Faz hoje, dia 2 de fevereiro de 2013, 60 anos que ALEXANDRE AUGUSTO de REZENDE MENDES ou ALEXANDRE AUGUSTO MENDES de PINA e ALBUQUERQUE REZENDE, faleceu em Lisboa, no ano de 1953, nascera em Campinas, estado de S. Paulo, Brasil, a 9 de agosto de 1886. O pai, Alexandre Augusto de Albuquerque Mendes de Pina e Rezende, fora Cônsul Honorário de Portugal, em Campinas. A mãe, D. Ana Duarte Gouveia de Rezende, faleceu quando o jovem Alexandre tinha 10 anos. Filho de pai fidalgo e abastado, vem para Portugal, passa pelos liceus da Guarda e de Lamego, e aos 16 anos instala-se, com o progenitor, em Coimbra, em Celas. No ano seguinte, com 17 anos, faz exame de admissão à 5ª Classe do Liceu, em Coimbra, mas reprova. Nunca entrou na Universidade de Coimbra. Vivia em Celas, na casa Grande de Celas, edifício que hoje já não existe, e onde havia sempre uma ajuda para os estudantes com mais dificuldades financeiras. Eram gente fraterna e solidária. Na sua casa, juntavam-se todos os que precisavam de ajuda e se entregavam nos serões gastronómicos e musicais, que Alexandre e o pai lhes proporcionavam. O seu amigo Rafael Salinas Calado (1893 – 1962), no seu livro “Memórias de um estudante de Direito”, diz:
- “O Alexande Rezende. Não era estudante, já no meu tempo, mas acamaradava com galhardia e com amizade, recíproca, com muitos estudantes. Alto, esbelto, delgadinho, valente e destemido, sempre muito janota, abastado, muito leal, cantava muito bem e muito bem tocava guitarra.
Tinha uma pecha curiosa, ou antes uma imunidade muito característica.
Quando era preciso beber, bebia tanto ou mais que os outros, mas rijo, nada o virava, e calmo e, fleumático, não deixava adivinhar o estado em que se encontrava.” (vem depois uma estória de uma serenata, a umas senhoras gentilíssimas da Figueira, que os copos a mais, prejudicaram o final ...).
Alexandre Rezende, conviveu com a juventude estudantil do seu tempo em Coimbra, dos quais referiremos apenas Manassés de Lacerda (1885 – 1962), durante algum tempo, pois este segue cedo para o Porto, Alexandre Torres (1886 – 1969), Francisco Menano (1888 – 1970), Patrocíno Dias (1884 – 1965), muito, Paulo de Sá (1891 – 1952), António Menano (1895 – 1969), e muitos outros não estudantes, mas que eram famosos na altura, como os irmãos Caetanos, Francisco (1884 – 1956), Alberto (1888 – 1941) e José (1894 – 1971), José Trego (1883 – 1976) e outros. Na sua casa, cantava-se e tocavam-se guitarradas, o chamado Fado de Coimbra era presença indispensável, mas noites havia em que o Fado de Lisboa era rei. Ficaram famosas as comezainas bem regadas, que pai e filho proporcionavam, na casa de Celas, sendo que não faltavam os charutos, as declamações poéticas e versalhadas do mais fino estilo. Consta que as tascas e tabernas de Coimbra, conheciam bem esta rapaziada, que parece terem eleito como templo principal, das suas noite de petiscos e comezainas musicais, a Tasca do Magrinho.
Era usual, deslocarem-se para fora de Coimbra, onde nas casas abastadas e fidalgas, em serões de antologia, se ouviam os estudantes de Coimbra, nos seus Fados e Guitarradas. Entre outras, a Condessa de Proença-a-Velha, D. Maria de Melo Furtado Caldeira Geraldes de Bourbon (1864 – 1944), quando se deslocava a Mogofores (Anadia), mas também em Penamacor, Lisboa e por vezes Coimbra, promovia com forte entusiasmo estes serões culturais. Deixou escrito, livros que atestam estas vivências inesquecíveis, a que Augusto Hilário (1864 – 1996), foi no seu tempo uma presença privilegiada, pois para além do mais, eram da mesma idade.
Alexandre de Rezende, mais tarde constituiu família, e veio a ser administrador de concelho em Montemor-o-Velho, Fornos de Algodres (terra do famoso Jaime de Abreu e da família Menano), e Celorico da Beira, procurando sempre nesses lugares, manter estes serões culturais, com a fidalguia residente e com artistas amadores. Tendo em atenção o trabalho do Coronel José Anjos de Carvalho e do Mestre Dr. António Manuel Nunes, poderemos dizer que o AR, gravou nos anos longínquos de 1929, quatro fonogramas etiqueta Parlophon. Coloca-se a hipótese de haver ainda mais uma gravação, não totalmente identificada. Como composições de Alexandre de Rezende podemos referir, com música sua:
- D’UM OLHAR (As meninas dos meus olhos)
- FADO DE MINHA MÃE (Minha mãe é pobrezinha)
- INQUIETAÇÃO (Quanto mais foges de mim)
- FADO DA MENTIRA (Ninguém conhece no rosto)
- O MEU MENINO (O meu menino é de oiro)
- O MEU FILHINHO (À mãe de Nosso Senhor)
- FADO DA SUGESTÃO (Não digas não, dize sim)
- FADO DA GRAÇA (Dona Clarinha da Graça)
- FADO DA LUZ (Tenho uma luz que me guia)
- FADO DA MONTANHA (Quem por amor se perdeu)
- FADO TRISTE (Tive um só amor na terra)
- FADO REZENDE (Ao morrer os olhos dizem)






