terça-feira, janeiro 27, 2026

Há trinta anos foi lançado um livro que fez furor - tanto, que obrigou o seu autor a emigrar...


(imagens daqui)

Escândalos da democracia: O livro que vendeu 30 mil exemplares e desapareceu
 
Não foi só o livro - o autor emigrou após as revelações que atingiram Mário Soares
  
 
Fixe bem esta data: 27 de janeiro de 1996. Era um sábado e o público português assistiu a um fenómeno sem precedentes: um livro, escrito por um autor nacional, vendeu 30.000 exemplares no lançamento. Depois foi retirado do mercado e nunca mais reapareceu."Contos proibidos. Memórias de um PS desconhecido" foi a obra "mais atrevida", segundo Nelson de Matos, a pessoa que o publicou na Dom Quixote. Numa entrevista ao "Expresso", em 2004, o editor negou ter sofrido pressões ou ameaças, mas denunciou a existência de "comentários negativos" que lhe causaram "bastantes dificuldades pessoais". "A todos expliquei que o livro existia", disse na altura. "Tinha revelações importantes e procurava ser sério ao ponto de as provar. Desse ponto de vista, achei que merecia ser discutido na sociedade." Nelson de Matos é também, provavelmente, uma das poucas pessoas que conhece o paradeiro do autor - a hipótese mais repetida é a Suécia, mas ninguém está em condições de confirmar nada. O escritor, tal como acontecera antes com o bestseller instantâneo, desapareceu sem deixar rasto. Dez anos mais tarde, o jornalista Joaquim Vieira publicou cinco textos sobre o assunto na "Grande Reportagem". Em conversa com o i, recorda que "quando o livro saiu, o Rui Mateus foi entrevistado pelo Miguel Sousa Tavares na SIC, e a primeira pergunta que este lhe fez foi: 'Então, como é que se sente na pele de um traidor?' Toda a entrevista decorreu sob essa ideia."Mas o que continha o livro afinal? Qual o motivo para as desaparições? Retomando a síntese de Vieira, que o analisou a fundo, Rui Mateus diz que Mário Soares, "após ganhar as primeiras presidenciais, em 1986, fundou com alguns amigos políticos um grupo empresarial destinado a usar fundos financeiros remanescentes da campanha.
   
(...) 
   
Que, não podendo presidir ao grupo por questões óbvias, Soares colocou os amigos como testas-de-ferro". O investigador Bernardo Pires de Lima também leu o livro e conserva um exemplar. "Parece-me evidente que desapareceu de circulação rapidamente por ser um documento incómodo para muita gente, sobretudo altas figuras do PS, metidas numa teia de tráfico de influências complicada que o livro não se recusa a revelar com documentos", observa. A obra consta de dez capítulos e 47 anexos. Ao todo, 455 páginas que arrancam na infância do autor, percorrem o primeiro quarto de século do PS (desde as origens na clandestinidade da Ação Socialista) e acabam em 1995, perto do final do segundo mandato de Soares. Na introdução, Mateus escreve: "É um livro de memórias em redor do Partido Socialista, duma perspetiva das suas relações internacionais, que eu dirigira durante mais de uma década." Os últimos três capítulos abordam o caso Emaudio - um escândalo rebentado pelo próprio Mateus e que motivou a escrita de "Contos proibidos" para "repor a verdade". Para Joaquim Vieira e Bernardo Pires de Lima, a credibilidade do livro é de oito sobre dez. "O livro adianta imensos detalhes que reforçam a sua credibilidade e nenhum deles foi alguma vez desmentido", argumenta o jornalista e atual presidente do Observatório da Imprensa. Vieira lamenta o "impacto político nulo e nenhuns efeitos" das revelações de Mateus. "Em vez de investigar práticas porventura ilícitas de um chefe de Estado, os jornalistas preferiram crucificar o autor pela 'traição' a Soares." Apesar de, na estreia, terem tido todas as coberturas, livro e autor caíram rapidamente no esquecimento. Hoje, a obra pulula na Internet em versão PDF
   

Mozart nasceu há 270 anos...

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/1e/Wolfgang-amadeus-mozart_1.jpg/640px-Wolfgang-amadeus-mozart_1.jpg

   
Wolfgang Amadeus Mozart, batizado Joannes Chrysostomus Wolfgangus Theophilus Mozart (Salzburgo, 27 de janeiro de 1756Viena, 5 de dezembro de 1791) foi um prolífico e influente compositor austríaco do período clássico.
  
 

Lewis Carroll nasceu há 194 anos...

     
Charles Lutwidge Dodgson, mais conhecido pelo seu pseudónimo de Lewis Carroll (Daresbury, 27 de janeiro de 1832 - Guildford, 14 de janeiro de 1898), foi um romancista, contista, fabulista, poeta, desenhador, fotógrafo, matemático e reverendo anglicano britânico. Lecionava Matemática no Christ College, em Oxford. É autor do clássico livro Alice no País das Maravilhas, além de outros poemas escritos em estilo nonsense ao longo da sua carreira literária, que são considerados políticos, em função das fusões e da disposição espacial das palavras, como precursores da poesia de vanguarda.
    
     

O ditador e genocida indonésio Suharto morreu há dezoito anos...

     
Hadji Mohamed Suharto, ou simplesmente Suharto (Kemusuk, Yogyakarta, 8 de junho de 1921 - Jacarta, 27 de janeiro de 2008) foi um político e militar indonésio.
Foi general e o segundo presidente da Indonésia, entre 1967 e 1998.
Suharto nasceu a 8 de junho de 1921 nas Índias Orientais Holandesas, numa casa de bambu trançado murado na aldeia de Kemusuk, uma parte da grande aldeia de Godean. A aldeia fica a 15 km a oeste de Yogyakarta, o coração cultural do javanesa. O seu pai, Kertosudiro, tinha dois filhos de um casamento anterior e era um oficial de irrigação da aldeia. A sua mãe, Sukirah, era parente distante do sultão Hamengkubuwono V.
Em 30 de setembro de 1965, Suharto orquestrou um golpe que foi acompanhado pelo massacre de comunistas e democratas indonésios e que resultou num genocídio que fez entre 500 mil e dois milhões de vítimas, perante a indiferença mundial, num episódio que ficou conhecido como o Massacre na Indonésia de 1965–66.
Durante as três décadas em que esteve à frente dos destinos da Indonésia, Suharto construiu um governo nacional forte e centralista, forçando a estabilidade no heterogéneo arquipélago indonésio através da supressão dos dissidentes políticos e dos separatismos regionais. As suas políticas levaram a um substancial crescimento económico do país, apesar de muitos dos ganhos no nível de vida tenham sido perdidos com a crise financeira asiática que começou em 1997 e acabou por precipitar a sua queda. Com a prosperidade económica, Suharto enriqueceu pessoalmente, tendo criado um pequeno círculo de privilegiados através da implementação de monopólios estatais, subsídios e outros esquemas menos lícitos.
   
A invasão de Timor-Leste
Em 1975, na sequência da retirada de Portugal do Timor Português, a Fretilin tomou momentaneamente o poder e Suharto ordenou às suas tropas que invadissem o país. Em causa estavam elevados interesses económicos, nomeadamente o petróleo do Mar de Timor. Estima-se que 200 mil timorenses tenham perecido, cerca de um terço da população total. Em 15 de julho de 1976 o antigo Timor Português tornou-se a 27.ª província indonésia, com o nome de "Timor Timur". A situação só foi alterada em 1999, quando o seu sucessor, Baharuddin Jusuf Habibie, acordou a transferência da administração para as Nações Unidas e a realização de um referendo que acabou na proclamação da independência de Timor-Leste.
    
Morte
Após um período de internamento que durou 23 dias, o ex-ditador indonésio morreu, no hospital Petarmina, em Jacarta, depois de um coma causada por falência múltipla dos órgãos. A sua rejeição na cultura popular marcou os media internacionais até ao século XXI.
   

J.D. Salinger faleceu há dezasseis anos...


Jerome David Salinger (Nova Iorque, 1 de janeiro de 1919 - Cornish, 27 de janeiro de 2010) foi um escritor norte-americano. A sua obra mais conhecida é o romance intitulado The Catcher in the Rye (Brasil: O Apanhador no Campo de Centeio / Portugal: À Espera no Centeio ou Uma Agulha num Palheiro).

 

  

in Wikipédia

Um incêndio na boate Kiss, no Brasil, há treze anos, matou 242 pessoas

    
O incêndio na boate Kiss foi uma tragédia que matou 242 pessoas e feriu 680 outras numa discoteca da cidade de Santa Maria, no estado brasileiro do Rio Grande do Sul. O incêndio ocorreu na madrugada do dia 27 de janeiro de 2013 e foi causado por um sinalizador disparado no palco, em direção ao teto, por um integrante da banda que se apresentava no local. A imprudência e as más condições de segurança ocasionaram a morte de mais de duas centenas de pessoas.
O acidente foi considerado a segunda maior tragédia no Brasil em número de vítimas num incêndio, sendo superado apenas pela tragédia do Gran Circus Norte-Americano, ocorrida em 1961, em Niterói, que vitimou 503 pessoas; e teve características semelhantes às do incêndio ocorrido na Argentina, em 2004, na discoteca República Cromañón. Foi também classificada como a quinta maior tragédia da história do Brasil, a maior do Rio Grande do Sul, a de maior número de mortos nos últimos cinquenta anos no Brasil e o terceiro maior desastre em casas noturnas no mundo.
Procedeu-se a uma investigação para a apuração das responsabilidades dos envolvidos, dentre eles os integrantes da banda, os donos da casa noturna e o poder público. O incêndio iniciou um debate no Brasil sobre a segurança e o uso de efeitos pirotécnicos em ambientes fechados com grande quantidade de pessoas. A responsabilidade da fiscalização dos locais também foi debatida nos media. Houve manifestações nas imprensas nacional e mundial, que variaram de mensagens de solidariedade a críticas sobre as condições das boates no país e a omissão das autoridades.
O inquérito policial apontou muitos responsáveis pelo acidente mas poucos foram denunciados pelo Ministério Público à Justiça, uma vez que, sendo titular da ação penal, oferece denúncia contra aqueles que entenda serem puníveis. Quanto ao material utilizado para revestimento acústico e que libertou o gás tóxico letal, foi exigido pelo Ministério Público, contudo, nada foi modificado na legislação em relação aos revestimentos acústicos e a exigências legais. O inquérito policial-militar, por sua vez, foi conduzido e responsabilizou Bombeiros Militares por crimes não relacionados diretamente com o evento e que de forma alguma contribuíram para o episódio.

Hoje é dia de ouvir Djavan...

Hoje é o Dia Internacional da Lembrança do Holocausto...

Um sobrevivente do Holocausto mostra a marca no braço da tatuagem do campo de concentração
 
O Dia Internacional da Lembrança do Holocausto é um dia internacional da lembrança das vítimas do Holocausto, o genocídio cometido pelos nazis e seus adeptos que ceifou a vida de milhões de judeus durante a II Guerra Mundial. Ele foi associado ao dia 27 de janeiro, pela resolução 60/7 da Assembleia Geral das Nações Unidas, de 1 de novembro de 2005, durante a 42ª sessão plenária desta organização.
A resolução veio após a sessão especial realizada em 24 de janeiro de 2005, durante a qual a Assembleia Geral marcou o 60º aniversário da libertação dos campos de concentração e do fim do Holocausto. 27 de janeiro é a data, em 1945, que marca a libertação do maior campo de extermínio nazi, Auschwitz-Birkenau, pelas tropas soviéticas.
Antes de resolução 60/7, existiam vários dias nacionais de comemoração, como o Dia da Lembrança das Vítimas do Nacional-Socialismo, na Alemanha, criado através de um decreto do presidente Roman Herzog, em 3 de janeiro de 1996 e o Dia do Holocausto no Reino Unido, observado desde 2001 a 27 de janeiro. O Dia da Lembrança do Holocausto também é uma data nacional de comemoração na Itália.

   
 

segunda-feira, janeiro 26, 2026

Saudades de Black...

Paula Rego nasceu há noventa e um anos...


  (imagem daqui)

 

Maria Paula Figueiroa Rego, mais conhecida por Paula Rego (Lisboa, 26 de janeiro de 1935 - Londres, 8 de junho de 2022), foi uma pintora luso-britânica, condecorada pelo governo português e pela Rainha Isabel II

 

Biografia

Paula Rego nasceu em Lisboa a 26 de janeiro de 1935, no seio de uma família da alta burguesia, de tradição liberal e republicana, com ligações à cultura inglesa e francesa. Filha de José Fernandes Figueiroa Rego (1907-1966), engenheiro eletrotécnico, e de Maria de São José Avanti Quaresma de Paiva Figueiroa Rego (1909-2001), durante os seus primeiros três anos de vida viveu com os seus avós paternos, José Figueiroa Rego (1885 - ?) e Gertrudes Fernandes (1890 - 1943), na quinta que a sua família possuía na Ericeira, devido aos seus pais terem partido para Inglaterra a fim de terminarem os seus estudos académicos, criando aí as suas primeiras memórias de vida e umas das principais fontes de inspiração para as suas obras artísticas. Mais tarde, já com os seus pais de regresso a Portugal, foi diagnosticada com tuberculose, passando a residir, por recomendação médica, junto ao mar, no Estoril, e a passar os fins de semana na casa dos avós, na Ericeira

Recuperada da doença, iniciou os seus estudos no Colégio Integrado Monte Maior, em Loures, ingressando posteriormente, em 1945, na St. Julian's School, em Carcavelos, sendo o seu talento para a pintura reconhecido bastante cedo pelos seus professores. Após concluir o ensino secundário, incentivada pelo pai a prosseguir o seu desenvolvimento artístico fora do país e longe do regime salazarista, em 1952 partiu para Londres, onde estudou na Slade School of Fine Art até 1956 e conheceu o pintor inglês, nascido no Egipto e então estudante, Victor Willing (1928-1988), com quem passou a viver e se casou em 1959.

Regressada a Portugal em 1957, passou a residir na Ericeira com a sua família, continuando durante esse período a criar efusivamente novas obras e a participar ocasionalmente em exposições coletivas em Inglaterra, recebendo ainda em sua casa vários amigos e artistas como Michael Andrews e Peter Frederick Snow ou visitando a praia de Mil Regos diariamente com os seus três filhos Nick Willing, Caroline Willing e Victoria Willing. Ainda no mesma época, a pintora tornou-se bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian e expôs coletivamente perante o público lisboeta em 1961, na II Exposição da Gulbenkian. Somente cinco anos depois, Paula Rego expôs individualmente pela primeira vez, na Galeria de Arte Moderna da Escola de Belas-Artes de Lisboa, em 1966, onde apresentou vários trabalhos relacionados com acontecimentos chocantes da vida política ibérica, como Cães de Barcelona, Gorgon, Retrato de Grimau ou Manifesto (por uma causa perdida), entusiasmando a crítica portuguesa.

Em princípios da década de 70, com dificuldades financeiras, geradas pela falência da empresa familiar e a falta de remuneração pelo seu trabalho como artista, para além da progressão do débil estado de saúde de Victor Willing, a pintora viu-se obrigada a vender a Quinta Figueiroa Rego, algo que a marcou profundamente, radicando-se em Londres com o seu marido e filhos.

Em 1975, inspirada pelo universo literário dos contos populares portugueses, Paula Rego recebeu uma nova bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian, começando a desenvolver uma intensa pesquisa, da qual criou a série de guaches Contos Populares Portugueses. Três anos depois, prosseguindo com os seus estudos sobre contos de fadas em várias bibliotecas de Londres e Paris, criou onze obras para a exposição Arte Portuguesa desde 1910, dominada pelas colagens.

Durante a década de 80, começou a lecionar como professora convidada na Slade School of Fine Art. Regressando à pintura, mais livre e mais direta, retratou o mundo intimista e infantil, inspirado em dados reais ou imaginários, com narrativas zoomórficas pertencentes a um teatro de crianças de Victor Willing, através das figuras de um macaco, um leão e um urso, assim como inspirou-se na obra literária de George Orwell, "1984", criando o painel Muro dos Proles, com mais de seis metros de comprimento, onde estabeleceu um paralelismo com as figuras de Hieronymus Bosch. Pouco depois, deu uma viragem radical na sua obra com a série da menina e do cão, onde a figura feminina assumia claramente a liderança na ação, enquanto o cão era subjugado e acarinhado. A menina faz de mãe, de amiga, de enfermeira e de amante, num jogo de sedução e de dominação que continua em obras posteriores. Tecnicamente as figuras ganham volume, o espaço ganha solidez e autonomia, a perspetiva cenográfica está montada. Ainda na mesma década, em 1987, Paula Rego assinou com a Galeria Marlborough Fine Art, ganhando divulgação internacional e dando entrada com obras da sua autoria nas colecções do Tate Museum e da Saatchi Collection. Um ano depois, com a morte do seu marido por esclerose múltipla, criou as obras O Cadete e a Irmã, A Partida, A Família e A Dança, expondo-as posteriormente na Gulbenkian e pela primeira vez nas Galerias Serpentine em Londres e no Museu de Serralves do Porto, e a coleção de gravuras em aguatinta Nursery Rhymes, sendo exposta em Lisboa pela Galeria 111 e posteriormente adquirida pelo Victoria and Albert Museum.

Durante a última década do século XX, a convite da primeira edição do programa Associate Artist Scheme da National Gallery, a pintora ocupou um atelier no museu, destacando-se desse período a obra Tempo – Passado e Presente (1990-1991) e a série de pinturas a pastel intitulada Mulher Cão (1994), que marcou o início de um novo ciclo de representações de mulheres simbólicas. De notar a importância da sua modelo e assistente Lila Nunes, que veio para Londres em 1985 para ajudar a tomar conta de Victor Willing. Lila torna-se no modelo mais importante da obra de Paula, tendo posado para centenas de obras, incluindo a série Mulher-Cão.

 

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Retrato oficial de Jorge Sampaio enquanto Presidente da República Portuguesa - Paula Rego

 

Apesar de viver no estrangeiro, a pintora que continuava atenta à situação política e social de Portugal, demonstrou o seu desagrado com o resultado do primeiro referendo ao aborto, realizado no país em 1997, com a obra Aborto (1997-1999), gerando o choque e abrindo novamente a discussão do tema na imprensa portuguesa. Anos mais tarde, na sequência do Ciclo da Vida da Virgem Maria que Paula Rego pintou para a Capela de Nossa Senhora de Belém, no Palácio Nacional de Belém, a convite do Presidente da República Jorge Sampaio, foi pedido à artista que realizasse o retrato oficial do presidente, rompendo com os cânones tradicionais do retrato presidencial, tal como já havia sido feito pelo seu predecessor Mário Soares ao ser retratado por Júlio Pomar. O Retrato oficial do Presidente Jorge Sampaio realizado em 2005, mas só revelado ao público em 2006, introduziu pela primeira vez uma mulher na galeria de pintores oficiais da Presidência da República.
Em 2006 foi convidada pelo Presidente da Câmara Municipal de Cascais, António Capucho, a expor em permanência a sua obra no concelho onde viveu grande parte da infância. Aceitando a proposta, Paula Rego indicou o nome de Eduardo Souto Moura para desenvolver o projeto e escolheu um dos terrenos que lhe foi apresentado, ao lado do Museu do Mar, como lugar do futuro museu, nascendo assim a Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais, a 18 de setembro de 2009, com o intuito de acolher e promover a divulgação e estudo da sua obra.

A 7 de julho de 2012, apresentou uma série de pinturas inéditas, numa exposição em parceria com a artista portuguesa Adriana Molder, inspirada na narrativa histórica de Alexandre Herculano, intitulada “A Dama Pé-de-Cabra”, na Casa das Histórias em Cascais.

Lançado em 2017, Nick Willing, filho de Paula Rego, realizou o documentário "Paula Rego, Histórias e Segredos" (Paula Rego, Secrets & Stories), produzido pela Kismet Films para a BBC, com imagens de arquivo familiar e pessoal nunca antes mostradas ao grande público, revelando também o lado mais intimo da vida e obra da pintora portuguesa, que sem restrições aborda directamente temas como a sua luta contra o Estado Novo e a misoginia no mundo das artes assim como a sua batalha contra a depressão.

Em 2019, durante o ano de comemoração dos 30 anos de existência da Fundação de Serralves, uma nova exposição foi organizada no Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto, intitulada "O Grito da Imaginação", compreendendo a produção artística de Paula Rego entre 1975 e 2004, com um total de 36 obras. No ano seguinte, foi realizada uma exposição que reunia 115 obras da pintora ao lado de telas de Josefa de Óbidos em uma mostra intitulada "Paula Rego/Josefa de Óbidos: Arte Religiosa no Feminino" na Casa das Histórias, em Caiscais.

Em 2021, teve a sua maior retrospetiva de sempre no Reino Unido na Tate Britain, com mais de 100 obras.

Faleceu a 8 de junho de 2022, em Londres, com 87 anos de idade, tendo sido decretado luto nacional em Portugal. Encontra-se sepultada junto do marido no cemitério de Hampstead, em Londres.

 

 in Wikipédia 


Pietà - Paula Rego

Eddie Van Halen nasceu há setenta e um anos...

 
Edward Lodewijk Van Halen, mais conhecido como Eddie Van Halen (Nimegue, 26 de janeiro de 1955Santa Mónica, 6 de outubro de 2020), foi um guitarrista, compositor e produtor musical norte-americano, nascido nos Países Baixos, co-fundador da banda Van Halen.

Um dos maiores guitarristas de todos os tempos, Van Halen ajudou a popularizar a técnica de solo de guitarra conhecida como tapping, permitindo que arpejos rápidos fossem tocados com as duas mãos no braço da guitarra.

Foi eleito o melhor guitarrista de todos os tempos, numa votação promovida pela revista Guitar World, que contou com quase 500 mil votos. Foi eleito o 8º melhor guitarrista de todos tempos pela revista Rolling Stone.

Faleceu a 6 de outubro de 2020, aos 65 anos, após passar cinco anos a lutar contra um cancro.

    
 

Andrew Ridgeley, dos Wham!, faz hoje 63 anos

 

Andrew John Ridgeley (Windlesham, 26 de janeiro de 1963) é um músico britânico que se tornou mundialmente conhecido quando formou dupla (e viveram momentos profundamente intensos, musical e socialmente) com George Michael, no dueto pop Wham!.

Após o fim dos Wham!, Andrew tornou-se surfista e ambientalista. Hoje vive numa quinta, no interior da Inglaterra, com a sua esposa, Keren Woodward, integrante da banda pop Bananarama.
  
 

Paulo Saraiva nasceu há sessenta e dois anos...

  
PAULO JORGE PEDROSO BARATA FEIO SARAIVA, nasceu em Coimbra, a 26 de janeiro de 1964, e faleceu, em Lisboa, a 6 de fevereiro de 2012, estando sepultado no cemitério da Conchada, em Coimbra. Morre aos 48 anos, na sua casa perto de Lisboa, de acidente vascular cerebral. Mais um jovem talentoso, na voz e no dedilhar da viola, algo envelhecido, que parte tão cedo.
Aos 11 anos, foi aluno da Escola de Guitarra Clássica, do extinto F.A.O.J., no ano de 1975, tendo como professor Luis Filipe Roxo. Frequenta o Conservatório de Música de Coimbra, estudando guitarra clássica (viola), começando a cantar por volta dos anos 80, na Escola de Fado do Chiado. Aqui, sob a orientação do professor Jorge Gomes, que cedo se apercebe das suas qualidades de cantor, e assim, decide abraçar decididamente o canto. Mais tarde, vem a pertencer à Tuna Académica da Universidade de Coimbra, integrando a Orquestra e um Grupo de Fados. Também faz parte da Secção de Fado da Associação Académica de Coimbra, onde colabora na Orxestra Pitagórica e na Estudantina Universitária de Coimbra.
É fundador do Grupo de Fados e Guitarradas "Torre d'Anto" e colaborou com o Grupo "Toada Coimbrã", com o qual participou numa Serenata Monumental da Queima das Fitas, que teve um impacto extraordinário. A partir daqui, começa a cantar no grupo de António Portugal, com António Brojo, Aurélio Reis e Luis Filipe, no qual se mantém até à morte de Portugal, em 26 de junho de 1994. Cantou ao lado de grandes figuras da Canção de Coimbra, como Luiz Goes (1933 - 2012), António Bernardino (1941 - 1996), Augusto Camacho Vieira, Fernando Rolim, e muitos outros. Foi acompanhado pelos guitarristas, como António Portugal, António Brojo (1927 - 1999), Octávio Sérgio, António José Moreira, Henrique Ferrão, António Vicente, entre outros. À viola, teve o acompanhamento de Aurélio Reis, Luis Filipe, Durval Moreirinhas, Rui Pato, Luis Santos, e também muitos outros.
Considerava-se especialmente influenciado por José Afonso (1929 - 1987), António Portugal (1931 -1944) e Adriano Correia de Oliveira (1942 - 1982). Gravou alguns discos, como a "Estudantina Passa", em 1988, depois em 1997, com 33 anos, grava "Canção com Lágrimas", da etiqueta Ovação, disco que obtém um êxito assinalável. Colabora depois na fase de Lisboa, noutras gravações. Com efeito no início dos anos 90 do século passado, radica-se em Lisboa, atuando por mais de uma década na casa de fados "Sr. Vinho", onde de há muito se encontrava Fernando Machado Soares. A sua carreira de cantor, passou por participações em programas televisivos e radiofónicos, percorrendo o nosso país e o estrangeiro, em países como Espanha, Holanda, França, Bélgica, Alemanha, Luxemburgo, Marrocos, Brasil, Cuba, Canadá, Tailândia, Malásia, Singapura e São Tomé e Príncipe.
O seu repertório incluía sobretudo Fados de Coimbra, Canção de Intervenção, e Música Popular Portuguesa, interpretando temas de grandes figuras como Luiz Goes, José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, suas e muitos outros.
Paulo Saraiva, deixa uma enorme saudade, em todos os que o conheceram, saudade que passa muito para além da controvérsia gerada na sua opção de radicação em Lisboa. Deixa amigos, que jamais o esquecerão, recordando o homem, e o artista, que precocemente envelheceu, e aquela voz magnífica e bem timbrada, que se fazia acompanhar na sua viola.


in Guitarra de Coimbra V (Cithara Conimbrigensis)

 

Chico César comemora hoje sessenta e dois anos

   
Francisco César Gonçalves (Catolé do Rocha, 26 de janeiro de 1964) é um cantor, compositor, escritor e jornalista brasileiro
     
Biografia
Nascido no município de Catolé do Rocha, no interior da Paraíba, aos dezasseis anos foi para João Pessoa, onde se formou em jornalismo pela Universidade Federal da Paraíba, ao mesmo tempo em que participava do grupo Jaguaribe Carne, que fazia poesia de vanguarda.
Pouco depois, aos 21, mudou-se para São Paulo. Trabalhando como jornalista e revisor de textos, aperfeiçoou-se simultaneamente na viola, multiplicou as sua composições e formou o seu público. A sua carreira artística tem repercussão internacional e a maioria de suas canções são poesias de alto poder de encanto linguístico.
Em 1991, foi convidado para fazer uma turnê pela Alemanha, e o sucesso animou-o a deixar o jornalismo para dedicar-se somente à música. Formou a banda Cuscuz Clã e passou a apresentar-se na casa noturna paulistana, Blen Blen Club. Em 1995 lançou o seu primeiro disco, Aos Vivos, e o seu primeiro livro, Cantáteis, cantos elegíacos de amizade (Edições Garamond).
Chico César tomou posse na presidência da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope) em maio de 2009. De janeiro 2011 a dezembro de 2014 foi Secretário de Cultura do estado da Paraíba.
   

 

 

À Primeira Vista - Chico César

Quando não tinha nada, eu quis
Quando tudo era ausência, esperei
Quando tive frio, tremi
Quando tive coragem, liguei...

Quando chegou carta, abri
Quando ouvi Prince, dancei
Quando o olho brilhou, entendi
Quando criei asas, voei...

Quando me chamou, eu vim
Quando dei por mim, tava aqui
Quando lhe achei, me perdi
Quando vi você, me apaixonei...

Amarazáia zoê, záia, záia
A hin hingá do hanhan.....
Ohhh!
Amarazáia zoê, záia, záia
A hin hingá do hanhan.....

Quando não tinha nada, eu quis
Quando tudo era ausência, esperei
Quando tive frio, tremi
Quando tive coragem, liguei...

Quando chegou carta, abri
Quando ouvi Salif Keita, dancei
Quando o olho brilhou, entendi
Quando criei asas, voei...

Quando me chamou, eu vim
Quando dei por mim, tava aqui
Quando lhe achei, me perdi
Quando vi você, me apaixonei...

Amarazáia zoê, záia, záia
A hin hingá do hanhan...
Ohhhhh!
Amarazáia zoê, záia, záia
A hin hingá do hanhan.....

Quando me chamou, eu vim
Quando dei por mim, tava aqui
Quando lhe achei, me perdi
Quando vi você, me apaixonei...

Amarazáia zoê, záia, záia
A hin hingá do hanhan....

Ohhhhh!
Amarazáia zoê, záia, záia
A hin hingá do hanhan...

Ohhhhh!
Amarazáia zoê, záia, záia
A hin hingá do hanhan...

Ohhhhh!
Amarazáia zoê, záia, záia...
 

Anita Baker - 68 anos

        
Anita Baker
(Toledo, Ohio 26 de janeiro de 1958) é uma cantora norte-americana de R&B e soul. Até hoje, ganhou oito Grammy Awards e tem 4 discos de platina e 2 de ouro.
      
 

Kobe Bryant morreu há seis anos...


Kobe Bean Bryant (Filadélfia, 23 de agosto de 1978 - Calabasas, 26 de janeiro de 2020) foi um jogador profissional de basquetebol norte-americano. Jogou em toda a sua carreira como ala-armador nos Los Angeles Lakers da National Basketball Association (NBA).

Filho de Joe Bryant, ex-jogador do Philadelphia 76ers e antigo técnico da equipa Los Angeles Sparks da WNBA, é considerado um dos melhores jogadores de todos os tempos. Por outro lado, críticos alegam as suas baixas percentagens de arremessos de campo, de dois e três pontos (ao longo de sua carreira, teve média de 44% em arremessos de dois e 32% em triplos, que até caem nos playoffs), que fazem dele o jogador com mais arremessos perdidos na história da NBA: 14. 481 arremessos de campo perdidos na temporada regular (marcou 11.719 de um total de 26 200 arremessos) e 2.485 (marcou 2 .014 dum total de 4.499 arremessos nos playoffs), totalizando 16.966 arremessos perdidos.

Foi um dos poucos atletas a ser escolhido no recrutamento da NBA direto do ensino secundário para a liga norte-americana. Ao longo de 20 anos de carreira, ganhou cinco campeonatos da NBA, participou 18 vezes do All-Star Game (recorde absoluto), foi eleito 15 vezes como membro da equipe ideal da NBA, 12 vezes como membro da All-Defensive Team da NBA e foi o Jogador Mais Valioso (MVP) da NBA em 2008.

Kobe, junto com o pivô Shaquille O'Neal e o técnico Phil Jackson, levou os Lakers a três campeonatos consecutivos da NBA, a chamada ‘dinastia’ nos Estados Unidos – 2000, 2001 e 2002. Após a temporada 2003–04, Shaquille O'Neal saiu da equipa e Kobe tornou-se a estrela principal da equipa de Los Angeles, sendo o melhor marcador da liga por duas temporadas consecutivas: 2005–06 e 2006–07. Nessas temporadas, quebrou vários recordes pessoais e da liga. Em 2006, fez 81 pontos num jogo contra o Toronto Raptors, segunda maior pontuação de todos os tempos, atrás somente dos 100 pontos de Wilt Chamberlain, marcados numa partida em 1962. Contudo, há analistas da NBA que defendem que o desempenho de Kobe foi melhor.

Em 2003, envolveu-se num escândalo sexual no estado do Colorado, quando uma funcionária do hotel em que estava hospedado o acusou de estupro. Kobe admitiu que cometera adultério, mas que não havia cometido o crime. Em setembro de 2004, o processo foi retirado. Kobe foi escolhido pela primeira vez como titular no Jogos das Estrelas da NBA na sua segunda temporada da carreira. Desde então, foi titular em mais 17 ocasiões, um recorde absoluto. Em 2010 ele foi convocado para ser titular, mas uma contusão o impediu de participar do evento. Foi MVP do All-Star Game em quatro ocasiões: 2002, 2007, 2009 e 2011, o que também lhe confere um recorde, empatado com Bob Pettit.

Foi o Jogador Mais Valioso da Liga (MVP), na temporada 2007–08, após ter liderado a sua equipa à melhor campanha na conferência Oeste, uma das mais difíceis dos últimos tempos e levou a equipa às Finais da NBA, mas não ao título, que ficou na mão do maior rival dos Lakers, os Boston Celtics. No mesmo ano, foi medalha de ouro nas Olimpíadas de Pequim.

Em 2009, Bryant levou os Lakers ao título da NBA e, assim, conquistou o seu quarto campeonato na carreira. Foi também o Jogador Mais Valioso das Finais, que ocorreram contra os Orlando Magic. Nesse ano, o uniforme de Kobe foi o mais vendido nos Estados Unidos, Europa e China. Ainda em 2009, o rapper Lil Wayne homenageou Kobe com uma música com o próprio nome de Bryant. No ano seguinte, numa partida contra os Memphis Grizzlies, tornou-se o maior marcador da história dos Los Angeles Lakers. Ainda em 2010, comandou os Lakers na conquista de mais um título da NBA ao bater em sete jogos os Celtics. Foi a primeira vez que disputou um jogo 7 das Finais da NBA. E pela segunda vez na carreira, foi escolhido como o Jogador Mais Valioso das Finais.

Em 2018, Bryant venceu o Óscar de "Melhor curta-metragem de animação", com o filme Dear Basketball.

Kobe faleceu, aos 41 anos, em 26 de janeiro de 2020 quando o helicóptero em que estava caiu na cidade de Calabasas, próximo do Condado de Los Angeles.

 

Antonio Maria Abbatini nasceu há 431 anos

Antonio Maria Abbatini (Città di Castello, 26 de janeiro de 1595 - ?, depois de 15 março de 1679, provavelmente em agosto de 1679) foi um conhecido maestro e famoso compositor italiano. Deu a forma de canto gregoriano aos hinos da Igreja Católica, no ano de 1634, e deixou grande número de composições de música religiosa.

   
 

Hoje é o Dia da Austrália...!

Capt. Arthur Phillip raising the flag at Sydney Cove, 26 January 1788
     
Australia Day is the official National Day of Australia. Celebrated annually on 26 January, it marks the anniversary of the 1788 arrival of the First Fleet of British Ships at Port Jackson, New South Wales, and the raising of the Flag of Great Britain at Sydney Cove by Governor Arthur Phillip. In present-day Australia, celebrations reflect the diverse society and landscape of the nation, and are marked by community and family events, reflections on Australian history, official community awards, and citizenship ceremonies welcoming new members of the Australian community. 
      

Edward Jenner, o criador das modernas vacinas, morreu há 203 anos

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/be/Edward_Jenner.jpg
   
Edward Jenner (Berkeley, 17 de maio de 1749 - Berkeley, 26 de janeiro de 1823) foi um naturalista e médico britânico que exercia em Berkeley, Gloucestershire, reconhecido pela invenção da vacina da varíola - a primeira imunização deste tipo na história do ocidente. Afirma-se que os chineses teriam desenvolvido uma técnica de imunização anteriormente a Jenner. A primeira descrição da arteriosclerose foi feita por Jenner.
  
(...)
  
Em 1789 Jenner observou que as vacas tinham nas tetas feridas iguais às provocadas pela varíola no corpo de humanos. Os animais tinham uma versão mais leve da doença, a varíola bovina, ou bexiga vacum. Em 1796, resolveu pôr à prova a sabedoria popular que dizia que quem lidava com gado não contraía varíola. Ao observar que as mulheres responsáveis pela ordenha quando expostas ao vírus bovino tinham uma versão mais suave da doença, então ele conduziu a sua primeira experiência com James Phipps, um menino de oito anos.
Jenner inoculou com o pus extraído de feridas de vacas contaminadas, recolhendo o líquido que saía destas feridas e passou-o em cima de arranhões que ele provocou no braço do garoto. O menino teve um pouco de febre e algumas lesões leves, tendo uma recuperação rápida. A partir daí, o cientista pegou o líquido da ferida de outro paciente com varíola e novamente expôs o rapaz ao material. Semanas depois, ao entrar em contacto com o vírus da varíola, o pequeno passou incólume à doença. Estava descoberta assim a propriedade de imunização.
No ano seguinte, ele relatou a sua experiência à Royal Society - a Academia de Ciências do Reino Unido -, mas as provas que apresentou foram consideradas insuficientes. Realizou então novas inoculações em outras crianças, inclusive no seu próprio filho. Em 1798, o seu trabalho foi reconhecido e publicado. No entanto, os seus críticos procuravam ridicularizá-lo, denunciando como repulsivo o processo de infetar pessoas com material colhido em animais doentes. Mas as vantagens da vacinação, porém, logo se tornaram tão evidentes, pois estas tornavam os humanos imunes à varíola humana, uma das doenças epidémicas mais mortais da humanidade.
A varíola só seria erradicada na década de 80, de acordo com a Organização Mundial de Saúde.
          

Afonso Lopes Vieira nasceu há 148 anos...

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Afonso Lopes Vieira, por Columbano Bordalo Pinheiro (1910)
      
Afonso Lopes Vieira (Leiria, 26 de janeiro de 1878 - Lisboa, 25 de janeiro de 1946) foi um poeta português.
Natural de Leiria, bacharelou-se em Direito, pela Universidade de Coimbra, em 1900. Depois de exercer a advocacia junto do seu pai, Afonso Xavier Lopes Vieira, radicou-se em Lisboa, onde veio a exercer o ofício de redator na Câmara dos Deputados, até 1916. No último desses anos deixou o cargo para se dedicar exclusivamente à atividade literária. Na capital, residiu no Palácio da Rosa, junto ao bairro da Mouraria, que fora dos marqueses de Castelo Melhor, e foi propriedade do poeta entre 1927 e 1942. Em frente do palácio, no Largo da Rosa, foi colocado um busto seu.
Ainda jovem, Afonso Lopes Vieira descobriu os clássicos da literatura, nomeadamente através da biblioteca do seu tio-avô, o poeta Rodrigues Cordeiro, e iniciou a sua colaboração em jornais manuscritos, de que são exemplos A Vespa e O Estudante. Com a publicação do livro Para Quê? (1897) faz a sua estreia poética, iniciando um período de intensa atividade literária - Ar Livre (1906), O Pão e as Rosas (1908), Canções do Vento e do Sol (1911), Poesias sobre as Cenas Infantis de Shumann (1915), Ilhas de Bruma (1917), País Lilás, Desterro Azul (1922) - encerrando a sua atividade poética, assim julgava, com a antologia Versos de Afonso Lopes Vieira (1927), mas que culminará com a obra inovadora e epigonal Onde a terra se acaba e o mar começa (1940).
O carácter ativo e multifacetado do escritor tem expressão na sua colaboração em A Campanha Vicentina, na multiplicação de conferências em nome dos valores artísticos e culturais nacionais, recolhidas nos volumes Em demanda do Graal (1922) e Nova demanda do Graal (1942). A sua acção não se encerra, porém, aqui, sendo de considerar a dedicação à causa infantil, iniciada com Animais Nossos Amigos (1911), o filme infantil O Afilhado de Santo António (1928), entre outros. Por fim, assinale-se a sua demarcação face ao despontar do Salazarismo, expressa no texto Éclogas de Agora (1935), sob a égide e em defesa do Integralismo Lusitano.
Teve ainda colaboração em publicações periódicas, de que são exemplo as revistas Ave Azul (1899-1900), Serões (1915-1920), Arte & vida (1904-1906), A republica portugueza (1910-1911), Alma Nova (1914-1930), Atlantida (1915-1920), Contemporânea (1915-1926), Ordem Nova (1926-1927) e Lusitânia (1924-1927).
Cidadão do mundo, Afonso Lopes Vieira não esqueceu as suas origens, conservando as imagens de uma Leiria de paisagem bucólica e romântica, rodeada de maciços verdejantes plantados de vinhedos e rasgados pelo rio Lis, mas, sobretudo, de São Pedro de Moel, lugar da sua Casa-Nau e paisagem de eleição do escritor, enquanto inspiração e génese da sua obra. O Mar e o Pinhal são os principais motivos da sua poética.
Nestas paisagens o poeta confessa sentir-se «[…] mais em família com o chão e com a gente», evidenciando no seu tratamento uma apetência para motivos líricos populares e nacionais. Essencialmente panteísta, leu e fixou as gentes, as crenças, os costumes, e as paisagens de uma Estremadura que interpretou como «o coração de Portugal, onde o próprio chão, o das praias, da floresta, da planície ou das serras, exala o fluido evocador da história pátria; província heroica, povoada de mosteiros e castelos…» (Nova demanda do Graal, 1942: 65).
Atualmente a Biblioteca Municipal em Leiria tem o seu nome. A sua casa de São Pedro de Moel foi transformada em Museu. Lopes Vieira é considerado um eminente poeta, ligado à corrente da chamada Renascença Portuguesa e um dos primeiros representantes do neogarretismo.
   

   

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Pinhal do Rei
 
 
Catedral verde e sussurrante, aonde
a luz se ameiga e se esconde
e aonde, ecoando a cantar,
se alonga e se prolonga a longa voz do mar:
ditoso o "Lavrador" que a seu contento
por suas mãos semeou este jardim;
ditoso o Poeta que lançou ao vento
esta canção sem fim...

Ai flores, ai flores do Pinhal florido,
que vedes no mar?
Ai flores, ai flores do Pinhal florido,
rei D. Dinis, bom poeta e mau marido,
lá vem as velidas bailar e cantar.


Encantado jardim da minha infância,
aonde a minh'alma aprendeu;
a música do Longe e o ritmo da Distância
que a tua voz marítima lhe deu;
místico órgão cujo além se esfuma
no além do Oceano, e onde a maresia
ameiga e dissolve em bruma,
e em penumbra de nave, a luz do dia.
Por estes fundos claustros gemem
os ais do Velho do Restelo...
Mas tu debruças-te no mar e, ao vê-lo,
teus velhos troncos de saudades fremem...

Ai flores, ai flores do Pinhal louvado,
que vedes no mar?
Ai flores, ai flores do Pinhal louvado,
são as caravelas, teu corpo cortado,
é lo verde pino no mar a boiar.

Pinhal de heróicas árvores tão belas,
foi do teu corpo e da tua alma também
que nasceram as nossas caravelas
ansiosas de todo o Além;
foste tu que lhe deste a tua carne em flor
e sobre os mares andaste navegando,
rodeando a terra e olhando os novos astros,
ó gótico Pinhal navegador,
em naus, erguida, levando
tua alma em flor na ponta alta dos mastros!...

Ai flores, ai flores do Pinhal florido,
que vedes no mar?
Ai flores, ai flores do Pinhal florido,
que grande saudade, que longo gemido
ondeia nos ramos, suspira no ar!

Na sussurrante e verde catedral
oiço rezar a alma de Portugal:
ela aí vem, dorida, e nos seus olhos
sonâmbulos de surda ansiedade,
no roxo da tardinha,
abre a flor da Saudade;
ela aí vem, sozinha,
dorida do naufrágio e dos escolhos,

viúva de seus bens
e pálida de amor,
arribada de todos os aléns
de este mundo de dor;
ela aí vem, sozinha,
e reza a ladainha
na sussurrante catedral aonde
toda se espalha e esconde,
e aonde, ecoando a cantar,
se alonga e se prolonga a longa voz do mar.

  
  

in
Onde a Terra se Acaba e o Mar Começa (1940) - Afonso Lopes Vieira