segunda-feira, abril 07, 2014

El Greco morreu há 400 anos...

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Doménikos Theotokópoulos (em grego: Δομήνικος Θεοτοκόπουλος), mais conhecido como El Greco, "O Grego") (Fodele, Heraclião, 1541 - Toledo, 7 de abril de 1614) foi um pintor, escultor e arquiteto grego que desenvolveu a maior parte da sua carreira na Espanha. Assinava suas obras com o nome original, ressaltando a sua origem.
Nasceu em Creta, que naquela época pertencia à República de Veneza, e era um centro artístico pós-bizantino. Treinou ali e tornou-se um mestre dentro dessa tradição artística, antes de viajar, aos vinte e seis anos, para Veneza, como já tinham feito outros artistas gregos. Em 1570 mudou-se para Roma, onde abriu um ateliê e executou algumas séries de trabalhos. Durante sua permanência na Itália,  o seu estilo com elementos do maneirismo e da renascença veneziana. Mudou-se finalmente em 1577 para Toledo, na Espanha, onde viveu e trabalhou até sua morte. Ali, El Greco recebeu diversas encomendas e produziu suas melhores pinturas conhecidas.
O estilo dramático e expressivo de El Greco foi considerado estranho pelos seus contemporâneos, mas encontrou grande apreciação no século XX, sendo considerado um precursor do expressionismo e do cubismo, ao mesmo tempo em que sua personalidade e trabalhos eram fonte de inspiração para poetas e escritores como Rainer Maria Rilke e Nikos Kazantzakis. El Greco é considerado pelo modernos estudiosos como um artista tão individual que não o consideram como pertencente a nenhuma das escolas convencionais. É mais conhecido por suas figuras tortuosamente alongadas e uso frequente de pigmentação fantástica ou mesmo fantasmagórica, unindo tradições bizantinas com a pintura ocidental.
Na sua época teve somente dois seguidores de seu estilo: o seu filho ilegítimo, Jorge Manuel Theotokópoulos, e Luis Tristán.

Primeiros anos
O seu nascimento em 1541 deu-se na vila de Fodele ou de Candia (nome veneziano para Chandax), presentemente nomeada Heraclião, em Creta. Era descendente de uma próspera família urbana, que provavelmente teria se deslocado de Chania para Candia depois de uma insurreição fracassada contra o domínio veneziano, entre 1526 e 1528. O seu pai, Geórgios Theotokópoulos (morto em 1558), era comerciante e cobrador de impostos. Nada se sabe, porém, sobre a sua mãe ou sobre a sua primeira esposa, uma grega. O seu irmão mais velho, Manoússos Theotokópoulos (1531 - 13 de dezembro de 1604), foi um comerciante, e passou seus últimos anos de vida na casa de El Greco, em Toledo.
El Greco recebeu os seus ensinamentos iniciais, como pintor de ícones na escola cretense, o principal centro de arte pós-bizantina. Além da pintura, estudou provavelmente os clássicos da Grécia Antiga, e talvez os clássicos latinos também; quando morreu deixou uma "biblioteca de trabalho" com cerca de 130 volumes, inclusive um exemplar da Bíblia em grego e um Vasari anotado. Candia era então um centro das atividades artísticas onde as culturas ocidental e oriental conviviam harmoniosamente, e cerca de duzentos pintores eram ativos ali, durante o século XVI - inclusive tendo organizado uma guilda de pintores, ao molde corporativo italiano. Em 1563, com a idade de 22 anos, El Greco foi descrito num documento como um "mestre" ("maestro Domenigo"), significando com isso, provavelmente, que já era um membro de guilda e presumivelmente trabalhava em seu próprio estúdio. Três anos depois, em junho de 1566, como testemunha num contrato, ele assinou seu nome como "Mestre Menégos Theotokópoulos, pintor"(μαΐστρος Μένεγος Θεοτοκόπουλος σγουράφος).
  
Itália
Pertencendo Creta à Sereníssima República de Veneza desde 1211, era natural que o jovem El Greco procurasse continuar sua carreira naquela cidade italiana. Embora o ano exato dessa mudança não seja claro, a maioria dos estudiosos acredita que o pintor s mudou por volta do ano de 1567. As informações sobre os anos do mestre na Itália são limitados. Morou em Veneza até 1570 e, de acordo com uma carta escrita por seu mais antigo amigo, e maior miniaturista da época, o croata Giulio Clovio, ele seria um "discípulo" de Ticiano, que já estava octogenário mas ainda vigoroso. Isso pode significar que ele trabalhara no estúdio do grande Ticiano, ou não. Clovio caracterizou El Greco como "um grande talento para a pintura".

O período veneziano
De sua carreira artística, anterior à sua chegada a Veneza, pouco se conhece. Contudo, recentemente foi identificado um dos seus trabalhos, na Igreja de Koimesis tis Theotokou, em Siro.
Em Veneza trabalhou no ateliê do famoso pintor Ticiano e, sem dúvida, conheceu a pintores como Tintoretto, Veronèse e Bassano, bem como a obra dos pintores maneiristas do centro da Itália, entre eles Domenichino, Parmigianino, etc. Entre suas mais conhecidas obras do período veneziano pode se encontrar A cura do cego, onde se percebe a total e solene influência de Ticiano. Quanto à composição de figuras e à utilização do espaço, a influência de Tintoretto é notável.

Roma
Em 1570, El Greco mudou-se para Roma, quando executou algumas séries de trabalhos marcados pela sua aprendizagem veneziana. Não se sabe com precisão quanto tempo durou sua estada ali, mas é certo que retornou a Veneza (circa 1575-76) antes da sua mudança para a Espanha. Em Roma, El Greco hospedou-se no Palazzo Farnese, tornado pelo Cardeal Alessandro Farnese um centro pulsante de vida intelectual e artística da cidade. Ali ele travou contacto com a elite pensante romana, incluindo-se o humanista Fulvio Orsini, que mais tarde veio a ter na sua coleção sete pinturas do artista ("Visão do Monte Sinai" e o Retrato de Clovio, entre elas).
Diferente de outros artistas cretenses que foram para Veneza, El Greco alterou substancialmente seu estilo e procurou se distinguir pelas novas e poucos comuns interpretações dos temas religiosos tradicionais. As sua pinturas italianas apresentam forte influência do Renascimento veneziano do período, com figuras ágeis, alongadas, lembrando a Tintoretto e um vigor cromático que o liga a Ticiano. Dos pintores venezianos aprendeu ainda a composição, organizada em paisagens vibrantes e com luz atmosférica. Clovio informa que visitara o artista quando este ainda se encontrava em Roma. El Greco estava sentado, num quarto pouco iluminado, porque ele acreditava que as sombras conduziam melhor suas ideias que a luz do dia, que perturbavam-lhe a sua "luz interior".
Como resultado de sua permanência em Roma os seus trabalhos foram enriquecidos de elementos como a perspectiva violenta, onde pontos desaparecem ou as figuras surgem em atitudes estranhas, com posturas repetidas e torcidas em gestos tempestuosos - todos elementos do maneirismo.
No tempo em que El Greco passou em Roma, tanto Miguel Ângelo como Rafael já tinham morrido, mas os seus exemplos continuavam como influência sobre os jovens pintores. O cretense, entretanto, estava determinado a imprimir sua própria marca e em defender a sua própria visão artística, as suas ideias e estilo pessoais. Ele poupou Correggio e Parmigianino duma crítica particular, mas não hesitou em propor desfazer-se do trabalho de Miguel Ângelo (o seu Juízo Final, na Capela Sistina). Chegou a oferecer-se ao Papa Pio V para pintar sobre o trabalho inteiro, consoante o novo e mais rígido pensamento católico. Quando, mais tarde, lhe perguntaram o que achava de Michelangelo, El Greco respondeu que "ele foi um bom homem, mas um mau pintor" - ficando-se assim diante de um paradoxo: El Greco reagira, condenando, à obra de Miguel Ângelo, mas achava que era impossível resistir à sua influência. A influência de Miguel Ângelo, de facto, pode ser vista em seu trabalho posterior, "Alegoria da Liga Sagrada". Ao retratar as figuras de Miguel Ângelo, Ticiano, Clovio e, presumivelmente, Rafael, em um dos seus trabalhos ("A Purificação do Templo"), El Greco não apenas expressou sua gratidão mas avançou na pretensão de rivalizar com estes grandes mestres. Como indicam os seus próprios comentários, o cretense via em Ticiano, Michelangelo e Rafael exemplos a serem seguidos. Nas suas Crónicas, no século XVII, Giulio Mancini incluiu El Greco dentre os pintores que, de várias formas, haviam iniciado uma reavalição das lições de Miguel Ângelo.
Por causa de suas convicções artísticas pouco convencionais (como por exemplo a reprovação da técnica de Miguel Ângelo) e da sua personalidade, El Greco logo adquiriu inimigos em Roma. O arquiteto e escritor Pirro Ligorio chamou-o de "estrangeiro tolo", e recentemente foi descoberto em arquivo um material que revela uma disputa com Farnese, que obrigara o jovem artista a deixar o seu palácio. Em 6 de julho de 1572, El Greco queixou-se oficialmente deste facto. Alguns meses depois, em 18 de setembro de 1572, pagou as suas dívidas para com a Guilda de São Lucas em Roma, com uma miniatura que pintara. No final daquele ano o pintor abriu seu próprio estúdio, e admitiu como seus assistentes os pintores Lattanzio Bonastri de Lucignano e Francisco Preboste.
Entre as principais obras de seu período romano podem encontrar-se a Purificação no Templo e o Retrato de Giulio Clovio, tal como A Piedade. Nesta última obra se percebe claramente a influência de Miguel Ângelo.

Espanha e Toledo
Em 1577, El Greco emigrou, primeiro para Madrid, e dali foi para Toledo, onde produziu os seus trabalhos da maturidade.
Naquela época Toledo era a capital religiosa da Espanha, e uma populosa cidade. Dela dizia-se ser um lugar com "um passado ilustre, um próspero presente e um futuro incerto". Em Roma, El Greco havia conquistado o respeito de alguns intelectuais, mas também enfrentara a hostilidade de certos críticos de arte. Durante a década de 1570 o enorme mosteiro-palácio de El Escorial ainda estava sendo construído e Filipe II de Espanha enfrentava dificuldades para encontrar bons artistas para executar as muitas pinturas que a obra exigia. Ticiano morrera, e Tintoretto, Veronese e António Mouro recusaram-se todos em ir para a Espanha. Filipe tivera que confiar então no talento menor de Juan Fernándes de Navarrete, cuja gravedad e decoro (seriedade e decoro) foram aprovados pelo rei. Mas este pintor veio a morrer em 1579; o momento parecia ideal para El Greco.
Graças ao apoio de Clovio e de Orsini, El Greco conheceu Benito Arias Montano, um humanista espanhol e agente de Filipe; Pedro Chacón, um clérigo; e Luís de Castela, filho de Diego de Castela, deão da Catedral de Toledo. Da amizade com este último El Greco obteve as primeiras encomendas para Toledo. Ali chegou, em julho de 1577, assinando contrato para um grupo de pinturas que se destinavam à ornamentação da Igreja de São Domingo o Velho e para o renomado El Expolio. Em setembro de 1579 ele havia terminado nove pinturas para a São Domingo, dentre as quais A Trindade e A Ascensão da Virgem. Estes trabalhos firmaram a reputação do artista em Toledo.
O pintor não tinha planos de se instalar definitivamente em Toledo, uma vez que seu principal objetivo era atrair as graças de Filipe e conquistar lugar em sua corte. De facto, ele obteve duas importantes encomendas do monarca: a Alegoria da Santa Liga e o Martírio de São Maurício. Mas o rei não gostou destes trabalhos e colocou o retábulo de S. Maurício na sala capitular ao invés de na capela para a qual fora pintada. Ele não fez nenhuma encomenda adicional ao pintor. As razões exatas para o descontentamento real permanecem obscuras. Alguns estudiosos sugerem que Filipe não gostara da inclusão de pessoas vivas nas cenas religiosas retratadas; alguns outros sugerem que El Greco violara uma regra básica da Contra-Reforma, que era a supremacia do conteúdo sobre o estilo. Filipe tinha um interesse especial pelas sua encomendas, e um gosto muito decidido; uma almejada escultura da Crucifixão por Benvenuto Cellini também lhe desagradara, quando chegou, e foi igualmente escondida em local menos evidente. O que acontecera a Federico Zuccari foi ainda pior. Em todo caso, o descontentamento de Filipe terminou com qualquer esperança do patronato real para El Greco.
Maturidade e últimos anos
Sem os favores do rei, El Greco foi obrigado a permanecer em Toledo, onde fora recebido em 1577 como um grande pintor. De acordo com Hortensio Félix Paravicino, um pregador e poeta espanhol do século XVII, "Creta dera-lhe a vida e o talento, Toledo foi a melhor pátria, onde a morte lhe permitiu alcançar a vida eterna". Em 1585 ele parece haver contratado um assistente, o pintor italiano Francisco Preboste, e estabeleceu um estúdio próprio capaz de produzir quadros para altares e estátuas, além das pinturas. Em 12 de março de 1586 obteve a encomenda para O Enterro do Conde de Orgaz, que hoje vem a ser sua obra-prima mais conhecida. A década entre 1597 a 1607 foi o período de maior atividade para El Greco. Durante estes anos recebeu suas maiores encomendas, e seu estúdio criava conjuntos de figuras e esculturas para uma variegada clientela de instituições religiosas. Entre as maiores encomendas desse período estão três altares para a Capela de São José, em Toledo (1597-99); três pinturas (1596-1600) para o Colégio de Doña María de Aragon, no monastério agostiniano de Madri; e o altar-mor, quatro altares laterais e a pintura Santo Idelfonso para a Capela Maior do Hospital de la Caridad de Illescas (1603-05). As minutas da comissão de A Virgem da Imaculada Conceição (1607-13), que era composta pelos membros da municipalidade, descrevem El Greco como "um dos maiores homens neste reino e fora dele".
Entre 1607 e 1608 El Greco viu-se envolvido numa demorada disputa judicial com as autoridades do Hospital da Caridade de Illescas a respeito do pagamento pelo seu trabalho, que incluía pintura, escultura e projeto arquitetónico. Esta e outras disputas legais contribuíram para as dificuldades económicas por ele experimentadas no final da vida. Em 1608 recebeu sua última grande encomenda: para o Hospital de São João Batista, em Toledo.
El Greco fez de Toledo seu lar. Contratos sobreviventes mencionam-no como inquilino em 1585 de um complexo de três apartamentos e vinte e quatro quartos que pertenceram ao Marquês de Vilhena. Foi nestes apartamentos, que também lhe serviam como estúdio, que passou o resto de sua vida, enquanto pintava e estudava. Vivia em grande estilo, algumas vezes contratando músicos para tocarem enquanto ceava. Não se pôde confirmar que vivia com a sua companheira espanhola, Jerónima de Las Cuevas, com quem certamente nunca se casou. Ela foi a mãe de seu único filho, Jorge Manuel, nascido em 1578, e que tornou-se também pintor, ajudando ao pai e repetindo-lhe as composições por muitos anos, depois que herdou-lhe o estúdio. Em 1604 Jorge Manuel e Alfonsa de los Morales tiveram o neto de El Greco, Gabriel, que foi batizado por Gregorio Ângulo, governador de Toledo e amigo pessoal do artista.
Durante a execução de uma encomenda para o Hospital Tavera, El Greco caiu gravemente doente, vindo a falecer um mês depois, a 3 de abril de 1614. Poucos dias antes, em 31 de março, havia designado o filho como seu herdeiro. Dois gregos, amigos do pintor, foram as testemunhas de seu testamento (o mestre nunca perdeu o contacto com suas origens gregas). Foi sepultado na Igreja de São Domingo o Velho.
  
Técnica e estilo
O primado da imaginação e da intuição sobre o caráter subjetivo de criação foi um princípio fundamental do estilo de El Greco. Ele descartou critérios clássicos como medidas e proporção, acreditando que a graça é o supremo objetivo da arte, mas um pintor somente alcança a graça quando consegue resolver os problemas mais complexos com a obviedade do simples.
O mestre considerava a cor como o elemento mais importante e incontrolável da pintura, e declarou que a cor tinha primazia sobre a forma. Francisco Pacheco, um pintor e teórico que visitara El Greco em 1611, escreveu que o pintor gostava das "cores cruas e sem misturas, em grandes borrões, como uma exibição orgulhosa de sua destreza" e que "ele acredita em constante repintura e retoques ordenados em amplas massas como numa planície da natureza".
O historiador de arte Max Dvořák foi o primeiro estudioso a ligar a arte de El Greco com o maneirismo e o antinaturalismo. Pesquisadores modernos caracterizam teoricamente El Greco como "tipicamente maneirista" e tendo definido suas fontes dentro do neo-platonismo da Renascença. Jonathan Brown acredita que El Greco tentou criar uma forma sofisticada de arte; de acordo com Nicholas Penny , "uma vez na Espanha, El Greco pôde criar seu estilo próprio – começando por repudiar a maioria das ambições descritivas da pintura. Em seus trabalhos da maturidade, o pintor demonstra a característica tendência para dramatizar em vez de descrever. A força da emoção espiritual se transfere da pintura diretamente ao observador. De acordo com Pacheco, sua pintura perturbada, violenta e por vezes aparentemente de execução descuidada era algo devido a acurado estudo para adquirir uma liberdade de estilo. A preferência de El Greco por figuras excepcionalmente altas e esbeltas e composições alongadas, serviam antes aos seus propósitos expressivos e a princípios estéticos, que o levaram a desconsiderar as leis da natureza e alongar suas composições em grandes extensões, particularmente quando eram destinadas aos retábulos de altar. A anatomia do corpo humano torna-se mais transcendente até mesmo nos seus trabalhos da maturidade. Em "A Virgem da Imaculada Conceição" El Greco pediu para que o retábulo fosse ainda mais alongado em 1,5 pé "porque assim a forma ficará perfeita e não reduzida, que é a pior coisa que pode acontecer a uma figura". Uma inovação significante nos trabalhos maduros do pintor é o entreleçamento entre forma e espaço; uma relação mútua é desenvolvida completamente entre os dois, de modo a unificar a superfície da pintura. Este entrelaçamento ressurgiria três séculos depois, nas obras de Cézanne e Picasso.
Outra característica do estilo maduro de El Greco é o uso da luz. Como Jonathan Brown observa, "cada figura parece trazer sua própria iluminação, ou refletir a luz que emana de uma fonte não vista". Fernando Marias e Agustín Bustamante García, os estudiosos que transcreveram as notas manuscritas de El Greco, estabelecem uma ligação entre o poder que o pintor expressa com a luz às ideias do precedente neo-platonismo cristão.
Estudiosos modernos ressaltam a importância de Toledo para o completo desenvolvimento do estilo maduro de El Greco, e a tensão da habilidade do pintor por ajustar seu estilo conforme seu ambiente. Harold Wethey assevera que "embora grego de nascimento e italiano pela preparação artística, o artista imergiu de tal forma no ambiente religioso de Espanha que tornou-se o principal representante visual do misticismo espanhol". Ele acredita que os trabalhos da maturidade do mestre têm o "temperamento da intensidade devocional que reflete o espírito religioso do catolicismo espanhol no período da Contra-Reforma."
El Greco também superou-se como retratista, capaz não apenas de registar as características dum modelo, mas de expressar também o seu caráter. Os seus retratos são menos numerosos que as pinturas religiosas, mas são de qualidade igualmente elevada. Wethey diz que "através de meio tão simples, o artista criou uma caracterização tão memorável que o coloca na mais alta lista como retratista, junto a Ticiano e Rembrandt".
Afinidades bizantinas
Desde o começo do século XX que os estudiosos debatem se o estilo de El Greco tinha origens bizantinas. Certos historiadores de arte afirmaram que as raízes do pintor estavam fixadas firmemente nas tradições bizantinas, e que a maioria de suas características individuais derivavam diretamente da arte de seus ancestrais, enquanto outros afirmam que a arte bizantina não influiu no trabalho posterior de El Greco.
A descoberta de "Enterro da Virgem" em Siro, um autêntico e assinado trabalho do período cretense do pintor, e a extensa pesquisa de arquivos feita no começo dos anos 60, contribuíram para reacender e reavaliar estas teorias. Embora siga muitas convenções dos ícones bizantinos, mostra entretanto aspectos de estilo certamente de influência veneziana, e a composição, mostrando a morte de Maria, combina as diferentes doutrinas ortodoxa (Enterro da Virgem) e católica (Ascensão da Virgem). Estudos significativos da segunda metade do século XX dedicados a El Greco reavaliam muitas das interpretações de seu trabalho, enquanto incluem o seu suposto bizantinismo.
Baseado nas anotações escritas de próprio punho pelo pintor, no seu estilo único, e no facto de que El Greco assinar sempre o seu nome em caracteres gregos, vêem uma continuidade orgânica entre a pintura bizantina e sua arte. De acordo com Marina Lambraki-Plaka "longe da influência italiana, num lugar neutro que era intelectualmente semelhante à sua Candia natal, os elementos bizantinos de sua educação emergiram e desempenharam um papel catalítico na nova concepção da imagem que nos é apresentada em seus trabalhos da maturidade". Apreciando essa questão, Lambraki-Plaka discorda dos professores da Universidade de Oxford, Cyril Mango e Elizabeth Jeffreys, quando afirma que "apesar das afirmações em contrário, o único elemento bizantino nas famosas pinturas dele foram suas assinaturas em alfabeto grego". Nikos Hadjinikolaou dispõe, sobre a pintura de 1570 de El Greco, que era "nem bizantina, nem pós-bizantina, mas ocidental. Os trabalhos que ele produziu na Itália pertencem à história da arte italiana, e aqueles produzidos na Espanha à história da arte espanhola".
O historiador de arte inglês David Davies busca as raízes do estilo do mestre nas fontes intelectuais de sua educação greco-cristãs e no mundo de suas lembranças sobre os aspectos litúrgicos e cerimoniais da Igreja Ortodoxa. Davies acredita que o clima religioso da Contra-Reforma e a estética do maneirismo agiram como catalisadores para ativar sua técnica individual. Ele afirma que as filosofias do platonismo e do velho neo-platonismo, os trabalhos de Plotino e Pseudo-Dionísio, o Areopagita, os textos dos Pais da Igreja e a liturgia oferecem as chaves para a compreensão do estilo de El Greco.
Resumindo, no debate académico sobre o assunto, José Alvarez Lopera, curador do Museu do Prado, em Madrid, conclui que a presença de "recordações bizantinas" é óbvia dentro do trabalho da maturidade de El Greco, mas alguns aspectos obscuros de suas origens bizantinas ainda precisam ser esclarecidos.

Arquitetura e escultura
El Greco foi grandemente admirado como arquiteto e escultor, durante a sua vida. Ele normalmente realizava a composição completa dos altares, funcionando ao mesmo tempo como arquiteto, escultor e pintor – como, por exemplo, no Hospital da Caridade. Ali ele fez a decoração da capela do hospital, mas o altar de madeira e as esculturas que realizou certamente se perderam. Para o ‘’El Expolio" o mestre projetara um original altar com madeira banhada a ouro, que foi destruído, mas o pequeno grupo de esculturas de "Milagre de Santo Ildefonso" sobreviveu, na parte inferior do quadro.
A sua realização arquitetónica mais importante foi a igreja e Mosteiro de São Domingo, o Velho, para o qual também executou pinturas e esculturas. El Greco é considerado um artista que incorporou a arquitetura na sua pintura. A ele também são creditadas a arquitetura de quadros de suas próprias pinturas feitas em Toledo. Pacheco caracterizou-o como "escritor sobre pintura, escultura e arquitetura". Na marginalia que o pintor escreveu na sua cópia da tradução de Daniele Barbaro do Vitruvius De Architectura, refutou o anexo sobre relíquias arqueológicas, proporções canónicas, perspectiva e matemática. Ele também via a forma indicada pelo Vitruvius para torcer proporções para compensar a distância do observador como responsável pela criação de formas monstruosas. El Greco era avesso também a muitas regras da arquitetura; ele acreditava acima de tudo na liberdade de criação e defendia a novidade, variedade e complexidade. Estas ideias foram, porém, extremamente distantes daquelas existentes nos círculos arquitetónicos do seu tempo, e não tiveram nenhuma ressonância imediata.
Legado - Crítica póstuma
Cquote1.svg Foi um momento grandioso. Uma consciência pura e virtuosa ficou sobre uma das bandejas da balança, um império sobre a outra, e foste tu, consciência do homem, que depositaste as escalas. Esta consciência será capaz de comparecer perante o Senhor no Juízo Final e não ser julgada. Ela julgará, porque a dignidade humana, a pureza e o valor encherão o próprio Deus com terror … Arte não é submissão, nem regras, mas sim um demónio que esmaga os moldes … O peito do arcanjo interior de Greco lançou-o sobre uma singular esperança de liberdade selvagem, o excelentíssimo sótão deste mundo. Cquote2.svg
- Nikos Kazantzakis, in Report to Greco
El Greco foi desdenhado pela geração imediatamente posterior à sua morte, devido ao facto da sua obra ser oposta, em muitos aspetos, aos princípios do estilo barroco inicial, que surgiu fortemente nos inícios do século XVII e depressa suplantou os últimos traços do maneirismo do século XVI. El Greco foi considerado incompreensível e não tinha seguidores de relevo. Apenas o seu filho e alguns pintores desconhecidos reproduziram algumas fracas cópias de suas obras. Nos fins do século XVIII, comendadores espanhóis elogiaram o seu talento, mas criticaram o seu estilo antinatural e o seu "complexo de iconografia". Alguns destes comendadores, tais como Acisclo Antonio Palomino de Castro y Velasco e Juan Agustín Ceán Bermúdez descreveram a sua obra como "desprezível", "ridícula" e "digna de escárnio". As opiniões de Palomino e Bermúdez eram frequentemente citadas na historiografia espanhola, adornadas com expressões como "estranha", "esquisita", "original", "extravagante" e "ímpar". A expressão "cheio de excentricidade", usualmente encontrada em tais textos, com o tempo evoluiu para "loucura".
Com a ascensão do romantismo, nos finais do século XVIII, a obra de El Greco foi examinada uma vez mais. Para o escritor francês Theophile Gautier, El Greco foi o precursor do romantismo europeu, em todo o seu forte desejo pelo diferente e pelo extremo. Gautier considerava El Greco como o herói romântico ideal (o "dotado", o "mal entendido", o "homem") e foi o primeiro a expressar explicitamente a sua admiração por El Greco. Os críticos de arte franceses, Zacharie Astruc e Paul Lefort, ajudaram a promover uma grande propagação e reavivamento do interesse pela obra do mestre. Na década de 1890, os pintores espanhóis residentes em Paris adoptaram-no como seu guia e mentor.
Em 1908, o historiador espanhol Manuel Bartolomé Cossío publicou o primeiro catálogo que abrangia toda a obra de El Greco; no seu livro o cretense foi apresentado como fundador da Escola Espanhola. No mesmo ano, Julius Meier-Graefe, um estudioso do impressionismo francês, viajou à Espanha e grafou as suas experiências no livro de nome The Spanische Reise, o primeiro que estabelece El Greco como um grande pintor do passado. Na obra do cretense Graefe encontrou vislumbres da modernidade. Estas são as palavras que usou para descrever o impacto do pintor nos movimentos artísticos do seu tempo:
Cquote1.svg Ele [El Greco] descobriu um reino de novas possibilidades. Nem mesmo ele estava apto a esgotá-las. Todas as gerações que o seguiram viveram nesse reino. Há grande diferença entre ele e o seu mestre, Ticiano, diferença essa maior do que a que existe entre Renoir e Cézanne. Embora Renoir e Cézanne fossem mestres de grande originalidade, não é possível dispor-se da linguagem de El Greco e, em caso de a usar, inventá-la de novo, outra e outra vez. Cquote2.svg
- Julius Meier-Graefe
Para o artista e crítico inglês Roger Fry, em 1920, El Greco era o arquetípico génio, que faz o que acha ser certo e que "age com completa indiferença para com o efeito que essa expressão poderá ter no público". Fry descreveu o pintor como um "velho mestre, que não é meramente moderno, mas que atualmente aparece uns bons passos à nossa frente e se vira para trás, para nos indicar o caminho". Nesse mesmo período outros pesquisadores desenvolveram teorias alternadas, mais radicais. August Goldschmidt e Germán Beritens argumentaram que El Greco pintara figuras humanas alongadas porque tinha problemas visuais (possivelmente astigmatismo progressivo e estrabismo), que o faziam ver os corpos mais alongados do que eram na realidade e de um ângulo perpendicular. O escritor inglês William Somerset Maugham atribuiu o estilo pessoal de El Greco ao facto de o mesmo ser homossexual, e Arturo Perera atribuiu-o ao uso de marijuana.
Michael Kimmelman, um revisor do jornal The New York Times, declarou que "El Greco tornou-se a essência da pintura grega, para os Gregos; para os espanhóis tornou-se a própria essência da espanhola". Como foi provado pela campanha encetada pela Galeria Nacional de Arte, em Atenas para aumentar os fundos a fim de realizar a compra de "São Pedro", em 1995, El Greco é apreciado não só pelos entendidos, mas também pelo público comum; graças às doações maioritariamente individuais e fundações de beneficência públicas, a Galeria Nacional de Arte conseguiu 1,2 milhão de dólares e comprou o quadro. Referindo-se ao consenso geral sobre o impacto de El Greco, Jimmy Carter disse, em abril de 1980, que El Greco foi o mais extraordinário pintor desde a sua época, como nunca mais de viu, e que esteve talvez cerca de três a quatro séculos à frente do seu tempo.
 
Influência noutros artistas
A reavaliação de El Greco não se limitou aos estudiosos. De acordo com Efi Foundoulaki "os pintores e os teóricos do século XX descobriram um novo El Greco, mas durante o processo também descobriram e reavaliaram-se a si próprios". A sua expressividade e cores influenciaram Eugène Delacroix e Édouard Manet. Para o grupo Der Blaue Reiter, em Munique, 1912, El Greco tipificou a construção mística interior, que era o que a sua geração tinha de descobrir, como tarefa. O primeiro pintor que parece ter notado o código estrutural na morfologia estrutural de El Greco foi Paul Cézanne, um dos precursores do cubismo. Análises morfológicas comparativas dos dois pintores revelaram os seus elementos comuns, como a distorção do corpo humano, os avermelhados (em aparência, apenas), fundos inacabados e similaridades na renderização do espaço. De acordo com Brown, "Cézanne e El Greco são irmãos espirituais, apesar dos séculos que os separam". Fry observou que Cézanne desenhou "através de sua grande descoberta da permeação de cada de cada parte do desenho com um tema plástico uniforme e contínuo".
Os simbolistas e Pablo Picasso, durante o período azul, desenharam na tonalidade fria de El Greco, usando a anatomia das suas figuras ascéticas. Enquanto Picasso trabalhava em Les Demoiselles d'Avignon, visitou um seu amigo, Ignacio Zuloaga, no seu estúdio em Paris, e estudou o Abertura do Quinto Selo (em posse de Zuloaga desde 1897). A relação entre o quadro de Picasso e o de El Greco foi notada nos primeiros anos da década de 1980, quando as similaridades estilísticas e o relacionamento entre os motivos das suas obras foram analisados.
As primeiras explorações cubistas de Picasso tinham o objectivo de descobrir outros aspectos da obra de El Greco: análise estrutural das suas composições, refração multifacetada das formas, interligação entre formas e espaço e efeitos especiais nos realces. Muitos aspectos do cubismo, tais como as distorções e a renderização materialista do tempo, têm suas analogias na obra de El Greco. Segundo Picasso, a estrutura de El Greco é cubista. Em 22 de fevereiro de 1950, Picasso iniciou a sua série de "paráfrases" de obras de outros pintores com The Portrait of a Painter after El Greco. Foundoulaki afirma que Picasso completou o processo de ativação dos valores da pintura de El Greco, que tinham começado com Manet e continuado com Cézanne.
Os expressionistas focalizaram-se nas distorções expressivas de El Greco. Franz Marc, um dos principais pintores do movimento expressionista alemão, declarou: "Referimo-nos com prazer e perseverança ao caso de El Greco, porque a glória deste pintor está intimamente ligada à evolução das nossas perspectivas de arte". Jackson Pollock, grande referência no movimento expressionista abstrato, também foi influenciado por El Greco. Por volta de 1943, Pollock tinha concluído 60 composições desenhadas com base em El Greco e possuía três livros sobre o mestre cretense.
Os pintores contemporâneos são também inspirados pela obra de El Greco. Kysa Johnson usou obras de El Greco como quadro compositivo para alguns de seus trabalhos, e a distorção anatómica do mestre é, de certo modo, refletida nos retratos de Fritz Chesnut.
A personalidade e obra de El Greco serviram de fonte de inspiração ao poeta Rainer Maria Rilke. Uma parte de seus poemas (Himmelfahrt Mariae I.II., 1913) foi diretamente baseada na pintura Imaculada Conceição, de El Greco. O escritor grego Nikos Kazantzakis, que sentia uma forte afinidade espiritual por El Greco, chamou a sua autobiografia de Relatório de Greco e escreveu um tributo ao mestre.
Em 1998, o compositor eletrónico e artista grego Vangelis lançou El Greco, uma sinfonia inspirada no artista. Este álbum é uma extensão do anterior, de Vangelis, Foros Timis Ston Greco ("Um Tributo a El Greco"). A vida do mestre é também tema de um filme, dirigido por Yannis Smaragdis, que se iniciou em outubro de 2006, na ilha de Creta, e estreou-se no cinema um ano depois; o ator britânico Nick Ashdon foi escolhido para representar o papel de El Greco.
A Ascensão da Virgem (1577–1579, óleo sobre tela, 401 × 228 cm, Art Institute of Chicago)

domingo, abril 06, 2014

O Genocídio no Ruanda começou há 20 anos

(imagem daqui)

O Genocídio no Ruanda foi o massacre perpetrado por extremistas hutus contra tutsis e hutus moderados, no Ruanda, entre 6 de abril e 4 de julho de 1994.

Caveiras de vítimas mostram marcas de violência

Antecedentes
Distinguem-se no Ruanda dois grupos étnicos: a maioria hutu e o grupo minoritário, tutsi. Desde a independência do país da Bélgica, os seus líderes foram sempre tutsis, num contexto de rivalidade étnica que se acentuou com o tempo, dada a escassez de terras e a fraca economia nacional, sustentada pela exportação de café. Em 1989, o preço mundial do café reduziu-se em 50%, e Ruanda perdeu 40% de sua renda oriunda de exportações. Nessa época, o país enfrentou sua maior crise alimentar em 50 anos, ao mesmo tempo que aumentavam os gastos militares em detrimento de investimentos em infraestrutura e serviços públicos.
Em outubro de 1990, a Frente Patriótica Ruandesa, composta por exilados tutsis expulsos do país pelos hutus com o apoio do exército, invade Ruanda pela fronteira com Uganda. Em 1993, os dois países firmam um acordo de paz - o Acordo de Arusha.
Cria-se em Ruanda um governo de transição, composto por hutus e tutsis.
Em 1994, as tropas hutus, chamadas Interahamwe, são treinadas e equipadas pelo exército ruandês, em meio a arengas e incitação à confrontação com os tutsis por parte da Radio Télévision Libre de Mille Collines (RTLM), dirigida pelas facções hutus mais extremas. Essas mensagens exaltavam as diferenças que separavam ambos os grupos étnicos e, à medida que os ânimos se exaltavam, os apelos à confrontação e à "caça aos tutsis" tornaram-se mais explícitos, sobretudo a partir do mês de abril, em que se fez circular o boato de que a minoria tutsi planeava o genocídio dos hutus.
De acordo com a jornalista britânica Linda Melvern, que teve acesso a documentos oficiais, o genocídio foi planejado. No início da carnificina, a tropa ruandesa era composta por 30.000 homens (um membro por cada dez famílias) e organizados por todo o país com representantes em cada vizinhança. Alguns membros da tropa podiam adquirir rifles de assalto AK-47 tão somente preenchendo um formulário de demanda. Outras armas, tais como granadas, nem sequer requeriam esse trâmite e foram generosamente distribuídas.
Apurou-se que o genocídio foi financiado, pelo menos parcialmente, com o dinheiro apropriado de programas internacionais de ajuda, tais como o financiados pelo Banco Mundial e pelo Fundo Monetário Internacional como Programa de Ajuste Estrutural. Estima-se que 134 milhões de dólares foram gastos na preparação do genocídio em Ruanda — uma das nações mais pobres da terra — sendo que 4,6 milhões de dólares foram gastos somente em catanas, enxadas, machados, lâminas e martelos. Estima-se que tal despesa permitiu a distribuição de uma nova catana por cada três hutus.
Segundo Melvern, o primeiro-ministro de Ruanda, Jean Kambanda, revelou que o genocídio foi discutido abertamente em reuniões de gabinete, e uma ministra teria dito que ela era "pessoalmente a favor de conseguir livrar-se de todo os tutsis... sem os Tutsis todos os problemas de Ruanda desapareceriam".
Na década de 1960, seguindo o processo de descolonização do pós-Segunda Guerra, o território ruandês foi deixado pelos belgas. Em quase meio século de dominação, o ódio entre as duas etnias transformara aquela região em uma bomba prestes a explodir. Cercados por uma série de problemas, a maioria hutu passou a atribuir todas as mazelas da nação à população tutsi.
Pressionados pelo revanchismo, os tutsis abandonaram o país e formaram imensos campos de refugiados em Uganda. Mesmo refugiados, os tutsis e alguns hutus moderados se organizaram politicamente com o intuito de derrubar o governo do presidente Juvenal Habyarimana e regressar ao país. Com o passar do tempo, esta mobilização deu origem à Frente Patriótica Ruandense (FPR), liderada por Paul Kagame.
Na década de 1990, vários incidentes demarcavam a clara insustentabilidade da relação entre tutsis e hutus. No ano de 1993, um acordo de paz entre o governo e os membros do FPR não teve forças para resolver o conflito. O ponto alto dessa tensão ocorreu no dia 6 de abril de 1994, quando um atentado derrubou o avião que transportava o presidente Habyarimana. Imediatamente, a ação foi atribuída aos tutsis ligados ao FPR.
Na cidade de Kigali, capital da Ruanda, membros da guarda presidencial organizaram as primeiras perseguições contra os tutsis e hutus moderados que formavam o grupo de oposição política no país.

Evolução demográfica do Ruanda - repare-se a notável descida na primeira metade dos anos 90, provocada pelo genocídio

O genocídio
Em abril de 1994, após o assassinato do presidente Juvénal Habyarimana, em atentado ao avião em que viajava, o avanço da Frente Patriótica Ruandesa produziu uma série de massacres no país contra os tutsis, o que causou um deslocamento maciço da população para os campos de refugiados situados nas áreas de fronteira, em especial com o Zaire (hoje República Democrática do Congo). Em agosto de 1995, tropas do Zaire tentaram forçar o retorno desses refugiados para Ruanda. Quatorze mil pessoas foram então devolvidas a Ruanda, enquanto outras 150.000 se refugiaram nas montanhas.
Mais de 500.000 pessoas foram massacradas. Quase todas as mulheres foram violadas. Muitos dos 5.000 meninos nascidos dessas violações foram assassinados.
As atrocidades envolveram também os religiosos. Muitos clérigos de várias denominações se posicionaram a favor de sua etnia. Padres, freiras, pastores e bispos tomaram o seu partido em ambos os lados. Pelo menos 300 clérigos e freiras foram mortos por serem tutsis ou porque estavam ajudando os tutsis. Outros, da etnia hutu, apoiaram ou até mesmo colaboraram com os matadores. Um dos casos que se tornaram muito conhecidos foi o que envolveu o Dr. Gerard Ntakirutimana, 45, médico missionário que trabalhava em um hospital da Igreja Adventista do Sétimo Dia de Mungonero, e seu pai, Elizaphan Ntakirutimana, um pastor protestante. Os membros do Tribunal Penal Internacional para Ruanda condenaram por unanimidade o Dr. Ntakirutimana, por genocídio e por crimes contra a humanidade. Ele foi sentenciado a 25 anos de prisão, pela morte de duas pessoas e por atirar em refugiados tutsis em vários locais. Foi condenado também por participar de vários ataques contra tutsis na Colina de Murambi e na Colina de Muyira. O seu pai, o Pastor Elizaphan Ntakirutimana, presidente da associação da Igreja Adventista do Sétimo Dia em Mugonero, no oeste de Rwanda, foi condenado a 10 anos de prisão por crimes menores. O Pr. Elizaphan levou os atacantes para a Igreja Adventista de Murambi, em Bisesero, onde era pastor presidente, e ordenou a remoção do telhado do edifício, a fim de localizar os tutsis que lá estavam abrigados. O ato conduziu à morte de muitos dos que estavam no local. Ele também levou os atacantes a vários locais, para caçar os tutsis.
De acordo com a BBC, centenas de tutsis, dentre membros e pastores, que procuraram refúgio na igreja e no hospital adventista, enviaram uma carta ao Pr. Elizaphan Ntakirutimana pedindo socorro. A carta, segundo a BBC incluia a frase:
"Nós desejamos informá-lo de que amanhã seremos mortos juntamente com nossas famílias".
A resposta do Pr. Elizaphan Ntakirutimana foi de que eles deviam se preparar para morrer. As milícias hutu, segundo testemunhas, chegaram pouco tempo depois com os Ntakirutimanas. Só alguns tutsis sobreviveram a agressão. Os Ntakirutimanas disseram no tribunal que eles tinham deixado a área antes das matanças. O Pr. Elizaphan Ntakirutimana fugiu para os Estados Unidos depois do massacre, mas foi extraditado para a Tanzânia.
Outro adventista, gerente do Hotel Mille Collines, em Kigali, foi o responsável pela salvação de 1.268 tutsis e hutus, abrigando-os no hotel. Paul Rusesabagina ficou mundialmente conhecido ao ser retratado no filme Hotel Ruanda. Rusesabagina, hoje residente na Bélgica, afirma que, se não forem tomadas posturas duras contra o tribalismo em Ruanda, o genocídio poderá voltar a ocorrer, agora pelas mãos dos tutsis, "governantes" do país desde o fim da matança. Rusesabagina ficou conhecido como o Oskar Schindler de Ruanda.

O Tribunal Penal Internacional para o Ruanda
Em 8 de novembro de 1994, através da resolução 955 do Conselho de Segurança da ONU, foi criado o Tribunal Penal Internacional para o Ruanda (TPIR) para julgar os principais responsáveis pelo genocídio.
O Tribunal Penal Internacional é competente para julgar somente os crimes cometidos após a sua criação, em 1 de julho de 2002. Não é portanto competente para julgar os crimes cometidos em Ruanda, durante o genocídio.
O primeiro-ministro do governo interino ruandês, Jean Kambanda, foi julgado culpado e condenado por genocídio pelo TPIR. 75% dos membros do governo interino foram presos. Vários ministros desse governo foram considerados culpados de participação no genocídio ou estão em fase de julgamento. Dois outros foram libertados. Em 2011, alguns antigos chefes militares foram considerados culpados de genocídio.
Calcula-se que 800 mil tenham sido mortas no genocídio de Ruanda.

sábado, abril 05, 2014

Kurt morreu há 20 anos


Kurt Donald Cobain (February 20, 1967 – c. April 5, 1994) was an American singer-songwriter, musician, and artist, best known as the lead singer and guitarist of the grunge band Nirvana.
Cobain formed Nirvana with Krist Novoselic in Aberdeen, Washington in 1985 and established it as part of the Seattle music scene, having its debut album Bleach released on the independent record label Sub Pop in 1989. After signing with major label DGC Records, the band found breakthrough success with "Smells Like Teen Spirit" from its second album Nevermind (1991). Following the success of Nevermind, Nirvana was labeled "the flagship band" of Generation X, and Cobain hailed as "the spokesman of a generation". Cobain however was often uncomfortable and frustrated, believing his message and artistic vision to have been misinterpreted by the public, with his personal issues often subject to media attention. He challenged Nirvana's audience with its final studio album In Utero (1993).
During the last years of his life, Cobain struggled with heroin addiction, his fame and public image, as well as the professional and lifelong personal pressures surrounding himself and his wife, musician Courtney Love. He also struggled with illness and depression for most of his life. On April 8, 1994, Cobain was found dead at his home in Seattle, the victim of what was officially ruled a suicide by a self-inflicted shotgun wound to the head. The circumstances of his death have become a topic of public fascination and debate. Since their debut, Nirvana, with Cobain as a songwriter, sold over twenty-five million albums in the US alone, and over fifty million worldwide.


sexta-feira, abril 04, 2014

Cazuza nasceu há 56 anos

Agenor de Miranda Araújo Neto, mais conhecido como Cazuza (Rio de Janeiro, 4 de abril de 1958 - Rio de Janeiro, 7 de julho de 1990) foi um cantor, compositor, poeta e escritor brasileiro. Ganhou fama como vocalista e principal letrista da banda Barão Vermelho. A sua parceria com Roberto Frejat foi criticamente aclamada. De entre as suas composições famosas da banda Barão Vermelho estão "Todo Amor que Houver Nessa Vida", "Pro Dia Nascer Feliz", "Maior Abandonado", "Bete Balanço" e "Bilhetinho Azul".
Cazuza é considerado um dos maiores compositores da música brasileira. De entre os seus sucessos musicais em carreira a solo, destacam-se "Exagerado", "Codinome Beija-Flor", "Ideologia", "Brasil", "Faz Parte Do Meu Show", "O Tempo Não Para" e "O Nosso Amor a Gente Inventa". Cazuza também ficou conhecido por ser rebelde, boémio e polémico, tendo declarado em entrevistas que era bissexual. Em 1989 declarou ser seropositivo (termo usado para descrever a presença do vírus HIV, causador da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida - SIDA - no sangue) e sucumbiu à doença, em 1990, no Rio de Janeiro.
Em outubro de 2008, a revista Rolling Stone promoveu a Lista dos Cem Maiores Artistas da Música Brasileira, cujo resultado colocou Cazuza na 34ª posição.



Todo o Amor Que Houver Nessa Vida - Cazuza/Barão Vermelho

Eu quero a sorte de um amor tranqüilo
Com sabor de fruta mordida
Nós na batida, no embalo da rede
Matando a sede na saliva

Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia

E ser artista no nosso convívio
Pelo inferno e céu de todo dia
Pra poesia que a gente não vive
Transformar o tédio em melodia

Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum veneno antimonotonia

E se eu achar a tua fonte escondida
Te alcanço em cheio, o mel e a ferida
E o corpo inteiro como um furacão
Boca, nuca, mão e a tua mente não

Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum remédio que me dê alegria

Salgueiro Maia morreu há 22 anos

Fernando José Salgueiro Maia (Castelo de Vide, 1 de julho de 1944 - Lisboa, 4 de abril de 1992), foi um militar português.

Salgueiro Maia, como se tornou conhecido, foi um dos distintos capitães do Exército Português, que liderou as forças revolucionárias durante a Revolução do 25 de Abril, que marcou o final da ditadura. Filho de um ferroviário, Francisco da Luz Maia, e de sua mulher Francisca Silvéria Salgueiro, frequentou a Escola Primária em São Torcato, Coruche, mudando-se mais tarde para Tomar, vindo a concluir o ensino secundário no Liceu Nacional de Leiria (hoje Escola Secundária de Francisco Rodrigues Lobo). Depois da revolução, viria a licenciar-se em Ciências Políticas e Sociais, no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, em Lisboa.
Em outubro de 1964, ingressa na Academia Militar, em Lisboa e, acabado o curso, apresenta-se na Escola Prática de Cavalaria (EPC), em Santarém, para frequentar o tirocínio. Foi comandante de instrução em Santarém. Integrou uma companhia de comandos na então Guerra Colonial.
Em 1973 iniciam-se as reuniões clandestinas do Movimento das Forças Armadas e Salgueiro Maia, como Delegado da Cavalaria, integra a Comissão Coordenadora do Movimento. Depois do 16 de março de 1974 e do Levantamento das Caldas, foi Salgueiro Maia, a 25 de Abril desse ano, quem comandou a coluna de blindados que, vinda de Santarém, montou cerco aos ministérios do Terreiro do Paço forçando, já no final da tarde, a rendição de Marcelo Caetano, no Quartel do Carmo, que entregou a pasta do governo a António de Spínola. Salgueiro Maia escoltou Marcelo Caetano ao avião que o transportaria para o exílio no Brasil.
A 25 de Novembro de 1975 sai da EPC, comandando um grupo de carros às ordens do Presidente da República. Será transferido para os Açores, só voltando a Santarém em 1979, onde ficou a comandar o Presídio Militar de Santarém. Em 1984 regressa à EPC.
A 24 de Setembro de 1983 recebe a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, e, a título póstumo, o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito a 28 de junho de 1992 e em 2007 a Medalha de Ouro de Santarém.
Recusou, ao longo dos anos, ser membro do Conselho da Revolução, adido militar numa embaixada à sua escolha, governador civil do Distrito de Santarém e pertencer à casa Militar da Presidência da República. Foi promovido a major em 1981 e, posteriormente, a Tenente-Coronel.
Em 1989 foi-lhe diagnosticada uma doença cancerosa que, apesar das intervenções cirúrgicas no ano seguinte e em 1991, o vitimaria a 4 de abril de 1992.
 
Madrugada de 25 de Abril de 74, parada da Escola Prática de Cavalaria, em Santarém:
Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados sociais, os corporativos e o estado a que chegámos. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos! De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem for voluntário, sai e forma. Quem não quiser sair, fica aqui!
Todos os 240 homens que ouviram estas palavras, ditas de forma serena mas firme, tão característica de Salgueiro Maia, formaram de imediato à sua frente. Depois seguiram para Lisboa e marcharam sobre a ditadura.

A Rainha D.ª Maria II nasceu há 195 anos

D.ª Maria II GCNSC (Rio de Janeiro, 4 de abril de 1819 - Lisboa, 15 de novembro de 1853) foi rainha de Portugal de 1834 a 1853. Era filha do Pedro IV de Portugal (Imperador do Brasil como Pedro I) e da arquiduquesa Dona Leopoldina de Áustria e irmã mais velha do Imperador do Brasil D. Pedro II, também filho de Pedro IV com Leopoldina. Foi cognominada de A Educadora ou A Boa Mãe, em virtude da aprimorada educação que dispensou ao seus muitos filhos. Maria da Glória era loira, de pele muito fina, olhos azuis como a mãe austríaca. Foi a 31ª Rainha de Portugal e dos Algarves, de iure, aquando da abdicação do pai, de 1826 a 1828, e, de facto, de 1834 a 1853.

Bandeira monárquica constitucional de Portugal, cujo primeiro exemplar foi bordado pela Rainha D.ª Maria II

O Tratado do Atlântico Norte, que deu origem à NATO/OTAN, foi assinado há 65 anos

O Tratado do Atlântico Norte é o tratado que deu origem à OTAN (NATO), assinado em Washington, DC, a 4 de abril de 1949. Os doze países que o assinaram originalmente, e se tornaram assim os membros fundadores da OTAN/NATO, foram:
Expansão da NATO

Mais tarde, aderiram os seguintes países:
A secção chave do tratado é o Artigo V que compromete cada um dos estados membros a considerar um ataque armado contra um dos estados como um ataque armado contra todos os estados. O tratado foi criado tendo em mente um ataque armado da União Soviética contra a Europa Ocidental, mas a cláusula de auto-defesa mútua nunca foi invocada durante a Guerra Fria. Foi pela primeira vez invocada em 2001, em resposta aos ataques de 11 de setembro contra o World Trade Center e o Pentágono.

O livro 1984 refere este dia como o começo da revolta de Winston Smith

Nineteen Eighty-Four (em português: Mil Novecentos e Oitenta e Quatro ou 1984) é um romance distópico, um clássico do autor inglês Eric Arthur Blair, mais conhecido pelo pseudónimo de George Orwell. Terminado de escrever no ano de 1948 e publicado em 8 de junho de 1949, retrata o quotidiano de um regime político totalitário e repressivo no ano homónimo. No livro, Orwell mostra como uma sociedade oligárquica coletivista é capaz de reprimir qualquer um que se opuser a ela.

A história narrada é a de Winston Smith, um homem com uma vida aparentemente insignificante, que recebe a tarefa de perpetuar a propaganda do regime através da falsificação de documentos públicos e da literatura a fim de que o governo sempre esteja correto no que faz. Smith fica cada vez mais desiludido com sua existência miserável e assim começa uma rebelião contra o sistema.

Muddy Waters nasceu há 101 anos

McKinley Morganfield ou Muddy Waters (4 de abril de 1913 - Condado de Issaquena, Mississippi30 de abril de 1983 - Westmont, Illinois) foi um músico de blues norte-americano, considerado o pai do Chicago Blues. Atribui-se a Muddy Waters a ideia de invenção da guitarra elétrica. Foi considerado o 49º melhor guitarrista de todos os tempos pela revista norte-americana Rolling Stone.


Martin Luther King morreu há 46 anos

Martin Luther King


Martin Luther King, Jr. (January 15, 1929 – April 4, 1968) was an American clergyman, activist, and prominent leader in the African American civil rights movement. He is best known for being an iconic figure in the advancement of civil rights in the United States and around the world, using nonviolent methods following the teachings of Mahatma Gandhi. King is often presented as a heroic leader in the history of modern American liberalism.

A Baptist minister, King became a civil rights activist early in his career. He led the 1955 Montgomery Bus Boycott and helped found the Southern Christian Leadership Conference in 1957, serving as its first president. King's efforts led to the 1963 March on Washington, where King delivered his "I Have a Dream" speech. There, he expanded American values to include the vision of a color blind society, and established his reputation as one of the greatest orators in American history.

In 1964, King became the youngest person to receive the Nobel Peace Prize for his work to end racial segregation and racial discrimination through civil disobedience and other nonviolent means. By the time of his death in 1968, he had refocused his efforts on ending poverty and stopping the Vietnam War.

King was assassinated on April 4, 1968, in Memphis, Tennessee. He was posthumously awarded the Presidential Medal of Freedom in 1977 and Congressional Gold Medal in 2004; Martin Luther King, Jr. Day was established as a U.S. national holiday in 1986.

quinta-feira, abril 03, 2014

Leona Lewis - 29 anos

Leona Louise Lewis, mundialmente conhecida simplesmente como Leona Lewis, (Londres, 3 de abril de 1985), é uma cantora e compositora britânica de pop e R&B, que alcançou sucesso após participar e ganhar a terceira temporada da série da televisão britânica The X Factor. Logo no início da sua carreira, Leona recebeu três nomeações para os Grammy Awards e possui uma estatueta do Ivor Novello Awards, duas do MOBO Awards, um MTV Asia Awards, um MTV Europe Music Awards, dois World Music Awards e dois Virgin Media Awards.
Leona Lewis nasceu no bairro londrino de Islington, filha de Aural Josiah Lewis, ou "Joe", descendente de um africano com origem Guiana Inglesa, e de Maria Lewis, descendente de galeses.
Em 2007, Leona lançou o seu primeiro álbum, Spirit, e, em 2009, chegou às lojas o seu segundo álbum, Echo. Spirit tornou-se o primeiro álbum de estreia a ter o maior números de vendas em 2007, tanto na Inglaterra como na Irlanda, e fez com que Leona alcançasse o título de primeira artista inglesa a conquistar topo da Billboard 200 com um álbum de estreia. Até hoje, Spirit já vendeu mais de 10 milhões de cópias em todo o mundo.
O single de estreia de Leona Lewis, foi "A Moment Like This", que tornou-se o single mais vendido no Reino Unido, sendo realizados mais de 50.000 downloads em trinta minutos, após o seu lançamento. O seu segundo single, "Bleeding Love", atingiu a primeira posição das paradas em mais de trinta países em todo o mundo. Em novembro de 2008, Leona bateu mais um recorde no Reino Unido de "venda mais rápida de sempre", com o lançamento de "Run", canção original do Snow Patrol, que, em dois dias, vendeu cerca de 69.244 cópias. Em novembro do ano seguinte, Leona Lewis anunciou a sua primeira turnê mundial. A 14 de julho de 2011, foi confirmado que "Collide" seria o primeiro single do novo álbum de estúdio, Glassheart. O single dance-pop, foi escrito por Autumn Rowe e produzido por Sandy Vee, que já trabalhou com as cantoras Katy Perry (Firework), Rihanna (S&M), sendo lançado oficialmente a 4 de setembro de 2011, no Reino Unido e a 7 de setembro, na Alemanha. Em agosto de 2012, Lewis anunciou que o single de promoção ao álbum Glassheart seria Trouble. Este single atingiu o #7 no Reino Unido. A 15 de outubro de 2012, e depois de sucessivos adiamentos, Leona lança o álbum Glassheart, que estreia na posição #3 no Reino Unido e na posição#4 na Irlanda, respetivamente, sendo o primeiro álbum da carreira que não estreia na posição #1 em ambos os países. O 2º single, Lovebird, falhou a entrada no top 200 do Reino Unido por passar pouco nas rádios. Até hoje a cantora já vendeu 28 milhões de álbuns e singles em todo o mundo, sendo uma das artistas mais bem sucedidas do século XXI. Em maio de 2013 é anunciado que Leona estaria a gravar o seu primeiro álbum natalício, um pedido especial do seu ainda produtor, Simon Cowell. Em setembro de 2013 a agência de Leona Lewis confirmou que a cantora iria ser protagonista do musical Holiday!, sendo assim o seu primeiro filme, que estreará em todo o mundo em 2014.


Sarah Vaughan morreu há 24 anos

(imagem daqui)

Sarah Lois Vaughan (Newark, 27 de março de 1924 - Los Angeles, 03 de abril de 1990) foi uma cantora dos Estados Unidos de jazz, descrita por Scott Yanow como "uma das vozes mais maravilhosas do século XX".
Apelidada de "Sailor" (por seu discurso salgado), "Sassy" e "A Divina", Sarah Vaughan ganhou diversos prémios Grammy e NEA Jazz Masters, a "mais alta honra no jazz", atribuído pela National Endowment for the Arts em 1989.4
A voz de Vaughan caracterizava-se por sua tonalidade grave, por sua enorme versatilidade e por seu controle do vibrato. Sarah Vaughan foi uma das primeiras vocalistas a incorporar o fraseio do bebop.


Johannes Brahms morreu há 117 anos

Johannes Brahms (Hamburgo, 7 de maio de 1833 - Viena, 3 de abril de 1897) foi um compositor alemão, uma das mais importantes figuras do romantismo musical europeu do século XIX.
Hans von Bülow faz referência de Brahms como um dos "três Bs da música", apelidando sua primeira sinfonia como décima, fazendo referência a sua sucessão a Beethoven.


Há 10 anos a célula terrorista da Al Qaeda que matou quase 200 pessoas em Espanha fez-se explodir, matando um polícia

Restos de uno de los trenes, junto a la estación de Atocha

Los atentados del 11 de marzo de 2004 (conocidos también por el numerónimo 11-M) fueron una serie de ataques terroristas en cuatro trenes de la red de Cercanías de Madrid llevados a cabo por una célula de terroristas yihadistas, tal como reveló la investigación policial y judicial.

(...)

El número de muertos, el 23 de marzo de 2004, es de 190 (de ellos, 177 en el acto o durante los primeros minutos tras el atentado), y el recuento definitivo de heridos fue de 1857 personas lesionadas.

Daños en la vivienda de Leganés como consecuencia de la explosión suicida del comando terrorista que se encontraba atrincherado

Hechos relacionados posteriores
En la tarde del 13 de marzo una llamada efectuada a la televisión regional de Madrid Telemadrid permitió localizar en una papelera un vídeo en el que un hombre con acento marroquí, que afirmaba ser Abu Dujan al Afgani, posteriormente condenado por estos atentados, autodenominándose portavoz militar de Al Qaeda en Europa, reivindicaba su autoría.
El 3 de abril de 2004, la policía localizó y rodeó a varios miembros del comando terrorista en Leganés. Al verse acorralados, sus miembros se suicidaron haciendo estallar el piso en el que se habían atrincherado - siendo esto el primer atentado suicida de Europa - cuando los Geos iniciaban el asalto. En esta acción murió un agente del grupo policial, además de todos los miembros de la célula islamista allí presentes.

Marlon Brando nasceu há 90 anos!

Marlon Brando, Jr. (Omaha, 3 de abril de 1924Los Angeles, 1 de julho de 2004) foi um premiado ator de cinema e teatro estado-unidense. Considerado um dos mais importantes atores do cinema dos Estados Unidos, Brando foi um dos três únicos atores profissionais, juntamente com Charlie Chaplin e Marilyn Monroe, a fazer parte da lista de 100 pessoas mais importantes do século compilada pela revista Time, em 1999.
É talvez mais conhecido pelos seus papéis como Stanley Kowalski em A Streetcar Named Desire (1951), Emiliano Zapata em Viva Zapata! (1952), Marco António na adaptação da MGM da peça de Shakespeare, Julius Caesar e Terry Malloy em On the Waterfront (1954). Durante os anos 70, ele foi mais famoso pela sua eterna performance vencedora do Óscar como Don Vito Corleone, em The Godfather (1972), de Francis Ford Coppola, e, também, pelo seu papel como Coronel Walter Kurtz em Apocalypse Now (1979), também de Coppola. Brando também recebeu uma indicação ao Óscar pela sua performance como Paul em Last Tango in Paris (1972), além de ter dirigido e atuado no filme One-Eyed Jacks (1961).
É considerado um dos maiores e mais influentes atores do século XX. Na opinião do cineasta Martin Scorsese, "Ele é o marco. Há o 'antes de Brando' e 'depois de Brando'." Brando foi, também, um ativista, apoiando diversas causas, mais notavelmente o movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos e diversos movimentos em defesa dos índios norte-americanos.