sexta-feira, dezembro 09, 2022

António Pedro nasceu há 113 anos

(imagem daqui)
    
António Pedro da Costa (Cidade da Praia, 9 de dezembro de 1909 - Caminha, Moledo, 17 de agosto de 1966) foi um encenador, escritor e artista plástico português.
  
Biografia
Filho de José Maria da Costa (Lisboa, 27 de setembro de 1880 - ?) e de sua mulher Isabel Savage de Paula Rosa (Lisboa, Santos-o-Velho, 1884 - Cidade da Praia, circa 1930), filha de mãe inglesa. Era primo-irmão da mãe de António Sousa Lara.
Mudou-se aos 4 anos para Portugal. Frequentou o Liceu Pedro Nunes em Lisboa até ao 2.º ano, mudando-se depois para o Instituto Nuno Álvares, da Companhia de Jesus, em A Guarda - Galiza, onde foi membro do grupo de teatro tendo participado em várias dezenas de peças. O 6.º ano acabou-o em Santarém e o 7.º ano em letras no Liceal de Coimbra, onde dirigiu o jornal O Bicho. Ingressou na Universidade de Lisboa, tendo frequentado a Faculdade de Direito e a Faculdade de Letras, não concluindo nenhum dos cursos. Viveu em Paris entre 1934 e 1935 onde chegou a estudar no Instituto de Arte e Arqueologia da Universidade de Sorbonne e onde assinou o Manifeste Dimensioniste.
Casou com Maria Manuela Possante, de quem não teve descendência.
Em 1933 cria a galeria UP (1933-1936), onde apresenta a primeira exposição de Maria Helena Vieira da Silva em Portugal (1935).
O surrealismo surge nos horizontes culturais portugueses a partir de 1936 em grande parte pela sua mão, em experiências literárias «automáticas» que realiza com alguns amigos. Em 1940 realiza, com António Dacosta e Pamela Boden (Casa Repe, Lisboa) aquela que é considerada a primeira exposição surrealista em Portugal: " A exposição reunia dezasseis pinturas de Pedro, dez de Dacosta e seis esculturas abstratas de Pamela Boden [...]. O surrealismo de que se falara até então vagamente, desde 1924, [...] irrompia nesta exposição, abrindo a pintura nacional para outros horizontes que ali polemicamente se definiam".
Em 1941 António Pedro visitou o Brasil. Esteve no Rio de Janeiro e em São Paulo, tendo exposto os seus quadros em concorridas mostras em ambas as cidades. Permaneceu no país uns quatro ou cinco meses, o bastante para formar um largo círculo de amizades entre a nata da intelectualidade brasileira. E partiu para a sua terra natal deixando um rastro de amizades e sinceros admiradores.
Dirigiu e editou a revista Variante, de que saíram dois números (1942; 1943) e colaborou no semanário Mundo Literário (1946-1948).
Entre 1944 e 1945 vive e trabalha em Londres, na British Broadcasting Corporation (B.B.C.), tendo feito parte do grupo surrealista de Londres.
Precursor do movimento surrealista português, fez parte do Grupo Surrealista de Lisboa, criado em 1947 por Cândido Costa Pinto (expulso ainda na fase inicial de formação do grupo), Marcelino Vespeira, Fernando Azevedo e Mário Cesarini, entre outros, tendo participado na I Exposição Surrealista em Lisboa (1949).
Com uma forte ligação ao teatro, foi diretor do Teatro Apolo (Lisboa) em 1949 e diretor, figurinista e encenador do Teatro Experimental do Porto entre 1953 e 1961. Entre 1944 e 1945, foi crítico de arte e cronista da BBC em Londres.
Viveu os últimos anos em Moledo, uma praia junto a Caminha.
Grande parte da sua obra como pintor perdeu-se, em 1944, aquando dum incêndio no seu atelier onde ficara a viver o seu amigo António Dacosta.
     
A Ilha do Cão, 1941
     
 
Ode ao Almada Negreiros
  
Maravilhosa plástica das coisas!
Tudo no seu lugar, as cores e os olhos
Lá no lugar de cada coisa, a vê-la
Com seu aspecto natural e próprio.
  
(Tudo para cada um, na variedade
Dos olhos de quem se admite na paisagem,
Ou como espectador,
Ou como actor,
Ambas as coisas uma, no concerto
Magnífico do mundo.)
  
...Sem memória, ou com memória a sê-la
Nos olhos a olhar completamente
Sem nenhum pensamento reservado:
- Olhos dados a cada coisa, ou tida
Cada coisa p’los olhos que se deram!...
  
Vaivém de tudo e nada, desse nada
Profético de tudo - e o tudo enorme
De cada nada afeiçoado e olhado
À feição de quem olha possuindo
E possuído, na maravilhosa
Cópula grande dos Artistas todos...
  
Maravilha de ter-se e ter-se dado,
Em cada olhar olhado,
E em cada cor e em cada flor mantido,
Bolindo e vendo
O sonho de se ir tendo
Realizado.
    
    
in Primeiro Volume - Canções e Outros Poemas (1936) - António Pedro

Elisabeth Schwarzkopf nasceu há 107 anos

Elisabeth Schwarzkopf, em 1958
   
Elisabeth Schwarzkopf (Jarotschin, 9 de dezembro de 1915 - Schruns, 3 de agosto de 2006) foi uma cantora de ópera alemã, uma das principais sopranos, do período pós-Segunda Guerra Mundial, alvo de grande admiração pelas suas interpretações de Mozart, Schubert, Strauss e Wolf.
   

 


Kirk Douglas nasceu há 106 anos...

   
Kirk Douglas (nascido Issur Danielovitch Demsky; Amesterdão, 9 de dezembro de 1916 - Beverly Hills, 5 de fevereiro de 2020) foi um ator, cineasta e autor norte-americano. Ele foi uma das últimas estrelas vivas da Era de Ouro do Cinema Americano. Douglas é amplamente considerado um dos melhores atores da história do cinema. Foi pai dos atores Michael Douglas e Eric Douglas (já falecido) e do produtor cinematográfico Joel Douglas
 
Biografia
Douglas nasceu Issur Danielovitch na localidade de Amsterdam, estado de Nova Iorque, filho de Bryna ("Bertha") Sanglel e Herschel ("Harry") Danielovitch, um homem de negócios. Os seus pais eram imigrantes judeus originários da localidade de Chavusy (Mahilou/Mogilev), então no Império Russo, hoje Bielorrússia. No lar a família falava iídiche. O seu tio paterno, que havia emigrado antes, usava o sobrenome "Demsky", que a família de Douglas adotou logo após se estabelecer nos Estados Unidos. Ademais, os seus pais mudaram legalmente os nomes para Harry e Bertha.
Douglas cresceu conhecido como "Izzy Demsky", mas trocou legalmente de nome para "Kirk Douglas" antes de ingressar na Marinha, durante a Segunda Guerra Mundial.
Na St. Lawrance University, Douglas fez parte da liga de boxe. Para tentar conseguir uma bolsa de estudos, entrou para um grupo de teatro. O seus talento permitiu-lhe obter a bolsa, juntamente com uma atriz que viria a ser conhecida como Lauren Bacall. Serviu na Marinha dos Estados Unidos no início da Segunda Guerra Mundial de 1941 até ao seu fim, em 1945. Depois da guerra, voltou para Nova Iorque e começou a atuar no rádio e em comerciais de televisão, enquanto tentava entrar para a Broadway.
Douglas recebeu a ajuda da atriz Lauren Bacall para obter o seu primeiro papel no filme The Strange Love of Martha Ivers (1946), com Barbara Stanwyck.
Em 2011, entregou à atriz Melissa Leo o Óscar de melhor atriz coadjuvante pelo filme The Fighter tendo sido uma das aparições mais marcantes da 83ª edição do prémio.

Carreira
Kirk Douglas recebeu três nomeações para o Óscar, com Champion (1949), The Bad and the Beautiful (1952 e Lust for Life (1956). Neste último interpretou o pintor Van Gogh. Douglas não ganhou nenhum Óscar, mas recebeu um, especial, em 1996, por "50 anos de modelo moral e criativo para a comunidade cinematográfica.". Nos anos 50 foi o protagonista de vários outros filmes clássicos, como Ulisses ou ainda a sua inesquecível interpretação do marinheiro Ned Land na produção dos Estúdios Disney "20.000 Léguas Submarinas".
Em 1960 fez o épico clássico Spartacus, no qual também foi o produtor. A direção foi de Stanley Kubrick depois de Douglas demitir o veterano Anthony Mann, que já havia realizado metade das filmagens.
Douglas comprou os direitos de "Voando sobre um Ninho de Cucos" na década de 60, mas acabou por dá-los ao seu filho Michael, que produziu o filme nos anos 70 com extremo sucesso.
  
Vida pessoal
Douglas foi casado duas vezes, primeiro com Diana Dill (em 2 de novembro de 1943, divorciados em 1951), com quem teve dois filhos, o ator Michael Douglas e o produtor Joel Douglas. Com a sua segunda esposa, Anne Boydens, com quem se casou em 29 de maio de 1954, numa união que perdurou até à sua morte, teve também dois filhos, o produtor Peter Vincent Douglas e o ator Eric Douglas. Eric morreu em 6 de julho de 2004, de uma overdose de drogas.
Nos últimos anos, depois de escapar com o corpo todo queimado de um acidente de helicóptero no qual os dois outros tripulantes morreram, Kirk Douglas padeceria ainda de um derrame em 1996, que afetou parcialmente a sua capacidade de falar. Tratando-se com uma fonoaudióloga, ele ainda discursaria em agradecimento pela atribuição do Óscar, que recebeu das mãos de Steven Spielberg, em homenagem à sua obra cinematográfica.
 
 

Tré Cool, o baterista dos Green Day, faz hoje cinquenta anos...!

         
Frank Edwin Wright III (Frankfurt, 9 de dezembro de 1972), conhecido pelo nome artístico de Tré Cool, é um músico norte-americano nascido na Alemanha. Ele é o atual baterista da banda de punk rock Green Day e juntou-se à banda após o baterista original, e seu aluno de bateria, Al Sobrante, sair para completar os estudos. Ele também sabe tocar guitarra e acordeão.
     

 


Nossa Senhora de Guadalupe apareceu a São Juan Diego há 491 anos...

 
Nossa Senhora de Guadalupe (em espanhol: Nuestra Señora de Guadalupe, em náuatle: Tonantzin Coatlaxopeuh) ou Virgem de Guadalupe é a denominação de uma aparição mariana da Igreja Católica de origem mexicana, cuja imagem tem como seu principal local de culto a Basílica de Guadalupe, localizada no sopé do monte Tepeyac, ao norte da Cidade do México.

De acordo com a tradição oral mexicana, e segundo textos de documentos históricos do Vaticano e outros encontrados ao redor do mundo em diferentes arquivos, acredita-se que a Virgem Maria, apareceu em quatro ocasiões ao índio são Juan Diego Cuauhtlatoatzin no monte Tepeyac, e numa quinta ocasião a Juan Bernardino, tio de Juan Diego. O relato guadalupano conhecido como Nican Mopohua narra que na primeira aparição, a Virgem ordenou a Juan Diego que se apresentasse diante do bispo do México, Juan de Zumárraga. Juan Diego, na última aparição da Virgem, e por ordem desta, levou no seu ayate algumas flores que cortou no Tepeyac. Juan Diego desdobrou a sua tilma diante do bispo Juan de Zumárraga, deixando a descobrir a imagem da Virgem Maria, morena e com traços mestiços. 

   

 
Segundo o Nican Mopohua, as mariofanias aconteceram no ano de 1531, ocorrendo pela última vez em 12 de dezembro do mesmo ano. A fonte mais importante que as relatou foi o próprio Juan Diego que contou tudo o que havia acontecido. Posteriormente esta tradição oral foi recolhida num escrito no idioma náuatle mas escrita com caracteres latinos (técnica que nenhum espanhol sabia fazer e que só muito raramente usavam os indígenas); este escrito é chamado de Nican Mopohua, e é atribuído ao indígena Antonio Valeriano (1522-1605). Posteriormente em 1648 foi publicado o livro Imagen de la Virgen María Madre de Dios de Guadalupe (título traduzido para o português como: Imagem da Virgem Maria Mãe de Deus de Guadalupe) pelo presbítero Miguel Sánchez, contribuindo para recompilar tudo o que se sabia na época sobre a devoção guadalupana. Segundo diversos investigadores, o culto guadalupano é uma das crenças mais historicamente apegadas ao atual México e parte da sua identidade, e tem estado presente com o desenvolvimento do país, desde o século XVI, dentro de seus processos sociais mais importantes, como na Independência do México, na Reforma, na Revolução Mexicana e na sociedade mexicana atual, onde conta com milhões de fiéis, e que alguns deles professam o guadalupanismo sem serem necessariamente católicos.
  
(...) 
  
Retrato de São Juan Diego

    
Os relatos oficiais católicos afirmam que a Virgem Maria apareceu primeiro quatro vezes a Juan Diego e mais uma vez ao seu tio Juan Bernardino. De acordo com esses relatos, a primeira aparição aconteceu na manhã do dia 9 de dezembro de 1531, quando o camponês, nativo mexicano, Juan Diego Cuauhtlatoatzin, teve a visão de uma senhora num lugar chamado colina de Tepeyac (que futuramente passaria a fazer parte da Vila de Guadalupe, um subúrbio da Cidade do México). Falando a Juan Diego na sua língua nativa natal (a língua do império asteca, o náuatle), a mulher identificou-se como sendo a Virgem Maria, "Mãe do Verdadeiro Deus", e pediu que uma igreja fosse construída naquele local, em sua honra. 
 

Paul Landers, guitarra dos Rammstein, faz hoje 48 anos

  
Paul Landers, nascido como Heiko Paul Hiersche (Berlim, 9 de dezembro de 1964), é um músico alemão, membro da banda de metal industrial Rammstein.

Em 1984 Paul casou com Nikki Landers e foi nesse momento que adotou o seu sobrenome; tiveram um filho em 1995, cujo nome é Erni Landers. Depois se divorciaram e desde então ele teve a sua guarda. Morou com Christian Lorenz em Berlim durante muitos anos.

Nasceu prematuro, dois meses antes do previsto, motivo pelo qual quase morreu. O seu nome verdadeiro é "Heiko Paul", mas mudou para "Paul" para homenagear o seu pai. Os seus pais divorciaram-se e a sua mãe voltou a casar. Devido ao mau relacionamento com o padrasto, aos 16 anos saiu de casa e foi morar com Christian Lorenz em Berlim.

O seu primeiro grupo chamava-se Feeling B. Quando mais novo, teve aulas de violino clássico, piano e de guitarra. Pratica ginástica desde os 13 anos e já trabalhou numa biblioteca

 

 


Clarice Lispector morreu há quarenta e cinco anos...

    
Clarice Lispector
(Chechelnyk, 10 de dezembro de 1920 - Rio de Janeiro, 9 de dezembro de 1977) foi uma escritora e jornalista, nascida na Ucrânia e naturalizada brasileira - que declarava, quanto a sua brasilidade, ser pernambucana -, autora de romances, contos e ensaios, sendo considerada uma das escritoras brasileiras mais importantes do século XX e a maior escritora judia desde Franz Kafka. A sua obra está repleta de cenas quotidianas simples e tramas psicológicas, sendo considerada uma de suas principais características a epifania de personagens comuns em momentos do quotidiano.
     
(...)
   
Pouco tempo depois da publicação do romance A Hora da Estrela, Clarice é hospitalizada, com um cancro do ovário, detetado tarde demais e inoperável. A doença espalhara-se por todo o seu organismo. Clarice faleceu a 9 de dezembro de 1977, um dia antes do seu 57° aniversário. O seu corpo foi sepultado no Cemitério Israelita do Caju, no Rio de Janeiro, no dia 11 de dezembro. Até à manhã do seu falecimento, mesmo sob sedativos, Clarice ainda ditava frases para a sua melhor amiga, Olga Borelli, que sempre esteve ao lado da amiga, desde a juventude.
    
 
Meu Deus, me dê a coragem

Meu Deus, me dê a coragem
de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites,
todos vazios de Tua presença.
Me dê a coragem de considerar esse vazio
como uma plenitude.
Faça com que eu seja a Tua amante humilde,
entrelaçada a Ti em êxtase.
Faça com que eu possa falar
com este vazio tremendo
e receber como resposta
o amor materno que nutre e embala.
Faça com que eu tenha a coragem de Te amar,
sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo.
Faça com que a solidão não me destrua.
Faça com que minha solidão me sirva de companhia.
Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Faça com que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.
Receba em teus braços
o meu pecado de pensar. 
 

Clarice Lispector

Antoon van Dyck morreu há 381 anos

Auto-retrato com um girassol
      
Sir Antoon van Dyck (Antuérpia, 22 de março de 1599Londres, 9 de dezembro de 1641) foi um retratista flamengo que se tornou o principal pintor da corte real de Carlos I da Inglaterra. Discípulo de Rubens, ele influenciou os artistas seus contemporâneos. Na Inglaterra, ficou conhecido como Sir Anthony van Dyck.
  
Autorretrato, 1613-1614

 

Durante os nove anos em que viveu na Inglaterra, Van Dyck pintou cerca de trinta retratos de grandes dimensões para o rei Carlos I, além de receber uma infindável sucessão de encomendas da aristocracia. A sua produção de retratos foi verdadeiramente prodigiosa.

   

   in Wikipédia

A Intifada começou há 35 anos...

  
Intifada é o nome popular das insurreições dos palestinianos de Cisjordânia contra Israel. O objetivo destes levantamentos estão sujeitos a debate: alguns setores assinalam que têm como objetivo combater a ocupação nos territórios ocupados por Israel. Estes levantamentos estão entre os aspetos que mais influenciaram o desenvolvimento do conflito israelo-palestiniano.
Ambas intifadas foram utilizadas como campanhas de resistência dos palestinianos, seguidas de represálias dos israelitas, gerando-se assim um ciclo de violência por inércia de difícil resolução.
O termo surgiu após o levantamento espontâneo que rebentou a partir de 9 de dezembro de 1987, com a população civil palestiniana a atirar pedras contra os militares israelitas. Este levantamento seria conhecido mais tarde como "Primeira Intifada" ou "guerra das pedras".
Com a recusa de Arafat em aceitar a proposta de paz de Israel, a "Segunda Intifada" palestiniana, também conhecida como a intifada de Al-Aqsa, teve início em 29 de setembro de 2000, no dia seguinte à caminhada de Ariel Sharon pela Esplanada das Mesquitas e no Monte do Templo, nas cercanias da mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém - área considerada sagrada tanto por muçulmanos quanto por judeus.
Apesar de ter surgido no contexto do conflito israelo-palestiniano, o termo foi utilizado para designar outras ocasiões:
   
   

Almeida Garrett morreu há 168 anos

     
João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett nasceu com o nome de João Leitão da Silva no Porto, a 4 de fevereiro de 1799, filho segundo de António Bernardo da Silva Garrett, selador-mor da Alfândega do Porto, e Ana Augusta de Almeida Leitão. Mais tarde viria a escrever a este propósito: "Nasci no Porto, mas criei-me em Gaia". No período de sua adolescência foi viver para os Açores, na ilha Terceira, quando as tropas francesas de Napoleão Bonaparte invadiram Portugal e onde era instruído pelo tio, D. Alexandre, bispo de Angra.
De seguida, em 1816 foi para Coimbra, onde acabou por se matricular no curso de Direito. Em 1821 publicou O Retrato de Vénus, trabalho que fez com que lhe pusessem um processo por ser considerado materialista, ateu e imoral. É também neste ano que ele e sua família passam a usar o apelido de Almeida Garrett.

(...)

Por decreto do Rei D. Pedro V de Portugal datado de 25 de junho de 1851 Garrett é feito Visconde de Almeida Garrett em vida (tendo o título sido posteriormente renovado por 2 vezes). Em 1852 sobraça, por poucos dias, a pasta do Negócios Estrangeiros num governo presidido pelo Duque de Saldanha.
Em 1852 é eleito novamente deputado, e de 4 a 17 de agosto será ministro dos Negócios Estrangeiros. A sua última intervenção no Parlamento será em março de 1854, em que ataca o governo, na pessoa de Rodrigo de Fonseca Magalhães.
Falece a 9 de dezembro de 1854, vítima de um cancro de origem hepática, na sua casa, situada na atual Rua Saraiva de Carvalho, em Campo de Ourique, Lisboa. Foi sepultado no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa, tendo sido trasladado, a 8 de março de 1926, para o Panteão Nacional, à data no Mosteiro dos Jerónimos. Encontra-se atualmente no Panteão Nacional, na Igreja de Santa Engrácia.





Brasão de Visconde de Almeida Garrett (daqui)
       


Beleza

Vem do amor a Beleza,
Como a luz vem da chama.
É lei da natureza:
Queres ser bela? - ama.

Formas de encantar,
Na tela o pincel
As pode pintar;
No bronze o buril
As sabe gravar;
E estátua gentil
Fazer o cinzel
Da pedra mais dura...
Mas Beleza é isso? - Não; só formosura.

Sorrindo entre dores
Ao filho que adora
Inda antes de o ver
- Qual sorri a aurora
Chorando nas flores
Que estão por nascer –
A mãe é a mais bela das obras de Deus.
Se ela ama! - O mais puro do fogo dos céus
Lhe ateia essa chama de luz cristalina:

É a luz divina
Que nunca mudou,
É luz... é a Beleza
Em toda a pureza
Que Deus a criou.


 

in Folhas Caídas (1853) - Almeida Garrett

Um sismo teve, pela primeira vez, vítimas mortais no Brasil há doze anos...

O Governador Aécio Neves nos escombros da casa onde morreu a vítima do sismo que destruiu dezenas de casas (imagem daqui)

Itacarambi é um município do norte do estado de Minas Gerais, no Brasil. Situa-se na margem esquerda do rio São Francisco e localiza-se a 660 quilómetros da capital estadual, Belo Horizonte.

No dia 9 de dezembro de 2007, pelas 00.05 horas, ocorreu um tremor de terra de magnitude 4,9 na Escala de Richter, no distrito de Caraíbas, provocando a morte de uma criança de cinco anos e ferimentos em seis pessoas, além de desalojar outras 380, atingindo as 75 casas do distrito, sendo, portanto, considerado o primeiro tremor de terras com mortes registado no Brasil. A menina foi a primeira e única vítima de um terramoto no Brasil (Jornal Folha de S.Paulo, 10 de dezembro de 2007).  
 

Marie Fredriksson, vocalista dos Roxette, morreu há três anos...

   
Marie Fredriksson (Össjö, 30 de maio de 1958 - Danderyd, 9 de dezembro de 2019) foi uma cantora e compositora sueca, vocalista da dupla Roxette, ao lado de Per Gessle. Dona de uma bem-sucedida carreira solo na Suécia, Marie alcançou sucesso internacional, ao lado de Per Gessle, a partir de 1986, conseguindo colocar doze canções no Billboard Hot 100, incluindo quatro números 1.
 
 
Fredriksson morreu a 9 de dezembro de 2019 aos 61 anos, após uma batalha de 17 anos contra o cancro, após o seu diagnóstico de tumor cerebral em 2002. Um funeral privado, com apenas a sua família imediata presente, ocorreu em um local não revelado. Entre as homenagens expressas a Fredriksson estava uma declaração do rei Carlos XVI Gustavo da Suécia, que disse: "Ficamos impressionados com a triste notícia de que a cantora Marie Fredriksson faleceu. Para muitos em nosso país, mesmo em minha família, sua música é intimamente associada a memórias de momentos particularmente importantes da vida". Um concerto em memória de Fredriksson aconteceu no Stora Teatern em Gotemburgo em 20 de janeiro, com apresentações de Per Gessle e Eva Dahlgren. O concerto foi transmitido na íntegra cinco dias depois pela Sveriges Television.
   

 


quinta-feira, dezembro 08, 2022

Perdidamente...

 

Ser poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!



Florbela Espanca

 

Ave Maria gratia plena...

(imagem daqui)

   
Visitação
 
Que é do anjo das asas rutilantes
Com que lutou Jacob, na madrugada?
Que é desse outro, de falas sussurrantes,
Que surgiu a Maria, a fecundada,

Tão casta e sem pecado como dantes?
Que é da estrela, pela mão de Deus lançada
A guiar os incertos caminhantes
Ao colmo da cabana consagrada?

Onde estão os sinais que Deus envia?
Onde estão, que os procuro noite e dia
Sem nunca ver cumprido o meu desejo?

Não os vejo e não sei se eu, que os procuro,
Os não encontro porque sou impuro,
Ou sou impuro porque os não vejo.
 


Reinaldo Ferreira

Hoje é o aniversário e data da morte de Florbela Espanca...

   
Florbela Espanca (Vila Viçosa, 8 de dezembro de 1894 - Matosinhos, 8 de dezembro de 1930), batizada como Flor Bela de Alma da Conceição Espanca, foi uma poetisa portuguesa. A sua vida, de apenas trinta e seis anos, foi plena, embora tumultuosa, inquieta e cheia de sofrimentos íntimos que a autora soube transformar em poesia da mais alta qualidade, carregada de erotização, feminilidade e panteísmo.
  
(...)
  
Florbela tentou o suicídio por duas vezes mais, em outubro e novembro de 1930, na véspera da publicação da sua obra-prima, Charneca em Flor. Após o diagnóstico de um edema pulmonar, a poetisa perdeu definitivamente a vontade de viver. Não resistiu à terceira tentativa do suicídio. Faleceu em Matosinhos, no dia do seu 36º aniversário, a 8 de dezembro de 1930. A causa da morte foi uma sobredose de barbitúricos.
A poetisa teria deixado uma carta confidencial com as suas últimas disposições, entre elas, o pedido de colocar no seu caixão os restos do avião pilotado pelo seu irmão Apeles, quando sofreu o acidente. O corpo dela jaz, desde 17 de maio de 1964, no cemitério de Vila Viçosa, a sua terra natal.
Leia-se a quadra desse "admirável soneto que é o seu voo quebrado e que principia assim":
Não tenhas medo, não! Tranquilamente,
Como adormece a noite pelo outono,
Fecha os olhos, simples, docemente,
Como à tarde uma pomba que tem sono…
  

  

    
(imagem daqui)

 

Perdi os Meus Fantásticos Castelos

Perdi meus fantásticos castelos
Como névoa distante que se esfuma...
Quis vencer, quis lutar, quis defendê-los:
Quebrei as minhas lanças uma a uma!

Perdi minhas galeras entre os gelos
Que se afundaram sobre um mar de bruma...
- Tantos escolhos! Quem podia vê-los? –
Deitei-me ao mar e não salvei nenhuma!

Perdi a minha taça, o meu anel,
A minha cota de aço, o meu corcel,
Perdi meu elmo de ouro e pedrarias...

Sobem-me aos lábios súplicas estranhas...
Sobre o meu coração pesam montanhas...
Olho assombrada as minhas mãos vazias... 


 
Florbela Espanca

 

David Carradine nasceu há 86 anos...

David Carradine, no papel que o tornou conhecido: o monge Shaolin Kwai Chang Caine, na série Kung Fu (1972-1975)  
    
John Arthur Carradine (Los Angeles, 8 de dezembro de 1936 - Bangkok, 3 de junho de 2009) foi um ator dos Estados Unidos da América.

David, nascido John Arthur Carradine, era filho do ator John Carradine, irmão de Bruce Carradine e meio-irmão de Keith Carradine e Robert Carradine. David Carradine é mais conhecido por seu personagem "Kwai Chang Caine", na série de televisão Kung Fu, produzida a partir dos anos 1970, na qual interpretava um monge Shaolin, mestre em Wushu, no Velho Oeste dos Estados Unidos. Uma cena famosa da série (que deveria ter sido estrelada por Bruce Lee, mas os produtores, ao final, não quiseram um chinês "autêntico", optando por "puxar os olhos" de Carradine) é quando Kwai Chang tatua sua pele com ferro quente.
Em 2003, Carradine ganhou nova audiência quando interpretou o personagem "Bill" nos dois filmes da série Kill Bill, de Quentin Tarantino, nos quais contracena com Uma Thurman.
               
                    

Hoje é dia de ouvir Jim Morrison...

O Mona naufragou há 63 anos...

 

   

RNLB Mona (ON 775) was a Watson Class lifeboat based at Broughty Ferry in Scotland, that capsized during a rescue attempt, with the loss of her entire crew of eight men. The Mona was built in 1935, and, in her time, saved 118 lives.

  

The loss of the Mona
At 03.13 hours on 8 December 1959, the Mona was launched to assist the North Carr Lightship which was reported adrift in St Andrews Bay. Weather conditions were exceptionally severe with a strong south-easterly gale and the Broughty Ferry Lifeboat was the only boat in the area able to launch. The Mona was seen clearing the Tay and heading south into St Andrews Bay. Her last radio message was timed at 04.48am, and after a helicopter search she was found capsized on Buddon Sands. Her crew of eight were all drowned. The North Carr reef is off the coast of Fife. The lightvessel, later replaced by a beacon, is now berthed at Victoria Dock, Dundee harbour.
As The Mona was struggling to reach the North Carr, the Lightship's crew of six were able to drop their spare anchor. They were all rescued alive and well by a helicopter the next morning, 24 hours after the first call for help had gone out.
The Mona disaster was the subject of an official investigation, in which the boat was described as having been 100% seaworthy at the time of the accident.
According to a letter to the Dundee Evening Telegraph, in January 2006, "Among some seamen, it was believed the vessel was tainted with evil, and they resolved to exorcise the boat in a 'viking ritual'". The Mona was taken to Cockenzie harbour on the river Forth in the dead of night, stripped of anything of value, chained to the sea wall, and burnt. The burning was done with the knowledge and permission of Lord Saltoun, the chairman of the Scottish Lifeboat Council. Questions were raised in the House of Commons about the destruction of a lifeboat built with public subscription.
The incident was immortalised in song by Peggy Seeger entitled The Lifeboat Mona, which is sung by The Dubliners, commemorating its great achievements and the hardships the crew endured.
The scale of the tragedy stunned the local community, and a disaster fund raised more than £77,000 in less than a month.
By the time a relief lifeboat arrived at Broughty Ferry two weeks after the disaster, 38 volunteers had signed up to form a new crew.
The names of the men who died are commemorated on a plaque on the side of the present day boat house.
Local newspaper the Dundee Courier and Evening Telegraph was at the forefront of coverage of the disaster. In 2006, on his retirement, deputy chief reporter Ron Skelton told regional journalism website HoldTheFrontPage that it was his work in covering The Lifeboat Mona disaster that convinced him his future lay in hard news.
The 50th anniversary of the disaster, in 2009, saw a number of memorial events organised to mark the occasion. These included a memorial concert on the actual anniversary date and talks entitled The Mona Remembered at the local church on 23 and 25 November.
There was also an appeal for relatives of the lost crew to come forward.
      
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Kim Basinger faz hoje sessenta e nove anos


Kimila "Kim" Ann Basinger (Athens, 8 de dezembro de 1953) é uma atriz norte-americana. Kim tem ascendência alemã, irlandesa e sueca e ainda sangue indígena, de etnia cherokee.

Tem uma filha única chamada Ireland Eliesse Basinger Baldwin, nascida em 1995 da então união com o ator Alec Baldwin

     

   

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A bandeira europeia surgiu há 67 anos

      
A bandeira europeia consiste num círculo com doze estrelas douradas num fundo azul. Apesar de a bandeira estar normalmente associada à União Europeia (UE), foi inicialmente usada pelo Conselho da Europa, e pensada para representar a Europa como um todo.
   
Concurso
A eleição da bandeira ocorreu mediante um concurso promovido em 1950 pelo Conselho da Europa com a intenção de utilizar-la como veículo de integração e promoção de uma unidade europeia.
O autor, Arsene Heitz, católico, francês natural de Estrasburgo, inspirou-se na coroa de estrelas citada no texto bíblico de Apocalipse 12,1 que os católicos costumam ler nas festas dedicada à Maria. A Mãe de Jesus é tradicionalmente ornada pela iconografia cristã com a coroa de doze estrelas.
  
Oficialização
A sua adoção oficial pelo Conselho da Europa realizou-se a 8 de dezembro de 1955, dia que coincide com a solenidade da Imaculada Conceição na liturgia católica. Apesar da rejeição formal de referências bíblicas, em 21 de outubro de 1956, o Conselho da Europa presenteou a cidade de Estrasburgo, a sua sede oficial, com um vitral para Catedral de Estrasburgo pelo mestre parisiense Max Ingrand. Ele mostra uma Virgem Imaculada coroada de um círculo de 12 estrelas sobre fundo azul escuro.
A Comunidade Europeia (CEE) adoptou-a a 26 de maio de 1986. A UE, que se estabeleceu pelo Tratado de Maastricht na década de 90 e que veio a substituir a CEE e as suas funções, também escolheu esta bandeira. Desde então, o uso da bandeira tem sido conjuntamente controlado quer pelo Conselho da Europa quer pela União Europeia.
     

Don't Let Me Down...

Camille Claudel nasceu há 158 anos

  
Camille Claudel, nome artístico de Camille Athanaïse Cécile Cerveaux Prosper (Aisne, 8 de dezembro de 1864 - Paris, 19 de outubro de 1943) foi uma escultora francesa
 
Auguste Rodin, Retrato de Camille Claudel com um boné, 1886
   
Biografia
Camille era filha de Louis Prosper, um hipotecário, e Louise Athanaïse Cécile Cerveaux. Camille passou toda sua infância em Villeneuve-sur-Fère, morando em um presbitério que o seu avô materno, doutor Athanaïse Cerveaux, havia adquirido. Foi a primeira filha do casal, sendo quatro anos mais velha que Paul Claudel. Ela impõe ao seu irmão, assim como à sua irmã mais nova Louise, a sua forte personalidade. Ela comandava os dois desde pequena. Segundo Paul, o seu irmão, ela declarou desde cedo o seu desejo de ser escultora. Camille também tinha certas premonições e previu também que o seu irmão se tornaria escritor e a sua irmã Louise seria música.
O seu pai, maravilhado com o seu estupendo e precoce talento que, ainda na infância, produziu esculturas de ossos e esqueletos com impressionante verosimilhança, oferta-lhe todos os meios de desenvolver as suas potencialidades, colocando-a em escolas e cursos de primeira linha. A sua mãe, por outro lado, não vê com bons olhos, colocando-se sempre contra todo aquele empreendimento, reagindo muitas vezes violentamente no sentido de reprovar a filha que traz incómodos e custos excessivos para a manutenção do seu "capricho". O sonho de Camille é ser uma escultora de sucesso e vê essa vontade ameaçada pela mãe, que acha que ocorrem muitos gastos com a educação da menina.
Em 1881, já com 17 anos, sai de casa para ir em busca do seu grande sonho. Parte para Paris e ingressa na Academia Colarossi, uma escola que forma artistas escultores. Ela teve por mestre primeiramente Alfred Boucher e depois Auguste Rodin. É desta época que datam suas primeiras obras que nos são conhecidas: A Velha Helena (La Vieille Hélène - coleção particular) ou Paul aos treze anos (Paul à treize ans - Châteauroux).
O tempo passa, e o seu professor Rodin, impressionado pela solidez e tamanha beleza de seu trabalho, admite-a como aprendiz de seu ateliê, na rua da Universidade, em 1885 e é nesse momento que ela colaborará na execução das Portas do Inferno (Les Portes de l'Enfer) e do monumento Os Burgueses de Calais (Les Bourgeois de Calais).
Tendo deixado a sua família pelo amor a escultura, ela trabalha vários anos a serviço do seu mestre, por quem está secretamente apaixonada, e ela mantém-se à custa da sua própria criação, pois ela ganha salário como aprendiz. Por vezes, a obra de um e de outro são tão próximas que não se sabe qual obra de seu professor ou da aluna. Às vezes se confunde em quem inspirou um ou copiou o outro, pois Camille faz tão bem seu trabalho que parece que há anos ela trabalha com arte. As suas esculturas e as de Rodin são muito idênticas, facto que aproxima os dois.
O tempo passa e Camille e Rodin se envolvem, e têm um caso ardente de amor. Porém Camille Claudel enfrenta muito rapidamente duas grandes dificuldades: de um lado, Rodin não consegue decidir-se em deixar Rose Beuret, a sua namorada desde os primeiros anos difíceis, e de outro lado, alguns afirmam que as suas obras seriam executadas pelo seu próprio mestre, ou seja, acusam Camille de ter copiado todos os trabalhos de seu professor em vez dela mesma fazer. Muito triste e depressiva pelas acusações e por Rodin ainda ter outra mulher, Camille tentará distanciar-se de Rodin e a fazer as suas obras de arte sozinha. Percebe-se muito claramente essa tentativa de autonomia na sua obra (1880-94), tanto na escolha dos temas como no tratamento: A Valsa (La Valse, Museu Rodin) ou A Pequena Castelã (La Petite Châtelaine, Museu Rodin). Esse distanciamento segue até ao rompimento definitivo, em 1898. A rutura é marcada e contada pela famosa obra de título preciso: A Idade Madura (L’Age Mûr – Museu d'Orsay).
Ferida e desorientada, ainda mais por descobrir que o seu o romance com Rodin não passou de uma aventura para ele e que ele preferiu a namorada, Camille Claudel passa a nutrir por Rodin um estranho amor-ódio que a levará à paranoia e a loucura. Ela instala-se então no número 19 do hotel Quai Bourbon e continua a sua busca artística em grande solidão, pois ama loucamente Rodin, mas ao mesmo tempo odeia-o por tê-la abandonado. Ela entregou-se a esse homem de corpo e alma e em troca só teve ingratidão e abandono. Apesar do apoio de críticos como Octave Mirbeau, Mathias Morhardt, Louis Vauxcelles e do fundidor Eugène Blot, seus amigos, ela não consegue superar a dor da saudade. Eugène Blot organiza duas grandes exposições, esperando o reconhecimento e assim um benefício sentimental e financeiro para Camille Claudel, pois ele quer ajudar a amiga em dificuldade. As suas exposições têm grande sucesso de crítica, mas Camille já está doente demais para se reconfortar com os elogios. Ela passa a ficar estranha e obsessiva, querendo a morte de Rodin. Ela passa a se lembrar de seu passado, a mãe a impedi-la de ser uma artista e as lembranças más da infância passam a sufocá-la cada vez mais.
Depois de 1905, os períodos paranoicos de Camille multiplicam-se e acentuam-se. Ela crê nos seus delírios. Entre seus sonhos doentes, ela acredita que Rodin roubará as suas obras de arte para moldá-las e expô-las como suas, ou seja, ela acha que Rodin roubará as esculturas e falará que foi ele quem as fez. Ela passa a achar que o inspetor do Ministério das Belas-Artes está em conluio com Rodin, e que desconhecidos querem entrar em sua casa para lhe furtar suas obras de arte. Nessa fase ela passa a falar sozinha e já adquiriu a esquizofrenia. Também chora muito, e passa a ter ideias de suicídio. Camille cria histórias imaginárias que ela passa a achar que são puramente verdade. Nessa terrível época que suas crises de loucura aumentam, vive um grande abatimento físico e psicológico, não se alimentando mais e desconfiando de todas as pessoas, achando que todos a matarão. Ela isola-se e como mora sozinha no hotel, ninguém sabe da sua condição, pois ela rompe a amizade com os amigos e passa a querer ficar e viver sozinha em seu quarto. Ela mantém-se vendendo as poucas obras que ainda lhe restam.
O seu pai, o seu porto-seguro, a única pessoa que a mais entendeu na sua vida, morre em 3 de março de 1913, o que piora por completo a sua depressão e a faz sair da realidade mais ainda. Ela entra numa crise violenta, quebrando tudo e gritando, e, em 10 de março, é internada no manicómio de Ville-Evrard. A eclosão da Primeira Guerra Mundial levou-a a ser transferida para Villeneuve-lès-Avignon onde morre, após trinta anos de internamento e desespero, passando todo esse tempo amarrada e sedada. Morreu em 19 de outubro de 1943, com 79 anos incompletos.
    

  

Camille Claudel, Sakountala, escultura em mármore, 1905, Museu Rodin, Paris