
quinta-feira, junho 18, 2026
Roald Amundsen morreu há 98 anos...

Postado por Fernando Martins às 09:08 0 comentários
Marcadores: Antártida, Noruega, Polo Sul, Roald Amundsen
Paul McCartney faz hoje oitenta e quatro anos...!
Postado por Fernando Martins às 08:40 0 comentários
Marcadores: guitarra, música, Paul McCartney, pop, Reino Unido, Rock, Rock and Roll, rock experimental, Rock Progressivo, The Beatles, Wings, Yesterday
Raffaella Carrà nasceu há oitenta e três anos...
Postado por Fernando Martins às 08:30 0 comentários
Marcadores: A far l'amore comincia tu, Itália, música, Raffaella Carrà, televisão
Hoje é preciso ouvir Maria Bethânia...
Postado por Pedro Luna às 08:00 0 comentários
Marcadores: Brasil, Maria Bethânia, MPB, música, Reconvexo
Lídia Jorge comemora hoje 80 anos...!
Vida
Lídia Jorge nasceu no Algarve, em Boliqueime, concelho de Loulé, numa família de agricultores e de emigrantes.
Licenciou-se em Filologia Românica, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, graças ao apoio de uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian.
Depois de licenciada, foi professora do Ensino Secundário. Foi nessa condição que passou alguns anos decisivos em Angola e Moçambique, acompanhando o marido, durante o último período da Guerra Colonial.
Décadas depois veio lecionar também, como professora convidada, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, entre 1995 e 1999.
Por designação do Governo Português, foi membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social.
Embora próxima do Partido Socialista, em 2021 Lídia Jorge foi nomeada membro do Conselho de Estado, pelo Presidente da Republica Marcelo Rebelo de Sousa, para o período de 2021 a 2026.
No dia 10 de junho de 2025, na qualidade de presidente da comissão organizadora, interveio nas comemorações do Dia de Portugal, apresentando um discurso cuja receção pública se dividiu entre o elogio e a reprovação.
Também integrou o Conselho Geral da Universidade do Algarve.
Tem-se destacado na defesa dos direitos humanos em geral e na dos direitos das mulheres com particular ênfase.
Lídia Jorge surgiu na escrita com o romance O Dia dos Prodígios (1980). A obra constituiu um acontecimento num período em que se inaugurava uma nova fase da literatura portuguesa e, desde logo, a autora tornou-se um dos nomes de maior interesse dessa fase.
Os títulos seguintes O Cais das Merendas (1982) e Notícia da Cidade Silvestre (1884) foram ambos distinguidos com o Prémio Literário Município de Lisboa, o primeiro dos quais em 1983, ex aequo com Memorial do Convento, de José Saramago.
Notícia da Cidade Silvestre (1984), reafirma o valor da escritora, mas seria com A Costa dos Murmúrios (1988), livro que reflete a experiência passada na África colonial, que a autora consolidaria o seu lugar no panorama literário português.
Na década de 90 seguiram-se A Última Dona (1992), O Jardim sem Limites (1995) e O Vale da Paixão (1998).
Nos anos 2000 editou O Vento Assobiando nas Gruas (2002), posteriormente adaptado para cinema pela realizadora Jeanne Waltz.
Combateremos a Sombra, publicado em Portugal em 2007, recebeu em França o Prémio Michel Brisset 2008, atribuído pela Associação dos Psiquiatras Franceses.
Com chancela da Editora Sextante, publicou em 2009, o livro de ensaios Contrato Sentimental, reflexão crítica sobre o futuro de Portugal. Seguiu-se-lhe o romance A Noite das Mulheres Cantoras (2011). Os Memoráveis, publicado em 2014, é um livro sobre a mitologia da Revolução dos Cravos, retomando o tema de O Dia dos Prodígios, seu primeiro livro. Em 2016 publicou O Amor em Lobito Bay e em 2018 Estuário, sobre a vulnerabilidade do tempo atual.
Já em 2022, a escritora publicou Misericórdia, uma reflexão sobre a humanidade e uma homenagem à sua mãe, Maria dos Remédios, falecida durante a pandemia de Covid-19. Por este romance, foi distinguida com um conjunto de prémios, como o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (2022), o Prémio Eduardo Lourenço (2023), o Prémio de Novela e Romance Urbano Tavares Rodrigues (2023), Prémio do PEN Clube Português de narrativa (2023) ou o Prémio Médicis estrangeiro (2023).
Entretanto, estreara-se na poesia em 2019, com o seu primeiro livro, O Livro das Tréguas, apesar de, curiosamente, Lídia Jorge escrever poesia desde muito jovem.
Outras publicações incluem as antologias de contos, Marido e Outros Contos (1997), O Belo Adormecido (2003), e Praça de Londres (2008), para além das edições separadas de A Instrumentalina (1992) e O Conto do Nadador (1992).
Em 2020, com o título de Em Todos os Sentidos, reuniu as crónicas que leu, ao longo de um ano, aos microfones da Rádio Pública, Antena 2.
in Wikipédia
Fado do retorno
Amor, é muito cedo
E tarde uma palavra
A noite uma lembrança
Que não escurece nada
Voltaste, já voltaste
Já entras como sempre
Abrandas os teus passos
E páras no tapete
Então que uma luz arda
E assim o fogo aqueça
Os dedos bem unidos
Movidos pela pressa
Amor, é muito cedo
E tarde uma palavra
A noite uma lembrança
Que não escurece nada
Voltaste, já voltei
Também cheia de pressa
De dar-te, na parede
O beijo que me peças
Então que a sombra agite
E assim a imagem faça
Os rostos de nós dois
Tocados pela graça.
Amor, é muito cedo
E tarde uma palavra
A noite uma lembrança
Que não escurece nada
Amor, o que será
Mais certo que o futuro
Se nele é para habitar
A escolha do mais puro
Já fuma o nosso fumo
Já sobra a nossa manta
Já veio o nosso sono
Fechar-nos a garganta
Então que os cílios olhem
E assim a casa seja
A árvore do Outono
Coberta de cereja.
Postado por Fernando Martins às 08:00 0 comentários
Marcadores: Lídia Jorge, literatura
Mísia nasceu há setenta e um anos...
Nascida Susana Maria Alfonso de Aguiar, no Porto, filha de pai português e mãe catalã, a cantora deu uma nova roupagem à música tradicional lusitana. Cantando em português, francês, napolitano, catalão e espanhol, misturava tendências, diferentes culturas e sons.
O seu disco de estreia, Mísia, foi editado em 1991. O disco inclui canções de Joaquim Frederico de Brito, José Niza, José Carlos Ary dos Santos, Carlos Paião, entre outros.
Em 1993, regressou com Fado, que foi produzido por Vitorino Salomé e contém canções como "Liberdades Poéticas", de Sérgio Godinho, "Nasci Para Morrer Contigo", de António Lobo Antunes e Vitorino, "Fado Adivinha", de José Saramago e António Victorino de Almeida, e ainda versões de "Velhos Amantes", de Jacques Brel, de "As Time Goes By" e de "Nome de Rua", de Amália Rodrigues.
Novo álbum, "Tanto menos, tanto mais" foi editado em 1995 e onde canta nomes como António Lobo Antunes, Fernando Pessoa ou João Monge.
O disco "Garras dos Sentido" foi editado em 1998. Canta poemas de Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Natália Correia e António Botto e ainda de contemporâneos como José Saramago, Mário Cláudio, Agustina Bessa-Luís e Lídia Jorge. O disco recebeu em França o prémio Charles Cros. Lança o álbum "Paixões Diagonais" que conta com a colaboração da pianista Maria João Pires.
Em 2001 foi editado "Ritual". Com base em canções de Carlos Paredes e poemas de Vasco Graça Moura lançou "Canto" em 2003.
O álbum "Drama Box", editado em 2005, contou com a participação de Fanny Ardant, Miranda Richardson, Ute Lemper, Carmen Maura, Maria de Medeiros e Sophia Calle.
A 19 de janeiro de 2004, foi condecorada com o grau de Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras de França. A 19 de abril de 2005, foi agraciada com o grau de Comendador da Ordem do Mérito.
O disco "Ruas" (Lisboarium & Tourists) foi editado em 2009.
Morreu, vítima de cancro - doença que batalhava desde 2016 - a 27 de julho de 2024, aos 69 anos, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, onde se encontrava internada.
Postado por Fernando Martins às 07:10 0 comentários
Marcadores: Fado, Garras dos Sentidos, Mísia, música
Alison Moyet celebra hoje sessenta e cinco anos...!
Geneviève Alison Jane Moyet (Billericay, 18 de junho de 1961) é uma cantora britânica, bastante conhecida pelo seu trabalho na dupla de synthpop Yazoo, formada no início da década de 80.

in Wikipédia
Postado por Fernando Martins às 06:50 0 comentários
Marcadores: Alison Moyet, anos 80, Don't Go, música, new wave, Reino Unido, synthpop, Yazoo
Fê Lemos, o baterista dos Capital Inicial, faz hoje 64 anos
Postado por Fernando Martins às 06:40 0 comentários
Marcadores: bateria, Brasil, Capital Inicial, Fê Lemos, Fogo, música, new wave, pop rock, Pós-punk, Rock alternativo
Dizzy Reed nasceu há 63 anos
Aside from lead singer Axl Rose, Reed is the longest-standing member of Guns N' Roses, and was the only member of the band to remain from their Use Your Illusion era until the 2016 return of guitarist Slash and bass guitarist Duff McKagan.
In 2012, Reed was inducted into the Rock and Roll Hall of Fame as a member of Guns N' Roses, although he did not attend the ceremony. He was also a member of the Australian-American supergroup The Dead Daisies with his Guns N' Roses bandmate Richard Fortus, ex-Whitesnake member Marco Mendoza, ex-Mötley Crüe frontman John Corabi and session drummer Brian Tichy.
Postado por Fernando Martins às 06:30 0 comentários
Marcadores: Dizzy Reed, Guns N' Roses, hard rock, heavy metal, música, No Quarter, teclas
A última guerra entre Estados Unidos e Reino Unido começou há 214 anos
A Guerra de 1812, ou a Guerra Anglo-Americana, foi a guerra entre os Estados Unidos da América, e o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda e as suas colónias, incluindo o Canada Superior (Ontario), o Canadá Inferior (Quebec), Nova Escócia, Bermuda e a ilha da Terra Nova.
Postado por Fernando Martins às 02:14 0 comentários
Marcadores: guerra, Guerra Anglo-Americana, Guerra de 1812, Reino Unido, The Star-Spangled Banner, USA, Washington DC
A Batalha de Waterloo foi há 211 anos...
Postado por Fernando Martins às 02:11 0 comentários
Marcadores: Batalha de Waterloo, Bélgica, Duque de Wellington, guerras napoleónicas, Napoleão
Ana de Castro Osório nasceu há 154 anos
Ana de Castro Osório (Mangualde, 18 de junho de 1872 - Lisboa, 23 de março de 1935) foi uma escritora, especialmente no domínio da literatura infantil, jornalista, pedagoga, feminista e ativista republicana portuguesa.
Nascida em Mangualde, a 18 de junho de 1872, Ana de Castro Osório era filha de João Baptista de Castro (1845-1920), reputado bibliófilo, notário e magistrado, natural de Eucísia, Alfândega da Fé, e de Mariana Adelaide Osório de Castro Cabral de Albuquerque Moor Quintins (1842-1917), activista feminista, natural de São Jorge de Arroios, Lisboa. A sua mãe era filha do Tenente-General José Osório de Castro Cabral de Albuquerque (1799-1857), governador de Macau, e de Ana Doroteia Moore Quintius, de nacionalidade holandesa. Sobre o seu pai sabe-se ainda que publicou um livro sobre "Questões Jurídicas" (1868) durante a sua estadia universitária em Coimbra, quando este era companheiro de casa de Teófilo Braga, e que em 1911 julgou e aprovou o pedido de Carolina Beatriz Ângelo para ser incluída nas listas de recenseamento eleitoral, tornando-se assim na primeira mulher a votar no país. Ana era também a mais nova dos quatro filhos do casal, sendo irmã de Alberto Osório de Castro (1868-1946), juiz, maçon e poeta, João Osório de Castro (1869-1939), juiz e escritor, e de Jerónimo Osório de Castro (1871-1935), comandante e presidente da Liga dos Combatentes da Grande Guerra, sendo ainda tia do engenheiro e empresário industrial Jerónimo Pereira Osório de Castro (1902-1957), do médico veterinário, professor e autor Jerónimo de Melo Osório de Castro (1910-1976), do dramaturgo e escritor João Osório de Castro (1926-2007) e do ex-bastonário da Ordem dos Advogados e poeta António Osório (1933-2021).
A 10 de março de 1898, com 25 anos de idade, Ana de Castro Osório casou-se com Francisco Paulino Gomes de Oliveira (1864-1914), poeta, publicista e membro do Partido Republicano Português, comummente conhecido como Paulino de Oliveira, na igreja paroquial de Nossa Senhora da Anunciada, em Setúbal. Anos antes, tinha recusado veementemente o pedido de casamento do poeta Camilo Pessanha, contudo, a amizade entre os dois manteve-se até à morte deste, em 1926.
Da sua imensa obra literária, que conta com mais de cinquenta títulos, incluindo ensaios, romances e contos, algumas obras de destaque são: "Em Tempo de Guerra" (1918), "A Verdadeira Mãe" (1925), "Viagens Aventurosas de Felício e Felizarda" (1923), "A Grande Aliança" (1924), "Mundo Novo" (1927), "A Capela das Rosas" (1931), "O Príncipe das Maçãs de Oiro" (1935), e "Histórias Maravilhosas da Tradição Popular Portuguesa" (2 volumes, compilada somente em 1952); assim como várias publicações periódicas de destaque onde colaborou como: "A Ave azul" (1899-1900), "Branco e Negro" (1896-1898), "Brasil-Portugal" (1899-1914), "A Leitura" (1894-1896), "Serões" (1901-1911), "A Farça" (1909-1910) e "Terra portuguesa" (1916-1927).
Para além dessas obras, e de o título de criadora da literatura infantil portuguesa, é lhe reconhecida uma extensa e intensiva recolha dos contos da tradição oral do país, e a tradução e publicação de vários contos dos irmãos Grimm assim como muitos outros autores estrangeiros de literatura para crianças.
A Ana de Castro Osório ainda se deve a compilação, organização, edição e publicação de "Clepsidra", o único livro de Camilo Pessanha, em 1920, na editora por ela criada, Lusitânia.
Postado por Fernando Martins às 01:54 0 comentários
Marcadores: Ana de Castro Osório, Camilo Pessanha, Clepsidra, literatura, maçonaria
António Feliciano de Castilho morreu há 151 anos...
(Cantilena)
Já tenho treze anos,
que os fiz por Janeiro:
Madrinha, casai-me
com Pedro Gaiteiro.
Já sou mulherzinha,
já trago sombreiro,
já bailo ao Domingo
com as mais no terreiro.
Já não sou Anita,
como era primeiro;
sou a Senhora Ana,
que mora no outeiro.
Nos serões já canto,
nas feiras já feiro,
já não me dá beijos
qualquer passageiro.
Quando levo as patas,
e as deito ao ribeiro,
olho tudo à roda,
de cima do outeiro.
E só se não vejo
ninguém pelo arneiro,
me banho co’as patas
Ao pé do salgueiro.
Miro-me nas águas,
rostinho trigueiro,
que mata de amores
a muito vaqueiro.
Miro-me, olhos pretos
e um riso fagueiro,
que diz a cantiga
que são cativeiro.
Em tudo, madrinha,
já por derradeiro
me vejo mui outra
da que era primeiro.
O meu gibão largo,
de arminho e cordeiro,
já o dei à neta
do Brás cabaneiro,
dizendo-lhe: «Toma
gibão, domingueiro,
de ilhoses de prata,
de arminho e cordeiro.
A mim já me aperta,
e a ti te é laceiro;
tu brincas co’as outras
e eu danço em terreiro».
Já sou mulherzinha,
já trago sombreiro,
já tenho treze anos,
que os fiz por Janeiro.
Já não sou Anita,
sou a Ana do outeiro;
Madrinha, casai-me
com Pedro Gaiteiro.
Não quero o sargento,
que é muito guerreiro,
de barbas mui feras
e olhar sobranceiro.
O mineiro é velho,
não quero o mineiro:
Mais valem treze anos
que todo o dinheiro.
Tão-pouco me agrado
do pobre moleiro,
que vive na azenha
como um prisioneiro.
Marido pretendo
de humor galhofeiro,
que viva por festas,
que brilhe em terreiro.
Que em ele assomando
co’o tamborileiro,
logo se alvorote
o lugar inteiro.
Que todos acorram
por vê-lo primeiro,
e todas perguntem
se ainda é solteiro.
E eu sempre com ele,
romeira e romeiro,
vivendo de bodas,
bailando ao pandeiro.
Ai, vida de gostos!
Ai, céu verdadeiro!
Ai, Páscoa florida,
que dura ano inteiro!
Da parte, madrinha,
de Deus vos requeiro:
Casai-me hoje mesmo
com Pedro Gaiteiro.
António Feliciano de Castilho
Postado por Fernando Martins às 01:51 0 comentários
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Mário Saa nasceu há cento e trinta e três anos...

- Evangelho de S. Vito (1917)
- Portugal Cristão-Novo ou os Judeus na República (1921)
- Poemas Heróicos / Simão Vaz de Camões; Pref. de Mário Saa (1921)
- Camões no Maranhão (1922)
- Táboa Genealógica da Varonia Vaz de Camões (1924)
- A Invasão dos Judeus (1925)
- A Explicação do Homem: Através de uma auto explicação em 207 táboas filosóficas (1928)
- Origens do Bairro-Alto de Lisboa: Verdadeira notícia (1929)
- Nós, Os Hespanhóis (1930)
- Proclamações à Pátria: Uma Aliança Luso-Catalã (?)
- Proclamações à Pátria: Até ao Mar Cantábrico (1931)
- Erridânia: A Geografia Mais Antiga do Ocidente (1936)
- As Memórias Astrológicas de Camões e o Nascimento do Poeta em 23 de Janeiro de 1524 (1940)
- As Grandes Vias da Lusitânia: O Itinerário de Antonino Pio (6 T.; 1957-1967)
- Poesia e alguma prosa - Organização, introdução e notas de João Rui de Sousa, INCM, (2006)
Xácara das Mulheres Amadas
Quem muitas mulheres tiver,
em vez de uma amada esposa,
mais se afirma e se repousa
pera amar sua mulher;
Quem isto não entender...
em cousas d'amor não ousa,
em cousas d'amor não quer!
Quantas mais, mais se descansa,
mais a gente serve a todas;
quantas mais forem as bodas,
quantos mais os pares da dança,
menos a dança nos cansa
O gosto d'andar nas rodas.
Que quantas mais, mais detido
a cada uma per si;
nem cansa tanto o que vi,
nem fica o gosto partido;
ao contrário, é acrescido
a cada uma per si!
No paladar de mudar
mais se sente o gosto agudo:
que amar nada ou amar tudo
é estar pronto a muito amar;
o enjoo vem de não estar
a par do nada e do tudo.
Mais facilmente se chega
pera muitas que pera uma;
e a razão é porque, em suma,
se esta razão me não cega,
quem quer que muitas adrega
é como tendo...nenhuma!
Com muitas, descanso vem,
faz o desejo acrescido:
que é o mais apetecido
aquilo que se não tem;
e o apetite é o bem;
e em saciá-lo é perdido.
Também a mulher que tem
seu marido repartido
é mais gostosa do bem
que advém de seu marido!
Tão gostosa e recolhida,
tão pronta e tão conformada,
quanto o gosto é não ter nada;
porque o gosto é ser servida
e não o estar contentada.
O gosto é coisa corrente,
e quem o tem já não sente
o gosto dessa corrida,
que tê-lo, é cousa ... jazente...
que tê-lo , é cousa... perdida!
Ora, pois, nesta jornada
não vi nada mais de amar
que ter muito por chegar
e cousa alguma chegada;
não vi nada mais de ter...
que ter muito que perder...
e cousa alguma ganhada!
Postado por Fernando Martins às 01:33 0 comentários
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Moe Howard nasceu há 128 anos
Postado por Fernando Martins às 01:28 0 comentários
Marcadores: actor, cinema, Humor, judeus, Moe Howard, Os Três Estarolas
Saudades de Saramago...
No Coração, Talvez
No coração, talvez, ou diga antes:
Uma ferida rasgada de navalha,
Por onde vai a vida, tão mal gasta.
Na total consciência nos retalha.
O desejar, o querer, o não bastar,
Enganada procura da razão
Que o acaso de sermos justifique,
Eis o que dói, talvez no coração.
in Os Poemas Possíveis (1966) - José Saramago
Postado por Pedro Luna às 01:06 0 comentários
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Arquimedes da Silva Santos nasceu há 105 anos...
Arquimedes da Silva Santos nasceu na Póvoa de Santa Iria, Vila Franca de Xira, a 18 de junho de 1921.
Médico,
professor, poeta e ensaísta, pioneiro da educação pela arte em
Portugal, Arquimedes da Silva Santos teve intervenção nas áreas
política, cívica e artística, tendo sido uma das grandes figuras da
história política e cultural do Concelho de Vila Franca de Xira.
Opositor
ao regime salazarista, foi preso na sequência da participação na
campanha presidencial de Norton de Matos em 1949, torturado e levado a
julgamento em Tribunal Plenário. Após a sua libertação, foi proibido de
exercer medicina em todos os organismos do Estado.
Licenciou-se
em Medicina na Universidade de Coimbra em 1951, onde fez também o Curso
de Ciências Pedagógicas, tornando-se especialista em neuropsiquiatria
infantil. Foi bolseiro do governo francês para aperfeiçoamento em
Pedopsiquiatria e Psicopedagogia na Salpetrière e na Sorbonne e
convidado para Assistente estrangeiro na Faculdade de Medicina de Paris,
obtendo o diploma daquela especialidade.
Foi assistente do
Centro de Investigação Pedagógica do Instituto Gulbenkian de Ciência,
fundação onde ministrou vários cursos, e desenvolveu estudos nas áreas
da psicopedagogia e das expressões artísticas. Ministrou cursos no
Centro Artístico Infantil do Acarte. Foi consultor psicopedagógico para
as Comissões de Reforma e Orientadora do Conservatório Nacional e
responsável pela Escola-piloto de Formação de Educadores pela Arte no
Conservatório Nacional de Lisboa. Foi fundador, professor e presidente
do Conselho Pedagógico da Escola Superior de Educação pela Arte do
Conservatório Nacional de Lisboa, até à sua extinção em 1984, e
professor-coordenador na Escola Superior de Dança do Instituto
Politécnico de Lisboa, até à sua aposentação, em 1999.
Teve um
papel pioneiro e destacado em várias organizações associadas à
Intervenção Artística e à Arte-Educação, nomeadamente na Associação
Portuguesa de Educação pela Arte, no Instituto de Apoio à Criança, na
Associação Portuguesa de Educação Musical e na Associação Portuguesa de
Musicoterapia.
Enquanto universitário em Coimbra desenvolveu
grande atividade literária e teatral, nomeadamente no TEUC – Teatro dos
Estudantes da Universidade de Coimbra e no Ateneu de Coimbra, tendo
privado com poetas e escritores como Egídio Namorado, Carlos de
Oliveira, Ferreira Monte, João José Cochofel ou Rui Feijó, com quem
partilhou cumplicidades e amizade. Em finais de 1944, com Joaquim
Namorado, João José Cochofel, Carlos de Oliveira e Rui Feijó, toma as
rédeas da revista Vértice, que virá a tornar-se uma das publicações referência do neorrealismo.
Ligado aos grupos neorrealistas de Vila Franca de Xira e de Coimbra, colaborou com O Diabo, a Gazeta Musical e de Todas as Artes, o Sol Nascente e a Vértice, sendo nesta última que publica, em 1958, o seu primeiro livro de poemas Voz Velada. Só nove anos mais tarde edita Cantos Cativos na Coleção Poetas de Hojeda
Portugália Editora. Publicaria novamente quase vinte anos depois uma
outra edição aumentada por Livros Horizonte. Para além da poesia,
destaca-se a sua produção na área da ensaística, essencialmente no campo
da Psicopedagogia e da Educação pela Arte.
Arquimedes da Silva Santos foi
uma das figuras mais importantes no projeto de institucionalização
definitiva do Museu do Neo-Realismo, tendo contribuído de um modo ativo
em todas as suas etapas fundamentais.
À data da inauguração do
Museu do Neo-Realismo nas atuais instalações, em 2007, foi inaugurada,
também, a exposição biobibliográfica sobre a sua vida e obra – Arquimedes da Silva Santos, Sonhando para os Outros,
com curadoria de Luísa Duarte Santos e Fátima Pires. Aquando das
comemorações do 10º aniversário do Museu acolhemos o lançamento do seu
livro Plinto, fazendo, como refere Fernando J. B. Martinho “justiça a um título que esperou mais de 70 anos pela sua reavaliação”.
A
Câmara Municipal de Vila Franca de Xira ergueu uma estátua em sua
homenagem, tendo dado o seu nome a uma Praça na Póvoa de Santa Iria, sua
cidade natal, e atribui-lhe em 2019 a Medalha de Honra, reconhecendo
também desta forma a sua intervenção em prol da Cultura, da Educação e
da Arte em Portugal.
Faleceu em Lisboa a 8 de dezembro de 2019.
O
Espólio de Arquimedes da Silva Santos, encontra-se em depósito no Museu
do Neo-Realismo. Começou a dar entrada em 2003. A segunda e terceira
parte do mesmo foi entregue respetivamente em 2005 e 2010.
Dois poemas breves
Oh Vida, Luta, Amor :
um instante de pausa em contemplação.
(-- Quantas cruzes em árvore floriram
nos campos de batalha onde caíram?
Quanta estátua de sal deixa a saudade
nesta árdua ascensão da humanidade?)
Suspende-te um momento só, coração –
quero contar a Dor.
*
Sinistro bando de corvos
ronda nossos magros corpos.
Se algum de nós desfalece
logo aduncas garras descem.
Piam na noite agoirentos
medo espalhando entre as gentes.
Se algum de nós estremece
logo negras sombras crescem.
(E nós cativos por corvos e mistério
neste cemitério de semivivos!)
Arquimedes da Silva Santos
Postado por Fernando Martins às 01:05 0 comentários
Marcadores: Arquimedes da Silva Santos, neo-realismo, poesia
Saramago morreu há dezasseis anos...
Eu fui. Mas o que fui já me não lembra:
Mil camadas de pó disfarçam, véus,
Estes quarenta rostos desiguais.
Tão marcados de tempo e macaréus.
Eu sou. Mas o que sou tão pouco é:
Rã fugida do charco, que saltou,
E no salto que deu, quanto podia,
O ar dum outro mundo a rebentou.
Falta ver, se é que falta, o que serei:
Um rosto recomposto antes do fim,
Um canto de batráquio, mesmo rouco,
Uma vida que corra assim-assim.
in Os Poemas Possíveis (1966) - José Saramago
Postado por Fernando Martins às 00:16 0 comentários
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Clarence Clemons morreu há quinze anos...
Postado por Fernando Martins às 00:15 0 comentários
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Hoje é preciso ouvir Paul McCartney...
Postado por Pedro Luna às 00:08 0 comentários
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