas. A mãe, D. Ana Duarte Gouveia de Rezende, faleceu quando o jovem Alexandre tinha 10 anos. Filho de pai fidalgo e abastado, vem para Portugal, passa pelos liceus da Guarda e de Lamego, e aos 16 anos instala-se, com o progenitor, em Coimbra, em Celas. No ano seguinte, com 17 anos, faz exame de admissão à 5ª Classe do Liceu, em Coimbra, mas reprova. Nunca entrou na Universidade de Coimbra. Vivia em Celas, na casa Grande de Celas, edifício que hoje já não existe, e onde havia sempre uma ajuda para os estudantes com mais dificuldades financeiras. Eram gente fraterna e solidária. Na sua casa, juntavam-se todos os que precisavam de ajuda e se entregavam nos serões gastronómicos e musicais, que Alexandre e o pai lhes proporcionavam. O seu amigo Rafael Salinas Calado (1893 – 1962), no seu livro “Memórias de um estudante de Direito”, diz:

- “O Alexande Rezende. Não era estudante, já no meu tempo, mas acamaradava com galhardia e com amizade, recíproca, com muitos estudantes. Alto, esbelto, delgadinho, valente e destemido, sempre muito janota, abastado, muito leal, cantava muito bem e muito bem tocava guitarra.

Tinha uma pecha curiosa, ou antes uma imunidade muito característica.

Quando era preciso beber, bebia tanto ou mais que os outros, mas rijo, nada o virava, e calmo e, fleumático, não deixava adivinhar o estado em que se encontrava.” (vem depois uma estória de uma serenata, a umas senhoras gentilíssimas da Figueira, que os copos a mais, prejudicaram o final ...).

Alexandre Rezende, conviveu com a juventude estudantil do seu tempo em Coimbra, dos quais referiremos apenas Manassés de Lacerda (1885 – 1962), durante algum tempo, pois este segue cedo para o Porto, Alexandre Torres (1886 – 1969), Francisco Menano (1888 – 1970), Patrocíno Dias (1884 – 1965), muito, Paulo de Sá (1891 – 1952), António Menano (1895 – 1969), e muitos outros não estudantes, mas que eram famosos na altura, como os irmãos Caetanos, Francisco (1884 – 1956), Alberto (1888 – 1941) e José (1894 – 1971), José Trego (1883 – 1976) e outros. Na sua casa, cantava-se e tocavam-se guitarradas, o chamado Fado de Coimbra era presença indispensável, mas noites havia em que o Fado de Lisboa era rei. Ficaram famosas as comezainas bem regadas, que pai e filho proporcionavam, na casa de Celas, sendo que não faltavam os charutos, as declamações poéticas e versalhadas do mais fino estilo. Consta que as tascas e tabernas de Coimbra, conheciam bem esta rapaziada, que parece terem eleito como templo principal, das suas noite de petiscos e comezainas musicais, a Tasca do Magrinho.

Era usual, deslocarem-se para fora de Coimbra, onde nas casas abastadas e fidalgas, em serões de antologia, se ouviam os estudantes de Coimbra, nos seus Fados e Guitarradas. Entre outras, a Condessa de Proença-a-Velha, D. Maria de Melo Furtado Caldeira Geraldes de Bourbon (1864 – 1944), quando se deslocava a Mogofores (Anadia), mas também em Penamacor, Lisboa e por vezes Coimbra, promovia com forte entusiasmo estes serões culturais. Deixou escrito, livros que atestam estas vivências inesquecíveis, a que Augusto Hilário (1864 – 1996), foi no seu tempo uma presença privilegiada, pois para além do mais, eram da mesma idade.

Alexandre de Rezende, mais tarde constituiu família, e veio a ser administrador de concelho em Montemor-o-Velho, Fornos de Algodres (terra do famoso Jaime de Abreu e da família Menano), e Celorico da Beira, procurando sempre nesses lugares, manter estes serões culturais, com a fidalguia residente e com artistas amadores. Tendo em atenção o trabalho do Coronel José Anjos de Carvalho e do Mestre Dr. António Manuel Nunes, poderemos dizer que o AR, gravou nos anos longínquos de 1929, quatro fonogramas etiqueta Parlophon. Coloca-se a hipótese de haver ainda mais uma gravação, não totalmente identificada. Como composições de Alexandre de Rezende podemos referir, com música sua:

- D’UM OLHAR (As meninas dos meus olhos)
- FADO DE MINHA MÃE (Minha mãe é pobrezinha)
- INQUIETAÇÃO (Quanto mais foges de mim)
- FADO DA MENTIRA (Ninguém conhece no rosto)
- O MEU MENINO (O meu menino é de oiro)
- O MEU FILHINHO (À mãe de Nosso Senhor)
- FADO DA SUGESTÃO (Não digas não, dize sim)
- FADO DA GRAÇA (Dona Clarinha da Graça)
- FADO DA LUZ (Tenho uma luz que me guia)
- FADO DA MONTANHA (Quem por amor se perdeu)
- FADO TRISTE (Tive um só amor na terra)
- FADO REZENDE (Ao morrer os olhos dizem)

Existem ainda composições suas, que de acordo com os autores referidos JAC e AMN, não se conhecem solfas impressas, estando os respetivos fonogramas inacessíveis. É o caso dos fonogramas da Parlaphom, B. 33500 e B. 33505, onde figuram as composições Canção da Despedida e Fado do Conde da Covilhã, no primeiro, e Fado da Minha Mãe e Canção da Raia, no segundo. Um outro fonograma tem duas composições ao estilo de Fado de Lisboa, com as composições, Fado de Lisboa e Fado da Fadistice. Alexandre de Rezende, faleceu em Lisboa a 2 de fevereiro de 1953. A 9 de agosto desse ano, faria 67 anos.
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Manuel Marques Inácio

NOTA - Para um conhecimento mais profundo de Alexandre de Rezende, veja o que se encontra no link que se segue, da autoria de Anjos de Carvalho e António Manuel Nunes: LINK
 

   

sexta-feira, abril 09, 2021

Adriano Correia de Oliveira nasceu há 79 anos

(imagem daqui)
      
Adriano Maria Correia Gomes de Oliveira (Porto, 9 de abril de 1942 - Avintes, 16 de outubro de 1982) foi um músico português que se mudou para Avintes ainda com poucos meses de vida.
    
Biografia
Filho de Joaquim Gomes de Oliveira e de sua mulher, Laura Correia, Adriano foi um intérprete do Fado de Coimbra e cantor de intervenção. A sua família era marcadamente católica, crescendo num ambiente que descreveu como «marcadamente rural, entre videiras, cães domésticos e belas alamedas arborizadas com vista para o rio». Depois de frequentar o Liceu Alexandre Herculano, no Porto, matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, em 1959. Viveu na Real República Ras-Teparta, foi solista no Orfeon Académico, membro do Grupo Universitário de Danças e Cantares, actor no CITAC, guitarrista no Conjunto Ligeiro da Tuna Académica e jogador de voleibol na Briosa. Na década de 1960 adere ao Partido Comunista Português, envolvendo-se nas greves académicas de 62, contra o salazarismo. Nesse ano foi candidato à Associação Académica de Coimbra, numa lista apoiada pelo MUD.
Data de 1963 o seu primeiro EP, Fados de Coimbra. Acompanhado por António Portugal e Rui Pato, o álbum continha a interpretação de Trova do vento que passa, poema de Manuel Alegre, que se tornaria uma espécie de hino da resistência dos estudantes à ditatura. Em 1967 gravou o álbum Adriano Correia de Oliveira, que, entre outras canções, tinha Canção com lágrimas.
Em 1966 casa-se com Maria Matilde de Lemos de Figueiredo Leite, filha do médico António Manuel Vieira de Figueiredo Leite (Coimbra, Taveiro, 11 de outubro de 1917 - Coimbra, 22 de março de 2000) e de sua mulher Maria Margarida de Seixas Nogueira de Lemos (Salsete, São Tomé, 13 de junho de 1923 - ?), depois casada com Carlos Acosta. O casal, que mais tarde se separaria, veio a ter dois filhos: Isabel, nascida em 1967 e José Manuel, nascido em 1971. Chamado a cumprir o Serviço Militar, em 1967, ficaria apenas a uma disciplina de se formar em Direito.
Em 1970 troca Coimbra por Lisboa, exercendo funções no Gabinete de Imprensa da FIL - Feira Industrial de Lisboa, até 1974. Ainda em 1969 vê editado o álbum O Canto e as Armas, revelando, de novo, vários poemas de Manuel Alegre. Pela sua obra recebe, no mesmo ano, o Prémio Pozal Domingues.
Lança Cantaremos, em 1970, e Gente d' aqui e de agora, em 1971, este último com o primeiro arranjo, como maestro, de José Calvário, e composição de José Niza. Em 1973 lança Fados de Coimbra, em disco, e funda a Editora Edicta, com Carlos Vargas, para se tornar produtor na Orfeu, em 1974. Participa na fundação da Cooperativa Cantabril, logo após a Revolução dos Cravos e lança, em 1975, Que nunca mais, onde se inclui o tema Tejo que levas as águas. A revista inglesa Music Week elege-o Artista do Ano. Em 1980 lança o seu último álbum, Cantigas Portuguesas, ingressando no ano seguinte na Cooperativa Era Nova, em ruptura com a Cantabril.
Vítima de uma hemorragia esofágica, morreu na quinta da família, em Avintes, nos braços da sua mãe.
A 24 de setembro de 1983 foi feito Comendador da Ordem da Liberdade e a 24 de abril de 1994 foi feito Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, em ambos os casos a título póstumo.
     

 


terça-feira, abril 09, 2019

Adriano Correia de Oliveira nasceu há 77 anos

(imagem daqui)

Adriano Maria Correia Gomes de Oliveira (Porto, 9 de abril de 1942 - Avintes, 16 de outubro de 1982) foi um músico português que se mudou para Avintes ainda com poucos meses de vida.
   
Biografia
Filho de Joaquim Gomes de Oliveira e de sua mulher, Laura Correia, Adriano foi um intérprete do Fado de Coimbra e cantor de intervenção. A sua família era marcadamente católica, crescendo num ambiente que descreveu como «marcadamente rural, entre videiras, cães domésticos e belas alamedas arborizadas com vista para o rio». Depois de frequentar o Liceu Alexandre Herculano, no Porto, matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, em 1959. Viveu na Real República Ras-Teparta, foi solista no Orfeon Académico, membro do Grupo Universitário de Danças e Cantares, actor no CITAC, guitarrista no Conjunto Ligeiro da Tuna Académica e jogador de voleibol na Briosa. Na década de 1960 adere ao Partido Comunista Português, envolvendo-se nas greves académicas de 62, contra o salazarismo. Nesse ano foi candidato à Associação Académica de Coimbra, numa lista apoiada pelo MUD.
Data de 1963 o seu primeiro EP, Fados de Coimbra. Acompanhado por António Portugal e Rui Pato, o álbum continha a interpretação de Trova do vento que passa, poema de Manuel Alegre, que se tornaria uma espécie de hino da resistência dos estudantes à ditatura. Em 1967 gravou o álbum Adriano Correia de Oliveira, que, entre outras canções, tinha Canção com lágrimas.
Em 1966 casa-se com Maria Matilde de Lemos de Figueiredo Leite, filha do médico António Manuel Vieira de Figueiredo Leite (Coimbra, Taveiro, 11 de outubro de 1917 - Coimbra, 22 de março de 2000) e de sua mulher Maria Margarida de Seixas Nogueira de Lemos (Salsete, São Tomé, 13 de junho de 1923 - ?), depois casada com Carlos Acosta. O casal, que mais tarde se separaria, veio a ter dois filhos: Isabel, nascida em 1967 e José Manuel, nascido em 1971. Chamado a cumprir o Serviço Militar, em 1967, ficaria apenas a uma disciplina de se formar em Direito.
Em 1970 troca Coimbra por Lisboa, exercendo funções no Gabinete de Imprensa da FIL - Feira Industrial de Lisboa, até 1974. Ainda em 1969 vê editado o álbum O Canto e as Armas, revelando, de novo, vários poemas de Manuel Alegre. Pela sua obra recebe, no mesmo ano, o Prémio Pozal Domingues.
Lança Cantaremos, em 1970, e Gente d' aqui e de agora, em 1971, este último com o primeiro arranjo, como maestro, de José Calvário, e composição de José Niza. Em 1973 lança Fados de Coimbra, em disco, e funda a Editora Edicta, com Carlos Vargas, para se tornar produtor na Orfeu, em 1974. Participa na fundação da Cooperativa Cantabril, logo após a Revolução dos Cravos e lança, em 1975, Que nunca mais, onde se inclui o tema Tejo que levas as águas. A revista inglesa Music Week elege-o Artista do Ano. Em 1980 lança o seu último álbum, Cantigas Portuguesas, ingressando no ano seguinte na Cooperativa Era Nova, em ruptura com a Cantabril.
Vítima de uma hemorragia esofágica, morreu na quinta da família, em Avintes, nos braços da sua mãe.
A 24 de setembro de 1983 foi feito Comendador da Ordem da Liberdade e a 24 de abril de 1994 foi feito Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, em ambos os casos a título póstumo.