quarta-feira, novembro 13, 2013

O Infante de Sagres morreu há 553 anos

Possível representação do Infante num dos Painéis de São Vicente de Fora

O Infante Dom Henrique de Avis, 1.º duque de Viseu e 1.º senhor da Covilhã (Porto, 4 de março de 1394Sagres, 13 de novembro de 1460), foi um infante português e a mais importante figura do início da era das descobertas, popularmente conhecido como Infante de Sagres ou O Navegador.

Brasão de armas de D. Henrique

O Infante D. Henrique nasceu numa quarta-feira de cinzas, dia então considerado pouco propício ao nascimento de uma criança. Era o quinto filho de João I de Portugal, fundador da Dinastia de Avis, e de Dona Filipa de Lencastre.
Foi batizado alguns dias depois do seu nascimento, tendo sido o seu padrinho o bispo de Viseu. Os seus pais deram-lhe o nome Henrique, possivelmente em honra do seu tio materno, o duque Henrique de Lencastre (futuro Henrique IV de Inglaterra).
Pouco se sabe sobre a vida do infante até aos seus catorze anos. Tanto ele como os seus irmãos (a chamada Ínclita geração) tiveram como aio um cavaleiro da Ordem de Avis.
Em 1414, convenceu o seu pai a montar a campanha para a conquista de Ceuta, na costa norte-africana junto ao estreito de Gibraltar. A cidade foi conquistada em agosto de 1415, assegurando ao reino de Portugal o controlo das rotas marítimas de comércio entre o Atlântico e o Levante. Na ocasião foi armado cavaleiro e recebeu os títulos de Senhor da Covilhã e duque de Viseu.
A 18 de fevereiro de 1416, foi encarregado do governo de Ceuta. Cabia-lhe organizar, no reino, a manutenção daquela praça-forte em Marrocos.
Em 1418, regressou a Ceuta na companhia de D. João, o seu irmão mais novo. Os infantes comandavam uma expedição de socorro à cidade, que sofreu nesse ano o primeiro grande cerco, imposto conjuntamente pelas forças dos reis de Fez e de Granada. O cerco foi levantado, e D. Henrique tentou de imediato atacar Gibraltar, mas o mau tempo impediu-o de desembarcar: manifestava-se assim uma vez mais a temeridade e fervor antimuçulmano do Infante. Ao regressar a Ceuta recebeu ordens de seu pai para não prosseguir tal empreendimento, pelo que retornou para o reino nos primeiros meses de 1419. Aprestou por esta época uma armada de corso, que atuava no estreito de Gibraltar a partir de Ceuta. Dispunha assim de mais uma fonte de rendimentos e, desse modo, muitos dos seus homens habituaram-se à vida no mar. Mais tarde, alguns deles seriam utilizados nas viagens dos Descobrimentos.
Entre 1419 e 1420 alguns dos seus escudeiros, João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira, desembarcaram nas ilhas do arquipélago da Madeira, que já eram conhecidas por navegadores portugueses desde o século anterior. As ilhas revelaram-se de grande importância, vindo a produzir grandes quantidades de cereais, minimizando a escassez que afligia Portugal. O arquipélago foi doado a D. Henrique pelo irmão, o Rei D. Duarte I de Portugal, sucessor de D. João I, falecido em 1433.
Em 25 de maio de 1420, D. Henrique foi nomeado Grão-Mestre da Ordem de Cristo (titular em Portugal do património da Ordem dos Templários), cargo que deteve até ao fim da vida. No que concerne ao seu interesse na exploração do oceano Atlântico, o cargo e os recursos da ordem foram decisivos ao longo da década de 1440.
Em 1427, os seus navegadores descobriram as primeiras ilhas dos Açores (possivelmente Gonçalo Velho). Também estas ilhas desabitadas foram depois povoadas pelos portugueses.
Até à época do Infante D. Henrique, o cabo Bojador era para os europeus o ponto conhecido mais meridional na costa de África. Gil Eanes, que comandou uma das expedições, foi o primeiro a ultrapassá-lo (1434), eliminando os medos então vigentes quanto ao desconhecido que para lá do cabo se encontraria.
Aquando da morte de D. João I, o seu filho mais velho (e irmão de D. Henrique), D. Duarte subiu ao trono, e entregou a este um quinto de todos os proveitos comerciais com as zonas descobertas bem como o direito de explorar além do cabo Bojador.
O reinado de D. Duarte durou apenas cinco anos, após o qual, D. Henrique apoiou o seu irmão D. Pedro na regência, durante a menoridade do sobrinho D. Afonso V, recebendo em troca a confirmação do seu privilégio. Procedeu também, durante a regência, ao povoamento dos Açores.
Com um novo tipo de embarcação, a caravela, as expedições adquiriram um grande impulso. O cabo Branco foi atingido em 1441 por Nuno Tristão e Antão Gonçalves. A Baía de Arguim em 1443, com consequente construção de uma feitoria em 1448.
Dinis Dias chegou ao rio Senegal e dobrou o Cabo Verde em 1444. A Guiné foi de seguida visitada. Assim, os limites a sul do grande deserto do Saara foram ultrapassados. A partir daí, D. Henrique cumpriu um dos seus objectivos: desviar as rotas do comércio do Saara e aceder às riquezas na África Meridional. Em 1452 a chegada de ouro era em suficiente quantidade para que se cunhassem os primeiros cruzados nesse metal.
Entre 1444 e 1446, cerca de quarenta embarcações partiram de Lagos. Na década de 1450 descobriu-se o arquipélago de Cabo Verde. Data dessa época a encomenda de um mapa-múndi do Velho Mundo a Fra Mauro, um monge veneziano.
Em 1460, a costa estava já explorada até o que é hoje a Serra Leoa.
Entretanto, D. Henrique estava também ocupado com assuntos internos do Reino. Julga-se ter patrocinado a criação, na Universidade de Coimbra, de uma cátedra de astronomia.
Foi também um dos principais organizadores da conquista de Tânger em 1437, que se revelou um grande fracasso, já que o seu irmão mais novo, D. Fernando (o Infante Santo) foi capturado e ali mantido prisioneiro durante 11 anos, até falecer. A sua reputação militar sofreu um revés e os seus últimos anos de vida foram dedicados à política e à exploração.
Deixou como seu principal herdeiro o seu sobrinho, em bens, cargos e títulos, o segundo filho de seu irmão o rei D. Duarte já falecido, o Infante D. Fernando, duque de Beja, e que a partir dessa altura passa a ser Duque de Viseu tal como ele e a dirigir os Descobrimentos portugueses para o Reino de Portugal tal como o seu tio.



terça-feira, novembro 12, 2013

Há 22 anos o Massacre de Santa Cruz mostrou o Mundo o problema de Timor Leste

(imagem daqui)

O Massacre de Santa Cruz em Timor Leste foi um tiroteio sobre manifestantes pró-independência no cemitério de Santa Cruz em Dili, a 12 de novembro de 1991, durante a ocupação de Timor-Leste pela Indonésia. A maioria das vítimas foram jovens, por isso, depois da independência, passou a ser um feriado, o Dia Nacional da Juventude em Timor Leste. Nesse dia tinha havido uma missa por alma de Sebastião Gomes, um jovem membro da resistência timorense, e havido uma romagem à sua campa no cemitério. Os jovens motivados pela revolta por esse assassinato, manifestaram-se contra os militares da Indonésia com o objetivo de mostrarem o seu apoio à independência do país.

Túmulo do Sebastião Gomes em cemitério Santa Cruz

História
Após a invasão de Timor Leste pela Indonésia em 1975, muitos timorenses se sentiam oprimidos e foram mortos por questões políticas. Desde então, a resistência timorense combateu o exército indonésio. Em outubro de 1991 uma delegação com membros do Parlamento Português e 12 jornalistas planeavam visitar o território de Timor Leste durante a visita do Representante Especial das Nações Unidas para os Direitos Humanos e Tortura, Pieter Kooijmans. O governo Indonésio objetou à inclusão na delegação da jornalista australiana Jill Jolliffe, que apoiava e ajudava o movimento independentista Fretilin, e Portugal, consequentemente, cancelou a ida da delegação. O cancelamento desmoralizou os ativistas independentistas em Timor Leste, que esperavam usar a visita para melhorar a visibilidade internacional da sua causa. As tensões entre as autoridades indonésias e a juventude timorense aumentaram após o cancelamento da visita dos deputados de Portugal. Em 28 de outubro, as tropas indonésias localizaram um grupo de membros da resistência na Igreja de Motael, em Dili. O confronto deu-se entre os ativistas pró-integração e os activistas independentistas que estavam na Igreja; quando este acabou, um homem de cada lado estava morto. Sebastião Gomes, um apoiante da independência de Timor Leste, foi retirado da Igreja e abatido pela tropa indonésia e o integracionista Afonso Henriques foi atingido e morto durante a luta. A 12 de novembro, mais de duas mil pessoas marcharam desde a igreja onde se celebrou uma missa em memória de Sebastião Gomes até ao cemitério de Santa Cruz, onde está enterrado, para lhe prestar homenagem. O exército indonésio abriu fogo sobre a população, matando 74 pessoas no local e com 127 a morrer, dos ferimentos, nos dias seguintes. Até 2012, a localização de muitos corpos continua ainda a ser desconhecida. Alguns manifestantes foram presos e só foram libertados em 1999, por altura do referendo pela independência.

No cemitério de Santa Cruz, os manifestantes exibem bandeiras da OJETIL, da FRETILIN e da UDT, forças revolucionárias timorenses (daqui)

Consequências
O massacre foi filmado pelo repórter de imagem Max Stahl, que deu assim uma preciosa ajuda para dar a conhecer ao mundo o que tinha acontecido em Dili. Os acontecimentos foram condenados internacionalmente e chamaram atenção para a causa dos timorenses. Em 2012, Rui Veloso, músico português, compôs e interpretou a música Maubere a favor da causa timorense.
No ano de 1991 as Juventudes de Timor Leste foram derrotadas pelas Forças Indonésias, mas, através deste protesto, os Timorenses mostraram aos outros países, reconhecidos apoiantes da Indonésia, que Timor Leste queria libertar-se e tornar-se uma nova nação, independente da Indonésia. Depois do evento do Massacre Santas Cruz, quase todos os países passaram a apoiar Timor Leste e reconheceram o direito da sua população para determinar se Timor Leste devia ser ou não independente, o que se veio a concretizar-se com o referendo do dia 30 de agosto de 1999. A 12 de novembro de 1991, Timor-Leste vivia mais um momento trágico da sua história, o massacre no cemitério de Santa Cruz. Paradoxalmente, em relação aquele que foi o seu propósito original, o impacto que teve na opinião pública tornou este fatídico acontecimento num dos mais importantes passos na internacionalização da causa timorense, ao revelar-se ao mundo o sofrimento de um povo.

Dia da Juventude
O Massacre de Santa Cruz, Díli, no dia 12 de novembro de 1991, provocou um grande sofrimento para a juventude timorense, mas por causa desta massacre, em que a juventude queria manifestar e demonstrar ao mundo (ONU), que havia discriminação e violação dos Direitos Humanos no território, o que já acontecia desde o início da invasão. Por causa do número de jovens morto no massacre, este é considerado o Dia da Juventude em Timor-Leste.

Grace Kelly nasceu há 84 anos

Grace Patricia Kelly (Filadélfia, 12 de novembro de 1929 - Mónaco, 14 de setembro de 1982) foi uma premiada atriz norte-americana, vencedora do Óscar na categoria Melhor Atriz e, após o seu casamento com Rainier III, príncipe-soberano de Mónaco, tornou-se a princesa de Mónaco, sendo conhecida também como Princesa Grace de Mónaco.
Grace é considerada a décima terceira lenda do cinema mundial, de acordo com o Instituto americano do cinema. A sua morte deu-se em virtude de um acidente automobilístico, a 14 de setembro de 1982. Kelly é também considerada, além de um ícone da moda, a "princesa mais bonita da história". Como atriz, estrelou onze filmes, entre eles "Amar é sofrer", pelo qual ganhou o Óscar de Melhor Atriz e o Globo de Ouro de melhor atriz em filme dramático. No total, a atriz recebeu dez nomeações aos principais prémios da indústria cinematográfica mundial, tais como o BAFTA e o Globo de Ouro, das quais venceu seis vezes.
Além de atriz e aristocrata, Grace Kelly também fez filantropia e ajudava especialmente pessoas que desejavam seguir a carreira artística. Os seus trabalhos humanitários intensificaram-se após o seu casamento com o príncipe, pois ela ficara impossibilitada de exercer a sua profissão de atriz. Kelly foi madrinha de várias instituições sociais, entre elas a Association mondiale des amis de l'enfance, uma organização internacional, criada pela própria, que tem como objetivo ajudar crianças carentes.
Em 2011, foi anunciado a compra dos direitos de autor do livro Grace of Monaco pela produtora Stone Angels para uma adaptação cinematográfica da obra. A longa metragem, que terá o mesmo nome do livro, será dirigido por Olivier Dahan, com produção de Pierre-Ange e roteiro de Asash Amel. O filme, a ser protagonizado pela atriz australiana Nicole Kidman, centrará a história no período de dezembro de 1961 à novembro de 1962, quando Grace desempenhou papel decisivo numa negociação política entre o presidente da França, Charles de Gaulle, e o seu marido.

Aleksandr Borodin nasceu há 180 anos


Biografia
Filho ilegítimo do Príncipe georgiano Luka Gedevanishvili (ou Gedianov, em russo), teve sua paternidade atribuída a um servo do nobre, Porfiry Borodin. Apesar de ter recebido lições de piano quando criança, a sua educação foi direcionada às ciências. Formado em Medicina, interessado pela Química, aperfeiçoou-se em Heidelberg, Alemanha (1859-1862).
Em toda sua vida, Borodin dedicou-se quase inteiramente à química, escrevendo muitos tratados científicos e fazendo muitas descobertas, nomeadamente no campo do benzol e aldeídos. Também foi professor de química orgânica na Academia Militar de São Petersburgo (1864-1887). Considerava-se apenas "um compositor aos domingos".
Vítima da cólera, morreu em 1887, de insuficiência cardíaca, durante um baile de máscaras na Academia de Medicina de São Petersburgo. Foi sepultado no Cemitério Tikhvin, no Mosteiro Aleksandr Nevsky, em São Petersburgo.

Música
Apesar de já ter noções de música, tendo inclusive escrito um dueto para piano aos nove anos de idade, foi só ao conhecer Mily Balakirev, em 1862, que passou a compor com seriedade. Balakirev convenceu-o a integrar-se ao Grupo dos Cinco, com cujas ideias nacionalistas se identificava. Também o ajudou a compor a sua primeira sinfonia, a qual regeu na estreia, em 1869.
No mesmo ano, começou a compor a segunda sinfonia, que não foi bem recebida na estreia, em 1877, sob a batuta de Eduard Nápravník. Após uma pequena re-orquestração, foi elogiada pelo público na sua nova apresentação, desta vez conduzida por Rimsky-Korsakov, em 1879. Em 1880, na Alemanha, Franz Liszt regeu esta mesma sinfonia, dando a Borodin fama fora da Rússia.
Em 1869 começou a compor sua obra mais importante: a ópera O Príncipe Igor. Trabalhou nela durante 18 anos, até à sua morte, deixando-a incompleta, e foi terminada por Nikolai Rimsky-Korsakov e Aleksandr Glazunov em 1890.
Borodin também escreveu numerosas peças para piano, melodias, música de câmara, entre outros.


Rodin nasceu há 173 anos


Foi registado como François-Auguste-René Rodin e as suas primeiras esculturas foram feitas na cozinha de sua mãe, com a massa que ela usava para fazer pão. Aos 15 anos, aquele que seria um dos escultores mais geniais da história da arte, já tinha aulas numa pequena academia. Em pouco tempo foi aceite na Escola de Artes Decorativas, sob a orientação de Boisbaudran e de Barye. Ingressou depois na Academia de Belas-Artes, onde conheceu os escultores Carpeaux e Dalou. Trabalhou inicialmente como ornamentista, modelador, prático e cinzelador.
A exemplo do que tantas vezes aconteceu com os grandes artistas, a primeira obra de Rodin, O Homem de Nariz Quebrado (1864), não foi aceita no Salon de Paris. A justificativa do júri foi que a obra era um esboço, uma coisa inacabada. Paradoxalmente, toda a criação do escultor se basearia no conceito de "non finito". No ano de 1875, Rodin conheceu Meunier e realizou uma viagem à Itália, de importância fundamental para sua futura estatuária. Lá se interessou principalmente pela obra de Miguel Ângelo, mais precisamente pela escultura O Prisioneiro, que o mestre deixou inacabada, influência esta que o libertou do academicismo. Na sua volta, o escultor visitou e estudou as catedrais góticas. Em pouco tempo criou seu famoso São João Batista Pregando (1878).
Na contemplação de fragmentos de esculturas clássicas, Rodin compreendeu até que ponto uma parte da obra era capaz de representar o todo dela. Assim, começou fazendo obras cerceadas, por assim dizer, algo que ninguém jamais havia tentado. Exemplo disso são O Homem que Caminha e Torso. No entanto, esses fragmentos de obras não eram produto de um capricho artístico. Na obra A Mão de Deus, há uma ambivalência de significados: a mão divina é na realidade a de um escultor em plena atividade. E foi exatamente o que Rodin tentou plasmar ao longo de toda a sua obra: o momento da criação. É por esse motivo que ele pode ser considerado um verdadeiro impressionista.
Sobre os Burgueses de Calais nos jardins da torre de Victoria, Londres, não foram permitidas sob a lei francesa mais de doze cópias desta obra após a morte de Rodin . A cópia de Londres, comprada pelo governo britânico em 1911, é uma delas. Rodin duplicava frequentemente as suas estátuas. No caso dos Burgueses de Calais duas das cabeças do grupo escultórico são idênticas e um terceira ligeiramente alterada. Algumas das mãos são também usadas duas vezes.
As suas obras mais célebres, O Beijo, que faz parte de uma série de esculturas realizadas para a Porta do Inferno, do Museu de Artes Decorativas, O Pensador, da mesma série, e o retrato de Balzac confirmam isso. Tem hoje um museu em Paris dedicado as suas obras e vida (o Musée Rodin), situado no Hôtel Biron, ao lado do Hôtel des Invalides, túmulo de Napoleão.
Rodin teve como assistente a escultora Camille Claudel, com quem teve um romance e cujos trabalhos são muitas vezes confundidos com os de Rodin. Camille acreditava que Rodin queria apropriar-se dos seus trabalhos. À época, foi considerada maluca e terminou seus dias internada num manicómio.
Rodin conquistou fama em vida, e as suas obras chegaram a ser as mais apreciadas no mercado de arte europeu e americano. Hoje em dia encontram-se nos museus mais importantes do mundo.
Faleceu em 17 de novembro de 1917. Encontra-se sepultado no Musée Rodin, Meudon, Ilha de França, Paris.

O Beijo (detalhe), Paris

Mouzinho de Albuquerque nasceu há 158 anos

Joaquim Augusto Mouzinho de Albuquerque (Batalha, 12 de novembro de 1855 - Lisboa, 8 de janeiro de 1902) foi um oficial de cavalaria português que ganhou grande fama em Portugal por ter protagonizado a captura do imperador nguni Gungunhana em Chaimite (1895) e pela condução da subsequente campanha de pacificação, isto é de subjugação das populações locais à administração colonial portuguesa, no território que viria a constituir o actual Moçambique, e entre outras coisas uma das mais brilhantes figuras militares portuguesas, herói de Chaimite e de Gaza, durante as gloriosas campanhas de África (1894-1895), e um dos mais notáveis administradores coloniais.
A espectacularidade da captura de Gungunhana e a campanha de imprensa que se gerou aquando de sua chegada a Lisboa e subsequente exílio nos Açores, fizeram de Mouzinho de Albuquerque, malgrado alguma contestação ao seu comportamento ético em Moçambique, uma figura muito respeitada na sociedade portuguesa dos finais do século XIX e inícios do século XX. Era então visto pelos africanistas como esperança e símbolo máximo da reacção portuguesa à ameaça que o expansionismo das grandes potências europeias da altura constituía para os interesses lusos em África.
Foi governador do distrito de Gaza e governador-geral de Moçambique, cargo a que resignou em 1898, data em que voltou a Portugal. Foi nomeado responsável pela educação do príncipe real D. Luís Filipe de Bragança. Suicidou-se em 1902, embora algumas fontes atribuam a morte a homicídio.

(...)

Foi condecorado com os graus de Grande-Oficial da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, Comendador da Ordem Militar de Avis, Grã-Cruz da Ordem do Império Colonial (a título póstumo a 14 de julho de 1932), Comendador da Ordem da Águia Vermelha da Prússia, Comendador da Ordem dos Santos Maurício e Lázaro de Itália, Comendador da Ordem de São Miguel e São Jorge, da Grã-Bretanha e Irlanda (com o inerente título de Sir, que não podia usar por ser estrangeiro), Comendador da Ordem de Leopoldo I da Bélgica e Comendador da Ordem de Carlos III de Espanha, Oficial da Ordem Nacional da Legião de Honra de França, etc, etc.
Entre outros postos, foi nomeado, a 28 de setembro de 1898, para o Conselho de S.M.F., ajudante de campo efectivo do rei D. Carlos I de Portugal, oficial-mor da Casa Real e aio do príncipe D. Luís Felipe de Bragança. A sua posição crítica face à política e aos políticos da sua época e os rumores sobre a seu comportamento desumano durante as campanhas em África, levaram a que fosse progressivamente ostracizado e envolvido num crescente clima de intriga.
Incapaz de, pela sua própria formação militar rígida e pelo feitio orgulhoso, de resistir ao clima de intriga acerca do seu comportamento em África e à decadência em que a monarquia agonizava, Mouzinho de Albuquerque preparou minuciosamente a sua morte, suicidando-se no interior de um coupé, na Estrada das Laranjeiras, no dia 8 de janeiro de 1902.

Patrono da Cavalaria 
A memória de Mouzinho de Albuquerque foi repristinada durante o Estado Novo, sendo apontado como o exemplo do herói da expansão colonial portuguesa e da heroicidade da missão civilizadora que se apontava como justificação para a dominação colonial. Essa heroicidade foi acentuada durante a Guerra Colonial pelo que, pelos seus valorosos feitos em África, o major de cavalaria Joaquim Augusto Mouzinho de Albuquerque foi feito patrono da Arma de Cavalaria do Exército Português, sendo apontado como um exemplo para os militares que servem naquela Arma.
Numa tradição que ainda se mantém, sempre que uma força de cavalaria é destacada em missão no estrangeiro, em cerimónia solene é entregue ao comandante da força o Quadro Mouzinho. Sempre que não haja uma força de cavalaria destacada o Quadro Mouzinho regressa a casa-mãe da cavalaria, a Escola Prática de Cavalaria, local onde se encontram importantes peças do seu espólio. Um busto em cera, moldado da face do próprio Mouzinho aquando da sua morte, está no Museu do Regimento de Lanceiros n.º 2.

segunda-feira, novembro 11, 2013

Poema cantado do Rei que hoje faz anos


Ay eu coitada - La Batalla

Ay eu coitada, como vivo em gram cuidado
por meu amigo que hei alongado;
.......muito me tarda
.......o meu amigo na Guarda.

Ay eu coitada, como vivo em gram desejo
por meu amigo que tarda e nom vejo;
.......muito me tarda
.......o meu amigo na Guarda.


El-Rei D. Sancho I de Portugal

Hoje foi, em muitos países, o Dia da Papoila

Remembrance Day (also known as Poppy Day or Armistice Day) is a memorial day observed in Commonwealth countries since the end of World War I to remember the members of their armed forces who have died in the line of duty. This day, or alternative dates, are also recognised as special days for war remembrances in many non-Commonwealth countries. Remembrance Day is observed on 11 November to recall the end of hostilities of World War I on that date in 1918. Hostilities formally ended "at the 11th hour of the 11th day of the 11th month," in accordance with the Armistice, signed by representatives of Germany and the Entente between 5:12 and 5:20 that morning. ("At the 11th hour" refers to the passing of the 11th hour, or 11:00 am) World War I officially ended with the signing of the Treaty of Versailles on 28 June 1919.
The day was specifically dedicated by King George V on 7 November 1919 as a day of remembrance for members of the armed forces who were killed during World War I. This was possibly done upon the suggestion of Edward George Honey to Wellesley Tudor Pole, who established two ceremonial periods of remembrance based on events in 1917.
The Initial or Very First Armistice Day was held at Buckingham Palace commencing with King George V hosting a "Banquet in Honour of The President of the French Republic" during the evening hours of November 10, 1919. The First Official Armistice Day was subsequently held on the Grounds of Buckingham Palace on the Morning of November 11, 1919. This would set the trend for a day of Remembrance for decades to come.
The red remembrance poppy has become a familiar emblem of Remembrance Day due to the poem "In Flanders Fields". These poppies bloomed across some of the worst battlefields of Flanders in World War I, their brilliant red colour an appropriate symbol for the blood spilled in the war.



In Flanders Fields

In Flanders fields the poppies blow
      Between the crosses, row on row,
   That mark our place; and in the sky
   The larks, still bravely singing, fly
Scarce heard amid the guns below.

We are the Dead. Short days ago
We lived, felt dawn, saw sunset glow,
   Loved and were loved, and now we lie
         In Flanders fields.

Take up our quarrel with the foe:
To you from failing hands we throw
   The torch; be yours to hold it high.
   If ye break faith with us who die
We shall not sleep, though poppies grow
         In Flanders fields.


Lieutenant Colonel John McCrae

Yasser Arafat morreu (estranhamente) há nove anos

Yasser Arafat (Cairo, 24 de agosto de 1929 - Clamart, 11 de novembro de 2004) foi o líder da Autoridade Palestiniana, presidente (desde 1969) da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), líder da Fatah, a maior das facções da OLP, e co-detentor do Nobel da Paz, com Shimon Peres e Yitzhak Rabin, em 1994.

(...)

Arafat, morreu dia 11 de novembro de 2004, aos 75 anos, após treze dias internado no hospital militar Percy, em Clamart, a sudoeste de Paris.
De acordo com Christian Estripeau, porta-voz do hospital, Arafat morreu por falência múltipla dos órgãos. No entanto, o seu biógrafo, Amnon Kapeliouk, levantou a possibilidade de sua morte ter sido decorrente de anos de contínuo envenenamento, realizado pelos serviços secretos israelitas.
Em 3 de julho de 2012, foi divulgado pelo Instituto de Radiofísica do Hospital Universitário da Universidade de Lausanne, na Suíça, o resultado de um trabalho de nove meses de análises do material biológico encontrado em objetos de uso pessoal de Arafat (roupas, escova de dentes e keffiyeh). O relatório apontou a presença de altos níveis de polónio 210 no material recolhido. Segundo a rede de televisão Al Jazeera, o resultado do estudo reforça a possibilidade de que Arafat tenha sido envenenado com material radioativo. Em 9 de julho, o presidente palestino Mahmoud Abbas aprovou pedido de exumação do corpo de Arafat, apresentado por Suha Arafat, para teste do nível de plutónio. O governo de Israel negou qualquer envolvimento com as recentes descobertas. A Justiça francesa, através do tribunal de Nanterre, decidiu iniciar uma investigação sobre a morte do líder palestiniano, depois que a viúva apresentou queixa de assassinato do seu marido, no final de julho.

El-Rei D. Pedro V morreu há 152 anos

D. Pedro V de Portugal (nome completo: Pedro de Alcântara Maria Fernando Miguel Rafael Gonzaga Xavier João António Leopoldo Victor Francisco de Assis Júlio Amélio de Saxe-Coburgo-Gotha e Bragança; Lisboa, 16 de setembro de 1837 - Lisboa, 11 de novembro de 1861), cognominado O Esperançoso, O Bem-Amado ou O Muito Amado, foi Rei de Portugal de 1853 a 1861. Era o filho mais velho da Rainha D. Maria II e do seu consorte, o Rei D. Fernando II.


Embora muito jovem aquando a sua ascensão ao trono português, com apenas 16 anos, foi considerado por muitos como um monarca exemplar, que reconciliou o povo com a Casa Real, após o reinado da sua mãe ter sido fruto de uma guerra civil vencida. D. Fernando II, seu pai, desempenhou um papel fundamental no início do seu reinado, tendo exercido o governo da nação na qualidade de regente do Reino, orientando o jovem Rei no que diz respeito às grandes obras públicas efectuadas. D. Pedro é frequentemente descrito como um monarca com valores sociais bem presentes, em parte devida à sua educação, que incluiu trabalho junto das comunidades e um vasto conhecimento do continente europeu.
A 16 de setembro de 1855, completando 18 anos, é aclamado rei, presidindo nesse mesmo ano à inauguração do primeiro telégrafo eléctrico no país e, no ano seguinte (28 de outubro), inaugura o caminho de ferro entre Lisboa a Carregado. É também no seu reinado que se iniciam as primeiras viagens regulares de navio, entre Portugal e Angola.
Dedicou-se com afinco ao governo do País, estudando com minúcia as deliberações governamentais propostas. Criou ainda o Curso Superior de Letras, em 1859, que subsidiou do seu bolso, com um donativo de 91 contos de réis. Nesse mesmo ano é introduzido o sistema métrico em Portugal.
D. Pedro V foi um defensor acérrimo da abolição da escravatura e data do seu reinado um episódio que atesta a convicção do monarca nessa matéria e que simultaneamente demonstra a fragilidade de Portugal perante as grandes potências europeias: junto à costa de Moçambique é apresado um navio negreiro francês, tendo o seu comandante sido preso. O governo de França não só exigiu a libertação do navio, bem como uma avultada indemnização ao governo português.
Portugal é, por essa altura, flagelado por duas epidemias, uma de cólera, que grassa de 1853 a 1856, e outra de febre amarela, principalmente em 1856/57. Durante esses anos o monarca, em vez de se refugiar, percorria os hospitais e demorava-se à cabeceira dos doentes, o que lhe trouxe muita popularidade.
Em 1858, D. Pedro V casa-se por procuração com a princesa D.Estefânia de Hohenzollern-Sigmaringen, que veio a morrer no ano seguinte vítima de difteria.
Sendo a saúde pública uma das suas preocupações, foi juntamente com a sua mulher, a princesa D. Estefânia de Hohenzollern-Sigmaringen, que Pedro fundou hospitais públicos e instituições de caridade. Aliás, cumprindo os desejos por ela manifestados, o monarca fundou o Hospital de Dona Estefânia, em Lisboa.
Morreu com apenas 24 anos, em 11 de novembro de 1861, que segundo parecer dos médicos, devido a febre tifóide (enquanto o povo suspeitava de envenenamento e por isso viria a amotinar-se). A sua morte provocou uma enorme tristeza em todos os quadrantes da sociedade. Não tendo filhos, foi sucedido pelo irmão, o infante D. Luís, que habitava então no sul de França.
Teve uma notável preparação moral e intelectual. Estudou ciências naturais e filosofia, dominava bem o grego e o latim e chegou a estudar inglês. O seu espírito terá sido influenciado pela convivência que teve com Alexandre Herculano, que foi seu educador. Recebeu ainda inúmeros conselhos sobre governação e sentido de Estado por Mário Jorge de Castro Botelho, com quem trocava correspondência durante o período do seu reinado.
No dizer dos biógrafos, D. Pedro V: "com um temperamento observador, grave, desde criança [...] mandou pôr à porta do seu palácio uma caixa verde, cuja chave guardava, para que o seu povo pudesse falar-lhe com franqueza, queixar-se [...] O povo começava a amar a bondade e a justiça de um rei tão triste [...]".

Há 95 anos acabou a I Grande Guerra

Junto ao vagão, após a assinatura do armistício: em primeiro plano, o marechal Foch , ladeado pelos almirantes britânicos Hope e Rosslyn Wemyss

O Armistício de Compiègne foi um tratado assinado em 11 de novembro de 1918 entre os Aliados e a Alemanha, dentro de um vagão-restaurante, na floresta de Compiègne, com o objetivo de encerrar as hostilidades na frente ocidental da Primeira Guerra Mundial. Os principais signatários foram o Marechal Ferdinand Foch, comandante-em-chefe das forças da Tríplice Entente, e Matthias Erzberger, representante alemão.
Seguiu-se ao armistício o tratado de paz de Versalhes, celebrado em 1919, segundo o qual, a Alemanha, derrotada, era obrigada a:
- reduzir as suas tropas pela metade;
- pagar pesadas indemnizações aos países vencedores;
- ceder todas as suas colónias;
- restituir a Alsácia-Lorena à França.

O segundo Rei de Portugal nasceu há 859 anos

D. Sancho I de Portugal (Coimbra, 11 de novembro de 1154 - Coimbra, 26 de março de 1211), cognominado o Povoador (pelo estímulo com que apadrinhou o povoamento dos territórios do país - destacando-se a fundação da cidade da Guarda, em 1199, e a atribuição de cartas de foral na Beira e em Trás-os-Montes: Gouveia (1186), Covilhã (1186), Viseu (1187), Bragança (1187), etc., povoando assim áreas remotas do reino, em particular com imigrantes da Flandres e Borgonha.

(imagem daqui)

Quarto filho do monarca Afonso Henriques, foi baptizado com o nome de Martinho, por haver nascido no dia do santo com o mesmo nome, e não estaria preparado para reinar; no entanto, a morte do seu irmão mais velho, D. Henrique, quando contava apenas três anos de idade, levou à alteração da sua onomástica para um nome mais hispânico, ficando desde então Sancho Afonso.
Em 1170, Sancho foi armado cavaleiro pelo seu pai logo após o acidente de D. Afonso Henriques em Badajoz e tornou-se seu braço direito, quer do ponto de vista militar, quer do ponto de vista administrativo. Nestes primeiros tempos de Portugal enquanto país independente, muitos eram os inimigos da coroa, a começar pelo reino de Castela e Leão que havia controlado Portugal até então. Para além do mais, a Igreja Católica demorava em consagrar a independência de Portugal com a sua bênção. Para compensar estas falhas, Portugal procurou aliados dentro da Península Ibérica, em particular o reino de Aragão, um inimigo tradicional de Castela, que se tornou no primeiro país a reconhecer Portugal. O acordo foi firmado 1174 pelo casamento de Sancho, então príncipe herdeiro, com a infanta Dulce Berenguer, irmã mais nova do rei Afonso II de Aragão.
No ano de 1178, D. Sancho faz uma importante expedição contra mouros, confrontando-os cerca de Sevilha e do rio Guadalquivir, e ganha-lhes a batalha. Com essa acção, expulsa assim a possibilidade deles entrarem em território português.
Com a morte de Afonso Henriques em 1185, Sancho I torna-se no segundo rei de Portugal. Tendo sido coroado na de Coimbra, manteve essa cidade como o centro do seu reino. D. Sancho deu por finda as guerras fronteiriças pela posse da Galiza e dedicou-se a guerrear os Mouros localizados a Sul. Aproveitou a passagem pelo porto de Lisboa dos cruzados da terceira cruzada, na primavera de 1189, para conquistar Silves (Portugal), um importante centro administrativo e económico do Sul, com população estimada em 20.000 pessoas. Sancho ordenou a fortificação da cidade e construção do castelo que ainda hoje pode ser admirado. A posse de Silves foi efémera, já que em 1190 Abu Yusuf Ya'qub al-Mansur cercou a cidade de Silves (Portugal) com um exército e com outro atacou Torres Novas, que apenas conseguiu resistir durante dez dias, devido ao rei de Leão e Castela ameaçar de novo o Norte.
D. Sancho I dedicou muito do seu esforço governativo à organização política, administrativa e económica do seu reino. Acumulou um tesouro real e incentivou a criação de indústrias, bem como a classe média de comerciantes e mercadores. Sancho I concedeu várias cartas de foral principalmente na Beira e em Trás-os-Montes: Gouveia (1186), Covilhã (1186), Viseu (1187), Bragança (1187), etc, criando assim novas cidades, e povoando áreas remotas do reino, em particular com imigrantes da Flandres e Borgonha. O rei é também lembrado pelo seu gosto pelas artes e literatura, tendo deixado ele próprio vários volumes com poemas. Neste reinado sabe-se que alguns portugueses frequentaram universidades estrangeiras e que um grupo de juristas conhecia o Direito que se ministrava na escola de Bolonha. Em 1192 concedeu ao mosteiro de Santa Cruz 400 morabitinos para que se mantivessem em França os monges que lá quisessem estudar.
O seu túmulo encontra-se no Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, ao lado do túmulo do pai.

domingo, novembro 10, 2013

E, afinal, como pensava Astérix, o Céu bem nos pode cair em cima...

Cientistas contam a história do bólide vindo do céu que abalou Cheliabinsk em fevereiro

Este meteorito com cerca de quatro centímetros de diâmetro foi um dos fragmentos a atingir o chão

Uma análise pormenorizada do que aconteceu em Cheliabinsk leva os especialistas a especular que eventos como este - que põem em perigo as populações e as construções - poderão ser bastante mais frequentes do que se pensava.

Imagine um prédio de seis andares a cair do céu e a explodir por cima da sua cabeça. Foi essa a experiência que terão vivido, há nove meses, os habitantes de Cheliabinsk - cidade da região dos Montes Urais, na Rússia -, quando um bocado de asteróide com 19 metros de diâmetro se abateu sobre eles sem pré-aviso. Com base numa diversidade de informações recolhidas na altura, três estudos - dois publicados na revista Nature de quinta-feira e um outro na revista Science de sexta-feira - contam com grande pormenor a história do bólide de Cheliabinsk. E os resultados sugerem que o que lá aconteceu poderá voltar a acontecer noutro sítio mais cedo do que previsto.
Recorde-se que, por volta das 09.00 (05.00 horas em Lisboa) de 15 de fevereiro, um rasto de fogo cruzou o céu e explodiu numa bola incandescente. Segundos depois, ouviu-se um forte estrondo e uma onda de choque percorreu o ar, partindo vidros, abanando automóveis. No fim do dia, contavam-se 1.200 feridos. O estado de emergência foi declarado.
Muitas pessoas filmaram na altura o fenómeno com telemóveis ou câmaras instaladas nos tabliers dos carros. E foi em parte graças a estes vídeos que foi possível reconstituir a sequência de eventos assustadores que tiveram lugar naquela gélida manhã de Inverno.
O que se sabe hoje: uma rocha de 12 mil toneladas entrou na atmosfera terrestre a cerca de 70 mil quilómetros por hora; desfez-se a uns 30 quilómetros de altitude, dando origem a uma bola de fogo cerca de 30 vezes mais brilhante do que o Sol, numa explosão de potência equivalente à de 500 mil toneladas de TNT que deixou rastos de poeira incandescente no céu. Um fragmento gigante, com cerca de 650 quilos, atingiu o solo, abrindo um buraco de sete metros de diâmetro no gelo do vizinho lago Chebarkul (de onde foi pescado em Outubro). Foi, ao que tudo indica, o maior meteoro a atingir a Terra desde 1908, quando um corpo celeste se desintegrou sobre Tunguska, uma zona não povoada da Sibéria.
Olga Popova, da Academia russa das Ciências, e Peter Jenniskens, da NASA, que assinam o artigo na Science juntamente com 57 colegas de nove países, contam que, nas semanas que se seguiram, visitaram mais de 50 aldeias e descobriram que os estragos se estendiam até a 90 quilómetros do “epicentro”. Já em Cheliabinsk, foram registados casos de escaldões e problemas oculares (devidos à intensa radiação ultravioleta emitida pela explosão); e de concussão, confusão mental e sinais de stress causados pela onda de choque. A força da explosão foi aliás suficiente para deitar pessoas ao chão.
Esta equipa também analisou a composição dos meteoritos recuperados no solo e conclui que o bólide de Cheliabinsk era uma rocha celeste da classe mais frequente: a dos “condritos comuns”. Os seus cálculos sugerem ainda que esta rocha provém da cintura de asteróides do sistema solar, mas Jenniskens especula, em entrevista à Science, que fazia inicialmente parte de um asteróide maior, que se terá fragmentado há cerca de 1,2 milhões de anos, provavelmente num anterior “encontro do terceiro grau” com a Terra.
Peter Brown, da Universidade do Ontário Ocidental, no Canadá — que assina ambos os estudos na Nature —, e colegas canadianos e checos confirmam esta ideia com base em vídeos da trajectória do meteoro de Cheliabinsk, que indicam que a sua órbita é semelhante à de um asteróide próximo da Terra, podendo isso significar que, a dada altura, os dois faziam parte do mesmo asteróide.
Mas os resultados mais inquietantes vêm do outro estudo assinado por Brown, que com uma outra equipa internacional tira duas conclusões do evento de Cheliabinsk: por um lado, que os modelos actuais de previsão dos estragos causados por este tipo de explosão aérea não correspondem às observações; e por outro, que o número de objectos com diâmetros da ordem das dezenas de metros que colidem com a Terra poderá ser até dez vezes maior do que se pensava.
“Os modelos actuais prevêem que um evento como o de Cheliabinsk poderia acontecer com intervalos de 120 a 150 anos, mas os nossos dados mostram que essa frequência poderá estar mais próxima dos 30 ou 40 anos”, diz Brown em comunicado. “Isso é uma grande surpresa”, acrescenta.
“Os nossos cálculos da frequência dos impactos baseiam-se numa década de registos, vindos de sensores de infrassons e outros, dos impactos energéticos na atmosfera terrestre, incluindo Cheliabinsk”, disse ao PÚBLICO Margaret Campbell-Brown, co-autora deste estudo. “Ora, esses registos revelam mais objectos com umas dezenas de metros de diâmetro do que as observações dos telescópios.”
Segundo ela, isso poderá dever-se ou ao facto do número desses objectos próximos da Terra ser maior do que se pensa; ou ao facto de a probabilidade de colisão com esse tipo de objecto, e não o seu número, ser maior; ou ainda a um enorme azar, que fez com que, nas últimas décadas a Terra fosse mais atingida do que é costume. “Não sabemos qual é a resposta”, conclui a cientista, “mas na minha opinião é uma combinação dos dois primeiros cenários; o terceiro é pouco provável”.


NOTA: há aqui um evidente lapso na notícia: quando dizem:
Foi, ao que tudo indica, o maior meteoro a atingir a Terra desde 1908, quando um corpo celeste se desintegrou sobre Tunguska, uma zona não povoada da Sibéria.
há uma incongruência: meteoro é o pedaço de rocha a atravessar a atmosfera terrestre e o fenómeno luminoso, térmico e/ou sonoro a ele associado (foi o caso de Tunguska, em que não há vestígios de meteorito caído na Terra) e meteorito é o fragmento rochoso que atinge a Terra. Neste caso, depois do meteoro, recolheram-se meteoritos... como se pode ler nesta notícia.
E este não é o maior de sempre, esse record pertence ao Meteorito Hoba West, encontrado próximo de Grootfontein, na Namíbia, que tem 2,7 m de comprimento por 2,4 m de largura e um peso estimado de 59 toneladas.
Já o maior meteorito recolhido pelo homem, no dia 8 de março de 1976, foi o Meteorito Jilin, que caiu perto da cidade de Jilin, na Manchúria, do qual foram recuperadas quase 4 toneladas de escombros do meteorito e o maior dos pedaços tinha um peso de 1,77 toneladas.

Paleontologia e monotrematos - afinal havia outro(s)...

Como um único dente revela a existência do maior ornitorrinco do mundo

Reconstituição de como seria o maior ornitorrinco

O primeiro dente molar do novo ornitorrinco

Descoberta na Austrália contraria ideias anteriores sobre a árvore evolutiva das espécies deste mamífero.

O envio de um exemplar de ornitorrinco da Austrália para o Reino Unido em 1798 suscitou muitas dúvidas nos cientistas acerca da veracidade do espécime. Parecia-lhes uma montagem de um bico de pato num corpo semelhante ao de um castor. Apesar de a classificação do ornitorrinco como um mamífero já não causar dúvidas científicas, os seus hábitos actuais e os seus antepassados extintos continuam a despertar o interesse dos cientistas, como aconteceu com a descoberta do fóssil do maior ornitorrinco do mundo.
O Ornithorhynchus anatinus é a única espécie de ornitorrinco ainda viva. As características quase antagónicas deste grupo – corpo coberto de pêlo, reprodução por ovos, alimentação das crias com leite mas sem mamilos, bico semelhante ao de uma ave, e esporões que produzem veneno nas patas traseiras dos machos – têm fascinado os cientistas desde que foi descoberto.
De facto, a descodificação do genoma do Ornithorhynchus anatinus revelou que este animal australiano apresenta genes parecidos com os de outros mamíferos, mas também com os de répteis e de aves. 
Descrita na revista Journal of Vertebrate Paleontology, a nova espécie de ornitorrinco Obdurodon tharalkooschild foi encontrada na jazida de Riversleigh (Austrália). Tem cinco a 15 milhões de anos e poderá ter coexistido com a espécie Obdurodon dicksoni, mostrando que a família dos ornitorrincos não tem um único ramo, como inicialmente se pensava. Assim, a sua árvore evolutiva teve pelo menos uma ramificação e terá sido a partir da linhagem do Obdurodon dicksoni que surgiram aos ornitorrincos actuais.
“A descoberta desta nova espécie foi surpreendente para nós, porque o registo fóssil sugeria que a árvore evolutiva dos ornitorrincos era relativamente linear”, afirma Michael Archer, da Universidade da Nova Gales do Sul, na Austrália, citado num comunicado de imprensa.
Esta nova espécie foi descrita com base num único dente. Mesmo assim, a equipa considerou que este fóssil era suficiente para revelar aspectos importantes deste animal. Por um lado, tinha dentes, tal como as outras duas espécies conhecidas do género Obdurodon (o O. dicksoni e o O. insignis), ao contrário dos ornitorrincos modernos. Por outro lado, teria um metro de comprimento, o dobro dos actuais ornitorrincos.
   
O ornitorrinco mais antigo é sul-americano
Todos os fósseis de ornitorrincos encontrados anteriormente indicavam que o tamanho destes animais e dos seus dentes teriam vindo a diminuir desde o Monotrematum sudamericanum, um ornitorrinco sul-americano, com 61 milhões de anos, o mais antigo que se conhece. Actualmente, os dentes são apenas vestigiais.
Além disso, as características dos molares de todos os ornitorrincos conhecidos até agora eram semelhantes, o que indicava uma linha evolutiva única, sem ramificações. Agora, a nova espécie, que é mais recente e maior do que o Monotrematum sudamericanum, vem baralhar a árvore evolutiva, tendo em conta as características únicas do seu molar.
Tal como os restantes ornitorrincos, o Obdurodon tharalkooschil” seria principalmente aquático, refere Suzanne Hand, também da Universidade da Nova Gales do Sul. “Provavelmente, alimentava-se não só de lagostins e de outros crustáceos de água doce, mas também de pequenos vertebrados como peixes pulmonados, rãs e tartarugas, que foram encontrados na mesma jazida.” Esta alimentação é evidenciada pelo tipo de dente encontrado, mais adequado para esmagar do que para cortar as presas.
O nome escolhido para esta espécie – tharalkooschild – baseia-se numa história aborígene sobre a origem do ornitorrinco. Tharalkoo era uma jovem pata desobediente. Apesar dos avisos dos seus pais, nadou rio abaixo e foi apanhada por Bigoon, um macho de ratazana-de-água. Tharalkoo conseguiu escapar e voltar para juntos dos seus pais, mas do seu ovo, em vez de nascer um patinho fofo, surgiu uma quimera com bico, pêlo, membranas digitais nas patas traseiras e patas dianteiras como as dos ratos. Nascia assim o primeiro ornitorrinco.

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Às vezes, em Paleontologia, não é até que a morte os separe...

Descoberto na China raro fóssil de insetos a acasalar

O fóssil, com o macho à direita e a fêmea à esquerda

O comportamento sexual destes animais parece ter permanecido inalterado desde o Jurássico.

Os restos fossilizados de dois pequenos insetos em pleno acto sexual foram descobertos no nordeste da China. Com 165 milhões de anos, trata-se do mais antigo registo fóssil do comportamento sexual dos insetos.
O fóssil mostra um casal da espécie Anthocytina perpetua, pequeno inseto que salta de planta em planta, à maneira de uma minúscula rã.
Este tipo de fósseis é muito raro, o que faz com que o conhecimento actual das posições de acasalamento e a orientação dos órgãos sexuais dos primórdios da evolução destes insetos seja limitado.
O acasalamento “fóssil” decorre frente a frente, com o órgão reprodutor do macho a introduzir-se na estrutura sexual da fêmea, explica em comunicado a revista PLOS ONE, onde a descoberta foi agora publicada.
“Estes dois insetos permitem-nos vislumbrar um interessante comportamento e fornecem dados importantes para perceber a posição do acasalamento e a orientação dos órgãos genitais dos insetos no Jurássico Médio”, diz Dong Ren, da Universidade Normal da Capital em Pequim (China) e autor principal do artigo, citado pelo mesmo documento.
A comparação com a forma de acasalamento dos insetos actuais da mesma espécie, escrevem os cientistas, sugere  que esse comportamento terá permanecido inalterado ao longo da evolução.

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