O Curso de Geologia de 85/90 da Universidade de Coimbra escolheu o nome de Geopedrados quando participou na Queima das Fitas.
Ficou a designação, ficaram muitas pessoas com e sobre a capa intemporal deste nome, agora com oportunidade de partilhar as suas ideias, informações e materiais sobre Geologia, Paleontologia, Mineralogia, Vulcanologia/Sismologia, Ambiente, Energia, Biologia, Astronomia, Ensino, Fotografia, Humor, Música, Cultura, Coimbra e AAC, para fins de ensino e educação.
Ele nasceu no Porto, na freguesia de Miragaia,
em prédio hoje devidamente assinalado. Era filho de mãe portuguesa (de
ascendência inglesa, Tomásia Isabel Clarque) e pai nordestino (João
Bernardo Gonzaga). Órfão de mãe no primeiro ano de vida, mudou-se com o
pai, magistrado brasileiro, para Pernambuco em 1751 e depois para a Bahia, onde estudou no Colégio dos Jesuítas. Em 1761, voltou a Portugal, para cursar Direito na Universidade de Coimbra, tornando-se bacharel em Leis em 1768. Com intenção de lecionar naquela universidade, escreveu a tese Tratado de Direito Natural, no qual enfocava o tema sob o ponto de vista tomista, mas depois trocou as pretensões ao magistério superior pela magistratura. Exerceu o cargo de juiz de fora na cidade de Beja, em Portugal. Quando voltou ao Brasil, em 1782, foi nomeado Ouvidor dos Defuntos e Ausentes da comarca de Vila Rica, atual cidade de Ouro Preto, então conheceu a adolescente de apenas dezasseis anos, Maria Doroteia Joaquina de Seixas Brandão, a pastora Marília em uma das possíveis interpretações dos seus poemas, que teria sido imortalizada na sua obra lírica (Marília de Dirceu) - apesar de ser muito discutível essa versão, tendo em vista as regras retórico-poéticas que prevaleciam no século XVIII, época em que os poemas foram escritos.
Durante a sua permanência em Minas Gerais, escreve Cartas Chilenas, poema satírico em forma de epístolas, uma violenta crítica ao governo colonial. Promovido a desembargador da relação da Bahia em 1786, resolve pedir em casamento Maria Doroteia dois anos depois. O casamento é marcado para o final do mês de maio de 1789. Como era pobre e bem mais velho que ela, sofreu oposição da família da noiva.
Por seu papel na Inconfidência Mineira ou Conjuração Mineira (primeira grande revolta pró-independência do Brasil), trabalhando junto de outros personagens dessa revolta como Cláudio Manuel da Costa, Silva Alvarenga e Alvarenga Peixoto, é acusado de conspiração e preso em 1789, cumprindo a sua pena de três anos na Fortaleza da Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro,
tendo os seus bens confiscados. Foi, portanto, separado da sua amada,
Maria Doroteia. Permanece em reclusão por três anos, durante os quais,
teria escrito a maior parte das liras atribuídas a ele, pois não há
registos de assinatura em qualquer uma de suas poesias. Em 1792, sua pena é comutada em degredo, a pedido pessoal da Rainha D. Maria I de Portugal e o poeta é enviado a costa oriental da África, a fim de cumprir, em Moçambique, a sentença de dez anos.
No mesmo ano é lançada em Lisboa a primeira parte de Marília de Dirceu,
com 33 liras (nota-se que não houve participação, portanto, do poeta
na edição desse conjunto de liras, e até hoje não se sabe quem teria
feito, provavelmente irmãos de Maçonaria). No país africano
trabalha como advogado e hospeda-se em casa de abastado comerciante de
escravos, vindo a casar, em 1793, com a filha dele, Juliana de Sousa Mascarenhas ("pessoa de muitos dotes e poucas letras"), com quem teve dois filhos: Ana Mascarenhas Gonzaga, filha de D.ª Juliana anterior ao seu casamento com Tomás António Gonzaga, a quem este deu seu nome, e Alexandre Mascarenhas Gonzaga, vivendo depois disso, durante quinze anos, rico e considerado, até morrer em 1810, acometido por uma grave doença. Em 1799,
é publicada a segunda parte de Marília de Dirceu, com mais 65 liras.
No desterro, ocupou os cargos de procurador da Coroa e Fazenda, e o de
juiz de Alfândega de Moçambique (cargo que exercia quando morreu).
Gonzaga foi muito admirado por poetas românticos como Casimiro de Abreu
e Castro Alves. É patrono da cadeira de número 37 da Academia Brasileira de Letras.
As suas principais obras são: Tratado de Direito Natural; Marília de Dirceu (coleção de poesias líricas, publicadas em três partes, em 1792, 1799 e 1812 - hoje sabe-se que a terceira parte não foi escrita pelo poeta); Cartas Chilenas (impressas em conjunto em 1863). A data de sua morte não é uma data certa, mas sabe-se que ele veio a falecer entre 1809 e 1810.
Caraterísticas literárias
A poesia de Tomás António Gonzaga apresenta as típicas características árcades e neoclássicas: o pastoril, o bucólico, a Natureza amena, o equilíbrio etc. Paralelamente, possui características pré-românticas (principalmente na segunda parte de Marília de Dirceu, escrita na prisão):
confissões de sentimento pessoal, ênfase emotiva estranha aos padrões
do neoclassicismo, descrição de paisagens brasileiras, etc.
O convívio com o Iluminismo põe em seu estilo a preocupação em atenuar as tensões e racionalizar os conflitos.
Tomás António Gonzaga escreveu versos marcados por expressão própria,
pela harmonização dos elementos racionais e afetivos e por um leve
toque de sensualidade. Segundo Alfredo Bosi,
Gonzaga está acima de tudo preocupado em "achar a versão literária
mais justa dos seus cuidados". Assim, "a figura de Marília, os amores
ainda não realizados e a mágoa da separação entram apenas como
'ocasiões' no cancioneiro de Dirceu", o que diferencia o autor dos seus
futuros colegas românticos.
Marília de Dirceu
As liras a sua pastora idealizada refletem a trajetória do poeta, na
qual a prisão atua como um divisor de águas (a segunda parte do livro é
contada dentro da prisão). Antes da prisão, num tom de fidelidade,
canta a ventura da iniciação amorosa, a satisfação do amante, que,
valorizando o momento presente, busca a simplicidade do refúgio na
natureza amena, que ora é europeia e ora mineira. Depois da reclusão,
num tom trágico de desalento, canta o infortúnio, a injustiça (ele se
considera inocente, portanto, injustiçado), o destino e a eterna
consolação no amor da figura de Marília. São compostas em redondilha
menor ou decassílabos quebrados. Expressam a simplicidade e gracioso
lirismo íntimo, decorrentes da naturalidade e da singeleza no trato dos
sentimentos e da escolha linguística. Ao delegar posição poética a um
campesino, sob cuja pele se esconde um elemento civilizado, Gonzaga
demonstra mais uma vez suas diferenças com a filosofia romântica, pois
segue o descrito nas regras para a confeção de éclogas nos manuais de
poética da época, que instruem aos poetas que buscam a superação dos
antigos, imitando-os, a utilizações de eu-líricos que se aproximem as
figuras de pastores, caçadores, agricultores e vaqueiros.
Marília é ora morena, ora loira. O que comprova não ser a pastora,
Maria Doroteia na vida real, mas uma figura simbólica que servia à
poesia de Tomás António Gonzaga. É anacronismo destinar ao sentimento
existente entre o poeta e Maria Doroteia a motivação para a confeção
dos poemas, tendo em vista que esse pensamento só surgiu com o
pensamento romântico, no século XIX.
É mais aceitável a teoria de inspiração no ideal de emulação, que
configurava o sentimento poético da época, baseado nas filosofias
retórico-poéticas vigentes, em que o poeta, seguindo inúmeras regras de
confeção, "imitava" os poetas antigos procurando superá-los. Muitos
pouco conhecedores de literatura podem acreditar que o poeta cai em
contradições, ora assumindo a postura de pastor que cuida de ovelhas e
vive numa cabana no alto do monte, ora a do burguês Dr. Tomás António
Gonzaga, juiz que lê altos volumes instalados em espaçosa mesa, mas o
fazem por analisar os poemas com critérios anacrónicos à época, analisam
com pensamentos surgidos após o romantismo, textos que o precedem.
É interessante atentar para alguns aspetos dessa obra de Gonzaga. Cada
lira é um dialogo de Dirceu com sua pastora Marília, mas, embora a
obra tenha a estrutura de um diálogo, só Dirceu fala (trata-se de um
monólogo), chamando Marília em geral com vocativos. Como bem lembra o
crítico António Cândido, o melhor título para a obra seria Dirceu de Marília,
mas o patriarcalismo de Gonzaga nunca lhe permitiria pôr-se como a
coisa possuída, sem esquecer que Tomás António Gonzaga morreu de
paixão. Ele foi mandando para a ilha das Cobras no Rio de Janeiro,
depois para Moçambique na África. Casando-se com uma filha de um
mercador de escravos, o que, diga-se de passagem, é notável e estranho: Logo ele que era totalmente contra a escravidão.
Aos cinco anos ouviu o seu primeiro disco de fado, cantado por Lucília do Carmo, a que deu pouca importância na ocasião. Aos dez anos foi viver para Portugal e estudou nas melhores escolas de Lisboa, mostrando uma inclinação para a música clássica. Aos 12 anos inscreveu-se no Conservatório Nacional de Lisboa e concluiu o curso básico e superior de solfejo aos 15 anos. Iniciou então os estudos de piano, terminando o curso nove anos depois, com louvor e distinção. Seguidamente, inscreveu-se no curso de teatro no mesmo Conservatório. Terminados os estudos secundários, juntou-se à Companhia de Teatro Estúdio de Lisboa, dirigida por Luzia Maria Martins, ali permanecendo durante seis anos.
Inscreveu-se então no curso de Direito (que nunca completou), onde fundou o Grupo Independente de Teatro da Faculdade de Direito, onde encenaria a peça O Homúnculo de Natália Correia, primeiro texto desta autora a ser representado publicamente. Nessa ocasião conheceu Vasco de Lima Couto, que lhe escreveu um poema para um fado.
Começou a visitar os retiros de fado em Cascais,
e segundo as suas palavras, “apanhei o comboio logo ali”. José Manuel
Osório cantou como amador em sítios como O Estribo, O Cartola, O Galito e
O Arreda. Conheceu então cantores carismáticos como Alfredo Marceneiro, Maria Teresa de Noronha, Carlos Duarte, João Braga, José Pracana, Chico Pessoa e João Ferreira-Rosa, entre outros. Também conheceu José Carlos Ary dos Santos, que lhe ofereceu para cantar o decassílablo Desespero, a partir de um soneto incluído em A Liturgia do Sangue.
Esses retiros de fado, segundo Osório, eram de certo modo locais
de rebelião contra as casas de fado que proliferavam nos bairros
históricos de Lisboa e tornavam o prazer de cantar numa obrigação.
Em 1968 gravou o seu primeiro disco, cujo reportório incluía poemas de José Carlos Ary dos Santos, Vasco de Lima Couto, Manuel Alegre, Mário de Sá-Carneiro, António Botto, João Fezas Vital, Luiza Neto Jorge, António Aleixo e Maria Helena Reis. Em 1969 gravou o seu segundo trabalho e recebeu o Prémio da Imprensa para o Melhor Disco do Ano.
Em 1969 Osório aderiu ao Partido Comunista Português. Em 1970 recebeu o Prémio da Imprensa para o Melhor Fadista do Ano, mas foi impedido de cantar no Coliseu, por ordem da PIDE enviada à Casa da Imprensa. Viveu então um período difícil, devido à proibição de vendas imposta ao seu disco.
Nas décadas de 60 e de 70 dinamizou o teatro amador em
dezenas de espetáculos, tanto como ator como encenador, trabalhando
essencialmente nas associações populares de Lisboa. Foi-lhe atribuído o
Primeiro Prémio do Festival de Teatro Amador (APTA) com o Grupo Oficina
de Teatro de Amadores de Alfama, dirigindo o texto Soldados de Carlos Reyes.
Regressou finalmente a Portugal em 1973 e começou a pesquisar e a
coligir temas do fado operário e anarco-sindicalista, que mais tarde
viria a interpretar.
Depois do 25 de abril de 1974 participou na fundação do grupo de teatro A Barraca. Juntamente com Fernando Tordo e Samuel compôs música para a peça A Cidade Dourada (A Barraca). Também compôs e interpretou ao vivo música para a peça As Espingardas da Mãe Carrar por Bertolt Brecht na Casa da Comédia, encenada por João Lourenço. Foi um impulsionador dos Cantos Livres e das Campanhas de Dinamização do Movimento das Forças Armadas. A sua iniciativa levaria à afirmação do estudo e pesquisa históricos sobre o fado sindicalista e anarquista.
Gravou mais três discos de fado, sempre com um reportório de
fados tradicionais, dando assim por concluída a sua carreira
discográfica.
Atuou principalmente em casas de fado amador de Cascais e do Estoril,
nunca considerando seriamente tornar-se fadista profissional.
Utilizou todo o conhecimento adquirido para desenvolver uma carreira
como produtor de espetáculos e agente artístico, que manteve até 1990.
José Manuel Osório foi também, desde
1976, até estar disso impossibilitado, por motivos de saúde, membro do
comité organizador da Festa do Avante,
apoiando diretamente a criação do espaço exclusivamente dedicado ao
fado chamado «Retiro do Fado», que continua atualmente a existir.
Em 1984 soube que era seropositivo,
mas só no final de 1989 começou a ter sérios problemas de saúde, que o
obrigariam a abandonar a sua atividade profissional. Durante os anos
seguintes teve de enfrentar e vencer uma longa série de doenças
gravíssimas decorrentes da SIDA,
com enorme coragem e determinação, envolvendo-se ativamente na luta e
na prevenção contra a SIDA, colaborando com vários médicos entre os
quais a Dra. Odette Ferreira. Ficou conhecido por ser o mais antigo seropositivo em Portugal.
Em 1993 fez um regresso, pela mão de Ruben de Carvalho, para
lançar uma iniciativa artística no sentido de destacar o fado, através
d’"As Noites de Fado da Casa do Registo", no âmbito de Lisboa/94 Capital Europeia da Cultura.
Em 1998 a EBAHL convidou-o a supervisionar as Festas de Lisboa.
Em 2005 dirigiu o projeto "Todos os Fados". Em 2011 foi distinguido com
o Prémio Amália Rodrigues Ensaio/Divulgação, por se ter destacado nos
últimos anos como investigador do fado, tendo coordenado as coleções
discográficas “Fados da Alvorada” e “Fados do Fado” na etiqueta
Movieplay Portuguesa.
Foi pai do jornalista Luís Osório, nascido em 1971, e que mais tarde o entrevistaria para o programa Portugalmente e lhe dedicaria um documentário e um livro chamados Quanto Tempo?
José Manuel Osório morreu, em Lisboa, a 11 de agosto de 2011.
As Perseidas são uma prolífica chuva de meteoros associada ao cometaSwift-Tuttle. São assim denominadas devido ao ponto do céu de onde parecem vir, o radiante, localizado na constelação de Perseu. As chuvas de meteoros ocorrem quando a Terra atravessa um rasto de meteoróides. Neste caso o rasto é denominado de nuvem Perseida e estende-se ao longo órbita do cometa Swift-Tuttle. A nuvem consiste em partículas ejetadas pelo cometa durante a sua passagem perto do Sol.
A maior parte do material presente na nuvem atualmente tem
aproximadamente 1.000 anos. No entanto, existe um filamento
relativamente recente de poeiras neste rasto proveniente da passagem do
cometa em 1862. Em 1992 (o cometa Swift-Tuttle dá uma volta completa em torno do Sol a cada 130 anos) a nuvem que dá origem às Perseidas
foi reabastecida, tendo nos últimos anos havido algumas chuvas de
meteoros bastante boas. Como a Terra, nessa noite, viaja pelo espaço em
direção à constelação de Perseu,
as estrelas cadentes parecem provir desse ponto (chamado de radiante)
para aonde a Terra se dirige; marcando (e prolongando essa linha) num mapa celeste, as estrelas cadentes perseidas ir-se-ião cruzar no radiante.
Observação
O fenómeno é visível anualmente a partir de meados de julho,
registando-se a maior atividade entre os dias 8 e 14 de agosto,
ocorrendo o seu pico por volta do dia 12. Durante o pico, a taxa de
estrelas cadentes pode ultrapassar as 60 por hora. Podem ser observadas
ao longo de todo o plano celeste, mas devido à trajetória da órbita do
cometa Swift-Tuttle, são observáveis essencialmente no Hemisfério Norte.
A famosa chuva de estrelas das Perseidas tem sido observada ao longo
dos últimos 2.000 anos, com a primeira descrição conhecida deste
fenómeno registada no Extremo Oriente no ano 36. Na Europa recém cristianizada, as Perseidas tornaram-se conhecidas como Lágrimas de São Lourenço.
De forma a viver esta experiência ao máximo, a chuva deverá ser
observada numa noite limpa e sem lua, a partir de um ponto afastado das
grandes concentrações urbanas, onde o céu não se encontre afetado pela
poluição luminosa.
As Perseidas possuem um pico relativamente grande, pelo que o fenómeno
pode ser observado ao longo de várias noites. Em qualquer uma destas, a
atividade começa lentamente ao anoitecer, aumentando subitamente por
volta das 23 horas, quando o radiante atinge uma posição celeste
relativamente elevada. A taxa de meteoros aumenta de forma contínua ao
longo da noite, atingindo o pico pouco antes do amanhecer,
aproximadamente 1½ a 2 horas antes do nascer do sol.
NOTA: este ano provavelmente irei observar o fenómeno sozinho (de vez em quando faço-o na Senhora do Monte, perto de Cortes, em Leiria, sempre que posso).
É fácil de ver - basta olhar, sem telescópio, para uma vasta zona
de NE do céu, à volta da constelação de Perseu (que fica por baixo da
Cassiopeia, uma constelação bem visível, com forma de M ou W, entre as
00.30 e 03.00 horas). Aqui fica um mapa do céu com o radiante desta
chuva de estrelas:
Le mal dont j'ai souffert s'est enfui comme un rêve, Je n'en puis comparer le lontain souvenir Qu'à ces brouillards légers que l'aurore soulève Et qu'avec la rosée on voit s'évanouir. .............................................MUSSET
Meu anjo, escuta: quando junto à noite Perpassa a brisa pelo rosto teu, Como suspiro que um menino exala; Na voz da brisa quem murmura e fala Brando queixume, que tão triste cala No peito teu? Sou eu, sou eu, sou eu! Quando tu sentes lutuosa imagem D'aflito pranto com sombrio véu, Rasgado o peito por acerbas dores; Quem murcha as flores Do brando sonho? — Quem te pinta amores Dum puro céu? Sou eu, sou eu, sou eu! Se alguém te acorda do celeste arroubo, Na amenidade do silêncio teu, Quando tua alma noutros mundos erra, Se alguém descerra Ao lado teu Fraco suspiro que no peito encerra; Sou eu, sou eu, sou eu! Se alguém se aflige de te ver chorosa, Se alguém se alegra co'um sorriso teu, Se alguém suspira de te ver formosa O mar e a terra a enamorar e o céu; Se alguém definha Por amor teu, Sou eu, sou eu, sou eu! in Últimos Cantos (1851) - Gonçalves Dias
É doce morrer no mar - Dorival Caymmi Música de Dorival Caymmi e letra de Jorge Amado
É doce morrer no mar Nas ondas verdes do mar A noite que ele não veio foi Foi de tristeza pra mim Saveiro voltou sozinho Triste noite foi pra mim É doce morrer no mar Nas ondas verdes do mar Saveiro partiu de noite foi Madrugada não voltou O marinheiro bonito sereia do mar levou É doce morrer no mar Nas ondas verdes do mar Nas ondas verdes do mar meu bem Ele se foi afogar Fez sua cama de noivo no colo de Iemanjá
Terra Pátria serás nossa, Mais este sol que te cobre, Serás nossa, Mãe pobre de gente pobre. O vento da nossa fúria Queime as searas roubadas; E na noite dos ladrões Haja frio, morte e espadas. Terra Pátria serás nossa Mais os vinhedos e os milhos, Serás nossa, Mãe que não esquece os filhos. Com morte, espadas e frio, Se a vida te não remir, Faremos da nossa carne As searas do porvir. Terra Pátria serás nossa, Livre e descoberta enfim, Serás nossa, Ou este sangue o teu fim. E se a loucura da sorte assim nos quiser perder, Abre os teus braços de morte E deixa-nos aquecer.
Arde um fulgor extinto no longe da tarde agoniada. Não me pesaria tanto a caminhada se, em lugar do dia, no seu extremo achasse a noite. Exacta e concisa é a claridade. Não mente à luz o que a noite ilude. Terrível destino o de quem é nocturno à luz solar. Não vos ponha em cuidado, porém, este meu penar: são palavras e não sangram.
Na adolescência, Anderson arranjou emprego como assistente de vendas numa loja de departamentos em Blackpool, e depois numa banca de jornal. Ele declararia mais tarde que foi lendo edições da Melody Maker e da New Musical Express durante os seus intervalos de almoço que lhe rendeu a inspiração de fazer parte de uma banda.
Em 1965, a banda passou a chamar-se John Evan Smash, comportando mais integrantes e que se separou após dois anos, época em que Andersou se mudou para Luton. Ali, conheceu o baterista Clive Bunker e o guitarrista e vocalista Mick Abrahams, do grupo de blues McGregor's Engine. Juntamente com Glenn Cornick,
baixista que conhecera por intermédio de John Evan, ele formou a
primeira encarnação de uma banda que se manteria durante mais de quatro
décadas: os Jethro Tull.
Já então Anderson abandonara a sua pretensão de tocar guitarra elétrica, supostamente por sentir que nunca seria "tão bom quanto Eric Clapton". Como relatado pelo próprio na introdução do vídeo Live at the Isle of Wight, ele trocou a sua guitarra por uma flauta, e após algumas semanas de prática concluiu que poderia manejar o instrumento bem, principalmente no rock e nos blues. A sua experiência na guitarra não foi desperdiçada, no entanto, pois ele continuou a tocar viola, utilizando-o como instrumento tanto melódico quanto rítmico. Com o progredir da sua carreira, Anderson foi adicionando saxofone, bandolim, teclados e outros instrumentos ao seu arsenal musical.
Como flautista, Anderson é autodidata e a sua principal influência foi Roland Kirk.
«Nas suas cavalarias alentejanas, à volta de alguma montaria aos lobos
ou aos castelhanos», se perdera (o futuro rei), em Veiros, pela filha de
Berbadão, Inês Pires Esteves, que amara, seduzira, trouxera para o convento de Santos, e de quem houvera um filho, Conde de Barcelos, depois Duque de Bragança, nascido aos 20 anos do pai: foi Afonso I de Bragança ou Afonso de Portugal (nascido em Veiros em 10 de agosto de 1377 e morto em 15 de dezembro de 1461, em Chaves, ali sepultado). Foi feito, em 30 de dezembro de 1442, Duque de Bragança, também 8° Conde de Barcelos e Conde de Ourém.
O primitivo património dos Bragança formou-se com bens e terras com que dotou a filha o condestável Nuno Álvares Pereira (1360-1431),
7° Conde de Barcelos. Foi o fundador da casa de Bragança. O senhorio e o
ducado de Bragança solicitou-os ao regente D. Pedro, por ocasião de
breve reconciliação entre ambos, que lhos concedeu no ano de 1442. Os descendentes foram Duques de Guimarães em 23 de novembro de 1470 e de Barcelos em 5 de agosto de 1562.
Na armada de Ceuta foi encarregado dos aprestos nas províncias de Estremadura e Entre Douro e Minho e capitão da capitania real. Do regresso de Ceuta, e pelos serviços, recebeu novas mercês de seu pai, João I de Portugal. Durante o reinado de D. Duarte I teve excelentes relações com o meio-irmão, mas não o conseguiu demover da trágica expedição a Tânger.
Depois da morte de Duarte I e durante a regência da sua viúva Leonor de Aragão e Pedro, irmão do falecido rei, não foram boas as relações entre Afonso e Pedro, chegando quase ao campo de batalha em Mesão Frio, nas margens do rio Douro, luta que foi evitada pelo conde de Ourém, filho de Afonso. Em 1442, este obteve do regente o senhorio e ducado de Bragança. Era o terceiro ducado de Portugal (os dois primeiros foram criados por João I para seus dois filhos: o de Coimbra para Pedro e o de Viseu para o Infante D. Henrique)
Depois da batalha de Alfarrobeira (1449), D. Afonso V concedeu ao Duque de Bragança outras importantísssimas mercês, e nove anos depois, quando partiu para África, deixou entregue ao duque o governo do reino na sua ausência.
O seu descendente na sexta geração, D. João II, 8° Duque de Bragança, viria a tornar-se D. João IV de Portugal, o nosso 21° Rei. Recorde-se que este título de Bragança foi criado em 1442 por Afonso V, sobrinho do 1º duque de Bragança.
Né Ladeiras, é o nome artístico da cantora portuguesa Maria de Nazaré de Azevedo Sobral Ladeiras (Porto, 10 de agosto de 1959).
A sua carreira musical começou realmente com a fundação, em 1974, com diversos amigos, da Brigada Victor Jara, projeto no qual tocavam sobretudo música latino-americana tendo participado em diversas campanhas de animação cultural do MFA
(Movimento de Forças Armadas) e de trabalho voluntário. O interesse
do grupo pela música tradicional portuguesa só se manifesta nos
últimos meses de 1976, após realizarem diversos espetáculos pelo país
e aí "descobrirem" as potencialidades e qualidade da nossa tradição
musical.
Começou a cantar numa idade muito precoce, utilizando instrumentos de seu pai. Após a independência de Angola,
em 1975, representou Angola por várias vezes, viajando pela Polónia,
Checoslováquia, Cuba e União Soviética, no entanto, concluiu, com
relutância, que devido à instabilidade política, não havia um clima
propício para que os músicos se pudessem desenvolver e crescer e, após
uma visita a Portugal em 1982, decidiu não regressar.
Bastos considerava a sua música como reflexo da própria vida e suas
experiências, composta para elogiar a identidade nacional. Os seus
temas fazem um apelo à fraternidade universal. Ao longo dos seus 40 anos
de carreira em 2008 foi distinguido com um Diploma de Membro Fundador,
de 25 anos, da União dos Artistas e Compositores e um Prémio , em
1999, pela World Music. O jornal New York Times considerou, em 1999, o
seu disco Black Light uma das melhores obras da época.
Morreu no dia 10 de agosto de 2020, em Lisboa, aos 66 anos, vítima de um cancro.
Antônio Gonçalves Dias nasceu em 10 de agosto de 1823, no sítio Boa Vista, em terras de Jatobá (a 14 léguas de Caxias). Morreu aos 41 anos em um naufrágio do navio Ville Bologna, próximo do baixo de Atins, na baía de Cumã, município de Guimarães. Advogado de formação, é mais conhecido como poeta e etnógrafo, sendo relevante também para o teatro brasileiro, tendo escrito quatro peças. Teve também atuação importante como jornalista.
Era filho de uma união não oficializada entre um comerciante português com uma mestiça,
e estudou inicialmente por um ano com o professor José Joaquim de
Abreu, quando começou a trabalhar como caixeiro e a tratar da
escrituração da loja de seu pai, que veio a falecer em 1837.
Iniciou os seus estudos de latim, francês e filosofia em 1835 quando foi matriculado numa escola particular.
Foi estudar na Europa, em Portugal, onde, em 1838 terminou os estudos secundários e ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (1840), retornando em 1845, após bacharelar-se. Mas antes de retornar, ainda em Coimbra, participou dos grupos medievalistas da Gazeta Literária e de O Trovador, compartilhando das ideias românticas de Almeida Garrett, Alexandre Herculano e António Feliciano de Castilho. Por se achar tanto tempo fora de sua pátria inspira-se para escrever a Canção do Exílio
e parte dos poemas de "Primeiros cantos" e "Segundos cantos"; o drama
Patkull; e "Beatriz de Cenci", depois rejeitado por sua condição de
texto "imoral" pelo Conservatório Dramático do Brasil. Foi ainda neste
período que escreveu fragmentos do romance biográfico "Memórias de
Agapito Goiaba", destruído depois pelo próprio poeta, por conter alusões
a pessoas ainda vivas.
No ano seguinte ao seu retorno conheceu aquela que seria a sua grande
musa inspiradora: Ana Amélia Ferreira Vale. Várias de suas peças
românticas, inclusive “Ainda uma vez — Adeus”
foram escritas para ela. Nesse mesmo ano ele viajou para o Rio de
Janeiro, então capital do Brasil, onde trabalhou como professor de História e Latim do Colégio Pedro II,
além de ter atuado como jornalista, contribuindo para diversos
periódicos: Jornal do Commercio, Gazeta Oficial, Correio da Tarde e
Sentinela da Monarquia, publicando crónicas, folhetins teatrais e
crítica literária.
Gonçalves Dias pediu Ana Amélia em casamento em 1852,
mas a família dela, em virtude da ascendência mestiça do escritor,
refutou veementemente o pedido. No mesmo ano retornou ao Rio de Janeiro,
onde casou-se com Olímpia da Costa. Logo depois foi nomeado oficial da
Secretaria dos Negócios Estrangeiros. Passou os quatro anos seguintes
na Europa realizando pesquisas em prol da educação nacional. Voltando
ao Brasil foi convidado a participar da Comissão Científica de
Exploração, pela qual viajou por quase todo o norte do país.
Voltou à Europa em 1862 para um tratamento de saúde. Não obtendo resultados retornou ao Brasil, em 1864, no navio Ville de Boulogne,
que naufragou na costa brasileira; salvaram-se todos, exceto o poeta,
que foi esquecido, agonizando no seu leito, e afogou-se. O acidente
ocorreu nos Baixos de Atins, perto de Tutóia, no Maranhão.
A sua obra enquadra-se no romantismo,
pois, à semelhança do que fizeram os seus correlegionários europeus,
procurou formar um sentimento nacionalista ao incorporar assuntos, povos
e paisagens brasileiras na literatura nacional. Ao lado de José de
Alencar, desenvolveu o indianismo. Pela sua importância na história da literatura brasileira, podemos dizer que Gonçalves Dias incorporou uma ideia de Brasil na literatura nacional.
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar - sozinho, à noite -
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu´inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Imaginou entrevistas com Mata
Hari e Conan Doyle, enviou reportagens da "Rússia dos Sovietes" sem
nunca lá ter posto os pés, criou um dos primeiros detetives de gabinete
da literatura policial, deu forma a uma galeria interminável de heróis
de folhetim, fundou jornais, realizou filmes, previu, ao jeito de Júlio
Verne, como seriam Lisboa e o Porto no ano 2000.
Reinaldo Ferreira. R de realidade e F de ficção. Nasceu há um
século. Os 38 anos da sua breve passagem pelo mundo foram vividos à
beira do delírio, com a morfina a ajudar. Um tipógrafo distraído
inventou a alcunha que o iria consagrar: Repórter X.
Luís Miguel Queirós - Jornal PÚBLICO, 10 de agosto de 1997
Nascido no Brasil, filho de imigrantes portugueses, veio aos dois anos para Portugal. A família fixa-se em Cantanhede, mais precisamente na vila de Febres, onde o pai exercia medicina. Em 1933 muda-se para Coimbra, onde permanece durante quinze anos, a fim de prosseguir os estudos. Em 1941 ingressa na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde estabelece amizade com Joaquim Namorado, João Cochofel e Fernando Namora. Em 1947 licencia-se em Ciências Histórico-Filosóficas, instalando-se definitivamente em Lisboa, no ano seguinte. Periodicamente volta a Coimbra e à Gândara. Em 1949 casa-se com Ângela, jovem madeirense que conhecera nos bancos da Faculdade, sua companheira e futura colaboradora permanente.
Data de 1942
o seu primeiro livro de poemas, intitulado "Turismo", com ilustrações
de Fernando Namora e integrado na coleção poética de 10 volumes do
"Novo Cancioneiro", iniciativa coletiva que, em Coimbra, assinalava o
advento do movimento neo-realista. Porém, em 1937, já publicara em conjunto com Fernando Namora e Artur Varela, amigos de juventude, um pequeno livro de contos "Cabeças de Barro". Em 1943 publica o seu primeiro romance, "Casa na Duna", segundo volume da coleção dos Novos Prosadores (1943), editado pela Coimbra Editora. No ano de1944
surge o romance "Alcateia", que viria a ser apreendido pelo regime. No
entanto é desse mesmo ano a segunda edição de "Casa na Duna".
Em 1945
publica um novo livro de poesias, "Mãe Pobre". Os anos seguintes serão,
para Carlos de Oliveira, bem profícuos quanto à integração e afirmação
no grupo que veicula e auspera por um novo humanismo, com a
participação nas revistas Seara Nova e Vértice, além da colaboração no livro de Fernando Lopes Graça "Marchas, Danças e Canções", uma antologia de vários poetas, musicadas pelo maestro.
Em 1953 publica "Uma Abelha na Chuva", o seu quarto romance e, unanimemente reconhecido, uma das mais importantes obras da literatura portuguesa do séculoXX, tendo sido integrado no programa da disciplina de português no ensino secundário.
Em 1968 publica dois novos livros de poesia, "Sobre o Lado Esquerdo" e "Micropaisagem", e colabora com Fernando Lopes na adaptação de "Uma Abelha na Chuva". Em 1971 sai "O Aprendiz de Feiticeiro", coletânea de crónicas e artigos, e "Entre Duas Memórias", livro de poemas, que lhe vale o Prémio da Casa da Imprensa.
Em 1976
reúne toda a sua poesia em dois volumes, sob o título de "Trabalho
Poético", juntando aos seus poemas anteriores, os inéditos reunidos em
"Pastoral", publicado autonomamente no ano seguinte.
O seu último romance, "Finisterra", sai em 1978, tendo como fundo a paisagem gandaresa. A obra proporciona-lhe o Prémio Cidade de Lisboa, no ano seguinte.
Morre na sua casa em Lisboa, com 60 anos, incompletos.
Foi pioneiro nos trabalhos sobre a ecologia e na disseminação da consciência social sobre os ecossistemas.
Filho do sociólogoHoward W. Odum, uma de suas principais obras é o clássico Fundamentos da Ecologia (1953).
“
Por
muitos anos, eu tenho apontado que a Ecologia não é mais uma subdivisão
da Biologia, mas tem emergido de suas próprias raízes biológicas para
tornar-se uma disciplina separada que integra organismos, o ambiente
físico e os seres humanos.
Mily Balakirev, professor de saxofone de sua mãe, aconselhou que o menino estudasse com Nikolai Rimsky-Korsakov (1880) e, dois anos depois, executou num concerto a primeira sinfonia em mi maior, de Glazunov. Entre 1882 e 1886 Glazunov compôs dois quartetos de cordas, duas aberturas sobre temas folclóricosgregos, o poemasinfônicoStenka e a segunda sinfonia em fá sustenido menor.
Visitou Franz Liszt em Weimar (1884) e sofreu sua influência, e também as de Richard Wagner e Tchaikovsky, mais tarde. Muitas das suas obras-primas datam da década de 1890: os balés Raymonda, Ruses d'amour e Les Saisons, as sinfonias nº 4, 5 e 6 (a 8ª e última é de 1906). De 1904 é o concerto para violino em lá menor.
Foi professor (1899) e diretor (1905) do Conservatório de São Petersburgo, permanecendo nessa função até 1928, quando decidiu deixar a União Soviética, por sentir-se isolado. Fez uma tournée aos Estados Unidos da América mas fixou-se em Paris depois de 1930. Obras importantes desses seus últimos anos são o Concerto Balada em ré maior para violoncelo e orquestra, Op. 109 (1931) e o Concerto para saxofone alto e orquestra de cordas em mi bemol maior (1934), uma das mais populares peças para sax alto - cujo número de opus é o mesmo do Quarteto de Saxofones em si bemol maior (1932), outro standard do repertório para saxofone.
Na Revolução de 1917, os revolucionários adotaram para a Rússia um hino provisório denominado A Marselhesa Operária, que durou de outubro 1917 a meados de 1918, e que possuía uma adaptação feita por Aleksandr da melodia de A Marselhesa.
Publicou a sua obra muitas vezes marcada pela vivência tropical
africana em Moçambique. Integrou o grupo de intelectuais locais.
Conviveu com muitos dos artistas, críticos literários e outros da capital
moçambicana, como Eugénio Lisboa, Carlos Adrião Rodrigues, Craveirinha,
António Quadros (pintor), etc. Como fotógrafo publicou um livro sobre a
Ilha de Moçambique (A Ilha de Próspero, 1972). Com António Quadros (pintor) fundou Os Cadernos de Caliban. Deixou Moçambique em 1975. A nacionalidade portuguesa não impediu que a sua alma fosse assumidamente africana.
Mas a sua desilusão pelos acontecimentos políticos estão expressos na
sua poesia publicada após a saída da sua terra. Tem colaboração
dispersa por vários jornais e revistas e publicou alguns livros.
Desempenhou funções de adido cultural na Embaixada Portuguesa em Londres.
Velho Colono
Sentado no banco cinzento
entre as alamedas sombreadas do parque.
Ali sentado só, àquela hora da tardinha,
ele e o tempo. O passado certamente,
que o futuro causa arrepios de inquietação.
Pois se tem o ar de ser já tão curto,
o futuro. Sós, ele e o passado,
os dois ali sentados no banco de cimento.
Há pássaros chilreando no arvoredo,
certamente. E, nas sombras mais densas
e frescas, namorados que se beijam
e se acariciam febrilmente. E crianças
rolando na relva e rindo tontamente.
Em redor há todo o mundo e a vida.
Ali está ele, ele e o passado,
sentados os dois no banco de frio cimento.
Ele a sombra e a névoa do olhar.
Ele, a bronquite e o latejar cansado
das artérias. Em volta os beijos húmidos,
as frescas gargalhadas, tintas de Outono
próximo na folhagem e o tempo.
O tempo que cada qual, a seu modo,
vai aproveitando.