domingo, abril 27, 2025

A cantora Luísa Maita celebra hoje 43 anos

     
  
Biografia

Luisa nasceu em São Paulo, Brasil, a 27 de abril de 1982. Filha de Amado Maita, músico e compositor que teve o seu único álbum considerado o “holy grail” entre colecionadores no mundo, e da produtora cultural Myriam Taubkin, Luisa teve contato direto com o samba jazz e o meio musical desde a infância. Conviveu com grandes músicos como Sizão Machado, Moacir Santos, Naná Vasconcelos, Paulinho da Viola, Lenine, Guilherme Vergueiro, entre outros.

Mostrou a sua capacidade de composição tendo músicas gravadas por Virgínia Rosa, Mariana Aydar (“Beleza” eleita pela revista Rolling Stone uma das melhores músicas de 2009) e participado dos álbuns de Rodrigo Campos e Carlos Núñes. Luísa Maita também trabalhou com grandes produtores no Brasil como Antonio Pinto, Beto Villares e Bid. Teve destaque como cantora nos vídeos da campanha para olimpíadas Rio 2016 dirigidos por Fernando Meirelles, apresentados em Copenhaga e veiculados no mundo todo.

Em 2010, Luísa apresenta "Lero-Lero", o seu álbum de estreia lançado no Brasil ,pelo selo Oi Música e no mundo todo pela Cumbancha/Putumayo, pontuado por influências da música pop e eletrónica indissociáveis da base acústica enraizada no samba, na bossa nova e na música popular brasileira que une referências musicais e pessoais com preciosismo e despojamento.

Após o lançamento nos Estados Unidos, o programa “All Things Considered” da NPR disse que Luísa é a "Nova Voz do Brasil" e salientou que "se continuar fazendo discos como este, pode muito bem estar no caminho para o estrelato internacional". Logo em seguida a cantora embarca para a sua primeira turnê pelos Estados Unidos e Canadá, recebendo ótimas críticas do The New York Times, The Washington Post e Boston Globe.

No Brasil, o álbum figurou nas principais listas de melhores discos de 2010 - entre elas a da revista Veja, Rolling Stone e MTV e, em julho de 2011, Luísa recebeu o prémio de Artista Revelação do Ano na vigésima segunda edição do conceituado Prémio da Música Brasileira, além de se apresentar na festa de entrega ao lado de Lenine.

No mesmo período, Luísa estreou na Europa passando por importantes festivais de verão como o Nuits du Sud na França e o Músicas do Mundo, em Portugal. Em agosto de 2011, a cantora retornou à América do Norte realizando 30 shows, em 26 cidades, durante 45 dias e, uma vez mais, lotando os festivais e casas de shows por onde passou e recebendo elogios da imprensa com destaque especial no jornal LA Times.

 
   
 

Patrick Stump, vocalista dos Fall Out Boy, nasceu há 41 anos

      
Patrick Vaughn Stump (nascido Patrick Martin Stumph) (Glenview, Illinois, 27 de abril de 1984) é o vocalista e guitarrista da banda de pop-punk Fall Out Boy. Filho de David Stumph, um cantor de folk e Patricia Vaughn, tem uma irmã mais velha chamada Megan e irmão mais velho chamado Kevin, que é um exímio violinista. É o vocalista e guitarrista da banda de rock Fall Out Boy, originária de Wilmette, Illinois.
  
 

Olivier Messiaen morreu há trinta e três anos...

 

Olivier Messiaen (Avinhão, 10 de dezembro de 1908Clichy, 27 de abril de 1992) foi um compositor, organista e ornitologista francês.

Autor de vasta produção, que se estende pela música para órgão, piano, de câmara, vocal (com ou sem instrumentos), concertante, sinfónica, coral-sinfónica e uma ópera – Sétimo Quadro do São Francisco de Assis.

  

 

A África do Sul elegeu, democraticamente, um Presidente e o Parlamento há 31 anos

 
Eleições gerais de 1994
400 membros da Assembleia Nacional












26-29 de abril de 1994
Tipo de eleição:  Eleição geral
Cargos a eleger:  Presidente da África do Sul
(1994-1999)

Nelson MandelaANC
Votos: 12 237 655  
Assentos obtidos: 252  
  
62.65%

FW de KlerkNP
Votos: 3 983 690  
Assentos obtidos: 82  
  
20.39%

Constand ViljoenVF Plus
Votos: 424 555  
Assentos obtidos: 9  
  
2.17%
 
 
O dia 27 de abril é o “Dia da Liberdade” para os sul-africanos. A data marcou a primeira eleição (em 1994) que não foi determinada pelas regras do apartheid (regime de segregação racial oficializado pelo governo da África do Sul) desde 1948. Até então, a cor restringia a participação nas eleições de tal modo que, de uma população de quase 28 milhões, apenas 3 milhões eram eleitores. A eleição de 1994, sem restrições raciais, (para as assembleias regionais e para a assembleia nacional do país) foi possível em função das negociações de paz que envolveram toda a sociedade sul-africana após a libertação de Nelson Mandela, em 1990. O partido do mais famoso dissidente político do mundo, Congresso Nacional Africano, foi o grande vencedor do pleito, o que garantiu a eleição de Mandela para a presidência da República.
A eleição foi organizada pela Comissão Eleitoral Independente, formada por representantes de diversos setores da sociedade sul-africana e presidida pelo líder do principal tribunal do país. A Comissão enfrentou uma série de problemas, a ponto de relatório do Departamento de Estado dos EUA ter considerado sua tarefa um “pesadelo logístico”.
Os eleitores não estavam registados em qualquer banco de dados específico. O documento exigido era o de identidade, e os membros das mesas foram instruídos para flexibilizar soluções para os casos mais complicados. A eleição decorreu ao longo de seis dias, e, como o eleitor podia votar em qualquer mesa, alguns locais tiveram filas cujo tamanho alcançaram a marca dos quilómetros. Ao largo de todos estes problemas, os observadores internacionais, vinculados tanto à ONU quanto à União Europeia, afiançaram a credibilidade do pleito, que marcou uma nova era na política sul-africana.
Os votos válidos chegaram a 19.726.579, e os dois partidos mais votados para a Assembleia Nacional foram o Congresso Nacional Africano, com 12.237.655 votos (62.65% e 252 deputados), o Partido Nacional, com 3.983.690 de votos (20.39% e 82 deputados).

 

Partido Votos % Deputados

Congresso Nacional Africano 12 237 655
62,65 / 100,00
252 / 400

Partido Nacional 3 983 690
20,39 / 100,00
82 / 400

Partido da Liberdade Inkatha 2 058 294
10,54 / 100,00
43 / 400

Frente da Liberdade 424 555
2,17 / 100,00
9 / 400

Partido Democrático 338 426
1,73 / 100,00
7 / 400

Congresso Pan-Africano 243 478
1,25 / 100,00
5 / 400

Partido Democrata Cristão Africano 88 104
0,45 / 100,00
2 / 400

Outros 159 296
0,81 / 100,00
0 / 400
Votos Inválidos 193 112
0,98 / 100,00

Total 19 726 610
100,00 / 100,00
400 / 400
Eleitorado/Participação 22 709 152
86,87 / 100,00

  

 undefined

  

Rostropovich morreu há dezoito anos...

       
Mstislav Leopoldovitch Rostropovich (Baku, 27 de março de 1927  - Moscovo, 27 de abril de 2007) foi um violoncelista e maestro russo (tendo-se, mais tarde, naturalizado norte-americano), unanimemente apontado como o maior violoncelista do século XX.
Nasceu no Azerbaijão, parte então da União Soviética. Ainda quanto era muito pequeno, a sua família muda-se para Moscovo. Estudou no conservatório da capital (do qual mais tarde seria docente) tendo como professores, entre outros, Dmitri Shostakovitch e Serguei Prokofiev.
Estreou diversas obras para violoncelo dos principais compositores contemporâneos, como a 'Sinfonia concertante em mi menor, opus 125' de Serguei Prokofiev, os dois concertos para violoncelo de Dmitri Shostakovich e as Sinfonia para Violoncelo e Sonata para violoncelo e piano de Benjamin Britten.
Rostropovich lutou por uma arte sem fronteiras, pela liberdade de expressão e pelos valores democráticos, resultando em reprimendas por parte do regime soviético comunista. Em 1974, Rostropovich fugiu da então URSS devido à sua defesa intransigente dos direitos humanos e ao seu apoio a figuras dissidentes, como o escritor Aleksandr Solzhenitsyn. Em 1978 acabaria por ver a sua cidadania na União Soviética revogada, devido à sua oposição ao regime. Conseguiu regressar ao país apenas 16 anos depois, quando Mikhail Gorbachov era o líder da União.
   
 

A poetisa Idea Vilariño morreu há dezasseis anos...

   
Idea Vilariño (Montevideo, 18 de agosto de 1920 Montevideo, 28 de abril de 2009)​ fue una poeta, ensayista y crítica literaria uruguaya perteneciente al grupo de escritores denominado Generación del 45. Dentro de sus facetas menos conocidas se encuentran la de traductora, compositora y docente

Nació en una familia de clase media y culta, en la que estaban presentes música y literatura. Su padre, Leandro Vilariño (1892-1944) fue un poeta cuyas obras no fueron editadas en vida. Al igual que sus hermanos Numen, Poema, Azul y Alma, estudió música. Su madre conocía muy bien la literatura europea, y su padre era un conocido anarquista.

Como educadora en ejercicio, fue profesora de Literatura de Enseñanza Secundaria desde 1952 hasta el golpe de Estado en 1973. Luego de restaurado el sistema democrático, desde 1985 fue docente de Literatura uruguaya​ en el Departamento de Literaturas Uruguaya y Latinoamericana en la Facultad de Humanidades y Ciencias de la Universidad de la República.

Escribió desde muy joven; y sus primeros poemas ya maduros fueron concebidos entre los 17 y los 21 años. Su primera obra poética, La suplicante, fue editada en 1945 solo con su nombre. En años siguientes sería reconocida internacionalmente y premiada con distintos galardones. Sus poemas están marcados por una experiencia íntima, intensa y angustiosa, muy coherente siempre. Un particular estilo que los expertos atribuyen a los continuos problemas de salud que la aquejaban y a su infancia.

Y es que la poeta, desde una temprana edad padeció problemas de asma y un eccema que la obligaron a abandonar el núcleo familiar a los 16 años. Una fragilidad física que se extendió a lo emocional y que la dotó de una sensibilidad especial. El temprano fallecimiento de sus padres y de su hermano mayor tampoco ayudó y convirtió el duelo en una constante en su vida.

Integró la generación de escritores de diversa índole que surgieron artísticamente desde 1945 a 1950 que fue llamada Generación del 45. En ella también pueden ubicarse a Juan Carlos Onetti, Mario Benedetti, Sarandy Cabrera, Carlos Martínez Moreno, Ángel Rama, Carlos Real de Azúa, Carlos Maggi, Alfredo Gravina, Mario Arregui, Amanda Berenguer, Humberto Megget, Emir Rodríguez Monegal, Gladys Castelvecchi y José Pedro Díaz, entre otros. En particular, fue Rodríguez Monegal quien analizó y llamó la atención sobre la obra poética de Vilariño.

Participó en numerosos emprendimientos literarios. Estuvo concretamente entre los fundadores de la revista Clinamen, y Número, de peso entre 1945-1955 (por lo que conoció a Juan Ramón Jiménez); y se encontró entre los colaboradores de otras publicaciones como Marcha, La Opinión, Brecha, Asir, y Texto crítico.

Sus traducciones también han sido objeto de reconocimiento, llegando algunas de ellas (como las que realizó de obras de Shakespeare) a ser representadas en teatros de Montevideo. 

En 1997 fue entrevistada por Rosario Peyrou y Pablo Rocca, de allí surgió el documental Idea, con dirección de Mario Jacob, que fuera estrenado en mayo de 1998.

Su obra ha sido traducida a varios idiomas, como el italiano, alemán y portugués.

Como compositora, se pueden mencionar cuatro canciones emblemáticas pertenecientes a la música popular uruguaya: A una paloma (musicalizada por Daniel Viglietti), La canción y el poema (musicalizada por Alfredo Zitarrosa), Los orientales y Ya me voy pa' la guerrilla (musicalizadas por Los Olimareños).

En 2004 recibió el Premio Konex Mercosur a las Letras, otorgado por la Fundación Konex de Argentina, como la más influyente escritora de la región.

Falleció en Montevideo el 28 de abril de 2009 a los 88 años, al no superar la cirugía a la que fue sujeta debido una oclusión intestinal y arterial. Los originales de su obra se hallan dispersos; los cuadernos en los que copió sus poemas durante más de siete décadas fueron vendidos al archivo de la Universidad de Princeton, lo que contrarió su expresa voluntad.

 

CONSTANTE DESPEDIDA

 

Estos días
los otros
los de nubes tristísimas e inmóviles
olor a madreselvas
algún trueno a lo lejos.

Estos días
los otros
los de aire sonriente y lejanías
con un pájaro rojo en un alambre.

Estos días
los otros
este amor desgarrado por el mundo
esta diaria constante despedida.

 

Idea Vilariño

Vasco Graça Moura morreu há onze anos...

(imagem daqui)
  
Vasco Navarro da Graça Moura (Foz do Douro, 3 de janeiro de 1942 - Lisboa, 27 de abril 2014) foi um escritor, tradutor e político português
  
Biografia
Vasco Graça Moura nasceu a 3 de janeiro de 1942, na freguesia de Foz do Douro, no Porto.
Licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, onde colaborou na publicação académica Quadrante (1958-1962) publicada pela Associação Académica da Faculdade de Direito de Lisboa.
Passou 39 meses na tropa, numa altura em que era já casado e pai de dois filhos.
Foi advogado entre 1966 e 1983.
Após o 25 de abril de 1974, aderiu ao Partido Social Democrata, tendo sido chamado a exercer os cargos de Secretário de Estado da Segurança Social (IV Governo Provisório, do independente pró-comunista  Vasco Gonçalves, porém com participação de elementos ligados ao Grupo dos Nove) e dos retornados (VI Governo Provisório, José Pinheiro de Azevedo).
Na década de 80 enveredou definitivamente pela carreira literária, que o havia de confirmar como um nome central da literatura portuguesa da segunda metade século XX e um dos maiores defensores da língua portuguesa contra o denominado "Acordo Ortográfico" que tem sido alvo de grande polémica e resistência, não só em Portugal como em todos os países faladores de português, devido à sua introdução e implementação forçada e conta-vontade da generalidade dos povos.
Divorciou-se da sua primeira mulher, Maria Fernanda de Sá Dantas, no início dos anos 80, e voltou a casar-se mais duas vezes. Primeiro com a ensaísta Clara Crabbé Rocha, filha de Miguel Torga e de Andrée Crabbé Rocha, em 1985, e depois com Maria do Rosário Sousa Machado, em 1987, com quem teve mais duas filhas, enternecidamente referidas em vários poemas dos seus últimos livros. A sua última companheira foi Maria Bochicchio (italiana), que o acompanhou até perto da sua morte e com quem publicou O Binómio de Newton & A Vénus de Milo.
Foi diretor da RTP2 (1978), administrador da Imprensa Nacional - Casa da Moeda (1979-1989), presidente da Comissão Executiva das Comemorações do Centenário de Fernando Pessoa (1988) e da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses (1988-1995), diretor da revista Oceanos (1988-1995), diretor da Fundação Casa de Mateus, comissário-geral de Portugal para a Exposição Universal de Sevilha (1988-1992) e diretor do Serviço de Bibliotecas e Apoio à Leitura da Fundação Calouste Gulbenkian (1996-1999).
Juntamente com António Mega Ferreira, foi o autor da proposta de realização da Exposição Mundial de 1998 em Lisboa, que mais tarde seria considerada pelo Bureau International de Expositions uma das melhores exposições internacionais de sempre.
De novo pelo PSD foi durante dez anos consecutivos deputado ao Parlamento Europeu, integrando o Grupo do Partido Popular Europeu, desde 1999 até 2009.
Em janeiro de 2012, o Secretário de Estado da Cultura do governo de Passos Coelho, Francisco José Viegas, nomeou Vasco Graça Moura para a presidência da Fundação Centro Cultural de Belém, substituindo assim António Mega Ferreira, mantendo-se no cargo mesmo quando procurava curar-se do cancro que lhe provocou a morte, a 27 de abril de 2014. No mesmo dia, Pedro Passos Coelho, então primeiro-ministro de Portugal, destacou o percurso político de Graça Moura e a sua atividade como "divulgador das letras portuguesas", afirmando que o escritor deixou um "vasto legado literário, marcado pela inspiração e pela dedicação à língua portuguesa, que enriqueceu como poucos, uma constante procura da identidade nacional e um clarividente pensamento sobre as raízes, a herança política e filosófica e o futuro da Europa", concluindo: "Portugal perdeu hoje um dos seus maiores cidadãos".
Graça Moura foi uma das vozes mais críticas do Acordo Ortográfico, que considerava que apenas "serve interesses geopolíticos e empresariais brasileiros, em detrimento de interesses inalienáveis dos demais falantes de português no mundo".

 

 

OFÍCIO DE MORRER 

 

eu imagino assim a morte de pavese:
era um quarto de hotel em turim,
decerto um hotel modesto, de uma ou duas
estrelas, se é que havia estrelas.  

uma cama de pau, de verniz estalado,
rangendo de encontros fortuitos, um colchão mole e húmido
com a cova no meio, a do costume.
corria o mês de agosto com sua terra escura 

encardindo as cortinas. nada ia explodir
naquele mês de agosto àquela hora da tarde
de luz adocicada. e alguém pusera
três rosas de plástico num solitário verde.  

vejo como pavese entrou, como pousou a maleta
com indiferença, dobrou alguns papéis
e despiu o casaco (como nos filmes
italianos da época). depois foi aos lavabos  

no corredor, ao fundo. talvez tenha pensado
que esta vida é uma mijadela ou que.
voltou ao quarto, havia
uma fétida alma em tudo aquilo. 

ele abriu a janela
e pediu a chamada telefónica.
a noite ia caindo sem palavras, mesmo sem buzinas
excessivas. encheu um copo de água. e esperou.  

quando a campainha tocou, havia muito pouco
a dizer e ele já o tinha dito:
já tinha dito quanto amar nos torna
vulneráveis; e míseros, inermes;  

que é precisa humildade, não orgulho;
e parar de escrever;
e que dessa nudez é que morremos.
foi mais ou menos isto – a nossa condição 

demasiado humana, a voz humana, a frágil
expressão disso tudo, uma firmeza tensa.
«e até rapariguinhas o fizeram».
tinham nomes obscuros e nenhum  

remorso lancinante, ninguém pra falar delas.
a mais temida coisa é a coragem
do que parecia fácil: tudo o que não se disse
carregado num acto de súbitas fronteiras.  

foi mais ou menos isto. não sei se ele a seguir
pôs do lado de fora um letreiro
com ‘do not disturb’ ou coisa assim
nem se tomou as pastilhas uma a uma, ou se as contou.  

não sei se o encontrou uma criada,
se a polícia veio logo, se deixou uma carta
ao seu melhor amigo, se apagou a luz,
nem se pousou ao lado a carteira, o relógio, a esferográfica.  

não sei se entrou na morte como quem
traz imagens pungentes na cabeça,
palavras marteladas de desejo, ou como quem friamente
está no avesso do sono e vai calar-se e é justo.  

não sei se foi assim, se existe uma outra
verdade imaginável ou vedada. sei que ele tinha
um olhar decidido, alguma instigadora, e quarenta e dois anos,
e sei que nessa altura há já poucas verdades  

e nenhuma dimensão biográfica na morte.
já vem nas escrituras. eu prefiro
dizer que ele fechou a porta à chave
e sei que era viril a sua transparência.
  

  

Vasco Graça Moura

Poema recordar um Português...

 

Fernão de Magalhães
 
No vale clareia uma fogueira.
Uma dança sacode a terra inteira.
E sombras disformes e descompostas
Em clarões negros do vale vão
Subitamente pelas encostas,
Indo perder-se na escuridão.
 
De quem é a dança que a noite aterra?
São os Titãs, os filhos da Terra,
Que dançam da morte do marinheiro
Que quis cingir o materno vulto —
Cingi-lo, dos homens, o primeiro —,
Na praia ao longe por fim sepulto.
 
Dançam, nem sabem que a alma ousada
Do morto ainda comanda a armada,
Pulso sem corpo ao leme a guiar
As naus no resto do fim do espaço:
Que até ausente soube cercar
A terra inteira com seu abraço.
 
Violou a Terra. Mas eles não
O sabem, e dançam na solidão;
E sombras disformes e descompostas,
Indo perder-se nos horizontes,
Galgam do vale pelas encostas
Dos mudos montes.

 
  
 
in Mensagem (1934) - Fernando Pessoa

sábado, abril 26, 2025

Crimes de Guerra? Não esquecemos nem perdoamos (agora e sempre...)

Cedro de Guernica no parlamento basco (daqui)

 

O CEDRO DE GUERNICA

  

No fragor da batalha
- que era como um troar de tempestade -
a árvore tombou
ceifada da metralha.
.....................................................................................
Todo o Euzcádi chorou
no cedro assassinado a morta liberdade.
.....................................................................................
Mas que importa perder o cedro de Guernica,
por momentos não ter ao sol o seu lugar,
se a luta que travais, gentes de Euzcádi implica
que cada "pueblo" tenha um cedro de Guernica
para não mais tombar?!

   

Álvaro Feijó - novembro de 1938

Hoje é dia de cantar a poesia de Mário de Sá Carneiro...

 

Fim

Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!

Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
E eu quero por força ir de burro!

 

 

Mário de Sá Carneiro
Paris, 1916

Poesia para recordar uma canalhice nazi em Espanha...

 


A vitória de Guernica






1
Belo mundo dos pardieiros
Da mina e dos campos

2
Caras boas para o fogo boas para o frio
Para as recusas para a noite para as injúrias para
[os golpes

3
Caras boas para tudo
Eis o vazio que vos fixa
Vossa morte vai servir de exemplo

4
A morte coração derrubado

5
Fizeram-vos pagar o pão
O céu a terra a água o sono
E a miséria
Da vossa vida

6
Diziam desejar a boa inteligência
Racionavam os fortes julgavam os loucos
Davam esmola dividiam um soldo ao meio
Saudavam os cadáveres
Cumulavam-se de delicadezas

7
Insistem exageram não são do nosso mundo

8
As mulheres as crianças têm o mesmo tesouro
De folhas verdes de Primavera e de leite puro
E de tempo
Nos olhos puros

9
As mulheres as crianças têm o mesmo tesouro
Nos olhos
Os homens defendem-se como podem

10
As mulheres as crianças têm as mesmas rosas
[vermelhas
Nos olhos
Cada uma mostra o seu sangue

11
O medo e a coragem de viver e de morrer
A morte tão difícil e tão fácil

12
Homens para quem este tesouro foi cantado
Homens por quem se perdeu este tesouro

13
Homens reais para quem o desespero
Alimenta o fogo devorador da esperança
Abramos juntos o último rebento do futuro




Paul Éluard

in Algumas das Palavras (tradução António Ramos Rosa e Luiza Neto Jorge)

Francis Lai nasceu há 93 anos...

(imagem daqui)

Francis Lai, né le à Nice et mort le à Paris 8e, est un compositeur et musicien français, spécialiste de musiques de films, de génériques et de chansons.

Il est notamment l'auteur de la musique des films Un homme et une femme et Love Story. Pour ce dernier film, il reçoit l'Oscar de la meilleure musique de film en 1970.


 

Guernica foi bombardeada há 88 anos...

Ruínas de Guernica
   
O bombardeamento de Guernica, a 26 de abril de 1937, foi um ataque aéreo feito por aviões alemães da Legião Condor durante a Guerra Civil Espanhola no País Basco.
Coordenado por Wolfram von Richthofen e com suporte do Corpo Truppe Volontarie, o ataque destruiu a maior parte da localidade, na época com 5.000 - 7.000 habitantes, causando centenas de vítimas. Foi considerada um ataque terrível na época e usado como uma propaganda amplamente difundida no Ocidente, levando a acusações de "atentado terrorista" e de que 1.654 pessoas tinham morrido no ataque. Estimativas modernas avaliaram o número de mortos em cerca de 300 a 400.
O ataque, que serviu também para testar aviões de guerra e ganhar experiências no combate aéreo, apoiou as forças de Francisco Franco que invadiram a cidade poucos dias depois do bombardeamento.
O painel Guernica, pintado por Pablo Picasso em 1937, é normalmente tratada como representativa do bombardeamento sofrido pela cidade de Guernica.

 

Mural na cidade de Guernica com uma reprodução da obra original
         

Roger Andrew Taylor, o baterista dos Duran Duran, celebra hoje 65 anos...!


Roger Andrew Taylor (Bromwich, Inglaterra, 26 de abril de 1960) é o baterista da banda neo-romântica Duran Duran. É filho de Hugh e Jean Taylor e possui um irmão chamado Steven.
Roger esteve na banda Duran Duran entre 1979 e 1985, regressando após a reunião da formação original da banda, em 2001. Até hoje é considerado como o 'Duranie' mais silencioso, apesar de hoje em dia deixar a sua timidez de lado e dar declarações mais abertamente. É uma personalidade modesta, simples, e, no fundo, profundamente energético. De acordo com Simon Le Bon, é o elo central da banda.
    
 

Simonetta Vespucci morreu há 549 anos...

Retrato (póstumo) de Simonetta Vespucci - Sandro Botticelli

   
Simonetta Cattaneo Vespúcio ou Vespucci, em italiano (1453 - 26 de abril de 1476), foi uma nobre italiana que serviu de modelo para as obras O Nascimento de Vénus e A Primavera, ambas de Botticelli. Ficou conhecida como a mulher mais bela do Renascentismo. Viveu em Portovenere, uma cidadela italiana à beira-mar.

Era casada com Marco Vespucci, primo distante do navegador Américo Vespúcio e foi amante de Juliano de Médici, irmão mais novo de Lourenço de Médici.

Foi eleita a "Rainha da Beleza" de Florença. Morreu, de tuberculose, aos 23 anos. Depois de sua morte, Botticelli continuou a utilizar o seu rosto como modelo para pinturas. Antes de morrer, o pintor também pediu para ser enterrado aos pés de Simonetta.

 

Nascimento de Vénus - pintura de Sandro Botticelli, Galleria degli Uffizi


 

Assassinato de Simoneta Vespucci

 

Homens
No perfil agudo dos quartos
Nos ângulos mortais da sombra com a luz.

Vê como as espadas nascem evidentes
Sem que ninguém as erguesse - de repente.

Vê como os gestos se esculpem
Em geometrias exactas do destino.

Vê como os homens se tornam animais
E como os animais se tornam anjos
E um só irrompe e faz um lírio de si mesmo.

Vê como pairam longamente os olhos
Cheios de liquidez, cheios de mágoa
Duma mulher nos seus cabelos estrangulada.

E todo o quarto jaz abandonado
Cheio de horror e cheio de desordem.

E as portas ficam abertas,
Abertas para os caminhos
Por onde os homens fogem,
No silêncio agudo dos espaços,
Nos ângulos mortais da sombra com a luz.


 
  
  
in Coral (1950) - Sophia de Mello Breyner Andresen

Christian Leopold Freiherr von Buch, geólogo e paleontólogo alemão, nasceu há 251 anos

  
Christian Leopold Freiherr von Buch (Stolpe an der Oder , 26 de abril de 1774 - Berlim, 4 de março de 1853) foi um geólogo e paleontólogo alemão, considerado como um dos mais importantes contribuidores para o estudo da Geologia na primeira metade do século XIX.
Von Buch estudou com Alexander von Humboldt e Abraham Gottlob Werner, e muito viajou depois. O seu interesse científico era voltado para um largo espectro de tópicos geológicos: vulcanismo, fósseis, estratigrafia, etc. O seu feito mais lembrado foi a definição científica do sistema jurássico.
A Sociedade Geológica Alemã (Deutsche Gesellschaft für Geowissenschaften) chamou à sua publicação periódica Leopold-von-Buch-Plakette, em sua homenagem.
Foi laureado com a medalha Wollaston, concedida pela Sociedade Geológica de Londres, em 1842.
  

Eugène Delacroix nasceu há 227 anos

Delacroix retratado por Félix Nadar
          
Ferdinand Victor Eugène Delacroix (Saint-Maurice, 26 de abril de 1798 - Paris, 13 de agosto de 1863) foi um importante pintor (artista) francês do Romantismo.
Delacroix é considerado o mais importante representante do romantismo francês. Na sua obra convergem a voluptuosidade de Rubens, o refinamento de Veronese, a expressividade cromática de William Turner e o sentimento patético de seu grande amigo Géricault. O pintor, que como poucos soube sublimar os sentimentos por meio da cor, escreveu: "…nem sempre a pintura precisa de um tema". E isso seria de vital importância para a pintura das primeiras vanguardas.