Autor de
sambas populares como "Ai, que saudades da Amélia" e "Atire a primeira pedra", ambos em parceria com
Ataulfo Alves, fez-se popular entre as
décadas de
40 e
50.
Biografia
Foi casado com Zeli, filha do militante
comunista Henrique Cordeiro, que conhecera numa manifestação política, até a morte dela em
1997. O casal teve cinco filhos: Antônio Henrique, Graça Maria, Mário Lago Filho, Luiz Carlos (em homenagem ao líder comunista
Luís Carlos Prestes) e Vanda.
Torcedor do
Fluminense,
chegou a declarar, na época do 1º descido de divisão do clube, que a
virada de mesa em favor do tricolor carioca havia sido uma atitude
vergonhosa de todos os responsáveis, envolvidos no esquema. Ele
afirmava veementemente, que a equipa deveria ter voltado à divisão de
elite do Campeonato Brasileiro no campo.
Carreira artística
Começou pela poesia, e teve o seu primeiro poema publicado aos 15 anos.
Formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais na década de 30, na então
Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro, atual
Faculdade Nacional de Direito da
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde iniciou a sua
militância política no
Centro Acadêmico Cândido de Oliveira, então fortemente influenciado pelo
Partido Comunista do Brasil, à época
PCB, atual
PCdoB. Durante a
década de 1930,
a então principal Faculdade de Direito da capital da República era um
celeiro de arte aliada à política, onde estudaram Lago e seus
contemporâneos Carlos Lacerda, Jorge Amado, Lamartine Babo entre outros.
Depois de formado, exerceu a profissão de advogado por apenas alguns
meses. Envolveu-se com o teatro de revista, escrevendo, compondo e
atuando. A sua estreia como letrista de música popular foi com "Menina,
eu sei de uma coisa", parceria com
Custódio Mesquita, gravada em
1935 por
Mário Reis. Três anos depois,
Orlando Silva realizou a famosa gravação de "Nada além", da mesma dupla de autores.
Em "Amélia", a descrição daquela mulher idealizada, ficou tão popular
que "Amélia" tornou-se sinónimo de mulher submissa, resignada e
dedicada aos trabalhos domésticos.
Na
Rádio Nacional, Mário Lago foi ator de Rádio, ele atuou na radionovela, especial da Semana Santa, a 27 de março de 1959:
A Vida de Nosso Senhor Jesus Cristo, interpretando Herodes, e também
roteirista, escrevendo a
radionovela "Presídio de Mulheres". Mas só ficou conhecido do grande público mais tarde, pela
televisão, quando passou a atuar em novelas da
Rede Globo, como "Selva de Pedra", "O Casarão", "Nina", "Elas por Elas" e "Barriga de Aluguel", entre outras. Também atuou em peças de
teatro e
filmes, como "
Terra em Transe", de
Glauber Rocha.
Mário esteve na
União Soviética, em
1957, a convite da
Radio Moscovo, para participar da reestruturação do programa
Conversando com o Brasil,
do qual participavam artistas e intelectuais brasileiros. Mas os
programas radiofónicos produzidos no Brasil, que Mário mostrou aos
soviéticos, foram por eles qualificados de "
burgueses"
e "decadentes". A avaliação que Mário Lago fez da União Soviética
também não foi das melhores. Ali, segundo ele, a produção cultural
sofria pelo excesso de gravidade e
autoritarismo. Apesar da decepção com a experiência
soviética, Mário Lago jamais abandonou a militância política.
Em
1964, foi um dos nomes a encabeçar a lista dos que tiveram seus direitos políticos
cessados pelo
regime militar, e perdeu as suas funções na Rádio Nacional.
Autor dos livros Chico Nunes das Alagoas (1975), Na Rolança do Tempo (1976), Bagaço de Beira-Estrada (1977) e Meia Porção de Sarapatel (1986), foi biografado em 1998 por Mônica Velloso na obra: Mário Lago: boêmia e política.
Em janeiro de
2002,
o presidente da Câmara, Aécio Neves, foi à sua residência no Rio para
lhe entregar, solenemente, a Ordem do Mérito Parlamentar. Na sua última
entrevista ao
Jornal do Brasil,
Mário revelou que estava escrevendo sua própria biografia. Estava
certo de que chegaria aos 100 anos, dizia Mário, "Fiz um acordo com o
tempo. Nem ele me persegue, nem eu fujo dele".
Morte
Morreu no dia 30 de maio de 2002, aos noventa anos de idade, na sua casa, na
Zona Sul do Rio de Janeiro, de
enfisema pulmonar. Para o velório foi aberto o palco do
Teatro João Caetano
onde vivera importantes momentos de sua carreira de ator. Até o fim de
sua vida manteve intensa atividade política e mesmo doente chegou a
trabalhar na campanha presidencial, apoiando o então candidato Luís
Inácio Lula da Silva. Por ter sido estudante do
Colégio Pedro II
da Unidade São Cristóvão, hoje em dia existe, em sua homenagem, dentro
do colégio o Teatro Mário Lago, onde ali se faz apresentações
culturais de todas as unidades do colégio desde teatro até
apresentações dos corais das unidades. Encontra-se sepultado no
Cemitério de São João Batista no
Rio de Janeiro.